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Monte-Carlo: o destino mais charmoso do tênis
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Alexandre Cossenza

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Publieditorial

Poucos eventos no circuito proporcionam ao fã de tênis o glamour e a emoção do Monte-Carlo Rolex Masters. O famoso torneio do Principado de Mônaco, disputado no charmoso e exclusivo Monte-Carlo Country Club, abre a temporada europeia de competições no saibro e costuma ser o melhor indício para apontar o campeão de Roland Garros.

O que não falta é atrativo para fãs de tênis migrarem para Mônaco durante o torneio, que este ano será realizado de 15 a 23 de abril. E não só pela importância dentro do calendário do tênis. Ir ao Monte-Carlo Rolex Masters significa ver de perto os maiores nomes do esporte na quadra central mais bonita do circuito, com vista para o Mediterrâneo e para as montanhas.

Quer ir ao Masters de Monte Carlo? Clique aqui e saiba como!

Além disso, o fã pode ver muito de perto – da beira da quadra! – os treinos de nomes como Novak Djokovic e Rafael Nadal sem precisar se espremer na disputa por espaço como acontece no US Open e em Roland Garros. E não é só isso. No Monte-Carlo Country Club, atletas e torcedores dividem várias áreas comuns, onde é possível caminhar lado a lado com seus ídolos.

A chave de 56 jogadores é outro diferencial. Como o torneio é disputado em uma semana e os jogos são disputados apenas em sessão diurna, comprar um ingresso para a quadra central praticamente garante que você vai ver seu tenista preferido. Já imaginou ver Rafael Nadal, Novak Djokovic, Roger Federer e Andy Murray no mesmo dia? No Masters 1000 de Monte-Carlo, isso é possível.

É preciso dizer também que os atrativos do Principado de Mônaco não se limitam ao tênis. É possível passear pelas ruas que formam o tradicional circuito da Fórmula 1, visitar o famoso Casino de Monte-Carlo e passear na costa do Mediterrâneo.

Juntando tudo acima, fica difícil dizer que existe um destino tenístico mais atraente que Monte-Carlo…


Grand Slam Clube: uma nova ideia no tênis
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Alexandre Cossenza

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Fazer jornalismo não é fácil. Jornalismo de verdade, bem feito. Isento, podendo escrever sobre qualquer assunto, mostrando lados bons e ruins de qualquer pessoa, evento ou instituição. Sem apelação e sem caça-clique. Com apuração e a notícia mais precisa possível, mesmo quando a internet estiver cheia de boatos. É preciso informar, explicar e analisar. Nada disso é fácil.

É difícil sustentar uma máquina assim, com todas engrenagens funcionando direito, e entregar um produto de alto nível para o leitor. Mesmo assim, a gente quer fazer isso. Quando digo “a gente”, falo de mim, de Sylvio Bastos e Giuliander Carpes. Sylvio é técnico e professor de tênis. É o comentarista do Fox Sports. É nossa “perna” técnica. Giu cobriu tênis pelo Estado de S. Paulo e pelo Terra. É mestre em Mídia e Negócios pela Erasmus University Rotterdam, uma das melhores do mundo em empreendedorismo. É nosso cara do “business”, digamos assim.

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Juntos, estamos tocando o projeto do Grand Slam Clube. Mas que “clube” é esse? O Grand Slam Clube (GSC) vai ser um site de notícias e clube de vantagens ao mesmo tempo. Vamos dar todas notícias relevantes do mundo do tênis, mas faremos mais do que isso. Queremos colocar o fã na beira da quadra, o mais perto possível do esporte e dos tenistas.

Para isso, planejamos e já fechamos algumas parcerias. Os “sócios” do Grand Slam Clube vão ganhar ingressos para o Rio Open e outros torneios, terão acesso a áreas restritas em alguns eventos, ganharão produtos, testarão raquetes e entrevistarão tenistas. Isso sem falar em algumas parcerias que estão em andamento (anunciaremos quando os acordos estiverem 100% fechados).

Clique aqui e se associe agora ao Grand Slam Clube!

E como isso funciona? Os associados pagam uma taxa anual, e é esse dinheiro que vai ser o pilar de sustentação do Grand Slam Clube. O GSC não vai, por exemplo, vender espaço publicitário para uma empresa que não quer críticas. E, como serão os associados que vão manter o site no ar, eles terão o que pudermos oferecer de melhor.

Temos dois planos de assinatura. O básico, chamado “Plano Masters”, custa R$ 100. É um valor anual. Para não ficar dúvida: você paga uma vez e fica associado por um ano inteiro. Chamamos ele de plano “básico”, mas ele não dá direito a pouco, não. O assinante Masters acessará toda a parte fechada do site. Ele terá direito às reportagens especiais; ao fórum de discussão, onde você vai estar em contato direto com os três sócios do site (Sylvio, Giu e eu) e poderá sugerir pautas; e ao fantasy game que desenvolveremos. Além disso, o sócio Masters terá descontos exclusivos em produtos da nossa loja virtual e brides a cada seis meses de associação.

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Quem assinar o plano premium, chamado “Grand Slam”, terá direito a participar das promoções e das experiências. Isso inclui testes de raquetes, entrevistas com tenistas, ingressos para torneios e acesso a áreas restritas em eventos. Isso tudo, claro, além do acesso à parte fechada do site, igualzinho ao sócios Masters. Este plano premium custa R$ 250 (é possível pagar em uma vez ou parcelado). De novo: o valor é anual. Quem pagar os R$ 250 – e nada além disso – será sócio Grand Slam por um ano.

O site será todo fechado para assinantes?

Não. Relatos de jogos, entrevistas coletivas e o noticiário comum, com tudo que você está acostumado a ler nos sites de tênis por aí, você também vai ler de graça no Grand Slam Clube, só que do nosso jeito. Um jeito um pouco diferente, você vai ver. A parte fechada terá nossas reportagens exclusivas. Entrevistas especiais, análises e reportagens especiais. Coisa boa, eu garanto.

Quando o Grand Slam Clube ele estará no ar?

Atualmente, estamos no processo de captação de sócios. Optamos por fazer isso via crowdfunding no site Kickante. Se alcançarmos nossa, meta, o desenvolvimento começará no início do ano. Nossa intenção é ter o site no ar, em pleno funcionamento, em fevereiro de 2017, antes do Rio Open. Até porque o torneio já é nosso parceiro e teremos mais de 50 ingressos para sócios do plano Grand Slam.

O que o Grand Slam Clube terá de diferente dos demais sites de tênis?

Nossa ideia é publicar conteúdo importante e da forma mais acessível possível, com uma linguagem simples e direta, mas sem deixar de mergulhar no assunto com a profundidade necessária – quando for o caso. Teremos mais vídeos e entretenimento, mas sem deixar de falar sério e fazer críticas nos momentos em que considerarmos adequado.

O blog Saque e Voleio fará parte do Grand Slam Clube?

A princípio, o blog Saque e Voleio continuará hospedado no aqui no UOL, mas com link dentro do Grand Slam Clube. Nossa intenção – e já tive conversas sobre isso – é eventualmente levar o GSC para o UOL, mas ainda é cedo para falar nisso. Antes, precisamos da sua ajuda, se associando e divulgando o Grand Slam Clube para seus amigos.

Como fazer para se associar?

Simples. Basta ir até a nossa campanha de crowdfunding, escolher um plano e fazer o pagamento. Ao fim da campanha, se tudo der certo, você começará a receber atualizações sobre o desenvolvimento do site. Assim que ele estiver no ar, enviaremos logins e senhas para a parte fechada.

E agora?

Nós três – Sylvio, Giu e eu – esperamos que mais pessoas gostem da ideia da mesmo maneira que nós gostamos e que juntos com os associados, seja possível levar o Grand Slam Club adiante.

Tem alguma dúvida? Escreva e pergunte. Meu email está na aba da direita do blog, na aba “sobre o autor”. Também estamos disponíveis no Twitter ou no Facebook. Fique à vontade. A casa, ou melhor, o clube é seu.


A CBT está a serviço de quem?
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Alexandre Cossenza

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Talvez a maior crítica feita à Confederação Brasileira de Tênis (e são muitas críticas, feitas por muita gente – pelo menos quando os microfones estão desligados) é que o órgão máximo da modalidade no Brasil gasta energia demais com questões pessoais de seu presidente, Jorge Lacerda, quando poderia estar mais envolvido em resolver assuntos de maior importância para o desenvolvimento da modalidade e seus atletas.

citei aqui no Saque e Voleio vários casos, incluindo o Circuito de Tênis Escolar Universitário e a Nike Junior Tour. Mais recentemente, Lacerda usou sua posição para exigir do Comitê Rio 2016 a não-contratação da jornalista Diana Gabanyi. Todos casos envolveram questões pessoais do presidente da CBT.

Neste fim de semana, recebi um documento com mais um exemplo desses. Lacerda escreve uma carta de apoio a uma das chapas que disputa a presidência da Federação de Tênis do Rio de Janeiro (FTERJ). Entretanto, no texto, endereçado à “comunidade tenística do Rio de Janeiro” e enviado a um endereço de email da FTERJ, o dirigente usa mais linhas para atacar Ricardo Acioly, líder de uma chapa concorrente, do que para elogiar a atual gestão da federação fluminense. Acioly é mais um nome visto por Lacerda como parte de um “grupo” contra ele. Segue abaixo a reprodução do texto, que pode ser baixado aqui.

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Não vou entrar no mérito da briga entre Lacerda e Acioly, mas há alguns pontos que preocupam no sentido de que o documento foi redigido por um presidente de confederação.

O primeiro deles é que Lacerda admite ter tomado tempo para protocolar no Tribunal de Contas da União, na Controladoria-Geral da União e no Ministério Público Federal, denúncias contra o suposto grupo do qual, segundo ele, Acioly faz parte. É admirável ver que o presidente se preocupou em analisar minuciosamente um projeto apresentado por quem ele considera opositores.

Tivesse o mesmo zelo com projetos apresentados pela CBT, a Confederação talvez pudesse ter dado sequência ao fracassado Projeto Olímpico. Tivesse Lacerda o mesmo zelo no projeto do Grand Champions, também proposto pela CBT, a Confederação não teria sido obrigada a devolver meio milhão de reais. Lembremos, ainda, que a Justiça Federal aceitou denúncia do MPF contra Lacerda neste mesmo caso do Grand Champions. A acusação é grave, e Ricardo Marzola, parceiro de Lacerda na época, já admitiu que assinou documento falso a pedido da CBT. Não é exatamente leve a questão.

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Também me causou estranheza Lacerda escrever sobre o evento Copa Rio Juvenil, afirmando que “com certeza ficará comprovado crime e dano ao erário ao final da investigação.” “Com certeza”? Lacerda já julgou o caso e condenou os réus? Soa ousado e desrespeitoso, até porque não me lembro de ninguém do tal grupo de oposição cravando publicamente que Lacerda será condenado “com certeza”.

No que diz respeito a Acioly, o ex-capitão brasileiro na Copa Davis se defendeu escrevendo uma carta-resposta, que está abaixo e pode ser baixada aqui.

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Disso tudo, algumas perguntas importantes ficam no ar, já que Lacerda deixará a presidência da CBT em breve, mas afirma com todas as letras que esse suposto grupo de oposição “não terá apoio e nem parceria da CBT.”

Será que o presidente eleito, Rafael Westrupp (na foto acima, ao lado de Lacerda), está de acordo com essa postura? Será, aliás, que ele teve conhecimento dessa carta antes de ela ser distribuída? Isso, aliás, leva a outra questão:

O próximo presidente, que faz parte da atual gestão de Lacerda, continuará a política de pouco diálogo e de brigas pessoais com o “grupo de oposição”?

Enviei essas duas questões à assessoria de imprensa da CBT, mas ainda não tive resposta. Quando receber, atualizarei o post.

Coisas que eu acho que acho:

– Que fique claro: não tomo parte de lado algum na eleição da FTERJ. Embora eu tenha acompanhado relativamente de perto o longo e complicado processo que levou a atual diretoria ao poder, não acompanhei o suficiente do trabalho de Renato Cito para julgar se foi bom ou ruim. Tampouco sei o que Ricardo Acioly planeja para a federação.

– A intenção deste post é levantar a questão de sempre: o órgão máximo do tênis brasileiro está realmente sendo usado em prol do tênis ou virou um instrumento de poder nas disputas pessoais de Jorge Lacerda? Para mim, esse é o ponto realmente importante.

Coisas que eu acho que acho, parte II:

– A CBT renovou o contrato de patrocínio com os Correios, fazendo um péssimo negócio. A estatal pagava cerca de R$ 17 milhões por dois anos (no balanço de 2015 da CBT, consta a entrada de R$ 8,6 milhões). Agora, os Correios pagam R$ 4 milhões pelo mesmo período. Há quem não ache que foi um péssimo negócio para a CBT. Discordo. Ou isso ou a CBT entrega um péssimo produto.

– Imaginemos o seguinte cenário: você, leitor, é fabricante de, digamos, cervejas artesanais. Sua empresa tem um acordo com o mercado X, que paga R$ 17 por cada garrafa de 600ml. Um belo dia, o mercado X anuncia que vai parar de comprar seu produto. O que você faz? Tenta vender a cerveja ao mercado Y, ao mercado Z ou a quem quer que queira comprar.

– Se ninguém estiver disposto a pagar R$ 17 por suas cervejas, talvez seja preciso reduzir o preço. Então sua empresa acha por bem reduzir para R$ 15, talvez R$ 13 reais. É assim que funciona a lei de oferta e procura. Se mesmo assim ninguém quiser fazer negócio, e o mercado X oferecer R$ 4 pela mesma cerveja que você vendia por R$ 17, o que se conclui disso? Ou a sua cerveja nunca valeu R$ 17 ou você está fazendo um péssimo negócio ao vendê-la por R$ 4. Ou ambos…


Investigado pela Justiça revela que deu declaração falsa a pedido da CBT
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Alexandre Cossenza

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A essa altura, todo mundo já sabe que a Justiça Federal aceitou a denúncia do Ministério Público e vai investigar Jorge Lacerda, presidente da CBT; Dacio Campos, ex-tenista e comentarista do SporTV; e Ricardo Marzola, proprietário da Brascourt, que faz quadras de tênis e teve escritório instalado na sede da CBT. Se não sabe, leia aqui.

Tentei falar com os três envolvidos e, de tudo que ouvi, o que mais mexeu comigo foi uma declaração de Ricardo Marzola. O proprietário da Brascourt disse que assinou, a pedido de Lacerda, uma declaração falsa, supostamente atestando ter realizado serviços que nunca foram prestados.

“A Carolina [Maria Carolina Freire, advogada da CBT], foi na porta do meu escritório e me levou uma carta, dizendo ‘O Jorge mandou você assinar isso’. A carta falava que eu tinha prestado algum tipo de serviço no Harmonia. O meu erro foi esse. Eu não li direito e assinei porque, naquela época, minha parceria com ele [Lacerda] era tão grande que mesmo se eu tivesse lido e visto o conteúdo dela mesmo, eu teria assinado, entendeu?”, disse Marzola. “Eu não fiz nada no Harmonia. Mandei um gerente meu e alguns funcionários, e o Harmonia falou que não precisava.”

Recapitulando, o evento estava marcado para acontecer no WTC, em São Paulo. Por isso, Marzola já havia encomendado a fabricação do piso emborrachado. Por isso, o empresário recebeu os R$ 40 mil que estavam previstos no projeto de captação de verba. O problema todo começou quando o evento teve de mudar de local. Marzola, que não teria o que fazer com o piso, relatou:

“O Dacio disse ‘Marzola, depois a gente vê o que faz. O Jorge já autorizou mudar para o Harmonia. Vamos ver se você presta algum serviço lá, compra uma lona, alguma coisa, e a gente debita desse dinheiro. Aí quando você vender a lona, você devolve esse dinheiro para nós.’”

“Eu vendi esse piso de borracha, tirei os impostos e devolvi o dinheiro para o Dacio Campos. Coloquei na conta particular dele, no Banco Itaú. Esse dinheiro não ficou para mim. Não roubei. Não sabia que não poderia mudar o local. Isso quem teria que saber era o Jorge.”

Marzola, vale explicar, era parceiro da CBT em várias empreitadas e foi responsável por construção e manutenção de quadras de confrontos de Copa Davis. A Brascourt tinha escritório na sede da Confederação Brasileira de Tênis, e Marzola, inclusive, chegou a se sentar no banco da equipe como um integrante do time de Copa Davis (na foto abaixo, ele aparece de agasalho cinza, com os dois braços levantados, comemorando um ponto brasileiro).

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A explicação de Marzola, de certo modo, não é muito diferente da justificativa dada por Dacio Campos, com quem também conversei por um bom tempo nesta sexta-feira. Quando a denúncia diz que ele não teria motivo idôneo para receber sua quantia (R$ 400 mil) porque Lacerda “sabia muito bem que não poderia contar com a ‘intermediação’ de DACIO” (aspas retiradas do texto original da denúncia), o comentarista argumenta que não tinha obrigação da saber da lei. Ele, afinal, teria sido contratado para fazer um serviço e não precisava saber, juridicamente falando, sobre as exigências envolvendo o dinheiro que lhe estava sendo oferecido.

Segundo Dacio Campos, se o torneio não tivesse mudado de local, a CBT faria seus pagamentos diretamente ao WTC. Como houve a alteração da sede, foi preciso montar a estrutura no clube Harmonia, e esse trabalho teria sido ressarcido com os tais R$ 400 mil questionados pelo MP.

Ele enfatizou: “Eu sou produtor, não sou promotor do evento. E eu só mudei o evento de local porque a ATP me mandou mudar. No Harmonia, eles me cederam uma quadra, e não uma arena como constava no projeto. Então tudo que compõe uma arena eu tive que montar. Eu tive que montar banheiros, fazer restaurante, área VIP. No WTC, eu não precisaria porque estaria tudo pronto.”

A ênfase no “produtor e não promotor” é importante porque se Dacio for considerado pela Justiça Federal como promotor, isso coloca a CBT como intermediária na captação de verba federal, o que não é permitido. Se a Justiça entender que Dacio é um produtor, ele seria apenas um contratado da CBT para fazer o serviço. Mesmo assim, neste último caso, seu serviço pode ser considerado o de um intermediário, o que também, segundo a denúncia, é proibido – a CBT deveria contratar diretamente seus fornecedores.

A posição da CBT

A CBT divulgou, via assessoria de imprensa, uma nota oficial sobre o denúncia aceita pela Justiça Federal. Ela segue na íntegra:

“Mediante as informações que saíram na imprensa, o presidente da Confederação Brasileira de Tênis, Jorge Lacerda, declara que conversou com os advogados do caso e que os mesmos irão requerer oficialmente os documentos para se interarem dos andamentos, visto que não houve intimação até o presente momento. Pelas informações não oficiais que foram publicadas na imprensa, Jorge afirma que já explicou cada um dos pontos, tanto que a prestação de contas do projeto junto ao Ministério do Esporte foi aprovada, com comprovação de que não houve dano ao erário. Jorge complementa que agora, finalmente, terá a oportunidade de se defender na Justiça.”

Especificamente sobre a declaração de Marzola e o documento assinado sobre seu trabalho no clube Harmonia, a CBT respondeu, também via assessoria de imprensa, apenas que “o presidente da CBT, Jorge Lacerda, afirma que nunca pediu a quem quer que seja para assinar nada ilegal ou indevido.”


‘6/0 Dicas do Fino’, uma nova referência nas livrarias
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Alexandre Cossenza

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Com o livro em mãos desde a quarta-feira do Brasil Open, aproveitei o tempo livre em Congonhas (obrigado, Avianca?) para começar a ler “6/0 Dicas do Fino” e me peguei lembrando dos meus primeiros dias de tenista amador, devorando cada página de “Winning Ugly” às vésperas dos jogos nos torneios internos do Tijuca Tênis Clube ou do Cetav, o circuito amador que na época era organizado pela Fterj.

Lembro de escolher o capítulo do dia dependendo do adversário. Fosse um devolvedor, um estourador ou alguém que fazia saque-e-voleio, o livro de Brad Gilbert dava as manhas e sugeria como tirar o melhor de seu tênis e, principalmente, como dificultar a vida do adversário. Gilbert não tinha um jogo vistoso nem uma arma evidente em seu tênis, mas foi top 5 “ganhando feio”, fazendo sempre o jogo que seu oponente menos gostava.

Mas eu divago – simplesmente porque a sensação que tive ao folhear as páginas escritas por Fernando Meligeni foi semelhante. Embora os dois livros cubram os mesmos temas, não são publicações tão parecidas assim. O que eu mais gostei em “6/0 Dicas do Fino” foi o livro não se restringir ao que acontece dentro de quadra.

O semifinalista de Roland Garros (1999) fala de questões técnicas e estratégicas, mas também aborda questões sobre tênis para crianças, relacionamento entre pais e técnicos e vários momentos cruciais na vida de um tenista como “Quando decidir pela profissionalização?”, “Circuito mundial ou universitário?” e “Como fazer uma transição bem feita?”

A impressão que tive ao ler pela primeira vez é que “6/0 Dicas do Fino” é um excelente livro de cabeceira/referência. É para tenistas amadores que querem melhorar seu jogo, para juvenis que ainda estão descobrindo seu caminho e para pais de tenistas buscam referências de como orientar seus filhos.

Qualquer que seja o seu momento no tênis, o livro tem algo para você. E, quem sabe, daqui a dez ou 15 anos, quando o tenista amador de hoje tiver um filho jogando tênis, ele vai poder voltar a consultar “6/0 Dicas do Fino” em busca de referências sobre como lidar com as novas situações.

Aliás, é importante ter em mente o livro assim, mais como referência do que como um conjunto de regras a seguir. Meligeni vive o tênis há 40 anos e, mesmo assim, deixa claro logo nas primeiras páginas: “Não tenho a pretensão de ter escrito uma obra que contenha todas as verdades do tênis. Também não almejo que ninguém concorde com todos os meus pontos de vista e siga incondicionalmente minhas orientações. O desejo é iniciar uma discussão.”

E quem vai negar que Meligeni sempre foi ótimo em iniciar discussões?

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Serviço:

Meligeni fará nesta quinta-feira, 10 de março, o lançamento de seu livro no Rio de Janeiro. O evento está marcado para começar às 19h na Livraria da Travessa do Shopping Leblon (vide convite acima).

Quem preferir comprar pela internet encontra o “6/0 Dicas do Fino” na Amazon por R$ 37,90. Na Livraria Cultura, ele sai por R$ 54,90.

Coisa que eu acho que acho:

– Com seu livro, Meligeni preenche uma lacuna no mercado nacional. Fãs de tênis conseguem encontrar várias publicações sobre a modalidade, mas nem tantas assim em português. Além disso, trata-se de uma obra escrita por um brasileiro que vive o tênis no Brasil há 40 anos. É alguém que conhece a realidade de quem vai comprar seu livro.


CBT: na ponta dos pés entre a legalidade e a legitimidade
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Alexandre Cossenza

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O assunto desta segunda-feira é Confederação Brasileira de Tênis porque não podia ser outro. Devido às acusações da última sexta-feira (leia aqui), é não se pode deixar o assunto morrer sem as devidas explicações de Jorge Lacerda. Sim, a CBT emitiu uma nota oficial, mas o texto foi mais uma defesa do que uma prestação de contas – literal e não-literal – à comunidade tenística.

Não conversei com Lacerda após a reportagem da ESPN e, para ser sincero, não sou eu que tenho que falar com ele. Não vi todas as provas e uma entrevista minha não sairia como precisaria ser. Imagino que o dirigente vá conversar com o canal. Imagino que o repórter José Renato Ambrósio, possivelmente o mais competente da ESPN, vai aparecer com algo interessante por aí. Até que isso aconteça, porém, há alguns pontos importantes a ressaltar.

Verba pública x privada = legalidade x legitimidade

Na nota oficial, a CBT faz questão de ressaltar que “recebe verbas de origem pública e privada” e que “nunca utilizou verba pública para o pagamento do auxílio-moradia” de Lacerda. É um ponto importante. Desvio de verba pública é crime, enquanto usar dinheiro privado para fins alheios ao maior interesse do tênis nacional é “apenas” ilegítimo, imoral. Minha opinião? É tão grave quanto. Só que é muito mais fácil de “justificar” algo assim numa assembleia de federações afiliadas onde há um bocado de outros interesses em jogo. Não é segredo.

Aconteceu algo parecido com a CBV um tempo atrás. Em 2006, Ary Graça, então dirigente-mor do vôlei brasileiro, levou convidados para passar o carnaval no Centro de Treinamento de Saquarema. O caso, denunciado pelo jornal “O Globo”, ficou conhecido como Aryfolia. Oficialmente, o Banco do Brasil (BB) pediu explicações, mas ninguém foi punido porque ninguém tinha como provar que a CBV usou verba pública para pagar aquelas contas.

Lembro bem porque acompanhei a história quando trabalhava no jornal “Lance!”. O balanço publicado pela CBV continha uma dúzia de contas bancárias diferentes. Quem iria provar em quais daquelas contas havia dinheiro do BB? O resto da história é de conhecimento público. Ary Graça foi eleito presidente da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), e a Confederação passou mais sete anos até que Lúcio de Castro surgisse com o Dossiê Vôlei na ESPN.

Não é tão diferente assim o caso atual da CBT. Será que Katia Mueller, a contadora autora das denúncias, consegue provar que foram utilizadas verbas públicas? E se não conseguir, o que acontece? Repito: para mim, a questão moral é tão importante quanto a legal (e sempre volto ao que escrevi neste post). O que justifica contratar e demitir domésticas com verba da CBT? Como explicar um recibo de R$ 20 mil de auxílio-moradia?

O silêncio dos jogadores

A postura dos atletas é preocupante. Nenhum dos tenistas relevantes brasileiros em atividade se manifestou (publicamente, pelo menos) sobre as denúncias desde sexta-feira. Nem Bruno Soares nem Marcelo Melo nem Thomaz Bellucci nem Feijão. Nada. Nenhuma palavra. Nem André Sá, presidente da comissão de atletas, usou suas redes sociais para levantar uma questãozinha que fosse. Ninguém entrou em quadra com nariz de palhaço.

Nem Gustavo Kuerten, que, lembremos, apoiou Lacerda quando uma assembleia de federações afiliadas mudou o estatuto e aprovou a possibilidade de um terceiro mandato do dirigente. Naquela ocasião, também lembremos, Guga, Soares, o capitão João Zwetsch e técnico Daniel Melo se manifestaram publicamente.

Para não deixar dúvida: não se sabe se houve questionamentos internos por parte dos atletas. Só me preocupa ver tanta gente importante e influente usando suas redes sociais para falar do treino de domingo, da IPTL, de Gabriel Medina e do MasterChef, sem mencionar um pingo de preocupação com o que vem sendo dinheiro com a verba (pública ou não!) que entra no tênis brasileiro.

As poucas críticas costumam vir, coincidência ou não, de ex-tenistas e gente que não usa um logo dos Correios na camisa. É o caso, como sempre, de Fernando Meligeni, um dos poucos nomes que nunca aparecem nas listas de convidados dos eventos da CBT. “Os atletas que 10 anos atrás sonharam com mudanças mais uma vez se sentem um pouco culpados. Afinal, a mudança era para ser em todos os sentidos e, se realmente for tudo verdade, fica claro que cometemos uma dupla falta no pé da rede”, escreveu em sua conta no Facebook.

A sequência de “eventos políticos”

Lacerda costuma dizer que denúncias contra sua gestão geralmente surgem às vésperas das assembleias. Desta vez, foi a nota da CBT que se referiu ao caso como “evento político”. Ainda assim, preocupa que a entidade esteja envolvida em seguidas questões com problemas em prestações de contas.

Foi assim com o Projeto Olímpico e com o Grand Champions, torneio realizado pela promotora do ex-tenista Dácio Campos. Este último, realizado com verba captada pela CBT junto à Lei de Incentivo ao Esporte (LIE), acabou com a entidade precisando devolver cerca de meio milhão de reais aos cofres públicos.

Como tudo isso vai acabar? Difícil saber. O Ministério Público provavelmente vai abrir uma investigação. Por enquanto, independentemente de questões jurídicas, legais e/ou criminais, fica no ar a esperança de que Lacerda venha a público e dê explicações ao mundo do tênis. E que elas convençam, claro. Porque, nunca é demais repetir, o legítimo é tão importante quanto o legal.


Teliana: “As meninas são muito fechadas”
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Alexandre Cossenza

Foi um ano de experiências novas e de barreiras quebradas para Teliana Pereira. A número 1 do Brasil e atual 107 do mundo disputou pela primeira vez um Grand Slam – e acabou jogando logo os quatro -, montou um calendário com mais de uma dúzia de torneios de nível WTA e aprendeu um bocado. Na conversa que tivemos antes da coletiva de lançamento do Rio Open 2015, no Rio de Janeiro, falamos pouco sobre aspectos técnicos. A ideia era saber de Teliana como foi sua chegada nos torneios maiores. Que ambiente encontrou, quais as principais dificuldades e coisas do gênero. Acabou sendo um papo divertido (difícil não ser com Teliana), no qual a número 1 do Brasil ressaltou o quão frio é o ambiente nos torneios maiores. A pernambucana disse que ainda hoje é difícil conseguir parceiro de treino e que é quase impossível ter acesso às melhores do mundo.

O papo também passou por sua relação com Renato Pereira, seu irmão e técnico, e uma lembrança especial do Rio Open 2014 que, segundo Teliana, foi o momento em que ela passou a acreditar que era mesmo possível competir de igual para igual nos torneios de nível WTA. Leia!

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Vamos falar um pouco menos sobre tênis?
Você quer falar de quê? Futebol? Não sei se sou boa nisso! (risos)

Não, é também sobre tênis, mas um pouco menos. É que já li entrevistas suas falando sobre 2014 e de como foi um ano diferente, jogando os quatro Grand Slams pela primeira vez e mais WTAs. Mas o quanto isso muda a sua vida pessoal, fora das quadras? O quanto ela foi diferente em 2014?
Não mudou muita coisa (risos). Não mudou nada (pensativa). Eu venho fazendo minhas coisas normalmente e, para ser bem sincera, não tem nada que eu possa falar que teve uma grande mudança.

Imagino que financeiramente tenha sido o melhor ano da sua carreira…
Aí eu já não sei, tem que perguntar para o Alexandre (Zornig, namorado e manager). (risos) Mas com certeza foi um ano muito bom. Só de você pensar que eu joguei os quatro Grand Slams (com premiação média de US$ 35 mil para tenistas eliminados na primeira rodada), já dá uma…

O que você se dá ao luxo de fazer hoje e não podia antes?
Hoje, eu tenho mais condições de… né? Na verdade, eu não sou de esbanjar. Sou muito tranquila, sou caseira pra caramba. Fico com a minha família. Mas não teve nada assim…

Mas por exemplo… O que você fez com seu primeiro prêmio de Grand Slam?
Guardei!

Guardou?
Claro (risos)! Estou pensando no meu futuro! Não fico… Até porque não é tanto dinheiro assim. Estou guardando para o meu futuro. Pretendo construir a minha vida, ajudar meus irmãos, minha família, então estou guardando mesmo.

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Não foi seu primeiro ano jogando torneios de nível WTA, mas este ano foram 14 eventos. Você já está à vontade?
Estou super à vontade.

Não é um impacto mais, então?
Não. O bom de tudo isso é que as coisas, antes, eram tudo novidade. Chave de Grand Slam era novidade, jogar um WTA era… nossa, wow! Ainda mais quando eu fiz a semifinal em Bogotá, que parecia uma coisa de outro mundo. Hoje em dia, não. É normal, eu me sinto muito à vontade. Porque na verdade você acaba frequentando e conhecendo as jogadores. A entrada é um pouquinho difícil e estranha porque você não conhece muito as meninas, mas agora eu me sinto super à vontade. Conheço todas as meninas do circuito. Isso se tornou algo normal, não é nada de outro mundo.

A gente sabe que existe uma diferença grande de estrutura, mas o ambiente é muito diferente também?
O ambiente é mais profissional, com certeza.

Mais frio?
Isso. A estrutura é muito melhor. Eu sei porque jogo WTA e ITF também. Não tem nem como comparar. No WTA, eu sinto que as meninas são mais (pensando)… Cada uma vive mais na sua, sabe? Cada um faz o seu treino e vai embora. Na verdade, tênis não tem muita amizade, né? No WTA, não muda muito isso.

Isso era outro assunto que eu tinha na lista aqui. A Sharapova já falou algumas vezes, e a Bouchard falou também algo do tipo “a gente não está aqui para fazer amizade. A gente está aqui para competir.” Mas dá para ter amizade?
Dá para ter amizade, mas o que você tem que ver é que ali você está competindo. Não adianta falar “não estou ali para fazer amizade” e ter o teu ambiente de trabalho desagradável. Tem que ser agradável. Não vou te falar que tenho melhores amigas, mas me dou bem com a Mariana Duque, com todas brasileiras e outras jogadoras. A Niculescu é uma menina que é muito simpática e estou sempre treinando com ela, eu me dou bem com a Paula Ormaechea… Eu não sou muito difícil de lidar, eu acho (risos). Agora… Ter melhores amizades… Realmente, isso é difícil porque a gente treina, está cansado, perde e quer ir embora, não quer ficar ali, sabe? Quando você chega no hotel, desliga um pouquinho. Você fala com a sua família, namorado, o que seja. Então eu não vou à procura de ficar conversando. Sou mais na minha.

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Nos primeiros WTAs, foi difícil conseguir parceiro de treino?
É difícil.

Ainda é?
Ainda é. As meninas são muito fechadas. Principalmente as melhores. Elas raramente treinam entre elas. Cada uma tem lá… Quando não está viajando com sparring, tem no torneio, que eles dão. Então às melhores não tem como ter acesso. Mas as outras meninas, que você já conhece dos outros torneios, você marca treino. Mas depois chega um nível em que você acaba se fechando um pouquinho mais. Eu, por exemplo, tento fazer um período com meu irmão, um período jogando set com as meninas. Não dá para ficar só fazendo treino com as outras jogadoras porque às vezes você quer trabalhar uma coisa que não é boa para aquela pessoa. Aí não bate o treino, né?

E Grand Slam é muito diferente? Digo na parte de relacionamento…
Não. É bem parecido, só que fica um pouquinho mais… Sinto que as pessoas ficam um pouquinho mais distantes pelo fato de ser muita gente, aquela loucura. Querendo ou não, é um entra e sai de vestiário, é um negócio bem louco assim. Mas é bem parecido com os WTAs.

Chega ao ponto de afetar o jogo da pessoa? Acontece de você, por não estar se sentindo à vontade no ambiente, entrar na quadra meio tímida também? Já aconteceu com você?
Não, nunca aconteceu comigo. Às vezes acontece de você entrar e não conseguir jogar porque é uma coisa nova. WTA, torneio grande, então… Eu lembro que fiquei muito tensa. Apesar de que é bobeira. Se você for pensar, é só mais um jogo na sua vida, não vai mudar grande coisa. Mas acho que é isso. Faz parte.

Mas isso te incomoda? Ou é questão de acostumar com o ambiente?
É uma questão de acostumar. Não me incomoda nem um pouco, até porque eu também estou sempre viajando com o Alexandre ou com meu irmão (Renato Pereira, seu técnico). Nunca estou sozinha. O ruim é quando a menina viaja sozinha, mas são poucas que fazem isso porque você acaba ficando numa solidão. As meninas não dão muita abertura, né? Mas eu estou super acostumada. Eu sou assim, mais quietinha, também.

Fala um pouquinho agora da sua relação com o Renato. O quanto de influência dele tem no seu jogo?
Bastante.

Em que parte tem mais?
Quando eu era pequena, eu sempre admirava o jogo dele. Eu sempre gostei. Querendo ou não, ele jogava muito parecido comigo. Claro que eu dou palpites porque sou eu que jogo e estou dentro da quadra, mas se você for ver, é bem parecido. Mas eu escuto 100% o que ele fala. A gente tem um relacionamento muito bom. É claro que irmão e técnico é difícil separar. Às vezes a gente estava se desentendendo um pouquinho na quadra e, duas horas depois, almoçando junto em casa… Ele é casado, eu moro com meus pais, só que ele passa o dia inteiro lá em casa, praticamente (risos). Então é um pouquinho isso. Ele é a-pai-xo-na-do, doente por tênis, ele só fala de tênis. E eu às vezes em casa não estou a fim de falar de tênis. Quero mudar um pouco. Essa parte é um pouco difícil, mas a gente está se dando super bem e… Ah, a gente é muito próximo. Nós somos em sete irmãos e todo mundo se dá muito bem. Eu tenho muita sorte de ter a família que eu tenho porque a gente é muito grudado.

Em cada momento, em cada fase de um tenista, o técnico cobra mais um aspecto do jogo. Hoje, o que o Renato vem cobrando mais?
É legal isso que você falou porque as jogadoras estão trocando muito de técnico e, querendo ou não, cada um trabalha um pouquinho mais uma coisa. O fato de o Renato me conhecer há tento tempo… Ele sabe o que eu gosto, e a gente não fica naquela de “ah, hoje vamos trabalhar isso?” Não tem não saber o que fazer. O que ele cobra muito, muito mesmo, é a parte de agressividade. Ele quer que eu seja muito mais agressiva, mas ao mesmo tempo sem perder a minha característica. Eu corro na quadra, devolvo tudo. E acho que é isso mesmo. Ele vem cobrando bastante eu sair de trás um pouquinho e ir entrando aos poucos (na quadra). Isso falta um pouquinho. E ritmo de jogo, né? Hoje em dia, o tênis está tão rápido que você tem que ter velocidade de bola e muita regularidade. É isso que estou trabalhando bastante agora, nessa pré-temporada.

A Teliana de hoje é melhor tenista que a começou 2014? Tecnicamente ou mentalmente?
(faz pausa para pensar) Eu venho tentando melhorar. Acho que tecnicamente eu melhorei bastante. Tenho muito ainda que melhorar, ainda bem, né? Acho que o ponto que eu mais melhorei foi a parte mental. Eu ganhei muita experiência este ano. O fato de ter jogado os Grand Slams, de ter jogado aqui no Brasil e ter passado por coisas muito novas… Eu não estava acostumada com isso! E o fato de ter passado por toda aquela dificuldade do joelho, de não saber se ia voltar a jogar ou não… E agora de novo eu tive que parar por um tempo… Eu estou mais madura, me adapto melhor às situações.

Eu fiz mesma pergunta para o Thomaz (Bellucci)… A gente está aqui numa coletiva de anúncio do Rio Open e é um torneio que deixou boas lembranças suas em 2014. Você jogou com torcida a favor, com clima a favor, muita coisa legal a favor, e você fez uma semifinal. Qual é a lembrança mais forte?
Com certeza, foi meu segundo jogo, com a austríaca (Patricia Mayr-Achleitner, 81 do mundo na época – veja no vídeo acima), que eu dei muita sorte. A rodada atrasou, e o Nadal jogava logo depois do meu jogo. Aquele jogo foi algo assim… Que eu nunca vou esquecer. Tinha muita gente assistindo, aquela quadra gigaaaaante e… Não sei! Foi o momento que mais me soltei. Estava olhando o vídeo ontem e falei “caramba, nunca imaginei que eu ia fazer aquilo, sabe?” Foi, com certeza, o momento mais especial. Depois, o fato de ter feito uma semifinal, foi um baita resultado. Eu andava, as pessoas vinham falar comigo, me reconheciam… Isso levantou a estima e, querendo ou não, me ajudou muito a poder elevar meu nível no ano e ver que eu também estava ali, no meio das melhores, sabe? Que eu poderia ir bem. Tanto que depois fui super bem em Charleston (derrotou a romena Sorana Cirstea, 27 do mundo, e alcançou as oitavas de final), fui só melhorando. Pena que eu não consegui terminar o ano (por causa de uma lesão no joelho), mas aprendi muito aqui. Espero que o ano que vem seja melhor!


Quem ajuda o esporte?
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Alexandre Cossenza

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Há duas semanas, estive em Florianópolis a convite dos alunos de direito da Universidade Federal de Santa Catarina para compor uma mesa de debates com o tema “crise no esporte”. Gostaria, então, de compartilhar aqui alguns dos tópicos que foram levantados na ocasião. Afinal, muitos deles estão presentes no dia a dia do tênis brasileiro.

Coordenada por Rodolfo Prado, a mesa foi composta pelo professor Paulo Murilo, ex-técnico de basquete profissional e autor do blog Basquete Brasil, pelo Doutor Felipe Ezabella, sócio-fundador do Instituto Brasileiro de Direito Esportivo, pelo advogado Martinho Neves Miranda, coordenador jurídico da candidatura olímpica do Rio 2016, e pelo Doutor Rodrigo Bayer, que é mestre em Direito pela UFSC e presidiu os trabalhos.

Conversamos sobre diversos aspectos do esporte no Brasil. Desde a falta de uma política esportiva para crianças até as falhas no alto rendimento. Abordamos o processo vicioso em que a escassez de atletas de ponta (proporcionalmente à população brasileira) gera a falta de técnicos de alto nível. Falamos também sobre os muitos recursos jurídicos existentes para beneficiar o esporte, de como eles são mal aproveitados, e da ausência de uma agência reguladora.

Por fim, em um belo texto de encerramento, o Doutor Rodrigo Bayer ressaltou quanto tempo havíamos passado (foram três horas de mesa) abordando aspectos morais – mais de legitimidade do que de legalidade. E é justamente aí que o tênis tropeça. O que sinto (e disse isso na mesa) é uma Confederação Brasileira bem intencionada, mas que esbarra, vez por outra, em questões pessoais e na arrogância para destratar quem ousa emitir uma opinião diferente.

Aconteceu comigo há pouco tempo. Incomodado com uma menção feita neste blog aos tamanhos dos bancos de reservas brasileiros na Copa Davis (neste post), o assessor de imprensa da CBT me enviou mensagens, dizendo que eu havia feito uma comparação “ridícula” (e nem havia comparação no texto). Depois, quando relatei o episódio no Twitter, mandou outra mensagem mal educada. Conduta que passa longe do que qualquer um gostaria de ver em uma pessoa que veste o uniforme da entidade que controla o tênis brasileiro.

Discorda de algo? Tudo bem, conversamos educadamente. Já fiz isso com atletas, dirigentes e assessores. Tenho um blog há sete anos, opiniões diferentes não me incomodam. Pelo contrário. Debates são saudáveis e podemos discutir o tempo que for sobre o banco da Copa Davis, quem está ou deixa de estar lá. Acho que gente demais atrapalha. Não acho que seja lugar de assessor de imprensa. Não acho que seja lugar para presidentes, dirigentes ou empresários/managers. Quanto mais pessoas ali, maior a chance de algo desagradável acontecer. Ou alguém achou bacana ver Jorge Lacerda, presidente da CBT, dirigente máximo do tênis brasileiro, dizendo impropérios para Mike Bryan (ou era Bob?) naquele confronto em Jacksonville, contra os Estados Unidos? Mas há quem discorde. E tudo bem, quando o diálogo se dá civilizadamente.

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Mas eu divago. A CBT comprou algumas brigas pequenas nos últimos anos. Ameaçou punir clubes, árbitros, treinadores e atletas que participassem do Circuito de Tênis Escolar Universitário, patrocinado pelo Itaú e realizado pela Try Sports, cujo dono é Nelson Aerts, com quem Lacerda tem diferenças. A entidade fez ameaças semelhantes lá atrás, no Nike Junior Tour, outro evento da Try Sports (que se defendeu assim). Aliás, na última semana Lacerda inclusive usou o Twitter para questionar um torneio juvenil no Rio de Janeiro realizado pelo Instituto Sports (IS). Segundo ele, o IS captou mais de R$ 1 milhão para o evento. O valor é alto, e é bom mesmo que todos, sem exceção, sejam fiscalizados. Foi assim que a CBT teve de desembolsar meio milhão de reais após captar verba para um torneio promovido pelo ex-tenista Dácio Campos.

A CBT também negou credenciamento na última Copa Davis à jornalista Diana Gabanyi, ex-assessora de Guga que já chefiou WTA Finals, trabalhou para a ITF em Copas Davis e é credenciada em qualquer Grand Slam. Por quê? Oficialmente, a CBT respondeu que houve muitos pedidos e nem todos foram atendidos. Mas que critério deixou uma das jornalistas mais experientes do Brasil fora de uma Copa Davis? Essa explicação, qualquer que seja, não vai convencer.

Diante do que foi colocado neste post, valem mais do que nunca as perguntas. Qual dessas condutas ajuda o tênis? Em que momento o esporte saiu ganhando? De novo: não questiono as intenções ou a competência da CBT. Tem gente boa, que sabe o que faz, por lá. Mas o quanto se perde no caminho, diante de brigas pessoais e da dificuldade em receber críticas? E por que alguém precisaria vincular-se à CBT para ajudar o tênis? Mas é assim que a entidade enxerga o esporte.

Atrapalha?

Já faz algum tempo que Fernando Meligeni posta, em sua conta no Facebook, vídeos de dicas. São gravações curtas que abordam diversos aspectos do tênis. Como lidar com tal tipo de adversário, que tipo de preparação fazer antes de uma partida, o que fazer para tirar o máximo de seu equipamento, etc.. São vídeos sem produção, gravados em casa, sem patrocinador, nada. Simples até demais. E é aí que reside a beleza da coisa toda.

Quem viu todos esses vídeos já tem uma clínica inteira de tênis sem sair de casa. Fosse outra pessoa (e não é indireta pra ninguém, é bom dizer), pensaria algo nas linhas de “não vou fazer isso de graça, vou guardar para as clínicas que me pagam para fazer”. Não é o caso do Meligeni. Os vídeos estão lá, de graça, de coração. E basta ver 30 segundos para entender que ele faz aquilo com sinceridade. A recompensa é o feedback que recebe de tenistas amadores por toda parte.

Ainda assim, já ouvi mais de uma vez, inclusive de Jorge Lacerda, que Meligeni não ajuda o tênis. Porque não está ligado à entidade. Porque faz críticas quando acha necessário. E não estou fazendo aqui a defesa de um campeão pan-americano, semifinalista de Roland Garros e número 25 do mundo – ele não precisa. Mas não é só via CBT que se ajuda o tênis. Professores de clubes, presidentes de projetos sociais, ex-tenistas que “só” dão clínicas, promotores de torneios, patrocinadores, comentaristas, jornalistas, tenistas profissionais em atividade… Todos contribuem, direta ou indiretamente, para o esporte.

Só que cada um escolhe sua maneira de ajudar. O dever de todo mundo, e acredito que principalmente da CBT, é entender que nem todo mundo é obrigado a colaborar por meios “oficiais”.

Coisas que eu acho que acho:

Acho até que é uma discussão interessante: é legítimo (seja por CBT, Instituto Sports ou federações) utilizar verba pública para a realização de torneios de veteranos, Challengers e ATPs? Dá um bom debate. O projeto olímpico, a meu ver, tinha muito mais razão de ser, embora vendê-lo como “olímpico” tenha sido mais marketeiro do que qualquer coisa – no tênis, quase ninguém sai do juvenil para se tornar atleta olímpico em três anos. Mas foi outra iniciativa que ficou pelo caminho. A CBT alegou “falta de conhecimento da fiscalização vigente sobre a realidade da modalidade”, mas também pode se dizer que a entidade desconhecia os mecanismos legais e de fiscalização quando deu início ao projeto.

 


Tudo acontece por um motivo
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Alexandre Cossenza

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“Vou contar a história mais interessante da minha vida. Alguns podem dizer que fui burro. Outros podem me chamar de guerreiro. Aconteceu em agosto de 2012, só um mês depois de eu entrar no top 100 pela primeira vez e depois das minhas merecidas férias. Eu subi no ranking até o número 83, mas uma semana depois do corte para a chave do US Open, então tive que jogar o quali. Ainda lembro como se fosse ontem. A chave foi sorteada no dia dos primeiros jogos. Eu jogaria contra Ze Zhang, da China. Jogamos na hora do almoço, então não dava para comer muito logo depois do café da manhã. Enquanto andava para a quadra, senti uma pequena dor no estômago. Claro que me culpei por não comer o suficiente antes da partida. Ganhei fácil em dois sets e esqueci daquela dorzinha.

Fui comer, estava feliz e satisfeito com o dia de escritório. Depois do almoço, voltamos para o hotel e descansamos por algumas horas. Não estava cansado. Meu corpo estava relaxado. Como em todas as noites, decidimos ir a um restaurante para jantar. Foi uma boa refeição e era um longa caminhada de volta até o hotel. Senti a dor de novo no estômago, desta vez do lado direito e, por sorte, havia muitos sinais de trânsito, então conseguia ficar parado na única posição em que me sentia confortável – curvado para a frente, com as mãos apoiadas nos joelhos. Eu diria que foram dez sinais de trânsito, e parecia que estávamos andando há uma eternidade. A primeira coisa que pensei foi no que tinha comido para causar aquela dor. Não consegui lembrar de nada diferente em relação aos dias anteriores. Finalmente chegamos ao hotel. Fui direto ao banheiro e, infelizmente para mim, embora eu tenha visitado o banheiro algumas vezes antes de ir dormir, nada mudou. Meu estômago ainda estava doendo.

Dormi muito bem, mas só conseguia virar para um lado porque o outro doía muito. Acordei, e a dor ainda estava lá. De novo, o banheiro me chamava. Foram quatro vezes antes de eu me convencer de que algo estava errado e eu talvez devesse ir a um médico. Mas antes disso, como tenista, eu tinha que treinar. Depois de bater bola, fui ver um médico. Ele me perguntou onde era a dor, me examinou imediatamente e disse o que poderia estar errado comigo. Mas eu não ouvi. Ele sugeriu que eu não jogasse a partida daquele dia, mas era um Grand Slam, o US Open, e eu gentilmente pedi que ele me desse analgésicos. Ele me deu quatro comprimidos brancos e grandes, que tomei antes da partida, e me acompanhou até a quadra. Ele disse que assistiria ao jogo inteiro. Então ele ficou lá, sentado e, infelizmente para ele, foi uma partida longa.

Eu enfrentei um wild card americano chamado Daniel Kosakowski. Ele venceu o primeiro set, eu ganhei o segundo e comecei o terceiro com uma quebra. Tive cãibra na perna direita, então sabia que não aguentaria jogar do mesmo jeito até o fim. Além disso, comecei a sentir o estômago outra vez. Peguei leve durante alguns games e imediatamente perdi o saque duas vezes. Eventualmente, chamei o médico na quadra. Recebi mais alguns comprimidos. Eu me sentia muito mal, mas aquilo não me impediu de voltar e empatar em 4/4. Meu adversário estava sacando, e eu tive um break point. Fiz um forehand vencedor bem na linha, mas a bola foi chamada fora. Eu deveria estar sacando para o jogo, mas perdi aquele game e tive que sacar para continuar na partida.

Eu não estava nervoso, o que não era normal para mim num ponto como aquele. Eu tinha outros problemas. Embora quisesse vencer aquele jogo, também queria terminar inteiro. No game seguinte saquei bem, 5/5. No primeiro ponto do 11º game, cãibras nas pernas e nos braços. Eu me sentia fraco, mas disposto a lutar até o fim. Nós dois confirmamos os saques e fomos ao tie-break decisivo. Jogamos alguns ralis muito longos, e o primeiro a ter uma chance de fechar o jogo fui eu. Estava ganhando por 6/5, match point. Nunca esquecerei aquele ponto. Um longo rali, o adversário manda uma bola longa, e eu devolvo, achando que o jogo acabou, mas ninguém marca bola fora. Como se não pudesse piorar, tive cãibra no dedo médio. Perco o ponto, mas, novamente, fico surpreendentemente quieto. Continuo como se nada tivesse acontecido, mas na minha cabeça uns palavrões já eram pronunciados. Estou xingando, não tanto contra os juízes, mas por causada dor no estômago e no corpo inteiro. Eu salvei o primeiro match point, mas, no segundo, não consegui. Perdi. Ouço a torcida indo à loucura.

Se algo assim tivesse acontecido antes, eu teria argumentado com o árbitro e dito que não podiam roubar a partida de mim daquela maneira. Eu só queria sair da quadra, então desejei o melhor a Daniel na rodada seguinte. Fui para o vestiário o mais rápido possível, e meu técnico pediu um carro para me levar ao hospital. Chegamos lá bem rápido, fizeram uma ressonância, me deram morfina, e me senti ótimo de novo. O médico veio e perguntou se eu sentia alguma dor. Eu disse que me sentia bem e perguntei se podia ir para casa. Ele disse que eu tive sorte de meu apêndice ainda não ter supurado, mas que faltava pouco para aquilo acontecer, então eles precisavam me operar.

Como eu disse, tudo acontece por um motivo. Acho que algo mais forte lá em cima não me deixou vencer aquela partida. Eu dei tudo, mas não foi o suficiente. Eu me conheço e se tivesse vencido, não haveria maneira de eu voltar ao hospital naquele dia. Minha terceira rodada seria no dia seguinte, mas provavelmente meu apêndice teria supurado e seria tarde demais para mim. Desde então, sei que tudo acontece por um motivo.”

O texto acima, reproduzido na íntegra em tradução livre, foi publicado algum tempo atrás pelo esloveno Aljaz Bedene, que foi diagnosticado com apendicite em 2012, mas insistiu em voltar à quadra para continuar no qualifying do US Open daquele ano. Por sorte, ele foi derrotado naquele dia por 6/3, 3/6 e 7/6(7) e chegou a tempo à mesa de operações. Bedene voltou às quadras menos de dois meses depois. Hoje, com 25 anos, ele ocupa o 145º posto no ranking da ATP.

Rafael Nadal, que jogou dois torneios depois de diagnosticado com apendicite, decidiu não competir no Masters 1.000 de Paris nem no ATP Finals. No dia 3 de novembro, ele passará por uma cirurgia no apêndice. Não há motivo para imaginar que o espanhol, atual número 3 do mundo, ficará fora dos primeiros torneios de 2015. Nadal, inclusive, já acertou participações no ATP 250 de Buenos Aires e no ATP 500 do Rio de Janeiro.


A mágica (dupla) de Dimitrov
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Alexandre Cossenza

Grigor Dimitrov saca, e o americano Jack Sock dispara uma devolução fortíssima, que quica perto da linha de fundo. O búlgaro, sem tempo de sair do lugar, passa o braço direito por trás do corpo, rebate a bola e faz um winner. Fantástico, não? E qual a chance de algo assim acontecer duas vezes em pontos consecutivos? Pois foi quase isso que aconteceu nesta sexta-feira, no ATP 250 de Estocolmo, na Suécia. Dá uma olhada no vídeo!

Atual número 10 do mundo, Dimitrov perdeu o primeiro set, mas venceu a partida: 5/7, 6/4 e 6/3. Classificado para as semifinais do torneio sueco, o búlgaro vai enfrentar agora o australiana Bernard Tomic, que passou pelo espanhol Fernando Verdasco por 0/6, 6/4 e 7/6(6).


Mais uma semaninha
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Alexandre Cossenza

O último post já tinha um recado, mas não custa lembrar. Trabalhei um bocado durante a Copa do Mundo da FIFA. Foram 39 dias hospedado em um hotel de Copacabana, envolvido da cabeça aos pés no Mundial. Foi uma experiência e tanto, ao mesmo tempo divertidíssima e cansativa. Nada a reclamar. Apenas começo assim este texto para lembrá-los do que me fez não atualizar o Saque e Voleio durante Wimbledon, um dos momentos mais importantes da temporada.

Como sempre digo, não gosto de blogar por blogar. Não foi possível ver o Grand Slam britânico, logo não faria sentido vir aqui e escrever um par de linhas vazias e redundantes. Eu poderia escrever que Petra Kvitova é uma tenista perigosíssima e não é uma surpresa vê-la levantando o troféu de Wimbledon pela segunda vez. Também poderia ter argumentado que Novak Djokovic é o tenista mais completo da atualidade e que era favorito, sim, contra Roger Federer (eu escrevi isso em Roland Garros e houve um bocado de gente reclamando). E eu poderia escrever que sempre soube que Nick Kyrgios era talentosíssimo e que, cedo ou tarde, conseguiria uma vitória de peso.

Os três pontos acima, contudo, poderiam ser escritos a qualquer momento, em qualquer torneio, sob quaisquer circunstâncias. Frases prontas que muitos esperam para publicar (não se trata de uma indireta – não li nada durante Wimbledon, logo não sei quem escreveu o quê). Não é o que gosto de fazer. Até por isso, nunca me senti na necessidade de atualizar o Saque e Voleio todos os dias. Agradeço a todos que entendem essa lógica e também aos que enviaram mensagens, tuítes e emails perguntando sobre o vazio no blog.

A estes, peço um pouquinho mais de paciência. Depois da Copa, é hora de mudança para mim. Não do blog. É mudança física, de endereço, de CEP mesmo. Quem já fez uma sabe o trabalho que dá. Eu já fiz mais de meia dúzia, então sei bem como funciona. É tempo de decidir o que fica para trás e o que vai junto para a nova casa. Tempo de empacotar num dia para desempacotar no outro, de decidir onde vai o quê. Difícil. Assim, pode demorar mais uma semaninha até que eu volte a escrever devidamente sobre tênis em vez. Melhor do que ficar enchendo o saco de vocês com posts moralistas sobre Fabio Fognini, certo? De novo, obrigado pelas mensagens e pela paciência. Até breve.


O ranking do saibro
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Alexandre Cossenza

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O tênis de hoje é tão monocromático – não no sentido literal, por favor! – que anda difícil ganhar a vida jogando só no saibro. Por isso, sempre vemos alguns tenistas de ranking inferior surpreendendo na temporada europeia da terra batida. Por isso, adotei alguns anos atrás o hábito de somar os pontos apenas desta parte do calendário e criar um ranking pré-Roland Garros. Nem tanto como referência para apontar favoritos ao Grand Slam francês, mas para “isolar” os resultados e ver quem somou mais do que seu ranking costumeiro.

O primeiro ponto a notar é a pontuação de Rafael Nadal, o líder da lista. Para quem já somou mais de três mil pontos antes de Roland Garros, os 1.870 deste ano são um número quase terráqueo. Novak Djokovic, que somou 510 a menos, o fez em apenas dois torneios. O destaque do top 5, contudo, é o japonês Kei Nishikori, que fez só dois torneios: foi campeão em Barcelona e vice em Madri, onde sofreu com dores nas costas quando estava perto de derrotar Nadal. Nishikori já não havia disputado Monte Carlo por causa de uma lesão na virilha, e problemas físicos não são novidade em sua carreira. Embora tenha mostrado altíssimo nível no saibro até agora, parece uma aposta arriscada em melhor de cinco sets. Mas eu divago.

Voltemos, então, à lista. Muito do sucesso de alguns vem de um calendário condizente com o ranking e a capacidade do tenista. É o caso de Grigor Dimitrov. Com seu ranking, o búlgaro poderia ter ficado no básico Monte Carlo-Madri-Roma, mas Baby Fed viajou até Bucareste e foi recompensado. Ganhou o torneio, faturou 250 pontos, e adquiriu ritmo e confiança. Só perdeu para Berdych, em Madri, e Nadal, em Roma. Uma belíssima campanha.

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Foi também o caso de Guillermo García-López, que começou em Casablanca, onde foi campeão. De lá, saiu cheio de moral para Monte Carlo, onde eliminou Dolgopolov, Berdych e deu uma canseira em Djokovic (no jogo seguinte, o sérvio teve dores no braço e ficou em quadra no segundo set sem condições de jogo) nas quartas de final. Somou 475 pontos no piso.

Montar bem um calendário não é a solução para tudo. É preciso jogar bem e aproveitar chances. Foi o que fez o colombiano Santiago Giraldo, que não estava sequer entre os 80 do mundo no começo do tour do saibro. Fez uma semi em Houston, um vice em Barcelona, furou o quali e foi às quartas em Madri e abandonou seu jogo de primeira rodada em Roma, onde também disputou o quali. Uma sequência exaustiva, mas que incluiu vitórias sobre Robredo, Fognini, Kohlschreiber, Almagro, Hewitt, Tsonga e Murray. Foi o número 9 no ranking do saibro e subiu para 34º na lista da ATP. Os 580 pontos que somou na terra batida são mais da metade de seu ranking total!

Ficou curioso? Aqui estão os 30 primeiros e suas respectivas pontuações:

1. Rafael Nadal – 1870
2. Novak Djokovic – 1360
3. Stanislas Wawrinka – 1100
3. Kei Nishikori – 1100
5. David Ferrer – 900
6. Grigor Dimitrov – 790
7. Milos Raonic – 675
8. Roger Federer – 610
9. Santiago Giraldo – 580
10. Tomas Berdych – 510
11. Guilermo García-López – 475
12. Ernests Gulbis – 460
13. Roberto Bautista Agut – 435
14. Fernando Verdasco – 350
15. Jo-Wilfried Tsonga – 315
15. Nicolás Almagro – 315
17. Lukas Rosol – 295
18. Carlos Berlocq – 290
19. Tommy Haas – 280
20. Jeremy Chardy – 270
20. Marin Cilic – 270
20. Martin Klizan – 270
20. Andy Murray – 270
24. Marcel Granollers – 260
24. Fabio Fognini – 260
26. Philipp Kohlschreiber – 235
27. Feliciano López – 230
28. Tommy Robredo – 190
29. Pablo Carreno Busta – 175
29. Jurgen Melzer – 175

Sobre o ranking, faço algumas ressalvas. A temporada em questão leva o nome de “europeia”, mas inclui Houston e Casablanca, que fazem parte da soma acima. Além disso, tomei a liberdade de ignorar os pontos somados em qualifyings. Iriam tomar muito do meu tempo e teriam pequena relevância. A quem interessar, a planilha completa, com os pontos de todos torneios, está neste link.


Decolou
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Alexandre Cossenza

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Rafael Nadal teve uma chance. Umazinha, ainda no primeiro game, mas não conseguiu converter seu único break point do dia. Tudo bem, nem parecia tão importante no momento. Era só o primeiro game, e o espanhol confirmou bem o seu serviço na sequência. Até o 3/2 do set inicial, o número 1 parecia ligeiramente superior na partida. Não duraria muito.

Entrou em cena, então, Novak Djokovic. Não o sérvio que ganhou Indian Wells com altos e baixos. O número 2 do mundo que disputou a final do Masters 1.000 de Miami, neste domingo, estava mais para aquele tenista que atropelou todo mundo – Nadal inclusive – em 2011, a melhor temporada de sua vida. Neste domingo, como naquela temporada inteira, o espanhol não teve muito a fazer. Em 1h26min de jogo, o troféu estava nas mãos do adversário: 6/3, 6/3.

> on March 30, 2014 in Key Biscayne, Florida.

Nole não fez nada de novo. Devolveu saques com profundidade, foi agressivo, preciso e profundo do fundo de quadra, e também conseguiu bom aproveitamento de primeiro serviço. O que impressionou foi a consistência com que Djokovic fez isso tudo. E logo contra alguém do calibre de Rafa Nadal, que jogou um tênis belíssimo durante todo o torneio. Na final, contudo, pressionado quase sempre desde o primeiro golpe, o espanhol não conseguiu encontrar uma solução.

O resultado, claro, tem certo peso na briga pelo posto de número 1 do mundo. Novak Djokovic (11.810 pontos) sai de Miami com 1.920 de diferença para Rafael Nadal (13.730). E, vale apontar, o sérvio agora é quem mais somou pontos em 2014: são 2.690 pontos, contra 2.600 de Nadal, 2.470 de Wawrinka, 2.190 de Roger Federer e 2.045 de Tomas Berdych. É seguro dizer que se trata da temporada mais equilibrada dos últimos dez anos. Após um Grand Slam e dois Masters 1.000, apenas 645 separam o primeiro do quinto colocado.

Serena domina

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Não foi um torneio fantástico-do-início-ao-fim, mas Serena Williams fez o suficiente para tornar-se campeã perdendo apenas um set. Nas semifinais, a americana nem jogou tão bem assim diante de Maria Sharapova e venceu por 6/4 e 6/3, mantendo a freguesia (já são 15 vitórias seguidas). A final foi uma história bem diferente, mas que ilustrou igualmente a superioridade da número 1 do mundo.

Serena entrou em quadra errando um bocado além da conta, e Na Li disparou no placar. No entanto, quando a chinesa sacou para o set em 5/2, a favorita acordou. Quebrou o saque uma vez, duas vezes (salvando set point no décimo game), três vezes. Por 7/5, Serena levou a parcial. E nem dá para dizer que a chinesa desandou a errar ou a cometer duplas faltas. A número 1 foi buscar o jogo com méritos próprios, sem esperar que uma oportunidade lhe caísse no colo.

O fato é que depois que Serena acordou, venceu 11 de 12 games, mostrando que ainda está um nível acima de suas adversárias, embora não tivesse demonstrado isto ainda na temporada.


Surrealismo tenístico
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Alexandre Cossenza

Este post é sobre um determinado cenário fictício, que acontece em um clube fictício, com um professor fictício, alunos fictícios e parentes fictícios de alunos fictícios. E, para facilitar esse exercício mental, usarei nomes fictícios. A começar pelo clube, que chamarei neste post de Tartaruga Tênis Clube (para encurtar, adotarei também a fictícia sigla TTC).

Parte 1: imaginem que este fictício TTC cobra R$ 55 fictícios por nove aulas de tênis mensais em grupo. Para ficar bem claro: você paga R$ 55 e seu filho fictício tem direito a nove aulas fictícias na escolinha do clube. Cada aula tem uma hora fictícia de duração. Parece ser a hora de tênis mais barata do mundo (são R$ 6,10 por hora), mas este é um post fictício, então tudo pode acontecer. Tente não se espantar – por enquanto.

Parte 2: em um hipotético cenário dentro desta ficção (a redundância, aqui, é proposital e necessária), uma determinada turma fictícia tem dez alunos e um professor. Sem ajudante, sem pegador de bola, sem rebatedor, nada. Só o professor fictício e os dez projetos de tenista, além, claro, dos parentes na beira da quadra fictícia. Agora imaginem que o avô fictício de um desses aprendizes fez o seguinte cálculo: em huma hora de aula, seu neto fictício bate na bola ativamente durante 1min20s. Estamos falando de um minuto fictício e 20 segundos fictícios. Eu sei, é difícil de acreditar, mas reforço: no mundo fictício do TTC, tudo pode acontecer.

Parte 3: um jornalista fictício, dono de uma barriga fictícia (que lindo seria se isso fosse verdade!), fica na beira da quadra acompanhando a aula. Um aluno fictício bate cinco forehands fictícios sem errar. Ele é bem melhor que o resto de sua turma. Depois das cinco direitas, ele fica 5min50s fictícios sem bater na bola. Logo, o jornalista fictício constata que a matemática do avô fictício faz sentido, mas só neste mundo de mentirinha, onde tudo pode acontecer.

Parte 4: neste cenário fictício, de cada mensalidade (R$ 55), o TTC fica com metade, ou seja, R$ 27,50 fictícios. O professor, que chamarei pelo nome fictício de Joaquim, fica com os outros R$ 27,50. Logo, em uma turma fictícia com dez alunos, Joaquim recebe R$ 275 fictícios por mês. Como Joaquim passa nove horas fictícias em quadra para ganhar esses R$ 275, conclui-se, ficticiamente, que cada hora trabalhada rende ao professor R$ 30,55. E estamos falando de uma modalidade pouco popular, com poucos professores disponíveis neste país fictício.

Parte 5: suponhamos que o fictício TTC não estipule um número mínimo de alunos por turma. Como tudo é possível neste mundo fictício, imaginemos uma turma com três pequenos tenistas. Nosso fictício Joaquim receberá mensalmente R$ 82,65 fictícios. Por essa conta, cada hora de seu trabalho fictício rende R$ 9,18.

Obrigado por participarem de meu exercício de imaginação. Depois de tudo isso, tenho uma pergunta a fazer. Peço que pensem com carinho e deixem suas respostas na caixinha de comentários:

E se tudo isso fosse verdade?


Querido Papai Noel…
Comentários 10

Alexandre Cossenza

Eu me comportei razoavelmente bem em 2013. Não fiz fofoca, não critiquei ninguém injustamente (o Brasil Open mereceu!) e não fui hipócrita a ponto de ficar julgando as farras de Gulbis e Tomic. Cada um na sua. Também acho que consegui publicar um bom número de histórias e entrevistas interessantes aqui no blog, apesar de nem sempre ser fácil conversar com tenistas brasileiros.

Por isso, deixo aqui minha cartinha para o senhor, Papai Noel. Sou bem sortudo, admito. Não tem muita coisa que eu queira de presente, a não ser uma TV nova. A minha está com um defeito no volume, que sobe e desce sozinho. Coisa louca, viu? Só o senhor vendo! Mas eu divago. Minha listinha de Natal é um pouco diferente este ano. Eu peço presentes para os outros. Será que o senhor aceita um pedido assim? Espero que sim. Aí vai!

– Uma dúzia de troféus para os meninos mineiros. Bruno Soares e Marcelo Melo são dois rapazes especiais, e 2013 mostrou que eles também são pessoas ótimas. Ganharam um bocado no circuito mundial e continuam os meninos simples de antes. Eles merecem mais dessas peças de metal que distribuem nos domingos.

– Ingressos para o povo que quer ver o Rio Open. É uma galera simpática, viu, Papai Noel? E todo mundo só quer ter o direito de estar lá e ver uns joguinhos de tênis. Se o senhor puder dar aquela força…

– Patrocinadores e tenistas para o Brasil Open. Só deus sabe o quanto aquele caos da última edição está atrapalhando o torneio de 2014, mas juntando tudo isso com o calendário ingrato do ano que vem… Até agora, o torneio paulista não anunciou nem um tenistazinho nem um patrocinador. E lembre-se de deixar lá também uns tubos de bolas de boa qualidade. Sim, eu sei que eles não se comportaram muito bem em 2013, mas será que o senhor consegue dar um crédito aos moços da organização? Vai que eles acertam em 2014, né?

– Raquetes, bolinhas, roupas, passagens aéreas e hospedagens pra turma do Alexandre Borges, que mantém um projeto social fantástico aqui no Rio de Janeiro chamado Tênis na Lagoa. É uma das iniciativas mais bacanas que existem no tênis do Brasil, e todo mundo lá merece tudo de bom.

– Eu sei que o senhor não cuida de etéreos, mas se for possível entregar umas boas histórias para o pessoal do tênis… Tem o Giuliander, a Sheiloka (que me ajudou a escrever esta carta!) e um monte de gente boa que vai saber contar tudo como ninguém. Aproveite e mande um envelopinho com algumas cédulas dentro. Sabe como é, jornalista ganha mal nesse país. Ah! E se não der muito trabalho, será que o senhor entrega também um saquinho de vírgulas? Tem umas pessoas que até hoje não sabem usar isso, viu? Vai que, de repente, com o incentivo certo…

– Um kit com 3 mil exames antidoping e um guia de faça-seu-próprio-site para divulgar os resultados em “tempo real”. Pode entregar em Londres, na sede da ITF, tá? Por enquanto, tem tenista reclamando de pouco teste e de pouca transparência. Esse presentão, já mata os dois problemas. E se der, o senhor pode incluir no pacote um guia de regras padronizadas pro povo que julga doping no tênis. Tá uma bagunça aquilo ali. Tem exceção pra um, punição rígida pra outro…

– Um 4-pack de aces pro Wawrinka. O moço joga, joga, joga, e não consegue uma vitória realmente grande. E ele merece umazinha, né? Poucos rapazes se comportam tão bem no circuito. E quatro aces no último game resolvem essa história. Quebra essa para nós, Papai Noel?

– Um contrato milionário para o Redfoo fazer uma série de shows em Marte. Começando amanhã e terminando em 2018.

É isso, querido Papai Noel. Espero que minha lista não esteja além do seu alcance. Até por isso, evitei pedir o fim dos gritos no tênis feminino e dos gemidos do Granollers. Que sua noite de Natal seja tranquila, sem contratempos. Que o senhor viaje pelos ares com seu trenó tranquilamente, sem ser atingido por um balão de um tenista espanhol ou pelo ego de um certo suíço.

Um abraço,
Alexandre

Com este post, aproveito para desejar um Feliz Natal a todos que me acompanham aqui no blog, no Twitter ou no Facebook. Desde 2007, quando comecei a escrever o Saque e Voleio (lá na casa antiga), conheci pessoas incríveis, fiz amizades e passei ótimos momentos com gente que conheci “aqui” na internet. Que todos tenham um dia de Natal maravilhoso, com ou sem presentes, com ou sem uma ceia chique. O mais importante, no fim das contas, sempre é a companhia de pessoas especiais, como as que passam sempre por aqui.