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Título de Wimbledon ratifica Novak Djokovic como senhor do tênis na década

Alexandre Cossenza

15/07/2019 04h00

No geral, Roger Federer ainda é o maior vencedor de slams da história, com 20 títulos, e Rafael Nadal é o segundo maior ganhador, com 18. Suíço e espanhol, contudo, viveram muitos dias de glória na década passada. Enquanto Roger foi número 1 do mundo de 2004 a 2008, Rafa somou várias conquistas de 2008 a 2010. Nesta década, porém, o tênis tem um proprietário incontestável: Novak Djokovic.

Desde janeiro de 2011, quando venceu o Australian Open, segundo slam de sua carreira, o tenista sérvio viveu longos períodos de domínio. Foi ele quem mais venceu slams e acumulou tempo como número 1 do mundo. A diferença para seus principais rivais é gritante, e isso fica claro e evidente para quem olha os números dos confronto diretos – Nole tem quase o dobro de vitórias sobre os outros integrantes do Big Four desde a virada da década. Djokovic soma pelo menos 20 vitórias sobre cada um. Apenas Nadal chega a dez triunfos.

O domínio fica ainda mais nítido quando a estatística separa as finais de slam. São quatro vitórias em sete jogos contra Nadal. Diante de Federer, são quatro triunfos em quatro jogos – três deles, na grama de Wimbledon, a "casa" do suíço. Até Murray venceu mais decisões de slam contra Nole. O britânico bateu Djokovic no US Open de 2012 e em Wimbledon/2013. Novak, no entanto, soma sete vitórias em finais sobre Andy.

No número de slams, há um cânion separando o sérvio e os outros: Djokovic venceu 15, incluindo quatro dos últimos cinco, enquanto Rafa soma nove, e Federer, "apenas" quatro. Andy Murray, afastado do circuito por causa de uma lesão no quadril, soma três conquistas.

Esses troféus também significam pontos, e é por isso que Novak Djokovic passou mais do que o dobro de tempo na liderança do ranking do que Nadal, o segundo da lista. São 260 semanas, contra 118 do espanhol. Murray conseguiu ficar 41 semanas no topo, e Federer passou só 25 semanas.

E ele quer mais!

Na cerimônia de premiação deste domingo, após salvar dois match points e superar Roger Federer em uma memorável final de 4h57min – a mais longa decisão de simples da história do torneio – Djokovic deu o recado: disse que Federer, aos 37 anos e jogando em alto nível, é uma inspiração. Por isso, Nole quer esticar a carreira ao máximo.

E não é só isso. A cada grande conquista, Djokovic renova a promessa: ele vai atrás do recorde de slams de Federer. Nesse sentido, a vitória em Wimbledon tem peso significativo. Um revés diante do rival significaria ver a distância subir para seis slams. Com a vitória, "somente" quatro slams os separam.

Novak também já deixou claro que tem outra marca na mira: o recorde de semanas como número 1 do mundo. Atualmente com 260 semanas, ele precisa de mais 50 para alcançar as 310 de Federer. Se chegar ao fim de Wimbledon/2020 no topo do ranking, será o novo recordista.

Coisas que eu acho que acho:

– Djokovic pode alcançar o número de slams de Federer? Claro que pode. É difícil fazer esse tipo de prognóstico porque é impossível prever lesões, doenças e outros contratempos. O que dá para afirmar é que o suíço parecia ter aberto vantagem suficiente quando venceu três slams em 2017-18, no período de baixa de Nole. Até o começo de Wimbledon do ano passado, Roger tinha oito slams a mais. Hoje, são só quatro. Quem ousa dizer que Nole, 32 anos e jogando o tênis mais eficiente do circuito, não pode ultrapassar essa marca? Eu é que não.

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Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.