Saque e Voleio

Categoria : Rio Open

Tipsarevic: ateu, questionador e irônico até nas tatuagens
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Alexandre Cossenza

Janko Tipsarevic não é um tenista comum. Ele pensa, fala e age diferente. Hoje com 32 anos, o sérvio já foi descrito como alguém que mais se assemelha a um professor universitário de filosofia do que a um tenista “comum”. Os óculos ajudam a dar essa impressão. A tatuagem no braço esquerdo, uma citação de um livro de Dostoiévski, reforça.

Não que os feitos tenísticos de Tipsarevic sejam “comuns”. O sérvio foi top 10 em 2012 e acumulou mais de US$ 7 milhões ao longo da carreira. Quando sofreu sérias lesões que surgiram cerca de três anos atrás, poderia ter se aposentado com seus livros de filosofia. Preferiu passar por quatro cirurgias (duas no pé esquerdo, uma no joelho direito e um implante de células-tronco no tendão do mesmo joelho) e voltar. No período, ficou sem jogar por 18 meses. Retornou, jogou cinco meses e parou por outros nove.

O Rio Open, depois de dois resultados frustrantes em Quito e Buenos Aires, é o próximo passo desse retorno. Atual número 94 do mundo, Tipsarevic recebeu um wild card para o ATP 500 carioca e conversou comigo neste sábado, antes de saber que enfrentaria Dominic Thiem, cabeça de chave #2, na estreia. O papo foi … filosófico. Conversamos sobre os lados bom e ruim das sensações que o tênis desperta. Também falamos de Dostoiévski (ele falou, na verdade) e, brevemente, sobre moda – sua esposa é uma conhecida estilista. E, por fim, falamos de sua expectativa para o Rio Open.

A íntegra da entrevista está abaixo e espero que vocês curtam tanto quanto eu gostei de fazê-la.

Você já fez bastante no tênis e está bem resolvido financeiramente, casado e com uma filha, fora de quadra. Depois de duas lesões sérias e tanto tempo sem conseguir jogar, por que insistir?

Os problemas no meu corpo começaram quando eu tinha 29. Aposentar com 29 ou 30 anos, nesta época, eu acho que é cedo demais. Foi-se o tempo em que tenistas se aposentavam com 30. Muitos de nós estamos cuidando melhor de nossos corpos para que as carreiras sejam mais longas. Claro que existe um aspecto financeiro e todo mundo gosta de dinheiro, mas para mim não é isso. O que eu já ganhei investi inteligentemente, então a principal razão para eu voltar é acreditar que ainda posso jogar tênis. Vou ter o resto da vida para fazer outras coisas, mas eu posso jogar apenas mais duas, três ou quatro vezes em Wimbledon na vida inteira. Depois, nunca mais. O motivo principal é querer jogar mais tênis.

Sem tentar já ser muito filosófico, mas sempre gosto de perguntar a tenistas o que é que eles gostam mais no tênis. É a pressão de jogar um 30/40, um break point ou…

Não. Odeio! (risos de ambos) Não acho que exista uma pessoa que goste. Existem pessoas que lidam com isso melhor do que outras, mas não acho que ninguém goste dessa sensação nervosa antes de um jogo importante ou algo assim. Na quadra, você sente isso muito menos. É claro que às vezes você sente a pressão. Gosto um pouco de tudo no tênis. Tem o lado ruim e o lado bom. Se eu não jogasse tênis, não teria a chance de visitar todos esses lugares incríveis. Por outro lado, você está longe de casa, da família, da esposa e da filha.

É um equilíbrio difícil de encontrar…

É difícil de equilibrar. Por outro lado, sei que é um clichê e centenas de jogadores te disseram a mesma coisa, mas eu adoro jogar o jogo. Adoro competir. E mesmo com as partes ruins, no fim das contas é o que você ama fazer. Se você não ama, se você não consegue lidar com a pressão e o nervosismo, você precisa de aposentar.

Só para aproveitar o mesmo exemplo, quando você diz que não gosta de jogar um 30/40, a sensação é proporcionalmente inversa se você ganha esse ponto, não?

Durante a partida, acho que não se tem essas sensações. Mesmo nas quadras centrais, você não aprecia de verdade esses momentos até acabar a partida.

E se você ganha, né?

E se você ganha! Ou até mesmo se você perde. É aí que você tem a chance de admirar o que apreciar de verdade o que aconteceu nas últimas duas, três ou quatro horas. Porque o esporte é tão intenso que você não tem muito tempo para comemorar ou viver no momento de um belo winner em um ponto importante de uma partida. O ponto seguinte começa em 25 segundos ou você leva um point penalty. A boa sensação que tenho com o esporte é absorver toda a boa experiência depois que partida acaba. Depois de todo o drama. Sei que parece muito dramático na TV ou na arquibancada e que parece que estou me divertindo quando estou jogando bem, o que obviamente eu faço, mas o prazer de verdade vem quando tudo acaba. É aí que você consegue relaxar pelo menos por um dia ou dois e ver o que você realizou.

Muito se escreve que você gosta de ler sobre filosofia e…

(interrompendo) Eu costumava.

Sei que você diz que não se acha mais inteligente do que ninguém por ler sobre o assunto, mas é uma pergunta meio pessoal porque já li um bocado desses livros na faculdade e nenhum me interessou bastante. O que é que te atraía neles?

Embora minha família seja muito religiosa, eu sou ateu por natureza. No momento da minha vida em que eu estava lendo esses livros, eu era muito jovem para entender de verdade. Eu tinha 21, 22, 23 anos.

É uma época em que se questiona muitas coisas…

Eu questionava, mas não era um questionamento inteligente. As pessoas dizem e acredito que é verdade… O mesmo livro, se você ler a cada cinco ou dez anos, ele te deixa uma impressão completamente diferente. Então é diferente se você tem 25, 35 ou 45. Acho que é porque você tem experiências diferentes em partes diferentes da sua vida. O que me atraiu a esses livros foi… O que é filosofia? Não é a verdade. É a busca constante pela verdade. E o fato de que não só o livro, mas a humanidade por si própria está o tempo todo mudando e evoluindo, e a ciência está sempre se questionando e nunca dizendo “isso é verdade” porque daqui a dez anos aquilo pode mudar.

Tudo está mudando o tempo todo…

É por isso que hoje gosto de ler sobre sociologia moderna . É mais sobre relações humanas. Todos esses escritores que eu gostava de ler, como Nietzsche ou Schopenhauer… No fim da estrada, sempre existe dor, sempre existe tristeza, sempre existe escuridão. Não existe emoção como esperança ou crença ou nada do tipo porque não está no cérebro filosófico usar essas expressões para provar alguma coisa. E, na minha opinião, [a filosofia] não combina com o tênis porque embora o esporte seja muito complicado, você precisa simplificar as cosas e até acreditar em algumas coisas que talvez não sejam possíveis naquele momento. É preciso ter esperança por um futuro melhor e ter a esperança de que fazer e acreditar nas coisas certas vai levar a um futuro melhor. É por isso que não acredito que a filosofia “case” bem com o tênis.

“A beleza vai salvar o mundo” (frase que Tipsarevic tem tatuada no braço esquerdo). O significado disso mudou para você com o tempo?

Não. Não tem nada a ver com o tênis. É uma frase de um livro de Dostoiévski chamado “O Idiota”. Na verdade, é uma ironia do livro, onde o personagem principal, Michkin, acredita que a beleza vai salvar o mundo. No livro, isso significa que ser bom para outras pessoas vai fazer outras pessoas serem boas com ele, mas por causa dessa crença, ele morre no fim.

Você vive seguindo essa crença?

Eu, não. Eu, não. Na verdade, eu acho que ser bom para os outros é uma virtude. Embora eu seja ateu, eu pratico a regra de “não faça aos outros o que você não gostaria que os outros fizessem a si mesmos”. Mas a ironia do livro é que ele [Michkin] estava cegamente tentando ser bom para todo mundo e ser bonito para todo mundo porque isso salvaria o mundo se todos os outros fossem assim. Infelizmente, na sociedade em que vivemos, não importa de onde sejamos, não é assim que funciona. É preciso ser um pouco mais cuidadoso.

Mudando de assunto, sua esposa é estilista. Além de ser personagem de alguns ensaios, você se envolve, se interessa por moda, ajuda a desenhar algo?

Em termos de desenhar, não. Em termos de decidir um caminho até onde não só ela, mas nós como família queremos estar daqui a dez anos. São decisões de carreira. É nisso que ajudo. Mas decidir se algo deve ser branco ou preto ou o que seja, não. Não sou um guru da moda nem nada parecido. Ela às vezes pede minha opinião e digo o que acho, mas usei casacos de atleta a vida inteira. Ela diz que eu tenho um bom olho para decidir se algo está certo ou errado, mas talvez ela só esteja sendo simpática comigo. Em termos de tomar decisões, não sirvo de guia de modo algum. É um ramo traiçoeiro. Você ganha muito dinheiro, mas você também pode perder não só muito, mas tudo que você conquistou nos anos anteriores…

E muito rápido!

E muito rápido. É um negócio muito traiçoeiro. É por isso que eu tento ajudá-la a tomar decisões inteligentes no começo da carreira – até mesmo sacrificando algum lucro agora, mas por um bem maior. Com sorte, dentro de dez, 15 anos, uma renda alta vai começar a entrar.

E você pede conselhos sobre o que vestir?

Eu peço, eu peço.

E existe algo que ela recomende que você não gosta de vestir?

Ela gosta que eu me vista bem demais às vezes, o que eu não concordo. Não estou falando de paletós, mas digamos que ela goste de camisas de cores vivas, o que eu não gosto de forma geral. Eu me visto de maneira muito simples porque visto roupa de atleta a vida inteira, então esse é o única discordância que temos. No fim das contas, eu faço o que ela diz (risos).

É uma decisão inteligente.

Esposa feliz, vida feliz.

#whatsuprio #riodejaneiro #keeppushing #atpworldtour @atpworldtour @tipsarevicjanko @castjf

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Para terminar, um pouco de tênis. Como você está fisicamente hoje?

Estou me sentindo muito bem.

Não vi seu jogo contra o Dolgopolov em Buenos Aires, mas…

(interrompendo) Que bom que você não viu [Tipsarevic foi derrotado por 6/3 e 6/3]. (risos)

Mas eu vi seu jogo contra Bellucci em Quito. Mas Quito não é bem tênis. É algo que lembra tênis, mas muito diferente, não?

Acredito que em Quito, depois de Victor Estrella Burgos, Bellucci é o pior cara para se enfrentar. Eu gosto de altitude, mas esses dois caras são conhecidos no circuito por somarem a maior parte de seus pontos em Gstaad, Quito e esses torneios malucos. Mas eu errei ao não ir para Buenos Aires mais cedo. Eu decidi ficar em Quito e trabalhar no meu condicionamento por causa da altitude e cheguei em Buenos Aires no domingo à tarde. Por sorte, meu jogo foi só na terça, mas choveu no domingo e na segunda. E antes do jogo contra Dolgopolov, eu nem consegui me aquecer porque estava chovendo. São pequenas desculpinhas bobas, mas vindo de 2.800m de altitude e sem jogar outdoor por dois dias, enfrentar um adversário bom…

Que não dá ritmo nenhum!

Não. Eu senti que estava jogando bem, em forma e tudo mais, mas ele me matou.

E o que você espera do Rio Open, além de uma chave melhor, é claro? (a entrevista foi antes do sorteio da chave, que aconteceu na noite de sábado)

Eu gostaria de jogar contra alguém e que eu possa jogar algum tênis. Estou na América do Sul há três semanas, treinei bem por uma semana e na primeira rodada em Quito venci por abandono. Depois, contra Thomaz, não foi tênis de verdade. Foi luta uma por sobrevivência, colocando a bola na quadra de algum modo. E por 1h03min joguei contra Dolgopolov um total de seis pontos com mais de cinco golpes.

Só seis?

Seis pontos com mais de cinco golpes! E ganhei todos os seis (risos). Então o que espero é jogar contra alguém que jogue tênis de saibro. Eu não me importo. Quer dizer, não é bem verdade. Não quero jogar contra Nishikori ou Thiem, mas tudo bem. Me deem alguém contra quem eu consigo jogar algum tênis.


Bruno Soares: vaidade, implante capilar e mais de quatro anos de tênis
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Alexandre Cossenza

Demorou um pouco mais do que o habitual, mas finalmente chega o momento de publicar o entrevistão anual com Bruno Soares. Quem lê o Saque e Voleio sabe que com o mineiro há sempre material interessante – desde sempre. A conversa deste ano foi um pouco diferente. Falamos de tênis, claro, mas também conversamos bastante sobre o implante capilar a que o mineiro se submeteu há pouco tempo. Bruno ainda anda de boné por toda parte porque evitar o sol é uma das precauções pós-operatórias.

O descontraído papo é sobre vaidade, temores e decisões, mas se você só quer ler sobre tênis, tem assunto para você também. Bruno lembra dos momentos marcantes de 2016, fala da sensação de começar o ano como dupla a ser batida, compartilha os planos para a carreira e avalia a chance de mudanças no circuito de duplas em breve. Tem assunto para todos os gostos. É só rolar a página…

A gente faz essas entrevistas desde 2012, se não me engano. Na primeira delas, seu objetivo era classificar pra Londres. Mais tarde, era ganhar um slam de duplas masculinas. Hoje, você já tem dois slams de duplas, três de mistas, terminou 2016 como dupla #1 do mundo, tem um filho, está bem casado e – dizem – bem de dinheiro. Qual a motivação pra continuar jogando com 34 anos, a dez dias de completar 35?

Tenho alguns objetivos ainda. O número 1 do ranking “individual” é um deles. A medalha olímpica é outro. Ganhar o Rio Open, outro. Tem um bocado de coisa ainda que eu posso conquistar, mas o principal disso tudo é que eu ainda amo jogar tênis. Acho que esse é o mais importante. Independentemente de objetivo e coisas que você quer alcançar, quando o prazer de ficar duas horas no sol acabar, aí a luzinha vai começando a apagar e aí é hora de repensar a carreira. Acho que isso é o principal. Os objetivos a gente vai traçando para ter um norte, para rumar naquela direção e conquistar. Eu, felizmente, venho conquistando a grande maioria das coisas que eu venho traçando, e espero… Quem sabe mais cinco grand slams nos próximos quatro anos? Tô feliz da vida!

No fim de quatro temporadas, você vai estar com 39?

É. Na próxima Olimpíada, eu estou com 38.

É essa conta que você faz agora? Jogar pelo menos até Tóquio 2020?

É essa conta. Em Tóquio, eu quero estar com certeza. Depois disso, vamos ver como estou de ranking, físico, vontade e tudo mais. Mas acho que me surpreenderia eu parar por minha vontade antes de Tóquio. Eventualmente, se o nível cai, você não aguenta tanto torneio, e uma série de coisas que podem acontecer nessa jornada, mas por vontade minha, estando bem ranqueado e jogando bem, acho muito difícil.

O ano passado começou muito bom, com dois slams (duplas e mistas) na Austrália, terminou como número 1 com um slam em Nova York, e no meio disso teve a medalha que não veio e o número 1 “individual” que escapou por um jogo. Foi uma temporada de altos muito altos e – não sei se baixos muito baixos, mas de sensações muito intensas?

De sensações, sim. Quando você tem um ano olímpico como no ano passado, no Rio, e juntando com as coisas que a gente conseguiu conquistar e estando muito perto do número 1, acho que foi um ano de grandes emoções. A gente pode definir assim. Umas, muito boas. Outras que acabaram muito perto de eu conquistar. É o que eu falo sempre. Quem está no circuito e está acostumado a jogar 25, 26, 27 torneios no ano e tem um torneio de uma semana que é a Olimpíada, todo mundo sabe que a variável é enorme. Você chega lá um dia, o cara mete uma bola na linha, você acorda mais ou menos… É um tiro que você tem. É cruel! Nesse esportes que vivem da Olimpíada, é muito cruel com a turma. O cara se prepara quatro anos, de repente ele acorda e está ventando… acabou!

E aí são mais quatro anos para tentar de novo.

Mais quatro anos para tentar de novo! O cara não tem circuito. Acabou. Isso que é o cruel das Olimpíadas. E a gente… Se você tem o sonho de conquistar a medalha olímpica, é a mesma coisa. É cruel também. Batemos na trave em Londres, batemos na trave no Rio, vamos tentar de novo em Tóquio.

Eu ia perguntar que sensação tinha sido mais doída, mas pelo que você falou, não conquistar a medalha foi muito mais forte do que o número 1 que não veio…

Acho que Olimpíadas, cara. Justamente por isso. Aquilo ali, a gente estava num momento muito bom, a gente estava na briga… Hoje eu estou mais longe do número 1. Perdemos dois mil pontos da Austrália, para chegar no número 1 é um processo de novo, mas a gente estava na boa. E Olimpíada é o que eu te falei. Você perde nas quartas, acabou. Quando é a próxima? Tóquio 2020. Você fala “puta merda”, acabou. É porque você faz muita coisa pelas Olimpíadas. São dois anos que a gente estava no planejamento. Tudo que a gente faz é pensando em Olimpíadas. Em tudo que a gente montou, as Olimpíadas estavam envolvidas também. Você passa um tempo muito grande martelando aquilo ali. Obviamente, é um negócio completamente diferente. Você tem vila olímpica, cerimônia de abertura, tudo aquilo, e quando acaba, você fala “acabou”. Mais quatro anos agora. Senta e espera.

E qual foi o alto mais alto? Aquelas 16 horas de Melbourne quando você tomou 12 xícaras de café? (Bruno foi campeão de duplas e mistas em dias consecutivos)

Acho que foi. Estou tentando comparar com o número 1, que foi do caralho também, mas aquele fim de semana de Melbourne foi algo. Porque foi meu primeiro grand slam de duplas masculinas, da forma que aconteceu… A gente acabou de madrugada, não consegui dormir, naquela pilha, adrenalina, entrevista, aquela loucura… E você para pra pensar, “o que você tem amanhã? Outra final de grand slam!” Então foi um negócio meio doido, na base da adrenalina mesmo. Pouquíssimos jogadores conseguiram ganhar dupla e dupla mista no mesmo torneio. Consegui colocar meu nome num lugar muito seleto e muito especial.

Você já falou bastante sobre o motivo do sucesso da parceria com o Jamie. O que acho interessante é que vocês ganharam em Melbourne, quando as duplas ainda estavam se encontrando, e ganharam de novo em Nova York, quando todo mundo já sabia quem era quem. E agora, começar o ano como #1, como umas das duplas a serem batidas, está sendo muito diferente?

Acho que eu vivi muito isso com o Alex [Peya]. A gente não ganhou um slam, mas se firmou como uma das melhores duplas do mundo muito rápido. Em 2012, a gente começou bem. Já saímos ganhando dois 500. A turma já tinha a gente como uma referência das duplas mais fortes. Obviamente, com o Jamie foi um negócio de ganhar dois grand slams, terminar número 1… Mas eu acho que de uma forma geral, é resultado do que a gente faz. Independentemente do resultado das duplas, a gente está estudando. O Alan [MacDonald, técnico de Jamie Murray], o Hugo [Daibert, técnico de Bruno] e o Louis [Cayer, técnico da federação britânica] vão lá e fazem vídeo, falam para a gente. A gente assiste aos jogos juntos depois. Eu acredito que os outros também estão fazendo, anotando. “O Bruno gosta da sacar ali, essa é a principal jogada deles.” Esse tipo de coisa todo mundo está fazendo. Aí é a hora que entra a qualidade do jogador de variar, se inventar. É a parte mental do jogo. O cara acha que eu vou sacar ali; eu sei que se eu sacar lá, ele vai bater ali. Então fica aquele negócio de quem vai fazer o que primeiro.

Agora, mudando de assunto, o que o pessoal comenta, mas anda meio sem graça de te perguntar… Você fez implante (de cabelo)?

Eu fiz! Vergonha zero de falar! Estou de boné o tempo inteiro porque não posso tomar sol. Eu tinha ido no médico no fim do ano, mas tem um processo que exige que você fique dez dias parado. É muito complicado pra mim. Quando eu machuquei [no Australian Open], liguei para essa médica, Dra. Maria Angélica Muricy, que está sempre com a agenda lotada, e falei. Eu chegava segunda à noite no Brasil. Quarta era feriado em São Paulo. Ela falou “eu não opero feriado e fim de semana, mas vem que eu te opero na quarta-feira.” Ela é nota 1000.

Como funciona isso?

Essa técnica chama “fio a fio”. Você coloca, o cabelo cresce um pouquinho, e em 25, 30 dias, esse cabelo cai. E aí em três meses, nasce o cabelo definitivo. Não, não tenho vergonha nenhuma! Até porque eu era careca, agora não sou mais! (risos) Não posso negar, né? Se o cara pergunta “você fez implante?”, não posso dizer “não, cresceu do nada!” (mais risos de ambos)

Cidade maravilhosa #rio #rioopen

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Mas estava te incomodando visualmente?

Não vou dizer que sou zero vaidoso porque fiz essa parada, mas não tenho vergonha nenhuma de comentar. Mas o que aconteceu? Foi de uma hora para a outra! Eu nunca me incomodei pelo fato de estar ficando careca. Acho que ano passado eu apareci muito na TV e me vi muito e comecei a falar “eu tô careca pra caralho, velho.” Eu, pelo menos, senti isso, que fiquei muito mais careca no ano passado. Entrou demais e tal. Aí estou batendo papo com o Márcio [Torres, empresário], conversando sobre implante, mas o Márcio é cabeludo, não sabia nada. Mas o [pessoa cujo nome foi omitido em nome da amizade], que é nosso amigo, fez. Não sei nem se devia falar o nome dele porque ele pode estar escondendo. Aí mandei um WhatsApp pro cara. Ele falou “velho, zero dor, técnica nova”, e ele me explicou. Marquei uma consulta e, realmente, agora é uma técnica que você tira de trás, implanta na frente. Zero cicatriz, zero dor. É muito mais fácil.

Você então não sofreu bullying nem tem trauma de infância? Nada mesmo?

Zero, zero! Sabe por que eu animei? Porque quando eu falei com o [amigo], ele disse “zero dor”. Aí eu me animei. Fui lá, ela me explicou o processo e falei “ah, vou fazer essa porra antes que eu fique careca completamente.” Mas com quem quiser falar do implante, eu falo abertamente. Nunca tive trauma. Tanto que eu não sabia de nada [sobre o assunto antes do procedimento].

E a Bruna (esposa), o que achou?

A Bruna nunca falou um “a”. Quando eu voltei, ela perguntou, eu falei “vou operar.” Ela falou “o quê??? Não vai me consultar?” Não, já decidi, o trem é simples, vou fazer. Para ela, não muda nada com ou sem cabelo.

Pergunto porque vocês estão juntos há muito tempo, então ela acompanhou todo processo de queda, né?

Ela foi acompanhando o processo, mas quando você convive o tempo inteiro, a pessoa vai “carecando” e você vai acostumando. Você não toma um choque. Não é um cara que me viu com 18 anos e depois só me viu com 34. O cara olha e diz “ele tá carecaço.” Mas se você me vê todo dia, vai acostumando com aquela imagem visual. Mas ano passado me incomodou. No ATP Finals, tinha uns pôsteres enormes que eu olhava assim e falava “tô muito careca!” Mas aí, na conversa com o Márcio, quando ele disse que o [amigo de identidade preservada] fez… Essa técnica nova é outro nível.

Falemos de política um pouco pra fechar… O Andy Murray assumiu a presidência do Conselho dos Jogadores, e um dos primeiros assuntos que ele levantou foi o circuito de duplas. Principalmente o sign-in on-site (quando tenistas se inscrevem no torneio em cima da hora, pouco antes do fim do prazo para o fechamento)…

O lance do sign-in é muito complicado. Por que que existe o sign-in on-site?

Por causa deles, os simplistas, né?

Por causa deles. Mas por que que o Andy viu isso [Andy Murray reclamou do procedimento quando jogou o Masters de Paris em 2015]? Porque ele estava jogando com o [Colin] Fleming, então ele estava na boca do gol [correndo o risco de não entrar na chave por causa do ranking combinado]. Se ele estivesse jogando com o Ferrer, ele assinava e podia ir para o hotel dormir que ele ia entrar. Como ele precisava de conta, ele viu a loucura que é em cima da hora. Mas o sign-in foi feito para esses caras. Os caras que vão entrar mesmo… Ah, o Federer vai assinar com o Wawrinka. Ele assina e vai embora porque vai entrar. Os caras que estão na boca do gol é que ficam naquela loucura. E tem muita que é duplista e precisa entrar.

Como é essa loucura?

Eu vou assinar com você. Deu dois minutos, ele assinou. Deu três minutos, fulano assinou. Aí você tem que mudar. Eu já não estou mais com você porque senão a gente não entra. Então eu vou jogar com esse fulano…

Pode mudar depois que assina?

Pode! Rabisca e assina com outro. Acontece esse troca-troca. Mas é normal. É o seguinte: ou a gente faz tudo “advanced”, ou seja, inscreve no sistema e ninguém vê, igual nas simples, que era o formato mais normal, mas esse formato vai, de certa forma, fazer com que os jogadores de simples tenham que se programar. O Andy tem um ponto muito bom, que é organizar a situação. Todo mundo concorda. Mas tira uma das vantagens do on-site, que é atrair mais jogadores de simples de última hora.

E qual é o prazo pra inscrição de vocês?

Duas semanas. A grande maioria já está se programando. E hoje tem muito jogador de simples jogando dupla. Esses caras, antes, não se programavam. De uns dois anos para cá, isso mudou. Tirando o top 10, eles se programam. E o [Dominic] Thiem não assina on-site. Ele se programa.

E outra coisa que foi levantada, também por alguns duplistas, foi o formato da pontuação. Há um movimento ainda pequeno para que volte a pontuação anterior. Você acha possível?

Pela galera que joga e vive disso, com certeza mudaria. Mas uma das coisas que eu vejo que evoluiu muito foi trazer os jogadores de simples. Isso aconteceu. Todo torneio grande tem três, quatro top 10 e oito ou nove top 20. Mais do que isso, não dá. E tem a coisa de quadra central, mas isso está mudando. Eu até nem acho legal ter a dupla na quadra central, dependendo do torneio. Eu briguei muito por isso [no Conselho], pela possibilidade de a pessoa poder ver seu jogador favorito. A gente tinha um gap muito grande, que era só mostrar a quadra central. Com o stream, isso vai mudar. O torcedor vê quem ele quer, não quem só está na TV. Sobre o formato, acho que a mudança pode acontecer, mas principalmente da parte dos torneios, existe uma luta muito grande contra isso. Voltar ao normal, quase impossível. Mudar um pouquinho, eu vejo possível. Ou acabar o super tie-break ou acabar o no-ad, jogar dois sets normais e um super tie-break. Acho que vai ser coisa de experimentar e ver o que funciona melhor.


Caricaturas no Rio Open
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Alexandre Cossenza

O Rio Open deu de presente a todos tenistas tags (para malas, bolsas, raqueteiras e afins) com suas caricaturas. É uma lembrancinha a todos atletas que estão na chaves principais de simples e duplas do ATP 500 carioca.

As imagens são bem bacanas. Vi algumas e reproduzo abaixo. Acho até que ficariam bacanas se a galera imprimisse em tamanho real e levasse para a quadra central do Jockey Club Brasileiro. Vejam:

Volto amanhã com uma entrevista reveladora com Bruno Soares.


Tudo que você precisa saber sobre o Rio Open
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Alexandre Cossenza

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A organização do Rio Open promoveu, nesta quarta-feira, um encontro de jornalistas com o diretor do torneio, Lui Carvalho, para um bate-papo durante um café da manhã em um hotel na zona sul da cidade. Como já aconteceu no ano passado, a conversa é bastante interessante, com o diretor dando uma espécie de tour pelos bastidores das negociações com jogadores e falando sobre o que a organização espera para o futuro do ATP 500 carioca.

Entre os destaques do dia, Lui falou: das conversas com Del Potro, Murray, Djokovic, Nadal, Wawrinka, Berdych, Dimitrov, Monfils, Dustin Brown e outros; dos planos para transformar o Rio Open em um torneio de quadra dura; do desejo de fazer o evento no Parque Olímpico; da exclusão e da falta de interesse pelo torneio feminino; das vendas de ingressos; e de uma grande expectativa em relação a Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro. A declaração sobre Bellucci, em especial, é interessantíssima!

Selecionei os trechos que achei mais importantes e listei abaixo, com comentários meus e, em itálico, frases de Lui Carvalho. A lista com os tenistas inscritos está no fim do post.

Negociações com tenistas

Juan Martín Del Potro

“Um dos atletas que a gente esteve muito perto de conseguir foi o Del Potro. Ele fez a virada da carreira dele nos Jogos Olímpicos, no Rio, e a gente tinha toda a história montada para ele. Voltando de lesão, jogando no Rio, público apoiando, o único atleta argentino que não é vaiado no Brasil e ele tem essa conexão com o Brasil, mas infelizmente o fator piso pesou. Ele não quis jogar no saibro nessa época do ano, mesmo por valor nenhum. A gente estava pensando em fazer uma proposta conjunta Buenos Aires-Rio, mas infelizmente ele optou por jogar, se não me engano, Delray Beach e Acapulco. Não foi uma questão nem de dinheiro nem de vontade. Foi uma questão de preferência de piso.”

Gael Monfils

“É um namoro antigo nosso, até pela relação que a gente tinha com a nossa última fornecedora de material esportivo [Asics]. Monfils foi o primeiro atleta com quem a gente chegou a conversar, logo depois do Rio Open 2016. Já estava rolando bastante conversa, bastante troca de email para ver se a gente conseguia chegar num acordo, mas ele optou por um calendário diferente. Não tanto pelo piso, mas mais pelo calendário de não ter que voltar da Austrália para a América do Sul e ir direto para os Estados Unidos. Ele preferiu ficar em casa e jogar, se não me engano, Roterdã e Dubai.”

Janko Tipsarevic

“A gente estava esperando fechar a lista. É um ex-top 10, a gente acha um nome muito interessante para o torneio. É um cara divertidíssimo, ele é muito doido. E é um cara inteligentíssimo. Ele realmente pediu [um wild card], e a gente vai começar a ver os wild cards agora.”

Good first week…💪😈💪 @tipsarevictennisacademy #bangkok #keepgrinding #keeppushing #keepdigging

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Grigor Dimitrov e Tomas Berdych

“A gente ficou meio nesse jogo de xadrez entre Nishikori e Thiem e Berdych e Dimitrov. Então a gente ficou meio jogando esse joguinho. Quem desses quatro a gente consegue trazer? É um tremendo jogo de xadrez.”

A forte concorrência de Dubai, Roterdã e Acapulco

“A gente disputa os atletas com Dubai, Roterdã e Acapulco, os ATPs 500 dessa época. Se o atleta joga Dubai, ele não joga Rio. Se ele joga Acapulco, é mais possível que ele jogue Rio. A gente fica muito na região. Nós e Acapulco coordenando aqui, Dubai e Roterdã de lá. Dubai está completando 25 anos, então o sheik está vindo com um A380 de dinheiro da Emirates. Acapulco, de um ano para o outro, decidiu investir um caminhão de dinheiro. A gente não sabe da onde está vindo tanto dinheiro também. E Roterdã está tentando consertar o que aconteceu em 2016. Não teve nenhum top 10. (…) Não pegou muito bem com público, patrocinador, ficou uma situação um pouco delicada.”

Outros nomes

“A gente falou com Zverev, Coric, Wawrinka, Murray, Djokovic… A gente chegou a conversar com todos top 10.”

Mudança de piso

“O que a gente está tentando mostrar [para a ATP] é que a competição agora é desleal. Nadal, que é um jogador de saibro, escolher Roterdã e fazer um calendário Roterdã-Acapulco… Os jogadores já não têm argumento para manter o [Rio Open] no saibro porque o carro-chefe deles já está botando a bandeirinha branca e dizendo ‘quero jogar na dura’. É uma politicagem de torneios tentando entrar num acordo do que faria sentido no calendário. (…) Hoje em dia, os jogadores querem mudar pouquíssimo de piso. O que a gente gostaria é de uma oportunidade para testar o Rio Open na [quadra] dura. E é isso que a gente está pedindo para a ATP.”

Calendário pós-2018

Até 2018, a ATP é obrigada a manter a estrutura atual de torneios, com Masters 1000, ATPs 5000 e ATPs 250. Juridicamente, a entidade pode mudar tudo a partir de 2019. Embora alterações radicais não sejam prováveis, é bem possível que o calendário sofra alterações e um aumento no número de datas. A intenção da ATP é decidir tudo isso até o fim deste ano.

“Existem milhares de discussões acontecendo. Por exemplo, a ATP e os diretores de torneio fizeram um trabalho conjunto para diminuir o calendário. O que aconteceu? Entrou a IPTL. Foi inteligente da nossa parte? Não. Foi a maior burrice que a gente fez. A gente deveria ter deixado o calendário com 52 semanas, assim não entra ninguém. Os jogadores fizeram um movimento ‘não quero jogar, quero ter offseason’. A gente ‘tá bom, então vamos diminuir o calendário’. Prejudicou um monte de torneio. E o que os jogadores fazem? Começam a jogar exibição na offseason. Sacanagem, né? Quem faz os jogadores são os torneios! Só existe o Federer, o Nadal porque existe um circuito que faz eles virarem estrelas. Aí eles viram estrelas e viram as coisas pra gente e vão jogar um circuito que não tem nada a ver com a gente? Realmente, é uma discussão que a gente tem em todas as reuniões.”

Desejo de jogar no Parque Olímpico

“A gente tem o desejo de jogar no Parque Olímpico um dia, mas isso não é uma decisão nossa. Depende de uma série de fatores. Depende de quem vai administrar o local, de como vai ser essa negociação, em que condições que a gente vai pra lá… A gente quer deixar isso bem explicado. Nosso evento é no saibro. A gente não conseguiu aprovação pra mudar de piso. A gente tentou e não conseguiu. Não teria tempo hábil pra mudar de dura pra saibro. Para 2018, a gente está tentando ver como pode fazer isso ser possível.”

Interesse no torneio feminino e valores dos ingressos

Com relação a esse assunto, argumentei com Lui Carvalho que não seria justo dizer que o torneio está cobrando o mesmo pelos ingressos de segunda a quinta, já que ano passado o Rio Open tinha um torneio feminino e, logo, o dobro do número de partida. Este ano, o preço é o mesmo, mas só para jogos masculinos. Ele respondeu argumentando que o interesse era mínimo para a chave feminina.

“Você tem a metade de partidas para ver, mas a gente foca no conteúdo, né? Não vou conseguir concordar com você. Se você fizer uma enquete com as pessoas, quantas compraram pra assistir a um jogo do feminino? Quando a gente toma a decisão de tirar o feminino, foi a primeira coisa que a gente falou: ‘a gente vai perder conteúdo?’ A gente fez uma enquete com várias pessoas. O nível do evento já começa muito diferente. Vamos imaginar que fosse um WTA International que tivesse uma Radwanska de cabeça 1 – eu sei que você adora a Radwanska. O nível já começa diferente. Com a data contra Doha e Dubai, o gap ficava ainda maior. A gente teve muita sorte de as brasileiras fazerem boas campanhas nos três anos. (…) Quantas pessoas compraram ingresso para ver a Schiavone? Não sei, mas você concorda comigo que as pessoas compraram ingresso para ver o Nadal, o Tsonga, o Isner? Até acho que quando a gente anunciou a Bouchard, a Madison, não mexe no ponteiro. Não mexe mesmo.”

Venda de ingressos

Até esta quarta, o Rio Open tinha vendido cerca de 60% dos ingressos e ainda havia bilhetes para todas sessões. Segundo Lui Carvalho, a final no domingo de Carnaval não atrapalha a venda. O torneio, aliás, vende pacotes de tênis+carnaval por meio da Faberg, agência parceira. Os ingressos estão à venda aqui.

Expectativa por uma boa campanha de Bellucci e Monteiro

Aqui, é interessante lembrar que Lui Carvalho não fala só como diretor do Rio Open, mas como manager da carreira de Thomaz Bellucci. A relação deles é de longa data e vem desde quando a carreira do tenista era gerida pela Koch Tavares. Lui, então funcionário da Koch, já era o responsável por administrar tudo relacionado a Bellucci.

“Acho que está na hora de o Bellucci e o Thiago fazerem alguma coisa especial no Rio Open. Tá na hora! Eles precisam, sabe? Bellucci precisa meter uma semi num ATP 500 no Brasil. Eles precisam disso. Isso vai ajudar o nosso esporte. Esses caras precisam botar o coração na quadra e dizer ‘eu vou fazer o que o Guga fez’. O Guga levou o tênis nas costas durante seis, sete, oito anos. Eles precisam fazer isso. A gente precisa disso. Estou apostando nisso.”

“Minha conversa com o Thomaz no fim de 2016 foi essa. ‘Você tem 30 anos de idade, entendeu? Ou você vai ou você vai. Não quero que você chegue no final da carreira Rubinho Barrichello. É a única coisa que não quero. Quero que você chegue Felipe Massa. Comoveu a galera. O Thomaz está numa fase que casou, está mais responsável, está numa fase boa pessoal. Ele precisa botar isso dentro de quadra.”

“Acho que os jogadores não entendem a responsabilidade deles dentro do esporte. Acho que eles olham muito a conta bancária deles e ‘ah, tá pingando’ e não entendem que o que eles fazem dentro de quadra move milhões de pessoas. Eles precisam ter mais essa consciência. É muito mais do que a vida deles, do que o patch da manga.”

Lista de participantes


Rio Open será só dos homens em 2017
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Alexandre Cossenza

A partir do ano que vem, o Rio Open será um torneio apenas masculino. O evento carioca, que sempre foi ao mesmo tempo um ATP 500 e um WTA International, “emprestou” o evento feminino para Budapeste.

A decisão foi tomada com a intenção de crescer. O torneio quer oferecer uma estrutura ainda melhor para os homens e entrar na briga de vez para ser um torneio da série Masters 1.000, do mesmo nível de Indian Wells, Roma e Madri.

O Rio Open sempre tentou trazer nomes de peso para sua chave feminina, mas o calendário do circuito mundial sempre foi um entrave, já que torneios milionários como Dubai e Doha, que oferecem mais pontos e dinheiro, são disputados na mesma época do ano e atraem as tenistas mais bem colocadas no ranking mundial. Logo, sem conseguir um novo status, o evento carioca decidiu dar um “all in” na chave masculina.

A organização garante, no entanto, que o Rio Open não deixará de lado completamente as mulheres. Caso haja mudanças no calendário feminino, é possível que o WTA volta à Cidade Maravilhosa. O evento das mulheres continua como propriedade da IMM e foi para Budapeste em uma espécie de lease. O Rio Open também pretende promover o tênis feminino de alguma maneira em sua edição de 2017, possivelmente com uma partida de exibição, mas ainda não há uma definição sobre isso.

“Acreditamos que este novo formato irá ajudar o Rio Open a seguir sua trajetória de crescimento, proporcionando uma experiência ainda melhor para todos os tenistas. Sempre trabalhamos para trazer os melhores do mundo para o nosso torneio, e seguiremos com esse compromisso. Nas três edições realizadas, a chave masculina atraiu diversos Top 10, com um lineup incrível em 2016. Porém, no feminino, em razão da posição do evento no calendário (sendo realizado nas mesmas semanas dos Premiers de Doha e Dubai), isso não se replicou. Sabemos da importância do Rio Open na carreira da Teliana, Paula, Bia, Gabriela e Laura, e pra 2017, temos a intenção de criar uma ação com essas meninas que vem fazendo história no tênis feminino, mostrando a importância que elas têm para nós. Além disso, no futuro, temos a intenção de voltar a realizar o torneio feminino, com a oportunidade de atrair as melhores do mundo, a exemplo do que acontece no masculino,” disse Lui Carvalho, diretor do Rio Open.

Vale lembrar que também não há local definido para o torneio em 2017. Existe a opção de continuar no Jockey Club Brasileiro, sede de todas três edições até agora, mas a organização não descarta se mudar para o recém-construído Centro Olímpico de Tênis.


Francesca, a fofa, e Cuevas, o carrasco de canhotos
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Alexandre Cossenza

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O domingo começou com pouca expectativa no Rio Open. O fortíssimo torneio masculino que tinha Nadal, Tsonga, Ferrer, Isner, Sock e Thiem acabou com Pablo Cuevas e Guido Pella na final. A chave de duplas tinha a parceria olímpica brasileira, mas Bruno Soares e Marcelo Melo também ficaram pelo caminho. Por fim, na fraca chave feminina, a esperança por uma uma boa campanha de Teliana Pereira, cabeça de chave #1, naufragou na primeira rodada.

Mas havia Francesca Schiavone. A veterana de 35 anos, campeã de Roland Garros, ex-top 5 e atual #132, estava meio esquecida na chave e chegou a brincar numa coletiva de que “talvez um dia fosse colocada na Quadra Central”. Precisou salvar match point para chegar às semis e, no fim do torneio, salvou o dia. Derrotou Shelby Rogers de virada, conquistou seu primeiro título desde Marrakesh/2013 e, mais do que isso (muito mais), deu um show na comemoração.

Sacou da cintura um discurso em português, disse que “o Brasil é um país maravilhoso e os sorrisos de vocês preencheram os meus dias” e terminou desejando “sorte nas Olimpíadas”. Foi, para muitos o momento mais emocionante dos três anos de Rio Open, mesmo que mais da metade dos assentos da Quadra Guga Kuerten estivesse desocupada.

Sobre o jogo, o duelo até que começou favorável para a jovem de 23 anos. Rogers, #131, impôs seus golpes mais potentes e venceu o primeiro set por 6/2. A segunda parcial começou com uma quebra da americana, mas aí viria o momento que colocou a veterana de volta na partida. No segundo game, ainda com o placar em 1/0, Rogers errou um voleio fácil (muito fácil!) no primeiro ponto, cometeu uma dupla falta pouco depois e acabou perdendo o serviço.

Schiavone, então, fez valer cada minuto de sua experiência. Cozinhou o jogo e usou todas as variações de seu livrinho até que Rogers já não encontrasse mais forças para vencer na base da pancada. Game, set, match: 2/6, 6/2 e 6/2.

A história de Schiavone no Rio de Janeiro é digna de registro. Dois anos atrás, a italiana chegou no Rio Open com status de estrela principal. Na época, Francesca era a 43ª do ranking, mas os resultados já não vinham como antes. Naquele torneio, caiu na estreia, diante da espanhola Lourdes Domínguez Lino.

Schiavone, então, foi cabisbaixa para a coletiva. Em inglês, falava baixo e com a voz cansada. Um repórter, então, lhe perguntou sobre a possibilidade de aposentadoria. A italiana respondeu com “Você acompanha tênis?” (“Do you follow tennis?” foi a frase original) e deu a entender que se veio até o Brasil para um evento de pequeno porte é porque ainda buscava se reerguer.

As coisas não saíram como Schiavone planejava. Em setembro do ano passado, ela já havia saído do top 100. Este ano, precisou jogar o qualifying do Australian Open e não passou. Encerrou, ali, uma série de 61 (!) Slams disputados. A veterana voltará ao top 100 e se o título no Rio não for um recomeço, será um ponto de exclamação num dos últimos capítulos de uma grande trajetória.

Cuevas, campeão na segunda-feira

Ao fim da final masculina, o cronômetro mostrava 2h16min de jogo, mas a partida começou pouco depois das 18h30min, foi interrompida por mais de três horas por causa da chuva e só terminou na segunda-feira, à 0h25min – quase seis horas depois do primeiro saque.

Cuevas venceu o primeiro set e poderia muito bem ter vencido a parelha segunda parcial, mas desperdiçou a vantagem de 5/4 e saque no tie-break. O uruguaio, no entanto, quebrou Guido Pella depois de pedir um tempo médico antes de o rival sacar em 4/5. No fim, o placar mostrou 6/4, 6/7(5) e 6/4.

Na coletiva, Cuevas, que conquistou seu primeiro ATP 500, falou de como foi especial a semana e enfatizou, repetindo um punhado de vezes o quão a semifinal melhor partida de sua carreira, contra o maior tenista do saibro. Sobre a afirmação de Guga (vide tuíte acima), Cuevas apenas agradeceu o elogio, “vindo de alguém que tem um revés espetacular.”

Pouco depois do jogo, a ATP confirmou que Cuevas foi o primeiro tenista a ganhar um torneio de nível ATP enfrentando apenas canhotos: Bagnis, Monteiro, Delbonis, Nadal e Pella. O uruguaio disse que a coincidência até ajudou na caminhada, já que não foi preciso fazer grandes alterações táticas. Cuevas disse inclusive que provavelmente teria encontrado mais dificuldade se duelasse com um destro.

Coisas que eu acho que acho:

– O público para a final masculina foi decepcionante, considerando que todos bilhetes estavam esgotados para o público. É claro que a chuva teve peso considerável na quantidade de gente, mas é sempre decepcionante ver um título sendo decidido em uma arena quase vazia.

– A questão da final feminina foi bem diferente. Mais cedo, o tempo era bom. A questão, imagino aqui, é que muita gente deve ter comprado ingresso (aquele de R$ 640) e aparecido só para a final masculina.

– O que será que aconteceria se o Rio Open vendesse ingressos separadamente para cada final? Será que evitaria todos aqueles assentos vazios?


Rio Open, dia 6: zebra Cuevas, zebra Pella e a zebra que abateu mineiros
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Alexandre Cossenza

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O sábado do Rio Open não foi o que todos imaginavam e, certamente, nem esteve perto do que a organização sonhava. Dominic Thiem e Rafael Nadal, cotadíssimos para fazerem a final no que seria uma esperada revanche do jogão de Buenos Aires, na última semana, tombaram. O mesmo aconteceu com Bruno Soares e Marcelo Melo, a dupla olímpica brasileira. De nome – nome mesmo -, só Frncesca Schiavone (lembram dela?) salvou o dia. O post resume o que rolou no sábado no Jockey Club Brasileiro. Role a página e fique por dentro.

A zebra

Rafael Nadal foi mais uma vez aquele Rafael Nadal inconsistente e que não adota uma tática clara do início ao fim dos jogos. Contra Pablo Cuevas, teve relativo sucesso quando ficou no fundo de quadra e alongou os pontos, mas jamais insistiu nisso. Volta e meia, se aproximava da linha de base para atacar mais. Volta e meia, cometia erros atípicos do Nadal que o mundo viu dominar o circuito.

O uruguaio fez uma partida inteligente e, não fosse um vacilo no tie-break do primeiro set, teria fechado a partida bem antes. Ainda assim, vale ressaltar que Cuevas sacou bem melhor do que Nadal (o espanhol continua fazendo pouquíssimo ou nenhum estrago com seu serviço) e, acreditem, foi mais decisivo do que o espanhol. No terceiro set, precisou salvar dois break points depois de Nadal acordar o público com uma linda passada na paralela. Logo em seguida, quebrou e abriu vantagem até fechar em 6/7(6), 7/6(3) e 6/4.

O ex-número 1 do mundo, que cometeu 33 erros não forçados e executou 32 winners parecia o homem mais cansado em quadra ao fim das 3h28min de partida. Cuevas também estava esgotado. Na entrevista ao SporTV, disse que estava cansado para falar em português e respondeu um monte de coisas que não tinham nada a ver com o que havia sido perguntado.

E se você está imaginando, foi a partida mais longa da história do Rio Open. Tão longa que entrou pela madrugada duas vezes. A primeira quando terminou o horário de verão. A segunda, uma hora depois, e o encontro só terminou à 0h29min de domingo, no horário “normal”.

A primeira semi

A primeira semi foi grandemente afetada pelas condições climáticas. Pouco depois de Guido Pella quebrar o serviço de Dominic Thiem, começou a ventar muito forte na Quadra Guga Kuerten. O austríaco, claramente incomodado, fez um set pífio, enquanto o argentino mantinha a bola em quadra e ganhava seus games. O jogo só parou muito depois, por causa da chuva, mas Pella já havia vencido a parcial.

Quando o jogo recomeçou, Thiem, #19, apareceu mais concentrado, mas o jogo de saibro de Pella, que correu poucos riscos e apostou na irregularidade do adversário, manteve o duelo equilibrado. O tênis de porcentagens do argentino acabou levando a melhor quando Thiem cometeu erros, cedeu dois match points e selou sua sorte com uma dupla falta: 6/1 e 6/4.

Atual número 71 do mundo aos 25 anos, Pella entrará no top 50 mesmo que perca a decisão. Será o melhor ranking de sua carreira.

As mulheres

Na chave feminina, o nome do dia foi Francesca Schiavone. A veterana de 35 anos, ex-número 4 do mundo e atual #132, derrotou a croata Petra Martic por duplo 6/3 e se garantiu como primeiro nome na decisão.

É a primeira final de Schiavone em quase três anos – desde o WTA de Marrakesh, também no saibro, onde ela foi campeã em 2013, derrotando Lourdes Domínguez Lino na decisão. A italiana parece estar em sintonia com a Cidade Maravilhosa, de maneira bem diferente de sua passagem pelo Rio Open dois anos atrás.

Na coletiva, a campeã de Roland Garros/2010 falou sobre suas visitas a cidades brasileiras e de como gostou da carne servida nos restaurantes da cidade.

Na final, a veterana vai enfrentar a americana Shelby Rogers, #131, que eliminou a romena Sorana Cirstea, #199, por duplo 6/4. Será a segunda final da carreira da jovem de 23 anos em eventos de nível WTA (Schiavone disputará sua 18ª). A primeira foi em Bad Gastein/2014, onde saiu derrotada por Andrea Petkovic.

Vale citar uma curiosidade sobre a americana: Rogers não jogava uma chave principal de WTA desde Quebec City/2015, onde foi eliminada na estreia. Sua última vitória em chaves principais neste nível havia sido no US Open, onde furou o quali e chegou à terceira rodada antes de ser derrotada por Simona Halep.

Os brasileiros

O Brasil começou as semifinais de duplas até com uma chance de ter uma final entre compatriotas, só que tudo deu errado. Primeiro, Thomaz Bellucci e Marcelo Demoliner foram superados pelos colombianos Juan Sebastián Cabal e Robert Farah por duplo 6/4. O grande momento de frustração, contudo, viria mais tarde.

Bruno Soares e Marcelo Melo entraram na Quadra 1 cheios de expectativa, mas desde o primeiro set ficou claro que a noite seria difícil. David Marrero e Pablo Carreño Busta fecharam o primeiro set por 6/2. Empurrados pela torcida – havia filas para entrar na Quadra 1, com capacidade para 1.200 pessoas – os mineiros reagiram e forçaram o match tie-break, mas duas duplas faltas machucaram.

Primeiro, com Melo, o que permitiu aos espanhois sacaram na frente o tempo inteiro. Mais tarde, depois de devolver uma mini-quebra, Soares fez uma dupla falta quando tinha o serviço em 6/7. Os “visitantes” não deram mais chances e fecharam em 6/2, 3/6 e 10/7.

O resultado encerrou uma série de 17 vitórias de Bruno Soares. Na sequência, o mineiro venceu o ATP de Sydney, o Australian Open em duplas e mistas e somou mais dois triunfos no Rio de Janeiro.

Coisas que eu acho que acho:

– No mesmo dia, o torneio perdeu Thiem, os mineiros e Nadal. Será que a organização está feliz com a programação de domingo?

– Aliás, estaria feliz quem pagou R$ 640 por um ingresso para a final e vai ver Pablo Cuevas x Guido Pella?

– A eliminação dos mineiros fez a organização mudar o horário da final de duplas, inicialmente programada para acontecer na Quadra Guga Kuerten depois da final masculina. Agora o jogo será na Quadra 1, sem televisão, mais cedo.


Rio Open, dia 4: Paula ainda sonha, Thiago tomba e Bellucci vende pipoca
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Alexandre Cossenza

Rafael Nadal empolgou por algum tempo, brasileiros saíram vitoriosos em todos jogos de duplas, Paula Gonçalves manteve vivo o sonho na chave feminina, e Thiago Monteiro não conseguiu um segundo “milagre”. Sem chuva, o Rio Open viu muito tênis de qualidade nesta quinta-feira e quem esteve no Jockey Club Brasileiro teve a sensação de que o torneio finalmente embalou.

O dia ainda teve Thomaz Bellucci vendendo pipoca, Rafa Nadal encontrando um craque do Vasco e, fora do Rio Open, a notícia de que Novak Djokovic ainda cobra judicialmente uma dívida do Estado do Rio de Janeiro. Role a página e leia tudo!

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O fim do sonho

Foi um primeiro set equilibrado, que escapou no tie-break. Na virada de lado, Thiago Monteiro vencia por 4/2. Porém, o experiente uruguaio Pablo Cuevas, 30 anos e #45 do mundo, se salvou e levou o game de desempate. Quando o veterano conseguiu uma quebra no terceiro game da segunda parcial, foi como se soassem as 12 badaladas para o cearense, #338 do mundo. Monteiro não teve mais nenhuma chance de quebra e perdeu o serviço novamente no nono game, decretando o fim da memorável passagem pelo Rio Open: 7/6(5) e 6/3.

Com os 45 pontos somados no evento, o cearense de 21 anos pulará provavelmente para o grupo dos 280 melhores do mundo. Ainda não será o melhor ranking da carreira (Monteiro foi #254 em novembro de 2013), mas será um belo salto que pode ganhar novo impulso em São Paulo. Nesta quinta, a organização do Brasil Open oportunisticamente ofereceu um wild card para o cearense na chave principal. Vale ficar de olho nele por lá também.

Os favoritos

Contra Nicolás Almagro, Rafael Nadal lembrou mais um pouco “daquele” Rafael Nadal que o mundo se acostumou a ver no saibro. Pelo menos no primeiro set, quando tomou a dianteira logo no começo e manteve a vantagem até fechar a parcial em 6/3. Merece destaque especial o nono game, em que Almagro teve três break points seguidos (0/40), e o ex-número 1 do mundo escapou de todos brilhantemente.

O segundo set não foi tão empolgante, e Nadal perdeu o saque duas vezes – em ambas, logo depois de quebrar Almagro. Só que o ex-número 1 aproveitou o nervosismo de Almagro, que estava descontente com os juízes de linha e desandou a errar e cedeu um saque pela terceira vez seguida no 11º game. Nadal, então, confirmou e fez 6/3 e 7/5.

Nem tudo foi ruim no dramático segundo set. Nadal também brilhou e inclusive fez esse ponto abaixo, lembrando “aquele” Nadal.

Na coletiva, Nadal, além de se mostrar feliz com o primeiro set, que classificou como “muito bom, muito completo, com muito poucos erros, fazendo o que tinha que fazer”, admitiu que ficou um pouco nervoso no fim da segunda parcial.

Vale destacar também que o cabeça de chave 1 do torneio revelou ter ficado preocupado com uma menina que ficou espremida por outros fãs quando esperava por um autógrafo. “Quando há muita gente, fica perigoso para eles. Me preocupou porque havia uma jovem que estava chorando porque estavam lhe apertando.”

Nadal, porém, não culpou o torneio. “Não é nada de novo, é muito difícil evitar que isso aconteça e é lógico também que os fãs tenham a opção de querer uma foto ou um autógrafo. Eu, para evitar que isso aconteça, o que posso fazer é não dar autógrafos e não tirar fotos, mas me pareceria uma grande falta de educação.”

Ao fim do jogo, Nadal recebeu a visita do atacante Nenê, do Vasco. O brasileiro jogou no Mallorca ao lado de Miguel Ángel Nadal, tio do tenista, em 2004.

David Ferrer, cabeça de chave 2, teve mais trabalho com o compatriota Albert Ramos Viñolas, que venceu o primeiro set, mas perdeu o embalo após ir ao banheiro e, na volta, ouvir reclamações de Ferrer, que achou ruim o tempo levado pelo oponente para sair e voltar à quadra. Coincidência ou não, o número 6 do mundo disparou na frente no segundo set e acabou vencendo a parcial decisiva. O placar final mostrou 4/6, 6/1 e 6/4.

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Os brasileiros

A dupla olímpica formada por Marcelo Melo e Bruno Soares (que jogarão juntos no Rio e em São Paulo) voltou à Quadra 1 para continuar a partida contra os também brasileiros Fabiano de Paula e Orlando Luz. O jogo foi interrompido na noite anterior com o placar ainda em 2/0 para Soares e Melo e recomeçou nesta quinta com os mineiros perdendo o serviço. Foi, no entanto, o único momento de quase-equilíbrio da tarde. Os favoritos fizeram 6/2 e 6/3, sem problemas.

Após o jogo, ainda na Quadra 1, Marcelo Melo foi homenageado pelo torneio e ganhou uma bandeja comemorativa pelo posto de número 1 do mundo. Foi uma cerimônia curta e sem muita pompa, mas valeu pela torcida fazendo o coro de “Girafa, Girafa” e pela surpresa do número 1 do mundo.

Soares e Melo, cabeças de chave 1 do torneio, enfrentarão nas quartas de final Dusan Lajovic e Dominic Thiem e podem até fazer um confronto brasileiro nas semifinais. Feijão e Rogerinho também estrearam com vitória nas duplas e bateram o austríaco Philipp Oswald, atual campeão do torneio, e o argentino Guillermo Duran por 6/2, 6/7(3) e 10/8. Nas quartas, os paulistas vão encarar os espanhois Pablo Carreño Busta e David Marrero.

Também pela chave de duplas, Thomaz Bellucci e Marcelo Demoliner fizeram o jogo mais animado da Quadra 1, com intensa participação do público. Paulista e gaúcho perderam o primeiro set, mas reagiram na segunda parcial contra Aljaz Bedene e Albert Ramos e venceram no match tie-break: 6/7(6), 7/6(4) e 10/4. Eles enfrentam Paul-Henri Mathieu e Jo-Wilfried Tsonga nas quartas.

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Depois da vitória nas duplas, Bellucci participou de uma ação promocional do Cinemark. A ideia era disfarçar o número 1 do Brasil e ver se os consumidores o reconheceriam. Foi divertido, embora poucas pessoas tenham aparecido – a gravação aconteceu durante a partida entre Thiago Monteiro e Pablo Cuevas, a única no complexo naquele momento.

Parece (pelo menos para mim) questionável uma ação que associa pipoca a um atleta bastante criticado em redes sociais, mas é bacana ver que Bellucci participou sem se mostrar preocupado com isso.

Paula e o melhor ranking da carreira

Na chave feminina, a única sobrevivente brasileira aprontou mais uma zebra e eliminou a sueca Johanna Larsson, #48 do mundo e cabeça de chave 2 do Rio Open: 6/4 e 6/4. A melhor campanha da vida da paulista lhe coloca nas quartas de final contra a americana Shelby Rogers, #131.

Atual número 285 do ranking mundial, Paula já soma 66 pontos com a campanha na Cidade Maravilhosa e, mesmo que perca nas quartas, possivelmente estará entre as 220 primeiras na lista que será divulgada na próxima segunda-feira. Será sua melhor posição na carreira, superando o 238º posto ocupado na semana de 15 de junho do ano passado.

O melhor estande

O Leblon Boulevard – área de convivência do Rio Open – continua muito bem servido na questão alimentícia, apesar dos preços. Um combo de pipoca e duas bebidas no food truck do Cinemark custa R$ 43, por exemplo.

Na parte de entretenimento, há menos opções do que no ano passado (alguns conhecidos sentiram falta dos jogos do Itaú e da Peugeot, por exemplo). Mas o estande da Pirelli se destaca, com um excelente simulador de Fórmula 1. Por cinco minutos o visitante pode pilotar – de graça – no circuito de Interlagos. O game é ótimo, o carro reage gloriosamente aos comandos dos pedais e do volante, e as três telas em frente ao bólido ajudam o visual da simulação. Recomendo muito.

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A dívida

Publicado nesta quinta-feira no UOL: Novak Djokovic cobra R$ 650 mil do Governo do Estado do Rio de Janeiro pela exibição feita no Brasil, em 2012, com Gustavo Kuerten. O Estado se comprometeu a pagar um cachê de R$ 1,1 milhão ao sérvio, mas o número 1 do mundo afirma ter recebido apenas R$ 450 mil. A íntegra da reportagem está neste link.

Vale lembrar que o mesmo Estado do Rio de Janeiro dá ao Rio Open R$ 10 milhões em forma de incentivos fiscais.


Rio Open, dia 3: a gigante zebra brasileira e, sim, mais chuva
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Alexandre Cossenza

A quarta-feira murcha no Rio Open, com duas interrupções por causa de chuva, teve um ponto alto – altíssimo. O cearense Thiago Monteiro derrubou o top 10 Jo-Wilfried Tsonga. O período de bom tempo ainda foi suficiente para um bate-bola com 21 títulos de Grand Slam em quadra e uma cena curiosa (e divertida) na sala de coletivas. O resumo do dia ainda fala sobre os desafios de se jogar no circuito sul-americano de saibro e sobre o “mistério da lona”. Leia e saiba de tudo!

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A zebra

De um lado, o número 9 do mundo e duas vezes semifinalista de Roland Garros (2013 e 2015), Jo-Wilfried Tsonga. Do outro, Thiago Monteiro, 21 anos, #338 no ranking, em seu primeiro jogo de chave principal de torneio ATP na carreira. Barbada, certo? Errado. Em uma atuação memorável, o cearense derrubou o favoritíssimo por 6/3, 3/6 e 6/4 e avançou às oitavas de final do torneio. Pela primeira vez desde Marselha/2012, um tenista fora do top 300 bateu um top 10.

Foi a primeira vitória da vida de Monteiro em um evento deste porte. Por outro lado, Tsonga não perdia para um tenista de ranking tão baixo desde 2004, quando foi superado pelo australiano Paul Baccanello (#416) em setembro de 2004, em um Challenger em Pequim. Na ocasião, Tsonga ainda era o #194 do mundo e estava em seu terceiro ano no circuito profissional.

Outra curiosidade: foi também a primeira entrevista coletiva da vida de Monteiro, que sentou-se ao microfone dizendo “Nunca entrei numa sala assim, mas estou bem, vou poder responder” e ganhando risos dos jornalistas. Na conversa, o cearense falou de seu plano tático, de como tentou mexer Tsonga, que parecia não estar se movimentando bem no terceiro set, e da influência de Guga em sua vida (o Instituto Guga Kuerten agencia sua carreira).

Indagado se Tsonga teria desmerecido o adversário, Monteiro respondeu “não percebi. Estava focado no meu jogo, buscando fazer o meu melhor e me dedicando. Não prestei atenção nas atitudes ou outras coisas dele.” Vale destaque especial a declaração do brasileiro sobre a principal consequência da vitória desta quarta: “Foi uma surpresa saber que você tem condições de seguir trabalhando e chegar nesse nível. Me fez acreditar muito mais em mim.”

Como aconteceu

Tsonga demorou a acordar para o jogo, e Monteiro não bobeou. Apostando em uma estratégia de bolas altas e fazendo o francês se movimentar sob o calor carioca, o cearense conseguiu a primeira quebra no sétimo game, depois de perder break points no terceiro e no quinto. O 6/3 da parcial talvez nem tenha sido um reflexo do quão melhor o brasileiro vinha sendo em seu plano de jogo.

O único vacilo do dia veio no primeiro game do segundo set. Com um par de erros bobos, Monteiro perdeu o serviço e colocou Tsonga na partida. O francês aproveitou e, errando bem menos, manteve a vantagem até quebrar outra vez, fazer 6/3 e forçar o terceiro set. E foi aí que o cenário mais provável insistiu e não acontecer. O brasileiro resistiu, seguiu com seu plano de jogo e seguiu à espera de uma chance no saque de Tsonga. Monteiro inclusive saiu de um desconfortável 0/30 no segundo game e de um perigoso 30/30 no sexto.

O favorito, enfim, escorregou. No nono game, em sequência, fez duas duplas faltas e espirrou uma bola, dando a quebra a Monteiro. O brasileiro ainda salvou dois break points no game seguinte (Tsonga cometeu erros não forçados) antes de subir à rede e ver a bola do oponente morrer na rede.

Monteiro agora enfrentará Pablo Cuevas, #45 do mundo, que, apesar do ranking, promete ser um desafio diferente e, talvez, ainda maior no saibro.

Sobre o saibro sul-americano

Tsonga encerra a participação em seu tour sul-americano de forma não muito diferente de Jack Sock e John Isner, outros dois tenistas que costumam jogar em quadras duras nesta época do ano. O francês jogou dois torneios e somou apenas uma vitória – em Buenos Aires, sobre Leo Mayer. No Rio, os três foram eliminados por tenistas que têm o saibro como habitat natural.

A questão do circuito saibro sul-americano é um desafio muito maior para os tenistas “de quadra dura” do que o piso em si. Até porque os três eliminados (Sock, Isner e Tsonga) têm no currículo bons resultados na terra batida. Parte da questão é que Rio e Buenos Aires são torneio disputados com sob muito calor e umidade, o que deixa os eventos mais desgastantes do que a média do circuito.

Mas não é só isso. Talvez a maior parte do problema seja encontrar adversários que: 1) dependem do saibro para viver; e 2) estão acostumados a jogar em condições assim. Para gente como Delbonis e Pella, a circuito sul-americano é a melhor chance do ano para pontuar. Quase todos jogos são vida-ou-morte para eles e muitos outros nascidos no continente. Gente como Tsonga, Isner e Sock não encara assim essa sequência (ou dupla) de torneios. É mais um jogo.

Carta vez, Marat Safin, já aposentado, deu a melhor definição para esse cenário. Em entrevista antes de uma exibição no Rio de Janeiro, alguns anos atrás, um jornalista perguntou ao russo por que ele havia jogado tão pouco na América do Sul durante sua carreira. Safin explicou que Costa do Sauípe (na época) e Buenos Aires davam poucos pontos (250) e exigiam muito. Em vez de atuar no calor por três horas contra Coria, Gaudio ou Meligeni (que estava sentado à mesa), preferia jogar na quadra dura indoor, onde as partidas duram menos e as arenas têm ar-condicionado. Difícil discordar do russo, não?

Os (outros) brasileiros

A dupla olímpica formada por Marcelo Melo e Bruno Soares (que jogarão juntos no Rio e em São Paulo) entrou cheia de expectativa e favoritismo na Quadra 1 contra os também brasileiros Fabiano de Paula e Orlando Luz. Com Dominic Thiem e Diego Schwartzman na Quadra Guga Kuerten (central), muita gente ficou sem conseguir ver os brasileiros na Quadra 1, que tem capacidade para 1.200 pessoas – a quem interessar, Bruno e Marcelo pediram para jogar lá.

A partida, no entanto, não terminou. Quando o placar ainda mostrava 2/0 para Soares e Melo, a chuva apareceu pela segunda vez no dia e demorou tanto que o Twitter do torneio anunciou o cancelamento de todos os jogos restantes às 21h36min. Havia duas partidas inteiras por realizar na Quadra Guga Kuerten: Ferrer x Ramos Viñolas e Giraldo x Pella.

Vale registrar que André Sá entrou em quadra mais cedo e acabou eliminado. Ele e o argentino Máximo González foram derrotados na estreia por Federico Delbonis e Paolo Lorenzi por duplo 6/4.

A homenagem adiada

A programação da noite desta quarta-feira previa uma homenagem para Fernando Meligeni e Alcides Procópio, nomes importantes da história do tênis brasileiro. A cerimônia foi adiada para a noite de quinta.

Os abandonos

Fabio Fognini foi o desfalque mais sentido do dia. O italiano havia vencido o primeiro set sobre Daniel Gimeno Traver, mas começou a sentir dores nas costas logo no início da segunda parcial. Pediu atendimento e teve o local enfaixado, mas desistiu quando perdia a parcial por 3/1.

Quem também teve problemas nas costas foi Jack Sock, que abandonou a partida de duplas. A curiosidade é que ele e Nicholas Monroe venciam Jo-Wilfried Tsonga e Paul-Henri Mathieu por 6/4 e 3/0. Sock, já eliminado da chave de simples, abandonou o torneio durante uma das paralisações por causa da chuva.

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A desinformação

A eliminação de Jack Sock provocou uma cena curiosa – e engraçada – quando Jo-Wilfried Tsonga apareceu para dar sua entrevista coletiva. Com o monitor da sala de imprensa mostrando “partida suspensa” (mensagem padrão para interrupções por causa de chuva), um jornalista perguntou se era a primeira vez que o francês concedia uma coletiva no meio de um jogo. Tsonga reagiu com expressão confusa e disse que havia vencido o jogo. Foi aí que os jornalistas descobriram sobre a desistência de Jack Sock.

O melhor bate-bola

Aconteceu numa das quadras externas do Jockey Club Brasileiro e envolveu 21 títulos de Grand Slam. A brasileira Maria Esther Bueno, dona de 19 troféus, bateu bola com a italiana Flavia Pennetta, atual campeã do US Open, aposentada e ainda número 7 do ranking mundial.

O mistério da lona

Uma das perguntas mais frequentes no Jockey Club Brasileiro é “onde está a lona?”, já que a organização do torneio optou por não cobrir as quadras durante as várias vezes em que a chuva deu as caras – ou os pingos.

O diretor do torneio, Lui Carvalho, justifica explicando que a drenagem da Quadra Guga Kuerten é excelente e levaria mais tempo para tirar a água de cima da lona do que para deixar a quadra absorver o líquido naturalmente.


Rio Open, dia 2: mais chuva, mais Nadal na madruga e Paula salva o Brasil
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Alexandre Cossenza

Muito sol e muita chuva. O tema do primeiro dia do Rio Open se repetiu nesta terça-feira, que tinha 27 partidas distribuídas em cinco quadras. As primeiras horas foram de um calor sufocante. As últimas, de suspense a apreensão pelos pingos que insistiam em molhar o saibro do Jockey Club Brasileiro. A rodada só terminou depois da 0h, com uma cena familiar: Nadal em quadra na madrugada carioca.

O espanhol venceu sem encantar, como fez seu compatriota David Ferrer. Assim como não empolgaram os resultados brasileiros do dia. Thomaz Bellucci e Teliana Pereira, principais nomes do país nas chaves de simples, se despediram logo na estreia. Feijão, idem. Quem manteve o país vivo foi Paula Gonçalves, que aproveitou o embalo do qualifying e triunfou mais uma vez. Perdeu alguma coisa? Então este resumaço é para você. Role a página e fique por dentro.

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Os favoritos

Com mais ou menos facilidade, os principais candidatos ao título no Rio de Janeiro avançaram à segunda rodada. O primeiro deles a vencer foi David Ferrer, que passou maus momentos diante de Nicolás Jarry, #493, 20 anos e convidado da organização do torneio. O chileno teve cinco set points na segunda parcial, mas não conseguiu fechar e viu o espanhol fazer 6/3 e 7/6(3).

Na coletiva, o #6 do mundo disse ter encontrado dificuldade com a umidade carioca e se mostrou insatisfeito com o nível de tênis aproveitado. “De positivo, tiro apenas o aspecto metal”, declarou. Ferrer também elogiou Jarry e disse que o chileno tem um ótimo saque e potencial para crescer. A movimentação de pernas, segundo o espanhol, é uma das coisas que o chileno precisa melhorar.

O último a entrar em quadra foi Rafael Nadal, que enfrentou Pablo Carreño Busta e a chuva, que interrompeu o duelo ao fim do primeiro set. Com a meia-noite se aproximando, os dois reiniciaram a partida sob pingos (mas foram chamados quando a chuva havia dado uma trégua).

Enquanto isso, o jogo entre Jo-Wilfried Tsonga e Thiago Monteiro, que já havia sido transferido da Central para a Quadra 1, acabou adiado de vez.

No segundo set, Nadal perdeu uma quebra de vantagem – cena tão comum em seus jogos ultimamente – e demorou a estabelecer nova vantagem, mas finalmente fechou em 6/1 e 6/4. De modo geral, foi uma ótima atuação no primeiro set, diante de um Carreño Busta abaixo do normal, e um desempenho bom, mas nada empolgante após a chuva – ainda que com uma quadra pesadíssima, algo que o ex-número 1 apontou como motivo para a mudança de ritmo do encontro.

O que será deste Nadal inconstante de hoje diante de Nicolás Almagro, alguém que promete incomodá-lo muito mais na segunda rodada? Fica desde já a expectativa por um jogo que promete emoções fortes.

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Finalmente, Fabio Fognini teve bem menos trabalho e derrotou Aljaz Bedene por 7/5 e 6/3. A facilidade talvez explique por que o italiano aproveitou para fazer uma aparição no bar da Stella Artois, patrocinadora do torneio. Quanto a Dominic Thiem, campeão em Buenos Aires, o austríaco manteve a sequência e passou sem drama pelo espanhol Pablo Andújar: 6/3 e 6/4.

Bellucci: mais baixos que altos

O adversário era complicado, e os desafios impostos pelas variações de Alexandr Dolgopolov provaram-se um obstáculo alto demais para Thomaz Bellucci superar. Pela terceira oportunidade em três jogos, o ucraniano derrotou o brasileiro, fazendo 6/7(3), 7/5 e 6/2. Desta vez, porém, em um encontro cheio de variações.

Além das oscilações de ambos, que trocaram quebras nos dois primeiros sets, o clima afetou a partida. O jogo foi interrompido quando Bellucci sacava em 5/6 e 30/30 no primeiro set. Como não havia lona na quadra, o duelo só foi retomado mais de 2h30min depois, com o saibro bem mais pesado. Dolgopolov quebrou o serviço do brasileiro rapidamente e forçou a parcial decisiva.

O ucraniano começou mal o terceiro set e deixou Bellucci fazer 2/0, mas foi só. Como em um estalar de dedos, de maneira bem típica, Dolgo parou de errar, freou Bellucci e tomou o controle do jogo. É bem verdade que o brasileiro viu seu nível cair, mas o ritmo encontrado pelo ucraniano foi impressionante.

Na coletiva, o paulista avaliou ter feito um terceiro set melhor que os dois anteriores, mas disse também que Dolgopolov começou a parcial “com uma proposta muito mais agressiva, de tirar meu tempo, de atacar muito mais, e isso me dificultou muito mais.”

Bellucci se recusou a revelar a origem do problema físico que motivou seu pedido de atendimento médico no segundo set, mas disse que não influenciou o resultado. A negativa do #1 do Brasil em falar sobre o assunto fez parte da imprensa acreditar que se tratava daquele tipo de problema estomacal do qual ninguém gosta de falar publicamente. E ficou por isso mesmo.

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Feijão: mais longe do sonho olímpico

Feijão deu sequência ao seu momento instável e foi eliminado pelo argentino Diego Schwartzman, #90, por 6/3 e 6/2. O paulista abriu 3/1 e sacou em 3/2 no set inicial, mas, como ele mesmo avaliou na entrevista coletiva, as coisas não vêm acontecendo naturalmente para ele desde “aquela” Copa Davis. Contra um tenista tão regular quanto Schwartzman, era preciso mais consistência.

Em queda no ranking (hoje é o #168), Feijão está cada vez mais longe da zona de classificação para os Jogos Olímpicos e com apenas quatro meses pela frente para somar pontos. O paulista, que estava otimista no fim do ano passado, já passa a considerar que a possibilidade de ficar fora do torneio olímpico é grande.

“Para mim, seria um sonho. Seria uma experiência inesquecível, mas eu ainda tenho 27. Daqui a quatro anos, vou ter 31. Pode ser em Tóquio também, não tem problema. Se tiver que ser lá vai ser. Se não for, fazer o quê? É vida que segue. O mundo não vai acabar, isso aqui não vai desabar na nossa cabeça porque eu não vou jogar uma Olimpíada.”

As brasileiras

Paula Gonçalves teve a tarefa de abrir a programação da Quadra Guga Kuerten às 11h30min contra a israelense Julia Glushko e aproveitou o bom momento que adquiriu no qualifying. Mesmo com as menos de 500 pessoas vendo seu jogo (em uma arena onde cabem mais de 6 mil), a paulista fez 6/3 e 6/1 e garantiu seu lugar na segunda rodada.

Atual número 285 do mundo e com 25 anos, Paula acabaria se tornando a única brasileira a vencer nas simples. Teliana Pereira, #1 do Brasil, #43 do mundo e principal cabeça de chave do Rio Open, foi derrotada na estreia pela croata Petra Martic, #162, com parciais de 6/3 e 7/5.

Martic foi melhor que Teliana no estilo de jogo da brasileira: errando pouco e alongando as trocas de bola. A croata, porém, foi inteligente nas variações, usou slices de forma oportuna e aguardou pacientemente os erros da brasileira. Teliana chegou a abrir 4/1 no segundo set, mas foi menos consistente que a rival.

A notícia boa é que Teliana não saiu triste da quadra. A pernambucana se disse surpresa com a consistência de Martic, mas admitiu que a croata foi melhor em quadra. A #1 do Brasil afirmou também, com boa pitada de otimismo, que o jogo desta terça foi provavelmente sua melhor apresentação em 2016. Vale lembrar que Teliana ainda não venceu em 2016. Antes do Rio Open, ela somou três derrotas em Brisbane, Hobart e Melbourne.

Duas declarações de Teliana foram importantes. Primeiro, afirmou que precisa se manter entre as 50 melhores do mundo antes de pensar em alcançar o top 30 ou o top 20. Em seguida, mostrou-se feliz com o triunfo de Paula Gonçalves “porque o tênis feminino precisa disso. As meninas precisam evoluir e me sinto um pouco responsável por isso. Elas veem que se a Teliana está ali, por que elas também não podem? Não quero ser a único top 100 ou top 50.”

A homenagem

Deveria ter acontecido na segunda-feira, mas o ralo entupido e o saibro submerso impediram. Nesta terça, Gustavo Kuerten foi finalmente homenageado e recebeu uma cópia da placa que ficará na quadra de saibro com seu nome do Jockey Club Brasileiro. Vale lembrar: a estrutura montada para o Rio Open é provisória. Após o torneio, fica só a quadra – a área de jogo – para os associados.

A “experiência sul-americana” dos gringos

Um dia depois da eliminação de John Isner, Jack Sock deu adeus ao Rio Open. Os dois americanos sucumbiram de maneiras bem diferentes, mas com cenários que tinham elementos em comum. Ambos enfrentaram saibristas argentinos e tiveram de lidar com os cruéis “elementos” da natureza.

Se Isner teve de esperar quatro horas e encarar um saibro pesadíssimo por causa da chuva, Sock entrou em quadra pouco antes das 13h, sob um calor infernal. Até teve uma quebra de frente no set inicial, mas desperdiçou a vantagem e oscilou apenas o bastante para Federico Delbonis levar a parcial.

O segundo set, com o calor ainda pior, Sock ofereceu menos resistência e sucumbiu por 7/5 e 6/1. Foram apenas 77 minutos de jogo, mas naquela temperatura era o suficiente para deixar o torcedor com a sensação de um leitão grelhado lentamente num fogão a lenha.

A registrar: dos cerca de 50 lugares existentes na Quadra 4, onde Sock, Delbonis, Thiem e Andújar jogaram, um terço deles não tem visibilidade para toda área de jogo. Onde consegui lugar no primeiro set (e nem era tão no canto da arquibancada!), só conseguia ver um dos tenistas na maior parte do tempo.

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Rio Open, dia 1: o naufrágio da Quadra Guga Kuerten e uma lição olímpica
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Alexandre Cossenza

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A segunda-feira que começou quente, com céu limpo e previsão de temperaturas acima dos 40 graus, mas acabou molhado e com meia dúzia de jogos cancelados. A chuva veio forte e rápido, deixando a Quadra Guga Kuerten sob um palmo de água, o que causou um atraso gigante na programação. O estado submerso da arena inclusive que fosse realizada a homenagem ao tricampeão de Roland Garros, que empresta seu nome à quadra (que tem estrutura provisória) a partir deste ano.

O temporal fez com que o torneio cancelasse a partida de Fabio Fognini e, depois, o encontro entre Thomaz Bellucci e Alexandr Dolgopolov de volta para o hotel. John Isner e Guido Pella, que tiveram o jogo interrompido por volta das 18h, só voltaram a disputar um ponto às 22h. Americano e argentino, aliás, só haviam disputado 46 minutos de jogo, e a continuidade de sua partida foi especialmente conveniente para a organização do torneio, que precisaria devolver os ingressos – ou efetuar trocas para outras sessões – no caso de menos de uma hora de tênis.

Treino na chuva

Entre as cenas curiosas do dia, vale ressaltar que Rafael Nadal e David Ferrer treinaram na chuva – pelo menos enquanto foi possível.

Vale lembrar que, durante a pequena tempestade, a Quadra Central não foi coberta com uma lona. A justificativa de Lui Carvalho, diretor do torneio, foi de que a chuva caiu muito forte e muito rápido. Por isso, com o volume de água que molhou o saibro, já não se poderia mais fazer uso da lona – que cobriria a água. Talvez valha apontar aqui que a lona não estava na beira da quadra (como fica em Roland Garros, por exemplo) na hora que a chuva veio.

Também é importante registrar que as quadras externas sofreram bem menos com a quantidade de água. A Quadra 5, por exemplo, estava em condições bem melhores no mesmo horário, vide imagem abaixo. Embora a luz indique outra coisa, a foto da Quadra 5 foi feita depois da imagem da Central que está no alto deste post (o que aconteceu por volta das 19h30min).

O diretor, porém, ressaltou que a drenagem da Quadra Guga Kuerten é ótima. O problema desta segunda, ele revelou, foi causado por dois ralos que entupiram e impediram que a água escoasse devidamente. “Quando conseguimos desentupir, teve jogo meia hora depois.”

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As brasileiras

No início do dia, enquanto o clima colaborou, Ana Bogdan eliminou Gabriela Cé por 6/2 e 6/3. Foi a única brasileira que teve uma partida de simples encerrada antes da chuva. Bia Haddad teve sua partida interrompida quando perdia para Sorana Cirstea por 6/2 e 2/0. A interrupção não ajudou tampouco ajudou. A romena, que havia quebrado o serviço da brasileira em todas cinco oportunidades antes da chuva, quebrou mais uma vez na sequência e fechou por 6/2 e 6/1.

O sofrimento no saibro

John Isner saiu derrotado por Guido Pella por 7/6(5), 5/7 e 7/6(8). O americano, contudo, mostrou enorme esforço para vencer no saibro carioca, mais do que justificando o cachê que recebeu. Fez mais de 30 aces, salvou três match points (um deles com um espetacular ace de segundo saque), virou um tie-break complicado e, não fosse por cãibras e um voleio desastroso (talvez uma coisa tenha levado à outra), teria esticado sua passagem pela América do Sul. Diante das circunstâncias desta segunda-feira – quadra pesadíssima e adversário perigoso no saibro, parece injusto classificar o resultado como desastroso.

A programação

A quantidade de partidas canceladas na segunda-feira causou um engarrafamento na programação de terça, e o Rio Open precisou voltar aos horários do ano passado, quando as rodadas começavam às 11h. A solução foi encaixar e distribuir nomes de peso em quadras pequenas.

Feijão, David Ferrer e Nicolás Almagro jogarão na Quadra 1, com capacidade para 1.200 pessoas. Dominic Thiem, campeão do ATP 250 de Buenos Aires, estará na Quadra 4, onde cabem pouco mais de 50 pessoas. Jack Sock enfrentará Federico Delbonis no mesmo local. Juan Mónaco também jogará lá.

A Quadra Guga Kuerten ficou com Paula Gonçalves x Julia Glushko, Teliana Pereira x Petra Martic, Thomaz Bellucci x Alexandr Dolgopolov, Thiago Monteiro x Jo-WIlfried Tsonga e Rafael Nadal x Pablo Carreño Busta. Veja a programação completa aqui.

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O vírus

Fora de quadra, as entrevistas deram assunto para os jornalistas (e salvaram o dia, sejamos sinceros). Um dos temas recorrentes da segunda-feira foi a ameaça do vírus zika, que ganhou manchetes no mundo inteiro. Curiosamente, as perguntas vieram de jornalistas estrangeiros – não vi os jornalistas brasileiros (eu inclusive) muito preocupados com o assunto. Quanto aos tenistas, Ferrer, que deu a primeira coletiva do dia, e Nadal evitaram fazer drama sobre o assunto.

Os dois adotaram um discurso bem parecido, inclusive, dizendo que o torneio havia tomado medidas para evitar mosquitos e que não havia muito mais a fazer. Nadal foi mais enfático, afirmando que viu o povo normalmente nas ruas, indo às praias e aos restaurantes. “Se o povo está vivendo normalmente, imagino que não seja tão grave. Estou saindo à noite, estou feliz aqui, não estou preocupado.”

Bellucci, o valor dos brasileiros e a lição olímpica

A entrevista de Gustavo Kuerten também foi interessante. Entre outras coisas, o tricampeão de Roland Garros, que será homenageado e dará nome à quadra (provisória) central do Rio Open, ressaltou a importância de valorizar os feitos dos tenistas brasileiros. Guga falou em especial de Thomaz Bellucci, que se mantém entre “20, 30, 40 do mundo por cinco anos.” Para o catarinense, “Bellucci recebe muito pouco valor pelo que faz.”

O ex-número 1 também falou sobre as chances de Marcelo Melo e Bruno Soares nos Jogos Olímpicos. Guga ressaltou que a chance de medalha é “claríssima”, mas lembrou que o torneio de duplas é muito acirrado e que o povo brasileiro precisa aprender a valorizar seu atleta independentemente de resultado. “As Olimpíadas vão deixar uma lição importante para a gente aprender. Os maiores atletas do planeta vão estar aqui, e a maioria vai sair derrotada.” Para o ex-número 1, é essencial saber que o esporte vai “além da chance de medalha.”

Thiem e a nova geração

Outro momento que vale destaque foi a resposta de Rafael Nadal, questionado por uma jornalista alemã sobre Dominic Thiem. O espanhol elogiou o jovem austríaco, disse que é um dos melhores nomes da geração e afirmou que esta geração atual, que surge com nomes como Thiem, Zverev e Fritz, é a que provavelmente vai causar a mudança de gerações da qual se fala na ATP há anos. Nadal lembrou, inclusive, que o assunto é recorrente há algum tempo, mas que o circuito continua dominado pelo mesmo grupo de antes.

Correção

Alterei um trecho do primeiro parágrafo nesta terça. O texto dizia “quadra provisória” e dava a entender que tudo era temporário. Na verdade, a quadra de saibro é permanente. As arquibancadas e toda estrutura montada para o Rio Open é que são temporários.


Rio Open: o que já rolou e o que esperar
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Alexandre Cossenza

O maior torneio de tênis da America do Sul começa nesta segunda-feira com muita expectativa – e não seria diferente em uma chave com Nadal, Ferrer, Isner, Tsonga, Sock, Dolgopolov e, claro, Thomaz Bellucci. Mas muita coisa já aconteceu dentro e fora das quadras nos dois dias de qualifying no Jockey Club Brasileiro. Que tal, então, dar uma olhada nas chaves e repassar o que rolou no fim de semana? Role a página, leia tudo e fique por dentro!

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Os homens

Nenhum dos grandes nomes citados acima fez um torneio memorável em Buenos Aires, onde Nicolás Almagro e Dominic Thiem disputaram a final. A boa notícia é que todos chegaram mais cedo ao Rio e estarão mais adaptados ao saibro, o que aumenta a chance de duelos com bom nível técnico.

Entre os principais favoritos, o sorteio da chave não colocou nenhum jogo espetacular na primeira rodada, mas deixou algumas ótimas possibilidades já para a segunda fase, como Nadal x Almagro e Tsonga x Cuevas.

As mulheres

Não tem como jogar para baixo do tapete: a chave feminina (é um WTA International, lembremos) é uma das mais fracas do circuito. Bom para Teliana Pereira, que é a principal cabeça de chave e terá a seu favor o calor carioca.

O sorteio não foi nada bom para as convidadas Bia Haddad e Sorana Cirstea, que se enfrentam já na primeira rodada. Elas duelaram recentemente em um ITF de US$ 25 mil no Guarujá, e a romena derrotou a brasileira nas semifinais por 2/6, 6/3 e 6/1. Quem vencer deve encontrar Polona Hercog (#83, cabeça 5) na sequência.

A chave ainda tem Francesca Schiavone “solta” por ali. A italiana, que hoje é apenas a 114ª do ranking, encara Tatjana Maria (#90, cabeça 7) na estreia, na minúscula Quadra 2 do Jockey Club Brasileiro.

Não há muito que esperar em termos de excelência técnica no evento (se compararmos com o circuito WTA, claro). O melhor cenário possível seria o que aconteceu no fraquíssimo WTA de Florianópolis: uma brasileira indo longe, atraindo público e enchendo a quadra.

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Os brasileiros

Talvez a maior atração brasileira seja a dupla de Marcelo Melo, número 1 do mundo, e Bruno Soares, campeão do Australian Open. Os dois, que atuarão juntos nos Jogos Olímpicos Rio 2016, formarão time no Rio Open, o que já gera uma expectativa enorme. Os mineiros são os cabeças de chave número 1 e estrearão contra os compatriotas Fabiano de Paula e Orlando Luz.

A chave de duplas não está nada fraca. Os cabeças 2 são os colombianos Juan Sebastian Cabal e Robert Farah, enquanto Pablo Cuevas e Fabio Fognini são os cabeças 3, que em tese encontram os mineiros nas semifinais. Vale ainda prestar atenção em Philip Petzschner / Alexander Peya, Jo-Wilfried Tsonga / Paul-Henri Mathieu, e Jack Sock / Nicholas Monroe.

Nas simples, Thomaz Bellucci teve o pior sorteio possível considerando sua posição como oitavo cabeça de chave. Não só caiu no quadrante de Rafael Nadal (possível confronto de quartas de final) como estreará contra Alexandr Dolgopolov, ucraniano contra quem costuma ter problemas.

Eles já se enfrentaram duas vezes, e Dolgo venceu todos os quatro sets. O último jogo foi em Sydney, no começo deste ano, e o ucraniano aplicou 6/1 e 6/4. O copo-meio-cheio para Bellucci é que os confrontos anteriores foram em quadra dura. Talvez o saibro lhe seja mais favorável. Vale lembrar, porém, que Dolgopolov foi vice-campeão do Rio Open em 2014.

Feijão teve mais sorte. Convidado da organização, o paulista enfrentará o argentino Diego Schwartzman na estreia. Se vencer, pega Thiem ou Andújar. Feijão não vem jogando o mesmo nível de tênis do ano passado, quando foi semifinalista no Brasil Open e chegou às quartas no Rio, mas sabe jogar com a torcida e terá a chance de contar com o público para lhe empurrar em um momento tão importante. Feijão é hoje o #168 e ainda precisa defender os 90 pontos do Rio Open de 2015 (os 90 de São Paulo foram descontados nesta segunda-feira).

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As brasileiras

Teliana Pereira, querendo admitir ou não, é forte candidata ao título do torneio. Não só pelo nível da chave, mas pelo saibro e pelo clima. Enquanto isso, Gabriela Cé, convidada da organização, joga sem pressão.

A boa notícia do fim de semana ficou por conta de Paula Gonçalves, que furou o qualifying e chegou à chave principal para enfrentar a israelense Julia Glushko na primeira rodada. Nem de longe é o pior dos cenários.

Paula, lembremos, jogou a chave principal em 2014 e 2015 e somou duas derrotas para a paraguaia Verónica Cepede Royg. Em 2014, sacou para fechar os dois sets, mas perdeu ambos. Talvez o qualifying tenha dado do ritmo que a paulista precisava para avançar inclusive na chave principal. Vale prestar atenção.

O qualifying deles

Na chave masculina, nenhum dos seis brasileiros passou pelo quali. Rogerinho, André Ghem, Guilherme Clezar, José Pereira, Carlos Eduardo Severino e Orlandinho disputaram. Rogerinho foi o único a vencer na primeira rodada, no sábado, mas acabou derrotado por Gastão Elias no domingo.

Carioca style

Rio de Janeiro é aquela coisa… Quando o povo não está sendo assaltado ou fugindo de arrastões na Linha Vermelha e no Túnel Rebouças, está vendo paisagens e postando fotos nas redes sociais. Não seria diferente em um torneio de tênis. As fotos são muitas, a começar com Fabio Fognini e Flavia Pennetta curtindo o Cristo Redentor.

Na praia de São Conrado, as meninas foram tomar água de coco: Danka Kovinic, Sorana Cirstea, Christina Mchale e Teliana Pereira.

John Isner também curtiu praia e água de coco, mas foi até a Rocinha bater bola com alguns garotos da comunidade.

Jack Sock correu na Lagoa Rodrigo de Freitas e se juntou a Bellucci e Isner para um passeio de helicóptero pela Cidade Maravilhosa.

A programação

O primeiro dia de chave principal no Rio Open tem Gabriela Cé x Ana Bogdan como jogo único da sessão diurna na quadra central, começando às 14h15min. Na sessão noturna, com início não antes das 17h, o torneio escalou Pella x Isner, Bellucci x Dolgopolov e Fognini x Bedene, nesta ordem. Veja a programação completa neste link.

Fora do Rio

Apenas a título de registro, vale a pena ficar de olho em Delray Beach, onde Juan Martín del Potro fez seu muito aguardado retorno às quadras após uma cirurgia no punho esquerdo realizada no dia 18 de junho de 2015.

Seis anos atrás, em 2010, Del Potro também fez um retorno em Delray Beach – também por causa de uma cirurgia no punho (era o direito na época). Naquele ano, o argentino foi campeão sem perder um set sequer.

Del Potro ainda tem “só” 27 anos, já venceu um Slam e constantemente dava trabalho aos melhores do mundo. Entre outros feitos, derrotou Federer numa final de Slam e tirou uma medalha olímpica de Djokovic. Tê-lo em excelente nível outra vez seria fantástico para o tênis.


Rio Open: sobre ingressos, estrutura, bastidores e um pouco mais
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Alexandre Cossenza

Na manhã desta quinta-feira, o diretor do torneio, Luiz Procópio Carvalho, recebeu na sede da IMM alguns jornalistas que acompanham tênis para um café da manhã e um bate papo informal sobre os preparativos para o torneio. Lui, como o diretor é conhecido no circuito, deu muita informação: falou sobre a loucura que será fazer a programação com tantos nomes de peso, revelou detalhes da estrutura da edição 2016 do torneio e deu valiosas informações sobre como aconteceram as negociações com jogadores que o evento queria trazer ao Rio de Janeiro.

Separei abaixo os melhores trechos da conversa que durou cerca de 1h30min. Leiam até o fim porque há dicas importantes sobre o evento.

Quadra Central e valiosos ingressos sobrando

Como já foi anunciado em dezembro, o Rio Open terá apenas quatro jogos por dia na Quadra Central (em vez dos seis de 2014 e 2015). Parte da intenção é poupar os jogadores do calor. A outra parte é evitar que os jogos noturnos se estendam demais, como aconteceu de Nadal entrar em quadra à 1h e sair às 3h da madrugada no ano passado.

Com a chave masculina tão forte e outras atrações importantes (Nadal, Ferrer, Isner, Tsonga, Bellucci, Teliana, Bouchard, Soares e Melo), Lui já prevê que será complicado encaixar todos na arena principal do Rio Open, pelo menos nos primeiros dias do torneio.

O pepino para a organização é, ao mesmo tempo, uma recompensa aos fãs. É bastante provável que quem tiver ingresso para segunda e terça-feira vai ver ótimos nomes nas quadras externas. E vale lembrar que bilhetes da sessão diurna dão direito ao dia inteiro no complexo. O espectador pode chegar e ver o primeiro jogo da Quadra Central e ficar até a noite nas quadras menores.

Tudo depende do sorteio da chave, obviamente, mas é grande a chance de que nomes como Almagro, Fognini, Verdasco, Cuevas e Thiem joguem fora da Quadra Central. Ah, sim: há ingressos sobrando para as quatro sessões de segunda e terça (e nem são os mais caros), então, como dizem por aí, fica a dica.

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Programação

Sobre os jogos femininos, a intenção do torneio é abrir a programação da Quadra Central todos os dias com uma partida da WTA ou de duplas. De cara, a vontade é ter Teliana Pereira e Genie Bouchard nos primeiros dias (segunda e terça, logo no primeiro horário, às 14h15min). Tudo depende, claro, do sorteio da chave e de quando os jogadores chegarão ao Rio de Janeiro.

Sobre as duplas, o Rio Open pediu inclusive uma autorização especial para realizar a final de duplas no domingo, “no prime time”, após a final de simples (o regulamento não permite o jogo de duplas por último). Lui explica que fez o pedido porque possivelmente terá o duplista número 1 do mundo no torneio. Além disso, o diretor existe a possibilidade de Marcelo atuar ao lado de Bruno Soares.

Lui também falou que vem se mantendo em constante contato com André Sá e Bruno Soares – “especialmente o Bruno, que é mais vocal” – para conseguir agradar a todos na montagem da programação de jogos. “Está falado com eles, a gente conversou, eles entendem. Diferentemente do primeiro ano (2014), que foi um erro meu, de comunicação, de não ter falado com eles como ia funcionar o schedule”, explicou Lui.

Negociações com tenistas

Lui conta que “em junho, a gente tinha mais segurança que Nadal e Ferrer voltariam, então a gente queria um nome novo e a gente começou a mapear alguém com perfil ‘brasileiro’. Alguém que seja showman e faça sentido estar aqui. A gente começou a ver Monfils, Tsonga, Berdych e Wawrinka. Aí depende de calendário. Com o Tsonga, a gente deu uma sorte tremenda – e competência, espero – porque ele queria se preparar melhor para Roland Garros e a Copa Davis eles já estavam em conversa para jogar na América Central.”

Com o confronto contra o Canadá marcado para Guadalupe, o Rio Open viu o caminho para fechar com o francês, que tem base em Miami. Monfils, por outro lado, queria ficar na Europa após o Australian Open. Lui também tentou trazer Nishikori, e a negociação caminhou bastante. O torneio até se comprometeu a ceder um jatinho para que o japonês deixasse o Rio rumo a onde quer que fosse (o Japão joga na Inglaterra pela Copa Davis), mas Nishikori acabou decidindo não vir, optando por jogar em Acapulco na semana seguinte – o torneio é em quadra dura.

Quanto a Isner, a negociação começou com uma conversa informal com Justin Gimelstob, técnico do americano. O treinador acredita que Isner deveria jogar mais no saibro, então as negociações caminharam até o anúncio de dezembro. O detalhe é que as conversas começaram com a participação de Buenos Aires e São Paulo, mas o Brasil Open acabou não conquistando ninguém. “Infelizmente, São Paulo não quis dançar com a gente”, disse Lui. A negociação em conjunto continuou com o torneio portenho, que também terá o americano.

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A estrutura

De modo geral, a organização ficou satisfeita com a estrutura de 2015, por isso não haverá grandes mudanças. Ainda assim, houve uma alteração no lado da entrada dos jogadores para evitar tumulto e encurtar o tempo entre as partidas.

O Leblon Boulevard, que Lui chama carinhosamente de “nossa minicidade cenográfica” será um pouco maior, já que há novos patrocinadores. O torneio manteve 85% dos patrocinadores e conquistou outros dez parceiros para 2016. Considerando o momento da economia do país, é um feito e tanto.

O Rio Open terá um novo bar da Stella Artois, construído nos moldes de bares de grandes eventos como o US Open e o Miami Open, que tem lounge e TVs. Será posicionado bem na frente do telão que fica na lateral da Quadra Central.

Na questão de alimentação, fazem parte das novidades o food truck Frites e o Popcorn Truck da rede Cinemark, com pipoca gourmet.

Os banheiros, grande problema da edição da estreia que foi corrigido em 2015, terão a mesma (ótima) estrutura este ano. A novidade é a parceria com a Granado, o que garante a manutenção da qualidade (nenhuma marca patrocina banheiro sujo, então temos um fator tranquilizador a mais).

Nada muda no estacionamento. Ou seja, não há estacionamento do evento. A organização lembra, contudo, que há bolsões perto do Jockey Club Brasileiro: Parque dos Partins, Lagoon, Shopping Leblon, Cobal Leblon e Estapar na rua Jardim Botânico.

Transmissão de TV

Assim como no ano passado, não haverá transmissão dos jogos na Quadra 1 (em 2014, havia estrutura para transmissão de lá).

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Centro Olímpico

É uma questão recorrente, até porque ninguém sabe até agora quem administrará o Centro Olímpico de Tênis após os Jogos Rio 2016. A instalação, aliás, virou alvo de uma pendenga jurídica que só deus sabe como vai terminar. Mas eu divago. A questão é saber se o Rio Open, que continua crescendo apesar da economia brasileira, mudaria para a região do ex-autódromo de Jacarepaguá.

Lui inclusive concordou quando eu disse que a chave do Rio Open deste ano indica que o torneio está crescendo além da capacidade do Jockey Club. “A gente mensura o apetite pelo evento. A gente bota os ingressos à venda, e esgota sábado e domingo em três horas. Se tivesse uma quadra maior, iria vender mais ingresso, mas eu tenho a limitação de espaço do Jockey. A gente quer crescer o evento, mas organicamente. Não dá para fazer uma loucura. A pergunta é ‘o Rio Open dentro do Centro Olímpico tem uma quadra lotada?’ É difícil de responder. Botar dez mil pessoas constantemente… Porque é isso que a gente quer. A gente quer quadra lotada de segunda a domingo.”

Lui não dá uma resposta definitiva e lembra que existe a questão política que decidirá o que vai acontecer com o Centro após os Jogos, mas insiste em dizer quer “continuar crescendo o evento” e abraçar a oportunidade de se tornar um Masters 1.000 se ela se apresentar. “Acho que não é um sonho a América do Sul pleitear um Masters 1.000. Acho que agora a gente está num momento que faz sentido. A Europa tem, a Ásia tem, por que a América do Sul não tem? É um ponto questionável, e a gente gostaria de estar nessas conversas se isso for cogitado.”

Projetos sociais

O torneio ainda não anunciou oficialmente, mas haverá parcerias com três projetos sociais. Não só porque existe uma necessidade de boleiros, mas porque Lui lembra que “é uma coisa pessoal. Meu pai foi pegador de bola na infância, virou rebatedor, virou professor, tem uma academia de tênis e construiu o que ele tem graças ao tênis. O tênis não só forma profissionais como Julinho e Rogerinho, mas forma cidadãos. A história da minha família eu agarro com muito orgulho.”

O Rio Open cede bolas usadas para projetos sociais, mas dá material e alimentação para todos meninos e meninas. Além disso, cerca de 10-12 jovens com mais de 18 anos de projetos sociais que vão trabalhar no torneio nas áreas de tecnologia, entretenimento, ticketing e outras.

Também haverá um torneio entre cinco projetos sociais. As crianças serão misturadas (nada de um projeto jogando contra o outro) e formarão cinco equipes que se enfrentarão em partidas realizadas na Quadra 1 do Rio Open. A equipe campeã vai tirar uma foto com o tenista de der nome ao time. Se o Time Nadal for campeão, o grupo faz o clique com o eneacampeão de Roland Garros.

Na segunda-feira, primeiro dia da chave principal, o Rio Open distribuirá 400 ingressos para vários projetos sociais. A intenção é sempre “para incentivar a seguir no esporte mesmo. Eu acredito em formar melhor cidadãos.”

Coisas que eu acho que acho:

– Apenas por curiosidade (mesmo sem achar que teria uma resposta definitiva), perguntei se o cachê de Rafael Nadal havia diminuído depois de uma temporada abaixo das expectativas. Lui sorriu e respondeu: “Nadal é Nadal, amigo. Nadal é Nadal. Para mim, se Nadal chegar número 1 ou 25… É mais para a imprensa escrever porque é Nadal, cara. As pessoas continuam querendo ver.”

– Lembrete importante: as chaves do Australian Open foram sorteadas nesta sexta-feira (noite de quinta no Brasil). Até amanhã o blog terá os tradicionais posts sobre as chaves masculina e feminina. Até lá!


Bouchard no Rio: todo mundo ganha
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Alexandre Cossenza

Como o importante ontem era publicar a notícia de Eugenie Bouchard confirmada no Rio Open, deixei os comentários e opiniões para o post de hoje. Então vamos nessa. É ponto pacífico que um nome como o de Eugenie Bouchard agrega ao torneio carioca. Vejamos então os porquês.

Bouchard vende. Essa é a primeira questão e talvez a mais importante do ponto de vista da organização do torneio. Do ponto de vista dos promotores, tenistas com essa característica são tão ou mais importantes do que, digamos, um David Ferrer. Sim, é essencial que o evento tenha alto nível esportivo, mas de nada adiantaria se não vendesse ingressos e não desse retorno de mídia. Bouchard, assim, como Tsonga, atrai mais público mais do que um Ferrer ou um Fognini.

O caso da canadense ainda é mais evidente porque Bouchard, 21 anos, bonita e vencedora, foi eleita pela SportsPro Media como a atleta com maior apelo comercial do mundo. Seus parceiros publicitários incluem as gigantes Nike e Coca-Cola, entre outros. Sua lista de fãs inclui o polêmico “Genie Army”, atraído talvez mais pela beleza do que pelo tênis da jovem. Tudo isso forma um pacote atraente para quem consegue Bouchard em seu torneio.

Okay, é verdade que a publicação da SportsPro aconteceu antes de Genie se envolver na polêmica do “não handshake” da Fed Cup, de sofrer uma dúzia de derrotas incompatíveis com seu ranking e de sofrer a estranha concussão em um vestiário do US Open. É possível que o desastroso (e desastrado?) 2015 tenha abalado seu potencial de marketing, mas não seu potencial tenístico. Bouchard tem tempo de sobra para reencontrar as vitórias e voltar a brigar por títulos.

E por que Bouchard vem ao Rio Open, um torneio isolado na América do Sul, disputado no saibro, piso em que jogou cinco vezes e perdeu quatro em 2015? A terra batida talvez não seja o maior dos problemas. Genie, afinal, foi semifinalista de Roland Garros em 2014. Além disso, a canadense nunca fugiu do saibro. Em 2013, quando ainda nem tinha entrado no top 100, fez um “tour” Cáli-Bogotá-Acapulco em busca de pontos em chaves mais acessíveis. Aliás, foi no saibro de Charleston, também em 2013, que Bouchard conseguiu, depois de furar o quali e alcançar as quartas, os pontos necessários para entrar no top 100.

Mas tem mais: o calendário, que sempre foi um empecilho para o Rio Open atrair nomes de peso, desta vez ajudou. Com (quase) todas grandes tenistas em Doha e Dubai jogando torneios que pagam mais de US$ 2 milhões, Bouchard, que caiu de top 5 para #49, não tem ranking para entrar nos dois torneios. Logo, o Rio de Janeiro tornou-se uma ótima opção – ainda mais oferecendo um cachê que certamente compensa o prize money de apenas US$ 250 mil.

A favor da canadense joga também a chave modesta do Rio de Janeiro. Pelo ranking atual, as outras sete cabeças de chave seriam Teliana Pereira (#46), Karin Knapp (#51), Johanna Larsson (#56), Danka Kovinic (#57), Christina McHale (#63), Polona Hercog (#73) e Tatjana Maria (#74). Bouchard será, com sobras, a tenista mais talentosa do torneio. Se estiver em forma, é favoritíssima para um título que pode lhe dar um novo e importante impulso na carreira.

Coisas que eu acho que acho:

– Nada é 100% certo nesse mundo do tênis, então convém torcer para que não haja lesões ou complicações fora de hora. Se todas presenças forem confirmadas, o Rio Open terá seu melhor “elenco” da histórias (tudo bem, são só três anos de torneio): Nadal, Ferrer, Tsonga, Isner e Bouchard serão as principais atrações, mas os coadjuvantes também serão nomes de respeito.

– Vale observar como o público se comportará diante de Bouchard no Rio de Janeiro. Haverá uma versão local do Genie Army? Haverá pedidos de casamento? E a canadense, aparecerá de bom humor e aceitará bem eventuais brincadeiras? Esperemos ansiosamente até o Rio Open, que começa dia 15 de fevereiro.

– Eu tinha preparado uma lista de “top 5” para publicar na última semana de 2015, mas meu pós-Natal teve algumas complicações inesperadas e acabei não postando nada. Peço desculpas a quem me ajudou a fazer as listinhas (estavam bem divertidas, aliás). Leitores, Sheila, Aliny e, principalmente, Mário Sérgio, fico devendo essa para vocês, viu? Mil desculpas!


Rio Open traz Eugenie Bouchard
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Alexandre Cossenza

O Rio Open driblou as dificuldades do calendário e do dólar alto e conseguiu um nome de peso para a chave feminina: a canadense Eugenie Bouchard, 21 anos e ex-top 5, será a grande estrela do evento em 2016.

Bouchard foi finalista de Wimbledon em 2014, quando fez sua ascensão no circuito mundial e alcançou o top 5 pouco depois, no mês de outubro. Ano passado, a bela canadense foi apontada como a atleta com maior potencial de marketing do mundo segundo a SportsPro Media. Neymar ficou em segundo lugar na mesma lista.

O diretor do torneio, Lui Carvalho, conseguiu fechar com Bouchard na última hora, já que o período para inscrições no Rio Open terminou nesta terça-feira. É o nome de maior peso do torneio feminino em três edições, algo que Carvalho queria desde que o evento veio para a capital fluminense.

Driblando o calendário

O maior desafio para o Rio Open atrair nomes de peso para a chave feminina sempre foi o calendário. O evento, que tem premiação de US% 250 mil, está isolado na América do Sul em fevereiro e é disputado no saibro. É complicado competir com os eventos de Dubai e Doha, em datas coladas e com premiações muito maiores (US$ 2 milhões e US$ 2,8 milhões, respectivamente).

Logo, as melhores tenistas preferem ir ao Oriente Médio para duas semanas de eventos fortes a viajar até a América do Sul para um evento modesto. E ainda há a questão do piso. Quem opta pelo saibro precisa se readaptar às quadras duras para Indian Wells e Miami, torneios fortes na sequência. A turma que vai a Dubai e Doha evita esse problema adicional.

Deve ter ajudado o fato de Bouchard ter vivido um 2015 dos infernos, que fez seu ranking cair para o atual 49º posto. Depois de alcançar as quartas de final do Australian Open, a canadense teve poucos resultados expressivos e envolveu-se numa polêmica ao não cumprimentar a romena Alexandra Dulgheru em um sorteio da Fed Cup.

Quando parecia prestes a reencontrar o caminho e alcançou as oitavas de final no US Open, em setembro, a canadense escorregou no vestiário, bateu com a cabeça na queda e sofreu uma concussão, sendo forçada a abandonar o último Grand Slam de 2015. Bouchard processou o US Open, e a questão corre na Justiça.