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Saque e Voleio

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Cuevas revela alvo de gesto obsceno em jogo com Bellucci (e mais curtinhas)

Alexandre Cossenza

23/02/2018 08h00

Após derrotar o português Gastão Elias por 7/5 e 6/1 e se classificar para as quartas de final do Rio Open, o uruguaio Pablo Cuevas chegou contente na zona mista para encontrar os jornalistas. Tão bem humorado que deu risada quando lhe perguntei de um episódio ocorrido no Masters 1000 de Madri, no ano passado. Na ocasião, Cuevas enfrentava Thomaz Bellucci e perdia o segundo set quando começou a fazer gestos obscenos na direção de alguém do outro lado da quadra. A cena circulou um bocado (só o vídeo abaixo foi visto mais de 70 mil vezes) sem que ninguém soubesse quem era o alvo da “mímica'' do tenista uruguaio. Nesta quinta, no Rio, ele finalmente falou.

A resposta foi simples e veio com um risinho de canto de boca: “Meu treinador”. No caso, Facundo Savio, que acompanhava Cuevas naquele torneio. E por que aquilo durante um jogo quente e disputado?

“Não era nada a ver com o jogo. Estávamos lembrando umas coisas que tínhamos falado um outro dia, quando falaram para eu fazer uma coisa, e eu estava fazendo tudo ao contrário.”

Mas algo assim não atrapalha num momento delicado do jogo?

“Às vezes, uma coisa ou outra ajuda a acalmar dentro da quadra. Foi assim'', completou, com mais um sorriso maroto.

Cuevas, lembremos, venceu aquela partida por 7/6(2), 4/6 e 7/6(6), depois de Bellucci estar a dois pontos da vitória. O brasileiro abriu 6/5 e sacou em 30/15 no terceiro set. E quem vai dizer que o “papo” de Cuevas com seu técnico atrapalhou?

Fognini dispara contra a Quadra 1

O italiano Fabio Fognini considerou nem fazer a sequência sul-americana de torneios. Pensou em ir aos EUA, mas na última hora decidiu fugir do frio do ATP de Nova York e viajou de novo para abaixo da linha do Equador. Depois de sair de 7/6 e 4/0 abaixo contra Thomaz Bellucci, Fognini tirou outro coelho da cartola nesta quinta. Salvou match point e eliminou Tennys Sandgren por 4/6, 6/4 e 7/6(6). Saiu feliz com o resultado, mas nada contente com a Quadra 1 do Rio Open, onde espera não jogar mais.

Fognini reclamou dos quiques irregulares provocados pelo piso irregular e disse, com todas as letras, que o local “não é quadra para um ATP 500”. Por fim, disse que se fosse escalado outra vez lá, teria de jogar, mas que esperava não precisar mais passar por isso. Ele deve ter relaxado mais tarde, quando soube que está escalado para fazer o último jogo da quadra central nesta sexta.

Medo de incêndio interrompe jogo

Definitivamente, não foi o dia mais feliz na história da Quadra 1 do Rio Open. Uma fumaça densa assustou muita gente e interrompeu uma das partidas do dia. Pensavam tratar-se de um princípio de incêndio nas proximidades. No fim das contas, era alarme falso. A fumaça vinha do forno a lenha do restaurante Victoria, no segundo andar da sede do Jockey Club Brasileiro.

Também teve apagão

Entre os incidentes curiosos do dia, houve uma falta de energia que paralisou por mais de meia hora a partida entre Pablo Carreño Busta e Aljaz Bedene (outras duas quadras foram afetadas). O espanhol, número 11 do mundo, acabou eliminado por 6/2, 5/7 e 6/2.

Sá: Bellucci precisa saber desfrutar mais

A uma semana da aposentadoria – o último torneio será o Brasil Open, em São Paulo – André Sá foi nomeado, nesta quinta-feira, como consultor de relação com os jogadores pela ITF. O mineiro também entrou em quadra no Rio Open e foi derrotado ao lado de Thomaz Bellucci na chave de duplas. Após o jogo, Sá reforçou o quanto seu parceiro de duplas e pupilo em quadra precisa curtir mais o tempo no circuito.

“Eu falo para ele desfrutar um pouco mais. Eu vejo ele muito angustiado, pressionado, a família o tempo inteiro… Ele não desfruta. Quando ele ganha, eu não vejo felicidade. Quando ele perde, eu não vejo tristeza. Você tem que ter isso dentro do tênis. ‘Se diverte, aproveita o momento. Você é atleta profissional, é bem sucedido, é o segundo melhor tenista da história do Brasil. Se divirta um pouco na quadra. Apareça um pouco com uma imagem diferente, de que você gosta do que você está fazendo.’ Isso daí que estou tentando colocar na cabeça dele todo dia.''

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.