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Monte-Carlo: o destino mais charmoso do tênis
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Alexandre Cossenza

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Publieditorial

Poucos eventos no circuito proporcionam ao fã de tênis o glamour e a emoção do Monte-Carlo Rolex Masters. O famoso torneio do Principado de Mônaco, disputado no charmoso e exclusivo Monte-Carlo Country Club, abre a temporada europeia de competições no saibro e costuma ser o melhor indício para apontar o campeão de Roland Garros.

O que não falta é atrativo para fãs de tênis migrarem para Mônaco durante o torneio, que este ano será realizado de 15 a 23 de abril. E não só pela importância dentro do calendário do tênis. Ir ao Monte-Carlo Rolex Masters significa ver de perto os maiores nomes do esporte na quadra central mais bonita do circuito, com vista para o Mediterrâneo e para as montanhas.

Quer ir ao Masters de Monte Carlo? Clique aqui e saiba como!

Além disso, o fã pode ver muito de perto – da beira da quadra! – os treinos de nomes como Novak Djokovic e Rafael Nadal sem precisar se espremer na disputa por espaço como acontece no US Open e em Roland Garros. E não é só isso. No Monte-Carlo Country Club, atletas e torcedores dividem várias áreas comuns, onde é possível caminhar lado a lado com seus ídolos.

A chave de 56 jogadores é outro diferencial. Como o torneio é disputado em uma semana e os jogos são disputados apenas em sessão diurna, comprar um ingresso para a quadra central praticamente garante que você vai ver seu tenista preferido. Já imaginou ver Rafael Nadal, Novak Djokovic, Roger Federer e Andy Murray no mesmo dia? No Masters 1000 de Monte-Carlo, isso é possível.

É preciso dizer também que os atrativos do Principado de Mônaco não se limitam ao tênis. É possível passear pelas ruas que formam o tradicional circuito da Fórmula 1, visitar o famoso Casino de Monte-Carlo e passear na costa do Mediterrâneo.

Juntando tudo acima, fica difícil dizer que existe um destino tenístico mais atraente que Monte-Carlo…


Nadal voltou? Voltou mesmo?
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Alexandre Cossenza

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Foi o tom de muitos comentários durante a última semana e, especialmente, após o título do Masters 1.000 de Monte Carlo: “Nadal voltou!” Agora, três dias depois da conquista, o ex-número 1 do mundo está classificado para as quartas de final do ATP 500 de Barcelona e segue mostrando um ótimo tênis. Mas será mesmo que “Nadal voltou”? “Aquele” Nadal? E, afinal, o que isso significa?

O cenário

Antes de mais nada, cabe certa cautela na análise. Em 2015, a comoção foi parecida quando, depois de um começo de ano decepcionante, Rafael Nadal alcançou a final do Masters de Madri. Naquele torneio, o espanhol derrotou Dimitrov e Berdych em sequência, e parecia barbada para levar o troféu antes de uma atuação abaixo da crítica diante de Murray na final. Aquela partida foi o balde que calou os gritos de “Nadal voltou”.

Este ano, o panorama parece melhor. Antes de Monte Carlo, o Rei do Saibro já havia feito ótimas partidas em Indian Wells. No principado, bateu Dominic Thiem, Stan Wawrinka, Andy Murray e Gael Monfils em sequência. Se não foi o tenista dominante de 8-10 anos atrás, foi convincente e superior a uma grande promessa, ao atual campeão de Roland Garros e ao vice-líder do ranking.

O que melhorou?

É indiscutível que Nadal vem jogando um tênis melhor e mais eficiente do que o apresentado durante a maior parte de 2015 e o começo desta temporada. Talvez tenha a um pouco ver com a mudança nas cordas (Nadal voltou a usar a RPM Blast, que adotou durante a maior pate da carreira), mas é impossível dizer apenas vendo seus jogos, sem ouvir uma análise do próprio tenista.

De fato constatável mesmo, fica nítida a mudança estratégica. O Nadal de Indian Wells e Monte Carlo foi um pouco menos agressivo. Continuou atacando sempre que possível, mas com um pouco mais de paciência, usando bolas mais altas e tentando empurrar o oponente para trás. Na essência, é o mesmo que ele sempre fez na carreira. A agressividade excessiva não vinha dando resultado.

Essas bolas a mais fazem enorme diferença no balanço psicológico de um jogo. Errando menos, o espanhol tira do oponente a opção “vou trocar bola e esperar uma falha”. Nadal, assim, exige que seu rival ganhe a maioria dos pontos por méritos próprios. Não são tantos tenistas que conseguem fazer isso ponto após ponto contra o eneacampeão de Roland Garros. Com tudo isso acontecendo, Nadal tem mais margem e, especialmente, confiança para os pontos mais importantes. É uma grande bola de neve que vem se desfazendo aos poucos – para seu benefício.

Voltou mesmo?

Nunca fui fã do “fulano voltou”, quem quer que seja o fulano. Até porque todas as circunstâncias que envolvem o “voltou” mudam. O que quer dizer “Nadal voltou”? Que ele joga o mesmo nível de tênis do que em 2013, 2010 ou 2008? Como comparar quatro períodos distintos de forma justa? Ou “Nadal voltou” quer dizer que ele é o melhor do saibro mais uma vez? Ou apenas sugere que “Nadal voltou a ser competitivo”? Neste último caso, a resposta obrigatoriamente deve ser “não”, já que o espanhol nunca deixou de ser competitivo e, mesmo na suposta má fase, já era o número 5 no ranking mundial.

No entanto, qualquer que seja a hipótese, tendo a responder “não” porque o Nadal-Rei-do-Saibro era imbatível na superfície. Soa injusto, mas é o nível de domínio que o mundo se acostumou a ver do espanhol. O Rafael Nadal de hoje tem um saque vulnerável (foram 17 break points diante de Thiem e cinco quebras cedidas a Gael Monfils, que não tem uma devolução imponente) e, mais do que qualquer outra coisa, ainda precisa mostrar que pode bater Novak Djokovic – considerando que o revés de Nole na estreia em MC tenha sido apenas uma aberração.

Ainda assim, o que Nadal apresentou em Monte Carlo parece estar muito perto do melhor que ele pode mostrar no circuito de hoje, com adversários mais jovens, mais rápidos e mais fortes. O mais provável é que o espanhol nunca volte a dominar o circuito como fez no passado, mas será que que se faz necessário aquilo tudo para que ele “volte” a vencer em Roland Garros? É possível que não. Mas os resultados de Barcelona, Madri e Roma deixarão esse cenário um tanto menos nebuloso antes de Paris.

Favorito a Roland Garros?

Por enquanto, Djokovic, número 1 do mundo com sobras, ainda é o mais cotado a triunfar no saibro francês. As casas de apostas colocam o sérvio como principal favorito, seguido (não tão de perto assim) por Nadal. A bet365, por exemplo, paga apenas 1,66 para um em caso de título de Nole. Uma conquista de Nadal paga quatro para um. A Sportsbet.com.au, por sua vez, paga 1,72 para Djokovic, e 4,00 para Nadal. Vale acompanhar o quanto essas cotações mudarão nas próximas semanas, após mais dois Masters na terra batida.


Derrota de Djokovic levanta dúvidas e faz bem
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Alexandre Cossenza

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Dúvida faz bem no esporte. A linha entre o tesão de ver um atleta espetacular e o tédio de saber o resultado final é nem sempre é fácil de enxergar, mas anda (ou andou?) bem visível no tênis ultimamente. Novak Djokovic ganhou quatro dos últimos cinco Slams, levantou 15 troféus nos últimos 14 meses, disputou 11 finais seguidas em Masters 1.000 e acumulou mais do que o dobro de pontos de Andy Murray, atual vice-líder do ranking mundial.

Logo, quando Jiri Vesely, 22 anos, 55º do mundo, derrubou o número 1 por 6/4, 2/6 e 6/4 na segunda rodada do Masters 1.000 de Monte Carlo, primeiro torneio grande da série de saibro na Europa, é fácil compreender por que muita gente abriu sorrisos pelo mundo. Um pouco porque será um Masters diferente, o primeiro do ano sem o sérvio campeão, mas especialmente porque levanta dúvidas que ficarão no ar por pelo menos duas semanas. E isso, hoje, faz muito bem ao tênis.

A partida foi interessante porque não foi uma atuação pavorosa de Djokovic como naquele primeiro set contra Bjorn Fratangelo em Indian Wells. Okay, não foi a melhor atuação do sérvio em 2016 – longe disso -, mas Vesely teve seus méritos. Primeiro por tentar tomar a iniciativa dos pontos com frequência. Segundo, pela execução do plano de jogo. Terceiro, pelas curtinhas. Não lembro de ter visto alguém usar tantos drop shots e com tanta eficiência diante de Djokovic. Foi, realmente, admirável por parte do jovem tcheco.

O número 1, por sua vez, esteve pouco inspirado. Não foi possível ver um plano de jogo claro em momento algum. Além disso, o sérvio foi passivo na maior parte do tempo. Nem mesmo quando esteve nas cordas, com Vesely sacando para o jogo. Por isso, pagou o preço com sua eliminação.

Depois do jogo, Djokovic disse que treinou bastante, mas que nunca sentiu seu corpo descansado o suficiente. Admitiu que jogou mal, disse que Vesely esteve muito bem em quadra e prometeu “descanso total”. À jornalista Carole Bouchard (a mesma do tuíte abaixo), afirmou ainda estar confiante e disse que “tudo acontece por um motivo”.

Até o Masters 1.000 de Madri, com início marcado para 1º de maio, o mundo seguirá imaginando o que esperar de Djokovic neste tour do saibro. Com duas semanas de intervalo, o número 1 aparecerá na Espanha na melhor forma? E o período de descanso forçado desta semana ajudará lá na frente, em Roland Garros, o único Slam que lhe falta?

E como será que o resto do circuito verá essa derrota em Monte Carlo? Como um sinal de vulnerabilidade ou apenas um caso isolado? E quem aproveitará a brecha no principado para conquistar os mil pontos? Quem ganha mais com isso? Hoje, são dúvidas que fazem muito bem ao tênis.

Coisas que eu acho que acho:

– Sobre o tamanho da vitória de Vesely, vale lembrar que ele quebrou três sequências importantes de Djokovic: 11 Masters 1.000 chegando em finais, 22 vitórias em Masters 1.000, e 14 triunfos no circuito.

– Com a eliminação precoce, Djokovic deixará de ter mais do que o dobro dos pontos de Andy Murray. Coitado, não?


Quadra 18: S01E02
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Alexandre Cossenza

A incrível conquista de Teliana Pereira em Bogotá, o momento de Rafael Nadal no começo da temporada de saibro europeia e a polêmica de Genie Bouchard na Fed Cup são os principais assuntos deste segundo episódio do podcast Quadra 18.

Como na estreia, estou lá ao lado de Sheila Vieira e Aliny Calejon. Para ouvir o programa, basta clicar acima. Quem preferir pode baixar o arquivo completo neste link ou acessar o podcast pelo iTunes (e não deixe de assinar o feed).

No fim de cada programa, escolheremos algumas perguntas de leitores para responder. Quem quiser participar pode enviar suas questões, críticas e sugestões de preferência via Twitter, incluindo sempre a hashtag #Quadra18. Até a próxima!

Créditos musicais

A faixa de abertura do podcast, chamada “Rock Funk Beast”, é de longzijun, que possui um site repleto de trilhas livres para qualquer pessoa usar desde que para fins não comerciais. É altamente recomendável para quem estiver pensando em entrar no mundo dos podcasts. As demais faixas deste episódio são chamadas “So Bueno”, “Down the Drain” e “Game Set Match”. Todas fazem parte da audio library do YouTube.


Um raro feito inédito para Djokovic
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Alexandre Cossenza

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Duas semanas atrás, quando escrevi sobre o título de Novak Djokovic em Miami, citei brevemente sua espetacular temporada de 2011. Naquele ano, Nole chegou invicto a Roland Garros, vencendo o Australian Open e todos os Masters que disputou. Pois sste ano, também campeão em Melbourne, Indian Wells e Miami (embora não mais invicto), o número 1 do mundo já tem uma estatística inédita: ao derrotar Tomas Berdych na final em Monte Carlo, Djokovic tornou-se o primeiro tenista da história a vencer os três primeiros Masters 1.000 do ano.

Em 2011, lembremos, Nole decidiu não ir a Monte Carlo porque sua família era dona do (hoje falecido) ATP 250 de Belgrado, disputado no saibro, na semana seguinte à do torneio do principado. Se jogasse em Mônaco, Djokovic teria que jogar quatro semanas seguidas, emendando com Madri e Roma. Agora, sem a “pressão” de jogar em seu país, já pode voltar a disputar os três Masters da terra batida sem se preocupar com a fadiga.

Não há muito a dizer sobre o sérvio por enquanto – além do que já foi escrito neste blog. Se foi campeão em Indian Wells e Miami sem ser espetacular, ganhou Monte Carlo com sobras, mesmo com boas atuações de Rafael Nadal e Tomas Berdych. O tcheco, aliás, merece destaque por ter sido o único a roubar um set do número 1. Quando conseguiu agredir nas devoluções e atacar com precisão assustadora, Berdych incomodou. No fim, como quase sempre (e como quase sempre sou forçado a escrever), Djokovic foi mais consistente e triunfou.

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O contente Rafa

Para Rafael Nadal, a derrota nas semifinais no principado está abaixo da média de seu currículo, mas o tênis mostrado na semana é uma série de passos à frente em relação às atuações instáveis do início de ano. Em Monte Carlo, Nadal foi mais Nadal até quando perdeu sets para John Isner e David Ferrer.

Primeiro porque a combinação saibro pesado + bolas altas de Nadal não é tão ruim para o americano quanto parece. As bolas altas pouco incomodam um cidadão de 2,08m de altura e, se o saque perde eficiência na velocidade da quadra, Isner ganha tempo para subir à rede. Com Nadal posicionado quase em Marrocos para devolver o saque, o grandalhão podia sacar angulado e chegar bem na rede para volear curto ou longo, com a quadra aberta.

Além disso, Ferrer provavelmente é o tenista que, hoje em dia, mais exige consistência na troca de bolas de um adversário – fora Djokovic, é claro. E se é verdade que Nadal perdeu a chance de fechar a partida em dois sets, também é inegável que seu terceiro set foi competente do início ao fim.

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O despreocupado Federer

Quanto a Roger Federer, a ida a Monte Carlo rendeu pouco. A derrota nas oitavas de final, diante de um eficiente Gael Monfils, lhe deixou mais longe de Novak Djokovic, que agora tem 5.460 assustadores pontos de vantagem na liderança do ranking mundial. Tampouco é possível rotular como o início ideal para uma boa preparação no saibro europeu.

O lado positivo é que Federer não parece preocupado com o resultado em um torneio que ele preferiu nem jogar em um punhado de ocasiões. Embora não admita publicamente, o atual número 2 do mundo já não parece disposto aos esforços necessários para triunfar na terra batida europeia, que eventualmente requer partidas longas e com pouco tempo de intervalo entre elas.

Coisas que eu acho que acho:

– Vale apontar a curiosidade para dar uma noção melhor do que significa a vantagem de Djokovic na liderança do ranking. Após Monte Carlo, são 5.460 pontos de diferença entre ele e o número 2, Roger Federer. E do suíço até o outro suíço, Stan Wawrinka, atual décimo do ranking, são 4.890. Não é pouco.

– Nadal volta para número 4, o que lhe coloca numa posição melhor antes de Roland Garros – evitando um possível confronto com Djokovic logo nas quartas. Não parece provável, contudo, que ele chegue a Paris como número 2. Entre o espanhol e Roger Federer há, atualmente, 2.950 pontos.


Novas tendências
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Alexandre Cossenza

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Não é um ano de velhas tendências para o tênis masculino, e Stanislas Wawrinka ofereceu ao mundo mais uma prova neste domingo, ao conquistar o título do Masters 1.000 de Monte Carlo. Um pouco pelo fato de ser sua primeira conquista em um torneio deste porte, mas mais, muito mais, porque o triunfo por 4/6, 7/6(5) e 6/2 veio em cima do compatriota e algoz habitual Roger Federer.

O resultado significa que Wawrinka não apenas jogou um patronus em outro dementador, mas assumiu a liderança da Corrida da ATP. Traduzindo: Stan, campeão do Australian Open, de Chennai e, agora, de Monte Carlo, é o tenista que mais somou pontos em 2014. São 3.535, contra 3.050 de Novak Djokovic, 2.920 de Roger Federer e 2.780 de Rafael Nadal. Uma temporada que, com lesões aqui e ali, certamente está mais equilibrada do que se imaginava.

A final deste domingo demorou a esquentar. Até porque o início foi, tecnicamente falando, bem abaixo das expectativas. Wawrinka começou atacando demais – e errando demais. Federer, inteligentemente, adotou uma postura mais cautelosa. Também cometeu erros, mas levou vantagem e fez 6/4, mesmo disparando apenas cinco winners e cometendo 12 erros não forçados.

O segundo set começou com uma quebra de Wawrinka, mas três erros não forçados deram a Federer a chance de quebrar de volta. Uma linda passada de backhand na paralela, então, igualou o placar. Parecia aquela velha tendência. Stan joga bem, cria chances e acaba sucumbindo antes do fim. Só que é um ano diferente para Wawrinka. Antes do fim da parcial, o número 3 do mundo encontrou um balanço na sua agressividade. Não parou de atacar, mas correu menos riscos desnecessários. Deu certo. No tie-break, não cometeu nenhum erro não forçado e fez 7/6(5), estendendo a partida.

Quando o terceiro set começou, a confiança de Stan era outra. Sem errar, forçou falhas de Federer, ganhou pontos em ralis do fundo de quadra, em subidas à rede, em belos saques… Abriu 4/0 e transformou os quatro games seguintes em protocolo. Firme até o fim, manteve a dianteira até levantar o troféu.

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Sem ir na toalha (para ler em até 25 segundos):

– A última partida em Monte Carlo foi a primeira final entre suíços desde Marselha/2000, quando Federer encarou Marc Rosset e perdeu. O ex-número 1 do mundo jamais derrotou um compatriota em uma decisão.

– O histórico em confronto diretos agora aponta 13 vitórias de Federer contra apenas duas de Wawrinka. Os outro triunfo de Stan, curiosamente, aconteceu justamente em Monte Carlo, nas oitavas, em 2009. Federer, após quatro finais, jamais foi campeão no Principado. Em 2006, 2007 e 2008 caiu diante de Rafael Nadal.

– Com o título, Wawrinka continua como número 3 do mundo, deixando Federer em quarto. As posições se inverteriam caso o resultado da final fosse outro.

– É o primeiro título de Wawrinka em um Masters 1.000. O atual campeão do Australian Open já havia disputado duas finais em torneios deste porte, mas foi superado por Djokovic em Roma/2008 e por Nadal em Madri/2013.

– Vale a curiosidade: o torneio de Monte Carlo agora é o único Masters 1.000 cujo título não está nas mãos de Rafael Nadal ou Novak Djokovic.


A fama que dói
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Alexandre Cossenza

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Já faz algum tempo que Novak Djokovic cuida bem de seu corpo. Desde 2011, quando elevou seu tênis a outro patamar e arrancou até alcançar o posto de número 1 do mundo, o sérvio teve relativamente poucos problemas físicos. Uma torção no tornozelo aqui, uma dorzinha ali, mas foram raras as vezes em que algo lhe forçou a desistir de uma partida. Só que nem sempre foi assim, o que explica Djokovic ter ficado em quadra mesmo sem condições de ameaçar Roger Federer neste sábado, nas semifinais do Masters de Monte Carlo. Nole começou a sentir mais as dores no punho direito depois de perder o primeiro set. Na metade da segunda parcial, a partida era uma formalidade. No fim, o suíço venceu por 7/5 e 6/2 e avançou à final.

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E quando escrevo que nem sempre foi assim, lembro que um punhado de abandonos de Djokovic lhe deixou com uma reputação nada agradável. Até o politicamente correto Roger Federer chegou a fazer comentários nada amistosos sobre o “hábito” do sérvio. Noel já tem no currículo desistências em três dos quatro Grand Slams, e houve um tempo em que fazia-se piada sobre um eventual “retirement slam” de Djokovic, ou seja, abandonos nos quatro principais torneios do circuito mundial. Vale lembrar dos casos mais famosos:

ATP de Umag, 2006, final

Djokovic fazia a final contra Stanislas Wawrinka e reclamava de problemas respiratórios. Quando perdia o tie-break do primeiro set por 3/1, Nole deitou-se no chão e não levantou. Seu pai e um médico entraram às pressas na quadra, e a partida terminou ali.

Roland Garros, 2006, quartas de final

Depois de perder o primeiro set para Rafael Nadal por 6/4, Djokovic pediu atendimento alegando dores nas costas. Ao perder também a segunda parcial por 6/4, abandonou a partida (vale recordar que Nole havia abandonado um jogo no saibro de Paris também no ano anterior, em 2005).

Wimbledon, 2007, semifinal

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Nadal vencia por 3/6, 6/1 e 4/1 quando Djokovic deixou a quadra. “Não é só uma bolha, é uma grande infecção causada pela partida de ontem e não durmi a noite inteira porque sangrava muito. Eu mal conseguia andar esta manhã. Não foi só isso. Também minhas costas foram um problema nos últimos dias e, basicamente, meu corpo inteiro. Estou muito cansado e exausto”, foi a explicação do sérvio.

Neste caso aqui, em que o sérvio fala sobre cansaço, faz-se necessária uma ressalva: a edição 2007 de Wimbledon foi castigada por muitos dias de chuva. Nadal e Djokovic, por exemplo, só concluíram a terceira rodada na quarta-feira da segunda semana. O espanhol, vice-campeão naquele ano, precisou entrar em quadra todos os dias, de quarta a domingo.

Monte Carlo, 2008, semifinal

Perdendo por 6/3 e 3/2 para Roger Federer, Djokovic abandona citando tontura e garganta inflamada. Em janeiro do ano seguinte, após outra desistência (já, já, chegamos lá) o suíço daria uma declaração pesada: “Ele não é um cara que nunca desistiu antes. É decepcionante ver. Ele desistiu contra mim em Mônaco, no ano passado, por causa de uma garganta inflamada. Quero dizer, é o tipo de coisa que te deixa imaginando. Eu só abandonei uma vez na minha carreira”.

Australian Open, 2009, quartas de final

Andy Roddick vencia por 6/7, 6/4, 6/2 e 2/1 quando o sérvio desistiu da partida por causa do calor de Melbourne. Foi justamente após essa partida que Federer deu a declaração acima. Roddick, por sua vez, esperou até o US Open daquele ano para alfinetar Djokovic e citar, de forma irônica, seus muitos problemas físicos. Indagado sobre uma possível lesão em um dos tornozelos do adversário, o americano respondeu: “Não são os dois? E as costas? E o quadril? E cãibra, gripe aviária, antraz, tosse e resfriado?”. E completou: “Se tem algo, tem algo. Só que é muito. Ou ele chama o fisioterapeuta rápido demais ou é o cara mais corajoso de todos os tempos”. Veja no vídeo abaixo.

Ah, sim: Djokovic respondeu na quadra, eliminando Roddick do US Open e com uma postura irônica na entrevista pós-jogo, o que lhe rendeu vaias do público no Estádio Arthur Ashe.

Coisas que eu acho que acho:

– Quando saiu de quadra, após a derrota, Djokovic ainda não sabia que tipo de lesão era, o que é sempre preocupante. “Ouvi tantas coisas nos últimos 10 dias”, revelou. O número 2, contudo, tratou de acalmar os jornalistas: “O bom é que não preciso de uma cirurgia. Não sofri uma ruptura nem nada do tipo. Vou ver os médicos hoje à noite e, amanhã, passar por outra ressonância para ver se algo mudou nestes sete dias desde que passei pela primeira”, completou.

– Que a lesão não tenha se agravado por causa dos games que Djokovic não precisaria ter disputado caso tivesse abandonado. De qualquer modo, é compreensível a postura do sérvio em um momento delicado. Se abandona, é criticado por deixar a quadra enquanto estava perdendo. Se fica em quadra, corre o risco de comprometer o corpo e os próximos torneios. Não tem saída fácil.

– Roger Federer e Stanislas Wawrinka fazem a final de simples. Em jogo, o posto de número 3 do mundo. Federer, claro, tem a vantagem em confrontos diretos, com 13 vitórias em 14 jogos. O único triunfo de Wawrinka, contudo, foi justamente em Monte Carlo, em 2009.

– O Brasil terminou o primeiro dia perdendo da Suíça por 2 a 0 na Fed Cup, no confronto disputado em Catanduva, que vale vaga no Grupo Mundial II. Escreverei sobre o confronto após o fim, no domingo.


Sobre momentos, tendências e teorias apocalípticas
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Alexandre Cossenza

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Rafael Nadal perdeu para David Ferrer: 7/6(1) e 6/4. A frase anterior, contudo, diz pouco. Analisemos o contexto. Nadal perdeu para Ferrer no saibro, algo que não acontecia desde 2004, e foram 17 partidas nesse período! Tem mais: Nadal perdeu para Ferrer em Monte Carlo, onde o número 1 do mundo já foi campeão oito vezes e acumulava apenas duas derrotas em toda carreira. E não acabou: Nadal perdeu para Ferrer cometendo 44 erros não forçados. Não me lembro de ter visto tantas falhas de Nadal na terra batida em dois sets.

Quem lê o blog, sabe que passo longe de adotar as teorias apocalípticas – aquelas, por exemplo, que aposentaram Federer meia dúzia de vezes -, mas acho que vale ao menos uma reflexão o raro resultado desta sexta-feira. Nem tanto no que diz respeito ao status da carreira de Rafael Nadal, mas na questão mais, digamos, momentânea, que é a forma do número 1 do mundo no início da temporada europeia de saibro, a parte mais importante de seu calendário.

Há pelo menos duas maneiras de encarar a atuação de Nadal. A primeira delas é a simples constatação de que foi um dia ruim – e os 44 erros são prova disso. Combinado a uma atuação competente, embora nada espetacular, de David Ferrer, o desempenho abaixo da média de Nadal resultou em uma derrota por 2 sets a 0. Em uma visão otimista do cenário, é só o primeiro evento de saibro na Europa, o espanhol defendia “apenas” o vice-campeonato e resta bastante tempo para que ele calibre seus golpes e chegue em forma a Roland Garros.

Um segundo modo de ver o jogo não é tão animador. Sim, é verdade que Nadal jogou mal, mas também é inegável que ele já teve dias abaixo da média em Monte Carlo e sempre conseguiu sair de buracos (oito títulos consecutivos, de 2005 a 2012, são prova disso). Mais: não é seu primeiro dia ruim em 2014. Depois da bolha e da lesão nas costas sofrida em Melbourne, Nadal fez um Rio Open abaixo da média (o título é consequência/outra prova de sua superioridade no piso), sofreu uma queda precoce em Indian Wells e foi vice em Miami, com uma final um tanto decepcionante. Não é a melhor das temporadas para o homem.

Entretanto, como sempre quando envolve tenistas desse nível, a velha ressalva se faz necessária. Nadal, assim como Federer e Djokovic, já fez campanhas impecáveis, temporadas que merecem dúzias de adjetivos. Quando nem tudo acontece conforme esses padrões super-humanos, é normal que fãs e críticos levantem pontos de interrogação e teorias apocalípticas. Talvez não seja para tanto, mas vale a constatação de que o momento de Nadal e a ótima fase de Djokovic parecem conspirar para levar o trono de número 1 do mundo de volta para a Sérvia.

Coisas que eu acho que acho:

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– Sem querer comparar, mas inevitavelmente comparando, Djokovic fez um começo de jogo abaixo da crítica e, aos poucos, encontrou uma maneira de derrotar Guillermo García-López. Não, GGL não é David Ferrer, mas fez um grande jogo até o fim do segundo set. Teve um 15/40 e sacaria em 4/3 no segundo set se tivesse convertido um break point. O atual campeão de Monte Carlo, contudo, foi brilhante a partir desse game e arrancou para a vitória por 4/6, 6/3 e 6/1. Não é todo mundo que lembra, mas Nole passou aperto em um punhado de jogos naquela sequência de 43 vitórias. Sempre elevou seu jogo nos momentos mais importantes.

– Federer também passou por aperto. Perdeu o set inicial para um calibrado Tsonga e, na segunda parcial, desperdiçou um caminhão de break points (foram dez só naquele set e 17 em toda partida) até se deparar com a necessidade de sacar em 0/30, com 5/6 no placar. Federer também esteve a dois pontos da derrota quando perdeu três set points e viu Tsonga empatar o tie-break em 6/6, mas o francês tampouco aproveitou as oportunidades que teve. No fim, o suíço venceu com folga o terceiro set: 2/6, 7/6(6) e 6/1. Encara Nole na semi.


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