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Saque e Voleio

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Top 5: os melhores jogos masculinos de 2018

Alexandre Cossenza

04/12/2018 05h00

Fim de ano, férias do circuito, chega o momento em a melhor coisa a fazer é lembrar do que aconteceu na temporada e iniciar a série de retrospectivas. Hoje é dia de lembrar dos melhores jogos dos homens em 2018 – ou, pelo menos, das partidas que eu mais gostei de ver.

Minha lista tem três atuações memoráveis de Rafael Nadal, que nos poucos eventos que disputou jogou em nível tão alto que nem algumas atuações soberbas conseguiram derrubá-lo. O top 5 abaixo também inclui Djokovic (claro!), Federer, Cilic, Thiem e… bom, role a página e confira.

5. Djokovic x Federer (Paris, SF) 7/6(6), 5/7, 7/6(3)

Foi melhor do que muita gente esperava. Roger Federer não atravessava um grande momento (o suíço, aliás, não foi espetacular em momento algum depois do Australian Open), enquanto o sérvio vinha de 21 vitórias seguidas, inclusive um confortável 6/4 duplo sobre o próprio Federer em Cincinnati. A expectativa era de mais uma vitória sem sobressaltos do atual número 1 do mundo.

Só que não foi bem assim. Embora constantemente ameaçado, Federer foi salvando break points (foram 12 deles em toda a partida) e encontrando uma maneira de manter o jogo equilibrado. De repente, forçou um terceiro set em que tudo poderia acontecer. Um jogo nervoso do começo ao fim entre dois gigantes e que deixou muita gente sem respirar até o tie-break do terceiro set.

4. Cilic x De Minaur (US Open, R32) 4/6, 3/6, 6/3, 6/4 e 7/5

É um daqueles casos em que o placar não conta metade da história. Cilic, número 7 do mundo, perdeu os dois primeiros sets e virou contra um garoto de 19 anos em cinco sets. E daí? E daí que De Minaur fez uma partidaça e exigiu muito do croata – inclusive no quinto set. E daí que o jogo entrou pela madrugada e terminou às 2h22min locais em Nova York. E daí que o Estádio Louis Armstrong não estava nem perto de lotado nesse horário, mas quem estava lá fazia um barulho absurdo!

Nem o vídeo acima faz jus ao que rolou. E não foi só isso. Cilic três dois match points quando De Minaur sacou em 2/5 e 15/40 no quinto set. De repente, o que parecia uma vitória iminente para o croata se transformou em um novo drama. De Minaur salvou os match points naquele game, devolveu a quebra e, por pouco, não operou um pequeno milagre.

3. Nadal x Thiem (US Open, QF) 0/6, 6/4, 7/5, 6/7(4) e 7/6(5)

Foi o grande jogo na grande quadra do US Open. Diferentemente de Cilic x De Minaur, foi aquela partida de pesos pesados que todo mundo viu. E que, depois de um intrigante pneu no primeiro set, superou as expectativas. Dominic Thiem jogou em um nível altíssimo do começo ao fim. Rafael Nadal fez o mesmo a partir do segundo set.

Os dois trocaram golpes, break points e disputaram todo tipo de rali numa partidaça que durou 4h48min, terminou às 2h04min de Nova York e que, para todos efeitos, foi decidida em um par de erros não forçados do austríaco. Um voleio fácil no 5/6 do terceiro set e um smash no match point. Leia mais sobre o jogo aqui.

2. Nadal x Del Potro (Wimbledon, QF) 7/5, 6/7(7), 4/6, 6/4 e 6/4

Foram 4h48min, curiosamente a mesma duração do duelo com Thiem no US Open, e Rafael Nadal derrotou Juan Martín del Potro em outro desses encontros que mostraram um tênis obsceno do começo ao fim. O drama – mesmo – começou no tie-break do segundo set, quando o espanhol teve 6/3* e e ficou perto de abrir 2 sets a 0. Del Potro, contudo, encaixou dois bons saques, viu uma dupla falta do rival e aproveitou para "roubar" a parcial.

Depois disso, virou jogo de ninguém. Delpo disparava direitas de onde podia, Nadal respondia com muitas subidas à rede e drop shots. Foi lindo de ver até o fim, e melhor ainda porque a transmissão oficial teve Andy Murray nos comentários – clique no vídeo para conferir.

1. Djokovic vs Nadal (Wimbledon, SF) 6/4, 3/6, 7/6(9), 3/6 e 10/8

Foi "o" jogo, aquele com todos elementos imagináveis. A começar pela espera pelo interminável Isner x Anderson, que terminou 26/24 no quinto set. Também teve teto fechado, interrupção por causa do horário, recomeço no dia seguinte e quinto set longo. Além disso, Nadal e Djokovic disputaram um tie-break dramático no terceiro set.

O nível do tênis apresentado foi surreal, e a relevância da partida no resto da temporada é inegável. Foi quando Djokovic realmente se colocou como o cara a ser batido até o fim do ano. O sérvio foi brilhante nos momentos importantes. No terceiro set, salvando set points. No quinto, saindo de 15/40 no 4/4 e, depois, no 7/7. Enorme!

Coisas que eu acho que acho:

– Menções honrosas para Del Potro x Federer em Indian Wells, Anderson x Federer em Wimbledon e Cecchinato x Djokovic em Roland Garros. Eu poderia ter incluído um dos três neste top 5, mas, no fim da contas, toda lista dessas é pessoal. No meu caso, tem a ver com a relevância das partidas e o nível de tênis jogado, mas também com o que sinto ao ver o jogo ao vivo.

– Os meus jogos preferidos do circuito feminino vêm no próximo post.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.