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AO, dia 10: o conto de fadas de Lucic-Baroni e os 6 set points de Raonic
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Alexandre Cossenza

O Australian Open terminou de definir suas semifinais com duas histórias memoráveis. Primeiro, com Mirjana Lucic-Baroni vencendo outra vez e escrevendo novas linhas no que poderia muito bem ser roteiro de filme de Hollywood. Mais tarde, com Rafael Nadal superando Milos Raonic em um duelo que foi praticamente decidido nos seis set points que o canadense teve na segunda parcial.

O resumaço de hoje trata das últimas quartas de final e, claro, da expectativa por finais “vintage”. Afinal, O primeiro Slam da temporada pode ter Federer x Nadal e Williams x Williams no fim de semana. E sim, estamos em 2017.

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O conto de fadas

O jogo em si foi ruim de ver. Foram muitos winners, muitos erros e quase nenhum rali. Variações táticas não existiram. E, no fim, Mirjana Lucic-Baroni derrubou Karolina Pliskova por 6/4, 3/6 e 6/4. O triunfo colocou a veterana de 34 nas semifinais e escreveu algumas páginas a mais no conto de fadas da croata nascida na Alemanha, casada com um ítalo-americano, residente da Flórida e que agora brilha em Melbourne (coisas fantásticas acontecem quando as pessoas têm oportunidades além das fronteiras de seus países, não?).

Digo “conto de fadas” porque a história de Lucic-Baroni vai muito além da figura de uma veterana alcançando as semifinais de um Slam. A croata era uma das maiores promessas do tênis no fim da década de 1990. Foi campeã (adulta!) de duplas no próprio Australian Open quando tinha 15 anos, em 1998. Um ano antes, já tinha vencido o primeiro WTA que disputou. Foi bicampeã do evento com 16 anos. Aos 17, foi semifinalista de Wimbledon 1999.

Foi aí, no entanto, que problemas particulares interferiram. Nas entrevistas deste Australian Open, Lucic-Baroni evita tocar no assunto e só diz que as pessoas não sabem da metade de sua história. E a metade conhecida já é assustadora o bastante. Ela e a mãe deixaram a Croácia e fugiram para a Flórida por causa de abusos do pai (ele nega e nunca foi condenado, é bom esclarecer). A adolescente saiu do top 100 e passou a enfrentar problemas financeiros. Foi processada pela IMG, empresa que administrava sua carreira.

Até hoje, joga sem patrocínio. Compra roupas por conta própria, veste o acha mais interessante, não importa a marca. Lucic-Baroni só conseguiu voltar a jogar eventos de nível WTA em 2010 – uma década mais tarde. Esta reportagem do New York Times conta tudo com mais detalhes (leitura altamente recomendada!).

Quando avançou às quartas de final, mandou um recado forte: “f___ tudo e todo mundo. Quem quer que seja que te diga que você não pode, apenas apareça e faça com o coração” (vide vídeo acima). Pois é. Nas semifinais, a atual #79 do mundo garante a entrada no top 30 e o melhor ranking da carreira.

Ao completar o triunfo sobre Pliskova – que incluiu uma sequência impressionante depois de uma ida ao banheiro no terceiro set – Lucic-Baroni não segurou as lágrimas e deu um longo abraço na entrevistadora da vez, a ex-tenista Rennae Stubbs. A australiana, aliás, foi a primeira adversária de Lucic-Baroni em Melbourne, lá atrás, em 1998 – e a croata venceu.

No meio de toda essa emoção, mandou outra mensagem: “Sei que significa muito para qualquer jogador chegar às semifinais, mas para mim isso é arrebatador. Nunca vou esquecer este dia e as últimas semanas. Isto fez minha vida e tudo ruim que aconteceu ficar ok. O fato de eu ser tão forte e que valeu a pena lutar tanto é realmente incrível.” Precisa dizer mais?

A próxima página dessa história terá Serena Williams, já que a #2 do mundo terminou com a sequência e vitórias de Johanna Konta por 6/2 e 6/3. A britânica, #9 do ranking, ainda não havia perdido sets em Melbourne e já somava nove triunfos consecutivos, já que vinha do título no WTA de Sydney.

Não foi uma partida tão parelha quanto muita gente esperava. Agora, depois do encontro, parece justo dizer que foi um daqueles dias em que Serena entrou em quadra especialmente concentrada e disposta a atropelar. A americana adora enfrentar oponentes badalados pela imprensa e pelos fãs. Poucas coisas a motivam mais do que ouvir que alguém “tem boas chances de eliminar Serena.” Não foi diferente nesta quarta-feira.

Serena, vale lembrar, pode reassumir a liderança do ranking mundial. Após a derrota de Angelique Kerber diante de Coco Vandeweghe, só depende da veterana. Serena precisa ser campeã para voltar ao topo.

O caso dos seis set points

O grande jogo masculino desta quarta-feira foi o que definiu o último semifinalista e que abriu a sessão noturna na Rod Laver Arena. Rafael Nadal e Milos Raonic fizeram a partida que vinha sendo considerada como a semifinal antecipada. O espanhol, derrotado há algumas semanas em Brisbane pelo canadense, deu o troco: 6/4, 7/6(7) e 6/4.

Em uma breve análise tática, é possível dizer que Nadal foi competente com seu serviço (sem forçar demais e sem dar tantas chances para que o rival atacasse seu segundo saque), conseguiu devolver um número interessantes de saques do canadense (e sem recuar demais) e foi mais competente nos momentos de pressão, quando precisou salvar break points.

Só que nenhuma história do jogo ficaria completa sem mencionar os seis set points de Raonic na segunda parcial. Os três primeiros vieram no décimo game, com Nadal sacando em 4/5 e cometendo três erros atípicos. O espanhol jogou bem em dois desses break points, mas permitiu que Raonic entrasse em vantagem num rali. O canadense, contudo, errou um backhand despretensioso.

Depois, Raonic teve mais três set points no tie-break. Abriu 6/4 com um lindo lob vencedor, mas sacou em 6/5 e cometeu uma dupla falta. Ainda teve outra chance no 7/6, mas Nadal jogou bem. E quem não aproveita seis set points contra Nadal acaba pagando o preço. Pagou caro.

Classificado para a semifinal e com seu melhor resultado em um Slam desde Roland Garros/2014, Nadal vai encarar o também “renascido” Grigor Dimitrov, que derrubou David Goffin por 6/3, 6/2 e 6/4. O búlgaro, campeão do ATP 250 de Brisbane na primeira semana do ano, vem de dez vitórias consecutivas.

Federer x Nadal no horizonte

Antes do torneio, Roger Federer deu uma entrevista ao New York Times, dizendo que o Australian Open seria épico. Um pouco por causa de seu retorno após seis meses sem competir, mas também pelos momentos de Andy Murray, número 1, Novak Djokovic, o rei destronado, e Rafael Nadal, tentando encontrar uma forma de voltar a brigar por títulos grandes.

Duas semanas depois, o mundo do tênis está a dois jogos de ver mais uma final entre Federer e Nadal. E mais: nas semifinais, os dois são favoritos nas casas de apostas. O suíço, contra seu compatriota Stan Wawrinka; o espanhol, contra Grigor Dimitrov. A ansiedade é geral. A última final de Slam entre eles foi em Roland Garros/2011. Desde então, houve dois encontros em Melbourne, mas ambos nas semis.

Mais “vintage” que isso, só se o Australian Open nos brindar com uma final Williams x Williams na chave feminina. Serena enfrenta Lucic-Baroni, enquanto Venus encara Coco Vandeweghe. Não parece nada impossível, hein?

Leitura recomendada

Indicação de Fernando Nardini, que contou a história durante a transmissão nesta madrugada: em entrevista ao jornal La Nación, Juan Mónaco fala sobre sua lesão no punho, como adiou a cirurgia tomando injeções de cortisona enquanto pôde e o quanto pensa em deixar o tênis profissional. É um papo longo, com várias revelações e até alguns momentos descontraídos, como relatos de jogos de PlayStation com Rafael Nadal, Carlos Moyá e David Ferrer. Leia aqui.


AO, dia 6: a vez do Nadal ‘vintage’
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Alexandre Cossenza

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A edição 2017 do Australian Open está definitivamente sendo saborosa para os apreciadores dos maiores vencedores de Slams em atividade. Menos de 24 horas depois de uma atuação clássica de Roger Federer, foi a vez de Rafael Nadal conquistar uma vitória enorme de um jeito que ninguém fez melhor nos últimos tempos. Com luta, em cinco sets, em 4h06min de jogo e terminando com um adversário esgotado e com cãibras do outro lado da rede.

Lembrou o melhor Nadal, aquele das vitórias sobre Verdasco e Federer no mesmo Australian Open em 2009, do triunfo sobre Djokovic em Roland Garros 2013 (ou Madri/2009), de tantas e tantas vitórias que exigiram tanto da tática e da técnica quanto de algo extra: a força mental, altíssima ao longo de todo jogo, e a preparação física. Alexander Zverev, 19 anos e dono de um tênis (quase) completo (falta ir à rede), foi um adversário notável, mas que não conseguiu se equiparar durante o tempo necessário e acabou como vítima de um majestoso triunfo por 4/6, 6/3, 6/7(5), 6/3 e 6/2.

Resumir o Nadal de hoje – ou o melhor Nadal ou qualquer Nadal – à figura de um gladiador, ainda que tentador, é burrice. O próprio Rafa cedeu momentaneamente quando entrevistado por Jim Courier após o jogo. Ao explicar ao ex-tenista como venceu o jogo, começou com uma resposta curta: “Lutando.” Ganhou aplausos e sorrisos, mas continuou a resposta fazendo uma enorme análise tática. Sim, Nadal nem havia saído da quadra e tinha o jogo inteiro na cabeça. Se você leitor, acha que é fácil, sugiro prestar mais atenção nas tantas respostas rasas das entrevistas pós-jogo de outros aletas.

Talvez não exista ilustração melhor sobre este Nadal inteligente do que a partida deste sábado na Rod Laver Arena (RLA). Porque o Nadal de hoje é agressivo, gosta de e precisa jogar mais no ataque, mas os saques e golpes de fundo de Zverev assustam. No primeiro set, bastou uma quebra – no primeiro game – para que o alemão saísse na frente. A potência fazia diferença.

Rafa, o cabeça 9, fez ajustes. Passou a usar slices, variou o peso de bola e usou todo tipo de saque em seu arsenal. Mexeu com a cabeça de Zverev, conseguiu uma quebra e equilibrou as ações. O espanhol ainda levava vantagem tática na terceira parcial, mas o adolescente tinha o saque para igualar o duelo. No tie-break, agrediu mais e levou.

Nesse momento, tudo jogava contra. Os 30 anos de idade, o histórico recente de três derrotas seguidas em jogos com cinco sets e até as duas vitórias de Zverev em seus últimos jogos de cinco sets. Nadal passou a devolver o saque lá do fundão e teve resultado. Enquanto o alemão ainda vibrava com o tie-break vencido, Nadal abria 3/0 na parcial. Nesse momento, chegando perto das 3h de jogo, o espanhol parecia mais inteiro, mais senhor do jogo.

O golpe final ainda estava por vir. Nadal quebrou primeiro no quinto set, mas perdeu o serviço pouco depois. Veio, então, o decisivo quinto game. Sim, o quinto. Zverev teve 40/15 e uma bola fácil em sua direita para matar o ponto e fechar o game. Jogou na rede. Com o game em iguais, os tenistas disputaram um espetacular rali de 37 golpes. O alemão ganhou o ponto. O espanhol ganhou o jogo. Ali, ao término do ponto interminável, o adolescente sentiu cãibras.

Nadal castigou. Colocou para correr, deu curtinhas, lobs, ganhou mais ralis. Zverev até que lutou contra o corpo. Foi bravo até o último ponto, tentando o que lhe restava. Nada adiantou. Não ganhou mais um game. O ex-número 1 comemorou e disse que, até pelas derrotas recentes em três sets, foi um dia muito especial. Para ele e para todos. Um clássico. Vintage Rafa.

O adversário

Nas oitavas de final, Nadal vai enfrentar Gael Monfils (#6), que precisou só de três sets para despachar Philipp Kohlschreiber: 6/3, 7/6(1) e 6/4. O último jogo entre eles teve dois sets de altíssimo nível. Foi na final do Masters 1.000 de Monte Carlo de 2016, quando Rafa fez 7/5, 5/7 e 6/0. No total, o retrospecto de confrontos diretos é amplamente favorável ao #9: são 12 vitórias dele contra duas de Monfils.

A favorita

Depois de duas rodadas complicadas contra Bencic e Safarova, Serena Williams encarou uma adversária de menos nome e aproveitou. A compatriota Nicole Gibbs, #92, conseguiu fazer apenas quatro games. A número 2 do mundo completou a vitória por 6/1 e 6/3 em apenas 1h03min, mesmo com números nada estelares: quatro aces, quatro duplas falas, 17 winners e 26 erros não forçados.

A próxima oponente da #2 será a perigosa Barbora Strycova, cabeça 16. A tcheca passou por Kulichkova, Petkovic e Garcia sem perder um set sequer e será um desafio interessante para Serena. Strycova tem golpes para mudar a velocidade do jogo e exigir um pouco mais de movimentação da americana, mas será o bastante para anular a potência da ex-número 1?

Outros candidatos

Na Margaret Court Arena (MCA), Johanna Konta, cabeça de chave número 9, ampliou sua série de vitórias com um massacre sobre Caroline Wozniacki: 6/3 e 6/1. A britânica impôs sua potência desde o início do jogo, dando as cartas e fazendo a dinamarquesa correr de um lado para o outro da quadra. Sem golpes de fundo para mudar a partida e sem tentar grandes variações, a ex-número 1 chegou a perder nove games seguidos antes de “furar o pneu” no fim do segundo set.

Konta agora soma oito vitórias seguidas, emendando com o título do WTA de Sydney. Nas oitavas em Melbourne, ela vai enfrentar a russa Ekaterina Makarova, que jogou muito, jogou nada e jogou muito de novo para derrotar Dominika Cibulkova por 6/2, 6/7(3) e 6/3. O placar puro e simples omite que a russa teve 6/2 e 4/0 de vantagem, perdeu cinco games seguidos, salvou três set points e perdeu a segunda parcial.

Makarova também abriu o terceiro set com uma quebra, mas só para perder o serviço logo em seguida. Na hora de decidir, contudo, aproveitou melhor as chances. Salvou três break points no sétimo game, quebrou Cibulkova no oitavo e fechou no nono. Uma atuação que foi suficiente para vencer neste sábado, mas que possivelmente não resolverá contra a mais consistente Konta.

A eslovaca, por sua vez, saiu lamentando as chances perdidas no terceiro set, quando parecia que o jogo ia mudar de mãos definitivamente.

Dominic Thiem e David Goffin também avançaram. O austríaco bateu Benoit Paire em um jogo com altos e baixos por 6/1, 4/6, 6/4 e 6/4, enquanto o belga dominou Ivo Karlovic e fez 6/3, 6/2 e 6/4. Goffin, aliás, já vinha de um triunfo sobre um sacador. Na primeira rodada, superou Riley Opelka (2,11m) em cinco sets. Agora, Thiem e Goffin duelam por um lugar nas quartas de final.

Cabeça de chave número 3 e mais bem ranqueado na metade de baixo da chave – depois da eliminação de Djokovic – Milos Raonic voltou a avançar. Desta vez, em um jogo mais complicado do que o placar sugere. Gilles Simon resistiu bravamente, mas a derrota no tie-break do parelho segundo set colocou o francês num buraco fundo demais para sair. Simon ainda saiude uma quebra atrás para vencer a terceira parcial, mas a margem para erro era pequena demais, e o canadense acabou fechando em seguida: 6/2, 7/6(5), 3/6 e 6/3. Ele agora encara Roberto Bautista Agut (#14), que venceu o duelo espanhol com David Ferrer (#23): 7/5, 6/7(6), 7/6(3) e 6/4.

Os brasileiros

A rodada começou com uma vitória bastante grande para Marcelo Demoliner. Ele e o neozelandês Marcus Daniell eliminaram os cabeças de chave número 6, Rajeev Ram e Raven Klaasen, por 6/1 e 7/6(4).

O resultado coloca o time nas oitavas de final contra Sam Groth e Chris Guccione, que passarem por Treat Huey e Max Mirnyi: 7/6(10) e 7/6(5). Por enquanto, a campanha já iguala o melhor resultado de Demoliner em Slams. Ele também alcançou as oitavas em Wimbledon/2015 (também com Daniell) e no US Open/2016 (Bellucci). O gaúcho, por enquanto, vai subindo nove posições no ranking e alcançando o 55º posto – o melhor da carreira.

Mais tarde, Marcelo Melo e Lukazs Kubot, cabeças de chave 7, superaram Nicholas Monroe e Artem Sitak e tambem passaram para as oitavas: 6/4 e 7/6(3). O próximo jogo é aquele do climão, já que o mineiro vai encarar seu ex-parceiro, Ivan Dodig, que atualmente joga com Marcel Granollers. Embora ninguém tenha dito nada hostil publicamente, a separação não foi no melhor dos termos e incluiu um péssimo clima no ATP Finals e unfollows em redes sociais.

Na chave de duplas mistas, Bruno Soares, em parceria com Katerina Siniakova, passou pela estreia. A dupla de brasileiro e tcheca, que são os cabeças de chave número 6, derrotou Pablo Cuevas e María José Martínez Sánchez por 6/4 e 6/3.

A boyband de Roger Federer

O suíço não entrou em quadra neste sábado, mas foi assunto nas redes quando postou o vídeo abaixo. Ele, Grigor Dimitrov e Tommy Haas cantam Hard To Say I’m Sorry (Chicago) com David Foster (ex-Chicago) no piano. Vejam, riam e julguem!

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As oitavas de final

[1] Andy Murray x Mischa Zverev
[17] Roger Federer x Kei Nishikori [5]
[4] Stan Wawrinka x Andreas Seppi
[12] Jo-Wilfried Tsonga x Daniel Evans
[6] Gael Monfils x Rafael Nadal [9]
[13] Roberto Bautista Agut x Milos Raonic [3]
[8] Dominic Thiem x David Goffin [11]
[15] Grigor Dimitrov x Denis Istomin

[1] Angelique Kerber x Coco Vandeweghe
Sorana Cirstea x Garbiñe Muguruza [7]
Mona Barthel x Venus Williams [13]
[24] Anastasia Pavlyuchenkova x Svetlana Kuznetsova [8]
[5] Karolina Pliskova x Daria Gavrilova [22]
[Q] Jennifer Brady x Mirjana Lucic-Baroni
[30] Ekaterina Makarova x Johanna Konta [9]
[16] Barbora Strycova x Serena Williams [2]

Infelizmente, por questões pessoais, não houve tempo de incluir uma breve análise das vitórias de Karolina Pliskova (que foi um jogão, com drama de sobra) e Grigor Dimitrov. Agradeço a compreensão.


AO, dia 2: grande virada de Rogerinho, 75 aces de Ivo e Serena leva noivo
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Alexandre Cossenza

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Foi um segundo dia cheio de emoções em Melbourne – ainda que nenhum dos principais candidatos ao título tenha sido ameaçado. A começar pela enorme virada de Rogerinho, que começou perdendo por 2 sets a 0, mas saiu de quadra como o único brasileiro a passar para a segunda rodada.

A terça-feira do Australiana Open também teve os 75 aces de Ivo Karlovic, que colocou mais uma vez seu nome na lista de mais saques indefensáveis em uma só partida, e os nove match points salvos por Lucie Safarova. A tcheca, aliás, vai enfrentar Serena Williams, que anunciou recentemente seu noivado e tem o sortudo na torcida em Melbourne.

Este resumaço do dia ainda lembra do susto de Zverev, das vitórias confortáveis de Djokovic e Nadal e do perfeito Gran Willy de Radwanska contra Pironkova.

O brasileiro

Rogerinho, o brasileiro que mais deu sorte na chave, foi também quem mais ficou em quadra e saiu recompensado com uma grande vitória sobre Jared Donaldson, 20 anos e #101 do mundo, por 3/6, 0/6, 6/1, 6/4 e 6/4. E nem parecia que seria o caso quando o Donaldson venceu rapidinho os dois primeiros sets. O paulista não desistiu. Cresceu no jogo, passou a encaixar seu primeiro saque com mais frequência e levou a decisão para o quinto set.

Abriu com uma quebra de saque, lutou quando jogou mal e manteve o serviço a duras penas (e com um pouco de sorte, como no break point em que seu backhand tocou na fita e morreu do outro lado), mas manteve a cabeça, continuou com o plano de jogo que vinha funcionando e conquistou uma bela vitória. A comemoração foi um longo abraço em Larri Passos, que viu a partida e deu alguns toques durante a semana.

Para que não fique dúvida: Rogerinho treina com o argentino Andrés Schneiter, e Larri Passos está em Melbourne acompanhando uma tenista francesa.

O triunfo desta terça foi o sexto da carreira de Rogerinho (32 anos) em quadras duras em torneios de nível ATP. Antes, o paulista tinha vitórias no US Open em 2011 (Sorensen), 2012 (Gabashvili) e 2013 (Pospisil), nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (Fabbiano) e em Chennai/2017 (Lajovic). O próximo passo é um duelo com o francês Gilles Simon. Os dois se enfrentaram em Roland Garros, no ano passado, e Simon confirmou o favoritismo em três sets: 7/6(5), 6/4 e 6/2.

Os favoritos

Serena Williams fez uma bela apresentação. Consciente do perigo representado por Belinda Bencic, a americana fez uma estreia muito melhor do que a média de suas apresentações iniciais em Slams. Mais do que isso, a #2 do mundo foi excelente no único momento delicado da partida: o 4/4 do primeiro set. Depois dali, Serena venceu sete games seguidos ates que Bencic ensaiasse uma frustrada reação no fim da segunda parcial. No fim, 6/4 e 6/3 para Serena.

A atuação da ex-número 1 veio diante dos olhos do noivo, Alex Ohanian, um dos fundadores do Reddit. Serena revelou o noivado há pouco tempo, em um texto no próprio Reddit, e pegou o mundo de surpresa. A história de amor era desconhecida do grande público até então. O Australian Open é o primeiro torneio com presença de Ohanian desde o anúncio.

Abrindo a sessão noturna a Rod Laver Arena, Novak Djokovic encontrou de novo Fernando Verdasco, o mesmo contra quem precisou salvar quatro match points na semifinal do ATP de Doha, há pouco mais de uma semana. Outro jogo tão parelho era improvável. E não foi, a não ser pelo segundo set, quando o espanhol esteve duas vezes com quebra de vantagem – em ambas, perdeu o serviço imediatamente em seguida – e sucumbiu no tie-break. Djokovic fez 6/1, 7/6(4) e 6/2, sem drama.

Os 75 aces de Ivo Karlovic

Quando Horacio Zeballos (#68) abriu 2 sets a 0 sobre Ivo Karlovic (#21) em 1h20min de jogo, o argentino parecia ter bem encaminhada sua passagem para a segunda rodada. Só que não foi tão fácil assim. Karlovic, o homem que mais disparou aces na história do tênis, voltou a fazer bem o que faz de melhor: confirmar serviços. Logo, a partida estava no quinto set. E que quinto set, tenso e demorado. Karlovic e Zeballos deram pouquíssimas chances em seus games de serviço, e a partida foi se alongando.

A parcial decisiva, sem tie-break, durou mais que todos os quatro sets anteriores. O croata não parava de disparar aces. No 42º game, Karlovic finalmente conseguiu dois match points. Perdeu o primeiro num rali, mas ganhou o segundo ao acertar um preciso lob de slice. Zeballos correu como um louco, mas não conseguiu colocar a bolinha na quadra. Game, set, match: 6/7(6), 3/6, 7/5, 6/2, 22/20.

Os números oficiais registraram 5h14min de jogo e 75 aces de Karlovic (33 de Zeballos). Os 75 saques indefensáveis colocam o croata na quarta posição na lista de mais aces em uma partida. Ele também ocupa o terceiro (78), o quinto (61), o sétimo (55), o oitavo (53) e o décimo (51) lugares na lista.

O recorde é de John Isner, que executou 133 aces contra Nicolas Mahut na primeira rodada de Wimbledon em 2010. Aquele jogo durou 11h05min, se alongou por três dias e é o mais longo da história do tênis. O americano bateu o francês por 6/4, 3/6, 6/7(7), 7/6(3) e 70/68. Mahut fez 103 aces naquele dia.

Outros candidatos

Alexander Zverev, o “prodígio”, fez um set decente, outros dois pavorosos e esteve a poucos games de uma eliminação desastrosa. Robin Haase, #57, assumiu a dianteira no placar e teve até uma quebra de vantagem no quarto set. Bastava confirmar seu saque, o mas o holandês jogou um pavoroso sexto game, deu quatro pontos de graça a Zverev e colocou o adolescente de volta na partida.

O alemão de 19 anos nem fez lá dois sets irretocáveis, mas fez seu básico enquanto Haase continuava a cometer duplas faltas e dar pontos de graça. O placar final mostrou 6/2, 3/6, 5/7, 6/3 e 6/2, e se Zverev tem motivo para comemorar sua sobrevivência no torneio, também precisa se preocupar com a consistência. É preciso mais para que ele consiga o salto que todos acreditam que ele pode dar para brigar por títulos e pelas primeiras posições do ranking.

O lado bom para o fã de tênis é que ainda existe a possibilidade da badalada partida de terceira rodada entre Zverev e Rafael Nadal. O espanhol, aliás, também estreou com vitória: fez 6/3, 6/4 e 6/4 sobre o alemão Florian Mayer. Nadal não perdeu nenhum game de serviço – o que é mais importante hoje em dia do que já foi no passado – quebrou Mayer uma vez em cada set e faz lances bonitos como sempre – inclusive a paralela do tweet abaixo.

Também desse lado da chave, Milos Raonic fez 6/3, 6/4 e 6/2 sobre Dustin Brown. O canadense é favorito para pelo menos alcançar as quartas de final, quando enfrentará o vencedor da seção que tem Monfils, Kohlschreiber, Nadal e Zverev.

Na chave feminina, considerando seu histórico de fiascos em rodadas iniciais de Slam, Karolina Pliskova fez uma bela estreia. No primeiro jogo do dia na Rod Laver Arena, a vice-campeã do US Open despachou rápido a espanhola Sara Sorribes Tormo (#106) em poco mais de uma hora: 6/2 e 6/0. Melhor ainda para Pliskova é a derrota da perigosa Monica Niculescu (#32), superada pela qualifier russa Anna Blinkova (#189) por 6/2, 4/6 e 6/4.

Johanna Konta, por sua vez, passou por um obstáculo nada simples e eliminou a belga Kirsten Flipkens (#70) por 7/5 e 6/2. A top 10 britânica, que vem de título em Sydney, avança para outro duelo perigoso. Vai encarar a japonesa Naomi Osaka (#48), que venceu um jogo duríssimo contra Luksika Kumkhum (#183) por 6/7(2), 6/4 e 7/5. Caroline Wozniacki e Dominika Cibulkova, outras que que correm por fora em Melbourne, também venceram nesta terça.

O Gran Willy

Por fim, no último jogo da Rod Laver Arena, Agnieszka Radwanska precisou de três sets, mas eliminou Tsvetana Pironkova por 6/1, 4/6 e 6/1. Foi uma boa atuação da polonesa, que só não venceu com mais facilidade porque a búlgara conseguiu – pelo menos no segundo set – agredir com eficiência o serviço frágil de Aga. Na parcial decisiva, contudo, Radwanska conseguiu alongar ralis e impor suas variações com curtinhas, slices e um pouco de tudo. E, entre tantos pontos bonitos, o Gran Willy do vídeo acima foi o ponto alto.

Nove match points

Não é todo dia que alguém perde tantas chances assim de fechar um jogo. A ex-top 20 Yanina Wickmayer teme nove match points contra a tcheca Lucie Safarova no segundo set e não conseguiu converter. Safarova se defendeu de cinco match points no 12º game, com seu serviço, e de mais quatro pontos no tie-break. Quando conseguiu forçar o terceiro set, avançou cheia de moral, enquanto Wickmayer sucumbiu: 3/6, 7/6(7) e 6/1.

O prêmio por tanto esforço? Um duelo com Serena Williams na segunda rodada. Sim, tcheca e americana, que fizeram a final de Roland Garros em 2015, agora vão se encontrar na segunda rodada de um Slam. O favoritismo, claro, é de Serena que tem um histórico de 9 a 0 em confrontos diretos contra a tcheca.


AO, dia 11: Djokovic deixa Federer para trás, Serena domina, Bruno na final
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Alexandre Cossenza

A quinta-feira cheia de expectativa foi das mais interessantes e deu muito assunto. Não só para o Brasil, que terá Bruno Soares em mais uma final de Slam, mas para a imprensa internacional, que pode falar mais e mais sobre os domínios de Serena Williams e Novak Djokovic e seus lugares na história do esporte.

A americana atropelou Agnieszka Radwanska, enquanto o sérvio derrubou Roger Federer em um jogo que teve quatro sets, mas deixou escancarada a superioridade do atual número 1 do mundo sobre o veterano. Este resumaço do 11º dia do Australian Open tem análises dos jogos, vídeos y otras cositas más. Divirtam-se.

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O jogo mais esperado

Djokovic (#1) x Federer (#3), como semifinal de Slam, não preencheu as expectativas de um jogão. A culpa (ou o mérito, dependendo da sua torcida) é de Djokovic, que jogou um tênis estratosférico durante os dois primeiros sets, sem deixar Federer respirar e cometendo raros erros. Enquanto o suíço tentava se encontrar na Rod Laver Arena, o sérvio fez 6/1 e 6/2 em 56 minutos.

Curiosamente, o placar até então foi o mesmo da final de Doha, aquela em que Djokovic atropelou Rafael Nadal algumas semanas atrás. Foi o jogo que motivou o espanhol a dizer que nunca tinha visto, desde que conhece tênis, alguém jogar em um nível tão alto. Um elogio e tanto, coisa rara de ver entre rivais desse porte. Na época, porém, houve quem dissesse que Nadal queria apenas justificar a sapatada que levou no Catar. Pois os dois primeiros sets desta quinta-feira alimentam a teoria de Rafael Nadal como uma churrascaria tijucana.

Não tivesse começado o terceiro set menos intenso, Djokovic poderia ter saído da quadra bem mais rápido. Mas a postura menos agressiva do número 1 e a luta de Federer fizeram um “jogo”. O suíço saiu de um break point no quinto game e, finalmente, quebrou o número 1 na sequência. Sacando melhor do que nas parciais anteriores, o “azarão” manteve o saque até fechar a parcial – para a festa da torcida, que gritava seu nome em coro, ansiosa por mais tênis.

Foi então que o teto retrátil foi fechado por causa da chuva, e a paralisação de cerca de dez minutos deu uma esfriada na partida. Os ralis escassearam. Federer sacava bem, mas devolvia mal. Conseguiu um 0/30 logo no primeiro game, mas errou quatro devoluções seguidas (três no segundo serviço do sérvio) e perdeu o que seria sua melhor chance no set.

O oitavo game foi decisivo. Federer deixou o sérvio abrir 0/30, mas igualou o placar do game com uma passada de backhand espetacular (vide vídeo acima). Aquele, no entanto, foi o último ponto do suíço na partida. Djokovic chegou ao break point com uma passada com ajuda da fita, quebrou na sequência e sacou para o jogo. Confirmou de zero, sem piscar. Game, set, match: 6/1, 6/2, 3/6 e 6/3.

O resultado, além de colocar Djokovic em mais uma final no Australian Open, faz com que o sérvio deixe Roger Federer para trás também no histórico de confrontos diretos. A soma, agora, mostra 23 vitórias do atual número 1 em 45 confrontos. Djokovic, é bom lembrar, também leva vantagem sobre Rafael Nadal por 24 a 23. Ele agora espera o vencedor de Andy Murray (#2) x Milos Raonic (#14) para saber quem será seu adversário no domingo.

E as mulheres?

A primeira semifinal do dia, entre Serena Williams (#1) e Agnieszka Radwanska (#4), teve um primeiro set constrangedor e uma segunda parcial que só não foi mais desequilibrada porque a número 1 do mundo desandou a errar. O jogo durou só 1h06min, e o placar de 6/0 e 6/4 espelhou a superioridade da americana.

Não que a polonesa tenha feito uma apresentação ruim. Nada disso. Radwanska encaixou 54% de seus primeiros serviços e cometeu só sete erros não forçados. A questão é que a partida deu a dimensão de quantos níveis acima está Serena. Radwanska não tem potência nem no saque (média de 152 km/h no primeiro serviço e 124 km/h no segundo) nem nos golpes de fundo para incomodar a número 1.

O trunfo que Radwanska tem contra o resto do circuito, que é seu jogo variado, com slices, curtinhas e golpes bem colocados, vale muito pouco diante de Serena. A diferença de peso nos golpes é tanta que, quando tudo dá certo para a favorita – como no primeiro set – a polonesa passa mais tempo correndo atrás da bola de um lado para o outro do que fazendo seu próprio jogo.

E Radwanska, é bom lembrar, era a tenista com mais vitórias (27) e títulos (quatro) no circuito mundial desde o US Open. Além disso, vinha em uma sequência de 13 vitórias, que começou na fase de grupos do WTA Finals do ano passado e incluía o título do WTA de Shenzhen deste ano.

A dúvida que fica agora é saber o Angelique Kerber pode fazer de diferente na final. A alemã (#6) derrotou a britânica Johanna Konta (#47) na segunda semifinal por 7/5 e 6/2 e mostrou mais uma vez sua regularidade. Não que tenha sido um jogo perfeito da alemã. Kerber chegou a ter 3/0 com duas quebras de vantagem, mas deixou Konta atacar e virar o primeiro set para 5/4.

No fim, a tenista britânica não conseguiu a precisão ofensiva necessária para triunfar, mas é difícil imaginar Kerber incomodando Serena com um primeiro serviço que teve 151 km/h de média contra Konta (e a média do segundo serviço foi de 120 km/h). Se a americana estiver com a devolução calibrada, como esteve contra Radwanska e como normalmente atua em jogos importantes, Kerber pode conseguir ser pouco mais do que uma espectadora no sábado.

O brasileiro finalista

A semifinal de Bruno Soares e Jamie Murray contra os franceses Lucas Pouille e Adrian Mannarino começou atrasada por causa de um problema na rede da Rod Laver Arena (tipo de imprevisto que acontece na semifinal porque quase não usam uma certa rede na quadra). Nada que tirasse o brasileiro do sério. Enquanto esperava o reparo, ficava de pernas cruzadas rindo com o parceiro, com a calma de uma primeira rodada de ATP 250.

Quando a bolinha entrou em jogo, a supremacia de Bruno e Jamie foi nítida. Após um susto no quinto game, quando o mineiro precisou sair de 15/40 em seu saque, deslancharam. Embalados por uma atuação irretocável do brasileiro, quebraram no game seguinte, fecharam a parcial em 6/3 e já abriram o set seguinte com outra quebra no saque de Pouille. A partida durou 58 minutos e terminou com o placar mostrando 6/3 e 6/1.

O resultado, que significa a 12ª vitória seguida de Bruno Soares (somando o título em Sydney e as campanhas em duplas masculinas e mistas em Melbourne), coloca o brasileiro em sua segunda final de Slam. Na primeira, no US Open de 2013, seu parceiro, Alexander Peya, entrou em quadra lesionado, e a parceria mal teve chances diante da Leander Paes e Radek Stepanek.

Para Jamie Murray, será a terceira final de Slam consecutiva – um feito raríssimo. O escocês disputou o título em Wimbledon e no US Open do ano passado, mas ele e John Peers saíram de quadra derrotados em ambas ocasiões.

A final será contra o imortal Daniel Nestor (43 anos) e o tcheco Radek Stepanek, que derrotaram Pablo Cuevas e Marcel Granollers por 7/6(11) e 6/4. Brasileiro e britânico são favoritos nas casas de apostas. Na Sportsbet australiana, por exemplo, uma vitória de Bruno e Jamie paga 1,46 para cada dólar apostado. Um triunfo de Nestor e Stepanek paga 2,60.

Os melhores lances

O canal oficial do Australian Open montou este clipe da vitória de Bruno Soares e Jamie Murray na semifinal de duplas.

Esse lance espetacular deu dois break points a Roger Federer no terceiro set. Djokovic salvou-se de ambos, mas acabou perdendo o saque no mesmo game, que durou mais de dez minutos. Foi o início da reação do suíço.

Cheiro de campeão?

A entrevista pós-jogo com Jim Courier rendeu mais um momento divertido de Novak Djokovic. O americano disse que o bate-papo começou em um lugar e que o sérvio continuava a andar para trás. Courier quis saber se estava cheirando mal… Nole, então, respondeu que seu entrevistador tinha o hábito de fazer a pergunta e dar um passo para a frente. E todo mundo riu.

Bolão Impromptu do Dia

Nesta quinta, a pergunta aleatória lançada durante um momento qualquer na madrugada era sobre quantos games teria a partida entre Novak Djokovic e Roger Federer. O vencedor foi Felipe Priante, jornalista do Tenisbrasil, que foi ousado no palpite, considerando que os últimos confrontos entre sérvio e suíço em torneios de Grand Slam haviam ultrapassado os 40 games.

O que vem por aí no dia 12

A programação de sexta-feira, em Melbourne, só tem uma partida de simples: Andy Murray e Milos Raonic fazem a segunda semifinal masculina à noite, na Rod Laver Arena. Antes, a quadra principal do torneio tem uma semifinal de duplas mistas e a final de duplas femininas, com as quase imbatíveis Martina Hingis e Sania Mirza enfrentando as tchecas Andrea Hlavackova e Lucie Hradecka.

Bruno Soares, por sua vez, volta à quadra para buscar uma vaga também na final de duplas mistas. Ele e a russa Elena Vesnina fazem a última partida da Quadra 3, já no fim da tarde (ou no começo da noite) contra Sania Mirza e Ivan Dodig.

Veja aqui os horários e a programação completa.


AO, dia 10: o tombo de Vika, as chances de Raonic, e Bruno em outra semi
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Alexandre Cossenza

A primeira derrota da cotadíssima Victoria Azarenka em 2016, a discussão sobre os méritos (ou não) de Angelique Kerber, o jogão de Andy Murray e David Ferrer, as chances de Milos Raonic e mais uma semifinal para Bruno Soares são os principais assuntos desta quarta-feira, décimo dia do Australian Open 2016.

Este resumaço da jornada inclui também o emocionante abraço de Johanna Konta e Shuai Zhang, os planos dos maiores órgãos do tênis para fortalecer o combate à manipulação de resultados, uma gafe do torneio e um bolão improvisado durante a madrugada. Role a página, clique nos muitos links e fique por dentro.

O jogo mais esperado

No primeiro verdadeiro teste de sua consistência no Australian Open, Victoria Azarenka sucumbiu. O belíssimo torneio da bielorrussa foi jogado fora em dois momentos. Um péssimo começo de partida e um desastroso fim de segundo set, com cinco set points perdidos em seu próprios games de serviço. Angelique Kerber, o retrato da regularidade, sobreviveu mesmo com um saque vulnerável e fez 6/3 e 7/5 para alcançar as semifinais em Melbourne pela primeira vez na carreira.

Obviamente foi um dia ruim de Vika, que nunca esteve à vontade para atacar buscando as linhas, algo necessário para enfrentar Kerber. Depois de deixar a alemã abrir 4/0, a bielorrussa diminuiu um pouco a agressividade, deixou a adversária errar um pouco mais e até equilibrou as ações, devolvendo uma das quebras, mas foi só.

A segunda parcial parecia bem encaminhada, mas a coisa desandou depois que Azarenka abriu 5/2 e 40/0. Kerber venceu três pontos seguidos sendo mais agressiva e salvou mais dois set points quando Vika teve 5/4 e 40/15. O que parecia um terceiro set certo tornou-se um pesadelo para a ex-número 1. Kerber viu a chance e não bobeou. Virou o set, conseguiu sua primeira vitória em sete partidas contra Azarenka e esbanjou alegria na comemoração.

A adversária de Kerber na semifinal será a britânica Johanna Konta (#47), que venceu o duelo de zebras contra a chinesa Shuai Zhang (#133). A inglesa nascida na Austrália fez 6/4 e 6/1 e se tornou a primeira britânica a alcançar a semifinal do Australian Open desde Jo Durie em 1983, ano em que foram lançados Billie Jean (Michael Jackson) e O Retorno de Jedi. Também foi o ano do bicampeonato do espetacular Nelson Piquet na Fórmula 1.

Konta, é bom lembrar, disputa uma chave principal de Slam pela nona vez, mas fez este ano sua estreia entre as 128 em Melbourne. De 2013 a 2015, disputou o qualifying e não conseguiu se classificar.

Eu ganhei, nós empatamos, vocês perderam

Em todo Slam, acontece pelo menos uma vez. Um tenista famoso perde e deixa a quadra dizendo algo do tipo “o jogo estava na minha raquete” ou “eu perdi”, sem dar o devido mérito à adversária. Até que demorou, mas chegou este momento na edição 2016 do torneio australiano, cortesia de Victoria Azarenka – ou da interpretação que deram a sua entrevista coletiva.

A percepção da maioria (e eu nem sei se concordo, mas isso é outra discussão) foi que Vika não deu o devido mérito para Kerber. De fato, Azarenka faz uma grande lista se suas falhas durante o jogo, mas ela também admite que a alemã foi agressiva e que sacou bem nos momentos mais importantes.

A frase que marca mais é a seguinte: “Acho que ela foi agressiva. Ela sacou bem. Especialmente nos momentos importantes ela sacou muito bem, mas para mim é difícil de julgar porque acho que nos conhecemos muito bem. Hoje, eu realmente sinto que foi minha culpa. Não fiz o suficiente com o que tive hoje.”

A avaliação de Kerber (que até onde eu sei, não tinha ideia da declaração de Azarenka) rendeu até o tuíte oficial do Australian Open copiado acima. A alemã crava: “Eu fiz meu jogo desde o primeiro ponto. Fui mais agressiva desta vez. Ela não perdeu; eu venci de verdade.”

E os homens?

Andy Murray (#2) x David Ferrer (#8) foi tudo que se esperava de um jogo entre eles. Um tanto previsível, é bem verdade, mas bem divertido de ver. Ralis impressionantes, defesas incríveis, contra-ataques espetaculares e oito saques quebrados. O nível foi bem alto e se manteve bem alto durante a maior parte das 3h25min de jogo. De novidade, apenas uma paralisação de cerca de dez minutos para fechar o teto retrátil, já que uma chuva forte se aproximava.

No fim, porém, o placar também foi previsível: Murray venceu em quatro sets, com parciais de 6/3, 6/7(5), 6/2 e 6/3. Apenas pela curiosidade, os três últimos duelos entre eles em torneios do Grand Slam terminaram em quatro sets, com o britânico levando a melhor e com o espanhol ganhando um tie-break.

Murray, o vencedor

Soa como piada pronta, mas o grande vencedor desse jogo de quartas de final entre Milos Raonic e Gael Monfils foi… Andy Murray! Pelo menos era isso que estava na chave no site do Australian Open na noite deste quarta.

A verdade verdadeira

No mundo real, Andy Murray vai enfrentar Milos Raonic (#14) nas semifinais. O canadense enfrentou pouca resistência de Gael Monfils (#25), que até venceu um set, mas nem esteve perto nos outros. As parciais foram 6/3, 3/6, 6/3 e 6/4. Será a primeira semifinal em Melbourne na carreira de Raonic – a segunda em um Slam, depois de Wimbledon/2014.

Não dá para ignorar que o canadense agora tem nove vitórias consecutivas, o que é um recorde para ele em torneios de nível ATP. Antes do Australian Open, Raonic foi campeão em Brisbane, onde bateu Roger Federer na final. A sequência de vitórias também inclui triunfos sobre Stan Wawrinka, Viktor Troicki e Bernard Tomic. O momento é realmente estupendo e é justo imaginar que ele terá chances contra Andy Murray na sexta-feira. Mas… será?

O brasileiro

Bruno Soares venceu outra vez. Pela 11 vez seguida, aliás, somando o título do ATP de Sydney e as campanhas nas duplas e duplas mistas em Melbourne. O triunfo desta quarta colocou o mineiro nas semifinais também nas mistas. Ele e Elena Vesnina derrubaram Jamie Murray (sim, o parceiro) e Katarina Srebotnik por 6/2 e 6/3, sem grandes problemas.

Brasileiro e russa, que fizeram um bate-papo ao vivo via Periscope nesta quarta-feira, agora aguardam por seus próximos adversários, que sairão do jogo entre Sania Mirza e Ivan Dodig, cabeças de chave 1, e Martina Hingis e Leander Paes. Quem quer que vença será um adversário bastante indigesto.

A chave masculina:

[1] Novak Djokovic x [3] Roger Federer
[13] Milos Raonic x Andy Murray [2]

A chave feminina:

[1] Serena Williams x [4] Agnieszka Radwanska
[7] Angelique Kerber x Johanna Konta

Os melhores lances

Nem de perto foi o melhor lance do jogo, mas foi o que escolheram no canal oficial do Australian Open no YouTube. De qualquer modo, fica o registro dessa passada de Andy Murray na corrida.

Não foi um ponto, mas foi um lindo momento de Johanna Konta e Shuai Zhang junto à rede, logo depois do match point. Vale ver.

Bolão Impromptu do Dia

A partir deste parágrafo, esta seção é criada com status de permanente para elogiar os tuiteiros da madrugada que se dispõem a tentar acertar uma pergunta aleatória lançada durante uma partida qualquer. O grande nome desta quarta-feira foi o Matheus Bernardes, primeiro a dar a resposta certa.

União contra a manipulação

Após a polêmica história-não-história da semana passada, quando BBC e BuzzFeed disseram possuir uma lista de partidas investigadas, mas não divulgaram nomes, os principais órgãos do tênis (ITF, ATP, WTA e o Grand Slam Board) anunciaram a criação de um processo independente de revisão que tem como objetivo “preservar a integridade do jogo”. A história completa está aqui.

O chamado IRP (Independent Review Panel), que será liderado por Adam Lewis, especializado em lei esportiva, terá como principais objetivos analisar questões como as citadas abaixo e fazer recomendações:

– Como a Tennis Integrity Unit (TIU, órgão que investiga partidas sob suspeita de manipulação) pode ser mais transparente sem comprometer a necessidade de confidencialidade em suas investigações;

– Avaliar recursos adicionais para a TIU nos torneio e internamente;

– Mudanças estruturais e/ou de governança que deem mais independência à TIU; e

– Como aumentar o alcance do programa de educação de integridade no tênis.

A história completa está no site da ITF.

O que vem por aí no dia 11

A programação de quinta-feira, em Melbourne, começa com Bruno Soares e Jamie Murray tentando uma vaga na final de duplas. Brasileiro e britânico encaram os franceses Adrian Mannarino e Lucas Pouille na Rod Laver Arena logo no primeiro horário do dia. Os outros dois jogos lá serão as semifinais femininas. Primeiro, Serena Williams enfrenta Agnieszka Radwanska. Em seguida, Angelique Kerber e Johanna Konta decidem a segunda vaga na decisão. À noite, Roger Federer e Novak Djokovic fazem a primeira semifinal masculina.

Veja aqui os horários e a programação completa.


AO, dia 8: aces que sumiram, a dor de Keys e “3” vitórias de Bruno Soares
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Alexandre Cossenza

A segunda-feira não foi um dia de muitos aces em Melbourne. John Isner disparou 18 e acabou eliminado, enquanto Milos Raonic conseguiu 24 em cinco sets (mesma média de Isner), mas compensou com voleios eficientes e um plano de jogo perfeito. O oitavo dia do Australian Open, porém, foi bom mesmo para Bruno Soares. Além de duas vitórias em quadra, o mineiro contou com a eliminação de Bob e Mike Bryan, que seriam seus adversários nas quartas de final.

Este resumo do dia fala ainda do esperado duelo entre Victoria Azarenka e Angelique Kerber, da doída – literalmente – eliminação de Madison Keys, da zebra de Johanna Konta e de Andy Murray, que venceu em três sets após um par de dias nada normais durante um Slam. Role a página e fique por dentro.

O brasileiro

Único representante do país no torneio, Bruno Soares continua 100% em Melbourne depois de duas partidas e “três” vitórias nesta segunda. Primeiro, ele e Jamie Murray derrotaram Robert Lindstedt e Dominic Inglot por 6/3 e 6/4. O jogo só teve drama no fim do segundo set, quando brasileiro e escocês perderam dois match points no saque de Lindstedt e depois precisaram salvar dois break points no serviço de Murray. Tudo, porém, deu certo, e Bruno Soares está nas quartas de final. O brasileiro, aparentemente, ganhou até no “Pedra, Papel, Tesoura”.

A segunda vitória para Bruno e Jamie foi saber que eles não enfrentarão Bob e Mike Bryan nas quartas. Os gêmeos americanos levaram a virada e foram eliminados por Raven Klaasen e Rajeev Ram: 3/6, 6/3 e 6/4. A notícia é ótima também para Marcelo Melo, duplista número 1 do mundo, que perderia a liderança do ranking se os Bryans fossem campeões. O mineiro, no entanto, ainda não está 100% seguro e será ultrapassado se Horia Tecau e Jean Julien Rojer levantarem a taça.

Do ex-parceiro para o atual

Nas duplas mistas, Bruno Soares e Elena Vesnina venceram outra vez. As vítimas do dia foram o ex-parceiro de Bruno, Alexander Peya, e a taiwanesa Su-Wei Hsieh: 6/2 e 6/3, sem drama. A curiosidade é que nas quartas de final brasileiro e russa vão enfrentar o atual parceiro de Bruno, Jamie Murray. O britânico joga a chave de duplas mistas ao lado da eslovena Katarina Srebotnik.

Os favoritos

Na chave feminina, duas favoritas confirmaram as expectativas e se enfrentarão nas quartas. Isso também significa que ambas finalmente terão desafios à altura. Sim, as duas. Antes desta segunda-feira, Angelique Kerber havia derrotado Doi, Dulgheru e Brengle. Victoria Azarenka, por sua vez, teve no caminho Van Uytvanck, Kovinic e Osaka.

Para Kerber, a vítimas de hoje foi Annika Beck (#55), que até fez um primeiro set equilibrado com a compatriota, mas não conseguiu acompanhar a consistência da adversária no segundo set. Kerber acabou triunfando por 6/4 e 6/0.

Azarenka também teve mais trabalho. Mais do que em toda a temporada, é bom dizer. Barbora Strycova (#48) fez uma partida inteligente, usando curtinhas, slices e todas variações à disposição, mas acabou sucumbindo diante de uma oponente mais regular e com golpes mais potentes: 6/2 e 6/4.

Vale lembrar que os seis games conquistados por Strycova foram o máximo que Azarenka cedeu nesta temporada. E mais: somando as primeiras três rodadas do Australian Open, a ex-número 1 havia perdido apenas cinco games. Ela e Kerber agora reeditarão a final de Brisbane, vencida por Vika por 6/3 e 6/1. A bielorrussa, recordemos, nunca perdeu para a alemã – e já foram seis confrontos.

Ao fim do duelo desta segunda, Azarenka, fã de futebol americano (ou hater de Tom Brady, não sei exatamente o nível de sua ligação com a NFL) ainda perguntou em público se o Denver Broncos havia vencido a final da AFC contra o New England Patriots. Quando soube que sim, deu um grito que deixou o público meio confuso na Rod Laver Arena.

O estranho é que quando Azarenka entrou em quadra, o jogo entre Broncos e Patriots já havia acabado há mais de duas horas. Logo, ou Vika ficou totalmente desligada dos acontecimentos ou quis só fazer uma graça, comemorando na quadra central do Australian Open.

Entre os homens, o grande favorito da noite era Andy Murray (#2), que fez o esperado e despachou Bernard Tomic (#17): 6/4, 6/4 e 7/6(4). Foi o quarto duelo entre eles, e o australiano ainda não venceu um set. Apesar de vir em um jogo um tanto inconstante, com muitas quebras, a vitória em sets diretos é uma notícia ótima para o favorito, que viveu dias complicados. No sábado, correu para o hospital para ver o estado de seu sogro, que desmaiou durante uma partida de Ana Ivanovic. No domingo, voltou ao hospital para uma visita.

Na coletiva, Murray adotou um discurso bem diferente do de Federer para falar sobre Tomic. O escocês disse que Tomic vem evoluindo, que lida bem com a pressão e que costuma jogar bem no Australian Open. Para Murray, falta consistência ao longo do ano, mas “é normal para jovens ter altos e baixos.” O britânico terminou a “avaliação” cravando que Tomic será um top 10 “for sure”.

O jogo mais esperado

Stan Wawrinka (#4) tem ótimo histórico em Melbourne e vinha de um título em Chennai. Milos Raonic (#14) chegou embalado pela conquista em Brisbane e jogou um tênis empolgante nas primeiras rodadas. Por isso tudo, o duelo entre eles começou cheio de expectativa e não decepcionou.

O suíço teve problemas para encontrar seu jogo. Com Raonic sacando bem e pressionando com ótimas subidas à rede – tanto na execução de voleios e smashes quanto na escolha do momento de avançar – Wawrinka demorou a ficar à vontade do fundo de quadra. Perdeu o primeiro set e até conseguiu uma quebra no início do segundo, mas também acabou superado.

A partida começou a virar na terceira parcial, com o suíço finalmente encaixando alguns de seus melhores golpes do fundo de quadra e, principalmente, voltando a usar toda potência de forehands e backhands. Venceu o terceiro, venceu o quarto e forçou o quinto set.

O problema é que a pressão de Raonic era sempre grande e quem saca a mais de 200 km/h com tanta frequência acaba tendo uma certa margem para agredir mais. Se não conseguiu converter nenhum dos quatro break points no fim do quarto set, o canadense chegou à quebra no sexto game da parcial decisiva. Depois disso, Wawrinka não ameaçou mais: 6/4, 6/3, 5/7, 4/6 e 6/3, em 3h47min.

O adversário do invicto Raonic nas quartas em Melbourne será Gael Monfils (#25), que faz sua melhor campanha no Slam australiano. Não que não seja esperado. O francês se beneficiou da chave esburacada sem a presença de Rafael Nadal e foi avançando, derrubando Yuichi Sugita (#124), Nicolas Mahut (#63), Stéphane Robert (#225) e, nesta segunda, Andrey Kuznetsov (#74). Muitos ATPs 250 não têm chave tão acessível quando a de Monfils em Melbourne.

E antes que o leitor afobado diga “nossa, o Cossenza quer tirar o mérito do Monfils”, digo que não. São duas coisas diferentes. Uma: Monfils não tem culpa de pegar a chave que pegou. Entrou em quadra e fez o seu. A outra: não dá para dizer que foram atuações espetaculares ou que o francês chega às quartas jogando um tênis de altíssimo nível porque a verdade é que ele não foi testado. Sem drama.

Os aces que faltaram

John Isner (#11) chegou às oitavas de final em Melbourne como líder de aces do torneio e sem ceder um break point sequer. Nesta segunda, diante de David Ferrer (#8), foi quebrado três vezes e eliminado do torneio por 3 sets a 0: 6/4, 6/4 e 7/5, em 2h05min de jogo.

Vale lembrar que Isner pediu para jogar no fim do dia porque queria ver a final da NFC, com o “seu” Carolina Panthers enfrentando e atropelando o Arizona Cardinals. O jogo, inclusive, teve um daqueles raros momentos em que 40-15 não é um placar de tênis. Mas eu divago. O interessante é imaginar se jogar à noite, quando as condições são bem mais lentas do que de dia, atrapalhou o americano. É impossível dizer ao certo o quanto Ferrer se beneficiou com o horário, mas talvez Isner passe algum tempo pensando nisso.

Ferrer, por outro lado, chega às quartas sem perder um set (bateu Gojowczyk, Hewitt, Johnson e Isner) sequer. Logo ele que trocou de raquete no começo do ano e teve apenas um mês para se adaptar à nova “ferramenta”.

A zebra

Não foi um dia de resultados espantosos, mas é preciso registrar a surpreendente vitória da britânica Johanna Konta (#47) sobre a russa Ekaterina Makarova (#24): 4/6, 6/4 e 8/6, em 3h04min.

Responsável pela eliminação de Venus Williams na primeira rodada, a britânica que nasceu em Sydney (mas adotou a Inglaterra como residência) se tornou a primeira britânica desde Jo Durie – em 1983 – a alcançar as quartas de final.

Enquanto britânicos e australianos brigam pela nacionalidade de Johanna Konta, a moça se prepara para enfrentar a qualifier chinesa Shuai Zhang (#133), que passou pela americana Madison Keys (#17) em um jogo dramático: 3/6, 6/3 e 6/3.

A tensão ficou por conta de Keys, que venceu a primeira parcial, mas começou a sentir fortes dores desde o início do segundo set. Sem conseguir se movimentar normalmente, a americana fez o possível para se manter com chances de avançar, mas não foi possível. Saiu de quadra às lágrimas, de cabeça baixa, enquanto Zhang festejava e mal encontrava palavras (em inglês) para dar sua entrevista.

As quartas de final definidas

Na chave masculina, as quartas de final ficaram assim:

[1] Novak Djokovic x Kei Nishikori [7]
[3] Roger Federer x Tomas Berdych [6]
Gael Monfils [23] x [13] Milos Raonic
[8] David Ferrer x Andy Murray [2]

Na chave feminina, este é o cenário:

[1] Serena Williams x Maria Sharapova [5]
[4] Agnieszka Radwanska x [10] Carla Suárez Navarro
[7] Angelique Kerber x [14] Victoria Azarenka
Johanna Konta x [15] Madison Keys / Shuai Zhang

Os melhores lances

Um rali de 32 golpes entre Andy Murray e Bernard Tomic terminou com um incrível ângulo encontrado pelo escocês.

O melhor do dia 9

A programação de terça-feira, em Melbourne, tem apenas quatro jogos de simples, mas são todos grandes duelos. A sessão diurna da Rod Laver Arena tem Radwanska x Suárez Navarro, Serena x Sharapova e Federer x Berdych. À noite, Djokovic enfrenta Nishikori.

Na chave de duplas masculinas, Bruno Soares e Jamie Murray voltam à quadra em busca de um lugar nas semifinais. Eles fazem o quarto jogo da Quadra 2 contra Raven Klaasen e Rajeev Ram. Veja aqui os horários e a programação completa.


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