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Rio vai até Miami em lobby para mudar torneio de patamar
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Alexandre Cossenza

Não é segredo nenhum que os organizadores do Rio Open querem aumentar o torneio. O evento carioca, um ATP 500, tem o objetivo de saltar de status, seja mudando para um Masters 1000 ou qualquer que seja a denominação a partir de 2019, quando o circuito mundial possivelmente terá um formato bem diferente do atual. A novidade é que agora a cidade do Rio de Janeiro entrou oficialmente na conversa junto à entidade que controla o tênis masculino.

O presidente da Riotur, Marcelo Alves, foi a Miami nesta semana para conversar com a ATP, oficializar o apoio da cidade e do prefeito, Marcelo Crivella, e observar o Masters 1000 que está em andamento. Alves, que é empresário e não político, é o mesmo que, em parceria com Dejan Petkovic e o governo do estado do Rio, trouxe Novak Djokovic para uma exibição com Gustavo Kuerten em 2012 – sim, aquela mesma exibição pela qual o sérvio não recebeu do estado até hoje.

Após uma reunião que contou com o presidente da Riotur, Lui Carvalho, diretor do Rio Open, e Gavin Forbes, representante dos torneios das Américas no conselho de diretores da ATP, falei brevemente por telefone tanto com Alves quanto com Carvalho. As declarações de ambos estão abaixo:

Qual o grande objetivo dessa viagem?
Marcelo Alves: É plantar essa semente do nosso interesse perante a ATP de receber um Masters 1000. Não são decisões imediatas, mas fiquei muito feliz e surpreso com a receptividade com que a diretoria da ATP nos recebeu. Ontem (sexta), fiz um tour técnico em todas as estruturas do evento, hoje (sábado) nós tivemos uma reunião muito positiva e realmente eles ficaram muito surpresos com o nosso interesse. O objetivo era conhecer o evento, conhecer os passos para que a gente possa sonhar ainda mais em receber um Masters 1000. Temos condições, capacidade, estrutura e uma empresa que é credenciada e tem a data no Rio de Janeiro, que faz muito bem o ATP 500, então realmente não deixamos nada a desejar. O primeiro passo é trocar a quadra de saibro para a quadra rápida porque isso vai nos dar um grande plus.

Miami e o Rio Open são dois torneios da IMG. Cogita-se inverter o valor dos torneios ou não é essa a conversa?
MA: Não, não foi em nenhum momento discutido Miami. Não foi nada colocado na mesa sobre Miami. Pelo contrário. O que a gente deseja, primeiro, é trocar a quadra de saibro para a rápida no Parque Olímpico porque isso vai nos dar uma grandiosidade, até porque quando você transforma em quadra rápida, os atletas também virão [organizadores do Rio Open e do ATP de Buenos Aires acreditam que o saibro é um empecilho para atrair grandes nomes numa época do ano entre o Australian Open e os Masters de Indian Wells e Miami – todos em quadras duras]. Isso vai nos dar mais audiência, público e nos credenciar ainda mais para a ATP entender que o ATP que nós fazemos, com essa estrutura e grandiosidade, que um 500 ficou pouco para a gente. E aí transformar em 1000.

Então isso seria para a partir de 2019, que é quando a ATP pode reestruturar o calendário, mudando o formato e as pontuações com mais liberdade?
MA: É isso aí. A semente foi muito bem plantada. Ouvi deles que são apaixonados pelo Rio de Janeiro. Eles têm um carinho muito grande pelo Rio de Janeiro. Foi muito, muito positivo. O Rio de Janeiro não pode pensar em menos do que isso a partir de agora. Começou a história agora. É outro patamar.

Nessa questão, a Riotur atua como representante da prefeitura ou pode agir com interesses diferentes dos do prefeito Marcelo Crivella?
MA: A Riotur é uma empresa pública do turismo da cidade. É totalmente integrado, é uma empresa da prefeitura. O prefeito encara isso como uma das ações emblemáticas. Ele apoia tudo que é emblemático para a cidade e grandioso e, obrigatoriamente, vai refletir em empregos para a cidade. Um evento desse porte tem 14 dias. Gera emprego, receita para a cidade. A vocação da cidade é essa: o turismo. Turismo esportivo, de entretenimento. Claro que ele apoia. Ele é extremamente encantado com esses grandes acontecimentos.

Um Masters no Rio teria que ser no Parque Olímpico…
MA: Sem dúvida nenhuma. Até porque está pronto. Precisamos dar vida ao Parque Olímpico. As quadras estão prontas, é quadra rápida…

A questão é que ainda não se sabe quem vai administrar o Centro Olímpico de Tênis. É uma preocupação de vocês?
MA: É a parte mais fácil de resolver. Hoje, o Parque Olímpico tem três administradores. A parte das arenas é administrada pelo Ministério do Esporte; aquela rua principal é administrada por nós, da prefeitura; e a parte até onde vai ser o Rock In Rio, quem administra é a concessionária que construiu o Parque Olímpico. A gente está em comum acordo, sempre buscando caminhos para movimentar aquela área. Nosso legado está aí. Agora tem que dar vida!

Que tipo de avanço é possível fazer numa reunião assim?
Lui Carvalho: É legar ter a prefeitura se envolvendo, ter todas as esferas juntas com um objetivo comum, que é fazer o evento crescer, seja sendo 500, 1000, 750, ou indo para a quadra dura no Parque Olímpico – todas aquelas coisas que a gente conversou no Rio Open. Crescer não significa necessariamente mudar de status, mas pode ser várias coisas novas que a gente pode criar para o evento. É muito bom que o Marcelo esteja se envolvendo nisso. Ele é um cara do marketing, tem um histórico de empresa de organização de eventos, já trouxe o Djokovic para o Brasil naquela exibição… Ele entende e para a gente é super positivo para ajudar a fazer o evento crescer. Ele está tentando se situar na política da ATP para poder ajudar a gente. Ele sentou com o Fernando Soler, que é o head da IMG, sentou com o Gavin Forbes, que é o board member das Américas, até para entender os próximos passos e quando isso pode acontecer, e foi super positiva a reunião.

O Rio Open já decidiu se vai apresentar de novo ainda este ano, em julho, a proposta para mudar para quadras duras (o torneio fez isso ano passado e não obteve os votos necessários)?
LC: A reunião é na primeira semana de julho, em Wimbledon. A gente ainda está nessa estratégia para saber se a gente tem os votos para mudar para quadra dura. Na verdade, ainda não temos uma posição fixa. A gente veio até Miami para fazer um pouco da politicagem, conversamos um pouco com a galera do tênis, e vamos saber um pouco mais para a frente. O importante é que tudo está correndo bem, a ATP está falando super bem do Rio Open, o Chris Kermode [CEO da ATP] elogiou bastante a gente, então isso é o mais positivo de tudo.

Coisas que eu acho que acho:

– O assunto foi bastante discutido na época do Rio Open. A organização acredita que ter o evento em quadra dura vai ajudar a trazer mais nomes de peso. A opinião é compartilhada por Lui Carvalho, que é quem negocia com atletas e managers, e Gustavo Kuerten. Por outro lado, há quem acredite que a questão geográfica pesa tanto quanto o piso. Ou seja, se o Rio Open mudar para quadras duras, tenistas vão passar a usar a distância e as longas viagens como argumento para continuarem jogando torneios em Roterdã e Dubai.

– Vale lembrar também que o atual modelo do calendário da ATP vale apenas até 2018. Ninguém sabe o que vai acontecer a partir de 2019. Se houver consenso, pode haver todo tipo de alteração, desde a inclusão de novos níveis de torneios (como ATPs 750 e Masters 1500) até alterações radicais nas datas de eventos.


Parque Olímpico, bolas e etc.: 5 últimas perguntas sobre o Rio Open
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Alexandre Cossenza

Antes de começar a falar do Brasil Open e seus resultados, deixo aqui, como prometido, o post com declarações do diretor do Rio Open, Lui Carvalho, após o ATP 500 carioca. São frases selecionadas da coletiva concedida após a final e de um papo com alguns jornalistas após a entrevista. Nem todas perguntas são minhas, mas são os cinco temas que considerei mais importantes entre os que foram abordados no último dia do evento.

1. Melhorias

Na cerimônia de premiação de duplas, o Carreño Busta disse que o torneio melhorou muito. O que os jogadores acharam deste ano, que foi o primeiro sem o evento feminino?

Na reunião geral com a ATP, eles apresentam o relatório, e foi muito positivo. Disseram que foi o melhor Rio Open em termos de organização para os atletas. A questão de não dividir espaço com as mulheres foi fundamental por várias razões. O serviço de transporte era um serviço exclusivo deles. Eles desciam e, no lobby, tinha um carro esperando para levar aonde eles quiserem 24 horas por dia. Na alimentação, a gente fez algumas alterações, e isso funcionou. Sem o feminino, a gente agregou o vestiário das mulheres. A gente juntou as saunas e fez um lounge a mais. Era um espaço que ninguém acessava. Tinha mobiliário, sofás, eles gostaram bastante. As quadras de treino, obviamente [não é preciso dividir quadras com as mulheres]. E o schedule também ajudou. Eles falaram muito bem do fato de começar 16h30min porque tira um pouco da pressão de acordar cedo, sair correndo para aquecer. Deixou o schedule um pouco mais leve. E elogiaram muito o público [vendo os treinos]. Eles gostaram do ambiente. Como o schedule comprimiu, ficou mais gostoso para eles.

2. Assentos vazios na quadra central

Sobre a questão da ocupação da quadra central, a gente já conversou sobre isso e não é um problema de venda de ingressos, mas de ter gente na quadra no horário dos jogos. Até que ponto a ATP vê isso com maus olhos?

A ATP tem uma regra de um mínimo de público que você tem que ter durante a semana. A gente ultrapassa de longe esse mínimo. É uma questão delicada. Você acha que são sete razões. Para mim, são cinco. E a mais nova dessas cinco foi a gente ter criado uma área muito legal no Leblon Boulevard, com muitas ações, o bar da Stella [Artois] com o telão passando jogo… As pessoas estão passando tempo fora do estádio. Isso é legal. Não posso ver como negativo. Se eu quisesse, não faria mais o Leblon Boulevard, e todo mundo só teria um lugar para ficar: a quadra central. Mas não é o que a gente está pensando para o futuro do evento. Faz parte. É difícil achar um modelo que funcione porque obviamente você tem uma entrega de ingresso por parte de patrocinadores. Eles fazem o torneio possível. Isso faz parte. E eu não tenho como controlar como essa entrega dos patrocinadores é feita. A gente sempre conversa, sempre pede da melhor maneira possível, para não ter esses espaços vazios, mas infelizmente acontece.

3. Bolas da Head

O Bruno [Soares] é um cara que repete muito isso. Nadal, quando esteve aqui, não se sentiu tão confortável com as bolas usadas no torneio. Nishikori também disse que não sentiu tão bem a bola. Há alguma possibilidade de mudança? Dá para fazer alguma coisa ou vai continuar a Head?

A Head é nosso parceiro. São ótimos parceiros e patrocinadores. Eles têm trabalhado desde o primeiro ano na questão da bola. Mas depois que alguém me falou que o Thiem reclamou da bola, eu corri para a ATP e perguntei se alguém reclamou da bola. Ninguém reclamou para a ATP. Reclamou na imprensa. Acho que é uma questão de gosto. Dá para ver que os caras que jogam com um pouco mais de top spin não gostam muito da bola, mas o pessoal que joga mais reto, como o Carreño Busta, ama a bola. É a característica dessa bola da Head. Não posso mudar o patrocinador porque… ‘Ah, vou fazer o torneio para o Nadal, então vou botar uma bola mais macia para ele poder dar o top spin’. Não é o meu estilo de fazer as coisas. No fim do dia, o Thiem reclamou e ganhou. E é o que a gente falou. Os jogadores que chegam um pouco tarde no torneio sentem um pouco mais. O Thomaz [Bellucci] treinou a semana inteira aqui. Chegou no dia do jogo, ele estava voando. Não errava uma. Quem chegou tarde não sentia a bola. Tough luck. Chega mais cedo da próxima vez…

4. Mudança para quadra dura

Vocês vão tentar de novo, junto à ATP, a mudança para a quadra dura. Quando vai ser feita essa nova proposta e como funciona essa votação?

A gente pode tentar até Londres, em Wimbledon. É o tempo que a gente precisa para se programar. O que gente precisa agora é ver qual o timing ideal para fazer esse movimento. Se a gente fizer isso sabendo que não tem um ou dois, é perigoso. Se você é negado e vai muito rápido de novo, você acaba negado de novo. Precisa fazer a politicagem, leva um pouco de tempo.

E vocês não têm os votos dos jogadores, é isso?

A gente acredita que não.

Quantos votos são?

Três e três. São três regiões: Américas, Europa e Resto do Mundo. Jogadores e torneios têm voto de cada região. O sétimo voto é do Chris Kermode, o presidente da ATP. Os torneios da América provavelmente a gente tem [ o voto] porque é a nossa região. Na Europa, deve haver um ponto de resistência por causa de Roterdã, mas não sei dizer.

Tecnicamente, mudar Rio e Buenos Aires para a quadra dura pode acontecer sem que São Paulo e Quito mudem também?

É mais difícil, mas pode. A gente até fala que nosso evento era na quadra dura. Memphis era na quadra dura. Eles é que forçaram a gente a ir para o saibro. A ATP que forçou.

5. Parque Olímpico

E se vocês não conseguirem a aprovação para quadra dura, existe possibilidade de fazer no saibro no Parque Olímpico, mesmo com todos problemas logísticos, de fazer sem drenagem, precisando de uma operação de lona rápida e tudo mais?

Você já está descrevendo alguns problemas.

Mas hipoteticamente vocês consideram isso?

Depende do timing da decisão da ATP. Tem muita coisa que a gente não sabe ainda. A gente ainda não sabe se o Ministério deixa colocar saibro lá. Quem vai administrar aquilo? Quadra dura você deixa lá e vai pintar três anos depois. Saibro tem uma manutenção muito mais cara. Você precisa de tratador, saibro, água… Eu vou ter que fazer toda uma estrutura de irrigação. Isso não existe. Eu teria que construir isso. É um investimento enorme. Não é “joga saibro em cima e acabou.” Por isso que a gente está estudando com calma.


ATP finalmente suspende Kyrgios, mas o que isso significa?
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Alexandre Cossenza

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A notícia parece boa para o tênis. A ATP anunciou nesta segunda-feira que suspendeu Nick Kyrgios após o episódio de Xangai. No Masters 1.000 chinês, o australiano jogou desinteressado, perdeu pontos de propósito, discutiu com um torcedor e ainda foi mal educado na coletiva pós-derrota para Mischa Zverev.

Ainda em Xangai, Kyrgios foi multado em US$ 16.500. Um valor risível para quem vinha de um título no ATP 500 de Tóquio e já embolsou US$ 1.757.289 na temporada. O australiano, vale lembrar, é mais do que reincidente. Ano passado, foi colocado em uma espécie de liberdade condicional após falar mais do que devia durante uma partida – lembram de Wawrinka-Kokkinakis-Vekic?

Não dava mais para deixar passar. Agora, Kyrgios foi multado em mais US$ 25 mil e está suspenso por oito semanas de torneio e pode voltar a competir apenas a partir de 15 de janeiro de 2017. A punição ainda estipula que a suspensão cairá para apenas três semanas de o atleta passar por um plano sob direção de um psicólogo esportivo ou um plano equivalente aprovado pela ATP.

O que significa?

A princípio, significa que o circuito está perdendo a paciência com Kyrgios. Não importa o quão talentoso e espontâneo seja o jovem de 21 anos, atual #14 do mundo, fica claro que a “condicional” de 2015 ficou no passado e que a ATP finalmente sentiu a necessidade de estabelecer um limite.

Ao mesmo tempo, mostra que a ATP continua leve nas sanções. Logo, o tal limite já parece um tanto flexível. Primeiro porque uma suspensão de “oito semanas de torneios” aplicada no meio de outubro significa, na prática, que Kyrgios não poderá jogar em quatro delas (seriam cinco se ele se classificasse para o ATP Finals). Além disso, a punição de oito semanas acabaria, coincidentemente, na véspera do Australian Open. Ou seja, a ATP puniu, sim, mas sem tirar Kyrgios do seu Slam local. Aí, sim, seria uma sanção severa.

E também há a questão do psicólogo, que supostamente terá a tarefa de fazer o tenista aprender a respeitar fãs, torneios, adversários e jornalistas. Coisas que uma família ensina, não um profissional contratado.

Para começar, Kyrgios deu uma declaração pedindo desculpas e dizendo basicamente o contrário do que declarou na coletiva desastrosa de Xangai. Até pelas cenas registradas na China, o texto não pareceu sincero. Posso estar sendo injusto. Quero estar sendo injusto. Seria bacana mesmo se Kyrgios passasse por essa suspensão com olhos e ouvidos abertos. Mas será que adianta?


Rio Open será só dos homens em 2017
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Alexandre Cossenza

A partir do ano que vem, o Rio Open será um torneio apenas masculino. O evento carioca, que sempre foi ao mesmo tempo um ATP 500 e um WTA International, “emprestou” o evento feminino para Budapeste.

A decisão foi tomada com a intenção de crescer. O torneio quer oferecer uma estrutura ainda melhor para os homens e entrar na briga de vez para ser um torneio da série Masters 1.000, do mesmo nível de Indian Wells, Roma e Madri.

O Rio Open sempre tentou trazer nomes de peso para sua chave feminina, mas o calendário do circuito mundial sempre foi um entrave, já que torneios milionários como Dubai e Doha, que oferecem mais pontos e dinheiro, são disputados na mesma época do ano e atraem as tenistas mais bem colocadas no ranking mundial. Logo, sem conseguir um novo status, o evento carioca decidiu dar um “all in” na chave masculina.

A organização garante, no entanto, que o Rio Open não deixará de lado completamente as mulheres. Caso haja mudanças no calendário feminino, é possível que o WTA volta à Cidade Maravilhosa. O evento das mulheres continua como propriedade da IMM e foi para Budapeste em uma espécie de lease. O Rio Open também pretende promover o tênis feminino de alguma maneira em sua edição de 2017, possivelmente com uma partida de exibição, mas ainda não há uma definição sobre isso.

“Acreditamos que este novo formato irá ajudar o Rio Open a seguir sua trajetória de crescimento, proporcionando uma experiência ainda melhor para todos os tenistas. Sempre trabalhamos para trazer os melhores do mundo para o nosso torneio, e seguiremos com esse compromisso. Nas três edições realizadas, a chave masculina atraiu diversos Top 10, com um lineup incrível em 2016. Porém, no feminino, em razão da posição do evento no calendário (sendo realizado nas mesmas semanas dos Premiers de Doha e Dubai), isso não se replicou. Sabemos da importância do Rio Open na carreira da Teliana, Paula, Bia, Gabriela e Laura, e pra 2017, temos a intenção de criar uma ação com essas meninas que vem fazendo história no tênis feminino, mostrando a importância que elas têm para nós. Além disso, no futuro, temos a intenção de voltar a realizar o torneio feminino, com a oportunidade de atrair as melhores do mundo, a exemplo do que acontece no masculino,” disse Lui Carvalho, diretor do Rio Open.

Vale lembrar que também não há local definido para o torneio em 2017. Existe a opção de continuar no Jockey Club Brasileiro, sede de todas três edições até agora, mas a organização não descarta se mudar para o recém-construído Centro Olímpico de Tênis.


Homens x mulheres: machismo e mercado no tênis
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Alexandre Cossenza

A polêmica do fim de semana foi das grandes. Em uma roda de café da manhã com jornalistas, o CEO de Indian Wells, Raymond Moore, soltou frases nada elogiosas ao circuito feminino de hoje. Em seguida, indagado sobre o assunto, Novak Djokovic reacendeu a sempre debatida questão da igualdade na premiação de homens e mulheres.

O assunto é delicado – como os dois senhores acima deixaram claro – e há questões que precisam ser lembradas para ajudar a contextualizar-sem-defender os dois cavalheiros. Este é um texto opinativo, então peço que leiam até o fim e, depois, comentem à vontade. Vamos, primeiro, às declarações.

“Na minha próxima vida, quando voltar, quero ser alguém na WTA (risos) porque elas pegam carona nos homens. Elas não tomam decisão alguma e são sortudas. Elas têm muita, muita sorte. Se eu fosse uma jogadora, me ajoelharia toda noite e agradeceria a Deus por Roger Federer e Rafael Nadal terem nascido porque eles têm carregado este esporte.”

A frase acima é a primeira frase polêmica de Moore. Ele ainda se atrapalhou ao dizer que a WTA tem “um punhado de promessas atraentes/atrativas que podem assumir o manto (de Serena). Vocês sabem, Muguruza, Genie Bouchard. Eles têm um monte de jogadoras atraentes/atrativas E o padrão do tênis das moças aumentou inacreditavelmente.”

“Attractive”, a palavra original, em inglês, pode significar atrativo ou atraente em português. Para nossa sorte, um jornalista insistiu no assunto e perguntou se Moore estava se referindo aos méritos estéticos ou competitivos das moças. A isto, Moore respondeu que falava de ambos, o que não ajudou exatamente sua causa.

Mais tarde, depois de derrotar um combalido Milos Raonic em uma final sonolenta, Novak Djokovic foi questionado sobre as declarações do CEO de Indian Wells. Sua declarações navegam entre o corajoso, o machista e o impróprio. A íntegra da coletiva está aqui. As partes mais importantes estão abaixo.

“Igualdade de premiação foi o principal assunto no tênis nos últimos sete, oito anos. Passei por esse processo também, então entendo quanta força e energia a WTA e todos que advogam por premiação igual investiram para alcançar isso. Eu as aplaudo por isso. Honestamente. Elas lutaram pelo que merecem e conseguiram. Por outro lado, acho que nosso mundo do tênis masculino, o mundo da ATP, deveria lutar por mais porque as estatísticas mostram que temos mais espectadores nas partidas masculinas. Acho que essa é uma das razões pelas quais deveríamos receber mais. Mas não podemos reclamar porque também temos ótimos prêmios em dinheiro no tênis masculino.”

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Djokovic aparentemente caiu numa contradição ao aplaudir as mulheres e, logo em seguida, dizer que os homens merecem mais. Digo aparentemente porque ele se explica (ou tenta se explicar) na resposta seguinte, quando lhe perguntam se a premiação não deveria ser igual.

“Minha resposta não é ‘sim e não’. É ‘mulheres devem lutar pelo que acham que merecem e nós devemos lutar pelo que acreditamos que merecemos.’ Acho que enquanto for assim e houver dados e estatísticas disponíveis sobre quem atrai mais atenção, espectadores, quem vende mais ingressos e coisas assim, é preciso que seja distribuído justamente com base nisso.”

E, logo na sequência, o número 1 do mundo responde com “absolutamente”, que mulheres deveriam ganhar mais do que homens se as estatísticas mostrarem que elas atraem mais atenção (e dinheiro, claro) do que homens. Depois disso, Nole ainda se atrapalha ao tentar mostrar respeito pelas mulheres, dizendo que “seus corpos são muito diferentes” e “elas precisam passar por muitas coisas diferentes que nós (homens) não precisamos. Vocês sabem, hormônios e coisas diferentes, não precisamos entrar em detalhes.”

Mulheres não decidem

Moore acabou pedindo demissão na segunda-feira, pouco mais de 24 horas depois de suas declarações atabalhoadas. No comunicado oficial divulgado pelo torneio, Larry Ellison, dono do evento, citou Billie Jean King e sua “campanha histórica” pela igualdade no tênis. “O que se seguiu foi um movimento progressivo, de várias gerações e em andamento para tratar mulheres e homens igualmente no esporte.” O bilionário também lembrou que Indian Wells paga o mesmo a homens e mulheres há uma década. A íntegra do comunicado está aqui.

A saída de Moore parece uma resolução adequada para um caso embaraçoso e que poderia, quem sabe, provocar um boicote feminino ao torneio em 2017. Um torneio desse porte, que já ficou tanto tempo sem as irmãs Williams, e que inclusive cogita estar em um patamar ainda maior, não se pode dar ao luxo de permitir outro cenário que prejudique sua imagem.

Dito tudo isto, há dois pontos que ajudam a entender – pelo menos parcialmente – a origem da queixa de alguns homens por prêmios maiores. O primeiro: a última grande negociação por aumento de premiação nos Slams foi liderada pelos integrantes da ATP (com direito a ameaça de boicote). O segundo: tenistas e dirigentes ouviram de executivos dos Slams que seria possível até aumentar a premiação um pouco mais (do que já foi elevado), só que os torneios se viam de mãos atadas porque precisavam igualar as quantias pagas às mulheres.

Resumindo: parte da ATP guarda essa, digamos, mágoa de não ver sua premiação tão alta por causa do circuito feminino. Essa explicação, afinal, foi dada pelos próprios torneios. Não, não justifica o comportamento de Moore, que foi preconceituoso e atabalhoado tanto no que disse quando na maneira como se colocou. No entanto, tendo em vista essa recente negociação, ele não está totalmente equivocado quando diz que as mulheres não decidem.

O mercado livre de Djokovic

Antes de mais nada, é preciso esclarecer um ponto que foi meio distorcido por aí sobre o que declarou o número 1 do mundo. Djokovic não disse pura e simplesmente que “homens devem ganhar mais do que mulheres”. Para o sérvio, não é uma questão de sexo, mas uma relação de mercado, de oferta e demanda. Ele diz se basear em números que provam que o circuito masculino hoje é mais atrativo e, consequentemente, faz mais dinheiro circular. Mas também afirma que se os números fossem inversos, as mulheres deveriam receber mais.

É um mar perigoso para Djokovic navegar e é preciso admirar, nem que por um breve instante, sua coragem de tirar o iate milionário do cais de Monte Carlo e encarar essas ondas traiçoeiras. Gosto da tese do sérvio – enquanto tese. Quem tem mais procura deve cobrar mais. Usando um exemplo assexuado, quem deve cobrar mais pelos direitos de transmissão: a Champions League ou a Libertadores? A melhor competição, com mais mercado, deve cobrar mais. Simples assim.

O comunicado oficial da ATP sobre a polêmica (vide tuíte acima) deixa claro que a entidade adota a mesma linha de pensamento do sérvio. Por isso, ressalta que “operamos no negócio de esporte e entretenimento” e que “respeita o direito dos torneios de tomarem suas próprias decisões em relação à premiação em dinheiro para o tênis feminino, que é um circuito separado.”

Digo dois parágrafos acima que gosto da ideia de mercado livre “enquanto tese” porque essa teoria não funciona na prática quando comparamos gêneros diferentes na mesma modalidade. Nossa sociedade, de modo geral, não consegue fazer isso. A maioria, infelizmente, ainda vê o esporte masculino como superior, mais desenvolvido, mais atrativo.

Há aspectos históricos e culturais que contribuem para isso. Muito dessa visão centralizada no esporte masculino vem de preconceitos que se arrastam desde um passado ainda mais machista, de quando reinavam noções de que tal esporte não é para moças de bem, que mulher não sabe dirigir, que tal atividade física é exigente demais para a biologia do corpo feminino e outros velhos “argumentos”.

Experimente, caro leitor, dizer a um amigo que você prefere curling feminino ao masculino.Depois volte aqui na caixinha de comentários e diga quanto tempo levou para ouvir uma piada sobre vassoura. São preconceitos como esses que fazem com que modalidades como futebol, automobilismo e basquete, tão populares entre os homens, sejam pouco procuradas, por exemplo, no Brasil. E não só isso. Esse machismo histórico também afasta investimentos. Homens, aliás, são maioria entre executivos responsáveis por direcionar verbas de patrocínio.

A teoria de Djokovic, se aplicada com 100% de justiça e eficácia, seria o reflexo de um planeta perfeito, de uma sociedade sem preconceitos. Mas alguém aí imagina isso acontecendo no mundo de hoje? Eu, não.

Slams: ingressos x premiação

O número 1 do mundo diz ter visto estatísticas. Não é difícil imaginar, de fato, que a ATP de Roger Federer e Rafael Nadal seja mais valiosa do que a WTA de hoje, mesmo com Serena Williams e Maria Sharapova sempre ocupando manchetes. Suíço e espanhol deram uma visibilidade monstruosa ao tênis masculino, conquistando e mantendo legiões de fanáticos. Sempre atuando em níveis absurdos, quebrando todos tipos de recordes.

Em sua coletiva após a final contra Azarenka (íntegra aqui), Serena lembrou que os ingressos para a final feminina do US Open do ano passado esgotaram antes dos bilhetes para a decisão masculina. Não me convence como argumento, embora a número 1 tenha razão ao recordar o legado de Billie Jean King e do efeito negativo que os comentários de Moore podem ter sobre mulheres atletas em todo mundo.

A questão dos ingressos do US Open ressalta o potencial das mulheres, mas o problema de citar uma única final (que, ainda por cima, teve a característica excepcional da possibilidade de uma tenista da casa completar o Grand Slam de fato) é se sujeitar ao contra-argumento de que, talvez, nos últimos cinco anos, as outras 19 finais masculinas esgotaram antes e tinham entradas mais caras.

Dito isto, há outra questão que pesa um bocado contra os homens nos Slams. Com exceção das finais, os ingressos são vendidos com antecedência e sem garantia de programação. Quem compra pode ver homens e mulheres de forma (quase sempre) igual. Além disso, há uma série de variáveis que afetam a quantidade de espectadores em uma determinada partida. Uma delas é o horário, algo estipulado pela organização do torneio. É quase impossível medir a diferença de interesse baseado nisso.

Portanto, é difícil imaginar os Slams dando esse passo para trás e diferenciando as premiações de homens e mulheres. É de se considerar também, obviamente, a questão do “politicamente correto” e da imagem que os eventos querem passar. Parece muito mais plausível, então, que os homens incomodados com a premiação atual questionem a ATP e os valores pagos em seus próprios Masters 1.000 ou ATPs 500. Mas será que os promotores têm “caixa” para bancar tudo que os astros do tênis acreditam merecer? Será que o circuito se sustentaria? Será?


Australian Open 2016: o guia masculino
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Alexandre Cossenza

Nem parece que faz tanto tempo assim que a temporada acabou, mas 2016 já está aí, com um Grand Slam na nossa frente, depois de duas semanas de torneios e mais um título de Novak Djokovic, que parece novamente favorito a tudo. As chaves do Australian Open foram sorteadas nesta sexta-feira (noite de quinta no Brasil) e já dá para imaginar muita coisa interessante nas próximas duas semanas.

Quem são os favoritos? Quem se deu bem no torneio? Alguém pode surpreender? Quais são os melhores jogos nas primeiras rodadas? Este guiazão da chave masculina do Australian Open tenta oferecer respostas para tudo isso. Role a página, fique por dentro e sinta-se à vontade para dar seus palpites na caixinha de comentários. Ah, sim: não deixe de voltar no sábado para ler sobre a chave feminina e no domingo para ouvir o podcast Quadra 18 especial pré-torneio!

Os favoritos / Quem se deu bem

O favorito é o de sempre, até pelo início fulminante de Novak Djokovic, campeão em Doha. Não quer dizer, porém, que ele tenha sido o “campeão do sorteio”. O título honorário concedido pelo Saque e Voleio é de Rafael Nadal (#5), que não está entre os quatro principais cabeças de chave e pode considerar um troféu não ter que encarar Nole já nas quartas de final.

Mas não é só isso. O espanhol tem uma chave que, se não é mais tranquila, lhe coloca diante de adversários que darão ritmo de jogo nas fases iniciais, algo essencial para Rafa atualmente. É o caso de Fernando Verdasco, seu rival na estreia, e de Sela/Becker na segunda rodada (um pouco menos no caso do alemão). O primeiro oponente de nome para Nadal seria Monfils/Anderson nas oitavas e, nas quartas, seu rival sai do grupo que tem Wawrinka, Raonic, Sock e Troicki. A semi seria contra Andy Murray, mas hoje em dia parece um abuso dar como certa a presença do espanhol entre os quatro últimos vivos na chave.

A grande questão é que, embora Nadal e seu tio Toni digam que Rafa é, hoje, um tenista melhor e mais confiante do que o de 2015, a campanha em Doha pouco fez para comprovar essa tese. Vitórias sobre Carreño Busta, Haase, Kuznetsov e Marchenko não são exatamente uma prova de fogo às vésperas de um Slam. A estreia, contra Verdasco, talvez deixe esse cenário um pouco mais claro.

Murray, na outra ponta dessa metade da chave, tem uma casca de banana logo na estreia, mas de modo geral o sorteio foi bom ao escocês. Alexander Zverev é uma promessa e tem um jogo cheio de recursos, mas ainda não mostrou o suficiente para derrotar o vice-líder do ranking em melhor de cinco sets – a não ser, é claro, que Murray saia da cama com o pé errado, o que nunca foi tão raro, convenhamos.

Fora isso, sua estrada parece bem pavimentada com Groth/Mannarino na segunda rodada; Sousa, Kukushkin, Giraldo ou Young na terceira rodada; Tomic/Fognini nas oitavas; e Ferrer, Johnson, Feliciano ou Isner nas quartas. Junte isso ao ótimo histórico de Murray em Melbourne, e o escocês é mais uma vez favorito para alcançar outra decisão. Levantar o troféu? Aí é outro papo.

Antes de pular para a outra página, cabe dizer que Stan, o cabeça 4, talvez tenha sido o mais azarado do top 5. Não que Tursunov vá lhe incomodar na estreia ou que um qualifier seja ameaça na segunda rodada, mas a possibilidade de encarar Jack Sock (finalista em Auckland) na terceira fase e Raonic (campeão em Brisbane) nas oitavas lhe coloca em uma parte ingrata da chave. E pensar que cinco dias atrás o suíço estava tão feliz, comemorando o título em Chennai…

A metade de cima da chave tem Djokovic e Federer, mas também tem Nishikori e Berdych. O número 1 do mundo não está numa parte complicada da chave, mas com seu nível atual de jogo, a impressão que fica é que qualquer caminho seria transcorrido sem demora.

Assim, não me parece que seus fãs tenham muito a temer. Nem na estreia contra o sul-coreano Hyeon Chung, que tem 19 anos e já é o #51, nem na segunda rodada contra Halys ou Dodig. Muito menos na terceira, quando enfrentará Krajinovic, Kudla, Gabashvili ou Seppi. Ou nas oitavas, diante de Karlovic ou Simon.

O único nome que pode ser uma ameaça real é Kei Nishikori, que enfrentaria Djokovic nas quartas. O japonês, entretanto, não parece uma certeza absoluta indo tão longe no torneio. Nishikori estreia contra o perigoso Philipp Kohlschreiber e sua seção ainda tem Jo-Wilfried Tsonga, possível oponente nas oitavas.

Para Federer, seu maior revés no sorteio foi cair do mesmo lado de Djokovic. Não que sua chave seja necessariamente fácil. A estreia é contra Basilashvili e, depois, podem aparecer eu seu caminho Dolgopolov na segunda rodada, Dimitrov na terceira, Thiem/Goffin nas oitavas e Cilci/Kyrgios/Bautista/Berdych nas quartas.

Ao mesmo tempo, nas condições normais de temperatura e pressão, quem apostaria em uma derrota do suíço para os fregueses Dimitrov e Goffin ou para o jovem Thiem? O jogo das quartas pode, finalmente, lhe apresentar alguns desafios, mas ainda assim Federer deve chegar lá como favorito.

Os brasileiros

Thomaz Bellucci, que não é cabeça de chave, não poderia ter rezado por um sorteio mais favorável. Vindo de duas derrotas seguidas em Brisbane e Sydney, o número 1 do Brasil estreará no Australian Open contra o convidado Jordan Thompson, número 149 do mundo, que vem de uma semifinal no Challenger de Nova Caledônia (!). Caso avance, Bellucci terá pela frente Steve Johnson (#32) ou Aljaz Bedene (#49). Parece justo afirmar que Johnson é o mais, digamos, “acessível” dos cabeças de chave em Melbourne.

Resumindo, as chances são boas para que o paulista, em sua oitava participação no Slam australiano, alcance pela primeira vez a terceira rodada. Caso isso aconteça, Bellucci pode enfrentar David Ferrer. Aí, sim, seria um duelo complicado.

Vale lembrar que o Brasil teve dois simplistas no qualifying: André Ghem e José Pereira. Ambos, no entanto, foram eliminados na primeira rodada. Rogerinho, Feijão e Clezar, que também teriam ranking para o torneio pré-classificatório na Austrália, optaram por disputar Challengers no saibro na América do Sul.

A chave de duplas será sorteada no domingo (noite deste sábado no Brasil), mas já se sabe que o Brasil terá cinco representantes na modalidade. Marcelo Melo, que joga ao lado de Ivan Dodig; Bruno Soares, novo parceiro de Jamie Murray; André Sá, que dá continuidade ao time com o australiano Chris Guccione; e a dupla formada por Thomaz Bellucci e Marcelo Demoliner.

Os melhores jogos nos primeiros dias

Lleyton Hewitt, 34 anos, já não joga o circuito mundial inteiro há um tempo, mas esteve nos Slams ano passado e quase conseguiu levar a Austrália à final da Copa Davis. Agora capitão do time, encerrará a carreira em Melbourne. Já em clima de despedida, postou nesta sexta, no Twitter, uma foto do “último treino com o grande Roger Federer.”

Sua estreia – e talvez despedida – será com o também australiano (e também wild card) Kevin Duckworth. É um jogo para o mundo inteiro prestar atenção, não só pela possibilidade de ser o último de Rusty, mas porque parece igualmente certo que o ex-número 1 vai lutar como sempre. É sempre algo memorável.

Ainda em modo saudosista, outro duelo interessante de primeira rodada é Rafael Nadal x Fernando Verdasco, uma reedição da espetacular semifinal de 2009. Não esperem, contudo, nada tão fantástico desta vez.

Primeiro porque Rafael Nadal não é mais o tenista dominante de seis anos atrás, e depois porque seu compatriota está muito, muito longe daquele nível. Maaaaas como Verdasco venceu o último duelo entre eles em quadra dura (Miami/2015), vale prestar atenção.

Também acho que pode sair coisa boa de Isner x Janowicz, jogo com dois ótimos sacadores e que não deve ter muitas quebras de saque, e Tsonga x Baghdatis, que se não valer a pena pelo tênis, pode compensar com jogadas de efeito e a animação da sempre grande torcida grega em Melbourne.

E que tal Murray x Zverev logo de cara? Um azar danado do alemão de 18 anos, #83 e uma das principais promessas atuais do circuito. De qualquer modo, é uma chance de mostrar seu talento com um bocado de gente prestando atenção.

O que pode acontecer de mais legal

Bernard Tomic perdendo na estreia. Não, não estou torcendo contra o australiano, mas muita gente vai estar. Quando mostrou pouco interesse no ATP de Sydney e decidiu desistir do torneio na sexta-feira, Tomic atraiu a ira de muita gente (vide o vídeo abaixo). Apesar de estar em seu país, é de se imaginar que o ambiente não será tão favorável assim na estreia contra Denis Istomin. E o uzbeque, lembremos, levou a melhor no último confronto entre eles. Era outro momento (Washington/2014), é verdade, mas pode dar uma confiança a mais para Istomin. E se a torcida pegar no pé de Tomic, difícil prever o que vai acontecer.

Fiquemos de olho no lado fashion da coisa. O burburinho é que Andy Murray e Nick Kyrgios vestirão camisas sem manga. Vai dar assunto, não?

O tenista mais perigoso que ninguém está olhando

Ninguém está olhando com razão, mas nem por isso Brian Baker deixa de ser um nome perigoso. Com uma carreira infestada de lesões e cirurgias, o americano de 30 anos, tenta mais uma volta ao circuito. Em sua última tentativa, realizada em 2011-12, Baker saltou do nada para o #52 do ranking mostrando um jogo com muitos recursos e parecia ter tênis para subir um tanto mais. No entanto, mais uma lesão (joelho direito) lhe afastou do circuito depois do US Open de 2013.

O Australian Open será seu primeiro torneio desde então e, se o corpo permitir, Baker tem uma primeira rodada ganhável contra Simone Bolelli. Como não joga uma partida oficial desde 2013, é difícil imaginar Baker com ritmo para aguentar melhor de cinco sets no calor australiano. Mas quem sabe o que pode acontecer? Pode ser a história mais feliz dos primeiros dias de torneio.

Outro nome fora do radar, também por causa de lesão, é o de Nicolás Almagro. O ex-top 10, também com 30 anos, vem tentando recuperar o nível pré-cirurgia no pé realizada em junho de 2014. No ano passado, ficou abaixo das expectativas. Agora casado e com nova equipe (Mariano Monachesi é seu treinador agora), espera voltar a ter resultados como os de antes.

Sua estreia é contra Julien Benneteau, e a segunda rodada provavelmente será diante de Dominic Thiem (#20), 22 anos. Não é o caminho mais fácil do mundo, mas não é nada impossível que o espanhol consiga se impor diante do garotão na segunda rodada. Aliás, seria intrigante um jogo entre Almagro e Goffin valendo vaga nas oitavas. Aguardemos para ver o que acontece.

Quem pode (ou não) surpreender

Aqui eu gosto de Borna Coric, 19 anos e #40, aquele que derrotou Feijão e Bellucci em Florianópolis na Copa Davis mostrando postura invejável para um adolescente. Não é uma parte fácil da chave, mas o garotão é favorito contra Albert Ramos-Viñolas na estreia e enfrentaria o veterano compatriota Marin Cilic na sequência.

Coric ainda não venceu um jogo no Australian Open (ele é o primeiro a se lembrar disso) e talvez não tenha as mesmas armas poderosas de Cilic, mas consegue ser mais consistente. Em um dia ruim do campeão do US Open/2014, quem sabe? Acho até que se passar por Cilic, Coric é favorito para alcançar as oitavas e enfrentar Nick Kyrgios ou Tomas Berdych, que são favoritos para fazer um jogaço na terceira rodada (Cuevas corre por fora na seção destes dois).

Onde ver

Os canais ESPN mostram o torneio com o auxílio do recurso online do WatchESPN. Segundo texto publicado no site dos canais, o WatchESPN mostrará todos os jogos. “Serão mais de 1.400 horas de tênis na Internet e cerca de 130 horas de cobertura ao vivo na ESPN e na ESPN+!”

A ESPN, inclusive, anunciou recentemente a renovação dos direitos de transmissão do Australian Open até 2021. A partir de 2017, o canal terá também os direitos da Copa Hopman do ATP de Brisbane e do ATP de Sydney.

Nas casas de apostas

Na casa virtual Bet365, o favorito não é surpresa alguma: Novak Djokovic paga 4/6, ou seja, quatro dólares para cada seis dólares apostados no título do sérvio. Andy Murray é o segundo mais cotado (5/1), mas bem longe de Nole. A surpresa, pelo menos para mim, é Nadal (9/1) mais cotado do que Federer (10/1), que, lembremos, foi vice-campeão dos últimos dois Slams. Talvez a chave do suíço, um pouco mais complicada, tenha a ver com isso.

O top 10 dos mais cotados ainda inclui Wawrinka (12/1), Nishikori (40/1), Raonic (40/1), Kyrgios (40/1), Berdych (50/1) e Cilic (66/1, empatado com Tsonga e Dimitrov). Um título de Thomaz Bellucci paga 1.000/1 a quem se arriscar. Os maiores azarões são Diego Schwartzman, Maco Cecchinato e Victor Estrella Burgos, pagando 5.000/1.


Condicional para Kyrgios
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Alexandre Cossenza

A ATP anunciou nesta segunda-feira o resultado de seu inquérito sobre o comportamento do australiano Nick Kyrgios, que ultrapassou alguns limites na partida contra Stan Wawrinka no Masters de Montreal.

No texto distribuído à imprensa, a entidade declara que Kyrgios estará sob uma espécie de “liberdade condicional” nos próximos seis meses. Caso volte a se comportar mal, pagará uma multa de US$ 25 mil e será suspenso de torneios sancionados pela ATP por um período de 28 dias.

Os critérios para a punição estão bem claros no aviso. Kyrgios não poderá:
– Ser multado por abuso físico ou verbal em um torneio sancionado pela ATP; ou
– Acumular mais de US$ 5 mil em multas por outras infrações cometidas em torneios sancionados pela ATP.

Resumindo: nos próximos seis meses, se Kyrgios se encaixar em um dos itens acima, levará uma suspensão de 28 dias. Caso se comporte bem, a “liberdade condicional” acaba no prazo de seis meses.

Um ponto importante a ressaltar é que a punição da ATP se limita a “torneios sancionados pela ATP”, ou seja, não inclui Grand Slams nem Copa Davis. E isso vale para as duas extremidades do cenário. Caso Kyrgios jogasse e fosse punido nesta semana, em Winston-Salem, poderia disputar normalmente o US Open, que é um evento da ITF, e não da ATP. Do mesmo modo, uma eventual confusão envolvendo o australiano em Nova York não resultaria em violação da condicional. Qualquer problema no US Open será julgado pela ITF e não vale para a ATP.

Já li todo tipo de reação à decisão. Há quem ache uma pena branda, já que não há suspensão nem multa imediata. Há quem considere, por outro lado, uma medida severa. Principalmente pelo item que cita acúmulo de US$ 5 mil dólares em multa. Eu explico: essa quantia vale para todo tipo de violação. Uma punição por “abuso de bola”, por exemplo, significa multa de US$ 350. Quebrar raquete, US$ 500. Falar palavrão (desde que punido pelo árbitro durante o jogo com “obscenidade audível”), US$ 5 mil. Logo, a conta acumulada de tudo isso ao longo de seis meses não pode passar de US$ 5 mil para Kyrgios. O garotão vai precisar mesmo se comportar.

A favor do australiano conta o fato de a condicional durar seis meses, mas a temporada tem só uns quatro meses pela frente. Ou seja, não é tão complicado assim. Além do mais, se ele for punido no Masters de Paris, ficará suspenso por 28 dias justamente no período de férias. É uma brecha perigosa que a ATP deixa.

Coisas que eu acho que acho:

– A condicional sempre me pareceu o cenário mais provável (inclusive escrevi isso no post da confusão, linkado no primeiro parágrafo deste texto). A ATP tenta mostrar firmeza ao mesmo tempo em que não quer parecer injusta. A impressão que dá é que Kyrgios foi julgado como réu primário, merecendo direito a uma segunda chance para se encaixar na sociedade.

– Ao não punir de forma imediata, a ATP corre o risco de ver Kyrgios reincidir. E se isso acontecer em Paris, como escrevi acima, vai sair barato demais. Transformará em piada uma medida com o objetivo de mostrar firmeza.

Coisas que eu acho que acho sobre outro assunto:

– Outra medida recente da ATP foi avisar aos tenistas que será adotada uma política de TOLERÂNCIA ZERO (escrita em negrito e caixa alta na carta abaixo) com quem não mostrar seu “melhor esforço” em quadra. Ou seja, quem “entregar” pontos/partidas será duramente punido.

– A carta enviada aos jogadores, vide tweet acima, cita expressamente que isso vem acontecendo com mais frequência em eventos de nível Challenger. Ou seja, é bom que todo mundo fique ligado com isso. Especialmente a molecada que acha que pode “entregar” na chave de duplas depois de ser eliminada nas simples.

– São raros os casos assim nos torneios maiores, mas houve um bem recente, em Wimbledon, envolvendo Kyrgios (sempre ele!), que enfrentava Richard Gasquet. O australiano desistiu de jogar alguns pontos – o que ficou bastante óbvio. Felizmente, a postura durou só alguns pontos. Kyrgios “voltou” para o jogo e lutou até o fim (acabou derrotado), escapando da punição e da multa.


Tutorial: como se programa uma rodada de um torneio grande
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Alexandre Cossenza

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O Rio Open, torneio ATP 500 e WTA International, terminou com mais elogios do que críticas e, é justo dizer, talvez tenha sido o mais bem organizado evento de tênis nos últimos anos em solo brasileiro. O evento, no entanto, terminou teve sua polêmica. A longa (e quente!) sexta-feira começou às 13h, com reclamações sobre o horário de início do jogo entre Sara Errani e Bia Haddad, e só terminou às 3h18min, quando Rafael Nadal eliminou Pablo Cuevas.

Em entrevista coletiva, Lui Carvalho, diretor do torneio, deu suas explicações. Depois, ao fim do torneio, conversou só comigo e explicou tudo, detalhe por detalhe, que foi levado em consideração na montagem da programação daquela sexta-feira. E como muitos leitores (e até jornalistas) não sabem como é o processo, faço este post, que acaba sendo uma espécie de tutorial de como se monta um dia de um torneio grande.

Primeiro, lembremos a resposta oficial sobre a polêmica da sexta-feira. Muitos levantaram a hipótese de que a partida entre Fabio Fognini e Federico Delbonis (penúltima do dia na Quadra Central) deveria ter sido transferida para a Quadra 1 (menor, com capacidade para cerca de mil pessoas). Na coletiva de domingo, Carvalho deu a seguinte explicação.

“O que aconteceu foi um caso daqueles que acontecem uma vez em um milhão. Os jogos se prolongaram por muito mais do que normalmente. Naquele dia, a WTA teve o heat policy (regra que dá aos tenistas dez minutos de intervalo entre o segundo e o terceiro sets em dias com muita sensação de calor) no jogo da Bia… O jogo parou por dez minutos… Muitos jogadores pedindo fisioterapeutas, toilet breaks, essas coisas. Essas paradas acontecem, estão dentro das regras, mas não são tão comuns do jeito que aconteceu. O que vem se discutindo bastante era a decisão do torneio de mover o jogo do Fognini para a Quadra 1. A gente foi acompanhando a situação, mas sobre a nossa decisão, a gente reforça que foi acertada por alguns motivos. Primeiro: o jogo que poderia ter sido mudado, na verdade, nas condições que a gente estava, era o do Nadal (contra Pablo Cuevas), mas obviamente que a gente não moveria o jogo do Nadal para uma Quadra 1, onde cabem mil espectadores, existem vários riscos de segurança, não tinha TV, coisas desse tipo. O segundo: como o jogo do Fognini não poderia ter sido mudado naquele momento, e ele estava entrando na quadra às 9h da noite. Se você falar para mim ‘são dois jogos a partir das 9h da noite’, não é nada absurdo. Acontece que o jogo do Fognini se arrastou por muito mais do que a gente previa e aconteceu o que aconteceu (Nadal só foi pidar na Quadra Central à 1h). E também na Quadra Central nós temos TV, temos um contrato de televisão (com a ATP Media) que nos força a mostrar as quatro quartas de final e, naquela situação, com o jogo entrando às 9h da noite, a gente achou que a decisão mais correta era manter o Fognini na Quadra Central. Enfim, foi um incidente que aconteceu, o jogo se arrastou um pouco mais, e o Nadal acabou entrando tarde. Mas nada que não tenha sido comunicado claramente com os jogadores no momento.”

Agora, sim, vamos ao tutorial, que vai dar detalhes de como a programação daquela sexta-feira foi estabelecida. E, para que fique tudo bem claro, é preciso lembrar da programação de quinta-feira. Veja ela abaixo.

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É importante saber a programação de quinta porque a reunião que estabelece os horários do dia seguinte é sempre realizada por volta das 17h. É quando se sentam à mesma mesa o diretor do torneio, o supervisor da ATP, o supervisor da WTA, os tour managers e um representante da TV (no caso, da ATP Media, que envia as imagens para o mundo inteiro). E muita coisa entra nessa balança.

A chave de duplas é uma delas. Notem que na quinta-feira, Pablo Andújar jogaria sua partida de simples às 19h e a de duplas um pouco depois (de descansar). Logo, a organização, que montou o calendário às 17h, precisava considerar a hipótese de o espanhol avançar nas duas chaves. Se isto acontecesse, como manda a regra, Andújar não poderia fazer o último jogo de simples, já que precisaria também jogar duplas (o regulamento da ATP manda que um tenista sempre jogue sua partida de simples antes da de duplas).

Como Andújar enfrentava Fognini na quinta-feira, o vencedor daquele jogo foi escalado para a penúltima partida da sexta-feira, o que significava deixar como último confronto o vencedor de Nadal x Carreño Busta contra Pablo Cuevas. Até aí, nenhum problema, já que o próprio Nadal pediu para jogar no último horário (a organização não é obrigada a atender os pedidos). E vale lembrar que escalar Andújar/Fognini x Delbonis mais cedo causaria outro tipo de problema. O vencedor deste jogo teria muito mais tempo de descanso do que Nadal/Cuevas. Sim, tudo isso precisa ser levado em consideração.

“O Ferrer jogou primeiro porque estava livre desde quarta-feira à noite. A partir do momento que passa a segunda rodada, você começa a pensar na seção (da chave) para não dar vantagem. Se, por exemplo, Nadal jogar quinta de manhã e o oponente jogar quinta à noite, é injusto porque um tem muito mais tempo de descanso. Segunda e terça, você nem pensa tanto na seção, mas a partir de quarta você já começa a juntar as seções. Uma vai de dia (a metade de baixo, com Ferrer) e a outra vai de noite (com Nadal)”, explicou Carvalho.

Logo, a programação oficial de sexta-feira saiu assim:

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E ainda há algumas coisas a ressaltar. Segundo Carvalho, o regulamento da ATP diz que, em casos assim, apenas a última partida pode ser levada para outra quadra. Foi, aliás, o que aconteceu com a partida de duplas na noite de sábado. Quando Marach, Andújar, Oswald e Klizan entraram em quadra, havia apenas uma pessoa lá (a Aliny Calejon, que contou tudo em seu site, o Match Tie-Break).

Alguém pode indagar o porquê de se fazer a programação antes do fim da rodada, mas o motivo é simples. É preciso dar tempo para que os tenistas – especialmente aos que atuarão na sessão diurna – se preparem. Todos horários na vida de um atleta profissional são programados de acordo com o horário de um jogo.

Um ponto que ratifica o raciocínio de Carvalho no que diz respeito ao timing dos jogos foi o próprio andamento do torneio. De segunda a quinta-feira, o Rio Open teve seis partidas na Quadra Central, com a primeira delas começando às 11h. Não houve nenhum problema quanto a horário. A sexta-feira, que tinha um jogo a menos, começou às 13h. Não havia como imaginar uma sessão tão longa.

Coisas que eu acho que acho:

– Foi impressionante o número de pessoas que ficaram no Jockey Club Brasileiro madrugada adentro até a partida entre Nadal e Cuevas. A estimativa era de mais de 4 mil pessoas no clube. E foi bom ver, como escrevi no post anterior, que os estandes de comida e seguiram ficaram até além da meia-noite.

– A quem diz que foi um erro escalar Bia Haddad e Errani por causa do calor, a WTA passou uma informação importante. A sensação de calor na Quadra Central era maior às 16h do que ao meio-dia. Logo, não é justo culpar a organização pelas cãibras da brasileira.

– O torneio de Acapulco, que acontece esta semana, tem dilemas parecidos. É um evento grande, com chaves masculina e feminina, e precisa lidar com o calor. Por isso, começa a programação diariamente às 16h. A grande diferença é que o torneio mexicano usa seis quadras enquanto o evento brasileiro aproveitou, no máximo, quatro (três na sexta-feira).


O gatilho salarial de uma ATP “holística”
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Alexandre Cossenza

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Demorou, mas veio. E não é muito, mas é alguma coisa. Depois de anunciar um aumento na premiação dos Masters 1.000 e ATPs 250 e depois também de ver a ITF planejar mais dinheiro nos Futures e torneios torneios “de entrada” no circuito, a ATP finalmente garantiu um pagamento melhor nos torneios mais básicos da série Challenger. Até 2017, todos Challengers de premiação mínima (atualmente, US$ 40 mil mais hospedagem) ganharão reajuste de US$ 10 mil e subirão para US$ 50 mil, com hospedagem incluída a todos jogadores da chave principal.

Como os torneios terão dois anos para fazer o ajuste na premiação, a ATP também prometeu compensar de seu próprio bolso, já a partir de 2015, a diferença. Ou seja, os torneios que teriam premiação de US$ 40 mil passarão a pagar US$ 50 mil, com esses US$ 10 mil a mais saindo diretamente dos cofres da entidade.

No comunicado de anúncio, a ATP se orgulha de estar garantindo um aumento de 100% em um período de dez anos. Em 2007, a premiação mínima era de US$ 25 mil. Em 2017, será de US$ 50 mil. Considerando a inflação acumulada e o aumento em certos gastos, a medida me parece mais um gatilho salarial (obrigado, Plano Cruzado) do que um bônus no poder de compra dos atletas.

Ainda assim, o anúncio mostra um certo interesse da ATP com a base do tênis mundial, o que é sempre bom. Até porque o comunicado diz ainda que a entidade está de olho em “calendário, serviços médicos e desenvolvimento de jogadores” e vai fornecer árbitros, fisioterapeutas e equipes de relacionamento de jogadores adicionais a um número de torneios.

“Precisamos ter os Challengers certos nas semanas certas, reduzindo os gastos com viagens e melhorando serviços médicos, educação, arbitragem e marketing nesses eventos. Estamos adotando uma postura holística porque buscamos fazer com que o tempo gasto pelos jogadores no nível Challenger seja mais sustentável”, disse o chefão da ATP, Chris Kermode.

No discurso, é bonito – e eu “adoro” quando um chefão corporativo usa “holístico” num discurso. Resta ver se os tenistas vão ver, na prática, essas melhorias todas. Fiquemos de olho.


Masters 1.000 ameaçam processar ATP
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Alexandre Cossenza

O aumento no valor dos prêmios em dinheiro anunciado pela ATP (vide post de ontem) não deixou todo mundo satisfeito. Os nove torneios da série Masters 1.000, que terão de bancar um reajuste anual de 11% até 2018, estão ameaçando levar a entidade que controla o circuito masculino à justiça. Quem deu a notícia foi o Sports Business Daily, que teve acesso a uma carta enviada pelos diretores dos eventos.

Segundo a publicação, a carta endereçada a Chris Kermode, principal executivo da ATP, diz que “os Eventos não estão dispostos a colocar em risco suas atividades e concordar com as exigências insustentáveis buscadas pelos representantes do conselho de jogadores. Se a direção da ATP votar pela aprovação do aumento do prêmio em dinheiro nos Eventos sem um único voto a favor dos representantes dos torneios, então os Eventos não terão escolha a não ser examinar cuidadosamente e buscar seus direitos e medidas legais.”

E aconteceu exatamente o que os representantes dos Masters 1.000 previam no documento. O reajuste foi aprovado por 4 votos a 3, com três votos a favor vindo dos representantes dos atletas e três votos contra vindo dos representantes dos torneios. Kermode deu o voto decisivo a favor dos tenistas.

Os torneios ofereceram um aumento anual de 5,8% durante as próximas quatro temporadas além de uma divisão dos lucros vindo do contrato com a ATP Media. Segundo relata o Sports Business Daily, o total disso resultaria em 11% anuais. Os jogadores, por sua vez, pediram 17%, mas aceitaram os 11% quando Kermode prometeu votar a favor do reajuste. O chefão da ATP ainda prometeu dar 3% dos cofres da ATP, o que resultou nos 14% que foram aprovados. O detalhe é que os atletas não concordaram com a inclusão da verba da ATP Media na divisão. Assim, os 11% sairão inteiramente dos torneios.

Quando o politicamente correto sai caro

Segundo a reportagem, os torneios queriam encontrar uma maneira de aumentar o prêmio em dinheiro dos homens, mas não igualar no feminino. Por isso, a sugestão de incluir uma fatia proveniente da ATP Media. Caso os Masters combinados conseguissem a aprovação dos 5,8% sugeridos, precisariam apenas igualar os 5,8% na chave feminina – o dinheiro da ATP Media iria só para a chave masculina, obviamente. Da maneira com que o reajuste foi aprovado, todos os torneios com chave feminina terão, em nome do politicamente correto, que igualar os 11% para as mulheres.

A resposta da ATP foi tão forte quanto a carta enviada pelos Masters. Assinado por seu responsável por assuntos jurídicos, Mark Young, o texto diz que “não temos a intenção de responder a nenhuma das várias declarações expressas ou implícitas em sua carta, exceto para comunicar que a ATP espera que cada torneio integrante (do circuito) cumpra regras, resoluções ou acordos da ATP, incluindo, sem limitar-se a, quaisquer regras ou resoluções da ATP relacionadas a prêmio em dinheiro (ou qualquer outro assunto) pelo conselho da ATP.”

Tags : atp


ATP aumenta prêmios: uns mais iguais que os outros
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Alexandre Cossenza

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Cheia de pompa e orgulhosa de si, a ATP fez o anúncio na última sexta-feira: a premiação em dinheiro aumentará nos Masters 1.000 e ATPs 250 de 2015 a 2018. Assim, a premiação total ao longo ano ultrapassará os US$ 100 milhões na próxima temporada e alcançará US$ 135 milhões em 2018. E tudo lindo no mundo maravilhoso do tênis profissional, certo? Errado. Muito errado.

A conta não é difícil de fazer. Os Masters 1.000, frequentados normalmente por um grupo que envolve os 60-70 mais bem ranqueados, aumentarão seus prêmios em 14% anualmente até 2018. Os ATPs 250, torneios menores, em que atletas fora do top 100 conseguem ocasionalmente entrar sem qualifying, terão aumento de apenas 3% anuais. Parece justo. Os torneios com mais visibilidade e patrocinadores de mais peso devem pagar ainda mais, certo? Errado.

A questão é que colocar mais dinheiro em jogo nos torneios maiores só aumenta o problema da distribuição de renda no tênis. Hoje, enquanto um quadrifinalista de Grand Slam recebe cerca de US$ 350 mil (foram US$ 370 mil no US Open), quem perde na primeira rodada leva para casa mais ou menos um décimo disso: US$ 35 mil era o valor pago no último US Open. Assim, ano após ano, a elite torna-se mais elite, enquanto o povo que ocupa a faixa entre 80-120 passa aperto o ano inteiro. Há quem possa viajar com estafe completo (técnico, preparador físico, psicólogo), mas também há quem precise de ajuda de sua confederação para conseguir pagar as contas e viajar o circuito o ano inteiro.

O panorama é mais complexo do que parece. Os tenistas passaram alguns anos reivindicando aumento nas premiações dos Grand Slams. Os quatro torneios repassavam aos atletas uma porcentagem ínfima de seus ganhos. Houve até uma ameaça velada de boicote, que não saiu das salas de reunião porque os Slams cederam. O reajuste veio, e com porcentagem maior para as primeiras rodadas. Era, afinal, uma maneira de compensar os míseros prêmios dos ATPs 250 e do Circuito Challenger. Para muitos dessa turma, US$ 35 mil significa o maior prêmio em dinheiro de toda a temporada.

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O renovado prize money dos Slams, no entanto, não resolveu o problema da “desigualdade social”. Suponhamos que os perdedores de primeira rodada, que ganhavam cerca de US$ 20 mil até pouco tempo atrás, recebessem aumento de 100%. Passariam a ganhar US$ 40 mil. Suponhamos também que os campeões, com prêmio de US$ 2 milhões, recebessem “só” 10% de reajuste. A recompensa pelo título subiria em US$ 200 mil. Uma diferença e tanto, não?

Não existe solução simples. O abismo de remuneração entre os tenistas do top 20 e aqueles que oscilam entre 70-80 e 150 só tende a assustar ainda mais com esse reajuste comemorado pela ATP. E, como se não bastasse, os torneios da série Challenger (onde está a maioria dos tenistas que tentam um lugar ao sol) seguem sem uma luz no fim do túnel. O que mudou nos últimos dez anos foi a premiação mínima, que saltou de US$ 25 mil para US$ 35 mil (a serem distribuídos entre todos participantes). No entanto, a premiação máxima segue estacionada em US$ 125 mil, mesmo valor máximo do circuito em 1994!

Aliás, essa é outra conta fácil – e interessante – de fazer. Enquanto a série Challenger paga o mesmo de 20 anos atrás (embora algumas temporadas tenham visto um par de torneios de US$ 150 mil, abolida pela ATP), a premiação dos Masters 1.000 quase triplicou. Monte Carlo, por exemplo, distribuía US$ 1,47 milhão em 1994. Hoje, paga US$ 3,6. Logo, 20 anos atrás, um Challenger equivalia a cerca de 8,5% de um Masters 1.000. Hoje, vale 3,47%.

A consequência máxima é que saltar de nível ficou muito mais difícil. Como competir em igualdade de condições se o adversário acima vem ganhando mais dinheiro e, portanto, treinando, viajando e se alimentando em condições mais favoráveis? O tênis nunca foi tão desnivelado quanto hoje, e nada indica que exista uma placa de retorno nos próximos quilômetros dessa estrada.

Coisas que eu acho que acho:

– O mundo dos Challengers ainda tem “obstáculos” inesperados. Quem jogou o Aberto de São Paulo este ano (o torneio da foto acima) está sem receber a premiação até hoje.

– Os Masters 1.000 não estão nada felizes com o aumento que terão de dar nas próximas quatro temporadas. Escrevo sobre o assunto com mais detalhes amanhã.


Nadal e Djokovic voam, Federer ainda instável
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Alexandre Cossenza

Um torneio-exibição e três ATPs 250. Não é muito para que tiremos conclusões definitivas sobre quem jogará bem em Melbourne, mas é o bastante para que façamos uma análise interessante sobre o momento de alguns dos grandes nomes que estarão no Australian Open daqui a uma semana.

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Quem estava bem continua bem. No embalo das 24 vitórias consecutivas que conquistou no fim da temporada 2013, Novak Djokovic abriu o atual calendário com o título do torneio-exibição de Abu Dhabi. Foram apenas dois jogos, contra Tsonga e Ferrer, mas foram apresentações sólidas. E jogar em Abu Dhabi significou para o sérvio pular a primeira semana de torneios oficiais e chegar cedo a Melbourne.

A preparação desta mesma maneira deu certo nos últimos três anos – Nole foi campeão em 2011, 2012 e 2013 – e não há motivos para acreditar que será diferente em 2014. O sérvio é tão candidato ao título do Australian Open quanto vem sendo desde sua primeira conquista, em 2008.

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O número 1 do mundo jogou em Abu Dhabi e somou uma derrota (para David Ferrer) e uma vitória (sobre Tsonga), mas chegou em grande forma ao Catar, onde venceu o ATP 250 de Doha. A chave não era nada fácil e, mesmo com derrotas precoces de Ferrer, Tomas Berdych e Andy Murray, Rafael Nadal teve obstáculos perigosos como Lukas Rosol (que lhe incomodou quando preferiu jogar tênis em vez de catimbar), Ernests Gulbis, o qualifier kamikaze Peter Gojowczyk (que acertou tudo no começo do confronto) e o francês Gael Monfils.

O título significa que Nadal chegará em boa forma a Melbourne, o que nem sempre foi o caso. E ter golpes calibrados já nas primeiras rodadas faz muita diferença para o espanhol. Costuma traduzir-se em vitórias tranquilas e tempo para fazer ajustes com calma antes da importante e complicada segunda semana.

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Andy Murray, que vem voltando de uma cirurgia nas costas, e David Ferrer, que desfez a parceria com seu técnico de longa data, Javier Piles, são pontos de interrogação. Embora o espanhol tenha somado uma vitória sobre Nadal em Abu Dhabi, tombou na segunda rodada em Doha, diante de Daniel Brands.

Há quem diga que o número 3 do mundo, vindo da melhor temporada de sua carreira, não aguentará mais um ano inteiro jogando em alto nível. E a separação de Piles pode ser um indício de cansaço mental. Viajar sozinho, em alguns casos, é sinal de que o tenista precisa de um alívio. Só que este tipo de alívio costuma se traduzir em campanhas aquém do esperado. Ferrer, que não possui tanto talento como a maioria do top 10, parece encaixar-se no perfil. Sua participação em Auckland nos dará mais informações. Aguardemos.

É ainda mais difícil prever o desempenho de Murray. Não só pela questão do ritmo de jogo, que é pouco, mas porque seu tênis foi pouco testado. Em Abu Dhabi, foi superado por Tsonga e bateu Stanislas Wawrinka em um jogo que valia o quinto lugar. Em Doha, bateu um convidado local por duplo 6/0, mas não passou da segunda fase, quando Florian Mayer o tirou do torneio.

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O que dizer, então, de Roger Federer? O suíço parece no mesmo ritmo de 2013, alternando grandes jogadas com momentos irreconhecíveis – ou melhor, momentos que nos fazem lembrar da última temporada. Sua nova raquete, com a cabeça maior e pintada de preto, ainda nos sugere a memória de uma varinha emprestada por algum personagem de Harry Potter – não obedece o novo dono.

Sua atuação em Brisbane terminou com derrota na final diante de Lleyton Hewitt – uma partida preocupante para seus fãs. O suíço fez um péssimo primeiro set, mas, aos poucos, foi encontrando algum ritmo e venceu a segunda parcial graças a um game ruim de Hewitt, que teve 40/0 e errou uma direita com a quadra a seu dispor. No entanto, quando parecia melhor em quadra, não conseguiu aproveitar nenhum dos sete break points que teve no terceiro set e deixou a vitória escapar ao ser quebrado em um game errático.

Qual o prognóstico para Melbourne, então? Talvez as vitórias venham sem muitas dificuldades na primeira semana, mas será necessária uma dose extra de consistência para derrotar a turma do top 10 e ir longe de fato no torneio.

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Coisas que eu acho que acho:

– É preciso registrar a belíssima semana de João Souza, o Feijão, no Challenger de São Paulo. O brasileiro contou com um saque afiado e muita ousadia em momentos importantes para conquistar o troféu e dar um belo salto no ranking. Na lista desta segunda-feira, Feijão aparece em 116º lugar (subiu 24 casas) e ocupa o simbólico posto de número 1 do Brasil, deixando Bellucci (125º) para trás.

– A consequência ruim é que Feijão desistiu de disputar o qualifying do Australian Open. Um voo no domingo significaria chegar na terça-feira à tarde (na melhor das hipóteses!) em Melbourne, e os jogos do quali começam na quarta. Sem ele, o Brasil terá apenas Bellucci e André Ghem. Rogerinho (150), lesionado, e Guilherme Clezar (159), não estarão na Austrália.

– Não dá para encerrar o post sem citar o terceiro campeão da semana: Stanislas Wawrinka. O suíço optou por abrir o calendário oficial  jogando em Chennai, como principal cabeça de chave, e tirou proveito. Fez quatro partidas e não perdeu um set sequer. É, como sempre foi, um nome a ser observado com atenção em Melbourne. Ainda que corra eternamente por fora.

– Continua valendo a pena curtir a página do Saque e Voleio no Facebook. Além de avisar sempre que há um post novo por aqui, muita gente opta por comentar por lá, então sempre rola uma discussão (no bom sentido) bacana. Sem falar nas galerias de fotos dos campeões da semana. Deixei um aperitivo aqui embaixo!


Quanto vale o Rio Open
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Alexandre Cossenza

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Em uma coletiva com muita gente falando e poucas perguntas da imprensa, o Rio Open apresentou, enfim, seu patrocinador master. O torneio agora chama-se Rio Open apresentado pela Claro hdtv. Todos representantes de patrocinadores discursaram, o que incluiu representantes de IMG, IMX, Claro, Correios, Itaú, Peugeot, além do secretário de Turismo do Rio de Janeiro e de vídeos com Chris Kermode, e Stacey Allaster, presidentes de ATP e WTA, respectivamente. Ah, sim: ninguém citou o nome de Eike Batista.

Depois uma boa meia hora de falação, com organizadores agradecendo a patrocinadores e patrocinadores elogiando organizadores, finalmente veio a informação que importava ao público: os preços de ingressos. E aqui estão:

Segunda e terça-feira
Cadeira lateral na sessão diurna: R$ 20
Cadeira de fundo de quadra na sessão diurna: R$ 30
Cadeira lateral na sessão noturna: R$ 60
Cadeira de fundo de quadra na sessão noturna: R$ 70

Quarta e quinta-feira
Cadeira lateral na sessão diurna: R$ 30
Cadeira de fundo de quadra na sessão diurna: R$ 40
Cadeira lateral na sessão noturna: R$ 90
Cadeira de fundo de quadra na sessão noturna: R$ 100

Sexta-feira (sessão única)
Cadeira lateral: R$ 140
Cadeira de fundo de quadra: R$ 170

Sábado (sessão única)
Cadeira lateral: R$ 280
Cadeira de fundo de quadra: R$ 310

Domingo (sessão única)
Cadeira lateral: R$ 320
Cadeira de fundo de quadra: R$ 350

Vale lembrar que serão três jogos por sessão de segunda a quinta-feira. Isto, é claro, se não chover. E o torneio, que é em saibro outdoor e está marcado para acontecer de 15 a 23 de fevereiro de 2014, será em um dos meses com a maior média de chuvas no Rio de Janeiro.

Os ingressos estarão à venda a partir de 13 de dezembro, no próprio site do torneio. Clientes Claro hdtv e Itaucard, entretanto, têm direito a pré-venda exclusiva a partir desta terça-feira, 3 de dezembro.

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Sem ir na toalha (para ler em até 25 segundos, mas com atenção):

– Rafael Nadal e David Ferrer já têm presença confirmada no torneio. Thomaz Bellucci, mesmo sem ranking para um ATP 500, também jogará, já que vai receber um wild card se necessário. O paulista, além de número 1 do Brasil, é agenciado pela IMX, dona e organizadora do torneio.

– Ainda não há nomes de peso confirmados para o torneio feminino. Conversei rápido com o diretor do torneio, Lui Carvalho (foto acima), que me apontou o calendário da WTA como principal obstáculo para as negociações. O Rio Open é realizado uma semana depois do WTA de Doha (do outro lado do planeta e obrigatório para as top 10) e no mesmo período do WTA de Dubai, mais perto de Doha e com premiação de US$ 2 milhões (o evento carioca paga US$ 250 mil).

– Lui não falou em nomes, só disse que a negociação era mesmo complicada. Uma das possibilidades era conversar com o WTA de Florianópolis e dividir o “appearance fee” (valor pago “por fora” para que um tenista jogue o torneio, independentemente da premiação do evento) de uma atleta top. E Teliana Pereira, que estava no evento, deve receber um convite, assim como Bellucci.

– O saibro da quadra central já está pronto. As arquibancadas, todas com assentos retráteis e numerados, terão lugar para pouco mais de 6.000 pessoas. Embora um dos requisitos da ATP para um evento da série 500 seja a capacidade para 7.000, o Rio Open tem a autorização da ATP para operar durante alguns anos com a capacidade um pouco abaixo do “piso”.

– Importante notar também que o torneio foi anunciado como “maior evento esportivo anual do Rio de Janeiro”. Ênfase no anual. Todos que tiveram o microfone nas mãos indicaram que o evento fica na cidade por um bom tempo. Marcia Casz, vice-presidente da IMX, disse, inclusive que o torneio promoverá a criação anual de núcleos de tênis em comunidades do Rio de Janeiro. “Daqui a 20 anos, poderemos ter 20 núcleos”, afirmou.

– O nome de Eike Batista não foi citado em momento algum na coletiva. Por ninguém. A IMX, lembremos, é uma joint venture do Grupo EBX, de Eike, com a renomada IMG. A credibilidade da empresa internacional foi ressaltada em vários momentos da apresentação desta terça-feira.

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Coisas que eu acho que acho:

– Sai caro ver o torneio inteiro? A discussão passa pela questão de sempre: a meia-entrada. Quem tem direito ao benefício pode ver os sete dias de Rio Open, sentado no fundo de quadra, por R$ 655. Parece-me um valor bem razoável para um evento deste nível. Contudo, quem precisa pagar o valor cheio terá de desembolsar, na mais barata das hipóteses (cadeira lateral em todas as sessões), R$ 1.140. Já não é tão acessível assim, especialmente se alguém de fora do Rio estiver planejando uma viagem.

– Quem já percebeu que o Brasil Open, que é realizado anualmente em São Paulo, ainda não anunciou nem tenistas nem patrocinadores para sua edição de 2014, marcada para o período de 24 de fevereiro a 2 de março? Ano passado, a organização já havia anunciado suas maiores estrelas no fim de novembro. Será que os problemas de 2013 e o calendário de 2014 complicaram a vida de São Paulo? Aguardemos novidades.


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