Saque e Voleio

Como Karolina Pliskova chega ao topo do mundo (depois de outra chance perdida por Halep)

Alexandre Cossenza

11/07/2017 17h15

Quando Angelique Kerber caiu diante de Garbiñe Muguruza nas oitavas de final em Wimbledon, ficou decidido: o circuito feminino teria uma nova número 1 depois do slam britânico. Como Karolina Pliskova já estava eliminada, bastava a Simona Halep alcançar as semifinais para garantir também a liderança do ranking.

Não que fosse a tarefa mais fácil do mundo. A romena precisava passar por Victoria Azarenka e Johanna Konta. Bateu a bielorrussa, mas faltava a britânica. Venceu o primeiro set no tie-break. Foi ao game de desempate também na segunda parcial. Teve 5/4 e saque. Esteve a dois pontos do número 1. Não conseguiu. A tenista da casa venceu quatro pontos seguidos, forçou o terceiro set e acabou triunfando por 6/7(2), 7/6(5) e 6/4.

O resultado deu a Karolina Pliskova a liderança do ranking – algo que será confirmado na próxima segunda-feira. A tenista tcheca, de 25 anos, será mais uma “número 1 sem slam”. Até a metade do ano passado, aliás, Pliskova tinha um histórico de decepções nos quatro torneios mais importantes do circuito. O que mudou, então, e permitiu que ela chegasse ao posto mais alto do ranking?

A maior mudança foi seu desempenho nos slams. A começar pelo US Open do ano passado, quando alcançou a final após bater gente como Venus (oitavas) e Serena Williams (semi). No Australian Open, parou nas quartas. Em Roland Garros, onde seu tênis deveria ser menos eficiente, foi até a semi. A derrota na segunda rodada em Wimbledon (para a semifinalista Rybarikova) foi o pior resultado entre os quatro.

E se falta um slam, sobra consistência em torneios menores. Em sua soma atual de pontos, Pliskova conta os títulos de Cincinnati, onde bateu Kuznetsova, Muguruza e Kerber; Brisbane, onde superou Vinci, Svitolina e Cornet; Doha, onde derrotou Cibulkova e Wozniacki; e Eastbourne, com vitórias sobre Kuznetsova e Wozniacki. Vitórias grandes não faltaram. “Apenas” títulos grandes.

É cruel, mas compreensível. Até que conquiste um slam, Pliskova não terá o mesmo reconhecimento da maioria de suas antecessoras no topo. São os títulos nos quatro grandes, afinal, que marcam. Vencer um slam é o momento máximo de glória de um tenista. Ainda falta isso à tenista tcheca. Como faltou para Safina, Jankovic e Wozniacki.

Não é só isso. Não dá para ignorar que o caminho de Pliskova até o topo foi descomplicado por uma série de fatores: a gravidez de Serena, a maternidade de Azarenka, o doping de Sharapova, a lesão de Kvitova e a péssima, péssima fase de Kerber. Ah, sim: e as chances perdidas por Simona Halep, que esteve a dois games do número 1 em Roland Garros e a dois pontos do topo em Wimbledon.

Pliskova, contudo, tem méritos. Vários. Tem 1,86m de altura e não nasceu com o dom de se movimentar como algumas de suas colegas mais ágeis (vide Sharapova e seu 1,88m). Precisa compensar com golpes fortes, sempre medindo o risco na busca por winners sem exagerar na dose e, ao mesmo tempo, sem perder o controle do ponto. Não é fácil. A tcheca evoluiu muito nisso, e os resultados apareceram nos últimos anos. Sua irmã gêmea, Kristyna, #44 do mundo, ainda sofre.

Karolina também desenvolveu um saque invejável, que lhe dá muitos pontos de graça. E que ninguém diga que o saque vem naturalmente para alguém tão alto (vide Sharapova, seu 1,88m e suas muitas duplas faltas). E a tcheca tem uma inteligência tática para ler partidas e um controle mental raros no circuito feminino. Mostra pouco suas emoções – mesmo quando está ganhando – e quase nunca perde jogos por nervosismo. Falta o carisma que a WTA gostaria de ver (e vender) numa número 1? Sim. Falta tênis? Nem tanto.

Sobre Halep, escrevo aqui um pouco do mesmo que opinei após a final de Roland Garros, quando a romena abriu 6/4 e 3/0, depois esteve a dois games do título e terminou vendo Jelena (ou Alona, aparentemente, agora que a moça quer ressaltar as raízes ucranianas) Ostapenko levantar o troféu.

Nesta terça, Halep venceu o primeiro set contra Johanna Konta, mas nunca esteve no controle da partida. Sem um saque dominante ou golpes ultrapotentes, a romena foi agressiva sempre que conseguiu. A britânica, no entanto, não lhe permitiu tanto assim. Konta sacou bem e agrediu em quase todas devoluções. Ou errava ou tomava o controle dos pontos. Halep não conseguiu sair da defesa.

Mesmo assim, a romena teve 5/4 e saque no tie-break do segundo set. Faltavam dois pontos, e a agressividade de Konta levou a melhor outra vez. Uma derrota doída para a romena, mas é difícil condenar alguém que comete apenas nove erros não forçados em 36 (!!!) games. Agora, com o placar nas mãos, parece fácil julgar e dizer que Halep precisava correr riscos, mas quem garante que o resultado seria outro? A romena poderia atacar mais, errar mais e facilitar a vida de Konta. Quem sabe?

E o que mais?

As semifinais estão definidas com Muguruza x Rybarikova e Venus x Konta. Muguruza foi imponente outra vez (hoje contra Svetlana Kuznetsova), enquanto Rybarikova foi inteligente e deixou Coco Vandeweghe se autodestruir, especialmente depois que a partida foi transferida para a Quadra Central. Não que a eslovaca tenha menos mérito por isso. Ela, aliás, já derrotou Muguruza na grama (Birmingham/2015) e pode muito bem fazê-lo outra vez. Será?

Enquanto isso, Venus venceu a pancadaria com Jelena Ostapenko e está em sua décima semifinal de Wimbledon – um feito enorme. A pentacampeã deve encontrar mais problemas com Johanna Konta, que saca melhor do que a letã e vem sendo a tenista mais regular da temporada de grama. Sem falar, é claro, na torcida britânica.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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