Saque e Voleio

Arquivo : raonic

AO, dia 10: o conto de fadas de Lucic-Baroni e os 6 set points de Raonic
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

O Australian Open terminou de definir suas semifinais com duas histórias memoráveis. Primeiro, com Mirjana Lucic-Baroni vencendo outra vez e escrevendo novas linhas no que poderia muito bem ser roteiro de filme de Hollywood. Mais tarde, com Rafael Nadal superando Milos Raonic em um duelo que foi praticamente decidido nos seis set points que o canadense teve na segunda parcial.

O resumaço de hoje trata das últimas quartas de final e, claro, da expectativa por finais “vintage”. Afinal, O primeiro Slam da temporada pode ter Federer x Nadal e Williams x Williams no fim de semana. E sim, estamos em 2017.

Lucic-Baroni_AO17_QF_get_blog

O conto de fadas

O jogo em si foi ruim de ver. Foram muitos winners, muitos erros e quase nenhum rali. Variações táticas não existiram. E, no fim, Mirjana Lucic-Baroni derrubou Karolina Pliskova por 6/4, 3/6 e 6/4. O triunfo colocou a veterana de 34 nas semifinais e escreveu algumas páginas a mais no conto de fadas da croata nascida na Alemanha, casada com um ítalo-americano, residente da Flórida e que agora brilha em Melbourne (coisas fantásticas acontecem quando as pessoas têm oportunidades além das fronteiras de seus países, não?).

Digo “conto de fadas” porque a história de Lucic-Baroni vai muito além da figura de uma veterana alcançando as semifinais de um Slam. A croata era uma das maiores promessas do tênis no fim da década de 1990. Foi campeã (adulta!) de duplas no próprio Australian Open quando tinha 15 anos, em 1998. Um ano antes, já tinha vencido o primeiro WTA que disputou. Foi bicampeã do evento com 16 anos. Aos 17, foi semifinalista de Wimbledon 1999.

Foi aí, no entanto, que problemas particulares interferiram. Nas entrevistas deste Australian Open, Lucic-Baroni evita tocar no assunto e só diz que as pessoas não sabem da metade de sua história. E a metade conhecida já é assustadora o bastante. Ela e a mãe deixaram a Croácia e fugiram para a Flórida por causa de abusos do pai (ele nega e nunca foi condenado, é bom esclarecer). A adolescente saiu do top 100 e passou a enfrentar problemas financeiros. Foi processada pela IMG, empresa que administrava sua carreira.

Até hoje, joga sem patrocínio. Compra roupas por conta própria, veste o acha mais interessante, não importa a marca. Lucic-Baroni só conseguiu voltar a jogar eventos de nível WTA em 2010 – uma década mais tarde. Esta reportagem do New York Times conta tudo com mais detalhes (leitura altamente recomendada!).

Quando avançou às quartas de final, mandou um recado forte: “f___ tudo e todo mundo. Quem quer que seja que te diga que você não pode, apenas apareça e faça com o coração” (vide vídeo acima). Pois é. Nas semifinais, a atual #79 do mundo garante a entrada no top 30 e o melhor ranking da carreira.

Ao completar o triunfo sobre Pliskova – que incluiu uma sequência impressionante depois de uma ida ao banheiro no terceiro set – Lucic-Baroni não segurou as lágrimas e deu um longo abraço na entrevistadora da vez, a ex-tenista Rennae Stubbs. A australiana, aliás, foi a primeira adversária de Lucic-Baroni em Melbourne, lá atrás, em 1998 – e a croata venceu.

No meio de toda essa emoção, mandou outra mensagem: “Sei que significa muito para qualquer jogador chegar às semifinais, mas para mim isso é arrebatador. Nunca vou esquecer este dia e as últimas semanas. Isto fez minha vida e tudo ruim que aconteceu ficar ok. O fato de eu ser tão forte e que valeu a pena lutar tanto é realmente incrível.” Precisa dizer mais?

A próxima página dessa história terá Serena Williams, já que a #2 do mundo terminou com a sequência e vitórias de Johanna Konta por 6/2 e 6/3. A britânica, #9 do ranking, ainda não havia perdido sets em Melbourne e já somava nove triunfos consecutivos, já que vinha do título no WTA de Sydney.

Não foi uma partida tão parelha quanto muita gente esperava. Agora, depois do encontro, parece justo dizer que foi um daqueles dias em que Serena entrou em quadra especialmente concentrada e disposta a atropelar. A americana adora enfrentar oponentes badalados pela imprensa e pelos fãs. Poucas coisas a motivam mais do que ouvir que alguém “tem boas chances de eliminar Serena.” Não foi diferente nesta quarta-feira.

Serena, vale lembrar, pode reassumir a liderança do ranking mundial. Após a derrota de Angelique Kerber diante de Coco Vandeweghe, só depende da veterana. Serena precisa ser campeã para voltar ao topo.

O caso dos seis set points

O grande jogo masculino desta quarta-feira foi o que definiu o último semifinalista e que abriu a sessão noturna na Rod Laver Arena. Rafael Nadal e Milos Raonic fizeram a partida que vinha sendo considerada como a semifinal antecipada. O espanhol, derrotado há algumas semanas em Brisbane pelo canadense, deu o troco: 6/4, 7/6(7) e 6/4.

Em uma breve análise tática, é possível dizer que Nadal foi competente com seu serviço (sem forçar demais e sem dar tantas chances para que o rival atacasse seu segundo saque), conseguiu devolver um número interessantes de saques do canadense (e sem recuar demais) e foi mais competente nos momentos de pressão, quando precisou salvar break points.

Só que nenhuma história do jogo ficaria completa sem mencionar os seis set points de Raonic na segunda parcial. Os três primeiros vieram no décimo game, com Nadal sacando em 4/5 e cometendo três erros atípicos. O espanhol jogou bem em dois desses break points, mas permitiu que Raonic entrasse em vantagem num rali. O canadense, contudo, errou um backhand despretensioso.

Depois, Raonic teve mais três set points no tie-break. Abriu 6/4 com um lindo lob vencedor, mas sacou em 6/5 e cometeu uma dupla falta. Ainda teve outra chance no 7/6, mas Nadal jogou bem. E quem não aproveita seis set points contra Nadal acaba pagando o preço. Pagou caro.

Classificado para a semifinal e com seu melhor resultado em um Slam desde Roland Garros/2014, Nadal vai encarar o também “renascido” Grigor Dimitrov, que derrubou David Goffin por 6/3, 6/2 e 6/4. O búlgaro, campeão do ATP 250 de Brisbane na primeira semana do ano, vem de dez vitórias consecutivas.

Federer x Nadal no horizonte

Antes do torneio, Roger Federer deu uma entrevista ao New York Times, dizendo que o Australian Open seria épico. Um pouco por causa de seu retorno após seis meses sem competir, mas também pelos momentos de Andy Murray, número 1, Novak Djokovic, o rei destronado, e Rafael Nadal, tentando encontrar uma forma de voltar a brigar por títulos grandes.

Duas semanas depois, o mundo do tênis está a dois jogos de ver mais uma final entre Federer e Nadal. E mais: nas semifinais, os dois são favoritos nas casas de apostas. O suíço, contra seu compatriota Stan Wawrinka; o espanhol, contra Grigor Dimitrov. A ansiedade é geral. A última final de Slam entre eles foi em Roland Garros/2011. Desde então, houve dois encontros em Melbourne, mas ambos nas semis.

Mais “vintage” que isso, só se o Australian Open nos brindar com uma final Williams x Williams na chave feminina. Serena enfrenta Lucic-Baroni, enquanto Venus encara Coco Vandeweghe. Não parece nada impossível, hein?

Leitura recomendada

Indicação de Fernando Nardini, que contou a história durante a transmissão nesta madrugada: em entrevista ao jornal La Nación, Juan Mónaco fala sobre sua lesão no punho, como adiou a cirurgia tomando injeções de cortisona enquanto pôde e o quanto pensa em deixar o tênis profissional. É um papo longo, com várias revelações e até alguns momentos descontraídos, como relatos de jogos de PlayStation com Rafael Nadal, Carlos Moyá e David Ferrer. Leia aqui.


AO, dia 6: a vez do Nadal ‘vintage’
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Nadal_AO17_r3_get_blog

A edição 2017 do Australian Open está definitivamente sendo saborosa para os apreciadores dos maiores vencedores de Slams em atividade. Menos de 24 horas depois de uma atuação clássica de Roger Federer, foi a vez de Rafael Nadal conquistar uma vitória enorme de um jeito que ninguém fez melhor nos últimos tempos. Com luta, em cinco sets, em 4h06min de jogo e terminando com um adversário esgotado e com cãibras do outro lado da rede.

Lembrou o melhor Nadal, aquele das vitórias sobre Verdasco e Federer no mesmo Australian Open em 2009, do triunfo sobre Djokovic em Roland Garros 2013 (ou Madri/2009), de tantas e tantas vitórias que exigiram tanto da tática e da técnica quanto de algo extra: a força mental, altíssima ao longo de todo jogo, e a preparação física. Alexander Zverev, 19 anos e dono de um tênis (quase) completo (falta ir à rede), foi um adversário notável, mas que não conseguiu se equiparar durante o tempo necessário e acabou como vítima de um majestoso triunfo por 4/6, 6/3, 6/7(5), 6/3 e 6/2.

Resumir o Nadal de hoje – ou o melhor Nadal ou qualquer Nadal – à figura de um gladiador, ainda que tentador, é burrice. O próprio Rafa cedeu momentaneamente quando entrevistado por Jim Courier após o jogo. Ao explicar ao ex-tenista como venceu o jogo, começou com uma resposta curta: “Lutando.” Ganhou aplausos e sorrisos, mas continuou a resposta fazendo uma enorme análise tática. Sim, Nadal nem havia saído da quadra e tinha o jogo inteiro na cabeça. Se você leitor, acha que é fácil, sugiro prestar mais atenção nas tantas respostas rasas das entrevistas pós-jogo de outros aletas.

Talvez não exista ilustração melhor sobre este Nadal inteligente do que a partida deste sábado na Rod Laver Arena (RLA). Porque o Nadal de hoje é agressivo, gosta de e precisa jogar mais no ataque, mas os saques e golpes de fundo de Zverev assustam. No primeiro set, bastou uma quebra – no primeiro game – para que o alemão saísse na frente. A potência fazia diferença.

Rafa, o cabeça 9, fez ajustes. Passou a usar slices, variou o peso de bola e usou todo tipo de saque em seu arsenal. Mexeu com a cabeça de Zverev, conseguiu uma quebra e equilibrou as ações. O espanhol ainda levava vantagem tática na terceira parcial, mas o adolescente tinha o saque para igualar o duelo. No tie-break, agrediu mais e levou.

Nesse momento, tudo jogava contra. Os 30 anos de idade, o histórico recente de três derrotas seguidas em jogos com cinco sets e até as duas vitórias de Zverev em seus últimos jogos de cinco sets. Nadal passou a devolver o saque lá do fundão e teve resultado. Enquanto o alemão ainda vibrava com o tie-break vencido, Nadal abria 3/0 na parcial. Nesse momento, chegando perto das 3h de jogo, o espanhol parecia mais inteiro, mais senhor do jogo.

O golpe final ainda estava por vir. Nadal quebrou primeiro no quinto set, mas perdeu o serviço pouco depois. Veio, então, o decisivo quinto game. Sim, o quinto. Zverev teve 40/15 e uma bola fácil em sua direita para matar o ponto e fechar o game. Jogou na rede. Com o game em iguais, os tenistas disputaram um espetacular rali de 37 golpes. O alemão ganhou o ponto. O espanhol ganhou o jogo. Ali, ao término do ponto interminável, o adolescente sentiu cãibras.

Nadal castigou. Colocou para correr, deu curtinhas, lobs, ganhou mais ralis. Zverev até que lutou contra o corpo. Foi bravo até o último ponto, tentando o que lhe restava. Nada adiantou. Não ganhou mais um game. O ex-número 1 comemorou e disse que, até pelas derrotas recentes em três sets, foi um dia muito especial. Para ele e para todos. Um clássico. Vintage Rafa.

O adversário

Nas oitavas de final, Nadal vai enfrentar Gael Monfils (#6), que precisou só de três sets para despachar Philipp Kohlschreiber: 6/3, 7/6(1) e 6/4. O último jogo entre eles teve dois sets de altíssimo nível. Foi na final do Masters 1.000 de Monte Carlo de 2016, quando Rafa fez 7/5, 5/7 e 6/0. No total, o retrospecto de confrontos diretos é amplamente favorável ao #9: são 12 vitórias dele contra duas de Monfils.

A favorita

Depois de duas rodadas complicadas contra Bencic e Safarova, Serena Williams encarou uma adversária de menos nome e aproveitou. A compatriota Nicole Gibbs, #92, conseguiu fazer apenas quatro games. A número 2 do mundo completou a vitória por 6/1 e 6/3 em apenas 1h03min, mesmo com números nada estelares: quatro aces, quatro duplas falas, 17 winners e 26 erros não forçados.

A próxima oponente da #2 será a perigosa Barbora Strycova, cabeça 16. A tcheca passou por Kulichkova, Petkovic e Garcia sem perder um set sequer e será um desafio interessante para Serena. Strycova tem golpes para mudar a velocidade do jogo e exigir um pouco mais de movimentação da americana, mas será o bastante para anular a potência da ex-número 1?

Outros candidatos

Na Margaret Court Arena (MCA), Johanna Konta, cabeça de chave número 9, ampliou sua série de vitórias com um massacre sobre Caroline Wozniacki: 6/3 e 6/1. A britânica impôs sua potência desde o início do jogo, dando as cartas e fazendo a dinamarquesa correr de um lado para o outro da quadra. Sem golpes de fundo para mudar a partida e sem tentar grandes variações, a ex-número 1 chegou a perder nove games seguidos antes de “furar o pneu” no fim do segundo set.

Konta agora soma oito vitórias seguidas, emendando com o título do WTA de Sydney. Nas oitavas em Melbourne, ela vai enfrentar a russa Ekaterina Makarova, que jogou muito, jogou nada e jogou muito de novo para derrotar Dominika Cibulkova por 6/2, 6/7(3) e 6/3. O placar puro e simples omite que a russa teve 6/2 e 4/0 de vantagem, perdeu cinco games seguidos, salvou três set points e perdeu a segunda parcial.

Makarova também abriu o terceiro set com uma quebra, mas só para perder o serviço logo em seguida. Na hora de decidir, contudo, aproveitou melhor as chances. Salvou três break points no sétimo game, quebrou Cibulkova no oitavo e fechou no nono. Uma atuação que foi suficiente para vencer neste sábado, mas que possivelmente não resolverá contra a mais consistente Konta.

A eslovaca, por sua vez, saiu lamentando as chances perdidas no terceiro set, quando parecia que o jogo ia mudar de mãos definitivamente.

Dominic Thiem e David Goffin também avançaram. O austríaco bateu Benoit Paire em um jogo com altos e baixos por 6/1, 4/6, 6/4 e 6/4, enquanto o belga dominou Ivo Karlovic e fez 6/3, 6/2 e 6/4. Goffin, aliás, já vinha de um triunfo sobre um sacador. Na primeira rodada, superou Riley Opelka (2,11m) em cinco sets. Agora, Thiem e Goffin duelam por um lugar nas quartas de final.

Cabeça de chave número 3 e mais bem ranqueado na metade de baixo da chave – depois da eliminação de Djokovic – Milos Raonic voltou a avançar. Desta vez, em um jogo mais complicado do que o placar sugere. Gilles Simon resistiu bravamente, mas a derrota no tie-break do parelho segundo set colocou o francês num buraco fundo demais para sair. Simon ainda saiude uma quebra atrás para vencer a terceira parcial, mas a margem para erro era pequena demais, e o canadense acabou fechando em seguida: 6/2, 7/6(5), 3/6 e 6/3. Ele agora encara Roberto Bautista Agut (#14), que venceu o duelo espanhol com David Ferrer (#23): 7/5, 6/7(6), 7/6(3) e 6/4.

Os brasileiros

A rodada começou com uma vitória bastante grande para Marcelo Demoliner. Ele e o neozelandês Marcus Daniell eliminaram os cabeças de chave número 6, Rajeev Ram e Raven Klaasen, por 6/1 e 7/6(4).

O resultado coloca o time nas oitavas de final contra Sam Groth e Chris Guccione, que passarem por Treat Huey e Max Mirnyi: 7/6(10) e 7/6(5). Por enquanto, a campanha já iguala o melhor resultado de Demoliner em Slams. Ele também alcançou as oitavas em Wimbledon/2015 (também com Daniell) e no US Open/2016 (Bellucci). O gaúcho, por enquanto, vai subindo nove posições no ranking e alcançando o 55º posto – o melhor da carreira.

Mais tarde, Marcelo Melo e Lukazs Kubot, cabeças de chave 7, superaram Nicholas Monroe e Artem Sitak e tambem passaram para as oitavas: 6/4 e 7/6(3). O próximo jogo é aquele do climão, já que o mineiro vai encarar seu ex-parceiro, Ivan Dodig, que atualmente joga com Marcel Granollers. Embora ninguém tenha dito nada hostil publicamente, a separação não foi no melhor dos termos e incluiu um péssimo clima no ATP Finals e unfollows em redes sociais.

Na chave de duplas mistas, Bruno Soares, em parceria com Katerina Siniakova, passou pela estreia. A dupla de brasileiro e tcheca, que são os cabeças de chave número 6, derrotou Pablo Cuevas e María José Martínez Sánchez por 6/4 e 6/3.

A boyband de Roger Federer

O suíço não entrou em quadra neste sábado, mas foi assunto nas redes quando postou o vídeo abaixo. Ele, Grigor Dimitrov e Tommy Haas cantam Hard To Say I’m Sorry (Chicago) com David Foster (ex-Chicago) no piano. Vejam, riam e julguem!

.

As oitavas de final

[1] Andy Murray x Mischa Zverev
[17] Roger Federer x Kei Nishikori [5]
[4] Stan Wawrinka x Andreas Seppi
[12] Jo-Wilfried Tsonga x Daniel Evans
[6] Gael Monfils x Rafael Nadal [9]
[13] Roberto Bautista Agut x Milos Raonic [3]
[8] Dominic Thiem x David Goffin [11]
[15] Grigor Dimitrov x Denis Istomin

[1] Angelique Kerber x Coco Vandeweghe
Sorana Cirstea x Garbiñe Muguruza [7]
Mona Barthel x Venus Williams [13]
[24] Anastasia Pavlyuchenkova x Svetlana Kuznetsova [8]
[5] Karolina Pliskova x Daria Gavrilova [22]
[Q] Jennifer Brady x Mirjana Lucic-Baroni
[30] Ekaterina Makarova x Johanna Konta [9]
[16] Barbora Strycova x Serena Williams [2]

Infelizmente, por questões pessoais, não houve tempo de incluir uma breve análise das vitórias de Karolina Pliskova (que foi um jogão, com drama de sobra) e Grigor Dimitrov. Agradeço a compreensão.


Quadra 18: S03E01
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Se tem Grand Slam, tem Quadra 18. O podcast de tênis mais popular do país começa sua terceira temporada analisando as chaves do Australian Open e fazendo aquele costumeiro exercício de imaginação sobre o que pode acontecer nas próximas duas semanas em Melbourne.

Do jeito descontraído de sempre, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos de ATP, WTA, duplas e até damos dicas preciosas (é verdade!) de como passar madrugadas inteiras vendo tênis sem cair no sono. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferia baixar para ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’13” – Cossenza apresenta os temas
1’23” – Quem é “o” favorito na chave masculina? Murray ou Djokovic?
3’02” – Djokovic e a chave mais fácil do que a de Murray
7’35” – O que esperar de Federer e Nadal?
8’13” – O esperado jogo-chave entre Nadal e Zverev na terceira rodada
9’21” – A expectativa por um Djokovic x Dimitrov
11’12” – A divertida seção com Fognini, Feliciano, Haas e Paire
12’42” – Troicki pode desafiar Wawrinka?
13’32” – A expectativa por Raonic x Dustin Brown e Cilic x Janowicz
14’25” – Quem ganha Bellucci x Tomic?
14’18” – Jo-Wilfried Tsonga x Thiago Monteiro e Rogerinho x Donaldson
16’33” – Palpites para azarão do torneio
18’28” – Palpites para decepção do torneio
20’17” – Down Under (Men at Work)
21’05” – A chave de Serena é tão difícil assim?
23’34” – A chave e a preocupante forma de Angelique Kerber
25’18” – A seção favorável de Garbiñe Muguruza
25’56” – Simona Halep, agora vai?
26’42” – E o que dizer de Venus Williams?
27’30” – Karolina Pliskova e a expectativa por seu primeiro Slam como top 5
30’24” – O caminho de Radwanska
31’15” – Palpites para campeã, zebra e decepção
33’35” – Cheap Thrills (Sia)
34’30” – Novos times e velhos favoritos no circuito de duplas
37’05” – O começo não tão animador de Melo e Kubot
39’28” – A nova parceria de André Sá e Leander Paes
40’07” – Serena começar devagar os Slams faz o jogo com a Bencic mais perigoso?
41’14” – Dimitrov chegou no momento “ou vai ou racha” da carreira?
42’25” – Qual dos topos se complicou mais na chave?
42’54” – As cotações das casas de apostas para a chave masculina
44’29” – Existe uma temperatura máxima para interromper os jogos em Melbourne?
45’25” – Qual a quadra mais legal para ver jogos no Melbourne Park?
48’40” – “Dormir é para os fracos?” e dicas para ver o torneio na madrugada


AO 2017: o guia da chave masculina
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

MCA_LukeHemerTA_blog

E lá vamos nós de novo. Mais um torneio do Grand Slam. Un evento incomum pelas posições de Roger Federer (cabeça 17) e Rafael Nadal (9) na chave, mas um torneio com todos elementos comuns de um típico Australian Open. Novak Djokovic como favorito, Andy Murray cotadíssimo, duelos fortíssimos já na primeira rodada, expectativa de calor, etc. e tal. Vocês sabem o esquema.

As chaves foram sorteadas nesta sexta-feira, o que significa que é hora de analisar não só o momento de cada tenista, mas quais desafios ele vai encontrar pela frente e se suas chances de ir longe em Melbourne aumentaram ou diminuíram depois disso. É também a hora de olhar os azarões e começar a imaginar quem pode pegar todo mundo de surpresa nas próximas duas semanas. E é isso que tento fazer nas linhas abaixo. Role a página, fique por dentro e, depois, fique à vontade para deixar seus palpites nos comentários.

Os favoritos

Pra começar, há dois candidatos mais claros neste torneio. Novak Djokovic e Andy Murray. Nesta ordem, que leva em consideração a final de Doha, vencida pelo sérvio em cima do britânico. Sim, foi apenas um ATP 250, mas não dá para desconsiderar o peso psicológico de um jogo daqueles, brigado e com quase 3h de duração. Por isso, Nole sai na frente, pelo menos no papel.

A chave de Djokovic não é a mais fácil, mas não me parece complicada pelo “ponto de vista Djokovic”, ou seja, pelo estilo de jogo e pelo histórico de confrontos diretos dos adversários. “Ah, mas Nole não estreia contra Verdasco, que quase venceu em Doha?”, pode imaginar alguém. Sim, mas vai ser necessário um alinhamento de 38 planetas e 17 asteroides para aquilo acontecer de novo. Desde já, esse Djokovic x Verdasco da primeira rodada é meu grande favorito a “jogo cheio de expectativa que acaba dando sono”.

Depois disso, Djokovic pega Istomin/qualifier, possivelmente Carreño Busta na terceira rodada, Dimitrov/Gasquet nas oitavas e o vencedor da seção com Thiem, Feliciano, Karlovic e Goffin nas quartas. A maior casca de banana aí parece o confronto de oitavas, mas Djokovic venceu os últimos dez jogos contra Gasquet (perdeu só um set!) e bateu Dimitrov seis vezes em sete encontros. A única vitória do búlgaro aconteceu em 2013, no saibro de Madri. Não me parece lá um retrospecto tão animador para o azarão, embora precisemos levar em conta o recente ressurgimento de Dimitrov, que atropelou e foi campeão em Brisbane, batendo Thiem, Raonic e Nishikori em sequência.

Lembremos também que Djokovic tem em sua metade da chave Milos Raonic, o que é melhor do ter Stan Wawrinka na semifinal. Além disso, Federer também ficou na outra metade da chave, o que não deixa de ser bom para para o sérvio.

O sorteio não foi tão amigável com Andy Murray, embora não tire seu status de favorito na metade de cima da chave. Vários elementos podem jogar contra o número 1 do mundo em momentos diferentes, a começar por possíveis duelos com Querrey na terceira rodada e Isner/Pouille nas oitavas. Embora Murray seja um excelente devolvedor, não é difícil imaginar esses jogos em rodadas diurnas, com sol forte e bolinhas voando mais rápidas ainda, o que não é nada bom para o #1.

Além disso, Murray provavelmente vai precisar passar por Federer, Berdych ou Nishikori nas quartas. Berdych não seria o maior dos problemas, mas o japonês costuma causar problemas para o escocês. Além disso, se o suíço chegar às quartas, terá passado por Berdych e Nishikori e estará em excelente forma. Ou seja, o cenário não é dos mais animadores para Murray.

As “lendas”

Federer estreia contra um qualifier, pega outro qualifier na segunda rodada e deve encarar Tomas Berdych já na terceira fase. Considerando que o suíço chega a Melbourne como cabeça de chave 17, está longe de ser o pior dos cenários, mesmo com um eventual confronto com Kei Nishikori nas oitavas. O japonês, lembremos, sentiu dores no quadril em Brisbane e não se sabe se estará 100% para o início do Australian Open. Acredito que a forma física de Nishikori será chave. Caso o asiático consiga alongar uma partida com Federer, suas chances aumentam. Caso contrário, o suíço pode bem se encontrar na segunda semana diante de Andy Murray nas quartas.

Nadal, cabeça 9, também não teve um sorteio dos piores, mas seu caminho tem uma pedra grande: Alexander Zverev na terceira rodada. O adolescente alemão, contudo, ainda não tem uma vitória grande num Slam. Esse jogo pode muito bem determinar um semifinalista, já que o vencedor sairá com status de favorito pelo menos até as quartas de final, quando Milos Raonic, o cabeça 3, pode aparecer.

Os brasileiros

Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro vão estrear contra cabeças de chave, o que nunca é bom. O paulista vai encarar Bernard Tomic, o que não é desastroso. Afinal, entre todos cabeças que Bellucci poderia enfrentar, pegará um contra quem tem retrospecto favorável (2 a 1). É bem verdade que Tomic joga em casa, onde supostamente (favor colocar negrito mental e ler beeeeem devagar a palavra su-pos-ta-men-te!) não gostaria de dar (mais um) vexame. Mas também é inegável que tudo pode acontecer quando o australiano entra em quadra. Por outro lado, é bem possível que Tomic esteja pensando o mesmo de Bellucci: “tudo pode acontecer”.

Monteiro vai encarar Jo-Wilfried Tsonga. Sim, o mesmo Tsonga que ele derrotou no Rio Open do ano passado. Desta vez, na quadra dura, sem o insuportável calor carioca (onde todos tenistas dizem que é muito mais difícil jogar do que em Melbourne) e valendo por Grand Slam. É outro nível de importância. E Tsonga, às vezes vulnerável em torneios menores, não perde uma estreia em Slam desde 2007, quando ganhou um convite para o Australian Open e pegou Andy Roddick, então número 7 do mundo, na primeira rodada.

Rogerinho teve melhor sorte. Estreia contra Jared Donaldson, #101 do mundo. O americano vem de boa campanha em Brisbane, onde furou o quali, eliminou Gilles Muller na estreia e até venceu o primeiro set contra Nishikori na segunda rodada. O japonês acabou levando a melhor. De qualquer maneira, é melhor do que estrear logo contra um cabeça de chave. Se avançar, o paulista vai enfrentar o vencedor do jogo entre Gilles Simon e Michael Mmoh.

A grande ausência

Juan Martín Del Potro afirmou que não estaria pronto fisicamente já em janeiro e decidiu abortar o primeiro Slam da temporada. Ele também não quis (como nunca quis mesmo) jogar na temporada sul-americana de saibro e vai começar 2017 jogando em quadras duras. Resumindo? O argentino curtiu bem as férias (vide tweet abaixo) e não quis forçar seu corpo.

Os melhores jogos na primeira rodada

O que não falta é jogo bom e por um monte de motivos diferentes. Comecemos pelos cabeças de chave. Stan Wawrinka x Martin Klizan é o tipo de confronto em que o suíço precisa entrar firme. Um diazinho ruim de primeira rodada pode acabar com seu torneio, já que o eslovaco tem aqueles dias de bater forte em todas as bolas e acertar tudo. Vale ficar de olho. O mesmo perigo existe para Gael Monfils, que enfrenta Jiri Vesely, e para Marin Cilic, que duela com o “perturbado” Jerzy Janowicz. Só deus sabe o que sai da raquete do polonês.

Outro jogo intrigante é Dolgopolov x Coric, cujo vencedor encara Monfils ou Vesely, o que faz dessa seção a mais imprevisível do torneio. Falando em imprevisibilidade, já mencionei acima Bellucci x Tomic, mas cito também Youzhny x Baghdatis (dois malucos gente boa). Vale prestar atenção também em Haas (sim, Tommy Haas, AQUELE, que está de volta!) x Paire e Kyrgios (lesionado) x Elias porque não dá para descartar uma zebra do português aqui.

No quesito “fim provável, meio improvável”, recomendo acompanhar Raonic x Brown porque embora o canadense seja favoritíssimo, não dá pra perder os momentos de brilho do alemão. E, por fim, o confronto mais quente, com sangue latino, entre Fognini e Feliciano López. Até porque a coisa não acabou bem quando os dois se enfrentaram em Wimbledon no ano passado (vejam o vídeo acima).

O que mais pode acontecer de legal

De modo geral, as atenções vão mesmo continuar voltadas para o desenrolar das campanhas de Federer e Nadal e como elas vão afetar o andamento das chaves, mas algumas outras formações bem interessantes podem vir na segunda rodada ou nas seguintes, como um encontro entre Dominic Thiem e João Sousa. Outro jogo esperado mais para a frente é Gasquet x Dimitrov, que pode acontecer na terceira rodada. E também, meio escondido no meio disso tudo, imagino um interessante jogo entre Raonic e Taylor Fritz na segunda rodada.

Os tenistas mais perigosos que ninguém está olhando

A essa altura, todo mundo já está prestando atenção em quem jogou bem nas primeiras semanas. São os casos de Zverev, que bateu Federer na Copa Hopman, e de Dimitrov, campeão em Brisbane, por exemplo. Ainda assim, alguns nomes mereciam mais atenção. Acho que João Sousa é um deles. O português, #44, segue obtendo resultados acima do que normalmente se espera. Não me parece nada impossível imaginá-lo batendo Jordan Thompson e Dominic Thiem nas duas primeiras rodadas. Resta saber, porém, em que condições físicas Sousa chegará a Melbourne, já que ainda está em Auckland, onde disputa a final.

Outro tenista que eu gosto e que cedo ou tarde vai ser uma realidade em torneios maiores é Taylor Fritz, 19 anos e #91 do mundo. Tem um saque gigante, golpes potentes de fundo e uma movimentação até boa para seu 1,93m de altura. Ano passado, já conseguiu um punhado de resultados relevantes. Falta, claro, maturidade. E sua chave em Melbourne não é das piores. Ele enfrenta Gilles Muller, outro “sacador” na estreia e, se vencer, pega Milos Raonic, alguém com um jogo muito parecido com o seu. Existe uma janelinha para ele dar esse salto já neste Australian Open.

Onde ver

A ESPN transmite o Australian Open com exclusividade e em dois canais: ESPN e ESPN+. Fernando Meligeni e Fernando Nardini também tocam o Pelas Quadras, programa diário com convidados que aborda o que acontece no torneio e vai ao ar sempre às 21h (de Brasília).

Nas casas de apostas

Na casa virtual bet365, a lista de mais cotados tem, nesta ordem, Djokovic, Murray, Wawrinka, Nadal, Raonic, Federer, Nishikori, Kyrgios, Dimitrov e Cilic no top 10. Vale notar a distância entre as cotações de Murray (paga US$ 2,62 para cada dólar apostado), segundo favorito, e Wawrinka (13), o terceiro.

O guia feminino

Não vai dar tempo de publicar o guia para a chave feminina ainda hoje. Ele deve pintar aqui no blog amanhã (sábado). Até lá!


Primeiras impressões de 2017
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Djokovic_Doha17_get_blog

Uma semana de jogos. É só isso que o mundo tem para analisar até agora e imaginar o que pode acontecer no Australian Open. É uma amostra pequena, é bem verdade, e muita gente se preocupa mais em calibrar os golpes do que no resultado imediato. Por isso, nem sempre é fácil “ler” o que aconteceu nestes primeiros torneios de 2017. Mesmo assim, já dá para começar a notar algumas tendências. Se elas vão ou não se confirmar em Melbourne e no resto do ano, é impossível saber. Mas elas estão aí, e este post é justamente sobre essas primeiras impressões da nova temporada. Comecemos pelo topo do circuito masculino, onde há dois favoritos óbvios e um interessante equilíbrio abaixo.

Andy Murray e Novak Djokovic

Britânico e sérvio, números 1 e 2 do mundo, respectivamente, são indiscutíveis como favoritos ao título do Australian Open. Ambos jogaram para o gasto em Doha e chegaram na final. E que final! Um jogo surpreendentemente bom para um primeira semana de temporada e que valia só 100 pontos (ou 200, se você é adepto da expressão futebolística “jogo de seis pontos”).

O que estava mesmo em jogo na final de Doha era moral, por isso Djokovic sai na frente. Para ele, o triunfo era mais importante. Murray já vinha de vitória sobre o sérvio no ATP Finals. Um resultado igual em Doha poderia mexer com o equilíbrio desse matchup. Com o título nas mãos de Djokovic, o cenário parece voltar a ser o mesmo de quase sempre: o sérvio será favorito caso os dois se encontrem na final em Melbourne.

O segundo pelotão

Kei Nishikori, finalista em Brisbane, talvez tenha mostrado o tênis mais sólido do começo ao fim da semana. Não deixa de ser um ótimo sinal para o japonês, mas vale ligar o alerta para a questão física. O tênis de Nishikori costuma cobrar contas altas, e a primeira de 2017 já apareceu. O japonês saiu da final de Brisbane se queixando de dores no quadril e dizendo que “vou tentar ficar saudável na próxima semana e espero estar pronto para o Australian Open.”

Stan Wawrinka fica um pouquinho atrás, mas só um pouquinho mesmo. Afinal, foi superado por Nishikori na semi em Brisbane, mas mostrou um tênis interessante o suficiente para início de temporada. É importante notar também que Stan se mostrou pouco incomodado com a eliminação e um tanto satisfeito com o nível de tênis que apresentou. Afinal, nestas primeiras duas semanas, o resultado final nem sempre é o mais importante. Assim, com o devido tempo antes do Australian Open para fazer a sintonia fina e os últimos ajustes, é justo dizer que o #1 da Suíça pode chegar forte mais uma vez a Melbourne.

Milos Raonic já tem na temporada uma respeitável vitória sobre Rafael Nadal, o que não é pouco – embora o revés diante de Grigor Dimitrov um dia depois tenha “esfriado” o canadense. Ainda assim, Raonic, assim como Nishikori e Wawrinka, pode “esquentar” e sair atropelando em Melbourne. Vale, porém, considerar sua fragilidade física, o que pode se acentuar no verão australiano, especialmente se for necessário disputar partidas longas.

E as lendas, onde ficam?

Aqui reside o maior ponto de interrogação do Australian Open. Nem tanto pelos momentos de Roger Federer e Rafael Nadal, mas por seus rankings. Nenhum dos dois estará entre os oito principais cabeças de chave em Melbourne, e isso certamente vai bagunçar as expectativas e as cotações das casas de apostas.

Tudo aponta para que Federer seja o cabeça 17 na Austrália, o que significa a possibilidade de um confronto de terceira rodada já contra um cabeça de chave 9 a 12. E como Nadal deve ser o cabeça 9, isso significa que, sim, é possível um “Fedal” já na terceira rodada. Mas o suíço também pode encarar Berdych, Goffin ou Tsonga nessa fase. Resumindo: as consequências serão grandes.

E isso, claro, se ninguém desistir até o início do torneio. Porque se isso acontecer, Nadal sobre para cabeça 8, e Federer, para 16. Nesse caso, aumentam muito as chances de o suíço encarar Murray ou Djokovic nas oitavas. Já pensaram?

Quanto à forma tenística, Federer fez um belo retorno. Jogou a Copa Hopman, se movimentou bem e conseguiu duas vitórias esperadas (Daniel Evans e Richard Gasquet). Mostrou um tênis que deve lhe render vitórias tranquilas nos primeiros jogos em Melbourne. É bem verdade que o suíço foi superado em três tie-breaks por Alexander Zverev e que foi o alemão que venceu a maioria dos ralis. Cabe, no entanto, a velha ressalva de pré-temporada.

Fosse um torneio oficial, Federer teria somado tantos erros não forçados (e foram muitos mesmo!) ou teria arriscado menos? O que ele queria mais: vencer aquela partida ou calibrar seu tênis? Fico com a segunda hipótese, pelo menos por enquanto. Não vejo motivo para desespero. Ainda assim, pairam as mesmas perguntas que todos faziam em 2014 e 2015. O Federer de hoje, com 35 anos, consegue passar por Murray e/ou Djokovic em cinco sets?

No que diz respeito a Nadal, o espanhol vem jogando o tênis agressivo que acredita precisar jogar. Quando dá certo, o ex-número 1 tem grandes atuações. Quando não, perde jogos que não deixaria escapar em outros tempos. Jogando desse jeito, a margem para dias ruins diminui. Não consigo ver o Nadal de hoje ganhando tantos jogos sem jogar seu melhor, como fez por tanto tempo. E lembremos: jogando assim, Nadal não encaixa duas semanas inteiras de ótimo tênis desde o US Open de 2013. A cada dia que passa, fica mais difícil (mas não impossível) imaginar que isso vá se repetir.

Quem corre por fora?

Por enquanto, é difícil dizer o que esperar de Dominic Thiem. No início da semana, o revés diante de Dimitrov parecia decepcionante, um começo de ano abaixo da expectativa. Agora, depois de ver o búlgaro com o título, nem tanto.

Alexander Zverev também chega cheio de moral após a Hopman – especialmente com a vitória sobre Federer. No entanto, o adolescente que muitos acreditam estar no rumo para ser número 1 do mundo ainda precisa de uma grande campanha em um Slam. Talvez de uma grande vitória (em um torneio oficial) para servir de trampolim para voos mais altos. Até que isso aconteça, Sasha entra em qualquer torneio brigando pelo posto de “meu azarão favorito”.

O que dizer de Nick Kyrgios, que chegou à Copa Hopman com uma lesão sofrida numa pelada de basquete? A falta de compromisso do garotão não chega a ser uma surpresa (ele vive dizendo que não gosta de tênis), mas me parece um abuso para quem andou falando que poderia conquistar o Australian Open já este ano. Jogo para isso ele, de fato, tem. Ainda precisa mostrar que tem cabeça, foco e todos aqueles atributos que são mais do que bater bem na bolinha.

Quem surpreendeu?

O grande nome da primeira semana na ATP é, inquestionavelmente, Grigor Dimitroc. O búlgaro começou 2017 com três vitórias sobre top 10: Thiem, Raonic e Nishikori. Foi quem mais impressionou – pelo menos em termos de resultados – até agora, e o título de Brisbane lhe dá a confiança necessária para chegar a Melbourne realmente acreditando na possibilidade de uma grande campanha.

As grandes questões para Dimitrov, agora, são: ele teria feito o mesmo em um torneio mais importante, onde o resultado imediato fosse prioridade para todos tenistas?; e ele conseguirá repetir esses resultados em jogos de cinco sets, lembrando que ele não alcança as quartas de um Slam desde 2014? Talvez seja injusto levantar tais questões na primeira semana do ano, mas é nisso que a gente vai prestar atenção em Melbourne, não é verdade?

Nas casas de apostas

Fiquem de olho nas cotações pós Hopman/Doha/Sydney. Vai ser interessante ver o quanto elas vão mudar após o sorteio da chave em Melbourne.

Os brasileiros

Para o Brasil, até que os primeiros torneios do ano renderam resultados animadores. Thiago Monteiro perdeu na primeira rodada em Chennai, mas venceu dois jogos (Fabbiano e Giraldo) e entrou na chave principal em Sydney. O cearense também anunciou seu novo fornecedor de material esportivo: a espanhola Joma, que entra no lugar da Lacoste. Monteiro, lembremos, deixou de ser agenciado por Gustavo Kuerten (garoto-propaganda da Lacoste) para ser atleta da LinkinFirm, de Márcio Torres, que também agencia Bruno Soares, André Sá e Teliana Pereira.

Rogerinho, por sua vez, venceu uma partida (Lajovic) em Chennai, mas caiu nas oitavas de final, superado por Roberto Bautista Agut, que acabou como campeão do torneio. Em Sydney, porém, o paulista foi eliminado na primeira rodada do qualifying por Nikoloz Basilashvili.

Thomaz Bellucci, o #1 do Brasil, entrou na última hora na chave em Sydney, mas não passou da estreia. Diante de Nicolas Mahut, fez um primeiro set nada animador e só esboçou uma reação no finzinho do segundo set. Até teve chances de estender a partida, mas terminou derrotado por 6/2 e 7/6(2).

Bellucci_Sydney17_get_blog

Vale notar também que Bellucci não é mais atleta da adidas. O paulista jogou em Sydney vestindo Wilson, marca que já era sua fornecedora de raquetes. O texto de sua assessoria de imprensa cita como marcas parceiras de Bellucci a Claro, a Embratel (que são a mesma empresa) e a Wilson.


Quadra 18: S02E16
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Andy Murray derrotou Novak Djokovic, conquistou o ATP Finals e termina o ano como número 1 do mundo. Nas duplas, Bruno Soares e Jamie Murray são a dupla número 1 da temporada. Após o torneio de fim de ano da ATP, Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu batemos mais um papo no podcast Quadra 18 e falamos sobre simples e duplas, oferecendo respostas para várias perguntas de nossos ouvintes.

Djokovic continuará vulnerável? O #1 pesará muito para Murray? Federer e Nadal voltarão a brilhar em 2017? Raonic algum dia vai conquistar um Slam? Quais as chances de Bruno Soares também ser #1 no ranking individual de duplas? Quer saber o que a gente acha disso tudo? Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse neste link e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’16” – Sheila Vieira apresenta os temas
1’40” – A importância dos nomes que Andy Murray derrubou no ATP Finals
2’15” – Como o grupo de Djokovic era mais fraco
5’06” – Qual o real peso do Lendl sobre as atuações do Murray?
7’04” – Nole mostrou uma atitude melhor na fase de grupos e na semifinal?
9’42” – Devemos nos acostumar com o Djokovic vulnerável do 2º semestre?
11’02” – Meligeni e a história do “guru” de Djokovic que abraçava árvores
12’05” – Hábitos esportivos da Sheila e comentários aleatórios sobre quadribol
14’06” – Na briga pelo #1, Djokovic x Murray finalmente será uma rivalidade?
14’58” – Federer e Nadal vão voltar a brigar em 2017? E o tal implante de Nadal?
16’02” – Murray vai ter cabeça para seguir no topo?
17’17” – Raonic como #3 e Wawrinka como #4
18’50” – Raonic vai ficar sempre no quase ou vai além disso?
19’51” – Será que agora os fãs de tênis vão finalmente respeitar Raonic?
21’40” – Black Hole Sun (Ramin Djawadi)
22’05” – O título de Kontinen e Peers e o número 1 de Bruno e Jamie
23’15” – Como o jovem Henri Kontinen subiu meteoricamente no circuito de duplas
27’04” – Quais as chances de Bruno ser #1 no ranking individual de duplas?
27’48” – É mais importante ser o maior duplista ou estar na melhor dupla?
28’40” – Dodig e Melo: a campanha no Finals e o resumo dos 5 anos de parceira
31’28” – IPTL: o que esperar?


Quadra 18: S02E10
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Serena Williams conquistou seu 22º título em um torneio do Grand Slam; Andy Murray voltou a triunfar em Wimbledon; Djokovic e Muguruza ficaram pelo caminho; Federer e Kerber ficaram no quase; e o que Lleyton Hewitt foi fazer em Londres? Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu gravamos mais um bem humorado podcast Quadra 18, resumindo os feitos, as decepções, as confusões e tudo mais que rolou nas duas semanas do Slam da grama.

Também falamos, claro, de Brasil x Equador, confronto deste fim de semana em Belo Horizonte, e demos uma pincelada no cenário que se desenha para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Quer ouvir? É só clicar no player acima. Se preferir, baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Sheila apresenta os temas
1’40” – O título de Andy Murray
2’35” – Como o jogo de Murray se encaixa na grama
4’15” – Como “casa” bem para Murray o duelo com o Raonic
6’39” – A primeira final de Slam sem enfrentar Federer ou Djokovic
8’18” – Murray será número 1 do mundo?
10’15” – Raonic vai ganhar um Slam um dia?
12’44” – A consultoria de John McEnroe com Raonic e o conflito de interesse
14’45” – Como avaliar a campanha de Federer? Melhor ou pior do que o esperado?
17’32” – Foi a última grande chance de Federer ganhar um Slam?
21’05” – Djokovic e a derrota para Sam Querrey
25’00” – A especulação sobre a não vinda de Djokovic aos Jogos Olímpicos
26’20” – Djokovic, Murray e o confronto de Copa Davis
27’45” – A campanha de Juan Martín del Potro
29’00” – Wawrinka, a decepção
30’20” – A história louca de Marcus Willis
30’40” – Marin Cilic e outros destaques do torneio
34’10” – Right Action (Franz Ferdinand)
34’35” – Serena Williams, heptacampeã em Wimbledon
35’50” – A importância do 22º Slam no currículo da número 1
38’35” – A ótima campanha de Angelique Kerber e a análise da final
41’35” – A eliminação/decepção de Garbiñe Muguruza
42’42” – De onde surgiu Elena vesnina, semifinalista?
43’40” – Strycova, Pliskova e Keys, abaixo do esperado
45’00” – Os enormes atrasos pela chuva e o teto retrátil
49’35” – Será que vai chover durante as Olimpíadas?
52’20” – Side (Travis)
53’10” – O efeito melhor-de-três na chave de duplas
55’20” – As duas duplas francesas na final
57’26” – Como avaliar as campanhas dos brasileiros?
60’25” – Lleyton Hewitt ainda volta a jogar?
63’45” – Brasil x Equador na Copa Davis: o que esperar?
65’30” – O estranho calendário de Bellucci com seguidas mudanças de piso
66’08” – A não convocação de Thiago Monteiro

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Right Action (Franz Ferdinand), Side (Travis) e Bang Your Drum (Dead Man Fall).


Wimbledon, dia 13: Andy Murray, o campeão, voltou
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Três anos, 12 torneios, uma cirurgia nas costas, um pedido de demissão de Ivan Lendl, quatro finais e uma recontratação de Ivan Lendl depois, aconteceu outra vez. Andy Murray é campeão de um Slam. O herói britânico, o homem que carregou o Reino Unido nas costas na Copa Davis, triunfa em casa, em Wimbledon, mais uma vez. Com uma atuação inteligente, consistente e digna de todo seu potencial, fez o gigante Milos Raonic parecer um atleta mediano, de poucos recursos. Aplicou 6/4, 7/6(3) e 7/6(2) e voltou a reinar na Quadra Central.

Murray_W16_F_trophy_blog

A conquista não deixa de ser um prêmio gigante para quem enfrentou tanto em tão pouco tempo. Quando precisou passar por uma cirurgia nas costas, em 2013, Andy Murray vivia provavelmente o melhor momento de sua carreira até então. Disputou quatro finais de Slam seguidas (2012-13) e conquistou a medalha de ouro olímpica em simples. A operação foi realizada em setembro. Em março, Ivan Lendl pediu demissão. Queria mais tempo para seus próprios projetos. Foi um baque enorme para o número 1 britânico, que ainda tentava voltar ao nível competitivo de antes da cirurgia. O timing da separação foi o pior possível.

Era preciso readquirir confiança no corpo, conseguir um novo treinador e, ao mesmo tempo, encontrar uma maneira de ser competitivo e voltar a brigar com gente do nível de Djokovic, Nadal e Federer. A temporada de 2014 mostrou-se cedo demais para isso. Em 2015, já foi bem diferente. Murray fez uma final em Melbourne, semifinais em Roland Garros e Wimbledon e carregou a Grã-Bretanha ao título da Copa Davis em uma campanha fantástica, jogando sempre pressionado e sem um segundo simplista para apoiá-lo.

Faltava pouco, e veio 2016. Uma final na Austrália, um vice. Uma final em Roland Garros, outro vice. O título batia na trave, resvalando no espetacular tênis de Djokovic. Até que veio Wimbledon, onde tudo parece se encaixar para o jogo de Murray. Poderia ter acontecido em 2015, mas Federer tirou da cartola, naquela semifinal, possivelmente seu melhor jogo nos últimos cinco anos. Este ano, não. Tsonga ameaçou, mas não conseguiu; Berdych nem deu para a saída; e Raonic fez o que pôde, mas não foi o suficiente. Andy Murray e seu tênis gigante, cheio de recursos, triunfam novamente no maior dos palcos.

.

O jogo

O primeiro set foi maiúsculo. Murray fez tudo que tirou Raonic da zona de conforto. Leu e devolveu saques bem com o backhand, não bateu duas bolas seguidas na mesma direção, forçando o grandão a se movimentar, e foi preciso nas passadas. Enquanto isso, o canadense apostou em variações no serviço que não funcionaram (apenas um ace na parcial) e subiu mal à rede. Foi num desses approaches no meio da quadra, aliás, que Murray conseguiu a única quebra do set.

A segunda parcial não foi muito diferente no ponto-a-ponto, mas as falhas vieram nos momentos mais delicados. Break points vieram e se foram em três games diferentes. No nono game, o escocês jogou duas ótimas chances na rede. Primeiro, com um slice. Depois, com uma direita nada forçada. Raonic tentou coisas diferentes. Arriscou do fundo, subiu à rede, sacou mais forte. Disparou, inclusive, o serviço mais rápido do torneio. E olha o que aconteceu…

Ainda assim, o canadense poderia ter equilibrado o jogo no tie-break do segundo set. Só que o dia era de Murray. O escocês foi perfeito. Abriu 6/1, fechou em 7/3. Faltava só um set para o bicampeonato em Wimbledon.

Raonic tentou um pouco de tudo. Do fundo de quadra, ficava no prejuízo. Quando tentava subir, era vítima de passadas precisas, quase sempre de backhand e na cruzada. Curtinhas não eram opção contra a velocidade de Murray. Slices não faziam diferença. Ainda assim, o canadense teve uma fresta para entrar no jogo. Dois break points no quinto game. Errou uma devolução e um slice. Ambos na rede. Murray confirmou, e outro tie-break foi necessário.

Era o momento para decidir, e Murray foi enfático. Uma passada de backhand lhe deu o primeiro mini-break. Um par de winners lhe colocou na frente de vez. Quando Raonic fez seu primeiro ponto, já perdia por 5/0. Faltava pouco, e o adversário não teve mais chances. Andy Murray, de volta a seu melhor nível, de volta com Ivan Lendl, e com o troféu de volta às mãos.

O efeito Lendl

Tudo bem, são três títulos de Slam ao lado de Ivan Lendl. Nenhum sem ele. Ainda assim, talvez seja o caso de não superestimar a influência do técnico. Ou não de subestimar a importância de Amélie Mauresmo, que esteve ao lado de Murray em dias mais complicados. As duas finais em Melbourne foram ao lado da francesa. A semi de Wimbledon/2015 também. Não faltou tanto assim. De qualquer modo, os números ao lado de Lendl são relevantes:

O ranking

Com o resultado deste domingo, Andy Murray reduziu significativamente a vantagem de Novak Djokovic na liderança do ranking. Ainda assim, o sérvio continua com folga no topo, somando 15.040 pontos contra 10.195 do escocês. A diferença, que era de 8.035 pontos, cai para 4.845.

O top 10 não sofreu grandes mudanças e fica assim: Djokovic, Murray, Federer, Nadal, Wawrinka, Nishikori, Raonic, Berdych, Thiem e Tsonga. Raonic, não sobe, mas cola em Nishikori e se aproxima de Wawrinka. Tsonga subiu duas posições e voltou ao grupo, no lugar de Gasquet.

O melhor vídeo

Murray conseguiu uma dúzia de passadas bacanas contra Raonic na final, mas minha imagem preferida deste domingo ainda é essa…

Os melhores momentos

Ainda assim, vale ver os melhores momentos do jogo. Por que não?


Wimbledon, dia 11: Raonic, finalmente um finalista
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Raonic_W16_sf_get_blog

Milos Raonic apareceu no top 10 em 2013 e, fora uma lesão aqui e outra ali, passou a maior parte do tempo desde então entre os dez primeiros do mundo. Três anos atrás, já era dono de um saque gigante, mas ainda faltava um bocado a seus outros fundamentos. Naquela época, já fazia jogos duros com a elite, mas faltavam resultados grandes em torneios grandes.

Conquistou até agora oito título na carreira, mas a maioria em ATPs 250. Nenhum em um Masters. Pouco para um top 10 com pretensões ousadas (e justificadas). Aos poucos, porém, as coisas foram se encaixando. O slice melhorou. A movimentação lateral também – algo essencial para um atleta de 1,96m de altura. Os slices, idem. As devoluções, nem tanto. Só que hoje, Raonic, 25 anos, treinado por Carlos Moyá e com a consultoria de John McEnroe, mostra uma maturidade e uma inteligência tenística dignas de um finalista de Wimbledon.

E foi tudo isso que o atual número 7 do mundo mostrou nesta sexta-feira, ao eliminar de virada, em um jogo que chegou a estar perto de desandar, o gigante Roger Federer, o senhor da grama, heptacampeão de Wimbledon. Como isso aconteceu? A sequência de eventos e a expectativa para a final estão aqui, no resumo do Dia 11 de Wimbledon.

Roger Federer, primeiro ato

Primeiro set, quarto game. Jogo no começo, ainda equilibrado, o que era de se esperar. Roger Federer abre 30/0 e então comete quatro erros consecutivos até perder o serviço. Milos Raonic não cede break points até o fim e fecha a parcial.

Roger Federer, segundo ato

Quarto set, Federer lidera por 2 sets a 1, e saca em 5/6. O momento da partida está de seu lado. Após vencer as duas parciais anteriores, o suíço teve break points em dois games do canadense e ainda pressionou o rival em 30/30 em outros dois games. Federer abre 40/0. Falta um ponto para o tie-break. Com 40/15, o heptacampeão comete duas duplas faltas seguidas. Salva um break point e mais outro. Não escapa do terceiro. O raro momento, que Federer lamentou intensamente na coletiva pós-jogo, leva a partida, que parecia perto do fim, para um nervoso quinto set.

Roger Federer, terceiro ato

Quinto set, quarto game. Após o fim da parcial anterior, Federer já havia pedido massagem no joelho esquerdo (operado no início do ano). O suíço erra uma direita não forçada e precisa sacar “iguais”. O ponto é longo, e Raonic usa um slice venenoso na paralela quando o rival subia à rede. Federer devolve, mas trava o pé esquerdo tentando voltar para o meio da quadra e sofre um tombo, caindo em cima do mesmo joelho esquerdo.

É break point, mas Federer volta para sua cadeira no meio do game e recebe um rápido atendimento do fisioterapeuta. Salva o break point e comemora, mas faz uma dupla falta e, na sequência, perde o ponto mais espetacular do jogo (vídeo abaixo). Raonic abre uma quebra de vantagem no quinto set e, com o oponente fragilizado, não olha para trás. Game, set, match, Raonic: 6/3, 6/7(3), 4/6, 7/5 e 6/3.

.

Os méritos de Raonic

Os três breves momentos acima decidiram o jogo, mas só porque Milos Raonic foi extremamente competente em quase tudo que fez e forçou Federer a jogar com uma margem mínima de erro durante as 3h25min de partida. O canadense sacou monstruosamente o tempo inteiro (constantemente na casa de 225km/h), foi criterioso nas subidas à rede e voleou com maestria na maior parte do tempo. Até sua devolução, conhecido ponto fraco, começou a entrar com mais consistência a partir da metade do quarto set.

Fora do campo técnico/mecânico, Raonic também foi impecável. Jogou bem na grande maioria dos 30/30 e break points, manteve-se vivo na partida quando Federer parecia perto do triunfo no quarto set e mergulhou de cabeça quando a chance se mostrou novamente em cores vivas. Era a grande atuação que faltava em sua carreira, batendo um gigante em um momento enorme.

A final

A primeira final de Slam de Raonic, atual número 7 do mundo, mas que pulará para a quarta posição se for campeão, será contra Andy Murray, o herói britânico, que avançou ao fazer 6/3, 6/3 e 6/3 sobre Tomas Berdych (#9). Foi uma atuação bastante sólida do britânico, que só perdeu o serviço no terceiro game do primeiro set – logo depois de quebrar o tcheco.

Não que Berdych não pudesse fazer mais, mas todos (muitos) recursos do escocês são muito eficientes na grama. Com o jogo calibrado, Murray parte para sua terceira final de Slam na temporada (perdeu para Djokovic em Melbourne e Roland Garros), mas a primeira como favorito.

Se não tem o mesmo poder do saque (ou de fogo!) de Federer, Murray tem na devolução uma arma que o serviço de Raonic ainda não enfrentou no torneio. O britânico também tem um backhand mais sólido, portanto é de se imaginar que Raonic não use tanto seu forehand de dentro para fora. Como foi na semifinal, a chave para o canadense será manter o serviço e forçar Murray a jogar com margem mínima para erros. Mas será que o canadense tem mais essa carta na manga?

O anúncio

Marcelo Melo divulgou, via Twitter, que disputará o ATP de Washington ao lado de Bruno Soares. Faz parte da preparação da dupla para os Jogos Olímpicos.

Bolão impromptu do dia

O vencedor de hoje é o Rafael Trindade, quem mais se aproximou dos 53 games do jogão entre Milos Raonic e Roger Federer.


Wimbledon, dia 9: da salvação de Federer à força de Murray
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

A Quadra Central vibrou como nunca nesta edição de Wimbledon. Do início do dia ao match point do segundo jogo, foram dez sets, dezenas de pontos memoráveis, três match points salvos, uma virada gloriosa e mais de sete horas transcorridas. Tudo isso para que os favoritos Roger Federer e Andy Murray avançassem às semifinais do torneio. E foi mais ou menos assim que aconteceu.

Federer_W16_qf_reu_blog

O melhor jogo

Foram dois sets estranhos de Roger Federer. No começo, faltava agressividade no backhand, e o slice não incomodava Marin Cilic o suficiente. Mais do que isso, o suíço deixou passar uma chance rara. Umazinha que apareceu no primeiro set. Um 0/30 no quinto game, com a quadra aberta. Mandou uma direita para fora. O croata ainda cedeu dois break points naquele mesmo game, mas se salvou e ganhou o tie-break. Um set a zero. O alarme estava ligado.

Não que fosse uma atuação mais ou menos de Cilic. O número 13 do mundo era muito competente. Sacava bem e errava pouco. Mas não era espetacular. Certamente, não no nível espetacular-campeão-daquele-US-Open. Confirmava o serviço e esperava chances. Salvou mais dois break points no segundo set e quebrou o suíço. Mas era um estranho suíço.

Quando Cilic sacava para fechar o segundo set, com 0/15 no placar, Federer teve um backhand fácil para matar e pressionar o rival. Jogou na rede. O público sentiu o golpe. O heptacampeão sentiu o golpe. Cilic abriu 2 sets a 0. “Na bola”, ponto a ponto, golpe a golpe, a diferença não era tão grande assim, só que o placar indicava outra coisa. Era uma tarde estranha.

Cilic ficou muito perto da vitória. O placar mostrava 3/3, 0/40, com Federer no serviço no terceiro set. O croata cometeu três erros. O suíço gritou, vibrou. A torcida acordou. A conta veio rápido, já no game seguinte. Um erro não forçado e uma dupla falta de Cilic deram a Federer uma quebra. O dia já não parecia tão estranho. O heptacampeão já tinha no currículo nove vitórias após estar perdendo por 2 a 0. A décima estava só começando.

Não que tenha sido ladeira abaixo depois disso. Cilic jogou fora dois break points no quarto game, errando devoluções de segundo saque. Teve um match point com Federer sacando em 4/5. Mandou para fora uma devolução de segundo saque. Sim, mais uma. Cilic teve outro match point dois games depois, mas nem jogou. Um ace de Federer evitou o adeus.

O tie-break teve mais drama. Ninguém se espantaria com erros nervosos de Cilic. Eles vieram. Surpresa mesmo foram as falhas do heptacampeão, o senhor dos pontos grandes. Primeiro, uma madeirada deu ao rival o primeiro mini-break do game. Mais tarde, com 6/5 no placar, outra madeirada jogou fora o set point. Federer ainda cedeu mais um match point, mas Cilic não conseguiu responder um segundo saque forçado. O game ainda teve o suíço perdendo outro set point com um erro não forçado (estranho, muito estranho), mas foi o croata que cedeu ao falhar mais duas vezes. Tudo igual: 2 sets a 2.

O estranho ficou para trás. Todo mundo sabia. O backhand na paralela já entrava mais, e a velocidade na movimentação não indicava nenhum resquício de lesão. Cilic ainda brigou, salvou break point no sexto game. Federer, mais Federer do que nunca (ou tão Federer como sempre!?) já não cedia mais nada. Era questão de tempo. Game, set, match: 6/7(4), 4/6, 6/3, 7/6(9), 6/3. Suíço na semi. Um caminho estranho, um resultado normal.

Federer agora é o recordista de vitórias em torneios do Grand Slam, com 307 – uma a mais que Martina Navratilova e cinco a mais que Serena Williams. E, com mais esse triunfo, agora acumula 40 semifinais de Grand Slam e 84 vitórias em Wimbledon, igualando a marca de Jimmy Connors.

Seu adversário na semi será Milos Raonic (#7), que avançou no buraco deixado por Novak Djokovic. O canadense, que quase tombou diante de David Goffin nas oitavas, superou nas quartas o americano Sam Querrey (#41): 6/4, 7/5, 5/7 e 6/4. Difícil dizer se Raonic será um desafio maior do que Cilic. O canadense tem um saque mais potente, mas não é tão sólido quanto o croata do fundo de quadra nem devolve saques tão bem.

A outra semi

Primeiro, parecia que Jo-Wilfried Tsonga (#12) venceria o primeiro set. O francês, afinal, teve três set points no tie-break. Depois, parecia que Andy Murray (#2) completaria uma vitória sem mais dramas. Isso porque o escocês fez 6/1 no segundo set. E aí tudo mudou outra vez quando Tsonga venceu o terceiro set e se encheu de confiança, mas mudou mais uma vez quando Murray abriu 4/2 no quarto set e virou de cabeça para baixo outra vez porque o francês venceu quatro games seguidos e forçou o quinto set.

Brincadeiras à parte, foi um jogaço de alto nível (a não ser pelo segundo set), com todo tipo de lance e os dois tenistas protagonizando lances espetaculares – às vezes, em sequência. No fim, Murray mostrou raça, grande força mental, chamou a torcida e disparou na frente no quinto set, fechando em 7/6(10), 6/1, 3/6, 4/6 e 6/1.

O adversário do britânico na semi será – vejam a ironia – o tenista mais estável do dia: Tomas Berdych (#9), que derrotou Lucas Pouille (#30) por 7/6(4), 6/3 e 6/2. O tcheco perdeu o serviço apenas uma vez em toda a partida e será o atleta mais descansado na sexta-feira, nas semifinais. Difícil imaginar que preparo físico será uma vantagem diante de Andy Murray, mas pelo menos não será uma desvantagem. Já é algo para Berdych, que é um claro azarão na partida.

O último brasileiro

Bruno Soares e Jamie Murray quase conseguiram uma virada memorável, mas ficaram pelo caminho. Nas quartas de final, brasileiro e britânico viram Edouard Roger-Vasselin e Julien Benneteau abrirem 2 sets a 0, mas reagiram, igualaram o placar e só foram perder no quinto set longo: 6/4, 6/4, 6/7(11), 6/7(1) e 10/8.

O mineiro ainda voltaria à quadra nesta quarta pela chave de duplas mistas, mas ele e Elena Vesnina abandonaram o torneio. A russa, vale lembrar, está classificada para as semifinais de simples (vai enfrentar Serena amanhã) e as quartas de duplas (ela e Makarova enfrentam Venus e Serena).


Wimbledon, dia 7: drama, breu, outra ameaça e o melhor jogo do torneio
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

A Manic Monday, como é chamada a tradicional segunda-segunda-feira de Wimbledon, com todas oitavas de final em quadra, correspondeu às expectativas. Quintos sets longos, chuva, tie-breaks dramáticos, viradas, atuações impecáveis dos favoritos e jogos adiados por falta de luz natural. Teve um pouco de tudo. Teve até número 1 do mundo ameaçando processar. Perdeu tudo isso? O resumaço traz quase tudo nas linhas abaixo.

Radwanska_Cibulkova_R16_reu_blog

O melhor jogo do torneio

Foram 180 minutos fantásticos. Desde o espetacular primeiro set de Dominika Cibulkova, passando pela reação memorável de Agnieszka Radwanska, que salvou match point no segundo set e forçou mais uma parcial, até o longo terceiro set, sem tie-break, com break points em dez games diferentes e que terminou de forma magnífica, com a eslovaca vencendo e ganhando um abraço da polonesa. O placar final mostrou 6/3, 5/7 e 9/7 para Cibulkova.

É bem verdade que a número 18 do mundo poderia ter vencido mais rápido. Distribuiu pancadas do fundo de quadra, jogando Radwanska para os lados. Teve chances de fechar antes, mas vacilou. Não que a terceira colocada no ranking não tenha seus méritos. Lutou bravamente com seu tênis inteligente e teve até um match point no 12º game do terceiro set. Cibulkova se salvou.

Classificada para as quartas, Cibulkova leva consigo uma sequência de nove triunfos na grama. Ela ainda não perdeu no piso na temporada. Antes de Wimbledon, disputou apenas o WTA de Eastbourne e foi campeã. A eslovaca será favorita contra a russa Elena Vesnina (#50), que bateu Ekaterina Makarova (#35) de virada: 5/7, 6/1 e 9/7.

Importante: Cibulkova tem seu casamento marcado para sábado. Se alcançar a final, já avisou que não se importará de adiar a cerimônia. “Escolhemos essa data porque nunca me vi como uma jogadora de grama”, explicou, segundo o site do torneio.

Os favoritos

Enquanto Radwanska e Cibulkova terminavam o segundo set na Quadra 3, Roger Federer (#3) entrava na Central para enfrentar Steve Johnson (#29). Os três sets do suíço duraram mais ou menos o mesmo que o terceiro set da Quadra 3. Tirando um par de break points no quinto game do primeiro set, quando o jogo ainda estava empatado, e uma quebra de Johnson no terceiro, Federer dominou. Venceu por 6/2, 6/3 e 7/5 e chegou à 306ª vitória em Slams na carreira, igualando a marca de Martina Navratilova.

É inevitável pensar que tudo conspirou para o heptacampeão até agora. Não só a chave tranquila na primeira semana, justamente o que ele precisava depois de resultados aquém do esperado em Stuttgart e Halle, mas também com a derrota de Novak Djokovic, o único a derrotá-lo nos dois últimos anos em Wimbledon, e talvez até com a lesão de Kei Nishikori, que abandonou e colocou Marin Cilic como rival de Federer nas quartas de final.

Por outro lado, Cilic faz uma campanha bastante digna na grama este ano (fez semi em Queen’s) e promete ser o primeiro teste de verdade para o suíço no All England Club. O próprio Federer lembrou que o croata passou como um caminhão por ele no US Open de 2014, seu último duelo. Será que Cilic consegue repetir? Não parece provável, mas também não parecia em Nova York…

Em seguida, Serena Williams fez uma apresentação bastante … serenesca diante de Svetlana Kuznetsova (#14). Um começo arrasador, um momento instável no fim do primeiro set, e uma segunda parcial quase perfeita. Fez 14 aces, 43 winners e derrotou a russa em 1h16min, por 7/5 e 6/0, avançando às quartas.

Foi o tipo de atuação que se espera ver da número 1 do mundo, especialmente em Wimbledon, e que ainda não tinha acontecido. Passou o recado de que não será fácil derrotá-la no All England Club. O resto da chave deve estar preocupado, assim como Anastasia Pavlyuchenkova (#23), sua próxima adversária.

A russa avançou ao bater Coco Vandeweghe (#30) por 6/3 e 6/3 e já está no lucro. Afinal, ninguém esperava que Pavlyuchenkova fosse tão longe, já que somava mais derrotas do que vitórias na carreira em Wimbledon. Agora chega sem responsabilidade e pode entrar “solta” na quadra Serena. Parece justo dizer que não há muita gente acreditando na russa contra a número 1.

Por último, Andy Murray também mostrou todo seu arsenal contra Nick Kyrgios (#18), descomplicando o que muitos viam como uma partida duríssima. De duro mesmo, só o primeiro set, que o britânico fechou fazendo um último game impecável. O triunfo veio por 7/5, 6/1 e 6/4, com um Kyrgios perdido, sem encontrar alternativa para superar o favorito.

O próximo obstáculo para o escocês será Jo-Wilfried Tsonga (#12), que se beneficiou de uma lesão nas costas de Richard Gasquet (#10), que abandonou a partida quando perdia o primeiro set por 4/2. Nada ruim para Tsonga, que vinha de completar um partida um tanto longa contra John Isner no domingo. Não que ele estivesse esgotado, mas o descanso não fará nada mal.

Mais uma ameaça judicial

Incomodada com os pingos que caíam timidamente na Quadra Central, Serena Williams achava que a quadra estava escorregadia demais para continuar a partida. Sem ser atendida imediatamente (o teto foi fechado pouco depois), a número 1 disparou: “Se eu me machucar, vou processar”.

O susto

Milos Raonic (#7), desde sempre considerado a maior ameaça ao então-vivo-na-chave-Djokovic antes das semifinais, esteve a um set da eliminação nesta segunda-feira. Com seu saque quebrado duas vezes, perdeu dois sets. Sorte que do outro lado da rede estava David Goffin (#11), que não tem exatamente um histórico de grandes atuações em momentos cruciais. Raonic conseguiu uma quebra logo no terceiro game do terceiro set e mudou o rumo da partida. Acabou saindo com a vitória por 4/6, 3/6, 6/4, 6/4 e 6/4.

Foi a primeira vez na carreira que Raonic venceu um jogo após estar perdendo por 2 sets a 0. O canadense agora vai enfrentar Sam Querrey (#41), algoz de Djokovic que venceu mais uma ao derrotar Nicolas Mahut (#51) por 6/4, 7/6(5) e 6/4. Preparem-se para contar aces e ver poucos ralis.

Correndo por fora

Venus Williams (#8) continua aproveitando o máximo sua chave, que nunca foi das mais complicadas. Nesta segunda, eliminou Carla Suárez Navarro (#12) por 7/6(3) e 6/4. O primeiro set teve momentos delicados, com a espanhola sacando para o jogo e uma interrupção por chuva. Venus, no entanto, segue avançando e já tem sua melhor campanha em Wimbledon desde 2010, quando também avançou às quartas e foi eliminada por Tsvetana Pironkova.

Venus, 36 anos, é a tenista mais velha a alcançar as quartas de final de Wimbledon desde Martina Navratilova em 1994. A ex-número 1 do mundo também será favorita na próxima rodada, já que vai encontrar Yaroslava Shvedova (#96), uma das maiores surpresas o torneio até agora. A cazaque, que já havia eliminado Svitolina e Lisicki, despachou Lucie Safarova as oitavas: 6/2 e 6/4.

O outro jogo nessa metade da chave é entre duas candidatíssimas: Simona Halep (#5), que despachou Madison Keys por 6/7(5), 6/4 e 3/3, e Angelique Kerber (#4), que encerrou o torneio de Misaki Doi (#49) por 6/3 e 6/1. Promete ser o confronto mais interessante das quartas de final femininas.

Entre os homens, Tomas Berdych (#9) esteve perto de dar mais um passo, mas deixou passar uma ótima chance de despachar o compatriota Jiri Vesely (#64). O top 10 sacou para fechar a partida no quarto set, mas foi quebrado e, quando chegou ao tie-break, depois de Vesely salvar três match points, já reclavama da luz, argumentando que o jogo deveria ter sido interrompido.

O game de desempate foi louco. Vesely abriu 6/1, Berdych virou para 7/6 e teve mais dois match points, mas não conseguiu fechar. Vesely acabou vencendo e forçando um quinto set. A continuação também ficou para terça-feira. Quem vencer enfrentará Lucas Pouille (#30), que despachou de virada o australiano Bernard Tomic (#19): 6/4, 4/6, 3/6, 6/4 e 10/8.

As quartas de final

[28] Sam Querrey x Milos Raonic [6]
[3] Roger Federer x Marin Cilic [9]
[10] Tomas Berdych ou Jiri Vesely x Lucas Pouille [32]
[12] Jo-Wilfried Tsonga x Andy Murray [2]

[1] Serena Williams x Anastasia Pavlyuchenkova [21]
[19] Dominika Cibulkova x Elena Vesnina
[5] Simona Halep x Angelique Kerber [4]
[8] Venus Williams x Yaroslava Shvedova

Os brasileiros

O dia foi difícil para os mineiros. Marcelo Melo e Ivan Dodig foram eliminados em três sets por Raven Klaasen e Rajeev Ram: 7/6(3), 7/6(5) e 6/3. Em seguida, Bruno Soares e Jamie Murray fizeram uma partida longa e dramática contra Mate Pavic e Michael Venus. Brasileiro e britânico venceram os dois primeiros sets, mas perderam os dois seguintes e mergulharam em um quinto set longo.

Por suas vezes, Bruno e Jamie tiveram quebras de vantagem, e o britânico até sacou para o jogo em 5/3. Depois de um match point, o saque do escocês foi quebrado, e a partida continuou dramática, noite adentro, sem tie-break. A partida foi interrompida pouco depois das 21h locais, após o 26º game, depois que Venus e Pavic salvaram mais um match point.

Bom humor na adversidade

Logo depois de perder o quarto set, Bruno Soares reclamou com a árbitra de cadeira por levar uma advertência. A juíza explicou que a grama é sensível, e o brasileiro respondeu “eu também sou sensível, acabei de perder um set”.


Wimbledon 2016: o guia (versão masculina)
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

O terceiro Slam do ano se aproxima, e enquanto o Reino Unido discutia (e discutirá por muito tempo) as causas e consequências de sua saída da União Europeia, Wimbledon sorteou as chaves na manhã desta sexta-feira. Será que Novak Djokovic dará mais um passo ao Grand Slam de fato e conquistará seu quinto Slam seguido? Ou Andy Murray voltará a reinar em casa? E Roger Federer, já encontrou ou vai encontrar sua habitual forma espetacular na grama do All England Club?

Este guia da chave masculina fala um pouco disso tudo, avaliando os resultados recentes, a composição das chaves e o que pode acontecer nas próximas duas semanas, no torneio que é o mais tradicional e mais cobiçado desde sempre.

Os favoritos / Quem se deu bem

Campeão em Roland Garros e agora dono do Career Slam, Djokovic optou por não fazer torneios de preparação na grama, como já faz há algum tempo. Jogou apenas o Boodles, um evento de exibição que serve para ajustes finais, embora não dê aos fãs e à imprensa uma boa referência sobre a forma do número 1 do mundo. Mesmo assim, parece justo esperar que o sérvio mostre a mesma forma de sempre. Seu histórico recente aponta para isso. Logo, ele entra como favorito indiscutível, do mesmo modo que seria o mais cotado se a ATP decidisse organizar um campeonato de tiro ao prato ou de caça a codornas.

O sorteio não foi dos melhores para o sérvio, ainda que não tenha sido trágico, mas que sorteio pode ser trágico com o cidadão jogando nesse nível? Entre as possíveis cascas de banana no caminho estão Lukas Rosol e Sam Querrey, que se enfrentam na primeira rodada, com o vencedor possivelmente encontrando o sérvio na terceira fase. Rosol, a gente lembra, tem potencial para aprontar essa zebra, mas precisa que tudo dê certo no dia.

Além disso, Nole pode encarar Milos Raonic, Kevin Anderson ou, quem sabe, David Goffin nas quartas. É justo dizer que Raonic, no momento atual e na grama, parece ser o adversário mais duro possível para qualquer um encarar nas quartas. E, para piorar, Djokovic ainda tem Federer na sua metade da chave. É um potencial duelo de semifinal que repetiria as duas últimas finais em Wimbledon. Resumindo: o favorito não deve estar lá muito feliz com o sorteio…

Enquanto isso, o ídolo local, Andy Murray, pode muito bem ser considerado o “vencedor” do dia. Não que sua chave seja um mar de rosas, mas escapar da semi com Federer já foi uma vitória. Além disso, as três primeiras rodadas, contra Liam Broady, Lu/Qualifier e possivelmente Benoit Paire, parecem tranquilas. Depois, sim, podem pintar no caminho Kyrgios/Feliciano (oitavas) e o vencedor do grupo com Isner, Tsonga, Gasquet e Troicki, nas quartas. Se chegar à semi, Murray vai encarar quem avançar na parte encabeçada por Wawrinka, que também tem Thiem e Berdych, mas que parece o “quarto” menos forte da chave inteira.

O britânico chega a Wimbledon em bom momento e com o reforço de Ivan Lendl, que voltou a seu box. No primeiro torneio com o ex-e-agora-atual treinador, Murray foi campeão em Queen’s. Não foi uma semana de atuações espetaculares, mas de encontrar soluções para vencer jogos. O escocês fez isso muito bem e, por isso, merece iniciar o Slam da grama como o segundo mais cotado ao título.

Roger Federer é o grande ponto de interrogação aqui. Em uma temporada atípica, com cirurgia, lesões e pouco tempo em quadra, o suíço mostrou ferrugem em Stuttgart e Halle, onde foi superado por Thiem e Zverev, respectivamente. Era de se esperar, até certo ponto, que Federer ainda estivesse aquém de seu melhor nível, mas ver isso na prática deixou muita gente preocupada.

A dúvida reina no mundo do imaginário, onde os fãs sonham com um Federer de volta a seu nível costumeiro antes dos momentos decisivos de Wimbledon. Nesse sentido, é até possível dizer que o #3 do mundo deu sorte. Sua primeira semana no torneio não é das mais turbulentas, com adversários como Pella (estreia) e Berankis/Qualifier (segunda rodada). Dolgopolov, sim, pode dar trabalho na terceira fase, mas só se Federer estiver em um dia muito ruim. O suíço também seria favortíssimo nas oitavas contra possivelmente Simon ou Monfils.

Trocando em miúdos, dá para afirmar que Federer terá tempo para calibrar seus golpes e planejar a segunda semana. Nishikori é o potencial rival de quartas de final, mas o japonês só fez um jogo na grama em 2016. Não é difícil imaginar o suíço alcançando a semi sem encarar o japonês.

Os brasileiros

Thomaz Bellucci, que não vence um jogo na grama há cinco anos (a última vitória foi em Queen’s, em 2011), se deu bem no sorteio e vai estrear contra um qualifier. Se vencer, encara Querrey ou Rosol em um cenário que está longe de ser ruim, considerando que o brasileiro não é cabeça de chave.

Rogerinho fará sua segunda apresentação em Wimbledon e também não teve um sorteios dos piores, não. Ele estreia contra Nicolás Almagro. É justo dizer, por outro lado, que o espanhol também deve ter gostado do sorteio. Para ambos, tenistas de fundo de quadra, seria mesmo melhor evitar encarar sacadores ou tenistas agressivos, que dariam pouco ritmo de jogo.

A grande ausência

Rafael Nadal, com uma lesão no punho esquerdo, só chegou perto de uma quadra de grama quando visitou o WTA de Mallorca, onde nasceu e mora até hoje. O atual número 4 do mundo tem pouco mais de 300 pontos de vantagem sobre Stan Wawrinka no ranking e pode ser ultrapassado até pelo atual #6, Kei Nishikori. Tudo depende de como suíço e japonês atuarão em Wimbledon.

Os melhores jogos nos primeiros dias

A chave de Wimbledon está especialmente suculenta para quem aprecia tênis e não se apega demais aos líderes do ranking. Logo na primeira rodada, há confrontos divertidíssimos como Kyrgios x Stepanek, Verdasco x Tomic, Wawrinka x Fritz e Thiem x Florian Mayer (o alemão venceu o austríaco em Halle).

Só que a lista não acaba aí. Que tal Coric x Karlovic? Ou Simon x Tipsarevic? E o que pode acontecer em Monfils x Chardy? E Gulbis x Sock? E Isner x Baghdatis?Faça sua listinha e preste atenção porque tudo isso vai acontecer já na segunda e na terça-feira (se a chuva não atrapalhar, é claro).

O que mais pode acontecer de mais legal

Uma segunda rodada entre Stepanek ou Kyrgios contra Dustin Brown, já imaginaram? Outro jogaço já no radar de todos é Wawrinka x Del Potro. Para que isso aconteça, o suíço precisa bater Taylor Fritz, e o argentino tem que passar por Stéphane Robert. Não parece nada improvável. Uma terceira rodada entre Murray e Paire promete um bocado de jogadas de efeito.

Os tenistas mais perigosos que ninguém está olhando

A chave de Wimbledon este ano tem alguns nomes meio “escondidos”. Kevin Anderson, por exemplo, estaria mais bem cotado em uma seção mais fraca. O sul-africano, porém, pode muito bem eliminar Goffin numa terceira rodada e encarar Raonic com chances interessantes nas oitavas.

A situação de Tomas Berdych não é muito diferente. Cabeça 10, o tcheco está na seção de Dominic Thiem, que estreia contra Florian Mayer. Mas quem ousa dizer que Berdych não pode passar pelo jovem Zverev nas oitavas e, depois, por Thiem ou Mayer (ou Sousa, quem sabe), chegando às quartas de final contra Wawrinka? Se o suíço chegar lá, né?

Onde ver

SporTV e ESPN mostram o torneio. Ano passado, lembremos, o canal da Disney driblou o da Globosat, pagando pelos direitos e aproveitando o sinal da ESPN americana para mostrar mais quadras enquanto o SporTV ficava preso a seu pacote básico. Ninguém deu muitos detalhes ainda de como serão as transmissões deste ano, mas já se sabe que a ESPN mostrará o evento em dois canais (contra um do SporTV). Em todo caso, vale ficar com o controle remoto na mão.

Nas casas de apostas

Não há nenhuma grande surpresa nas cotações da casa virtual bet365, mas é importante notar uma diferença menor entre Djokovic e Murray e uma separação maior entre o britânico e Federer. As cotações estão assim:

Vale registrar, só a título de curiosidade, que um título de Thomaz Bellucci paga 1001 para 1. Se Rogerinho for campeão, o apostador embolsa 3001 para 1.

O guia feminino

Com sempre, não dá tempo de publicar os dois textos no mesmo dia, então o guia para a chave feminina deve aparecer aqui no amanhã (sábado), um pouco antes do podcast Quadra 18, que terá sua habitual edição especial pré-Slam, cheia de palpites e análises.


Semana 24: o ‘Efeito Lendl’, o novo tropeço suíço e outra volta de Hewitt
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Andy Murray foi campeão em Queen’s mais uma vez, enquanto em Halle Roger Federer voltou a conquistar – opa, a história mudou este ano. O suíço, voltando de lesões e ainda sem o ritmo ideal, perdeu no torneio que dominou nos últimos anos. A semana ainda teve André Sá em uma final de ATP 500 e a notícia de mais um retorno às quadras de Lleyton Hewitt. Nem parece que o australiano se aposentou há tão pouco tempo…

O resumaço da semana ainda tem as campeãs dos WTAs de Birmingham e Mallorca, as campanhas dos outros brasileiros, a atualização de status de Rafael Nadal, o recurso de Maria Sharapova (pra manter a esperança de jogar na Rio 2016), um tweet hilário, uma história bizarra e uma aparição imperdível de Federer.

<> at Queens Club on June 19, 2016 in London, England.

Os campeões

No ATP 500 de Queen’s, o assunto (e piada recorrente) foi a volta de Ivan Lendl ao time de Andy Murray, que defendia o título. Coincidência e brincadeiras à parte, o escocês foi campeão do torneio londrino pela quinta vez, derrotando de virada Milos Raonic na decisão: 6/7(5), 6/4 e 6/3.

Vale notar que Raonic não tinha sido quebrado a semana inteira e teve 3/0 de frente no segundo set. Murray, então, conseguiu quatro quebras em oito games, jogando um tênis-de-grama de altíssimo nível, e se tornou o primeiro tenista na história a vencer Queen’s cinco vezes.

De modo geral, foi um belo torneio do britânico que, se não atropelou ninguém, passou por rivais perigosíssimos na grama, como Mahut (na estreia), Cilic (semi) e Raonic, agora treinado por John McEnroe, que estava na beira da quadra. É justo dizer, como sempre, que Murray se coloca como candidatíssimo ao título de Wimbledon, que começa daqui a uma semana.

Vale registrar também um dos momentos mais engraçados da cerimônia de premiação, quando Murray disse que foi legal da parte de Lendl esperar pela cerimônia de premiação. No mesmo momento, as câmeras da transmissão mostraram a cadeira de Lendl vazia. Sim, ele já tinha ido embora.

No ATP 500 de Halle, a final dos azarões foi vencida por Florian Mayer, que bateu Alexander Zverev por 6/2, 5/7 e 6/3. Atual número 192 do ranking, o alemão entrou no torneio graças ao ranking protegido e passou por um caminho cheio de espinhos. Bateu Baker, Seppi, Thiem e Zverev, contando ainda com uma vitória por W.O. sobre Nishikori.

Foi o segundo título na carreira de Mayer, que tinha sido campeão quase cinco anos atrás, em Bucareste. Com o resultado, ele voltará ao top 100, o que é algo muito bacana para um veterano de 32 anos que vem sofrendo com lesões, mas não desiste de brigar por seu lugar em torneios grandes.

O cabeça 1 do torneio era Roger Federer, que caiu diante de Zverev nas semifinais (mais sobre isso abaixo), e o o segundo cabeça era Nishikori, que desistiu por causa de dores em uma costela.

As campeãs

No WTA Premier de Birmingham, Madison Keys conseguiu dois feitos importantes na semana. Primeiro, garantiu sua entrada no top 10. Ela será a primeira americana a entrar no grupo de elite desde 1999, quando Serena Williams fez sua estreia entre as dez melhores. Depois, Keys conquistou o título do evento britânico ao derrotar Barbora Strycova por 6/3 e 6/4 na decisão.

Não só pelo título, mas a americana de 21 anos se coloca como nome forte em Wimbledon por seu jogo de potência, algo que a compatriota Coco Vandeweghe também mostrou em Birmingham. Coco, aliás, também foi campeã em ’s-Hertogenbosch e chegou a somar oito triunfos seguidos na grama antes de levar a virada de Strycova na semifinal.

A lembrar sobre Birmingham: a cabeça 1, Agnieszka Radwanska, foi eliminada por Vandeweghe na estreia; Angelique Kerber, cabeça 2, foi batida por Carla Suárez Navarro nas quartas; e Petra Kvitova, bicampeã de Wimbledon, caiu diante de Jelena Ostapenko na segunda rodada. Keys era cabeça 7 e, na campanha até o título, passou por Babos, Paszek, Ostapenko, Suárez Navarro e Strycova.

No WTA International de Mallorca, Caroline Garcia venceu pela segunda vez em 2016 um dos chamados torneios “de aquecimento”. A francesa, campeã também em Estrasburgo, conquistou o modesto evento espanhol ao bater na decisão Anastasija Sevastova por 6/3 e 6/4.

Cabeça de chave 6, Garcia passou por Witthoeft, Friedsam, Ivanovic (cabeça 3), Flipkens e Sevastova no caminho até o título. A cabeça 1, Garbiñe Muguruza, tombou logo na estreia, diante de Flipkens, enquanto a cabeça 2, Jelena Jankovic, foi eliminada por Sevastova.

O suíço

Roger Federer não chegará a Wimbledon como favorito. Longe de descartar uma conquista do suíço em Londres, mas não é o que suas atuações em Stuttgart e Halle indicaram. O ex-número 1 esteve errático, mais impaciente do que o normal e sofreu derrotas para Dominic Thiem (teve dois match points em Stuttgart) e Alexander Zverev, jovens talentosos da #NextGen, a hashtag preferida da ATP.

Como escrevi na semana passada, era de certa forma esperada essa inconstância do suíço, que ficou tanto tempo sem competir e voltou logo na temporada de grama, quando os pontos são mais curtos e é difícil adquirir ritmo. Ainda assim, é estranho ver Federer tendo problemas em um piso no qual seu jogo flui com mais facilidade e seu serviço é muito eficiente.

De qualquer forma, ele ainda tem mais uma semana para calibrar golpes aqui e ali antes de Wimbledon. Também espera-se que a primeira semana do Slam da grama sirva de “aquecimento” para os jogos realmente duros. É nesse momento que Federer precisará de seu melhor tênis.

O imortal

Conhecido por nunca desistir de uma partida, Lleyton Hewitt nunca fez mais justiça ao rótulo de imortal. Aposentado em janeiro e desaposentado logo depois para disputar a Copa Davis, o ex-número 1 do mundo igualará em Wimbledon a marca de Michael Jordan, com dois retornos à profissão. Sim, Hewitt recebeu um wild card para disputar a chave de duplas ao lado do compatriota Jordan Thompson.

Resta saber se é um convite “isolado” ou se teria alguma relação com a possibilidade de Hewitt receber mais um wild card para disputar os Jogos Olímpicos ao lado de Thompson. Será?

Os brasileiros

O grande nome do país na semana foi André Sá, que jogou em Queen’s com o australiano Chris Guccione. Os dois eliminaram Bruno Soares e Jamie Murray nas quartas de final e foram vice-campeões do torneio, só perdendo para Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert por 6/3 e 7/6(5). Marcelo Melo também jogou o ATP 500 londrino. Ele e Juan Martín del Potro derrotaram Feliciano e Marc López na estreia, mas foram superados por Herbert e Mahut nas quartas.

No circuito Challenger, em Blois, França (42.500 euros), Thiago Monteiro abandonou o torneio após vencer a primeira rodada por causa de dores nas costas. O cearense explicou que o incômodo começou na semana anterior, em Bordeaux, e que achou melhor tratar o local e se preparar para o qualifying de Wimbledon. Também em Blois, Guilherme Clezar eliminou o cabeça de chave 1, Albert Montañés, mas perdeu na segunda rodada para o holandês Antal Van Der Duim.

Em Perugia, Itália (42.500 euros), Rogerinho foi eliminado nas quartas de final pelo esloveno Blaz Rola: 7/6(4) e 6/2; e Marcelo Zormann, que entrou como lucky loser, perdeu na estreia para o italiano Marco Cecchinato. Em Poprad-Tatry, Eslováquia (42.500 euros), André Ghem também perdeu nas oitavas, sendo superado pelo espanhol Rubén Ramírez Hidalgo.

No ITF de Sumter, EUA (US$ 25 mil), Gabriela Cé foi eliminada na estreia pela australiana Olivia Rogowska: 6/3 e 6/3. Luisa Stefani, que venceu três jogos no quali, foi mais longe e caiu nas oitavas de final diante da mexicana Renata Zarazua por 7/6(3) e 6/4. Em Minsk, outro ITF de US$ 25 mil, Laura Pigossi estreou derrubando a russa Polina Leykina, cabeça de chave 2, por 6/0 e 6/3, mas caiu nas oitavas de final, superada pela grega Valentini Grammatikopoulou: 6/0 e 6/1.

A apelação de Sharapova

Na terça-feira, a Corte de Arbitragem do Esporte (CAS) anunciou que Maria Sharapova havia apelado de sua suspensão de dois anos por doping. A tenista pede que o período de suspensão seja eliminado ou, pelo menos, reduzido. Segundo a CAS, o recurso será julgado rapidamente, com uma decisão a ser divulgada até o dia 18 de julho. Sim, daria tempo de Sharapova participar dos Jogos Olímpicos, mas apenas se o período da suspensão for reduzido para seis meses. A ver como a CAS analisa a questão.

Rumo ao Rio

Para quem estava preocupado com a participação de Rafael Nadal nos Jogos Olímpicos Rio 2016, uma boa notícia. Seu tio afirma que Rafa estará recuperado a tempo de brigar por medalhas. O plano é voltar às quadras no Masters de Toronto e, depois, rumar para o Brasil.

Vale lembrar que, se tudo correr conforme os planos, Nadal disputará três medalhas no Rio: simples, duplas (com Marc López) e duplas mistas (ao lado de Garbiñe Muguruza).

O melhor tweet

Em Londres e presenciando toda especulação em torno do rendimento de Andy Murray pós-retorno de Ivan Lendl, Bruno Soares soltou o melhor tweet da semana.

Em tradução livre, o mineiro disse estar sentindo seu tênis melhor porque Lendl voltou com Andy, que é irmão de Jamie, que é seu parceiro.

O relato bizarro

A chilena Andrea Koch Benvenuto foi suspensa por três meses após uma série de violações do código de conduta da ITF durante um torneio em São José dos Campos (SP). A tenista foi condenada a pagar US$ 500 de multa, além de US$ 199 equivalentes ao valor do telefone celular do supervisor do torneio que ela quebrou quando foi questionar sua desclassificação. Taí algo que não se vê todo dia…

Leitura obrigatória

Indicação da Diana Gabanyi, a entrevista de Simon Briggs com Andy Murray não é tão reveladora assim, mas traz números e declarações interessantes do atual número 2 do mundo – inclusive a frase sobre Ivan Lendl, inserida no título. Murray diz que precisava de alguém que lhe dissesse que era ok perder em vez de classificar derrotas em finais de Slam como um desastre. Leiam!

Fanfarronice da semana

Não tem nada de publicitário na foto, mas vale o registro porque foi “apenas” Roger Federer trollando a foto de Sergiy Stakhovsky como o ucraniano trollou com seu Wimbledon em 2013.


RG, dia 8: Muguruza em alta, Nishikori em baixa e uma zebraça nas quartas
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Não é todo dia que alguém fora do top 100 consegue uma vaga nas quartas de final de um Slam. Pois foi isso que Shelby Rogers fez ao derrotar (por enquanto) as cabeças de chave Karolina Pliskova, Petra Kvitova e Irina Camelia Begu. A americana, no entanto, não foi a única a derrubar um favorito neste domingo. Richard Gasquet, fazendo um torneio impecável, eliminou Kei Nishikori. Quem segue inabalável é a espanhola Garbiñe Muguruza, cada vez mais candidata ao título em Paris. O resumo do dia trata disso tudo, analisa mais uma vitória de Andy Murray, atualiza a disputa pelo número 1 nas duplas e traz grandes vídeos como o de Stan Wawrinka brincando com um boleiro durante a partida contra Viktor Troicki. É só rolar a página e ficar por dentro!

Gasquet_RG16_r16_get_blog

Os favoritos

Garbiñe Muguruza tinha um jogo nada simples neste domingo, mas conseguiu fazer parecer pouco complicada a tarefa de derrotar Svetlana Kuznetsova (#15) e avançou por 6/3 e 6/4. A russa até ameaçou uma reação na segunda metade da segunda parcial e ninguém sabe o que teria acontecido em um terceiro set, mas Muguruza segurou bem a onda no fim, inclusive salvando break point depois de perder dois match points. Depois de uma estreia que lançou pontos de interrogação, parece seguro dizer que a espanhola faz um belo torneio e é candidatíssima a chegar à final.

Mais tarde, Andy Murray (#2) voltou a encarar um sacador e a vencer por 3 sets a 0. John Isner deu trabalho no primeiro set e teve uma bola à disposição para vencer o tie-break, mas jogou em cima do britânico e levou uma passada. Foi, no fundo, a única real chance do americano, que tombou por 7/6(9), 6/4 e 6/3.

Difícil dizer o quanto esse jogo ajudou na caminhada de Murray rumo às fases mais complicadas, mas não deixa de ser bom ver que o britânico fez o dever de casa sem se complicar mais do que o necessário. O próximo jogo, contra Richard Gasquet (#12) – e a torcida parisiense – não pode ser classificado como o primeiro grande teste de Murray no torneio, mas ele traz um cenário novo: o francês será o primeiro a entrar em quadra bem cotado para bater o escocês. E agora?

Para não deixar sem registro: é a sexta vez que Andy Murray alcança as quartas de final em Roland Garros. Para um tenista que passou a maior parte da carreira sendo criticado pelo retrospecto no saibro, parece um currículo bem digno, não?

Os brasileiros

A campanha na chave de duplas acabou para Bruno Soares e Jamie Murray, que foram superados nas oitavas de final por Leander Paes e Marcin Matkowski em dois tie-breaks: 7/6(5) e 7/6(4). O resultado tirou Jamie da briga pela liderança do ranking nesta semana. Seguem na disputa Marcelo Melo, atual número 1 do mundo, o francês Nicolas Mahut e o americano Bob Bryan. O favorito é Mahut, que garante a posição se vencer mais uma partida em Paris. A matemática está explicadinha no site Match Tie-Break, da Aliny Calejon.

Nas duplas mistas, ao lado de Elena Vesnina, Soares vencia por 7/5 e 1/1 quando o jogo foi interrompido e adiado. Os adversários eram a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Hey. Vale lembrar que esta partida estava marcada para sábado e não aconteceu por causa da chuva.

Correndo por fora

Stan Wawrinka (#4) segue avançando bem a seu modo. Muitos winners, muitos erros não forçados. Neste domingo, executou 67 bolas vencedoras e cometeu 50 falhas nos quatro sets que precisou para bater Viktor Troicki (#24): 7/6(5), 6/7(7), 6/3 e 6/2. Se a pergunta é “Wawrinka está jogando em nível para ser campeão?”, a resposta provavelmente é não, mas com a velha ressalva: Stan pode encontrar “aquele” nível de um dia para o outro, então é sempre bom ficar de olho nele.

Até agora, é um torneio irregular para o atual campeão, que nem foi tão testado assim. No caminho até as quartas, passou por Rosol, Daniel, Chardy e Troicki. É justo acreditar também que o próximo confronto, contra Albert Ramos Viñolas (#55), será igualmente favorável ao suíço.

Quem faz, sim, um belo torneio é o francês Richard Gasquet (#12), que derrubou Kei Nishikori (#6) neste domingo: 6/4, 6/2, 4/6 e 6/2. Com o backhand calibrado desde a vitória sobre Thomaz Bellucci na estreia, o tenista da casa vem fazendo partidas inteligentes taticamente e tecnicamente bem executadas.

Especificamente sobre o jogo deste domingo, Nishikori esteve longe do seu melhor – como esteve em todo o torneio, na verdade, e talvez tenha dado sorte ao escapar da virada de Verdasco na terceira rodada. Ainda assim, Gasquet é, por enquanto, quem chega mais testado nas quartas. Além de Bellucci e Nishikori, bateu o perigoso Kyrgios e esteve sempre no comando de seus jogos. Murray apresentará um desafio diferente, mas pelo que ambos mostraram até hoje, não convém duvidar de mais uma vitória de Gasquet.

A grande zebra

Número 108 do mundo, Shelby Rogers não estava nem de longe entre as mais cotadas para avançar em uma seção da chave que tinha Karolina Pliskova na estreia e Petra Kvitova em uma eventual terceira rodada. Pois a americana de 23 anos, que um mês atrás jogava ITFs de US$ 50 e 75 mil, avançou sem ganhar nada de graça. Bateu Pliskova (#19) na estreia, Elena Vesnina (#47) na segunda rodada e eliminou Kvitova (#12) na terceira rodada.

Sem perder o embalo, voltou à quadra neste domingo e eliminou mais uma cabeça de chave: Irina Camelia Begu (#28) por 6/3 e 6/4. Com a campanha, já garantiu sua entrada no grupo das 60 melhores do mundo, o que será o melhor ranking de sua carreira. E será que Rogers ainda tem mais uma zebra guardada na manga para enfrentar Muguruza nas quartas?

Mais cabeças que rolaram

Outro cabeça de chave a deixar o torneio foi Milos Raonic (#9), que ganhou uma aula de tênis-no-saibro de Albert Ramos Viñolas (#55). Apostando em ralis e devolvendo serviços muito no fundo de quadra, o espanhol anulou as principais armas do canadense e esperou pacientemente por suas chances.

Com uma tática bem elaborada e executada magistralmente, Ramos Viñolas fez 6/2, 6/4 e 6/4 e conquistou uma vaga nas quartas de final depois de quatro anos consecutivos com eliminações na primeira rodada.

Nas duplas femininas, um par de resultados se destacou. Na Quadra 2, Serena e Venus Williams foram derrotadas por Johanna Larsson e Kiki Bertens por duplo 6/3; e, na Quadra 1, Martina Hingis e Sania Mirza caíram diante das tchecas Barbora Krejcikova e Katerina Siniakova: 6/3 e 6/2. Hingis e Mirza ganharam os três Slams anteriores e completariam um “Santina Slam” com o título em Roland Garros.

Os adiamentos

A chuva – sempre ela – e a falta de iluminação artificial em Paris seguem atrasando a programação. Neste domingo, duas das oitavas de final femininas tiveram de ser adiadas. Sam Stosur (#24) sacava em 3/5 contra Simona Halep (#6) na Quadra 1, enquanto Agnieszka Radwanska (#2) liderava por 6/2 e 3/0 na Suzanne Lenglen contra Tsvetana Pironkova (#102).

Os melhores lances

Não foi um ponto, mas talvez tenha sido a melhor “jogada” de Stan Wawrinka no dia. Enquanto Viktor Troicki recebia atendimento médico no terceiro set, o suíço encontrou uma maneira de se manter aquecido e, ao mesmo tempo, ganhar o público. Cosias de um campeão.

Esse, sim, foi um ponto. Um pontaço do backhand mais violento do planeta.

E já que estamos no tema de backhands, Gasquet não ficou muito atrás hoje…


RG, dia 6: Nadal desiste, Muguruza cresce, Kvitova e Safarova dão adeus
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Houve muitos lances bonitos e resultados importantes dentro de quadra, mas nada igualou a bomba que Rafael Nadal detonou em Roland Garros quando convocou uma coletiva para anunciar que está abandonando o torneio. O post de hoje avalia as consequências dessa desistência, lembra de resultados importantes na chave feminina, atualiza a corrida pelo número 1 nas duplas e traz a história de Marcel Granollers, o tenista mais sortudo do planeta. Fique por dentro.

Nadal_RG16_coletiva_get_blog

O abandono

A notícia do dia, sem dúvida, foi o anúncio de Rafael Nadal, que convocou uma entrevista coletiva às pressas para revelar que não continuaria no torneio por causa de uma lesão no punho esquerdo (seu forehand). Nadal disse que o problema começou na semana de Madri, nas quartas de final, contra João Sousa. Depois disso, fez exames e tratamento em Barcelona e decidiu jogar em Roma. O incômodo voltou antes mesmo de embarcar para Paris.

O espanhol, que vinha de duas grandes atuações, disse que a condição foi piorando ao longo da semana em Roland Garros e que jogou a partida contra Bagnis após tomar uma infiltração. Segundo o tenista, os médicos disseram que ele não teria condições de fazer mais cinco partidas e, por isso, não havia por que continuar no torneio.

Nadal afirmou que precisará de algumas semanas de imobilização no punho para, depois, tratar a lesão. “Espero uma recuperação rápida e estar pronto para Wimbledon, mas agora não é o momento de falar sobre isso.”

A consequência imediata é que Marcel Granollers (#56), que vem de uma vitória por desistência (Mahut abandonou no terceiro set), ganha um WO e vai às oitavas de final sem jogar. Ele será azarão contra Dominic Thiem ou Alexander Zverev, mas já tem um resultado inimaginável para quem estreou contra Fabio Fognini e enfrentaria o eneacampeão do torneio na terceira rodada.

No que diz respeito às chances de título, a coisa fica bem menos complicada para Novak Djokovic (#1), que provavelmente faria a semifinal contra Rafael Nadal. O contraponto é que o sérvio terá uma dose extra de pressão para finalmente vencer em Paris. De certo modo, será uma sensação parecida com a de Federer em 2009. Naquele ano, após levantar o troféu, o suíço admitiu ter se sentido pressionado depois que Robin Soderling chocou o planeta ao derrotar Rafael Nadal.

O homem mais sortudo do planeta

Em Monte Carlo, Marcel Granollers não passou pelo qualifying, mas herdou a vaga de David Ferrer, que decidiu de última hora não jogar o torneio. A vaga de cabeça de chave permitiu a Granollers entrar já na segunda rodada. Aproveitou a chance, bateu Alexander Zverev, David Goffin e só parou nas quartas de final. Saiu de lá com 196 pontos. Subiu de #67 para #50 no ranking.

Em Madri, aconteceu de novo. Granollers entrou como lucky loser na vaga de Roger Federer. Dessa vez, também estreando na segunda rodada, o espanhol não conseguiu avançar. Parou diante de João Sousa, mas somou 26 pontinhos.

Agora, em Roland Garros, teve todo mérito do mundo ao eliminar Fabio Fognini na estreia, mas ganhou 71 mil euros e 90 pontos de graça só com o abandono de Nadal. Com isso, mesmo que perca o próximo jogo, já ficará perto do 45º posto.

Os favoritos

O dia começou com Garbiñe Muguruza (#4) em mais uma atuação dominante: 6/3 e 6/0 sobre a belga Yanina Wickmayer (#54), que vinha de vitória sobre a cabeça de chave Ekaterina Makarova. Depois do susto na estreia, Muguruza soma apenas cinco games perdidos em dois jogos e ratifica sua posição de séria candidata ao título. Com Svetlana Kuznetsova (#15) pela frente nas oitavas e Begu ou Rogers nas quartas, a espanhola é favoritíssima para chegar ao menos às semifinais.

A outra candidata nessa metade da chave é Simona Halep (#6), vice-campeã em 2014. Nesta sexta, a romena precisou de três sets, mas superou a japonesa Naomi Osaka (#101) por 4/6, 6/2 e 6/3. Halep agora fará um jogo interessante contra Sam Stosur, que, apesar de já ter bons resultados no torneio, não estava tão cotada assim numa chave que tinha Lucie Safarova (falo sobre isso mais adiante).

Na chave masculina, Andy Murray (#2) finalmente fez uma aparição breve na Suzanne Lenglen. Bateu Ivo Karlovic (#28) em três sets: 6/1, 6/4 e 7/6(3), em menos de duas horas. O escocês conseguiu até limitar o número de aces do croata. Foram só 14 – oito deles, no terceiro e mais equilibrado set. Semifinalista em Paris no ano passado, Murray terá outro sacador pela frente nas oitavas, já que John Isner (#17) derrotou Teymuraz Gabashvili (#79) depois de estar uma quebra atrás no quinto set: 7/6(7), 4/6, 2/6, 6/4 e 6/2.

Stan Wawrinka (#4), que fez um dos últimos jogos do dia, teve menos problemas do que nas rodadas anteriores. Aplicou 6/4, 6/3 e 7/5 sobre Jeremy Chardy (#32) e avançou quase sem sustos. Os únicos momentos de (pequena) apreensão vieram no primeiro game, quando o suíço teve o serviço quebrado (mas devolveu em seguida), e no antepenúltimo, quando Chardy evitou que Stan fechasse o jogo com seu saque. O atual campeão, no entanto, voltou a quebrar imediatamente depois.

O sérvio Viktor Troicki (#24) será o próximo oponente de Wawrinka, após fazer 6/4, 6/2 e 6/2 em cima do francês Gilles Simon (#18), que não fez um grande torneio. Depois de suar contra Rogerinho, precisou de cinco sets para bater Guido Pella. Nesta sexta, contra Troicki, esteve atrás desde o game inicial.

O brasileiro

Marcelo Melo voltou à quadra ao lado de Ivan Dodig em busca de um lugar nas oitavas de final da chave de duplas. A parceria, atual campeã de Roland Garros, não teve problemas para bater os franceses Tristan Lamasine e Albano Olivetti por 6/2 e 6/4. Brasileiro e croata agora podem enfrentar a dupla de André Sá e Chris Guccione, que ainda precisam passar por Leo Mayer e João Sousa.

A briga pelo número 1

O resultado mais relevante do dia pela chave de duplas foi a derrota de Jean Julien Rojer e Horia Tecau para Pablo Cuevas e Marcel Granollers: 5/7, 6/4 e 6/3. Com isso, Tecau perde a chance de sair de Roland Garros como número 1 do mundo. Ainda seguem na briga Nicolas Mahut (que está vivo nas duplas apesar de ter abandonado a chave de simples), Jamie Murray, Bob Bryan e o próprio Marcelo Melo, atual líder do ranking e campeão do torneio parisiense.

Correndo por fora

Agnieszka Radwanska (#2), que nunca passou das quartas de final em Roland Garros, superou um obstáculo um tanto traiçoeiro nesta sexta. Bateu Barbora Strycova (#33) por 6/2, 6/7(6) e 6/2. Foi uma partida divertida de ver (pelo menos nos momentos que consegui acompanhar), com muita variação, e que a vice-líder do ranking conduziu muito bem no set decisivo.

Classificada para as oitavas para enfrentar Tsvetana Pironkova (#102), será que Radwanska já pode ser considerada uma forte candidata ao título? Talvez ainda seja cedo, mas a polonesa certamente será favorita contra a búlgara. Quem sabe nas quartas de final, contra Simona Halep, tenhamos uma ideia melhor?

Na chave masculina, Milos Raonic (#9) passou fácil pelo eslovaco Andrej Martin (#133): 7/6(4), 6/2 e 6/3. Foram mais de 2h40min de partida, mas só porque a primeira parcial durou 1h13min, com três games bastante longos. Abençoado pelo sorteio e pelos resultados, o canadense, que poderia estar enfrentando Marin Cilic ou Jack Sock nas oitavas, vai pegar o espanhol Albert Ramos Viñolas (#55), que surpreendeu Sock (#25) em cinco sets nesta sexta: 6/7(2), 6/4, 6/4, 4/6 e 6/4. Se tudo correr como previsto, Raonic e Wawrinka se encontrarão nas quartas.

O jogo mais esperado – pelo menos para mim – do dia era Richard Gasquet (#12) x Nick Kyrgios (#19), e parece justo dizer que a partida correspondeu às expectativas. Não só no resultado, com vitória do francês por 6/2, 7/6(7) e 6/2, mas pelo nível do tênis apresentado. Daria para encher um longo vídeo de melhores momentos só com pontos bonitos. Kyrgios venceu vários deles, mas, como quase sempre, não conseguiu manter um nível alto contra um rival consistente.

Para Kei Nishikori, houve drama. Tudo corria bem para o #6 do mundo até que Fernando Verdasco (#52), depois de perder os dois primeiros sets, iniciou uma reação fulminante. No começo do quinto set, era o espanhol que parecia mais próximo da vitória. No entanto, Nishikori conseguiu quebras no primeiro e no terceiro games e manteve a dianteira, avançando por 6/3, 6/4, 3/6, 2/6 e 6/4.

Cabeças que rolaram

Principal cabeça de chave na seção que já tinha visto Roberta Vinci e Karolina Pliskova ficarem pelo caminho, Petra Kvitova (#12) foi a vítima do dia, com um placar estranhíssimo: 6/0, 6/7(3) e 6/0 para a americana Shelby Rogers (#108), a mesma que bateu Pliskova na primeira rodada.

A americana avança para sua primeira aparição as quartas de final de um Slam, enquanto Kvitova segue em uma temporada problemática. Desde que se separou do técnico de longa data David Kotyza, em janeiro, a bicampeã de Wimbledon não conseguiu uma sequência digna de seu talento.

Quem se deu bem – pelo menos no papel – foi Irina-Camelia Begu (#28), cabeça 25 do torneio, que bateu Annika Beck (#39) por 6/4, 2/6 e 6/1 e será favorita contra Rogers na disputa por um lugar nas quartas de final.

Outra cabeça eliminada foi Lucie Safarova (#13), atual vice-campeã de Roland Garros. A tcheca foi eliminada em uma partida equilibrada e nervosa contra Sam Stosur (#24), vice-campeã em 2010: 6/3, 6/7(0) e 7/5. Uma surpresa mais pelos resultados recentes da australiana e pelo histórico de confrontos diretos (Safarova liderava por 11 a 3) do que pelo currículo de Stosur.

Não seria nada espantoso se Stosur desmoronasse depois do péssimo tie-break que jogou na segunda parcial. Em vez disso, a australiana começou o set decisivo com uma quebra e, mesmo quando perdeu a vantagem, manteve a cabeça no lugar. Quem implodiu foi Safarova, que fez um 12º game muito ruim e cedendo a quebra que colocou a adversária nas oitavas.

Os melhores lances

Você não vai ver muitos pontos melhores do que esse até o fim do torneio. Radwanska e Strycova, espetaculares.

Nick Kyrgios de despediu nesta sexta, mas deixou essa lembrança:

O australiano também ganhou esse pontaço abaixo.