Saque e Voleio

Arquivo : cbt

O que falta para o Centro Olímpico ser mesmo do tênis brasileiro?
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

GigantesdaPraia_cbv2_blog

No último fim de semana, a CBV realizou, em parceria com a TV Globo, um evento de vôlei de praia no Centro Olímpico de Tênis. Cerca de 280 toneladas de areia foram colocadas na quadra central, transformando o palco da final entre Andy Murray e Juan Martín del Potro em uma praia tropical, com direito a pequenas palmeiras e tudo mais.

Visualmente, ficou tudo muito bonito – como mostra a foto acima. Mas a imagem também levanta uma série de perguntas:

– Por que a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) está usando as instalações do tênis, enquanto a Confederação Brasileira de Tênis (CBT), que tanto falou em usar o local como sua casa, acaba de levar sua sede de São Paulo para Florianópolis?

– Por que a Asics, que tanto investiu no tênis recentemente, optou por não renovar os contratos de quase todos seus tenistas (só Bruno Soares foi renovado) e levar seu dinheiro para o vôlei?

Seria porque a CBV tem um CEO profissional? Ou porque tem um CT organizado e bem estruturado? Ou porque tem um trabalho de base eficiente, que gera novos talentos a cada ano? Ou porque organiza uma bela liga profissional? Ou porque simplesmente conquista resultados em nível mundial? Ou porque seu presidente não é réu em um processo na Justiça Federal?

Nos últimos dias, procurei CBT, CBV, Asics e Ministério do Esporte. Também consultei pessoas do meio que falaram em condição de anonimato. As respostas, infelizmente, trazem poucas novidades. A CBT continua falando em “intenções”, com nenhum resultado prático. O Ministério do Esporte ainda trabalha para estabelecer procedimentos. De prático mesmo, só as ações e o evento da CBV. Vejam quem disse o quê:

GigantesdaPraia_cbv3_blog

Gigantes da Praia

Por que a CBV teve direito a usar a quadra central para seu evento? Porque foi competente e reconheceu no espaço uma oportunidade. Procurou o Ministério do Esporte, fez uma proposta e teve sucesso. Em vez de gastar mais de R$ 1 milhão de reais em um evento na praia, fez tudo com um orçamento de aproximadamente R$ 500 mil no Centro Olímpico. No espaço do tênis, a CBV deixou de gastar com montagem de estrutura e com taxas pagas à União pelo uso do espaço na praia. No fim das contas, uma economia estimada em mais de 50%.

Em troca pelo uso do local, a CBV se comprometeu a instalar alguns guarda-corpos, a fazer a limpeza do Centro Olímpico de Tênis e a dar retoques de pintura na instalação. A entidade que comanda o vôlei também prometeu tomar todos cuidados para não danificar a quadra de tênis. Usou três camadas de lona de alta resistência para cobrir o espaço que recebeu a areia, evitando contato direto; instalou um tablado no percurso onde a mini carregadeira passava levando areia; e vedou o sistema de escoamento com mantas impermeáveis para evitar que chuva ou vento levassem areia aos dutos.

A operação de montagem da arena de vôlei de praia contou com 11 pessoas e durou quatro dias. Números e informações foram passadas ao autor deste blog pela própria CBV.

Lacerda_Westrupp_Andujar_blog

CBT: ainda só na intenção

Se há uma possibilidade de usar o Centro Olímpico como casa do tênis, por que a CBT se apressou tanto ao levar sua sede de São Paulo para Santa Catarina no fim do ano passado? Será mesmo que a entidade quer se basear no Rio? Há tempos, o presidente da CBT, Jorge Lacerda, fala em aproveitar o Centro Olímpico. No entanto, não se viu nada de prático até hoje. Enviei perguntas à CBT e obtive as respostas abaixo – assinadas por Lacerda.

A CBT ainda tem interesse de usar o COT como sede da entidade?
A CBT foi a primeira Confederação a buscar o diálogo com as entidades então responsáveis, demonstrando total interesse desde sempre.

Que medidas a entidade tomou junto ao Ministério?
Tivemos uma conversa produtiva hoje (segunda-feira, dia 6 de fevereiro) com o ministro Leonardo Picciani e vamos buscar avançar na parceria e viabilidade de absorção do legado olímpico de tênis.

O que falta para que o COT venha a ser, de fato, a sede da CBT?
O Ministério assumiu no dia 23/12/16 a administração do Parque Olímpico. Embora recente, o ME já está buscando conversar com as Confederações, inclusive a CBT para, em conjunto, encontrar a melhor solução de forma que o parque olímpico do tênis seja dirigido pela CBT.

CidadeOlimpica_publicas_blog

Ministério: fase de estudos

O Ministério do Esporte, que passou a ser o responsável pelo Parque Olímpico em dezembro, ainda não definiu um conjunto de procedimentos para o uso das instalações. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, que enviou as respostas abaixo (reproduzidas na íntegra), tudo ainda está em fase de estudos.

Qual o procedimento para que alguém tenha o direito de usar o Centro Olímpico de Tênis?
Havendo interesse de alguma entidade/órgão em utilizar qualquer uma das arenas sob responsabilidade do Ministério do Esporte, deverá enviar um ofício manifestando interesse e data do evento.

Qual o custo por dia?
Ainda não há definição de custo. O Ministério está elaborando uma proposta de custos por meio de estudos da legislação específica. Os eventos testes servem para ajustar os parâmetros de cobrança a serem estabelecidos.

Qualquer empresa (pública ou privada) pode alugar o local?
Nas áreas de propriedade da União a permissão de uso é aberta para todos (empresa pública ou privada). No caso do Parque Olímpico, em posse do Ministério do Esporte, os estudos avançam para a utilização dos mesmos parâmetros das áreas de propriedade da União.

Que requisitos são necessários preencher para que alguém tenha o direito de usar o Centro Olímpico de Tênis?
Consideramos que estamos na fase de estudos para definição de critérios objetivos, estamos realizando eventos testes exclusivamente com entidades do desporto.

A CBT já procurou o Ministério para negociar o uso do Centro Olímpico de Tênis como sede da entidade?
Positivo, inclusive a CBT na data de hoje [segunda-feira, 6 de fevereiro] formalizou sua intenção em construir um calendário futuro para a utilização do Centro de Tênis. A negociação ainda está em andamento.

BananaBowl_2017_MauricioVieira_blog

Banana Bowl: é possível?

É inevitável mencionar o Banana Bowl, importante evento juvenil realizado pela CBT e que mudou de sede novamente este ano – foi levado para Criciúma e Caxias do Sul, onde está sendo realizado nesta semana. Seria fantástico – e simbólico inclusive – se um evento desse porte fosse realizado no Centro Olímpico. Seria o maior dos legados. Uma instalação herança dos Jogos Olímpicos sendo usada para o benefício de jovens atletas.

É óbvio que não é simples assim. As quadras do Centro Olímpico são de piso duro, e o Banana Bowl é jogado em saibro – inclusive está encaixado em uma parte do calendário internacional que prioriza a terra batida. Mas será que um dia poderíamos ver algo assim acontecendo? Seguem respostas de Jorge Lacerda sobre o assunto:

Por que o Banana Bowl foi levado para Caxias e Criciúma?
O Banana Bowl não tem sede fixa. É um torneio que possui um caderno de encargos robusto, e que exige a necessidade que a CBT busque parceiros para a realização do mesmo. As Federações gaúcha e catarinense, juntamente com os clubes e governos locais, que estão recebendo as categorias 14/16 (Recreio da Juventude/Caxias) e 18 anos (Sociedade Recreativa Mampituba/Criciúma), estão engajadas nesse processo e viabilizando parceiros locais, mantendo a qualidade do evento e minimizando os custos.

O que seria necessário caso a CBT desejasse realizar o Banana Bowl no Centro Olímpico de Tênis? Quais seriam as formalidades junto à ITF?
A CBT sempre vai buscar equacionar as questões financeiras com a melhor entrega do evento para os tenistas, técnicos e espectadores. Para encontrar a fórmula ideal, é necessária a participação das entidades regionais, inclusive os Governos Estaduais e/ou Municipais. Não há dúvidas de que uma vez tendo estas questões dirimidas, o Centro Olímpico de Tênis tem todas as condições de receber o Banana Bowl. De qualquer forma, a CBT nunca falou em fazer o Banana Bowl neste ano no COT, pois a decisão teve que ser tomada no ano passado, época em que o COT ainda estava sobre posse da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, sem definição de quando poderia ser utilizado.

É viável financeiramente fazer o Banana no COT?
É viável, mas são necessárias as parcerias citadas anteriormente. O Banana Bowl demanda, por regra, oferecer hospedagem, alimentação e transporte para todos os técnicos e jogadores, em hotel padrão 4 estrelas, só para citar um dos exemplos de custos que se tornam elevados para a promoção do mesmo.

Soares_Rio_1r_div_blog

Asics: os números e a opção pelo vôlei

O grande elefante na sala é a Asics, fabricante de material esportivo que deixou o tênis no fim de 2016 para investir pesado no vôlei. O porquê da mudança? Algum porta-voz da empresa poderia ter escolhido um dos motivos que listei no quinto parágrafo deste texto. No entanto, a assessoria de imprensa da Asics informou que a marca não se pronunciaria sobre o assunto.

Sem uma posição oficial, recorri a contatos com bom trânsito no meio e que tiveram acesso a detalhes de conversas contratuais. Segundo essas pessoas, que falaram em condição de anonimato, a decisão foi tomada unicamente pelo atual presidente da Asics Brasil, Gumercindo Moraes Neto, que assumiu o cargo em agosto de 2015. Na época, os contratos do tênis estavam em curso. Ao fim de 2016, quase nenhum compromisso foi renovado na modalidade (Bruno Soares é exceção).

Gumercindo Moraes Neto é visto no meio como uma pessoa “de números” e com pouca intimidade com o esporte. Com essa visão, é fácil entender o investimento em um esporte com mais visibilidade em TV aberta, que traz medalhas e todo tipo de resultados e que, segundo todas pesquisas, é a segunda modalidade mais praticada no país. Mas será que a volta ao vôlei precisava significar a saída quase total do tênis?

Coisas que eu acho que acho:

– Pode ser paranoia ou pessimismo (e meu pessimismo não é segredo nenhum), mas me preocupa o fato de a CBT insistir em dizer que tem interesse em usar o Centro Olímpico como sua sede, mas o Ministério do Esporte responder que a CBT fala “na intenção em construir um calendário futuro para a utilização do Centro de Tênis”. Mas se você é otimista, a ausência da palavra “sede” na resposta do Ministério não deve indicar nada.

– Com a CBV deixando bastante claro o quanto se economiza ao aproveitar as instalações prontas do Centro Olímpico de Tênis, fica mais difícil para a CBT justificar, no futuro, a realização de um confronto de Copa Davis fora do Rio de Janeiro. Digo “mais difícil”, não “impossível”. Afinal, já ouvimos explicações, digamos, “criativas” durante a gestão de Jorge Lacerda.

– O Centro Olímpico também poderia ser palco do torneio WTA que a CBT realizou em Florianópolis nos últimos anos. Após uma primeira edição promissora, a entidade não conseguiu atrair nomes e transformou um evento internacional em um torneio minúsculo, com apelo apenas regional. O último, realizado na semana anterior aos Jogos Olímpicos, beirou a insignificância. O evento foi vendido pela CBT e será realizado em outro país.

– A nota triste do fim de semana fica por conta do furto de uma câmera e uma lente do fotógrafo Alexandre Loureiro, que trabalhou no Gigantes da Praia, no Centro Olímpico de Tênis. São deles, inclusive, as primeiras imagens deste post.

.


A CBT está a serviço de quem?
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Lacerda_Davis_Andujar_blog

Talvez a maior crítica feita à Confederação Brasileira de Tênis (e são muitas críticas, feitas por muita gente – pelo menos quando os microfones estão desligados) é que o órgão máximo da modalidade no Brasil gasta energia demais com questões pessoais de seu presidente, Jorge Lacerda, quando poderia estar mais envolvido em resolver assuntos de maior importância para o desenvolvimento da modalidade e seus atletas.

citei aqui no Saque e Voleio vários casos, incluindo o Circuito de Tênis Escolar Universitário e a Nike Junior Tour. Mais recentemente, Lacerda usou sua posição para exigir do Comitê Rio 2016 a não-contratação da jornalista Diana Gabanyi. Todos casos envolveram questões pessoais do presidente da CBT.

Neste fim de semana, recebi um documento com mais um exemplo desses. Lacerda escreve uma carta de apoio a uma das chapas que disputa a presidência da Federação de Tênis do Rio de Janeiro (FTERJ). Entretanto, no texto, endereçado à “comunidade tenística do Rio de Janeiro” e enviado a um endereço de email da FTERJ, o dirigente usa mais linhas para atacar Ricardo Acioly, líder de uma chapa concorrente, do que para elogiar a atual gestão da federação fluminense. Acioly é mais um nome visto por Lacerda como parte de um “grupo” contra ele. Segue abaixo a reprodução do texto, que pode ser baixado aqui.

CBT_Acioly_col_blog

Não vou entrar no mérito da briga entre Lacerda e Acioly, mas há alguns pontos que preocupam no sentido de que o documento foi redigido por um presidente de confederação.

O primeiro deles é que Lacerda admite ter tomado tempo para protocolar no Tribunal de Contas da União, na Controladoria-Geral da União e no Ministério Público Federal, denúncias contra o suposto grupo do qual, segundo ele, Acioly faz parte. É admirável ver que o presidente se preocupou em analisar minuciosamente um projeto apresentado por quem ele considera opositores.

Tivesse o mesmo zelo com projetos apresentados pela CBT, a Confederação talvez pudesse ter dado sequência ao fracassado Projeto Olímpico. Tivesse Lacerda o mesmo zelo no projeto do Grand Champions, também proposto pela CBT, a Confederação não teria sido obrigada a devolver meio milhão de reais. Lembremos, ainda, que a Justiça Federal aceitou denúncia do MPF contra Lacerda neste mesmo caso do Grand Champions. A acusação é grave, e Ricardo Marzola, parceiro de Lacerda na época, já admitiu que assinou documento falso a pedido da CBT. Não é exatamente leve a questão.

Lacerda_Westrupp_Andujar_blog

Também me causou estranheza Lacerda escrever sobre o evento Copa Rio Juvenil, afirmando que “com certeza ficará comprovado crime e dano ao erário ao final da investigação.” “Com certeza”? Lacerda já julgou o caso e condenou os réus? Soa ousado e desrespeitoso, até porque não me lembro de ninguém do tal grupo de oposição cravando publicamente que Lacerda será condenado “com certeza”.

No que diz respeito a Acioly, o ex-capitão brasileiro na Copa Davis se defendeu escrevendo uma carta-resposta, que está abaixo e pode ser baixada aqui.

CBT_Acioly2_col_blog

Disso tudo, algumas perguntas importantes ficam no ar, já que Lacerda deixará a presidência da CBT em breve, mas afirma com todas as letras que esse suposto grupo de oposição “não terá apoio e nem parceria da CBT.”

Será que o presidente eleito, Rafael Westrupp (na foto acima, ao lado de Lacerda), está de acordo com essa postura? Será, aliás, que ele teve conhecimento dessa carta antes de ela ser distribuída? Isso, aliás, leva a outra questão:

O próximo presidente, que faz parte da atual gestão de Lacerda, continuará a política de pouco diálogo e de brigas pessoais com o “grupo de oposição”?

Enviei essas duas questões à assessoria de imprensa da CBT, mas ainda não tive resposta. Quando receber, atualizarei o post.

Coisas que eu acho que acho:

– Que fique claro: não tomo parte de lado algum na eleição da FTERJ. Embora eu tenha acompanhado relativamente de perto o longo e complicado processo que levou a atual diretoria ao poder, não acompanhei o suficiente do trabalho de Renato Cito para julgar se foi bom ou ruim. Tampouco sei o que Ricardo Acioly planeja para a federação.

– A intenção deste post é levantar a questão de sempre: o órgão máximo do tênis brasileiro está realmente sendo usado em prol do tênis ou virou um instrumento de poder nas disputas pessoais de Jorge Lacerda? Para mim, esse é o ponto realmente importante.

Coisas que eu acho que acho, parte II:

– A CBT renovou o contrato de patrocínio com os Correios, fazendo um péssimo negócio. A estatal pagava cerca de R$ 17 milhões por dois anos (no balanço de 2015 da CBT, consta a entrada de R$ 8,6 milhões). Agora, os Correios pagam R$ 4 milhões pelo mesmo período. Há quem não ache que foi um péssimo negócio para a CBT. Discordo. Ou isso ou a CBT entrega um péssimo produto.

– Imaginemos o seguinte cenário: você, leitor, é fabricante de, digamos, cervejas artesanais. Sua empresa tem um acordo com o mercado X, que paga R$ 17 por cada garrafa de 600ml. Um belo dia, o mercado X anuncia que vai parar de comprar seu produto. O que você faz? Tenta vender a cerveja ao mercado Y, ao mercado Z ou a quem quer que queira comprar.

– Se ninguém estiver disposto a pagar R$ 17 por suas cervejas, talvez seja preciso reduzir o preço. Então sua empresa acha por bem reduzir para R$ 15, talvez R$ 13 reais. É assim que funciona a lei de oferta e procura. Se mesmo assim ninguém quiser fazer negócio, e o mercado X oferecer R$ 4 pela mesma cerveja que você vendia por R$ 17, o que se conclui disso? Ou a sua cerveja nunca valeu R$ 17 ou você está fazendo um péssimo negócio ao vendê-la por R$ 4. Ou ambos…


Quadra 18: S02E14
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Um WTA finals com uma campeã surpreendente, uma separação importante no circuito de duplas, as chances de um brasileiro se tornar número 1 do mundo e a disputa pela liderança nas simples são os assuntos mais quentes do podcast Quadra 18 desta semana.

Como sempre, Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu falamos um pouco sobre tudo, desde a cobrança em cima de Angelique Kerber, incluindo os parceiros em potencial para Marcelo Melo até a matemática da briga entre Novak Djokovic e Andy Murray na briga pelo número 1. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Cossenza apresenta os temas
1’20” – O WTA Finals, com o título de Dominika Cibulkova, foi um bom Finals?
3’53” – O balde de água fria da temporada de Angelique Kerber
5’07” – É justo dizer que a Kerber dominou a temporada?
9’24” – É justa toda essa expectativa em relação aos resultados da Kerber?
10’46” – Surpresas e decepções do WTA Finals
12’55” – Aliny Calejon comenta a separação de Marcelo Melo e Ivan Dodig
15’25” – Quais as chances de Marcelo formar dupla com Sá, Bellucci ou Demoliner?
17’15” – Quem seria o parceiro ideal para Marcelo Melo agora?
19’00” – Bruno Soares e a chance de ser número 1 do ranking
20’22” – Murray #1 agora ou Djokovic #1 até o fim do ano? O que é mais provável?
24’00” – Até quando vai durar o discurso zen de Novak Djokovic?
25’45” – As chances de Murray ser #1 são maiores agora ou no ano que vem?
26’47” – “Acho que ano que vem o Djokovic vai ser outro Djokovic”
27’21” – A disputa pelas últimas vagas para o ATP Finals
30’00” – Vai haver Challenger Finals em São Paulo este ano?
31’50” – Existem projetos para o tênis sufocados pela “dinastia perpétua” da CBT?


Investigado pela Justiça revela que deu declaração falsa a pedido da CBT
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

SONY DSC

A essa altura, todo mundo já sabe que a Justiça Federal aceitou a denúncia do Ministério Público e vai investigar Jorge Lacerda, presidente da CBT; Dacio Campos, ex-tenista e comentarista do SporTV; e Ricardo Marzola, proprietário da Brascourt, que faz quadras de tênis e teve escritório instalado na sede da CBT. Se não sabe, leia aqui.

Tentei falar com os três envolvidos e, de tudo que ouvi, o que mais mexeu comigo foi uma declaração de Ricardo Marzola. O proprietário da Brascourt disse que assinou, a pedido de Lacerda, uma declaração falsa, supostamente atestando ter realizado serviços que nunca foram prestados.

“A Carolina [Maria Carolina Freire, advogada da CBT], foi na porta do meu escritório e me levou uma carta, dizendo ‘O Jorge mandou você assinar isso’. A carta falava que eu tinha prestado algum tipo de serviço no Harmonia. O meu erro foi esse. Eu não li direito e assinei porque, naquela época, minha parceria com ele [Lacerda] era tão grande que mesmo se eu tivesse lido e visto o conteúdo dela mesmo, eu teria assinado, entendeu?”, disse Marzola. “Eu não fiz nada no Harmonia. Mandei um gerente meu e alguns funcionários, e o Harmonia falou que não precisava.”

Recapitulando, o evento estava marcado para acontecer no WTC, em São Paulo. Por isso, Marzola já havia encomendado a fabricação do piso emborrachado. Por isso, o empresário recebeu os R$ 40 mil que estavam previstos no projeto de captação de verba. O problema todo começou quando o evento teve de mudar de local. Marzola, que não teria o que fazer com o piso, relatou:

“O Dacio disse ‘Marzola, depois a gente vê o que faz. O Jorge já autorizou mudar para o Harmonia. Vamos ver se você presta algum serviço lá, compra uma lona, alguma coisa, e a gente debita desse dinheiro. Aí quando você vender a lona, você devolve esse dinheiro para nós.’”

“Eu vendi esse piso de borracha, tirei os impostos e devolvi o dinheiro para o Dacio Campos. Coloquei na conta particular dele, no Banco Itaú. Esse dinheiro não ficou para mim. Não roubei. Não sabia que não poderia mudar o local. Isso quem teria que saber era o Jorge.”

Marzola, vale explicar, era parceiro da CBT em várias empreitadas e foi responsável por construção e manutenção de quadras de confrontos de Copa Davis. A Brascourt tinha escritório na sede da Confederação Brasileira de Tênis, e Marzola, inclusive, chegou a se sentar no banco da equipe como um integrante do time de Copa Davis (na foto abaixo, ele aparece de agasalho cinza, com os dois braços levantados, comemorando um ponto brasileiro).

Banco_Brasil_Jacksonville_get_blog

A explicação de Marzola, de certo modo, não é muito diferente da justificativa dada por Dacio Campos, com quem também conversei por um bom tempo nesta sexta-feira. Quando a denúncia diz que ele não teria motivo idôneo para receber sua quantia (R$ 400 mil) porque Lacerda “sabia muito bem que não poderia contar com a ‘intermediação’ de DACIO” (aspas retiradas do texto original da denúncia), o comentarista argumenta que não tinha obrigação da saber da lei. Ele, afinal, teria sido contratado para fazer um serviço e não precisava saber, juridicamente falando, sobre as exigências envolvendo o dinheiro que lhe estava sendo oferecido.

Segundo Dacio Campos, se o torneio não tivesse mudado de local, a CBT faria seus pagamentos diretamente ao WTC. Como houve a alteração da sede, foi preciso montar a estrutura no clube Harmonia, e esse trabalho teria sido ressarcido com os tais R$ 400 mil questionados pelo MP.

Ele enfatizou: “Eu sou produtor, não sou promotor do evento. E eu só mudei o evento de local porque a ATP me mandou mudar. No Harmonia, eles me cederam uma quadra, e não uma arena como constava no projeto. Então tudo que compõe uma arena eu tive que montar. Eu tive que montar banheiros, fazer restaurante, área VIP. No WTC, eu não precisaria porque estaria tudo pronto.”

A ênfase no “produtor e não promotor” é importante porque se Dacio for considerado pela Justiça Federal como promotor, isso coloca a CBT como intermediária na captação de verba federal, o que não é permitido. Se a Justiça entender que Dacio é um produtor, ele seria apenas um contratado da CBT para fazer o serviço. Mesmo assim, neste último caso, seu serviço pode ser considerado o de um intermediário, o que também, segundo a denúncia, é proibido – a CBT deveria contratar diretamente seus fornecedores.

A posição da CBT

A CBT divulgou, via assessoria de imprensa, uma nota oficial sobre o denúncia aceita pela Justiça Federal. Ela segue na íntegra:

“Mediante as informações que saíram na imprensa, o presidente da Confederação Brasileira de Tênis, Jorge Lacerda, declara que conversou com os advogados do caso e que os mesmos irão requerer oficialmente os documentos para se interarem dos andamentos, visto que não houve intimação até o presente momento. Pelas informações não oficiais que foram publicadas na imprensa, Jorge afirma que já explicou cada um dos pontos, tanto que a prestação de contas do projeto junto ao Ministério do Esporte foi aprovada, com comprovação de que não houve dano ao erário. Jorge complementa que agora, finalmente, terá a oportunidade de se defender na Justiça.”

Especificamente sobre a declaração de Marzola e o documento assinado sobre seu trabalho no clube Harmonia, a CBT respondeu, também via assessoria de imprensa, apenas que “o presidente da CBT, Jorge Lacerda, afirma que nunca pediu a quem quer que seja para assinar nada ilegal ou indevido.”


Semana 23: retornos de Federer e Lendl, Sharapova suspensa e Thiem campeão
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Roger Federer voltou, mas Rafael Nadal desistiu de Wimbledon. Andy Murray anunciou o retorno da parceria com Ivan Lendl, enquanto Maria Sharapova foi condenada a dois anos de suspensão por doping. Enquanto isso, a temporada de grama começou com torneios pequenos, mas alguns resultados já bastante interessantes. Vamos lembrar o que rolou?

Thiem_Stuttgart_ATP_blog

Os campeões

No ATP 250 de Stuttgart, que só terminou nesta segunda-feira por causa da chuva, o título é de Dominic Thiem, o rei dos 250. Depois de salvar dois match points e bater Roger Federer na semifinal, o austríaco selou a conquista com vitória de virada sobre Philipp Kohlschreiber: 6/7(2), 6/4 e 6/4.

O talentoso jovem de 22 anos, atual número 7 do mundo, é quem mais venceu jogos em 2016. Até agora, são 45 vitórias na temporada. Trata-se de um raro caso de tenista top 10 com calendário de #50 do mundo, jogando uma semana após a outra. Thiem, aliás, não soma ponto nenhum com o título deste fim de semana, já que possui quatro conquistas em ATPs 250 em sua somatória atual. Stuttgart só vai contar alguma coisa no fim de julho, quando caírem os pontos de Umag (isso se Thiem não decidir jogar mais uma vez o ATP croata!).

Com seu primeiro título na grama, Thiem, que só teve três semanas de folga em 2016 (vide tuíte acima), agora entra na pequena lista de nove tenistas que venceram torneios nos três pisos (dura, saibro e grama) na mesma temporada. Este ano, o austríaco já foi campeão em Buenos Aires (saibro), Acapulco (dura), Nice (saibro) e, agora, Stuttgart (grama).

Em ’s-Hertogenbosch, Nicolas Mahut foi campeão pela terceira vez, completando nesta segunda-feira a vitória sobre Gilles Muller por 6/4 e 6/4. O francês de 34 anos, que perdeu a liderança do ranking de duplas, também venceu o torneio de grama holandês em 2013 e 2015.

As campeãs

No WTA International de Nottingham, a tcheca Karolina Pliskova, cabeça de chave 1, levantou o troféu depois de derrotar Alison Riske por 7/6(8) e 7/5. No primeiro set, Pliskova teve de salvar seis set points – três deles no tie-break. Aliás, tie-breaks não faltaram na semana. Foram quatro deles em cinco jogos, e a tcheca venceu três.

Em ’s-Hertogenbosch, outro WTA International, a americana CoCo Vandeweghe bateu a francesa Kristina Mladenovic na final por 7/5 e 7/5 e conquistou o título. Foi sua segunda conquista no torneio holandês, que venceu também em 2014, quando não perdeu nenhum set.

Não foi um torneio bom para as favoritas. A cabeça 1, Belinda Bencic, foi superada por Mladenovic nas semifinais, enquanto a segunda pré-classificada, Jelena Jankovic, foi eliminada na segunda rodada pela russa Evgeniya Rodina.

O retorno

As atuações mais aguardadas da semana foram de Roger Federer, que fez seu retorno às quadras. O suíço, que pouco jogou desde que uma cirurgia no joelho depois do Australian Open, apareceu em Stuttgart fora de forma e foi eliminado por Dominic Thiem na semifinal, depois de perder dois match points: 3/6, 7/6(7) e 6/4.

Mesmo nos triunfos sobre Taylor Fritz e Florian Mayer, o suíço esteve longe de seu melhor nível. É compreensível para quem vem de problemas físicos, mas não deixa de ser algo preocupante porque é raro ver Federer atravessar um momento assim na temporada de grama.

Se serve de consolo, a participação em Stuttgart colocou Federer como o segundo maior vencedor de jogos no circuito mundial. Ele ultrapassou Ivan Lendl e agora soma 1.072 vitórias. À sua frente, apenas o americano Jimmy Connors, que jogava todo tipo de torneios em sua época e acumulou 1.256 triunfos.

A “re-união”

Andy Murray e Ivan Lendl anunciaram neste domingo que voltarão a trabalhar juntos. A parceria de sucesso, durante a qual o britânico conquistou dois Slams e uma medalha de ouro olímpica, terminou porque Lendl não queria mais passar tanto tempo viajando o circuito. Segundo o comunicado publicado no site do tenista, Lendl passou os últimos dois anos tratando de operações nos quadris e em um cargo no programa de desenvolvimento de jogadores da USTA.

O texto não deixa explícito, sugere que Lendl vai estar em todos os eventos ao lado de Murray (já foi assim na primeira vez) ao dizer que o novo-velho técnico trabalhará junto ao “técnico full-time de Andy, Jamie Delgado”. Ou seja, Delgado estará presente o tempo inteiro, enquanto Lendl fará aparições aqui e ali e estará junto nos períodos de treino. É o que parece.

Os brasileiros

Em Stuttgart, Bruno Soares jogou com o australiano Joh Peers e caiu nas quartas de final, superado por Oliver Marach e Fabrice Martin: 7/5 e 6/4. André Sá e Marcelo Demoliner foram a ’s-Hertogenbosch, na Holanda. O gaúcho, que fez parceria com o americano Nicholas Monroe, não passou da estreia, sendo superado por Gilles Muller e Frederik Nielsen. O mineiro avançou uma rodada ao lado de Chris Guccione, mas os dois perderam nas quartas para Santiago González e Scott Lipsky.

No circuito Challenger, o melhor resultado do Brasil veio com Thiago Monteiro, em Lyon (64 mil euros). Cabeça de chave número 5, Monteiro aproveitou uma chave que perdeu os cabeças 2 e 3 logo na estreia e avançou até a final, ficando com o vice ao ser superado por Steve Darcis: 3/6, 6/2 e 6/0. Feijão também esteve em Lyon e foi eliminado pelo mesmo Darcis, mas nas semifinais: 6/3, 5/7 e 6/4.

Rogerinho, por sua vez, foi a Praga (42.500 euros) e perdeu nas quartas de final. O brasileiro foi superado pelo austríaco Dennis Novak em três sets: 4/6, 6/1 e 7/6(7). Em Moscou (US$ 75 mil), André Ghem perdeu nas oitavas de final para o qualifier sérvio Miki Jankovic por 7/6(12) e 6/4. Guilherme Clezar, por sua vez, foi a Caltanissetta (106.500 euros), na Itália, e não passou da estreia. Caiu diante de Gianluigi Quinzi por 6/2, 1/6 e 7/6(6).

Entre as mulheres, Laura Pigossi jogou o ITF de Minsk (US$ 25 mil) e perdeu na estreia para a ucraniana Olga Ianchuk, cabeça 7, por 6/3, 3/6 e 7/5. Bia Haddad, que abandonou o ITF de Brescia no dia 2 de junho por causa de um misterioso “incômodo físico” (a assessoria não divulgou o motivo) que a fez retornar ao Brasil imediatamente, anunciou no sábado que está de volta aos treinos.

O doping

Outra grande manchete da semana foi o anúncio da suspensão de Maria Sharapova, que pegou dois anos de gancho e está afastada do tênis por dois anos. A tenista russa prometeu recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS). Na quarta-feira, publiquei aqui mesmo no Saque e Voleio um texto dissecando a decisão do tribunal, que destruiu a defesa da russa. Leia aqui.

Vale também ler o texto da Sheila Vieira, vide tweet abaixo:

A desistência

Não pegou quase ninguém de surpresa, mas não deixa de ser ruim para o circuito. Rafael Nadal, que abandonou Roland Garros depois da segunda rodada por causa de uma lesão no punho, não jogará Wimbledon. O bicampeão do torneio disse que não estará recuperado a tempo de participar do Slam da grama.

Como Nadal já havia dito que sua prioridade este ano seria participar dos Jogos Olímpicos (ele não esteve em Londres 2012 por causa de uma lesão), faz sentido adotar uma postura mais do que cautelosa e pular a temporada de grama. Resta saber se será suficiente para que o espanhol esteja em forma competitiva no Rio. Lesões no punho estão entre as mais delicadas para tenistas.

A briga pelo número 1 nas duplas

Durou pouco o reinado de Nicolas Mahut como duplista número 1 do ranking. Três dias depois de assumir a liderança da lista, o francês já sabia que a posição estava perdida. Com a eliminação de Mahut em ’s-Hertogenbosch, onde jogou ao lado de Bopanna, Jamie Murray voltará à ponta na segunda-feira.

Quando Leander Paes é a vítima

O indiano Leander Paes, que não tem lá muitos amigos no circuito, vem sendo vítima de bullying do compatriota Rohan Bopanna. André Sá, o cúmplice, postou no Twitter uma imagem de Bopanna fingido estar preocupado com sua escolha para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Por estar no top 10, o indiano não só está garantido na competição como, em tese, teria o direito de escolher qualquer parceiro para o torneio olímpico de tênis. Bopanna, portanto, seria a última esperança de Leander Paes para estar nos Jogos Rio 2016. Notem o nome de Paes na manchete do celular. Ô, maldade…

Escrevi “em tese” e “seria” no parágrafo acima porque a federação indiana passou por cima da opção de Bopanna e indicou o nome de Leander Paes, forçando os dois a atuarem juntos. Bopanna não ficou nada contente e escreveu uma carta para a entidade (vide link no tweet abaixo).

Leitura obrigatória

Reportagem publicada no site da Folha de S. Paulo na última quinta-feira. O presidente da CBT Jorge Lacerda, vetou a ex-assessora de Gustavo Kuerten, Diana Gabanyi, de trabalhar nos Jogos Olímpicos Rio 2016. O dirigente escreveu um email ao Comitê atacando a jornalista, dizendo que ela fazia parte de um grupo de oposição que ataca constantemente a CBT. Lacerda também ameaçou não emitir credenciais caso não fosse atendido pelo Comitê. Mesmo depois de dois anos conversando com o Comitê, participando do planejamento para os Jogos e até com salário e data de início acertados, Gabanyi não foi contratada.

O próprio Guga tentou agir em nome de sua ex-assessora, entrando em contato com a Federação Internacional de Tênis (ITF). O presidente da entidade, David Haggerty, levou pessoalmente a situação ao presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, mas a decisão foi mantida. Leia a reportagem na íntegra.

Para ouvir

Djokovic é puro carisma ou é tudo jogada de marketing? O sérvio vai alcançar as 302 semanas como número 1, atual recorde de Roger Federer? O quanto um domínio como o de Nole faz mal ao tênis? Garbiñe Muguruza mostra mais potencial que nomes como Halep, Bouchard e Bencic? Estas e outras perguntas são respondidas no mais recente episódio do podcast Quadra 18, onde Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu batemos um papo bem humorado sobre tênis. Ouça abaixo.

Fanfarronices publicitárias

Depois de uma foto com Michael Jordan, outra com Stephen Curry e uma aparição na Copa América ao lado de Lewis Hamilton e Justin Bieber, Neymar encontrou casualmente (coincidência, claro) com… Serena Williams.

Always be ready for summer. You never know when. @neymarjr will show up

A photo posted by Serena Williams (@serenawilliams) on

Saiba mais (ou não) nesta lista aqui.

O amor

E já que este domingo foi dia dos namorados aqui no Brasil, que tal encerrar o post com uma imagem dos recém-casados Fabio Fognini e Flavia Pennetta?


Semana 14: dobradinha argentina, um carro de presente e uma aula de dança
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Tudo bem, não foi lá a mais agitada das semanas tenísticas de 2016. Na primeira semana do saibro, a maioria dos principais nomes do tênis masculino preferiu descansar e se preparar em Monte Carlo. Entre as mulheres, não foi tão diferente, mas o WTA de Charleston teve cinco tenistas entre as 20 primeiras do ranking e alguns jogos interessantes. Chegou a hora, então, de lembrar o que rolou.

Stephens_Charleston16_carro_fb_blog

As campeãs

No forte WTA Premier de Charleston, que tinha Kerber, bencic, Venus, Safarova, Errani e Petkovic, foi Sloane Stephens, cabeça 8, que venceu neste domingo. A conquista veio com uma vitória sobre a qualifier Elena Vesnina, que chegou a ter um set point quando sacou em 6/5 na primeira parcial: 7/6(4) e 6/2.

O grande momento do dia foi quando Stephens descobriu que o torneio, patrocinado pela Volvo, também lhe daria um carro de presente.

A conquista em Charleston foi a terceira de Stephens em 2016. Ela também foi campeã em Auckland e Acapulco, ambos em quadras duras. O WTA de Charleston é jogado em (um rapidíssimo) saibro verde.

Vale lembrar que Stephens era zebra nas semifinais contra Angelique Kerber, mas a alemã não estava se sentindo bem e abandonou quando perdia por 6/1 e 3/0. A campeã do Australian Open defendia o título do evento americano.

No WTA International de Katowice, na Polônia, Dominika Cibulkova levantou um troféu pela primeira vez desde Acapulco/2014. A eslovaca, finalista do Australian Open naquele mesmo ano, passou por uma cirurgia no tendão de aquiles em 2015, ficou cinco meses sem jogar e chegou a cair para além do 60º posto.

Com a vitória deste domingo por 6/4 e 6/0 sobre Camila Giorgi, Cibulkova, que começou a semana como #54, deve voltar ao top 40 e se aproximar do grupo que é cabeça de chave nos Slams. Cabeça 8 em Katowice, a eslovaca passou por Witthoeft, Kulichkova, Schiavone, Parmentier e Giorgi no caminho até o título. O único set perdido foi justamente o primeiro, diante de Witthoeft.

A principal favorita ao título, Agnieszka Radwanska, seria a cabeça de chave número 1, mas desistiu do torneio por causa de um problema no ombro. A chave foi modificada, e Jelena Ostapenko passou a ocupar o lugar da polonesa.

Os campeões

Em Marraquexe, um dos ATPs menos empolgantes do ano, o título ficou com Federico Delbonis, que bateu Borna Coric por 6/2 e 6/4 na final. Cabeça 4 do torneio, o argentino estreou nas oitavas de final e passou por De Bakker, Carreño Busta, Montañés e Coric para levantar o segundo troféu de sua carreira – e o de número 212 na história do tênis argentino.

Com os pontos, Delbonis sobe para o 36º posto do ranking – um atrás de Thomaz Bellucci e dois atrás da melhor posição de sua carreira. Coric, por sua vez, continua sem títulos na carreira. O jogo deste domingo foi sua segunda final. A primeira, em Chennai, terminou com derrota para Stan Wawrinka.

O cabeça de chave 1, Guillermo García-López (#37), acabou eliminado nas quartas por Jiri Vesely, enquanto o seed 2, João Sousa (#38), tombou na estreia diante de Facundo Bagnis.

No saibro vermelho de Houston, outra conquista argentina. De virada, Juan Mónaco derrotou Jack Sock, que defendia o título, por 3/6, 6/3 e 7/5. Foi o título de número 213 para o tênis argentino e marcou a sexta vez que dois tenistas do país foram campeões no mesmo fim de semana.

A última conquista de Mónaco havia sido em 2013, em Dusseldorf. Desde então, jogou três finais (Kitzbuhel/2013, Gstaad/2014 e Buenos Aires/2015) e saiu derrotado em todas.

Mónaco, que começou a semana como número 148 do ranking, ganhou 62 posições. O ex-top 10 (Mónaco esteve entre os dez melhores do mundo em julho de 2012) aparecerá na lista desta segunda-feira como #86.

Os brasileiros

A semana não foi boa para Teliana Pereira. De volta ao saibro (rapidíssimo, lembremos) em Charleston, a número 1 do Brasil perdeu na estreia para a americana Bathanie Mattek-Sands: 5/7, 6/3 e 6/2. Foi a oitava derrota da pernambucana em nova jogos na temporada e, com os pontos perdidos, Teliana deixa o top 50 e cai para o 54º posto.

A próxima missão da brasileira será tentar defender seu título no WTA de Bogotá, que começa nesta semana. Caso volte a perder na estreia, Teliana terá descontados 280 pontos e pode até deixar o grupo das 80 melhores. Se isso acontecer, haverá até o risco de deixar (pelo menos temporariamente) a lista de classificadas para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A chave olímpica, lembremos, é composta por 64 atletas, respeitando o limite de quatro por país.

Entre os homens, Rogerinho e Thiago Monteiro conseguiram pontos importantes. O paulista caiu nas oitavas de final em Nápoles, mas subiu três posições e agora figura no top 100 pela primeira vez desde maio de 2013. O cearense apostou no forte torneio de Le Gosier (US$ 100 mil) e caiu nas quartas, superado por Malek Jaziri (#94) por 6/2, 4/6 e 7/5. Com a campanha, Monteiro alcançou o melhor ranking da carreira, entrando no top 200 como justamente o #200.

Nas duplas, André Sá tentou a sorte em Houston. Ele e o australiano Chris Guccione foram superados nas quartas de final por Steve Johnson e Sam Querrey: 6/3, 2/6 e 10/8. O mineiro, aliás, briihou no vídeo abaixo, tocando guitarra em uma apresentação dos irmãos Bryan.

A melhor história

Dica do Mário Sérgio Cruz, do Tenisbrasil: em entrevista ao Diário de Canoas, Larri Passos fala um pouco de seus primeiros dias no tênis, de sua mudança para os Estados Unidos e da crise que vive o Brasil. Diz que o Brasil é o país mais corrupto do mundo e que Dilma deveria renunciar.

Larri também declarou que o projeto olímpico do tênis foi uma grande decepção (durou só 11 meses) por causa da má administração da CBT e do Ministério do Esporte: “Esse governo destruiu meus sonhos.” Larri também pediu a saída do presidente da CBT Jorge Lacerda: “Faz cinco anos que a CBT está sendo investigada e o presidente não saiu ainda. Está na hora dele ir embora.”

Leia a íntegra aqui.

A aula de dança

Serena Williams, em grande forma, aproveitou o intervalo nas gravações de um comercial e resolveu gravar uma aula informal de como fazer o “twerk”. Ela também ensinou o “milly rock”. A número 1 do mundo também lembrou que o “dab” já saiu de moda. E Azarenka, pelo visto, aposentou o movimento após o Super Bowl.

O acidente

No Challenger de Nápoles, na Itália, uma bolada não-intencional-mas-certeira acabou com uma dupla desclassificada. Os poloneses Mateus Kowalczyk e Adam Majchrowicz venciam por 6/3 e 4/4, mas quem avançou a parceria de Rameez Junaid e Ken Skupski.

Nem todo mundo concordou com a decisão do árbitro de desclassificar a dupla polonesa. Bruno Soares, campeão do Australian Open, escreveu (citando a conta da ATP) que a punição foi exagerada.

A próxima parada

O grande torneio masculino da próxima semana é o Masters 1.000 de Monte Carlo. O vídeo abaixo mostra como três quadras do Monte-Carlo Country Club se transformam na quadra central do torneio.

Monte Carlo Center Court amazing transformation

To Monte Carlo Country Club μεταμορφώνεται, κυριολεκτικά, για να υποδεχθεί τα μεγαλύτερα αστέρια του παγκοσμίου τένις! Κάθε χρόνο γίνεται αυτή η διαδικασία για να φτιαχτεί το κεντρικό court με την ομορφότερη θέα στον κόσμο!Πρόγραμμα μεταδόσεων OTE TV: -> https://bit.ly/1UGvskY

Posted by Tennis24 on Thursday, April 7, 2016

Aliás, falando em Monte Carlo, que tal a divertidíssima chave do torneio, hein? A começar por Thomaz Bellucci, que estreia contra Guillermo García-López e, se vencer, enfrentará um Roger Federer que se recupera de uma cirurgia no joelho e não joga uma partida oficial há mais de dois meses. Seria uma boa chance?

E a volta de Rafael Nadal ao saibro? O espanhol possivelmente pegou um caminho duríssimo e pode ter de enfrentar, em sequência, Dominic Thiem, Stan Wawrinka e Andy Murray antes da final (contra Djokovic?).

Lances bacanas

Não foi na última semana, mas vale lembrar porque foi eleito o ponto do mês da WTA. Com ela, Agnieszka Radwanska.

Tênis por WhatsApp

O UOL agora envia notícias de tênis por WhatsApp. Para se cadastrar, adicione à agenda de seu celular o número +55 11 99007-1706 e envie para esse número uma mensagem contendo o texto guga97. Em alguns dias, você vai passar a receber, de graça, as notícias. Saiba mais aqui.


Liberaram a torcida
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Duke_afp_blog

O número de fãs de tênis vinha caindo na Conferência BIG 12, uma das maiores do esporte universitário nos Estados Unidos. Em um ambiente onde os fãs – em sua maioria, alunos – gostam de ir aos estádios tanto pelos jogos quanto pela farra, as regras de comportamento fazem do tênis uma modalidade pouco atraente. Ou melhor, faziam. A Big 12 resolveu abolir as regras tradicionais e estabeleceu que os fãs de tênis podem se comportar como em qualquer outro esporte.

O que aconteceu? Uns gritando na hora exata em que um atleta executa seu golpe, outros provocando um tenista que recebe instruções do técnico, uma torcida organizada, enfim… Uma bagunça só, bem do jeito que esse público gosta. O “Wall Street Journal” fez uma reportagem bem interessante sobre a novidade. Leia aqui e veja no vídeo abaixo.

A preocupação da Big 12 com a queda de interesse no esporte é justificada. Cerca de 600 universidades encerraram suas atividades com o tênis desde os anos 70. E não foi só a torcida liberada que mudou. Hoje em dia, há sessões com pizza de graça e prêmios diversos.

Quanto ao barulho vindo das arquibancadas, nem todo mundo gostou. John Roddick, irmão de Andy e técnico de Oklahoma, não está entre os maiores fãs. Ele ressalta, ainda, a importância de proibir que os fãs gritem coisas do tipo “OUT” quando uma bola vai perto da linha.

Não imagino que algo parecido aconteça num futuro próximo (ou nem tão próximo assim) no tênis profissional, mas a intenção da Big 12 é das melhores: levar mais gente aos jogos de tênis. Provavelmente, o tênis nunca vai chegar aos níveis de popularidade do futebol americano ou do basquete universitário (a foto do início do post é do Final Four), mas e daí? Com mais gente assistindo às partidas, é mais fácil conseguir dinheiro para financiar bolsas de estudo e os programas de tênis nas universidades da conferência. E todo mundo sai ganhando.

SanchezCasal2_div_blog

No Brasil, só com iniciativa privada

O país, todo mundo sabe, não tem uma política de esporte escolar, muito menos um trabalho sério para estimular competições e encontrar talentos no âmbito universitário. No tênis, as competições universitárias se resumem ao Circuito de Tênis Escolar Universitário, uma iniciativa do Banco Itaú que, ironicamente, vem sendo combatida pela Confederação Brasileira de Tênis há alguns anos.

A entidade, inclusive, já ameaçou punir clubes, árbitros, treinadores e atletas que participassem do Circuito de Tênis Escolar Universitário, patrocinado pelo Itaú e realizado pelo Instituto Sports, presidido por Danilo Marcelino, parceiro de Nelson Aerts, com quem Lacerda tem diferenças. Uma disputa pessoal que segue atrapalhando o tênis.

O Circuito de Tênis Escolar Universitário, apresentado pelo Itaú por meio da Lei Federal de Incentivo ao Esporte, é uma série de torneios em quatro estados (RS, SP, PR e BA), em quatro categorias de idade, que premia os campeões com uma viagem de duas semanas a Barcelona – com tudo pago – em julho para treinar na Academia Sánchez-Casal, estudar um idioma (espanhol ou inglês) e fazer turismo.

A grande vantagem é que para participar basta estar matriculado em uma escola da rede pública ou particular. Ou seja: não é necessário ser federado nem pagar anuidade (isso, talvez, incomode quem gostaria de faturar com as inscrições mesmo sem tomar iniciativa alguma para estimular a modalidade). As inscrições são feitas no próprio site do circuito (atenção para as datas: algumas categorias têm prazo terminando na segunda-feira).


CBT: na ponta dos pés entre a legalidade e a legitimidade
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

SONY DSC

O assunto desta segunda-feira é Confederação Brasileira de Tênis porque não podia ser outro. Devido às acusações da última sexta-feira (leia aqui), é não se pode deixar o assunto morrer sem as devidas explicações de Jorge Lacerda. Sim, a CBT emitiu uma nota oficial, mas o texto foi mais uma defesa do que uma prestação de contas – literal e não-literal – à comunidade tenística.

Não conversei com Lacerda após a reportagem da ESPN e, para ser sincero, não sou eu que tenho que falar com ele. Não vi todas as provas e uma entrevista minha não sairia como precisaria ser. Imagino que o dirigente vá conversar com o canal. Imagino que o repórter José Renato Ambrósio, possivelmente o mais competente da ESPN, vai aparecer com algo interessante por aí. Até que isso aconteça, porém, há alguns pontos importantes a ressaltar.

Verba pública x privada = legalidade x legitimidade

Na nota oficial, a CBT faz questão de ressaltar que “recebe verbas de origem pública e privada” e que “nunca utilizou verba pública para o pagamento do auxílio-moradia” de Lacerda. É um ponto importante. Desvio de verba pública é crime, enquanto usar dinheiro privado para fins alheios ao maior interesse do tênis nacional é “apenas” ilegítimo, imoral. Minha opinião? É tão grave quanto. Só que é muito mais fácil de “justificar” algo assim numa assembleia de federações afiliadas onde há um bocado de outros interesses em jogo. Não é segredo.

Aconteceu algo parecido com a CBV um tempo atrás. Em 2006, Ary Graça, então dirigente-mor do vôlei brasileiro, levou convidados para passar o carnaval no Centro de Treinamento de Saquarema. O caso, denunciado pelo jornal “O Globo”, ficou conhecido como Aryfolia. Oficialmente, o Banco do Brasil (BB) pediu explicações, mas ninguém foi punido porque ninguém tinha como provar que a CBV usou verba pública para pagar aquelas contas.

Lembro bem porque acompanhei a história quando trabalhava no jornal “Lance!”. O balanço publicado pela CBV continha uma dúzia de contas bancárias diferentes. Quem iria provar em quais daquelas contas havia dinheiro do BB? O resto da história é de conhecimento público. Ary Graça foi eleito presidente da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), e a Confederação passou mais sete anos até que Lúcio de Castro surgisse com o Dossiê Vôlei na ESPN.

Não é tão diferente assim o caso atual da CBT. Será que Katia Mueller, a contadora autora das denúncias, consegue provar que foram utilizadas verbas públicas? E se não conseguir, o que acontece? Repito: para mim, a questão moral é tão importante quanto a legal (e sempre volto ao que escrevi neste post). O que justifica contratar e demitir domésticas com verba da CBT? Como explicar um recibo de R$ 20 mil de auxílio-moradia?

O silêncio dos jogadores

A postura dos atletas é preocupante. Nenhum dos tenistas relevantes brasileiros em atividade se manifestou (publicamente, pelo menos) sobre as denúncias desde sexta-feira. Nem Bruno Soares nem Marcelo Melo nem Thomaz Bellucci nem Feijão. Nada. Nenhuma palavra. Nem André Sá, presidente da comissão de atletas, usou suas redes sociais para levantar uma questãozinha que fosse. Ninguém entrou em quadra com nariz de palhaço.

Nem Gustavo Kuerten, que, lembremos, apoiou Lacerda quando uma assembleia de federações afiliadas mudou o estatuto e aprovou a possibilidade de um terceiro mandato do dirigente. Naquela ocasião, também lembremos, Guga, Soares, o capitão João Zwetsch e técnico Daniel Melo se manifestaram publicamente.

Para não deixar dúvida: não se sabe se houve questionamentos internos por parte dos atletas. Só me preocupa ver tanta gente importante e influente usando suas redes sociais para falar do treino de domingo, da IPTL, de Gabriel Medina e do MasterChef, sem mencionar um pingo de preocupação com o que vem sendo dinheiro com a verba (pública ou não!) que entra no tênis brasileiro.

As poucas críticas costumam vir, coincidência ou não, de ex-tenistas e gente que não usa um logo dos Correios na camisa. É o caso, como sempre, de Fernando Meligeni, um dos poucos nomes que nunca aparecem nas listas de convidados dos eventos da CBT. “Os atletas que 10 anos atrás sonharam com mudanças mais uma vez se sentem um pouco culpados. Afinal, a mudança era para ser em todos os sentidos e, se realmente for tudo verdade, fica claro que cometemos uma dupla falta no pé da rede”, escreveu em sua conta no Facebook.

A sequência de “eventos políticos”

Lacerda costuma dizer que denúncias contra sua gestão geralmente surgem às vésperas das assembleias. Desta vez, foi a nota da CBT que se referiu ao caso como “evento político”. Ainda assim, preocupa que a entidade esteja envolvida em seguidas questões com problemas em prestações de contas.

Foi assim com o Projeto Olímpico e com o Grand Champions, torneio realizado pela promotora do ex-tenista Dácio Campos. Este último, realizado com verba captada pela CBT junto à Lei de Incentivo ao Esporte (LIE), acabou com a entidade precisando devolver cerca de meio milhão de reais aos cofres públicos.

Como tudo isso vai acabar? Difícil saber. O Ministério Público provavelmente vai abrir uma investigação. Por enquanto, independentemente de questões jurídicas, legais e/ou criminais, fica no ar a esperança de que Lacerda venha a público e dê explicações ao mundo do tênis. E que elas convençam, claro. Porque, nunca é demais repetir, o legítimo é tão importante quanto o legal.


Contadora coloca Lacerda nas cordas
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

SONY DSC

A reportagem da ESPN faz um desagradável, mas importante e necessário barulho no tênis brasileiro. O presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Jorge Lacerda, é acusado de pagar contas de luz e gás com verba da entidade, além de distribuir verba restante de contratos de patrocínio entre funcionários.

As acusações não vêm de algum grupo de oposição, mas de uma ex-funcionária, a contadora Katia Mueller. “”É claro que existia tudo. Desvio de verba, sim. Enriquecimento pessoal, sim. Pagava todas as contas lá dentro (da confederação), pedia para transferir… Ele tem auxílio moradia estipulado em tal valor mensal, aquilo que excedia ele pedia para distribuir em outras contas, isso foi feito. Ele não é remunerado. Ele tinha além dessa verba, passagem, outras contas. E pedia para tirar a nomenclatura dele de todas as contas”, diz a ex-funcionária da CBT, na reportagem da ESPN. Leiam a íntegra aqui.

A reportagem foi ao ar no SportsCenter segunda edição, na tarde desta sexta-feira, e foi complementada por comentários de Andre Kfouri e Fernando Nardini. Este, inclusive, chamou atenção para a questão do auxílio-moradia de Lacerda, que tem um valor aprovado em assembleia de cerca de R$ 11 mil mensais. Ainda assim, há recibos de até R$ 20 mil.

O que acontece agora? O Ministério Público vai decidir se aceita a denúncia feita pela contadora (tudo aponta para uma resposta afirmativa) e, a partir daí, dá sequência às investigações. A CBT, que se encontra em recesso desde o dia 5 de dezembro (vai até 5 de janeiro), ainda não se manifestou sobre as acusações.

Quem acusa quem?

Vale lembrar que Lacerda passou os últimos dias usando sua conta no Twitter questionando um torneio realizado pelo Instituto Sports com dinheiro da Lei de Incentivo ao Esporte.

Por definição, é um questionamento válido. É importante saber que as promotoras ligadas ao tênis não estão abusando da Lei de Incentivo ao Esporte (LIE) e, consequentemente, prejudicando a imagem do tênis. Mas quando quem questiona é o sujeito de acusações tão graves, parece que o momento para nós, fãs, é de colocar tudo em perspectiva.

E não esqueçamos que foi na gestão de Lacerda que a CBT teve de tirar meio milhão de reais de seus cofres porque um torneio realizado pela promotora do ex-tenista Dácio Campos, com dinheiro captado pela CBT junto à LIE, não teve suas contas aprovadas. Lacerda sempre culpou a LIE, dizendo que o legislador não compreendia as peculiaridades do tênis, mas repito a pergunta que sempre faço: será que não era a CBT que não conhecia o processo de prestação de contas e de justificação de gastos?

Uma última observação: que ninguém trate a senhora Katia Maria Freitas Mueller como coitadinha ou salvadora do tênis nacional. Ela denuncia agora e faz um grande favor ao esporte, mas se todas suas afirmações forem comprovadas, isso também significa que ela fez, silenciosamente, o trabalho sujo de Lacerda por cerca de três anos. Não é pouco.

(post atualizado às 21:20 desta sexta-feira)

Em resposta à reportagem, a CBT divulgou a seguinte nota oficial:

“Em respeito à matéria veiculada sobre a Confederação Brasileira de Tênis, o presidente da entidade, Jorge Lacerda, refuta veemente informações inverídicas que constam na mesma.

A entidade sempre agiu de forma transparente, sendo a primeira entidade a aprovar um estatuto completamente dentro do nova Lei do Esporte, inclusive com representação de atletas.

A CBT recebe verbas de origem pública e privada. Lacerda recebe um auxílio-moradia aprovado em Assembleia Geral da entidade. Esse valor mensal era usado para o pagamento dessas contas. As contas da entidade são aprovadas anualmente por vários órgãos e por auditoria independente, inclusive o valor referente ao auxílio-moradia.

A CBT afirma com ênfase que nunca utilizou verba pública para o pagamento do auxílio-moradia, aprovado pela Assembleia.

A CBT repudia fatos políticos como esse, contendo inverdades. O presidente da Federação Cearense de Tênis, Ricardo Rodrigues, comunicou que não assinou procuração alguma para a advogada Marisa Alija, conforme a matéria afirma.

A CBT irá responder a todos os questionamentos específicos que forem realizados. A entidade está em recesso coletivo neste período, mesmo assim irá esclarecer qualquer questionamento específico.”


Escolhendo o veneno
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Espanha _Davis2011_trofeu_get_blog

“You hear me talkin’, hillbilly boy? I ain’t through with you by a damn sight.
I’ma get medieval on your ass!”

Esta clássica cena de Pulp Fiction, em que Marsellus Wallace começa a torturar Ned e ameaça um comportamento “medieval”, é o que vem à cabeça quando vejo o resultado do sorteio realizado pela ITF nesta terça-feira. Nos playoffs da Copa Davis, o time do capitão João Zwetsch enfrentará a Espanha. Sim, a Espanha de Rafael Nadal, David Ferrer, Nicolás Almagro, Marcel Granollers, Marc López, Fernando Verdasco e David Marrero. Um time tão forte que, se escalado com força máxima, nem no ponto de duplas o Brasil seria favorito. Fora a Confederação Brasileira de Tênis, que vai ter a chance de promover o confronto por aqui, não tem muita gente feliz com os adversários.

Como é um confronto de playoff/repescagem, que significa quem-perder-cai, é de se esperar que a Espanha venha com força máxima – ou quase isso. Rafael Nadal já manifestou sua vontade de vir, o que automaticamente coloca o Brasil em apuros (o número 1 nunca, nunquinha mesmo, perdeu um jogo em melhor de cinco sets no saibro em Copa Davis). Seria preciso que Bellucci e cia. derrotassem o número 2 espanhol duas vezes, além do essencial triunfo nas duplas.

Qual, então, a melhor estratégia para o Brasil? Honestamente, o melhor plano parece uma ação conjunta com a Polícia Federal, que proibiria a entrada de Nadal, Ferrer e Almagro no país sob a ameaça de terrorismo – e “terrorismo” talvez seja uma boa expressão para classificar o que Nadal, em forma, pode fazer contra o número 2 do Brasil, quem quer que seja na ocasião.

Zwetsch_Melo_Davis_JA_blog

Falando sério, fora torcer para que a Espanha não venha com sua força máxima, quais são as opções brasileiras? Jogar fora do saibro? Seria pior ainda para Bellucci e sua trupe. Jogar com alguma altitude? Nadal já ganhou um ATP em São Paulo, jogando mal e em uma quadra péssima e com bolas ruins. Almagro também já foi campeão na cidade. Seria melhor no nível do mar, com saibro bem lento? Nadal e Ferrer adorariam, e Almagro também já foi campeão na Costa do Sauípe.

O trabalho de João Zwetsch, a partir de hoje, é dos mais ingratos. Parece restar a ele escolher entre topar um passeio de caminhão com Aldo Raine, encarar o gatilho de Django e experimentar a five point palm exploding heart technique de Beatrice Kiddo. Cruel? Talvez. O fato é que enfrentar a Espanha completa é uma experiência tão desconfortável quanto ouvir Jules Winnfield começar a recitar Ezequiel 25:17

Coisas que eu acho que acho:

Soares_Melo_Davis_JA_blog

– É sempre possível que a Espanha não jogue com força máxima. Entretanto, como estamos falando de playoffs, não parece muito provável. Além disso, sobram opções na equipe. Até o terceiro time espanhol tem condições de vencer um confronto contra o Brasil – seja no saibro ou na quadra dura.

– O lado positivo do confronto é ter grandes tenistas no país uma vez. Uma dúzia de cidades vai se oferecer para sediar os jogos, a CBT terá todas as vantagens do mundo, e o tênis brasileiro será assunto durante a semana inteira. Não deixa de ser algo bom, mesmo que o resultado não venha a ser dos melhores.

– Os outros confrontos dos playoffs são (cito primeiro os times que jogam em casa) Índia x Sérvia, Israel x Argentina, Canadá x Colômbia, EUA x Eslováquia, Austrália x Uzbequistão, Holanda e Croácia e Ucrânia e Bélgica.

– Há quatro times das Américas nos playoffs. Argentina, EUA, Canadá e Colômbia. Um deles cairá certamente (Canadá e Colômbia se enfrentam). É interessante torcer para que Argentina e EUA vençam. Caso contrário, a vida de Bellucci e cia. ficará complicada já no começo de 2015. Existe até o risco, embora pequeno, de o Brasil perder o status de cabeça de chave no Zonal.


Entrevista: Jorge Lacerda
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

JorgeLacerda_BrunoSoares_cbt_blogFoi-se o tempo em que o maior problema era um buraco na conta bancária. Quando Jorge Lacerda assumiu a presidência, Confederação Brasileira de Tênis estava endividada e sem credibilidade. Hoje, o cenário é bem diferente. Gustavo Kuerten já se aposentou, mas a modalidade vive dias melhores, embalada por generosos patrocínios de Correios, Asics, Peugeot e outros parceiros.

Os investimentos que têm entrado no esporte, contudo, ainda não se refletem em nomes no mais alto nível do tênis. Após um ano ruim de Thomaz Bellucci, nosso melhor atleta, não há um brasileiro sequer entre os 100 melhores do mundo. Entre os 300, apenas o gaúcho Guilherme Clezar (158, 20 anos) e o cearense Thiago Monteiro (272, 19 anos) possuem menos de 25 anos. Não é exatamente o mais animador dos cenários.

A CBT continua sem um centro de treinamento, algo que Lacerda sempre classificou como essencial, embora haja grupos de tenistas aqui e ali, como no Itamirim Clube de Campo, em Itajaí, na academia de Larri Passos, em Camboriú ou na Tennis Route, no Rio de Janeiro. Foi lá, na academia localizada no Recreio dos Bandeirantes, que bati um papo rápido com Jorge Lacerda.

Na conversa, o dirigente mostrou-se satisfeito com o circuito juvenil nacional e otimista em relação ao legado que será o Centro Olímpico de Tênis, construído para os Jogos de 2016. Lacerda, no entanto, lembra que hoje em dia não é mais possível contar com os tradicionais clubes de tênis como formadores de atletas e mostra-se preocupado com o nível dos Futures disputados no Brasil. Leia!

Muitos profissionais farão pré-temporada juntos, no Rio de Janeiro. Você sente o grupo atual mais unido do que em outros momentos da sua gestão?
Tudo tem a ver com investimento. Torneio que passa na Band, no SporTV, tal e tal… Olha o que o tenista tem na manga! Correios. Nós estamos investindo. A gente quer dar condições. O que a gente ressente é espaço próprio para a Confederação. Só que hoje, sem investimento fixo de pagar treinador, mas pagando as viagens dos treinadores e as passagens dos jogadores… Já têm apoio o Instituto Gaúcho de Tênis (IGT), o Itamirim Clube de Campo em Santa Catarina, na academia do Larri a gente continua apoiando os jogadores. A gente não dá dinheiro para o clube, mas o menino está viajando de graça, vamos dizer assim. E aqueles treinadores estão viajando e recebendo por aquela semana, então aquela academia deixa de pagar.

Não é o mesmo efeito que teria se o Thomaz estivesse no top 10, mas os duplistas colocaram o tênis um pouco mais em evidência em 2013. Não sei o quanto isso ajuda, mas a grande crítica que se fazia ao ex-presidente Nelson Nastás era não ter aproveitado a Era Guga. Como se aproveitar o que está acontecendo agora?
Eu acho o seguinte. Já está acontecendo porque se está fazendo. Se você perguntar para o Bruno, para o Marcelo, o próprio Bellucci, o Rogerinho… Todos! Todos estão jogando com “Correios” na manga. Lógico, méritos deles, mas nós estávamos apoiando antes de eles serem o que são hoje. Então isso nos dá credibilidade para a gente usá-los como neste projeto, que a gente lançou com o Bruno e o Marcelo agora. O que é? Botar jogadores novos viajando com eles. E podemos fazer isso também com o João (Zwetsch, capitão da Copa Davis). A ideia é essa: começar a aproveitar os jogadores que estão nas cabeças, botar esses meninos próximos deles e usar os juvenis. A meninada joga a Gira Cosat agora. Depois, jogam a gira europeia. Ali, eles podem estar viajando com eles em alguns momentos. Aí você diz “mas o cara vai estar viajando, não vai estar jogando”. Pô, ser sparring de um cara desses, que daqui a dois, três anos ele vai estar encontrando como jogador… Eu acho que o mais importante é esse envolvimento de todo mundo, que não teve na época que você falava. Hoje, está todo mundo conversando. Hoje, todo mundo se sente parte do trabalho. Esse exemplo daqui da Tennis Route é do cacete. O João vir para cá… Tem aqui o Duda (Matos, um dos treinadores da academia), o Gringo (Walter Preidikman, também treinador da Tennis Route)… Então aqui o João vai poder receber mais jogadores. Isso é legal. Esse trabalho profissional aqui, essa organização que eles deram, já é uma preparação para assumir o Centro Olímpico. Esse é o objetivo. É isso que falo no COB todo dia. A CBT quer um centro de treinamento, vai trazer a Federação do Rio junto, a sede da CBT vem para cá, e a ideia é esse grupo começar a trabalhar lá no alto rendimento. A gente está preparando tudo para a hora que ficar pronto (o Centro Olímpico). A previsão é para 2015. Não vai ser elefante branco. A gente assume o Centro na hora.

E você vem tendo um bom feedback nas conversas com o COB?
Tô. O (Carlos Arthur, presidente do COB) Nuzman é parceiro nisso, o Ministério do Esporte está colocando dinheiro e criou um departamento de legado. Como vai ficar, para quem vai ficar. O próprio Ricardo Leyser já falou que o objetivo é passar para a Confederação. Acho que isso aí está bem tranquilo.

A geração juvenil de hoje não é fraca? Tem a Bia Haddad, mas…
(interrompendo) Sabe o que é? Não é que é fraca. Hoje, a transição está mais longa. Antigamente, de 18, 19 anos, saía um Nadal. Hoje, não tem mais isso. Hoje, tem um ou dois jogadores com menos de 21 anos entre os 100 do mundo. A gente tem que ter mais calma. O Brasil chegou a um ponto que passou a ter muito jogador no ranking, mas a gente está diminuindo aos Futures porque não precisa mais. Numa hora, você tem que focar em quatro, cinco, seis, sete, oito jogadores, e esses têm que estar jogando lá fora. Agora tivemos um Future (em Montes Claros) com três jogadores de 17 anos fazendo semifinal, e o campeão foi o (Marcelo) Zormann. É um puta resultado, só que quero ver o Zormann ganhar um Future na Espanha!

Eu falei sobre isso com o Rubens (Lisboa, assessor de imprensa da CBT) na época. Era o Future mais fraco do mundo naquela semana. E eram 19 Futures no mundo naquela semana!
Lógico. Eu acredito que essa geração de 17, 18 anos agora é boa. A geração do Tiago Fernandes, do Thiago Monteiro e do Guilherme Clezar era boa. O Tiago Fernandes ficou um ano parado, mas foi campeão do Australian Open. O Monteiro já está com 19 jogando Challenger de igual para igual com os caras. O Clezar já ganhou Challenger! A gente tem um grande problema, que é os jogadores de cima não estarem dando respaldo para esses meninos chegarem com calma. Foi o machucado do Bellucci. Se ele volta sem machucar, começar a dar de novo esse respaldo e imuniza um pouco o Monteiro e o Clezar. Todo mundo já cobra. “Por que eles não são número 2 da Copa Davis?” Essa geração mais velha, como Feijão… tem gente que foi subutilizada, que poderia estar dando tranquilidade para essa transição. Tem que ter calma. Tênis é isso. Às vezes, você investe, investe e, de repente, o cara para (Lacerda não cita, mas casos recentes de tenistas apoiados pelos Correios e que trocaram o circuito pelo tênis universitário americano incluem nomes como Karue Sell, Pedro Dumont e Gabriel Friedrich).

Nosso circuito juvenil não é mais fraco desde que acabaram os circuitos grandes como Unimed, Mastercard e Banco do Brasil? A CBT reduziu a pontuação dos desses torneios, e eles não se mantiveram.
O que estava acontecendo na época, que realmente não ajuda, é que os torneios começavam na segunda-feira, e tinha torneio quase toda semana. Então os melhores não conseguiam jogar. Ou não tinham dinheiro ou perdiam aula. O que a gente tentou fazer? Um grande torneio por mês, que é o Circuito Correios. Em janeiro e fevereiro, quem está melhor, joga o Cosat. Quem está jogando menos tem os torneios regionais. Em março, temos Banana Bowl e Copa Gerdau, um dos melhores calendários do mundo para março. Na sequência, em abril, maio, junho, julho, agosto e setembro, um Circuito Correios por mês.

JorgeLacerda_Davis_cbt_blogVocês estão felizes com a Sub-25 (categoria que substituiu o antigo Sub-18)?
Está tendo um retorno positivo. O 18 anos já não existe mais. Se você olhar lá fora, a Copa Davis Junior é 16 anos, tanto masculino quanto feminino. O Sub-25 foi o quê? E é uma briga que estou tendo na ITF e não consigo, que é colocar idade nos Futures! O Brasil começou a diminuir Futures porque quem está ganhando é cara de 27, 30 anos. E não vale a pena, desculpa. No Sub-25, a meninada está aprendendo. A gente quer fazer um trabalho de aprendizado. Ele chega lá, tem que inscrever na sexta-feira, é igual ao profissional. Então ele começa a ver como é. E outra: o cara que está no Sub-25 quer ganhar um dinheirinho. A premiação de primeiro colocado é R$ 2 mil, que é quase a premiação de um Future (US$ 1.300). E dá o exemplo para o mais novo. Tinha uma garotada de 18 anos que bebia no fim do dia… Só estava jogando 18 para disputar universitário nos Estados Unidos. De que adiantava aquilo para nós? Nós pagando tudo (no Circuito Correios, jogadores têm alimentação e hospedagem pagas pela organização)! No Sub-25, não tem hospedagem, mas tem premiação. Compensamos financeiramente para eles e para nós e passamos a dar esse retorno.

Não é um impacto grande para quem tem 17?
Acredito que não, porque o menino de 17 e 18, ou ele vai para a porrada e vai jogar ou treina melhor ainda para o universitário.

Mas aí a gente volta ao debate que é o aspecto físico do tênis hoje. Um garoto de 25 que está fisicamente bem não perde para um de 17…
Depende. Vamos dar um exemplo: se o Zormann, hoje, jogar um torneio de 25, ele vai ganhar todos. É isso que eu acho legal. Os de 17, Zormann, Rafael Matos e (Gabriel) Hocevar, que estão jogando Futures já, se entrarem no Sub-25 eles ganham todos. A ideia está dando o resultado que a gente queria, que é fazer o guri aprender a jogar o profissional. E não é muito diferente do que a Europa faz. Nós não estamos inventando nada.

É viável termos no Brasil torneios interclubes como na Europa, com equipes contratando jogadores e dando prêmio em dinheiro?
O que está acontecendo hoje? O clube virou lazer. Às vezes, o pessoal cobra, “o Brasil isso, o Brasil aquilo.” Nós não temos quadras públicas como a Argentina. Também não somos que nem a Espanha, onde o tênis é feito nos clubes. O nosso clube, hoje, não forma mais ninguém. Outro dia estava conversando com o presidente do Pinheiros. “Nós formamos jogadores”, ele disse. De tênis, ele não vai falar isso para mim. Há 15 anos, não existe um jogador do Pinheiros com ponto na ATP. Mas ele não tem culpa, coitado. Se ele colocar uma equipe de quatro meninos ocupando uma quadra por quatro horas, o sócio reclama. A CBT não faz mais evento em São Paulo porque não tem clube para ceder quadra. Deu um rolo no Circuito Correios do ano passado porque o Paineiras não deixava os jogadores entrarem no clube antes do horário do jogo. A gente não tem esses aportes, essas ajudas que os outros têm. A gente está tentando, mas não tem quadra pública. Quando tem, a gente não pode usar… O clube é parceiro para outras coisas, mas não é parceiro para a formação.


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>