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Saque e Voleio

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Rio Open, dia 3: quem quer ser o próximo capitão do Brasil na Copa Davis?

Alexandre Cossenza

2021-02-20T19:11:53

21/02/2019 11h53

Enquanto a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) não anuncia o novo capitão da Copa Davis, a imprensa segue perguntando a potenciais candidatos sobre a vaga e seu interesse. Em entrevista coletiva, Gustavo Kuerten disse que já foi chamado várias vezes, mas que a posição não lhe interessa e que ele pode contribuir para o tênis de outras maneiras.

Guga disse, inclusive, que tem dificuldade de enxergar o tênis brasileiro e que não acha justo avaliar o momento da modalidade no país baseado nos resultados de meia dúzia de atletas. Uma momento que me chamou atenção foi quando o catarinense disse que "o tênis brasileiro ainda precisa existir." Vindo de quem apoiou o ex-presidente da CBT, Jorge Lacerda, por tanto tempo, isso diz muito. Parece-me uma análise bastante consciente. Vejam nos vídeos abaixo:

André Sá, em uma passagem rápida pela sala de imprensa, foi abordado por um rotundo jornalista que, em tom de brincadeira, perguntou quando ele seria oficializado como capitão da Davis. O mineiro sorriu e disse que não foi convidado, o que deixou algumas caras surpresas na sala de imprensa.

Afinal, André é visto por muitos como a figura ideal para assumir o post. É um ex-atleta com experiência de Copa Davis, boa relação com o atual time brasileiro e amigo pessoal do presidente da CBT, Rafael Westrupp. O mineiro também é inteligente e sabe navegar a política do tênis. Não por acaso, tem um cargo na Federação Internacional de Tênis (ITF). Há quem tenha dúvidas sobre se André compraria briga com a CBT sobre sede e condições de jogo em confrontos dentro de casa (eu sou um destes), mas sua competência é inquestionável.

Falando nisso, Larri Passos, homenageado da noite de quarta-feira no Jockey Club Brasileiro, também foi abordado sobre o tema. O gaúcho, que voltou a dizer que superou um câncer (ele já havia falado durante uma de suas participações nas transmissões de tênis do Canal Sony), revelou que já foi convidado em outra ocasião.

Larri, porém, não acredita que o cargo deva ser ocupado por alguém que trabalhe apenas nas semanas de confronto e afirma que a situação financeira da CBT não permite a realização de um projeto mais amplo. O treinador também disse não acreditar em um projeto onde se depende de dinheiro para decidir onde será a sede de um confronto de Copa Davis.

"Eu acho que o capitão da Copa Davis não pode ser um capitão só para simplesmente ir lá, convocar os jogadores e entrar naquela semana. Eu acho que o capitão tem que ter um envolvimento maior com todo o tênis em geral. É o que acontece nos outros países também. Hoje, não tem como eu entrar nesse projeto. Se pudesse fazer… É um custo muito alto, acho que não tem condições. O projeto que eu gostaria de fazer se fosse capitão da Copa Davis é inviável. Tem outros nomes hoje que podem assumir, mas eu, como brasileiro, amo meu país, mas meu projeto é outro. Não acredito num projeto em que tu vai convocar os jogadores e depender de situação financeira para escolher o local, escolher isso… 'Não, nós temos que jogar lá porque vão pagar isso, vão fazer aquilo.' Quer dizer, tu não pode escolher o local porque tem certas coisas por trás e tal. É complicado. Hoje, tem que acertar toda a parte administrativa. Isso é importante. O presidente [Rafael Westrupp, que assumiu a CBT no começo de 2018] está começando agora, acho que está bem intencionado, então é isso."

Segue, portanto, a indefinição. O próximo confronto do Brasil pela Davis será em setembro e valerá pelo Zonal das Américas. Primeiro cabeça de chave de uma segunda divisão que tem Equador, Uruguai, Venezuela, República Dominicana e Barbados, o Brasil sediará o confronto contra Barbados.

Coisas que eu acho que acho:

– Thiago Monteiro foi eliminado por Aljaz Bedene por 6/3 e 6/4. Com tantas cabeças rolando e uma chave bastante acessível pela frente, a derrota para o esloveno, embora longe de ser um fiasco ou algo do gênero, precisa entrar na lista de chances perdidas pelo #1 do Brasil. Era uma oportunidade rara de alcançar – pelo menos – a semifinal de um ATP 500 sem encarar nenhum adversário muito superior.

– Explicando melhor (porque há gente que não entende que entre a puxação de saco e a crítica existe um terreno enorme no meio): não é um vexame Monteiro perder para Bedene. Longe disso. Só que a chave abriu, e Monteiro podia alcançar a semi (e, quem sabe, ir ainda mais longe!) sem enfrentar sequer um top 80. Não seria milagre algum se acontecesse.

– Casos assim me lembram de uma frase de Nicolás Massú, campeão olímpico em simples e duplas em Atenas 2004, quando conversamos no ano passado. Ele diz "uma pessoa precisa se sacrificar e estar preparada para quando o momento chegar. Sempre sonhei ganhar um grand slam, ganhar a Copa Davis, Jogos Olímpicos ou algo importante. E eu sabia que em algum momento da minha carreira uma dessas situações poderia acontecer. E acredito que cheguei jogando muito bem, com muita confiança e estava sempre muito preparado. Eu treinava muito. Eu tinha que buscar a minha oportunidade, mas quando ela chegasse, eu tinha que estar preparado. Aconteceu em Atenas. O esporte é assim." Talvez Monteiro ainda não esteja preparado.

– Depois de seis cabeças de chave eliminados na terça-feira, o atual campeão, Diego Schwartzman, tornou-se o sétimo a dar adeus ainda na primeira rodada. Ele sentiu dores na coxa direita e abandonou a partida contra Pablo Cuevas quando perdia por 6/1 e 4/1. O único cabeça a avançar às oitavas foi o português João Sousa, que passou pelo argentino Guido Pella. A primeira rodada só não foi pior para o torneio porque Bruno Soares e Marcelo Melo escaparam (por pouco!) de uma derrota para Thiago Wild e Mateus Alves.

– Por conta de um compromisso na manhã desta quarta, saí mais cedo e não vi até o final a vitória de Félix Auger-Aliassime sobre Christian Garín. Eventualmente, encontrarei tempo para falar mais sobre o jovem canadense, que está nas quartas de final do Rio Open.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.