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Sharapova e os convites da discórdia
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Alexandre Cossenza

Suspensa desde janeiro de 2016 após exames antidoping realizados no Australian Open apontarem a presença da substância proibida meldonium, Maria Sharapova voltou a ser o centro de discórdias nesta semana. O gancho da russa terminará em abril, e a ex-número 1 já tem garantidos wild cards para disputar os WTAs de Stuttgart, Madri e Roma. A polêmica fica por conta de quem acredita que um atleta punido por doping não deveria receber convites – opinião compartilhada pelo número 1 do mundo, Andy Murray, e pelo novo presidente da Federação Francesa de Tênis (FFT), Bernard Giudicelli.

Os wild cards (na essência, convites da organização) são essenciais para Sharapova porque a russa ficou mais de um ano suspensa. Logo, já perdeu todos os pontos no ranking e não conseguiria sequer vagas no qualifying para disputar torneios de alto nível. Pela regra, como ex-número 1 do mundo e campeã de slam, a russa tem direito a WCs ilimitados. Pode jogar quantos eventos puder, desde que os organizadores concedam o benefício. Mas não é o regulamento que está em discussão (ainda?). A questão, para Murray e Giudicelli, é moral.

Murray deu uma entrevista ao Times dizendo que deveria ser preciso ralar na volta. “Porém, a maioria dos torneios vai fazer o que é melhor para o seu evento. Se eles acham que grandes nomes vão vender mais ingressos, eles vão fazer isso.” O argumento do escocês deixa implícito que o retorno sem ranking é – ou deveria ser – uma parte da punição por doping. Afinal, de que adianta fazer o tenista perder seus pontos se ele consegue entrar em qualquer torneio quando acaba a suspensão? É um ponto de vista válido e levanta uma questão: será que os regulamentos deveriam ser revistos nesse quesito?

O presidente da FFT também aborda a questão moral, embora por outro lado. Ele argumenta que “não podemos investir um milhão e meio de euros na luta contra o doping e acabar convidando uma jogadora condenada pelo consumo de uma substância proibida.” Ele e Murray atacam o mesmo ponto, mas por ângulos diferentes. E a declaração do cartola francês deixa no ar que Sharapova pode não receber o convite e ficar fora de Roland Garros.

O outro lado da questão é que, tecnicamente falando, ninguém está impedido de convidar Sharapova para jogar, dançar valsa ou sapatear na cara da sociedade. Nenhuma regra impede wild cards para tenistas que voltam de suspensão por doping. O caso da russa, aliás, não é o primeiro. Viktor Troicki, suspenso por violar o código antidoping, recebeu convites para os ATPs de Gstaad e Pequim logo que voltou, em 2014. Há, no entanto, uma diferença grande entre os dois casos. O sérvio nunca testou positivo. Sua suspensão veio porque, segundo a ATP, ele se negou a fazer um exame durante o Masters de Monte Carlo. Sharapova foi, sim, flagrada com uma substância proibida.

Entre morais e regras, uma coisa é certa: todas posições e decisões que envolveram o doping de Sharapova até agora têm a ver com dinheiro. Desde a posição/omissão do presidente da WTA, Steve Simon, cauteloso para não ofender os fãs da russa e não virar contra a WTA uma máquina de fazer dinheiro, incluindo patrocinadores que ameaçaram debandar mas continuaram ao lado da russa (apesar da suspensão de 15 meses), e chegando, finalmente, aos torneios distribuindo wild cards em nome do espetáculo.

Por enquanto, só se manifestou contra a russa quem não tem interesse financeiro na coisa. Andy Murray, despreocupado com o politicamente correto, deu uma declaração abrangente, que não inclui apenas Sharapova, mas que afeta a russa e, certamente, incomodou fãs de tênis (e também fãs apenas da russa) mundo afora. O presidente da FFT, por sua vez, sabe que Roland Garros não perde sem Maria ou quem quer que seja. Slams são slams, não importa quem joga. O torneio de 2016 não foi menos revelante sem ela ou até mesmo Roger Federer. O dinheiro entra de qualquer modo.

Difícil prever a esta altura o que será do retorno de Sharapova, mas se os interesses financeiros continuarem dando as cartas, é bem possível que a russa ganhe todos convites que pedir e, ainda assim, fique fora de Roland Garros – e, dependendo de seu ranking, de Wimbledon também.

Coisas que eu acho que acho:

– De qualquer maneira, Sharapova terá a chance de entrar em Roland Garros por méritos próprios. Para isso, precisa alcançar a final do WTA de Stuttgart. Assim, terá ranking para disputar o qualifying em Paris. Os pontos de Madri e Roma não contarão a tempo do slam francês, mas serão essenciais mais tarde, na definição da chave principal de Wimbledon.

– Tudo leva a crer que, para evitar alimentar o debate, Wimbledon anunciará sua posição no último minuto – se necessário. Afinal, não é tão improvável assim que Sharapova consiga pontos suficientes para estar na chave principal em Londres. A estimativa é de que ela consegue entrar direto se alcançar cerca de 650 pontos.

– É outro caso de moral/dinheiro, mas o mais estranho disso tudo, para mim, é mexer na programação de um torneio inteiro para facilitar a vida de um tenista que volta de suspensão por doping. Vai acontecer em Stuttgart. O torneio começa dia 24 de abril, mas Sharapova só estará apta a jogar no dia 26 (até o dia 25, ela não pode sequer pisar no local do evento). Com isso, um jogo de primeira rodada terá de ser realizado só na quarta-feira, quando o torneio normalmente já estaria nas oitavas de final. E, dependendo do sorteio, isso pode fazer com que uma cabeça de chave estreie apenas na quinta-feira (a chave lá tem 28 tenistas). Não seria inédito, mas tendo em mente o motivo para isso, pode incomodar bastante alguém se acontecer. De qualquer maneira, a Porsche, patrocinadora máster do evento, é também patrocinadora de Sharapova. E aí qualquer discussão sobre moral ou valores acaba sendo jogada janela afora.

– Um ponto curioso aqui é não vi ninguém citando o “benefício da dúvida” no caso do doping de Sharapova. A russa alegou que não sabia que meldonium havia entrado na lista de substâncias proibidas e isso foi levado em conta na arbitragem que diminuiu sua punição. O que talvez pese contra a ex-número 1 no meio tenístico é que ela sabia que o meldonium lhe dava benefícios físicos, por isso tomava doses maiores em partidas mais importantes – e isso foi constatado no julgamento. Mas se um diretor de torneio acredita genuinamente que Sharapova não se dopou de propósito, parece um tanto justo que um wild card funcione como instrumento do “benefício da dúvida”.

– Há alguma instabilidade no blog quanto aos links, mas todos estão ativos. Quem tiver interesse em ler os textos linkados aqui só precisa copiar e colar em outra aba de navegação.


Quadra 18: S02E08
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Alexandre Cossenza

O Career Slam, o Nole Slam, o Golden Slam e tudo mais que envolve os feitos que Novak Djokovic já alcançou e ainda pode alcançar; o título de Garbiñe Muguruza e o momento de Serena Williams; a (mais uma!) decepção com a organização de Roland Garros; a participação brasileira em Paris; o novo número 1 nas duplas; quem já está garantidos nos Jogos Olímpicos; e o coração de Guga desenhado pelo número 1 do mundo no saibro da Quadra Philippe Chatrier.

É muito assunto para o podcast Quadra 18, então Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu preparamos um programaço de quase 1h30min respondendo questões de vários ouvintes e batendo aquele papo descontraído sobre tênis que vocês já conhecem bem. Quer ouvir? É só clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Aliny Calejon apresenta os temas
1’39” – Novak Djokovic e sua campanha em Roland Garros
3’33” – O comportamento mais comedido do sérvio na final
6’30” – A comemoração com o coração de Guga no saibro da Chatrier
7’55” – A reverência por um ídolo brasileiro e a dimensão de Guga no tênis
8’51” – Djokovic é puro carisma ou é tudo jogada de marketing?
12’52” – Se Guga jogasse hoje, seria chamado de marqueteiro?
13’45” – Cossenza perde a paciência com Cincinnati
14’50” – A expectativa enorme e como Djokovic vai encarar Wimbledon
16’00” – Djokovic vai alcançar as 302 semanas do Federer como #1?
16’50” – O que é mais difícil: as 302 semanas, 4 Slams no mesmo ano, os 17 Slams ou receber o dinheiro que o Rio de Janeiro está devendo?
18’20” – Veremos outro jogador fechar o Career Slam tão cedo?
19’10” – O domínio de Djokovic é maior hoje do que o domínio de Federer e Nadal em seus respectivos auges?
20’58” – Os títulos que faltam a cada um do Big Four
23’07” – A ausência de Rafael Nadal pode mudar a maneira de ver o título de Djokovic em Roland Garros?
24’10” – Quanto uma dominância assim é ruim para o tênis?
26’46” – Djokovic começou a ganhar RG na derrota contra Vesely em MC?
27’40” – O quanto Boris Becker ajudou Djokovic?
32’45” – Alguns anos atrás, Djokovic perdia finais, mas dava mostras do que estava por vir. Murray dá esses mesmos sinais de que pode chegar a número 1?
34’25” – O possível “Silver Slam” de Andy Murray
35’43” – A Ausência de um técnico principal prejudicou Murray em RG?
36’35” – Os desempenhos de Wawrinka, Thiem, Nadal e Federer
42’07” – Dominic Thiem vai ser número 1 do mundo?
43’00” – Paris (Friendly Fires)
43’30” – A campanha de Garbiñe Muguruza até o título
47’05” – O que Serena poderia/deveria ter feito de diferente na final?
48’45” – Lesão ou idade? O que teria incomodado mais Serena na decisão?
50’06” – Muguruza tem mais potencial que Halep/Bouchard/Bencic?
53’17 – As surpresas e decepções: Bertens, Rogers, Kerber, Vika e Halep
57’50” – A expectativa para a temporada de grama
59’30” – Roland Garros sai com o filme queimado?
63’25” – Não Aprendi a Dizer Adeus (Leandro e Leonardo)
64’05” – O que aconteceu na chave de duplas
65’03” – A campanha e os méritos de Feliciano e Marc López
66’00” – O resultado de Marcelo Melo e Ivan Dodig
68’40” – As campanhas de Bruno Soares e André Sá
69’20” – O carrasco Leander Paes de legging
72’35” – Nota de repúdio de Alexandre Cossenza
73’30” – Nicolas Mahut, o novo duplista número 1 do mundo
74’37” – O novo ranking e a classificação olímpica
77’50” – As derrotas de Bellucci e Rogerinho
80’07” – Teliana Pereira e o duelo com Serena Williams
81’20” – Orlandinho, vice juvenil nas duplas, deveria ainda estar entre os juvenis?
82’30” – Que tenista atual tem estilo de jogo mais parecido com o Guga?
83’30” – Perguntas e respostas sobre a transmissão de RG na TV brasileira.
87’40” – Paris (Magic Man)

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Paris (Friendly Fires), Não Aprendi a Dizer Adeus (Leandro e Leonardo) e Paris (Magic Man). O pequeno trecho durante os comentários sobre Alexander Peya é da canção Hier Kommt Alex (Die Toten Hosen).


Novak Djokovic, o (generoso) campeão de tudo
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Alexandre Cossenza

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Os quatro últimos grandes torneios de tênis têm um só dono. A frase que abre este post – ou qualquer paráfrase – não era escrita desde 1969, quando o australiano Rod Laver venceu Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open. Hoje, 47 anos depois, Novak Djokovic tornou-se o terceiro homem da história mais do que centenária do tênis a alcançar tal feito.

Foi a garrafa de champanhe mais gelada dos últimos tempos. O título do Slam francês esteve perto nos cinco anos anteriores, mas sempre lhe escapou. De muitas maneiras, Djokovic e sua longa caminhada em Paris foram vítimas de um destino que colocou o sérvio na geração de fenômenos como Roger Federer e Rafael Nadal (e Stan Wawrinka tem sua parcela aqui também).

A lacuna no currículo de Djokovic não podia continuar até o fim da carreira. Não quando o cidadão mostra um domínio raramente (jamais?) visto no tênis. Não quando ele está sempre nas finais. Não, não podia. E não aconteceu. Andy Murray não conseguiu parar o #1 do mundo neste domingo. Quando encontrou seu ritmo, Djokovic disparou rumo à linha de chegada como Usain Bolt batendo no peito e cantando I Shot The Sheriff. O Career Slam está completo e abre caminhos para mais conquistas espetaculares. Feitos que só os gigantes do esporte realizaram.

O generoso coração

Djokovic pediu permissão a Guga e foi atendido. Caso vencesse o torneio pela primeira vez este ano, desenharia na quadra um coração e se deitaria nele, como o brasileiro fez duas vezes em 2001. Aconteceu.

Há quem chame Djokovic de marqueteiro. Prefiro ver o caso deste domingo por outro ângulo. Em um momento tão esperado e que era de sua – e só sua – consagração no tênis, o sérvio optou por lembrar um grande campeão. Não consigo enxergar egoísmo, falsidade ou publicidade nisso. Apenas generosidade.

No vídeo (uma ação da Peugeot) em que pediu permissão ao brasileiro, Djokovic disse que o coração de Guga, desenhado no saibro da Chatrier, foi o momento mais emocionante que viu em um torneio de tênis. De novo: um cidadão que ganhou 12 Slams e tem os quatro maiores títulos ao mesmo tempo tirou um minuto de seu grande momento para lembrar um tricampeão. Acho louvável.

A final

O primeiro set foi tenso para o número 1. Mesmo depois de abrir o jogo com uma quebra, Djokovic parecia ainda sentir a importância do momento. Seu forehand não estava tão seguro, e Murray aproveitou para agredir o segundo serviço. O britânico venceu quatro games seguidos e manteve a dianteira até fazer 6/3. O último game, mais nervoso de todos, incluiu uma chamada polêmica do árbitro de cadeira, uma nervosa reclamação de Djokovic e muitas vaias do público.

A segunda parcial foi totalmente diferente – e deu o tom do resto da partida. Nole quebrou na primeira chance e disparou, fazendo 3/0. Aos poucos, seus erros quase sumiram. Ao mesmo tempo, as falhas de Andy ficaram mais frequentes. A balança começou a pender para o outro lado. E quando a maré fica a favor de Djokovic, todo mundo sabe o que acontece: 6/1.

Vendo que o número 1 já estava em seu nível “normal” – que, para a maioria dos tenistas também leva o nome de “espetacular” – Murray tentou variações. Buscou encurtar pontos, atacar antes e mais cedo. Djokovic teve respostas para tudo. Chegou em curtinhas com contra-ataques espetaculares. Não deu nada de graça no fundo de quadra. Dominou o segundo serviço do escocês. Um beco sem saída.

Murray só achou uma pequena fresta aberta no fim do quarto set, quando Djokovic aparentemente sentiu o momento. Foi quebrado sacando em 5/2 e, depois, com 5/4 a favor, perdeu dois match points e permitiu que o britânico igualasse o game. O jogo ficou emocionante outra vez, mas por pouco tempo. A fresta se fechou, e Djokovic finalmente conquistou o título que faltava: 3/6, 6/1, 6/2 e 6/4.

Os feitos

Novak Djokovic é o terceiro nome da história do tênis a vencer os quatro Slams em sequência, mas não necessariamente no mesmo ano. Antes dele, só Don Budge e Rod Laver. Nem Federer nem Nadal. Budge (1938) e Laver (1962 e 1969) também são os únicos homens a completarem o Grand Slam de fato (todos no mesmo ano) nas simples.

Consequentemente, Djokovic também estende seu recorde de vitórias consecutivas em Slams. São 28 agora, com a última derrota vindo na final de Roland Garros do ano passado. Antes, o sérvio havia somado 27 triunfos seguidos de Wimbledon/2011 até Roland Garros/2012, quando perdeu a decisão para Rafael Nadal.

O sérvio também entra na lista de tenistas que completaram o chamado Career Slam, ou seja, venceram os quatro, mas não necessariamente em sequência nem no mesmo ano. Ele é o oitavo a conseguir o feito. Os outros são Andre Agassi, Don Budge, Roy Emerson, Roger Federer, Rod Laver, Rafael Nadal e Fred Perry.

Djokovic agora também ocupa o alto da lista de campeões que mais demoraram a conquistar Roland Garros. O sérvio vence em sua 12ª participação no torneio. A marca anterior pertencia a quatro nomes. Todos venceram na 11ª tentativa: Andre Agassi, Andres Gomez, Roger Federer e Stan Wawrinka.

A expectativa

Após o título deste domingo, Djokovic tem pela frente expectativas enormes. O sérvio, afinal, é o primeiro tenista a vencer o Australian Open e Roland Garros no mesmo ano desde Jim Courier, em 1992. Logo, o atual número 1 tem a chance de:

– Completar o Grand Slam de fato, vencendo os quatro Slams no mesmo ano. Ninguém faz isso desde Rod Laver, em 1969;
– Completar o Golden Slam, vencendo os quatro e conquistando o ouro olímpico. Nunca aconteceu na história do tênis masculino; e
– Completar o Career Golden Slam, vencendo o torneio olímpico de tênis, mesmo que não consiga triunfar em Wimbledon e no US Open nesta temporada. Até hoje, só Andre Agassi e Rafael Nadal conseguiram.

O reconhecimento

Andy Murray, que fez uma bela partida e tentou até o fim encontrar uma maneira de mudar a balança da partida, foi brilhante na escolha de palavras durante o discurso de vice-campeão. Disse que o feito do sérvio é fenomenal, que vencer os quatro Slams é algo tão raro que vai demorar a acontecer novamente. E terminou dizendo “é chato perder a partida, mas estou orgulhoso de fazer parte do dia de hoje.”

O ranking

Após a final deste domingo, o top 10 masculino ficou assim:

1. Novak Djokovic
2. Andy Murray
3. Roger Federer
4. Rafael Nadal
5. Stan Wawrinka
6. Kei Nishikori
7. Dominic Thiem
8. Tomas Berdych
9. Milos Raonic
10. Richard Gasquet

As mudanças mais relevantes foram a subida de Rafael Nadal para número 4 do mundo, deixando Stan Wawrinka em quinto – o que tem peso considerável na formação das chaves dos próximos torneios, impossibilitando mais um duelo entre Nadal e Djokovic ou Murray antes das semifinais – e a entrada de Dominic Thiem no top 10, na sétima posição, a melhor de sua carreira até agora.

O bolão impromptu do dia

O vencedor de hoje foi o Bruno de Fabris, que errou a duração do jogo por apenas dois minutos. A partida teve 183 minutos.

As campeãs de duplas

Nas duplas femininas, o título é de Kristina Mladenovic e Caroline Garcia, que derrotaram Ekaterina Makarova e Elena Vesnina por 6/3, 2/6 e 6/4. São as primeiras francesas a vencerem nas duplas em Roland Garros desde 1971.

Melhores lances

Uma combinação taticamente perfeita de Andy Murray, embora dificílima de executar: backhand angulado, curtinha na paralela, lob. Lindo de ver.

Obviamente, dar curtinhas contra Djokovic é uma estratégia arriscada. Exemplo 1:

Exemplo 2:

Exemplo 3:

Preciso dizer mais?


Muguruza, uma campeã mais Serena do que a própria Serena
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Alexandre Cossenza

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Posição firme na linha de base, empurrando consistentemente a adversária para trás. Saques precisos em break points. Coragem para agredir e arriscar em momentos delicados. Precisão, potência e profundidade. Três linhas que costumam definir Serena Williams, mas que hoje servem para descrever Garbiñe Muguruza, nova campeã de Roland Garros.

A espanhola de 22 anos fez uma final espetacular, sufocando e encurralando a número 1 do mundo justamente no estilo de jogo que a americana prefere. Neste sábado, Garbiñe Muguruza foi mais Serena Williams do que a própria Serena Williams. Confirmou o que todos viram ao longo de duas semanas. Foi ela que mostrou o melhor nível de tênis desde os primeiros dias deste Roland Garros.

A final

A número 1, que entrou em quadra com uma lesão no adutor (e jamais culpou a lesão pela derrota), até teve suas chances no set inicial. Muguruza quase sempre encontrou respostas. Tanto no quarto game, quando salvou dois break points, quanto no sexto, saindo de um 0/30. Por fim, no 12º, saiu de 15/40 para confirmar o saque e fechar a parcial.

Tudo ficou ainda mais claro quando Muguruza abriu a segunda parcial quebrando o serviço de Serena. A escalada seria dura para a americana, que até devolveu a quebra em seguida, mas perdeu o saque outra vez no terceiro game. Tanto quanto no mérito técnico, a espanhola foi louvável ao manter seu plano de jogo e não aliviar em momento algum. Não teve medo, não tirou o braço, não esperou erros da oponente. Manteve a pressão, impedindo que a americana estabelecesse uma posição mais perto da linha de base.

Muguruza tampouco titubeou quando teve o saque para fechar o jogo. Nem depois de perder quatro match points no saque de Serena. Ganhou quatro pontos seguidos, inclusive com um golpe de vista lamentável de Serena, que tinha a corda no pescoço. Jeu, set et match, Muguruza: 7/5, 6/4.

Uma marca inédita para Serena

Pela primeira vez na carreira, Serena Williams perdeu duas finais de Slam consecutivas, já que vinha de derrota também no Australian Open. Atual campeã de Wimbledon e líder folgada do ranking, a americana pode obter o raro feito de ocupar o topo do ranking sem ter um título de Slam na sua somatória caso não repita a conquista em Londres.

Serena agora soma vices em todos os quatro Slams. Além dos dois reveses deste ano, a americana perdeu finais no US Open em 2001 e 2011 e em Wimbledon nos anos de 2004 e 2008.

Os recordes que não vieram

Fosse campeã, Serena igualaria a marca de Steffi Graf, recordista de títulos em torneios do Grand Slam na Era Aberta (a partir de 1968) do tênis, com 22. O recorde geral é da australiana Margaret Court, que levantou 24 troféus. Serena também se tornaria a mais velha campeã da história de Roland Garros. A honra é da húngara Zsuzsi Kormoczy, campeã com 33 anos e 279 dias em 1958.

O ranking

Após a final deste domingo, o top 10 feminino ficou assim:

1. Serena Williams
2. Garbiñe Muguruza
3. Agnieszka Radwanska
4. Angelique Kerber
5. Simona Halep
6. Victoria Azarenka
7. Roberta Vinci
8. Belinda Bencic
9. Venus Williams
10. Timea Bacsinszky

A homenagem

Amélie Mauresmo foi homenageada pouco antes da partida. A cerimônia foi para lembrar sua entrada no Hall da Fama Internacional do Tênis e contou com vários nomes gigantes do tênis. Estavam na Chatrier Rod Laver, Billie Jean King, Yannick Noah, Guillermo Vilas e Guga, entre outros.

O bolão impromptu do dia

A pergunta era: quem será a campeã e quantos games terá a final?

Os campeões de duplas

Pelo segundo ano seguido, Bob e Mike Bryan foram vice-campeões de Roland Garros. O título, desta vez, ficou com os espanhóis Feliciano e Marc López, que venceram a final deste sábado por 6/4, 6/7(6) e 6/3.

O resultado impediu que Bob Bryan voltasse à liderança do ranking e colocou o francês Nicolas Mahut no topo da lista. Marcelo Melo, que perde a liderança, cai para o oitavo posto, logo à frente de Bruno Soares, que é o nono.

Melhores lances

Não foi exatamente um lance espetacular, mas reflete o que aconteceu em boa parte do jogo. Garbiñe Muguruza mais perto da linha de base, empurrando Serena Williams para trás e ditando o ponto. Neste caso específico, a espanhola abriu a quadra, se aproveitando da movimentação não tão boa da número 1 do mundo, e matou o ponto com a quadra aberta.


RG, dia 12: Sustos para Serena e Djokovic, sequência segue para Bertens
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Alexandre Cossenza

Aos poucos, Roland Garros vai pegando quase que no tranco. Nesta quinta-feira, ainda que com algumas interrupções por chuva, os poucos jogos de simples trouxeram momentos muito interessantes. Serena Williams esteve a cinco pontos de dar adeus; Novak Djokovic esteve a cinco centímetros (ou um pouco mais) de ser desclassificado; e Dominic Thiem esteve a um pontinho de precisar jogar cinco sets. O resumo do dia fala de todas as partidas de simples do dia, de como andam os brasileiros em Paris, de um livro escrito por um cachorro a até dos cães antibomba de Wimbledon.

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O número 1

Novak Djokovic fez seu melhor jogo no torneio, ponto. Veio em boa hora porque Tomas Berdych (#8) teve uma atuação bem digna, brigando em todos os sets. O tcheco se recuperou de uma quebra de desvantagem na segunda parcial e até abriu o terceiro set na frente. Ainda assim, o número 1 do mundo estava firme nesta quinta. Devolveu com agressividade, usou bem curtinhas e lobs, explorou a movimentação ruim do rival e fez 6/3, 7/5 e 6/3. Continua tão favorito como sempre.

O susto

Djokovic só esteve perto da eliminação quando, ao descontar a raiva momentânea, um quique inesperado da raquete fez com que ela saísse do controle do tenista e quase atingisse um dos juízes de linha. Não fosse a agilidade do árbitro, haveria motivo suficiente para a desclassificação do número 1.

Correndo por fora

Dominic Thiem (#15) e David Goffin (#13) fizeram mais uma edição do que eu gosto de chamar de clássico-dos-tenistas-mais-talentosos-que tomam-as-piores-decisões-em-momentos-cruciais. O jogo não decepcionou, com vários lances empolgantes e muitos golpes mal escolhidos. Logo, houve equilíbrio e muitas quebras nos três primeiros sets. Primeiro, Goffin saiu uma quebra atrás e venceu o primeiro set. Depois, sacou para a segunda parcial, teve set point (vide tweet abaixo) e viu Thiem conseguir a virada. O austríaco também saiu de 2/4 para vencer nove games seguidos e disparar até fechar em 4/6, 7/6(7), 6/4 e 6/1.

Ainda que tenha contado com uma boa dose de sorte na chave, Thiem aproveitou as chances e chegou, portanto, a sua primeira semifinal em um torneio do Grand Slam. Será um claro azarão contra Djokovic, mas um azarão perigoso. Se o sérvio deixá-lo jogar (como costuma fazer com Wawrinka), corre risco de passar um aperto. Minha opinião é que o cenário mais provável será Thiem agredindo até errar, com o número 1 apostando na consistência e arriscando pouco. O austríaco precisará de um dia espetacular para vencer.

A número 1

Não foi um bom primeiro set para Serena Williams diante de Yulia Putintseva (#60). Cometendo muitos erros (24 não forcados ao todo), a número 1 foi vítima de uma estratégia inteligente e bem executada da cazaque: paciência, bolas altas e fundas e poucos riscos. A quadra pesada também ajudou Putintseva, que só cedeu dois pontos em erros não forcados, saiu na frente e seguiu resistindo na segunda parcial, mesmo cedendo uma quebra no início.

Serena escapou por pouco. Esteve a um ponto de ver a adversária sacar para o jogo, mas salvou o break point no 4/4 e ganhou uma quebra decisiva quando a cazaque cometeu uma dupla falta no set point. Com a #1 jogando melhor e falhando menos, Putintseva não teve como manter o ritmo, embora tenha “brigado” até o último game. Jeu, set et match, Williams: 5/7, 6/4 e 6/1.

A zebra

A adversária de Serena na semifinal será Kiki Bertens (#58), que deu mais uma passo em uma sequência espetacular que começou no qualifying do WTA International de Nuremberg, mais de uma semana atrás, e chega agora a 12 triunfos. Depois do título no torneio de aquecimento para Roland Garros, a holandesa já derrubou mais duas top 10. Na estreia, bateu Angelique Kerber. Nesta quinta, a vítima foi Timea Bacsinszky (#9), por 7/5 e 6/2.

Foi um jogo equilibrado e cheio de quebras na primeira parcial. Bertens esteve uma quebra atrás em três oportunidades, mas foi superior nos momentos decisivos, salvando um break point no 11º game e quebrando a suíça no 12º. Na segunda parcial, saiu na frente, abrindo 4/0 e segurando uma reação de Bacsinszky, que devolveu uma das quebras e teve três break points para “voltar” no jogo.

O público

O ponto negativo de Roland Garros neste quinta-feira foi o público. A quadra Suzanne Lenglen, segunda maior do complexo não esteve perto de sua lotação em momento algum. A quantidade de espectadores, que já era minúscula quando Thiem e Goffin abriram a programação, às 13h, era patética às 17h30min (horários locais), quando Bacsinszky e Bertens brigavam por uma vaga na semifinal feminina (vide tweet abaixo).

É mais uma prova de como a organização de Roland Garros reage mal a imprevistos. Pela programação original, não haveria jogos de simples na Lenglen nesta quinta-feira. No entanto, sabe-se desde terça que mudou tudo. Ainda assim, o torneio não conseguiu atrair um número decente de espectadores para ver duas quartas de final de um torneio do Grand Slam.

A programação de sexta-feira tem dois jogos na Lenglen. Muguruza x Stosur e Djokovic x Thiem. Roland Garros está vendendo esses ingressos por dez euros. Será que assim vai lotar?

Os brasileiros

Nas duplas mistas, Bruno Soares foi eliminado nas quartas de final. Ele e Elena Vesnina perderam para a parceria de Leander Paes e Martina Hingis: 6/4 e 6/3.

Marcelo Melo não entrou em quadra, mas ficou sabendo quem serão seus adversários nas semifinais. Feliciano e Marc López (que não são irmãos, embora há quem fale isso por aí) salvaram seis match points e derrotaram os franceses Julien Benneteau e Edouard Roger-Vasselin por 3/6, 6/4 e 7/6(7). Feliciano saiu da quadra para o banho de gelo.

Enquanto isso, do lado de fora da quadra, Gustavo Kuerten foi anunciado como novo embaixador do Hall da Fama Internacional do Tênis. O catarinense, não esqueçamos, foi imortalizado em Newport (EUA) em 2012.

Os brasileirinhos

Passou sem registro no post de ontem, mas não esqueçamos: nenhum brasileiro passou da segunda rodada no torneio juvenil de Roland Garros. E, também lembremos, não havia nenhuma representante do país na chave feminina.

Leitura recomendada

Pensando bem, não sei se recomendo, mas informo: Maggie Mayhem, cadela de Andy Murray e sua esposa, Kim, escreveu um livro chamado “Como Cuidar de Seu Humano”, lançado nesta quinta-feira.

Do outro lado do canal

Wimbledon apresentou hoje seu trio de cães antibomba: Duffy, Brian e Biggles.

Introducing Duffy, Brian and Biggles, some of our police explosive search dogs for Wimbledon 2016 🐶

A photo posted by Wimbledon (@wimbledon) on

Falando em Wimbledon, parece improvável a participação de Rafael Nadal no torneio deste ano. Depois de deixar Roland Garros por causa de uma lesão no punho esquerdo (seu forehand), o espanhol já avisou que não estará no ATP 500 de Queen’s. Talvez Nadal esteja avaliando suas prioridades, e ele já disse algumas vezes que os Jogos Olímpicos Rio 2016 estão no topo de sua lista. Nadal, afinal, ficou fora de Londres 2012 também por causa de lesão.

Os melhores lances

Serena Williams, a número 1 do mundo, sem conseguir ganhar pontos na base da potência por causa da quadra pesada e das bolas fundas de Yulia Putintseva, dá uma aula de como construir um ponto.

Outra lição, agora ensinada por Novak Djokovic, que explorou bem a movimentação limitada de Tomas Berdych para construir esse ponto abaixo:


RG, dia 10: zebras à prova d’água, atraso, piadas e críticas ao torneio
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Alexandre Cossenza

Agora, sim, Roland Garros vai precisar tomar medidas drásticas para solucionar o quebra-cabeça da programação. Depois de mais um dia de muita chuva e um par de zebras relevantes na chave feminina, o atraso é gigante no torneio parisiense. Metade das oitavas de final masculinas está incompleta, enquanto a metade feminina nem começou ainda. Com cinco dias de torneio pela frente, está mais do que claro que já não há mais margem para atrasos e alguns atletas precisarão entrar na quadra em dias consecutivos. Vamos, então, ao resumo do dia?

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As zebras

Com o mau tempo no começo do dia e de olho na previsão nada animadora para o resto da jornada, a organização colocou os primeiros jogos em quadra ainda com uma chuva fininha caindo. O que se viu foi uma sequência de inesperados.

Na Chatrier, Novak Djokovic vivia um péssimo momento contra Roberto Bautista Agut, que venceu o primeiro set por 6/3. A primeira zebra de verdade, no entanto, viria na Quadra 1, onde Sam Stosur (#24) se recuperou da quebra de desvantagem, venceu o primeiro set em um tie-break desastroso de Simona Halep (#6) e abriu a segunda parcial com uma quebra. A australiana, que se adaptou melhor às condições do dia, acabou surpreendendo e triunfando por 7/6(0) e 6/3, derrubando a favorita-vestida-de-zebra.

Halep não ficou nada feliz com a maneira com que o torneio lidou com o clima. Disse que estava “impossível” e que “jogar tênis durante a chuva acho que é um pouco demais.” A romena afirmou também que quase lesionou as costas, que as bolas estavam completamente molhadas e que, em sua opinião, “ninguém se importa com os jogadores”.

Zebra maior, contudo, aconteceria na Suzanne Lenglen, tanto pelo histórico quanto pelo placar do começo do dia. Agnieszka Radwanska (#2) liderava por 6/2 e 3/0 a partida contra Tsvetana Pironkova (#102), iniciada no domingo. Pois nesta terça, a búlgara venceu dez games seguidos e derrubou Radwanska por 2/6, 6/3 e 6/3.

A número 2 do mundo engrossou o coro de Halep e pegou pesado nas críticas, afirmando que Roland Garros não é um torneio pequeno, de US$ 10 mil de premiação. “Como você pode permitir que tenistas joguem na chuva? Eu não posso jogar nessas condições.” Do mesmo modo da romena, a polonesa diz que “não sei se eles realmente se importam com o que nós pensamos. Acho que se importam com outras coisas.”

“Outras coisas”

Quanto a se importar com as “outras coisas” que Radwanska menciona, cabe registrar que Novak Djokovic e Roberto Bautista Agut tiveram sua partida interrompida na Quadra Philippe Chatrier com 2h04min de jogo. Caso a partida tivesse menos de 2h de duração, Roland Garros teria de devolver aos espectadores o equivalente a 50% do valor dos ingressos. Pode ter sido só coincidência que tenham esticado a partida o máximo possível – até porque a programação está toda atrasada – mas é uma coincidência desagradável para quem forçou atletas de alto nível a competir sob chuva.

Os adiamentos

Nenhum jogo masculino foi terminado nesta terça. Todos valiam pelas oitavas de final. Na Chatrier, Djokovic vencia Bautista Agut por 3/6, 6/4 e 4/1; na Lenglen, Tomas Berdych sacava em 1/2, ainda no primeiro set, contra David Ferrer; na Quadra 1, David Goffin perdia por 0/3 para Ernests Gulbis; e na Quadra 2, Marcel Granollers e Dominic Thiem estavam empatados em 1 set a 1, com parciais de 6/2 para o austríaco e 7/6(2) para o espanhol.

As piadas

É seguro dizer que a imagem de Roland Garros sofreu um baque esta semana. O diretor do torneio, Guy Forget, segue culpando a burocracia francesa, mas sem justificar por que não há um teto retrátil na Chatrier nem iluminação artificial no complexo (leia mais aqui). Enquanto isso, o torneio vira piada, seja com Tomas Berdych lembrando que o Australian Open tem três quadras com teto retrátil…

… seja com o torneio australiano mandando um pouco de sol para Paris.

Os brasileiros

Marcelo Melo e André Sá conseguiram entrar em quadra – um contra o outro. O número 1 do mundo e seu parceiro, Ivan Dodig, levaram a melhor: 6/3 e 6/2 sobre Sá e o australiano Chris Guccione. Com isso, brasileiro e croata, atuais campeões do torneio, avançam para as quartas de final. Seus próximos adversários serão Rohan Bopanna e Florin Mergea, cabeças de chave 6.

Enquanto isso, Bruno Soares segue esperando pela próxima sessão de seu jogo boyhoodiano, o mesmo que foi marcado para sábado, começou no domingo e não entrou em quadra segunda nem terça. Ele e Elena Vesnina venciam por 7/5 e 1/1 quando a partida contra a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Hey foi interrompida e adiada.

O tamanho do drama

Até agora, Roland Garros não anunciou nenhuma mudança no calendário geral, ou seja, a final feminina ainda está marcada para sábado. Se for assim, a finalista que sair do grupo de Serena, Svitolina, Suárez Navarro, Putintseva, Bertens, Keys, Venus e Bacsinszky terá de fazer quatro jogos em quatro dias. Oitavas na quarta, quartas na quinta, semi na sexta e final no sábado – se não chover mais!

Não é o fim do mundo, já que é mais ou menos assim no dia a dia do circuito feminino, mas está longe de ser o ideal em um evento dessa magnitude. Além disso, a finalista que vier da outra metade da chave, que já tem as quartas definidas, poderá chegar com menos cansaço acumulado à decisão.

Entre os homens, a situação está assim: todos que jogaram hoje (Djokovic, Bautista, Ferrer, Berdych, Granollers, Thiem, Goffin e Gulbis) terão cinco dias para quatro partidas. E tudo isso em melhor de cinco sets – e se não chover mais! O cenário é menos complicado para Djokovic, que está com sua partida de oitavas aparentemente encaminhada (imaginem negrito, itálico e ressalvas no “aparentemente”). Mesmo assim, é um óbvio prejuízo em relação à outra metade da chave, que já começa as quartas de final nesta quarta – se não chover mais!


A (não) expansão de Roland Garros e a lição da França para o mundo
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Alexandre Cossenza

Toda vez que chove em Roland Garros o assunto vem à tona. Quando sairão do papel os planos para expansão do complexo? Quando a Quadra Philippe Chatrier terá um teto retrátil? Embora as duas questões não estejam necessariamente ligadas, é isso que a organização atual do torneio quer que o mundo acredite. Entretanto, não importa o quanto o evento tem a ganhar com uma quadra coberta e seus planos de expansão, há um grupo de oposição que vem lutando até hoje contra a “expansão territorial” do Slam do saibro.

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A primeira tentativa

Quando começou a ficar bastante claro que Roland Garros já estava atrás em relação aos outros Slams, a Federação Francesa de Tênis (FFT) anunciou, em 2010, planos de mudar o torneio de local e disse estar considerando três outras locações: Marne-la-Vallée, Gonosse (perto do aeroporto Charles de Gaulle) e Versalhes (em uma base aérea sem uso).

O anúncio foi visto por muitos como um blefe, uma jogada para convencer autoridades da cidade de que Roland Garros havia atingido seu limite e que, para ficar em Paris, seria necessária ajuda de legisladores. Se era mesmo um blefe, ninguém pagou para ver. Em 2011, a própria FFT votou por manter o evento no local de sempre, alegando que sairia caro demais construir um novo complexo.

O plano B

Em 2013, a FFT anunciou o plano de expandir o complexo atual, colocando iluminação artificial e teto retrátil na Chatrier, demolindo a Quadra 1 e construindo uma nova arena utilizando o terreno do jardim botânico vizinho Jardins des Serres d’Auteuil. E aí atraiu a ira de ambientalistas, moradores da vizinhança e autoridades da cidade.

No mesmo ano, um tribunal administrativo de Paris travou os planos por julgar que a quadra com capacidade para quase 5 mil lugares prejudicaria o jardim botânico. Além disso, a quantia em dinheiro que a FFT havia sugerido pagar à cidade era muito pequena (sempre há dinheiro). Naquela ano, vale lembrar, a FFT prometia o complexo totalmente modernizado em… 2016!

Os ambientalistas

O “tal jardim botânico”, cujo nome oficial é Jardin Botanique des Serres d’Auteuil, não é um jardim qualquer. O local foi inaugurado em 1898 e projetado pelo renomado Jean-Camille Formigé. É considerado monumento nacional francês. Para construir uma quadra nova ali, o torneio destruiria 14 estufas que hoje abrigam cerca de 10 mil espécies de plantas tropicais e subtropicais – algumas correndo risco de extinção.

O argumento dos ambientalistas, além de obviamente defender o local, lembra que três associações nacionais endossam a expansão de Roland Garros na direção norte, onde cobriria parte de uma estrada (A13). Há uma petição online já com 80 mil assinaturas pedindo a manutenção do jardim botânico como está hoje.

O torneio, por sua vez, diz que as estufas derrubadas não têm nenhum valor arquitetônico e que serão construídas estufas novas, modeladas nas “estufas históricas desenhadas por Jean-Camille Formigé”.

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A insistência

Em junho do ano passado, mesmo depois de o Ministério da Ecologia questionar o projeto do torneio e mostrar a viabilidade técnica da expansão de Roland Garros na direção da A13, a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, disse que a permissão havia sido dada. A prefeitura, vale lembrar, tem interesse de realizar os Jogos Olímpicos de 2024 na capital francesa e usa isso como argumento para justificar a expansão de Roland Garros. Talvez os fãs brasileiros de automobilismo vejam algo de familiar na história.

No entanto, em dezembro, um tribunal administrativo da cidade embargou a obra que envolve a apropriação do terreno do jardim botânico. Por isso, o diretor do torneio, Guy Forget, culpa a burocracia francesa toda vez que chove e ele precisa explicar por que não há teto retrátil na Chatrier.

E o quico?

A pergunta que ninguém na organização de Roland Garros parece disposto a responder é: por que diabos se faz necessário aprovar a expansão para que seja construído um teto retrátil na Chatrier e as quadras passem a ter iluminação artificial? Forget diz que para construir um teto será necessário demolir a arquibancada atual e construir outra estrutura. Soa, no mínimo, estranho já que Wimbledon construiu um teto sem derrubar a Quadra Central (só derrubou a cobertura antiga), e o US Open está construindo uma cobertura retrátil para o gigantesco Arthur Ashe Stadium sem diminuir a capacidade da quadra.

Também não encontrei nenhuma declaração da organização de Roland Garros ou da FFT sobre a questão da iluminação artificial. Entre todas alterações imagináveis em um torneio de tênis, instalar holofotes parece a menos custosa e mais viável. E seguem as perguntas no ar. Em que a burocracia francesa atrasa o teto retrátil e a iluminação artificial? Não são seriam essas as melhorias mais importantes para o andamento de um torneio?

A impressão para quem vê de fora é que o torneio usa sua própria incapacidade como pretexto para poder realizar obras caras e polêmicas aprovadas. Quase repetindo a frase de quatro parágrafos acima, afirmo: moradores do Rio de Janeiro, uma cidade com sérios problemas de transporte, devem ver algo de familiar.

A lição francesa

Paris precisa mesmo destruir, ainda que parcialmente, um jardim botânico para expandir um torneio que já é extremamente lucrativo e acontece durante apenas duas semanas por ano? A cidade precisa mesmo derrubar um estádio e gastar um bilhão para construir uma nova arena que não terá competições nem eventos suficientes para se sustentar por conta própria no futuro?

Perdão, me confundi na segunda pergunta acima, que era sobre uma capital sul-americana que recebeu meia dúzia de partidas em um evento que durou 30 dias. Mas veem a semelhança? A França não cedeu. Ambientalistas seguem brigando por um patrimônio nacional e, apesar do lobby da prefeitura francesa, preocupada com os Jogos Olímpicos de 2024, tribunais administrativos da cidade avaliaram a questão e bloquearam a obra.

Pode ser que, no futuro, a expansão de Roland Garros seja aprovada de forma definitiva e que o tênis tome parte do terreno do jardim botânico. O importante é saber que isso não acontecerá sem uma avaliação profunda do projeto, sem que a Federação Francesa dê as devidas garantias, sem que a indenização seja correta… Enfim, sem que a cidade saia perdendo. Até agora, os tribunais franceses vêm dando uma lição. Basta olhar e querer aprender.


RG, dia 8: Muguruza em alta, Nishikori em baixa e uma zebraça nas quartas
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Alexandre Cossenza

Não é todo dia que alguém fora do top 100 consegue uma vaga nas quartas de final de um Slam. Pois foi isso que Shelby Rogers fez ao derrotar (por enquanto) as cabeças de chave Karolina Pliskova, Petra Kvitova e Irina Camelia Begu. A americana, no entanto, não foi a única a derrubar um favorito neste domingo. Richard Gasquet, fazendo um torneio impecável, eliminou Kei Nishikori. Quem segue inabalável é a espanhola Garbiñe Muguruza, cada vez mais candidata ao título em Paris. O resumo do dia trata disso tudo, analisa mais uma vitória de Andy Murray, atualiza a disputa pelo número 1 nas duplas e traz grandes vídeos como o de Stan Wawrinka brincando com um boleiro durante a partida contra Viktor Troicki. É só rolar a página e ficar por dentro!

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Os favoritos

Garbiñe Muguruza tinha um jogo nada simples neste domingo, mas conseguiu fazer parecer pouco complicada a tarefa de derrotar Svetlana Kuznetsova (#15) e avançou por 6/3 e 6/4. A russa até ameaçou uma reação na segunda metade da segunda parcial e ninguém sabe o que teria acontecido em um terceiro set, mas Muguruza segurou bem a onda no fim, inclusive salvando break point depois de perder dois match points. Depois de uma estreia que lançou pontos de interrogação, parece seguro dizer que a espanhola faz um belo torneio e é candidatíssima a chegar à final.

Mais tarde, Andy Murray (#2) voltou a encarar um sacador e a vencer por 3 sets a 0. John Isner deu trabalho no primeiro set e teve uma bola à disposição para vencer o tie-break, mas jogou em cima do britânico e levou uma passada. Foi, no fundo, a única real chance do americano, que tombou por 7/6(9), 6/4 e 6/3.

Difícil dizer o quanto esse jogo ajudou na caminhada de Murray rumo às fases mais complicadas, mas não deixa de ser bom ver que o britânico fez o dever de casa sem se complicar mais do que o necessário. O próximo jogo, contra Richard Gasquet (#12) – e a torcida parisiense – não pode ser classificado como o primeiro grande teste de Murray no torneio, mas ele traz um cenário novo: o francês será o primeiro a entrar em quadra bem cotado para bater o escocês. E agora?

Para não deixar sem registro: é a sexta vez que Andy Murray alcança as quartas de final em Roland Garros. Para um tenista que passou a maior parte da carreira sendo criticado pelo retrospecto no saibro, parece um currículo bem digno, não?

Os brasileiros

A campanha na chave de duplas acabou para Bruno Soares e Jamie Murray, que foram superados nas oitavas de final por Leander Paes e Marcin Matkowski em dois tie-breaks: 7/6(5) e 7/6(4). O resultado tirou Jamie da briga pela liderança do ranking nesta semana. Seguem na disputa Marcelo Melo, atual número 1 do mundo, o francês Nicolas Mahut e o americano Bob Bryan. O favorito é Mahut, que garante a posição se vencer mais uma partida em Paris. A matemática está explicadinha no site Match Tie-Break, da Aliny Calejon.

Nas duplas mistas, ao lado de Elena Vesnina, Soares vencia por 7/5 e 1/1 quando o jogo foi interrompido e adiado. Os adversários eram a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Hey. Vale lembrar que esta partida estava marcada para sábado e não aconteceu por causa da chuva.

Correndo por fora

Stan Wawrinka (#4) segue avançando bem a seu modo. Muitos winners, muitos erros não forçados. Neste domingo, executou 67 bolas vencedoras e cometeu 50 falhas nos quatro sets que precisou para bater Viktor Troicki (#24): 7/6(5), 6/7(7), 6/3 e 6/2. Se a pergunta é “Wawrinka está jogando em nível para ser campeão?”, a resposta provavelmente é não, mas com a velha ressalva: Stan pode encontrar “aquele” nível de um dia para o outro, então é sempre bom ficar de olho nele.

Até agora, é um torneio irregular para o atual campeão, que nem foi tão testado assim. No caminho até as quartas, passou por Rosol, Daniel, Chardy e Troicki. É justo acreditar também que o próximo confronto, contra Albert Ramos Viñolas (#55), será igualmente favorável ao suíço.

Quem faz, sim, um belo torneio é o francês Richard Gasquet (#12), que derrubou Kei Nishikori (#6) neste domingo: 6/4, 6/2, 4/6 e 6/2. Com o backhand calibrado desde a vitória sobre Thomaz Bellucci na estreia, o tenista da casa vem fazendo partidas inteligentes taticamente e tecnicamente bem executadas.

Especificamente sobre o jogo deste domingo, Nishikori esteve longe do seu melhor – como esteve em todo o torneio, na verdade, e talvez tenha dado sorte ao escapar da virada de Verdasco na terceira rodada. Ainda assim, Gasquet é, por enquanto, quem chega mais testado nas quartas. Além de Bellucci e Nishikori, bateu o perigoso Kyrgios e esteve sempre no comando de seus jogos. Murray apresentará um desafio diferente, mas pelo que ambos mostraram até hoje, não convém duvidar de mais uma vitória de Gasquet.

A grande zebra

Número 108 do mundo, Shelby Rogers não estava nem de longe entre as mais cotadas para avançar em uma seção da chave que tinha Karolina Pliskova na estreia e Petra Kvitova em uma eventual terceira rodada. Pois a americana de 23 anos, que um mês atrás jogava ITFs de US$ 50 e 75 mil, avançou sem ganhar nada de graça. Bateu Pliskova (#19) na estreia, Elena Vesnina (#47) na segunda rodada e eliminou Kvitova (#12) na terceira rodada.

Sem perder o embalo, voltou à quadra neste domingo e eliminou mais uma cabeça de chave: Irina Camelia Begu (#28) por 6/3 e 6/4. Com a campanha, já garantiu sua entrada no grupo das 60 melhores do mundo, o que será o melhor ranking de sua carreira. E será que Rogers ainda tem mais uma zebra guardada na manga para enfrentar Muguruza nas quartas?

Mais cabeças que rolaram

Outro cabeça de chave a deixar o torneio foi Milos Raonic (#9), que ganhou uma aula de tênis-no-saibro de Albert Ramos Viñolas (#55). Apostando em ralis e devolvendo serviços muito no fundo de quadra, o espanhol anulou as principais armas do canadense e esperou pacientemente por suas chances.

Com uma tática bem elaborada e executada magistralmente, Ramos Viñolas fez 6/2, 6/4 e 6/4 e conquistou uma vaga nas quartas de final depois de quatro anos consecutivos com eliminações na primeira rodada.

Nas duplas femininas, um par de resultados se destacou. Na Quadra 2, Serena e Venus Williams foram derrotadas por Johanna Larsson e Kiki Bertens por duplo 6/3; e, na Quadra 1, Martina Hingis e Sania Mirza caíram diante das tchecas Barbora Krejcikova e Katerina Siniakova: 6/3 e 6/2. Hingis e Mirza ganharam os três Slams anteriores e completariam um “Santina Slam” com o título em Roland Garros.

Os adiamentos

A chuva – sempre ela – e a falta de iluminação artificial em Paris seguem atrasando a programação. Neste domingo, duas das oitavas de final femininas tiveram de ser adiadas. Sam Stosur (#24) sacava em 3/5 contra Simona Halep (#6) na Quadra 1, enquanto Agnieszka Radwanska (#2) liderava por 6/2 e 3/0 na Suzanne Lenglen contra Tsvetana Pironkova (#102).

Os melhores lances

Não foi um ponto, mas talvez tenha sido a melhor “jogada” de Stan Wawrinka no dia. Enquanto Viktor Troicki recebia atendimento médico no terceiro set, o suíço encontrou uma maneira de se manter aquecido e, ao mesmo tempo, ganhar o público. Cosias de um campeão.

Esse, sim, foi um ponto. Um pontaço do backhand mais violento do planeta.

E já que estamos no tema de backhands, Gasquet não ficou muito atrás hoje…


Teliana venceu (sobre a diferença entre respeito e patriotada)
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Alexandre Cossenza

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Foi uma vitória de Teliana Pereira pisar na Quadra Suzanne Lenglen para enfrentar Serena Williams nesta quinta-feira. Sim, é clichê. Sim, soa como uma grande “pachecada”. Parece mesmo uma tentativa de vitimizar atletas brasileiros que não têm condição de serem os melhores em suas modalidades. É um ponto de vista pouco ambicioso, alguns podem dizer. Por que dizer que Teliana já venceu antes de começar a partida? Por que não acreditar que é possível bater a número 1?

Entendo quem pensa assim. Não concordo, mas entendo. Como entendo quem rotula de protecionismo patriótico quando, em vez de cravar “humilha” ou “atropela”, o UOL publica “Teliana vence só três games…” e o Globoesporte.com escreve “Teliana vive bons momentos, mas Serena confirma favoritismo”. A verdade, verdade-verdadeira mesmo, é que Serena passou por cima. Não foi um 6/2 e 6/1 de games longos, equilibrados e que, por coincidência ou qualquer outra razão, caíram todos do lado da número 1. Serena dominou, ganhou fácil, é indiscutível.

Não vou tentar convencer você, leitor, do contrário. Este post é apenas para explicar por que concordo com os títulos do parágrafo anterior e por que acredito que, como digo lá no alto da página, Teliana venceu.

Também não vou repetir a vida de Teliana como se fosse uma história triste. Sim, é verdade que o pai dela foi boia-fria. Também é fato que a família não tinha dinheiro para sustentá-la em um esporte caro. Só que a atual número 1 do Brasil não é a única que tem uma história assim. Ana Ivanovic treinava no horário que a OTAN não estava bombardeando a Iugoslávia. Maria Sharapova foi levada aos 7 anos, sem falar o idioma local, para um país estranho, deixando a mãe na Rússia, só para poder treinar. Serena Williams teve de lidar com o racismo desde pequena. Já deu para entender, né? Vida dura e sem grana não é exclusiva de brasileiros.

Teliana venceu porque se tornou tenista profissional. Aproveitou as chances que lhe foram dadas, sonhou com uma carreira e acreditou que era possível. Deixou para trás milhares de brasileiros que tinham a mesma ambição. Teve ajuda, mas não teve uma conta bancária sem fim, apoio de estatal nem hasthag para sair distribuindo nas redes sociais. Lá atrás, lembremos, Teliana nem rede social tinha. Só mantinha um blog, onde relatava, inclusive, os problemas com um plano de saúde quando precisou tratar o joelho lesionado.

Teliana venceu porque conseguiu viver e se sustentar com o que ganha no tênis, algo que apenas uma minúscula parcela dos profissionais alcança. Chegou a ser excluída do (fracassado, diga-se) projeto olímpico da CBT porque “não seguiu a filosofia proposta” pela entidade. Teve resultados melhores por conta própria, e a entidade a “engoliu” de volta meses depois.

Teliana venceu porque nunca desenvolveu golpes espetaculares, nunca foi dominante em quadra e, mesmo assim, encontrou uma maneira de ser uma das 50 primeiras do ranking. Não, seu tênis não é o mais vistoso de ver e seus longos gemidos ao bater na bola não são os mais agradáveis aos ouvidos. Seu saque é frágil como seu joelho, mas quem se importa? Teliana compensou com dedicação. Não será melhor do mundo por ser mais guerreira – aquele adjetivo que o povo tanto gosta para ela – do que a vizinha, mas já tem dois títulos de WTA na carreira. Já é mais do que, por exemplo, Eugenie Bouchard, finalista de Wimbledon em 2014 e atleta mais “marketável” do planeta em 2015.

Então, caro leitor, quando eu – ou qualquer outro jornalista – evito o “humilha”, o “atropela”, o “massacra”, é porque há um respeito enorme por uma atleta que é a melhor de seu país, ainda que ela pareça praticar um esporte diferente do de Serena Williams. E tudo bem se você leu os parágrafos acima e não mudou de opinião. Mas para mim, Teliana venceu.


RG, dia 1: muita chuva e pouco tênis, mas Kyrgios tumultua
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Alexandre Cossenza

Desde que decidiu antecipar seu início para o domingo, criando uma espécie de sessão caça-níqueis extra, Roland Garros sempre guardou as estreias mais importantes para segunda e terça-feira. Não foi diferente este ano. O domingo teve programação enxuta, sem os principais nomes do circuito, e, para piorar, sofreu atrasos enormes e cancelamentos por causa da chuva.

Deu tempo, porém, de Nick Kyrgios discutir com um árbitro de cadeira depois de levar um advertência por gritar com um boleiro. Lembremos, então, o que aconteceu de mais relevante no dia e o que a segunda-feira nos reserva.

Situação aqui em Roland Garros, todas as quadras cobertas por causa das chuvas. #rain #chuva #rg16

A photo posted by Marcelo Melo (@marcelomelo83) on

O susto

A principal cabeça de chave em quadra neste domingo era Petra Kvitova (#12). A tcheca foi a primeira a entrar na Philipe Chatrier e venceu bem no seu estilo: 6/2, 4/6 e 7/5 sobre Danka Kovinic em 2h20min de jogo. E não foi só isso. Kovinic (#57) chegou a sacar para a vitória, com 5/4 no placar no terceiro set. A tcheca, então, venceu três games seguidos e sobreviveu.

Kvitova está numa chave bastante acessível, encabeçada por Roberta Vinci, que vive meu momento. Como escrevi no guiazão, não é nada impossível que a tcheca vá longe em Roland Garros. A ver se os momentos de inconstância irão diminuir daqui para a frente. Sua próxima adversária será Su-Wei Hsieh, de Taiwan.

Os favoritos

Uma das poucas cabeças de chave a completar seu triunfo neste domingo foi a tcheca Lucie Safarova (#13), atual vice-campeã de Roland Garros. Após um título em Praga e resultados nada empolgantes em Madri e Roma, Safarova estreou bem, aplicando 6/0 e 6/2 sobre Vitalia Diatchenko (#223). Não foi, porém, um grande teste para a tcheca, que jogou bem, mas foi pouco exigida.

O encrenqueiro

Nick Kyrgios, sempre ele, recebeu uma advertência por conduta antiesportiva porque gritou com o boleiro ao pedir a toalha. Vejam o momento.

Kyrgios argumentou que gritou com o boleiro por causa do barulho da torcida e que não fez nada para merecer a advertência. O australiano perguntou também, se “quando Djokovic empurra um árbitro, está tudo bem.” Veja aqui.

Kyrgios acabou saindo vitorioso, fazendo 7/6(6), 7/6(6) e 6/4 sobre o italiano Marco Cecchinato. Por outro lado, talvez o gesto com o boleiro e a discussão com o árbitro de cadeira deixem todo mundo de olho no australiano. Ele que se cuide.

Os adiamentos

Após múltiplas interrupções e vendo a previsão, o torneio decidiu encerrar o dia mais cedo, pouco depois das 18h locais (normalmente, há jogos com luz natural até as 21h). Entre os jogos em andamento estavam em quadra o japonês Kei NIshikori, que vencia Simone Bolelli por 6/1, 7/5 e 2/1, e o americano Jack Sock, que abriu 2 sets a 0 sobre Robin Haase, mas viu o holandês reagir e empatar o placar. O quinto set começaria quando a chuva voltou.

Entre as mulheres, a partida entre a ex-russa e atual cazaque Yaroslava Shvedova e a russa-de-verdade Svetlana Kuznetsova foi interrompida no terceiro set. Depois de perder a primeira parcial por 6/4, Sveta fez 6/1 e liderava o set decisivo por 3/1. O jogo entre a americana Nicole Gibbs e a britânica Heather Watson também ficou pelo caminho. Gibbs sacava em 2/1 e 40/30 no terceiro set.

Vários jogos também acabaram suspensos antes mesmo de seu início. Entre eles, o de Simona Halep, principal cabeça de chave feminina escalada para o dia. A romena enfrentaria Nao Hibino. Outros jogos transferidos antes do começo foram Chardy x Mayer, Isner x Millman, Dimitrov x Trociki, Stephens x Gasparyan, Basilashvili x Edmund, Lisicki x Cepede Royg e Carballés Baena x Pavlasek.

Os melhores tweets

Micaela Bryan, filha de Bob Bryan, postou no Twitter um “Parabéns a Você” no piano dedicado a Novak Djokovic, aniversariante do dia. O sérvio número 1 do mundo completou 29 anos neste domingo.

Quem também soprou velinhas (ou não) neste domingo foi Eric Butorac, 35 anos, presidente do conselho dos jogadores da ATP. Sempre bem humorado, Booty aproveitou o tweet do jornalista Simon Cambers, que indagava se todo tenista aniversariante ganhava bolo dos torneios, e respondeu: “Eu te digo no fim do dia.”

Sam Groth, adversário de estreia de Rafael Nadal, pode não ter ficado muito contente com o sorteio da chave, mas manteve o bom humor. No tweet abaixo, o sacador disse que aproveitaria a chuva e plantaria algumas sementes para ver se cresceria grama até terça-feira.

David Ferrer deu uma pista do que vai acontecer nos próximos dias. O tradicional quadro “Road to RG”, no qual tenistas conversam com um motorista no caminho até o torneio, terá Gustavo Kuerten este ano.

O melhor do dia 2

Segunda-feira marca o começo “de verdade” de Roland Garros, com programação cheia e nomes de peso. A começar pelo atual campeão, abrindo o dia na Chatrier. Também na principal quadra de Paris estarão Nishikori, completando sua partida, Radwanska e Murray. A local Alizé Cornet fecha a rodada contra Kirsten Flipkens.

Os dois brasileiros jogam na Suzanne Lenglen, que abre o dia com Muguruza x Schmiedlova. Em seguida, Rogerinho enfrenta Simon e Bellucci encara Gasquet. Ivanovic fecha o dia contra a francesa Oceane Dodin.

Outros jogos interessantes são Raonic x Tipsarevic, abrindo a programação na Quadra 2, onde também será jogado o último set de Sock x Haase. Vale também acompanhar, se possível, Dimitrov x Troicki, que abre o dia na Quadra 3.


Roland Garros 2016: o guia (versão feminina)
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Alexandre Cossenza

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Foram três torneios grandes com três campeãs diferentes – e nenhuma empolgou. Angelique Kerber venceu na chave esburacada de Stuttgart, Simona Halep triunfou no imprevisível torneio de Madri, e Serena Williams passou mal e, assim mesmo, foi campeã em Roma sem derrotar nenhum nome de peso.

Assim sendo, sem ninguém se impor como favorito, é de se esperar certo equilíbrio e uma das edições mais imprevisíveis de Roland Garros nos últimos anos. Vale a ressalva, claro, de que quando há equilíbrio no papel, o favoritismo é da número 1 do mundo e atual campeã, Serena Williams.

No podcast Quadra 18, Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu debatemos a (quase nenhuma) importância dos três grandes torneios femininos que antecedem o Slam do saibro. Agora chega a hora de ver aqui no guiazão o quanto o sorteio da chave feminina afetou as chances das tenistas em Roland Garros.

As favoritas / Quem se deu bem

Se ninguém se destacou do pelotão, o favoritismo default é de Serena Williams, que não precisaria fazer nada especial para ocupar esse posto. E o sorteio, embora não tenha sido o melhor possível para a americana, não lhe colocou diante de ninguém que venha jogando espetacularmente. Sim, é bem verdade que seu quarto da chave é rico em nomes de peso como Ivanovic, Cibulkova e Azarenka, mas nenhuma mostrou tênis recentemente para derrubar a americana.

No papel, o grande jogo aqui seria nas quartas de final contra Vika, mas a bielorrussa vem de um WO em Madri (enfrentaria Louisa Chirico) por causa de dores nas costas e de uma derrota para Irina Camela Begu em Roma. Não é o mais empolgante dos retrospectos antes de um Slam, certo? Ivanovic, por sua vez, não ganhou dois jogos seguidos no saibro este ano. Seus reveses no piso vieram diante de Karolina Pliskova, Chirico (sim, ela de novo) e McHale.

O outro quarto nessa metade da chave é encabeçado por Angelique Kerber, a cabeça 3 do torneio. A alemã parecia iniciar uma arrancada quando ganhou Stuttgart, mas perdeu duas estreias em Madri (Strycova) e Roma (Bouchard) e viu o vento desaparecer de suas velas. Historicamente, Roland Garros não lhe traz grandes resultados (nunca passou das quartas)

A chave de Kerber não é tão difícil assim, mas tem cascas de banana pelo caminho. A começar pela estreia contra Kiki Bertens, que vem de título em Nuremberg, e por uma possível segunda rodada contra a imprevisível Camila Giorgi (tão imprevisível que pode perder para a local Alizé Lim na estreia). Caso avance, Kerber pode enfrentar Konta ou Keys nas oitavas e, nas quartas, a vencedora da seção que tem Venus, Jankovic, Niculescu e Bacsinszky. Dito tudo isto, Serena é a grande favorita na metade de cima da chave.

A metade de baixo da chave é encabeçada por Agnieszka Radwanska, cabeça 2, mas quase ninguém coloca a polonesa como principal nome por ali. Em seu mesmo quadrante está Simona Halep, vice-campeã de Roland Garros em 2014 e campeã do maluco torneio de Madri deste ano. Aga só alcançou as quartas uma vez em Paris e, mesmo assim, perdeu para Sara Errani. Este ano, chega a Paris nadando contra a maré após derrotas para Siegemund (Stuttgart) e Cibulkova (Madri). Não é difícil imaginá-la perdendo para Strycova na terceira rodada ou mesmo Errani/Stephens nas oitavas.

Halep, por sua vez, enfrentaria provavelmente Ostapenko nas oitavas e Stosur ou Safarova nas quartas. Então, na semi, teria pela frente quem avançar na seção de Radwanska. A romena, ainda que venha de uma eliminação diante de Gavrilova na estreia em Roma, parece a aposta mais segura aqui. Safarova, Stephens, Errani, Strycova e, quem sabe, Stosur correm por fora.

Por fim, o quadrante de Muguruza, que parece o mais equilibrado do torneio. Além da espanhola, cabeça 4, estão por aqui Vinci (na outra ponta da seção), Begu, Pliskova, Kvitova, Kuznetsova, Pavlyuchenkova e Makarova. Difícil fazer previsões, mas Muguruza ainda parece o nome mais consistente – ou menos irregular – por aqui. Em uma semana boa, porém, qualquer dos nomes acima pode avançar. Inclusive Petra Kvitova, que bateu Muguruza em Stuttgart, mas pouco fez em Roma e Madri – volto a falar sobre isso mais abaixo.

A brasileira

Teliana Pereira não deu lá muita sorte. Nem tanto pela estreia, que será contra a tcheca Kristyna Pliskova (#110), a Pliskova menos famosa e que não venceu nenhum jogo no saibro em chave principais de eventos de nível WTA. É bem possível que Teliana, mesmo longe de viver um grande momento (são três vitórias e 13 derrotas em 2016), passe pela tcheca. O problema vem na sequência, em um possível confronto com Serena Williams na segunda rodada.

As ausências

Caroline Wozniacki e Belinda Bencic são grandes desfalques para o torneio, mas a ausência mais sentida será mesmo a de Maria Sharapova. Ainda sem uma sentença definitiva para seu caso de doping, a russa ex-número 1 do mundo teria grandes chances se chegasse em forma a Paris. Não só pelo seu histórico recente, com os títulos de 2012 e 2014 (além do vice de 2013), mas porque poderia aproveitar este momento sem ninguém se destacando no circuito. Seria um nome fortíssimo e, quem sabe, a principal favorita ao título.

Os melhores jogos nos primeiros dias

Há bons jogos para prestar atenção já na primeira rodada este ano. Olhando de cima para baixo na chave, é possível destacar logo de cara Schiavone x Mladenovic, uma campeã veterana tirando o máximo de seus últimos dias no circuito contra uma tenista da casa em ascensão; Svitolina x Cirstea, uma cabeça de chave diante de uma ex-top 30 que vem do qualifying; e Kerber x Bertens, com a campeã do Australian Open diante de uma adversária perigosa e em belo momento, vindo de um título de nível WTA.

Vale prestar atenção também em Dodin x Ivanovic, com a wild card francesa tentando derrubar uma campeã do torneio – e até porque qualquer partida envolvendo Ivanovic tem potencial de zebra. Meu jogo preferido, porém, é Petkovic x Robson, onde deve sobrar carisma e, infelizmente, faltar tênis.

A tenista mais perigosa que ninguém está olhando

Normalmente, Petra Kvitova é aquele nome candidato a qualquer título, mas que nós, jornalistas e fãs, acompanhamos atentamente para saber quando será a zebra que derrubará a ex-número 2 do mundo. Desta vez, em Paris, o panorama é um pouco diferente. Kvitova é apenas a cabeça de chave 10 e não vem conseguindo resultados que a credenciem para a lista das principais favoritas.

Ainda assim, a tcheca tem um tênis que, quando encaixa, é imbatível. Se isso acontecer em uma chave bastante acessível, Kvitova pode se ver, de repente, nas quartas de final contra Muguruza e, por que não, nas semifinais. Para isso, teria que possivelmente passar por Karolina Pliskova na terceira rodada e bater quem vier do grupo de Vinci e Begu nas oitavas. Em condições normais, são resultados perfeitamente possíveis – sim, mesmo no saibro. Vale ficar de olho.

Onde ver

A transmissão é do Bandsports, que diz, em suas notícias, que mostrará o evento em “canal e site”. O hotsite do canal para o torneio, no entanto, ainda contém apenas as notícias do ano passado.

Nas casas de apostas

Na bet365, o nome de Serena Williams lidera, mas sua cotação, 3,25/1, indica um favoritismo moderado. O valor significa que quem apostar um dólar na americana receberá de volta 3,25 dólares se ela for campeã. É um favoritismo bem menor do que o de Djokovic, que paga 1,80.

Atrás de Serena vêm Halep (7/1), Azarenka (7,5/1), Muguruza (11/1), Kerber (19/1), Kvitova (26/1), Keys (34/1), Suárez Navarro (34/1), Bacsinzky (34/1) e Safarova (41/1). Teliana Pereira paga 501/1.


Quadra 18: S02E07
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Alexandre Cossenza

Roland Garros começa neste domingo, e o podcast Quadra 18 está de volta com uma análise da temporada do saibro e das chaves do Grand Slam francês. Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu também falamos das ausências de Roger Federer e Maria Sharapova e damos nossos palpitões para o torneio.

Este episódio tem uma novidade: um quiz sobre o torneio, com participações especiais de João Victor Araripe, do Break Point Brasil, e de Mário Sérgio Cruz, do Tenisbrasil. Ficou muito, muito divertido. Quer ouvir? É só clicar no player abaixo.

Quem preferir baixar para ouvir depois, pode clicar neste link com o botão direito do mouse e, depois, na opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Tema de abertura
0’15” – Sheila apresenta
2’30” – Como os últimos resultados influenciaram as expectativas para RG
3’00” – Faz sentido acreditar que Andy Murray tem chance de ganhar RG?
4’30” – A atuação de Djokovic em Roma e o que tirar disso
6’28” – A posição de Nadal em relação a Djokovic e Murray
7’48” – Em melhor de cinco, quem leva? Nadal ou Murray?
9’23” – A (pequena) expectativa em torno do atual campeão, Stan Wawrinka
11’12” – Serena, campeã em Roma e de volta ao normal
13’25” – Kerber e Halep são as principais concorrentes de Serena em Paris?
13’48” – “Eu acho a Azarenka carta fora do baralho nesse torneio”
14’24” – A falta que a Sharapova faz neste Roland Garros
16’30” – “Cossenza com saudade da Sharapova”
17’20” – Lembranças de como era o mundo antes da sequência de Federer
17’40” – O que Aliny, Sheila e Cossenza faziam em 1999
20’15” – Duplas e a briga pela liderança do ranking mundial
21’43” – O sucesso dos Bryans no saibro em 2016
23’00” – A briga pelo top 10 por causa dos Jogos Olímpicos
25’32” – O doping de Marcelo Demoliner
26’34” – A chave masculina em Roland Garros: quem se deu bem?
26’55” – A seção favorável de Andy Murray
27’48” – O bom caminho de Novak Djokovic
29’50” – A chave de Stan Wawrinka, “uma delícia”
31’45” – Rafael Nadal e o quadrante mais difícil
32’50” – A boa chance para David Goffin
33’55” – Os palpites para a chave masculina: favoritos, zebras e decepções
37’35” – A chave de Serena WIlliams em Roland Garros
39’25” – A seção “ridícula” de Angelique Kerber
40’20” – O quadrante mais forte de Garbiñe Muguruza
41’34” – O caminho de Simona Halep
42’30” – Os palpites para a chave feminina: favoritos, zebras e decepções
45’30” – Quiz Roland Garros com Mário Sérgio Cruz e João Victor Araripe

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entra Jai Ho (Sukhvinder Singh, Tanvi Shah, Mahalaxmi Iyer e Vijay Prakash).


Roland Garros 2016: o guia (versão masculina)
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Alexandre Cossenza

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Equilíbrio, pero no mucho. Com Rafael Nadal campeão em Monte Carlo, Novak Djokovic levantando o troféu em Madri, e Andy Murray conquistando o território romano, é de se imaginar que está “tudo aberto”, como gostam de dizer por aí, em Roland Garros 2016. Na prática, não é bem assim. O número 1 do mundo, mais consistente entre os três, ainda é o nome mais cotado.

Qualquer coisa que seja um título de fora deste trio será uma grande surpresa. Até mesmo se o imprevisível e imprevisivelmente genial Stan Wawrinka tirar da cartola mais duas semanas espetaculares e repetir a façanha de 2015. E quem corre por fora, além de Wawrinka? Kei Nishikori e Dominic Thiem são os primeiros nomes na cabeça de quase todos. Milos Raonic não pode ser totalmente descartado, ainda que o piso não lhe seja o mais favorável.

O porquê do favoritismo de Djokovic e a lista de nomes que podem surpreender nas próximas semanas é o que tenta avaliar este guiazão da chave masculina. Role a página, leia e faça sua previsões se quiser.

Os favoritos / Quem se deu bem

Soa paradoxal afirmar que Novak Djokovic teve um sorteio favorável ao mesmo tempo em que o sérvio caiu do mesmo lado de Rafael Nadal na chave. Só que o número 1 do mundo parece ter um caminho bastante tranquilo até a semi, o que lhe permite tempo para calibrar os golpes, testar táticas e poupar o corpo. Depois da estreia contra Lu, Djokovic pega Ilhan/Darcis na segunda rodada, e Delbonis/Carreño Busta/Melzer/Bedene na terceira. Nas oitavas, encara quem avançar no grupo que tem Bautista Agut, Tomic, e Coric. Enfim, nas quartas, seus adversários mais perigosos em potencial seriam Ferrer, Berdych, Feliciano e Cuevas. Há que se considerar e ressaltar aqui o mau momento de Ferrer e Berdych, que contribui bastante para abrir o caminho ao sérvio.

Nadal tem uma rota mais turbulenta, que pode incluir Fognini já na terceira rodada, Thiem nas oitavas e Tsonga/Goffin nas quartas. Nada disso, porém tira – até as semifinais – o favoritismo do eneacampeão (tente escrever isso sem parar pra pensar em incluir um ponto de exclamação em algum lugar) !!! (Pensei e decidi incluir assim mesmo). O grande ponto de interrogação aqui é sobre o quanto Nadal conseguirá evoluir até as semifinais. Desde Indian Wells, o atual #5 do mundo vem crescendo e se mostrando mais sólido a cada dia. O duelo de Roma, contudo, mostrou que ainda falta algo para construir uma ameaça real a Djokovic. Os próximos dez dias serão fundamentais, e é até possível que a chave mais dura ajude Nadal nessa tarefa.

Entre os três principais cabeças, eu escolheria a chave de Andy Murray como a minha preferida. Um pouco porque Wawrinka, o cabeça mais forte dessa metade, não deu indícios até agora de que chegará à semifinal, mas também porque o único adversário real para o britânico até lá parece ser Kei Nishikori. É bem verdade que Murray pode ter um daqueles dias pavorosos e ficar pelo caminho enquanto esbraveja consigo mesmo dentro de quadra, mas não é isso que os últimos torneios sugerem. Também ajuda o fato de que Gasquet e Kyrgios caíram no mesmo quadrante do japonês. Assim, o britânico só enfrentará um deles.

Por fim, Wawrinka não deu azar. Se aprumar seu jogo a tempo, tem boas chances de ir longe em um caminho que tem Rosol na estreia, Klizan/Daniel na segunda rodada e possivelmente Chardy ou Mayer na terceira. Seu adversário de oitavas sai do grupo que tem Simon, Troicki, Dimitrov e Pella. Se chegar às quartas, Stanimal enfrentaria o “campeão” do setor de Raonic, Cilic, Pouille e Sock. Não parece nada ruim, certo? É como se o sorteio mandasse um “me ajuda a te ajudar” para o suíço. Resta saber se Wawrinka vai conseguir fazer o dever de casa.

Os brasileiros

Como ninguém venceu nem um jogo no quali, o Brasil começa a chave principal com Thomaz Bellucci e Rogerinho. O sorteio não foi nada generoso. O número 1 do Brasil enfrenta Richard Gasquet, cabeça 9, logo de cara. Se vencer, tem um bom jogo contra o vencedor de Querrey x Fratangelo antes de, quem sabe, duelar com Nick Kyrgios na terceira rodada. Há muito em jogo na partida de estreia.

O primeiro de Rogerinho será contra Gilles Simon, o cabeça de chave 16. Um dos maiores azarões do evento (vide cotações no fim do post), o número 2 do Brasil enfrentará Schwartzman ou Pella se passar por Simon. Em uma eventual campanha até a terceira rodada, o rival deve ser Dimitrov ou Troicki.

A grande ausência

Depois de 65 Slams disputados de forma consecutiva, Roger Federer ficará fora de Roland Garros. Recuperando-se de uma lesão nas costas (é, pelo menos, a versão oficial, embora há quem suspeite do joelho operado), o suíço optou por não jogar no saibro francês e voltar na temporada de grama.

A decisão faz todo sentido do mundo. Mesmo em 100% de condições, Federer não seria favorito ao título. Sem estar em um momento ideal fisicamente e sem fazer uma preparação adequada na terra batida, não há por que o suíço se desgastar em jogos melhor de cinco sets. Com o currículo que tem, Federer não tem motivo para se preocupar com o ranking ou com pontinhos aqui e ali.

Sua meta é conquistar torneios grandes, e sua melhor chance de vencer um Slam continua sendo Wimbledon. Jogar em Roland Garros agora poderia agravar a lesão e, aí sim, prejudicar sua participação no Slam da grama.

Os melhores jogos nos primeiros dias

São vários os duelos interessantes logo na primeira rodada em Roland Garros. Que tal Bellucci x Gasquet de saída? Ou Almagro x Kohlschreiber, outro jogo com enorme potencial? A lista de jogos imperdíveis ainda inclui Dimitrov x Troicki, Raonic x Tipsarevic, Fritz x Coric, Tomic x Baker e, se você gosta de jogo típico de saibro, vale ficar ligado em Schwartzman x Pella.

Entre os jogos envolvendo favoritos, não dá para descartar a possibilidade de zebra, ainda que pequena, em Wawrinka x Rosol, e o duelo entre Murray e Stepanek deve render meia dúzia de lances bacanas de conferir.

O que pode acontecer de mais legal

Por não ser cabeça de chave, Alexander Zverev ficou quase escondido no quadrante que tem Rafael Nadal. Se confirmar seu favoritismo contra Herbert na estreia, o alemão de 19 anos, #48 do mundo, deve encarar Kevin Anderson na segunda rodada. O sul-africano, vale lembrar, só venceu um jogo no saibro este ano, e Zverev é um grande candidato a zebra aqui. Se vencer, pode até reencontrar Dominic Thiem, contra quem decide o título de Nice neste sábado. Será?

Os tenistas mais perigosos que ninguém está olhando

Adoro escalar Marin Cilic para esta seção dos guias de Slams, em parte porque o croata costuma ser subestimado por muitos. Neste caso, porém, Cilic está fora do radar porque não fez nenhum torneio no saibro até esta semana, em Genebra. Só que a campanha em Genebra, que inclui uma vitória na semifinal sobre Ferrer (que está em péssima fase, é verdade) e uma decisão contra Wawrinka, pode ser um indício de algo interessante em Paris. O campeão do US Open de 2014 caiu em uma seção não tão dura (o mesmo quadrante de Wawrinka) e pode muito bem ir mais longe do que muita gente está prevendo.

Um raciocínio parecido pode se aplicar a Jack Sock, que pode encarar Cilic na terceira rodada. O americano, dono de um top spin considerável no forehand, tem resultados interessantes no saibro em 2016 (final em Houston, oitavas em Madri) e, na semana certa, tem potencial para aprontar. Por enquanto, é difícil imaginá-lo perdendo antes da terceira rodada. Se vencer esse jogo, deve encarar Raonic nas oitavas. Não seria a maior zebra do mundo se conseguisse dar mais esse passo.

Onde ver

A transmissão é do Bandsports, que diz, em suas notícias, que mostrará o evento em “canal e site”. O hotsite do canal para o torneio, no entanto, ainda contém apenas as notícias do ano passado.

Nas casas de apostas

O favoritismo de Novak Djokovic é amplo. Na bet365, um título do número 1 do mundo paga 1,80/1, ou seja, o apostador que investir um dólar receberá 1,80 de volta se Nole for campeão. Andy Murray (5/1) e Rafael Nadal (5,50/1) vêm logo atrás. O top 10 de favoritos ainda tem, na ordem, Wawrinka (13/1), Nishikori (21/1), Thiem (41/1), Kyrgios (67/1), Tsonga (67/1), Raonic (67/1) e Berdych (81/1). Apenas a título de curiosidade, Bellucci paga 501/1, enquanto Rogerinho paga 2001/1. Os maiores azarões são Rajeev Ram e Brian Baker, ambos cotados em 3001/1.

Na Betfair, as cotações na tarde desta sexta-feira eram assim: Djokovic (1,91), Murray (5,1), Nadal (7,4), Wawrinka (16,5), Nishikori (30), Thiem (70), Kyrgios (85), Tsonga (140), Ferrer (160) e Goffin (250).

O guia feminino

Com tanta coisa para analisar, pesquisar, escrever e editar, não vai dar tempo de publicar o guia para a chave feminina ainda hoje. Ele deve pintar aqui no blog amanhã (sábado), um pouco antes do podcast Quadra 18, que terá uma edição especial pré-RG cheia de palpites. Temos até um quiz desta vez. Então, segurem suas calças porque muita coisa ainda vai rolar por aqui. Até o próximo post!


Semana 19: Andy, Serena e as cartas embaralhadas antes de Roland Garros
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Alexandre Cossenza

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O aniversariante Andy Murray foi campeão em um grandíssimo Masters 1.000 de Roma, Serena Williams voltou a levantar um troféu e brasileiros como Thomaz Bellucci, Teliana Pereira e Rogerinho viveram bons momentos na última semana.

Este resumaço dos últimos dias no circuito inclui Serena Williams experimentando comida para cachorro, a linda homenagem a Flavia Pennetta, (mais) um anúncio de Juan Martín del Potro, uma discussão entre Stan Wawrinka e Carlos Bernardes, a chave do qualifying masculino de Roland Garros e alguns dos lances mais bacanas do período.

O campeão

Aniversariante do dia, vindo de um vice em Madri e com uma chave fraquíssima em Roma, Andy Murray aproveitou a janela que se abriu. O escocês completou 29 anos e comemorou duplamente após derrotar Novak Djokovic por duplo 6/3 na final do torneio italiano.

O resultado quebrou uma sequência de 17 triunfos do número 1 do mundo contra top 10 e deixou tudo meio que embaralhado no circuito masculino antes de Roland Garros. Afinal, em Monte Carlo, Murray perdeu de Nadal, que em Madri perdeu de Djokovic, que perdeu de Murray em Roma. No papel, o favorito segue sendo o sérvio, mas seria irresponsável não admitir que espanhol e britânico estão fortes na briga.

O título pouco afetou porque, na prática, Murray voltou para a vice-liderança do ranking quando Roger Federer foi derrubado por Dominic Thiem. Agora, no entanto, é oficial: o escocês soma 8.435 pontos no ranking e tem boa vantagem sobre o suíço, #3, que acumula 7.015.

Aliás, ainda paira dúvida sobre a participação de Federer no Slam do saibro. Depois de desistir de Madri e não se mostrar totalmente recuperado em Roma, o ex-número 1 pode precisar escolher e decidir que estar em Roland Garros prejudicará sua preparação para Wimbledon. É na grama do All England Club, afinal, que o suíço tem mais chances de voltar a triunfar em um Major.

A campeã

No Premier 5 de Madri, Serena Williams voltou a vencer um torneio. Foi a 70ª vez em sua carreira, mas é bom lembrar que veio em uma chave esburacada. No caminha até o título, a número 1 superou Friedsam, McHale, Kuznetsova, Begu e Keys. Angelique Kerber, cabeça 2, perdeu na estreia para Eugenie Bouchard, que, por sua vez, perdeu para Strycova na rodada seguinte. Não por acaso, foi campeã sem perder nenhum set.

Just won title number 70 today in Rome… 70 never felt better

A photo posted by Serena Williams (@serenawilliams) on

Apesar do eterno favoritismo de Serena, o circuito feminino também é uma incógnita. Victoria Azarenka saiu de Roma com dores nas costas, e ninguém mais mostrou consistência suficiente para se colocar acima do pelotão-pós-Serena. Do grupo que tem Kerber, Halep, Muguruza, Kvitova, Radwanska e Pliskova (será que ela merece lugar aqui?), tudo pode acontecer.

A número 1 no banheiro

Serena Williams contou a história via Snapchat. Pediu o cardápio de comidas para seu cachorro, achou a comida com uma cara boa e decidiu provar. No fim das contas, foi parar no banheiro achando que ia desmaiar. A coletânea de “snaps” foi parar no YouTube.

Pelo menos a número 1 do mundo entrou em quadra bem de saúde o suficiente para derrotar a compatriota Christina McHale por 7/6(5) e 6/1.

A briga pelo número 1

A disputa pela liderança do ranking de duplas está quentíssima. Marcelo Melo resiste na frente, mas terá a dura tarefa de defender o título de Roland Garros nas próximas semanas. Logo atrás dele estão Nicolas Mahut, Jamie Murray e Horia Tecau. Quem será que sairá de Paris no topo?

Os brasileiros

O grande nome da semana foi Thomaz Bellucci, que deu sorte na chave e, enfim, aproveitou chances. Primeiro, ao derrotar um Gael Monfils em um dia pavoroso. Depois, batendo Nicolas Mahut, que vinha de aprontar uma zebra sobre Pablo Cuevas. E, por último, em uma bela apresentação contra Novak Djokovic. Bellucci aplicou um pneu no set inicial (o sérvio não sofria um 6/0 desde Cincinnati/2012, diante de Federer) e não venceu porque o número 1, um tanto errático na primeira parcial, se aprumou a tempo. No fim, Djokovic fez 0/6, 6/3 e 6/2.

Teliana Pereira voltou a ganhar uma partida e, mais uma vez, sobre Annika Beck. A alemã foi a vítima de duas das três vitórias da brasileira em 2016. Em seguida, valendo vaga nas oitavas de final, Teliana foi superada em dois sets pela espanhola Carla Suárez Navarro, #11, por 6/1 e 7/5. De positivo, a brasileira leva os pontos e uma bela reação na segunda parcial, na qual chegou a estar atrás por 5/1. Depois de começar a semana no 90º posto, Teliana aparece agora em 81º.

No circuito Challenger, Rogerinho foi campeão em Bordeaux (US$ 100 mil) ao bater o americano Bjorn Fratangelo por 6/3 e 6/1 na final. Os 100 pontos conquistados jogam o paulista para o alto, subindo nove posições no ranking e indo parar no 85º lugar. O post deixa Rogerinho perto da zona de classificação para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Roland Garros será a última chance para somar pontos e se colocar entre os 56 primeiros do ranking olímpico (que respeita o limite de quatro atletas por país e exige participação na Copa Davis). Levando em conta os nomes que já anunciaram que não vão ao Rio de Janeiro, a chance de Rogerinho nem é tão pequena assim…

Thiago Monteiro, André Ghem e Feijão também estavam em Bordeaux. Feijão não passou do quali, Monteiro perdeu nas oitavas e Ghem caiu nas quartas.

No mundo dos ITFs femininos, Paula Gonçalves e BIa Haddad disputaram o torneio de Saint-Gaudens, na França. Bia furou o quali, mas caiu na estreia. Paula foi mais longe e só parou nas semifinais, superada pela grega Maria Sakkari, cabeça de chave 2 do evento. A russa Irina Kromacheva foi campeã.

Por fim, no ITF de La Marsa (US$ 25 mil), Laura Pigossi furou o qualifying sem jogar (era cabeça 1 numa chave de 16 com 15 participantes e oito vagas na chave), e foi eliminada por uma tenista que jogo o quali. A algoz foi a cazaque Galina Voskoboeva, que aplicou 6/1 e 6/4.

A separação

A grande notícia da semana foi a separação de Andy Murray e sua (ex) técnica, Amélie Mauresmo. O anúncio veio logo na segunda-feira, sem dizer de quem tinha sido a decisão. Pouco depois, o Daily Mail publicou as primeiras frases do tenista sobre o assunto. O escocês disse que não estava dando certo porque os dois vinham passando pouco tempo juntos (Mauresmo teve filho recentemente). Leia aqui, em inglês.

A homenagem que faltava

Quando disputou seu último jogo oficial, no fim do ano passado, Flavia Pennetta pegou a raqueteira e deixou a quadra. Sem cerimônia, sem vídeo no telão, sem muito obrigado… Nada. O torneio de Roma não deixou passar e fez a homenagem que a campeã do US Open merecia. A WTA publicou um vídeo com 28 minutos do que aconteceu na terça-feira, na capital italiana.

O mal-entendido

Mais uma polêmica envolvendo um tenista top e o árbitro brasileiro Carlos Bernardes. O juizão aplicou uma advertência no tenista suíço por “obscenidade audível”, mas Stan ficou furioso. Segundo o campeão de Roland Garros, a frase que Bernardes pensou conter um “fuck” foi, na verdade, “why do we practice so much?”. Wawrinka ainda perguntou “você quer ver a câmera e ouvir?” e “como você pode me dar uma advertência por isso?”

Bernardes disse que ouviria a gravação e que, se estivesse errado, pediria desculpas e Wawrinka não seria multado. O suíço, que havia perdido o primeiro set, só perdeu mais dois games depois da discussão e derrotou o francês Benoit Paire por 5/7, 6/2 e 6/1, avançando às oitavas de final.

Sem Roland Garros

Juan Martín del Potro não disputará o Slam do saibro. Em mensagem aos fãs, o argentino disse que “por causa da evolução mostrada nas últimas semanas”, conseguirá pela primeira vez jogar um grupo de torneios em sequência. Por isso, começará logo os treinos na grama. Delpo não confirmou os torneios, mas disse que espera terminar a série juntando-se ao time da Copa Davis.

Soa um tanto estranho quando um tenista diz que houve “evolução” em uma condição física e que vai poder fazer uma sequência de torneios, mas, ao mesmo tempo, acha melhor desistir de um evento tão importante. Resta torcer para que Del Potro esteja falando a verdade e que, no futuro, não precise mais deixar de competir em um Slam.

Lances bacanas

Era só um treino, mas Gael Monfils consegue transformar tênis no concurso de enterradas da NBA…

Na curiosa partida entre David Ferrer e Filippo Volandri, aconteceu este ponto maluco que nem tento descrever. Veja abaixo.

Volandri, que começou a semana como #203 e precisou passar pelo qualifying em Roma, não jogava uma chave principal de nível ATP desde Gstaad/2014. Aos 34 anos, o italiano não vence um jogo neste nível desde Buenos Aires/2014, quando bateu o qualifier Christian Garin. Já são 13 derrotas consecutivas, incluindo o revés diante de Ferrer, #9, por 4/6, 7/5 e 6/1.

As opções eram muitas no jogaço de quartas de final entre Djokovic e Nadal, mas que tal lembrar do ponto que decidiu o primeiro set?

A melhor história

Não é a melhor, mas talvez seja a mais curiosa. A revista americana Sports Illustrated perguntou a tenistas, técnicos, blogueiros e todo tipo de gente envolvida com o tênis se não seria melhor um sistema diferente de pontuação. A publicação sugere uma contagem em que cada set seria até 24 pontos, mais ou menos como em um enorme tie-break. A ideia é se desfazer do sistema de games. Você pode ler a repostagem aqui, em inglês.

A maioria não foi a favor, mas muitos ficaram intrigados com as mudanças que um novo sistema de pontuação provocaria no tênis. É, também o meu caso, embora eu ache os argumentos usados pela Sports Illustrated fraquíssimos.

Os posts da semana

Dois momentos marcantes do Masters 1.000 de Roma foram o pneu aplicado por Bellucci sobre Djokovic e o jogaço entre o número 1 do mundo e Rafael Nadal. Sobre o brasileiro, escrevi sobre o que chamo de sua “luta interna” neste post. Quando à suposta final antecipada (para alguns), escrevi sobre o significado daquele duelo para sérvio e espanhol neste texto aqui.

O qualifying francês

Enquanto alguns tenistas disputam os últimos ATPs antes de Roland Garros, a turma do qualifying entra em quadra já nesta semana. Entre eles estão Feijão, Ghem, Monteiro e Clezar. Veja a chave inteira aqui.

Tênis por WhatsApp

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O que significou o espetacular Djokovic x Nadal em Roma?
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Alexandre Cossenza

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Foi a melhor partida da semana e, possivelmente, a melhor de 2016 no saibro. Novak Djokovic, vindo de um título em Madri, contra Rafael Nadal, cada vez mais afiado na temporada europeia de saibro. O resultado final – 7/5 e 7/6(4) para o sérvio – pode ser visto de algumas maneiras. Por um lado, apenas estendeu a série de vitórias do número 1 sobre o espanhol. Agora são sete triunfos consecutivos, com 15 sets vencidos e nenhum perdido. Por outro, mostrou um Nadal mais competitivo – foi o mais duro dos sete jogos – e mais perto de seu melhor nível. Como, então, devemos analisar as consequências do duelo de Roma?

Pelo lado de Djokovic, trata-se de mais uma vitória extremamente relevante no circuito. O sérvio, afinal, tinha muito mais a perder no confronto. Um revés poderia (ou não, claro) abalar sua confiança às vésperas do torneio que é o mais importante de seu calendário. Roland Garros é o grande título que lhe falta, então cada pequeno ingrediente dessa receita que leva forma técnica, preparo físico e força mental, entre outros temperos, torna-se realmente importante.

Mas não é só isso. O número 1 do mundo sai de quadra com uma noção melhor de quem é o Nadal de agora. E, como todo bom gato escaldado, Djokovic também sabe que chegar a Paris com vitórias nos Masters 1.000 não significa tanto assim. Em 2014, por exemplo, bateu Nadal em Roma, mas perdeu a final do Slam do saibro para o espanhol. Todo cuidado é pouco.

Nadal era quem realmente tinha a ganhar com a partida e dá até para dizer que, apesar da derrota, o espanhol sai mais forte de Roma. Primeiro porque apesar do ótimo momento no saibro, que começou em Monte Carlo, ainda lhe faltava o maior dos testes. A partida contra Djokovic aconteceu, e o espanhol saiu da quadra sabendo precisamente onde está no circuito e no que ainda precisa evoluir.

Além do mais, Nadal passou tanto tempo sem jogar nesse nível altíssimo de tênis que a falta de vivência recente nesses momentos lhe custou pontos cruciais – como os cinco set points na segunda parcial. Passar por isso em Roma fez bem. Ele mesmo admitiu isso depois do jogo e comemorou o fato de ter feito uma belíssima partida contra Djokovic sem fazer nada “ultraespetacular” (leia aqui).

O que eu acho disso tudo? Djokovic ainda é o claro favorito para Roland Garros, mas neste momento não consigo imaginar Nadal perdendo de nenhum outro tenista em um duelo melhor de cinco sets (deixo para comentar Murray em outro momento). Mais um encontro em Paris seria fantástico em qualquer que seja a fase – até porque o mais memorável dos jogos entre eles lá aconteceu em uma semifinal.

E as cotações?

Nada mudou. Ou melhor, quase nada. Djokovic continua como favorito, e Nadal segue sendo o segundo mais cotado nas casas de apostas. No dia 21 de abril, publiquei aqui no blog que um título do sérvio pagava 1,66/1 na Bet365. Significa que o apostador recebe US$ 1,66 para cada dólar apostado. Enquanto isso, uma conquista de Nadal pagaria 4/1. Hoje, depois da final de Roma, as cotações na mesma casa são, respectivamente, 1,72/1 e 4/1.

Trocando em miúdos, não houve nenhuma alteração relevante. Talvez haja depois da divulgação da chave de Roland Garros, mas aí é outra história. Não caberia uma comparação 100% justa.

No ranking

O resultado do jogo desta sexta-feira também significa que Nadal não será um dos quatro principais cabeças de chave no Slam do saibro, o que pode ocasionar um novo duelo como Djokovic nas quartas. A não ser, é claro, que Roger Federer não melhore da lesão nas costas e decida não jogar em Paris. Neste caso, Wawrinka subiria para cabeça três e Nadal só enfrentaria o número 1 nas semifinais – na pior das hipóteses. Murray será o número 2 independentemente do resto de sua campanha no torneio italiano.

Bônus track

Desenterrado por Rob Koenig, comentarista do TennisTV, o jogaço entre Rafael Nadal e Guillermo Coria que decidiu o título de Roma em 2005. Serve para muita gente comparar com o tênis atual: 1) a velocidade geral do jogo; 2) a velocidade de Nadal; e 3) o estilo que quase sempre predominou no saibro.

É obrigatório para quem acredita que Nadal só sabia se defender quando venceu Roland Garros pela primeira vez.