Saque e Voleio

4 perguntas sobre o saibro que Monte Carlo vai começar a responder

Alexandre Cossenza

15/04/2018 07h00

A temporada europeia de saibro começa nesta semana, com um Masters 1.000 e uma chave interessantíssima em Monte Carlo. O torneio do principado – cuja chave principal já tem três joguinhos no domingo – marca o início da preparação para Roland Garros e é lá que o cenário começa a se desenhar rumo ao slam da terra batida. É com isso em mente que a gente já pode ficar de olho em quatro temas que devem ser recorrentes até o circuito chegar a Paris. É no Masters de Monte Carlo que as respostas para essas perguntas vão começar a aparecer…

1. Nadal é capaz de repetir 2017?

Rafael Nadal tem 2.680 pontos a defender nas próximas cinco semanas e mais 2 mil em Roland Garros. Roger Federer está apenas 100 pontos atrás do espanhol no ranking, então qualquer vacilo do rei do saibro significará a perda do posto de número 1 do mundo.

A grande questão aqui é a mesma de quase todos os anos: Nadal será capaz de manter seu domínio na superfície? Será que ele vai defender todos os pontos que conquistou em 2017? É tentador – e ao mesmo tempo verdadeiro – dizer que 4.680 “é ponto demais” para alguém defender, só que o histórico de Nadal no saibro nos obriga a jogar fora considerações que seriam absolutamente normais para outros tenistas. Estamos falando, afinal, de alguém que tem dez títulos de Roland Garros, outros dez de Monte Carlo, sete de Roma, cinco de Madri e mais dez de Barcelona.

Nadal, aliás, somou mais de 4 mil pontos no saibro europeu em 2005, 2006, 2007, 2008, 2010, 2011, 2012, 2013 e 2017. Ainda que não tenha sido rotina nos últimos quatro anos, é preciso considerar que o circuito não tem seus principais adversários – Djokovic, Murray e Wawrinka – em grande forma. Não é nada impossível que Nadal dê as cartas mais uma vez. E se a Copa Davis contra a Alemanha serve de indício, o espanhol vai começar a sequência de torneios em bom nível. Se não foi espetacular contra Kohlschreiber e Zverev, Rafa venceu ambos com folga.

De qualquer modo, Monte Carlo dá menos margem de erro (melhor de três sets) e exige mais do físico (jogos em dias seguidos). Vamos ver como este Nadal de 31 anos lida com isso.

2. O que esperar de Thiem?

Dominic Thiem é possivelmente o menos relevante dos top 10 na quadra dura. No saibro, entretanto, vale o inverso. Em 2017, o austríaco fez as finais de Barcelona e Madri contra Nadal e eliminou o espanhol em Roma. Em Roland Garros, tombou apenas diante de Nadal. Ele foi, sem dúvida, o segundo nome da terra batida. Seu jogo é perfeito para o piso, que maximiza seus pontos fortes (preparo físico, top spin e movimentação) e minimiza suas características não tão fortes (devolução, saque e jogo de rede).

Desta vez, o austríaco vem de uma lesão no tornozelo – algo delicado para quem tanto precisa deslizar com confiança no saibro. Monte Carlo será seu primeiro torneio após o abandono em Indian Wells. Talvez seja cedo demais para esperar algo de Thiem, mas a grande pergunta aqui é o que ele pode fazer em Roland Garros. Logo, o torneio monegasco nos mostrará suas condições atuais e, quem sabe, dará um indício de quanto o número 7 do mundo pode evoluir até Paris.

3. Marian Vajda é capaz de resgatar “aquele” Djokovic?

Já escrevi um bocado recentemente sobre Novak Djokovic nos últimos meses. No post mais recente, opinei que ele “precisa de uma intervenção”. Nole, afinal, tinha acabado de sofrer derrotas em Indian Wells e Miami, além de se separar dos técnicos Andre Agassi e Radek Stepanek. Faltou muita coisa em seu tênis e, principalmente, em sua atitude.

Pois Nole apareceu treinando com Marian Vajda em Marbella na última semana. Ainda que desta vez não seja uma parceria permanente (não se sabe o que vai acontecer depois de Monte Carlo), Vajda foi quem colocou o sérvio no auge. Esteve junto até quando Boris Becker se juntou ao time. É justo acreditar que o treinador sabe mais do que ninguém como tirar o máximo de Djokovic. Talvez seja ele a pessoa perfeita para a intervenção de que falei.

Será interessantíssimo ver se algo muda para Djokovic em Mônaco, com Vajda novamente em seu box. Até o torneio começar, só uma certeza: a chave é dura. Nole pode encarar Borna Coric na segunda rodada, Dominic Thiem nas oitavas e Rafael Nadal nas quartas.

4. Quem será a surpresa do saibro em 2018?

Ainda que os títulos fiquem quase sempre em mãos conhecidas (Nadal, Djokovic, Murray e Wawrinka), todo ano aparece alguém que ganha embalo no saibro e chega mais badalado em Roland Garros. Ano passado, tivemos Thiem como a principal ameaça a Nadal e Zverev campeão de Roma.

Em 2016, foi Murray quem teve resultados surpreendentemente consistentes no piso. Em 2014, “Clay” Nishikori venceu Barcelona e quase bateu Nadal em Madri (lesionou-se na final). Quem será o nome “diferente” desta vez? Ou melhor, haverá um nome diferente em 2018? As condições, lembremos, são propícias. Federer, Murray e Wawrinka estão fora, Thiem vem de lesão e Djokovic andou longe de ser “aquele” Djokovic. A janela está escancarada.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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