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Categoria : Wimbledon

Wimbledon, dia 13: Andy Murray, o campeão, voltou
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Alexandre Cossenza

Três anos, 12 torneios, uma cirurgia nas costas, um pedido de demissão de Ivan Lendl, quatro finais e uma recontratação de Ivan Lendl depois, aconteceu outra vez. Andy Murray é campeão de um Slam. O herói britânico, o homem que carregou o Reino Unido nas costas na Copa Davis, triunfa em casa, em Wimbledon, mais uma vez. Com uma atuação inteligente, consistente e digna de todo seu potencial, fez o gigante Milos Raonic parecer um atleta mediano, de poucos recursos. Aplicou 6/4, 7/6(3) e 7/6(2) e voltou a reinar na Quadra Central.

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A conquista não deixa de ser um prêmio gigante para quem enfrentou tanto em tão pouco tempo. Quando precisou passar por uma cirurgia nas costas, em 2013, Andy Murray vivia provavelmente o melhor momento de sua carreira até então. Disputou quatro finais de Slam seguidas (2012-13) e conquistou a medalha de ouro olímpica em simples. A operação foi realizada em setembro. Em março, Ivan Lendl pediu demissão. Queria mais tempo para seus próprios projetos. Foi um baque enorme para o número 1 britânico, que ainda tentava voltar ao nível competitivo de antes da cirurgia. O timing da separação foi o pior possível.

Era preciso readquirir confiança no corpo, conseguir um novo treinador e, ao mesmo tempo, encontrar uma maneira de ser competitivo e voltar a brigar com gente do nível de Djokovic, Nadal e Federer. A temporada de 2014 mostrou-se cedo demais para isso. Em 2015, já foi bem diferente. Murray fez uma final em Melbourne, semifinais em Roland Garros e Wimbledon e carregou a Grã-Bretanha ao título da Copa Davis em uma campanha fantástica, jogando sempre pressionado e sem um segundo simplista para apoiá-lo.

Faltava pouco, e veio 2016. Uma final na Austrália, um vice. Uma final em Roland Garros, outro vice. O título batia na trave, resvalando no espetacular tênis de Djokovic. Até que veio Wimbledon, onde tudo parece se encaixar para o jogo de Murray. Poderia ter acontecido em 2015, mas Federer tirou da cartola, naquela semifinal, possivelmente seu melhor jogo nos últimos cinco anos. Este ano, não. Tsonga ameaçou, mas não conseguiu; Berdych nem deu para a saída; e Raonic fez o que pôde, mas não foi o suficiente. Andy Murray e seu tênis gigante, cheio de recursos, triunfam novamente no maior dos palcos.

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O jogo

O primeiro set foi maiúsculo. Murray fez tudo que tirou Raonic da zona de conforto. Leu e devolveu saques bem com o backhand, não bateu duas bolas seguidas na mesma direção, forçando o grandão a se movimentar, e foi preciso nas passadas. Enquanto isso, o canadense apostou em variações no serviço que não funcionaram (apenas um ace na parcial) e subiu mal à rede. Foi num desses approaches no meio da quadra, aliás, que Murray conseguiu a única quebra do set.

A segunda parcial não foi muito diferente no ponto-a-ponto, mas as falhas vieram nos momentos mais delicados. Break points vieram e se foram em três games diferentes. No nono game, o escocês jogou duas ótimas chances na rede. Primeiro, com um slice. Depois, com uma direita nada forçada. Raonic tentou coisas diferentes. Arriscou do fundo, subiu à rede, sacou mais forte. Disparou, inclusive, o serviço mais rápido do torneio. E olha o que aconteceu…

Ainda assim, o canadense poderia ter equilibrado o jogo no tie-break do segundo set. Só que o dia era de Murray. O escocês foi perfeito. Abriu 6/1, fechou em 7/3. Faltava só um set para o bicampeonato em Wimbledon.

Raonic tentou um pouco de tudo. Do fundo de quadra, ficava no prejuízo. Quando tentava subir, era vítima de passadas precisas, quase sempre de backhand e na cruzada. Curtinhas não eram opção contra a velocidade de Murray. Slices não faziam diferença. Ainda assim, o canadense teve uma fresta para entrar no jogo. Dois break points no quinto game. Errou uma devolução e um slice. Ambos na rede. Murray confirmou, e outro tie-break foi necessário.

Era o momento para decidir, e Murray foi enfático. Uma passada de backhand lhe deu o primeiro mini-break. Um par de winners lhe colocou na frente de vez. Quando Raonic fez seu primeiro ponto, já perdia por 5/0. Faltava pouco, e o adversário não teve mais chances. Andy Murray, de volta a seu melhor nível, de volta com Ivan Lendl, e com o troféu de volta às mãos.

O efeito Lendl

Tudo bem, são três títulos de Slam ao lado de Ivan Lendl. Nenhum sem ele. Ainda assim, talvez seja o caso de não superestimar a influência do técnico. Ou não de subestimar a importância de Amélie Mauresmo, que esteve ao lado de Murray em dias mais complicados. As duas finais em Melbourne foram ao lado da francesa. A semi de Wimbledon/2015 também. Não faltou tanto assim. De qualquer modo, os números ao lado de Lendl são relevantes:

O ranking

Com o resultado deste domingo, Andy Murray reduziu significativamente a vantagem de Novak Djokovic na liderança do ranking. Ainda assim, o sérvio continua com folga no topo, somando 15.040 pontos contra 10.195 do escocês. A diferença, que era de 8.035 pontos, cai para 4.845.

O top 10 não sofreu grandes mudanças e fica assim: Djokovic, Murray, Federer, Nadal, Wawrinka, Nishikori, Raonic, Berdych, Thiem e Tsonga. Raonic, não sobe, mas cola em Nishikori e se aproxima de Wawrinka. Tsonga subiu duas posições e voltou ao grupo, no lugar de Gasquet.

O melhor vídeo

Murray conseguiu uma dúzia de passadas bacanas contra Raonic na final, mas minha imagem preferida deste domingo ainda é essa…

Os melhores momentos

Ainda assim, vale ver os melhores momentos do jogo. Por que não?


Wimbledon, dia 12: Serena, ainda (duplamente) rainha
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Alexandre Cossenza

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Demorou três torneios a mais do que todo mundo esperava, mas Serena Williams conquistou finalmente seu 22º troféu em um evento do Grand Slam. Em uma atuação maiúscula, a número 1 do mundo bateu uma feroz e competente Angelique Kerber por 7/5 e 6/3 e manteve seu reinado em Wimbledon.

Para seu técnico, Patrick Mouratoglou, Serena voltou a se comportar como número 1. O treinador havia afirmado que a americana vinha jogando como uma tenista da elite, mas não como a melhor do mundo. “Estou falando de atitude, de capacidade de mudar partidas quando ela está em apuros, todas essas coisas que ela faz muito bem”, disse antes da final.

Após a partida, Serena concordou, embora não tenha precisado mudar muito durante a final contra Kerber. Aliás, a número 1 disparou 13 aces e venceu fazendo o que faz de melhor: atacando antes e ganhando os pontos curtos. Não fosse assim, seria complicado num dia em que a alemã sacou bem e ganhou incríveis 68% dos pontos com o segundo serviço (Serena teve 39% no mesmo quesito).

Kerber, é bom dizer, levou a melhor na maioria das vezes em que os pontos se alongaram ou tiveram golpes angulados. A alemã venceu mais ralis médios (cinco a oito golpes) e longos (nove ou mais golpes). Nesses dois quesitos, somou seis pontos a mais que a número 1. Por outro lado, a americana, que se mostrou mais incomodada com o vento na Quadra Central, ganhou 18 (!!!) pontos a mais nas disputas com quatro ou menos golpes.

Foi assim, aliás, que Serena abafou a única ameaça do confronto. Aconteceu no sétimo game do segundo set, com o placar equilibrado em 3/3. Kerber chegou a seu primeiro break point na partida. Serena disparou um ace e, dois pontos depois, confirmou o saque. Oito pontos mais tarde, quebrou Kerber. Mais quatro – três saques nem voltaram -, e o título estava garantido.

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Com 22 títulos em Slams, Serena iguala a marca de Steffi Graf. À frente de ambas, apenas a australiana Margaret Court, com 24. Há quem acredite que a americana precisa ultrapassar Court para ser, indiscutivelmente, a maior tenista da história. Por outro lado, há quem já considere Serena a melhor de todas. E, claro, há gente como eu, que achas impossível comparar de forma 100% justa atletas de gerações tão diferentes (Court ganhou seus títulos nas décadas de 60 e 70).

De qualquer modo, não foi o único número fora-de-série alcançado pela número 1 do mundo neste sábado. Pouco depois de derrotar Kerber e dar todas suas entrevistas, Serena voltou à Quadra Central para a final de duplas. Ela e Venus derrotaram Timea Babos e Yaroslava Shvedova por 7/5 e 6/3, conquistando seu 14º troféu atuando juntas. Elas nunca perderam uma final de Slam nas duplas.

O ranking

Serena Williams manteve seus pontos, mas aumentou sua vantagem na liderança do ranking. Isso acontece porque Garbiñe Muguruza, que começou o torneio como número 2 do mundo, perdeu mais de mil pontos. A nova #2 será Kerber, com 6.500 pontos (1.830 a menos que Serena).

O top 10 agora fica nesta ordem: Serena, Kerber, Muguruza, Radwanska, Halep, Azarenka, Venus, Vinci, Suárez Navarro e Kuznetsova. A ressaltar também a subida de Elena Vesnina, que subiu 25 posições e será a #21, e a queda de Maria Sharapova, que será a #96, cinco postos atrás de Teliana Pereira.

A montagem

Após acompanhar Serena Williams por duas semanas, nada melhor do que encerrar o período vendo a espetacular montagem da BBC, com a número 1 do mundo recitando o poema “Still I Rise”, da escritora negra americana Maya Angelou.


Wimbledon, dia 11: Raonic, finalmente um finalista
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Alexandre Cossenza

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Milos Raonic apareceu no top 10 em 2013 e, fora uma lesão aqui e outra ali, passou a maior parte do tempo desde então entre os dez primeiros do mundo. Três anos atrás, já era dono de um saque gigante, mas ainda faltava um bocado a seus outros fundamentos. Naquela época, já fazia jogos duros com a elite, mas faltavam resultados grandes em torneios grandes.

Conquistou até agora oito título na carreira, mas a maioria em ATPs 250. Nenhum em um Masters. Pouco para um top 10 com pretensões ousadas (e justificadas). Aos poucos, porém, as coisas foram se encaixando. O slice melhorou. A movimentação lateral também – algo essencial para um atleta de 1,96m de altura. Os slices, idem. As devoluções, nem tanto. Só que hoje, Raonic, 25 anos, treinado por Carlos Moyá e com a consultoria de John McEnroe, mostra uma maturidade e uma inteligência tenística dignas de um finalista de Wimbledon.

E foi tudo isso que o atual número 7 do mundo mostrou nesta sexta-feira, ao eliminar de virada, em um jogo que chegou a estar perto de desandar, o gigante Roger Federer, o senhor da grama, heptacampeão de Wimbledon. Como isso aconteceu? A sequência de eventos e a expectativa para a final estão aqui, no resumo do Dia 11 de Wimbledon.

Roger Federer, primeiro ato

Primeiro set, quarto game. Jogo no começo, ainda equilibrado, o que era de se esperar. Roger Federer abre 30/0 e então comete quatro erros consecutivos até perder o serviço. Milos Raonic não cede break points até o fim e fecha a parcial.

Roger Federer, segundo ato

Quarto set, Federer lidera por 2 sets a 1, e saca em 5/6. O momento da partida está de seu lado. Após vencer as duas parciais anteriores, o suíço teve break points em dois games do canadense e ainda pressionou o rival em 30/30 em outros dois games. Federer abre 40/0. Falta um ponto para o tie-break. Com 40/15, o heptacampeão comete duas duplas faltas seguidas. Salva um break point e mais outro. Não escapa do terceiro. O raro momento, que Federer lamentou intensamente na coletiva pós-jogo, leva a partida, que parecia perto do fim, para um nervoso quinto set.

Roger Federer, terceiro ato

Quinto set, quarto game. Após o fim da parcial anterior, Federer já havia pedido massagem no joelho esquerdo (operado no início do ano). O suíço erra uma direita não forçada e precisa sacar “iguais”. O ponto é longo, e Raonic usa um slice venenoso na paralela quando o rival subia à rede. Federer devolve, mas trava o pé esquerdo tentando voltar para o meio da quadra e sofre um tombo, caindo em cima do mesmo joelho esquerdo.

É break point, mas Federer volta para sua cadeira no meio do game e recebe um rápido atendimento do fisioterapeuta. Salva o break point e comemora, mas faz uma dupla falta e, na sequência, perde o ponto mais espetacular do jogo (vídeo abaixo). Raonic abre uma quebra de vantagem no quinto set e, com o oponente fragilizado, não olha para trás. Game, set, match, Raonic: 6/3, 6/7(3), 4/6, 7/5 e 6/3.

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Os méritos de Raonic

Os três breves momentos acima decidiram o jogo, mas só porque Milos Raonic foi extremamente competente em quase tudo que fez e forçou Federer a jogar com uma margem mínima de erro durante as 3h25min de partida. O canadense sacou monstruosamente o tempo inteiro (constantemente na casa de 225km/h), foi criterioso nas subidas à rede e voleou com maestria na maior parte do tempo. Até sua devolução, conhecido ponto fraco, começou a entrar com mais consistência a partir da metade do quarto set.

Fora do campo técnico/mecânico, Raonic também foi impecável. Jogou bem na grande maioria dos 30/30 e break points, manteve-se vivo na partida quando Federer parecia perto do triunfo no quarto set e mergulhou de cabeça quando a chance se mostrou novamente em cores vivas. Era a grande atuação que faltava em sua carreira, batendo um gigante em um momento enorme.

A final

A primeira final de Slam de Raonic, atual número 7 do mundo, mas que pulará para a quarta posição se for campeão, será contra Andy Murray, o herói britânico, que avançou ao fazer 6/3, 6/3 e 6/3 sobre Tomas Berdych (#9). Foi uma atuação bastante sólida do britânico, que só perdeu o serviço no terceiro game do primeiro set – logo depois de quebrar o tcheco.

Não que Berdych não pudesse fazer mais, mas todos (muitos) recursos do escocês são muito eficientes na grama. Com o jogo calibrado, Murray parte para sua terceira final de Slam na temporada (perdeu para Djokovic em Melbourne e Roland Garros), mas a primeira como favorito.

Se não tem o mesmo poder do saque (ou de fogo!) de Federer, Murray tem na devolução uma arma que o serviço de Raonic ainda não enfrentou no torneio. O britânico também tem um backhand mais sólido, portanto é de se imaginar que Raonic não use tanto seu forehand de dentro para fora. Como foi na semifinal, a chave para o canadense será manter o serviço e forçar Murray a jogar com margem mínima para erros. Mas será que o canadense tem mais essa carta na manga?

O anúncio

Marcelo Melo divulgou, via Twitter, que disputará o ATP de Washington ao lado de Bruno Soares. Faz parte da preparação da dupla para os Jogos Olímpicos.

Bolão impromptu do dia

O vencedor de hoje é o Rafael Trindade, quem mais se aproximou dos 53 games do jogão entre Milos Raonic e Roger Federer.


Wimbledon, dia 10: Serena Williams, devastadora até fora de quadra
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Alexandre Cossenza

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Sabe aquele dia que nada dá errado? Foi assim a quinta-feira de Serena Williams. Primeiro com a vitória maiúscula sobre Elena Vesnina (#50) por 6/2 e 6/0, em apenas 48 minutos. Quase impossível apontar a “chave” do triunfo, visto que a americana foi superior em tudo. Fez 11 aces, com 77% de aproveitamento de primeiro serviço (e 23 de 24 pontos ganhos com o fundamento), acumulou 28 winners e cometeu apenas sete erros não forçados.

Não foi uma apresentação ruim de Vesnina. A russa só não tinha armas para combater a número 1 e fazer um jogo minimamente disputado em um dia assim, quando tudo funciona para a melhor tenista do mundo. Classificada para a final, Serena perdeu apenas um set, aplicou três pneus e não foi ameaçada de verdade em nenhuma ocasião. Nem quando perdeu a primeira parcial para Christina McHale num tie-break.

A parte copo-meio-vazio da campanha é que a americana não enfrentou nenhuma adversária que tivesse armas para derrotá-la. Ok, é bem verdade que Serena é mais Serena na grama, mas não houve alguém com golpes potentes ou com grande poder de contra-ataque em seu caminho até agora. É nesse grupos que se encaixam Angelique Kerber e Garbiñe Muguruza, algozes da número 1 nas duas finais de Slam em 2016.

E é justamente aí que entra a outra finalista de Wimbledon deste ano: Angelique Kerber (#4), que ainda não perdeu sets e bateu Venus Williams (#8) nesta quinta-feira, em uma semifinal que não empolgou, um pouco pelo nível técnico que deixou a desejar, um pouco pela falta de equilíbrio. A alemã venceu por 6/4 e 6/4 e esteve na frente o tempo inteiro, inclusive no primeiro set, que teve sete quebras de serviço em dez games. Sua movimentação foi boa o bastante para compensar a fragilidade no saque e lidar com os ataques de Venus.

Kerber não perdeu sets até agora e, mesmo levando em conta sua vitória sobre Serena no Australian Open, está longe de ser favorita para ganhar o jogão de sábado. Primeiro porque o saque de Serena, em condições normais, deve fazer mais diferença do que na Austrália, mas também porque a grama dá menos tempo para Kerber alcançar os golpes da número 1 e contra-atacar com eficiência. E, sinceramente, vai ser difícil ver Serena jogando tão mal junto à rede como naquela final em Melbourne. Nada é impossível, já diz o bom e velho clichê, mas bater Serena em Wimbledon exige uma conspiração nada provável de fatores.

Prioridades

O primeiro tweet de Serena após a partida não foi sobre seu jogo, sua atuação nem nada relacionado ao tênis. A número 1 do mundo usou sua rede social para lembrar do cidadão negro americano que foi morto por um policial após ser parado em uma blitz. “Quando algo vai ser feito de verdade?”, perguntou Serena.

Leia mais sobre a história aqui.

Precisa com as palavras

Na entrevista coletiva, Serena Williams continuou disparando winners. Quando questionada sobre ser “uma das maiores atletas femininas de todos os tempos”, a número 1 respondeu que prefere a expressão “maiores atletas de todos os tempos”, retirando a questão de gênero (homem/mulher) da frase.

Serena também falou mais uma vez sobre a questão de igualdade de salários (ou prêmios, no caso do tênis), basicamente enfatizando a necessidade de respeito pelas mulheres e ressaltando que nenhuma pessoa, qualquer que seja o emprego, merece receber menos por causa de seu sexo.

Triunfo também nas duplas

Mais tarde, Serena e Venus voltaram à quadra para as quartas de final de duplas e, mais uma vez, Elena Vesnina foi vítima. A russa e sua compatriota Ekaterina Makarova ainda conseguiram tirar um set das americanas, mas as irmãs venceram e avançaram por 7/6(1), 4/6 e 6/2.

As irmãs Williams vão enfrentar Julia Georges e Karolina Pliskova em uma das semifinais. A outra vaga na decisão sairá do jogo entre Timea Babos / Yaroslava Shvedova e Raquel Atawo / Abigail Spears.

Só a realeza

Serena Williams brilhou tanto nesta quinta-feira que até conseguiu que a Duquesa de Cambridge (ex-Kate Middleton, lembram?) fizesse uma aparição no Snapchat!

Lendl, o sorridente

Ivan Lendl fez parte do grupo que conversou com a Duquesa e não dá para fazer um comentário que não seja “o sorriso do Lendl!”. Pois é, ele existe.


Wimbledon, dia 9: da salvação de Federer à força de Murray
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Alexandre Cossenza

A Quadra Central vibrou como nunca nesta edição de Wimbledon. Do início do dia ao match point do segundo jogo, foram dez sets, dezenas de pontos memoráveis, três match points salvos, uma virada gloriosa e mais de sete horas transcorridas. Tudo isso para que os favoritos Roger Federer e Andy Murray avançassem às semifinais do torneio. E foi mais ou menos assim que aconteceu.

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O melhor jogo

Foram dois sets estranhos de Roger Federer. No começo, faltava agressividade no backhand, e o slice não incomodava Marin Cilic o suficiente. Mais do que isso, o suíço deixou passar uma chance rara. Umazinha que apareceu no primeiro set. Um 0/30 no quinto game, com a quadra aberta. Mandou uma direita para fora. O croata ainda cedeu dois break points naquele mesmo game, mas se salvou e ganhou o tie-break. Um set a zero. O alarme estava ligado.

Não que fosse uma atuação mais ou menos de Cilic. O número 13 do mundo era muito competente. Sacava bem e errava pouco. Mas não era espetacular. Certamente, não no nível espetacular-campeão-daquele-US-Open. Confirmava o serviço e esperava chances. Salvou mais dois break points no segundo set e quebrou o suíço. Mas era um estranho suíço.

Quando Cilic sacava para fechar o segundo set, com 0/15 no placar, Federer teve um backhand fácil para matar e pressionar o rival. Jogou na rede. O público sentiu o golpe. O heptacampeão sentiu o golpe. Cilic abriu 2 sets a 0. “Na bola”, ponto a ponto, golpe a golpe, a diferença não era tão grande assim, só que o placar indicava outra coisa. Era uma tarde estranha.

Cilic ficou muito perto da vitória. O placar mostrava 3/3, 0/40, com Federer no serviço no terceiro set. O croata cometeu três erros. O suíço gritou, vibrou. A torcida acordou. A conta veio rápido, já no game seguinte. Um erro não forçado e uma dupla falta de Cilic deram a Federer uma quebra. O dia já não parecia tão estranho. O heptacampeão já tinha no currículo nove vitórias após estar perdendo por 2 a 0. A décima estava só começando.

Não que tenha sido ladeira abaixo depois disso. Cilic jogou fora dois break points no quarto game, errando devoluções de segundo saque. Teve um match point com Federer sacando em 4/5. Mandou para fora uma devolução de segundo saque. Sim, mais uma. Cilic teve outro match point dois games depois, mas nem jogou. Um ace de Federer evitou o adeus.

O tie-break teve mais drama. Ninguém se espantaria com erros nervosos de Cilic. Eles vieram. Surpresa mesmo foram as falhas do heptacampeão, o senhor dos pontos grandes. Primeiro, uma madeirada deu ao rival o primeiro mini-break do game. Mais tarde, com 6/5 no placar, outra madeirada jogou fora o set point. Federer ainda cedeu mais um match point, mas Cilic não conseguiu responder um segundo saque forçado. O game ainda teve o suíço perdendo outro set point com um erro não forçado (estranho, muito estranho), mas foi o croata que cedeu ao falhar mais duas vezes. Tudo igual: 2 sets a 2.

O estranho ficou para trás. Todo mundo sabia. O backhand na paralela já entrava mais, e a velocidade na movimentação não indicava nenhum resquício de lesão. Cilic ainda brigou, salvou break point no sexto game. Federer, mais Federer do que nunca (ou tão Federer como sempre!?) já não cedia mais nada. Era questão de tempo. Game, set, match: 6/7(4), 4/6, 6/3, 7/6(9), 6/3. Suíço na semi. Um caminho estranho, um resultado normal.

Federer agora é o recordista de vitórias em torneios do Grand Slam, com 307 – uma a mais que Martina Navratilova e cinco a mais que Serena Williams. E, com mais esse triunfo, agora acumula 40 semifinais de Grand Slam e 84 vitórias em Wimbledon, igualando a marca de Jimmy Connors.

Seu adversário na semi será Milos Raonic (#7), que avançou no buraco deixado por Novak Djokovic. O canadense, que quase tombou diante de David Goffin nas oitavas, superou nas quartas o americano Sam Querrey (#41): 6/4, 7/5, 5/7 e 6/4. Difícil dizer se Raonic será um desafio maior do que Cilic. O canadense tem um saque mais potente, mas não é tão sólido quanto o croata do fundo de quadra nem devolve saques tão bem.

A outra semi

Primeiro, parecia que Jo-Wilfried Tsonga (#12) venceria o primeiro set. O francês, afinal, teve três set points no tie-break. Depois, parecia que Andy Murray (#2) completaria uma vitória sem mais dramas. Isso porque o escocês fez 6/1 no segundo set. E aí tudo mudou outra vez quando Tsonga venceu o terceiro set e se encheu de confiança, mas mudou mais uma vez quando Murray abriu 4/2 no quarto set e virou de cabeça para baixo outra vez porque o francês venceu quatro games seguidos e forçou o quinto set.

Brincadeiras à parte, foi um jogaço de alto nível (a não ser pelo segundo set), com todo tipo de lance e os dois tenistas protagonizando lances espetaculares – às vezes, em sequência. No fim, Murray mostrou raça, grande força mental, chamou a torcida e disparou na frente no quinto set, fechando em 7/6(10), 6/1, 3/6, 4/6 e 6/1.

O adversário do britânico na semi será – vejam a ironia – o tenista mais estável do dia: Tomas Berdych (#9), que derrotou Lucas Pouille (#30) por 7/6(4), 6/3 e 6/2. O tcheco perdeu o serviço apenas uma vez em toda a partida e será o atleta mais descansado na sexta-feira, nas semifinais. Difícil imaginar que preparo físico será uma vantagem diante de Andy Murray, mas pelo menos não será uma desvantagem. Já é algo para Berdych, que é um claro azarão na partida.

O último brasileiro

Bruno Soares e Jamie Murray quase conseguiram uma virada memorável, mas ficaram pelo caminho. Nas quartas de final, brasileiro e britânico viram Edouard Roger-Vasselin e Julien Benneteau abrirem 2 sets a 0, mas reagiram, igualaram o placar e só foram perder no quinto set longo: 6/4, 6/4, 6/7(11), 6/7(1) e 10/8.

O mineiro ainda voltaria à quadra nesta quarta pela chave de duplas mistas, mas ele e Elena Vesnina abandonaram o torneio. A russa, vale lembrar, está classificada para as semifinais de simples (vai enfrentar Serena amanhã) e as quartas de duplas (ela e Makarova enfrentam Venus e Serena).


Wimbledon, dia 8: Venus Voltou
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Alexandre Cossenza

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Mais de cinco anos depois, Venus Ebony Starr Williams está na semifinal de um torneio do Grand Slam. Aos 36 anos, a ex-número 1 do mundo, que poderia ter se aposentado milionária e realizada quando foi diagnosticada com Síndrome de Sjogren em 2011, agora briga pelo título de Wimbledon, onde já foi campeã cinco vezes (2000, 2001, 2005, 2007 e 2008).

“Eu não conseguia levantar meu braço acima da cabeça, a raquete parecia concreto. Eu não sentia nada nas mãos. Elas estavam inchadas e coçando. Eu vi que seria uma apresentação triste”, contou a americana, tempos atrás, sobre o US Open de 2011, quando desistiu de entrar em quadra antes de enfrentar Sabine Lisicki. Pouco depois daquele momento, anunciou seu diagnóstico ao mundo.

Houve momentos difíceis. Para o espectador, a sensação era de agonia. Em certos momentos, Venus se arrastava em quadra. Estava longe do auge. Poderia ter encerrado a carreira ali. Segundo alguns, deveria ter parado. Não desistiu. Lutou contra o corpo, contra os prognósticos e contra adversárias 15 anos mais novas. Hoje, está de volta às semifinais de um Slam. E que retorno!

O jogo de quartas de final contra Yaroslava Shvedova #(96) só teve drama no set inicial, quando a cazaque salvou set point em seu serviço e depois sacou em 5/4 no tie-break. Mas não foi esse o maior obstáculo neste torneio. Duro mesmo deve ter sido fechar a partida contra Daria Kasatkina (#33) na última sexta-feira, um jogo que terminou em 10/8 no terceiro set, com Venus acumulando quase 7 horas em quadra num período de 24 horas – sem falar nas esperas forçadas pela chuva.

O jogo mais esperado

A adversária de Venus saiu do badalado Angelique Kerber (#4) x Simona Halep (#5), que não foi um jogaço como muitos imaginavam, mas também não foi dos piores. Foram muitas as variações, com as duas oscilando um bocado e confirmando pouco os games de serviço (13 quebras em 24 games). A alemã foi melhor nos momentos importantes e avançou por 7/5 e 7/6(2), marcando um jogão contra Venus Williams (#8) nas semifinais.

Kerber já repete sua melhor campanha em Wimbledon (também foi à semi em 2012) e chega com moral, sem perder nenhum dos dez sets jogados até agora. Ainda que sua chave não tenha sido das mais duras (bateu Robson, Lepchenko, Witthoeft e Doi), a alemã, com sua ótima movimentação e um contra-ataque invejável, serão um desafio e tanto para Venus.

Na semi, a chave para a alemã será manter seu serviço, que não é dos mais confiáveis. É de se esperar que Kerber leve vantagem do fundo de quadra. Não pela potência de seus golpes, mas pela consistência e por sua velocidade, que dificultarão as subidas à rede de Venus. A americana terá de sacar muito bem e ser muito precisa nos ataques, planejando e executando bem as subidas. Não vai ser fácil – como não foi para Serena na final do Australian Open.

A outra semi

Como era esperado, Serena Williams bateu Anastasia Pavlyuchenkova (#23). Se não foi um passeio, foi uma vitória relativamente tranquila, com apenas duas quebras de saque. Uma no nono game do primeiro set e outra no décimo da segunda parcial. A número 1 do mundo não foi ameaçada.

Sua adversária será a grande surpresa das semifinais: Elena Vesnina (#50), que fez uma bela partida, mas também se aproveitou de uma grande atuação de Dominika Cibulkova (#18), que não parecia recuperada fisicamente da longa partida contra Agnieszka Radwanska 24 horas antes. No fim, Vesnina fez 6/2 e 6/2 e ganhou o direito de desafiar a número 1. Não será fácil.

O brasileiro

Único brasileiro restante no torneio, Bruno Soares finalmente conseguiu a vaga nas quartas de final. Depois de dois match points não convertidos e um quinto set dramático e inacabado na segunda-feira, ele e Jamie Murray finalmente conseguiram eliminar Michael Venus e Mate Pavic. O placar final mostrou 6/3, 7/6(3), 4/6, 4/6 e 16/14, em 5h03min!

Soares e Murray agora vão enfrentar os vencedores do jogo entre Pospisock (Pospisil e Sock para os iniciantes) e Benneteau/Roger-Vasselin. Brasileiro e britânico, lembremos, estão do mesmo lado da chave de Bob e Mike Bryan. Seria um eventual confronto de semifinal.

O homem que faltava

Tomas Berdych (#9) deveria ter fechado o jogo na segunda-feira, mas não conseguiu converter nenhum dos cinco match points e viu o compatriota Jiri Vesely (#64) forçar o quinto set. Quando a partida recomeçou nesta terça, Berdych saiu na frente, perdeu o serviço, mas teve ajuda do compatriota, que foi quebrado pela segunda vez ao cometer uma dupla falta. O top 10 tcheco, então, aproveitou e avançou ao fazer 4/6, 6/3, 7/6(8), 6/7(9) e 6/3.


Wimbledon, dia 7: drama, breu, outra ameaça e o melhor jogo do torneio
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Alexandre Cossenza

A Manic Monday, como é chamada a tradicional segunda-segunda-feira de Wimbledon, com todas oitavas de final em quadra, correspondeu às expectativas. Quintos sets longos, chuva, tie-breaks dramáticos, viradas, atuações impecáveis dos favoritos e jogos adiados por falta de luz natural. Teve um pouco de tudo. Teve até número 1 do mundo ameaçando processar. Perdeu tudo isso? O resumaço traz quase tudo nas linhas abaixo.

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O melhor jogo do torneio

Foram 180 minutos fantásticos. Desde o espetacular primeiro set de Dominika Cibulkova, passando pela reação memorável de Agnieszka Radwanska, que salvou match point no segundo set e forçou mais uma parcial, até o longo terceiro set, sem tie-break, com break points em dez games diferentes e que terminou de forma magnífica, com a eslovaca vencendo e ganhando um abraço da polonesa. O placar final mostrou 6/3, 5/7 e 9/7 para Cibulkova.

É bem verdade que a número 18 do mundo poderia ter vencido mais rápido. Distribuiu pancadas do fundo de quadra, jogando Radwanska para os lados. Teve chances de fechar antes, mas vacilou. Não que a terceira colocada no ranking não tenha seus méritos. Lutou bravamente com seu tênis inteligente e teve até um match point no 12º game do terceiro set. Cibulkova se salvou.

Classificada para as quartas, Cibulkova leva consigo uma sequência de nove triunfos na grama. Ela ainda não perdeu no piso na temporada. Antes de Wimbledon, disputou apenas o WTA de Eastbourne e foi campeã. A eslovaca será favorita contra a russa Elena Vesnina (#50), que bateu Ekaterina Makarova (#35) de virada: 5/7, 6/1 e 9/7.

Importante: Cibulkova tem seu casamento marcado para sábado. Se alcançar a final, já avisou que não se importará de adiar a cerimônia. “Escolhemos essa data porque nunca me vi como uma jogadora de grama”, explicou, segundo o site do torneio.

Os favoritos

Enquanto Radwanska e Cibulkova terminavam o segundo set na Quadra 3, Roger Federer (#3) entrava na Central para enfrentar Steve Johnson (#29). Os três sets do suíço duraram mais ou menos o mesmo que o terceiro set da Quadra 3. Tirando um par de break points no quinto game do primeiro set, quando o jogo ainda estava empatado, e uma quebra de Johnson no terceiro, Federer dominou. Venceu por 6/2, 6/3 e 7/5 e chegou à 306ª vitória em Slams na carreira, igualando a marca de Martina Navratilova.

É inevitável pensar que tudo conspirou para o heptacampeão até agora. Não só a chave tranquila na primeira semana, justamente o que ele precisava depois de resultados aquém do esperado em Stuttgart e Halle, mas também com a derrota de Novak Djokovic, o único a derrotá-lo nos dois últimos anos em Wimbledon, e talvez até com a lesão de Kei Nishikori, que abandonou e colocou Marin Cilic como rival de Federer nas quartas de final.

Por outro lado, Cilic faz uma campanha bastante digna na grama este ano (fez semi em Queen’s) e promete ser o primeiro teste de verdade para o suíço no All England Club. O próprio Federer lembrou que o croata passou como um caminhão por ele no US Open de 2014, seu último duelo. Será que Cilic consegue repetir? Não parece provável, mas também não parecia em Nova York…

Em seguida, Serena Williams fez uma apresentação bastante … serenesca diante de Svetlana Kuznetsova (#14). Um começo arrasador, um momento instável no fim do primeiro set, e uma segunda parcial quase perfeita. Fez 14 aces, 43 winners e derrotou a russa em 1h16min, por 7/5 e 6/0, avançando às quartas.

Foi o tipo de atuação que se espera ver da número 1 do mundo, especialmente em Wimbledon, e que ainda não tinha acontecido. Passou o recado de que não será fácil derrotá-la no All England Club. O resto da chave deve estar preocupado, assim como Anastasia Pavlyuchenkova (#23), sua próxima adversária.

A russa avançou ao bater Coco Vandeweghe (#30) por 6/3 e 6/3 e já está no lucro. Afinal, ninguém esperava que Pavlyuchenkova fosse tão longe, já que somava mais derrotas do que vitórias na carreira em Wimbledon. Agora chega sem responsabilidade e pode entrar “solta” na quadra Serena. Parece justo dizer que não há muita gente acreditando na russa contra a número 1.

Por último, Andy Murray também mostrou todo seu arsenal contra Nick Kyrgios (#18), descomplicando o que muitos viam como uma partida duríssima. De duro mesmo, só o primeiro set, que o britânico fechou fazendo um último game impecável. O triunfo veio por 7/5, 6/1 e 6/4, com um Kyrgios perdido, sem encontrar alternativa para superar o favorito.

O próximo obstáculo para o escocês será Jo-Wilfried Tsonga (#12), que se beneficiou de uma lesão nas costas de Richard Gasquet (#10), que abandonou a partida quando perdia o primeiro set por 4/2. Nada ruim para Tsonga, que vinha de completar um partida um tanto longa contra John Isner no domingo. Não que ele estivesse esgotado, mas o descanso não fará nada mal.

Mais uma ameaça judicial

Incomodada com os pingos que caíam timidamente na Quadra Central, Serena Williams achava que a quadra estava escorregadia demais para continuar a partida. Sem ser atendida imediatamente (o teto foi fechado pouco depois), a número 1 disparou: “Se eu me machucar, vou processar”.

O susto

Milos Raonic (#7), desde sempre considerado a maior ameaça ao então-vivo-na-chave-Djokovic antes das semifinais, esteve a um set da eliminação nesta segunda-feira. Com seu saque quebrado duas vezes, perdeu dois sets. Sorte que do outro lado da rede estava David Goffin (#11), que não tem exatamente um histórico de grandes atuações em momentos cruciais. Raonic conseguiu uma quebra logo no terceiro game do terceiro set e mudou o rumo da partida. Acabou saindo com a vitória por 4/6, 3/6, 6/4, 6/4 e 6/4.

Foi a primeira vez na carreira que Raonic venceu um jogo após estar perdendo por 2 sets a 0. O canadense agora vai enfrentar Sam Querrey (#41), algoz de Djokovic que venceu mais uma ao derrotar Nicolas Mahut (#51) por 6/4, 7/6(5) e 6/4. Preparem-se para contar aces e ver poucos ralis.

Correndo por fora

Venus Williams (#8) continua aproveitando o máximo sua chave, que nunca foi das mais complicadas. Nesta segunda, eliminou Carla Suárez Navarro (#12) por 7/6(3) e 6/4. O primeiro set teve momentos delicados, com a espanhola sacando para o jogo e uma interrupção por chuva. Venus, no entanto, segue avançando e já tem sua melhor campanha em Wimbledon desde 2010, quando também avançou às quartas e foi eliminada por Tsvetana Pironkova.

Venus, 36 anos, é a tenista mais velha a alcançar as quartas de final de Wimbledon desde Martina Navratilova em 1994. A ex-número 1 do mundo também será favorita na próxima rodada, já que vai encontrar Yaroslava Shvedova (#96), uma das maiores surpresas o torneio até agora. A cazaque, que já havia eliminado Svitolina e Lisicki, despachou Lucie Safarova as oitavas: 6/2 e 6/4.

O outro jogo nessa metade da chave é entre duas candidatíssimas: Simona Halep (#5), que despachou Madison Keys por 6/7(5), 6/4 e 3/3, e Angelique Kerber (#4), que encerrou o torneio de Misaki Doi (#49) por 6/3 e 6/1. Promete ser o confronto mais interessante das quartas de final femininas.

Entre os homens, Tomas Berdych (#9) esteve perto de dar mais um passo, mas deixou passar uma ótima chance de despachar o compatriota Jiri Vesely (#64). O top 10 sacou para fechar a partida no quarto set, mas foi quebrado e, quando chegou ao tie-break, depois de Vesely salvar três match points, já reclavama da luz, argumentando que o jogo deveria ter sido interrompido.

O game de desempate foi louco. Vesely abriu 6/1, Berdych virou para 7/6 e teve mais dois match points, mas não conseguiu fechar. Vesely acabou vencendo e forçando um quinto set. A continuação também ficou para terça-feira. Quem vencer enfrentará Lucas Pouille (#30), que despachou de virada o australiano Bernard Tomic (#19): 6/4, 4/6, 3/6, 6/4 e 10/8.

As quartas de final

[28] Sam Querrey x Milos Raonic [6]
[3] Roger Federer x Marin Cilic [9]
[10] Tomas Berdych ou Jiri Vesely x Lucas Pouille [32]
[12] Jo-Wilfried Tsonga x Andy Murray [2]

[1] Serena Williams x Anastasia Pavlyuchenkova [21]
[19] Dominika Cibulkova x Elena Vesnina
[5] Simona Halep x Angelique Kerber [4]
[8] Venus Williams x Yaroslava Shvedova

Os brasileiros

O dia foi difícil para os mineiros. Marcelo Melo e Ivan Dodig foram eliminados em três sets por Raven Klaasen e Rajeev Ram: 7/6(3), 7/6(5) e 6/3. Em seguida, Bruno Soares e Jamie Murray fizeram uma partida longa e dramática contra Mate Pavic e Michael Venus. Brasileiro e britânico venceram os dois primeiros sets, mas perderam os dois seguintes e mergulharam em um quinto set longo.

Por suas vezes, Bruno e Jamie tiveram quebras de vantagem, e o britânico até sacou para o jogo em 5/3. Depois de um match point, o saque do escocês foi quebrado, e a partida continuou dramática, noite adentro, sem tie-break. A partida foi interrompida pouco depois das 21h locais, após o 26º game, depois que Venus e Pavic salvaram mais um match point.

Bom humor na adversidade

Logo depois de perder o quarto set, Bruno Soares reclamou com a árbitra de cadeira por levar uma advertência. A juíza explicou que a grama é sensível, e o brasileiro respondeu “eu também sou sensível, acabei de perder um set”.


Wimbledon, Middle Sunday: tudo em dia e com as oitavas definidas
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Alexandre Cossenza

O Middle Sunday, tradicional domingo de descanso em Wimbledon, teve jogos desta vez. Não foram tantos. Apenas o necessário para colocar em dia a programação, prejudicada pelo mau tempo. Os resultados também não foram nada surpreendentes, mas agora já dá para saber quem é quem antes da segunda semana de Wimbledon. O resumo do que rolou está nas próximas linhas.

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A favorita

De favorito-favorito-mesmo, só Serena Williams entrou em quadra neste domingo. E nem ficou lá tanto tempo assim. A americana foi quebrada em seu segundo game de serviço e viu Annika Beck (#43) abrir 2/1, mas venceu 11 dos 12 games seguintes e avançou por 6/3 e 6/0. Foi a 300ª vitória dela em Slams.

Depois de pegar um caminho relativamente fácil (Christina McHale não teria sido uma ameaça num dia normal), Serena terá um confronto perigoso nas oitavas contra Svetlana Kuznetsova (#14), que chega forte e embalada por uma virada fantástica contra Sloane Stephens (#22), que liderou o terceiro set por 5/2. A russa terminou com a vitória por 6/7(1), 6/2 e 8/6. E não custa lembrar que foi Kuznetsova quem eliminou Serena em Miami este ano…

Cabeças que rolaram

Não foi um domingo de surpresas – até porque não foi um dia com tantos jogos assim, mas fica o registro da top 10 eliminada. Roberta Vinci (#7) deu adeus ao ser derrotada pela americana Coco Vandeweghe (#30): 6/3 e 6/4.

Coco, nunca é demais lembrar, vem de um título em ’s-Hertogenbosch e uma semi em Birmingham. Com seu saque, a americana é sempre mais perigosa na grama. Ela agora fica a uma vitória de igualar sua campanha em Wimbledon no ano passado, quando alcançou as quartas.

Para isso, precisará bater Anatasia Pavlyuchenkova (#23), uma das maiores surpresas nas oitavas. A russa, que eliminou Timea Bacsinszky (#11) por 6/3 e 6/2, tinha retrospecto negativo em Wimbledon até este ano (8v e 9d).

O jogo boyhoodiano

Lembrou de leve aquele duelo da Quadra 18, seis anos atrás. Só de leve. JOhn Isner (#17) e Jo-Wilfried Tsonga (#12), que continuaram neste domingo a partida iniciada no sábado, mergulharam em um quinto set longo, com poucas chances de quebra e um monte de saques vencedores. O americano salvou um break point solitário no 11º game e, depois disso, a chance de quebra seguinte aconteceu só quando o francês sacou em 15/16, com match point contra.

Tsonga se salvou a conseguiu quebrar Isner no 35º game do quinto set. Fechou o jogo em seguida, em 6/7(3), 3/6, 7/6(5), 6/2 e 19/17. A partida durou 4h24min ao todo, mas só os dois últimos sets foram disputados nesta domingo. Tsonga não sairá tanto no prejuízo assim contra Richard Gasquet (#10), seu próximo adversário, que avançou ao bater Albert Ramos (#36) por 2/6, 7/6(5), 6/2 e 6/3.

Correndo por fora

Tomaz Berdych (#9) tinha um jogo perigoso contra Alexander Zverev (#28), mas passou jogando um belo tênis – com a exceção de um início ruim no terceiro set. Fez 6/3, 6/4, 4/6 e 6/1 sobre o adolescente e avançou às oitavas para encarar Jiri Vesely (#64), que já havia eliminado Dominic Thiem e bateu, neste domingo, João Sousa (#31) por 6/2, 6/2 e 7/5.

O top 10 tcheco é o principal nome dessa parte da chave depois das quedas de Wawrinka e Thiem. O triunfo sobre Zverev já foi um bom indício de que a pressão não afetou seu nível de tênis. Finalista de Wimbledon em 2010, quando eliminou Federer, Berdych é favoritíssimo para alcançar pelo menos a semi.

Outros nomes fortes na chave masculina são Nick Kyrgios (#18), que passou por uma chave duríssima, com Stepanek, Brown e, agora, Feliciano López (#21); e Richard Gasquet (#10), que confirmou o favoritismo e completou neste domingo seu triunfo sobre Albert Ramos (#36).

Foi bom enquanto durou

O grande azarão a vencer no dia foi Lucas Pouille (#30), que eliminou Juan Martín del Potro (#165). O francês perdeu o primeiro set em um tie-break, mas venceu os três sets seguintes e fechou em 6/7(4), 7/6(6), 7/5 e 6/1. O resultado talvez diga mais sobre o atual nível de Stan Wawrinka do que o de Del Potro, algoz do suíço na segunda rodada. Ainda perigoso, o argentino tem no backhand uma fragilidade evidente e ele mesmo admite que é o golpe que precisa evoluir mais para que ele consiga voltar ao alto do ranking.

O preparo físico também é uma preocupação. Del Potro disse que saiu de quadra cansado em todos os jogos. Foi a primeira vez em muito tempo que o ex-top 10 argentino jogou partidas em melhor de cinco sets. Fica claro agora que ele não teria mesmo condições de ser competitivo em Roland Garros.

As oitavas de final

[28] Sam Querrey x Nicolas Mahut
[11] David Goffin x Milos Raonic [6]
[3] Roger Federer x Steve Johnson
[9] Marin Cilic x Kei Nishikori [5]
Vesely / [31] Sousa x Tomas Berdych [10]
[19] Bernard Tomic x Lucas Pouille [32]
[7] Richard Gasquet x Jo-Wilfried Tsonga [12]
[15] Nick Kyrgios x Andy Murray [2]

[1] Serena Williams x Svetlana Kuznetsova [13]
[21] Anastasia Pavlyuchenkova x Coco Vandeweghe [27]
[3] Agnieszka Radwanska x Dominika Cibulkova [19]
Ekaterina Makarova x Elena Vesnina
[5] Simona Halep x Madison Keys [9]
Misaki Doi x Angelique Kerber [4]
[8] Venus Williams x Carla Suárez Navarro [12]
Yaroslava Shvedova x Lucie Safarova [28]

A bolada

Aconteceu no jogo entre Lucas Pouille e Juan Martín del Potro. O francês sacou, e a bola não voltou, mas o toque de raspão na raquete do argentino fez a bolinha ir na cabeça da juíza de linha. Parece que doeu. Parece.

Os brasileiros

Na chave de duplas, Bruno Soares e Jamie Murray confirmaram o favoritismo sem drama contra Federico Delbonis e Diego Schwartzman: 6/3 e 6/3. Brasileiro e britânico, cabeças de chave 3, vão enfrentar agora Mate Pavic e Michael Venus, cabeças número 16.

Nas mistas, duas derrotas. Marcelo Demoliner perdeu na estreia ao lado de Nicole Melichar, enquanto André Sá, na segunda rodada, foi eliminado junto com a tcheca Barbora Krejcikova.


Wimbledon, dia 6: o tênis mentiu para o mundo
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Alexandre Cossenza

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Quando começou, na sexta-feira, não parecia grande drama. Novak Djokovic perdeu um tie-break para Sam Querrey. Normal, era só o primeiro set contra um grande sacador. Acontece o tempo inteiro. Certamente, o número 1 do mundo se recuperaria a tempo de despachar sem sustos o azarão.

Veio, então, o segundo set. Nada. Djokovic estava ainda mais estranho do que antes. Querrey, mais solto. 6/1. A zebra se apresentava serelepe, saltitante e em cores vivas. Todas as duas. Faltava um set para o maior tombo do tênis mundial nas últimas 52 semanas. O campeão dos quatro Slams, com 30 triunfos consecutivos nas costas, se mostrava vulnerável depois de muito tempo.

Parecia demais. Houve ajuda. O céu, os céus, São Pedro ou talvez até Rafael Infante vestido de divindade polinésia tenha enviado aquelas gotas de alívio na noite de sexta. Eram 20h em Londres, e a chuva interrompeu a partida. A continuação seria na manhã seguinte. Djokovic teria tempo para apertar reset e chegar renovado na Quadra 1. Querrey teria o travesseiro para conversar sobre a ansiedade e o tamanho do feito ainda incompleto.

Chega a manhã deste sábado. Querrey saca. Djokovic quebra. Querrey saca de novo. Djokovic quebra mais uma vez. Outro dia, outro sérvio, outro americano. Outro jogo. As casas de apostas mudaram suas cotações. No início do quarto set, o americano pagava 4:1. O número 1, apenas 1,25:1. Era questão de tempo. Ou assim se desenhava o cenário para quem conhece a capacidade de Djokovic e se acostumou a vê-lo elevar o nível de jogo com tanta frequência em situações tão delicadas – e por tanto tempo!

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Começa o quarto set. Primeiro game. Três break points salvos por Querrey. Terceiro game. O americano se salva em mais três. Obviamente, ninguém resistiria por muito tempo diante da melhor devolução do planeta, da raquete que é buraco negro e estilingue para os serviços mais potentes da galáxia. Quinto game. Mais dois break points salvos por Querrey. Um roteiro de Christopher Nolan não confundiria mais os espectadores. Mas não duraria muito. Não poderia.

Nono game. Djokovic finalmente quebra o serviço do americano. “Game, set, match, Djokovic”, pensei. Querrey já vinha bobeando e mostrando hesitação nos games de serviço de Djokovic. A partida mudava finalmente de direção. O número 1, senhor do circuito, tinha o controle do duelo. O barulho do público na Quadra Central soava como as 12 badaladas, encerrando o efeito do feitiço e transformando em abóbora a carruagem que levaria Querrey às oitavas.

Mas o tênis mentiu. O jogo que era de Querrey na sexta e passou a ser de Djokovic no sábado escorregou das mãos do número 1. Nole sacou em 5/4 e, no momento que normalmente é seu e só seu, fraquejou. Falhou. Deixou escapar o set. Querrey, com o vento proverbial de volta a seu favor, fez 6/5. O sérvio sacaria pressionado, mas ela, a chuva, voltou. Caiu como uma luva, um dilúvio, um delírio. Alívio imediato.

A partida recomeçou uma hora depois. Djokovic confirmou seu saque sem perder pontos. Querrey abriu o tie-break errando um smash. Mini-break. O número 1 venceu seis pontos seguidos. Era a hora de apertar o nitro e descer a ladeira sem olhar no retrovisor. Nole não conseguiu. Erro atrás de erro, deixou o oponente equilibrar o game de desempate. A cada rali, a insegurança ficava mais óbvia. O ultramegahiperconfiante e imbatível Djokovic, naquele momento, foi mortal. E, com um erro não forçado, humano, mundano, sucumbiu. Game, set, match, Querrey: 7/6(6), 6/1, 3/6 e 7/6(5).

As consequências

Com o naufrágio de Djokovic, vão por água abaixo a chance de fechar o Grand Slam e o Golden Slam. O sérvio ainda irá aos Jogos Olímpicos Rio 2016 com a chance de completar o Career Golden Slam, que Andre Agassi e Rafael Nadal também conseguirem fechar.

Também chega ao fim a sequência de 30 vitórias consecutivas de Djokovic em torneios do Grand Slam. É a terceira maior séria da história, atrás apenas de Don Budge (37, em 1937-38) e Rod Laver (31, em 1962-68 – o australiano se profissionalizou e foi proibido de jogar Slams de 1963 a 1967).

Quem ganha mais com isso (além de Sam Querrey)?

A queda do número 1 é boa para Milos Raonic, que enfrentaria o sérvio nas quartas de final. Roger Federer, que só foi derrotado em Wimbledon por Djokovic nos dois últimos anos, é outro beneficiado. O suíço, a propósito, vai enfrentar nas oitavas o americano Steve Johnson (#29), que freou a ressurreição de Grigor Dimitrov (#37), fazendo 6/7(6), 7/6(3), 6/4 e 6/2 neste sábado.

Andy Murray, vítima do #1 nas finais de Melbourne e Paris, também não deve ter ficado nada, nada chateado. O britânico bateu o australiano John Millman (#67) por 6/3, 7/5 e 6/2, neste sábado, e vai enfrentar o vencedor de Nick Kyrgios x Feliciano López. A partida foi adiada por falta de luz natural após o fim do segundo set. Cada tenista venceu uma parcial.

Nicolas Mahut, adversário de Querrey nas oitavas de final, é outro que se deu bem. O francês, afinal, derrotou o americano nas duas vezes que os dois se enfrentaram, e a última delas foi em ’s-Hertogenbosch, mês passado. Quem aí consegue imaginar Mahut nas quartas contra Raonic? Eu consigo.

O mistério

Uma resposta de Novak Djokovic na coletiva após a partida deixou todo mundo com uma pulga na orelha. Ao ser questionado sobre sua forma física, o número 1 do mundo disse não estar 100%, mas que não era a hora para falar sobre isso. Em seguida, deu mérito a Querrey pela vitória.

Lesão ou não (o bem informado jornalista português Miguel Seabra disse que se comenta sobre um problema no ombro), Djokovic anunciou que não jogará a Copa Davis e, quando lhe perguntaram se disputaria algum torneio antes dos Jogos Olímpicos, afirmou não saber. A reação gerou até uma especulação sobre a possível ausência do sérvio no Rio de Janeiro. Nada além disso por enquanto.

O melhor tweet

Bruno Soares continua sua sequência espetacular de tweets irônicos sobre o Efeito Lendl (#thelendleffect). Hoje, depois de Querrey eliminar Djokovic, escreveu que o americano acidentalmente tomou o café de Ivan Lendl.

O imortal

Lleyton Hewitt aposentou em janeiro e desaponsentou em março para jogar a Copa Davis. Aposentou de novo em seguida e se desaposentou outra vez quando ganhou um convite para jogar a chave de duplas de Wimbledon. E Rusty, o imortal, já fez valer o wild card. Ele e o australiano Jordan Thompson venceram Nicolás Almagro e David Marrero no jogo boyhoodiano do dia: 6/7(6), 6/4 e 19/17.

Vale lembrar que a chave de duplas de Wimbledon foi jogada em sistema melhor de três (com terceiro set longo) em vez do tradicional formato em melhor de cinco por causa dos atrasos provocados pela chuva.

Cabeças que rolaram

Petra Kvitova (#10), bicampeã de Wimbledon, deu adeus em mais uma atuação errática – com a colaboração de uma competente Ekaterina Makarova (#35), é claro. A russa fez 7/5 e 7/6(5) e avançou para enfrentar Barbora Strycova (#26) na terceira rodada. O jogo será disputado neste Middle Sunday, junto com o resto da rodada que está atrasada, e a chave é boa para Makarova, já que a oponente de oitavas sairá do jogo entre Elena Vesnina e Julia Boserup.

Kvitova foi a principal cabeça de chave eliminada no sábado, mas não chega a ser uma surpresa total para uma tenista que não ganha três jogos seguidos desde abril. Além disso, Sabine Lisicki (#81), que não era cabeça de chave mas estava bem cotada em Wimbledon, também se despediu. A alemã tombou diante da cazaque Yasoalava Shvedova (#96) por 7/6(2) e 6/1.

Correndo por fora

Entre os jogos de terceira rodada encerrados neste sábado, houve poucas surpresas. A lista de vencedoras inclui Simona Halep (#5), que bateu Kiki Bertens por 6/4 e 6/3; Madison Keys (#9), que eliminou Alizé Cornet (#61) por 6/4, 5/7 e 6/2; Angelique Kerber, que passou por um tie-break aperado, mas superou a compatriota Karina Witthoeft (#109) por 7/6(11) e 6/1; Agnieszka Radwanska (#3), que passou fácil por Katerina Siniakova com parciais de 6/3 e 6/1; e Dominika Cibulkova (#18), que ampliou sua sequência para oito vitórias na grama ao fazer 6/4 e 6/3 em cima de Eugenie Bouchard (#48).

Entre os homens, vale citar as vitórias de: Milos Raonic (#7) sobre Jack Sock (#26) por 7/6(2), 6/4 e 7/6(1); Kei Nishikori (#6) em cima de Andrey Kuznetsov (#42) por 7/5, 6/3 e 7/5; e Marin Cilic (#13) diante de Lukas Lacko (#123) por 6/3, 6/3 e 6/4.

Correndo por fora e atrasado

Na turma que precisou jogar ainda a segunda rodada neste sábado estavam Sloane Stephens (#22), Timea Bacsinszky (#11) e Alexander Zverev (#28). Os três venceram e voltarão à quadra no domingo para a terceira rodada. Se continuarem vivos, provavelmente voltarão na segunda-feira para as oitavas.

Os adiamentos

Obviamente, Wimbledon não conseguiu completar a terceira rodada masculina neste sábado. Quatro partidas foram suspensas por falta de luz natural. John Isner (#17) vencia Jo-Wilfried Tsonga (#12) por 2 sets a 1, Lucas Pouille (#30) liderava por 2 sets a 1 o jogo contra Juan Martín del Potro (#165); Richard Gasquet (#10) superava Albert Ramos (#36) pelo mesmo placar; e Nick Kyrgios (#18) e Feliciano López (#21) empatavam em 1 set a 1.

Os brasileiros

Na chave de duplas, Marcelo Melo e Ivan Dodig venceram sem problemas e avançaram às oitavas. As vítimas do dia foram Santiago González e Scott Lipsky, e o placar final foi de 6/2 e 6/3. O outro Marcelo, o Demo, foi eliminado também na segunda fase. Ele e o paquistanês Aisam Qureshi foram superados pela dupla de Treat Huey e Max Mirnyi: 6/4, 6/7(7) e 6/3.

Nas duplas mistas, André Sá e a tcheca Barbora Krejcikova estrearam com vitória sobre John Peers e Samantha Stosur por 6/4, 4/6 e 6/4. Demoliner também estraria na modalidade, mas seu jogo foi cancelado. Ele e a americana Nicole Melichar enfrentarão Treat Huey e Alicja Rosolska.


Wimbledon, dia 5: chuva salva Djokovic, Serena escapa e Del Potro sorri
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Alexandre Cossenza

Novak Djokovic foi salvo pelos céus, Serena Williams esteve a dois games da eliminação, Juan Martín del Potro fez um retorno triunfal à Quadra Central e bateu Stan Wawrinka, Fabio Fognini esteve envolvido em mais um barraco, e Dustin Brown fez o ponto do dia. Tudo isso aconteceu com seguidas paralisações por causa da chuva. Uma delas, inclusive, veio em um momento desagradável para Venus Williams. O resumaço do dia traz tudo isso, inclusive a lista de jogos interrompidos e adiados.

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Salvo pelos céus

Novak Djokovic foi inegavelmente beneficiado nesta sexta-feira. Vivendo um dia estranho e mostrando pouca energia enquanto Sam Querrey jogava um tênis espetacular, o número 1 do mundo deve ter agradecido aos céus quando a chuva apareceu pela enésima vez no dia, pouco depois das 20h locais, e fez o duelo ser suspenso. O placar mostrava 7/6(6) e 6/1 para o americano no momento.

Menos de 20 minutos depois da interrupção, a organização de Wimbledon determinou que a partida só continuaria no sábado. Querrey terá a noite inteira para pensar na possibilidade de derrubar o número 1, configurando a maior zebra de Wimbledon em 2016 e fazendo o que ninguém fez nos últimos quatro Slams. Se isso vai fazer bem ao americano, só a continuação da partida vai dizer. O fato é que Nole precisará vencer três sets e não terá margem nenhuma para engasgar.

O susto

Tudo bem, Serena Williams não esteve tão perto assim de dar adeus, mas nunca é confortável ver o placar em 4/4 no terceiro set já na segunda rodada de um Slam. O dia foi tão ruim para a número 1 do mundo que o jogo ficou duro contra uma oponente dona de um saque vulnerável e sem nenhum golpe dominante. Ainda assim, Christina McHale (#65) faz o possível e só não fez mais porque ser serviço não deixou. Teve game point para 5/4 e pressionar Serena no terceiro set, mas cometeu uma dupla falta que pesou um bocado. Acabou sucumbindo por 6/7(7), 6/2 e 6/4 em 2h29min de jogo.

Ainda é cedo, e a atual campeã só fez duas partidas, mas a atuação desta sexta-feira foi preocupante, com 40 erros não forçados. Sorte que margem para erro era enorme. E os 14 aces também ajudaram a compensar o (muito) que faltou.

O favorito tranquilo

Enquanto Djokovic sofria na Quadra 1, Roger Federer (#3) passeava sob o teto retrátil da Quadra Central. O suíço teve pouco trabalho diante do britânico Daniel Evans (#91) e avançou ao fazer 6/4, 6/2 e 6/2.

O jogo mais esperado

O grande duelo do dia também foi o que terminou com as cenas mais bacanas. Juan Martín del Potro (#165) sorrindo, comemorando e aplaudido de pé na Quadra Central após derrotar Stan Wawrinka (#5) por 3/6, 6/3, 7/6(2) e 6/3. Não que seja uma zebraça. Talvez nem mesmo uma zebrinha. É que, depois de três cirurgias, ver Del Potro derrotando um top 5 na meca do tênis é de fazer qualquer um abrir um sorriso. Até Ivan Lendl deve ter movimentado os lábios em meio milímetro.

Quanto ao jogo, a maior deficiência de Del Potro hoje em dia, o top spin de backhand (o argentino teve uma lesão séria punho esquerdo), acabou sendo uma vantagem contra Wawrinka. O campeão do US Open de 2009 apostou em slices cruzados que, na grama, complicaram muito a vida do suíço, dono de um backhand de uma mão e de preparação longa. Foi como se Del Potro desafiasse, a cada golpe, Wawrinka a arriscar uma paralela. As porcentagens sempre estiveram a favor do argentino.

A eliminação de Wawrinka, combinada com a derrota de Dominic Thiem na quinta-feira, faz com que o principal cabeça de chave dessa seção passe a ser Tomas Berdych, que vai encarar Zverev ou Youzhny na terceira rodada. O tcheco, aliás, pode encontrar Del Potro nas quartas. O “campeão” desse grupo vai enfrentar nas semifinais o vencedor do setor encabeçado por Andy Murray.

O barraco

Fabio Fognini perdeu e houve barraco. Qual é a novidade, você pergunta? A novidade é que quem saiu reclamando foi Feliciano López, chamou alguém (aparentemente no grupo de Fognini) de sujo. “[Você] é o mais sujo que vi em 20 anos de carreira. És um sujo. Porque isso não se faz…”

Feliciano anda tentou cumprimentar Fognini depois disso tudo, mas o italiano não quis muita conversa.

O placar final mostrou 3/6, 6/7(5), 6/3, 6/3 e 6/3 para o espanhol, que vai enfrentar Nick Kyrgios em busca de uma vaga nas oitavas de final em Wimbledon.

Correndo por fora

Venus Williams (#8), que fez uma partida de três sets ontem nas simples e jogou mais dois sets nas duplas, precisou de mais três sets nesta sexta-feira para avançar. A americana fez 7/5, 4/6 e 10/8 sobre a russa Daria Kasatkina (#33) em uma partida que só acabou depois de uma inusitada interrupção por chuva. Os pingos caíram quando a russa se preparava para sacar enfrentando o segundo match point de Venus…

Como ela mesma disse, foram quase 7h de tênis nas últimas 24h, mas com o intervalo (pelo menos nas simples) até segunda-feira, Venus terá tempo para se recuperar fisicamente em uma chave bastante acessível, ainda mais após a queda de Muguruza. Ela encara Carla Suárez Navarro nas oitavas e, se chegar às quartas, pega quem sair do grupo entre Lisicki, Shvedova, Safarova e Cepelova.

Quem está bem na chave masculina é Tomas Berdych (#9), que bateu Benjamin Becker (#102) em três rápidos sets (quer dizer, teriam sido rápidos sem interrupção por chuva): 6/4, 6/1 e 6/2. O tcheco, classificado para a terceira rodada, vai encarar Youzhny ou Zverev e será favorito até a semifinal, já que Wawrinka tombou nesta sexta e Thiem já tinha se despedido. Será, então, que Berdych consegue confirmar o status em uma chave que ficou esburacada?

O brasileiro

Chuva vem, chuva vai, mas Marcelo Melo e Ivan Dodig finalmente conseguiram fazer sua estreia em Wimbledon. Eles derrotaram Paul-Henri Mathieu e Benoit Paire por 6/2 e 6/3, sem grande drama, e vão encarar González e Lipsky na segunda rodada, que, excepcionalmente, também será jogada em melhor de três sets. Sim, as duplas sofrem mais quando chove.

Jogos cancelados

Com tanto mau tempo, a organização precisou cancelar mais jogos, como Raonic x Sock, Halep x Bertens, Goffin x Istomin, Safarova x Cepelova, Kerber x Witthoeft, Keys x Cornet, Doi x Friedsam e Lisicki x Shvedova. Todos eles valiam pela terceira rodada do torneio.

A lista de partidas que começaram e foram interrompidas tem, além de Djokovic x Querrey, Makarova x Kvitova (7/5 para a russa), Cilic x Lacko (croata tem 2 sets a 0), Johnson x Dimitrov (4/3 no primeiro set), Zverev x Youzhny (2/1 no quinto set), Stephens x Minella (3/3 no terceiro set), Niculescu x Bacsinszky (1/0 para a romena no terceiro set) e Mahut x Herbert (dois sets a zero para Mahut).

Jogos no domingo

Tradicionalmente, o primeiro domingo de Wimbledon, chamado por lá de Middle Sunday, é dia de descanso. Só que este ano, com tantos jogos por fazer (ainda há várias partidas de segunda rodada incompletas), a organização já anunciou que colocará jogadores no domingão.

Os melhores lances

Daria para escolher uma meia dúzia de lances do duelo entre Dustin Brown (#85) e Nick Kyrgios (#18), mas acho que esse ponto aqui foi imbatível. E Kyrgios venceu a partida, mas só depois de cinco sets: 6/7(3), 6/1, 2/6, 6/4 e 6/4.


Wimbledon, dia 4: crise nervosa, ameaça judicial e várias cabeças rolando
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Alexandre Cossenza

A programação estava cheia por causa da chuva que acumulou jogos sem terminar, e a quinta-feira de Wimbledon acabou sendo um dia agitadíssimo. Desde o tombo gigante de Garbiñe Muguruza até a memorável crise de nervos de Viktor Troicki, passando por Gilles Simon, que aparentemente ameaçou processar o planeta inteiro (calma, não foi tudo isso), e incluindo Agnieszka Radwanska, que só sobreviveu depois de salvar match points e ver a rival se lesionar. Sim, é muita coisa para um dia só, mas o resumaço conta tudo. Ou quase tudo.

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A zebra

Atual vice-campeã de Wimbledon, campeã de Roland Garros e número 2 do ranking, Garbiñe Muguruza era favoritíssima contra Jana Cepelova, #124, vindo do qualifying e com um histórico de nunca ter passado da terceira rodada em Wimbledon (embora tenha derrotado Simona Halep na estreia no ano passado).

Cinquenta e nove minutos depois, estava concretizada a maior zebra do torneio até agora. Cepelova fez mais winners (14 a 9), errou menos (12 a 22) e aplicou um sonoro 6/3 e 6/2 na mesma Quadra 1 em que ela eliminou Halep em 2015.

A notícia é boa para Simona Halep e Angelique Kerber, que são as principais cabeças dessa metade da chave, mas parece melhor ainda para Sabine Lisicki, que vem de duas vitórias imponentes e encontraria Muguruza nas oitavas. Lucie Safarova (#29) também se deu bem, já que ela será a oponente de Cepelova na terceira rodada.

Vale também registrar uma estatística interessante. Nos últimos três anos, Cepelova só enfrentou três tenistas no top 10: Serena Williams, Simona Halep e Garbiñe Muguruza. A eslovaca derrotou as três (e também sofreu uma derrota para Halep no US Open de 2014).

O favorito que avançou

O único grande candidato ao título que venceu hoje foi Andy Murray (#2), que passou por Yen-Hsun Lu (#76) por 6/3, 6/2 e 6/1, em 1h40min. Na terceira rodada, o britânico, campeão do torneio em 2013, vai encarar John Millman (#67), que derrubou Benoit Paire (#23) por 7/6(5), 6/3, 4/6 e 6/2.

A crise de nervos

Viktor Troicki não ficou nada feliz quando o árbitro de cadeira deu bola boa no serviço de Albert Ramos, que sacava em 5/3 e 30/30. Revoltado, o sérvio isolou a bola, gritou com o árbitro, disse que ele não enxergou nada o jogo inteiro e que é o pior árbitro de todos os tempos, entre otras cositas más. Assistam!

O acidente

Quando aconteceu, Ana Konjuh (#103) já havia desperdiçado três match points e sacado duas vezes para eliminar Agnieszka Radwanska (#3). A polonesa sacava em 7/7 e 40/15 (não tem tie-break no set decisivo) quando a croata correu numa curtinha e acabou pisando na bolinha, torcendo o tornozelo. O atendimento fez a partida ser interrompida por um bom tempo e, quando o jogo recomeçou, a favorita se aproveitou da movimentação limitada da oponente e fechou o jogo em 9/7.

Correndo por fora

Sabine Lisicki (#81), que fez um pré-Wimbledon curto (perdeu nas oitavas em Mallorca) e faz uma temporada nada animadora – não vencia dois jogos seguidos desde fevereiro – bateu Sam Stosur (#16) por 6/4 e 6/2 e passou para a terceira rodada e vai enfrenar Yaroslava (#96) Shvedova ou Elina Svitolina (#20). Lisicki, vice-campeã de Wimbledon em 2013, está entre as mais cotadas ao título nas casas de apostas. Muito mais pelo currículo e pelos aces do que pela forma atual, mas convém ficar de olho depois de hoje.

Outras favoritas que venceram nesta quinta foram Simona Halep, Venus Williams, Angelique Kerber e Madison Keys. Vale apontar que Halep e Keys terão jogos um tanto interessantes na terceira rodada. A romena vai encarar a holandesa Kiki Bertens, enquanto a americana vai duelar com Alizé Cornet. As vencedoras desses dois jogos vão se encontrar nas oitavas.

Na chave masculina, Milos Raonic precisou de apenas 1h57min para derrotar o italiano Andreas Seppi: 7/6(5), 6/4 e 6/2. O canadense, que em tese vai enfrentar Novak Djokovic nas quartas, fez 25 aces (41 winners no total) e 19 erros não forçados nesses três sets. Outro candidato que avançou foi Kei Nishikori (#6), que perdeu o primeiro set, mas eliminou o Julien-Benneteau-de-vida-eterna (#547, é isso mesmo, quinhentos e quarenta e sete) por 4/6, 6/4, 6/4 e 6/2.

Cabeças que rolaram

Fora a óbvia decepção com o tombo de Muguruza, Karolina Pliskova (#17) talvez tenha sido a cabeça de chave mais importante a dar adeus precoce nesta quinta-feira. Campeã em Nottingham, vice em Eastbourne e líder de aces na temporada, a tcheca sempre esteve entre as mais cotadas em Wimbledon, apesar de seu histórico nada invejável em Slams. Ela tombou diante da japonesa Misaki Doi (349), que fez 7/6(5) e 6/3. O resultado é bom para Kerber, que agora enfrenta Witthoeft na terceira fase e vai pegar Doi ou Friedsam nas oitavas. Assim, a alemã tem a chance de alcançar as quartas sem precisar bater uma cabeça de chave.

Entre os homens, o principal cabeça de chave a dar adeus foi Dominic Thiem (#8), que não conseguiu encontrar uma maneira de fazer seu jogo de fundo de quadra desestabilizar Jiri Vesely (#64). O tcheco venceu em três tie-breaks: 7/6(4), 7/6(5) e 7/6(3). Não chega a ser um resultado decepcionante, dado o histórico do austríaco em Slams. Fora a exceção sortuda de Roland Garros, onde alcançou a semi (enfrentaria Nadal nas oitavas), Thiem tem no currículo apenas uma ida às oitavas de final (US Open/2014).

Mais decepção do que zebra foi a derrota de Alexander Dolgopolov (#33), cabeça de chave 30, para o britânico Daniel Evans (#91): 7/6(6), 6/4 e 6/1. O ucraniano seria um desafio interessante e incomum para Roger Federer na terceira rodada. Em vez disso, o heptacampeão, que vem de vitória sobre o novo queridinho britânico, Marcus Willis, vai enfrentar outro tenista da casa. Difícil imaginar Federer se complicando (não que fosse tão diferente assim contra Dolgopolov). É mais um jogo para ele calibrar golpes rumo à segunda semana.

Do mesmo modo, na chave feminina, Kristina Mladenovic (#31) tombou diante e Aliaksandra Sasnovich (#98) por 6/3 e 6/3. A francesa era vista como uma oponente perigosa para Serena Williams na terceira rodada. Em tese o caminho da número 1 do mundo fica um pouco mais fácil rumo às oitavas. Caroline Garcia (#32) foi outra tenista que vinha bem na grama (foi campeã em Mallorca) e não conseguiu sequência em Wimbledon. Caiu nesta quinta, eliminada pela tcheca Katerina Siniakova (#114): 4/6, 6/4 e 6/1.

A lista de cabeças foi bem razoável e incluiu David Ferrer, Sam Stosur, Ivo Karlovic, Jelena Jankovic, Benoit Paire, Sara Errani, Gilles Simon, Elina Svitolina, Viktor Troicki, Andrea Petkovic, Johanna Konta e Belinda Bencic (que abandonou com uma lesão no punho esquerdo), mas parece justo dizer que nenhum desses pré-classificados era muito cotado a ir longe no All England Club este ano.

De todos esses resultados, vale destacar Nicolas Mahut (#51), que é sempre um tenista mais perigoso na grama e bateu Ferrer (#14) por 6/1, 6/4 e 6/3; e Grigor Dimitrov (#37), que fazia uma péssima temporada, somava seis reveses consecutivos e chegou a Wimbledon fora da lista dos cabeça de chave, mas eliminou Simon (#20) nesta quinta por 6/3, 7/6(1), 4/6 e 6/4. O búlgaro agora vai encontrar Steve Johnson com boas chances de avançar mais uma vez e enfrentar Roger Federer nas oitavas.

O processo

Gilles Simon, incomodado com as condições de jogo, ameaçou processar o árbitro de cadeira, que se recusava a suspender a partida quando, segundo o francês, chovia e a quadra estava escorregadia. “Se eu me lesionar, vou processar você, e você vai pagar”, disse Simon ainda em quadra.

Na coletiva, o tenista francês, derrotado, ainda bufava de raiva. “Acho que no dia que me lesionar na grama escorregadia, vou processar todo mundo no estádio. Tentamos entender os dois lados, torneio e jogadores, mas em um ponto ontem foi simplesmente ridículo.” Outros trechos da entrevista do francês estão nesta repostagem da ESPN (em inglês).

Os brasileiros

Thomaz Bellucci (#62) não conseguiu mudar a história de seu jogo contra Sam Querrey (#41). O americano, que liderava por 6/4 e 5/2 quando a partida foi interrompida na quarta-feira, perdeu só três games nesta quinta. Ele fechou por 6/4, 6/3 e 6/2 e vai enfrentar Novak Djokovic na terceira rodada. No fim das contas, embora tenha sido uma atuação nada inspirada do brasileiro, não dá pra dizer que ele sai no prejuízo, já que não vencia um jogo na grama desde 2011. Fica, no entanto, a sensação de que há muito para melhorar e que, por enquanto, o paulista disputa apenas três Slams por temporada.

Na Quadra 18, Bruno Soares e Jamie Murray estrearam com vitória e fizeram 6/2, 6/7(9) e 6/3 sobre Jonathan Erlich e Colin Fleming. Por causa da chuva, a organização reduziu para melhor de três o formato das duplas, que normalmente são disputadas em melhor de cinco desde as rodadas iniciais em Wimbledon.

Quem também venceu foi o gaúcho Marcelo Demoliner, que atuou ao lado do paquistanês Aisam Qureshi. Os dois superaram Julian Knowle e Artem Sitak por 7/6(4) e 6/3. Enquanto isso, André Sá não teve a mesma sorte. Ele e o australiano Chris Guccione foram superados por Mate Pavic e Michael Venus: 7/6(6) e 6/3.

A lista olímpica

A ITF divulgou a lista dos tenistas aptos a disputarem os Jogos Olímpicos Rio 2016. O Brasil tem, por enquanto, Thomaz Bellucci, Rogerinho e Teliana Pereira nas simples, e Bruno Soares, Marcelo Melo e Paula Gonçalves (junto com Teliana) nas duplas. A participação de André Sá ainda depende de apelo junto ao comitê olímpico da ITF. É preciso provar que o mineiro não jogou Copa Davis pelo Brasil porque não foi convocado, e não porque não se disponibilizou a defender o país. É o mesmo caso de Rogerinho, mas o paulista foi convocado (também nesta quinta) para o próximo confronto, em Belo Horizonte, contra o Equador. Bellucci, Melo e Soares são os outros três do time.

É, aliás, também a mesma situação de Rafael Nadal. Enquanto isso, Caroline Wozniacki, que não cumpriu a cota mínima de confrontos de Fed Cup, teve seu recurso aceito (ela se lesionou antes do último confronto) e estará no Rio. A lista completa de participantes está no site da ITF.

Os melhores lances

O ponto do dia é de Fabio Fognini, que derrotou Federico Delbonis em cinco sets.


Wimbledon, dia 3: o conto de fadas à prova de chuva
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Alexandre Cossenza

Com tanta chuva ao longo do dia e nenhum resultado surpreendente, nada mais justo do que ter toda a atenção voltada para o duelo entre Roger Federer e Marcus Willis na Quadra Central de Wimbledon. Do lado de fora, para os “mortais” sem teto retrátil, houve muita espera e pouco tênis. Resta à organização montar o quebra-cabeça com um monte de jogos inacabados.

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O jogo mais esperado

O heptacampeão contra o número 772 do mundo, novo queridinho britânico e que até não muito tempo atrás tomava refrigerante e comia barras de Snickers durante as partidas. O simpaticão Marcus Willis conquistou os corações do mundo todo e curtiu cada segundo de seu duelo com Roger Federer na Quadra Central. Primeiro, quando entrou em quadra (vestindo uma camisa da linha RF!)…

Depois, quando venceu seu primeiro game…

E, por último, após ser eliminado por 6/0, 6/3 e 6/4, recebendo esse último aplauso, com a Quadra Central de pé para saudá-lo.

Moral da história

Marcus Willis, consciente do “conto de fadas” que estava vivendo, curtiu cada segundo que passou na Quadra Central e fez uma apresentação bastante digna. Venceu sete games contra um Roger Federer que, se não esteve em seu nível máximo, não deu tanta coisa de graça assim.

É difícil para quem vive o circuito dia-sim-dia-também, às vezes lidando com lesões, às vezes sofrendo séries de derrotas, não perder de vista essa noção de que é preciso apreciar as quadras arenas, o público e tudo que envolve estar em eventos desse porte – além do prazer de competir. Tudo flui melhor quando um atleta aprende a conviver em harmonia com isso tudo.

E o tênis?

Para Federer, talvez tivesse sido melhor enfrentar um rival que lhe exigisse mais. É sempre bom lembrar que o suíço chegou a Wimbledon precisando afiar e calibrar seu jogo. Um eventual duelo com Alexander Dolgopolov pode ser perigoso se o ex-número 1 do mundo não entrar bastante concentrado no que precisa fazer. De qualquer modo, seria ótimo para Federer ser mais testado antes das oitavas.

A chuva

O mau tempo durou pela maior parte do dia em Wimbledon, e o torneio nem chegou perto de completar o que havia programado para esta quarta-feira.

Quem estava na Quadra Central, como Djokovic e Radwanska, se deu bem. O resto do pessoal teve de lidar com a espera e as seguidas mudanças no horário previsto para o recomeço das partidas. Muita gente ainda nem tinha terminado seu jogo de estreia quando sérvio e polonesa já haviam avançado para a terceira rodada.

Na Quadra Central

Quem abriu a programação foi Agnieszka Radwanska (#3), que não encontrou grandes problemas para fazer 6/2 e 6/1 em cima da ucraniana Kateryna Kozlova (#97) e avançar à terceira rodada. Em seguida, Novak Djokovic (#1) avançou sem drama contra o francês Adrian Mannarino (#55): 6/4, 6/3 e 7/6(5).

Tudo foi tão rápido na Central que depois de Federer x Willis, a organização encaixou Belinda Bencic x Tsvetana Pironkova. E a suíça fez 6/2 e 6/3 tão rápido que mais uma partida foi jogada lá. Eugenie Bouchard x Magdalena Rybarikova, que já havia começado em uma das quadras externas. A canadense completou seu triunfo por 6/3 e 6/4 e também avançou.

Correndo por fora, nas quadras de fora

Ainda valendo pela primeira rodada, Bernard Tomic (#19) finalmente fechou o jogo de cinco sets contra Fernando Verdasco (#53) por 4/6, 6/3, 6/3, 3/6 e 6/4; Tomas Berdych (#9) completou o triunfo sobre Ivan Dodig (#74) por 7/6(5), 5/7, 6/1 e 7/6(2); e Dominic Thiem (#8), pouco antes de voltar a chover, deu por encerrado o jogo contra Florian Mayer (#80), fazendo 7/5, 6/4 e 6/4.

Entre as mulheres, Petra Kvitova (#10) nem precisou de muito tempo para eliminar Sorana Cirstea (#85): 6/0 e 6/4 em menos de uma hora de duelo.

Alguns jogos interessantes de primeira rodada que ainda não terminaram são Isner x Baghdatis e Bacsinszky x Kumkhum. Este último, aliás, nem começou, assim como Makarova x Larsson, Mladenovic x Sasnovich e Niculescu x Krunic. No total (vide tweet acima), 28 tenistas ainda estão disputando ou por disputar a primeira rodada.

O brasileiro

O adversário de Novak Djokovic na terceira rodada ainda é desconhecido… Thomaz Bellucci ganhou uma noite para tentar encontrar uma maneira de virar o jogo contra Sam Querrey. Nesta quarta, depois de um primeiro set equilibrado até o nono game, o americano conseguiu a quebra para fechar a parcial e já abriu o segundo set com 3/0 e boa vantagem. Quando a partida foi interrompida, o placar mostrava 6/4 e 5/2 para Querrey, com Bellucci no saque.

O café da Judy Murray

Quando dizem que em Wimbledon é possível tomar o cappuccino da Judy Murray, não estão falando do sabor preferido da mãe de Andy e Jamie. É um cappuccino com a imagem da mãe mais famosa do tênis. Impressionante.

Antes da estreia

Parece seguro afirmar que o cappuccino da Tia Judy sai da máquina melhor que o que seu filho e Bruno Soares andaram preparando…

Os melhores lances

Por tudo envolvido no conto de fadas, Marcus Willis leva o “ponto do dia” aqui no Saque e Voleio. Justo, não?


Wimbledon, dias 1 e 2: uma história fantástica, chuva e ameaças de morte
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Alexandre Cossenza

Não foi possível publicar um texto só do primeiro dia (problemas pessoais), então o resumaço de hoje traz logo tudo sobre o que rolou na segunda e na terça-feira no Torneio de Wimbledon. Foram poucas zebras e é cedo para grandes conclusões sobre o que esperar da segunda semana, mas já temos a história espetacular do britânico Marcus Willis e ameaças de morte ao sul-africano Kevin Anderson. Ah, sim: como é Londres, já choveu e atrasou a programação.

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Os favoritos

Entre as mulheres, Garbiñe Muguruza, número 2 do mundo, foi a primeira a estrear e vencer. Mostrou um tênis sólido, apesar de perder um set para a a perigosa Camila Giorgi (#67), e avançou por 6/2, 5/7 e 6/4. O mesmo valeu para Serena Williams, que não foi tão exigida, mas deu conta do recado, aplicando 6/2 e 6/4 sobre a qualifier suíça Amra Sadikovic por 6/2 e 6/4.

Na chave masculina, Novak Djokovic abriu a programação da Quadra Central derrotando o convidado britânico James Ward (#177) por 6/0, 7/6(3) e 6/4. O encontro parecia um passei de Djokovic até o 6/0 e 3/0, mas o sérvio perdeu um serviço na segunda parcial e deixou Ward equilibrar as ações por algum tempo. Ainda assim, foi uma apresentação digna do número 1 do mundo.

Roger Federer (#3), por sua vez, teve mais trabalho diante uma bela e surpreendente atuação do argentino Guido Pella (#52). Ainda sem mostrar seu melhor tênis, o suíço precisou de dois tie-breaks (e saiu de um desconfortável 0/30 no 5/6 no segundo set) para fazer 7/6(5), 7/6(3) e 6/3. Não deixa de ser preocupante para os fãs do suíço. Com uma devolução (fundamento quase deixado de lado por tenistas que passam boa parte da carreira jogando Challengers no saibro) um pouco melhor, Pella poderia ter complicado muito mais a vida do ex-número 1.

Se serve de consolo, vale o número de 4 mil winners registrados pelo torneio. Além disso, talvez se aplique aqui o velho e verdadeiro clichê: torneios não se ganham na primeira rodada. Logo, Federer tem tempo para trabalhar em seu jogo e chegar mais afiado na segunda semana.

Por fim, já nesta terça-feira, Andy Murray (#2) fez o que tinha que fazer, derrotando o também britânico Liam Broady (#235), wild card, por 6/2, 6/3 e 6/4. Nada muito a comentar aqui, a não ser pelos 31 winners em 27 games, o que pode ser considerado um número bom para o vice-líder do ranking.

Cabeças que rolaram

Ana Ivanovic (#25), com uma lesão no punho, descobriu tarde demais que não deveria nem ter entrado no torneio. Acabou eliminada pela qualifier russa Ekaterina Alexandrova, número 223 do ranking, por 6/2 e 7/5. Ainda na segunda-feira, Irina Begu (#27) tombou diante da alemã Karina Witthoeft (#109) por 6/1 e 6/4.

Na chave masculina, lembram de Gael Monfils (#16), o cidadão que pegou as chaves mais fáceis do mundo em Indian Wells, Miami e Monte Carlo? Pois é, o francês foi eliminado pelo compatriota Jérémy Chardy (#34) em cinco sets: 6/7(4), 6/0, 4/6, 6/1 e 6/2. O placar, que não pode ser considerado uma grande zebra (nem pequena, talvez?), marca a terceira derrota seguida de Monfils, que vai chegar a dois meses sem uma vitória.

Outro cabeça eliminado na segunda-feira foi Pablo Cuevas (#24), derrotado pelo russo Andrey Kuznetsov (#42) também em cinco sets: 6/3, 3/6, 5/7, 6/3 e 6/4. Também não seria surpresa, mas o uruguaio vinha embalado por uma final em Nottingham, onde foi vice-campeão.

A ameaça de morte

Outro cabeça de chave masculino que deu adeus precoce foi Kevin Anderson (#25), que esteve vencendo por 2 sets a 0 e levou uma virada inesperada de Denis Istomin (#116): 4/6, 6/7(13), 6/4, 7/6(2) e 6/3. O resultado trouxe duas consequências imediatas: dentro do campo esportivo, um caminho menos complicado para David Goffin (e, talvez, para Milos Raonic); fora dele, ameaças de morte para o sul-africano eliminado.

Normalmente, comentários desse tipo vêm de pessoas que apostaram e perderam alguma quantia de dinheiro na partida.

Correndo por fora

A segunda-feira feminina foi um resultado de poucas surpresas e contou com vitórias de Venus Williams, Angelique Kerber, Madison Keys, Karolina Pliskova, Simona Halep e Sabine Lisicki. A única desse grupo a precisar de três sets foi Pliskova, que levou um pneu bateu Yanina Wickmayer em um terceiro set longo e dramático, com parciais de 6/2, 0/6 e 8/6. Vale lembrar que a tcheca foi campeã em Nottingham, vice em Eastbourne e está bem cotada em Wimbledon.

Entre os homens, Kei Nishikori e Milos Raonic também confirmaram seu favoritismo sem drama além do necessário. O japonês fez 6/4, 6/3 e 7/5 em cima do perigoso (na grama) Sam Groth (#124), enquanto o canadense eliminou o espanhol Pablo Carreño Busta (#46) por 7/6(4), 6/2 e 6/4.

Na terça-feira, duas boas notícias logo cedo. Primeiro, Nick Kyrgios (#18) bateu Radek Stepanek (#121) em uma partida divertida e com variações e marcou um duelo interessantíssimo com Dustin Brown (wild card, #85), que superou Dusan Lajovic (#82) em cinco sets: 4/6, 6/3, 3/6, 6/3 e 6/4. Pouco depois, Stan Wawrinka (#5) bateu Taylor Fritz (#65) em quatro sets, enquanto Juan Martín del Potro (#165) superou Stéphane Robert (#79) em três. Suíço e argentino farão certamente o duelo mais esperado da segunda rodada.

Outros nomes importantes a vencerem na terça-feira foram Jo-Wilfried Tsonga (#12) e Richard Gasquet (#10), que não perderam sets contra Iñigo Cervantes e Aljaz Bedene, respectivamente.

Na chave feminina, Dominika Cibulkova (#18) bateu Mirjana Lucic-Baroni (#53) por 7/5 e 6/3 e conquistou sua sexta vitória consecutiva. A eslovaca, afinal, foi campeã do WTA de Eastbourne, único torneio de que participou na grama este ano. Quem também avançou foi Svetlana Kuznetsova (#14), que triunfou no esperadíssimo duelo com Caroline Wozniacki (#45) por 7/5 e 6/4.

A chuva

Ela apareceu no segundo dia do torneio, já provocando um punhado de adiamentos. Radwanska x Kozlova, Kvitova x Cirstea e Bencic x Pironkova foram alguns dos jogos cancelados antes mesmo do início na chave feminina.

Entre os homens, destaque para quatro jogos que foram interrompidos. Fernando Verdasco (#53) e Bernard Tomic (#19) começariam o quinto set na Quadra 2; Tomas Berdych liderava por 2 sets a e 4/1 contra Ivan Dodig na Quadra 18; Alexander Zverev tinha 6/4, 6/3 e 3/0 sobre Paul-Henri Mathieu na Quadra 16; e Dominic Thiem e Florian Mayer ainda estavam no quarto game do primeiro set na Quadra 3.

A organização pelo menos incluiu uma partida extra na Quadra Central: Coco Vandeweghe x Kateryna Bondarenko. A americana (#30), quadrifinalista de Wimbledon no ano passado e campeã em ‘s-Hertogenbosch este ano, levou a melhor por 6/2 e 7/6(3).

Os brasileiros

Thomaz Bellucci (#62) finalmente voltou a venceu um jogo na grama. Depois de cinco anos de seca, o número 1 do Brasil aproveitou o sorteio favorável e derrotou em cinco sets o qualifier belga Ruben Bemelmans (#193) por 3/6, 6/4, 6/3, 1/6 e 8/6, em 2h43min. Na próxima rodada, o paulista vai enfrentar o americano Sam Querrey (#41), que vem de vitória dramática sobre Lukas Rosol (#73): 6/7(6), 6/7(5), 6/4, 6/2 e 12/10.

Rogerinho (#89) também jogou cinco sets, mas sucumbiu diante de Nicolás Almagro (#47) por 6/3, 7/6(6), 5/7, 3/6 e 6/3. Teliana Pereira (#88), por sua vez, venceu pela primeira vez na carreira um set em uma chave principal na grama, mas acabou derrotada pela americana Varvara Lepchenko (#64): 5/7, 7/6(3) e 6/2. A pernambucana deve perder algumas posições no ranking, mas vale citar por curiosidade que ela ficará à frente de Maria Sharapova. Atual número 37 do mundo, a russa que tem 780 pontos descontados por não jogar em Wimbledon e ficará, na melhor das hipóteses, no 94º posto.

A melhor história

Marcus Willis, juvenil de talento, perdeu a motivação para o tênis, engordou muito, não teve sucesso como profissional e vinha dando aulas no Warwick Boat Club. Pensou em aceitar uma proposta para ser treinados nos EUA, mas a namorada disse a ele que não fosse. Número 772 do mundo, Willis passou pelo pré-qualifying, depois pelo qualifying, e estreou com vitória na chave principal de Wimbledon ao bater Ricardas Berankis (#54) por 6/3, 6/3 e 6/4.

Vale registrar que até o começo de Wimbledon Marcus Willis somava apenas US$ 292 em prêmios acumulados nesta temporada. Agora, embolsou 50 mil libras e já garantiu um salto de pelo menos 300 posições no ranking. E, para completar o conto de fadas, vai enfrentar na segunda rodada… Roger Federer! A entrevista coletiva do inglês de 25 anos foi imperdível.

Os melhores lances

Que tal esse lob vencedor por baixo das pernas de Nick Kyrgios?


Wimbledon 2016: o guia (versão feminina)
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Alexandre Cossenza

Serena Williams à parte, Wimbledon é sempre um mistério no que diz respeito à chave feminina. As surpresas não foram poucas nos anos recentes, desde Agnieszka Radwanska em 2012 a Garbiñe Muguruza no ano passado, passando por Lisicki e Bouchard e incluindo, é claro, o inesperado título de Marion Bartoli. O que a edição de 2016 reserva? Serena Williams, vice em Melbourne e Paris, voltará a vencer um Slam? Quem seria a principal candidata a pará-la?

Este guiazão de Wimbledon traz uma análise da chave feminina, avaliando os resultados recentes e imaginado o que pode acontecer nas próximas duas semanas. É só rolar a página…

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As favoritas / Quem se deu bem

De forma geral, não dá para dizer que alguém “ganhou” esse sorteio de sexta-feira em Wimbledon. Serena Williams, por exemplo, tem um caminho sem um óbvio nome forte em boa fase, mas tem alguns trechos escorregadios como um possível encontro com Mladenovic na terceira rodada ou Sloane Stephens nas oitavas, onde também pode aparecer Kuznetsova ou Wozniacki. Pelo ranking, a provável rival de Serena nas quartas seria Roberta Vinci, cabeça 6, mas na prática a italiana corre muito por fora. Coco Vandewegue, campeã em ’s-Hertogenbosch e quadrifinalista de Wimbledon no ano passado, parece ser o nome mais interessante aqui.

É a mesma metade da chave onde também estão Radwanska, cabeça 3, e a bicampeã de Wimbledon Petra Kvitova. A polonesa vem em uma série de boas campanhas no Slam da grama (finalista em 2012, semi em 2013 e 2015), enquanto a tcheca não venceu dois jogos seguidos no piso este ano (esteve em Birmingham e Eastbourne), mas convém não esquecê-la completamente.

A seção de Radwanska inclui, além de Kvitova, Caroline Garcia, campeã do WTA de Mallorca (em uma chave fraca, é verdade) e que pode ser sua oponente na terceira rodada. A polonesa ainda pode encarar nas oitavas Dominika Cibulkova, sua algoz e campeã em Eastbourne, ou Johanna Konta, semifinalista no mesmo torneio, mas que nunca venceu um jogo em Wimbledon. Se chegar às quartas, aí sim Aga pode enfrentar Kvitova, mas esse seção também tem Ekaterina Makarova, Andrea Petkovic e Belinda Bencic, cabeça 7, mas que vem de duas derrotas seguidas na estreia (Birmingham e Eastbourne).

A metade de baixo, encabeçada por Garbiñe Muguruza, cabeça 2, não é lá tão boa para a espanhola, que estreia contra Camila Giorgi e pode encontrar Lucie Safarova na terceira rodada e Stosur, Lisicki, Rogers ou Svitolina nas oitavas. Se chegar às quartas, Muguruza ainda pode enfrentar Venus, que pegou um caminho menos turbulento. Se o corpo resistir, a veterana de 36 anos tem uma chance interessante de ir longe.

A outra parte tem Angelique Kerber e Simona Halep, cabeças 4 e 5, respectivamente, mas podemos também chamar essa região de “terra de ninguém”. A romena não esteve em nenhum torneio de grama antes de Wimbledon, e a alemã foi a Birmingham, onde perdeu para Suárez Navarro. Parece a seção ideal para alguém surpreender. Aliás, é nesse bolo que estão Madison Keys, campeã do Premier de Birmingham, e Karolina Pliskova, campeã em Nottingham e vice em Eastbourne. Não por acaso, ambas estão bem cotadas nas casas de apostas.

A incógnita

Wimbledon talvez seja o melhor indicador sobre o que esperar do futuro de Serena Williams. A número 1 do mundo não mostrou o nível altíssimo de tênis que o mundo espera dela nem na final do Australian Open nem na decisão de Roland Garros. Momentos justamente em que a americana sempre brilhou. Sua movimentação não foi a mesma de outros anos. O número de aces – principalmente aqueles em pontos importantes – também diminuiu. Uma derrota precoce em Londres, onde sempre foi ainda mais superior ao resto do circuito, pode dar mais um indício de que o fim está próximo. Será?

O número 1 em jogo

A vantagem obscena na liderança do ranking já se foi. Serena começa sua participação em Wimbledon correndo o risco de perder o posto de número 1. Muguruza, Radwanska, Kerber e Halep podem ultrapassá-la, ainda que seja necessária uma combinação de resultados.

Quem corre por fora

Saindo do óbvio-olhei-o-ranking-e-palpitei, a grama sempre oferece uma chance um pouco maior a tenistas que não estão necessariamente entre os favoritos durante o resto da temporada.

Karolina Pliskova é um desses nomes. A tcheca de 1,86m não tem a melhor movimentação do circuito e precisa estar no comando dos pontos para se dar bem. Seu impressionante saque lhe dá essa vantagem, especialmente na grama. Não é por acaso que a líder de aces na temporada (muito à frente de Serena) foi campeã em Nottingham e vice em Eastbourne. No quadrante de Kerber e Halep, não seria a maior das zebras se Pliskova saísse atropelando até a semifinal.

Quem também corre bem nesse quadrante é Madison Keys, que leva consigo um jogo de muita potência do fundo de quadra. A americana, mais nova integrante to top 10 (a primeira americana a entrar no top 10 desde 1999!), só jogou um torneio na grama e foi campeã em Birmingham, justamente o mais importante do calendário pré-Wimbledon. De novo: não seria grande surpresa se Keys e Pliskova se encontrassem nas quartas de final, deixando Halep e Kerber para trás.

Outro nome interessante para a grama é Coco Vandeweghe, a americana que passou pelo media day com a camisa do Independiente da Argentina. Coco não se encaixa no estereótipo de meninas magrinhas do circuito e talvez não seja a mais rápida das tenistas, mas carrega um saque potente e que lhe dá muitos pontos de graça. Foi assim que cegou às quartas de Wimbledon no ano passado e venceu oito jogos seguidos na grama em 2016, levantando o troféu em ’s-Hertogenbosch. Sorteada em uma seção onde a principal cabeça é Roberta Vinci, Coco pode muito bem alcançar as quartas e encarar Serena Williams. Seria interessante.

A brasileira

Teliana Pereira estreará contra a americana Varvara Lepchenko, número 64 do mundo, que não teve grandes resultados na curta temporada de grama e inclusive soma uma derrota para Laura Robson (sim, aquela!). A brasileira, por sua vez, nem jogou na grama antes de Wimbledon.

A maior ausência

Victoria Azarenka abandonou Roland Garros por causa de uma lesão no joelho e não conseguiu se recuperar a tempo. Na última quinta-feira, véspera do sorteio da chave, a bielorrussa anunciou que não disputaria Wimbledon. Semifinalista em 2011 e 2012, ela seria a cabeça de chave número 6.

A desistência teve consequências consideráveis, jogando Venus para o grupo das oito primeiras cabeças e inserindo Andrea Petkovic entre as pré-classificadas.

Os melhores jogos nos primeiros dias

O óbvio jogo mais interessante da primeira rodada será entre Caroline Wozniacki, que não é cabeça de chave, e Svetlana Kuznetsova, e só deus sabe o que esperar desse encontro. Além disso, a segunda e a terça-feira de Wimbledon terão a suíça Belinda Bencic, cabeça 7, enfrentando Tsvetana Pironkova, aquela que até o ano passado só conseguia resultados bons justamente em Wimbledon. Não dá para descartar o potencial de zebra desse jogo, assim como em Muguruza x Giorgi, que é minha partida preferida nessa lista.

Outros confrontos interessantes são Kvitova x Cirstea, Kerber x Robson e Safarova x Mattek-Sands. Ou seja, não vai faltar o que ver nesse dois primeiros dias.

As tenistas mais perigosas que ninguém está olhando

Quando o assunto é grama e Wimbledon, o padrão é pensar em tenistas altas e que batem forte na bola. Serena, Venus, Kvitova, Sharapova… A lista de campeãs sugere isso. Só que de vez em quando aparece uma baixinha talentosa como Agnieszka Radwanska para mostrar que é possível ir longe no All England Club sem essa potência toda.

Neste ano, há dois nomes que mais ou menos se encaixam aí. Um dele é Dominika Cibulkova, que faz uma temporada de recuperação. Em fevereiro, era a número 66 do mundo. Agora, está em 21º no ranking, somando finais em Acapulco, Madri, Katowice e Eastbourne (campeã nestes dois últimos). Sua chave é que não ajuda muito. Cibulkova pode encarar Bouchard ou Konta na terceira rodada e Radwanska nas oitavas. Em todo caso, fiquemos de olho.

Com 1,64m, Barbora Strycova também entra nesta lista aqui. Pouca altura, muito talento e um jogo inteligente, cheio de variações. A semifinal em Birmingham, onde bateu Karolina Pliskova e Coco Vandeweghe, indica que há chances em Wimbledon. Um eventual duelo de terceira rodada contra Kvitova no All England Club daria uma palavra final sobre isso.

Além disso, uma bicampeã do torneio deveria estar entre as favoritas, mas a temporada desastrosa fez Petra Kvitova sair do top 10 pela primeira vez em três anos. Logo, ela chega a Wimbledon bastante fora do radar e não vai ter tanta gente espantada com um revés logo na primeira rodada diante de Cirstea ou uma eliminação na segunda fase diante de Makarova. Maaaas é Kvitova, é grama e tudo pode acontecer. Não dá para esquecer disso.

Para encerrar a lista, que tal lembrar de Venus Williams, ex-número 1, campeã oito anos atrás e que está de volta ao top 10, mas não chama tanta atenção quanto deveria por causa da idade e dos problemas de saúde? A americana tem uma chave bastante favorável e, levando em conta que os jogos na grama costumam ser mais curtos, existe uma chance considerável de Venus fazer uma (última?) campanha para realmente brigar pelo título.

Onde ver

SporTV e ESPN mostram o torneio. Ano passado, lembremos, o canal da Disney driblou o da Globosat, pagando pelos direitos e aproveitando o sinal da ESPN americana para mostrar mais quadras enquanto o SporTV ficava preso a seu pacote básico. Ninguém deu muitos detalhes ainda de como serão as transmissões deste ano, mas já se sabe que a ESPN mostrará o evento em dois canais (contra um do SporTV). Em todo caso, vale ficar com o controle remoto na mão. Durante o torneio, estarei no Twitter dizendo o que rola em cada canal.

Nas casas de apostas

A prestar atenção nas cotações da casa virtual bet365: Madison Keys é a terceira favorita ao título, e Sabine Lisicki está entre os dez primeiros nomes. Coco Vandeweghe também está ali no meio.


Quadra 18: S02E09
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Alexandre Cossenza

Novak Djokovic é tão favorito como sempre foi? E Roger Federer, pode ser considerado um dos favoritos em Wimbledon este ano? Na grama, quem é a maior ameaça a Serena Williams? E quem foram os maiores beneficiados no sorteio das chaves? São essas e outras perguntas Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu tentamos responder neste especial pré-Wimbledon do podcast Quadra 18. Quer ouvir? É só clicar no player abaixo:

Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse neste link e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Cossenza apresenta o programa pré-Wimbledon
1’30” – Federer é um dos favoritos ao título este ano?
3’00” – É o momento mais vulnerável de Federer em Wimbledon?
4’44” – O que esperar de Djokovic, que ainda não jogou na grama?
6’22” – Djokovic chega a Wimbledon atrás de Murray na lista de favoritos?
7’15” – Como Djokovic vai lidar com a possibilidade de poder fechar o Grand Slam?
8’08” – A volta de Lendl pode fazer Murray voltar a jogar no nível de 2012 e 2013?
9’05” – O nível de Murray hoje é inferior ao de antes ou é Djokovic que dá essa impressão?
10’30” – E quem está na frente de quem na lista dos favoritos?
11’15” – Murray foi o “ganhador” do sorteio?
12’40” – Os melhores jogos da primeira rodada
15’00” – “Djokovic se deu muito mal nesse sorteio”
17’40” – Mais jogos legais de primeira rodada
18’22” – Nishikori chega às quartas para enfrentar Federer?
19’14” – Registro da presença e do feito histórico de Sergiy Stakhovsky
20’35” – As estreias de Bellucci e Rogerinho
22’00” – Palpites para campeão, decepção e zebra
25’00” – Aliny analisa a chave de duplas
27’50” – As quatro duplas com brasileiros e as estreias duríssimas
31’40” – Good Grief (Bastille)
32’19” – Quem são as favoritas na chave feminina?
35’05” – As cotações as casas de apostas
36’35” – As chances de Keys, Kerber e Karolina Pliskova
38’35” – A chave de Muguruza
39’30” – As boas chances de Venus Williams
40’40” – Quem “ganhou” o sorteio? Radwanska?
41’35” – Palpites para campeã, decepção e zebra

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entra Good Grief (Bastille).