Saque e Voleio

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Rio Open, dia 2: a recompensa pela adaptação de Thomaz Bellucci
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Alexandre Cossenza

Se não foi o melhor dos cenários, o sorteio para estrear contra Kei Nishikori nunca foi a mais azarada das possibilidades para Thomaz Bellucci (e eu falei sobre isso nesta análise para o Rio Open). Com uma atuação competente e taticamente (quase) impecável, o brasileiro mostrou que adaptação faz diferença. Chegou cedo ao Rio de Janeiro, acostumou-se à quadra central e às bolas. Estava afiado para a estreia. O japonês, que estava em Buenos Aires até segunda-feira, deixou nítida a diferença. No grande jogo do dia, Bellucci derrubou o cabeça 1 do Rio Open e avançou às oitavas de final por 6/4 e 6/3.

Só que a terça-feira carioca também teve uma bela virada de Thiago Monteiro sobre Gastão Elias, além de Dominic Thiem, cabeça 2, confirmando seu favoritismo sobre Janko Tipsarevic. O resumão do dia traz análises dos jogos mais importantes, o que rolou de bom nas entrevistas coletivas e o que esperar da quarta-feira, que estará cheia de duplas. É só rolar a página e ficar por dentro.

Bellucci preciso, paciente e empolgante

Thomaz Bellucci apostou na regularidade. Devolveu os saques de Kei Nishikori lá do fundão, colocou bolas em jogo e acreditou que a consistência seria recompensada. O japonês, que chegou ao Rio só na segunda-feira cansado de uma semana longa em Buenos Aires, deixou nítida sua falta de adaptação ao torneio carioca. Enquanto Bellucci alongava as trocas de bolas, Nishikori cometia erros e perdia a paciência.

Nishikori nem conseguiu aproveitar quando Bellucci desperdiçou a quebra de vantagem depois de abrir 40/0 no quarto game. O brasileiro continuou com o mesmo plano de jogo e foi recompensado, quebrando uma indesejável série de 22 derrotas diante de adversários do top 10. A última havia sido contra Janko Tipsarevic (então #8) em Gstaad/2012.

O tênis mostrado por Bellucci nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, foi um pouco do que todos gostam e sabem que ele pode jogar. Em vez de atacar o tempo todo e cometer pilhas de erros não forçados, conteve o instinto afobado, se defendeu bem e exigiu que o adversário fizesse uma boa partida para vencê-lo. Nishikori não conseguiu, e o paulista avança às oitavas de final para encarar Thiago Monteiro.

Nas coletivas, Nishikori, primeiro a aparecer, disse que as condições do Rio estão muito diferentes das de Buenos Aires e que nada deu certo no seu jogo. O japonês disse até que foi sua pior partida dos últimos anos e que, para ele, Bellucci nem fez um grande jogo.

“O quique é muito alto, e as bolas são muito pesadas. As bolas foram o mais difícil de me acostumar. Não consegui sentir nada. Não era meu dia. Não acho que ele também jogou um grande tênis.”

Bellucci concordou parcialmente. Disse que não foi o melhor jogo de sua vida, mas obviamente saiu contente com sua postura tática e com o resultado. E afirmou também que teve sua parcela de mérito pela noite ruim de Nishikori. Bellucci só não abriu o jogo quando foi indagado sobre os resultados dos sets disputados contra Monteiro nos treinos. Respondeu “Ah, não vou dizer” e sorriu. Depois, disse “é pau a pau” e riu um pouco mais, feliz da vida.

Um ano depois, um Thiago Monteiro mais “parte desse meio”

Não foi um começo de Rio Open para Thiago Monteiro. Em compensação, sobraram foco e esforço para superar os momentos delicados e bater o português Gastão Elias por 2/6, 7/6(4) e 6/4. O cearense perdeu o serviço nas duas primeiras vezes que sacou e viu um Elias mais sólido disparar na frente e fechar o set.

A segunda parcial já foi bem diferente, o Monteiro confirmando com mais facilidade, só que ainda faltava ameaçar o serviço do português. O cearense, então, se viu em um momento delicadíssimo quando sacou em 3/4 no tie-break. Mesmo assim, jogou dois pontos com o segundo serviço e se safou. Elias, que errou por centímetros uma direita que lhe daria um mini-break, acabou vacilando em seguida. Foi aí que o jogo mudou de vez.

No set decisivo, Monteiro quebrou Elias no terceiro game. O português, frustrado com as chances perdidas (também perdeu três break points no segundo game do terceiro set), atirou a raquete no chão, discutiu com o público e viu a banda passar. Ainda teve pequenas chances, mas nada concreto.

Na coletiva, Monteiro, um ano depois do triunfo sobre Jo-Wilfried Tsonga que praticamente iniciou sua ascensão rumo ao top 100, falou sobre como é mais reconhecido pelos adversários e o quanto isso faz bem à sua carreira.

“Eu tenho treinado mais com eles, conhecido melhor alguns. É bom ter essa relação, poder marcar um treino em algum lugar específico também. Isso tem sido um fator importante, é legal ter esse reconhecimento. Eu me sinto cada vez mais fazendo parte desse meio, então isso é importante para mim.”

Thiem em seu habitat preferido

As condições são ideais e, mesmo sem estar (ainda) tão à vontade no Rio de Janeiro, Dominic Thiem mostrou por que é favorito ao título do evento – ainda mais agora, após a eliminação de Nishikori. O austríaco ficou bem confortável muito atrás da linha de base, usando a velocidade da quadra e o quique das bolas pesadas para se impor diante de Janko Tipsarevic por 6/4 e 7/5.

Os coadjuvantes (por enquanto?) de luxo

Do jeito que a organização precisou encaixar os jogos, a Quadra 1 foi palco de três jogos bastante interessantes. Primeiro, Fabio Fognini bateu Tommy Robredo por 6/2 e 6/4. Depois, Pablo Carreño Busta eliminou Feijão por 6/3 e 6/2. Por último, Alexandr Dolgopolov aumentou a fase ruim de David Ferrer ao aplicar 6/4 e 6/4.

Ferrer agora soma três derrotas consecutivas e um retrospecto total de três triunfos e cinco reveses em 2017. O espanhol, que chegou ao Rio falando que estava sendo difícil se acostumar a perder com mais frequência do que o habitual, acaba amargando mais um resultado negativo.

Dolgopolov, por sua vez, soma sua sexta vitória seguida. O ucraniano, campeão em Buenos Aires, bateu Tipsarevic, Cuevas, Gerald Melzer, Carreño Busta, Nishikori e Ferrer no período. Uma sequência invejável e que o coloca como sério candidato ao título no Rio, já que Dolgo não teve os mesmos problemas de adaptação que Nishikori – ou, pelo menos, não sofreu com a mesma intensidade.

Duplas: o melhor da quarta-feira

O terceiro dia do Rio Open não tem lá uma programação das melhores para a quadra central, mas compensa com uma empolgante Quadra 1, com brasileiros em todos os jogos. Além dos times de Bruno Soares e Marcelo Melo, que são cabeças de chave 1 e 2, Bellucci e Monteiro jogam juntos antes de seu duelo nas simples, e André Sá tenta deslanchar na temporada 2017.


Caricaturas no Rio Open
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Alexandre Cossenza

O Rio Open deu de presente a todos tenistas tags (para malas, bolsas, raqueteiras e afins) com suas caricaturas. É uma lembrancinha a todos atletas que estão na chaves principais de simples e duplas do ATP 500 carioca.

As imagens são bem bacanas. Vi algumas e reproduzo abaixo. Acho até que ficariam bacanas se a galera imprimisse em tamanho real e levasse para a quadra central do Jockey Club Brasileiro. Vejam:

Volto amanhã com uma entrevista reveladora com Bruno Soares.


AO, dia 7: os tombos dos líderes e a comovente história de Mischa Zverev
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Alexandre Cossenza

É bem verdade que o domingo australiano começou devagar, com jogos sem empolgar, mas o resto do dia foi dos melhores. A começar pelo fim de tarde, quando Mischa Zverev fez uma apresentação gloriosa na Rod Laver Arena (RLA) para chocar o planeta e derrubar o número 1 do mundo, Andy Murray. Depois foi a vez de Roger Federer apagar um péssimo começo de jogo e duelar com Kei Nishikori por cinco sets. Por fim, quase entrando pela madrugada, a número 1 do mundo no circuito feminino também tombou – cortesia de Coco Vandeweghe.

O resumaço de hoje traz a história desses três jogos e um relato da fantástica volta de Mischa Zverev, que quase largou o circuito mundial para virar técnico, mas voltou inspirado pelo talentoso irmão dez anos mais novo.

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A zebra

De um lado, Andy Murray, o número 1 do mundo, vice-campeão cinco vezes no Australian Open, vindo de 30 vitórias nos últimos 31 jogos, com a única derrota vindo diante de Novak Djokovic, o vice-líder do ranking. Do outro, Mischa Zverev, 29 anos, 50º no ranking, em sua primeira aparição nas oitavas de final em um Slam, irmão dez anos mais velho de Alexander, o mesmo que foi eliminado por Rafael Nadal na RLA um dia antes.

E é preciso mais contexto. O último jogo da sessão diurna deste domingo em Melbourne tinha um dos melhores devolvedores de saque do circuito – um pesadelo para sacadores – contra alguém que tenta manter vivo o estilo do saque-e-voleio, subindo à rede o tempo todo. Parecia quase impossível a missão de Mischa diante de um dos melhores passadores do tênis moderno.

O jogo começou, Andy Murray abriu 3/1, chegou a 5/4 e parecia tudo sob controle. Pois o número 1 perdeu o saque duas vezes seguidas, e Mischa fez 7/5. A segunda parcial teve mais drama, mas o britânico fez 7/5, quebrando Zverev pela terceira vez no set no 12º game. Era claramente uma atuação abaixo da média para Murray, que já tinha sido quebrado cinco vezes em dois sets. Ainda assim, ao fim do segundo set ficava a impressão que a primeira parcial havia sido um acidente e que o favorito tomaria o controle da situação logo, logo.

Só que Mischa continuava sacando, subindo e voleando. E fazendo tudo isso bem, com muito mais sucesso do que o esperado – e com mais sucesso do que no começo do jogo. No terceiro set, encaixou 74% dos primeiros serviços. Fez 6/2. E aí virou drama. Mais ainda quando o #1 perdeu o serviço no primeiro game do quarto set. Mischa, por sua vez, continuava sacando e voleando e acertando a maioria.

Murray, sejamos justos, fez winners de todo tipo. Terminou a partida com 71 deles e apenas 28 erros não forçados. Hoje em dia, não se vê ninguém perdendo com esses números, mas está aí o brilho do saque-e-voleio. Ao subir à rede, Zverev força erros dos adversários – e isso não entra nos números (não no Australian Open, pelo menos). E saque após saque, voleio após voleio, Mischa foi se aproximando da zebra.

No décimo game, com 5/4 no placar, o alemão foi um tanto exigido por Murray. Não mudou a tática, não piscou, não patinou, não engasgou. Fez voleios dificílimos, sacou bem e fechou: 7/5, 5/7, 6/2 e 6/4. “Simples” assim. Sem tremer. E sem conseguir explicar.

A linda história

A arrancada de Mischa aos 29 anos é só a parte mais recente de uma história que só pode ter final feliz. O Zverev mais velho foi top 50 em 2009, mas sofreu com uma série de lesões. Teve uma fratura em um punho, duas costelas fraturadas, uma hérnia de disco e uma ruptura pequena na patela. Saiu do top 100 em 2011. Depois, saiu do top 200 e até do “top” 1000. Caiu para o 1067º lugar.

Mischa quase não voltou a competir quando teve todas essas lesões. Começou a viajar como treinador de dois adolescentes, mas foi aí que sentiu falta dos torneios, da tensão dos jogos. Voltou aos poucos e e sempre disse que o irmão, Alexander, teve muito a ver com isso.

“Meu irmão foi um grande fator porque sempre me empurrou e me fez trabalhar duro de novo para tentar fazer o melhor possível. Ele vem tendo bons resultados nos últimos anos, e eu não quis ficar muito atrás dele. Acho que nos ajudamos porque treinamos muito juntos e tentamos nos desafiar e cada um fazer o outro melhorar. Acho que ainda posso jogar bem e fazer algum estrago aqui e ali”, disse ao site da ATP em outubro do ano passado, quando voltou ao top 100.

O próximo adversário

Ainda na quadra, Mischa falou sobre a possibilidade de enfrentar Federer nas quartas de final e disse que seria um sonho porque o suíço é seu tenista preferido. Bom, o pedido do alemão foi atendido. Depois de um começo preocupante, perdendo os quatro primeiros games, Federer encontrou seu saque, equilibrou os ralis e tomou o controle do jogo.

Nishikori, por sua vez, evitou um desastre ao vencer o tie-break do primeiro set, mas passou a sacar mal, foi afobado em subidas à rede e até perdeu o controle dos ralis – onde mais levou vantagem no início. Desistiu mentalmente no meio do terceiro set, foi ao banheiro ao fim da parcial e parecia batido no jogo quando teve de encarar break points no quarto game do quarto set.

O japonês se salvou e contou com a sorte. Federer jogou um péssimo quinto game, com subidas à rede precipitadas e um smash fácil errado. Pagou caro e precisou ir a um quinto set que nem deveria ter jogado. Se serve de consolo, o suíço não teve tanto trabalho na parcial decisiva. Nishikori se quebrou no segundo game e pediu atendimento no quadril pouco depois. Federer, finalmente, aproveitou a ladeira abaixo até fechar: 6/7(4), 6/4, 6/1, 4/6 e 6/3.

A consequência matemática

Vice-campeão no ano passado, Murray perde a chance de aumentar consideravelmente sua vantagem para Novak Djokovic, atual campeão. O britânico deixa o torneio com 1.715 pontos de frente, mas poderia ter ampliado a diferença para até 3.535 pontos. Nole, no entanto, tem mais pontos a defender nos próximos meses (ganhou Indian Wells e Miami em 2016), por isso é improvável – não impossível – que Murray tenha o #1 ameaçado até Roland Garros.

A segunda zebra do dia

No último jogo do dia na RLA, foi a vez de Angelique Kerber ser testada de verdade pela primeira vez neste Australian Open. A número 1 do mundo, que já vinha fazendo um torneio bem mais ou menos, não resistiu à agressividade de Coco Vandeweghe e deu adeus: 6/2 e 6/3.

Não foi sequer uma partida equilibrada. A americana agrediu desde o começo, massacrou o serviço da alemã e nem no segundo set, quando Kerber abriu 2/0, houve emoção. Vandeweghe, atual #35, venceu cinco games seguidos, saindo de 1/3 para 6/3. Um resultado que só confirmou o começo de ano ruim da #1. Kerber já vinha de derrotas precoces em Brisbane e Sydney.

A alemã, aliás, pode sair de Melbourne sem a liderança do ranking, já que Serena Williams, vice em 2016, voltará a ser a número 1 se conquistar o título este ano.

Vandeweghe, por sua vez, avança para encarar Garbiñe Muguruza nas quartas de final. A espanhola, atual campeã de Roland Garros, passou fácil por Sorana Cirstea (#78): 6/2 e 6/3. Muguruza será um obstáculo bem diferente para Coco, já que tem poder de fogo para responder do fundo de quadra.

Outros candidatos

A chave feminina também teve vitórias de Anastasia Pavlyuchenkova e Venus Williams. Nenhuma teve trabalho além do esperado, embora ambas tenham feito partidas bastante razoáveis. A russa passou pela compatriota Svetlana Kuznetsova por 6/3 e 6/3 enquanto a americana despachou a alemã Mona Barthel por 6/3 e 7/5. Pavs e Venus se enfrentam nas quartas em busca da vaga na semifinal contra a vencedora de Vandeweghe x Muguruza.

Entre os homens, Stan Wawrinka avançou em três tie-breaks, sendo superior nos momentos decisivos em uma partida que poderia facilmente se complicar contra Andreas Seppi: 7/6(2), 7/6(4) e 7/6(4). O #1 da Suíça agora vai enfrentar Tsonga, que passou por Dan Evans por 6/7(4), 6/2, 6/4 e 6/4. Tanto Wawrinka quanto Tsonga têm a vantagem de, até agora, estarem meio longe dos holofotes. Por enquanto, “o” assunto em Melbourne continua limitado ao Big Four, com tudo que envolveu as derrotas de Murray e Djokovic e as campanhas de Federer e Nadal.

É o típico cenário em que Wawrinka costuma aparecer e brilhar nas fases decisivas. E não seria fantástica uma semifinal entre ele e Federer? O retrospecto recente entre Stan e Jo joga a favor desse cenário. O suíço venceu os quatro últimos jogos.

Observação: o trecho sobre Kerber entra mais tarde.


AO, dia 5: um Federer ‘vintage’ e um Murray impecável
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Alexandre Cossenza

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Quem esteve na Rod Laver Arena para a sessão noturna saiu de lá com um sorriso no rosto e a sensação de ter testemunhado algo especial. Foi Roger Federer, “aquele” Federer, fazendo de tudo com o esforço de quem está fazendo nada. Lembrou o melhor Federer, o que foi número 1, que deu seguidas aulas em Andy Roddick, que encantou e dominou o circuito anos atrás.

Durante os 90 minutos de jogo – tão pouco que deixou todos querendo mais – o atual número 17 do mundo tirou tudo da cartola. Aces, curtas, slices, bloqueios de devolução, paralelas de backhand, bate-prontos da linha de base, voleios… Uma atuação para emoldurar e que terminou com o placar mostrando 6/2, 6/4 e 6/4.

Taticamente falando, o Federer desta sexta-feira foi bastante diferente do tenista teimoso que trocou pancadas o jogo inteiro contra Noah Rubin, na segunda rodada. Diante do mais perigoso Berdych, o suíço já entrou bloqueando nas devoluções, tirando peso da bola e forçando o tcheco a arriscar.

É bem verdade que foi um dia ruim do tcheco, mas é preciso avaliar o peso de Federer nessa equação. As variações impostas pelo suíço foram tantas que Berdych jamais se sentiu confortável e não encontrou ritmo algum. Nem no serviço, nem no fundo de quadra e muito menos junto à rede. Federer aplicou um xeque-mate em 10 minutos e depois ficou jogando damas.

O melhor ponto

Foram tantos grandes pontos que é quase impossível apontar o melhor momento do suíço nesta sexta-feira, só que o ponto do tweet abaixo tem algo de especial. Primeiro porque Federer sai de uma posição defensiva para anular os ataques de Berdych. Depois porque constrói o ataque com um par de golpes até conseguir a posição perfeita para o golpe final. Magistral.

O próximo adversário

Agora, nas oitavas de final, Federer vai encontrar Kei Nishikori, alguém que provavelmente vai exigir mais em ralis – se o japonês estiver 100% fisicamente, claro. Nesta sexta, diante de Lukas Lacko, Nishikori ficou pouco tempo em quadra. Fez 6/4, 6/4 e 6/4 em 2h11. O japonês mandou na maioria dos ralis e terminou o jogo com 46 winners e 32 erros não forçados. Números de respeito.

Se Nishikori não tem a mesma potência de saque de Berdych (e tem um segundo serviço um tanto vulnerável para um top 5), é de se imaginar que ele não deixará Federer dominar os ralis como fez contra Berdych. Além disso, como o próprio #17 disse na entrevista em quadra após a partida, Nishikori tem um dos melhores backhands do circuito e pode se dar ao luxo de ficar cruzando bolas contra a esquerda do suíço pelo tempo que quiser. Por outro lado, como será que o japonês vai lidar com o serviço do suíço, que vem fazendo grande estrago até agora? De qualquer modo, não convém acreditar que o Federer x Berdych desta sexta seja um grande parâmetro para prever o que acontece no encontro de suíço e japonês. O “casamento” dos jogos é bastante distinto.

Os favoritos

Dizem que o primeiro jogo de um tenista após a derrota de seu maior rival no torneio diz muito sobre como ele vai lidar com a pressão do favoritismo. Bom, neste quesito, Andy Murray tirou nota 10. Nesta sexta, o número 1 do mundo esteve em ótima forma diante dos saques pesados de Sam Querrey. Deu pouquíssimas chances ao americano, disparou 40 winners (22 erros não forçados) e até superou o adversário em aces: 8 a 5. Venceu por 6/4, 6/2 e 6/4 e avançou pra enfrentar Mischa Zverev nas oitavas de final.

Vale lembrar que a cada vitória, Murray vai aumentando sua distância para Novak Djokovic, eliminado por Denis Istomin. Caso não vença mais em Melbourne, o britânico deixará o torneio com 1.715 pontos de vantagem. Se levantar o troféu, Murray terá 3.535 pontos a mais que Djokovic.

A atual campeã do Australian Open, Angelique Kerber, finalmente venceu em dois sets: fez 6/0 e 6/4 em cima de Kristyna Pliskova – não confundir com Karolina, a gêmea mais famosa, que foi vice-campeã do US Open no ano passado. O triunfo veio sem grandes dramas, mas Kerber não chegou a empolgar. Terminou com 14 winners e 14 erros não forçados e se aproveitou das 34 falhas de Pliskova. Ainda assim, a tcheca teve chances de complicar o jogo para a alemã no segundo set, mas não aproveitou por conta de erros próprios.

O confronto de oitavas de final de Kerber será contra Coco Vandeweghe (#35), que venceu um jogo duríssimo contra Eugenie Bouchard (#47): 6/4, 3/6 e 7/5. Depois de sair na frente no segundo set, a canadense controlou bem o saque e parecia estar administrando bem as tentativas de Vandeweghe. Bouchard, porém, vacilou no finzinho e perdeu o serviço no oitavo game do set decisivo. Os últimos games foram nervosos, e a americana aproveitou as chances que teve.

Kerber chega às oitavas com dois sets perdidos e, mesmo assim, parece justo dizer que Coco será seu primeiro teste de verdade. Não apenas pela potência do saque da americana, que pode fazer diferença nas quadras rápidas de Melbourne (ainda mais se o jogo for na sessão diurna), mas porque Vandeweghe tem poder de fogo para agredir o frágil segundo serviço da alemã.

Os outros candidatos

Stan Wawrinka venceu mais um jogo complicado. E complicado tanto por méritos do adversário, Viktor Troicki, quanto pela inconstância do próprio suíço. Depois de um ótimo começo e uma péssima segunda metade de primeiro set, Wawrinka se aprumou e parecia navegar tranquilo para fechar o confronto, mas bobeou na reta final. Foi quebrado duas vezes sacando para o jogo (5/4 e 6/5), perdeu um match point no tie-break e precisou salvar um set point antes de, finalmente, avançar por 3/6, 6/2, 6/2 e 7/6(7).

Seu próximo jogo será contra Andreas Seppi, que não era o favorito para chegar às oitavas, mas derrubou Nick Kyrgios na segunda rodada e passou por Steve Darcis nesta sexta: 4/6, 6/4, 7/6(1) e 7/6(2). Aos 32 anos e atual #89 do mundo, o italiano tem experiência e jogo suficientes para se aproveitar de uma jornada ruim do suíço. É mais um jogo complicado para Wawrinka, que vem numa chave espinhosa e já passou por Klizan, Johnson e Troicki.

Na chave feminina, Venus Williams (#17) ficou em quadra por apenas 58 minutos e bateu a chinesa Ying-Ying Duan (#87) por 6/1 e 6/0. Com a velocidade da quadra ajudando seu estilo, a americana chega nas oitavas como favorita contra Mona Barthel, que faz a melhor campanha de sua vida em Grand Slams. A alemã, que já foi #23 mas hoje é apenas a #181 do mundo, furou o quali e aproveitou uma chave acessível – já que Simona Halep caiu na estreia.

No último jogo da noite, Garbiñe Muguruza entrou em quadra lembrando bem de sua última derrota em um Slam. A espanhola até disse depois da partida, em tom de brincadeira, que queria vingança. E foi isso. Jogou bem e bateu Anastasija Sevastova (#33) por 6/4 e 6/2 (a tenista da Letônia eliminou Muguruza em Nova York por 7/5 e 6/4, na segunda rodada).

Em sua melhor campanha num Slam desde o título de Roland Garros, a espanhola, atual número 7 do mundo, agora vai enfrentar Sorana Cirstea (#78), que bateu a americana Alison Riske por 6/2 e 7/6(2). A romena, que já foi #21 do mundo, ainda não perdeu sets e foi a responsável pela eliminação de Carla Suárez Navarro, a cabeça de chave 10 em Melbourne.

As oitavas já definidas

Até agora, o cenário está assim na chave masculina:

[1] Andy Murray x Mischa Zverev
[17] Roger Federer x Kei Nishikori [5]
[4] Stan Wawrinka x Andreas Seppi
[12] Jo-Wilfried Tsonga x Daniel Evans

Os quatro primeiros jogos das oitavas femininas ficaram assim:

[1] Angelique Kerber x Coco Vandeweghe
Sorana Cirstea x Garbiñe Muguruza [7]
Mona Barthel x Venus Williams [13]
[24] Anastasia Pavlyuchenkova x Svetlana Kuznetsova [8]

Boris sobre Novak

Ao New York Times, Boris Becker falou sobre o que achou da atuação de Novak Djokovic na derrota para Denis Istomin. A declaração do alemão não traz novidades, mas é interessante até porque vai ao encontro do que muitos analistas consideraram: que faltou emoção para Nole.

Entre outras coisas (leia na íntegra aqui), Becker afirmou que “acho que ele tentou e jogou cinco sets e quatro horas e meia, mas não vi a intensidade, não vi a vontade absoluta de vencer, não o vi ficando louco mentalmente” e que “esse não é o Novak que eu conheço. Prefiro vê-lo quebrar uma raquete ou rasgar uma camisa para que ele jogue com emoção. Acho que ele esteve muito equilibrado durante toda a partida e foi incomum, não sei o que pensar disso.”


AO, dia 3: o karma de Kyrgios, sustos de Kerber e Murray, tombo de Cilic
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Alexandre Cossenza

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Demorou, mas o terceiro dia do Australian Open teve seus momentos de emoção. Depois de uma sessão diurna sem grandes dramas – apenas Angelique Kerber sofreu com o sol – a noite chegou com um jogão de cinco sets entre Nick Kyrgios e Andreas Seppi, a eliminação de Marin Cilic e um pequeno susto de Andy Murray.

O resumaço de hoje comenta esses momentos e ainda avalia as apresentações de Federer, Nishikori, Wawrinka, Venus e Bouchard, além de registrar a única vitória brasileira do dia – que veio na chave de duplas. Então, se você não ficou acordado na madrugada, sem problema. É só rolar a página e se informar.

A zebra e a vingança

É um desses casos que a gente costuma classificar como “ironia do destino” pela simples falta de explicação melhor. Chamem de karma, vingança, retribuição, o que preferirem. Não acontece todo dia. Mas aconteceu dois anos atrás, na Hisense Arena. Andreas Seppi enfrentou Nick Kyrgios nas oitavas de final. O italiano, mais bem ranqueado dos dois, abriu 2 sets a 0, teve um match point, não conseguiu converter e acabou eliminado com o placar do quinto set mostrando 8/6 para Kyrgios.

E aconteceu nesta quarta-feira, de novo na Hisense Arena, no Australian Open. O jogo valia pela segunda rodada, e Kyrgios, o mais bem ranqueado em quadra, saiu na frente. Venceu os dois primeiros sets. Seppi reagiu e venceu os dois seguintes, mas foi o tenista da casa quem teve um match point desta vez. O italiano se salvou, enfiando uma direita arriscadíssima na paralela. Sem defesa. Dois games depois, Seppi comemorou. Completou a virada: 1/6, 6/7(1), 6/4, 6/2 e 10/8.

Aos 32 anos e #89 do mundo, Seppi disse ao fim do jogo que não sabe quantas partidas assim, com essa emoção e disputados no ambiente maravilhoso da Hisense, lhe restam na carreira. Pode até ser sua última grande vitória. No momento, pouco importa. Foi bonita, vibrante, gloriosa. E lhe valeu uma vaga na terceira rodada contra Steve Darcis, o que não é nada mau também, né?

Kyrgios, por sua vez, saiu vaiado da quadra e deu mais uma daquelas coletivas intrigantes. Admitiu que fez “coisas que não deveria” nas férias, como jogar basquete e lesionar o corpo, falou que jogou o torneio com problema nos joelhos, reclamou das vaias que levou e ironizou quando lhe perguntaram que tipo de dor ele sentia: “Não sei. Pergunte a Johnny Mac [John McEnroe]. Ele sabe tudo.”

Os sustos dos favoritos

Angelique Kerber passou por mais um susto antes de comemorar seu 29º aniversário na Rod Laver Arena (RLA) nesta quarta-feira. A #1 do mundo, que ainda não teve uma grande atuação em 2017, voltou a sofrer com a irregularidade e, desta vez, teve problemas para sacar com o sol na cara – especialmente no segundo set. A também alemã Carina Witthoeft, #89 e 21 anos, nem aproveitou tão bem assim os saques fraquíssimos da #1 (beirando os 110km/h), mas ganhou a segunda parcial e forçou o terceiro set. A desafiante até começou o set decisivo com uma quebra, mas não conseguiu manter a vantagem. Kerber encaixou uma sequência de games bons, virou o placar e fechou em 6/2, 6/7(3) e 6/2.

O copo meio cheio de Kerber é mais uma vitoria jogando mal. Também foi assim na primeira rodada, contra Lesia Tsurenko. É importante anotar triunfos em dias ruins. São esses jogos que permitem que ela cresça no torneio e chegue forte na segunda semana. O copo meio vazio, contudo, é que fica difícil imaginar a alemã avançando na segunda semana do torneio jogando assim. Kerber pode ter um duelo duro contra Eugenie Bouchard nas oitavas e outro contra Garbiñe Muguruza nas quartas. Nenhuma das duas perdoaria saques tão frágeis como os desta quarta.

Fechando a sessão noturna na RLA, Andy Murray dominou o russo Andrey Rublev (19 anos, #152 do mundo) do começo ao fim. O único momento realmente tenso da partida veio no início do terceiro set, quando o #1 do mundo torceu o tornozelo direito e ficou caído na quadra por alguns instantes.

Por sorte, não foi nada grave, e Murray voltou logo ao jogo para completar a vitória por 6/3, 6/0 e 6/2. Embora sua chave tenha sido um pouco facilitada pelas quedas de Pouille e Isner (esperava-se que um dos dois enfrentasse o britânico nas oitavas), a próxima rodada não tem nada de fácil. O escocês vai duelar com Sam Querrey e, nas quadras rapidíssimas deste ano em Melbourne, qualquer sacador é um obstáculo ainda maior do que de costume.

Outros candidatos

Kei Nishikori abriu a programação na Hisense Arena (HA) e conseguiu uma vitória em três sets em um jogo que poderia ter sido mais complicado contra Jeremy Chardy. O curioso é que o japonês não chegou a empolgar. Cometeu mais erros do que winners (30 e 21, respectivamente) e perdeu o serviço três vezes. Só não teve mais dificuldades porque Chardy, que não estava em um dia animador, somou 53 erros não forçados. De qualquer modo, Nishikori está na terceira rodada e vai enfrentar Lukas Lacko, que passou por Dudi Sela por 2/6, 6/3, 6/2 e 6/4.

A sessão diurna continuou com vitórias sem drama algum. Stan Wawrinka fez 3 sets a 0 em cima de Steve Johnson, o que é um sinal positivo depois dos nervosos cinco sets contra Martin Klizan. Desta vez, o placar final foi de 6/3, 6/4 e 6/4. O duro caminho do #1 da Suíça continua contra Victor Troicki na terceira rodada.

Enquanto isso, Roger Federer encarava o qualifier Noah Rubin, 20 anos e #200 do ranking. O garotão deu trabalho no primeiro set, confirmando seus serviços e equilibrando a parcial. Só sucumbiu no 12º game, quando Federer parou de tentar trocar só pancadas e foi mais paciente. O triunfo por 7/5, 6/3 e 7/6(3) só veio depois de um inconsistente suíço salvar um set point no terceiro set. Não fossem os nervos de Rubin, a partida poderia ter se alongado mais do que o desejável para Federer.

No geral, não foi uma apresentação memorável, mas foi o bastante para avançar sem problemas. De positivo, seu serviço continua excelente, rendendo vários pontos de graça. Mesmo assim, Rubin conseguiu agredir com eficiência em alguns segundos saques. É de se esperar que Tomas Berdych, próximo adversário do ex-número 1, faço o mesmo – ou melhor.

Nesta quarta, o tcheco fez 6/3, 7/6(6) e 6/2 sobre Ryan Harrison. Avançou sem sustos, como era de se esperar. Mas e agora, será que Berdych consegue fazer mais do que nos últimos cinco jogos contra Federer? O suíço venceu todos e ganhou dez sets consecutivos.

Entre as mulheres, Venus Williams sempre corre por fora e vale ficar de olho na ex-número 1 porque sua chave ficou bem mais acessível depois das eliminações de Simona Halep e Kiki Bertens. Nesta quarta, a americana fez o seu. Bateu Stefanie Voegele por 6/3 e 6/2 marcou um encontro com Ying-Ying Duan (#87), que eliminou Varvara Lepchenko (#88) por 6/3, 3/6 e 10/8.

Quem segue impressionando é Eugenie Bouchard, que voltou a jogar bem e está sem problemas físicos. Nesta quarta, despachou Shuai Peng (#83) por 7/6(5) e 6/2, tomando a iniciativa na maioria dos pontos e jogando com precisão. Ex-top 5 e solta na chave (ocupa o 47º posto hoje), a canadense enfrentará Coco Vandeweghe, que passou por Pauline Parmentier por 6/4 e 7/6(5), na terceira rodada em busca de um possível duelo com Kerber nas oitavas. Será?

Por fim, abrindo a sessão noturna da Rod Laver Arena, Garbiñe Muguruza derrotou Samantha Crawford por 7/5 e 6/4. Não foi lá uma jornada impecável da espanhola, que desperdiçou duas quebras de vantagem na primeira parcial, mas foi o bastante para evitar um terceiro set. Ela agora enfrenta Anastasija Sevastova, cabeça de chave número 32, em busca de um lugar nas oitavas.

Mais cabeças que rolaram

Cabeça de chave #19, John Isner entrou em quadra como favorito contra Mischa Zverev. Aumentou seu favoritismo depois de abrir 2 sets a 0. Só que o alemão, irmão mais velho do “prodígio” Alexander, equilibrou a partida. Venceu um, dois e forçou o quinto set. Isner, que não tem lá um retrospecto tão bom assim em melhor de cinco sets, até salvou um match point com sorte…

O americano, no entanto, acabou sucumbindo depois de não conseguir converter dois match points no quarto set: 6/7(4), 6/7(4), 6/4, 7/6(7) e 9/7. A maior consequência do resultado é deixar, no papel, a chave menos complicada para Andy Murray, que enfrentaria Isner (ou Pouille) nas oitavas. Zverev, por sua vez, avança para encarar Jaziri em busca de um lugar nessas oitavas que possivelmente serão contra o número 1 do mundo.

No fim do dia, foi a vez de Marin Cilic ser o primeiro top 10 a dar adeus a Melbourne, o que confirmou um péssimo início de temporada, que já incluía uma derrota para o eslovaco Jozef Kovalik (#117 do mundo) no ATP de Chennai e um susto diante de Jerzy Janowicz na primeira rodada em Melbourne. Nesta quarta, o algoz do croata foi o britânico Dan Evans, que fez 3/6, 7/5, 6/3 e 6/3.

A chave feminina também teve um punhado de cabeças de chave que rolaram, como Shuai Zhang, eliminada por Alison Riske, e Irina-Camelia Begu, que caiu diante de Kristina Pliskova. As quedas mais relevantes foram a de Carla Suárez Navarro, cabeça 10, que foi superada por Sorana Cirstea (sim, aquela!), e Mónica Puig, a campeã olímpica, que não passou pela alemã Mona Barthel.

Os brasileiros

Já eliminado nas simples, Thomaz Bellucci voltou a Melbourne Park para tentar a sorte nas duplas. Ele o argentino Máximo González, no entanto, não passaram da estreia e perderam para Pablo Cuevas e Rohan Bopanna: 6/4 e 7/6(4). Assim, o #1 do Brasil e #62 do mundo encerra sua passagem pela Ásia com três derrotam. Em Sydney, apenas nas simples, foi derrotado por Nicolas Mahut na estreia.

Marcelo Demoliner fez melhor e avançou. Ele e o neozelandês Marcus Daniell derrotaram o argentino Guillermo Duran e o português João Sousa por 7/6(2) e 6/4. Bruno Soares, que joga ao lado de Jamie Murray; Marcelo Melo, que faz parceria com Lukasz Kubot; e André Sá, que atua com o indiano Leander Paes, ainda não estrearam no torneio.


AO, dia 1: Halep tomba, brasileiros caem, Federer vence no retorno
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Alexandre Cossenza

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Foi um primeiro dia interessante, considerando que nem sempre há tantos jogos bons nas primeiras rodadas de um torneio do Grand Slam. Pois o Australian Open de 2017 abriu com uma zebraça na Rod Laver Arena, viu três top 10 disputarem jogos de cinco sets e ainda teve a primeira vitória de Roger Federer em um torneio contando pontos para o ranking em mais de seis meses.

A rodada também teve as derrotas de Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro, Nick Kyrgios atropelando, Muguruza administrando uma lesão, e Almagro com uma desistência lamentável e uma explicação memorável. Quer ficar por dentro? É só rolar a página e ler o resumaço desta segunda-feira.

Os favoritos

Andy Murray estreou sem perder sets, mas com uma atuação que, em alguns momentos, ficou no limite entre a preguiça e a falta de inspiração. Cometeu 27 erros não forçados, saiu atrás no segundo set e só não se complicou mais porque o adversário, Illya Marchenko, #95, não era tão perigoso assim e não jogou tão bem assim (somou 62 erros não forçados). No fim, venceu por 7/5, 7/6(2) e 6/2.

A sessão noturna começou com Angelique Kerber caminhando para o que parecia uma vitória rotineira, mas a coisa começou a desandar quando a alemã sacou para o jogo, teve match point, mas perdeu o serviço. A ucraniana Lesia Tsurenko (#51) aproveitou o embalo, quebrou de novo e forçou um nervoso terceiro set. No começo da parcial decisiva, um ponto crucial e espetacular mudou o rumo do jogo. Kerber sacou com break point contra e tomou uma ótima devolução cruzada. A alemã não só alcançou a bolinha como acertou uma improvável paralela de fora pra dentro. Depois disso, venceu todos os games e fechou em 6/2, 5/7 e 6/2.

No último jogo do dia na Laver, Roger Federer tirou a ferrugem de seis meses sem jogar um evento que desse pontos para o ranking mundial. O suíço teve lá seus problemas diante do também veterano Jurgen Melzer, 35 anos. O austríaco teve quebras de vantagem no primeiro set e conseguiu uma virada impressionante no segundo antes que Federer tomasse de vez o controle da coisa.

O placar final mostrou 7/5, 3/6, 6/2 e 6/2, e o que aconteceu em quadra não foi tão animador assim para o suíço. Afinal, não foi o tênis “limpo” e afiado que os fãs gostariam de ver e, principalmente, que será necessário para sair com o título do Australian Open. Federer ainda tem vários ajustes a fazer e, não fossem os 19 aces desta segunda, a história com Melzer teria sido muito mais longa.

A zebra

Ela apareceu logo no primeiro jogo, bem na quadra central. Simona Halep, “a primeira da fila” dos sem Slam, mostrou um tênis muito pouco inspirado desde os primeiros games. Shelby Rogers, #52 do mundo, não tinha nada a ver com isso e entrou soltando o braço e agredindo. A romena não só jogou mal. Sentiu dores no joelho esquerdo. Pediu atendimento medico antes do segundo set. Não adiantou. E Halep, sejamos justos, também tomou decisões ruins em quadra. Como o swing volley que tentou diante de um break point no primeiro set. Jogou a bola na rede e selou sua sorte na parcial. No segundo set, com a rival claramente abatida, Rogers disparou no placar e fechou em 6/3 e 6/1.

Na chave, a consequência do resultado é deixar Svetlana Kuznetsova como a tenista mais bem ranqueada no segundo quadrante. A semifinalista sairá de um grupo que já perdeu três cabeças (Siegemund e Bertens também caíram) no primeiro dia. Restaram, além de Sveta, Svitolina, Venus, Pavlyuchenkova e Puig. Uma delas vai longe, mas quem se candidata a adivinhar quem?

Três top 10 e 15 sets

A chave masculina viu Kei Nishikori em um dia nada brilhante, precisando de cinco sets para despachar Andrey Kuznetsov: 5/7, 6/1, 6/4, 6/7(6) e 6/2. A arrancada final no quinto set só começou depois de um atendimento médico. Após a interrupção, Kuznetsov perdeu o serviço e não se recuperou mais.

O segundo top 10 a suar foi Marin Cilic. Depois de perder os dois primeiros sets para o polonês Jerzy Janowicz, o croata #7 do mundo dominou as parciais seguintes e fez 4/6, 4/6, 6/2, 6/2 e 6/3. Um resultado importante não só pela sobrevivência no torneio, mas porque Cilic havia perdido três de suas últimas quatro partidas decididas em um quinto set. Nesses três reveses, o croata saiu ganhando por 2 a 0.

Por fim, Stan Wawrinka tomou um grande susto diante de Martin Klizan, que teve quebras de vantagem em todos os cinco sets. O eslovaco inclusive sacou em 4/3 e 40/15 no quinto, mas perdeu o serviço e viu o suíço iniciar uma reação furiosa – que incluiu uma curiosa bolada em um ponto ganho.

Não houve briga, e Wawrinka arrancou para fechar a partida em 4/6, 6/4, 7/5, 4/6 e 6/4. E, no fim das contas, todos grandes nomes da chave masculina venceram no primeiro dia do torneio.

Outros candidatos

Ao mesmo tempo em que Halep sofria na Rod Laver Arena, Garbiñe Muguruza sentia dores na coxa (a mesma lesionada em Brisbane) na MCA. A espanhola, contudo, já havia vencido o primeiro set quando enfiou-se num buraco, perdendo a segunda parcial por 4/1 para Marina Erakovic. A favorita, no entanto, “voltou” a tempo e avançou por 7/5 e 6/4.

Nick Kyrgios trabalhou bem (e rápido) para apagar as dúvidas sobre sua condição física. O australiano, lembremos, jogou a Copa Hopman se queixando de dores. Nesta segunda, porém, atropelou o português Gastão Elias: 6/1, 6/2 e 6/2.

Os brasileiros

Thomaz Bellucci foi amplamente dominado por Bernard Tomic. O australiano foi mais consistente, se defendeu melhor, agrediu bastante o segundo serviço do brasileiro e avançou por 6/2, 6/1 e 6/4. A atuação de Bellucci foi tão infeliz que deixou a desejar até nos desafios. Falo mais sobre o #1 do Brasil no próximo post.

Mais tarde, Thiago Monteiro reencontrou Jo-Wilfried Tsonga e soube o gostinho de enfrentar o francês de verdade – não aquela versão desinteressada que esteve no Rio Open do ano passado. Em Melbourne, Tsonga fez 6/1, 6/3, 6/7(5) e 6/2. Monteiro fez um esforço louvável para esticar o jogo, mas o duelo não foi tão equilibrado assim. O francês controlou as ações a maior parte do tempo e manteve uma sequência interessante: desde 2007, não perde na primeira fase de um Slam.

O milionário

Nicolás Almagro ficou menos de meia hora vivo no torneio. Abandonou após perder quatro games, com 25 minutos de jogo. Jeremy Chardy avançou para a segunda rodada. Indagado na coletiva se tinha entrado em quadra só pelo prêmio em dinheiro, Almagro foi direto como sempre. Disse que não e que tem mais de US$ 10 milhões. Bem explicado, não?

Depois, o espanhol postou em sua conta no Twitter a mensagem acima, dizendo que entrou em quadra sentindo dores e que não disputará os próximos torneios porque seu filho está prestes a nascer.

Os forehands mais rápidos

O Australian Open colheu dados estatísticos em suas últimas edições, e o New York Times mostrou uma pequena parte disso. A reportagem mostra os forehands e backhands mais rápidos dos últimos cinco anos de torneio.

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A curiosidade é que Rafael Nadal tem o forehand mais rápido do circuito. Além disso, na média Madison Keys tem uma direita tão forte quanto a de Tomas Berdych e um backhand que só perde em velocidade para Na Li. Os detalhes de como os números foram colhidos estão aqui.

O envelhecimento do torneio

Na tarde deste domingo, graças a um RT do jornalista Mário Sérgio Cruz, do Tenisbrasil, cheguei ao gráfico abaixo, que mostra o “envelhecimento” do circuito. Em 1989, a idade média dos tenistas no Australian Open era de 24,02. Hoje, é de 27,93. Enquanto em 1989 só havia quatro tenistas com mais de 30 anos, a chave deste ano possui 46 tenistas acima dos 30 e dez atletas acima dos 35. É uma diferença muito grande.


Tudo que você precisa saber sobre o Rio Open
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Alexandre Cossenza

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A organização do Rio Open promoveu, nesta quarta-feira, um encontro de jornalistas com o diretor do torneio, Lui Carvalho, para um bate-papo durante um café da manhã em um hotel na zona sul da cidade. Como já aconteceu no ano passado, a conversa é bastante interessante, com o diretor dando uma espécie de tour pelos bastidores das negociações com jogadores e falando sobre o que a organização espera para o futuro do ATP 500 carioca.

Entre os destaques do dia, Lui falou: das conversas com Del Potro, Murray, Djokovic, Nadal, Wawrinka, Berdych, Dimitrov, Monfils, Dustin Brown e outros; dos planos para transformar o Rio Open em um torneio de quadra dura; do desejo de fazer o evento no Parque Olímpico; da exclusão e da falta de interesse pelo torneio feminino; das vendas de ingressos; e de uma grande expectativa em relação a Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro. A declaração sobre Bellucci, em especial, é interessantíssima!

Selecionei os trechos que achei mais importantes e listei abaixo, com comentários meus e, em itálico, frases de Lui Carvalho. A lista com os tenistas inscritos está no fim do post.

Negociações com tenistas

Juan Martín Del Potro

“Um dos atletas que a gente esteve muito perto de conseguir foi o Del Potro. Ele fez a virada da carreira dele nos Jogos Olímpicos, no Rio, e a gente tinha toda a história montada para ele. Voltando de lesão, jogando no Rio, público apoiando, o único atleta argentino que não é vaiado no Brasil e ele tem essa conexão com o Brasil, mas infelizmente o fator piso pesou. Ele não quis jogar no saibro nessa época do ano, mesmo por valor nenhum. A gente estava pensando em fazer uma proposta conjunta Buenos Aires-Rio, mas infelizmente ele optou por jogar, se não me engano, Delray Beach e Acapulco. Não foi uma questão nem de dinheiro nem de vontade. Foi uma questão de preferência de piso.”

Gael Monfils

“É um namoro antigo nosso, até pela relação que a gente tinha com a nossa última fornecedora de material esportivo [Asics]. Monfils foi o primeiro atleta com quem a gente chegou a conversar, logo depois do Rio Open 2016. Já estava rolando bastante conversa, bastante troca de email para ver se a gente conseguia chegar num acordo, mas ele optou por um calendário diferente. Não tanto pelo piso, mas mais pelo calendário de não ter que voltar da Austrália para a América do Sul e ir direto para os Estados Unidos. Ele preferiu ficar em casa e jogar, se não me engano, Roterdã e Dubai.”

Janko Tipsarevic

“A gente estava esperando fechar a lista. É um ex-top 10, a gente acha um nome muito interessante para o torneio. É um cara divertidíssimo, ele é muito doido. E é um cara inteligentíssimo. Ele realmente pediu [um wild card], e a gente vai começar a ver os wild cards agora.”

Good first week…💪😈💪 @tipsarevictennisacademy #bangkok #keepgrinding #keeppushing #keepdigging

A photo posted by Janko Tipsarevic (@tipsarevicjanko) on

Grigor Dimitrov e Tomas Berdych

“A gente ficou meio nesse jogo de xadrez entre Nishikori e Thiem e Berdych e Dimitrov. Então a gente ficou meio jogando esse joguinho. Quem desses quatro a gente consegue trazer? É um tremendo jogo de xadrez.”

A forte concorrência de Dubai, Roterdã e Acapulco

“A gente disputa os atletas com Dubai, Roterdã e Acapulco, os ATPs 500 dessa época. Se o atleta joga Dubai, ele não joga Rio. Se ele joga Acapulco, é mais possível que ele jogue Rio. A gente fica muito na região. Nós e Acapulco coordenando aqui, Dubai e Roterdã de lá. Dubai está completando 25 anos, então o sheik está vindo com um A380 de dinheiro da Emirates. Acapulco, de um ano para o outro, decidiu investir um caminhão de dinheiro. A gente não sabe da onde está vindo tanto dinheiro também. E Roterdã está tentando consertar o que aconteceu em 2016. Não teve nenhum top 10. (…) Não pegou muito bem com público, patrocinador, ficou uma situação um pouco delicada.”

Outros nomes

“A gente falou com Zverev, Coric, Wawrinka, Murray, Djokovic… A gente chegou a conversar com todos top 10.”

Mudança de piso

“O que a gente está tentando mostrar [para a ATP] é que a competição agora é desleal. Nadal, que é um jogador de saibro, escolher Roterdã e fazer um calendário Roterdã-Acapulco… Os jogadores já não têm argumento para manter o [Rio Open] no saibro porque o carro-chefe deles já está botando a bandeirinha branca e dizendo ‘quero jogar na dura’. É uma politicagem de torneios tentando entrar num acordo do que faria sentido no calendário. (…) Hoje em dia, os jogadores querem mudar pouquíssimo de piso. O que a gente gostaria é de uma oportunidade para testar o Rio Open na [quadra] dura. E é isso que a gente está pedindo para a ATP.”

Calendário pós-2018

Até 2018, a ATP é obrigada a manter a estrutura atual de torneios, com Masters 1000, ATPs 5000 e ATPs 250. Juridicamente, a entidade pode mudar tudo a partir de 2019. Embora alterações radicais não sejam prováveis, é bem possível que o calendário sofra alterações e um aumento no número de datas. A intenção da ATP é decidir tudo isso até o fim deste ano.

“Existem milhares de discussões acontecendo. Por exemplo, a ATP e os diretores de torneio fizeram um trabalho conjunto para diminuir o calendário. O que aconteceu? Entrou a IPTL. Foi inteligente da nossa parte? Não. Foi a maior burrice que a gente fez. A gente deveria ter deixado o calendário com 52 semanas, assim não entra ninguém. Os jogadores fizeram um movimento ‘não quero jogar, quero ter offseason’. A gente ‘tá bom, então vamos diminuir o calendário’. Prejudicou um monte de torneio. E o que os jogadores fazem? Começam a jogar exibição na offseason. Sacanagem, né? Quem faz os jogadores são os torneios! Só existe o Federer, o Nadal porque existe um circuito que faz eles virarem estrelas. Aí eles viram estrelas e viram as coisas pra gente e vão jogar um circuito que não tem nada a ver com a gente? Realmente, é uma discussão que a gente tem em todas as reuniões.”

Desejo de jogar no Parque Olímpico

“A gente tem o desejo de jogar no Parque Olímpico um dia, mas isso não é uma decisão nossa. Depende de uma série de fatores. Depende de quem vai administrar o local, de como vai ser essa negociação, em que condições que a gente vai pra lá… A gente quer deixar isso bem explicado. Nosso evento é no saibro. A gente não conseguiu aprovação pra mudar de piso. A gente tentou e não conseguiu. Não teria tempo hábil pra mudar de dura pra saibro. Para 2018, a gente está tentando ver como pode fazer isso ser possível.”

Interesse no torneio feminino e valores dos ingressos

Com relação a esse assunto, argumentei com Lui Carvalho que não seria justo dizer que o torneio está cobrando o mesmo pelos ingressos de segunda a quinta, já que ano passado o Rio Open tinha um torneio feminino e, logo, o dobro do número de partida. Este ano, o preço é o mesmo, mas só para jogos masculinos. Ele respondeu argumentando que o interesse era mínimo para a chave feminina.

“Você tem a metade de partidas para ver, mas a gente foca no conteúdo, né? Não vou conseguir concordar com você. Se você fizer uma enquete com as pessoas, quantas compraram pra assistir a um jogo do feminino? Quando a gente toma a decisão de tirar o feminino, foi a primeira coisa que a gente falou: ‘a gente vai perder conteúdo?’ A gente fez uma enquete com várias pessoas. O nível do evento já começa muito diferente. Vamos imaginar que fosse um WTA International que tivesse uma Radwanska de cabeça 1 – eu sei que você adora a Radwanska. O nível já começa diferente. Com a data contra Doha e Dubai, o gap ficava ainda maior. A gente teve muita sorte de as brasileiras fazerem boas campanhas nos três anos. (…) Quantas pessoas compraram ingresso para ver a Schiavone? Não sei, mas você concorda comigo que as pessoas compraram ingresso para ver o Nadal, o Tsonga, o Isner? Até acho que quando a gente anunciou a Bouchard, a Madison, não mexe no ponteiro. Não mexe mesmo.”

Venda de ingressos

Até esta quarta, o Rio Open tinha vendido cerca de 60% dos ingressos e ainda havia bilhetes para todas sessões. Segundo Lui Carvalho, a final no domingo de Carnaval não atrapalha a venda. O torneio, aliás, vende pacotes de tênis+carnaval por meio da Faberg, agência parceira. Os ingressos estão à venda aqui.

Expectativa por uma boa campanha de Bellucci e Monteiro

Aqui, é interessante lembrar que Lui Carvalho não fala só como diretor do Rio Open, mas como manager da carreira de Thomaz Bellucci. A relação deles é de longa data e vem desde quando a carreira do tenista era gerida pela Koch Tavares. Lui, então funcionário da Koch, já era o responsável por administrar tudo relacionado a Bellucci.

“Acho que está na hora de o Bellucci e o Thiago fazerem alguma coisa especial no Rio Open. Tá na hora! Eles precisam, sabe? Bellucci precisa meter uma semi num ATP 500 no Brasil. Eles precisam disso. Isso vai ajudar o nosso esporte. Esses caras precisam botar o coração na quadra e dizer ‘eu vou fazer o que o Guga fez’. O Guga levou o tênis nas costas durante seis, sete, oito anos. Eles precisam fazer isso. A gente precisa disso. Estou apostando nisso.”

“Minha conversa com o Thomaz no fim de 2016 foi essa. ‘Você tem 30 anos de idade, entendeu? Ou você vai ou você vai. Não quero que você chegue no final da carreira Rubinho Barrichello. É a única coisa que não quero. Quero que você chegue Felipe Massa. Comoveu a galera. O Thomaz está numa fase que casou, está mais responsável, está numa fase boa pessoal. Ele precisa botar isso dentro de quadra.”

“Acho que os jogadores não entendem a responsabilidade deles dentro do esporte. Acho que eles olham muito a conta bancária deles e ‘ah, tá pingando’ e não entendem que o que eles fazem dentro de quadra move milhões de pessoas. Eles precisam ter mais essa consciência. É muito mais do que a vida deles, do que o patch da manga.”

Lista de participantes


Primeiras impressões de 2017
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Alexandre Cossenza

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Uma semana de jogos. É só isso que o mundo tem para analisar até agora e imaginar o que pode acontecer no Australian Open. É uma amostra pequena, é bem verdade, e muita gente se preocupa mais em calibrar os golpes do que no resultado imediato. Por isso, nem sempre é fácil “ler” o que aconteceu nestes primeiros torneios de 2017. Mesmo assim, já dá para começar a notar algumas tendências. Se elas vão ou não se confirmar em Melbourne e no resto do ano, é impossível saber. Mas elas estão aí, e este post é justamente sobre essas primeiras impressões da nova temporada. Comecemos pelo topo do circuito masculino, onde há dois favoritos óbvios e um interessante equilíbrio abaixo.

Andy Murray e Novak Djokovic

Britânico e sérvio, números 1 e 2 do mundo, respectivamente, são indiscutíveis como favoritos ao título do Australian Open. Ambos jogaram para o gasto em Doha e chegaram na final. E que final! Um jogo surpreendentemente bom para um primeira semana de temporada e que valia só 100 pontos (ou 200, se você é adepto da expressão futebolística “jogo de seis pontos”).

O que estava mesmo em jogo na final de Doha era moral, por isso Djokovic sai na frente. Para ele, o triunfo era mais importante. Murray já vinha de vitória sobre o sérvio no ATP Finals. Um resultado igual em Doha poderia mexer com o equilíbrio desse matchup. Com o título nas mãos de Djokovic, o cenário parece voltar a ser o mesmo de quase sempre: o sérvio será favorito caso os dois se encontrem na final em Melbourne.

O segundo pelotão

Kei Nishikori, finalista em Brisbane, talvez tenha mostrado o tênis mais sólido do começo ao fim da semana. Não deixa de ser um ótimo sinal para o japonês, mas vale ligar o alerta para a questão física. O tênis de Nishikori costuma cobrar contas altas, e a primeira de 2017 já apareceu. O japonês saiu da final de Brisbane se queixando de dores no quadril e dizendo que “vou tentar ficar saudável na próxima semana e espero estar pronto para o Australian Open.”

Stan Wawrinka fica um pouquinho atrás, mas só um pouquinho mesmo. Afinal, foi superado por Nishikori na semi em Brisbane, mas mostrou um tênis interessante o suficiente para início de temporada. É importante notar também que Stan se mostrou pouco incomodado com a eliminação e um tanto satisfeito com o nível de tênis que apresentou. Afinal, nestas primeiras duas semanas, o resultado final nem sempre é o mais importante. Assim, com o devido tempo antes do Australian Open para fazer a sintonia fina e os últimos ajustes, é justo dizer que o #1 da Suíça pode chegar forte mais uma vez a Melbourne.

Milos Raonic já tem na temporada uma respeitável vitória sobre Rafael Nadal, o que não é pouco – embora o revés diante de Grigor Dimitrov um dia depois tenha “esfriado” o canadense. Ainda assim, Raonic, assim como Nishikori e Wawrinka, pode “esquentar” e sair atropelando em Melbourne. Vale, porém, considerar sua fragilidade física, o que pode se acentuar no verão australiano, especialmente se for necessário disputar partidas longas.

E as lendas, onde ficam?

Aqui reside o maior ponto de interrogação do Australian Open. Nem tanto pelos momentos de Roger Federer e Rafael Nadal, mas por seus rankings. Nenhum dos dois estará entre os oito principais cabeças de chave em Melbourne, e isso certamente vai bagunçar as expectativas e as cotações das casas de apostas.

Tudo aponta para que Federer seja o cabeça 17 na Austrália, o que significa a possibilidade de um confronto de terceira rodada já contra um cabeça de chave 9 a 12. E como Nadal deve ser o cabeça 9, isso significa que, sim, é possível um “Fedal” já na terceira rodada. Mas o suíço também pode encarar Berdych, Goffin ou Tsonga nessa fase. Resumindo: as consequências serão grandes.

E isso, claro, se ninguém desistir até o início do torneio. Porque se isso acontecer, Nadal sobre para cabeça 8, e Federer, para 16. Nesse caso, aumentam muito as chances de o suíço encarar Murray ou Djokovic nas oitavas. Já pensaram?

Quanto à forma tenística, Federer fez um belo retorno. Jogou a Copa Hopman, se movimentou bem e conseguiu duas vitórias esperadas (Daniel Evans e Richard Gasquet). Mostrou um tênis que deve lhe render vitórias tranquilas nos primeiros jogos em Melbourne. É bem verdade que o suíço foi superado em três tie-breaks por Alexander Zverev e que foi o alemão que venceu a maioria dos ralis. Cabe, no entanto, a velha ressalva de pré-temporada.

Fosse um torneio oficial, Federer teria somado tantos erros não forçados (e foram muitos mesmo!) ou teria arriscado menos? O que ele queria mais: vencer aquela partida ou calibrar seu tênis? Fico com a segunda hipótese, pelo menos por enquanto. Não vejo motivo para desespero. Ainda assim, pairam as mesmas perguntas que todos faziam em 2014 e 2015. O Federer de hoje, com 35 anos, consegue passar por Murray e/ou Djokovic em cinco sets?

No que diz respeito a Nadal, o espanhol vem jogando o tênis agressivo que acredita precisar jogar. Quando dá certo, o ex-número 1 tem grandes atuações. Quando não, perde jogos que não deixaria escapar em outros tempos. Jogando desse jeito, a margem para dias ruins diminui. Não consigo ver o Nadal de hoje ganhando tantos jogos sem jogar seu melhor, como fez por tanto tempo. E lembremos: jogando assim, Nadal não encaixa duas semanas inteiras de ótimo tênis desde o US Open de 2013. A cada dia que passa, fica mais difícil (mas não impossível) imaginar que isso vá se repetir.

Quem corre por fora?

Por enquanto, é difícil dizer o que esperar de Dominic Thiem. No início da semana, o revés diante de Dimitrov parecia decepcionante, um começo de ano abaixo da expectativa. Agora, depois de ver o búlgaro com o título, nem tanto.

Alexander Zverev também chega cheio de moral após a Hopman – especialmente com a vitória sobre Federer. No entanto, o adolescente que muitos acreditam estar no rumo para ser número 1 do mundo ainda precisa de uma grande campanha em um Slam. Talvez de uma grande vitória (em um torneio oficial) para servir de trampolim para voos mais altos. Até que isso aconteça, Sasha entra em qualquer torneio brigando pelo posto de “meu azarão favorito”.

O que dizer de Nick Kyrgios, que chegou à Copa Hopman com uma lesão sofrida numa pelada de basquete? A falta de compromisso do garotão não chega a ser uma surpresa (ele vive dizendo que não gosta de tênis), mas me parece um abuso para quem andou falando que poderia conquistar o Australian Open já este ano. Jogo para isso ele, de fato, tem. Ainda precisa mostrar que tem cabeça, foco e todos aqueles atributos que são mais do que bater bem na bolinha.

Quem surpreendeu?

O grande nome da primeira semana na ATP é, inquestionavelmente, Grigor Dimitroc. O búlgaro começou 2017 com três vitórias sobre top 10: Thiem, Raonic e Nishikori. Foi quem mais impressionou – pelo menos em termos de resultados – até agora, e o título de Brisbane lhe dá a confiança necessária para chegar a Melbourne realmente acreditando na possibilidade de uma grande campanha.

As grandes questões para Dimitrov, agora, são: ele teria feito o mesmo em um torneio mais importante, onde o resultado imediato fosse prioridade para todos tenistas?; e ele conseguirá repetir esses resultados em jogos de cinco sets, lembrando que ele não alcança as quartas de um Slam desde 2014? Talvez seja injusto levantar tais questões na primeira semana do ano, mas é nisso que a gente vai prestar atenção em Melbourne, não é verdade?

Nas casas de apostas

Fiquem de olho nas cotações pós Hopman/Doha/Sydney. Vai ser interessante ver o quanto elas vão mudar após o sorteio da chave em Melbourne.

Os brasileiros

Para o Brasil, até que os primeiros torneios do ano renderam resultados animadores. Thiago Monteiro perdeu na primeira rodada em Chennai, mas venceu dois jogos (Fabbiano e Giraldo) e entrou na chave principal em Sydney. O cearense também anunciou seu novo fornecedor de material esportivo: a espanhola Joma, que entra no lugar da Lacoste. Monteiro, lembremos, deixou de ser agenciado por Gustavo Kuerten (garoto-propaganda da Lacoste) para ser atleta da LinkinFirm, de Márcio Torres, que também agencia Bruno Soares, André Sá e Teliana Pereira.

Rogerinho, por sua vez, venceu uma partida (Lajovic) em Chennai, mas caiu nas oitavas de final, superado por Roberto Bautista Agut, que acabou como campeão do torneio. Em Sydney, porém, o paulista foi eliminado na primeira rodada do qualifying por Nikoloz Basilashvili.

Thomaz Bellucci, o #1 do Brasil, entrou na última hora na chave em Sydney, mas não passou da estreia. Diante de Nicolas Mahut, fez um primeiro set nada animador e só esboçou uma reação no finzinho do segundo set. Até teve chances de estender a partida, mas terminou derrotado por 6/2 e 7/6(2).

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Vale notar também que Bellucci não é mais atleta da adidas. O paulista jogou em Sydney vestindo Wilson, marca que já era sua fornecedora de raquetes. O texto de sua assessoria de imprensa cita como marcas parceiras de Bellucci a Claro, a Embratel (que são a mesma empresa) e a Wilson.


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Alexandre Cossenza

A Manic Monday, como é chamada a tradicional segunda-segunda-feira de Wimbledon, com todas oitavas de final em quadra, correspondeu às expectativas. Quintos sets longos, chuva, tie-breaks dramáticos, viradas, atuações impecáveis dos favoritos e jogos adiados por falta de luz natural. Teve um pouco de tudo. Teve até número 1 do mundo ameaçando processar. Perdeu tudo isso? O resumaço traz quase tudo nas linhas abaixo.

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O melhor jogo do torneio

Foram 180 minutos fantásticos. Desde o espetacular primeiro set de Dominika Cibulkova, passando pela reação memorável de Agnieszka Radwanska, que salvou match point no segundo set e forçou mais uma parcial, até o longo terceiro set, sem tie-break, com break points em dez games diferentes e que terminou de forma magnífica, com a eslovaca vencendo e ganhando um abraço da polonesa. O placar final mostrou 6/3, 5/7 e 9/7 para Cibulkova.

É bem verdade que a número 18 do mundo poderia ter vencido mais rápido. Distribuiu pancadas do fundo de quadra, jogando Radwanska para os lados. Teve chances de fechar antes, mas vacilou. Não que a terceira colocada no ranking não tenha seus méritos. Lutou bravamente com seu tênis inteligente e teve até um match point no 12º game do terceiro set. Cibulkova se salvou.

Classificada para as quartas, Cibulkova leva consigo uma sequência de nove triunfos na grama. Ela ainda não perdeu no piso na temporada. Antes de Wimbledon, disputou apenas o WTA de Eastbourne e foi campeã. A eslovaca será favorita contra a russa Elena Vesnina (#50), que bateu Ekaterina Makarova (#35) de virada: 5/7, 6/1 e 9/7.

Importante: Cibulkova tem seu casamento marcado para sábado. Se alcançar a final, já avisou que não se importará de adiar a cerimônia. “Escolhemos essa data porque nunca me vi como uma jogadora de grama”, explicou, segundo o site do torneio.

Os favoritos

Enquanto Radwanska e Cibulkova terminavam o segundo set na Quadra 3, Roger Federer (#3) entrava na Central para enfrentar Steve Johnson (#29). Os três sets do suíço duraram mais ou menos o mesmo que o terceiro set da Quadra 3. Tirando um par de break points no quinto game do primeiro set, quando o jogo ainda estava empatado, e uma quebra de Johnson no terceiro, Federer dominou. Venceu por 6/2, 6/3 e 7/5 e chegou à 306ª vitória em Slams na carreira, igualando a marca de Martina Navratilova.

É inevitável pensar que tudo conspirou para o heptacampeão até agora. Não só a chave tranquila na primeira semana, justamente o que ele precisava depois de resultados aquém do esperado em Stuttgart e Halle, mas também com a derrota de Novak Djokovic, o único a derrotá-lo nos dois últimos anos em Wimbledon, e talvez até com a lesão de Kei Nishikori, que abandonou e colocou Marin Cilic como rival de Federer nas quartas de final.

Por outro lado, Cilic faz uma campanha bastante digna na grama este ano (fez semi em Queen’s) e promete ser o primeiro teste de verdade para o suíço no All England Club. O próprio Federer lembrou que o croata passou como um caminhão por ele no US Open de 2014, seu último duelo. Será que Cilic consegue repetir? Não parece provável, mas também não parecia em Nova York…

Em seguida, Serena Williams fez uma apresentação bastante … serenesca diante de Svetlana Kuznetsova (#14). Um começo arrasador, um momento instável no fim do primeiro set, e uma segunda parcial quase perfeita. Fez 14 aces, 43 winners e derrotou a russa em 1h16min, por 7/5 e 6/0, avançando às quartas.

Foi o tipo de atuação que se espera ver da número 1 do mundo, especialmente em Wimbledon, e que ainda não tinha acontecido. Passou o recado de que não será fácil derrotá-la no All England Club. O resto da chave deve estar preocupado, assim como Anastasia Pavlyuchenkova (#23), sua próxima adversária.

A russa avançou ao bater Coco Vandeweghe (#30) por 6/3 e 6/3 e já está no lucro. Afinal, ninguém esperava que Pavlyuchenkova fosse tão longe, já que somava mais derrotas do que vitórias na carreira em Wimbledon. Agora chega sem responsabilidade e pode entrar “solta” na quadra Serena. Parece justo dizer que não há muita gente acreditando na russa contra a número 1.

Por último, Andy Murray também mostrou todo seu arsenal contra Nick Kyrgios (#18), descomplicando o que muitos viam como uma partida duríssima. De duro mesmo, só o primeiro set, que o britânico fechou fazendo um último game impecável. O triunfo veio por 7/5, 6/1 e 6/4, com um Kyrgios perdido, sem encontrar alternativa para superar o favorito.

O próximo obstáculo para o escocês será Jo-Wilfried Tsonga (#12), que se beneficiou de uma lesão nas costas de Richard Gasquet (#10), que abandonou a partida quando perdia o primeiro set por 4/2. Nada ruim para Tsonga, que vinha de completar um partida um tanto longa contra John Isner no domingo. Não que ele estivesse esgotado, mas o descanso não fará nada mal.

Mais uma ameaça judicial

Incomodada com os pingos que caíam timidamente na Quadra Central, Serena Williams achava que a quadra estava escorregadia demais para continuar a partida. Sem ser atendida imediatamente (o teto foi fechado pouco depois), a número 1 disparou: “Se eu me machucar, vou processar”.

O susto

Milos Raonic (#7), desde sempre considerado a maior ameaça ao então-vivo-na-chave-Djokovic antes das semifinais, esteve a um set da eliminação nesta segunda-feira. Com seu saque quebrado duas vezes, perdeu dois sets. Sorte que do outro lado da rede estava David Goffin (#11), que não tem exatamente um histórico de grandes atuações em momentos cruciais. Raonic conseguiu uma quebra logo no terceiro game do terceiro set e mudou o rumo da partida. Acabou saindo com a vitória por 4/6, 3/6, 6/4, 6/4 e 6/4.

Foi a primeira vez na carreira que Raonic venceu um jogo após estar perdendo por 2 sets a 0. O canadense agora vai enfrentar Sam Querrey (#41), algoz de Djokovic que venceu mais uma ao derrotar Nicolas Mahut (#51) por 6/4, 7/6(5) e 6/4. Preparem-se para contar aces e ver poucos ralis.

Correndo por fora

Venus Williams (#8) continua aproveitando o máximo sua chave, que nunca foi das mais complicadas. Nesta segunda, eliminou Carla Suárez Navarro (#12) por 7/6(3) e 6/4. O primeiro set teve momentos delicados, com a espanhola sacando para o jogo e uma interrupção por chuva. Venus, no entanto, segue avançando e já tem sua melhor campanha em Wimbledon desde 2010, quando também avançou às quartas e foi eliminada por Tsvetana Pironkova.

Venus, 36 anos, é a tenista mais velha a alcançar as quartas de final de Wimbledon desde Martina Navratilova em 1994. A ex-número 1 do mundo também será favorita na próxima rodada, já que vai encontrar Yaroslava Shvedova (#96), uma das maiores surpresas o torneio até agora. A cazaque, que já havia eliminado Svitolina e Lisicki, despachou Lucie Safarova as oitavas: 6/2 e 6/4.

O outro jogo nessa metade da chave é entre duas candidatíssimas: Simona Halep (#5), que despachou Madison Keys por 6/7(5), 6/4 e 3/3, e Angelique Kerber (#4), que encerrou o torneio de Misaki Doi (#49) por 6/3 e 6/1. Promete ser o confronto mais interessante das quartas de final femininas.

Entre os homens, Tomas Berdych (#9) esteve perto de dar mais um passo, mas deixou passar uma ótima chance de despachar o compatriota Jiri Vesely (#64). O top 10 sacou para fechar a partida no quarto set, mas foi quebrado e, quando chegou ao tie-break, depois de Vesely salvar três match points, já reclavama da luz, argumentando que o jogo deveria ter sido interrompido.

O game de desempate foi louco. Vesely abriu 6/1, Berdych virou para 7/6 e teve mais dois match points, mas não conseguiu fechar. Vesely acabou vencendo e forçando um quinto set. A continuação também ficou para terça-feira. Quem vencer enfrentará Lucas Pouille (#30), que despachou de virada o australiano Bernard Tomic (#19): 6/4, 4/6, 3/6, 6/4 e 10/8.

As quartas de final

[28] Sam Querrey x Milos Raonic [6]
[3] Roger Federer x Marin Cilic [9]
[10] Tomas Berdych ou Jiri Vesely x Lucas Pouille [32]
[12] Jo-Wilfried Tsonga x Andy Murray [2]

[1] Serena Williams x Anastasia Pavlyuchenkova [21]
[19] Dominika Cibulkova x Elena Vesnina
[5] Simona Halep x Angelique Kerber [4]
[8] Venus Williams x Yaroslava Shvedova

Os brasileiros

O dia foi difícil para os mineiros. Marcelo Melo e Ivan Dodig foram eliminados em três sets por Raven Klaasen e Rajeev Ram: 7/6(3), 7/6(5) e 6/3. Em seguida, Bruno Soares e Jamie Murray fizeram uma partida longa e dramática contra Mate Pavic e Michael Venus. Brasileiro e britânico venceram os dois primeiros sets, mas perderam os dois seguintes e mergulharam em um quinto set longo.

Por suas vezes, Bruno e Jamie tiveram quebras de vantagem, e o britânico até sacou para o jogo em 5/3. Depois de um match point, o saque do escocês foi quebrado, e a partida continuou dramática, noite adentro, sem tie-break. A partida foi interrompida pouco depois das 21h locais, após o 26º game, depois que Venus e Pavic salvaram mais um match point.

Bom humor na adversidade

Logo depois de perder o quarto set, Bruno Soares reclamou com a árbitra de cadeira por levar uma advertência. A juíza explicou que a grama é sensível, e o brasileiro respondeu “eu também sou sensível, acabei de perder um set”.


Quadra 18: S02E09
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Alexandre Cossenza

Novak Djokovic é tão favorito como sempre foi? E Roger Federer, pode ser considerado um dos favoritos em Wimbledon este ano? Na grama, quem é a maior ameaça a Serena Williams? E quem foram os maiores beneficiados no sorteio das chaves? São essas e outras perguntas Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu tentamos responder neste especial pré-Wimbledon do podcast Quadra 18. Quer ouvir? É só clicar no player abaixo:

Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse neste link e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Cossenza apresenta o programa pré-Wimbledon
1’30” – Federer é um dos favoritos ao título este ano?
3’00” – É o momento mais vulnerável de Federer em Wimbledon?
4’44” – O que esperar de Djokovic, que ainda não jogou na grama?
6’22” – Djokovic chega a Wimbledon atrás de Murray na lista de favoritos?
7’15” – Como Djokovic vai lidar com a possibilidade de poder fechar o Grand Slam?
8’08” – A volta de Lendl pode fazer Murray voltar a jogar no nível de 2012 e 2013?
9’05” – O nível de Murray hoje é inferior ao de antes ou é Djokovic que dá essa impressão?
10’30” – E quem está na frente de quem na lista dos favoritos?
11’15” – Murray foi o “ganhador” do sorteio?
12’40” – Os melhores jogos da primeira rodada
15’00” – “Djokovic se deu muito mal nesse sorteio”
17’40” – Mais jogos legais de primeira rodada
18’22” – Nishikori chega às quartas para enfrentar Federer?
19’14” – Registro da presença e do feito histórico de Sergiy Stakhovsky
20’35” – As estreias de Bellucci e Rogerinho
22’00” – Palpites para campeão, decepção e zebra
25’00” – Aliny analisa a chave de duplas
27’50” – As quatro duplas com brasileiros e as estreias duríssimas
31’40” – Good Grief (Bastille)
32’19” – Quem são as favoritas na chave feminina?
35’05” – As cotações as casas de apostas
36’35” – As chances de Keys, Kerber e Karolina Pliskova
38’35” – A chave de Muguruza
39’30” – As boas chances de Venus Williams
40’40” – Quem “ganhou” o sorteio? Radwanska?
41’35” – Palpites para campeã, decepção e zebra

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entra Good Grief (Bastille).


RG, dia 8: Muguruza em alta, Nishikori em baixa e uma zebraça nas quartas
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Alexandre Cossenza

Não é todo dia que alguém fora do top 100 consegue uma vaga nas quartas de final de um Slam. Pois foi isso que Shelby Rogers fez ao derrotar (por enquanto) as cabeças de chave Karolina Pliskova, Petra Kvitova e Irina Camelia Begu. A americana, no entanto, não foi a única a derrubar um favorito neste domingo. Richard Gasquet, fazendo um torneio impecável, eliminou Kei Nishikori. Quem segue inabalável é a espanhola Garbiñe Muguruza, cada vez mais candidata ao título em Paris. O resumo do dia trata disso tudo, analisa mais uma vitória de Andy Murray, atualiza a disputa pelo número 1 nas duplas e traz grandes vídeos como o de Stan Wawrinka brincando com um boleiro durante a partida contra Viktor Troicki. É só rolar a página e ficar por dentro!

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Os favoritos

Garbiñe Muguruza tinha um jogo nada simples neste domingo, mas conseguiu fazer parecer pouco complicada a tarefa de derrotar Svetlana Kuznetsova (#15) e avançou por 6/3 e 6/4. A russa até ameaçou uma reação na segunda metade da segunda parcial e ninguém sabe o que teria acontecido em um terceiro set, mas Muguruza segurou bem a onda no fim, inclusive salvando break point depois de perder dois match points. Depois de uma estreia que lançou pontos de interrogação, parece seguro dizer que a espanhola faz um belo torneio e é candidatíssima a chegar à final.

Mais tarde, Andy Murray (#2) voltou a encarar um sacador e a vencer por 3 sets a 0. John Isner deu trabalho no primeiro set e teve uma bola à disposição para vencer o tie-break, mas jogou em cima do britânico e levou uma passada. Foi, no fundo, a única real chance do americano, que tombou por 7/6(9), 6/4 e 6/3.

Difícil dizer o quanto esse jogo ajudou na caminhada de Murray rumo às fases mais complicadas, mas não deixa de ser bom ver que o britânico fez o dever de casa sem se complicar mais do que o necessário. O próximo jogo, contra Richard Gasquet (#12) – e a torcida parisiense – não pode ser classificado como o primeiro grande teste de Murray no torneio, mas ele traz um cenário novo: o francês será o primeiro a entrar em quadra bem cotado para bater o escocês. E agora?

Para não deixar sem registro: é a sexta vez que Andy Murray alcança as quartas de final em Roland Garros. Para um tenista que passou a maior parte da carreira sendo criticado pelo retrospecto no saibro, parece um currículo bem digno, não?

Os brasileiros

A campanha na chave de duplas acabou para Bruno Soares e Jamie Murray, que foram superados nas oitavas de final por Leander Paes e Marcin Matkowski em dois tie-breaks: 7/6(5) e 7/6(4). O resultado tirou Jamie da briga pela liderança do ranking nesta semana. Seguem na disputa Marcelo Melo, atual número 1 do mundo, o francês Nicolas Mahut e o americano Bob Bryan. O favorito é Mahut, que garante a posição se vencer mais uma partida em Paris. A matemática está explicadinha no site Match Tie-Break, da Aliny Calejon.

Nas duplas mistas, ao lado de Elena Vesnina, Soares vencia por 7/5 e 1/1 quando o jogo foi interrompido e adiado. Os adversários eram a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Hey. Vale lembrar que esta partida estava marcada para sábado e não aconteceu por causa da chuva.

Correndo por fora

Stan Wawrinka (#4) segue avançando bem a seu modo. Muitos winners, muitos erros não forçados. Neste domingo, executou 67 bolas vencedoras e cometeu 50 falhas nos quatro sets que precisou para bater Viktor Troicki (#24): 7/6(5), 6/7(7), 6/3 e 6/2. Se a pergunta é “Wawrinka está jogando em nível para ser campeão?”, a resposta provavelmente é não, mas com a velha ressalva: Stan pode encontrar “aquele” nível de um dia para o outro, então é sempre bom ficar de olho nele.

Até agora, é um torneio irregular para o atual campeão, que nem foi tão testado assim. No caminho até as quartas, passou por Rosol, Daniel, Chardy e Troicki. É justo acreditar também que o próximo confronto, contra Albert Ramos Viñolas (#55), será igualmente favorável ao suíço.

Quem faz, sim, um belo torneio é o francês Richard Gasquet (#12), que derrubou Kei Nishikori (#6) neste domingo: 6/4, 6/2, 4/6 e 6/2. Com o backhand calibrado desde a vitória sobre Thomaz Bellucci na estreia, o tenista da casa vem fazendo partidas inteligentes taticamente e tecnicamente bem executadas.

Especificamente sobre o jogo deste domingo, Nishikori esteve longe do seu melhor – como esteve em todo o torneio, na verdade, e talvez tenha dado sorte ao escapar da virada de Verdasco na terceira rodada. Ainda assim, Gasquet é, por enquanto, quem chega mais testado nas quartas. Além de Bellucci e Nishikori, bateu o perigoso Kyrgios e esteve sempre no comando de seus jogos. Murray apresentará um desafio diferente, mas pelo que ambos mostraram até hoje, não convém duvidar de mais uma vitória de Gasquet.

A grande zebra

Número 108 do mundo, Shelby Rogers não estava nem de longe entre as mais cotadas para avançar em uma seção da chave que tinha Karolina Pliskova na estreia e Petra Kvitova em uma eventual terceira rodada. Pois a americana de 23 anos, que um mês atrás jogava ITFs de US$ 50 e 75 mil, avançou sem ganhar nada de graça. Bateu Pliskova (#19) na estreia, Elena Vesnina (#47) na segunda rodada e eliminou Kvitova (#12) na terceira rodada.

Sem perder o embalo, voltou à quadra neste domingo e eliminou mais uma cabeça de chave: Irina Camelia Begu (#28) por 6/3 e 6/4. Com a campanha, já garantiu sua entrada no grupo das 60 melhores do mundo, o que será o melhor ranking de sua carreira. E será que Rogers ainda tem mais uma zebra guardada na manga para enfrentar Muguruza nas quartas?

Mais cabeças que rolaram

Outro cabeça de chave a deixar o torneio foi Milos Raonic (#9), que ganhou uma aula de tênis-no-saibro de Albert Ramos Viñolas (#55). Apostando em ralis e devolvendo serviços muito no fundo de quadra, o espanhol anulou as principais armas do canadense e esperou pacientemente por suas chances.

Com uma tática bem elaborada e executada magistralmente, Ramos Viñolas fez 6/2, 6/4 e 6/4 e conquistou uma vaga nas quartas de final depois de quatro anos consecutivos com eliminações na primeira rodada.

Nas duplas femininas, um par de resultados se destacou. Na Quadra 2, Serena e Venus Williams foram derrotadas por Johanna Larsson e Kiki Bertens por duplo 6/3; e, na Quadra 1, Martina Hingis e Sania Mirza caíram diante das tchecas Barbora Krejcikova e Katerina Siniakova: 6/3 e 6/2. Hingis e Mirza ganharam os três Slams anteriores e completariam um “Santina Slam” com o título em Roland Garros.

Os adiamentos

A chuva – sempre ela – e a falta de iluminação artificial em Paris seguem atrasando a programação. Neste domingo, duas das oitavas de final femininas tiveram de ser adiadas. Sam Stosur (#24) sacava em 3/5 contra Simona Halep (#6) na Quadra 1, enquanto Agnieszka Radwanska (#2) liderava por 6/2 e 3/0 na Suzanne Lenglen contra Tsvetana Pironkova (#102).

Os melhores lances

Não foi um ponto, mas talvez tenha sido a melhor “jogada” de Stan Wawrinka no dia. Enquanto Viktor Troicki recebia atendimento médico no terceiro set, o suíço encontrou uma maneira de se manter aquecido e, ao mesmo tempo, ganhar o público. Cosias de um campeão.

Esse, sim, foi um ponto. Um pontaço do backhand mais violento do planeta.

E já que estamos no tema de backhands, Gasquet não ficou muito atrás hoje…


RG, dia 6: Nadal desiste, Muguruza cresce, Kvitova e Safarova dão adeus
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Alexandre Cossenza

Houve muitos lances bonitos e resultados importantes dentro de quadra, mas nada igualou a bomba que Rafael Nadal detonou em Roland Garros quando convocou uma coletiva para anunciar que está abandonando o torneio. O post de hoje avalia as consequências dessa desistência, lembra de resultados importantes na chave feminina, atualiza a corrida pelo número 1 nas duplas e traz a história de Marcel Granollers, o tenista mais sortudo do planeta. Fique por dentro.

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O abandono

A notícia do dia, sem dúvida, foi o anúncio de Rafael Nadal, que convocou uma entrevista coletiva às pressas para revelar que não continuaria no torneio por causa de uma lesão no punho esquerdo (seu forehand). Nadal disse que o problema começou na semana de Madri, nas quartas de final, contra João Sousa. Depois disso, fez exames e tratamento em Barcelona e decidiu jogar em Roma. O incômodo voltou antes mesmo de embarcar para Paris.

O espanhol, que vinha de duas grandes atuações, disse que a condição foi piorando ao longo da semana em Roland Garros e que jogou a partida contra Bagnis após tomar uma infiltração. Segundo o tenista, os médicos disseram que ele não teria condições de fazer mais cinco partidas e, por isso, não havia por que continuar no torneio.

Nadal afirmou que precisará de algumas semanas de imobilização no punho para, depois, tratar a lesão. “Espero uma recuperação rápida e estar pronto para Wimbledon, mas agora não é o momento de falar sobre isso.”

A consequência imediata é que Marcel Granollers (#56), que vem de uma vitória por desistência (Mahut abandonou no terceiro set), ganha um WO e vai às oitavas de final sem jogar. Ele será azarão contra Dominic Thiem ou Alexander Zverev, mas já tem um resultado inimaginável para quem estreou contra Fabio Fognini e enfrentaria o eneacampeão do torneio na terceira rodada.

No que diz respeito às chances de título, a coisa fica bem menos complicada para Novak Djokovic (#1), que provavelmente faria a semifinal contra Rafael Nadal. O contraponto é que o sérvio terá uma dose extra de pressão para finalmente vencer em Paris. De certo modo, será uma sensação parecida com a de Federer em 2009. Naquele ano, após levantar o troféu, o suíço admitiu ter se sentido pressionado depois que Robin Soderling chocou o planeta ao derrotar Rafael Nadal.

O homem mais sortudo do planeta

Em Monte Carlo, Marcel Granollers não passou pelo qualifying, mas herdou a vaga de David Ferrer, que decidiu de última hora não jogar o torneio. A vaga de cabeça de chave permitiu a Granollers entrar já na segunda rodada. Aproveitou a chance, bateu Alexander Zverev, David Goffin e só parou nas quartas de final. Saiu de lá com 196 pontos. Subiu de #67 para #50 no ranking.

Em Madri, aconteceu de novo. Granollers entrou como lucky loser na vaga de Roger Federer. Dessa vez, também estreando na segunda rodada, o espanhol não conseguiu avançar. Parou diante de João Sousa, mas somou 26 pontinhos.

Agora, em Roland Garros, teve todo mérito do mundo ao eliminar Fabio Fognini na estreia, mas ganhou 71 mil euros e 90 pontos de graça só com o abandono de Nadal. Com isso, mesmo que perca o próximo jogo, já ficará perto do 45º posto.

Os favoritos

O dia começou com Garbiñe Muguruza (#4) em mais uma atuação dominante: 6/3 e 6/0 sobre a belga Yanina Wickmayer (#54), que vinha de vitória sobre a cabeça de chave Ekaterina Makarova. Depois do susto na estreia, Muguruza soma apenas cinco games perdidos em dois jogos e ratifica sua posição de séria candidata ao título. Com Svetlana Kuznetsova (#15) pela frente nas oitavas e Begu ou Rogers nas quartas, a espanhola é favoritíssima para chegar ao menos às semifinais.

A outra candidata nessa metade da chave é Simona Halep (#6), vice-campeã em 2014. Nesta sexta, a romena precisou de três sets, mas superou a japonesa Naomi Osaka (#101) por 4/6, 6/2 e 6/3. Halep agora fará um jogo interessante contra Sam Stosur, que, apesar de já ter bons resultados no torneio, não estava tão cotada assim numa chave que tinha Lucie Safarova (falo sobre isso mais adiante).

Na chave masculina, Andy Murray (#2) finalmente fez uma aparição breve na Suzanne Lenglen. Bateu Ivo Karlovic (#28) em três sets: 6/1, 6/4 e 7/6(3), em menos de duas horas. O escocês conseguiu até limitar o número de aces do croata. Foram só 14 – oito deles, no terceiro e mais equilibrado set. Semifinalista em Paris no ano passado, Murray terá outro sacador pela frente nas oitavas, já que John Isner (#17) derrotou Teymuraz Gabashvili (#79) depois de estar uma quebra atrás no quinto set: 7/6(7), 4/6, 2/6, 6/4 e 6/2.

Stan Wawrinka (#4), que fez um dos últimos jogos do dia, teve menos problemas do que nas rodadas anteriores. Aplicou 6/4, 6/3 e 7/5 sobre Jeremy Chardy (#32) e avançou quase sem sustos. Os únicos momentos de (pequena) apreensão vieram no primeiro game, quando o suíço teve o serviço quebrado (mas devolveu em seguida), e no antepenúltimo, quando Chardy evitou que Stan fechasse o jogo com seu saque. O atual campeão, no entanto, voltou a quebrar imediatamente depois.

O sérvio Viktor Troicki (#24) será o próximo oponente de Wawrinka, após fazer 6/4, 6/2 e 6/2 em cima do francês Gilles Simon (#18), que não fez um grande torneio. Depois de suar contra Rogerinho, precisou de cinco sets para bater Guido Pella. Nesta sexta, contra Troicki, esteve atrás desde o game inicial.

O brasileiro

Marcelo Melo voltou à quadra ao lado de Ivan Dodig em busca de um lugar nas oitavas de final da chave de duplas. A parceria, atual campeã de Roland Garros, não teve problemas para bater os franceses Tristan Lamasine e Albano Olivetti por 6/2 e 6/4. Brasileiro e croata agora podem enfrentar a dupla de André Sá e Chris Guccione, que ainda precisam passar por Leo Mayer e João Sousa.

A briga pelo número 1

O resultado mais relevante do dia pela chave de duplas foi a derrota de Jean Julien Rojer e Horia Tecau para Pablo Cuevas e Marcel Granollers: 5/7, 6/4 e 6/3. Com isso, Tecau perde a chance de sair de Roland Garros como número 1 do mundo. Ainda seguem na briga Nicolas Mahut (que está vivo nas duplas apesar de ter abandonado a chave de simples), Jamie Murray, Bob Bryan e o próprio Marcelo Melo, atual líder do ranking e campeão do torneio parisiense.

Correndo por fora

Agnieszka Radwanska (#2), que nunca passou das quartas de final em Roland Garros, superou um obstáculo um tanto traiçoeiro nesta sexta. Bateu Barbora Strycova (#33) por 6/2, 6/7(6) e 6/2. Foi uma partida divertida de ver (pelo menos nos momentos que consegui acompanhar), com muita variação, e que a vice-líder do ranking conduziu muito bem no set decisivo.

Classificada para as oitavas para enfrentar Tsvetana Pironkova (#102), será que Radwanska já pode ser considerada uma forte candidata ao título? Talvez ainda seja cedo, mas a polonesa certamente será favorita contra a búlgara. Quem sabe nas quartas de final, contra Simona Halep, tenhamos uma ideia melhor?

Na chave masculina, Milos Raonic (#9) passou fácil pelo eslovaco Andrej Martin (#133): 7/6(4), 6/2 e 6/3. Foram mais de 2h40min de partida, mas só porque a primeira parcial durou 1h13min, com três games bastante longos. Abençoado pelo sorteio e pelos resultados, o canadense, que poderia estar enfrentando Marin Cilic ou Jack Sock nas oitavas, vai pegar o espanhol Albert Ramos Viñolas (#55), que surpreendeu Sock (#25) em cinco sets nesta sexta: 6/7(2), 6/4, 6/4, 4/6 e 6/4. Se tudo correr como previsto, Raonic e Wawrinka se encontrarão nas quartas.

O jogo mais esperado – pelo menos para mim – do dia era Richard Gasquet (#12) x Nick Kyrgios (#19), e parece justo dizer que a partida correspondeu às expectativas. Não só no resultado, com vitória do francês por 6/2, 7/6(7) e 6/2, mas pelo nível do tênis apresentado. Daria para encher um longo vídeo de melhores momentos só com pontos bonitos. Kyrgios venceu vários deles, mas, como quase sempre, não conseguiu manter um nível alto contra um rival consistente.

Para Kei Nishikori, houve drama. Tudo corria bem para o #6 do mundo até que Fernando Verdasco (#52), depois de perder os dois primeiros sets, iniciou uma reação fulminante. No começo do quinto set, era o espanhol que parecia mais próximo da vitória. No entanto, Nishikori conseguiu quebras no primeiro e no terceiro games e manteve a dianteira, avançando por 6/3, 6/4, 3/6, 2/6 e 6/4.

Cabeças que rolaram

Principal cabeça de chave na seção que já tinha visto Roberta Vinci e Karolina Pliskova ficarem pelo caminho, Petra Kvitova (#12) foi a vítima do dia, com um placar estranhíssimo: 6/0, 6/7(3) e 6/0 para a americana Shelby Rogers (#108), a mesma que bateu Pliskova na primeira rodada.

A americana avança para sua primeira aparição as quartas de final de um Slam, enquanto Kvitova segue em uma temporada problemática. Desde que se separou do técnico de longa data David Kotyza, em janeiro, a bicampeã de Wimbledon não conseguiu uma sequência digna de seu talento.

Quem se deu bem – pelo menos no papel – foi Irina-Camelia Begu (#28), cabeça 25 do torneio, que bateu Annika Beck (#39) por 6/4, 2/6 e 6/1 e será favorita contra Rogers na disputa por um lugar nas quartas de final.

Outra cabeça eliminada foi Lucie Safarova (#13), atual vice-campeã de Roland Garros. A tcheca foi eliminada em uma partida equilibrada e nervosa contra Sam Stosur (#24), vice-campeã em 2010: 6/3, 6/7(0) e 7/5. Uma surpresa mais pelos resultados recentes da australiana e pelo histórico de confrontos diretos (Safarova liderava por 11 a 3) do que pelo currículo de Stosur.

Não seria nada espantoso se Stosur desmoronasse depois do péssimo tie-break que jogou na segunda parcial. Em vez disso, a australiana começou o set decisivo com uma quebra e, mesmo quando perdeu a vantagem, manteve a cabeça no lugar. Quem implodiu foi Safarova, que fez um 12º game muito ruim e cedendo a quebra que colocou a adversária nas oitavas.

Os melhores lances

Você não vai ver muitos pontos melhores do que esse até o fim do torneio. Radwanska e Strycova, espetaculares.

Nick Kyrgios de despediu nesta sexta, mas deixou essa lembrança:

O australiano também ganhou esse pontaço abaixo.


RG, dia 2: drama de Murray, susto de Wawrinka e derrotas brasileiras
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Alexandre Cossenza

A chuva voltou a atrasou mais uma vez a programação em Roland Garros, mas desta vez teve tênis e sobrou emoção. Primeiro, com Wawrinka e Muguruza vivendo momentos de tensão. Depois, com Andy Murray andando na corda bamba e os brasileiros – Thomaz Bellucci e Rogério Dutra Silva – enfrentando franceses em ótima forma. O resumaço do segundo dia fala sobre tudo isso, lembra das cabeças que rolaram e inclui até uma ação publicitária de Marcelo Melo.

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Os favoritos

O maior drama do dia, seguramente, foi vivido pelo Andy Murray. Cabeça de chave 2, #2 do mundo, vindo de um título em Roma em cima de Novak Djokovic, o britânico chegou pela primeira vez a Roland Garros como sério candidato ao título. Tudo isso quase foi jogado pela janela nesta segunda-feira, diante de Radek Stepanek. O experiente tcheco, cheio de variações e evitando dar ritmo a Murray, abriu 2 sets a 0, fazendo 6/3 e 6/3 e deixando o mundo inteiro em alerta.

O escocês reagiu a tempo de evitar um fiasco. Fez 6/0 na terceira parcial, chegou a nove games seguidos e parecia navegar tranquilo para forçar o quinto set quando a partida foi paralisada por falta de luz natural. Quando os dois tenistas voltarem à quadra na terça-feira, o placar mostrará Stepanek liderando por 2 sets a 1, mas com Murray à frente por 4/2 no quarto set.

Embora não tenha fechado a parcial enquanto o momento lhe era favorável, Murray se deu bem com a interrupção. Diante de um tenista perigoso como Stepanek, é sempre arriscado entrar em quadra frio para jogar apenas um set. Do jeito que aconteceu, o britânico terá o fim do quarto set para calibrar golpes, aquecer e entrar com força total na parcial decisiva. O irmão, vide tweet abaixo, concorda.

Simona Halep, por sua vez, quase não teve problemas. Vice-campeã de Roland Garros e atual cabeça 6, a romena fez 6/2 e 6/0 sobre a japonesa Nao Hibino e avançou. Ela enfrentará na sequência a cazaque Zarina Diyas

Os brasileiros

Rogerinho (#85) fez uma ótima apresentação na Quadra Suzanne Lenglen, diante do sempre constante Gilles Simon (#18). O jogo, disputado com quadra bastante pesada e dois jogadores que não fogem de ralis, foi bastante longo e refletiu as características de ambos. Trocas longas, muitas quebras e equilíbrio. O primeiro set, decidido no tie-break, durou mais de 1h10min. O segundo, quase uma hora.

O brasileiro teve chances. Começou o jogo com 3/0 e duas quebras de frente. Na segunda parcial, abriu 4/2. Simon, no entanto, foi sempre mais consistente, dando menos pontos de graça e exigindo bastante de Rogerinho. No fim, o tenista da casa saiu vencedor por 7/6(5), 6/4 e 6/2.

Thomaz Bellucci também enfrentou um adversário respeitável, mas fez muito pouco diante de Richard Gasquet (#9). O francês começou a partida vencendo os primeiro cinco games e nunca deixou o brasileiro à vontade em quadra. Bellucci, que chegou a ter 15 games perdidos em sequência (comando os dez contra Delbonis em Genebra), até teve bons momentos no jogo, mas os 32 erros não forçados nos dois primeiros sets (em 16 games) facilitaram a vida do oponente.

Gasquet acabou vencendo por 6/1, 6/3 e 6/4, sem sustos. Bellucci, que cometeu 46 erros não forçados ao todo (contra 19 de Gasquet), agora soma oito vitórias e 15 derrotas na temporada. Depois de começar a temporada como 37º do mundo e entrar no top 30 em fevereiro, Bellucci vem em queda e já deixou o top 50. Nesta semana, é o #57 e pode cair mais ao fim do torneio francês.

As cabeças que rolaram

Entre os homens, Marin Cilic, cabeça 10, provavelmente foi a vítima da maior zebra do dia. O croata, que vinha de disputar a final do ATP de Genebra no sábado, tombou espetacularmente diante do argentino Marco Trungelliti (#166), que vinha do qualifying: 7/6(4), 3/6, 6/4 e 6/2.

O revés significa uma bela chance desperdiçada para Cilic, que estava numa chave em que enfrentaria Troicki na terceira rodada e, talvez, Raonic nas oitavas. Não era nada impossível imaginá-lo nas quartas contra Wawrinka – sim, o mesmo Stan que oscilou e quase também deu adeus nesta segunda-feira.

Na chave feminina, Sara Errani, cabeça 16, e Karolina Pliskova, cabeça 17, foram as primeiras a dar adeus. A italiana encerrou uma péssima passagem pelo saibro europeu com derrota por 6/3 e 6/2 para a búlgara Tsvetana Pironkova, enquanto a tcheca foi eliminada de virada pela americana Shelby Rogers: 3/6, 6/4 e 6/3.

A maior pré-classificada a dar adeus foi Roberta Vinci, cabeça 7, que foi rapidamente eliminada por Kateryna Bondarenko (#62) : 6/1 e 6/3. É o fim de uma péssima sequência para a vice-campeã do US Open, que sofreu quedas na estreia também em Madri e Roma.

Vinci estava numa seção bastante acessível da chave, sem grandes especialistas em saibro. Ela lá que estava também Karolina Pliskova. Agora, a “favorita” para alcançar as oitavas é Petra Kvitova, cabeça 10, mas tão imprevisível que requer sempre o uso de aspas para a palavra favorita.

Os sustos

O maior susto do dia veio logo no primeiro jogo da Quadra Philippe Chatrier, com Stan Wawrinka correndo o risco de se tornar o primeiro campeão de Roland Garros na história a ser eliminado na estreia no ano seguinte.

A estratégia kamikaze de Lukas Rosol, combinada com os momentos de inconstância do suíço, deixaram o jogo equlibrado. Quando o tcheco abriu 2 sets a 1, acabou a margem de erro para o campeão, que reagiu bem, vencendo as parciais seguintes. Stan até salvou um break point no começo do quinto set, mas não teve outros sustos na parcial, fechando o jogo por 4/6, 6/1, 3/6, 6/3 e 6/4.

A espanhola Garbiñe Muguruza (#4) também deu susto em seus fãs. Perdeu a primeira parcial para Anna Karolina Schmiedlova (#37) e, por um momento, parecia destinada a dar adeus atacando e errando do começo ao fim do jogo. Schmiedlova, no entanto, perdeu nove break points no primeiro game do segundo set, e Muguruza quebrou na sequência, mantendo a vantagem até o fim da parcial.

No set decisivo, Muguruza quase perdeu uma enorme frente. Sacou em 4/1, mas foi quebrada no sexto game e precisou salvar um break point no oitavo para evitar o empate da rival. No fim, confirmou o favoritismo e fechou em 3/6, 6/3 e 6/3.

Correndo por fora

Kei Nishikori foi o primeiro dos grandes candidatos ao título a entrar em quadra. No domingo, porém, a chuva impediu o término de seu jogo, então o japonês precisou fazer uma aparição rápida nesta segunda. E foi rápida mesmo. Apenas o suficiente para completar o triunfo sobre Simone Bolelli: 6/1, 7/5 e 6/3.

Cabeça de chave 2, Agnieszka Radwanska raramente é colocada entre as favoritas ao título. Seu histórico no saibro não justificaria mesmo. Sua estreia, porém, foi tranquila, fazendo 6/0 e 6/2 sobre Bojana Jovanovski.

Quem também corre por fora e triunfou nesta segunda foi Milos Raonic, que bateu Janko Tipsarevic (lembram dele?) por 6/3, 6/2 e 7/6(5).

Os adiamentos

Por causa da chuva – sim, ela de novo – a rodada começou com 2h30min de atraso. Quando os primeiros tenistas entraram em quadra, a organização já tinha decidido transferir 12 partidas: Cornet x Flipkens, Ivanovic x Dodin, Svitolina x Cirstea, Suárez Navarro x Siniakova, Jankovic x Maria, Rodionova x Konjuh, Zheng c Xibulkova, Cuevas x Kamke, Townsend x Hesse, Nara x Allertova, Wang x Andrianjafitrimo e Chung x Halys.

Dominika Cibulkova, aparentemente, aproveitou bem a folga.

Ao fim do dia, outros jogos interrompidos: Pouille vencia Benneteau por 2 sets a 1, Isner e Millman empatavam após dois tie-breaks, Doi liderava o segundo set contra Stosur após a australiana vencer a primeira parcial, Voskoboeva e Zhang ainda estavam em 5/5 no primeiro set, e Ekaterina Makarova liderava por 4/1 e saque o terceiro set contra Varvara Lepchenko.

Lances bacanas

A imagem não ajuda, mas fica o registro do impressionante backhand de Rogerinho, defendendo um smash cruzado de Simon e atacando na paralela para conseguir uma quebra de saque.

Leitura recomendada

Do blog de Diana Gabanyi, ex-assessora de Gustavo Kuerten, chefe de operações de imprensa do Rio Open e que está todos os anos em Roland Garros. No texto de hoje, ela fala sobre como o Slam do saibro vai ficando para trás em comparação com os outros três grandes.

Fanfarronices publicitárias

Em ação publicitária da Centauro chamada “Coisas que só o Marcelo Melo faz”, o número 1 do mundo faz truques com a raquete e a bolinha dentro de uma das lojas. Ótima iniciativa da rede de artigos esportivos.


RG, dia 1: muita chuva e pouco tênis, mas Kyrgios tumultua
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Alexandre Cossenza

Desde que decidiu antecipar seu início para o domingo, criando uma espécie de sessão caça-níqueis extra, Roland Garros sempre guardou as estreias mais importantes para segunda e terça-feira. Não foi diferente este ano. O domingo teve programação enxuta, sem os principais nomes do circuito, e, para piorar, sofreu atrasos enormes e cancelamentos por causa da chuva.

Deu tempo, porém, de Nick Kyrgios discutir com um árbitro de cadeira depois de levar um advertência por gritar com um boleiro. Lembremos, então, o que aconteceu de mais relevante no dia e o que a segunda-feira nos reserva.

Situação aqui em Roland Garros, todas as quadras cobertas por causa das chuvas. #rain #chuva #rg16

A photo posted by Marcelo Melo (@marcelomelo83) on

O susto

A principal cabeça de chave em quadra neste domingo era Petra Kvitova (#12). A tcheca foi a primeira a entrar na Philipe Chatrier e venceu bem no seu estilo: 6/2, 4/6 e 7/5 sobre Danka Kovinic em 2h20min de jogo. E não foi só isso. Kovinic (#57) chegou a sacar para a vitória, com 5/4 no placar no terceiro set. A tcheca, então, venceu três games seguidos e sobreviveu.

Kvitova está numa chave bastante acessível, encabeçada por Roberta Vinci, que vive meu momento. Como escrevi no guiazão, não é nada impossível que a tcheca vá longe em Roland Garros. A ver se os momentos de inconstância irão diminuir daqui para a frente. Sua próxima adversária será Su-Wei Hsieh, de Taiwan.

Os favoritos

Uma das poucas cabeças de chave a completar seu triunfo neste domingo foi a tcheca Lucie Safarova (#13), atual vice-campeã de Roland Garros. Após um título em Praga e resultados nada empolgantes em Madri e Roma, Safarova estreou bem, aplicando 6/0 e 6/2 sobre Vitalia Diatchenko (#223). Não foi, porém, um grande teste para a tcheca, que jogou bem, mas foi pouco exigida.

O encrenqueiro

Nick Kyrgios, sempre ele, recebeu uma advertência por conduta antiesportiva porque gritou com o boleiro ao pedir a toalha. Vejam o momento.

Kyrgios argumentou que gritou com o boleiro por causa do barulho da torcida e que não fez nada para merecer a advertência. O australiano perguntou também, se “quando Djokovic empurra um árbitro, está tudo bem.” Veja aqui.

Kyrgios acabou saindo vitorioso, fazendo 7/6(6), 7/6(6) e 6/4 sobre o italiano Marco Cecchinato. Por outro lado, talvez o gesto com o boleiro e a discussão com o árbitro de cadeira deixem todo mundo de olho no australiano. Ele que se cuide.

Os adiamentos

Após múltiplas interrupções e vendo a previsão, o torneio decidiu encerrar o dia mais cedo, pouco depois das 18h locais (normalmente, há jogos com luz natural até as 21h). Entre os jogos em andamento estavam em quadra o japonês Kei NIshikori, que vencia Simone Bolelli por 6/1, 7/5 e 2/1, e o americano Jack Sock, que abriu 2 sets a 0 sobre Robin Haase, mas viu o holandês reagir e empatar o placar. O quinto set começaria quando a chuva voltou.

Entre as mulheres, a partida entre a ex-russa e atual cazaque Yaroslava Shvedova e a russa-de-verdade Svetlana Kuznetsova foi interrompida no terceiro set. Depois de perder a primeira parcial por 6/4, Sveta fez 6/1 e liderava o set decisivo por 3/1. O jogo entre a americana Nicole Gibbs e a britânica Heather Watson também ficou pelo caminho. Gibbs sacava em 2/1 e 40/30 no terceiro set.

Vários jogos também acabaram suspensos antes mesmo de seu início. Entre eles, o de Simona Halep, principal cabeça de chave feminina escalada para o dia. A romena enfrentaria Nao Hibino. Outros jogos transferidos antes do começo foram Chardy x Mayer, Isner x Millman, Dimitrov x Trociki, Stephens x Gasparyan, Basilashvili x Edmund, Lisicki x Cepede Royg e Carballés Baena x Pavlasek.

Os melhores tweets

Micaela Bryan, filha de Bob Bryan, postou no Twitter um “Parabéns a Você” no piano dedicado a Novak Djokovic, aniversariante do dia. O sérvio número 1 do mundo completou 29 anos neste domingo.

Quem também soprou velinhas (ou não) neste domingo foi Eric Butorac, 35 anos, presidente do conselho dos jogadores da ATP. Sempre bem humorado, Booty aproveitou o tweet do jornalista Simon Cambers, que indagava se todo tenista aniversariante ganhava bolo dos torneios, e respondeu: “Eu te digo no fim do dia.”

Sam Groth, adversário de estreia de Rafael Nadal, pode não ter ficado muito contente com o sorteio da chave, mas manteve o bom humor. No tweet abaixo, o sacador disse que aproveitaria a chuva e plantaria algumas sementes para ver se cresceria grama até terça-feira.

David Ferrer deu uma pista do que vai acontecer nos próximos dias. O tradicional quadro “Road to RG”, no qual tenistas conversam com um motorista no caminho até o torneio, terá Gustavo Kuerten este ano.

O melhor do dia 2

Segunda-feira marca o começo “de verdade” de Roland Garros, com programação cheia e nomes de peso. A começar pelo atual campeão, abrindo o dia na Chatrier. Também na principal quadra de Paris estarão Nishikori, completando sua partida, Radwanska e Murray. A local Alizé Cornet fecha a rodada contra Kirsten Flipkens.

Os dois brasileiros jogam na Suzanne Lenglen, que abre o dia com Muguruza x Schmiedlova. Em seguida, Rogerinho enfrenta Simon e Bellucci encara Gasquet. Ivanovic fecha o dia contra a francesa Oceane Dodin.

Outros jogos interessantes são Raonic x Tipsarevic, abrindo a programação na Quadra 2, onde também será jogado o último set de Sock x Haase. Vale também acompanhar, se possível, Dimitrov x Troicki, que abre o dia na Quadra 3.


Roland Garros 2016: o guia (versão masculina)
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Alexandre Cossenza

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Equilíbrio, pero no mucho. Com Rafael Nadal campeão em Monte Carlo, Novak Djokovic levantando o troféu em Madri, e Andy Murray conquistando o território romano, é de se imaginar que está “tudo aberto”, como gostam de dizer por aí, em Roland Garros 2016. Na prática, não é bem assim. O número 1 do mundo, mais consistente entre os três, ainda é o nome mais cotado.

Qualquer coisa que seja um título de fora deste trio será uma grande surpresa. Até mesmo se o imprevisível e imprevisivelmente genial Stan Wawrinka tirar da cartola mais duas semanas espetaculares e repetir a façanha de 2015. E quem corre por fora, além de Wawrinka? Kei Nishikori e Dominic Thiem são os primeiros nomes na cabeça de quase todos. Milos Raonic não pode ser totalmente descartado, ainda que o piso não lhe seja o mais favorável.

O porquê do favoritismo de Djokovic e a lista de nomes que podem surpreender nas próximas semanas é o que tenta avaliar este guiazão da chave masculina. Role a página, leia e faça sua previsões se quiser.

Os favoritos / Quem se deu bem

Soa paradoxal afirmar que Novak Djokovic teve um sorteio favorável ao mesmo tempo em que o sérvio caiu do mesmo lado de Rafael Nadal na chave. Só que o número 1 do mundo parece ter um caminho bastante tranquilo até a semi, o que lhe permite tempo para calibrar os golpes, testar táticas e poupar o corpo. Depois da estreia contra Lu, Djokovic pega Ilhan/Darcis na segunda rodada, e Delbonis/Carreño Busta/Melzer/Bedene na terceira. Nas oitavas, encara quem avançar no grupo que tem Bautista Agut, Tomic, e Coric. Enfim, nas quartas, seus adversários mais perigosos em potencial seriam Ferrer, Berdych, Feliciano e Cuevas. Há que se considerar e ressaltar aqui o mau momento de Ferrer e Berdych, que contribui bastante para abrir o caminho ao sérvio.

Nadal tem uma rota mais turbulenta, que pode incluir Fognini já na terceira rodada, Thiem nas oitavas e Tsonga/Goffin nas quartas. Nada disso, porém tira – até as semifinais – o favoritismo do eneacampeão (tente escrever isso sem parar pra pensar em incluir um ponto de exclamação em algum lugar) !!! (Pensei e decidi incluir assim mesmo). O grande ponto de interrogação aqui é sobre o quanto Nadal conseguirá evoluir até as semifinais. Desde Indian Wells, o atual #5 do mundo vem crescendo e se mostrando mais sólido a cada dia. O duelo de Roma, contudo, mostrou que ainda falta algo para construir uma ameaça real a Djokovic. Os próximos dez dias serão fundamentais, e é até possível que a chave mais dura ajude Nadal nessa tarefa.

Entre os três principais cabeças, eu escolheria a chave de Andy Murray como a minha preferida. Um pouco porque Wawrinka, o cabeça mais forte dessa metade, não deu indícios até agora de que chegará à semifinal, mas também porque o único adversário real para o britânico até lá parece ser Kei Nishikori. É bem verdade que Murray pode ter um daqueles dias pavorosos e ficar pelo caminho enquanto esbraveja consigo mesmo dentro de quadra, mas não é isso que os últimos torneios sugerem. Também ajuda o fato de que Gasquet e Kyrgios caíram no mesmo quadrante do japonês. Assim, o britânico só enfrentará um deles.

Por fim, Wawrinka não deu azar. Se aprumar seu jogo a tempo, tem boas chances de ir longe em um caminho que tem Rosol na estreia, Klizan/Daniel na segunda rodada e possivelmente Chardy ou Mayer na terceira. Seu adversário de oitavas sai do grupo que tem Simon, Troicki, Dimitrov e Pella. Se chegar às quartas, Stanimal enfrentaria o “campeão” do setor de Raonic, Cilic, Pouille e Sock. Não parece nada ruim, certo? É como se o sorteio mandasse um “me ajuda a te ajudar” para o suíço. Resta saber se Wawrinka vai conseguir fazer o dever de casa.

Os brasileiros

Como ninguém venceu nem um jogo no quali, o Brasil começa a chave principal com Thomaz Bellucci e Rogerinho. O sorteio não foi nada generoso. O número 1 do Brasil enfrenta Richard Gasquet, cabeça 9, logo de cara. Se vencer, tem um bom jogo contra o vencedor de Querrey x Fratangelo antes de, quem sabe, duelar com Nick Kyrgios na terceira rodada. Há muito em jogo na partida de estreia.

O primeiro de Rogerinho será contra Gilles Simon, o cabeça de chave 16. Um dos maiores azarões do evento (vide cotações no fim do post), o número 2 do Brasil enfrentará Schwartzman ou Pella se passar por Simon. Em uma eventual campanha até a terceira rodada, o rival deve ser Dimitrov ou Troicki.

A grande ausência

Depois de 65 Slams disputados de forma consecutiva, Roger Federer ficará fora de Roland Garros. Recuperando-se de uma lesão nas costas (é, pelo menos, a versão oficial, embora há quem suspeite do joelho operado), o suíço optou por não jogar no saibro francês e voltar na temporada de grama.

A decisão faz todo sentido do mundo. Mesmo em 100% de condições, Federer não seria favorito ao título. Sem estar em um momento ideal fisicamente e sem fazer uma preparação adequada na terra batida, não há por que o suíço se desgastar em jogos melhor de cinco sets. Com o currículo que tem, Federer não tem motivo para se preocupar com o ranking ou com pontinhos aqui e ali.

Sua meta é conquistar torneios grandes, e sua melhor chance de vencer um Slam continua sendo Wimbledon. Jogar em Roland Garros agora poderia agravar a lesão e, aí sim, prejudicar sua participação no Slam da grama.

Os melhores jogos nos primeiros dias

São vários os duelos interessantes logo na primeira rodada em Roland Garros. Que tal Bellucci x Gasquet de saída? Ou Almagro x Kohlschreiber, outro jogo com enorme potencial? A lista de jogos imperdíveis ainda inclui Dimitrov x Troicki, Raonic x Tipsarevic, Fritz x Coric, Tomic x Baker e, se você gosta de jogo típico de saibro, vale ficar ligado em Schwartzman x Pella.

Entre os jogos envolvendo favoritos, não dá para descartar a possibilidade de zebra, ainda que pequena, em Wawrinka x Rosol, e o duelo entre Murray e Stepanek deve render meia dúzia de lances bacanas de conferir.

O que pode acontecer de mais legal

Por não ser cabeça de chave, Alexander Zverev ficou quase escondido no quadrante que tem Rafael Nadal. Se confirmar seu favoritismo contra Herbert na estreia, o alemão de 19 anos, #48 do mundo, deve encarar Kevin Anderson na segunda rodada. O sul-africano, vale lembrar, só venceu um jogo no saibro este ano, e Zverev é um grande candidato a zebra aqui. Se vencer, pode até reencontrar Dominic Thiem, contra quem decide o título de Nice neste sábado. Será?

Os tenistas mais perigosos que ninguém está olhando

Adoro escalar Marin Cilic para esta seção dos guias de Slams, em parte porque o croata costuma ser subestimado por muitos. Neste caso, porém, Cilic está fora do radar porque não fez nenhum torneio no saibro até esta semana, em Genebra. Só que a campanha em Genebra, que inclui uma vitória na semifinal sobre Ferrer (que está em péssima fase, é verdade) e uma decisão contra Wawrinka, pode ser um indício de algo interessante em Paris. O campeão do US Open de 2014 caiu em uma seção não tão dura (o mesmo quadrante de Wawrinka) e pode muito bem ir mais longe do que muita gente está prevendo.

Um raciocínio parecido pode se aplicar a Jack Sock, que pode encarar Cilic na terceira rodada. O americano, dono de um top spin considerável no forehand, tem resultados interessantes no saibro em 2016 (final em Houston, oitavas em Madri) e, na semana certa, tem potencial para aprontar. Por enquanto, é difícil imaginá-lo perdendo antes da terceira rodada. Se vencer esse jogo, deve encarar Raonic nas oitavas. Não seria a maior zebra do mundo se conseguisse dar mais esse passo.

Onde ver

A transmissão é do Bandsports, que diz, em suas notícias, que mostrará o evento em “canal e site”. O hotsite do canal para o torneio, no entanto, ainda contém apenas as notícias do ano passado.

Nas casas de apostas

O favoritismo de Novak Djokovic é amplo. Na bet365, um título do número 1 do mundo paga 1,80/1, ou seja, o apostador que investir um dólar receberá 1,80 de volta se Nole for campeão. Andy Murray (5/1) e Rafael Nadal (5,50/1) vêm logo atrás. O top 10 de favoritos ainda tem, na ordem, Wawrinka (13/1), Nishikori (21/1), Thiem (41/1), Kyrgios (67/1), Tsonga (67/1), Raonic (67/1) e Berdych (81/1). Apenas a título de curiosidade, Bellucci paga 501/1, enquanto Rogerinho paga 2001/1. Os maiores azarões são Rajeev Ram e Brian Baker, ambos cotados em 3001/1.

Na Betfair, as cotações na tarde desta sexta-feira eram assim: Djokovic (1,91), Murray (5,1), Nadal (7,4), Wawrinka (16,5), Nishikori (30), Thiem (70), Kyrgios (85), Tsonga (140), Ferrer (160) e Goffin (250).

O guia feminino

Com tanta coisa para analisar, pesquisar, escrever e editar, não vai dar tempo de publicar o guia para a chave feminina ainda hoje. Ele deve pintar aqui no blog amanhã (sábado), um pouco antes do podcast Quadra 18, que terá uma edição especial pré-RG cheia de palpites. Temos até um quiz desta vez. Então, segurem suas calças porque muita coisa ainda vai rolar por aqui. Até o próximo post!