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Categoria : Roland Garros

Como Sharapova foi de suspensa a favorita para Roland Garros em três jogos
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Alexandre Cossenza

Depois de 15 meses de suspensão por doping, Maria Sharapova voltou às quadras na última quarta-feira, dia 26 de abril, no WTA de Stuttgart. Cerca de 48 horas e três vitórias depois, a russa, que ainda nem aparece no ranking mundial, já é favorita ao título de Roland Garros. Quem diz isso são as casas de apostas, e elas têm bons motivos para colocar a ex-número 1 no alto de suas listas.

Primeiro, as cotações: na australiana Sportsbet, um título de Sharapova paga 8/1, ou seja, oito dólares para cada um apostado na russa – é a mesma cotação de Simona Halep; na britânica William Hill, a principal favorita é Garbiñe Muguruza (9/2), seguida de Halep (6/1) e Sharapova (7/1); e na casa virtual Bet365, a russa lidera as cotações (7/1), novamente empatada com Halep (7/1) e com Muguruza (7,50/1) logo atrás. Veja as listas no tweet abaixo.

Mas como alguém sobe tão rápido assim nas cotações? Não é tão difícil entender. A começar pelo nível de tênis que Sharapova apresentou até agora. Ainda que seus triunfos tenham vindo sobre tenistas fora do top 30 (Vinci, Makarova e Kontaveit), a ex-número 1 foi sólida, cuidou bem de seus games de serviço e deu raras chances às rivais. Seu tênis, bem adaptado ao saibro ao longo da carreira, trouxe excelentes resultados no piso recentemente. Em Roland Garros, foram 20 vitórias em 21 jogos de 2012 ate 2014. Ninguém não chamado Serena Williams mostrou tanta consistência assim nos últimos anos no slam francês.

A ausência da americana (grávida) é outro fator a favor de Sharapova nesta temporada de saibro. Serena é a única tenista do circuito atual que tem triunfos regulares contra a russa. E não é só isso. Victoria Azarenka e Petra Kvitova também estão afastadas (não que seu histórico na terra batida seja espetacular), e Angelique Kerber faz uma péssima temporada. Por fim, Muguruza e Halep, que dividem a “liderança” nas casas de apostas com Maria Sharapova, são tão previsíveis e consistentes quanto o humor de Bernard Tomic.

Outro motivo é a questão financeira. Afinal, o objetivo de toda casa de apostas é fazer dinheiro. Logo, é preciso considerar o potencial de Sharapova. É óbvio que é muito cedo para fazer previsões para daqui a um mês (a chave principal começa no dia 29 de maio), mas não é nada impossível que a bicampeã de Roland Garros ganhe ritmo em Roma e Madri e chegue ao slam francês jogando um tênis ainda melhor. Listar Sharapova como favorita agora evita que muitas pessoas apostem agora e embolsem um prêmio gordo lá na frente. Já pensaram se Sharapova estivesse cotada em 20/1 e cada apostador colocasse 100 dólares nela? Daria um prejuízo enorme.

Com tudo isso em mente, é justificável a postura de quem vive do dinheiro de apostadores. Mesmo levando em conta que Sharapova ainda nem tem a certeza de que vai estar na chave principal em Paris…

Coisas que eu acho que acho:

– Se Sharapova foi brilhante dentro da quadra, não dá para dizer o mesmo de sua postura nas entrevistas coletivas. Em vez de responder perguntas relevantes sobre seu retorno e ainda sobre o doping (já que as entrevistas concedidas durante a suspensão foram todas leves, sem perguntas duras), a ex-número 1 ou se esquivou ou debochou de jornalistas. Em alguns casos, fez os dois.

– A começar pela pergunta de quinta-feira sobre se ela havia encontrado um medicamento alternativo para tratar seus problemas de saúde. Sharapova respondeu que “essa informação é entre mim, a WTA e o médico ortopedista com quem estou trabalhando agora.”

– Na sequência, respondeu apenas com “next question” quando um jornalista indagou se ela estava trabalhando com mais alguém para tratar os problemas de diabetes e cardíacos que ela mencionou quando falou na primeira vez sobre seu caso de doping.

– Nesta sexta, indagada se sua equipe tinha ficado chateada quando descobriu os medicamentos que ela tomava para sua saúde, a russa se esquivou de novo e se deu, inclusive, o direito de julgar a pergunta. Falou que a questão era inadequada, deu um risinho irônico e pediu que fosse feita outra pergunta, por outra pessoa.

– Sharapova também debochou quando um jornalista se apresentou como funcionário do “Sun”, respondendo um “oh, deus” e perguntando se o “Sun” já havia mandado alguém a Stuttgart antes.

– Não, ninguém é obrigado a responder nada. Porém, no caso de Sharapova, um doping que envolveu justificativas questionadas por muita gente (e pelo tribunal que a condenou), quanto menos ela esclarecer, mais margem dá para especulações e para que quem não acreditou nas suas justificativas siga sem acreditar em suas boas intenções. O deboche, então, é mais difícil ainda de defender.

– Sobre o possível (ou provável?) wild card para Roland Garros, o torneio francês disse que só vai fazer o anúncio no dia 16 de maio. Assim, o torneio ganha tempo e foge de polêmicas. Isso também faz bem para Sharapova, que já vem mostrando ótimo nível de jogo. Com mais vitórias e mais resultados, ficará difícil para a organização do torneio negar o benefício.


Novak Djokovic, o (generoso) campeão de tudo
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Alexandre Cossenza

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Os quatro últimos grandes torneios de tênis têm um só dono. A frase que abre este post – ou qualquer paráfrase – não era escrita desde 1969, quando o australiano Rod Laver venceu Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open. Hoje, 47 anos depois, Novak Djokovic tornou-se o terceiro homem da história mais do que centenária do tênis a alcançar tal feito.

Foi a garrafa de champanhe mais gelada dos últimos tempos. O título do Slam francês esteve perto nos cinco anos anteriores, mas sempre lhe escapou. De muitas maneiras, Djokovic e sua longa caminhada em Paris foram vítimas de um destino que colocou o sérvio na geração de fenômenos como Roger Federer e Rafael Nadal (e Stan Wawrinka tem sua parcela aqui também).

A lacuna no currículo de Djokovic não podia continuar até o fim da carreira. Não quando o cidadão mostra um domínio raramente (jamais?) visto no tênis. Não quando ele está sempre nas finais. Não, não podia. E não aconteceu. Andy Murray não conseguiu parar o #1 do mundo neste domingo. Quando encontrou seu ritmo, Djokovic disparou rumo à linha de chegada como Usain Bolt batendo no peito e cantando I Shot The Sheriff. O Career Slam está completo e abre caminhos para mais conquistas espetaculares. Feitos que só os gigantes do esporte realizaram.

O generoso coração

Djokovic pediu permissão a Guga e foi atendido. Caso vencesse o torneio pela primeira vez este ano, desenharia na quadra um coração e se deitaria nele, como o brasileiro fez duas vezes em 2001. Aconteceu.

Há quem chame Djokovic de marqueteiro. Prefiro ver o caso deste domingo por outro ângulo. Em um momento tão esperado e que era de sua – e só sua – consagração no tênis, o sérvio optou por lembrar um grande campeão. Não consigo enxergar egoísmo, falsidade ou publicidade nisso. Apenas generosidade.

No vídeo (uma ação da Peugeot) em que pediu permissão ao brasileiro, Djokovic disse que o coração de Guga, desenhado no saibro da Chatrier, foi o momento mais emocionante que viu em um torneio de tênis. De novo: um cidadão que ganhou 12 Slams e tem os quatro maiores títulos ao mesmo tempo tirou um minuto de seu grande momento para lembrar um tricampeão. Acho louvável.

A final

O primeiro set foi tenso para o número 1. Mesmo depois de abrir o jogo com uma quebra, Djokovic parecia ainda sentir a importância do momento. Seu forehand não estava tão seguro, e Murray aproveitou para agredir o segundo serviço. O britânico venceu quatro games seguidos e manteve a dianteira até fazer 6/3. O último game, mais nervoso de todos, incluiu uma chamada polêmica do árbitro de cadeira, uma nervosa reclamação de Djokovic e muitas vaias do público.

A segunda parcial foi totalmente diferente – e deu o tom do resto da partida. Nole quebrou na primeira chance e disparou, fazendo 3/0. Aos poucos, seus erros quase sumiram. Ao mesmo tempo, as falhas de Andy ficaram mais frequentes. A balança começou a pender para o outro lado. E quando a maré fica a favor de Djokovic, todo mundo sabe o que acontece: 6/1.

Vendo que o número 1 já estava em seu nível “normal” – que, para a maioria dos tenistas também leva o nome de “espetacular” – Murray tentou variações. Buscou encurtar pontos, atacar antes e mais cedo. Djokovic teve respostas para tudo. Chegou em curtinhas com contra-ataques espetaculares. Não deu nada de graça no fundo de quadra. Dominou o segundo serviço do escocês. Um beco sem saída.

Murray só achou uma pequena fresta aberta no fim do quarto set, quando Djokovic aparentemente sentiu o momento. Foi quebrado sacando em 5/2 e, depois, com 5/4 a favor, perdeu dois match points e permitiu que o britânico igualasse o game. O jogo ficou emocionante outra vez, mas por pouco tempo. A fresta se fechou, e Djokovic finalmente conquistou o título que faltava: 3/6, 6/1, 6/2 e 6/4.

Os feitos

Novak Djokovic é o terceiro nome da história do tênis a vencer os quatro Slams em sequência, mas não necessariamente no mesmo ano. Antes dele, só Don Budge e Rod Laver. Nem Federer nem Nadal. Budge (1938) e Laver (1962 e 1969) também são os únicos homens a completarem o Grand Slam de fato (todos no mesmo ano) nas simples.

Consequentemente, Djokovic também estende seu recorde de vitórias consecutivas em Slams. São 28 agora, com a última derrota vindo na final de Roland Garros do ano passado. Antes, o sérvio havia somado 27 triunfos seguidos de Wimbledon/2011 até Roland Garros/2012, quando perdeu a decisão para Rafael Nadal.

O sérvio também entra na lista de tenistas que completaram o chamado Career Slam, ou seja, venceram os quatro, mas não necessariamente em sequência nem no mesmo ano. Ele é o oitavo a conseguir o feito. Os outros são Andre Agassi, Don Budge, Roy Emerson, Roger Federer, Rod Laver, Rafael Nadal e Fred Perry.

Djokovic agora também ocupa o alto da lista de campeões que mais demoraram a conquistar Roland Garros. O sérvio vence em sua 12ª participação no torneio. A marca anterior pertencia a quatro nomes. Todos venceram na 11ª tentativa: Andre Agassi, Andres Gomez, Roger Federer e Stan Wawrinka.

A expectativa

Após o título deste domingo, Djokovic tem pela frente expectativas enormes. O sérvio, afinal, é o primeiro tenista a vencer o Australian Open e Roland Garros no mesmo ano desde Jim Courier, em 1992. Logo, o atual número 1 tem a chance de:

– Completar o Grand Slam de fato, vencendo os quatro Slams no mesmo ano. Ninguém faz isso desde Rod Laver, em 1969;
– Completar o Golden Slam, vencendo os quatro e conquistando o ouro olímpico. Nunca aconteceu na história do tênis masculino; e
– Completar o Career Golden Slam, vencendo o torneio olímpico de tênis, mesmo que não consiga triunfar em Wimbledon e no US Open nesta temporada. Até hoje, só Andre Agassi e Rafael Nadal conseguiram.

O reconhecimento

Andy Murray, que fez uma bela partida e tentou até o fim encontrar uma maneira de mudar a balança da partida, foi brilhante na escolha de palavras durante o discurso de vice-campeão. Disse que o feito do sérvio é fenomenal, que vencer os quatro Slams é algo tão raro que vai demorar a acontecer novamente. E terminou dizendo “é chato perder a partida, mas estou orgulhoso de fazer parte do dia de hoje.”

O ranking

Após a final deste domingo, o top 10 masculino ficou assim:

1. Novak Djokovic
2. Andy Murray
3. Roger Federer
4. Rafael Nadal
5. Stan Wawrinka
6. Kei Nishikori
7. Dominic Thiem
8. Tomas Berdych
9. Milos Raonic
10. Richard Gasquet

As mudanças mais relevantes foram a subida de Rafael Nadal para número 4 do mundo, deixando Stan Wawrinka em quinto – o que tem peso considerável na formação das chaves dos próximos torneios, impossibilitando mais um duelo entre Nadal e Djokovic ou Murray antes das semifinais – e a entrada de Dominic Thiem no top 10, na sétima posição, a melhor de sua carreira até agora.

O bolão impromptu do dia

O vencedor de hoje foi o Bruno de Fabris, que errou a duração do jogo por apenas dois minutos. A partida teve 183 minutos.

As campeãs de duplas

Nas duplas femininas, o título é de Kristina Mladenovic e Caroline Garcia, que derrotaram Ekaterina Makarova e Elena Vesnina por 6/3, 2/6 e 6/4. São as primeiras francesas a vencerem nas duplas em Roland Garros desde 1971.

Melhores lances

Uma combinação taticamente perfeita de Andy Murray, embora dificílima de executar: backhand angulado, curtinha na paralela, lob. Lindo de ver.

Obviamente, dar curtinhas contra Djokovic é uma estratégia arriscada. Exemplo 1:

Exemplo 2:

Exemplo 3:

Preciso dizer mais?


Muguruza, uma campeã mais Serena do que a própria Serena
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Alexandre Cossenza

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Posição firme na linha de base, empurrando consistentemente a adversária para trás. Saques precisos em break points. Coragem para agredir e arriscar em momentos delicados. Precisão, potência e profundidade. Três linhas que costumam definir Serena Williams, mas que hoje servem para descrever Garbiñe Muguruza, nova campeã de Roland Garros.

A espanhola de 22 anos fez uma final espetacular, sufocando e encurralando a número 1 do mundo justamente no estilo de jogo que a americana prefere. Neste sábado, Garbiñe Muguruza foi mais Serena Williams do que a própria Serena Williams. Confirmou o que todos viram ao longo de duas semanas. Foi ela que mostrou o melhor nível de tênis desde os primeiros dias deste Roland Garros.

A final

A número 1, que entrou em quadra com uma lesão no adutor (e jamais culpou a lesão pela derrota), até teve suas chances no set inicial. Muguruza quase sempre encontrou respostas. Tanto no quarto game, quando salvou dois break points, quanto no sexto, saindo de um 0/30. Por fim, no 12º, saiu de 15/40 para confirmar o saque e fechar a parcial.

Tudo ficou ainda mais claro quando Muguruza abriu a segunda parcial quebrando o serviço de Serena. A escalada seria dura para a americana, que até devolveu a quebra em seguida, mas perdeu o saque outra vez no terceiro game. Tanto quanto no mérito técnico, a espanhola foi louvável ao manter seu plano de jogo e não aliviar em momento algum. Não teve medo, não tirou o braço, não esperou erros da oponente. Manteve a pressão, impedindo que a americana estabelecesse uma posição mais perto da linha de base.

Muguruza tampouco titubeou quando teve o saque para fechar o jogo. Nem depois de perder quatro match points no saque de Serena. Ganhou quatro pontos seguidos, inclusive com um golpe de vista lamentável de Serena, que tinha a corda no pescoço. Jeu, set et match, Muguruza: 7/5, 6/4.

Uma marca inédita para Serena

Pela primeira vez na carreira, Serena Williams perdeu duas finais de Slam consecutivas, já que vinha de derrota também no Australian Open. Atual campeã de Wimbledon e líder folgada do ranking, a americana pode obter o raro feito de ocupar o topo do ranking sem ter um título de Slam na sua somatória caso não repita a conquista em Londres.

Serena agora soma vices em todos os quatro Slams. Além dos dois reveses deste ano, a americana perdeu finais no US Open em 2001 e 2011 e em Wimbledon nos anos de 2004 e 2008.

Os recordes que não vieram

Fosse campeã, Serena igualaria a marca de Steffi Graf, recordista de títulos em torneios do Grand Slam na Era Aberta (a partir de 1968) do tênis, com 22. O recorde geral é da australiana Margaret Court, que levantou 24 troféus. Serena também se tornaria a mais velha campeã da história de Roland Garros. A honra é da húngara Zsuzsi Kormoczy, campeã com 33 anos e 279 dias em 1958.

O ranking

Após a final deste domingo, o top 10 feminino ficou assim:

1. Serena Williams
2. Garbiñe Muguruza
3. Agnieszka Radwanska
4. Angelique Kerber
5. Simona Halep
6. Victoria Azarenka
7. Roberta Vinci
8. Belinda Bencic
9. Venus Williams
10. Timea Bacsinszky

A homenagem

Amélie Mauresmo foi homenageada pouco antes da partida. A cerimônia foi para lembrar sua entrada no Hall da Fama Internacional do Tênis e contou com vários nomes gigantes do tênis. Estavam na Chatrier Rod Laver, Billie Jean King, Yannick Noah, Guillermo Vilas e Guga, entre outros.

O bolão impromptu do dia

A pergunta era: quem será a campeã e quantos games terá a final?

Os campeões de duplas

Pelo segundo ano seguido, Bob e Mike Bryan foram vice-campeões de Roland Garros. O título, desta vez, ficou com os espanhóis Feliciano e Marc López, que venceram a final deste sábado por 6/4, 6/7(6) e 6/3.

O resultado impediu que Bob Bryan voltasse à liderança do ranking e colocou o francês Nicolas Mahut no topo da lista. Marcelo Melo, que perde a liderança, cai para o oitavo posto, logo à frente de Bruno Soares, que é o nono.

Melhores lances

Não foi exatamente um lance espetacular, mas reflete o que aconteceu em boa parte do jogo. Garbiñe Muguruza mais perto da linha de base, empurrando Serena Williams para trás e ditando o ponto. Neste caso específico, a espanhola abriu a quadra, se aproveitando da movimentação não tão boa da número 1 do mundo, e matou o ponto com a quadra aberta.


RG, dia 13: Muguruza, Serena, Djokovic e Murray. Quem está surpreso?
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Alexandre Cossenza

Choveu muito, houve zebras e partidas divertidas, mas treze dias de jogos depois, Roland Garros definiu seus finalistas no óbvio. Serena Williams e Garbiñe Muguruza na decisão feminina, Novak Djokovic e Andy Murray brigando pelo título no domingo. O resumo do dia analisa as quatro semifinais e o que esperar nos próximos dois dias de torneio. O texto também atualiza o cenário na briga pelo número 1 das duplas e traz vídeos de pontos interessantes, que ilustram os porquês de alguns dos resultados do torneio francês.

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Muguruza voando x Serena em modo avião

Por caminhos estranhos e menos espinhosos do que o previsto, deu o óbvio. Serena Williams (#1) e Garbiñe Muguruza (#4) farão a final de Roland Garros. O curioso mesmo é que algumas casas de apostas colocam a espanhola como favorita para derrubar a americana (outra vez) em Paris.

É curioso, mas compreensível. Muguruza foi a tenista que melhor jogou durante as duas semanas. Fora a primeira rodada descalibrada e que por pouco não se terminou numa grande zebra, a espanhola foi firme e passou por cima de toda chave, sem perder sets. Nem depois do susto de ser quebrada sacando para a final. A vitória sobre Sam Stosur, nesta sexta, foi relativamente tranquila, sem que a australiana liderasse em momento algum. No fim, o placar de 6/2 e 6/4 foi um bom reflexo do que aconteceu em quadra.

Serena, por sua vez, não anda bem das pernas – literalmente. Segundo Marion Bartoli, a americana vem lidando com uma lesão no adutor. Isso explica a movimentação limitada e a tentativa de limitar trocas longas. Na semifinal contra Kiki Bertens (#58), foi como se Serena estivesse jogando em modo avião – aquilo que a gente faz pra poupar bateria quando não encontra um carregador por perto para manter o celular ligado.

Foi um jogo interessante, mas só porque Bertens saiu na frente e sacou para fechar o primeiro set. O nível técnico ficou bastante aquém do esperado para uma semi de Slam – e até mesmo para qualquer partida envolvendo Serena Williams. Nem a holandesa fez uma partida excepcional enquanto liderou. O placar final, 7/6(7) e 6/4 refletiu um equilíbrio que só existiu porque a #1 esteve abaixo de seu normal.

A lógica é apostar no velho “se Serena jogar assim, não ganha”, mas é uma condicional bastante grande para uma final, até porque Serena confirmou a lesão sem dizer o quão séria ela é e também porque, como todo mundo sabe, a número 1 tem muito mais tênis do que mostrou na final. Ainda assim, não são nada ruins as chances de Muguruza. E não custa lembrar que sua única vitória sobre Serena aconteceu justamente em Paris.

Djokovic e Murray se encontram outra vez

Entre os homens, chegaram lá também os dois mais cotados desde o princípio para estarem na final. Djokovic mostrou que aproveitou bem a chave acessível para chegar em forma na decisão. Nesta sexta, diante de Dominic Thiem (#15), também deixou claro ainda estar pelo menos um nível acima do jovem e talentoso austríaco. Fez 6/2, 6/1 e 6/4 em um jogo que foi mais divertido do que equilibrado.

Thiem fez o possível, batendo forte na bola e tentando empurrar Djokovic para trás, mas ainda não possui a consistência para esse tipo de situação (melhor de cinco + semifinal de Slam + número 1 do mundo). Ainda conseguiu abrir 3/0 no terceiro set, dando um pouco de emoção ao duelo, mas o sérvio abafou a reação vencendo cinco games seguidos e deixando claro quem é quem.

O adversário será Andy Murray, décimo tenista da Era Aberta (desde 1968) a estar nas finais de todos os torneios do Grand Slam. A vaga foi conquistada com mais um plano de jogo inteligente e bem executado. Em quatro sets, encerrou a série de três derrotas para Stan Wawrinka: 6/4, 6/2, 4/6 e 6/2.

Não foi uma partida tão parelha quanto muitos esperavam, ainda que Wawrinka não tenha feito uma apresentação especialmente ruim. O suíço ficou naquilo que fez durante todo o torneio, e isso talvez diga muito sobre a chave fraquíssima que ele encontrou para alcançar a semi. Murray, em melhor forma e mais exigido quando jogou mal, chega à decisão bem forte.

O favorito para final é Djokovic, que joga por um punhado de feitos espetaculares. O Djokoslam (ganhar os 4 seguidos), o Career Slam (os quatro em anos diferentes), a dobradinha AO-RG (que ninguém faz desde 1992) e as chances de completar o Grand Slam de fato (os quatro no mesmo ano) e o Golden Slam (os quatro mais a medalha de ouro olímpica).

Tudo isso, claro, pode pesar contra o sérvio, que vem de uma derrota no saibro para Murray (final do Masters de Roma). Muita coisa, no entanto, pesa a favor. O histórico favorável contra o britânico, o “encaixe” dos estilos de jogo e sua maior consistência. Parece que todos disseram o mesmo no ano passado, antes da decisão contra Wawrinka, mas parece novamente que Novak Djokovic terá a melhor chance da carreira para triunfar em Roland Garros.

O Big Four de volta

Convém lembrar também que a derrota de Wawrinka na semifinal coloca Rafael Nadal de volta no quarto lugar do ranking mundial. Ou seja, o chamado Big Four estará novamente completo no alto da lista da ATP, embora continuem insistindo em dizer que o “Big Four acabou”.

O brasileiro

Marcelo Melo e Ivan Dodig deram adeus ao torneio nesta sexta-feira, derrotados nas semifinais. Os atuais campeões de Roland Garros foram derrotados pelos espanhóis Feliciano e Marc López (que, repito, não são irmãos) em uma partida nervosa que terminou com Dodig errando um voleio e cedendo a quebra decisiva no serviço do mineiro: 6/2, 3/6 e 7/5.

Com o resultado, o ranking de duplas terá um novo número 1. Marcelo Melo deixará o posto, que ficará com Nicolas Mahut ou Bob Bryan. O americano precisa conquistar o título para voltar ao topo. Caso contrário, o francês assumirá a ponta.

Se vira nos 30

Rafael Nadal completou 30 anos nesta sexta-feira em uma das raras oportunidades que teve de festejar seu aniversário junto com toda família em Mallorca. Na maior parte da última década, o espanhol soprou velinhas em Paris, rumo a um de seus nove títulos de Roland Garros.

A Telefónica, um de seus patrocinadores, preparou um vídeo cheio de gente conhecida dando os parabéns ao tenista. Até Casemiro (sim, o brasileiro do real Madrid) e Kaká fazem aparições.

Piada Pós-Paris

Eugenie Bouchard chegou à imigração na Holanda e teve de explicar o motivo de sua visita ao país: “torneio de tênis”. O oficial, então, perguntou à canadense se ela não deveria estar em Paris ainda…

Os melhores lances

Plasticamente, não aconteceu nada de espetacular no ponto abaixo, mas vale ver pelos 30 golpes do rali e pelo fantástico trabalho de construção de ponto que Djokovic fez até colocar Thiem na defensiva. Vale notar também o quanto o austríaco fez de força a mais do que o sérvio para manter-se no ponto. Uma aula.

Outro lance do sérvio. Velocidade, defesa, precisão, contra-ataque, potência. Em 20 segundos, o porquê de Djokovic ser o número 1 do mundo.

Para finalizar, um exemplo do que Murray fez em muitos momentos da partida. Ofereceu o lado direito, desafiando Wawrinka a atacar com a paralela de backhand, e ficou plantado na esquerda, esperando a chance de matar com seu melhor golpe, o backhand. No caso do ponto abaixo, um break point, Stan fugiu do backhand e deixou a quadra escancarada para a passada.


RG, dia 12: Sustos para Serena e Djokovic, sequência segue para Bertens
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Alexandre Cossenza

Aos poucos, Roland Garros vai pegando quase que no tranco. Nesta quinta-feira, ainda que com algumas interrupções por chuva, os poucos jogos de simples trouxeram momentos muito interessantes. Serena Williams esteve a cinco pontos de dar adeus; Novak Djokovic esteve a cinco centímetros (ou um pouco mais) de ser desclassificado; e Dominic Thiem esteve a um pontinho de precisar jogar cinco sets. O resumo do dia fala de todas as partidas de simples do dia, de como andam os brasileiros em Paris, de um livro escrito por um cachorro a até dos cães antibomba de Wimbledon.

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O número 1

Novak Djokovic fez seu melhor jogo no torneio, ponto. Veio em boa hora porque Tomas Berdych (#8) teve uma atuação bem digna, brigando em todos os sets. O tcheco se recuperou de uma quebra de desvantagem na segunda parcial e até abriu o terceiro set na frente. Ainda assim, o número 1 do mundo estava firme nesta quinta. Devolveu com agressividade, usou bem curtinhas e lobs, explorou a movimentação ruim do rival e fez 6/3, 7/5 e 6/3. Continua tão favorito como sempre.

O susto

Djokovic só esteve perto da eliminação quando, ao descontar a raiva momentânea, um quique inesperado da raquete fez com que ela saísse do controle do tenista e quase atingisse um dos juízes de linha. Não fosse a agilidade do árbitro, haveria motivo suficiente para a desclassificação do número 1.

Correndo por fora

Dominic Thiem (#15) e David Goffin (#13) fizeram mais uma edição do que eu gosto de chamar de clássico-dos-tenistas-mais-talentosos-que tomam-as-piores-decisões-em-momentos-cruciais. O jogo não decepcionou, com vários lances empolgantes e muitos golpes mal escolhidos. Logo, houve equilíbrio e muitas quebras nos três primeiros sets. Primeiro, Goffin saiu uma quebra atrás e venceu o primeiro set. Depois, sacou para a segunda parcial, teve set point (vide tweet abaixo) e viu Thiem conseguir a virada. O austríaco também saiu de 2/4 para vencer nove games seguidos e disparar até fechar em 4/6, 7/6(7), 6/4 e 6/1.

Ainda que tenha contado com uma boa dose de sorte na chave, Thiem aproveitou as chances e chegou, portanto, a sua primeira semifinal em um torneio do Grand Slam. Será um claro azarão contra Djokovic, mas um azarão perigoso. Se o sérvio deixá-lo jogar (como costuma fazer com Wawrinka), corre risco de passar um aperto. Minha opinião é que o cenário mais provável será Thiem agredindo até errar, com o número 1 apostando na consistência e arriscando pouco. O austríaco precisará de um dia espetacular para vencer.

A número 1

Não foi um bom primeiro set para Serena Williams diante de Yulia Putintseva (#60). Cometendo muitos erros (24 não forcados ao todo), a número 1 foi vítima de uma estratégia inteligente e bem executada da cazaque: paciência, bolas altas e fundas e poucos riscos. A quadra pesada também ajudou Putintseva, que só cedeu dois pontos em erros não forcados, saiu na frente e seguiu resistindo na segunda parcial, mesmo cedendo uma quebra no início.

Serena escapou por pouco. Esteve a um ponto de ver a adversária sacar para o jogo, mas salvou o break point no 4/4 e ganhou uma quebra decisiva quando a cazaque cometeu uma dupla falta no set point. Com a #1 jogando melhor e falhando menos, Putintseva não teve como manter o ritmo, embora tenha “brigado” até o último game. Jeu, set et match, Williams: 5/7, 6/4 e 6/1.

A zebra

A adversária de Serena na semifinal será Kiki Bertens (#58), que deu mais uma passo em uma sequência espetacular que começou no qualifying do WTA International de Nuremberg, mais de uma semana atrás, e chega agora a 12 triunfos. Depois do título no torneio de aquecimento para Roland Garros, a holandesa já derrubou mais duas top 10. Na estreia, bateu Angelique Kerber. Nesta quinta, a vítima foi Timea Bacsinszky (#9), por 7/5 e 6/2.

Foi um jogo equilibrado e cheio de quebras na primeira parcial. Bertens esteve uma quebra atrás em três oportunidades, mas foi superior nos momentos decisivos, salvando um break point no 11º game e quebrando a suíça no 12º. Na segunda parcial, saiu na frente, abrindo 4/0 e segurando uma reação de Bacsinszky, que devolveu uma das quebras e teve três break points para “voltar” no jogo.

O público

O ponto negativo de Roland Garros neste quinta-feira foi o público. A quadra Suzanne Lenglen, segunda maior do complexo não esteve perto de sua lotação em momento algum. A quantidade de espectadores, que já era minúscula quando Thiem e Goffin abriram a programação, às 13h, era patética às 17h30min (horários locais), quando Bacsinszky e Bertens brigavam por uma vaga na semifinal feminina (vide tweet abaixo).

É mais uma prova de como a organização de Roland Garros reage mal a imprevistos. Pela programação original, não haveria jogos de simples na Lenglen nesta quinta-feira. No entanto, sabe-se desde terça que mudou tudo. Ainda assim, o torneio não conseguiu atrair um número decente de espectadores para ver duas quartas de final de um torneio do Grand Slam.

A programação de sexta-feira tem dois jogos na Lenglen. Muguruza x Stosur e Djokovic x Thiem. Roland Garros está vendendo esses ingressos por dez euros. Será que assim vai lotar?

Os brasileiros

Nas duplas mistas, Bruno Soares foi eliminado nas quartas de final. Ele e Elena Vesnina perderam para a parceria de Leander Paes e Martina Hingis: 6/4 e 6/3.

Marcelo Melo não entrou em quadra, mas ficou sabendo quem serão seus adversários nas semifinais. Feliciano e Marc López (que não são irmãos, embora há quem fale isso por aí) salvaram seis match points e derrotaram os franceses Julien Benneteau e Edouard Roger-Vasselin por 3/6, 6/4 e 7/6(7). Feliciano saiu da quadra para o banho de gelo.

Enquanto isso, do lado de fora da quadra, Gustavo Kuerten foi anunciado como novo embaixador do Hall da Fama Internacional do Tênis. O catarinense, não esqueçamos, foi imortalizado em Newport (EUA) em 2012.

Os brasileirinhos

Passou sem registro no post de ontem, mas não esqueçamos: nenhum brasileiro passou da segunda rodada no torneio juvenil de Roland Garros. E, também lembremos, não havia nenhuma representante do país na chave feminina.

Leitura recomendada

Pensando bem, não sei se recomendo, mas informo: Maggie Mayhem, cadela de Andy Murray e sua esposa, Kim, escreveu um livro chamado “Como Cuidar de Seu Humano”, lançado nesta quinta-feira.

Do outro lado do canal

Wimbledon apresentou hoje seu trio de cães antibomba: Duffy, Brian e Biggles.

Introducing Duffy, Brian and Biggles, some of our police explosive search dogs for Wimbledon 2016 🐶

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Falando em Wimbledon, parece improvável a participação de Rafael Nadal no torneio deste ano. Depois de deixar Roland Garros por causa de uma lesão no punho esquerdo (seu forehand), o espanhol já avisou que não estará no ATP 500 de Queen’s. Talvez Nadal esteja avaliando suas prioridades, e ele já disse algumas vezes que os Jogos Olímpicos Rio 2016 estão no topo de sua lista. Nadal, afinal, ficou fora de Londres 2012 também por causa de lesão.

Os melhores lances

Serena Williams, a número 1 do mundo, sem conseguir ganhar pontos na base da potência por causa da quadra pesada e das bolas fundas de Yulia Putintseva, dá uma aula de como construir um ponto.

Outra lição, agora ensinada por Novak Djokovic, que explorou bem a movimentação limitada de Tomas Berdych para construir esse ponto abaixo:


RG, dia 11: o Djokovic dos US$ 100 milhões e o Andy estrategista
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Alexandre Cossenza

Eis que tivemos um dia quase normal em Roland Garros. Favoritos vencendo, franceses perdendo jogos importantes e alguns nomes importantes correndo por fora e jogando bem. O post de hoje (que chega mais tarde por causa de compromissos pessoais inadiáveis) fala da rodada e do que esperar dos ótimos confrontos marcados para os próximos dias. Que tal ler e opinar?

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O homem de US$ 100 milhões

Novak Djokovic fez bem seu dever de casa. Fechou rapidinho o terceiro set (o placar mostrava 4/1 quando o jogo foi interrompido ontem) e fez um competente quarto set, no qual ganhou poucos pontos de graça de Roberto Bautista Agut (#16). O número 1 sacou atrás no placar a parcial inteira, mas não permitiu que a pressão para evitar um quinto set lhe tirasse o foco. Pelo contrário. Quando sacou com 4/5 e esteve a três pontos de perder a parcial, não deu chances ao espanhol. No fim, fez 3/6, 6/4, 6/1 e 7/5.

A vitória desta quarta-feira faz com que Djokovic se torne a primeira pessoa a acumular mais de US$ 100 milhões em prêmios em dinheiro no tênis.

Os favoritos não tão ricos

Se jogar quatro partidas em quatro dias vai pesar contra Serena Williams, nós vamos descobrir lá na frente. Por enquanto, talvez a consciência de que haverá pouco tempo para recuperação física tenha ajudado a número 1 do mundo. Nesta quarta, a americana entrou em alto nível e permaneceu jogando assim durante 1h02min. Foi o tempo necessário para despachar a ucraniana Elina Svitolina por 6/1 e 6/1 e avançar às quartas. Serena agora vai enfrentar Yulia Putintseva (#60), que bateu a espanhola Carla Suárez Navarro (#14) por 7/5 e 7/5.

Mais tarde, foi a vez de Garbiñe Muguruza (#4) fazer Shelby Rogers (#108) aboborizar e voltar à Terra, fazendo 7/5 e 6/3. A americana, no entanto, não se despediu sem uma boa luta. Teve set point sacando no primeiro set e, mesmo depois de ver a espanhola vencer sete games seguidos, abrindo 3/0 na segunda parcial, lutou e buscou o empate. No fim das contas, porém, Muguruza tinha mais de onde tirar e avançou às semifinais.

Quadrifinalista em 2014 e 2015, a espanhola vai à sua primeira semifinal em Roland Garros e jogando bem. Desde o susto da estreia, não perdeu sets. Ainda que não tenha atravessado um caminho tão espinhoso, é importante dizer que Muguruza somou ótimas atuações desde a segunda rodada.

O próximo desafio será tão duro de prever quanto o nível de tênis que sua adversária, Sam Stosur (#24), mostrará no dia. A australiana conquistou a vaga entre as quatro melhores do Slam francês também derrubando alguém que não esperava estar nas quartas: Tsvetana Pironkova (#102), por 6/4 e 7/6(6).

Não arrisco palpite. O consenso é que Muguruza é favorita, o que faz sentido, já que a espanhola, em um dia normal, é mais consistente do que Stosur. As duas tenistas, porém, são capazes de viver dias pavorosos ou de atuações memoráveis como a vitória da australiana sobre Serena Williams na final do US Open.

O jogo mais esperado

Andy Murray (#2), em sua melhor temporada no saibro, contra Richard Gasquet (#12), queridinho da torcida e fazendo a melhor campanha da vida em Roland Garros. Por dois sets, a expectativa foi correspondida. Lances bonitos, ralis equilibrados, curtinhas e toda oscilação que normalmente é esperada de ambos. Murray sacou para fechar os dois primeiros sets, mas só venceu o segundo – e, mesmo assim, no tie-break. Parecia que muito jogo ainda rolaria, mas o francês sucumbiu, e o britânico fez 5/7, 7/6(3), 6/0 e 6/2.

Importante destacar o plano de jogo do escocês, cheio de curtinhas. Estratégia difícil da aplicar. Exige uma precisão monstruosa. Murray errou em momentos delicados, mas também ganhou três pontos com drop shots no tie-break. Funcionou bastante contra Gasquet por uma série de motivos. Primeiro porque o francês joga muito afastado da linha de base. Segundo porque Murray quase sempre buscava o backhand do francês, e todo mundo sabe o quão difícil é fazer um backhand de uma mão só em uma bola baixa e perto da rede. E, por último, não é segredo que o preparo físico não é o forte de Gasquet. Talvez isso ajude a explicar as parciais folgadas dos dois últimos sets.

Quem espera Murray nas semifinais é o atual campeão, Stan Wawrinka, que navegou pela chave mais fácil do torneio, teve tempo de calibrar seu tênis e fez provavelmente sue melhor jogo nesta quarta, ao eliminar Albert Ramos Ramos Viñolas (#55) por 6/2, 6/1 e 7/6(7).

A grande questão agora é: Wawrinka ou Murray? Páreo duro, não? Nenhum dos dois fez um torneio exatamente consistente. O britânico sofreu mais, mas pegou um caminho mais complicado. Em compensação, chega à semi forte, saindo de uma vitória em um jogo complicadíssimo e que apresentou desafios não tão diferentes dos que vai encontrar na semifinal. Stan, por sua vez, ainda não foi testado de verdade. A seu favor pesa o histórico diante de Murray no saibro: três vitórias em três partidas.

Opinião: sempre coloquei Murray como mais cotado do que Wawrinka em Paris, mas por um motivo simples. Acreditei que o suíço tinha mais chances de ficar pelo caminho. No confronto direto, não vejo essa vantagem do britânico. Embora as casas de apostas deem o favoritismo ao número 2 do mundo, eu colocaria minhas fichas (se as tivesse!) no atual campeão.

Bacana ver o respeito que Wawrinka tem por Murray e pelo chamado Big Four. O suíço, dono de dois títulos de Slam (mesmo número do rival), continua afirmando que a carreira do escocês é muito superior. A declaração desta quarta, reproduzida pela BBC no tweet acima, é bastante consciente.

A zebra

Quando a chave foi divulgada, quem imaginaria que Kiki Bertens (#58) estaria nas quartas de final? A holandesa, que estrearia contra a campeã do Australian Open, Angelique Kerber, era carta fora do baralho. No entanto, aconteceu. Em quatro jogos, Bertens eliminou três cabeças de chave. Kerber na estreia, Kasatkina na terceira rodada e, hoje, Madison Keys (#17) por 7/6(4) e 6/3. E agora, quem vai dizer que a holandesa não tem chances contra Timea Bacsinszky (#9)? A suíça, no entanto, vem de um triunfo por 6/2 e 6/4 contra Venus Williams (#11) e deve ser considerada favorita aqui.

Os brasileiros

Marcelo Melo e Ivan Dodig voltaram à quadra nesta quarta e venceram mais uma vez. As vítimas do dia foram Florin Mergea e Rohan Bopanna, que perderam por 6/4 e 6/4. A duas vitórias do bicampeonato em Paris, a dupla de brasileiro e croata manteve Marcelo na briga pelo número 1, já que Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert foram derrotados nesta quarta – uma vitória garantiria a Mahut a liderança do ranking mundial.

A briga agora continua com Marcelo Melo e Bob Bryan vivos no torneio. Se um dos dois for campeão, sai de Paris no alto da lista da ATP. Se nenhum deles, levantar o troféu Mahut ficará com o número 1. Nas semifinais, Melo e Dodig esperam os vencedores do jogo entre Feliciano e Marc López e os franceses Julien Benneteau e Edouard Roger-Vasselin.

Nas duplas mistas, Bruno Soares finalmente venceu o jogo que foi marcado para sábado, começou no domingo e não entrou em quadra segunda nem terça. Ele e Elena Vesnina derrotaram a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Huey por 7/5 e 7/6(3) e avançaram às quartas de final e vão enfrentar Martina Hingis e Leander Paes. Confronto nada, nada fácil.

Correndo por fora

Em outros tempos, seria uma grande surpresa. Hoje, com David Ferrer (#11) mostrando um tênis bastante aquém do seu melhor, era até esperada a vitória de Tomas Berdych (#8), que fez 6/3, 7/5 e 6/3 e avançou às quartas de final.

Ao contrário do que parece um consenso, não acho que o saibro seja um piso ruim para o tcheco. Sua direita, que tem uma preparação mais longa, se beneficia do tempo adicional que o piso lhe dá para armar o golpe (lembram de Robin Soderling?). Alem disso, Berdych não precisa se abaixar com tanta frequência porque o slice não é tão usado na terra batida. Ainda assim, o tcheco entra nas quartas como azarão gigante diante do número 1 do mundo.

Dominic Thiem (#15) finalmente alcançou as quartas de um Slam. Tudo bem que não foi o mais duro jogo de oitavas de sua carreira, pois Marcel Granollers (#56) só avançou porque Rafael Nadal voltou para Mallorca. Ainda assim, o austríaco fez o que tinha a fazer: 6/2, 6/7(2), 6/1 e 6/4. Thiem agora enfrentará David Goffin (#13), que venceu de virada Ernests Gulbis (#80) por 4/6, 6/2, 6/2 e 6/3.

O letão, derrotado, é que não saiu muito feliz de quadra e mal cumprimentou a árbitra de cadeira, Eva Asderaki-Moore. Há quem diga que Gulbis confundiu a grega com a portuguesa Mariana Alves, com quem ele teve um problema sério em Monte Carlo, alguns anos atrás.


RG, dia 10: zebras à prova d’água, atraso, piadas e críticas ao torneio
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Alexandre Cossenza

Agora, sim, Roland Garros vai precisar tomar medidas drásticas para solucionar o quebra-cabeça da programação. Depois de mais um dia de muita chuva e um par de zebras relevantes na chave feminina, o atraso é gigante no torneio parisiense. Metade das oitavas de final masculinas está incompleta, enquanto a metade feminina nem começou ainda. Com cinco dias de torneio pela frente, está mais do que claro que já não há mais margem para atrasos e alguns atletas precisarão entrar na quadra em dias consecutivos. Vamos, então, ao resumo do dia?

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As zebras

Com o mau tempo no começo do dia e de olho na previsão nada animadora para o resto da jornada, a organização colocou os primeiros jogos em quadra ainda com uma chuva fininha caindo. O que se viu foi uma sequência de inesperados.

Na Chatrier, Novak Djokovic vivia um péssimo momento contra Roberto Bautista Agut, que venceu o primeiro set por 6/3. A primeira zebra de verdade, no entanto, viria na Quadra 1, onde Sam Stosur (#24) se recuperou da quebra de desvantagem, venceu o primeiro set em um tie-break desastroso de Simona Halep (#6) e abriu a segunda parcial com uma quebra. A australiana, que se adaptou melhor às condições do dia, acabou surpreendendo e triunfando por 7/6(0) e 6/3, derrubando a favorita-vestida-de-zebra.

Halep não ficou nada feliz com a maneira com que o torneio lidou com o clima. Disse que estava “impossível” e que “jogar tênis durante a chuva acho que é um pouco demais.” A romena afirmou também que quase lesionou as costas, que as bolas estavam completamente molhadas e que, em sua opinião, “ninguém se importa com os jogadores”.

Zebra maior, contudo, aconteceria na Suzanne Lenglen, tanto pelo histórico quanto pelo placar do começo do dia. Agnieszka Radwanska (#2) liderava por 6/2 e 3/0 a partida contra Tsvetana Pironkova (#102), iniciada no domingo. Pois nesta terça, a búlgara venceu dez games seguidos e derrubou Radwanska por 2/6, 6/3 e 6/3.

A número 2 do mundo engrossou o coro de Halep e pegou pesado nas críticas, afirmando que Roland Garros não é um torneio pequeno, de US$ 10 mil de premiação. “Como você pode permitir que tenistas joguem na chuva? Eu não posso jogar nessas condições.” Do mesmo modo da romena, a polonesa diz que “não sei se eles realmente se importam com o que nós pensamos. Acho que se importam com outras coisas.”

“Outras coisas”

Quanto a se importar com as “outras coisas” que Radwanska menciona, cabe registrar que Novak Djokovic e Roberto Bautista Agut tiveram sua partida interrompida na Quadra Philippe Chatrier com 2h04min de jogo. Caso a partida tivesse menos de 2h de duração, Roland Garros teria de devolver aos espectadores o equivalente a 50% do valor dos ingressos. Pode ter sido só coincidência que tenham esticado a partida o máximo possível – até porque a programação está toda atrasada – mas é uma coincidência desagradável para quem forçou atletas de alto nível a competir sob chuva.

Os adiamentos

Nenhum jogo masculino foi terminado nesta terça. Todos valiam pelas oitavas de final. Na Chatrier, Djokovic vencia Bautista Agut por 3/6, 6/4 e 4/1; na Lenglen, Tomas Berdych sacava em 1/2, ainda no primeiro set, contra David Ferrer; na Quadra 1, David Goffin perdia por 0/3 para Ernests Gulbis; e na Quadra 2, Marcel Granollers e Dominic Thiem estavam empatados em 1 set a 1, com parciais de 6/2 para o austríaco e 7/6(2) para o espanhol.

As piadas

É seguro dizer que a imagem de Roland Garros sofreu um baque esta semana. O diretor do torneio, Guy Forget, segue culpando a burocracia francesa, mas sem justificar por que não há um teto retrátil na Chatrier nem iluminação artificial no complexo (leia mais aqui). Enquanto isso, o torneio vira piada, seja com Tomas Berdych lembrando que o Australian Open tem três quadras com teto retrátil…

… seja com o torneio australiano mandando um pouco de sol para Paris.

Os brasileiros

Marcelo Melo e André Sá conseguiram entrar em quadra – um contra o outro. O número 1 do mundo e seu parceiro, Ivan Dodig, levaram a melhor: 6/3 e 6/2 sobre Sá e o australiano Chris Guccione. Com isso, brasileiro e croata, atuais campeões do torneio, avançam para as quartas de final. Seus próximos adversários serão Rohan Bopanna e Florin Mergea, cabeças de chave 6.

Enquanto isso, Bruno Soares segue esperando pela próxima sessão de seu jogo boyhoodiano, o mesmo que foi marcado para sábado, começou no domingo e não entrou em quadra segunda nem terça. Ele e Elena Vesnina venciam por 7/5 e 1/1 quando a partida contra a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Hey foi interrompida e adiada.

O tamanho do drama

Até agora, Roland Garros não anunciou nenhuma mudança no calendário geral, ou seja, a final feminina ainda está marcada para sábado. Se for assim, a finalista que sair do grupo de Serena, Svitolina, Suárez Navarro, Putintseva, Bertens, Keys, Venus e Bacsinszky terá de fazer quatro jogos em quatro dias. Oitavas na quarta, quartas na quinta, semi na sexta e final no sábado – se não chover mais!

Não é o fim do mundo, já que é mais ou menos assim no dia a dia do circuito feminino, mas está longe de ser o ideal em um evento dessa magnitude. Além disso, a finalista que vier da outra metade da chave, que já tem as quartas definidas, poderá chegar com menos cansaço acumulado à decisão.

Entre os homens, a situação está assim: todos que jogaram hoje (Djokovic, Bautista, Ferrer, Berdych, Granollers, Thiem, Goffin e Gulbis) terão cinco dias para quatro partidas. E tudo isso em melhor de cinco sets – e se não chover mais! O cenário é menos complicado para Djokovic, que está com sua partida de oitavas aparentemente encaminhada (imaginem negrito, itálico e ressalvas no “aparentemente”). Mesmo assim, é um óbvio prejuízo em relação à outra metade da chave, que já começa as quartas de final nesta quarta – se não chover mais!


A (não) expansão de Roland Garros e a lição da França para o mundo
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Alexandre Cossenza

Toda vez que chove em Roland Garros o assunto vem à tona. Quando sairão do papel os planos para expansão do complexo? Quando a Quadra Philippe Chatrier terá um teto retrátil? Embora as duas questões não estejam necessariamente ligadas, é isso que a organização atual do torneio quer que o mundo acredite. Entretanto, não importa o quanto o evento tem a ganhar com uma quadra coberta e seus planos de expansão, há um grupo de oposição que vem lutando até hoje contra a “expansão territorial” do Slam do saibro.

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A primeira tentativa

Quando começou a ficar bastante claro que Roland Garros já estava atrás em relação aos outros Slams, a Federação Francesa de Tênis (FFT) anunciou, em 2010, planos de mudar o torneio de local e disse estar considerando três outras locações: Marne-la-Vallée, Gonosse (perto do aeroporto Charles de Gaulle) e Versalhes (em uma base aérea sem uso).

O anúncio foi visto por muitos como um blefe, uma jogada para convencer autoridades da cidade de que Roland Garros havia atingido seu limite e que, para ficar em Paris, seria necessária ajuda de legisladores. Se era mesmo um blefe, ninguém pagou para ver. Em 2011, a própria FFT votou por manter o evento no local de sempre, alegando que sairia caro demais construir um novo complexo.

O plano B

Em 2013, a FFT anunciou o plano de expandir o complexo atual, colocando iluminação artificial e teto retrátil na Chatrier, demolindo a Quadra 1 e construindo uma nova arena utilizando o terreno do jardim botânico vizinho Jardins des Serres d’Auteuil. E aí atraiu a ira de ambientalistas, moradores da vizinhança e autoridades da cidade.

No mesmo ano, um tribunal administrativo de Paris travou os planos por julgar que a quadra com capacidade para quase 5 mil lugares prejudicaria o jardim botânico. Além disso, a quantia em dinheiro que a FFT havia sugerido pagar à cidade era muito pequena (sempre há dinheiro). Naquela ano, vale lembrar, a FFT prometia o complexo totalmente modernizado em… 2016!

Os ambientalistas

O “tal jardim botânico”, cujo nome oficial é Jardin Botanique des Serres d’Auteuil, não é um jardim qualquer. O local foi inaugurado em 1898 e projetado pelo renomado Jean-Camille Formigé. É considerado monumento nacional francês. Para construir uma quadra nova ali, o torneio destruiria 14 estufas que hoje abrigam cerca de 10 mil espécies de plantas tropicais e subtropicais – algumas correndo risco de extinção.

O argumento dos ambientalistas, além de obviamente defender o local, lembra que três associações nacionais endossam a expansão de Roland Garros na direção norte, onde cobriria parte de uma estrada (A13). Há uma petição online já com 80 mil assinaturas pedindo a manutenção do jardim botânico como está hoje.

O torneio, por sua vez, diz que as estufas derrubadas não têm nenhum valor arquitetônico e que serão construídas estufas novas, modeladas nas “estufas históricas desenhadas por Jean-Camille Formigé”.

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A insistência

Em junho do ano passado, mesmo depois de o Ministério da Ecologia questionar o projeto do torneio e mostrar a viabilidade técnica da expansão de Roland Garros na direção da A13, a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, disse que a permissão havia sido dada. A prefeitura, vale lembrar, tem interesse de realizar os Jogos Olímpicos de 2024 na capital francesa e usa isso como argumento para justificar a expansão de Roland Garros. Talvez os fãs brasileiros de automobilismo vejam algo de familiar na história.

No entanto, em dezembro, um tribunal administrativo da cidade embargou a obra que envolve a apropriação do terreno do jardim botânico. Por isso, o diretor do torneio, Guy Forget, culpa a burocracia francesa toda vez que chove e ele precisa explicar por que não há teto retrátil na Chatrier.

E o quico?

A pergunta que ninguém na organização de Roland Garros parece disposto a responder é: por que diabos se faz necessário aprovar a expansão para que seja construído um teto retrátil na Chatrier e as quadras passem a ter iluminação artificial? Forget diz que para construir um teto será necessário demolir a arquibancada atual e construir outra estrutura. Soa, no mínimo, estranho já que Wimbledon construiu um teto sem derrubar a Quadra Central (só derrubou a cobertura antiga), e o US Open está construindo uma cobertura retrátil para o gigantesco Arthur Ashe Stadium sem diminuir a capacidade da quadra.

Também não encontrei nenhuma declaração da organização de Roland Garros ou da FFT sobre a questão da iluminação artificial. Entre todas alterações imagináveis em um torneio de tênis, instalar holofotes parece a menos custosa e mais viável. E seguem as perguntas no ar. Em que a burocracia francesa atrasa o teto retrátil e a iluminação artificial? Não são seriam essas as melhorias mais importantes para o andamento de um torneio?

A impressão para quem vê de fora é que o torneio usa sua própria incapacidade como pretexto para poder realizar obras caras e polêmicas aprovadas. Quase repetindo a frase de quatro parágrafos acima, afirmo: moradores do Rio de Janeiro, uma cidade com sérios problemas de transporte, devem ver algo de familiar.

A lição francesa

Paris precisa mesmo destruir, ainda que parcialmente, um jardim botânico para expandir um torneio que já é extremamente lucrativo e acontece durante apenas duas semanas por ano? A cidade precisa mesmo derrubar um estádio e gastar um bilhão para construir uma nova arena que não terá competições nem eventos suficientes para se sustentar por conta própria no futuro?

Perdão, me confundi na segunda pergunta acima, que era sobre uma capital sul-americana que recebeu meia dúzia de partidas em um evento que durou 30 dias. Mas veem a semelhança? A França não cedeu. Ambientalistas seguem brigando por um patrimônio nacional e, apesar do lobby da prefeitura francesa, preocupada com os Jogos Olímpicos de 2024, tribunais administrativos da cidade avaliaram a questão e bloquearam a obra.

Pode ser que, no futuro, a expansão de Roland Garros seja aprovada de forma definitiva e que o tênis tome parte do terreno do jardim botânico. O importante é saber que isso não acontecerá sem uma avaliação profunda do projeto, sem que a Federação Francesa dê as devidas garantias, sem que a indenização seja correta… Enfim, sem que a cidade saia perdendo. Até agora, os tribunais franceses vêm dando uma lição. Basta olhar e querer aprender.


RG, dia 9: Quem ganha e quem perde com o atraso?
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Alexandre Cossenza

Chuva. O dia inteiro. Às 13h30min locais, a organização de Roland Garros, depois de pensar e repensar a programação de partidas, anunciou que a rodada inteira estava cancelada e mandou (quase) todo mundo de volta para casa. E agora? O que acontece? O post de hoje é uma análise do que muda (ou não) no torneio parisiense com o atraso na programação.

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Quem ganha com isso?

Alguns azarões que jogariam hoje, como Roberto Bautista Agut (enfrentaria Djokovic), Marcel Granollers (Thiem) e Elina Svitolina (Serena) ganham pelo um dia a mais de hospedagem grátis em Paris. Já é alguma coisa…

Brincadeiras à parte, o adiamento só é bom se alguém tem uma lesão a tratar, como André Sá, que vem sentindo dores no quadril. Segundo o mineiro, um dia não vai curar a lesão, mas diminuirá a dor. De resto, para a maioria dos tenistas, adiamentos assim são sempre um transtorno. É preciso encontrar quadras cobertas para treinar, a rotina muda, a expectativa aumenta. Quase ninguém gosta.

Jogos cancelados por hoje. Everything canceled for today!!!! #rolandgarros2016 #ilovethissport #tennislife

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Quem perde mais?

Em tese, os homens que fariam as oitavas de final nesta segunda porque tudo leva a crer que eles precisarão jogar duas partidas em melhor de cinco em dias consecutivos. Esse grupo tem Novak Djokovic, Roberto Bautista Agut, David Ferrer, Tomas Berdych, Marcel Granollers, Dominic Thiem, David Goffin e Ernests Gulbis. Os quatro vencedores voltam na quarta-feira para as quartas de final.

Em comparação com a outra metade da chave, o prejuízo não é tão grande assim porque as semifinais serão na sexta-feira. Quem jogar na quarta terá mais ou menos 48 horas (o tempo padrão) para descansar até a rodada seguinte.

Na chave feminina, o prejuízo é maior para quem ainda não disputou as oitavas. Esse grupo precisa jogar nesta terça, voltar na quarta-feira para as quartas de final e, se o torneio mantiver a programação original, disputar as semifinais na quinta-feira. Serão três dias seguidos. Novamente, há prejuízo em relação a quem já disputou as oitavas (Rogers e Muguruza), mas não é um cenário muito diferente do que acontece na rotina do circuito feminino, com todo mundo jogando melhor de três em dias consecutivos.

Os três parágrafos acima fazem todo sentido do mundo se a rodada acontecer normalmente na terça-feira. O problema é que a previsão do tempo sugere um drama ainda maior para os próximos dias.

Se realmente chover assim, a organização de Roland Garros vai precisar rebolar para resolver o quebra-cabeça da programação. Pelo menos a expectativa é de tempo bom, sem chuva, de quarta a domingo.

O brasileiro boyhoodiano

Bruno Soares continua esperando o fim de seu jogo nas duplas mistas. Sim, o mesmo jogo que foi marcado para sábado, começou no domingo e tem grande chance de não terminar nem na terça (vide gráfico acima). Ele e Elena Vesnina venciam por 7/5 e 1/1 quando a partida contra a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Hey foi interrompida e adiada.

A grande surpresa

O maior inesperado do dia foi ver a organização do torneio anunciar a decisão às 13h30min locais, tendo em mente que costuma haver jogo em quadra até por volta das 21h30min em Paris. Obviamente, uma medida assim só é tomada tão cedo quando a previsão é de mau tempo para o resto do dia. Ainda assim, é bastante raro ver um Slam cancelar uma rodada nesse horário. É preciso lembrar que o torneio precisa devolver o dinheiro integral de todos ingressos quando não há nem uma hora de jogo dentro de quadra, o que foi o caso desta segunda-feira.

Quem paga?

A Federação Francesa (a mesma que, vejam a ironia, está sendo investigada por venda de ingressos “por fora”) é quem paga a conta. Se serve de consolo para eles, entra sempre algum dinheirinho quando o tempo não está favorável. Um guarda-chuva cinza custava 25 euros – em promoção – nesta segunda.

O teto retrátil

Toda vez que chove em Roland Garros ou no US Open, as perguntas voltam: por que não há teto nas quadras? Há uma certa dose de drama nisso. Slams foram disputados por anos sem quadras cobertas. Até 2008, apenas o Australian Open tinha teto retrátil. Nem por isso, o mundo parava. Rodadas atrasavam, programações eram refeitas, tenistas eram beneficiados ou prejudicados, etc. e tal. A rotina era a mesma de hoje.

Há anos, Roland Garros tem um projeto de expansão que prevê, entre várias outras melhorias, a construção de um teto retrátil sobre a Quadra Philippe Chatrier. O projeto, no entanto, está longe de ser unânime entre moradores da região e, por isso, nunca saiu do papel. Segundo o atual diretor do torneio, Guy Forget, não haverá teto antes do ano 2020. Voltarei a falar sobre isso, inclusive dando a minha opinião, em um texto a ser publicado em breve.


RG, dia 8: Muguruza em alta, Nishikori em baixa e uma zebraça nas quartas
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Alexandre Cossenza

Não é todo dia que alguém fora do top 100 consegue uma vaga nas quartas de final de um Slam. Pois foi isso que Shelby Rogers fez ao derrotar (por enquanto) as cabeças de chave Karolina Pliskova, Petra Kvitova e Irina Camelia Begu. A americana, no entanto, não foi a única a derrubar um favorito neste domingo. Richard Gasquet, fazendo um torneio impecável, eliminou Kei Nishikori. Quem segue inabalável é a espanhola Garbiñe Muguruza, cada vez mais candidata ao título em Paris. O resumo do dia trata disso tudo, analisa mais uma vitória de Andy Murray, atualiza a disputa pelo número 1 nas duplas e traz grandes vídeos como o de Stan Wawrinka brincando com um boleiro durante a partida contra Viktor Troicki. É só rolar a página e ficar por dentro!

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Os favoritos

Garbiñe Muguruza tinha um jogo nada simples neste domingo, mas conseguiu fazer parecer pouco complicada a tarefa de derrotar Svetlana Kuznetsova (#15) e avançou por 6/3 e 6/4. A russa até ameaçou uma reação na segunda metade da segunda parcial e ninguém sabe o que teria acontecido em um terceiro set, mas Muguruza segurou bem a onda no fim, inclusive salvando break point depois de perder dois match points. Depois de uma estreia que lançou pontos de interrogação, parece seguro dizer que a espanhola faz um belo torneio e é candidatíssima a chegar à final.

Mais tarde, Andy Murray (#2) voltou a encarar um sacador e a vencer por 3 sets a 0. John Isner deu trabalho no primeiro set e teve uma bola à disposição para vencer o tie-break, mas jogou em cima do britânico e levou uma passada. Foi, no fundo, a única real chance do americano, que tombou por 7/6(9), 6/4 e 6/3.

Difícil dizer o quanto esse jogo ajudou na caminhada de Murray rumo às fases mais complicadas, mas não deixa de ser bom ver que o britânico fez o dever de casa sem se complicar mais do que o necessário. O próximo jogo, contra Richard Gasquet (#12) – e a torcida parisiense – não pode ser classificado como o primeiro grande teste de Murray no torneio, mas ele traz um cenário novo: o francês será o primeiro a entrar em quadra bem cotado para bater o escocês. E agora?

Para não deixar sem registro: é a sexta vez que Andy Murray alcança as quartas de final em Roland Garros. Para um tenista que passou a maior parte da carreira sendo criticado pelo retrospecto no saibro, parece um currículo bem digno, não?

Os brasileiros

A campanha na chave de duplas acabou para Bruno Soares e Jamie Murray, que foram superados nas oitavas de final por Leander Paes e Marcin Matkowski em dois tie-breaks: 7/6(5) e 7/6(4). O resultado tirou Jamie da briga pela liderança do ranking nesta semana. Seguem na disputa Marcelo Melo, atual número 1 do mundo, o francês Nicolas Mahut e o americano Bob Bryan. O favorito é Mahut, que garante a posição se vencer mais uma partida em Paris. A matemática está explicadinha no site Match Tie-Break, da Aliny Calejon.

Nas duplas mistas, ao lado de Elena Vesnina, Soares vencia por 7/5 e 1/1 quando o jogo foi interrompido e adiado. Os adversários eram a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Hey. Vale lembrar que esta partida estava marcada para sábado e não aconteceu por causa da chuva.

Correndo por fora

Stan Wawrinka (#4) segue avançando bem a seu modo. Muitos winners, muitos erros não forçados. Neste domingo, executou 67 bolas vencedoras e cometeu 50 falhas nos quatro sets que precisou para bater Viktor Troicki (#24): 7/6(5), 6/7(7), 6/3 e 6/2. Se a pergunta é “Wawrinka está jogando em nível para ser campeão?”, a resposta provavelmente é não, mas com a velha ressalva: Stan pode encontrar “aquele” nível de um dia para o outro, então é sempre bom ficar de olho nele.

Até agora, é um torneio irregular para o atual campeão, que nem foi tão testado assim. No caminho até as quartas, passou por Rosol, Daniel, Chardy e Troicki. É justo acreditar também que o próximo confronto, contra Albert Ramos Viñolas (#55), será igualmente favorável ao suíço.

Quem faz, sim, um belo torneio é o francês Richard Gasquet (#12), que derrubou Kei Nishikori (#6) neste domingo: 6/4, 6/2, 4/6 e 6/2. Com o backhand calibrado desde a vitória sobre Thomaz Bellucci na estreia, o tenista da casa vem fazendo partidas inteligentes taticamente e tecnicamente bem executadas.

Especificamente sobre o jogo deste domingo, Nishikori esteve longe do seu melhor – como esteve em todo o torneio, na verdade, e talvez tenha dado sorte ao escapar da virada de Verdasco na terceira rodada. Ainda assim, Gasquet é, por enquanto, quem chega mais testado nas quartas. Além de Bellucci e Nishikori, bateu o perigoso Kyrgios e esteve sempre no comando de seus jogos. Murray apresentará um desafio diferente, mas pelo que ambos mostraram até hoje, não convém duvidar de mais uma vitória de Gasquet.

A grande zebra

Número 108 do mundo, Shelby Rogers não estava nem de longe entre as mais cotadas para avançar em uma seção da chave que tinha Karolina Pliskova na estreia e Petra Kvitova em uma eventual terceira rodada. Pois a americana de 23 anos, que um mês atrás jogava ITFs de US$ 50 e 75 mil, avançou sem ganhar nada de graça. Bateu Pliskova (#19) na estreia, Elena Vesnina (#47) na segunda rodada e eliminou Kvitova (#12) na terceira rodada.

Sem perder o embalo, voltou à quadra neste domingo e eliminou mais uma cabeça de chave: Irina Camelia Begu (#28) por 6/3 e 6/4. Com a campanha, já garantiu sua entrada no grupo das 60 melhores do mundo, o que será o melhor ranking de sua carreira. E será que Rogers ainda tem mais uma zebra guardada na manga para enfrentar Muguruza nas quartas?

Mais cabeças que rolaram

Outro cabeça de chave a deixar o torneio foi Milos Raonic (#9), que ganhou uma aula de tênis-no-saibro de Albert Ramos Viñolas (#55). Apostando em ralis e devolvendo serviços muito no fundo de quadra, o espanhol anulou as principais armas do canadense e esperou pacientemente por suas chances.

Com uma tática bem elaborada e executada magistralmente, Ramos Viñolas fez 6/2, 6/4 e 6/4 e conquistou uma vaga nas quartas de final depois de quatro anos consecutivos com eliminações na primeira rodada.

Nas duplas femininas, um par de resultados se destacou. Na Quadra 2, Serena e Venus Williams foram derrotadas por Johanna Larsson e Kiki Bertens por duplo 6/3; e, na Quadra 1, Martina Hingis e Sania Mirza caíram diante das tchecas Barbora Krejcikova e Katerina Siniakova: 6/3 e 6/2. Hingis e Mirza ganharam os três Slams anteriores e completariam um “Santina Slam” com o título em Roland Garros.

Os adiamentos

A chuva – sempre ela – e a falta de iluminação artificial em Paris seguem atrasando a programação. Neste domingo, duas das oitavas de final femininas tiveram de ser adiadas. Sam Stosur (#24) sacava em 3/5 contra Simona Halep (#6) na Quadra 1, enquanto Agnieszka Radwanska (#2) liderava por 6/2 e 3/0 na Suzanne Lenglen contra Tsvetana Pironkova (#102).

Os melhores lances

Não foi um ponto, mas talvez tenha sido a melhor “jogada” de Stan Wawrinka no dia. Enquanto Viktor Troicki recebia atendimento médico no terceiro set, o suíço encontrou uma maneira de se manter aquecido e, ao mesmo tempo, ganhar o público. Cosias de um campeão.

Esse, sim, foi um ponto. Um pontaço do backhand mais violento do planeta.

E já que estamos no tema de backhands, Gasquet não ficou muito atrás hoje…


RG, dia 7: blecaute, lágrimas de Tsonga e oitavas de final definidas
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Alexandre Cossenza

Não foi um dia de grandes zebras – apesar dos modelitos da adidas – em Roland Garros. Sim, Ana Ivanovic se despediu numa partida em que ela era realmente favorita, mas os demais resultados foram mais ou menos de acordo com o esperado. Os destaques do dia ficaram por conta da desistência de Jo-Wilfried Tsonga, do aperto que Serena Williams passou em um set (um só) e da definição das oitavas de final do torneio. O que rolou de melhor está logo abaixo.

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O apagão

O dia não foi fácil em Roland Garros. Não bastasse a chuva causar um grande atraso na programação, um raio (um dos muitos que causaram uma série de incidentes na capital francesa) causou um blecaute no complexo, deixando o Slam francês sem conseguir transmitir a maioria das partidas. Apenas na Philippe Chatrier, a quadra central, havia uma câmera solitária, que mostrava um ângulo parecido com a de games de tênis. Foi assim, sem geração de caracteres, que o Bandsports mostrou o tie-break decisivo de Serena x Mladenovic.

Os favoritos

Serena Williams (#1) venceu em dois sets, mas com mais trabalho do que o previsto e, por que não, do que o necessário. A americana precisou de mais de duas horas para se livrar da francesa Kristina Mladenovic (#30) por 6/4 e 7/6(10), depois de salvar um set point, mas é preciso apontar que Serena perdeu chance atrás de chance na parcial.

Foram dois break points desperdiçados no quarto game, outras quatro chances perdidas (inclusive um 0/40) no sexto e mais um break point não convertido no oitavo. No próprio game de desempate, a número 1 do mundo teve quatro match points – um deles, com um smash muito mal executado – antes de fechar a partida no quinto. De modo geral, não chega a ser uma atuação preocupante, já que Serena esteve em controle no placar o tempo quase todo, mas ela deve saber que não poderá vacilar assim daqui a alguns dias.

Já no fim do dia, Novak Djokovic bateu o britânico Aljaz Bedene (#66) por 6/2, 6/3 e 6/3. O número 1 do mundo, mesmo não jogando um tênis espetacular desde a estreia em Paris, segue como favorito ao título. Difícil avaliar com mais profundidade do que isso baseado em adversários que não significaram ameaça real (Lu, Darcis e Bedene).

Os brasileiros

André Sá, ao lado de Chris Guccione, venceu mais uma. Por 6/1, 6/7(5) e 6/3, mineiro e australiano derrotaram Leo Mayer e João Sousa e conquistaram uma vaga nas oitavas de final. Os adversários são o conterrâneo Marcelo Melo e o croata Ivan Dodig, atuais campeões de Roland Garros.

Atual número 52 do mundo nas duplas, Sá já repete seu resultado de Paris em 2015, quando jogou com Máximo González. Agora, tenta dar um passo a mais e alcançar as quartas, algo que não consegue desde o US Open de 2007. Naquele ano, Sá ainda fazia parceria com Marcelo Melo.

Quem também jogou e venceu foi Bruno Soares, mantendo vivas as chances de seu parceiro, Jamie Murray, sair de Roland Garros como número 1. Brasileiro e britânico bateram os franceses David Guez e Vincent Millot por 6/2 e 7/6(5). Nas oitavas, enfrentarão Leander Paes e Marcin Matkowski.

Para quem se interessar, a matemática da briga pela liderança do ranking de duplas está mastigadinha no site Match Tie-Break, da Aliny Calejon.

Pelas duplas mistas, a partida de Bruno Soares e Elena Vesnina contra a eslovena Andreja Klepac e o filipino Treat Huey acabou adiada por conta do atraso pelo mau tempo. O jogo foi remarcado e será o último da Quadra 3 neste domingo.

Aproveitando a chance

Entre os homens, Dominic Thiem (#15) voltou a derrotar Alexander Zverev (#41): 6/7(4), 6/3, 6/3 e 6/3. Foi a segunda vitória do austríaco sobre o alemão em uma semana (eles também fizeram a final de Nice) e a terceira na carreira. Os dois também jogaram a semifinal do ATP de Munique, em abril deste ano.

São dois jovens talentosos, mas que ainda pecam por escolhas equivocadas de jogadas – especialmente Zverev, três anos mais jovem (tem 19 de idade) e que tende a perder o rumo da partida quando as coisas não acontecem como o esperado. Neste sábado, ficou claro que o jogo no saibro é muito mais natural para Thiem, que parece muito mais convicto do que fazer em quadra.

Sobre a rivalidade das duas “promessas”, foi bacana o abraço junto à rede ao fim da partida. Que o respeito continue.

O austríaco, agora, tem uma chance de ouro graças à desistência de Rafael Nadal. Nas oitavas, vai encarar Marcel Granollers e, se passar, terá nas quartas de final Gulbis ou David Goffin (#13), que bateu Nicolás Almagro (#49) em cinco sets: 6/2, 4/6, 6/3, 4/6 e 6/2.

O belga não foi espetacular, mas oscilou menos que Almagro e foi melhor nos muitos pontos importantes. No entanto, a essa altura, já não é tão difícil imaginar Dominic Thiem nas semifinais de Roland Garros, certo?

Quem vive situação parecida é Carla Suárez Navarro (#14), que venceu um jogo duro contra Dominika Cibulkova (#25) neste sábado: 6/4, 3/6 e 6/1. A espanhola, que está sempre fora dos radares (foi assim que chegou às quartas do Australian Open deste ano), pode muito bem aproveitar o buraco deixado por Victoria Azarenka em sua seção. Nas oitavas, vai encarar Yulia Putintseva (#60) e é favorita para vencer e igualar sua melhor campanha em Paris, onde também foi às quartas em 2008 e 2014.

Correndo por fora

Três jogos, três vitórias em sets diretos. Timea Bacsinszky (#9) continua fazendo seu dever de casa, ainda que com certos altos e baixos. Neste sábado, vindo de triunfo sobre Eugenie Bouchard, a suíça despachou a francesa Pauline Parmentier (#88) por 6/4 e 6/2. Ainda parece cedo para dizer se Bacsinszky, semifinalista em 2015, é uma séria candidata ao título de 2016? Talvez seu próximo jogo, contra Venus Williams (#11) deixe o cenário mais claro.

Sobre a americana, vale lembrar que a vitória sobre Cornet por 7/6(5), 1/6 e 6/0, antes mesmo que a francesa tivesse tempo de sentir cãibras, vale sua primeira aparição nas oitavas de final de Roland Garros desde 2010. Minha opinião? Venus já está no lucro e pode jogar livre, leve e solta contra Bacsinszky. A questão é saber o quanto a suíça conseguirá tirar a ex-número 1 de sua zona de conforto no fundo de quadra. Se tiver sucesso e mexer a americana, a suíça tem boas chances.

Entre os homens, o dia foi de David Ferrer (#11) e Tomas Berdych (#8). O espanhol passou pelo compatriota Feliciano López (#23) por 6/4, 7/6(6) e 6/1, enquanto o tcheco eliminou Pablo Cuevas (#27) por 4/6, 6/3, 6/2 e 7/5. O trunfo de Berdych sobre o uruguaio é um tanto relevante, já que o top 10 chegou meio desacreditado a Paris, vindo de campanhas nada animadoras em Monte Carlo (primeira rodada), Madri (quartas) e Roma (oitavas).

Os dois agora se enfrentarão pelo direito de possivelmente enfrentar Djokovic nas quartas. Vale lembrar que o Berdych bateu Ferrer em Madri por 7/6(8) e 7/5.

O abandono

O momento triste do dia ficou por conta de Jo-Wilfried Tsonga (#7). O tenista da casa tinha o primeiro set bem encaminhado, vencendo por 5/2, quando pediu tempo médico e recebeu atendimento fora de quadra por causa de dores no adutor. Quando voltou, dirigiu-se a Ernests Gulbis (#80) e cumprimentou o letão, abandonando o jogo.

Enquanto Tsonga deixou o torneio às lágrimas, Gulbis avança para as oitavas em uma chave nada fácil. Bateu Andreas Seppi na estreia e João Sousa na segunda rodada. Agora tenta sua sorte contra David Goffin.

O francês era o principal cabeça de chave vivo naquela seção da chave após a desistência de Nadal. Agora, um dos semifinalistas de Roland Garros sairá do grupo que tem Thiem, Granollers, Goffin/Almagro e Gulbis.

As oitavas definidas

[1] Novak Djokovic x Roberto Batista Agut [14]
[11] David Ferrer x Tomas Berdych [7]
Marcel Granollers x Dominic Thiem [13]
[12] David Goffin x Ernests Gulbis
[8] Milos Raonic x Albert Ramos Viñolas
[22] Viktor Troicki x Stan Wawrinka [3]
[5] Kei Nishikori x Richard Gasquet [9]
[15] John Isner x Andy Murray [2]

[1] Serena Williams x Elina Svitolina [18]
[12] Carla Suárez Navarro x Yulia Putintseva
Bertens x Keys [15]
[9] Venus Williams x Timea Bacsinzky [8]
[25] Irina-Camelia Begu x Shelby Rogers
[13] Svetlana Kuznetsova x Garbiñe Muguruza [4]
[6] Simona Halep x Sam Stosur [21]
Tsvetana Pironkova x Agnieszka Radwanska [2]

Cabeças que rolaram

Não que Ana Ivanovic (#16) fosse favorita para ir longe em Roland Garros, especialmente na mesma seção de Serena Williams na chave, mas a sérvia era bastante favorita para vencer hoje. Afinal, eram sete vitórias em sete jogos contra a ucraniana Elina Svitolina (#20). Na prática, não foi isso que aconteceu. Com 29 erros não forçados, a ex-número 1 do mundo tombou por 6/4 e 6/4.

Classificada para as oitavas, Svitolina enfrentará Serena Williams para tentar igualar sua melhor campanha em Roland Garros, Ano passado, a ucraniana alcançou as quartas de final, quando foi derrotada por… ela mesmo, Ana Ivanovic.

Os melhores lances

Kristina Mladenovic exigiu bastante de Serena quando conseguiu tirar a número 1 do mundo do fundo de quadra. O melhor exemplo talvez seja este ponto aqui:

Para terminar, um pouquinho do potencial de Zverev e Thiem.


RG, dia 6: Nadal desiste, Muguruza cresce, Kvitova e Safarova dão adeus
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Alexandre Cossenza

Houve muitos lances bonitos e resultados importantes dentro de quadra, mas nada igualou a bomba que Rafael Nadal detonou em Roland Garros quando convocou uma coletiva para anunciar que está abandonando o torneio. O post de hoje avalia as consequências dessa desistência, lembra de resultados importantes na chave feminina, atualiza a corrida pelo número 1 nas duplas e traz a história de Marcel Granollers, o tenista mais sortudo do planeta. Fique por dentro.

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O abandono

A notícia do dia, sem dúvida, foi o anúncio de Rafael Nadal, que convocou uma entrevista coletiva às pressas para revelar que não continuaria no torneio por causa de uma lesão no punho esquerdo (seu forehand). Nadal disse que o problema começou na semana de Madri, nas quartas de final, contra João Sousa. Depois disso, fez exames e tratamento em Barcelona e decidiu jogar em Roma. O incômodo voltou antes mesmo de embarcar para Paris.

O espanhol, que vinha de duas grandes atuações, disse que a condição foi piorando ao longo da semana em Roland Garros e que jogou a partida contra Bagnis após tomar uma infiltração. Segundo o tenista, os médicos disseram que ele não teria condições de fazer mais cinco partidas e, por isso, não havia por que continuar no torneio.

Nadal afirmou que precisará de algumas semanas de imobilização no punho para, depois, tratar a lesão. “Espero uma recuperação rápida e estar pronto para Wimbledon, mas agora não é o momento de falar sobre isso.”

A consequência imediata é que Marcel Granollers (#56), que vem de uma vitória por desistência (Mahut abandonou no terceiro set), ganha um WO e vai às oitavas de final sem jogar. Ele será azarão contra Dominic Thiem ou Alexander Zverev, mas já tem um resultado inimaginável para quem estreou contra Fabio Fognini e enfrentaria o eneacampeão do torneio na terceira rodada.

No que diz respeito às chances de título, a coisa fica bem menos complicada para Novak Djokovic (#1), que provavelmente faria a semifinal contra Rafael Nadal. O contraponto é que o sérvio terá uma dose extra de pressão para finalmente vencer em Paris. De certo modo, será uma sensação parecida com a de Federer em 2009. Naquele ano, após levantar o troféu, o suíço admitiu ter se sentido pressionado depois que Robin Soderling chocou o planeta ao derrotar Rafael Nadal.

O homem mais sortudo do planeta

Em Monte Carlo, Marcel Granollers não passou pelo qualifying, mas herdou a vaga de David Ferrer, que decidiu de última hora não jogar o torneio. A vaga de cabeça de chave permitiu a Granollers entrar já na segunda rodada. Aproveitou a chance, bateu Alexander Zverev, David Goffin e só parou nas quartas de final. Saiu de lá com 196 pontos. Subiu de #67 para #50 no ranking.

Em Madri, aconteceu de novo. Granollers entrou como lucky loser na vaga de Roger Federer. Dessa vez, também estreando na segunda rodada, o espanhol não conseguiu avançar. Parou diante de João Sousa, mas somou 26 pontinhos.

Agora, em Roland Garros, teve todo mérito do mundo ao eliminar Fabio Fognini na estreia, mas ganhou 71 mil euros e 90 pontos de graça só com o abandono de Nadal. Com isso, mesmo que perca o próximo jogo, já ficará perto do 45º posto.

Os favoritos

O dia começou com Garbiñe Muguruza (#4) em mais uma atuação dominante: 6/3 e 6/0 sobre a belga Yanina Wickmayer (#54), que vinha de vitória sobre a cabeça de chave Ekaterina Makarova. Depois do susto na estreia, Muguruza soma apenas cinco games perdidos em dois jogos e ratifica sua posição de séria candidata ao título. Com Svetlana Kuznetsova (#15) pela frente nas oitavas e Begu ou Rogers nas quartas, a espanhola é favoritíssima para chegar ao menos às semifinais.

A outra candidata nessa metade da chave é Simona Halep (#6), vice-campeã em 2014. Nesta sexta, a romena precisou de três sets, mas superou a japonesa Naomi Osaka (#101) por 4/6, 6/2 e 6/3. Halep agora fará um jogo interessante contra Sam Stosur, que, apesar de já ter bons resultados no torneio, não estava tão cotada assim numa chave que tinha Lucie Safarova (falo sobre isso mais adiante).

Na chave masculina, Andy Murray (#2) finalmente fez uma aparição breve na Suzanne Lenglen. Bateu Ivo Karlovic (#28) em três sets: 6/1, 6/4 e 7/6(3), em menos de duas horas. O escocês conseguiu até limitar o número de aces do croata. Foram só 14 – oito deles, no terceiro e mais equilibrado set. Semifinalista em Paris no ano passado, Murray terá outro sacador pela frente nas oitavas, já que John Isner (#17) derrotou Teymuraz Gabashvili (#79) depois de estar uma quebra atrás no quinto set: 7/6(7), 4/6, 2/6, 6/4 e 6/2.

Stan Wawrinka (#4), que fez um dos últimos jogos do dia, teve menos problemas do que nas rodadas anteriores. Aplicou 6/4, 6/3 e 7/5 sobre Jeremy Chardy (#32) e avançou quase sem sustos. Os únicos momentos de (pequena) apreensão vieram no primeiro game, quando o suíço teve o serviço quebrado (mas devolveu em seguida), e no antepenúltimo, quando Chardy evitou que Stan fechasse o jogo com seu saque. O atual campeão, no entanto, voltou a quebrar imediatamente depois.

O sérvio Viktor Troicki (#24) será o próximo oponente de Wawrinka, após fazer 6/4, 6/2 e 6/2 em cima do francês Gilles Simon (#18), que não fez um grande torneio. Depois de suar contra Rogerinho, precisou de cinco sets para bater Guido Pella. Nesta sexta, contra Troicki, esteve atrás desde o game inicial.

O brasileiro

Marcelo Melo voltou à quadra ao lado de Ivan Dodig em busca de um lugar nas oitavas de final da chave de duplas. A parceria, atual campeã de Roland Garros, não teve problemas para bater os franceses Tristan Lamasine e Albano Olivetti por 6/2 e 6/4. Brasileiro e croata agora podem enfrentar a dupla de André Sá e Chris Guccione, que ainda precisam passar por Leo Mayer e João Sousa.

A briga pelo número 1

O resultado mais relevante do dia pela chave de duplas foi a derrota de Jean Julien Rojer e Horia Tecau para Pablo Cuevas e Marcel Granollers: 5/7, 6/4 e 6/3. Com isso, Tecau perde a chance de sair de Roland Garros como número 1 do mundo. Ainda seguem na briga Nicolas Mahut (que está vivo nas duplas apesar de ter abandonado a chave de simples), Jamie Murray, Bob Bryan e o próprio Marcelo Melo, atual líder do ranking e campeão do torneio parisiense.

Correndo por fora

Agnieszka Radwanska (#2), que nunca passou das quartas de final em Roland Garros, superou um obstáculo um tanto traiçoeiro nesta sexta. Bateu Barbora Strycova (#33) por 6/2, 6/7(6) e 6/2. Foi uma partida divertida de ver (pelo menos nos momentos que consegui acompanhar), com muita variação, e que a vice-líder do ranking conduziu muito bem no set decisivo.

Classificada para as oitavas para enfrentar Tsvetana Pironkova (#102), será que Radwanska já pode ser considerada uma forte candidata ao título? Talvez ainda seja cedo, mas a polonesa certamente será favorita contra a búlgara. Quem sabe nas quartas de final, contra Simona Halep, tenhamos uma ideia melhor?

Na chave masculina, Milos Raonic (#9) passou fácil pelo eslovaco Andrej Martin (#133): 7/6(4), 6/2 e 6/3. Foram mais de 2h40min de partida, mas só porque a primeira parcial durou 1h13min, com três games bastante longos. Abençoado pelo sorteio e pelos resultados, o canadense, que poderia estar enfrentando Marin Cilic ou Jack Sock nas oitavas, vai pegar o espanhol Albert Ramos Viñolas (#55), que surpreendeu Sock (#25) em cinco sets nesta sexta: 6/7(2), 6/4, 6/4, 4/6 e 6/4. Se tudo correr como previsto, Raonic e Wawrinka se encontrarão nas quartas.

O jogo mais esperado – pelo menos para mim – do dia era Richard Gasquet (#12) x Nick Kyrgios (#19), e parece justo dizer que a partida correspondeu às expectativas. Não só no resultado, com vitória do francês por 6/2, 7/6(7) e 6/2, mas pelo nível do tênis apresentado. Daria para encher um longo vídeo de melhores momentos só com pontos bonitos. Kyrgios venceu vários deles, mas, como quase sempre, não conseguiu manter um nível alto contra um rival consistente.

Para Kei Nishikori, houve drama. Tudo corria bem para o #6 do mundo até que Fernando Verdasco (#52), depois de perder os dois primeiros sets, iniciou uma reação fulminante. No começo do quinto set, era o espanhol que parecia mais próximo da vitória. No entanto, Nishikori conseguiu quebras no primeiro e no terceiro games e manteve a dianteira, avançando por 6/3, 6/4, 3/6, 2/6 e 6/4.

Cabeças que rolaram

Principal cabeça de chave na seção que já tinha visto Roberta Vinci e Karolina Pliskova ficarem pelo caminho, Petra Kvitova (#12) foi a vítima do dia, com um placar estranhíssimo: 6/0, 6/7(3) e 6/0 para a americana Shelby Rogers (#108), a mesma que bateu Pliskova na primeira rodada.

A americana avança para sua primeira aparição as quartas de final de um Slam, enquanto Kvitova segue em uma temporada problemática. Desde que se separou do técnico de longa data David Kotyza, em janeiro, a bicampeã de Wimbledon não conseguiu uma sequência digna de seu talento.

Quem se deu bem – pelo menos no papel – foi Irina-Camelia Begu (#28), cabeça 25 do torneio, que bateu Annika Beck (#39) por 6/4, 2/6 e 6/1 e será favorita contra Rogers na disputa por um lugar nas quartas de final.

Outra cabeça eliminada foi Lucie Safarova (#13), atual vice-campeã de Roland Garros. A tcheca foi eliminada em uma partida equilibrada e nervosa contra Sam Stosur (#24), vice-campeã em 2010: 6/3, 6/7(0) e 7/5. Uma surpresa mais pelos resultados recentes da australiana e pelo histórico de confrontos diretos (Safarova liderava por 11 a 3) do que pelo currículo de Stosur.

Não seria nada espantoso se Stosur desmoronasse depois do péssimo tie-break que jogou na segunda parcial. Em vez disso, a australiana começou o set decisivo com uma quebra e, mesmo quando perdeu a vantagem, manteve a cabeça no lugar. Quem implodiu foi Safarova, que fez um 12º game muito ruim e cedendo a quebra que colocou a adversária nas oitavas.

Os melhores lances

Você não vai ver muitos pontos melhores do que esse até o fim do torneio. Radwanska e Strycova, espetaculares.

Nick Kyrgios de despediu nesta sexta, mas deixou essa lembrança:

O australiano também ganhou esse pontaço abaixo.


RG, dia 5: Nadal passeia, Djokovic faz força, e Serena derruba Teliana
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Alexandre Cossenza

O quinto dia de Roland Garros foi mais uma jornada boa para os favoritos. Rafael Nadal atropelou o argentino Facundo Bagnis e, pouco depois, Novak Djokovic passou em três sets, mas cometendo 42 erros não forçados. Serena Williams também triunfou, fazendo como vítima a brasileira Teliana Pereira. O resumo do dia traz análises dos três nomes principais e lembra as cabeças que rolaram, o susto de Tsonga, o barraco envolvendo Alizé Cornet e informações sobre como a ITF mudará sua postura em casos de doping. De bônus, mais um vídeo de Guga e um imperdível guia de pronúncia.

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O jogo mais esperado

A tarefa era difícil. Encarar Serena Williams (#1), atual campeã de Roland Garros e dona de 749 títulos (ou algo assim) na carreira , na quadra Suzanne Lenglen, a segunda maior do complexo francês. Teliana Pereira (#81) começou a partida nada bem, perdendo dois saques seguidos, errando bolas que não costuma errar e vendo Serena ser… Serena.

Aos poucos, porém, a brasileira foi se sentindo mais à vontade e conseguindo entrar em alguns ralis. Comandar os pontos era quase impossível, mas Teliana tentou uma curtinha aqui e outra ali, arriscou paralelas e fez o que podia fazer. No fim, a número 1 do mundo venceu por 6/2 e 6/1, em 1h06min, um placar que reflete a diferença de nível entre as duas tenistas.

A página de estatísticas registra 31 winners de Serena contra seis de Teliana, que cometeu 15 erros não forçados contra 17 da americana. Mais uma vez, o frágil saque da brasileira pesou. Diante da melhor devolução do mundo, Teliana venceu menos da metade dos pontos com seu serviço. Foram 21/45 com o primeiro saque e 6/17 com o segundo.

Serena avança à terceira rodada para enfrentar a francesa Kristina Mladenovic (#30), que passou pela húngara Timea Babos (#45) por 6/4 e 6/3.

Os outros favoritos

Rafael Nadal (#5) teve dois games ruins, que foram os dois primeiros do jogo contra Facundo Bagnis (#99). Depois disso, venceu 18 games, perdeu quatro e foi muito, muito sólido, sem deixar a agressividade de lado. Não que o adversário tenha dado trabalho, mas dá para notar que o espanhol vem evoluindo a cada dia. Nesta quinta, foram apenas 18 erros não forçados em três sets. Considerando que seis dessas falhas vieram nos dois games iniciais, dá para ter uma ideia de sua consistência durante a maior parte do encontro.

Depois de sua 200ª vitória em Slams, Nadal enfrentará o compatriota Marcel Granollers (#56), que chega aonde Fabio Fognini deveria estar agora. O italiano, no entanto, tombou na estreia diante do próprio Granollers, que avançou nesta quinta após a desistência do francês Nicolas Mahut (#44), que deixou a quadra quando perdia por 6/3, 6/2 e 1/0.

Enquanto Nadal saía da Chatrier, Novak Djokovic (#1) entrava na Suzanne Lenglen, a segunda maior quadra do complexo de Roland Garros. Seu jogo contra o belga Steve Darcis (#161) até teve emoção, mas muito mais pelos erros do sérvio do que por uma partida espetacular do belga. É bem verdade que Darcis fez uma apresentação bastante digna e tentou todos os golpes de seu pacote, mas foram os 42 erros não forçados do número 1 que mantiveram o jogo relativamente parelho.

Djokovic, porém, foi superior sempre que a necessidade se apresentou e só precisou de três sets para avançar: 7/5, 6/3 e 6/4. O sérvio, em busca de seu primeiro título em Roland Garros, enfrenta a seguir o britânico Aljaz Bedene (#66), que venceu um jogo de cinco sets contra o espanhol Pablo Carreño Busta: 7/6(4), 6/3, 4/6, 5/7 e 6/2.

Os brasileiros nas duplas

Primeiro a entrar em quadra, Bruno Soares venceu sem problemas. Ele e Jamie Muray passaram por Evgeny Donskoy e Andrey Kuznetsov por duplo 6/3. Pouco depois, Marcelo Melo e Ivan Dodig também avançaram rápido. Os atuais campeões de Roland Garros fizeram 6/0 e 6/3 em cima de Robin Haase e Viktor Troicki.

Thomaz Bellucci também esteve em quadra pela chave de duplas e já se despediu. Ele e Martin Klizan foram superados por Vasek Pospisil e Jack Sock por 6/1 e 7/5.

O barraco

A confusão da quinta-feira veio no fim do dia, no duríssimo jogo entre Alizé Cornet (#50) e Tatjana Maria (#111). A tenista da casa, com um público barulhento a favor, venceu por 6/3, 6/7(5) e 6/4, mas a alemã não ficou nada feliz com a postura de Cornet. Na hora do cumprimento junto à rede, Maria apontou o dedo como quem dizia não acreditar nas dores que Cornet dizia vir sentindo.

Depois de sair da quadra, Maria declarou, segundo o jornalista Ben Rothenberh, que Cornet não agiu como fair play. A alemã disse que a francesa tinha cãibras e pediu atendimento médico na perna esquerda por causa disso. Vale lembrar que o regulamento não permite tratamento para cãibras, mas o fisioterapeuta deve entrar em quadra e atender o atleta que diz sentir dores.

Correndo por fora

Semifinalista no ano passado, Timea Bacsinszky (#9) abriu a programação da Chatrier nesta quinta com um jogo um tanto estranho diante de Eugenie Bouchard (#47), semifinalista em 2014. Primeiro, a canadense abriu 4/1. Depois, a suíça venceu dez games seguidos, abrindo 6/4 e 5/0. O triunfo parecia encaminhado, mas Bouchard venceu quatro games e teve dois break points para empatar o segundo set. Bacsinszky, porém, se salvou a tempo e fechou o jogo: 6/4 e 6/4.

A suíça será favorita pelo menos até a próxima rodada quando enfrentará Pauline Parmentier (#88) ou Irina Falconi (#63). O duelo mais esperado nessa seção da chave será nas oitavas, contra Venus Williams (#11), que passou pela compatriota Louisa Chirico (#78) nesta quinta. Para chegar até Bacsinszky, contudo, a ex-número 1 ainda precisará passar por Alizé Cornet (#50).

Outras vitórias de nomes que correm por fora em Roland Garros incluem Ana Ivanovic (#16), que passou pela japonesa Kurumi Nara (#91) por 7/5 e 6/1; Carla Suárez Navarro (#14), que bateu a chinesa Qiang Wang (#74) por 6/1 e 6/3; Dominika Cibulkova (#25), que derrotou por Ana Konjuh (#76) por 6/4, 3/6 e 6/0; Venus Williams (#11), que eliminou Louisa Chirico (#78) por 6/2 e 6/1; e Madison Keys (#17), que superou por Mariana Duque Mariño (#75) por 6/3 e 6/2.

Entre os homens, Tomas Berdych (#8) precisou de quatro sets para superar o tunisiano Malek Jaziri (#72) com 6/1, 2/6, 6/2 e 6/4 e marcar um interessante duelo com Pablo Cuevas (#27), que passou pelo francês Quentin Halys (#154) por apertados 7/6(4), 6/3 e 7/6(6). Tcheco e uruguaio só se enfrentam antes, com vitória de Cuevas. No saibro, piso preferido do sul-americano, o resultado será igual? Parece uma ótima chance para Cuevas alcançar as oitavas de Roland Garros pela primeira vez na carreira.

Dominic Thiem (#15) também manteve o embalo e conquistou sua sexta vitória seguida, já que vem do título do ATP 250 de Nice. Nesta quinta, a vítima foi o espanhol Guillermo García López (#51), que ofereceu alguma resistência, mas sucumbiu em todos momentos importantes e caiu por 7/5, 6/4 e 7/6(3). Será a primeira vez de Thiem na terceira rodada em Paris, e seu oponente será Alexander Zverev (#41), o mesmo da final de Nice. É, sem dúvida, um dos duelos mais interessantes da terceira rodada.

David Goffin (#13) também marcou um duelo quentíssimo com Nicolás Almagro (#49) para a terceira rodada. Enquanto o belga passou por Carlos Berlocq (#126) por 7/5, 6/1 e 6/4, o espanhol bateu o tcheco Jiri Vesely (#60), aquele que tirou Djokovic de Monte Carlo, por 6/4, 6/4 e 6/3. Almagro, vale lembrar, vem em um momento interessante. Um ano atrás, brigava para estar entre os 150 do mundo. Hoje, depois do título em Estoril, já está no top 50 e jogando um nível de tênis de deixar qualquer cabeça de chave preocupado nas rodadas iniciais de um Slam.

Por último, David Ferrer (#11) bateu Juan Mónaco (#92) depois de perder o primeiro set: 6/7(4), 6/3, 6/4 e 6/2. Ele completou a parte de cima da chave, formando um interessante duelo espanhol com Feliciano López (#23), que vem de vitória sobre o dominicano Victor Estrella Burgos (#87): 6/3, 7/6(8) e 6/3.

Os favoritos nas mistas

Fortes candidatos ao título de duplas mistas , Leander Paes e Martina Hingis venceram sua estreia, fazendo 6/4 e 6/4 sobre Anna Lena Groenefeld e Robert Farah. Mais importante que o resultado, entretanto, é a imagem abaixo, registrando o sorriso mais carismático da antiga Calcutá. Apreciem:

Bruno Soares e Elena Vesnina, campeões do Australian Open e cabeças de chave número 5 em Roland Garros, também estrearam com vitória e derrotaram Abigail Spears e Juan Sebastián Cabal por 6/4 e 6/2. Brasileiro e russa podem enfrentar Hingis e Paes nas quartas de final. Antes, suíça e indiano precisam passar por Yaroslava Shvedova e Florin Mergea, cabeças 4 do torneio.

O susto

Entre os principais cabeças de chave, o único que passou aperto foi Jo-Wilfried Tsonga (#7), que viu Marcos Baghdatis (#39) abrir 2 sets a 0. O tenista da casa, que perdeu um set point na primeira parcial e teve uma quebra de vantagem no segundo set, se recuperou a tempo de evitar a zebra. A partir do terceiro set, esteve sempre à frente do placar e, no fim, triunfou por 6/7(6), 3/6, 6/3, 6/2 e 6/2.

Foi a primeira vez na carreira, depois de 55 jogos, que Baghdatis perdeu uma partida após abrir 2 sets a 0. Não que fosse uma catástrofe uma derrota de Tsonga a essa altura. Fora derrotar Roger Federer (fora de forma) em Monte Carlo, o francês pouco fez para chegar como grande credenciado a brigar pelo título. O próximo jogo, contra um aparentemente motivado Ernests Gulbis (#80), que vem de uma importante vitória sobre João Sousa (#29), promete ser interessante.

As cabeças que rolaram

Além da já mencionada queda de João Sousa, um resultado interessante do dia foi a vitória de Borna Coric (#47) sobre Bernard Tomic (#22) em quatro sets: 3/6, 6/2, 7/6(4) e 7/6(6). O croata repete sua melhor campanha em um Slam (também foi à terceira fase em Paris no ano passado) e terá uma chance interessante de ir às oitavas pela primeira vez. Seu próximo oponente será Roberto Bautista Agut (#16), que passou pelo francês imortal Paul-Henri Mathieu (#65) por 7/6(5), 6/4 e 6/1. Coric venceu o último jogo entre eles (Chennai/2016), mas o espanhol venceu os dois duelos anteriores no saibro.

Na chave feminina, Andrea Petkovic (#31) deu adeus ao cair diante da cazaque Yulia Putintseva (#60): 6/2 e 6/2, em pouco mais de 1h30min. O jogo foi mais duro do que o placar indica e teve vários games apertados, com muitas igualdades. Putintseva levou a melhor na maioria deles e agora chega à terceira fase de um Slam pela segunda vez na carreira. Ela enfrenta na sequência a italiana Karin Knapp (#118), que aproveitou o embalo com a vitória sobre Victoria Azarenka e derrotou, nesta quinta, a letã Anastasija Sevastova (#87): 6/3 e 6/4.

Leitura recomendada

A Federação Internacional de Tênis (ITF) mudará seu procedimento em relação a resultados positivos em exames antidoping. Segundo David Haggerty, presidente da entidade, disse que os anúncios passarão a ser imediatos. Hoje, a ITF tem por hábito revelar os resultados apenas depois de uma audiência com o atleta. O procedimento atual é cauteloso – tem como objetivo poupar os jogadores -, mas cria mistério quando alguém fica sem jogar por algum período, sem motivo aparente. Foi o que aconteceu recentemente com o brasileiro Marcelo Demoliner.

Haggerty fala que a mudança é em nome da transparência. Leia mais nesta reportagem do Telegraph (em inglês).

Audição recomendada

O Forvo, site que consulto há alguns anos para conferir pronúncias de tenistas, preparou uma página especial para Roland Garros. Ela tem a pronúncia na língua nativa dos nomes de muitos atletas e até da terminologia do tênis em francês. Veja o link no tweet abaixo.

Fanfarronices publicitárias

A campanha da Peugeot com Guga teve seu mais recente episódio com Jo-Wilfried Tsonga. Assim como Bellucci, o francês também experimentou a peruca.


RG, dia 4: os boyhoodianos Murray, Karlovic, Simon e Begu
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Alexandre Cossenza

Pra que cinco sets nas primeiras rodadas de Slam? Para ter drama, claro. São esses, afinal, os melhores jogos de ver nos primeiros dias, quando os principais nomes do circuito costumam ganhar com facilidade. Mas se tem um favorito em um desses jogos “boyhoodianos”, melhor ainda. Foi assim com Andy Murray, que agora soma dez sets jogados em três dias consecutivos. E também foi assim com Ivo Karlovic e Gilles Simon, vencedores de partidas dramáticas, com mais de 4h de duração e participação intensa da torcida.

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O quarto dia de Roland Garros também teve uma importante vitória brasileira com André Sá, que derrubou, ao lado do australiano Chris Guccione, os colombianos Juan Sebastián Cabal e Robert Farah, cabeças 13. O melhor do dia está abaixo.

O susto

Em seu terceiro dia seguido dentro de quadra, Andy Murray continua sendo a atração mais “valiosa” para os fãs. Nesta quarta, precisou de mais cinco sets para bater o wild card francês Mathias Bourgue (#164): 6/2, 2/6, 4/6, 6/2 e 6/3. O britânico não esteve tão perto da derrota quanto no duelo com Stepanek, mas em um determinado momento da partida parecia em um buraco sem saída.

Nem parecia que seria tão dramático. Murray abriu 6/2 e 2/0, mesmo sem fazer nada espetacular. Bourgue, então, venceu oito games seguidos. Quando tomou a dianteira na terceira parcial, já jogava em alto nível, aproveitando o empurrão da torcida local, e segurou Murray até fazer 6/4.

O momento mais tenso para Murray talvez tenha sido o primeiro game do quarto set. Sem margem para erro, viu-se sacando em 15/40, mas escapou brilhantemente. Em um dos break points, fazer um bate-pronto dificílimo. Depois disso, o escocês tomou o controle do jogo – até porque Bourgue não conseguiu manter o ritmo (nem técnica nem fisicamente) das parciais anteriores.

O último susto aconteceu no quinto set. Murray sacou em 5/1 e foi quebrado. Depois, teve o serviço em 5/3 e 15/30 e venceu um ponto duríssimo para evitar o 15/40. Em seguida, fechou o jogo e caminhou para a terceira rodada são e salvo.

Os outros jogos boyhoodianos

Grand Slam, melhor de cinco, sem tie-break no último set… Torneio assim sempre rende uma partidas dramáticas. Foi assim com Ivo Karlovic (#28) e Jordan Thompson (#94) nesta quarta-feira. Depois de três tie-breaks, croata e australiano foram longe no quinto set, sem que ninguém conseguisse uma quebra de saque. No fim, depois de 4h31min, quem triunfou foi Karlovic, 2,11m de altura e 37 anos. Graças a 102 winners (41 deles foram aces), o croata avançou para a terceira rodada com o placar mostrando 6/7(2), 6/3, 7/6(3), 6/7(4) e 12/10.

Karlovic chegou a Roland Garros, no piso que lhe é menos favorável, em péssimo momento. Desde janeiro, havia vencido apenas dois jogos e perdido nove. Agora, no entanto, já repete o melhor resultado da carreira no Slam francês (chegou à terceira rodada apenas em 2014, depois de bater Dimitrov e Haider Maurer).

Enquanto Karlovic comemorava na Quadra 3, mais drama se desenrolava na Quadra 1, onde Guido Pella (#48) abriu 2 sets a 0 sobre Giles Simon (#18) e esteve pertíssimo de derrubar o tenista da casa. No terceiro set, o argentino teve 4/2 de vantagem. Na parcial seguinte, sacou para o jogo. Não aproveitar as chances custou caro, e Simon viu a chance e triunfou no quinto set, em 4h32min.

Para quem gosta de drama (meu caso), a continuidade de Simon na chave alimenta o sonho de ver um imprevisível Wawrinka x Simon nas oitavas – de preferência, durando 5h e terminando em 15/13 no quinto set!

E, antes que eu fechasse este post, no figurado apagar das luzes em Paris (figurado porque não há iluminação artificial em Roland Garros!), deu tempo de Irina-Camelia Begu (#28) completar a vitória sobre a americana Coco Vandeweghe (#43) em um terceiro set longo: 6/7(4), 7/6(4) e 10/8, em 3h38min – a partida feminina mais longa de 2016 até agora.

Os favoritos

O dia foi bom para os principais candidatos ao título. A começar por Simona Halep (#6), que teve um primeiro set complicado e chegou a estar perdendo por 4/1, mas venceu a parcial no tie-break e derrotou a cazaque Zarina Diyas (#90) por 7/6(5) e 6/2, avançando para a terceira rodada. Até agora sem perder sets, Halep enfrenta na sequência a japonesa Naomi Osaka (#101), que vem de triunfos sobre Jelena Ostapenko (cabeça 32) e Mirjana Lucic Baroni.

Outra favorita a vencer foi Garbiñe Muguruza (#4), desta vez sem todo o drama vivido na primeira rodada. Nesta quarta, a espanhola aproveitou a frágil adversária – a francesa Myrtille Georges (#203) – e triunfou em 54 minutos, perdendo apenas dois games: 6/2 e 6/0. Muguruza está na mesma seção da chave onde Roberta Vinci (cabeça 7) e Karolina Pliskova (cabeça 17) já caíram, mas ainda há adversárias interessantes no caminho. Se vencer o próximo jogo, a espanhola vai enfrentar Kuznetsova ou Pavlyuchenkova nas oitavas.

Na chave masculina, Kei Nishikori (#6) passou em sets diretos por Andrey Kuznetsov (#40): 6/3, 6/3 e 6/3. Não vi o jogo e nem posso falar muito além do óbvio sobre o bom momento do japonês, mas acho que todos deveriam tirar 30 segundos para apreciar a pérola que é o tweet abaixo.

Em seguida, Stan Wawrinka (#4) mostrou o mesmo tênis irregular da estreia, só que diante de um oponente menos perigoso, o japonês Taro Daniel (#93). Ainda assim, o suíço precisou salvar dois set points no tie-break da primeira parcial antes de fechar por 7/6(6), 6/3 e 6/4.

Ainda assim, Stan vem mostrando um tênis bem inferior ao que lhe rendeu o título do ano passado. Não que alguém esperasse que aquela atuação da final contra Djokovic se repetisse tanto, mas a diferença é grande até para o nível “normal” do suíço. Resta saber se ele está tentando se poupar (até porque sua movimentação não anda lá tão boa assim) ou se e isso é mesmo tudo que ele vai conseguir mostrar nos próximos jogos.

Os brasileiros

André Sá, que teve seu jogo interrompido na terça-feira por falta de luz natural, voltou à quadra hoje e anotou uma vitória enorme. Ele e Chris Guccione derrubaram Juan Sebastián Cabal e Robert Farah por 4/6, 7/6(5) e 6/3. A dupla colombiana era cabeça de chave 13 do torneio. Sá e Guccione agora enfrentam os vencedores do jogo entre Chardy/Verdasco e Mayer/Sousa.

Marcelo Demoliner não teve a mesma sorte. O gaúcho, que volta após ser flagrado em um exame antidoping, jogou ao lado do croata Marin Draganja e, depois de não conseguir converter dois match points no segundo set, foi derrotado pela parceria do lituano Ricardas Berankis com o tcheco Lukas Rosol: 6/7(3), 7/6(9) e 6/4.

As cabeças que rolaram

Ekaterina Makarova (#29) foi a única das cabeças de chave a dar adeus nesta quarta-feira. A russa, que dependia oitavas de final, tombou diante da belga Yanina Wickmayer (lembram dela?), número 12 do mundo em 2010 e atual 54ª na lista da WTA. A belga, que chegou a Paris vindo de quatro derrotas seguidas (para Mitu, Giorgi, Svitolina e Bacsinszky), fez 6/2, 2/6 e 6/2 e avançou para encarar Garbiñe Muguruza. Será que ela consegue mais uma zebra?

Entre os homens, a guilhotina proverbial tirou Benoit Paire (#21). O carrasco foi o ex-georgiano e atual russo Teymuraz Gabashivil (#79): 6/3, 6/2, 3/6 e 6/2. O resultado é menos surpreendente pela qualidade de Gabashvili do que por seu atual momento. No saibro, o russo tinha uma vitória e sete derrotas antes de Paris. Cinco desses reveses foram consecutivos, em Barcelona, Istambul (Dzhumhur), Madri (Istomin), Roma (troicki) e Genebra (Ramos). A ironia é que a sequência negativa começou justamente com uma derrota diante do mesmo Benoit Paire.

Outro nome caseiro que tombou foi Lukas Pouille (#31), superado pelo lucky loser eslovaco Andrej Martin (#133): 6/3, 7/5 e 6/3. Como resultado, não parece algo que vá causar mudanças drásticas na chave – a não ser que Martin derrube Milos Raonic (#9) na próxima rodada. O canadense ainda não perdeu sets e, nesta quarta, bateu o francês Adrian Mannarino (#58) por 6/1, 7/6(0) e 6/1.

Correndo por fora

Depois de um nervoso jogo de três sets na primeira rodada, Petra Kvitova (#12) viveu um dia muito menos inconstante, disparando 27 winners e cometendo 17 erros não forçados. Assim, conseguiu evitar o terceiro set e bateu a taiwanesa Su-Wei Hsieh (#80) por 6/4 e 6/1, em 1h14min. Foi a 300ª vitória da carreira de Kvitova, que tem um caminho bastante acessível até as quartas. Ela enfrenta na terceira rodada a americana Shelby Rogers e, se avançar, a tenista de melhor ranking que pode aparecer nas oitavas é a romena irina-Camelia Begu (#28).

Lucie Safarova (#13), atual vice-campeã de Roland Garros, voltou a vencer com folga. Fez 6/2 e 6/2 sobre a qualifier suíça Viktorija Golubic (#130) e avançou para fazer um duelo com outra vice-campeã do torneio: Sam Stosur (#24), que bateu a chinesa Shuai Zhang (#69) por 6/3 e 6/4. É de se esperar que quem vencer entre a tcheca e a australiana chegará forte às oitavas.

Entre os homens, também há um jogo bastante esperado na terceira rodada. Richard Gasquet (#9), que passou em sets diretos pelo americano Bjorn Fratangelo (#103) – 6/1, 7/6(3) e 6/2 – vai encarar Nick Kyrgios (#19). O australiano ficou em quadra por apenas 1h19min nesta quarta e despachou o lucky loser holandês Igor Sijsling (#123) por 6/3, 6/2 e 6/1.

Já no fim do dia, Agnieszka Radwanska (#2) fez 6/2 e 6/4 contra Caroline Garcia (#40). A vitória foi menos dura do que poderia ter sido, só que mais complicada do que o placar sugere. A francesa saiu com uma quebra na frente na primeira parcial (perdeu o saque na sequência) e, no segundo set, reagiu no fim, devolvendo uma quebra depois de salvar match point. Tivesse confirmado o set no décimo game, quando sacou em 4/5, sabe-se lá como teria terminado o confronto.

Radwanska enfrentará na terceira rodada a tcheca Barbora Strycova (#33), que vem de vitória sobre Polona Hercog (#94) por duplo 6/4. Aga venceu todos quatro duelos entre elas e nunca perdeu mais de quatro games em um set. Vale conferir se o retrospecto continuará, já que Strycova vem de um bom resultado em Roma, onde alcançou as quartas, e ainda não perdeu sets em Paris este ano.

Os melhores lances

Andy Murray, com um smash de backhand, merece destaque nesta seção:

O mesmo vale para este momento de Wawrinka, que fez um pouco de tudo junto à rede:


RG, dia 3: Kerber cai, Vika se lesiona e Nadal faz lance espetacular
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Alexandre Cossenza

Como a chuva atrapalhou a segunda-feira, sobrou muita gente para jogar nesta terça. A começar por Andy Murray, que precisava terminar sua partida dramática contra Radek Stepanek. O dia também teve Rafael Nadal, Novak Djokovic, Serena Williams, Angelique Kerber, Victoria Azarenka… Enfim, rolou muita coisa, inclusive um par de zebras grandes, um barraco entre Nicolás Almagro e o árbitro brasileiro Carlos Bernardes, vários modelitos originais e um lance espetacular de Rafa Nadal.

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Os favoritos

Andy Murray (#2) completou sua escalada rumo à superfície, mas não sem drama. Depois de fechar o quarto set, o britânico teve chances nos três primeiros games de serviço de Stepanek (#128) na parcial decisiva, mas não conseguiu quebrar. O tcheco, então, esteve a dois pontos da vitória, com Murray sacando em 30/30 e “iguais”. O triunfo do escocês só veio com quatro pontos de graça do adversário no 11º game. E nem assim o drama acabou. Murray ainda cometeu uma dupla falta sacando em 40/30 (match point) antes de fechar a partida em um voleio errado do tcheco. O placar final mostrou 3/6, 3/6, 6/0, 6/3 e 7/5.

Murray, que agora tem no currículo nove vitórias após estar perdendo por 2 sets a 0, precisará voltar para um terceiro dia consecutivo nesta quarta-feira, quando vai enfrentar o wild card francês Mathias Bourgue (#164), que avançou após bater o qualifier espanhol Jordi Samper-Montana (#216) em três sets.

Enquanto Murray sofria em um set e meio, Rafael Nadal entrou e saiu rapidinho de quadra. Fez 6/1, 6/1 e 6/1 sobre Sam Groth (#100), com direito a um winner de Gran Willy – o ponto do torneio até agora (veja mais abaixo no post). Foi uma estreia maiúscula, ainda que o australiano não tenha oferecido tanta resistência assim.

Em seguida, Novak Djokovic começou mais uma campanha parisiense sem drama. Fez 6/4, 6/1 e 6/1 sobre Yen-Hsun Lu (#95) e avançou para enfrentar o qualifier belga Steve Darcis. O triunfo desta terça foi o 49º do número 1 do mundo em Roland Garros. Curiosamente, é o mesmo número de vitórias que Bjorn Borg, hexacampeão do torneio.

Serena Williams esteve em quadra por apenas 42 minutos. Foi o tempo necessário para despachar Magdalena Rybarikova (#77) por 6/2 e 6/0. A eslovaca vem sofrendo com lesões e entrou em quadra com uma proteção no tornozelo direito, outra no punho esquerdo e uma faixa abaixo do joelho direito. A número 1 do mundo agora vai enfrentar…

Os brasileiros

…Teliana Pereira, que voltou a vencer. A número 1 do Brasil e 81 do mundo passou pela tcheca Kristyna Pliskova (#109) em três sets, com direito a parcial decisiva longa e nervosa: 7/5, 3/6 e 9/7. Foi apenas a quarta vitória da pernambucana em 2016 (já são 13 derrotas desde janeiro), mas valeu a manutenção dos pontos do ano passado, quando Teliana também avançou à segunda rodada para enfrentar uma top 10.

O outro brasileiro a entrar em quadra nesta terça-feira foi André Sá. Ele e Chris Guccione perderam o primeiro set por 6/4, mas venceram a segunda parcial contra os colombianos Juan Sebastián Cabal e Robert Farah por 7/6(5). A partida foi interrompida por falta de luz natural.

As cabeças que rolaram

A primeira zebra veio logo no primeiro jogo do dia na Philippe Chatrier. Angelique Kerber (#3), cabeça 3 em Paris, com uma atuação nada inspirada, tombou logo na estreia diante da holandesa Kiki Bertens: 6/2, 3/6 e 6/3. Atual número 58, Bertens fez um jogo bem a seu estilo. Agressivo e comandando os pontos. Seu maior mérito talvez tenha sido manter a postura no terceiro set, em dois momentos importantes. Primeiro, depois de abrir 3/0 e ver Kerber receber um longo atendimento médico. Depois, mais tarde, quando sacou em 5/3 e 40/15 e perder dois match points. O primeiro, com uma bela passada da alemã, que conquistou até um break point no game. Bertens se salvou, conquistou outra chance para fechar o jogo e, aí sim, completou a zebra.

Bertens, vale lembrar, vem numa sequência de oito vitórias. Na semana passada, no WTA de Nuremberg, furou o qualifying e conquistou o título, pulando da 89ª posição no ranking para o atual 58º posto. Agora, depois de bater a número 1 alemã, tem a chave “aberta” para ir mais longe.

Sem Kerber, a parte de cima da chave perde o nome favorito para enfrentar Serena na semi. Agora, a maior cabeça ali é a suíça Timea Bacsinzky (#9), que derrotou a lucky loser espanhola Silvia Soler Espinosa por 6/3 e 6/1 e enfrentará Eugenie Bouchard (#47) na segunda rodada.

A segunda queda de peso do dia veio mais tarde, com Victoria Azarenka, número 5 do mundo. A bielorrussa, aparentemente, entrou em quadra para enfrentar a italiana Karin Knapp (#118) já com algum incômodo no joelho. O problema se agravou na metade do segundo set, quando Vika parou no meio de um ponto e pediu atendimento médico.

Voltou para o jogo se movimentando melhor, mas sentiu dores outra vez. Knapp sacou duas vezes para a vitória, mas foi quebrada e acabou derrotada também no tie-break, depois de perder um match point, mas com Azarenka correndo normalmente em quadra. No terceiro set, contudo, a dor voltou, e Vika teve de limpar lágrimas em um momento. A bielorrussa acabou optando por abandonar a partida quando perdia por 6/3, 6/7(6) e 4/0.

É mais um caso de lesão em uma carreira cheia delas. Em toda carreira, são mais de 30 jogos perdidos por abandono ou WO. Levando em conta os torneios em que Azarenka disputou a chave principal, a porcentagem de reveses em casos assim é extremamente alta (vide tweet abaixo).

Os cabeças que rolaram

Entre os homens, a eliminação mais relevante do dia foi a de Fabio Fognini (#33), cabeça 32 do torneio e possível adversário de Rafael Nadal na terceira rodada. O italiano foi eliminado rapidamente, em três sets, pelo espanhol Marcel Granollers (#56): 7/5, 6/4 e 6/3. Fognini vinha de três derrotas consecutivas (Madri, Roma e Nice), mas era visto como o maior perigo para Nadal na primeira semana. O eneacampeão de Roland Garros agora tem Bagnis pela frente na segunda rodada e Granollers ou Mahut na sequência.

Outro cabeça eliminado foi Kevin Anderson (#20), superado pelo francês Stéphane Robert (#90) por 6/4, 6/2, 1/6 e 7/5. O resultado, em tese, abre caminho para Alexander Zverev, que passa a ser um ótimo nome para encarar Dominic Thiem na terceira rodada. Alemão e austríaco se enfrentaram no sábado, na final do ATP 250 de Nice, com vitória de Thiem em três sets. Zverev, entretanto, ainda precisa vencer a estreia, interrompida por falta de luz natural. Ele vencia o francês Pierre-Hugues Herbert por 5/7, 7/2 e 7/6(6).

Correndo por fora

Na chave feminina, o dia teve vitórias de: Sam Stosur (#24), que bateu a japonesa Misaki Doi (#42) por 6/2, 4/6 e 6/3; Dominika Cibulkova (#25), que fez 6/3 e 6/1 sobre Saisai Zheng (#85); Carla Suárez Navarro (#14) em cima de Katerina Siniakova (#104) por 6/2, 4/6 e 6/2; Madison Keys (#17), que eliminou Donna Vekic (#96) por 6/3 e 6/2; Venus Williams (#11), que venceu dois tie-breaks – 7/6(5) e 7/6(4) contra Annet Kontaveit (#82); e Ana Ivanovic (#16), que perdeu um set para a convidada francesa Océane Dodin (#148), mas avançou por 6/0, 5/7 e 6/2.

Entre os homens, Tomas Berdych (#8) teve pouco trabalho diante de Vasek Pospisil (#46) e aplicou 6/3, 6/2 e 6/1. Outro postulantes à categoria de azarão do evento que triunfou nesta terça foi o austríaco rei dos ATPs 250, Dominic Thiem (#15), que passou aperto contra o espanhol Iñigo Cervantes (#69), mas se beneficiou de um problema físico do adversário e fez 3/6, 6/2, 7/5 e 6/1. Cervantes chegou a sacar em 5/4 para abrir 2 sets a 1, mas não aguentou o tranco.

Outro trio de nomes respeitáveis, mas que correm por fora, avançou sem problemas: David Ferrer (#11) fez 6/1, 6/2 e 6/0 sobre Evgeny Donskoy (#75), Jo-Wilfried Tsonga (#7) bateu o qualifier alemão Jan-Lennard Struff (#101) por 6/3, 6/4 e 6/4, e David Goffin (#13) superou o wild card francês Gregoire Barrere (#242) por 6/3, 6/3 e 6/4.

O melhor lance

De Rafael Nadal, contra Sam Groth. Winner de gran willy. O ponto do torneio.

Leitura recomendada

A chuva dos dois primeiros dias em Paris requentou o eterno assunto da expansão do complexo de Roland Garros (o menor dos quatro Slams) e da construção de um teto retrátil sobre a Quadra Philippe Chatrier. O diretor do torneio, Guy Forget, culpa a burocracia francesa, mas o assunto não é tão simples assim. Este texto do New York Times (em inglês) explica os porquês do processo demorado.

O melhor tweet

De Andre Agassi, campeão de Roland Garros em 1999, endereçado a Rafael Nadal. O americano diz que levou a maior parte da carreira tentando completar a “tarefa hercúlea” de vencer o Slam francês e afirma que ver o espanhol tentar a façanha pela décima vez em Paris não é apenas memorável, como inspirador. “Você me faz acreditar que na vida tudo é alcançável e nada é impossível!”

O barraco

Nicolás Almagro foi mais um a entrar em um debate acalorado com o árbitro brasileiro Carlos Bernardes. Não consegui vídeo da confusão inteira, mas os relatos na internet são de que a conversa durou sete minutos e teria sido causada porque Bernardes deu uma advertência após ouvir um palavrão de Almagro. O tenista questionou os critérios para aplicação da advertência, alegando que Andy Murray, por exemplo, fala palavrões o tempo inteiro e nunca é punido.

Foco fashion

Aparentemente, o assunto do torneio é a linha da adidas, que colocou seus jogadores vestidos de zebra em Roland Garros. Importante notar que o conceito de zebra como resultado inesperado é exclusivamente brasileiro, então para a fabricante alemã trata-se meramente de uma questão fashion mesmo.

Mas não foram só as “zebras” da adidas que chamaram atenção. Que tal esse modelito bem incomum da francesa Alizé Lim?

Fora de quadra, ou melhor, dentro, mas só para as entrevistas, Marion Bartoli também mostrou um visual nada convencional.

Fanfarronices publicitárias

O vídeo do dia é de Thomaz Bellucci pegando carona com Guga em Paris. O paulista até experimentou uma peruca dentro do carro! Faz parte das ações da Peugeot, patrocinadora do torneio.