Saque e Voleio

Categoria : Brasileiros

Bruno Soares: vaidade, implante capilar e mais de quatro anos de tênis
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Alexandre Cossenza

Demorou um pouco mais do que o habitual, mas finalmente chega o momento de publicar o entrevistão anual com Bruno Soares. Quem lê o Saque e Voleio sabe que com o mineiro há sempre material interessante – desde sempre. A conversa deste ano foi um pouco diferente. Falamos de tênis, claro, mas também conversamos bastante sobre o implante capilar a que o mineiro se submeteu há pouco tempo. Bruno ainda anda de boné por toda parte porque evitar o sol é uma das precauções pós-operatórias.

O descontraído papo é sobre vaidade, temores e decisões, mas se você só quer ler sobre tênis, tem assunto para você também. Bruno lembra dos momentos marcantes de 2016, fala da sensação de começar o ano como dupla a ser batida, compartilha os planos para a carreira e avalia a chance de mudanças no circuito de duplas em breve. Tem assunto para todos os gostos. É só rolar a página…

A gente faz essas entrevistas desde 2012, se não me engano. Na primeira delas, seu objetivo era classificar pra Londres. Mais tarde, era ganhar um slam de duplas masculinas. Hoje, você já tem dois slams de duplas, três de mistas, terminou 2016 como dupla #1 do mundo, tem um filho, está bem casado e – dizem – bem de dinheiro. Qual a motivação pra continuar jogando com 34 anos, a dez dias de completar 35?

Tenho alguns objetivos ainda. O número 1 do ranking “individual” é um deles. A medalha olímpica é outro. Ganhar o Rio Open, outro. Tem um bocado de coisa ainda que eu posso conquistar, mas o principal disso tudo é que eu ainda amo jogar tênis. Acho que esse é o mais importante. Independentemente de objetivo e coisas que você quer alcançar, quando o prazer de ficar duas horas no sol acabar, aí a luzinha vai começando a apagar e aí é hora de repensar a carreira. Acho que isso é o principal. Os objetivos a gente vai traçando para ter um norte, para rumar naquela direção e conquistar. Eu, felizmente, venho conquistando a grande maioria das coisas que eu venho traçando, e espero… Quem sabe mais cinco grand slams nos próximos quatro anos? Tô feliz da vida!

No fim de quatro temporadas, você vai estar com 39?

É. Na próxima Olimpíada, eu estou com 38.

É essa conta que você faz agora? Jogar pelo menos até Tóquio 2020?

É essa conta. Em Tóquio, eu quero estar com certeza. Depois disso, vamos ver como estou de ranking, físico, vontade e tudo mais. Mas acho que me surpreenderia eu parar por minha vontade antes de Tóquio. Eventualmente, se o nível cai, você não aguenta tanto torneio, e uma série de coisas que podem acontecer nessa jornada, mas por vontade minha, estando bem ranqueado e jogando bem, acho muito difícil.

O ano passado começou muito bom, com dois slams (duplas e mistas) na Austrália, terminou como número 1 com um slam em Nova York, e no meio disso teve a medalha que não veio e o número 1 “individual” que escapou por um jogo. Foi uma temporada de altos muito altos e – não sei se baixos muito baixos, mas de sensações muito intensas?

De sensações, sim. Quando você tem um ano olímpico como no ano passado, no Rio, e juntando com as coisas que a gente conseguiu conquistar e estando muito perto do número 1, acho que foi um ano de grandes emoções. A gente pode definir assim. Umas, muito boas. Outras que acabaram muito perto de eu conquistar. É o que eu falo sempre. Quem está no circuito e está acostumado a jogar 25, 26, 27 torneios no ano e tem um torneio de uma semana que é a Olimpíada, todo mundo sabe que a variável é enorme. Você chega lá um dia, o cara mete uma bola na linha, você acorda mais ou menos… É um tiro que você tem. É cruel! Nesse esportes que vivem da Olimpíada, é muito cruel com a turma. O cara se prepara quatro anos, de repente ele acorda e está ventando… acabou!

E aí são mais quatro anos para tentar de novo.

Mais quatro anos para tentar de novo! O cara não tem circuito. Acabou. Isso que é o cruel das Olimpíadas. E a gente… Se você tem o sonho de conquistar a medalha olímpica, é a mesma coisa. É cruel também. Batemos na trave em Londres, batemos na trave no Rio, vamos tentar de novo em Tóquio.

Eu ia perguntar que sensação tinha sido mais doída, mas pelo que você falou, não conquistar a medalha foi muito mais forte do que o número 1 que não veio…

Acho que Olimpíadas, cara. Justamente por isso. Aquilo ali, a gente estava num momento muito bom, a gente estava na briga… Hoje eu estou mais longe do número 1. Perdemos dois mil pontos da Austrália, para chegar no número 1 é um processo de novo, mas a gente estava na boa. E Olimpíada é o que eu te falei. Você perde nas quartas, acabou. Quando é a próxima? Tóquio 2020. Você fala “puta merda”, acabou. É porque você faz muita coisa pelas Olimpíadas. São dois anos que a gente estava no planejamento. Tudo que a gente faz é pensando em Olimpíadas. Em tudo que a gente montou, as Olimpíadas estavam envolvidas também. Você passa um tempo muito grande martelando aquilo ali. Obviamente, é um negócio completamente diferente. Você tem vila olímpica, cerimônia de abertura, tudo aquilo, e quando acaba, você fala “acabou”. Mais quatro anos agora. Senta e espera.

E qual foi o alto mais alto? Aquelas 16 horas de Melbourne quando você tomou 12 xícaras de café? (Bruno foi campeão de duplas e mistas em dias consecutivos)

Acho que foi. Estou tentando comparar com o número 1, que foi do caralho também, mas aquele fim de semana de Melbourne foi algo. Porque foi meu primeiro grand slam de duplas masculinas, da forma que aconteceu… A gente acabou de madrugada, não consegui dormir, naquela pilha, adrenalina, entrevista, aquela loucura… E você para pra pensar, “o que você tem amanhã? Outra final de grand slam!” Então foi um negócio meio doido, na base da adrenalina mesmo. Pouquíssimos jogadores conseguiram ganhar dupla e dupla mista no mesmo torneio. Consegui colocar meu nome num lugar muito seleto e muito especial.

Você já falou bastante sobre o motivo do sucesso da parceria com o Jamie. O que acho interessante é que vocês ganharam em Melbourne, quando as duplas ainda estavam se encontrando, e ganharam de novo em Nova York, quando todo mundo já sabia quem era quem. E agora, começar o ano como #1, como umas das duplas a serem batidas, está sendo muito diferente?

Acho que eu vivi muito isso com o Alex [Peya]. A gente não ganhou um slam, mas se firmou como uma das melhores duplas do mundo muito rápido. Em 2012, a gente começou bem. Já saímos ganhando dois 500. A turma já tinha a gente como uma referência das duplas mais fortes. Obviamente, com o Jamie foi um negócio de ganhar dois grand slams, terminar número 1… Mas eu acho que de uma forma geral, é resultado do que a gente faz. Independentemente do resultado das duplas, a gente está estudando. O Alan [MacDonald, técnico de Jamie Murray], o Hugo [Daibert, técnico de Bruno] e o Louis [Cayer, técnico da federação britânica] vão lá e fazem vídeo, falam para a gente. A gente assiste aos jogos juntos depois. Eu acredito que os outros também estão fazendo, anotando. “O Bruno gosta da sacar ali, essa é a principal jogada deles.” Esse tipo de coisa todo mundo está fazendo. Aí é a hora que entra a qualidade do jogador de variar, se inventar. É a parte mental do jogo. O cara acha que eu vou sacar ali; eu sei que se eu sacar lá, ele vai bater ali. Então fica aquele negócio de quem vai fazer o que primeiro.

Agora, mudando de assunto, o que o pessoal comenta, mas anda meio sem graça de te perguntar… Você fez implante (de cabelo)?

Eu fiz! Vergonha zero de falar! Estou de boné o tempo inteiro porque não posso tomar sol. Eu tinha ido no médico no fim do ano, mas tem um processo que exige que você fique dez dias parado. É muito complicado pra mim. Quando eu machuquei [no Australian Open], liguei para essa médica, Dra. Maria Angélica Muricy, que está sempre com a agenda lotada, e falei. Eu chegava segunda à noite no Brasil. Quarta era feriado em São Paulo. Ela falou “eu não opero feriado e fim de semana, mas vem que eu te opero na quarta-feira.” Ela é nota 1000.

Como funciona isso?

Essa técnica chama “fio a fio”. Você coloca, o cabelo cresce um pouquinho, e em 25, 30 dias, esse cabelo cai. E aí em três meses, nasce o cabelo definitivo. Não, não tenho vergonha nenhuma! Até porque eu era careca, agora não sou mais! (risos) Não posso negar, né? Se o cara pergunta “você fez implante?”, não posso dizer “não, cresceu do nada!” (mais risos de ambos)

Cidade maravilhosa #rio #rioopen

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Mas estava te incomodando visualmente?

Não vou dizer que sou zero vaidoso porque fiz essa parada, mas não tenho vergonha nenhuma de comentar. Mas o que aconteceu? Foi de uma hora para a outra! Eu nunca me incomodei pelo fato de estar ficando careca. Acho que ano passado eu apareci muito na TV e me vi muito e comecei a falar “eu tô careca pra caralho, velho.” Eu, pelo menos, senti isso, que fiquei muito mais careca no ano passado. Entrou demais e tal. Aí estou batendo papo com o Márcio [Torres, empresário], conversando sobre implante, mas o Márcio é cabeludo, não sabia nada. Mas o [pessoa cujo nome foi omitido em nome da amizade], que é nosso amigo, fez. Não sei nem se devia falar o nome dele porque ele pode estar escondendo. Aí mandei um WhatsApp pro cara. Ele falou “velho, zero dor, técnica nova”, e ele me explicou. Marquei uma consulta e, realmente, agora é uma técnica que você tira de trás, implanta na frente. Zero cicatriz, zero dor. É muito mais fácil.

Você então não sofreu bullying nem tem trauma de infância? Nada mesmo?

Zero, zero! Sabe por que eu animei? Porque quando eu falei com o [amigo], ele disse “zero dor”. Aí eu me animei. Fui lá, ela me explicou o processo e falei “ah, vou fazer essa porra antes que eu fique careca completamente.” Mas com quem quiser falar do implante, eu falo abertamente. Nunca tive trauma. Tanto que eu não sabia de nada [sobre o assunto antes do procedimento].

E a Bruna (esposa), o que achou?

A Bruna nunca falou um “a”. Quando eu voltei, ela perguntou, eu falei “vou operar.” Ela falou “o quê??? Não vai me consultar?” Não, já decidi, o trem é simples, vou fazer. Para ela, não muda nada com ou sem cabelo.

Pergunto porque vocês estão juntos há muito tempo, então ela acompanhou todo processo de queda, né?

Ela foi acompanhando o processo, mas quando você convive o tempo inteiro, a pessoa vai “carecando” e você vai acostumando. Você não toma um choque. Não é um cara que me viu com 18 anos e depois só me viu com 34. O cara olha e diz “ele tá carecaço.” Mas se você me vê todo dia, vai acostumando com aquela imagem visual. Mas ano passado me incomodou. No ATP Finals, tinha uns pôsteres enormes que eu olhava assim e falava “tô muito careca!” Mas aí, na conversa com o Márcio, quando ele disse que o [amigo de identidade preservada] fez… Essa técnica nova é outro nível.

Falemos de política um pouco pra fechar… O Andy Murray assumiu a presidência do Conselho dos Jogadores, e um dos primeiros assuntos que ele levantou foi o circuito de duplas. Principalmente o sign-in on-site (quando tenistas se inscrevem no torneio em cima da hora, pouco antes do fim do prazo para o fechamento)…

O lance do sign-in é muito complicado. Por que que existe o sign-in on-site?

Por causa deles, os simplistas, né?

Por causa deles. Mas por que que o Andy viu isso [Andy Murray reclamou do procedimento quando jogou o Masters de Paris em 2015]? Porque ele estava jogando com o [Colin] Fleming, então ele estava na boca do gol [correndo o risco de não entrar na chave por causa do ranking combinado]. Se ele estivesse jogando com o Ferrer, ele assinava e podia ir para o hotel dormir que ele ia entrar. Como ele precisava de conta, ele viu a loucura que é em cima da hora. Mas o sign-in foi feito para esses caras. Os caras que vão entrar mesmo… Ah, o Federer vai assinar com o Wawrinka. Ele assina e vai embora porque vai entrar. Os caras que estão na boca do gol é que ficam naquela loucura. E tem muita que é duplista e precisa entrar.

Como é essa loucura?

Eu vou assinar com você. Deu dois minutos, ele assinou. Deu três minutos, fulano assinou. Aí você tem que mudar. Eu já não estou mais com você porque senão a gente não entra. Então eu vou jogar com esse fulano…

Pode mudar depois que assina?

Pode! Rabisca e assina com outro. Acontece esse troca-troca. Mas é normal. É o seguinte: ou a gente faz tudo “advanced”, ou seja, inscreve no sistema e ninguém vê, igual nas simples, que era o formato mais normal, mas esse formato vai, de certa forma, fazer com que os jogadores de simples tenham que se programar. O Andy tem um ponto muito bom, que é organizar a situação. Todo mundo concorda. Mas tira uma das vantagens do on-site, que é atrair mais jogadores de simples de última hora.

E qual é o prazo pra inscrição de vocês?

Duas semanas. A grande maioria já está se programando. E hoje tem muito jogador de simples jogando dupla. Esses caras, antes, não se programavam. De uns dois anos para cá, isso mudou. Tirando o top 10, eles se programam. E o [Dominic] Thiem não assina on-site. Ele se programa.

E outra coisa que foi levantada, também por alguns duplistas, foi o formato da pontuação. Há um movimento ainda pequeno para que volte a pontuação anterior. Você acha possível?

Pela galera que joga e vive disso, com certeza mudaria. Mas uma das coisas que eu vejo que evoluiu muito foi trazer os jogadores de simples. Isso aconteceu. Todo torneio grande tem três, quatro top 10 e oito ou nove top 20. Mais do que isso, não dá. E tem a coisa de quadra central, mas isso está mudando. Eu até nem acho legal ter a dupla na quadra central, dependendo do torneio. Eu briguei muito por isso [no Conselho], pela possibilidade de a pessoa poder ver seu jogador favorito. A gente tinha um gap muito grande, que era só mostrar a quadra central. Com o stream, isso vai mudar. O torcedor vê quem ele quer, não quem só está na TV. Sobre o formato, acho que a mudança pode acontecer, mas principalmente da parte dos torneios, existe uma luta muito grande contra isso. Voltar ao normal, quase impossível. Mudar um pouquinho, eu vejo possível. Ou acabar o super tie-break ou acabar o no-ad, jogar dois sets normais e um super tie-break. Acho que vai ser coisa de experimentar e ver o que funciona melhor.


Caricaturas no Rio Open
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Alexandre Cossenza

O Rio Open deu de presente a todos tenistas tags (para malas, bolsas, raqueteiras e afins) com suas caricaturas. É uma lembrancinha a todos atletas que estão na chaves principais de simples e duplas do ATP 500 carioca.

As imagens são bem bacanas. Vi algumas e reproduzo abaixo. Acho até que ficariam bacanas se a galera imprimisse em tamanho real e levasse para a quadra central do Jockey Club Brasileiro. Vejam:

Volto amanhã com uma entrevista reveladora com Bruno Soares.


De Bellucci a Bouchard: um brasileiro na elite da preparação física
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Alexandre Cossenza

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Cerca de seis anos atrás, Cassiano Costa deixou de ser preparador físico de Thomaz Bellucci. Foi pouco antes disso que conversamos pela última vez – em fevereiro de 2011, quando o tenista queria ganhar massa muscular. A chegada do técnico Larri Passos, no entanto, fez a carreira de Costa tomar outro rumo.

Hoje, o paulista de 40 anos é um dos profissionais da preparação física mais conceituados do mundo. Depois de três anos a serviço da IMG, empresa que gerencia a carreira de vários tenistas de elite, Costa agora é preparador particular de Eugenie Bouchard, ex-top 5 e considerada um dos maiores talentos do tênis atual – são os dois na foto acima, a propósito. A canadense teve lesões em 2015 e 2016, ocupa hoje o 44º posto na lista da WTA e agora busca dar um fim aos problemas físicos para voltar a subir no ranking.

O brasileiro é peça fundamental nessa engrenagem. Cassiano Costa ajudou a desenvolver uma bebida especial para “Genie” se hidratar e vem fazendo a atleta ganhar massa muscular. A canadense confia tanto em seu trabalho que paga excesso de bagagem em todas viagens só para que Costa leve todo seu equipamento especial.

Batemos um papo por Skype sobre um pouco de tudo. Continuamos de onde “terminamos”, com o fim da parceria com Bellucci, falamos de sua passagem pela IMG e do atual período com Bouchard, mas também falamos de tênis em geral. Do que faz gente como Federer, Djokovic e Nadal se distanciar do resto, de como montar calendários e de quanto as exibições de fim de ano pesam (ou não) na integridade física de atletas da elite. A íntegra está abaixo:

Vamos começar por onde terminou a nossa última conversa, que foi no Brasil Open, quando o Larri estava começando o trabalho com o Thomaz. Naquela época, muita gente dizia que o Larri preferia trabalhar sozinho e você não ficaria na equipe. A sua saída (em abril) pegou de surpresa?

O pessoal falava isso já. O Larri é uma pessoa legal pra caramba, uma pessoa fantástica e um profissional que teve um resultado brilhante com o Guga, criou o sistema e metodologia dele e tinha dificuldade de deixar outras pessoas penetrarem. Não foi novidade isso. Só que eu também tinha minha metodologia, meus resultados e, para nada atingir o Thomaz, nós acabamos decidindo que era melhor cada um seguir seu caminho. Isso acontece muito no tênis. Não é exclusividade do Larri. O pessoal fica massacrando ele, mas isso é do tênis. É difícil às vezes a comunicação entre o preparador físico e o treinador. Às vezes, quem paga o preço é o atleta, mas no nosso caso, a gente detectou rápido, e era mais fácil era mais fácil eu ver outras coisas que já estavam acontecendo e eles continuarem.

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Nenhum problema na relação, então?

Continua tudo bem com todo mundo. Encontrei com o Larri agora no Australian Open, foi super gentil. Com o Thomaz nós jantamos várias vezes em Sydney. O João [Zwetsch] também é um cara com quem me dou super bem, então não foi tanta surpresa. É um pouco praxe isso no tênis. Está melhorando isso agora.

Esse rompimento foi em abril de 2011. Você foi contratado pela IMG em 2012. Como foi esse processo?

A história é longa. Em 2006, quando eu tive um pequeno intervalo com o Saretta, eu trabalhei com a [americana] Jamea Jackson. O treinador dela é um brasileiro que está nos EUA há muito tempo, o Rodrigo Nascimento, e a gente fez uns três, quatro meses juntos. Ela era agenciada pelo Ben Crandell, que é da IMG. Em 2009, o Rodrigo era treinador do [tenista português] Gastão Elias, e ele teve que se afastar do tênis por quase um ano. Ele teve uma lesão bem séria na coluna, e o Rodrigo me procurou. Foi um projeto exitoso porque alguns médicos tinham falado que ele não ia poder mais jogar. O Ben Crandell era o agente dele também. Em 2010, o Ben me recomendou para a [Vera] Zvonareva, e também foi um bom ano. Ela foi número 2 do mundo, então eu tinha uma boa imagem para o Ben. A IMG decidiu contratar alguém específico para o tênis, e ele me recomendou.

Entendi.

E foi uma coisa de timing. Eu teria que ir aos EUA para fazer o processo seletivo. Na época, eu estava ajudando um garoto chamado Roberto Afonso, e ele estava indo para a IMG fazer um semestre lá. Ele falou “você não quer vir comigo as duas primeiras semanas?” E calhou que o processo seletivo era na semana que nós chegávamos. Então foi um baita timing. Tudo estava encaminhado para acontecer. Já no voo de volta, eu tinha a mensagem de voz deles, dizendo que eu tinha sido selecionado. No dia 3 de setembro de 2012, eu fiz meu primeiro dia lá como preparador geral do tênis.

E esse trabalho era com todos os tenistas da IMG que não tinham preparador particular? Como funcionava?

Na verdade, eu era beeeeem ocupado. A IMG tem a academia normal, para crianças que vão desde o iniciante até o nível avançado, então são crianças de 7 até 18 anos de idade. São grupos grandes, 300 alunos por semestre. Eu tomava conta de todos esses – claro que tinha pessoas que me ajudavam, mas eu era o coordenador desse trabalho. Junto, tem os “campers”, que são as pessoas que vão fazer de uma a três meses, que é outro grupo grande, que tinha que toar conta. E os atletas que elas chamam de “junior elite”, que na época eram o Michael Mmoh, Yoshihito Nishioka, a Fanny Stollar, a Natalia Vikhlyantseva, todo mundo que aí está agora figurando entre os 100, cento e pouquinho. Esse grupo já era bem específico, cheguei a fazer algumas viagens com eles. E a gente tomava conta dos profissionais que ou não tinham preparador ou que tinham preparador que não viajava com tanta frequência, além de gente que vinha só fazer pré-temporada.

Então era bastante coisa mesmo.

Essa era a parte do tênis. Eu tinha que cuidar da parte de velocidade do futebol, uma parte específica que a gente desenvolveu lá. Quando eu saí da IMG, era assistente geral da preparação física de todos os esportes. Estava bem ocupado lá (risos). Fiquei de setembro de 2012 a 31 de dezembro de 2015.

E se somar esse período todo, então você trabalhou com mais de 30 jogadores que estiveram nos Jogos Olímpicos do Rio?

Mas não é que todos fizeram tratamento integral comigo. Alguns fizeram avaliação, alguns fizeram dois treinos, alguns fizeram dois meses, mas tivemos 34 ou 36 na chave da Olimpíada, estou sem o número preciso aqui, mas de alguma forma nós auxiliamos. É que aqui nos EUA eles contam muito o “trabalhei com atleta olímpico”, então a IMG deu um número para mim com “X jogadores que estiveram aqui no seu período.”

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Hoje, dentro do circuito, como você vê a importância que o os tenistas de elite dão ao aspecto físico? Ainda tem muita gente jogando além do que deve ou já existe uma consciência geral de que não dá para “entupir” o calendário?

Acho que o Dominic Thiem [foto acima] está sendo um pouquinho a exceção da regra agora.

(risos) Se você não falasse, eu ia perguntar sobre ele.

Acho que ele é um cara que é novo, quis se meter no top 10 e, enfim, sai um pouco da regra. A maioria dos atletas bem ranqueados ficam na casa dos 20 a 24 torneios por ano, não muito mais do que isso – o que ainda pode ser considerado alto, mas eles têm a obrigação de jogar 18 torneios de qualquer forma. Eu vejo que os atletas europeus, na maioria, e os americanos estão começando a reduzir o número de jogos e torneios, estão começando a selecionar melhor. Para nós, sul-americanos, e para os asiáticos, é muito mais complicado. Boa parte do tour é nos EUA/Canadá ou na Europa, então quem perde volta para casa, tem uma situação melhor para treino. Nós, não. Você vai para jogar na Europa, tem que jogar tudo. Se você perder, vai ter que pagar quadra de treino, hotel e tudo. É melhor você estar num torneio, que te salva dois, três dias desses custos, do que ir só treinar por conta própria. Então nós acabamos jogando um pouco mais por uma logística complicada. Com a Bouchard, se a gente vai jogar Washington… Deus que me livre, mas se ela perde a primeira rodada, volta para casa. Volta para treinar, para descansar. Um brasileiro tem que colocar um torneio na segunda semana, tem que entrar na dupla, tem que fazer um samba para não ficar tão caro.

Além do custo, o quanto essa viagem de 10h, 11h, 12h atrapalha fisicamente?

Essa é outra parte porque… O que vai acontecer? O europeu perde um torneio, viaja de trem uma hora e está em casa. Imagina nós, 11h, 14, 16h, jet lag, tem que voltar em menos de uma semana. Tem custo, logística, a parte física e a parte mental também. As viagens longas não são algo que todo mundo faz com bom humor, né?

Exibição no fim do ano atrapalha muito fisicamente? Os diretores de torneio reclamam que fizeram um calendário mais enxuto porque os tenistas queriam mais férias. Só que eles pegam as férias e vão jogar IPTL ou exibição em algum lugar qualquer. E aí os diretores ficam putos porque é dinheiro que circula fora do circuito. Mas e fisicamente?

Ah, eu, particularmente, não gosto muito da ideia. Entretanto, você às vezes tem que respeitar as decisões da equipe toda. Você tem a expectativa de várias pessoas dentro de uma equipe. Você tem, primeiro, o trabalho do agente, que vai tentar explorar a imagem do atleta dele e captar recursos financeiros em troca disso. Muitas vezes, nos torneios, por os atletas estarem muito envolvidos com a competição, não se tem muita chance de fazer isso. Nas exibições, você tem uma oportunidade melhor. Junto com isso, o appearance fee [cachê], em geral é altíssimo, então chama atenção do atleta. Para nós, preparadores, claro que preferiríamos que o atleta investisse esse tempo em repouso ou treinamento. O que tem sido feito agora é que os atletas fazem uma pausa anterior ou você tem mais transições durante o ano para já incluir no calendário as exibições.

Entendi.

Se você pergunta “o atleta gosta de jogar?”, ele gosta de jogar. A verdade é essa. Eu ia ficar surpreso se o cara chegasse e dissesse “eu adoro fazer agachamento, ficar dando sprint”. Mas eles estão entendendo também a necessidade de se preparar melhor para o ano, então já não jogam todas as vezes. A liga asiática [IPTL], a maioria do pessoal que está indo acaba não jogando tantos torneios antes de Melbourne ou tiram fevereiro para treinar. Eles estão adaptando o calendário. Quem não fica feliz é o pessoal da ATP e da WTA? Quem está se favorecendo são os empresários das exibições.

Mas causa muito desgaste para quem joga?

O risco de lesão é iminente a temporada toda. Não seria a exibição que aumentaria sozinha esse risco. A minha maior questão é como é tratada a temporada como um todo. Se você me fala “o cara não jogou o ATP Finals no fim do ano” e teve uma pausa de duas, três semanas, aí treinou uma semana e meia, duas, foi para exibição e volta para dar continuidade em mais duas, três semanas de preparação… Na verdade, é um bom plano. Não é um plano que vai por tanto em risco em risco a integridade dele. Ou o cara joga o ATP Finals, tira duas semanas de descanso, vai jogar a liga ainda no ritmo que ele teve do ano. Passa a liga, tira três semanas de preparação, joga Melbourne e aí descansa mais umas duas semanas, se prepara em fevereiro e vai jogar Indian Wells… Não é um mau plano. É só um plano que talvez a gente não esteja tão acostumado. A gente estava mais vinculado àquele “termina em novembro, descansa umas semanas em dezembro, prepara e joga no começo do ano.”

Tudo é questão de planejamento, então…

Exato. Pra mim, é complicado se a exibição chega sem muito aviso prévio e você está sobrecarregando o atleta. Aí, sim, eu acho que põe em risco. Eu peguei ela [Bouchard] já no começo da pré-temporada, mas já se tinha em mente que existia a possibilidade dela jogar a Ásia [IPTL], então já havia um plano para aquilo. Ela já sabia, sei lá, desde julho/agosto. Não é algo que foi forçado no calendário dela. Já estava planejado.

Falando mais especificamente sobre a Genie, então… Vocês começaram a trabalhar quando?

Nós começamos a pré-temporada na segunda semana de dezembro de 2016. Em 2015, eu a ajudei por uma semana, enquanto ela estava numa transição de preparadores físicos, e ela foi treinar na IMG. treinamos ela por uma semana, mas ela deu sequência com a equipe dela. Aí agora a gente começou oficialmente na pré-temporada.

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E esta parceria de agora veio por causa daquele trabalho de 2015?

É. O Thomas Högstedt, treinador dela… A gente se conhecia da IMG, ele tem duas afilhadas que jogam juniores e elas treinam na IMG. Eu as treinava, aí a gente começou a conversar, estabelecer uma relação, etc., e quando ele treinou a Genie em dezembro de 2015 até março de 2016, sempre falou no interesse de trabalhar junto comigo. Quando eu disse para ele que não tinha mais interesse de continuar no Strykers [Fort Lauderdale Strykers, time de futebol], ele ainda estava com a Madison Keys, que tinha seu próprio preparador físico. E quando ele fechou contrato com a Genie, ele lançou a ideia, ela foi positiva e surgiu a oportunidade.

Como foi a primeira conversa de vocês? Ela já tinha algo em mente sobre o que queria fisicamente?

Foi engraçado porque um pouco do que ela sentia eu, de vê-la jogando, já compartilhava a ideia. A gente só refinou essa ideia. Nossos três pontos principais são os seguintes: o primeiro – isso aí é um pouco regra geral – é deixar ela saudável o suficiente para não ter lesão na temporada. Ela teve em 2015 e 2016 umas pequenas lesões que incomodaram, que não deixaram ela jogar no top dela. O segundo é aumentar um pouco a massa muscular dela. Para não dizer que ela só quer ficar grande, não é bem isso. Ela se sente mais confortável jogando com o peso um pouco acima do que ela estava no começo da pré-temporada. Ela se sente mais forte e, na linha do treinamento físico, a gente sabe que a força é um grande componente da potência, que vai auxiliar os jogadores a não terem lesão, e às vezes, para desenvolver a força, existe um pequeno aumento de massa muscular. Nada grande, nada que vai transformar ela numa Serena Williams. As coisas não acontecem assim. Mas ela vai aumentar uns dois, três quilos de peso total corporal. Visualmente, vai haver uma diferença. Sei que muitas das pessoas do tênis dizem que ela vai ficar mais pesada, é mais massa para carregar. Também não é verdade. Os corredores de 100 metros, que são os mais velozes do mundo, são caras com boa estrutura física. Tudo isso é coordenado. Ganho de massa, tonificação… Não é que a gente está só aumentando o peso dela, mas é algo com o que ela se senta mais confortável jogando. E o terceiro ponto, que eu dialoguei mais com o Thomas e ela concordou, é que nós achamos que existem alguns pontos do footwork que ainda existem chance de melhora, e vai ser outro ponto que a gente vai atacar. Não é que não seja bom, mas a gente quer deixar em um nível ainda mais alto. Ela é uma menina rápida, então dá para explorar isso bastante.

Não sei se foi impressão minha, talvez pelo que ela vestiu em Sydney e Melbourne, mas eu já achei ela mais forte neste começo de ano. Pelo menos o bíceps foi algo que me chamou atenção. Isso já é resultado desse trabalho ou foi só impressão?

Já é. É até um ponto legal porque ela viu uma das fotos dela… Eu e o Thomas já falávamos para ela. “Sua perna já está mais forte”, mas ela dizia que olhava algumas fotos e não percebia. Aí ela viu a primeira foto do primeiro jogo no Australian Open e falou “caramba, não tinha essa impressão”. É mais ou menos o que o pessoal vai vendo. Não vai fugir muito daquilo. Uma coisa que nós percebemos é que em Sydney ela fez semifinal e perdeu um pouquinho de peso na semana. Aí a gente conseguiu recuperar. Em Melbourne, ela também perdeu um pouquinho de peso, então a gente só vai fazer um controle para que aquela imagem do primeiro jogo seja bem similar à do último jogo.

A bebida que ela toma durante os jogos foi desenvolvida também por você, não? Como foi esse processo? O que você pode contar sem revelar o segredo?

A maior preocupação que a gente tem nos EUA, principalmente, é que os atletas tendem a sofrer muito na umidade. Muitos chegando a ter cãibra de corpo inteiro ou síndrome de exaustão ao calor. A Genie nunca teve, mas como outras jogadoras, é uma condição que ela não joga tão confortável. Sendo um pouquinho científico para entender, uma das propriedades que uma bebida precisa é facilitar a entrada das substâncias que ela carrega na passagem pelo estômago, indo para o intestino. Isso depende de um conceito chamado osmolaridade, que é uma troca de pressão entre as moléculas de uma substância. Resumindo: a gente precisa de algo que empurre as coisas para dentro do estômago – ou que facilite isso. A bebida que foi desenvolvida aqui nos EUA, curiosamente, por um grupo de argentinos, tem a osmolaridade diferenciada. Isso ajuda a hidratação. Quando comparada com outras bebidas – que eu não vou citar o nome – ela tem um melhor resultado na hidratação geral. Então a gente adaptou uma outra bebida conhecida para hidratação de crianças, a gente adaptou para o nível de esporte. A gente testou com ela, testou com o [Vasek] Pospisil, e ele é uma pessoa que eu treinei bastante aqui e tinha o interesse de testar. Tivemos bons resultados. Eu levei isso para o futebol, tivemos bons resultados no Strykers. E aí ela [Genie] se interessou em tomar. É uma bebida que, sozinha, não vai fazer todo o segredo. A gente mistura com outras coisas. No caso dela, que é uma atleta patrocinada pela Coca-Cola, a gente mistura com Powerade, então fica tudo organizado.

Quando você fala de hidratação, não consigo não pensar no Thomaz [Bellucci], que é um cara que tem muito problema quando joga em lugar úmido. Já havia essa situação quando vocês trabalharam juntos?

Não. Infelizmente, até a linha de estudo que estava sendo conduzida, o Thomaz seguiu por um tempo e foi muito bom, era uma linha voltada para déficit vitamínico e etc. O grande mérito aí é do Dr. Ronaldo Abud, que ajudou. Por um tempo, surtiu grande efeito. Depois, eu já não estava com ele na equipe, não sei que aconteceu depois, mas uma vez a gente bateu um papo e ele disse “as vitaminas já não são suficientes”, mas eu também não tinha nem muito conceito sobre isso.

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Voltando à Genie, o Daniel [Costa e Silva, assessor de imprensa de Cassiano], me contou que ela paga excesso de bagagem para você levar uma mala com seus equipamentos. O que tem de especial nessa mala?

Tem tudo, cara. Primeiro, tem o convencional, que todo jogador de tênis leva ou deveria levar. Corda para pular, borracha elástica para fazer exercício, uma medicine ball leve para usar no aquecimento, uma escadinha… Aí eu levo algumas particularidades. A gente tem umas luzes chamadas fit light, que trabalham reação visual e coordenação óculo manual. Numa característica mais próxima do tênis, eu consigo controlar o tempo, então viajo com isso. A gente tem outros dois sistemas. Um que numa peça sozinha eu consigo fazer vários movimentos feitos numa academia, com maior fundamento para o tênis, para trabalhar aceleração e desaceleração. E, por fim, eu tenho um aparato biomecânico para avaliar se os movimentos dela estão corretos. Fica uma mala extra porque se eu fosse misturar na minha, não ia nem caber, e ela tem muito interesse, então falou “não tem problema, vamos levai isso aonde nós formos.”

Por estar no meio dessa elite, você vê que gente como Federer e Djokovic faz algo especial em preparação física ou só o fato de terem mais dinheiro já ajuda o bastante, com a possibilidade de preparadores físicos e equipes maiores?

Tem vários pontos. O primeiro que você levantou é muito bom. O fato de ter condição de investir num time faz uma diferença tremenda. Por exemplo, não é todo mundo que tem a conveniência de pagar cem ou duzentos dólares numa mala para viajar o mundo inteiro. “Mas só 100, 200?” Quando você multiplica por todas semanas, vira um número grande. É um exemplo chulo, mas é verdade. Então, sim, essa turma tem condição de se preparar melhor já pela logística. Segundo e que eu vejo como característica tremenda que vejo neles, é o nível de profissionalismo e seriedade que eles têm com as coisas. Não que outros não tenham, mas o deles é acima da média. O cara entende o benefício que as coisas vão trazer para ele, e ele vai fazer no seu máximo. Vejo muitos atletas que reclamam “ah, mas não consigo”, “ah, mas o dinheiro” e quando você vê a aplicação da pessoas em todos os aspectos, falhou aqui, falhou ali e justifica. Outra coisa: eles têm uma energia mental muito boa. Alguns deles trabalhando meditação, mental coaching ou algo natural como o Nadal. Mas uma característica similar a todos eles é uma estabilidade e uma força mental, uma capacidade de reagir. Para mim, sendo sincero, em nível técnico tenho a impressão de que Federer e Djokovic desenvolvem um pouco mais do que a maioria, mas a força mental e, depois, a força física é onde vejo que as coisas fazem uma diferença tremenda.

Verdade.

Eu tive a oportunidade de ver o Federer aquecendo para o segundo jogo dele em Melbourne, e você vê que o cara está bem relaxado, conversando com o pessoal, vendo os outros jogos e tranquilo. Aí o técnico fala “vamos lá, vamos aquecer”, e o cara “bum”, se fecha no momento dele, com muita confiança, muita concentração. Acho que nisso a grande maioria ainda está longe. A força mental desses caras é de outro mundo.

Eu acabei esquecendo de perguntar lá no começo, mas você saiu do futebol para o mundo do tênis em 2006, a convite do Raí. E como foi essa transição? Qual foi a maior dificuldade?

Eu tive muita sorte de ter o [Flávio] Saretta como primeiro atleta por vários motivos. Um dele foi ele ser um cara que estava num nível altíssimo e teve a paciência de me ensinar o esporte corretamente. Eu não tinha jogado tênis. Eu não tinha noção de grip, tensão de corda, nada. E são coisas que, no futuro, você vê quanta diferença faz. Mas eu fui ler muito a respeito, perguntei para muita gente, mas quem me ensinou muito foi o Saretta. Ele via que eu fazia uma coisa errada, aí ele vinha e dizia “presta atenção nisso daqui, você tem que saber isso daqui. Eu sei que no futebol é assim, mas no tênis é daquele jeito.” Depois, quando o Jaime Oncins integrou a equipe dele, foi outra pessoa a quem eu devo muito. Esses dois caras foram muito pacientes em me ajudar na transição. Só para você ter uma ideia, o primeiro jogo do Saretta que eu fui ver foi o Aberto de São Paulo. O árbitro chamou uma bola ruim, e eu reagi que nem futebol. Ele e o Jamie me olharam e falaram “calma, calma, o ambiente aqui é diferente.” (risos) Mas é um esporte bárbaro, hoje é minha verdadeira paixão, gosto mais do que de futebol – espero que meus amigos do futebol não leiam isso (risos). É incrível porque reune muitas ações de coordenação, muita agilidade, muito timing, poder de concentração. Você tem que estar atento à forma que o cara joga, a forma que ele segura a raquete… A mínima mudança no serviço pode trazer um monte para o corpo dele, então você tem que estar no topo disso e reagir junto com o atleta. Mas foi um período engraçado (risos). O primeiro mês foi um desastroso feliz. Acho que errei muita coisa, mas o Saretta relevou e mostrou o caminho. Foi um período engraçado. Outro dia, estava lendo uma planilha de treino de 2006 e falei “caramba, que loucura!” Como, graças a deus, eu evoluí.


Bia Haddad: sobre meditação, expectativas, contas a pagar e amor no tênis
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Alexandre Cossenza

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“Se eu estivesse ganhando jogo, você saberia.” Foi assim, direto, mas sem mágoa, que Bia Haddad reagiu quando lhe disse não saber que ela morava no Rio de Janeiro há um ano. E a paulista foi assim a conversa inteira, que durou 30 minutos marcados no relógio. Direta, sem fugir de respostas e dando opiniões.

O papo era sobre 201/6/17, mas falamos de muito mais do que tênis. O esporte serviu de ponte para abordarmos educação, ioga, finanças e um bocado de outros temas. Bia falou sobre como quer jogar em 2017 – agressiva, mas se movimentando melhor em quadra -, mas também comentou o quão duro é chegar de uma viagem vitoriosa com dois patrocinadores a menos (Correios e Asics).

A paulista de 20 anos, atual #172 do mundo e #2 do Brasil, também falou do trabalho de meditação que faz no dia a dia, do que acha sobre quem larga o colégio cedo para jogar tênis, de aprender a controlar expectativas e do momento do tênis feminino. E falou bastante, sem titubear.

Bia só ficou sem jeito quando comentou – a meu pedido – o namoro com Thiago Monteiro. Procurou palavras, mudou frases, ficou com o resto vermelho. Mas quando começou a falar – e Bia gosta de falar! – mostrou todo orgulho que sente pelo namorado e sua ética de treinos.

Sim, a entrevista é grande (se você é leitor do Saque e Voleio, sabe como as coisas funcionam por aqui), mas é um papo delicioso que vai te fazer conhecer e entender melhor a menina que há muitos anos é vista como maior esperança do tênis feminino no Brasil. Role a página e curta.

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Em 2015, você terminou a temporada como 198 do mundo. Hoje, você é 172. Você usa ranking como parâmetro para dizer se um ano foi positivo, mesmo considerando que ficou seis meses sem jogar no ano passado?

Em 2015, eu terminei sem jogar sete meses, então não dá pra comparar um ano com o outro. O principal foi que neste ano eu tive mudanças. Em 2015, eu ainda morava em Balneário Camboriú. Este ano, vim treinar na Tennis Route, que é um centro de treinamento super diferenciado no Brasil. Estou aprendendo coisas novas aqui, então essas 20 posições aí que eu ganhei não têm nada a ver com ser melhor ou pior. Este ano foi um ano de mudanças, de consolidação de algumas coisas. Técnica, física, mental, alimentação… Mudei várias coisas. Não estava preocupada com resultado em nenhum momento. Tirando essa última gira, não foi um ano de muitas vitórias, mas foi um ano que consegui colher um pouco do que eu trabalhei durante o ano todo agora, no final dessa gira.

Você vem viajando com quem?

Essa última gira eu fiz com o Paulo [Santos], fisioterapeuta, e vou para a Austrália e Shenzhen com ele, mas aqui na Tennis Route eles têm toda a equipe. O João [Zwetsch] e o Duda [Matos] são os coordenadores e tenho alguns treinadores para o dia a dia, mas para viajar, por enquanto estou viajando com o Paulo.

Mas no balanço, você considera um ano positivo, então?

Muito positivo! Independente de resultado, de eu não ter alcançado meu melhor ranking, foi um ano em que eu evoluí muito. Eu me solidifiquei pra entrar em 2017. Isso foi o principal.

Qual foi o melhor momento do ano? O fim mesmo?

Acho que agora (risos de ambos). Essa gira… Essa gira foi essencial pra mim porque o Paulo pôde estar do meu lado, e a gente fez um trabalho mental show que fez muita diferença. Eu também voltei a jogar feliz, mais tranquila. Me apeguei bem às minhas rotinas tanto dentro quanto fora da quadra e foi um ano que eu dei meu melhor. Puxa, saí desse ano sabendo que dei meu melhor em TODOS dias, independente de estar perdendo ou ganhando. Fiz o que eu podia fazer, então estou satisfeita.

Você falou em “mental” e “rotina”. Em março, você já estava fazendo meditação todo dia. Como isso chegou até você? Você procurou alguém, alguém te procurou, como foi?

Na primeira vez que eu tive contato mesmo, eu treinava no Larri [Passos], e ele sempre falou. A mulher dele praticava ioga, e ele sempre falava que pra mim ia ser muito bom fora da quadra. Eu tinha uma professora lá em Balneário que me ajudava duas, três vezes por semana, mas nunca foi uma rotina que… Eu fazia ali como se fosse uma aula de pilates. Fazia uma aula de exercícios também e, quando viajava, muitas vezes eu deixava de fazer. Aqui na Tennis Route, eu voltei a praticar diariamente. Todo dia antes do café da manhã eu faço. São as minhas rotinas. Tem algumas mentalizações, algumas respirações antes do café do manhã, pra começar do dia bem, e antes de dormir, à noite. São momentos do dia que a gente dá para a gente mesmo. Tem gente que se sente bem com outras coisas, mas me apeguei a isso e estou gostando.

Você faz visualização do tipo antes do jogo, de pensar “minha direita tem que estar assim”, minha esquerda…

(interrompendo) Não, não. Na verdade, não é só para o tênis isso. É pra minha vida, tanto que fora da quadra, até atitudes eu estou tendo diferentes. É mais para eu conseguir mais viver o presente e saber que eu estou fazendo o meu melhor. E não é só jogando tênis. É cumprimentando uma pessoa, é no estresse do dia a dia, então influencia muitas coisas.

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Você lê alguma coisa sobre zen-budismo? Porque você está me dizendo coisas que eu li em livros desse tipo…

Não, mas eu cheguei a ler uns livros do [guru indiano Paramahansa] Yogananda. Tem muita relação com isso, né? E eu aprendo muito com o João Zwetsch. Ele me ensina muita coisa. Nas poucas gente que a gente conversa, o papo dura bastante. Os dois gostam de falar (risos). No fundo, tem gente que se apega a religião, tem gente que se apega a ioga, meditação, e tem gente que se apega a outras coisas, sei lá. Todo dia de manhã vai lá na praia e volta. Às vezes, aquilo ali coloca a pessoa bem. Então é muito relativo. Pra mim, isso encaixou e independente de ser ioga ou não, eu estou me sentindo bem. Isso é o que vale.

Você já leu um livro do Phil Jackson, aquele que foi técnico do Chicago Bulls do Michael Jordan? Não sei se você curte esse tipo de livro… Um livro chamado Cestas Sagradas…

Não, não. Achei que você estava falando daquele Jogando Para Vencer.

Não.

Esse é muito bom!

De quem é?

John Wooden, um treinador da NCAA. Ele foi dez vezes campeão da liga. É muito bom, muito bom.

Mas nesse livro do Phil Jackson, ele conta que distribuía livros aos jogadores quando tinha uma sequência de jogos fora de casa. Cada livro tinha alguma mensagem que normalmente tinha relação com o papel que o Phil Jackson queria que o jogador fizesse no time. E um desses livros era de um mestre japonês chamado Shunryu Suziki. O livro chama Zen Mind, Beginner’s Mind. E era sobre você aprender ou reaprender a ver as coisas do dia a dia como se fosse criança, como se tudo fosse novidade. Para você não se deixar cair na banalidade do dia a dia, sabe?

É, não criar expectativa! Tem muita gente que espera algumas coisas que não tem que esperar. Tipo assim: se eu ficar esperando ganhar um torneio, eu não vou ganhar. Eu tenho que ir lá, sacar, fazer meu forehand porque ali eu tenho chance de ganhar o ponto pra ter chance de ganhar o game pra ter chance de ganhar o set porque a outra também está fazendo a mesma coisa! O tênis, cara, é muito difícil. Todo mundo hoje está bem fisicamente e mentalmente, e a cabeça comanda, no fundo, né? Tem que estar muito tranquila porque você já tem a bola, a rede e a linha contra você. Tem o outro jogador, tem a torcida… Se você se martirizar toda hora, você está ferrado.

Você falou em “esperar”. Ainda te incomoda as pessoas esperarem tanto de você?

Cara, pra mim não muda nada. Se falarem que eu vou ser boa, que eu saco bem, que eu bato bem… O que eu tenho que fazer é entrar na quadra, dar o meu melhor e acabou. Achar não resolve nada. Pô, eu acho que, sei lá, o Thomaz pode ser número 1 do mundo…

(interrompendo) Mas esperar é pior, né? É mais forte!

É, esperar. Você espera que eu seja número 1 do mundo… É a cultura do brasileiro. Eles são carentes de ídolo, né? Então se não for o Guga, não está bom. Olha o Thomaz. Desculpa a palavra, mas o Thomaz joga pra caralho! Ele joga muito tênis, é um cara que para mim pode estar entre os 20 do mundo tranquilamente. Ele tem cabeça boa, mas é aquilo… Os caras contra quem ele joga… As pessoas não têm noção. Quem fala isso, não tem noção da realidade. É muito mais duro. É muito treino, é muita força de vontade e dedicação pra você ter uma chance. Para você ter chance! Nada está garantido.

Isso vem um pouco porque muita gente não tem noção mesmo da profundidade do tênis, né? O tamanho do buraco…

É muita coisa que influencia. É muita coisa em volta que as pessoas não veem. Como chegar e dizer “é só jogar a bola aqui que a Bia erra”. Pô, você sabe quantas bolas eu treino pra falar isso? Você acha que eu não sei que tenho que melhorar minha movimentação? Sabe quantas vezes por dia eu corro na quadra pra melhorar minha movimentação? Só que eu tenho “dois metros”, você quer que eu faça o quê?

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Você tem quanto de altura mesmo?

1,85m. E querem que eu me mexa que nem a Halep. Não, mas eu vou! Pra mim… Eu quero ser a mulher mais alta que se movimenta melhor. Porque você vê a Kerber, a Halep, a Azarenka, as mulheres correm hoje.

Eu tinha perguntado lá no começo sobre seu melhor momento do ano. E o pior, qual foi?

Pior momento? (pensativa)

Teve um pior momento?

Cara, não tive um pior momento. Acho que todos momentos foram especiais.

Fed Cup, talvez? Ficou com um gosto amargo porque era um confronto ganhável [o Brasil perdeu da Argentina por 2 a 1]?

Não, não. A menina jogou muito, a Nadia [Podoroska]. Eu tinha ganhado dela na semana anterior, tinha feito duas semis seguidas, estava cansada, e a menina foi superior. Mérito total da Argentina.

E a Olimpíada, como você viveu? Tanto a parte de não jogar quanto a de ver os Jogos Olímpicos na cidade…

Ah, eu curti. Estava aqui, fui lá. Vi basquete, vi handball, tênis de mesa, achei demais! Tênis de mesa foi o mais legal de ver, o handball do Brasil foi show, os meninos estavam jogando muito bem, uma equipe unida. Acho que todos estádios onde o Brasil estava jogando, a energia estava sensacional. Não esperava que fosse repercutir tão bem. A abertura foi linda, o encerramento foi maravilhoso. Lá fora todo mundo dizia que era no Rio, “tem tiro, vou morrer”…Foi demais. A gente mostrou para o mundo que Brasil é tão ou mais capaz do que outros países de fazer qualquer coisa. Foi sensacional.

Do tênis, você viu alguma coisa?

Na TV só. Eu tentei ir um dia, mas não tinha como pegar ingresso…

A CBT não tinha ingresso pra dar?

Não, não [foi isso]. Até tinha algumas opções, mas coincidia porque eu tinha treino. Acho que eu podia ir na final ou um dia, mas não coincidiu os horários, por isso eu fui nos outros esportes. Mas só de estar todo mundo aqui do lado de casa, achei demais.

Avançando… você terminou com ano com dez vitórias seguidas e dois títulos em ITFs de US$ 50 mil. Aí volta pra casa, acaba o contrato com os Correios, e a Asics está saindo do tênis. Bate um desânimo?

Está sendo um momento delicado para todos. Eu sei porque para o Thiago [Monteiro] também sei que está difícil. Para o Thomaz também está difícil. Para todos está difícil. Hoje, assim, estou muito tranquila no que eu tenho que fazer, que é jogar e seguir nessa pegada. O que vai acontecer fora da quadra vai depender do meu dia a dia e de como eu for este ano [2017]. Não esquento com esse negócio de patrocínio e dinheiro porque se você ficar jogando pelo dinheiro, “putz, não vou pagar minha conta”, não [dá certo].

Com o que você tem de patrocínio e com a IMG, você consegue jogar tranquila o ano, no calendário que você quer?

Não, não. Não, vou te falar que, pô, terminei com dez jogos invictos, número 1 do Brasil até agora [Bia estava à frente de Paula Gonçalves no dia da conversa], e começar o ano sem saber como vai começar é muito difícil. Hoje, para você, por exemplo, pagar um treinador, um centro de treinamento, para ter uma viagem e pagar alimentação sua e do seu treinador, hotel do treinador, transporte… Às vezes tem que trocar uma passagem, tem que treinar aqui, ali… É muita coisa que envolve. É muito caro, e vou te falar que o momento está duro para o Brasil. Eu estou no meu melhor momento do ano, e a gente está tentando achar alguma coisa porque… Eu tento não me preocupar com isso, mas sei o quanto é importante. Sei que vou conseguir resolver meus problemas dentro da quadra.

Nesse calendário que você montou, começa no WTA Shenzhen, onde você ganhou convite…

Aí tem Austrália, Fed [Cup], [ITF de] Surprise, [ITF de] Santa Fe e [WTA de] Acapulco.

Isso já está fechado, dá pra fazer com tudo pago?

Não, hotel e passagem ainda não comprei, mas é o plano A. Aí tudo depende. É claro… Se você toma cinco primeiras rodadas, aí você vai pra Challenger. Você ganha um WTA, muda. Tudo depende de como você estiver indo, mas a ideia é essa.

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E você estabeleceu uma meta pra 2017?

Na Tennis Route, eu tenho meta de estudo, meta de tênis e meta minha comigo. Essas três. A minha comigo é terminar bem fisicamente. Graças a deus entrei numa linha que não estou mais me lesionando, não existe mais cãibra, essas coisas. já passei por isso e já estou muito bem de cabeça. A gente está trabalhando coisas muito específicas do meu jogo, então quero começar na quadra, independente de ganhar ou de perder, começar a colocar o que eu venho fazendo no treino dentro do jogo.

O quê, especificamente?

Ah, eu acho que o tênis hoje está muito agressivo. É buscar mais a rede. As meninas estão cortando o tempo, usando muitas paralelas. O tênis está renovando toda hora. As meninas acabaram emagrecendo e isso, você correr mum rali, jogar em pontos longos, ter a possibilidade de, num ponto importante, a menina dar um drop shot, e você chegar na bola… Minha maior arma sempre foi meu saque e minha força, só que eu posso treinar para ser sólida que nem a Kerber? Por que eu não posso fazer isso? Então emagreci para tentar estar rápida. Tem muita coisa que envolve. Eu sou grande, sou canhota, tenho que jogar agressiva, mas tenho que buscar onde melhorar. Ficar mais magra já está me ajudando muito. Você se sentir bem, saber que ganhou o ponto sem usar tua maior arma, isso é demais! É muito legal.

E isso passa a confiança para o resto. Em qualquer jogo que estiver pau a pau, se você ganha dois ralis realmente longos, isso muda muito a balança do jogo porque mexe com a cabeça da outra…

E mulher oscila. A gente oscila muito, né? Você vê direto jogo de 4/0 ficando 4/4 e aí uma faz 6/0, a outra faz 6/1…

O saque tem um peso menor também, né?

Aí eu acho que já tenho mais vantagem porque sou uma menina alta e saco pra ganhar o ponto no saque. Isso é bom, mas ao mesmo tempo eu tenho que treinar mais a minha devolução. Cada uma tem suas especificidades. Mas a minha meta é isso aí. Em relação a ganhar jogo, cara, se eu fizer meu melhor e ganhar ou perder, já está bom.

A meta de estudo como é?

E faço administração na Estácio. Tenho as minhas notas, minhas médias, então minha meta é sempre estar bem. Sempre fui bem no colégio, nunca tive problema, e sempre quis manter isso. Até o Thiago faz o mesmo curso que eu, e a gente faz as mesmas provas. Essa semana, a gente tem quatro provas. A gente tem a pré-temporada também, mas dá tranquilo porque tem muito tempo de viagem, aeroporto, onde dá tempo de estudar. Estou curtindo, terminando o segundo ano.

Você sempre estudou em colégio com aula presencial?

Eu fui até o último ano. Eu fiz o terceiro ano [do ensino médio] à distância porque deu um problema com o colégio, e eu tive que fazer à distância.

Eu imagino que seja complicado isso…

Você indo pra aula, já perde meio período de treino, mas acho que nessa idade é importante ir pra aula. Tem gente que é louco, larga o colégio na sétima, oitava série. Pra mim, isso é totalmente loucura. Largar o colégio, jamais! Acho que a pessoa que faz até o terceiro ano pode tranquilamente jogar tênis. Eu hoje faço faculdade e jogo tênis. E hoje tem ensino à distância, que facilita muito. Eu sei de outros atletas que fazem, não é só tenista. Porque não é um país de cultura do esporte. Não é que nem nos EUA, onde o cara vai para o college. E no college também não sei se dá pra você ser profissional. É duro, você tem que ver o que é melhor pra você e suas prioridades. Se você tem a prioridade de estudo, talvez treinar meio período não é ruim. Se sua prioridade é ser um bom jogador, um profissional, então às vezes tem que abrir mão de outras coisas. Mas tão cedo não é necessário.

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Agora vem cá… Foi um grande agito em fóruns – não sei se você costuma ler isso – quando se soube que você e o Thiago [Monteiro] estavam namorando. Como é namorar tenista?

A gente é muito parecido, assim. É… (pensando) A gente é muito tranquilo, não é de sair muito…

Vocês se conhecem desde Camboriú, né?

É, a gente é muito amigo desde muito tempo. A gente viajava junto, né? Acho que teve uma viagem que eu fiz que eu tinha 11 anos, ele tinha 13, pra jogar um Sul-Americano de 14 na Venezuela. A gente nunca imaginou que fosse namorar! A vida é muito louca, né? Mas o importante é que ele me ajuda, eu ajudo ele. A gente tem noção que o tênis na nossa vida é o nosso trabalho, é o mais importante no momento. A gente tem uma vida em que se vê muito pouco também porque quando um está viajando, o outro volta. Ele está aqui no Rio, eu tô na China. Aí eu volto, ele está não sei onde, é duro. Mas o mais importante é que a gente está bem, está tranquilo.

Ele estava com você nessa última viagem, não?

Ele estava, ele estava.

E como é ganhar um torneio com o namorado ali do lado?

Ah… (envergonhada)

Você ficou vermelha agora… Por que você tá com vergonha?

É que a gente sempre foi muito amigo, então…

Vocês namoram há quanto tempo? Começou este ano?

É… (pensativa) Não (envergonhada)

Tá bom, não precisa dizer (risos de ambos).

Mas é que a gente começou muito como amigo. É muito louco porque no começo a gente sempre… Como a gente conviveu muito como colega de treino… É recente que a gente começou a namorar, então…

Muda uma chave em algum lugar, né?

É! É muito louco (risos de ambos). Porque eu… Pra mim… Quando eu estou com ele aqui, a gente treina junto. Não tem essa de “você é meu namorado, senta aqui comigo”. Não! Estamos no treino. A gente é muito à vontade, se ajuda. Ele é muito tranquilo, eu sou muito tranquila. A gente não briga por nada. A gente só se apoia. Então… A gente se gosta, é o mais importante (risos).

E como você viu este ano dele?

Ah, foi demais. Vou te falar que para mim o diferencial dele não é este ano. As pessoas olham porque ele ganhou do Tsonga, ganhou do Almagro, mas quem conhecia a pessoa que ele é, de onde ele veio… Cara, a humildade dele! Ser um menino que sempre quer o bem de todo mundo e, dentro da quadra, que é o mais importante, ele dá o melhor dele. Você vê ele treinando, você fica preso naquilo ali. Ele é um menino muito diferente, independente dos resultados. Ele lesionou ano passado, faz um ano dessa lesão, e ele aprendeu muito com isso. Ali, ele tomou um tempo e aprendeu algumas coisas que fizeram total diferença para este ano. Ele sempre teve um sonho e tenho certeza que só está começando a carreira dele. Ele merece. É um ano muito especial.

Verdade.

É que eu vejo muito mais a pessoa dele. Todo mundo vê ele na TV e fala “nossa, ele joga muito”, “é o próximo Guga”, mas eu vejo a pessoa dele, vejo que o tênis dele é… Você vê que é um menino que treina muito. Eu vejo muito mais por esse lado, da personalidade, do trabalho duro dele, que é muito mais do que só ter ganho aqui ou ali. Os resultados não vêm por acaso.


Thomaz Koch: ícone, ídolo e mestre zen
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Alexandre Cossenza

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Aconteceu duas noites seguidas, durante a última etapa do Itaú Masters Tour, em Angra dos Reis. Thomaz Koch, 71 anos, faz uma jogada linda e é aplaudido de pé pela arquibancada inteira. É mais do que uma salva de palmas pelo lance. É reconhecimento, respeito pela história, por tudo que o gaúcho fez no tênis. É também admiração por saber que um senhor de 71 anos consegue jogar naquele nível contra adversários 20, 30 anos mais jovens.

Thomaz Koch é a referência para a maioria dos jogadores do Itaú Masters Tour, um evento que reúne muitos dos grandes nomes do tênis brasileiro – feito que a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) falha feio a alcançar. Tão feio que nem tenta mais, e ainda há quem se orgulhe disso. Mas eu divago. É mais do que isso. Para grandes nomes como Nelson Aerts, Givaldo Barbosa, William Kyriakos, Ricardo Mello, Mauro Menezes, Ricardo Acioly e outros, Koch é um ícone. É o carisma, o cabelo comprido, é o mestre zen, é o vitorioso.

Para os tenistas (homens) que vieram antes de Guga, Koch era a referência. Maria Esther Bueno sempre foi a maior do país, mas seus feitos foram 50 anos atrás. A maioria não viu. Koch era mais próximo. E era “o” cara. E foi nesse ambiente de reverência, no mês passado, no resort onde o Itaú faz anualmente a última etapa do circuito, que batemos um papo.

Entrevistar Thomaz Koch é tão fascinante quanto difícil, pelo menos para mim. Vergonha nenhuma de admitir isso. Com ele, é sempre difícil prever o rumo da conversa, então é preciso estar pronto para jogar o “roteiro” fora a qualquer momento. Não tem como (repito: para mim, pelo menos) estar 100% preparado para o rumo que um papo com Thomaz Koch vai tomar. E isso, em tempos de tenistas treinados, atletas bitolados e assessorias de imprensa, é glorioso.

Conversamos por cerca de meia hora, enquanto ele almoçava. Começamos falando sobre a admiração que todos lá tinham por ele, abordamos a homenagem que Koch recebeu em Barcelona este ano e de sua figura na época dos hippies, da luta contra o establishment. O papo, então, entrou no curiosíssimo período em que ele viajou pelo circuito treinando André Ghem, quando os dois quase nunca falavam sobre tênis (!).

O papo englobou o filósofo indiano Jiddu Krishnamurti, o cantor e compositor canadense Leonard Cohen e o “Sugar Man”, Sixto Rodríguez. E aí o papo voltou ao Brasil (culpa minha, admito) para abordar o reconhecimento das gerações pré e pós-Guga, a possibilidade de Thomaz Koch voltar a treinar algum tenista, e sobre como a CBT alijou ex-tenistas que poderiam ajudar o esporte. Leiam!

É bom ver que as pessoas ainda têm essa reverência por você…

Eu estive em Bauru este ano e foi mais ou menos parecido. As pessoas muito contentes. É um lugar de muita tradição, a expectativa era muito grande. Só o fato de eu estar lá já era muito legal. O que acontece também em Porto Alegre, no Leopoldina Juvenil. Inclusive mês que vem [dezembro] vai ter uma comemoração dos 50 anos que a gente ganhou dos americanos na Copa Davis. Estão trazendo o [Edison] Mandarino da Espanha, eu estou indo lá, então acho que é uma coisa bem grande, significativa. Um negócio bem legal.

Como foi em Barcelona?

Uns anos atrás eles estavam comemorando 50 anos do torneio nesse clube, que é o Real Clube de Tênis. Me mandaram um convite, e eu só recebi depois do torneio. Dois anos atrás, o diretor do me falou “a gente vai te convidar quando fizer 50 anos que você ganhou o torneio”. Eu disse “ah, tá legal” e não levei muita fé. Aí, no início do ano, me mandaram um e-mail me convidando para ir com acompanhante. Eu disse “claro”. Eu não estava esperando. Achei ótimo.

E qual foi a sensação quando você chegou lá?

Eu fui com a minha filha. No dia que eu cheguei, me pegaram e me levaram para uma sala lá. Estavam todos os grandes tenistas espanhóis. [Manolo] Santana, [Andrés] Gimeno, [Emilio] Sánchez, [Sergio] Casal, Ángel Giménez, José Arilla, Juan Gisbert… E aí, quando eu cheguei, todo mundo levantou e bateu palma. Era uma coisa muito emocionante. Todos os dias, tinha alguma festividade, jantar, almoço, não-sei-o-que, e no último dia me puseram na tribuna presidencial junto com o Plácido Domingo e o Santana. Foi uma coisa muito reverenciada. Também me botaram na tribuna em um jogo do Barcelona. O presidente do clube me convidou especialmente. Foi muito incrível. Teve um carinho, uma atenção muito grande. Eu não esperava, entende? Claro, fiquei muito grato por isso.

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Há quanto tempo você não ia a Barcelona?

Eu estive um ano lá acompanhando o vôlei de praia porque as filhas e o filho da minha ex-mulher (Isabel) jogavam o circuito mundial. Essa tinha sido a última vez.

Então você não ia ao torneio sempre, né? Pergunto porque me parece o tipo de reverência que é exclusivamente pelo seu mérito como tenista. Não é porque você foi ou é amigo de alguém do clube…

Basicamente, mas os ex-tenistas, gente que ganhou Roland Garros e tudo… Inclusive quando eu comecei a jogar o circuito, eu era o mais novo, então todo mundo me chamava de Thomazinho. Até hoje, me chamam lá de Thomazinho. O pessoal lá com Arilla, Santana, Gisbert… Então tem uma parte afetiva também, sabe? Mas do torneio, claro. Convidam todo ano o campeão de 50 anos atrás. Mas eu achei que foi uma coisa especial, entende? Teve mais atenção.

Eu estava falando com o Neco (Nelson Aerts) ontem, falei com o Danilo (Marcelino) também… Você é a referência de todos eles aqui no Masters Tour. Eles falam do seu tênis, mas falam do seu jeito, do cabelo comprido, era a sua figura.

Foi muito impactante. Inclusive na época, era tempo dos hippies, da contracultura, era você lutar ou brigar contra o establishment. Tinha tudo isso, essa referência de ser contra a ordem estabelecida. O cabelo comprido era uma maneira de destacar isso.

Esse é um assunto sobre o qual eu realmente nunca li nada no Brasil. Como o tênis e os tenistas viam a questão política dessa época?

Eu fui o primeiro cara cabeludo no esporte no Brasil, na América do Sul.

Nem os argentinos usavam cabelo comprido naquela época?

Quem? Todos vieram depois de mim. O Vilas me copiava até no jeito de caminhar. Borg, tudo isso, veio depois, Nós somos os primeiros. Éramos três. Torben Ulrich, Ray Moore e eu.

Vocês eram mais do que tenistas…

Muito mais!

Isso não te causou problema nenhum?

Muito! Muitos problemas. No torneio de Los Angeles, por exemplo, cabeludo não entrava. Eu não podia jogar lá. Isso foi antes da ATP. Quando veio a ATP, eles tiveram que abaixar a cabeça porque não tinha mais discriminação. Era uma época diferente. Tinha o apartheid lá na África do Sul, que o [Arthur] Ashe foi quebrar essa coisa. Ele jogou lá e foi muito incrível o movimento que ele criou. Na época, a gente não jogava na África do Sul. Em represália, sabe? Eu lembro até que ofereceram um milhão pro Borg e pro McEnroe, e o McEnroe disse “não vou, não”. Na época, um milhão de dólares era algo impensável.

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Aí eu queria entrar em outra questão. Porque você era o ídolo deles, mas…

(interrompendo) Eu não era referência só no Brasil. Eu era uma referência mais forte na América do Sul, tudo bem, mas nos EUA e na Europa também. Era muito forte. Isso me incomodou tanto que eu tive que me afastar. Eu não estava a fim desse buchicho todo. Eu queria ter meu canto, minha paz e tchau, entende? Mas era um movimento forte, grande, intenso, e isso fez eu me afastar um pouco do buchicho.

Isso é uma coisa que muita gente fala até hoje. Que você foi e continua muito “zen”. E não de prática zen budista, mas de ser um cara tranquilão, de não esquentar a cabeça com muita coisa, de levar a vida numa boa. E eu quero muito saber como foi o período que você treinou o André Ghem porque ele também é um cara muito diferente da maioria dos tenistas. Ele é outro papo, outra cabeça! Isso tem alguns anos já (a parceria ocorreu em 2014), mas como isso aconteceu?

Anteontem, ele até me mandou um WhatsApp com uma foto dele com o Robert Marcher, que era um cara que eu convivia bastante na época. A gente se conheceu numas Copas Davis que a gente conviveu. Ele foi convidado como sparring e eu fui lá também, na época que a gente ainda acreditava na Confederação. Eu fui lá e participei de algumas etapas da Davis. Então eu acompanhei ele num torneio no Rio e dei uns toques. Aí ficou aquela coisa, mas ele nunca… Eu que falei pra ele, perguntei se ele não estava interessado que eu acompanhasse ele um tempo. Ele ficou amarradão, e aí foi. Ele é um cara muito legal, gosto muito dele.

Que tipo de conversas vocês tinham? Era mais mecânica de golpe, estratégia de jogo, estilo de vida ou o quê?

Olha, de tênis nem se falava muito, não. Acho que a gente tratava mais da vida.

Isso é bom, né? Difícil ver uma relação assim entre jogador e técnico hoje…

Quando o McEnroe queria que eu treinasse ele, ele não estava querendo que eu arrumasse os golpes dele. Ele queria alguém pra trocar ideia no dia a dia e, de repente, deixar ele mais tranquilo. Eu acho que tem muita coisa fora do tênis, fora de jogar… Por exemplo, você passa muito mais tempo entre pontos do que jogando. Então a importância maior é o que você faz nesse intervalo de tempo entre um ponto e outro. É um tempo muito grande e que geralmente é decisivo. Então o cara fala “bate de direita, esquerda”, tudo bem, bate. Claro que é importante, mas esse intervalo aí, pra mim, é mais importante.

Sem querer entrar demais na intimidade de vocês, tem como dar um exemplo de um papo desses?

Não sei, porque não era nada programado, entende? As coisas acontecem. De repente, um evento, um fato, uma coisa cria um comentário, e daí você vai e entra em situações assim. Eu te dou um exemplo mais antigo. Uma vez, eu estava em Gstaad, na Suíça, era o dia da final. Depois do café da manhã, estava chovendo e eu estava falando com o Vilas. A final tinha sido transferida para as 2h da tarde. Ele perguntou “onde você vai?”, e eu disse “vou ver o [Jiddu] Krishnamurti”. É um filósofo indiano que é muito conhecido. Era num lugar a 17 quilômetros de Gstaad. Ele [Vilas] disse “também vou”. Eu disse para ele ficar porque ele tinha jogo. Ele: “Não, não. Vamos lá!” A palestra dele era de 1h30min, e todo ano ele ia lá, ficava numa tenda, e as pessoas se reuniam lá, acampavam e não sei o quê. Ele [Vilas] foi junto. Eu meio preocupado com o horário dele, mas “vambora” e tal. Assistimos à palestra. Ele [Vilas] ficou tão tocado com essa pessoa, que tinha uma aura, um negócio assim muito incrível, e comprou tudo que tinha. Livros dele e tudo. É um cara que marcou muito ele. Aconteceu ali de o Vilas ficar encantado. E fala nele até hoje. Isso é um exemplo de que, de repente, pá, acontece alguma coisa.

Sei, sei.

Ou é um show ou é música ou palestra, enfim, alguém marcante. Por exemplo, três dias atrás morreu Leonard Cohen. Então o Ghem, por exemplo, no meu iPhone eu mostraria uma música dele, o Ghem ia ficar amarradão e ia começar a pesquisar sobre o cara, entende? Aqui no Brasil, pouca gente conhece Leonard Cohen. E ele é da época de Bob Dylan, anos 60. Quando ele morreu, muitas pessoas me mandaram WhatsApp, dizendo “sinto muito”, “Leonard morreu” e tal. Porque é uma relação. Como teve o Sixto Rodríguez, que era americano e lançou dois discos nos Estados Unidos. Ninguém conhece ele, não vendeu nenhum disco. Aí uma menina levou o disco dele pra África do Sul, e ele se tornou herói da contracultura lá. Ficou mais famoso do que os Rolling Stones. Fizeram um documentário da vida dele chamado Sugar Man. Descobriram ele, ninguém sabia onde ele estava. Esse é outro assunto. Então são coisas assim, entende? São as minhas referências, que eu passo para um e para outro, aí o papo engrena, sabe?

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Mudando um pouquinho de assunto, aqui temos Givaldo Barbosa, João Soares, William Kyriakos… Personalidades diferentes, gente que teve carreiras diferentes, mas todos estiveram entre os melhores do país em algum momento. Se você sair do meio do tênis, são pessoas muito pouco conhecidas. De quem é a culpa por isso? É da imprensa, a confederação deveria fazer um trabalho maior nesse sentido…

O que aconteceu… Quando a gente fundou, com o Luis Felipe Tavares, a Koch Tavares, a ideia era fazer torneios aqui no Brasil. O Givaldo, o Júlio Góes, o Mauro [Menezes] foram crias desses torneios aqui. Eles não tinham condição de ir para o exterior para jogar torneio. Os pontos deles eram aqui. Chegamos a ter ano com 13 torneios seguidos assim. Isso revelou tenistas e fez eles conhecidos. A Maria Esther [Bueno], se tivesse jogado no Brasil, seriam muito mais conhecida. Infelizmente, ela é um ídolo lá fora. Aqui no Brasil, ela é conhecida, mas não é idolatrada.

Um Júlio Silva, um Ricardo Mello, por exemplo, seriam mais reconhecidos ou até respeitados se tivessem jogado mais aqui dentro, você acha?

Muito mais, muito mais! Desde que viessem jogadores internacionais que atraíssem a mídia. O negócio é que hoje em dia é difícil você atrair um destaque. Ficou inviável. A Koch Tavares foi criada para fazer torneios aqui no Brasil e prestar esse serviço ao tênis brasileiro. Por isso que eu saí de lá depois de um tempo.

Hoje você passa a maior parte do tempo fazendo o quê?

(resposta rápida) Nada. Absolutamente nada.

(risos) Mas você não entra na quadra aqui sem pelo menos bater uma bolinha antes, né? Quantas vezes por semana você joga?

Se tiver alguém legal pra jogar, eu jogo. Se não tiver, eu não jogo. Ultimamente eu tenho até jogado um pouco mais porque vi que isso aí me faz circular o sangue, entende? Me faz bem, então mais do que jogar, vou no paredão, bato uma parede, pulo um pouco de corda e pronto.

Mais duas perguntinhas só… Você voltaria a viajar, treinar alguém no circuito?

Claro.

Que tipo de jogador? Ou nenhum específico?

Nenhum específico.

O que precisaria pra “casar”?

Acho que principalmente interesse do tenista, e o cara acreditar que eu pudesse fazer alguma coisa por ele. Porque o pessoal hoje acha que a gente está antiquado, que a gente está defasado, que é um tênis antigo. A quadra é igual, a pontuação é igual e a maneira de jogar mudou um pouco, mas você tem que tirar o que o tenista tem de melhor. Não estratificá-lo. É dar a chance para ele ser mais criativo. Acho que hoje em dia o tênis está muito…

Bitolado?

Bitolado, é! Eu preferia ver os caras fazendo mais coisas. Acho que eu seria muito bom nessa parte de dar asas à imaginação do tenista, à criatividade dele. E, principalmente, à cabeça do cara. Eu sou muito bom nessa parte entende? Eu acho.

Quem você gosta de ver jogar? Tirando o Federer, que é unânime…

Gosto daquele alemão… Esqueci o nome dele…

Dustin Brown?

Esse! Gostava do Tsonga, do Monfils…

E o Kyrgios?

Acho lindo o jogo dele. Acho incrível! Mas não gosto da cabeça dele. Mas acho um tênis fantástico.

É o que você dizia… Não é um cara bitolado.

Não!

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E, pra terminar, como você vê o tênis brasileiro hoje, com uma confederação mudando de sede porque perdeu patrocínio, um centro olímpico que não se sabe se vai ser utilizado para o tênis…

Quanto ao fato de perder o patrocínio, acho que ele estava sendo muito mal direcionado. A grana estava toda indo pra quem não precisa, pra quem já tem. Precisa é canalizar essa grana pro pessoal infanto-juvenil na minha opinião. Treinamento, pré-temporada, essas coisas, sabe? Pra mim, é uma incógnita o que vai acontecer com a Confederação agora. Mudou de sede, de presidente. Torço para que aconteça, entende? Mas sinto que o pessoal do tênis, em geral, não está satisfeito com a situação. Não pode estar. A gente foi alijado do tênis, entende? Quem podia prestar um serviço ao tênis simplesmente foi barrado, está de fora. Acho isso uma pena, um absurdo. E quem mais perde é o tênis.

Acho que é o pensamento geral de quem não está na “panela”, né?

É uma coisa muito amadora, que não condiz com o esporte hoje em dia. O esporte hoje em dia é profissional. Acabou o amadorismo. E as federações, confederações, não do tênis, mas de todos esportes, são regidas de uma maneira muito amadorística. Infelizmente.

Isso sem falar em Copa Davis, na organização, na produção…

Ano passado, em Florianópolis [no confronto entre Brasil e Croácia], eu fui por conta própria. Eu paguei minha passagem, estadia, todo negócio. Cheguei lá, não tinha nem convite. No fim, o [Paulo] Moriguti [diretor técnico da CBT] que me conseguiu um convite. É uma falta de consideração com o pessoal das antigas. O Adriano Ferreira foi pra lá e ficou lá no final da arquibancada.

Eu fui a esse confronto de Floripa, e até as instalações para a imprensa eram precárias.

Eu fui, aluguei um carro, paguei estacionamento… Quando você vai ver, é uma despesa que… Está errado!

Uma despesa que ex-jogador não deveria ter. E muito menos o tenista que mais venceu jogos pelo país na história da Copa Davis.

É. Se tem um cara que tem história na Davis, sou eu. No site da Confederação, se você olhar, o Mandarino é um cara muito importante. Tem um monte de foto lá, e ele não aparece lá. Eu fico muito puto com isso, sabe? O Mandarino não estar? A gente jogou 15 anos de Copa Davis com sucesso! Não ter a foto do cara no site da CBT. Então passa batido, sabe? Nunca chamaram ele para nada aqui no Brasil!


Sobre Soares, Piquet, tênis, Fórmula 1 e paixões que se conectam
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Alexandre Cossenza

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Bruno Soares ainda está em Londres comemorando o título de dupla campeã da temporada 2016 e ganhou um segundo troféu neste domingo. Fã de tênis, Nelsinho Piquet trocou presentes com o tenista mineiro, entregando um capacete com dedicatória e parabéns pelo número 1. Em troca, recebeu uma raquete autografada de Bruno Soares e posou para foto com a Torre do Relógio ao fundo.

A paixão da família Piquet por tênis é antiga e tem relação com o automobilismo. Nelson, pai de Nelsinho, foi fazer intercâmbio nos EUA quando jovem porque era um belo tenista. Seu pai achava que seria a melhor maneira de encontrar um caminho no tênis. Nelsão, no entanto, aproveitou para se matricular em uma matéria chamada mechanics, e o resto é a história fantástica que terminou com três títulos mundiais na Fórmula 1 e uma dezena de outras conquistas.

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Nelsão, aliás, nunca abandonou a paixão pelo tênis. Sempre bateu sua bolinha e até usava o esporte para contar vantagem quando era comparado ao britânico Nigel Mansell (vide a marca de 1’30” deste vídeo).

Também tem relação com o tênis o símbolo que muitos acreditam ser uma gota desenhada no capacete de Nelson Piquet (e que depois foi adotada por Nelsinho). O desenho é de autoria do próprio Nelsão, que se inspirou no esporte e fez algo parecido com uma bola de tênis em movimento.

Nesta semana, Nelsinho esteve em Londres e foi acompanhar a campanha de Bruno Soares. O mineiro e seu parceiro, Jamie Murray, venceram as três partidas da fase de grupos e só foram derrotados nas semifinais, quando já haviam assegurado o título de melhor dupla da temporada. Brasileiro e britânico, que começaram a jogar juntos no início deste ano, venceram dois Slams: o Australian Open e o US Open.

No ranking “individual” de duplistas (que soma pontos dos tenistas com diferentes parceiros ao longo do ano), Bruno Soares terminará a temporada como número 3, atrás dos franceses Nicolas Mahut e Pierre Hugues Herbert.

Importante: ainda publicarei aqui mais sobre a campanha de Bruno Soares em 2016. Esperem porque sairá algo bacana.


Teliana e a confiança inabalada mesmo fora do top 200: ‘Sei como funciona’
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Alexandre Cossenza

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Se 2016 não foi o ano dos sonhos de Roger Federer nem de Rafael Nadal, tente se imaginar no lugar de Teliana Pereira. A pernambucana começou o ano no 46º lugar do ranking mundial e ocupa hoje a 206ª posição. De janeiro até agora, amargou duas longas sequências de derrotas (seis, de janeiro a março; e oito, de julho até setembro), perdeu o posto de número 1 do Brasil e precisará voltar a torneios menores e qualifyings.

A cabeça cansou, e Teliana encerrou a temporada em setembro, mas engana-se quem pensa que ela ficou abatida. É óbvio que houve momentos de dúvida e falta de confiança, mas não ficou mágoa nem arrependimento. Em conversa por telefone, a pernambucana se mostrou consciente das dificuldades que enfrentou, das limitações de seu jogo e seu corpo e, principalmente, do que precisa fazer para voltar ao top 100 – seu grande objetivo para 2017.

Sempre otimista, Teliana também lembrou de ótimos momentos que viveu em 2016 e da confiança que tem em si mesma para alcançar suas metas: “Já estive lá, sei como funciona.”

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Foi um ano em que as coisas não saíram como você esperava. Vamos começar com o momento em que você decidiu encerrar a temporada…

Eu não tive os resultados que eu esperava. É claro que eu sabia que ia ser difícil porque eu só joguei os grandes torneios. Eu sabia que só ia ter jogo duro pela frente, mas achei que ia ter resultados melhores. Depois de Biarritz, que foi meu último torneio, eu ainda tinha alguns eventos para jogar, mas preferi parar porque mentalmente eu estava muito cansada. Não é fácil. Eu não acho que estava jogando mal. Eu estava bem até, estava treinando bem, só que os resultados não estavam aparecendo. Você sempre quer jogar bem, mas o resultado também conta. Mentalmente, eu já estava me sentindo bem cansada, então eu preferi parar, ter um descanso maior. Já estava planejado. Ficou um pouquinho maior do que a gente esperava, mas eu estava precisando desse tempo para descansar, colocar as ideias no lugar e começar tudo de novo. As pessoas falam muito como se fosse algo terrível, e não foi porque eu joguei todos os maiores torneios. Toda tenista quer jogar, e eu consegui. Praticamente só joguei com meninas de alto nível. Se for falar em resultados, foi muito ruim, mas se for falar em torneios, só foram torneios de alto nível.

Mas nesse momento que você tomou a decisão de encerrar o ano, a sensação era mais de alívio, frustração, raiva ou o quê?

A primeira sensação foi a de que eu estaria descansando. Eu estava querendo já há muito tempo. É claro que tinha momentos que eu pensava “nossa!” porque os resultados não estavam saindo como eu queria. Claro que teve, mas eu estava muito certa de que o que eu estava fazendo era correto. Parar, descansar a cabeça, descansar o corpo. Foi uma sensação de “agora eu vou descansar” (risos).

Foi o ano que você menos jogou ITFs recentemente…

Exatamente! A gente apostou. A gente sabia que era um risco. Nesses torneios, só tem jogo duro. Arriscamos um pouco mais e… (pausa para pensar)… não deu muito certo (risos). Na verdade, é difícil falar assim, sabe?

Falar depois que acontece é mais fácil, né?

É. Mas eu só joguei com meninas de alto nível, joguei bem e simplesmente não estava acontecendo. Não estava fluindo muito bem. Eu comecei a perder um pouco a confiança porque, querendo ou não, a confiança vem de vitórias. Como eu não tive vitórias este ano, comecei a não ter tanta confiança na quadra. Aí a cabeça começa a baixar um pouco, começa a sentir mais, então foi isso. No final, eu fui jogar os torneios menores, os ITFs, mas a minha cabeça já não tava ali mais, entendeu? Fica um pouco mais difícil de voltar.

É uma bola de neve…

Com certeza.

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Ano passado, ainda no primeiro semestre, você jogou uma sequência de ITFs em Campinas, Curitiba, Medellín, começou a ganhar ali e quando voltou para os WTAs, ganhou Bogotá, furou quali em Marrocos e Roland Garros e a coisa fluiu bem melhor.

Com certeza.

Você se arrepende de não ter feito a mesma coisa este ano ou você não pensa assim porque agora é tarde?

Não, não, não penso nisso. Acho que a programação que eu fiz foi a programação certa. A gente tinha planejado e era o que tinha que ser feito. Não acho que foi erro de calendário. A gente não optou por torneios errados. Muito pelo contrário. Foram torneios certos, só que não tive os resultados que eu queria. Não tenho arrependimento nenhum. Faz parte, na verdade. O tenista tem altos e baixos, e este ano foi baixo. Mas ano que vem vai ser alto! (risos)

Quando você faz um calendário assim, a margem pra erro é bem menor. Você pode pegar três top 10 em semanas seguidas, e não tem pra onde correr.

É complicado. Vai jogar Madri e Roma, você pega duas top 10. Aí na outra semana, você não pega uma top 10, mas pega uma menina que faz o jogo da vida dela. É arriscado, sabe? Mas eu senti que tinha nível pra isso.

E qual foi o momento mais difícil dessa sequência? Qual foi o dia mais duro? Alguma derrota específica ou um momento maior de desânimo?

Eu fiquei bem decepcionada quando eu perdi em Wimbledon porque o jogo estava muito na minha mão [Teliana abriu 7/5 e 4/1 sobre a americana Varvara Lepchenko, mas acabou perdendo por 5/7, 7/6(3) e 6/2]. Este ano, eu estava treinando bem. O jogo estava na minha mão, e tudo saiu do controle. Na grama, é complicado. É um momentozinho que você relaxa a atenção, e o jogo vai embora. Ali foi o momento que eu fiquei mais decepcionada. No Rio Open, eu também senti um pouquinho, apesar de ser o começo da temporada. Eu vinha treinando super bem, estava com boas expectativas, e não joguei, mas a menina fez um belo jogo [Petra Martic venceu por 6/3 e 7/5]. Mas houve momentos ótimos também!

Essa era minha próxima pergunta!

Aaaah, foram momentos maravilhosos! Em Roland Garros, eu tive um jogo duríssimo na primeira rodada…

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(interrompendo) Eu ia chegar aí: o melhor foi ganhar da (Kristyna) Pliskova ou jogar contra a Serena?

(risos) O melhor momento foi jogar as Olimpíadas, pra ser bem sincera! (mais risos).

Mesmo?

Ah, sim. Com certeza. Pra mim, foi o momento mais mágico! Mas jogar com a Serena em Roland Garros, na Suzanne Lenglen, tem seu lado bom também. Mas foram dois momentos mágicos, muito bons, que me emocionaram bastante. Jogar contra ela é uma história, né? Você pode guardar no seu livrinho pra contar isso para todo mundo pelo resto da minha vida (risos). Mas houve momentos bons. Não dá para focar só nos momentos ruins.

Mas eu perguntei da Serena e acabei te interrompendo… Você estava falando da vitória contra a Pliskova. Aquele foi um jogão também, né?

Foi um jogão! O jogo em si teve muitos altos e baixos, tanto meus quanto dela, mas tinha muita gente vendo o jogo. O clima ficou muito bom e eu sabia que ia jogar contra a Serena depois, então… Porque eu não olho a chave, né? Eu vou jogo por jogo.

Ah, mentira. Você olha, vai… (brincando)

Não olho! Eu não olho a chave! Às vezes, tem uns repórteres, sabe (provocando em tom de brincadeira), que soltam sem querer e eu fico brava (risos de ambos)!!! Por isso que eu não gosto muito de dar entrevista durante o torneio porque às vezes eles falam, e eu odeio saber a chave. Não gosto, eu não olho! Agora, no último torneio, na França, foi difícil porque eu estava sozinha e eu tinha que ver contra quem eu jogava, mas eu não queria olhar a chave. Foi bem complicado (risos). Mas em Roland Garros, o Renato [Pereira, irmão e técnico] me falou porque… Poxa, é legal. Ele me falou antes e eu disse “nossa!”. Entrei na quadra [contra a Pliskova] pensando que precisava daquela vitória “sim ou sim”. E foi exatamente isso que me fez ganhar, tenho certeza. Foi muito tenso o jogo. No terceiro set, eu pensava “eu vou dar mais e mais” porque jogar contra a Serena em Roland Garros é mágico, e eu queria muito passar por essa experiência [Teliana venceu por 7/5, 3/6 e 9/7].

Fisicamente, como você está? E seu joelho? Acho que sempre te pergunto isso, mas sempre existe essa preocupação.

Nossa, meu joelho foi muito bem este ano. Não tem nem do que reclamar. Eu sofri um pouquinho no começo da temporada com bastante dor no cotovelo. Isso me atrapalhou bastante até Roland Garros. É que meu joelho é muito de altos e baixos. Eu posso estar falando pra você “meu joelho tá bom”, aí amanhã ele acorda ruim. É assim que funciona.

É assim mesmo, essa loucura, de um dia para o outro?

É, de um dia para o outro. Não tem padrão, sabe? É claro que se eu estiver com a musculatura boa, não posso engordar, isso ajuda bastante. Mas já teve dias que eu treinei super bem, saí sem dor, aí no dia seguinte acordei com ele não tão legal. Mas já melhorou bastante.

E o que você pensa para 2017? A gente fala de você há bastante tempo, mas você tem só 28 anos ainda. Não dá pra te chamar de veterana…

Pois é, não sou tão velha assim (risos). Ah, mas acho assim… Claro que vou ter que jogar o quali do Aberto da Austrália e tal. Muda em relação a isso. Não vou poder estar jogando logo de cara os grandes torneios. Vou ter que jogar quali, mas já passei por isso e é normal, sabe? O que as pessoas não entendem é que é normal ter essa queda. Então vou entrar muito tranquila. Já passei por isso, não é algo super novo pra mim. Vou estar no quali da Austrália. É claro que preferia estar na chave, mas é pauleira, é legal. Com certeza, vou jogar torneios menores, mas vou entrar confiante. Estou fazendo uma bela pré-temporada. Comecei antes porque também parei antes. Agora… Vou começar super positiva. É que as pessoas se baseiam muito no ranking. Claro que eu queria estar entre as 100 melhores. É óbvio. Mas não estou numa situação tão difícil. Faz parte. Estou preparada para isso.

A minha impressão é que a WTA é bem mais equilibrada que a ATP nesse nível, fora do top 20, 30. Você vê até a Sorana Cirstea, que foi 21 do mundo, caiu pra fora das 200 e agora está entre as 100 de novo…

É, é que tudo pode mudar muito rápido. Ano passado, eu era 150 e alguma coisa, aí deu três, quatro meses, eu estava no top 100 já. Ganhei Bogotá, depois ganhei Florianópolis, sabe? É tudo muito rápido. Tem que estar preparado para quando o momento chegar, você conseguir. Então vou estar preparada e não duvido. Posso voltar a ganhar grandes torneios, posso voltar rapidamente a estar entre as 100 melhores. Eu já estive lá, sei como funciona.

Você voltou a treinar quando?

Estou na segunda semana [de pré-temporada]. Essas primeiras duas, três semanas são bastante focadas na parte física, menos na quadra, até para o corpo ir assimilando tudo de novo. Semana que vem já começo a fazer um pouco mais de quadra e menos de físico. Conforme vai passando o tempo, vou começar a diminuir o físico e focar mais na quadra.

E, tecnicamente falando, qual sua prioridade neste momento?

Estou trabalhando bastante o saque, que é algo que eu sempre falo. Eu acho que preciso melhorar bastante, então estou fazendo alguns ajustes que a gente acredita que vão dar uma boa diferença. É claro que tem que melhorar tudo, mas a gente está treinando já na quadra rápida. Antes, a gente começava a pré-temporada no saibro e depois passava para a rápida – pelos incômodos físicos que eu tinha. Hoje, já não tenho mais isso com o joelho. Não sinto mais esse incômodo na quadra rápida. É claro que eu me sinto muito melhor, é só ver meus resultados – tudo no saibro – mas eu queria muito ano que vem jogar bem na quadra rápida também pra não ficar dependendo do saibro. É o que eu mais tenho que melhorar e isso inclui tudo. Sacar melhor, devolver melhor, ser mais agressiva, me mexer melhor em quadra porque é diferente você correr no saibro e você correr na quadra rápida. É difícil falar uma coisa. É um ajuste total. Mas se falar da parte técnica, o que estou ajustando mais é o saque.

Pra terminar, o quanto esse fim de apoio dos Correios à CBT te afeta? Porque esses contratos foram encerrados antes da hora, e isso pegou todo mundo de surpresa…

Vou ser bem sincera, não estou muito por dentro do que está acontecendo. Gosto mais de deixar essa parte para o Márcio [Torres, empresário] e para o Alexandre [Zornig]. Eles que estão cuidando disso para que eu não tenha essa preocupação. Acho uma pena pelo tênis brasileiro, mas a gente precisa ver que foi feito um bom trabalho. Não tenho do que reclamar. Eu pude jogar, pude fazer meu calendário sem pensar na parte financeira. Isso é muito importante e faz uma diferença bem grande. Mas é isso, eu não estou muito por dentro. O Márcio cuida dessa parte de patrocínios, aí ele fala com o Alexandre. Quando chega em mim, chega já encaminhado e tranquilo, entendeu? Pra eu não ter que esquentar a cabeça. O tênis já é um esporte que exige tanto da parte mental… Se ficar querendo cuidar de tudo, não dá certo.


André Sá: parceiro supercampeão e otimismo perto dos 40
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Alexandre Cossenza

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André Sá tem 39 anos, quatro Jogos Olímpicos, 20 temporadas completas no circuito e zero sinal de cansaço da vida de tenista profissional. Pelo contrário. A seis meses de se tornar um quarentão, o mineiro, que já foi top 60 nas simples e top 20 nas duplas, tomou uma decisão ousada: vai jogar em 2017 ao lado do indiano Leander Paes, ex-número 1 do mundo, dono de oito título de Slam em duplas e recordista em participações olímpicas, com sete.

Juntos, os dois terão 84 anos a partir de junho. Não parece importar. Não para o brasileiro. Em bate-papo por telefone, André Sá contou como foi a aproximação com o indiano e analisou como a parceria pode dar certo dentro de quadra. Para o mineiro, a experiência de ambos combinada com a atitude de Paes pode ser uma mistura potente. E o indiano já avisou: quer “fazer história” com o brasileiro.

Como foi essa conversa? Quem chegou em quem e como vocês chegaram à conclusão de que pode dar certo?

Essa ideia da dupla… Ele que me ligou, na verdade. Eu estava na Antuérpia ainda, estava na semifinal, de repente tocou o telefone, “Leander Paes”. Esquisito, mas eu meio que sabia porque é nessa época que o pessoal começa a se ajeitar pro ano que vem. Ele falou “André, a gente pode jogar bem, a gente está com ranking parecido, dá pra fazer um calendário legal pra 2017, principalmente no começo do ano. Me diz se você está interessado.” Eu falei que dependendo do meu resultado lá [Antuérpia], de repente a gente jogaria o quali de Viena juntos, mas como eu fiz semi e botaram meu jogo só no sábado, não consegui chegar. O primeiro contato foi esse. Aí passou um tempo, eu dei uma esperada para ver se tinha mais ofertas, aí ele me ligou no fim de semana passado, na sexta à noite. A gente conversou também um pouquinho sábado e acabamos definindo que vamos jogar 2017. A gente começa ali em Chennai, Auckland, Melbourne e depois vê pra frente como vai ser o calendário. Mas a conversa é para jogar o ano inteiro.

Como é a relação de vocês? Sempre foi tranquila ou já teve atrito?

Não, o relacionamento é bom, normal. Nada de excepcional, fora do normal do dia a dia. Às vezes, um estresse aqui e ali porque ele é… Ele é daquele jeito! Sempre dá uma olhadinha depois que ganha um ponto, dá uma vibrada na cara, gosta de gritar “vamos” quando joga contra sul-americanos… Isso aí de vez em quando dá um certo estresse, mas normal. É o jeito dele se motivar. Fora isso, tranquilo.

Uma hipótese que sempre levantam é a possibilidade de duplas brasileiras. O Marcelo (Melo) estava sozinho, o (Marcelo) Demoliner não tem parceiro fixo, e você também estava de mudança. Chegou a haver alguma conversa sua com algum brasileiro?

A questão principal é o ranking. Você tem que tentar fazer um calendário legal, principalmente no começo do ano. O Demo veio falar comigo, mas como o ranking dele estava 64, 65 na época, não dava pra fazer um calendário. A gente jogaria uns torneios muito picados e ainda estava correndo risco de ficar fora do Australian Open também. Os torneios estão fechando forte. O Australian Open fechou 125 [o número equivale à soma dos ranking dos dois tenistas], um negócio desse, então está complicado. Estar 60, 50, não é garantido. E o Marcelo… Acredito que é a mesma coisa. É muito melhor pra ele pegar alguém com quem ele vá estar dentro de todos Masters 1.000 do que ter que começar procurando gente. Essa questão de brasileiro com brasileiro… A questão é sempre ranking.

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Jogar com o Paes vai ser muito diferente de jogar com o (Chris) Guccione, que é um cara com um saque muito forte, mas que se mexe muito pouco. Como vocês imaginam que pode dar certo a parceria de vocês? Porque fica uma dupla muito forte na rede, mas nem tanto no saque.

É exatamente isso. É completamente diferente do Guccione. Na força do saque, a gente fica devendo, mas acho que um vai ajudar muito mais o outro. Nosso objetivo não é ganhar o ponto no saque. É colocar o saque bom o suficiente para colocar o cara da rede em situação confortável pra definir o ponto, entendeu? Não ver como o Guccione, que dá varada três vezes e acabou o game. Só que também no meu saque, ele não ajudava muito. Ele é um cara que fica mais parado ali, a gente tinha que fazer certas jogadas diferentes. Com dupla nova, é difícil dizer se vai dar certo ou não. Tem que jogar, pegar a química da dupla dentro e fora da quadra, mas acho que a gente sentando e conversando, treinando bastante e ganhando jogos, passando pelo processo de passo a passo para melhorar… Tem tudo pra dar certo. Os dois têm boas qualidades. A minha devolução com ele na rede é uma arma incrível. Ele fecha muito bem a rede. Qualquer devolução que eu colocar baixinha ali, ele vai complicar demais. Com o Gooch, não era bem assim. Eu tinha que ir pro winner de devolução porque sabia que ele não ia cruzar em várias bolas, não ia conseguir chegar. Com o Paes, é diferente. Eu só coloco ali no chão, e ele faz o resto. Igual ao Jamie Murray. O Bruno coloca qualquer coisa abaixo da rede, e o Jamie parece que tem três metros de largura na rede.

E experiência não falta…

E também tem a experiência dele, né? Se tirar o lado técnico e tático, o emocional vai fazer muita diferença. É um cara que acredita que pode ganhar de qualquer um. Um cara que já ganhou Grand Slam, que não vai sentir pressão nos momentos importantes, na hora de fechar jogo. Isso faz muita diferença, muita diferença. isso vai ajudar, e a gente tem experiência pra isso, pra se ajustar na parte técnica e tática. No emocional, nós dois temos experiência de sobra pra jogos importantes. Isso que é o principal.

Em termos de ranking, 2015 e 2016 foram mais ou menos parecidos. Você ficou ali entre 40, 50, por aí, o que foi melhor que os anos anteriores. E você fez quartas de final de um Slam este ano. Dá pra dizer que 2016 foi o melhor dos seus últimos cinco anos, mais ou menos?

Ano passado foi o melhor deles. Eu ganhei três títulos no ano passado. isso geralmente define um ano bem sucedido. É quando você ganha títulos. Este ano obviamente foi bom, mas não cheguei no meu objetivo, que era terminar o ano entre os 50, mas fiquei 52, 53, fiz final de um ATP 500, quartas de um Grand Slam, que fazia tempo que eu não conseguia também. Meus resultados em 250 ficaram a desejar. Eu joguei bastante e fiz uma final só [Bucareste]. Nisso, dá pra dar uma melhorada.

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Se você fez duas temporadas muito boas aos 38 e 39 anos, fisicamente você não vem sentindo diferença? Pergunto porque não vejo tantos jogos de duplas, mas quando vejo não consigo identificar uma diferença óbvia do seu tênis hoje para o que você jogava cinco anos atrás. Como você vê isso? O que você acha que caiu ou deixou de cair no seu jogo com a idade?

Acho que não caiu. O formato das duplas hoje, com match tie-break e ponto decisivo [no-ad], não é nada desgastante para o corpo. É mais o desgaste emocional, da pressão, da expectativa, ansiedade… Porque todo ponto importante. Você pode ganhar 6/4 e 6/2, mas você olha o 6/2 e foram três pontos decisivos. Você poderia ter perdido por 6/2. O lado emocional é o que mais pega. Mas os jogos são relativos. Na Olimpíada, com o [Thomaz] Bellucci, ele joga de fundo, eu preciso me mexer muito mais. No US Open também. No jogo que passou na TV, contra o Almagro e o Estrella Burgos, você tem que se mexer muito mais porque os dois jogam no fundo. Mas isso é a minoria. A maioria é o padrão de duplas: saque-e-voleio, no máximo três ou quatro bolas. Se você sentar pra ver 30 jogos de duplas, você vai ver dois ou três jogos iguais a esses.

O momento do Paes é um pouco diferente do seu, né?. Ele foi número 1 do mundo 15 anos atrás e se manteve no top 10 por muito tempo, mas 2016 foi praticamente o pior ano da vida tenística dele. Na conversa de vocês, ele disse se estava bem fisicamente…

Ele me falou porque teve um ano tão ruim. Ele teve um problema sério pessoal com a filha dele. Ele ficou muitos meses afastado este ano e também falou que em alguns torneios ele não estava focado no evento, estava com a cabeça em casa. Por essa razão, ele deu essa despencada no ranking. Ele falou “fiquei praticamente nove meses sem jogar. Eu joguei, mas minha cabeça estava em outro lugar.” Ele disse “agora minha filha está bem, ela se recuperou.” Eu não perguntei, não sei exatamente a doença que ela teve, mas foi algo bem sério [relatos na imprensa indiana dão conta de que Ayiana, filha de Paes, foi diagnosticada com um tumor no cérebro]. Ele disse que agora está tudo certo. A frase dele (risos) foi “let’s make history together” [“vamos fazer história juntos”]. (mais risos)

Ele sempre solta essas frases de efeito, né?

Sempre tem uma. Ele adora! É o jeito dele. Mas tem que aproveitar essa personalidade dele porque, querendo ou não, isso é que faz ele ser número 1, oito vezes campeão de Grand Slam! O cara tem atitude, está jogando até os 43 anos. O cara pode ser ótimo tecnicamente, mas se não tem atitude…

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Pra terminar, preciso mudar de assunto. Como você acompanhou esse fim de ano do tênis brasileiro, com fim de patrocínio dos Correios, CBT mudando de sede e jogadores ficando sem apoio? Como isso repercutiu entre vocês jogadores?

É ruim. Obviamente, não é o ideal. A culpa não é da Confederação. Os Correios e o nosso país estão numa fase ruim. O pós-Olimpíada, que todo mundo questionou lá atrás… Todo mundo especulou que não ia acontecer e essas especulações estão se tornando realidade… Meu maior medo era esse, de um centro olímpico de tênis não virar nada. Do jeito que está aí, pode ser que isso aconteça. Na questão da CBT, o que mais me preocupava era a situação do juvenil e da formação de professores. Isso eu acho que não vai mudar muito. Tive uma conversa com o [Rafael] Westrupp [presidente eleito da CBT] ontem sobre isso. O apoio aos juvenis vai continuar, mas de uma forma menor. E os detalhes que ele me passou de como era… Era uma coisa meio fora do real, entendeu? Todos os juvenis da chave [no circuito Correios] tinham gratuidade através dos Correios. Isso é fora da realidade. Agora, vão entrar na realidade. De repente, só os quatro melhores do Brasil vão continuar tendo um certo apoio, entendeu? É o que a gente falou: a Disneylândia vai acabar. Normal. Acho que o cenário dos últimos oito anos era uma coisa fora da real. E os jogadores têm que ser gratos por isso. Todo mundo foi ajudado e todo mundo teve um certo apoio. Eu, Marcelo, Bruno, Bellucci, Rogerinho, Feijão, Teliana… Todo mundo teve algum apoio, entendeu? Então não é falar mal quando acaba. Tem também que dar crédito porque durante oito anos teve gente ajudando e apoiando. Obviamente, a situação não é ideal. Eles [CBT] estão correndo atrás. Se for comparar agora com a administração passada, do [Nelson] Nastás, tem que ver que o Jorge [Lacerda] pegou numa situação horrível com dívidas de milhões e vai deixar sem dívida. Isso já é positivo. Essa é minha opinião quanto à Confederação. Se a gente pudesse continuar com os Correios, melhor. Se tivesse menos denúncias e projetos com o Ministério do Esporte funcionassem mais, melhor.


Thiago Monteiro: sobre ascensão, confiança, inconformidade e pé no chão
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Alexandre Cossenza

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É difícil conversar com Thiago Monteiro e não sair do papo uma dose forte de otimismo. O cearense de 22 anos, atual 87º do planeta, fala de sua evolução com a confiança e a esperança de um jovem da sua idade, mas também com a consciência de um veterano de circuito.

Todas as palavras “certas” aparecem ao longo da entrevista abaixo. “Seguir melhorando”, “não me acomodei”, “pés no chão”, “não ficaria me gabando”, “investir na equipe”, “ajudar minha família”… Lendo assim, com todas essas expressões amontoadas, parece que Monteiro fez leitura dinâmica de um texto de autoajuda antes da conversa. Na real? Longe disso. O garotão é autêntico. Diz essas coisas todas sem ensaiar, sem forçar. É o jeitão dele, que acaba sendo o melhor jeito – o jeito necessário – para encarar o tênis.

A entrevista é sobre um pouco de tudo que envolveu uma temporada em que Monteiro começou no 463º posto, derrotou nomes como Tsonga e Almagro, entrou no top 100, estreou na Copa Davis e por pouco não se tornou número 1 do Brasil. Você, leitor, não vai encontrar declarações bombásticas, mas talvez vá conhecer um pouco mais sobre o jovem e certamente vai entender os motivos de sua ascensão em 2016. Ao fim da leitura, diga se o copo não parece meio cheio…

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Foi um ano muito “doido” no bom sentido, né? Começou o ano mais de 400 do mundo e entra agora já entre os 90. Muda muita coisa, não? Qual é a parte mais difícil desse ajuste?

Eu estou entrando num novo processo para tentar me firmar num nível maior, o nível ATP. É como se fosse uma segunda transição. Tem a transição do juvenil (para o profissional) e tem essa transição agora de manter no alto nível. Tive a experiência de jogar alguns ATPs este ano, poder treinar mais com melhores jogadores, fiz bons jogos e vai ser uma adaptação que a gente está fazendo que está andando de certa forma um pouco rápida, né? Mas são ajustes. Nesse tipo de torneio, a gente consegue identificar mais fácil (as dificuldades) e seguir melhorando. Adaptar melhor às quadras rápidas, a questão de devolução de saque, defesas… Isso a gente tem aprendido bastante nesses jogos e vem tentando evoluir o mais rápido para se firmar.

E a parte boa disso tudo? Óbvio que são mudanças legais, tanto no ranking quanto financeiramente, mas qual é a melhor parte dessa subida?

Acho que é mais a realização de um sonho de criança. Desde pequeno, eu vim almejando poder competir nesse alto nível, tentar me firmar como um jogador de tênis profissional mesmo. Poder viver esse sonho é um privilégio, uma felicidade que me motiva cada vez mais. Mantendo essa linha de trabalho, acho que estamos fazendo o caminho certo. Essa animação eu espero que fique para o resto da minha carreira e que cada vez eu me motive mais e siga nessa linha.

Tem também a parte de mais gente te reconhecer e querer te conhecer mais. Você já sente isso nos torneios?

Aqui no Brasil, o pessoal tem reconhecido mais, especialmente depois das semanas de Rio Open e de São Paulo, então eu comecei a aparecer um pouco mais. Também tem mais gente seguindo nas redes sociais, mandando apoio. É um reconhecimento legal. Agora eu pude jogar um Challenger em Santos com um apoio incrível do pessoal de lá. Foi um carinho muito grande e isso me motivava para seguir dando meu melhor para a torcida. Na verdade, eu não sei muito o que te dizer. Não é aquele assédio, não sou famoso nem nada. Eu passei a ser reconhecido no mundo do tênis, mas não tem acontecido de ser parado na rua.

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Depois daquele jogo contra o Tsonga (Monteiro derrotou o francês no Rio Open), você disse que foi uma vitória que mostrou que seu trabalho estava dando certo. Mas não foi algo passageiro. Você teve um tênis mais ou menos estável durante a temporada inteira. Já são sete meses disso. Por que esses resultados vieram agora? Foi algo diferente que você fez na preparação em comparação com os anos anteriores ou foi só sua evolução natural?

Na transição de dezembro para este ano, eu comecei a ser muito mais focado em questões de físico, de alongamento, de cuidar do corpo e da alimentação. Também fiz muito trabalho de meditação e visualização que mudou muito a minha forma de encarar o jogo em si e momentos tensos da partida. Isso me deixou mais tranquilo e muda muito, principalmente na recuperação de um dia para o outro e na qualidade do treino em si, na questão de conseguir ficar mais tempo concentrado no que você se propõe a fazer. Comecei a dar muito mais valor a essas coisas extraquadra e também a cada momento do treino em si.

Quando você fala de cuidar da alimentação, isso mudou especificamente o que para você?

É comer a coisa certa no momento certo, especialmente com carboidratos, que me ensinaram que mantêm a energia do corpo e que te fazem recuperar de um dia para o outro. São várias explicações, várias coisas complexas, que não sou nenhum especialista para te dizer, mas me passaram, e eu sou muito disciplinado. Venho seguindo isso, e isso faz uma diferença muito grande. São coisas que até evitam lesões, inflamações no corpo. Quando eu era mais novo, no período juvenil e um pouco depois, refrigerante e hambúrguer era todo dia (risos). Isso eu parei e desde que eu parei, as coisas começaram a dar certo. Juntando com tudo que eu vim fazendo, foi uma união de várias coisas que fizeram isso acontecer.

Tem também uma questão de confiança que veio com essas vitórias, né?

Comecei a entender o jogo de uma forma melhor. Meus treinadores, o Duda Matos e toda equipe da Tennis Route, sempre tentaram estabelecer isso na minha cabeça e sempre acreditaram muito mais no meu potencial muito do que eu acreditava em mim. Aos poucos, eu fui aceitando, fui acreditando mais, especialmente depois dessas duas semanas do Brasil. Realmente, eu vi que poderia competir em alto nível, que poderia estar estabelecido nos torneios maiores. Fui acreditando nisso, fui me dedicando, fui evoluindo bastante com o passar das semanas e mantendo os bons resultados. Independentemente dos bons resultados no Brasil, não me acomodei. Isso passou a me motivar a trabalhar mais duro e evoluir mais. Eu acabo perdendo um jogo ou outro e vejo que tenho muita coisa para evoluir ainda, e o nível que eu pretendo chegar ainda está um pouco longe. Sigo nessa mesma dedicação, tentando identificar essas falhas para tentar seguir evoluindo.

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Foi um ano olímpico, mas imagino que não estivesse nos seus planos estar nos Jogos. Só que no fim das contas, você acabou não ficando nem tão longe assim da zona de classificação. Como foi essa sensação?

Eu encarei de uma forma tranquila. Na verdade, não era o objetivo. Achei que era praticamente impossível de jogar uma Olimpíada. Eu janeiro, eu era 460 do mundo. Eu queria mesmo poder estar bem e disputando os torneios que disputei ali e fui bem. Não tinha expectativa nenhuma de entrar na Olimpíada. No final, ficou por pouco. Seria uma honra, a realização de um sonho. Todos que jogaram falaram que é algo diferente de qualquer coisa que já sentiram. Não foi este ano, mas quem sabe em Tóquio? Se conseguir manter esse bom nível e evoluir bem, quem sabe a gente consegue traçar um objetivo de estar em Tóquio?

Não teve Olimpíada, mas teve Copa Davis. Não foi um ambiente completamente novo porque você já esteve com a equipe antes, mas como foi sentir ser titular, a sensação do “eu vou jogar”?

Todos me receberam super bem, me passaram todas experiências de como é uma Davis, as sensações que eles tiveram a primeira vez que jogaram. Foram me tranquilizando aos poucos. Eu estava muito bem. Tive uma estreia bem dura contra o Goffin. Apesar de ele ter dominado o jogo de certa forma tranquila, eu acho que também não joguei mal. É que ele realmente está num nível acima ainda e mostrou por que está entre os 15 do mundo há uns dois, três anos já. Não é fácil se manter nesse nível. É um cara diferenciado. Mas foi uma experiência incrível, fiquei feliz de poder estar lá. Tentei dar o meu melhor, tive para mim uma estreia boa e espero poder futuramente voltar e me firmar na equipe.

Num jogo assim, em que você joga bem, mas vê que o outro está muito acima, é o tipo de jogo que te faz pensar “puxa, falta muito ainda para estar onde eu quero?” Foi assim que você encarou isso?

Não, não. Tem um pouco desse sentimento, mas o que fica mesmo é motivação mesmo. De realmente saber que por mais que eu tenha melhorado muito, esses caras são minha referência, é contra esses caras que quero continuar competindo. Eu pego como motivação para seguir nessa linha de trabalho, de pés no chão, de estar ciente de que eu tenho que trabalhar muito duro para manter nesse alto nível. Aprendi muito naquele jogo. Você percebe mais as deficiências do seu jogo.

Sobre essas deficiências, o que você vê como próximo passo no seu jogo? Qual seria a prioridade número 1 para você melhorar agora?

Uma das prioridades é a devolução de saque, sim. Eu posso ser mais sólido nas devoluções, mais agressivo também, especialmente nos segundos saques. E as transições, né? Ganhar a quadra um pouco mais rápido, conseguir fechar melhor o jogo na rede, matar nos voleios. São essas duas adaptações que eu preciso fazer bem no meu jogo e, de certa forma, eu vou conseguir pegar bem porque vou começar a jogar mais em quadras duras. Devo ter garantido (uma vaga na chave principal) o Australian Open com esse resultado (final em Santos). Joguei muito pouco em quadras duras. Dois ATPs e um Challenger este ano. Nunca tinha jogado torneios desse nível nesse tipo de quadra. Por mais que os resultados não tenham sido excepcionais, acho que fiz bons jogos e evoluí bastante nesses aspectos. Com o tempo, jogando mais, posso evoluir mais ainda.

Você ficou a uma vitória de ser o número 1 do Brasil. Quando um jornalista pergunta sobre isso, normalmente a resposta é que “número 1 do Brasil é só um número”. Você acha isso também?

Ah, acredito também que seja só um número. Não define nível, não define ninguém como jogador. Até porque o Thomaz, por mais que caia no ranking, vai ser o número 1 porque foi o último cara a estar ali perto dos 20 do mundo. Teve títulos de ATP, várias vitórias contra top 10, entre outros resultados incríveis que ele teve. Eu uso ele como referência, a gente tem treinado bastante junto, e por mais que tivesse acontecido em Santos, não seria algo que eu iria ficar me gabando. Acho que o nosso objetivo é outro e, sem dúvida, ainda tem muita coisa pela frente.

Você tem uma série de Challengers (Campinas, Buenos Aires, Santiago, Lima e Guaiaquil) pela frente agora e pouca coisa para defender. O objetivo mesmo é somar para se garantir nos ATPs do começo do ano e encarar uma sequência forte já no início de 2017?

Dependendo de como for a gira, de como forem as pontuações, eu pretendo realmente começar o ano nos ATPs mesmo e na chave do Australian Open. Se eu conseguir uma boa margem, dá para seguir se mantendo nos ATPs. A gente vai definir dependendo de como for essa gira, mas o objetivo é que comece nos ATPs e continue assim.

Vai ser o primeiro começo de temporada que você vai ficar despreocupado financeiramente, sabendo que vai poder viajar e jogar aqui e ali sem depender de resultado?

Ah, vai ser uma parte boa porque posso investir um pouco mais na equipe. Posso levar meu treinador. Como vai ser uma gira longa e com jogo de cinco sets, posso levar meu preparador físico também. Então acho que essas premiações têm me ajudado muito com isso. Eu prezo muito por investir nas pessoas que estão sempre ao meu lado, que trabalham comigo e que, sem dúvida, me fazem crescer no dia a dia para, quem sabe, ganhar mais ainda.

O Fabrizio (Gallas, assessor de imprensa da Tennis Route) me disse que você está procurando apartamento no Rio (Monteiro mora no alojamento da academia). Isso também faz parte desse processo, né? De um amadurecimento financeiro e como pessoa, digo…

Sim, sim. Quando eu morei seis anos no sul (em Camboriú, SC), nos últimos quatro anos eu alugava um apartamento, pagava minhas despesas, me sentia um homenzinho (risos) independente, então… Mas são coisas que o tênis proporciona. Eu tive que lutar muito por isso e também tenho a possibilidade de ajudar minha família. São essas coisas que me motivam a querer melhorar cada vez mais.


Davis, dia 2: tombo inesperado encerra fim de semana decepcionante
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Alexandre Cossenza

O golpe fatal veio de onde não se esperava. Ruben Bemelmans e Joris De Loore, a dupla escalada pela Bélgica mais para poupar David Goffin e Steve Darcis do que para ganhar de fato, acabou derrubando os favoritos Bruno Soares e Marcelo Melo em cinco sets. O tombo dos mineiros por 3/6, 7/6(5), 4/6, 6/4 e 6/4 completou um fim de semana decepcionante – mais pelas atuações do que pelo resultado final – para o time do capitão João Zwetsch, que mostrou pouco poder de reação e quase nenhuma variação tática nas simples de sexta-feira.

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Com o 3 a 0, a Bélgica continua no Grupo Mundial, a elite da Copa Davis, enquanto o Brasil volta para o Zonal das Américas, onde esteve em nove das últimas 11 temporadas. Neste sentido, não há grandes e novas conclusões a tirar. O Brasil continuará sendo favorito dentro do continente para alcançar os playoffs, mas ainda dependerá de um sorteio favorável (e o confronto contra a Bélgica não era nem de longe o pior dos cenários) e/ou da ascensão de um segundo simplista.

A maior expectativa agora fica por conta de Thiago Monteiro, que obteve ótimos resultados em 2016. Seria bom mesmo que o cearense de 22 anos desse outro passo adiante na carreira e se firmasse como tenista de nível ATP. Até porque entre os brasileiros mais novos que ele ainda não há ninguém mostrando tênis suficiente para defender o país internacionalmente.

O favoritismo era brasileiro, claro. Afinal, dois vencedores de Slam com muito tempo de quadra juntos enfrentariam jogadores que só haviam atuado juntos uma vez – uma derrota na primeira rodada de um Challenger. Um deles, De Loore, nunca havia vestido as cores do país na Copa Davis. O nervosismo ficou evidente. O jovem de 23 anos fez um foot fault e errou um voleio fácil logo no segundo game. A quebra veio, e os brasileiros não deram chance para reação. Os belgas não ameaçaram em momento algum e venceram apenas dois (dois!) pontos de devolução no primeiro set inteiro.

Se parecia um passeio de fim de semana, logo apareceu aquele engarrafamento que ninguém espera porque a PM montou uma blitz às 10h no único caminho até a praia. Bemelmans e De Loore acharam um ritmo melhor, sacaram espetacularmente (83% de aproveitamento de primeiro serviço) e arriscaram nas devoluções. Tiveram dois break points em games diferentes, mas De Loore, jogando no lado da vantagem, não conseguiu encaixar devoluções. No tie-break, a postura agressiva junto à rede que vinha dando certo saiu pela culatra. Bemelmans acertou um belo lob sobre Marcelo, e a Bélgica abriu 6/4. Foi o único mini-break do game, e os donos da casa empataram a partida.

O equilíbrio continuou, com pequenas chances para os dois lados. O terceiro set só teve um break point. Foi no décimo game, e Melo converteu com uma devolução vencedora (vide tweet acima). A quarta parcial começou com uma quebra da Bélgica, e o time da casa salvou dos break points em games diferentes antes de devolver o 6/4 anterior e mandar a decisão para o quinto set.

A essa altura, Bemelmans já tinha o tempo dos saques brasileiros e cravava devoluções impressionantes. Quando De Loore fazia o mesmo, significava perigo de quebra. Aconteceu no terceiro game, e Melo perdeu o saque. Os donos da casa abriram 3/1 e continuaram melhores nos games de serviço. O time mineiro tentou e ainda venceu um pontaço (vídeo abaixo), mas não conseguiu devolver a quebra. Game, set, match, Bélgica: 3/6, 7/6(5), 4/6, 6/4 e 6/4.

Uma temporada nada memorável

Se não voltarem a jogar juntos em 2016 (não há nada previsto até agora), Bruno Soares e Marcelo Melo terminarão a temporada com uma campanha de seis vitórias e quatro derrotas atuando juntos. Ainda que os mineiros tenham ficado a uma vitória de brigar pela medalha olímpica, trata-se de um histórico nada memorável para o potencial de ambos – especialmente considerando que três dessas vitórias aconteceram contra duplas irrelevantes no circuito: Fabiano de Paula/Orlandinho, Emilio Gómez/Roberto Quiroz e Nicolás Almagro/Eduardo Russi.


Davis, dia 1: Bélgica aproveita limitação brasileira
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Alexandre Cossenza

Thiago Monteiro ganhou uma batata quente de presente em sua estreia na Copa Davis. Thomaz Bellucci fez mais uma partida daquelas cheias de erros (35 não forçados, pela conta econômica da ITF) e sem variações táticas. O resultado foi uma péssima sexta-feira em Oostende, na Bélgica, onde o time da casa abriu 2 a 0 na série melhor de cinco que define quem jogará o Grupo Mundial da Copa Davis em 2017. Um dia que expôs a limitação dos simplistas brasileiros – e até do capitão – e que deixou o país sem margem para erro nos próximos dois dias.

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A superioridade

O dia começou com Thiago Monteiro soltando o braço e tentando incomodar David Goffin. Até conseguiu por alguns games no serviço do belga. Monteiro teve 0/30 no segundo game, um 30/40 no quarto e um 30/30 no sexto. O tenista da casa, contudo, venceu todos – sem exceção – pontos grandes do set. Depois de fechar a parcial por 6/2, jogou mais à vontade e dominou. Só perdeu mais dois games depois disso e fechou em 6/2, 6/2 e 6/0.

Ainda que haja uma clara diferença de nível e de experiência, não consegui ver uma tentativa de Monteiro de mudar taticamente o andamento do jogo. Era até esperado que ele entrasse em quadra adotando o bom e velho “entra sem pressão e solta o braço”, mas nesse nível, na primeira partida melhor de cinco sets de sua carreira, seria preciso um plano B. Não garantiria um resultado diferente, mas seria uma tentativa. Do jeito que a partida correu, Goffin não foi tão exigido assim.

A falta de recursos

No aspecto estratégico, o segundo jogo não foi muito diferente. Thomaz Bellucci entrou em quadra disposto a atacar primeiro e fazer Steve Darcis correr. O belga apostou em variações. Slices cruzados e paralelos, velocidades e altura de bola diferentes e paciência, muita paciência. Darcis trocava bolas e esperava chances para atacar na boa, com o forehand na paralela.

O #1 do Brasil fez um belo primeiro set, que teria sido até mais fácil não fosse um pavoroso sétimo game. Ainda assim, Bellucci venceu o tie-break e parecia firme no jogo. A coisa começou a desandar no quarto game do segundo set. Darcis aproveitou o quinto break point e deslanchou. O paulista desandou a errar. Errou curtinhas, voleios, forehands e tudo que podia errar. Em vários momentos, também subiu mal à rede e pagou o preço.

O problema, como quase sempre acontece com Bellucci, foi a execução. Contra um Darcis sólido e paciente, o brasileiro teria duas opções: ou tentar algo diferente ou executar melhor seu plano A. Não fez nem um nem outro. Para piorar, Darcis jogou mais solto e agressivo quando teve a dianteira. Sem plano B, restou ao paulista ficar em quadra esperando por um milagre que não veio. Darcis fez 6/7(5), 6/1, 6/3 e 6/3 e colocou seu país com uma enorme vantagem.

A esperança

Com uma dupla forte como a de Bruno Soares e Marcelo Melo, o mais provável é que o Brasil sobreviva ao sábado. Por enquanto, a Bélgica tem Ruben Bemelmans e Joris de Loore escalados para o jogo de sábado. O mais provável é que o capitão belga, Johan Van Herck, mantenha a formação e poupe seus titulares para o domingo, quando precisará de um pontinho para seguir no Grupo Mundial.

Para o capitão João Zwetsch, resta rezar para duas zebras. Primeiro, Bellucci precisará derrotar Goffin sem a torcida brasileira fazendo estrago no cérebro do belga. Depois, terá de contar com uma vitória do estreante Thiago Monteiro contra o veterano Darcis, 32 anos, que vem num ótimo momento na temporada e dois dias depois de uma atuação belíssima contra Bellucci. Possível? Sim. Num domingo qualquer, tudo pode acontecer. Provável? Nem tanto.


NY, dia 13: o enorme Bruno Soares conquista seu quinto título
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Alexandre Cossenza

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A conversa abaixo pode ou não ter acontecido entre um jornalista e o pai de um conhecido juvenil brasileiro antes deste US Open.

Jornalista: Oi, tudo bom? Estou esperando pra conversar com seu filho depois do treino.
Pai: Opa, e ai? Legal, mas ele não tá dando entrevista, não.

Ah, não? Poxa.
Não. A gente não quer que ele perca o foco. Desde que ele apareceu mais, digamos assim, muita gente procurou ele. Se ele falar com todo mundo, acaba perdendo o foco. E ele está numa idade importante, né?

Certamente. Então o senhor acha que dar entrevista atrapalha ele?
Claro. É um tempo que ele perde que poderia estar fazendo outra coisa.

Sim. Poderia estar no Facebook, no WhatsApp, caçando Pokémon, qualquer coisa.
Mas não é só o tempo, não. É muita pressão, sabe?

Pressão?
Claro. Ele é o melhor juvenil do país.

Mas tem muito jornalista escrevendo que espera muito dele?
Não, mas porque a gente não deixa ele dar entrevista. Tem que ficar quieto, né? Porque se ficar falando, a pressão só aumenta.

Não entendi. O senhor acha que a pressão aumenta se ele der mais entrevista?
Claro.

Sei. Mas essa pressão que o senhor diz que existe… Isso é porque o seu filho é bom tenista. Uma promessa, né?
É.

Não é todo tenista bom que tem isso?
Acho que sim, né?

Então talvez, de repente, só pensando alto aqui… Não seria melhor ele se acostumar logo com essa pressão que o senhor diz?
Ah, mas pressão só atrapalha.

Entendi. Quer dizer, acho que entendi.
A gente não pode deixar o menino muito exposto.

Bom, já que o seu filho não vai dar entrevista, vou indo. Um bom dia pro senhor.
É difícil trabalhar com tênis, né? Jogador não fala muito com jornalista, né?

Alguns até que falam, viu? Aliás, olha que coisa curiosa… O senhor sabe quem é o brasileiro que mais dá entrevista?
Quem?

Bruno Soares. Ganhou quatro Slams. Parece que ele não se incomoda muito com esse negócio de pressão…

O quinto título

A final-final foi hoje, neste sábado, mas Bruno Soares e Jamie Murray deram o maior dos passos rumo ao título do US Open quando venceram um duelo tenso com Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert. A decisão acabou sendo com Guillermo García-López e Pablo Carreño Busta, que deram uma força e eliminaram Feliciano López e Marc López.

De drama mesmo, só o primeiro game, quando Jamie teve seu serviço quebrado. Depois disso, brasileiro e escocês dominaram. Fizeram 6/2 e 6/3 e conquistaram seu segundo título na temporada. O circuito de duplas não via um time triunfar duas vezes no mesmo ano desde Bob e Mike Bryan, em 2013.

É o quinto título de Slam de Bruno Soares. Ganhou três nas mistas(US Open 2012 e 2014; Australian Open 2016) e dois nas duplas (Australian Open e US Open 2016). É o mais acessível dos tenistas brasileiros – e não só aos jornalistas. Sincero, simpático e campeão. Um enorme tenista. Uma pessoa gigante.

Observação: por um compromisso familiar, não verei a final feminina na noite deste sábado. Escreverei sobre a partida no domingo, depois de ver a gravação.


Quando o sonho acaba e é preciso dizer ‘segue o baile’
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Alexandre Cossenza

A noite de terça-feira foi especialmente dura para o tênis brasileiro. Sim, Thomaz Bellucci derrotou Pablo Cuevas e passou para a terceira rodada na chave de simples, mas a maior chance de medalha do país na modalidade acabou. Bruno Soares e Marcelo Melo foram eliminados nas quartas de final pelos romenos Florin Mergea e Horia Tecau.

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Faltava uma vitória para que os mineiros jogassem por uma medalha. Faltou, no fim das contas, um set. Foi um golpe e tanto. Foi um baque na torcida, que encheu a Quadra 1 e deu show nos três jogos de Soares e Melo em uma sintonia rara de ver; foi duro para a imprensa, que acompanhou a trajetória bacana de dois campeões de Grand Slam; e, claro, foi devastador para Bruno e Marcelo.

Machucou porque foi em casa, porque coincidiu de os Jogos Olímpicos acontecerem no Brasil e justamente durante o auge da carreira de ambos. Doeu porque os dois queriam muito. Bruno disse durante a semana que nunca viveu o tênis tão intensamente quanto nestes dias. Nunca curtiu tanto ir dormir pensando no jogo do dia seguinte. Abalou porque era possível. Quase palpável. Tecau e Mergea são uma ótima dupla, mas não são um Phelps. “Só” jogaram como se fossem. Ainda assim, duas bolas aqui, outras duas ali, e o jogo teria outro fim.

Só que o que dá o sabor tão especial ao Jogos Olímpicos é o mesmo ingrediente da crueldade. Não há margem para erro. A próxima chance vem só daqui a quatro anos e será longe de casa, em Tóquio, trocando o dia pela noite. Marcelo terá 36 anos. Bruno, 38. É possível que ambos já não estejam jogando seu melhor tênis. E isso faz doer mais ainda. Talvez a melhor chance – não a única – tenha passado.

Bruno e Marcelo não fazem parte de nenhuma minoria social ou étnica. Não foram criados na favela, não são nordestinos nem negros. São homens criados em famílias que nunca passaram fome. Não precisaram lidar com preconceitos. Nem por isso são menos brasileiros ou merecedores que outros. Encararam o mais duro dos esportes individuais, abraçando uma vida em que não há clubes bancando treinadores nem viagens. É cada um por si, e os patrocinadores são escassos.

A dupla mineira nunca se escondeu atrás de assessores de imprensa e jamais fugiu de uma entrevista depois de uma derrota. Bruno e Marcelo não são de desculpas. Reconhecem suas falhas, dão mérito aos rivais. Uma medalha coroaria duas carreiras fantásticas, mas mais do que isso: duas pessoas fantásticas.

Uma entrevista pós-derrota quase sempre inclui um “segue o baile” vindo de Bruno. Não é minimizar o revés. É aceitar o que aconteceu e olhar para a frente. Foi assim que ele fez a vida inteira. Marcelo também. Sempre deu certo. E pode ser que em menos de um mês um deles esteja comemorando outro título de Slam. Acabam os Jogos Olímpicos. É difícil engolir e aceitar que o sonho acabou. Talvez nunca tenha sido tão difícil pedir ao DJ ou voltar à pista, mas não tem jeito. “Segue o baile.”


Teliana venceu (sobre a diferença entre respeito e patriotada)
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Alexandre Cossenza

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Foi uma vitória de Teliana Pereira pisar na Quadra Suzanne Lenglen para enfrentar Serena Williams nesta quinta-feira. Sim, é clichê. Sim, soa como uma grande “pachecada”. Parece mesmo uma tentativa de vitimizar atletas brasileiros que não têm condição de serem os melhores em suas modalidades. É um ponto de vista pouco ambicioso, alguns podem dizer. Por que dizer que Teliana já venceu antes de começar a partida? Por que não acreditar que é possível bater a número 1?

Entendo quem pensa assim. Não concordo, mas entendo. Como entendo quem rotula de protecionismo patriótico quando, em vez de cravar “humilha” ou “atropela”, o UOL publica “Teliana vence só três games…” e o Globoesporte.com escreve “Teliana vive bons momentos, mas Serena confirma favoritismo”. A verdade, verdade-verdadeira mesmo, é que Serena passou por cima. Não foi um 6/2 e 6/1 de games longos, equilibrados e que, por coincidência ou qualquer outra razão, caíram todos do lado da número 1. Serena dominou, ganhou fácil, é indiscutível.

Não vou tentar convencer você, leitor, do contrário. Este post é apenas para explicar por que concordo com os títulos do parágrafo anterior e por que acredito que, como digo lá no alto da página, Teliana venceu.

Também não vou repetir a vida de Teliana como se fosse uma história triste. Sim, é verdade que o pai dela foi boia-fria. Também é fato que a família não tinha dinheiro para sustentá-la em um esporte caro. Só que a atual número 1 do Brasil não é a única que tem uma história assim. Ana Ivanovic treinava no horário que a OTAN não estava bombardeando a Iugoslávia. Maria Sharapova foi levada aos 7 anos, sem falar o idioma local, para um país estranho, deixando a mãe na Rússia, só para poder treinar. Serena Williams teve de lidar com o racismo desde pequena. Já deu para entender, né? Vida dura e sem grana não é exclusiva de brasileiros.

Teliana venceu porque se tornou tenista profissional. Aproveitou as chances que lhe foram dadas, sonhou com uma carreira e acreditou que era possível. Deixou para trás milhares de brasileiros que tinham a mesma ambição. Teve ajuda, mas não teve uma conta bancária sem fim, apoio de estatal nem hasthag para sair distribuindo nas redes sociais. Lá atrás, lembremos, Teliana nem rede social tinha. Só mantinha um blog, onde relatava, inclusive, os problemas com um plano de saúde quando precisou tratar o joelho lesionado.

Teliana venceu porque conseguiu viver e se sustentar com o que ganha no tênis, algo que apenas uma minúscula parcela dos profissionais alcança. Chegou a ser excluída do (fracassado, diga-se) projeto olímpico da CBT porque “não seguiu a filosofia proposta” pela entidade. Teve resultados melhores por conta própria, e a entidade a “engoliu” de volta meses depois.

Teliana venceu porque nunca desenvolveu golpes espetaculares, nunca foi dominante em quadra e, mesmo assim, encontrou uma maneira de ser uma das 50 primeiras do ranking. Não, seu tênis não é o mais vistoso de ver e seus longos gemidos ao bater na bola não são os mais agradáveis aos ouvidos. Seu saque é frágil como seu joelho, mas quem se importa? Teliana compensou com dedicação. Não será melhor do mundo por ser mais guerreira – aquele adjetivo que o povo tanto gosta para ela – do que a vizinha, mas já tem dois títulos de WTA na carreira. Já é mais do que, por exemplo, Eugenie Bouchard, finalista de Wimbledon em 2014 e atleta mais “marketável” do planeta em 2015.

Então, caro leitor, quando eu – ou qualquer outro jornalista – evito o “humilha”, o “atropela”, o “massacra”, é porque há um respeito enorme por uma atleta que é a melhor de seu país, ainda que ela pareça praticar um esporte diferente do de Serena Williams. E tudo bem se você leu os parágrafos acima e não mudou de opinião. Mas para mim, Teliana venceu.


O mistério de Bellucci e o convidado que não sabia o local da festa
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Alexandre Cossenza

Thomaz Bellucci não quer dizer do que se trata, mas também não sabe como solucionar. Mais uma vez, o físico deixou o número 1 do Brasil pelo caminho em um torneio. Desta vez, em um torneio bem acessível e, digamos, ganhável. Foi assim, de surpresa, que o paulista atual #35 do mundo caiu logo na estreia no Brasil Open. O post de hoje ainda cita a curiosa história de Benoit Paire, convidado do torneio que esperava jogar em quadra coberta, e registra mais uma campanha inédita na carreira de Thiago Monteiro.

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A zebra

Era para ser um dia rotineiro. Thomaz Bellucci jogando em São Paulo, com torcida a favor, na altitude que lhe é favorável (cerca de 800m) e diante do lucky loser espanhol Roberto Carballés Baena, #122 do mundo, adversário que não possuía armas para derrotá-lo. Era para ser uma vitória comum, sem destaque especial.

Era. E até parecia que seria assim até a metade do segundo set. Depois de fazer 6/2 com folga na primeira parcial, Bellucci abriu 2/0, quebrando o espanhol e mantendo a soberania em quadra. O paulista, no entanto, perdeu o saque no quarto game. Ainda assim, houve chances de sobra.

No 4/4, com o espanhol no saque, Bellucci teve quatro break points. Perdeu todos em erros não forçados – inclusive duas devoluções de segundo saque e uma curtinha na rede. No 4/5, o brasileiro abriu 40/15 e voltou a vacilar. Cometeu três erros, cedeu um set point e viu Carballés Baena fechar com uma direita vencedora.

O terceiro set foi drama puro, especialmente depois do quinto game, quando Bellucci pediu atendimento médico e tomou um comprimido – situação igual aconteceu no Rio, onde o #1 do Brasil não quis revelar a origem do problema. Desta vez, em São Paulo, Bellucci mal mostrava condições de seguir em quadra. Passou a encurtar pontos, forçando curtinhas e usando o saque-e-voleio.

Escapou de dois break points no sexto game, mas não no oitavo. E não mais ameaçou o rival, que fechou em 2/6, 6/4 e 6/3.

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O mistério

Na coletiva, Bellucci fez o mesmo que no Rio de Janeiro. Não disse especificamente qual é o problema nem detalhou seus sintomas. Desta vez, porém, deu algumas pistas, afirmando que foi uma questão parecida com a sofrida no Rio Open e revelando que ninguém encontrou a solução.

“Não é lesão, não. Fisicamente, eu não consigo manter a intensidade, tenho um peso muito grande no corpo, e no terceiro set comecei a sentir muita cãibra e foi isso que aconteceu. Não sei o que acontece. Estamos tentando achar uma solução para tentar manter uma intensidade razoável. Se eu consigo manter uma intensidade alta, jogando bem, como eu estava no primeiro set, de cinco a dez derrotas por ano talvez eu não teria. Meu jogo seria outro, meu ranking seria outro, minha atitude seria outra dentro de quadra, mas infelizmente eu não consigo manter a intensidade. Chega uma hora que não sei o que acontece. Não consigo jogar e meu nível de jogo cai de 100 para zero.”

Vale ressaltar que Bellucci apareceu para uma sala de entrevista coletiva com uma dúzia de jornalistas (pelo menos) e respondeu apenas quatro perguntas. O número foi pré-estabelecido pela mediadora, que é assessora de imprensa do torneio e, ao mesmo tempo, assessora de imprensa pessoal do tenista.

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O convidado que não sabia onde era a festa

Benoit Paire, #20 do mundo que pediu convite de última hora para disputar o Brasil Open, ficou pouco tempo no torneio. Pouco depois de Bellucci dar adeus, Paire foi eliminado pelo sérvio Dusan Lajovic por 6/0, 4/6 e 6/3.

A cena mais curiosa do dia foi protagonizada pelo francês. Logo depois da derrota, puxou uma cadeira, sentou e encostou a cabeça na pilastra bem em frente à sala de imprensa. Sua namorada estava por ali também.

A segunda cena mais intrigante do dia também envolveu Benoit Paire, que deixou o clube sem dar entrevista coletiva. A assessora da ATP, então, telefonou para o tenista e colocou seu celular na mesa de entrevistas coletivas. Assim, uma meia dúzia de profissionais conseguiu fazer perguntas por viva-voz.

A conversa com a pequena foto de Paire na telinha do celular, é preciso admitir, foi menos interessante. Primeiro porque o convidado do torneio revelou não saber onde seria o Brasil Open. O francês acreditava que o evento ainda era disputado em quadra coberta, no Ibirapuera, como em 2012, quando ele veio ao Brasil.

“Honestamente, eu não sabia que era um torneio outdoor. Quando eu vi que a partida seria outdoor, fiquei surpreso. Mas as condições eram boas. Eu gostava do torneio quando era indoor, no outro local (Ibirapuera), mas hoje o clube é bom, o ambiente é ótimo. Mas eu perdi hoje, então não fiquei feliz.”

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O #20 do mundo também disse que estava doente e lamentou a derrota porque gostou da chave em que estava. Sobre sua vinda de última hora, Paire disse que pediu o wild card porque não jogou bem no começo do ano.

“Perdi na primeira rodada na Austrália, na primeira em Roterdã e na primeira em Montpellier e por isso pedi um wild card. Eu precisava me preparar. Se eu não jogasse, teria três semanas livres até Indian Wells. Acho que foi uma boa escolha porque eu tinha chance de ganhar o torneio. Acho que se eu tivesse vencido hoje, poderia fazer semifinal ou final e estaria me sentindo cada vez melhor.”

Monteiro outra vez

Sem Bellucci, o último brasileiro vivo, pela segunda semana consecutiva, é Thiago Monteiro. O cearense de 21 anos, que derrotou Jo-Wilfried Tsonga e Nicolás Almagro, bateu nesta quinta-feira o espanhol Daniel Muñoz de la Nava (#72) por 4/6, 6/3 e 6/2.

Com o resultado, o atual número 278 do ranking alcança pela primeira vez na carreira as quartas de final de um torneio de nível ATP. Os pontos conquistados em São Paulo já colocam Monteiro com o melhor ranking da carreira, superando o 254º posto que alcançou na semana de 4 de novembro de 2013. Mesmo que perca na próxima rodada, o cearense ficará perto do 240º posto.

O obstáculo no caminho de Monteiro nas quartas será o uruguaio Pablo Cuevas, seu algoz no Rio de Janeiro. No torneio carioca, o cearense teve boas chances no primeiro set e chegou a abrir 4/2 no tie-break, mas não conseguiu manter a dianteira. O resto da história todo mundo sabe: Cuevas bateu Rafael Nadal, Guido Pella e conquistou o título do Rio Open.

Cabeças que já rolaram

Paire foi o sexto cabeça de chave a perder logo na estreia em São Paulo. Os únicos sobreviventes nas quartas de final são o uruguaio Pablo Cuevas, campeão do Rio Open, e o argentino Federico Delbonis. Os outros já eliminados são Albert Ramos Viñolas (5), Paolo Lorenzi (6), Nicolás Almagro (7) e Pablo Andújar (8).

As duplas

A chave de duplas do Brasil Open viu a estreia de Bruno Soares e Marcelo Melo, que bateram o espanhol Nicolás Almagro e o convidado local Eduardo Russi Assumpção por 6/1 e 6/3. Os mineiros, eliminados na semi no Rio de Janeiro, gostaram de seu rendimento – especialmente Bruno Soares, que tem um problema histórico com o tipo de bola usada no torneio carioca. Em São Paulo, o campeão do Australian Open se mostrou bem mais à vontade.

Quem também venceu foi André Sá, que quebrou o amargo jejum de 2016 e finalmente somou uma vitória na temporada (depois de seis derrotas). Ele o argentino Máximo González passaram pelos italianos Marco Cecchinato e Paolo Lorenzi por 7/6(4) e 6/1.