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Saque e Voleio

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O que muda com as transmissões da WTA no DAZN

Alexandre Cossenza

2012-03-20T19:13:43

12/03/2019 13h43

No post de ontem, divulguei que o DAZN assumiu os direitos de transmissão para o Brasil da WTA, o circuito mundial feminino de tênis. Muitas perguntas surgiram. Várias pessoas, inclusive, ainda não sabem o que é o DAZN. A mudança é boa? Ruim? Como fazer para ver os jogos? Sai barato? Caro? Este post vem tentar tirar algumas dessas dúvidas.

Primeiro, é necessário entender o que é o DAZN. Trata-se de uma plataforma via streaming. Não é um canal fechado, não está em nenhum pacote de Sky, Net, Vivo, etc. É apenas online. Em uma relação simplificada, é como se fosse uma espécie de Netflix dos esportes. Por enquanto, é possível ver as transmissões do DAZN via YouTube ou Facebook.

Hoje, o DAZN exibe, de graça, os campeonatos Italiano e Francês, além da Copa Sul-Americana. Não são todos os jogos. Apenas alguns poucos. Da Ligue 1, o canal mostra basicamente todos os jogos do PSG e um ou outro jogo de outros times. No último fim de semana, não foi possível ver o Dérbi do Mediterrâneo entre Olympique de Marselha e Nice, por exemplo. No Italiano, há uma variação um pouco maior, mas quase todos os jogos de Juventus e Milan têm transmissão. Fora isso, aparecem, de vez em quando (minoria), alguns jogos envolvendo outros dois times.

Ainda há um certo mistério envolvendo o DAZN no Brasil. O canal começaria a cobrar por seus serviços em março. O mês chegou, e as transmissões seguem grátis. Sabe-se que o canal cobrará R$ 44,90 pela mensalidade, mas nenhuma rede do DAZN informa quando. Também não se sabe como serão os pacotes. Todos os jogos do Italiano e do Francês serão exibidos? Ou apenas poucos? Se poucos, quantos? A comunicação com o consumidor não tem sido o forte da plataforma. Veículos de imprensa tentam contato e não recebem resposta (eu mesmo enviei um email ontem e não tive retorno).

A WTA agora entra nesse pacote. A julgar pela agenda de transmissões do DAZN para Indian Wells e Miami (vide post acima), o numero de jogos exibidos será o mesmo do Canal Sony e, anteriormente, do Band Sports. Os dois canais começavam a mostrar os torneios quase sempre nas quartas de final. Ou seja, se houver um jogaço (como houve entre Serena e Azarenka) nas rodadas iniciais, ninguém vai ver. Isso não deve mudar.

A grande vantagem do DAZN em relação ao Sony é que, por ser uma plataforma online, não haverá problema de grade. O canal vai poder exibir todos jogos ao vivo, sem se preocupar com o público fiel de qualquer show de calouros programado para o horário. Não se sabe, ainda, se isso vai acontecer, mas é uma vantagem – pelo menos "no papel".

Outra questão é o preço. A R$ 44,90 mensais, sai caro ver tênis. Principalmente se seu único interesse no pacote do DAZN for a WTA. Pagar R$ 538 por ano fica salgado, ainda mais se a gente comparar com A WTA TV, que também é por stream e tem mais jogos e mais torneios disponíveis. A assinatura da WTA TV custa US$ 74,90 anuais, o que dá mais ou menos R$ 285. Sai bem mais barato. A questão passa a ser individual para cada espectador. Vai aproveitar as outras opções do DAZN ou não? Se não, a WTA TV é uma escolha fácil.

Mais um ponto de interrogação é a equipe de transmissão. O DAZN anunciou que as transmissões de Indian Wells e Miami serão em português, mas não disse quem trabalhará nos jogos. Quem vê tênis sabe a diferença que isso faz. E mais: não são poucas as críticas a alguns dos narradores de futebol do DAZN. Se a escolha para o tênis não for criteriosa, pode ser um tiro no pé. O público do tênis feminino é bem dedicado, exigente, acompanha a modalidade e vai se incomodar se o comentarista não tiver o conhecimento necessário.

Coisas que eu acho que acho:

– Para quem não usa Chromecast ou não gosta de ver transmissões via internet, a ida da WTA para o DAZN é ruim. No entanto, parece ser o caso do "melhor se acostumar" porque é uma tendência sem volta. Até a Champions League já tem jogos exclusivos do Facebook. Quem não quiser ver esporte online vai ficar sem ver muita coisa.

– Acho muito difícil o DAZN oferecer algo pior do que o Sony fez do começo de 2018 até as últimas transmissões. Nesse sentido, é fácil a tarefa do DAZN.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.