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Qual é o melhor Federer de todos?
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Alexandre Cossenza

A pergunta surgiu no último domingo, na hashtag do podcast Quadra 18. Apesar de ter dado minha resposta no programa, que pode ser ouvido no post anterior, achei o tema interessante para registrar aqui também. O ouvinte Felipe Ariel Resende perguntou se a versão 2017 de Roger Federer podia ser considerada a melhor de todas – melhor ainda do que o modelo 2004-2007, que dominou o circuito na década passada.

A discussão é tão inútil quando pode ser divertida, desde que todos consigam discordar com educação, tentando entender os pontos de vista alheios. E este post não tem intenção alguma de cravar um acima dos outros. Mesmo assim, quis deixar registrado aqui este texto como mero levantamento de números e variáveis que servem para alimentar um debate saudável.

Em números, o Federer/2006 parece imbatível. Naquela temporada, o suíço somou 92 vitórias contra apenas cinco derrotas (quatro para Rafael Nadal e uma diante de Andy Murray), venceu três slams Australian Open, Wimbledon e US Open), foi vice em Roland Garros e encerrou a temporada com uma sequência de 29 triunfos, período em que foi campeão em Nova York, Tóquio, Madri, Basileia e do ATP Finals, que então levava o nome de Masters Cup, além de superar Novak Djokovic e Janko Tipsarevic na repescagem da Copa Davis. Enorme.

Ainda é cedo para julgar a versão 2017 de Federer em números e, com 35 anos e um calendário praticamente sem saibro, é virtualmente impossível que as estatísticas de 11 anos antes sejam igualadas. Ainda assim, o suíço já venceu o Australian Open e os Masters de Indian Wells e Miami.

Mas se é impossível comparar dados registrados, o que dizer tecnicamente? Parece incontestável que Federer, hoje, é um tenista mais completo. Desde a troca de raquete, efetuada no segundo semestre de 2013, o suíço tem golpes mais limpos e até mais potentes. Seu saque é uma arma ainda mais poderosa. O backhand, que nunca foi tão vulnerável quanto muitos acreditam, é uma arma perigosíssima. E, comparando o vídeo da final do Australian Open deste ano com as imagens do jogo contra Ivan Ljubicic em Miami/2006, é até difícil ver diferença na velocidade de deslocamento em quadra – algo soberbo para um tenista de 35 anos.

Mas será que o Federer de hoje é tão melhor assim do que o Federer de 2014, 2015 e início de 2016? Aí é que, a meu ver, a comparação é mais difícil. Em 2014, suíço foi vice-campeão em Wimbledon. Em 2015, foi finalista em Wimbledon e no US Open. Lembram de quando ele lançou o “SABR”, a devolução quase de bate-pronto? Ali, Federer foi considerado um revolucionário. Por fim, em 2016, antes da lesão, alcançou a semifinal em Melbourne. Não, ele não voltou dos seis meses de pausa como um tenista tão diferente e superior assim.

O elemento comum durante esse período 2014-2016? Novak Djokovic. O sérvio foi tão acima da média que impossibilita qualquer comparação justa. O fato, contudo, é que sempre que Federer brilhou, o então número 1 esteve lá para impedir um título. Sem Nole, o suíço possivelmente teria mais de 20 slams a essa altura. Talvez estivéssemos vendo o Federer de hoje com um olhar menos espantado. Sim, é justo que nos admiremos com um tenista voltando de lesão, seis meses parado, e ganhando tanto – e jogando tão bem. Mas será que ele é tão melhor agora do que dois anos atrás? Difícil julgar.

Duríssimo até porque Novak Djokovic não enfrentou o suíço neste 2017. E, se enfrentasse, o Djokovic de hoje teria o mesmo sucesso de dois ou três anos atrás? É por causa desse tipo de variável que é tão complicado e injusto cravar “melhores de todos os tempos”, qualquer que seja o esporte. Quem consegue equiparar os parâmetros para fazer uma comparação justa entre Federer e Rod Laver, por exemplo? E o tal “maior” é quem domina mais ou quem domina por mais tempo? O maior é necessariamente o melhor? Cada pessoa, com sua lista de critérios e preferências pessoais, pode achar uma coisa diferente. E o assunto está no ar para quem quiser discutir…


Quadra 18: S03E05
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Alexandre Cossenza

Miami praticamente repetiu Indian Wells. Roger Federer voltou a levantar um troféu após derrubar Rafael Nadal, Nick Kyrgios deu mais espetáculos, Marcelo Melo e Lukasz Kubot somaram mais um resultado excelente, enquanto no torneio feminino Angelique Kerber ficou pelo caminho mais uma vez, Venus Williams voltou a ir longe e Caroline Wozniacki perdeu a terceira final consecutiva.

Neste novo episódio do podcast Quadra 18, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos de tudo que envolveu Miami, inclusive o título de Johanna Konta, mas também abordamos as polêmicas nas transmissões de TV e as grandes mudanças que a Federação Internacional de Tênis vai implantar no circuito profissional a partir de 2019. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’17” – Aliny apresenta os temas
1’27” – Cossenza analisa o Federer x Nadal que decidiu o Masters de Miami
5’25” – A versão atual de Federer ganharia do Federer 2004-2007?
9’30” – Federer voltar só em RG mostra que ele não tem o #1 como prioridade?
12’45” – Qual o melhor jogo do ano até agora?
13’49” – O momento e a ascensão de Nick Kyrgios
17’00” – Nadal ainda joga muito atrás da linha de base contra Federer?
18’15” – Nadal já é favorito absoluto para Roland Garros?
19’35” – A janela de Nishikori e Dimitrov está fechando?
22’25” – Kyrgios precisa aumentar a % de pontos vencidos com a devolução?
23’30” – Qual o balanço após os primeiros Masters 1000 de Thiago Monteiro?
28’42 – Roll the Bones (Rush)
29’08” – A conquista de Marcelo Melo e Lukasz Kubot e a força da camisa
32’30” – Marcelo Melo criticou ou não Lukasz Kubot após o Rio Open?
37’00” – A repetição do duelo Melo/Kubot x Soares/Murray
39’23” – Henri Kontinen assume a liderança do ranking de duplas
41’10” – A diferença de pontuação entre Melo/Kubot e Dodig/Granollers
42’20” – O título de Johanna Konta e o WTA de Miami
43’30” – Os méritos e a falta de atrativos de Johanna Konta
46’10” – As mudanças e a polêmica sobre o que a ITF vai fazer com o circuito
52’56” – SporTV e Sony: críticas e elogios às transmissões de Miami


Por que Kyrgios x Zverev pode ser o Federer x Nadal do amanhã
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Alexandre Cossenza

O Masters de Miami testemunhou, na noite de quinta-feira, o que pode ter sido o primeiro episódio empolgante da próxima grande rivalidade do tênis mundial. Nick Kyrgios, australiano, 21 anos e #16 do mundo, derrotou Alexander Zverev, alemão, 19 anos e #20 do mundo, em um jogo espetacular, cheio de variações, jogadas espetaculares, discussões com árbitros e match points salvos. É um duelo que tem tudo para acontecer mais vezes e em fases mais importantes de torneios.

“Tem tudo…” é um grande clichê que todo mundo usa o tempo inteiro. Às vezes por preguiça, às vezes por falta de argumento mesmo. É fácil cair diante da tentação de usar uma expressão que supostamente diz muita coisa, mesmo sem especificar nada. Só que no caso de Kyrgios e Zverev, esse “tem tudo” faz sentido. Os dois são tecnicamente admiráveis. Têm slices, spins, bolas chapadas e todo tipo de variação. Ambos também possuem uma característica típica da nova geração: ótima movimentação para sua altura.

Kyrgios tem 1,93m e um saque capaz de acumular 25 aces em dois sets contra Djokovic – a melhor devolução do circuito. Sua mobilidade nunca foi espetacular, mas o australiano, que insiste em não contratar um técnico, decidiu investir em preparação física desde o fim do ano passado. O resultado está se mostrando em quadra. Kyrgios vem chegando mais inteiro em mais bolas. Seu ponto mais frágil, que era sair com pouca frequência da defesa para o ataque, já não é mais tão vulnerável. E isso só tem a melhorar.

Zverev tem 1,98m e um saque capaz de tirá-lo de situações complicadas com frequência. Foi principalmente com ele que o adolescente alemão bateu Roger Federer em Halle, no ano passado, e na Copa Hopman, no início deste ano. Só que Zverev também sabe se defender. Chega em bolas que muitos com sua altura não alcançariam e sabe usar o slice quando necessário para mudar a velocidade do jogo. Há muito tempo o tênis não vê alguém tão jovem com tantos recursos.

Comparar Kyrgios-Zverev a Federer-Nadal talvez seja sonhar muito alto. O clássico entre espanhol e suíço foi (ainda é) muito mais do que uma rivalidade por títulos e rankings. Foi um jogo de contrastes, um duelo que polarizou o mundo. Era o tênis limpo e barishnikovesco de Federer contra a camisa sem manga e suja de saibro de Nadal. Era o metrossexual homem do mundo contra o insular macho man musculoso. Era o penteado capa da Vogue contra o cabelo do Mogli. Era Mercedes contra Kia, Dubai contra Mallorca, Moët & Chandon contra pasta y gambas.

Australiano e alemão, contudo, têm lá seus contrastes interessantes. Zverev é um tenista mais pragmático. Quando precisa, faz só o básico. Kyrgios é o rebelde (aparentemente) incurável que apaga a linha que separa o louco do gênio. Não resiste à tentação de arriscar um golpe improvável, mesmo no mais delicado dos momentos. Em Miami, depois da espetacular passada por baixo das pernas do vídeo acima, o australiano forçou um Gran Willy quando tinha set point contra. Mandou na rede, perdeu o set.

Os dois têm maneiras bem diferentes de se comportar em quadra. Kyrgios é mais tudo. Fala mais, grita mais alto, reclama com mais frequência. Ele leva para a quadra um pouco do swag do basquete, seu esporte referido. Abre os braços de um jeito quase arrogante quando faz um lance de efeito. Chama a galera, ganha os aplausos. Zverev é mais discreto. Comemora consigo mesmo, tenta se manter concentrado falando pouco. A não ser quando a situação pede – como na noite desta quinta. Aí vira circo, no bom sentido da coisa, e é por isso que o mundo já está apaixonado por esse duelo.

Impossível prever o que será da carreira dos dois. Não é a tentativa deste post. Pelo contrário. Este texto é mais torcida do que previsão. Kyrgios e Zverev ainda têm uma geração fortíssima para derrubar. Federer está voando, Murray e Djokovic ainda têm alguns bons anos pela frente, Wawrinka não mostra sinais de queda e Nadal continua forte.

A questão é que fora esses cinco, ninguém atualmente mostra tênis tão versátil e com tanto potencial quanto Kyrgios e Zverev. Os dois podem bater qualquer um jogando de maneiras diferentes, em dias ótimos ou em jornadas não tão boas. E quando (ou “se”) alcançarem o equilíbrio entre físico, maturidade tenística e força mental, serão dificílimos de parar. E aposto aqui minhas pequenas cédulas de Banco Imobiliário que, como Kyrgios pediu no primeiro tweet deste post, as redes sociais vão ficar lotadas de feitos desses dois #NextGênios.

Coisas que eu acho que acho:

– Não, não foi o primeiro jogo entre eles. Quando digo, lá no alto, que pode ter sido “o primeiro episódio empolgante” é porque o primeiro duelo, há duas semanas, em Indian Wells, não empolgou. Terminou sem drama, num 6/3 e 6/4 para Kyrgios.

– Apenas torcendo para que seja uma coincidência feliz: em março de 2004, Nadal venceu o primeiro jogo contra Federer por 6/3 e 6/3. Também sem drama, sem nada realmente memorável. E ninguém imaginava que os dois se enfrentariam tanto, por tanto tempo e com tanta coisa em jogo…

– O que falta para que os dois deem o último grande salto e passem a brigar toda semana com o pessoal do top 5? Para Kyrgios, muito pouco. Com o que vem mostrando este ano, parece ser uma questão de tempo para ele mostrar seu talento com mais consistência, não só nos jogos grandes, mas nas partidas de terças e quartas-feiras sem adversários de nome ou quadras lotadas.

– Para Zverev, acredito que falta um pouco mais. Seu jogo é sólido o bastante. A cabeça, nem tanto. E nem é questão de descontrolar ou de alongar discussões inúteis como Kyrgios faz. O alemão ainda leva um pouco mais de tempo para esquecer erros bobos e superar falhas em momentos importantes. Kyrgios, por sua vez, tem uma capacidade gloriosa de brigar, gritar, quebrar raquetes e jogar o ponto seguinte como se nada tivesse acontecido.


Rio vai até Miami em lobby para mudar torneio de patamar
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Alexandre Cossenza

Não é segredo nenhum que os organizadores do Rio Open querem aumentar o torneio. O evento carioca, um ATP 500, tem o objetivo de saltar de status, seja mudando para um Masters 1000 ou qualquer que seja a denominação a partir de 2019, quando o circuito mundial possivelmente terá um formato bem diferente do atual. A novidade é que agora a cidade do Rio de Janeiro entrou oficialmente na conversa junto à entidade que controla o tênis masculino.

O presidente da Riotur, Marcelo Alves, foi a Miami nesta semana para conversar com a ATP, oficializar o apoio da cidade e do prefeito, Marcelo Crivella, e observar o Masters 1000 que está em andamento. Alves, que é empresário e não político, é o mesmo que, em parceria com Dejan Petkovic e o governo do estado do Rio, trouxe Novak Djokovic para uma exibição com Gustavo Kuerten em 2012 – sim, aquela mesma exibição pela qual o sérvio não recebeu do estado até hoje.

Após uma reunião que contou com o presidente da Riotur, Lui Carvalho, diretor do Rio Open, e Gavin Forbes, representante dos torneios das Américas no conselho de diretores da ATP, falei brevemente por telefone tanto com Alves quanto com Carvalho. As declarações de ambos estão abaixo:

Qual o grande objetivo dessa viagem?
Marcelo Alves: É plantar essa semente do nosso interesse perante a ATP de receber um Masters 1000. Não são decisões imediatas, mas fiquei muito feliz e surpreso com a receptividade com que a diretoria da ATP nos recebeu. Ontem (sexta), fiz um tour técnico em todas as estruturas do evento, hoje (sábado) nós tivemos uma reunião muito positiva e realmente eles ficaram muito surpresos com o nosso interesse. O objetivo era conhecer o evento, conhecer os passos para que a gente possa sonhar ainda mais em receber um Masters 1000. Temos condições, capacidade, estrutura e uma empresa que é credenciada e tem a data no Rio de Janeiro, que faz muito bem o ATP 500, então realmente não deixamos nada a desejar. O primeiro passo é trocar a quadra de saibro para a quadra rápida porque isso vai nos dar um grande plus.

Miami e o Rio Open são dois torneios da IMG. Cogita-se inverter o valor dos torneios ou não é essa a conversa?
MA: Não, não foi em nenhum momento discutido Miami. Não foi nada colocado na mesa sobre Miami. Pelo contrário. O que a gente deseja, primeiro, é trocar a quadra de saibro para a rápida no Parque Olímpico porque isso vai nos dar uma grandiosidade, até porque quando você transforma em quadra rápida, os atletas também virão [organizadores do Rio Open e do ATP de Buenos Aires acreditam que o saibro é um empecilho para atrair grandes nomes numa época do ano entre o Australian Open e os Masters de Indian Wells e Miami – todos em quadras duras]. Isso vai nos dar mais audiência, público e nos credenciar ainda mais para a ATP entender que o ATP que nós fazemos, com essa estrutura e grandiosidade, que um 500 ficou pouco para a gente. E aí transformar em 1000.

Então isso seria para a partir de 2019, que é quando a ATP pode reestruturar o calendário, mudando o formato e as pontuações com mais liberdade?
MA: É isso aí. A semente foi muito bem plantada. Ouvi deles que são apaixonados pelo Rio de Janeiro. Eles têm um carinho muito grande pelo Rio de Janeiro. Foi muito, muito positivo. O Rio de Janeiro não pode pensar em menos do que isso a partir de agora. Começou a história agora. É outro patamar.

Nessa questão, a Riotur atua como representante da prefeitura ou pode agir com interesses diferentes dos do prefeito Marcelo Crivella?
MA: A Riotur é uma empresa pública do turismo da cidade. É totalmente integrado, é uma empresa da prefeitura. O prefeito encara isso como uma das ações emblemáticas. Ele apoia tudo que é emblemático para a cidade e grandioso e, obrigatoriamente, vai refletir em empregos para a cidade. Um evento desse porte tem 14 dias. Gera emprego, receita para a cidade. A vocação da cidade é essa: o turismo. Turismo esportivo, de entretenimento. Claro que ele apoia. Ele é extremamente encantado com esses grandes acontecimentos.

Um Masters no Rio teria que ser no Parque Olímpico…
MA: Sem dúvida nenhuma. Até porque está pronto. Precisamos dar vida ao Parque Olímpico. As quadras estão prontas, é quadra rápida…

A questão é que ainda não se sabe quem vai administrar o Centro Olímpico de Tênis. É uma preocupação de vocês?
MA: É a parte mais fácil de resolver. Hoje, o Parque Olímpico tem três administradores. A parte das arenas é administrada pelo Ministério do Esporte; aquela rua principal é administrada por nós, da prefeitura; e a parte até onde vai ser o Rock In Rio, quem administra é a concessionária que construiu o Parque Olímpico. A gente está em comum acordo, sempre buscando caminhos para movimentar aquela área. Nosso legado está aí. Agora tem que dar vida!

Que tipo de avanço é possível fazer numa reunião assim?
Lui Carvalho: É legar ter a prefeitura se envolvendo, ter todas as esferas juntas com um objetivo comum, que é fazer o evento crescer, seja sendo 500, 1000, 750, ou indo para a quadra dura no Parque Olímpico – todas aquelas coisas que a gente conversou no Rio Open. Crescer não significa necessariamente mudar de status, mas pode ser várias coisas novas que a gente pode criar para o evento. É muito bom que o Marcelo esteja se envolvendo nisso. Ele é um cara do marketing, tem um histórico de empresa de organização de eventos, já trouxe o Djokovic para o Brasil naquela exibição… Ele entende e para a gente é super positivo para ajudar a fazer o evento crescer. Ele está tentando se situar na política da ATP para poder ajudar a gente. Ele sentou com o Fernando Soler, que é o head da IMG, sentou com o Gavin Forbes, que é o board member das Américas, até para entender os próximos passos e quando isso pode acontecer, e foi super positiva a reunião.

O Rio Open já decidiu se vai apresentar de novo ainda este ano, em julho, a proposta para mudar para quadras duras (o torneio fez isso ano passado e não obteve os votos necessários)?
LC: A reunião é na primeira semana de julho, em Wimbledon. A gente ainda está nessa estratégia para saber se a gente tem os votos para mudar para quadra dura. Na verdade, ainda não temos uma posição fixa. A gente veio até Miami para fazer um pouco da politicagem, conversamos um pouco com a galera do tênis, e vamos saber um pouco mais para a frente. O importante é que tudo está correndo bem, a ATP está falando super bem do Rio Open, o Chris Kermode [CEO da ATP] elogiou bastante a gente, então isso é o mais positivo de tudo.

Coisas que eu acho que acho:

– O assunto foi bastante discutido na época do Rio Open. A organização acredita que ter o evento em quadra dura vai ajudar a trazer mais nomes de peso. A opinião é compartilhada por Lui Carvalho, que é quem negocia com atletas e managers, e Gustavo Kuerten. Por outro lado, há quem acredite que a questão geográfica pesa tanto quanto o piso. Ou seja, se o Rio Open mudar para quadras duras, tenistas vão passar a usar a distância e as longas viagens como argumento para continuarem jogando torneios em Roterdã e Dubai.

– Vale lembrar também que o atual modelo do calendário da ATP vale apenas até 2018. Ninguém sabe o que vai acontecer a partir de 2019. Se houver consenso, pode haver todo tipo de alteração, desde a inclusão de novos níveis de torneios (como ATPs 750 e Masters 1500) até alterações radicais nas datas de eventos.


Quadra 18: S03E04
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Alexandre Cossenza

Na ATP, Roger Federer é campeão mais uma vez e com sobras. Na WTA, Elena Vesnina venceu uma final nervosa contra a compatriota Svetlana Kuznetsova. Nas duplas, Marcelo Melo e Lukasz Kubot conseguiram finalmente um grande resultado em 2016. Após a conclusão do torneio de Indian Wells, o podcast Quadra 18 está de volta para comentar o que rolou de mais interessante na Califórnia durante as últimas duas semanas.

Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos do momento “diferente” de Djokovic, da possível arrancada de Nick Kyrgios e das fases nada espetaculares dos atuais números 1 do mundo, Andy Murray e Angelique Kebrer. Também comentamos a polêmica sobre a final russa da WTA – houve quem não gostasse, da chance perdida de Karolina Pliskova e do que esperar de Melo e (principalmente de) Kubot. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Alexandre Cossenza apresenta os temas
0’40” – A campanha de Federer até o título em Indian Wells
5’05” – Existe alguém jogando em nível para parar Roger Federer em 2017?
6’36” – A bolinha é ruim, muito ruim ou ruim pra c…? Algum jogador reclama abertamente disso em Indian Wells?
8’12” – As campanhas de Murray e Djokovic, e o que faz mais falta ao Nole?
11’06” – É o começo do “deslanchar” de Nick Kyrgios?
13’13” – Já devemos nos preocupar com o futuro de Murray na temporada?
15’15” – Sheila Vieira e o fã clube de Stan Wawrinka
17’05” – California Gurls (Katy Perry)
17’32” – O título feliz da feliz e carismática Elena Vesnina
21’33” – A chave menos complicada de Svetlana Kuznetsova
22’11” – Karolina Pliskova e uma chance perdida
23’12” – Vesnina x Kuznetsova é uma final ruim para o tênis feminino?
27’28” – O momento de Angelique Kerber e sua volta ao posto de número 1
29’20” – Murray e Kerber estão decepcionando como líderes do ranking?
31’05” – Queen of California (John Mayer)
31’33” – Melo e Kubot engrenam depois do vice em Indian Wells?
37’48” – Kubot é o novo Peya?
38’09” – A boa campanha de Soares e Murray em uma chave duríssima
40’11” – Mahut, Kontinen e a briga pelo número 1 de duplas
42’25” – Miami e as ausências de Serena, Murray e Djokovic
43’44” – Quem quer vencer slam precisa abrir mão de jogar Masters 1.000?
45’13” – Bia Haddad Maia e seu convite para o WTA de Miami


Quadra 18: S02E05
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Alexandre Cossenza

Novak Djokovic segue dominando, e Victoria Azarenka se estabelece como a melhor tenista de 2016. Após o Masters 1.000 de Miami, o podcast Quadra 18 está de volta, comentando tudo que rolou no torneio da Flórida, desde as centenas de “Fora, Dilma” até a situação de Serena Williams, passando pelo novo número 1 nas duplas, as estranhas desistências e o drama de Juan Martín Del Potro.

Quer ouvir? É só clicar no player acima. SE preferia baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse neste link e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’15” – Aliny, de volta, apresenta o podcast
1’16” – Marcelo Melo manda mensagem para Aliny
1’30” – O título de Novak Djokovic em Miami
2’00” – Sheila fala sobre as duas partidas interessantes de Djokovic no torneio
3’49” – O Djokovic de 2016 dá mais brecha para os adversários do que o de 2015?
5’52” – Quanto tempo vai levar até alguém jogar de igual para igual com Djokovic?
8’03” – As desistências na chave masculina
8’45” – “Gastroenterite foi a razão oficial, mas sinceramente não acredito”
9’30” – “Foi triste ver o Del Potro nessa situação de novo”
9’58” – A semelhança com a sensação de ver Guga sofrendo com o quadril
10’31” – “Ele não vai conseguir jogar só com o slice”
10’45” – A bizarra desistência de Nadal
12’20” – Coisas que só Aliny Calejon consegue
12’25” – Bellucci e a desistência mais esperada do torneio
15’25” – “Derrotinhas ridículas” nas primeiras rodadas
16’45” – Monfils x Nishikori: como um seriado da Shonda Rhimes
18’08” [Música sobre o momento de Djokovic e Azarenka]
19’30” – O título de Victoria Azarenka
22’55” – A intrigante ida para o saibro do circuito feminino
23’49” – Expectativa para os desempenhos de Vika e Rafa no saibro.
25’25” – E Serena Williams? Avaliações sobre seu começo de ano.
27’02” – Serena Williams estaria acima do peso?
29’02” – As atuações de Teliana e Bia em Miami
29’50” – A fragilidade do serviço de Teliana Pereira
31’35” – A pontuação de Teliana em busca de uma vaga nos Jogos Olímpicos
32’55” – El Cuarto de Tula (Buena Vista Social Club)
33’35” – Aliny fala das duplas em Miami
36’34” – Reações ao calor: “Do nada, eu enxergava roxo” + metrô de SP
38’05” – A campanha de Marcelo Melo e Ivan Dodig
39’12” – Jamie Murray assume a liderança do ranking de duplas
40’30” – A gafe da ATP com Marcelo Melo
41’31” – Melo perdendo o #1 acaba com o oba-oba do “já ganhou” olímpico?
42’38” – IW e Miami mostram uma tendência para 2016?
43’48” – A ótima campanha de Feijão no México + Davis em Belo Horizonte
46’05” – Precisa dar muita coisa errado para o Brasil perder no Zonal hoje
46’35” – “Fora Dilma” em Miami: qual a utilidade?
48’10” – “É verdade que tenistas usam raquetes diferentes dos modelos vendidos em loja?”
50’30” – Bandsports ou SporTV?

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram El Cuarto de Tula (Buena Vista Social Clube) e Everybody Loves Miami (The Underdog Project).


Serena Williams: quando devemos nos preocupar?
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Alexandre Cossenza

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Serena Williams em 2015: campeã do Australian Open, semifinalista em Indian Wells (abandonou antes de jogar a semi) e vencedora do WTA de Miami.
Serena Williams em 2016: vice-campeã em Melbourne, derrotada por Angelique Kerber na decisão, vice também em Indian Wells, superada por Victoria Azarenka, e eliminada nas oitavas de final em Miami por Svetlana Kuznetsova.

Sim, são só três torneios, há muito pela frente na temporada. É cedo para julgar a multicampeã e certamente soa injusto usar como parâmetro justamente a melhor temporada da carreira de Serena Williams. É perfeitamente normal que a número 1 do mundo tenha um 2016 inferior. Ela, inclusive, já igualou seu número de derrotas de 2015 (três!). Mas não é uma questão só de resultados, embora seja o pior início de ano da americana desde 2012, quando ainda voltava ao circuito após uma embolia pulmonar.

Longe de querer soar apocalíptico, há alguns indícios de que o mundo pode estar vendo o início do fim de Serena-como-a-conhecemos, ou seja, Serena 2013-15. Não que haja algo errado ou que alguém precise ser fuzilado publicamente por isso, mas vale analisar com atenção alguns momentos de Serena-2016:

A idade

Não que seja o mais decisivo dos fatores no caso de Serena, mas cedo ou tarde até os grandes sentem os efeitos do tempo. Pete Sampras sempre disse que perdeu a regularidade. Que treinava da mesma forma, mas não conseguia ter a mesma precisão dentro de quadra. Era espetacular num dia, pavoroso (para seus padrões) em outro.

Para a americana, ainda deve haver uma preocupação com lesões, como a que incomodou durante o US Open do ano passado. Especialmente porque Serena não é a tenista mais leve do circuito. Não compro a teoria de que ela esteja acima de seu peso normal (a foto desta quarta, postada por ela no Instagram, “concorda” comigo), mas é difícil imaginar uma atleta como ela ganhando tanto há tanto tempo e não sentindo o desgaste acumulado.

O desgaste do Grand Slam

Só Serena sabe o quão extenuante foi a última temporada. O enorme número de jogos, a incessante pressão para vencer todos eles, a expectativa e a proximidade do Grand Slam de fato… Tudo isso vai somando e esgota a pessoa. Mal comparando, é como o cidadão que colocava todas suas energias em um vestibular e ficava perto, mas não conseguia a aprovação e recebia o resultado pensando “nunca mais passo por isso.”

É preciso um tempo para absorver tudo que aconteceu, deixar a cabeça descansar e só depois pensar na vida e no que fazer. Cada pessoa tem um tempo diferente e vai tomar decisões diferentes. Pode ser que ela ainda esteja contemplando tudo isso e o que fazer daqui em diante. Talvez Serena não tenha mais a disposição para se cobrar os resultados dos últimos três anos. Seja o que for, com o currículo que tem (e mesmo que não tivesse!), pode tomar qualquer decisão e encarar o circuito da maneira que achar melhor – sem olhar para trás.

Taticamente, Serena não tem sido a mais paciente das tenistas. Foi assim tanto na final do Australian Open quanto na decisão em Indian Wells. Enquanto Kerber e Azarenka se defendiam, a americana atacava com certa afobação, às vezes abusando da potência e correndo riscos desnecessários em bolas pouco colocadas. Se isso é reflexo do desgaste ou simplesmente planos de jogo mal executados, é impossível dizer de longe.

O comportamento nas premiações

Tanto em Melbourne quanto na Califórnia, Serena foi extremamente graciosa. Distribuiu sorrisos, elogiou Kerber e Azarenka ao extremo, saiu de quadra quase feliz. Parecia até pouco incomodada com os resultados. Não vejo nada de necessariamente errado na postura, mas assisti às duas cerimônias um pouco espantado. A Serena campeã que eu conheci lá atrás não reagia bem a derrotas em ocasiões tão importantes.

Claro que a maturidade veio, mas as duas finais me deixaram imaginando se a atual número 1 deixou para no passado um pouco daquele instinto assassino ou se realmente assumiu o cargo não oficial de embaixadora do tênis feminino, mostrando o quanto a modalidade é forte e, suas tenistas, muito capazes. Ou ambos, já que uma postura não exclui a outra.

O que esperar, então?

Como escrevi lá no alto do post, ainda é o início da temporada e não convém tirar conclusões definitivas sobre os resultados ou o comportamento de Serena em 2016. O Grand-Slam-que-não-foi de 2015 ainda pesa? O instinto assassino acabou? Serena está se poupando para os Jogos Olímpicos e um calendário congestionado no segundo semestre? A temporada de saibro, que começa agora, costuma ser um bom termômetro para medir as pretensões e a dedicação da americana. Vale ficar de olho, prestar atenção nos sinais e, principalmente, aproveitar Serena Williams. Depois da exaustão de 2015, sabe-se lá até quando continuará jogando no nível que é só dela.

Tênis por WhatsApp

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Sobre Guga, Del Potro e uma triste e insistente semelhança
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Alexandre Cossenza

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Agonia é a sensação predominante para quem acompanha na beira da quadra. O carismático campeão de Slam, em idade para estar no auge de seu potencial, está em quadra brigando contra um problema físico grave. Mesmo depois de três cirurgias, tenta achar um meio, qualquer que seja, de encarar a situação e ser competitivo. Ainda assim, não consegue esconder a dor. Leva a mão ao local das cirurgias, pede atendimento médico, volta para a quadra e tenta outra vez, mesmo sabendo que o fim está próximo.

Gustavo Kuerten, o cidadão do parágrafo acima, não encontrou solução. Foi forçado a se aposentar aos 31, seis anos depois da primeira cirurgia no quadril direito, em 2002. Ainda conseguiu brilhar depois daquela intervenção, mas após a segunda, em 2005, sempre esteve longe de seu melhor. A última operação, em 2006, pouco adiantou.

Nesta sexta-feira, em Miami, quem viveu situação parecida foi Juan Martín del Potro. O argentino, campeão do US Open em 2009, voltou a jogar depois da terceira cirurgia no punho esquerdo no mês passado, em Delray Beach. Apoiado em um ótimo saque e um forehand gigante, conseguiu algumas vitórias, mesmo usando o slice como golpe predominante de backhand. Havia uma fragilidade clara, que ficou ainda mais nítida contra Tomas Berdych em Indian Wells.

No torneio da Flórida, não havia mais como esconder. Del Potro sentiu dores, pediu atendimento médico e tentou seguir em quadra, mas acabou derrotado pelo compatriota Horacio Zeballos (6/4 e 6/4). A imagem da dor e a expressão de frustração na cara de Del Potro eram perturbadoras.

Depois da partida, o ex-top 10 disse que não era nada de novo e que precisava estar preparado para isso. Afirmou ainda que é preciso ter muita paciência e que nem todos aguentariam. Por fim, declarou que conhece suas limitações e, da maneira que estava nesta sexta, optou por entrar em quadra.

Del Potro disse neste vídeo, de junho do ano passado, que as dores começaram em 2012. Inicialmente, o problema foi diagnosticado como tendinite. Mais tarde, foi constatado um dano em um tendão. Quando gravou a mensagem, o argentino estava sem jogar desde o Masters de Miami (sim, um ano atrás) e ainda passaria pela terceira cirurgia, buscando o que esperava ser a solução definitiva.

A essa altura, só Del Potro sabe exatamente a dimensão de suas dores. Clinicamente, é um caso bem diferente do de Guga (lesão no quadril), mas os relatos e as impressões são semelhantes. Assim como fazia o brasileiro, o argentino não dá muitos detalhes sobre suas sensações e se apega a um punhado de vitórias para manter a esperança. São dois exemplos de atletas espetaculares que venceram jogos longe de seu melhor, mas que não voltaram a alcançar o nível que um dia jogaram (“ainda não” no caso de Del Potro).

Sem saber os pormenores da lesão, impossível fazer um prognóstico para o futuro do argentino. O histórico do tênis, contudo, não é dos mais animadores. Não me lembro de um tenista que tenha tratado uma lesão por quatro anos e voltado a competir em altíssimo nível. Hoje, nem o foguete de direita é suficiente para compensar o backhand vulnerável. O carismático argentino, infelizmente, parece rumar para o mesmo destino de Guga – e com uma carreira ainda mais curta.

Coisas que eu acho que acho:

– Uma pergunta recorrente entre fãs de tênis hoje: “é tarde demais para Del Potro desenvolver o backhand com apenas uma das mãos como Federer e Wawrinka?” Fizeram a questão a Paul Annacone, ex-técnico de Pete Sampras e Roger Federer. A resposta do americano foi curta e grossa.

– Não há relatos de tenistas do nível de Del Potro (já campeão de Slam, número 4 do mundo, medalhista olímpico) que tenham feito uma mudança de golpe semelhante e tenham alcançado sucesso equivalente ao de antes. Conversei com Sylvio Bastos, técnico e comentarista do Fox Sports, e a opinião dele foi semelhante. “Muito difícil (ter sucesso equivalente após uma mudança), para não dizer impossível. Acho que ele para (de jogar) sem tentar.”

– Sampras e Wawrinka começaram a jogar com backhand de duas mãos e mudaram, mas o americano tinha 14 anos na época. O suíço, 11.

– Meligeni fez a mudança mais tarde, já top 100 e com 25 anos, em dezembro de 1996. Os melhores resultados de sua carreira aconteceram mais de dois anos depois, em 1999, quando alcançou a semifinal de Roland Garros e chegou ao 25º posto no ranking.


Quadra 18: S02E04
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Alexandre Cossenza

O CEO de Indian Wells disse que as tenistas de hoje deveriam ajoelhar e agradecer por Roger Federer e Rafael Nadal terem nascido. Em seguida, Novak Djokovic reacendeu a polêmica da igualdade de prêmios entre homens e mulheres. No meio disso tudo, Victoria Azarenka derrotou Serena Williams em uma final, enquanto o número 1 do mundo venceu mais um Masters 1.000. Nas duplas, Marcelo Melo ficou a dois pontos de perder a liderança do ranking.

Com tudo isso para comentar, Sheila Vieira e eu (a Aliny estava se recuperando de uma lesão) gravamos este episódio do podcast Quadra 18, que cobre todos assuntos acima e ainda fala do doping de Maria Sharapova. Quer ouvir? É só clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’14” – Sheila apresenta e lista os assuntos do dia e explica a ausência da Aliny
2’25” – Os comentários polêmicos do CEO de Indian Wells sobre a WTA
3’00” – “Bilionário que fica no camarote com uma menina de 12 anos”
8’08” – Cossenza: “A WTA tem uma parcela de culpa porque vendeu essa imagem durante algum tempo”
9’50” – As respostas de Azarenka e Serena
12’11” – Djokovic entra no assunto e provoca mais polêmica sobre premiação igual
13’40” – “Ele acabou de aplaudir as meninas, mas acha que homens devem lutar por um prêmio maior”
14’42” – Sheila: “Amigo, desce do muro”
16’30” – “Um dia, vou entender esse tabu para falar de menstruação”
17’25” – Cossenza fala sobre bastidores de negociação por prize money
19’30” – Cossenza concorda parcialmente com o raciocínio Djokovic, mas diz porque soa absurdo.
22’20” – Sheila cita história de limites impostos pela sociedade
23’20” – Maioria dos investimentos feitos no esporte são decididos por homens
26’05” – Sheila analisa a final entre Serena x Azarenka
28’25” – Cossenza lembra do point penalty e o risco de desclassificação de Serena
30’30” – O novo top 10 feminino e a volta de Azarenka
32’15” – O torneio masculino de Indian Wells e a conquista de Djokovic
33’00” – Djokovic x Nadal, a final antecipada, e a evolução do espanhol
34’45” – A fragilidade no saque, o principal problema de Rafa Nadal
36’30” – A decepção do torneio: Wawrinka ou Murray?
38’27” – A curiosa e “espetacular” Corrida para o Finals
40’05” – Nice Guys Finish Last (Green Day)
40’40” – Início do segundo bloco
40’56” – Áudio de Marcelo Melo e sua importante declaração
41’10” – Como o mineiro quase perdeu o posto de #1 do mundo
42’48” – As chances de Jamie Murray em Miami
45’05” – Os campeões de duplas em Indian Wells
45’20” – André Sá, vice-campeão do Challenger de Irving
46’30” – Bellucci, Rogerinho e Thiago Monteiro
48’10” – Sobre a cobrança e a expectativa em cima de Monteiro
50’00” – O duelo entre Bia e Teliana em Miami: bom ou ruim?
51’09” – Sheila: “A única maneira de lidar com essa loucura é fazer piada”
52’55” – A volta de Roger Federer e as mudanças em seu calendário
54’02” – A importância de ser número 2 do mundo para Federer
54’55” – O caso de doping de Maria Sharapova
57’40” – Sheila e Cossenza tentam adivinhar a punição de Sharapova
62’32” – A chance de Sharapova disputar os Jogos Olímpicos

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Nice Guys Finish Last (Green Day) e Game Set Match (YouTube Audio Libraby).


Quadra 18: S01E01
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Alexandre Cossenza

A vontade sempre existiu (a amizade, idem), mas faltava organizar o formato, encontrar tempo livre e colocar tudo na prática. Hoje, essa ideia sai do papel e nasce o podcast Quadra 18 com as amigas Aliny Calejon e Sheila Vieira, pessoas que gostam de tênis tanto quanto eu – e isso, no fundo, é o mais importante.

Neste episódio de estreia (S01E01), falamos sobre:

– Novak Djokovic e sua superioridade no circuito
– Andy Murray voltará a conquistar um Grand Slam?
– Serena Williams é menos valorizada do que merece ou a WTA atual é fraca?

No fim do programa, em um momento mais descontraído, também falamos sobre os tenistas que odiamos gratuitamente (ou quase isso). Para ouvir, clique acima ou faça o download diretamente deste link!

O podcast está aberto à participação de vocês. Quem quiser perguntar algo, tirar uma dúvida ou levantar uma polêmica, basta enviar sua questão ou sugestão via email (link na barra lateral do blog), Facebook ou Twitter (@saqueevoleio, @sheilokavieira e @alcalejon com a hashtag #Quadra18) para um de nós.


Djokovic 2015: espetacular até quando não é espetacular
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Alexandre Cossenza

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Australian Open, Indian Wells e, agora, Miami. Pela segunda vez na carreira, Novak Djokovic vence os três primeiros torneios grandes de quadra dura em uma temporada. A outra vez que isso aconteceu todo mundo lembra (ou deveria lembrar) muito bem: foi em 2011, quando o sérvio, então à caça de Rafael Nadal no ranking, chegou a 43 vitórias consecutivas e só foi derrotado em Roland Garros – por Roger Federer, nas semifinais.

O ano de 2015 não tem números tão espetaculares para Nole (ainda?). Depois de sofrer reveses em Doha (para Ivo Karlovic) e Dubai (para Federer), o número 1 do mundo encerra Miami com “apenas” 12 vitórias seguidas. E, enquanto Rafael Nadal não encontra seu melhor tênis, Roger Federer evita o calor da Flórida, Andy Murray não tem a regularidade necessária e o resto do circuito ainda não se mostra pronto para desbancar o top 4 consistentemente, o sérvio dispara na ponta do ranking.

A vantagem de Djokovic sobre Roger Federer, atual número 2, é de 4.310 pontos (pouco mais de dois Slams), mas, no momento, o que vem chamando a atenção no circuito é o quanto o sérvio não vem jogando um tênis espetacular. Isso não é uma crítica. Muito pelo contrário. O fato é que Nole já venceu 25 jogos em 2015 e, com uma visão um pouco mais exigente, quem consegue dizer que ele jogou um tênis espetacular-do-começo-ao-fim em mais de meia dúzia?

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Djokovic vem oscilando um bocado entre os jogos e até mesmo durante as partidas. Miami, mesmo com condições mais duras de jogo (calor e umidade), foi um belo exemplo. Desde o set perdido na estreia em um jogo aparentemente sob controle contra Martin Klizan, passando por um set inicial muito ruim contra Alexandr Dolgopolov e chances perdidas contra David Ferrer, até a final em que Andy Murray teve um bocado de chances nos primeiros dois sets. A única apresentação boa do começo ao fim veio na semi, contra John Isner.

O que é espetacular, isso sim, é que Djokovic vem vencendo todos esse jogos. Traduzindo: sua superioridade no circuito é tão grande que lhe permite um bocado de momentos abaixo da média (sua média é altíssima, lembremos, mas o julgamento deve ser proporcional ao nível do tenista). Na final de Indian Wells, contra Roger Federer, Nole saiu de belíssimo início de jogo para um péssimo tie-break no segundo set. Ainda assim, venceu confortavelmente no fim. Não foi muito diferente neste domingo, na decisão do Masters de Miami.

O resumo disso tudo? Hoje em dia, Novak Djokovic é espetacular até errando smashes e fazendo duplas faltas. O circuito inteiro está muito, muito atrás.

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Coisas que eu acho que acho:

– Embora não esteja jogando no nível fabuloso de 2011, Djokovic leva uma vantagem enorme para a temporada de saibro: já perdeu este ano. É um pouco de pressão a menos, algo que nunca pode ser subestimado – especialmente em um momento em que o título de Roland Garros parece mais palpável do que nunca.

– Sobre Andy Murray e suas oscilações – mais mentais do que técnicas -, o lado positivo é que o escocês faz três ótimos torneios justamente nos eventos mais importantes da temporada. Calhou de trombar (e cair!) em Djokovic em todos eles, o que provocou três derrotas. Mas vale lembrar que Môri é o vice-líder em pontos conquistados neste início de ano. São 2.420, contra 4.385 de Djokovic e 1.890 de Berdych, o terceiro colocado. Federer, em sexto nesta lista, somou 1.515, e Nadal, em uma incomum nona posição, acumula 1.015.


Um árbitro cego e uma preposição mal traduzida
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Alexandre Cossenza

Não precisa muito para uma discussão nonsense quando as três pessoas envolvidas são falantes nativos de idiomas diferentes e se veem em uma situação onde a tradução de uma preposição faz toda diferença do mundo. Foi assim que Andy Murray, Novak Djokovic e o árbitro argentino Damian Steiner, que cometeu uma falha absurda ao não enxergar o lance. Vejam, primeiro, o vídeo:

O erro do árbitro fica claro no replay. Djokovic “invade” e rebate enquanto a bola ainda está do outro lado da rede. A regra nem é complicada. Se o tenista fizer contato enquanto a bola estiver do seu lado da quadra, ele pode levar a raquete até o outro lado da rede. É parte da continuação do movimento, e foi isso que o árbitro, de maneira atabalhoada, tentou explicar. Não foi isso, entretanto, que aconteceu. Djokovic tocou na bola enquanto esta ainda estava do lado de Murray.

Antes do ponto seguinte, o campeão de Wimbledon viu o replay no telão da quadra central de Miami e foi questionar Steiner. Djokovic também se dirigiu ao centro da quadra, e foi aí que houve a discórdia. O sérvio afirma que rebateu a bola “over the net”, e o britânico vira-se para o árbitro dizendo isso. O argentino, por sua vez, diz que “over the net” não tem problema e que Djokovic só não poderia rebater a bola do outro lado da rede. O problema, contudo, é que “over the net” e “do outro lado da rede” são, em inglês, sinônimos. A mesma coisa.

Por isso, Murray se vê numa situação surreal, tentando argumentar em inglês algo que o árbitro não entende no idioma. Os comentaristas do TennisTV, inclusive, comentam a situação, falando sobre o quão frustrante é debater com alguém que não é falante nativo do mesmo idioma. Como o cenário se desenhou, Steiner errou duas vezes. Uma quando não enxergou um lance óbvio, sentado na melhor posição do universo para aquele tipo de lance, e outra quando tropeçou no inglês para justificar sua decisão junto a Andy Murray. O que Steiner queria dizer, provavelmente, é que Djokovic fez contato com a bola exatamente acima da fita (o que é permitido) e que, depois, a raquete passou para o outro lado da rede.

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Coisas que eu acho que acho:

– O jogo foi disputado em altíssimo nível desde o começo, e não dá para dizer, com 100% de isenção, que o erro do árbitro foi responsável pela derrota de Murray. É claro que atrapalhou, ainda mais vindo naquele momento, o 12º game do primeiro set. O britânico, no entanto, teve uma quebra de vantagem no segundo set e não aproveitou. Importante lembrar também que Murray teve um break point na primeira parcial, quando Djokovic fazia um péssimo game. O campeão de Wimbledon, entretanto, cometeu um erro nada forçado. No fim das contas, o número 2 do mundo oscilou menos – técnica e mentalmente – e venceu com méritos.

– Vale lembrar de uma cena parecidíssima no Masters de Indian Wells, coincidentemente envolvendo Andy Murray e em um momento bastante delicado da partida. Vejam aqui o que aconteceu.

– No Twitter, já li algumas mensagens de pessoas contestando a postura de Djokovic no incidente. Ficam no ar, contudo, algumas questões. O sérvio a Murray disse que rebateu “over the net”, mas será que ele sabe o significado exato da expressão em inglês? Além disso, será que é fácil para um tenista perceber exatamente em que ponto acima da rede ele fez contato com a bola? O debate, antes de chegar na discussão sobre o caráter do número 2 do mundo, precisa passar por essas duas questõezinhas.

– Só existe uma hipótese em que a regra permite que um tenista toque na bola com ela do outro lado da rede: nos casos raríssimos em que a bola, cheia de efeito, quica na quadra de um tenista e volta, por cima da rede, para o outro lado. Vejam neste vídeo, que a Aliny Calejon encontrou.


Dimitrov socorre boleira em Miami
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Alexandre Cossenza

Taí um dos gestos que todo mundo gostaria de ver mais. No esporte e na sociedade, de modo geral. Grigor Dimitrov havia acabado de perder o primeiro set para o japonês Kei Nishikori, no Masters 1.000 de Miami, mas viu que uma das boleiras não estava se sentindo bem. Logo, o búlgaro, também conhecido como namorado de Maria Sharapova, socorreu a boleira. Vejam que bacana!

Dimitrov, contudo, não continuará no torneio. Ele saiu de quadra derrotado por 7/6(1) e 7/5. Nishikori, por sua vez, avança às oitavas de final e vai enfrentar David Ferrer, que vem de triunfo por 6/3 e 6/2 em cima do italiano Andreas Seppi.


A máquina de highlights
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Alexandre Cossenza

Desde o começo da temporada, Roger Federer vem jogando um tênis belíssimo, voltando a ser aquela máquina de “hot shots”. A cada jogo, um lance espetacular. O mais recente veio na partida contra o holandês Thiemo de Bakker, válida pela terceira rodada do Masters 1.000 de Miami. Olha só!

Sobre o torneio, ainda há pouco a dizer. Federer conquistou duas boas vitórias, e o mesmo pode ser dito de Andy Murray, que levou 6/3 no primeiro set em sua estreia, contra Matthew Ebden, mas passeou desde então. Aplicou 6/0 e 6/1 no australiano e, depoid, fez 6/4 e 6/1 em cima de Feliciano López. Na última partida, o britânico teve até a visita do ex-técnico Ivan Lendl, que sentou-se junto do time – como se nada tivesse mudado na relação.

Sobre Rafael Nadal e Novak Djokovic, há ainda menos a dizer. O espanhol fez uma bela partida diante de Lleyton Hewitt, vencendo por 6/1 e 6/3 o ex-número 1 do mundo, mas ainda não disputou sua segunda partida em Miami. Nole, por sua vez, bateu Jeremy Chardy na estreia (6/4 e 6/3) e avançou por WO na sequência – o alemão Florian Mayer desistiu.

A nota triste fica por conta da atuação do australiano Bernard Tomic, que levou 6/0 e 6/1 do finlandês Jarkko Nieminen e foi eliminado em apenas 28min20s. A partida é a mais curta já registrada pela ATP. Vale lembrar, contudo, que a ATP começou a arquivar estatísticas desde 1991, então é um erro dizer que foi o jogo mais curto da história. Além disso, o tênis feminino já teve jogos que duraram menos.

Volto a escrever sobre o torneio mais adiante. Até lá, sigam a chave neste link e cliquem aqui para a programação.


Quando a rede ajuda
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Alexandre Cossenza

Era a primeira rodada do Masters 1.000 de Miami, e o colombiano Santiago Giraldo havia vencido o primeiro set sem dificuldades: 6/1. O segundo, contudo, foi de Marcos Baghdatis: 6/2. Quando a parcial decisiva começou em um game equilibrado, a sorte deu uma forcinha ao cipriota. Olha só o que aconteceu…

No fim das contas, Baghdatis venceu por 7/5 e passou à segunda rodada para enfrentar o alemão Philipp Kohlschreiber, cabeça de chave 24.


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