Saque e Voleio

Categoria : Vídeo

A ‘Lenda’ de 69 anos que venceu um jogo profissional nesta semana
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Alexandre Cossenza

Gail Falkenberg, 69 anos, é chamada por algumas tenistas de “A Lenda” e tem uma das histórias mais interessantes do tênis. Seu nome ganhou destaque na última semana porque ganhou um jogo no qualifying do ITF de Pelham (EUA), torneio com premiação de US$ 25 mil. Aplicou 6/0 e 6/1 na jovem Rosalyn Small, de 22 anos.

Com isso, teve o direito de enfrentar, na segunda rodada do quali, a também americana Taylor Townsend, 19 anos, que já foi top 100 e ocupa hoje o 389º posto no ranking. Taylor venceu por 6/0 e 6/0 (Veja um trecho da partida no vídeo abaixo), mas Gayle ganhou os holofotes.

Sua história, contada pelo Wall Street Journal, é incrível. Aprendeu a jogar por conta própria e decidiu tentar o tênis profissional aos 38 anos. Ela até venceu uma partida no Australian Open (no qualifying de 1988). Só parou com a carreira porque não tinha como se sustentar e precisava de um emprego.

Gail foi técnica de tênis em uma universidade da Flórida nos anos 90 e até foi treinadora de basquete. Até esta semana, não vencia uma partida de tênis profissional desde 1998. Nada, aparentemente, fez a moça desistir do esporte e das competições. Suas declarações são ótimas. “Sei que posso continuar melhorando.” “Há sempre algo a trabalhar no tênis.”

E o objetivo? Ela também contou ao WSJ: “Adoraria estar jogando – e vencer – aos 70. Estou a seis meses disso.”

Como pode?

Se você está imaginando como uma pessoas de 69 anos consegue vaga em um qualifying de torneio profissional, a explicação é a seguinte: ano passado, Gail venceu uma partida pelos playoffs nacionais da USTA, que são uma competição aberta (de fato, qualquer um pode se inscrever) e que vale uma vaga no qualifying do US Open (sim, o Slam jogado em Nova York). O triunfo lhe rendeu 12 pontos no ranking nacional dos EUA e a possibilidade de tentar o quali em alguns ITFs.

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Eva Asderaki 100%
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Alexandre Cossenza

A grega Eva Asderaki-Moore tornou-se a primeira mulher a trabalhar como árbitra de cadeira em uma final masculina de US Open. Sua competência é inquestionável há algum tempo no circuito mundial, mas não deixou de ser um feito interessante em uma sociedade em que mulheres ainda precisam provar seus méritos. E teria sido bacana por si só, mas a presença de Eva na partida entre Novak Djokovic e Roger Federer ficou marcada por algo ainda mais impressionante: a juíza acertou TODAS intervenções que fez durante os quatro sets. Nenhum replay flagrou um erro seu. O vídeo abaixo, publicado recentemente, tem, lance a lance, todas as chamadas perfeitas da árbitra grega. Vejam!

Posted by Tennis Library on Monday, September 21, 2015

Aliás, não custa lembrar, o US Open teve mulheres arbitrando as duas finais de simples. A partida entre Flavia Pennetta e Roberta Vinci, que determinou a campeã feminina, teve a croata Marija Cicak na cadeira.


A bronca que resolve
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Alexandre Cossenza

Semifinal do Masters 1.000 de Cincinnati, jogo duro entre Novak Djokovic e Alexandr Dolgopolov, e o torcedor chato estava se manifestando em momentos nada adequados – interrompendo os jogadores.

O brasileiro Carlos Bernardes, árbitro de cadeira do jogão, então pegou o microfone e disse, para encerrar de vez o assunto: “Cavalheiro, é a segunda ou terceira vez. Está atrapalhando a partida inteira. As pessoas estão aqui para ver tênis, não para ouvir você. Por favor, veja o tênis.”

A atitude do brasileiro resolveu o problema. Quem também solucionou seu drama foi Novak Djokovic, que perdeu o primeiro set e viu Dolgopolov sacar para o jogo antes de quebrar o serviço do ucraniano e virar um jogo quase perdido. Por 4/6, 7/6(5) e 6/2, o número 1 do mundo se garantiu na final do torneio.

Coisas que eu acho que acho:

– Quem acompanha tênis há mais tempo (uns dez anos pelo menos) deve sentir falta de árbitros de cadeira com mais personalidade (e coragem) dentro de quadra. Bernardes, um dos mais experientes do circuito, é também um dos últimos com esse perfil. A turma mais nova, a “Geração Hawk-Eye”, é bem diferente. Pura questão de opinião/gosto, mas acho que o perfil do brasileiro (e de gente como Cedric Mourier, Pascal Maria e Mohamed Lahyani) faz muito bem ao esporte.


McEnroe, Trump e a idiotice humana
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Alexandre Cossenza

John McEnroe foi um tenista fantástico. Foi número 1 do mundo, ganhou 17 Grand Slams (sete em simples) e venceu jogos memoráveis. O americano, hoje com 56 anos, também é um grande comentarista. Acompanha o circuito, tem uma ótima leitura de jogo e, na maior parte do tempo, mostra ótimo timing em suas análises. Só que nem o mais laureado dos currículos isenta seu dono de falar grandes bobagens. McEnroe é prova disso. O exemplo mais recente veio nesta semana. Em entrevista a Jimmy Kimmel, disse que conseguiria derrotar Serena Williams em uma partida séria. Veja a partir da marca de 2’00” do vídeo.

Difícil entender a motivação de uma pessoa que já realizou tanta coisa para fazer esse tipo de comentário, menosprezando uma das maiores tenistas de todos os tempos e incluindo uma dose considerável de machismo quando Kimmel lhe perguntou por que esse confronto nunca aconteceu.

“Quinze anos atrás, Donald Trump fez uma oferta, que eu achei que não era suficiente. E Serena tem muito a perder se for derrotada por um velho como eu. E eu tenho muito a perder porque se for derrotado por – deus me livre – uma mulher, não vou poder entrar num vestiário masculino pelos próximos 15 anos, possivelmente até o fim da minha vida.”

A parte nada surpreendente da história é o envolvimento de Donald Trump, um bilionário candidato à presidência dos Estados Unidos que tem tanta competência para fazer dinheiro quanto para vomitar um discurso por vezes racista e sempre preconceituoso em relação a imigrantes mexicanos – em nome de uma suposta crítica ao reinado do politicamente correto.

Coisas que eu acho que acho:

– No início do vídeo, McEnroe também diz que as duplas “contam menos” do que as simples porque são uma “versão mais lenta” do tênis em comparação com as simples e porque os duplistas não são tenistas tão bons quanto os simplistas. Existe uma parcela de verdade no que diz o ex-número 1, mas também parece existir uma dose de recalque (a palavra preferida das redes sociais) que nasceu junto com a enorme ascensão de Bob e Mike Bryan como parceria de mais sucesso na história.

– Diminuir o valor das duplas hoje soa como uma tentativa de reduzir os feitos dos gêmeos. O mesmo McEnroe (que tem 78 títulos em duplas) já afirmou, inclusive, que nem reconhece mais o jogo de duplas hoje em dia.


Talento não falta…
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Alexandre Cossenza

O francês Benoit Paire pode não ser o mais consistente ou o mais dedicado dos tenistas, mas é inegável que o atual número 42 do mundo tem talento de sobra com a raquete. Isso ficou um tanto óbvio nesta quarta-feira, quando Paire precisou enfrentar Novak Djokovic no Masters 1.000 de Cincinnati. Vale conferir a sequência do vídeo abaixo!

Vale ressaltar o respeito do francês pelo número 1 do mundo. Depois de bater a bola por baixo das pernas, sorriu e pediu desculpas. Djokovic levou na esportiva. O sérvio, aliás, venceu por 7/5 e 6/2 para avançar às oitavas de final.


Nick Kyrgios e o cubo mágico mental
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Alexandre Cossenza

A definição é do ex-tenista sul-africano Johan Kriek: o cérebro de Nick Kyrgios é como um cubo mágico (ou Cubo de Rubik). Quando uma parte está perfeita, o australiano muda a peça de posição e releva outras três faces em estado de caos. Vamos à polêmica da vez. Vejam o vídeo.

“Kokkinakis comeu sua namorada”

A cena é da partida de ontem à noite contra Stan Wawrinka, válida pelo Masters 1.000 de Montreal. O garotão australiano vai lá e solta que (tradução livre) “Kokkinakis comeu sua namorada.” Como está bem nítido nas imagens, não foi provocação de vestiário nem cochicho para tirar o adversário do sério. Kyrgios falou alto e claro, para o mundo inteiro ouvir (e, óbvio, estamos todos vendo e ouvindo). Não é a primeira (e suspeito que não seja a última) polêmica do australiano de 20 anos. Desta vez, contudo, Kyrgios incluiu na confusão seu compatriota Thanasi Kokkinakis (19 anos, #76 do mundo) e, aparentemente, a namorada do suíço, a croata Donna Vekic – que, por sua vez, esteve envolvida no tumultuado (e público) processo de divórcio de Wawrinka. O vídeo acima foi parar no Twitter enquanto a partida estava em andamento. Não demoraram para surgir tenistas e jornalistas comentando. Magnus Norman, atual técnico de Wawrinka, foi um dos mais enfáticos, dizendo que o gesto de Kyrgios teve nível baixíssimo e esperando que alguém ensine uma coisa ou outra sobre a vida ao australiano.

Wawrinka disse que Kyrgios tentou evitá-lo no vestiário após a partida, mas o suíço tirou satisfação assim mesmo. Sem revelar o conteúdo da conversa, o campeão de Roland Garros foi incisivo ao comentar o comportamento do australiano.

“Não é a primeira vez que ele tem um grande problema em quadra no que diz respeito ao que ele fala ou como se comporta. Espero que a ATP tome medidas contra ele porque é um jovem – mas não tem desculpa. Em toda partida ele tem problemas. Em toda partida ele se comporta muito mal. Além disso, o problema é que ele não se comporta mal apenas em relação a ele mesmo. Ele se comporta mal com as pessoas ao redor: outros jogadores, boleiros, árbitros. Realmente espero que a ATP tome uma grande atitude desta vez” (vídeo e tradução abaixo são da jornalista canadense Stephanie Myles).

Kyrgios, por sua vez, disse que falou aquilo no calor do momento porque a partida estava nervosa e os dois estavam trocando provocações. Wawrinka, no entanto, devia continuar espumando de raiva. O suíço voltou ao Twitter e declarou que não diria aquilo nem a seu pior inimigo. “Não há necessidade para esse tipo de comportamento, dentro ou fora da quadra, e espero que o órgão responsável por esse esporte não ature isso e se levante em nome da integridade deste esporte que trabalhamos tão duro para construir.”

(Atualizado às 20h55 de Brasília com informações sobre a punição a Kyrgios no parágrafo abaixo, em itálico)

A ATP anunciou que Kyrgios foi multado em US$ 10 mil pelo insulto dirigido a Wawrinka. Após rever o vídeo da partida, a entidade obrigou o australiano a pagar mais US$ 2.500 por conduta antiesportiva dirigida a um boleiro durante a partida. Além disso, Kyrgios recebeu um “aviso de investigação” que inicia um processo para determinar se seus gestos se enquadram como ofensa grave (“major offense” no livro de regras). A investigação, informa o comunicado da ATP, abre a possibilidade para punições adicionais que podem ser multas em dinheiro ou suspensão de eventos da ATP. Antes do anúncio da punição, o australiano já havia publicado um pedido formal de desculpas em sua página no Facebook.

Coisas que eu acho que acho:

– Nem faz tanto tempo assim que escrevi um post sobre Kyrgios, abordando o limite que separa sua autoconfiança de uma dose considerável de arrogância. De lá para cá, no entanto, os problemas de Kyrgios têm ido muito além disso. A impressão que fica é que o australiano “comprou” a ideia do personagem.

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É meio como se, depois de ouvir muitos elogios por sua personalidade diferente e curiosa em quadra, Kyrgios tivesse adotado esse personagem e levado adiante, como se fosse dono absoluto do direito de falar e fazer o que quisesse dentro de quadra. De janeiro para cá, já discutiu com árbitros, “entregou” games e falou palavrões para torcedores no meio de um jogo. Muita coisa em pouco tempo.

Passo longe de querer que alguém seja santo. Uma boa provocação faz bem a qualquer esporte. Esquenta partidas, cria rivalidades, chama atenção, ganha manchetes. Até aí, tudo bem. Mas quando Kyrgios envolve terceiros e uma relação amorosa na confusão (repito, com negrito e itálico: para o mundo inteiro ouvir), a coisa muda de figura.

– Quanto à punição que pode vir após a investigação, A ATP encontra-se diante de uma questão delicada, especialmente em uma modalidade sem rivalidades quentes. Federer x Nadal nunca rendeu grandes atritos publicamente, e o mesmo pode se dizer de Federer x Djokovic e Nadal x Djokovic, que tiveram pequenas turbulências no máximo.

– O dilema é estabelecer um limite para atitudes como a desta quarta-feira, em Montreal – seja de Kyrgios ou de quem for – sem deixar o esporte estéril e sem personalidade. Não é tarefa das mais fáceis, convenhamos. A essa altura, parece provável uma espécie de “liberdade condicional” para o australiano. Um aviso de que “da próxima vez, você leva um gancho sério.” Algo parecido com a advertência que deram a Serena Williams após o incidente com a juíza de linha no US Open de 2009.

– Johan Kriek, embora não muito conhecido pelo público brasileiro pós-Guga, foi top 10 na década de 80 e venceu o Australian Open duas vezes. Mas o que faz valer a pena segui-lo no Facebook são suas opiniões nem sempre politicamente corretas, mas frequentemente intrigantes e “fora da caixa”.

– Ah, sim: Kyrgios venceu o jogo quando Wawrinka abandonou no terceiro set. O australiano liderava por 6/7(8), 6/3 e 4/0. Mas a essa altura da coisa, quem ainda se importa com o placar, hein?


Teliana e o dilema do “fazer o quê?”
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Alexandre Cossenza

Aconteceu nesta quinta-feira, nas oitavas de final do WTA de Bucareste, na Romênia, e vale o registro mais pela curiosidade das imagens que por qualquer conclusão profunda que alguém se sinta tentado a tirar baseado em um pequeno caso em uma partida só. Então vamos a ele.

Teliana Pereira enfrentava Monica Niculescu, número 41 do mundo. Um jogo sempre complicado, já que a romena tem um tênis pouco tradicional. Joga com muitos slices, de direita e esquerda, e raramente deixa a adversária à vontade para se posicionar em quadra. Como a brasileira não tem peso de bola para tomar a dianteira dos pontos na base da força, seria preciso encontrar uma solução.

Antes de Teliana sacar em 2/3 no primeiro set, seu técnico e irmão, Renato Pereira, entrou em quadra para dar instruções (a WTA – e só a WTA – permite entradas de treinadores e capta quase tudo com os microfones) e pediu uma postura mais agressiva de Teliana, que perdeu sete dos oito games seguintes.

Quando voltou à quadra, já com 2/6 e 1/4 no placar, Renato pediu o contrário. Que Teliana jogasse com bolas mais altas para ganhar tempo. Vale ver o vídeo e constatar a reação da número 1 do Brasil e atual 83 do mundo.

Parecia tarde para iniciar uma reação, mas a partida foi até equilibrada nos games seguintes. Quando Niculescu sacou para o jogo, Teliana conseguiu seis break points. Desperdiçou todos com erros não forçados (inclusive um com um smash e outro com um voleio na mão) e pagou o preço. A romena fez 6/2 e 6/3 e avançou às quartas de final do torneio em seu país.

A brasileira terá mais duas boas chances de somar pointos no saibro nas próximas semanas. Primeiro, jogará o WTA de Bad Gastein, na Áustria. Em seguida, será a estrela da casa no fraquíssimo (escrevo sobre isso mais terde) WTA de Florianópolis, que trocou de data e piso e será na terra batida este ano.


Um campeão reconhecido
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Alexandre Cossenza

Lleyton Hewitt vai se aposentar ao fim do Australian Open de 2016. O australiano fez o anúncio no começo deste ano. Logo o mundo sabia que sua participação em Wimbledon/2015 seria especial. A última.

Quem começou a ver tênis há dez anos não faz ideia do que Hewitt significou para o tênis. O australiano teve seu momento adolescente rebelde, reclamando de tudo e de todos e até se recusando a dar entrevistas obrigatórias (o site da ATP tem até uma lista das transgressões de Rusty cerca de 15 anos atrás!). Mas não foi isso que fez de Hewitt um cidadão especial – e tampouco vou listar tudo que tenho vontade de escrever até o dia de sua aposentadoria de fato.

Só que a história do australiano em Wimbledon justifica este post, assim como certamente justifica o enorme respeito demonstrado pelo público ao fim da partida desta segunda-feira contra Jarkko Nieminen. Foi o título de Hewitt em 2002 que deixou claro para o mundo o momento de transformação do tênis. Não só por ele, mas porque aquela final foi contra David Naldandian. Depois de anos de domínio de Sampras e uma conquista memorável de Goran Ivanisevic em cima de Patrick Rafter, Wimbledon viu em 2002 uma decisão entre dois atletas que tinham seu ganha-pão no fundo de quadra.

Era o assunto do circuito. Era o início do fim do saque-e-voleio. Ou talvez já fosse o fim, apenas disfarçado pela gigante capacidade de Roger Federer de impor seu estilo na grama nos anos seguintes (2003 a 2007). Não faz diferença. Hewitt perdeu apenas seis games naquela final. Fez 6/1, 6/3, e 6/2 em cima do argentino e entrou para a história do All England Club.

A última derrota, para Nieminen, outro veterano, de certa forma simbolizou um pouco de tudo que Hewitt fez na grama ao longo dos anos. Mergulhou para volear, acertou belas devoluções, acertou lobs com top spin… E lutou. Mesmo depois de cinco cirurgias em seis anos e uma placa de metal presa por dois parafusos no dedão do pé esquerdo, sua característica mais marcante esteve lá até o derradeiro 20º (!!!) game do quinto set. Brigou, correu, gritou… Tentou de tudo. Se seu tênis não é o mesmo de anos atrás, a postura de campeão continuou. E o público de Wimbledon, mais do que qualquer outro público do circuito, sabe reconhecer.


Djokovic e a rolha
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Alexandre Cossenza

Aparentemente, até quem tem certa intimidade com celebrações (são 53 títulos na carreira contando com o deste domingo) está sujeito a cenas assim. Após derrotar Roger Federer por 6/4 e 6/3 na final do Masters 1.000 de Roma, Novak Djokovic, número 1 do mundo, foi abrir uma garrafa de champanhe para festejar e… a rolha atingiu seu rosto! Veja no vídeo abaixo.

Djokovic abre champanhe e leva “rolhada” na cara

Nada de grave aconteceu, e o sérvio segue seu caminho invicto no saibro em 2015 e mais favorito do que nunca ao título de Roland Garros, o único Grand Slam que falta em seu currículo. Volto a postar mais tarde, ainda neste domingo, fazendo um balanço da semana e do cenário do saibro no circuito.


Teliana atira raquete sem querer e é desclassificada
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Alexandre Cossenza

Todo tenista tem um momento bisonho de sua carreira pra contar – e até se arrepender. Neste sábado, aconteceu com Teliana Pereira no ITF de Saint-Gaudens, na França (torneio com premiação de US$ 50 mil). A número 1 do Brasil e 77 do mundo havia acabado de perder o primeiro set para a eslovaca Jana Cepelova por 7/6(5) quando resolveu isolar uma bolinha. A raquete escapou de sua mão e foi parar no público. Declassificação imediata. Veja no vídeo abaixo.

Teliana Pereira era a cabeça de chave número 1 do torneio francês. Cepelova, oitava pré-classificada, avançou às semifinais do torneio e vai enfrentar a bielorrussa Aliaksandra Sasnovich. A outra semi tem a polonesa Magda Linette e a espanhola Maria Teresa Torro-Flor.

Aconteceu com Guga

Nem tanta gente lembra, mas algo não muito diferente aconteceu com Gustavo Kuerten em Roland Garros/1998. E em situação semelhante: depois de perder o primeiro set por 7/6. O catarinense, que fazia dupla com Fernando Meligeni, foi desclassificado nas quartas de final, em jogo contra Patrick Rafter e Jonas Bjorkman. O trecho é relatado por Guga em sua biografia:

“Olhei para as minhas coisas no banco, que estavam no outro lado da quadra, e com toda a frustração, atirei a raquete mirando nelas. Em vez de ir em linha reta, ela subiu. Para piorar, pegaria em cheio no juiz se ele não desviasse. Foi um arremesso tão forte que a raquete foi parar na arquibancada. Meu corpo virou um liquidificador de emoções, misturando raivas pelas interferências do juiz, frustração, desilusão, desconforto, constrangimento, vergonha. Eu queria sair da quadra correndo.”

(texto a seguir incluído às 20h30min de sábado)

Teliana fala

Recebi da assessoria de imprensa uma declaração de Teliana sobre o episódio. Ele segue abaixo, publicado na íntegra.

“Estou muito chateada, foi triste o que aconteceu hoje em Saint Gaudens. Em um momento de frustração joguei a bola contra a tela, a raquete escapou da minha mão e parou na arquibancada. Por sorte pegou apenas de raspão em uma pessoa e não a feriu mas acabei desclassificada. É a regra. Nunca tive a intenção de jogar a raquete em alguém e nem costumo joga-lá na quadra. Na hora fui me desculpar com a senhora atingida. Ela trabalha no torneio, um dos que eu mais me sinto em casa e me tratam como se fosse uma local. Eles todos me apoiaram e entenderam que não foi intencional. Ficaram tão arrasados quanto eu. Não tenho o que dizer. Apenas pedir desculpas e seguir em frente e crescer com o aprendizado. Obrigada a todos pelo apoio. Amanhã foco total em Roland Garros que começa na quarta feira.”


Liberaram a torcida
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Alexandre Cossenza

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O número de fãs de tênis vinha caindo na Conferência BIG 12, uma das maiores do esporte universitário nos Estados Unidos. Em um ambiente onde os fãs – em sua maioria, alunos – gostam de ir aos estádios tanto pelos jogos quanto pela farra, as regras de comportamento fazem do tênis uma modalidade pouco atraente. Ou melhor, faziam. A Big 12 resolveu abolir as regras tradicionais e estabeleceu que os fãs de tênis podem se comportar como em qualquer outro esporte.

O que aconteceu? Uns gritando na hora exata em que um atleta executa seu golpe, outros provocando um tenista que recebe instruções do técnico, uma torcida organizada, enfim… Uma bagunça só, bem do jeito que esse público gosta. O “Wall Street Journal” fez uma reportagem bem interessante sobre a novidade. Leia aqui e veja no vídeo abaixo.

A preocupação da Big 12 com a queda de interesse no esporte é justificada. Cerca de 600 universidades encerraram suas atividades com o tênis desde os anos 70. E não foi só a torcida liberada que mudou. Hoje em dia, há sessões com pizza de graça e prêmios diversos.

Quanto ao barulho vindo das arquibancadas, nem todo mundo gostou. John Roddick, irmão de Andy e técnico de Oklahoma, não está entre os maiores fãs. Ele ressalta, ainda, a importância de proibir que os fãs gritem coisas do tipo “OUT” quando uma bola vai perto da linha.

Não imagino que algo parecido aconteça num futuro próximo (ou nem tão próximo assim) no tênis profissional, mas a intenção da Big 12 é das melhores: levar mais gente aos jogos de tênis. Provavelmente, o tênis nunca vai chegar aos níveis de popularidade do futebol americano ou do basquete universitário (a foto do início do post é do Final Four), mas e daí? Com mais gente assistindo às partidas, é mais fácil conseguir dinheiro para financiar bolsas de estudo e os programas de tênis nas universidades da conferência. E todo mundo sai ganhando.

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No Brasil, só com iniciativa privada

O país, todo mundo sabe, não tem uma política de esporte escolar, muito menos um trabalho sério para estimular competições e encontrar talentos no âmbito universitário. No tênis, as competições universitárias se resumem ao Circuito de Tênis Escolar Universitário, uma iniciativa do Banco Itaú que, ironicamente, vem sendo combatida pela Confederação Brasileira de Tênis há alguns anos.

A entidade, inclusive, já ameaçou punir clubes, árbitros, treinadores e atletas que participassem do Circuito de Tênis Escolar Universitário, patrocinado pelo Itaú e realizado pelo Instituto Sports, presidido por Danilo Marcelino, parceiro de Nelson Aerts, com quem Lacerda tem diferenças. Uma disputa pessoal que segue atrapalhando o tênis.

O Circuito de Tênis Escolar Universitário, apresentado pelo Itaú por meio da Lei Federal de Incentivo ao Esporte, é uma série de torneios em quatro estados (RS, SP, PR e BA), em quatro categorias de idade, que premia os campeões com uma viagem de duas semanas a Barcelona – com tudo pago – em julho para treinar na Academia Sánchez-Casal, estudar um idioma (espanhol ou inglês) e fazer turismo.

A grande vantagem é que para participar basta estar matriculado em uma escola da rede pública ou particular. Ou seja: não é necessário ser federado nem pagar anuidade (isso, talvez, incomode quem gostaria de faturar com as inscrições mesmo sem tomar iniciativa alguma para estimular a modalidade). As inscrições são feitas no próprio site do circuito (atenção para as datas: algumas categorias têm prazo terminando na segunda-feira).


O raro gesto de Smyczek
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Alexandre Cossenza

“Não são muitos que fariam isso num 6/5 de quinto set.” Rafael Nadal foi preciso ao comentar o gesto de Tim Smyczek. A dois pontos da derrota, com o espanhol sacando em 30/0, o tenista americano, número 112 do mundo, permitiu que o adversário repetisse um primeiro serviço. Um fã havia gritado bem no momento do saque, e Nadal, errado o serviço. Veja abaixo.

Justiça divina, carma ou qualquer que tenha sido o motivo, Smyczek perdeu aquele ponto, mas não perdeu o jogo ali. Nadal abriu 40/0, errou uma bola fácil e permitiu que o americano igualasse o game. Só depois de mais dois winners é que o atual número 3 do mundo fechou a partida e avançou.

Falarei mais sobre o jogo no próximo post. Até lá.


Bernardes, Fognini e o vácuo
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Alexandre Cossenza

Taí algo que não se vê todo dia: um árbitro de cadeira se recusando a cumprimentar um tenista após a partida. Pois aconteceu nesta quarta-feira, no Masters 1.000 de Paris, e envolveu o brasileiro Carlos Bernardes e o conhecido encrenqueiro Fabio Fognini. Antes mesmo do fim da partida, o italiano já vinha reclamando do árbitro. Logo após o match point, derrotado pelo qualifier francês Lucas Pouille (176 do mundo), Fognini seguiu se queixando e, ao estender a mão para Bernardes que, de cara, não correspondeu – em outras palavras, deixou o cidadão no vácuo, com o braço esticado. Só depois de Fognini pedir desculpas é que o brasileiro concordou com o cumprimento.

Mesmo depois do aperto de mãos, o italiano seguiu reclamando de um suposto erro do árbitro quando o placar mostrava 7/7 e argumentando que era uma falha enorme. Fognini ainda afirmou que errou ao ofender do mesmo jeito que o brasileiro errou na partida. Bernerdes retrucou, dizendo “não é a mesma coisa”, e os dois deixaram a quadra juntos, ainda discutindo.


Murray, Robredo e o jogo do ano
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Alexandre Cossenza

Novak Djokovic e Rafael Nadal, exaustos, agachados ao fim de quase seis horas de jogo. Serena Williams ameaçando uma juíza de linha. As lágrimas de Roger Federer ao perder uma final na Rod Laver. O discurso de aposentadoria de Andre Agassi no Arthur Ashe. O coração desenhado por Guga no saibro da Philippe Chatrier. Os dedos médios de Tommy Robredo em Valência. Simples assim.

Foi “só” uma final de ATP 500, mas talvez tenha sido “a” final masculina de 2014 – um ano atípico, sem decisões espetaculares nos Grand Slams e nos Masters 1.000. E foi um jogaço. Pelo pelo roteiro, que teve suas primeiras linhas escritas em Shenzhen, um mês atrás, pelo nível do tênis e pelo drama do cansaço e dos match points salvos pelos dois tenistas. Tudo isso, claro, multiplicou-se com as demonstrações de respeito e admiração ao fim do encontro.

Só assisti à partida mais tarde, no fim do domingo, quando já sabia do resultado. Mesmo assim, não consegui ver aquilo tudo sem me envolver com a partida. Imagino, então, as reações de quem viu a história se desenvolvendo ao longo do jogo. Desde o set inicial, quando Murray já parecia esgotado, até os últimos games da terceira parcial, com Robredo salvando um match point antes do tie-break, passando pelas cãibras e até pela bolinha caindo do bolso de espanhol.

E, depois disso tudo, ainda houve um tie-break memorável, com três match points salvos por Andy Murray. Até aquele ponto que está no vídeo, lá no alto do post. Não, senhores, 2014 não viu um jogo melhor que este. Ainda não. E a cena com Robredo, apoiado na rede e dirigindo os dois dedos médios ao britânico, no que provou ser uma das mais sinceras e simpáticas demonstrações de fair play, será lembrada para sempre.

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Tenista atira raquete e acerta juíza
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Alexandre Cossenza

Aconteceu nesta segunda-feira, no Challenger de Charlottesville, um torneio com premiação de US$ 50 mil, nos Estados Unidos. O jovem Darian King, de 22 anos, natural de Barbados, perdia seu jogo de primeira rodada quando, irritado após um ponto, decide atirar a raquete na lona do fundo de quadra. A raquete bate na lona e volta nas costas da juíza de linha, que vai ao chão. Olha o vídeo!

King foi desclassificado no ato pela juíza de cadeira. O britânico Edward Corrie avançou à segunda rodada por “default”, nome dado quando um tenista é, digamos, expulso da quadra. O placar era 6/4 e 6/6(5/2).

O vídeo foi postado no YouTube pela Aliny Calejon, que toca o site Match Tie-break, especializado em duplas. Aproveitem a ocasião, cliquem no link e passem lá. Hoje mesmo ela escreveu um post interessantíssimo sobre os cenários na briga pelas quatro vagas restantes para o ATP Finals.

Em tempo, falta tempo

Por uma série de compromissos nos últimos dias, não pude atualizar o post como devia. Mas vêm por aí, ainda que com atraso, um texto sobre o WTA Finals e mais um sobre Murray e Federer, os campeões de Valencia e Basileia, ok?