Topo
Saque e Voleio

Saque e Voleio

O Federer 'normal' que ainda sobra no circuito

Alexandre Cossenza

2001-04-20T19:06:00

01/04/2019 06h00

O renovado Miami Open chegou ao fim neste domingo com mais um título de Roger Federer – seu quarto no evento, o 101º na carreira. Uma conquista que veio com apenas um set perdido e com triunfos sobre Radu Albot, Filip Krajinovic, Daniil Medvedev, Kevin Anderson, Denis Shapovalov e John Isner. Uma campanha com sobras e que mostra que o Federer de hoje, com 37 anos, ainda sobra na maioria das ocasiões no circuito mundial.

O suíço só foi ameaçado – e nem tanto assim – por Albot, em sua estreia no torneio. Depois que encontrou seu ritmo na Flórida, passeou. E se é verdade que os rivais mais perigosos não apareceram no caminho de Federer (Djokovic tombou, Nadal está lesionado, Zverev e Kyrgios acabaram eliminados) em Miami, é preciso lembrar que: 1) o suíço não tem culpa dos vacilos dos outros; e 2) Roger se livrou competentemente das cascas de banana pelo caminho.

Aplicou um pneu no primeiro set em Kevin Anderson, abriu com 6/2 diante de um errático e nervoso Shapovalov, e aplicou 6/1 na parcial inicial sobre um Isner que, com problemas no pé, não mostrou em momento algum a capacidade de oferecer resistência decente. Mais admirável que os placares e as atuações é o fato de que Federer não foi espetacular – para o padrão Federer – em momento algum. Fez o que fez com enorme margem para responder a alguma ameaça significativa.

Teria feito mais caso encontrasse com um Djokovic, um Zverev ou um Nadal em forma? Provavelmente. Teria vencido? Não importa. Não aconteceu. Este ano, em Miami, no Hard Rock Stadium, pode ter faltado o "hard", mas Federer foi como o bom e velho rock and roll: insuperável.

Coisas que eu acho que acho:

– Para quem gosta de marketing e etc.: embora não tenha usado seu laranja na pintura da quadra, o Itaú espalhou sua cor mais forte por todo o torneio. Até a tinta da caneta com que os tenistas assinavam a câmera no fim das partidas era com a cor do banco.

– Para quem ainda não viu, deixo aqui o convite: publiquei ontem nos Instagram Stories do blog um tour pelo Miami Open. Mostrei a chegada, sala de imprensa, as áreas de convivências e outras curiosidades do Hard Rock Stadium. Passem por lá e confiram. No futuro, farei uma compilação desses vídeos e publicarei em outro lugar.

– Por ter chegado na reta final do torneio e muito depois do media day, não deu para conseguir exclusivas com grandes nomes de fora do Brasil. Nesta semana, o blog ainda traz uma exclusiva com Gustavo Kuerten e uma entrevista com um executivo do Itaú, que explica as motivações do banco em patrocinar o Miami Open.

– O papo com Guga aconteceu no sábado, na Loja da Lacoste do Aventura Mall, não muito longe do Hard Rock Stadium. Falamos por 40 minutos sobre sua imagem, marketing, projetos e parcerias. O ex-número 1 do mundo se empolgou tanto no assunto que me convidou para complementar o papo neste domingo, durante a final entre Federer e Isner. O "complemento" rendeu mais 20 minutos de conversa.

– Entre casos curiosos, Guga cita quantas vezes rejeitou propostas de bebidas alcoólicas, falou dos convites para ingresso na política, revelou uma oferta da Lacoste que chegou em 2004 (muito antes da assinatura de contrato) e disse que fez um longo estudo (mais de um ano!) antes de acertar com a TV Globo para participar da cobertura dos Jogos Olímpicos de 2016. Eu adorei e acho que vocês vão gostar também. Até porque não é todo dia que menciono Jerry Maguire com um tenista.

– Apoiadores do blog já têm acesso à integra da conversa. Os links já estão postados no Mural do Apoia.se.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.