Saque e Voleio

De volta ao topo do mundo: Marcelo Melo, o equilibrado número 1

Alexandre Cossenza

13/07/2017 14h29

O fim de 2016 não foi dos mais fáceis. Marcelo Melo ouviu de Ivan Dodig que o parceiro queria algo novo. O aviso veio um pouco tarde, já depois do período em que os duplistas conversam para formar os times do ano seguinte. Brasileiro e croata jogaram juntos até o ATP Finals,mas a relação já não era das melhores. Caíram na fase de grupos. Restava ao mineiro começar quase do zero com outro parceiro.

O time com o polonês Lukasz Kubot tinha uma grande vantagem: pela primeira vez desde 2012, Melo poderia fazer uma temporada inteira ao lado do mesmo tenista. Com Dodig, o interesse do croata em manter um calendário de simples forçava o brasileiro a jogar alguns eventos com outros atletas. O início do ano, contudo, não foi tão animador. Até Indian Wells, Melo e Kubot somavam quatro vitórias e cinco derrotas. O brasileiro se queixava da falta de equilíbrio da dupla. Falava que o jogo kamikaze praticado até então deixava o time vulnerável demais.

Pois o equilíbrio veio na Califórnia e, quando a dupla encaixou, varreu o circuito. Melo e Kubot foram vice em Indian Wells, campeões em Miami, campeões em Madri, campeões em ’s-Hertogenbosch, campeões em Halle (sim, eu repeti a palavra “campeões” de propósito) e, agora, estão na final em Wimbledon, depois de três partidas nervosas de cinco sets. A vitória desta quinta, por 6/3, 6/7(4), 6/2, 4/6 e 9/7 sobre Henri Kontinen e John Peers, ainda recolocou o mineiro como número 1 do mundo. Ele e Kubot, aliás, também são a dupla número 1 da temporada.

De onde veio o equilíbrio? Do próprio Marcelo Melo. O desafio era fazer Kubot arriscar um pouco menos e confiar mais na capacidade do brasileiro. Buscar menos winners diretos e facilitar a vida do parceiro da rede. E se o mineiro faz algo muito bem, é cobrir a rede. Não que seja sua única qualidade. Longe disso. Melo talvez seja o tenista mais equilibrado do circuito de duplas. No bom sentido. Não possui nenhum golpe entre os melhores do mundo, mas não tem nenhum ponto fraco. Tem um belo saque (que evoluiu muito nos últimos cinco anos), reflexos incríveis junto à rede, uma ótima leitura de jogo e um grande segundo golpe – aquele logo depois do saque, quando às vezes é preciso tirar do pé uma devolução fortíssima. Melo faz isso como ninguém.

É difícil dizer, inclusive, quando foi a última atuação ruim do mineiro. Com sua estabilidade, cabe a Kubot dar a temperatura do jogo. Quando os saque e as devoluções do polonês entram – e elas estão funcionando gloriosamente em Wimbledon – a coisa flui. Assim, é duríssimo derrotar a parceria. Não por acaso, Melo e Kubot podem se tornar o primeiro time da Era Aberta (a partir de 1968) a vencer dois torneios de grama e Wimbledon em sequência. Falta só um jogo para isso. E quem duvida deles contra Oliver Marach e Mate Pavic? Eu, não.

E o que mais?

Sobre as semifinais femininas, há pouco a dizer – pelo menos taticamente. Na primeira delas, Garbiñe Muguruza ficou 1h05min em quadra e fez 6/1 e 6/1 sobre Magdalena Rybarikova. Um pouco pelo nervosismo da eslovaca e um pouco pela partidaça da espanhola, não houve jogo. A torcida até tentou empurrar Rybarikova, mas nada adiantou. Muguruza bateu firme na bola o tempo inteiro, agredindo e subindo à rede. Não deixou a oponente à vontade em momento algum. Viu a oportunidade, tomou controle do jogo e não largou mais. Será a segunda final de Wimbledon para a espanhola, que foi derrotada por Serena em 2015.

A outra finalista tem “um pouco” mais de experiência no All England Club. A pentacampeã Venus Williams bateu Johanna Konta por 6/4 e 6/2 e fará sua nona (!!!) decisão no torneio. A veterana de 37 anos, que não ia tão longe em Londres desde 2009 e foi campeã lá pela última vez em 2008, impôs mais uma vez seu jogo agressivo, sacando muito bem, especialmente sob pressão. Konta, que avançou depois de atacar mais do que Halep, tentou o mesmo contra a americana e se frustrou. Nem conseguiu ditar pontos com a frequência necessária nem mostrou poder de mudar o ritmo do jogo.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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