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Categoria : Resumaço da Semana

Semana 24: o ‘Efeito Lendl’, o novo tropeço suíço e outra volta de Hewitt
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Alexandre Cossenza

Andy Murray foi campeão em Queen’s mais uma vez, enquanto em Halle Roger Federer voltou a conquistar – opa, a história mudou este ano. O suíço, voltando de lesões e ainda sem o ritmo ideal, perdeu no torneio que dominou nos últimos anos. A semana ainda teve André Sá em uma final de ATP 500 e a notícia de mais um retorno às quadras de Lleyton Hewitt. Nem parece que o australiano se aposentou há tão pouco tempo…

O resumaço da semana ainda tem as campeãs dos WTAs de Birmingham e Mallorca, as campanhas dos outros brasileiros, a atualização de status de Rafael Nadal, o recurso de Maria Sharapova (pra manter a esperança de jogar na Rio 2016), um tweet hilário, uma história bizarra e uma aparição imperdível de Federer.

<> at Queens Club on June 19, 2016 in London, England.

Os campeões

No ATP 500 de Queen’s, o assunto (e piada recorrente) foi a volta de Ivan Lendl ao time de Andy Murray, que defendia o título. Coincidência e brincadeiras à parte, o escocês foi campeão do torneio londrino pela quinta vez, derrotando de virada Milos Raonic na decisão: 6/7(5), 6/4 e 6/3.

Vale notar que Raonic não tinha sido quebrado a semana inteira e teve 3/0 de frente no segundo set. Murray, então, conseguiu quatro quebras em oito games, jogando um tênis-de-grama de altíssimo nível, e se tornou o primeiro tenista na história a vencer Queen’s cinco vezes.

De modo geral, foi um belo torneio do britânico que, se não atropelou ninguém, passou por rivais perigosíssimos na grama, como Mahut (na estreia), Cilic (semi) e Raonic, agora treinado por John McEnroe, que estava na beira da quadra. É justo dizer, como sempre, que Murray se coloca como candidatíssimo ao título de Wimbledon, que começa daqui a uma semana.

Vale registrar também um dos momentos mais engraçados da cerimônia de premiação, quando Murray disse que foi legal da parte de Lendl esperar pela cerimônia de premiação. No mesmo momento, as câmeras da transmissão mostraram a cadeira de Lendl vazia. Sim, ele já tinha ido embora.

No ATP 500 de Halle, a final dos azarões foi vencida por Florian Mayer, que bateu Alexander Zverev por 6/2, 5/7 e 6/3. Atual número 192 do ranking, o alemão entrou no torneio graças ao ranking protegido e passou por um caminho cheio de espinhos. Bateu Baker, Seppi, Thiem e Zverev, contando ainda com uma vitória por W.O. sobre Nishikori.

Foi o segundo título na carreira de Mayer, que tinha sido campeão quase cinco anos atrás, em Bucareste. Com o resultado, ele voltará ao top 100, o que é algo muito bacana para um veterano de 32 anos que vem sofrendo com lesões, mas não desiste de brigar por seu lugar em torneios grandes.

O cabeça 1 do torneio era Roger Federer, que caiu diante de Zverev nas semifinais (mais sobre isso abaixo), e o o segundo cabeça era Nishikori, que desistiu por causa de dores em uma costela.

As campeãs

No WTA Premier de Birmingham, Madison Keys conseguiu dois feitos importantes na semana. Primeiro, garantiu sua entrada no top 10. Ela será a primeira americana a entrar no grupo de elite desde 1999, quando Serena Williams fez sua estreia entre as dez melhores. Depois, Keys conquistou o título do evento britânico ao derrotar Barbora Strycova por 6/3 e 6/4 na decisão.

Não só pelo título, mas a americana de 21 anos se coloca como nome forte em Wimbledon por seu jogo de potência, algo que a compatriota Coco Vandeweghe também mostrou em Birmingham. Coco, aliás, também foi campeã em ’s-Hertogenbosch e chegou a somar oito triunfos seguidos na grama antes de levar a virada de Strycova na semifinal.

A lembrar sobre Birmingham: a cabeça 1, Agnieszka Radwanska, foi eliminada por Vandeweghe na estreia; Angelique Kerber, cabeça 2, foi batida por Carla Suárez Navarro nas quartas; e Petra Kvitova, bicampeã de Wimbledon, caiu diante de Jelena Ostapenko na segunda rodada. Keys era cabeça 7 e, na campanha até o título, passou por Babos, Paszek, Ostapenko, Suárez Navarro e Strycova.

No WTA International de Mallorca, Caroline Garcia venceu pela segunda vez em 2016 um dos chamados torneios “de aquecimento”. A francesa, campeã também em Estrasburgo, conquistou o modesto evento espanhol ao bater na decisão Anastasija Sevastova por 6/3 e 6/4.

Cabeça de chave 6, Garcia passou por Witthoeft, Friedsam, Ivanovic (cabeça 3), Flipkens e Sevastova no caminho até o título. A cabeça 1, Garbiñe Muguruza, tombou logo na estreia, diante de Flipkens, enquanto a cabeça 2, Jelena Jankovic, foi eliminada por Sevastova.

O suíço

Roger Federer não chegará a Wimbledon como favorito. Longe de descartar uma conquista do suíço em Londres, mas não é o que suas atuações em Stuttgart e Halle indicaram. O ex-número 1 esteve errático, mais impaciente do que o normal e sofreu derrotas para Dominic Thiem (teve dois match points em Stuttgart) e Alexander Zverev, jovens talentosos da #NextGen, a hashtag preferida da ATP.

Como escrevi na semana passada, era de certa forma esperada essa inconstância do suíço, que ficou tanto tempo sem competir e voltou logo na temporada de grama, quando os pontos são mais curtos e é difícil adquirir ritmo. Ainda assim, é estranho ver Federer tendo problemas em um piso no qual seu jogo flui com mais facilidade e seu serviço é muito eficiente.

De qualquer forma, ele ainda tem mais uma semana para calibrar golpes aqui e ali antes de Wimbledon. Também espera-se que a primeira semana do Slam da grama sirva de “aquecimento” para os jogos realmente duros. É nesse momento que Federer precisará de seu melhor tênis.

O imortal

Conhecido por nunca desistir de uma partida, Lleyton Hewitt nunca fez mais justiça ao rótulo de imortal. Aposentado em janeiro e desaposentado logo depois para disputar a Copa Davis, o ex-número 1 do mundo igualará em Wimbledon a marca de Michael Jordan, com dois retornos à profissão. Sim, Hewitt recebeu um wild card para disputar a chave de duplas ao lado do compatriota Jordan Thompson.

Resta saber se é um convite “isolado” ou se teria alguma relação com a possibilidade de Hewitt receber mais um wild card para disputar os Jogos Olímpicos ao lado de Thompson. Será?

Os brasileiros

O grande nome do país na semana foi André Sá, que jogou em Queen’s com o australiano Chris Guccione. Os dois eliminaram Bruno Soares e Jamie Murray nas quartas de final e foram vice-campeões do torneio, só perdendo para Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert por 6/3 e 7/6(5). Marcelo Melo também jogou o ATP 500 londrino. Ele e Juan Martín del Potro derrotaram Feliciano e Marc López na estreia, mas foram superados por Herbert e Mahut nas quartas.

No circuito Challenger, em Blois, França (42.500 euros), Thiago Monteiro abandonou o torneio após vencer a primeira rodada por causa de dores nas costas. O cearense explicou que o incômodo começou na semana anterior, em Bordeaux, e que achou melhor tratar o local e se preparar para o qualifying de Wimbledon. Também em Blois, Guilherme Clezar eliminou o cabeça de chave 1, Albert Montañés, mas perdeu na segunda rodada para o holandês Antal Van Der Duim.

Em Perugia, Itália (42.500 euros), Rogerinho foi eliminado nas quartas de final pelo esloveno Blaz Rola: 7/6(4) e 6/2; e Marcelo Zormann, que entrou como lucky loser, perdeu na estreia para o italiano Marco Cecchinato. Em Poprad-Tatry, Eslováquia (42.500 euros), André Ghem também perdeu nas oitavas, sendo superado pelo espanhol Rubén Ramírez Hidalgo.

No ITF de Sumter, EUA (US$ 25 mil), Gabriela Cé foi eliminada na estreia pela australiana Olivia Rogowska: 6/3 e 6/3. Luisa Stefani, que venceu três jogos no quali, foi mais longe e caiu nas oitavas de final diante da mexicana Renata Zarazua por 7/6(3) e 6/4. Em Minsk, outro ITF de US$ 25 mil, Laura Pigossi estreou derrubando a russa Polina Leykina, cabeça de chave 2, por 6/0 e 6/3, mas caiu nas oitavas de final, superada pela grega Valentini Grammatikopoulou: 6/0 e 6/1.

A apelação de Sharapova

Na terça-feira, a Corte de Arbitragem do Esporte (CAS) anunciou que Maria Sharapova havia apelado de sua suspensão de dois anos por doping. A tenista pede que o período de suspensão seja eliminado ou, pelo menos, reduzido. Segundo a CAS, o recurso será julgado rapidamente, com uma decisão a ser divulgada até o dia 18 de julho. Sim, daria tempo de Sharapova participar dos Jogos Olímpicos, mas apenas se o período da suspensão for reduzido para seis meses. A ver como a CAS analisa a questão.

Rumo ao Rio

Para quem estava preocupado com a participação de Rafael Nadal nos Jogos Olímpicos Rio 2016, uma boa notícia. Seu tio afirma que Rafa estará recuperado a tempo de brigar por medalhas. O plano é voltar às quadras no Masters de Toronto e, depois, rumar para o Brasil.

Vale lembrar que, se tudo correr conforme os planos, Nadal disputará três medalhas no Rio: simples, duplas (com Marc López) e duplas mistas (ao lado de Garbiñe Muguruza).

O melhor tweet

Em Londres e presenciando toda especulação em torno do rendimento de Andy Murray pós-retorno de Ivan Lendl, Bruno Soares soltou o melhor tweet da semana.

Em tradução livre, o mineiro disse estar sentindo seu tênis melhor porque Lendl voltou com Andy, que é irmão de Jamie, que é seu parceiro.

O relato bizarro

A chilena Andrea Koch Benvenuto foi suspensa por três meses após uma série de violações do código de conduta da ITF durante um torneio em São José dos Campos (SP). A tenista foi condenada a pagar US$ 500 de multa, além de US$ 199 equivalentes ao valor do telefone celular do supervisor do torneio que ela quebrou quando foi questionar sua desclassificação. Taí algo que não se vê todo dia…

Leitura obrigatória

Indicação da Diana Gabanyi, a entrevista de Simon Briggs com Andy Murray não é tão reveladora assim, mas traz números e declarações interessantes do atual número 2 do mundo – inclusive a frase sobre Ivan Lendl, inserida no título. Murray diz que precisava de alguém que lhe dissesse que era ok perder em vez de classificar derrotas em finais de Slam como um desastre. Leiam!

Fanfarronice da semana

Não tem nada de publicitário na foto, mas vale o registro porque foi “apenas” Roger Federer trollando a foto de Sergiy Stakhovsky como o ucraniano trollou com seu Wimbledon em 2013.


Semana 23: retornos de Federer e Lendl, Sharapova suspensa e Thiem campeão
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Alexandre Cossenza

Roger Federer voltou, mas Rafael Nadal desistiu de Wimbledon. Andy Murray anunciou o retorno da parceria com Ivan Lendl, enquanto Maria Sharapova foi condenada a dois anos de suspensão por doping. Enquanto isso, a temporada de grama começou com torneios pequenos, mas alguns resultados já bastante interessantes. Vamos lembrar o que rolou?

Thiem_Stuttgart_ATP_blog

Os campeões

No ATP 250 de Stuttgart, que só terminou nesta segunda-feira por causa da chuva, o título é de Dominic Thiem, o rei dos 250. Depois de salvar dois match points e bater Roger Federer na semifinal, o austríaco selou a conquista com vitória de virada sobre Philipp Kohlschreiber: 6/7(2), 6/4 e 6/4.

O talentoso jovem de 22 anos, atual número 7 do mundo, é quem mais venceu jogos em 2016. Até agora, são 45 vitórias na temporada. Trata-se de um raro caso de tenista top 10 com calendário de #50 do mundo, jogando uma semana após a outra. Thiem, aliás, não soma ponto nenhum com o título deste fim de semana, já que possui quatro conquistas em ATPs 250 em sua somatória atual. Stuttgart só vai contar alguma coisa no fim de julho, quando caírem os pontos de Umag (isso se Thiem não decidir jogar mais uma vez o ATP croata!).

Com seu primeiro título na grama, Thiem, que só teve três semanas de folga em 2016 (vide tuíte acima), agora entra na pequena lista de nove tenistas que venceram torneios nos três pisos (dura, saibro e grama) na mesma temporada. Este ano, o austríaco já foi campeão em Buenos Aires (saibro), Acapulco (dura), Nice (saibro) e, agora, Stuttgart (grama).

Em ’s-Hertogenbosch, Nicolas Mahut foi campeão pela terceira vez, completando nesta segunda-feira a vitória sobre Gilles Muller por 6/4 e 6/4. O francês de 34 anos, que perdeu a liderança do ranking de duplas, também venceu o torneio de grama holandês em 2013 e 2015.

As campeãs

No WTA International de Nottingham, a tcheca Karolina Pliskova, cabeça de chave 1, levantou o troféu depois de derrotar Alison Riske por 7/6(8) e 7/5. No primeiro set, Pliskova teve de salvar seis set points – três deles no tie-break. Aliás, tie-breaks não faltaram na semana. Foram quatro deles em cinco jogos, e a tcheca venceu três.

Em ’s-Hertogenbosch, outro WTA International, a americana CoCo Vandeweghe bateu a francesa Kristina Mladenovic na final por 7/5 e 7/5 e conquistou o título. Foi sua segunda conquista no torneio holandês, que venceu também em 2014, quando não perdeu nenhum set.

Não foi um torneio bom para as favoritas. A cabeça 1, Belinda Bencic, foi superada por Mladenovic nas semifinais, enquanto a segunda pré-classificada, Jelena Jankovic, foi eliminada na segunda rodada pela russa Evgeniya Rodina.

O retorno

As atuações mais aguardadas da semana foram de Roger Federer, que fez seu retorno às quadras. O suíço, que pouco jogou desde que uma cirurgia no joelho depois do Australian Open, apareceu em Stuttgart fora de forma e foi eliminado por Dominic Thiem na semifinal, depois de perder dois match points: 3/6, 7/6(7) e 6/4.

Mesmo nos triunfos sobre Taylor Fritz e Florian Mayer, o suíço esteve longe de seu melhor nível. É compreensível para quem vem de problemas físicos, mas não deixa de ser algo preocupante porque é raro ver Federer atravessar um momento assim na temporada de grama.

Se serve de consolo, a participação em Stuttgart colocou Federer como o segundo maior vencedor de jogos no circuito mundial. Ele ultrapassou Ivan Lendl e agora soma 1.072 vitórias. À sua frente, apenas o americano Jimmy Connors, que jogava todo tipo de torneios em sua época e acumulou 1.256 triunfos.

A “re-união”

Andy Murray e Ivan Lendl anunciaram neste domingo que voltarão a trabalhar juntos. A parceria de sucesso, durante a qual o britânico conquistou dois Slams e uma medalha de ouro olímpica, terminou porque Lendl não queria mais passar tanto tempo viajando o circuito. Segundo o comunicado publicado no site do tenista, Lendl passou os últimos dois anos tratando de operações nos quadris e em um cargo no programa de desenvolvimento de jogadores da USTA.

O texto não deixa explícito, sugere que Lendl vai estar em todos os eventos ao lado de Murray (já foi assim na primeira vez) ao dizer que o novo-velho técnico trabalhará junto ao “técnico full-time de Andy, Jamie Delgado”. Ou seja, Delgado estará presente o tempo inteiro, enquanto Lendl fará aparições aqui e ali e estará junto nos períodos de treino. É o que parece.

Os brasileiros

Em Stuttgart, Bruno Soares jogou com o australiano Joh Peers e caiu nas quartas de final, superado por Oliver Marach e Fabrice Martin: 7/5 e 6/4. André Sá e Marcelo Demoliner foram a ’s-Hertogenbosch, na Holanda. O gaúcho, que fez parceria com o americano Nicholas Monroe, não passou da estreia, sendo superado por Gilles Muller e Frederik Nielsen. O mineiro avançou uma rodada ao lado de Chris Guccione, mas os dois perderam nas quartas para Santiago González e Scott Lipsky.

No circuito Challenger, o melhor resultado do Brasil veio com Thiago Monteiro, em Lyon (64 mil euros). Cabeça de chave número 5, Monteiro aproveitou uma chave que perdeu os cabeças 2 e 3 logo na estreia e avançou até a final, ficando com o vice ao ser superado por Steve Darcis: 3/6, 6/2 e 6/0. Feijão também esteve em Lyon e foi eliminado pelo mesmo Darcis, mas nas semifinais: 6/3, 5/7 e 6/4.

Rogerinho, por sua vez, foi a Praga (42.500 euros) e perdeu nas quartas de final. O brasileiro foi superado pelo austríaco Dennis Novak em três sets: 4/6, 6/1 e 7/6(7). Em Moscou (US$ 75 mil), André Ghem perdeu nas oitavas de final para o qualifier sérvio Miki Jankovic por 7/6(12) e 6/4. Guilherme Clezar, por sua vez, foi a Caltanissetta (106.500 euros), na Itália, e não passou da estreia. Caiu diante de Gianluigi Quinzi por 6/2, 1/6 e 7/6(6).

Entre as mulheres, Laura Pigossi jogou o ITF de Minsk (US$ 25 mil) e perdeu na estreia para a ucraniana Olga Ianchuk, cabeça 7, por 6/3, 3/6 e 7/5. Bia Haddad, que abandonou o ITF de Brescia no dia 2 de junho por causa de um misterioso “incômodo físico” (a assessoria não divulgou o motivo) que a fez retornar ao Brasil imediatamente, anunciou no sábado que está de volta aos treinos.

O doping

Outra grande manchete da semana foi o anúncio da suspensão de Maria Sharapova, que pegou dois anos de gancho e está afastada do tênis por dois anos. A tenista russa prometeu recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS). Na quarta-feira, publiquei aqui mesmo no Saque e Voleio um texto dissecando a decisão do tribunal, que destruiu a defesa da russa. Leia aqui.

Vale também ler o texto da Sheila Vieira, vide tweet abaixo:

A desistência

Não pegou quase ninguém de surpresa, mas não deixa de ser ruim para o circuito. Rafael Nadal, que abandonou Roland Garros depois da segunda rodada por causa de uma lesão no punho, não jogará Wimbledon. O bicampeão do torneio disse que não estará recuperado a tempo de participar do Slam da grama.

Como Nadal já havia dito que sua prioridade este ano seria participar dos Jogos Olímpicos (ele não esteve em Londres 2012 por causa de uma lesão), faz sentido adotar uma postura mais do que cautelosa e pular a temporada de grama. Resta saber se será suficiente para que o espanhol esteja em forma competitiva no Rio. Lesões no punho estão entre as mais delicadas para tenistas.

A briga pelo número 1 nas duplas

Durou pouco o reinado de Nicolas Mahut como duplista número 1 do ranking. Três dias depois de assumir a liderança da lista, o francês já sabia que a posição estava perdida. Com a eliminação de Mahut em ’s-Hertogenbosch, onde jogou ao lado de Bopanna, Jamie Murray voltará à ponta na segunda-feira.

Quando Leander Paes é a vítima

O indiano Leander Paes, que não tem lá muitos amigos no circuito, vem sendo vítima de bullying do compatriota Rohan Bopanna. André Sá, o cúmplice, postou no Twitter uma imagem de Bopanna fingido estar preocupado com sua escolha para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Por estar no top 10, o indiano não só está garantido na competição como, em tese, teria o direito de escolher qualquer parceiro para o torneio olímpico de tênis. Bopanna, portanto, seria a última esperança de Leander Paes para estar nos Jogos Rio 2016. Notem o nome de Paes na manchete do celular. Ô, maldade…

Escrevi “em tese” e “seria” no parágrafo acima porque a federação indiana passou por cima da opção de Bopanna e indicou o nome de Leander Paes, forçando os dois a atuarem juntos. Bopanna não ficou nada contente e escreveu uma carta para a entidade (vide link no tweet abaixo).

Leitura obrigatória

Reportagem publicada no site da Folha de S. Paulo na última quinta-feira. O presidente da CBT Jorge Lacerda, vetou a ex-assessora de Gustavo Kuerten, Diana Gabanyi, de trabalhar nos Jogos Olímpicos Rio 2016. O dirigente escreveu um email ao Comitê atacando a jornalista, dizendo que ela fazia parte de um grupo de oposição que ataca constantemente a CBT. Lacerda também ameaçou não emitir credenciais caso não fosse atendido pelo Comitê. Mesmo depois de dois anos conversando com o Comitê, participando do planejamento para os Jogos e até com salário e data de início acertados, Gabanyi não foi contratada.

O próprio Guga tentou agir em nome de sua ex-assessora, entrando em contato com a Federação Internacional de Tênis (ITF). O presidente da entidade, David Haggerty, levou pessoalmente a situação ao presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, mas a decisão foi mantida. Leia a reportagem na íntegra.

Para ouvir

Djokovic é puro carisma ou é tudo jogada de marketing? O sérvio vai alcançar as 302 semanas como número 1, atual recorde de Roger Federer? O quanto um domínio como o de Nole faz mal ao tênis? Garbiñe Muguruza mostra mais potencial que nomes como Halep, Bouchard e Bencic? Estas e outras perguntas são respondidas no mais recente episódio do podcast Quadra 18, onde Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu batemos um papo bem humorado sobre tênis. Ouça abaixo.

Fanfarronices publicitárias

Depois de uma foto com Michael Jordan, outra com Stephen Curry e uma aparição na Copa América ao lado de Lewis Hamilton e Justin Bieber, Neymar encontrou casualmente (coincidência, claro) com… Serena Williams.

Always be ready for summer. You never know when. @neymarjr will show up

A photo posted by Serena Williams (@serenawilliams) on

Saiba mais (ou não) nesta lista aqui.

O amor

E já que este domingo foi dia dos namorados aqui no Brasil, que tal encerrar o post com uma imagem dos recém-casados Fabio Fognini e Flavia Pennetta?


Semana 20: o embalo de Stan e o que rolou às vésperas de Roland Garros
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Alexandre Cossenza

Com Roland Garros começando já neste domingo, o preparo dos guiazões e a edição do podcast Quadra 18, o resumaço da semana sai um pouco mais curto do que o normal, mas ainda lembra dos campeões do período e de quem ganha embalo às vésperas do torneio francês.

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Os campeões

Em condições normais, Stan Wawrinka nem deveria estar em quadra nesta semana, mas as campanha ruins nos Masters de saibro e a chance de jogar em casa o levaram ao ATP 250 de Genebra. O suíço, então, finalmente conquistou um título em seu próprio país. Neste domingo, Wawrinka derrotou Marin Cilic por 6/4 e 7/6(11), com direito a uma bela virada no segundo set, que o croata vencia por 4/1.

Estar em quadra na véspera do início do Slam francês talvez não seja a preparação ideal para o atual campeão de Roland Garros, mas certamente, como a ATP escreveu em seu site, preenche um buraco no currículo do suíço. Além disso, uma sequência de quatro vitórias antes de um evento tão importante não é nada mau.

No ATP 250 de Nice, o título ficou com Dominic Thiem, o rei dos 250. O austríaco, aliás, também venceu o torneio no ano passado. O garotão de 22 anos, #15 do mundo, agora soma seis títulos na carreira: Nice, Umag e Gstaad no ano passado; e Buenos Aires, Acapulco e Nice este ano. De todos esses, Acapulco foi o único fora do saibro e também o único ATP 500. A final deste sábado foi contra o adolescente alemão Alexander Zverev (#48), de 19 anos, e o placar final mostrou 6/4, 3/6 e 6/0.

As campeãs

No WTA International de Nuremberg, Kiki Bertens derrotou Mariana Duque Mariño por 6/2 e 6/2 na final, que durou pouco mais de uma hora. Foi uma campanha interessante da holandesa, que furou o qualifying e derrotou no caminho até o título a cabeça 1, Roberta Vinci, a americana Iriina Falconi (abandono), e alemã Julia Goerges e, por fim, Duque Mariño, responsável por derrotar a cabeça e, Laura Siegemund.

No WTA International de Estrasburgo, a tenista da casa Caroline Garcia deu à torcida motivo para festejar. A francesa derrotou Mirjana Lucic Baroni na final, por 6/4 e 6/1. Foi seu segundo título na carreira. O anterior veio no WTA de Bogotá do ano passado. No caminho até o título, a tenista de 22 anos eliminou Kirsten Flipkens, Jil Belen Teichmann, Sam Stosur (WO), Virginie Razzano e Lucic Baroni.

A cabeça 1, Sara Errani, caiu logo na estreia diante de Monica Puig, enquanto a segunda pré-classificada, Sloane Stephens, venceu um jogo, mas perdeu nas oitavas para a wild card Pauline Parmentier.

Os brasileiros

Para a maioria dos brasileiros, a semana não poderia ter sido pior. No WTA de Nuremberg, Teliana Pereira (#81) foi eliminada na estreia. A algoz foi a alemã Annika Beck (#42), a mesma que já havia sido derrotada pela brasileira duas vezes este ano. A pernambucana agra soma três vitórias e 13 reveses na temporada.

Em Genebra, Thomaz Bellucci defendia o título e não passou da segunda rodada. O paulista chegou a abrir 3/2 e sacar em 40/15 no primeiro set contra Federico Delbonis, mas não fechou nenhum game depois disso. O argentino venceu dez games seguidos e triunfou por 6/3 e 6/0. Com os pontos não defendidos, Bellucci despencou 18 posições no ranking, saindo do top 50 e indo parar em 57º.

Entre os duplistas, o único que entrou em quadra foi André Sá. Ele e Chris Guccione foram derrotados na estreia em Nice. Os algozes foram os suecos Johan Brunstrom e Andreas Siljestrom, que venceram no match tie-break: 6/2, 5/7 e 10/3.

O breve qualifying brasileiro

No qualifying de Roland Garros, os homens pouco fizeram. Todos acabaram eliminados na primeira rodada. Feijão tombou diante de Andrea Arnaboldi (#174) por 6/3 e 6/2, André Ghem foi superado por Henri Laaksonen (#190) por 7/6(5), 6/7(5) e 6/2, Guilherme Clezar perdeu para Francis Tiafoe (#188) por 1/6, 7/5 e 6/2, e Thiago Monteiro foi derrotado por Ruben Bemelmans (#186) por duplo 6/3.

No qualifying feminino, Paula Gonçalves também perdeu na primeira rodada. Sua algoz foi a holandesa Richel Hogenkamp (#139), que fez 6/3 e 6/4. O único triunfo brasileiro veio com Bia Haddad, que passou pela australiana Olivia Rogowska (#348) por 3/6, 6/3 e 6/4. A paulista, #332 do mundo, foi eliminada na segunda rodada pela americana Jennifer Brady: 6/3 e 6/4.

O doping

A ITF anunciou na sexta-feira que Marcelo Demoliner foi flagrado em um exame antidoping no dia 22 de janeiro, durante o Australian Open. A amostra de urina continha hidroclorotiazida, que faz parte do grupo de diuréticos e agentes mascarantes (aqueles que tornam mais difícil detectar outras substâncias proibidas). Segundo a ITF publicou em seu site, Demoliner admitiu a violação e foi suspenso por por três meses, a contar do dia 1º de fevereiro. O gaúcho perdeu os pontos e o prêmio em dinheiro adquiridos desde o Australian Open.

A chama acesa

Enquanto isso tudo acontecia, Bruno Soares deu um pulo no Brasil para carregar a tocha olímpica em Vitória (ES). Por que Vitória? Porque foi a data que o mineiro conseguiu encaixar em seu calendário antes de embarcar para Roland Garros.

Bruno_Tocha_2016_blog

As desistências

Uma notícia que não se lê todo dia, ou melhor, que nunca se leu antes. Roger Federer decidiu não disputar um Slam. Ainda não recuperado fisicamente, o suíço anunciou que não jogará em Paris. Preferiu não arriscar e disse que, ao não jogar Roland Garros, estará garantindo que poderá atuar pelo resto da temporada e alongar sua carreira. Prometeu voltar nos torneios de grama e disse que estará de volta a Roland Garros em 2017.

Roger Federer é o recordista em Slams disputados de forma consecutiva. Foram 65 deles desde o Australian Open de 2000.

Entre as mulheres, Caroline Wozniacki decidiu não jogar em Roland Garros por causa de uma lesão no tornozelo. Ela se junta na lista de desistências à suíça Belinda Bencic, que vem sofrendo com um problema nas costas.

Fanfarronice publicitária

Na campanha da Peugeot para Roland Garros, Gustavo Kuerten e Novak Djokovic gravaram algumas cenas juntos e, aparentemente, se divertiram bastante nos intervalos. No vídeo abaixo, o sérvio aprende algumas frases em português.


Semana 19: Andy, Serena e as cartas embaralhadas antes de Roland Garros
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Alexandre Cossenza

Murray_Roma_trophy_atp_blog

O aniversariante Andy Murray foi campeão em um grandíssimo Masters 1.000 de Roma, Serena Williams voltou a levantar um troféu e brasileiros como Thomaz Bellucci, Teliana Pereira e Rogerinho viveram bons momentos na última semana.

Este resumaço dos últimos dias no circuito inclui Serena Williams experimentando comida para cachorro, a linda homenagem a Flavia Pennetta, (mais) um anúncio de Juan Martín del Potro, uma discussão entre Stan Wawrinka e Carlos Bernardes, a chave do qualifying masculino de Roland Garros e alguns dos lances mais bacanas do período.

O campeão

Aniversariante do dia, vindo de um vice em Madri e com uma chave fraquíssima em Roma, Andy Murray aproveitou a janela que se abriu. O escocês completou 29 anos e comemorou duplamente após derrotar Novak Djokovic por duplo 6/3 na final do torneio italiano.

O resultado quebrou uma sequência de 17 triunfos do número 1 do mundo contra top 10 e deixou tudo meio que embaralhado no circuito masculino antes de Roland Garros. Afinal, em Monte Carlo, Murray perdeu de Nadal, que em Madri perdeu de Djokovic, que perdeu de Murray em Roma. No papel, o favorito segue sendo o sérvio, mas seria irresponsável não admitir que espanhol e britânico estão fortes na briga.

O título pouco afetou porque, na prática, Murray voltou para a vice-liderança do ranking quando Roger Federer foi derrubado por Dominic Thiem. Agora, no entanto, é oficial: o escocês soma 8.435 pontos no ranking e tem boa vantagem sobre o suíço, #3, que acumula 7.015.

Aliás, ainda paira dúvida sobre a participação de Federer no Slam do saibro. Depois de desistir de Madri e não se mostrar totalmente recuperado em Roma, o ex-número 1 pode precisar escolher e decidir que estar em Roland Garros prejudicará sua preparação para Wimbledon. É na grama do All England Club, afinal, que o suíço tem mais chances de voltar a triunfar em um Major.

A campeã

No Premier 5 de Madri, Serena Williams voltou a vencer um torneio. Foi a 70ª vez em sua carreira, mas é bom lembrar que veio em uma chave esburacada. No caminha até o título, a número 1 superou Friedsam, McHale, Kuznetsova, Begu e Keys. Angelique Kerber, cabeça 2, perdeu na estreia para Eugenie Bouchard, que, por sua vez, perdeu para Strycova na rodada seguinte. Não por acaso, foi campeã sem perder nenhum set.

Just won title number 70 today in Rome… 70 never felt better

A photo posted by Serena Williams (@serenawilliams) on

Apesar do eterno favoritismo de Serena, o circuito feminino também é uma incógnita. Victoria Azarenka saiu de Roma com dores nas costas, e ninguém mais mostrou consistência suficiente para se colocar acima do pelotão-pós-Serena. Do grupo que tem Kerber, Halep, Muguruza, Kvitova, Radwanska e Pliskova (será que ela merece lugar aqui?), tudo pode acontecer.

A número 1 no banheiro

Serena Williams contou a história via Snapchat. Pediu o cardápio de comidas para seu cachorro, achou a comida com uma cara boa e decidiu provar. No fim das contas, foi parar no banheiro achando que ia desmaiar. A coletânea de “snaps” foi parar no YouTube.

Pelo menos a número 1 do mundo entrou em quadra bem de saúde o suficiente para derrotar a compatriota Christina McHale por 7/6(5) e 6/1.

A briga pelo número 1

A disputa pela liderança do ranking de duplas está quentíssima. Marcelo Melo resiste na frente, mas terá a dura tarefa de defender o título de Roland Garros nas próximas semanas. Logo atrás dele estão Nicolas Mahut, Jamie Murray e Horia Tecau. Quem será que sairá de Paris no topo?

Os brasileiros

O grande nome da semana foi Thomaz Bellucci, que deu sorte na chave e, enfim, aproveitou chances. Primeiro, ao derrotar um Gael Monfils em um dia pavoroso. Depois, batendo Nicolas Mahut, que vinha de aprontar uma zebra sobre Pablo Cuevas. E, por último, em uma bela apresentação contra Novak Djokovic. Bellucci aplicou um pneu no set inicial (o sérvio não sofria um 6/0 desde Cincinnati/2012, diante de Federer) e não venceu porque o número 1, um tanto errático na primeira parcial, se aprumou a tempo. No fim, Djokovic fez 0/6, 6/3 e 6/2.

Teliana Pereira voltou a ganhar uma partida e, mais uma vez, sobre Annika Beck. A alemã foi a vítima de duas das três vitórias da brasileira em 2016. Em seguida, valendo vaga nas oitavas de final, Teliana foi superada em dois sets pela espanhola Carla Suárez Navarro, #11, por 6/1 e 7/5. De positivo, a brasileira leva os pontos e uma bela reação na segunda parcial, na qual chegou a estar atrás por 5/1. Depois de começar a semana no 90º posto, Teliana aparece agora em 81º.

No circuito Challenger, Rogerinho foi campeão em Bordeaux (US$ 100 mil) ao bater o americano Bjorn Fratangelo por 6/3 e 6/1 na final. Os 100 pontos conquistados jogam o paulista para o alto, subindo nove posições no ranking e indo parar no 85º lugar. O post deixa Rogerinho perto da zona de classificação para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Roland Garros será a última chance para somar pontos e se colocar entre os 56 primeiros do ranking olímpico (que respeita o limite de quatro atletas por país e exige participação na Copa Davis). Levando em conta os nomes que já anunciaram que não vão ao Rio de Janeiro, a chance de Rogerinho nem é tão pequena assim…

Thiago Monteiro, André Ghem e Feijão também estavam em Bordeaux. Feijão não passou do quali, Monteiro perdeu nas oitavas e Ghem caiu nas quartas.

No mundo dos ITFs femininos, Paula Gonçalves e BIa Haddad disputaram o torneio de Saint-Gaudens, na França. Bia furou o quali, mas caiu na estreia. Paula foi mais longe e só parou nas semifinais, superada pela grega Maria Sakkari, cabeça de chave 2 do evento. A russa Irina Kromacheva foi campeã.

Por fim, no ITF de La Marsa (US$ 25 mil), Laura Pigossi furou o qualifying sem jogar (era cabeça 1 numa chave de 16 com 15 participantes e oito vagas na chave), e foi eliminada por uma tenista que jogo o quali. A algoz foi a cazaque Galina Voskoboeva, que aplicou 6/1 e 6/4.

A separação

A grande notícia da semana foi a separação de Andy Murray e sua (ex) técnica, Amélie Mauresmo. O anúncio veio logo na segunda-feira, sem dizer de quem tinha sido a decisão. Pouco depois, o Daily Mail publicou as primeiras frases do tenista sobre o assunto. O escocês disse que não estava dando certo porque os dois vinham passando pouco tempo juntos (Mauresmo teve filho recentemente). Leia aqui, em inglês.

A homenagem que faltava

Quando disputou seu último jogo oficial, no fim do ano passado, Flavia Pennetta pegou a raqueteira e deixou a quadra. Sem cerimônia, sem vídeo no telão, sem muito obrigado… Nada. O torneio de Roma não deixou passar e fez a homenagem que a campeã do US Open merecia. A WTA publicou um vídeo com 28 minutos do que aconteceu na terça-feira, na capital italiana.

O mal-entendido

Mais uma polêmica envolvendo um tenista top e o árbitro brasileiro Carlos Bernardes. O juizão aplicou uma advertência no tenista suíço por “obscenidade audível”, mas Stan ficou furioso. Segundo o campeão de Roland Garros, a frase que Bernardes pensou conter um “fuck” foi, na verdade, “why do we practice so much?”. Wawrinka ainda perguntou “você quer ver a câmera e ouvir?” e “como você pode me dar uma advertência por isso?”

Bernardes disse que ouviria a gravação e que, se estivesse errado, pediria desculpas e Wawrinka não seria multado. O suíço, que havia perdido o primeiro set, só perdeu mais dois games depois da discussão e derrotou o francês Benoit Paire por 5/7, 6/2 e 6/1, avançando às oitavas de final.

Sem Roland Garros

Juan Martín del Potro não disputará o Slam do saibro. Em mensagem aos fãs, o argentino disse que “por causa da evolução mostrada nas últimas semanas”, conseguirá pela primeira vez jogar um grupo de torneios em sequência. Por isso, começará logo os treinos na grama. Delpo não confirmou os torneios, mas disse que espera terminar a série juntando-se ao time da Copa Davis.

Soa um tanto estranho quando um tenista diz que houve “evolução” em uma condição física e que vai poder fazer uma sequência de torneios, mas, ao mesmo tempo, acha melhor desistir de um evento tão importante. Resta torcer para que Del Potro esteja falando a verdade e que, no futuro, não precise mais deixar de competir em um Slam.

Lances bacanas

Era só um treino, mas Gael Monfils consegue transformar tênis no concurso de enterradas da NBA…

Na curiosa partida entre David Ferrer e Filippo Volandri, aconteceu este ponto maluco que nem tento descrever. Veja abaixo.

Volandri, que começou a semana como #203 e precisou passar pelo qualifying em Roma, não jogava uma chave principal de nível ATP desde Gstaad/2014. Aos 34 anos, o italiano não vence um jogo neste nível desde Buenos Aires/2014, quando bateu o qualifier Christian Garin. Já são 13 derrotas consecutivas, incluindo o revés diante de Ferrer, #9, por 4/6, 7/5 e 6/1.

As opções eram muitas no jogaço de quartas de final entre Djokovic e Nadal, mas que tal lembrar do ponto que decidiu o primeiro set?

A melhor história

Não é a melhor, mas talvez seja a mais curiosa. A revista americana Sports Illustrated perguntou a tenistas, técnicos, blogueiros e todo tipo de gente envolvida com o tênis se não seria melhor um sistema diferente de pontuação. A publicação sugere uma contagem em que cada set seria até 24 pontos, mais ou menos como em um enorme tie-break. A ideia é se desfazer do sistema de games. Você pode ler a repostagem aqui, em inglês.

A maioria não foi a favor, mas muitos ficaram intrigados com as mudanças que um novo sistema de pontuação provocaria no tênis. É, também o meu caso, embora eu ache os argumentos usados pela Sports Illustrated fraquíssimos.

Os posts da semana

Dois momentos marcantes do Masters 1.000 de Roma foram o pneu aplicado por Bellucci sobre Djokovic e o jogaço entre o número 1 do mundo e Rafael Nadal. Sobre o brasileiro, escrevi sobre o que chamo de sua “luta interna” neste post. Quando à suposta final antecipada (para alguns), escrevi sobre o significado daquele duelo para sérvio e espanhol neste texto aqui.

O qualifying francês

Enquanto alguns tenistas disputam os últimos ATPs antes de Roland Garros, a turma do qualifying entra em quadra já nesta semana. Entre eles estão Feijão, Ghem, Monteiro e Clezar. Veja a chave inteira aqui.

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Semana 18: Djokovic e Halep vencem, Marcelo volta a #1 e Monteiro sobe mais
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Alexandre Cossenza

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O grande evento da semana aconteceu em Madri, com Novak Djokovic voltando à rotina e Simona Halep vencendo um torneio esburacado. Foi lá também que Marcelo Melo garantiu seu retorno ao posto de duplista número 1 do mundo. Na França, contudo, houve outro brasileiro brilhando: Thiago Monteiro conquistou o forte Challenger de Aix-en-Provence, o maior de sua carreira, e deu um belo salto na lista da ATP.

O resumaço da semana fala sobre tudo isso, mas lembra dos abandonos de Federer e Serena, da gaiatice de Bernard Tomic, da cerveja que Halep distribuiu na sala de entrevistas, da Federação Francesa (que vem sendo investigada) e de uma excelente e reveladora entrevista de Rafael Nadal. O post tem também, claro, vídeos de alguns dos lances mais bacanas dos últimos dias. É só rolar a página…

Os campeões

Novak Djokovic mostrou que a inesperada derrota na estreia em Monte Carlo foi mais um tropeção do que qualquer indício de queda em seu espetacular momento. Na capital espanhola, o número 1 do mundo fez um belíssimo torneio do começo ao fim – inclusive na final, diante de um esforço elogiável de Andy Murray. Por 6/2, 3/6 e 6/3, o sérvio venceu seu 29º Masters 1.000 na carreira.

Murray teve seus momentos e, além de interromper a sequência de 13 vitórias de Rafael Nadal na semifinal, foi o único a tirar um set de Nole em todo torneio. O britânico, vale lembrar, tem 15 vitórias e três derrotas no saibro nas últimas 52 semanas (dois reveses para Djokovic, um para Nadal), e Nadal fez uma semifinal bastante digna, ainda que não tenha aproveitado um punhado de break points.

No ranking (pelo menos), a semana foi boa para Roger Federer, que subiu para #2, embora com o mesmo número de pontos de Murray. Nadal continua como #5 e pequenas chances de superar Wawrinka e chegar a Roland Garros como cabeça de chave número 4 – o que evitaria um confronto com Djokovic antes das semis.

E fica o registro: em Madri, Nole levantou seu 64º troféu na carreira, mesmo número de Bjorn Borg e Pete Sampras. Djokovic fica atrás apenas de Connors, Lendl, Federer, McEnroe e Nadal.

A campeã

O WTA Premier Mandatory de Madri é, no papel, um dos eventos mais fortes do calendário feminino. Na prática, este ano, foi vítima de desistências importantes e palco de resultados nada esperados. O lineup das quartas de final diz bastante: Cibulkova x Cirstea, Chirico x Gavrilova, Halep x Begu e Stosur x Tig.

Quem se deu bem com isso foi Simona Halep (#7), que conquistou o título passando por Doi, Knapp, Bacsinzsky, Begu, Stosur e Cibulkova. E, tirando o pneu sofrido nas quartas, a romena passeou. Não perdeu mais nenhum set, fez 6/2 e 6/4 na final e garantiu seu retorno ao top 5. O torneio também foi bom para Cibulkova, que subirá para #26 e praticamente tem garantida uma vaga de cabeça de chave em Roland Garros.

E que tal a imagem de Halep levantando o nada comum troféu espanhol?

O número 1

Nas duplas, Bruno Soares e Jamie Murray perderam na estreia para Henri Kontinen e John Peers: 6/3, 3/6 e 10/3. O resultado abriu o caminho para que Marcelo Melo recuperasse a liderança do ranking. Com Jamie fora, o mineiro e Ivan Dodig passaram a disputar contra Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert. Quando os franceses foram eliminados na semi, o brasileiro garantiu o retorno ao topo.

Melo e Dodig passaram por Klaasen/Ram, Pospisil/Sock e até tiveram match point na semifinal, mas acabaram derrotados por Rohan Bopanna e Florin Mergea: 7/5, 6/7(4) e 12/10. O título ficou com Jean-Julien Rojer e Horia Tecau, que aplicaram 6/4 e 7/6(5) sobre Bopanna e Mergea na decisão.

Os outros brasileiros

Em Madri, Thomaz Bellucci caiu na estreia diante de Milos Raonic: 7/6(4) e 6/1. A parte curiosa da partida foi ver o canadense no tie-break levantando bola e esperando erros do brasileiro, que deveria ser o tenista mais consistente entre os dois – pelo menos do fundo de quadra. Foi a nona derrota em dez jogos para o brasileiro, que teve seu único triunfo em Munique, graças à desistência do russo Mikhail Youzhny na primeira rodada.

No Challenger de Aix-en-Provence (US$ 100 mil), Thiago Monteiro deu sorte e aproveitou. Estrearia contra Diego Schwartzman, mas o argentino foi campeão do ATP 250 de Istambul na semana anterior e não jogou o Challenger francês. Assim, o cearense avançou na chave, superando David Guez, Julien Benneteau (aquele!), Marek Michalicka e Renzo Olivo antes da decisão. Na final, contra o experiente Carlos Berlocq, conseguiu uma virada, explorando bem o backhand do adversário, e venceu por 4/6, 6/4 e 6/1.

Com a ótima campanha e o maior título de sua carreira, Monteiro, 21 anos, que começou a semana como #189, pulou para #143 e se tornou o #3 do Brasil, deixando para trás André Ghem (#167), Guilherme Clezar (#181) e Feijão (#186). Monteiro, aliás, soma mais pontos que Thomaz Bellucci em 2016. São 342 pontos do cearense contra 225 do paulista, que tem um calendário bem mais exigente e distribui muito mais pontos.

Também no evento francês, Feijão perdeu na estreia para o qualifier croata Nikola Mektic (#321): 7/5 e 6/3. Foi sua quarta derrota nos últimos cinco jogos. Desde a boa campanha em León (foi vice-campeão), perdeu na estreia em Guadalupe, caiu na segunda rodada em São Paulo e foi eliminado na primeira rodada agora, na França. Sua única vitória nos últimos três eventos foi sobre o brasileiro Alexandre Tsuchiya (#698). Rogerinho, por sua vez, parou nas quartas, superado por 2/6, 6/2 e 6/4 por Berlocq. André Ghem caiu nas oitavas (segunda rodada) diante do também argentino Renzo Olivo, que fez 6/1 e 6/2.

No ITF de Cagnes-Sur-Mer (US$ 100 mil), na França, Bia Haddad (#342) conseguiu uma vaga de lucky loser na chave principal e perdeu na primeira rodada para a ucraniana Kateryna Kozlova (#113): 7/6(6) e 6/2.

No ITF de Túnis (US$ 50 mil), Laura Pigossi (#387) tentou o qualifying e venceu dois jogos, mas perdeu na última rodada antes da chave principal. Sua algoz foi a suíça Patty Schnyder (aquela!), que fez 6/1 e 6/4. Hoje com 37 anos, Schnyder, ex-top 10, começou a semana como #451.

O pateta

A “honra” da semana é Bernard Tomic. Ficou surpreso? Não, né? Pois é. Na partida contra Fabio Fognini, com o italiano sacando com match point, o garotão australiano nem quis jogar e segurou a raquete ao contrário, como se fosse rebater a bolinha com o cabo. Foi assim que aconteceu:

Entrevistado pelo Gold Coast Bulletin sobre o momento, Tomic respondeu: “Não me importo com aquele match point – você se importaria se tivesse 23 anos e 10 milhões?” Acho que dispensa comentários.

As desistências

Ser campeão de tudo aos 34 anos não está sendo fácil em 2016. Serena Williams disse que não ia a Madri por causa de uma gripe/virose. Federer, por sua vez, esteve na capital espanhola, mas abandonou na segunda-feira, alegando dores nas costas. Até agora, a americana abandonou quatro eventos neste ano. Federer, por sua vez, deixou de estar em cinco.

Sobre o suíço, escrevi este post na segunda-feira. Eu também tinha feito texto em uma linha parecida sobre Serena Williams umas semanas antes. Leia aqui.

Durante o torneio, o abandono de maior peso foi de Victoria Azarenka, que anunciou sua saída na quarta-feira. A bielorrussa disse ter sentido algo nas costas durante a partida contra Laura Robson, sua estreia no torneio. Vika disse ainda que o incômodo continuou durante a segunda rodada e que não conseguiria competir na quarta-feira. Ela enfrentaria Louisa Chrico nas oitavas de final.

Promessa cumprida

Simona Halep prometeu distribuir cervejas se quatro romenas alcançassem as quartas de final do WTA de Madri. Foi exatamente o que aconteceu. O torneio teve Sorana Cirstea, Irina-Camelia Begu, Patricia Maria Tig e a própria Simona Halep entre as oito que entraram em quadra na quinta-feira. O resultado está no vídeo:

Lances bacanas

Da segunda semifinal de Madri, entre Novak Djokovic e Kei Nishikori. Ilustra bem o que se precisa fazer para ganhar um ponto do número 1 do mundo…

Não foi um lance, mas foi um dos momentos mais emocionantes da semana. Juan Martín del Potro desabou em lágrimas após derrotar Dominic Thiem (#14) por 7/6(5) e 6/3 na primeira rodada do torneio espanhol.

Del Potro, lembremos, vem fazendo seu retorno após seguidas e delicadas cirurgias no punho esquerdo. O argentino, campeão do US Open de 2009, começou a semana passada como apenas o #274 do mundo e disputou o torneio espanhol com ranking protegido.

Kei Nishikori também “estrelou” este ponto fantástico de Nick Kyrgios. O australiano fez um gran willy. Vencedor. De lob.

Sob suspeita

A Federação Francesa de Tênis (FFT), aquela mesma que é sempre citada como exemplo pela CBT, está sendo investigada por suspeita de tráfico de ingressos para o torneio de Roland Garros. Na última terça-feira, a sede da entidade e a casa do presidente, Jean Gachassin, foram alvos de buscas policiais.

A promotoria disse que confiscou “documentos úteis à investigação”, que também avalia o processo de licitação para as obras de expansão do complexo de Roland Garros. A história completa está neste link para o Guardian.

A melhor história

Em Madri, Rafael Nadal concedeu uma bela entrevista ao jornal El Mundo. Na conversa, o espanhol comenta suas sensações em quadra durante o momento ruim (para seus padrões) vivido desde o começo do ano passado até recentemente e fala de como perdeu “o controle” dentro de quadra. Excelente leitura para ajudar a entender o ex-número 1 do mundo. Leia aqui, em espanhol.

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Semana 17: um argentino exemplar e um búlgaro pateta (e Almagro voltou!)
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Alexandre Cossenza

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Cinco torneios pequenos e, mesmo sem os maiores nomes do tênis presentes, muito assunto. Desde o ridículo “abandono” de Grigor Dimitrov em Istambul até o “retorno” de Nicolás Almagro em Estoril, passando por um raro gesto de esportividade protagonizado por Rogerinho. Houve também um forehand voador de Nick Kyrgios, uma bolada de Federico Delbonis em um gato e um processo por injúria. É hora do resumaço da semana, então role a página e fique por dentro.

Os campeões e o idiota

Não dá para ressaltar a conquista de Diego Schwartzman no ATP 250 de Istambul sem, antes, comentar o gesto desprezível de Grigor Dimitrov. O búlgaro, #29, veceu o primeiro set e teve 5/2 no segundo. Sacou para o título no nono game, mas foi quebrado e perdeu a parcial. O argentino, buscando o primeiro título da carreira, disparou no placar. Abriu 5/0 no terceiro set e… Dimitrov enlouqueceu.

Depois de sacar em 40/15 e perder dois game points, o búlgaro, que já tinha sido advertido com um point penalty, foi até o árbitro de cadeira, indicou o que faria e destruiu a raquete. Depois, logo cumprimento o juizão, sabendo que levaria um game penalty e perderia o jogo. Um gesto de frustração, sim, mas de uma deselegância gigante, impedindo que o adversário tivesse o gosto de festejar o match point em seu primeiro título. O vídeo abaixo mostra:

Schwartzman, 23 anos e #87, acabou com o título por 6/7(5), 7/6(4) e 6/0. Seu primeiro troféu em nível ATP o lançou para o 62º posto no ranking mundial e, mais do que isso, deu um recado ao resto do circuito. Se o diminuto argentino, com cerca de 1,60m de altura (a ATP diz 1,70m, mas quem já esteve ao lado do argentino sabe que ele mede bem menos) e nenhum golpe espetacular consegue um título de ATP, muita gente também poderia conseguir.

Era um torneio, digamos, acessível, e Schwartzman aproveitou as chances que o destino lhe jogou. Em vez de reclamar de azar por enfrentar o principal pré-classificado na segunda rodada, colocou na cabeça que Tomic era vulnerável no saibro e entrou em quadra disposto a vencer. Depois disso, bateu Dzumhur, Delbonis e Dimitrov. E tem todos os méritos de qualquer outro campeão.

O ATP 250 de Munique começou com neve (em abril!) e terminou com um campeão caseiro. Philipp Kohlschreiber levantou o troféu depois de superar o austríaco Dominic Thiem (22 anos, #15) por 7/6(7), 4/6 e 7/6(4). Um placar quase redentor para o alemão, que perdeu a decisão do ano passado também em um tie-break de terceiro set – Andy Murray venceu aquele jogo.

Kohlschreiber agora tem sete títulos na carreira. Cinco deles vieram no saibro, e três foram em Munique. Foi lá, aliás, que o alemão – hoje com 32 anos e #25 do mundo após a vitória deste domingo – venceu um torneio pela primeira vez. Foi em 2007, com vitória de virada sobre Mikhail Youzhny na decisão.

Por fim, no ATP 250 de Estoril, Nicolás Almagro “voltou”. O espanhol, hoje com 30 anos, está recuperado de uma cirurgia no pé esquerdo que lhe afundou no ranking em 2014 e lhe fez jogar qualifyings de ATPs e até alguns Challengers. Ao aplicar 6/7(6), 7/6(5) e 6/3 no compatriota Pablo Carreño Busta, Almagro levantou seu primeiro troféu desde 2012.

A conquista não veio sem drama. Almagro sacou duas vezes para o primeiro set e não fechou. Depois, abriu 6/2 no tie-break e perdeu oito pontos consecutivos. Na segunda parcial, sacou em 5/3 e foi quebrado. Mesmo assim, venceu o tie-break, forçou a parcial decisiva e finalmente triunfou. Com os 250 pontos, Almagro ganhou 23 posições no ranking e voltou ao top 50 (é o #48).

As campeãs

No WTA International de Praga, Lucie Safarova encerrou um jejum em grande estilo. Depois de perder na estreia em todos cinco torneios que disputou em 2016, a tcheca se encontrou jogando em casa e levantou o título ao derrotar Sam Stosur por 3/6, 6/1 e 6/4 na final.

Atual vice-campeã de Roland Garros, Safarova (#16) bateu Duque-Mariño, Hradeck, Hsieh e Karolina Pliskova antes da final. E, logo depois, correu para o aeroporto rumo a Madri. O torneio espanhol começou no sábado, e tanto Safarova quanto Stosur tinham a estreia marcada para este domingo.

No WTA International de Rabat, no Marrocos, a suíça Timea Bacsinszky (#15) era a cabeça de chave número 1 e confirmou o favoritismo. Perdeu apenas um set durante toda a semana e levantou o troféu após derrotar a qualifier neozelandesa Marina Erakovic (#186) por 6/2 e 6/1 na final.

Semifinalista de Roland Garros no ano passado, Bacsinszky ainda não tinha um título no saibro na carreira. A conquista em Rabat foi sua quarta em um torneio deste nível.

Os brasileiros

Em Rabat, Teliana Pereira voltou a vencer e bateu a alemã Annika Beck (#41), cabeça de chave 6, na primeira rodada: 6/3 e 6/1. Foi apenas a segunda vitória da pernambucana em 2016 e a primeira contra uma não-brasileira. Nas oitavas, Teliana (#84), caiu diante de Johanna Larsson (#64): 6/4 e 6/4. Como tinha 48 pontos a defender na semana e somou apenas 30, a número 1 do Brasil cai um pouco mais no ranking, indo parar no 89º lugar.

Teliana, aliás, também já foi eliminada do WTA de Madri, que começou no último sábado. Sua algoz foi a americana Sloane Stephens, que fez 3/6, 6/3 e 6/2. A pernambucana agora acumula duas vitórias e 11 derrotas em 2016. No ranking da temporada, ela ocupa apenas o 196º lugar.

Em Munique, Thomaz Bellucci deu sorte na estreia e contou com o abandono de Mikhail Youzhny (#76), que perdia por 6/3 e 1/0 quando deixou a quadra. Nas oitavas, porém, o paulista fez uma partida ruim e perdeu para Ivan Dodig (#75) por 7/6(5) e 6/3. Foi a primeira vez desde abril de 2015 que o croata venceu dos jogos seguidos em uma chave principal de ATP.

Em Estoril, Rogerinho estreou com vitória sobre Benjamin Becker (#92, 6/4 e 6/1) e fez uma boa apresentação nas oitavas, diante de Borna Coric (#40), mas foi eliminado em três sets: 6/3, 4/6 e 6/1. O paulista, que começou a semana como #101 do mundo, ganhou cinco posições e foi parar em 96º.

Na chave de duplas de Munique, Marcelo Melo jogou ao lado do ex-antilhano-agora-holandês Jean-Julien Rojer, apesar de Ivan Dodig, seu parceiro habitual estar nas simples do evento. Fazia frio na estreia, e o mineiro jogou com um coletinho preto de gosto questionável (combinando com short e tênis). Teve até ponto disputado sob neve.

No fim, Melo e Rojer, cabeças de chave 1, foram superados por Oliver Marach e Fabrice Martin: 6/4 e 6/4.

Promessa cumprida

Rafael Nadal prometeu e cumpriu. Na última segunda-feira, entrou na Justiça francesa com um processo contra a ex-ministra do Esporte do país Roselyne Bachelot. No tuíte abaixo, a íntegra do comunicado distribuído a imprensa, que foi amplamente reproduzido no Twitter na segunda-feira. Atenção: está lá o telefone do chefe de imprensa de Rafael Nadal, Benito Pérez-Barbadillo. Quem quiser anotar e bater um papo sobre tênis…

O espanhol também enviou uma carta à ITF, pedindo que a entidade publicasse o resultado de todos testes antidoping a que foi submetido na carreira e toda informação existente em seu passaporte biológico. A entidade, que só divulga os testes em que alguém foi flagrado, resumiu-se a responder à agência Associated Press dizendo que recebeu a carta e que Nadal nunca testou positivo.

Lances bacanas

Em Estoril, Nick Kyrgios conseguiu executar um winner contra Borna Coric com este forehand voador:

Kyrgios venceu a partida por duplo 6/4, mas parou na fase seguinte – a semifinal – diante de Nicolás Almagro, que aplicou 6/3 e 7/5.

A Aliny Calejon, dona do site Match Tie-break, registrou um dos pontos disputados enquanto caía neve na partida de Marcelo Melo em Munique. Olha aí!

Lances não tão bacanas

Em Istambul, um gato invadiu a quadra durante o jogo entre Federico Delbonis e Diego Schwartzman. A solução encontrada por Delbonis foi dar uma bolada no gatinho. Sei não, viu? Não pegou lá muito bem. Tanto que o árbitro de cadeira aplicou uma advertência por conduta antiesportiva.

Nomes na ponta da língua

A WTA resolveu perguntar a suas tenistas como pronunciar os nomes de algumas de suas rivais. O resultado foi esse divertido vídeo abaixo:

A ideia deve ter partido de alguma jornalista querendo vingança, não?

O porta-bandeira

Já era esperado, mas Rafael Nadal foi enfim oficializado como porta-bandeira da Espanha no desfile de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Nadal também foi escolhido para carregar as cores do país em Londres 2012, mas não foi aos jogos por causa de uma lesão no joelho. O jogador de basquete Pau Gasol, amigo de Nadal, foi quem substituiu o tenista na cerimônia.

A reforma

Na última terça-feira, Wimbledon divulgou um vídeo mostrando como ficará a Quadra 1 depois de uma grande reforma. A arena terá 900 assentos a mais, além de teto retrátil e iluminação. A obra começará em julho de 2016 e está prevista para terminar antes do torneio de 2019. Veja no vídeo abaixo.

O Slam britânico também anunciou a premiação em dinheiro. Ao todo, serão distribuídos 28,1 milhões de libras, o equivalente a US$ 40 milhões. Os campeões de simples embolsarão US$ 2,9 milhões cada. Nas duplas, o prêmio para quem conquistar os títulos será de US$ 507 mil por time. A lista completa está aqui.

Sob suspeita

Unidade de Integridade do Tênis publicou seu primeiro relatório quadrimestral, e o resultado assusta: o número de alertas em partidas suspeitas de manipulação aumento mais de 50% em relação ao mesmo período em 2015. Listei números e dados neste post publicado na terça-feira.

Acima de qualquer suspeita

Rogerinho sacava em 3/5, 15/30 contra Borna Coric nas oitavas de final de Estoril quando, no meio do ponto, o árbitro chamou “let”. O problema é que a chamada do árbitro ocorreu após o brasileiro bater na bola, que parou na rede. A sequência deixou Coric furioso, esbravejando contra o árbitro. Rogerinho, então, deu o ponto ao adversário, inclusive cedendo um set point. O croata agradeceu. Assistam!

Fica aqui ao agradecimento ao Gaspar Ribeiro Lança, do site Ténis Portugal, que acompanhou a partida e relatou o lance no Twitter.

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Semana 16: Nadal e Kerber, campeões em casa
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Alexandre Cossenza

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Em Barcelona, um campeão espanhol. Em Stuttgart, uma campeã alemã. Em Istambul, a primeira turca a conquistar um WTA na história. Em Bucareste, romenos na decisão de duplas. Foram dias interessantes para tenistas da casa (quem dera que tivesse sido assim no Challenger de São Paulo) nos torneios mais importantes da última semana pelo mapa da bolinha amarela.

Só que o eneacampeonato de Nadal e o bi de Kerber nem de longe foram os únicos assuntos. Houve anúncios de suspensões, um boleiro estabanado, um irmão tarado, uma homenagem a um brasileiro e até um match point salvo por baixo das pernas. Quer ficar por dentro? É só rolar a página…

Os campeões

No ATP 500 de Barcelona, Rafael Nadal foi campeão mais uma vez. Foi seu nono título no torneio e veio sem perder sets. O espanhol, aliás, estava em uma chave respeitável e derrotou Granollers, Montañés, Fognini e Kohlschreiber antes de bater Kei Nishikori por 6/4 e 7/5 na final. Ao fim do torneio, pulou na piscina do clube junto com os boleiros (vídeo acima).

Nadal agora soma dez vitórias consecutivas no saibro e, mais do que isso, vem jogando com mais confiança e ganhando cada vez mais pontos importantes – algo que ficou bastante claro diante de Nishikori, que converteu apenas três de 13 break points e sucumbiu nos games decisivos em ambos sets. Era o tipo de jogo que Nadal não vencia no começo do ano – e isso inclui o jogo contra Thiem em Buenos Aires (teve match point) e a partida contra Cuevas no Rio de Janeiro.

O único porém continua sendo o serviço, que foi pressionado diversas vezes por Nishikori, que teve break points em seis games diferentes, e também por Fognini, que conseguiu três quebras em dois sets. Nadal, no entanto, vem triunfando assim mesmo. Será assim também em Madri e Roma? Resta esperar pra ver.

Os números de Nadal no saibro sempre foram assustadores, mas continuam crescendo. O ex-número 1 e atual quito do ranking agora tem nove títulos em Monte Carlo, mais nove em Barcelona e outros nove em Roland Garros. Em Roma, são “apenas” sete. Veja na lista acima.

O ATP 250 de Bucareste só terminou nesta segunda-feira por causa da chuva incessante no domingo. O título ficou com Fernando Verdasco, que bateu Lucas Pouille por 6/3 e 6/2. “Fazia muito tempo que não vivia isso, ganhar um torneio ou estar em uma final”, disse o espanhol que não conquistava um título desde Houston/2014.

As campeãs

No WTA Premier de Stuttgart, duas alemãs fizeram a final, e a favorita venceu. Apesar de um ótimo começo da qualifier Laura Siegemund (#71), que sacou em 4/2, a consistência de Angelique Kerber (#3) prevaleceu. A favorita venceu dez games seguidos e defendeu seu título por 6/4 e 6/0. O resultado não altera o top 5, que continua com Serena, Radwanska, Kerber, Muguruza e Azarenka.

Laura Siegemund, porém, dá um grande salto, indo parar no 42º posto. Apesar da derrota na final, é possível dizer que tenista de 28 anos foi o grande nome da semana. Ela, afinal, derrubou Simona Halep nas oitavas (6/1 e 6/2), Roberta Vinci nas quartas (6/1 e 6/4) e Agnieszka Radwanska na semi (6/4 e 6/2). E, só por curiosidade, vale apontar que sua tese de conclusão de curso em psicologia era sobre amarelar sob pressão em esportes profissionais.

O modesto WTA International de Istambul ficou esvaziado após os recentes atentados terroristas na Turquia. A lista de inscritas que abandonaram antes do torneio inclui Azarenka, Wozniacki, Giorgi, Van Uytvanck, Watson, Cetkovska, Robson, Shvedova, Hradecka e Falconi.

O lado positivo (também conhecido como “Efeito Floripa”) é que Istambul teve uma tenista da casa na final. Cagla Buyukakcay (26 anos, #118) passou pelas cabeças de chave Lesia Tsurenko e Nao Hibino e chegou à decisão contra a montenegrina Danka Kovinic (#60), cabeça 5. Diante da rara chance, a turca aproveitou e triunfou de virada: 3/6, 6/2 e 6/3. Ela se tornou a primeira tenista do país a vencer um WTA.

Os brasileiros

O brasileiro que foi mais longe na semana foi André Sá. Em parceria com o australiano Chris Guccione, o mineiro chegou à final do ATP 250 de Bucareste e perdeu para a dupla da casa por Florin Mergea e Horia Tecau. A partida, interrompida no domingo ao fim do primeiro set, terminou com parciais de 7/5 e 6/4.

Em Barcelona, Thomaz Bellucci sofreu sua sétima derrota seguida. O algoz da vez foi o alemão Alexander Zverev, #51, que chegou a estar uma quebra atrás no terceiro set. O brasileiro perdeu por 6/3, 6/7(3) e 7/5, dando de graça o último game, quando cometeu quatro erros não forçados em sequência. Zverev fez pouco mais do que colocar a bola em jogo no game. Foi um presente e tanto para o alemão, que completava 19 anos naquele dia.

Nas duplas, também na Catalunha, Marcelo Melo e Ivan Dodig não passaram da estreia e foram derrotados por Pablo Cuevas e Marcel Granollers. Bruno Soares e Jamie Murray venceram um jogo e pararam nas quartas, superados pelos espanhóis Marc e Feliciano López.

No Challenger de São Paulo (US$ 50 mil), a melhor campanha de um brasileiro foi de Thiago Monteiro, que chegou às semifinais e perdeu para o chileno Gonzalo Lama. O cearense, que começou a semana como #201, entra no grupo dos 190 melhores e alcança o melhor ranking da carreira. Na campanha, Monteiro passou pelo equatoriano Emilio Gómez (#325), número 2 do Equador, próximo adversário do Brasil na Copa Davis.

Com o confronto no Brasil diante de um adversário que não mete medo em ninguém, parece a oportunidade perfeita para a estreia de Thiago Monteiro. Fazer seu primeiro confronto em um Zonal sem a responsabilidade de precisar vencer e contra um time fraco é a melhor maneira de fazer uma primeira aparição e sentir o calor de defender o país.

Voltando a São Paulo, quem também parou na semi foi o carioca Christian Lindell, que joga pela Suécia. José Pereira parou nas quartas, e Feijão caiu nas oitavas de final (segunda rodada). Ainda sobre o torneio paulista, vale ressaltar a campanha do americano Ernesto Escobedo, que viajou até o Brasil para disputar apenas um torneio. O garotão de 19 anos foi o sétimo adolescente americano a alcançar uma final de Challenger desde outubro do ano passado. Ao todo, são dez finais de adolescentes americanos no período, já que Taylor Fritz esteve em quatro delas.

Rogerinho, #100 do mundo e #2 do Brasil, apostou no Challenger de Turim, na Itália, e perdeu na primeira rodada para o esloveno Blaz Rola (#160): 7/6(8) e 6/4.

A homenagem

No fundo, no fundo, o brasileiro que mais brilhou na semana foi Thomaz Koch, homenageado no ATP 500 de Barcelona. O torneio lembrou o aniversário de 50 anos do título do brasileiro por lá. Tipo de coisa que entra na categoria “eles têm mais memória do que a gente” (e não me excluo do “a gente”, ok?). Thomaz Koch foi uma referência enorme para mais de uma geração de tenistas brasileiros e é importantíssimo que mais pessoas saibam disso.

Lances bacanas

Semifinal do ATP 500 de Barcelona, jogo quase perdido, aí Benoit Paire resolve fazer uma graça sacando com match point contra. Primeiro, tenta uma curtinha contra Kei Nishikori. O japonês alcança a bola, então o francês vai mais longe: um winner por baixo das pernas. Olha só!

A loucura

Parece uma daquelas lendas que a gente escuta nos clubes de tênis, mas aconteceu de verdade em um torneio profissional. O iraniano Majid Abedini, 29 anos, perdia no qualifying do Future de Antalya, na Turquia, e correu como um louco na direção do supervisor, gritando e batendo com a raquete na grade. Abedini foi desclassificado da partida e já está suspenso provisoriamente pela ITF. A entidade abriu uma investigação e, dependendo do que for apurado, o iraniano pode pegar um gancho pesado.

As melhores histórias

O texto recomendado da semana é do jornalista Steve Tignor, que faz uma análise dos tempos técnicos permitidos pela WTA. O americano cita os benefícios e as críticas geralmente feitas à regra e dá exemplos pitorescos, como a intrigante troca de palavras entre Garbiñe Muguruza e Sam Sumyk no início do ano, em Doha. O texto está em inglês neste link.

O acidente

Em Barcelona, durante o jogo entre Nicolás Almagro e Teymuraz Gabashvili, um boleiro escorregou, deu de cara na placa publicitária do fundo de quadra e… voltou à função como se nada tivesse acontecido.

O gancho

O árbitro croata Denis Pitner foi afastado do tênis por dez anos. A ITF fez o anúncio durante esta semana. Pitner teve o certificado de White Badge suspenso em agosto de 2015 por acessar uma conta em um site de apostas. Mesmo com o gancho, Pitner trabalhou no US Open/2015 e no Qatar Open/2016. Nos dois eventos, ele se apresentou como árbitro White Badge e recebeu salários equivalentes. Por tudo isso, não poderá trabalhar em eventos sancionados por ATP, WTA e ITF até 19 de abril de 2026.

O irmão tarado

O irmão do tenista-agora-britânico Aljaz Bedene se passou pelo irmão no Tinder tentando conquistar uma paixão e inclusive publicou fotos mostrando… Vocês sabem, né? Sem cueca. Andraz, o irmão, só não se deu bem porque a moça do outro lado do aplicativo sabia que Aljaz enfrentaria Rafael Nadal em breve, no Masters de Monte Carlo. Andraz, depois, admitiu ter tentado se passar pelo irmão. A pergunta que se faz, no entanto, é se teria acontecido como em um daqueles casos em que um primo distante supostamente usa a rede social do parente famoso. Será? A história, dica da Aliny Calejon, está inteira contada no Mirror.

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Semana 15: O eneacampeão, uma zebra, a volta de Fed e uma volta na Fed
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Alexandre Cossenza

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Monte Carlo foi o grande evento da semana, e Rafael Nadal, o maior nome. O espanhol conquistou o torneio pela nona vez, superando uma chave duríssima e mostrando-se novamente uma força no saibro. O tênis feminino, no entanto, também teve muita coisa acontecendo, especialmente na Fed Cup, mas também no modesto WTA de Bogotá, onde uma brasileira fez muito mais do que o esperado.

Este resumaço da semana fala dos principais eventos, registra lances espetaculares, histórias legais e inusitadas (houve até um “snake delay”), e as notícias mais relevantes dos últimos dias. Role a página e fique por dentro.

O campeão

Quando a chave de Monte Carlo foi divulgada, era consenso de que Rafael Nadal teria um teste de verdade para seu tênis, que mostrou evolução em Indian Wells, mas foi vítima do calor em Miami. De volta ao saibro, seria possível reconquistar a velha forma? O caminho previa uma sequência contra Dominic Thiem nas oitavas, Stan Wawrinka nas quartas e Andy Murray na semi antes de uma eventual decisão contra Novak Djokovic, o novo dono do circuito.

O sérvio tombou na estreia, mas Nadal teve de enfrentar os outros três e passou com louvor no teste. Salvou 15 de 17 break points contra Thiem, foi bastante superior a um irregular Wawrinka e virou um jogo complicado contra Murray, que não conseguiu equiparar-se em consistência ao espanhol.

A final foi mais um duelo típico de seu tênis no saibro. Pontos longos, ralis de tirar o fôlego e poucas subidas à rede. Gael Monfils, ressalte-se, foi brilhante enquanto aguentou. Depois de navegar competentemente na chave que ficou esburacada pelas derrotas de Djokovic e Federer, o francês fez uma ótima final, variando entre pontos longos na defesa e golpes arriscados, buscando winners.

Nadal, no fim, foi mais consistente e melhor fisicamente. Lembrou os velhos tempos, encontrando maneiras de superar adversários inspirados. Sim, seu saque continua vulnerável – e o foi especialmente com o saibro pesado da final pós-chuva – mas não o bastante para evitar o nono título em Monte Carlo. O eneacampeão (por favor, tomem um segundo para absorver a dimensão da palavra “eneacampeão”), agora, mostra-se novamente uma força do saibro. O resto do circuito que fique de olho em Madri e Roma.

A questão agora é saber se o nível de tênis apresentado pelo espanhol será suficiente para derrubar Djokovic em forma. Ninguém, afinal, espera que o número 1 do mundo apareça em Madri e Roma jogando no mesmo nível decepcionante que foi apresentado no torneio monegasco.

Vale também fazer um último lembrete. Diante do último ano e meio de resultados instáveis, é até fácil esquecer o quão brilhante é a carreira de Rafael Nadal. Com a decisão em Monte Carlo, o espanhol agora soma 100 finais no currículo. Do total, 20 foram em Slams e 42 em Masters. Ou seja, 62% em torneios de altíssimo nível. E são sete finais na grama – cinco em Wimbledon. Nada mau, não?

A zebra

O resultado mais inesperado da semana foi a eliminação de Novak Djokovic logo em sua estreia em Monte Carlo, diante de Jiri Vesely. O sérvio, lembremos, vinha de 11 finais seguidas em Masters 1.000, 22 vitórias consecutivas em torneios desse porte e 14 jogos sem perder no circuito mundial.

A derrota do número 1, além de deixar a chave do torneio monegasco um tanto mais aberta, jogou no ventilador uma série de questões que, a meu ver, fazem muito bem ao tênis neste momento. Escrevi mais sobre isso neste post.

A volta

Roger Federer está de volta ao circuito. A boa notícia: nenhum sinal de problema no joelho operado. A má notícia: uma derrota inesperada para Jo-Wilfried Tsonga nas quartas de final de um torneio cuja chave não era das piores para o suíço. Seriam pontinhos valiosos que aproximariam Federer de ser número 2 do mundo outra vez. Ah, sim: o jogo de rede mostrou um pouco de ferrugem no duelo com Tsonga, mas não parece ser algo tão preocupante para quem costuma volear tão bem e ficou dois meses e meio sem disputar uma partida oficial.

De incomum mesmo, apenas dois gestos do suíço. No segundo set, uma raquete atirada na direção do banco após uma quebra de saque. No terceiro, já no finzinho da partida, uma bola atirada para fora da quadra – resultado da frustração após errar um voleio em um momento delicado. O árbitro brasileiro Carlos Bernardes aplicou uma advertência por abuso de bola.

Os brasileiros

Bruno Soares voltou a ser o brasileiro de mais destaque no circuito. E quase não aconteceu, já que ele e Jamie Murray tiveram uma dramática estreia em Monte Carlo contra Daniel Nestor e Radek Stepanek, com direito a três match points salvos. Na sequência, brasileiro e escocês superaram Bopanna/Mergea nas quartas e Melo/Dodig na semi. Na decisão, caíram diante de Herbert e Mahut.

Com mais este título, que veio com parciais de 4/6, 6/0 e 10/6, a parceria francesa se estabelece ainda mais como a dupla a ser batida no momento. Depois de dois resultados nada empolgantes em Brisbane e no Australian Open, Herber e Mahut foram campeões em Roterdã, Indian Wells, Miami e Monte Carlo. Eles, inclusive, acabam de ultrapassar Bruno e Jamie e assumem a liderança da Corrida – aquele ranking que conta só os resultados da temporada. Em compensação, no ranking de 52 semanas, Soares volta ao top 10, ganhando cinco postos e subindo para a sétima posição.

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Nas simples, o nome da semana foi Paula Gonçalves. Diante da fraca lista de inscritas do WTA International de Bogotá, a paulista, que começou a semana como número 238 do mundo, entrou direto na chave e aproveitou a chance, derrotando, em sequência, Verónica Cepede Royg (#161), Tatjana Maria (#105) e Alexandra Panova (#155). A brasileira só parou nas semifinais, derrotada por Silvia Soler Espinosa (#170): 6/4, 6/7(4) e 6/2. Com a ótima campanha, Paula alcança o melhor ranking da carreira: #177.

Teliana Pereira, por sua vez, voltou a perder. A algoz da vez foi a argentina Catalina Pella, #274, que fez 3/6, 6/3 e 7/6(3). A temporada da número 1 do Brasil agora acumula uma vitória (sobre Bia Haddad) e nove derrotas. A pernambucana, que começou a semana como #55 e defendendo os pontos do título de Bogotá, conquistado no ano passado, agora é a #86.

Com essa posição, Teliana provavelmente ficará fora do grupo de classificação direta para os Jogos Olímpicos Rio 2016. O Brasil, no entanto, tem direito a uma vaga – chamada “ITF Place” – no caso de nenhuma tenista estar classificada por ranking. Assim, joga o torneio olímpico a número 1 do país. Como Paula ainda está bastante longe de Teliana no ranking (são 464 pontos de diferença), parece improvável que a pernambucana não esteja na Rio 2016.

Thomaz Bellucci (#35), por sua vez, sofreu a sexta derrota seguida. Seu algoz em Monte Carlo foi Guillermo García López (#38), que fez 7/5 e 6/1. O número 1 do Brasil não vence desde a semifinal do ATP de Quito, ainda em fevereiro. De lá para cá, acumula reveses diante de Estrella, Dolgopolov, Carballés Baena, Coric, Kukushkin e García López.

Nos Challengers, Clezar fez uma boa campanha em Sarasota (US$ 100 mil), nos Estados Unidos, mas sentiu dores na coxa esquerda na semifinal e abandonou a partida contra Gerald Melzer. O placar mostrava 6/7(4), 6/4 e 3/2 para o austríaco no momento da desistência do gaúcho. Tiago Monteiro também jogou o torneio, mas perdeu na estreia para o mesmo Melzer.

Em Barletta (US$ 50 mil), na Itália, Rogerinho era o cabeça de chave número 1 e perdeu nas quartas de final para o estoniano Jurgen Zopp: 7/6(5) e 6/4. O paulista de 32 anos continua como número 2 do Brasil no 100º posto do ranking.

A Fed Cup

A República Tcheca (sem Petra Kvitova e Lucie Safarova!) e a França venceram seus confrontos do fim de semana e decidirão o título da Fed Cup deste ano. O fim de semana foi animado, com as duas semifinais decididas no jogo de duplas.

Em Lucerna (quadra dura indoor), a República Tcheca teve Barbora Strycova e Karolina Pliskova derrotando Timea Bacsinszky, enquanto Viktorija Golubic, #129 e surpresa do fim de semana, conquistou dois pontos de virada para o time da casa, compensando a ausência de Belinda Bencic. Na decisão, Lucie Hradecka e Karolina Pliskova superaram Golubic e Martina Hingis por duplo 6/2.

Em Trélazé (saibro indoor), a holanda surpreendeu com Kiki Bertens vencendo seus dois pontos de simples, mas Kristina Mladenovic e Caroline Garcia derrotaram, respectivamente, Richel Hogenkamp e Arantxa Rus. Nas duplas, Garcia e Mladenovic fizeram 4/6, 6/3 e 6/3 sobre Bertens e Hogenkamp.

Para a França, capitaneada atualmente por Amélie Mauresmo, será a primeira final desde 2005. A República Tcheca, por sua vez, lidera o ranking da Fed Cup e está de volta à decisão. O time foi campeão da competição em quatro das últimas cinco edições: 2011, 2012, 2014 e 2015.

A campeã

No único WTA da semana, em Bogotá, que também é um dos WTAs mais fracos do calendário (e, ainda assim, mais forte que Florianópolis, aquele que é financiado pela Confederação Brasileira de Tênis), a americana Irina Falconi (#93) levantou o (pequeno) troféu após derrotar Silvia Soler Espinosa na decisão: 6/2, 2/6 e 6/4. Com a conquista, Falconi subiu para o 67º posto no ranking mundial.

A lenda

A americana Gail Falkenberg, 69 anos, venceu uma partida no qualifying do ITD de Pelham (EUA), torneio com premiação de US$ 25 mil. Ela aplicou 6/0 e 6/1 na jovem Rosalyn Small, de 22 anos, e perdeu na rodada seguinte para Taylor Townsend, ex-top 100. Eu relatei a história de Gail neste post.

Snake delay

No Challenger de Sarasota, nos EUA, a partida entre Gonzalo Lama e James Ward teve de ser interrompida por causa de uma cobra que entrou na quadra logo quando o chileno tinha match point.

Segundo o relato no site da ATP, um voluntário do torneio tentou pegar a cobra com as mãos, mas desistiu após quase levar uma picada. O réptil acabou deixando a quadra, e Lama fechou jogo em 6/1 e 6/1.

Bolão impromptu da semana

Quem ganharia a final do Masters 1.000 de Monte Carlo em quantos games? O Wallace Barros cravou.

Lances bacanas

A final de Monte Carlo teve vários ralis de tirar o fôlego, mas se fosse preciso escolher um golpe de todo jogo, essa assustadora direita de Gael Monfils seria fácil de selecionar. Vejam!

Na primeira rodada do Masters de Monte Carlo, Radek Stepanek fez esse winner contra Bruno Soares e Jamie Murray.

O lance levou o segundo set para mais um tie-break, que acabou vencido por brasileiro e britânico depois de dois match points salvos. Jamie e Bruno escaparam após outro match point (uma dupla falta de Nestor) no match tie-break e triunfaram por 6/7(5), 7/6(9) e 14/12.

Nas quartas de final, foi a vez de Soares fazer seu ponto bacana. Por fora da rede.

Ele e Murray derrotaram Rohan Bopanna e Florin Mergea por 6/2 e 6/3.

As melhores histórias

O destaque da semana vai para outro belo texto de Eric Butorac, recomendado pela Aliny Calejon. Desta vez, o duplista ex-parceiro de Bruno Soares e atual presidente do conselho dos jogadores responde à velha pergunta: “Federer é tão legal quanto parece ou é só aparência?” O relato inclui o curioso caso de como Butorac acidentalmente conheceu os pais do suíço durante uma partida. Em inglês, aqui.

O prêmio mais gordo

Na quarta-feira, Roland Garros anunciou um aumento de 14% na sua premiação para o torneio deste ano. O torneio distribuirá, ao todo, 32,107 milhões de euros. Os campeões de simples embolsarão 2 milhões cada. As duplas campeãs, por sua vez, receberão 500 mil euros (valor por time). Segundo o comunicado do torneio francês, o maior aumento em termos percentuais foi dado aos tenistas que perderem nas segunda, terceira e quarta rodadas. Veja mais no link do tuíte.

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Semana 14: dobradinha argentina, um carro de presente e uma aula de dança
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Alexandre Cossenza

Tudo bem, não foi lá a mais agitada das semanas tenísticas de 2016. Na primeira semana do saibro, a maioria dos principais nomes do tênis masculino preferiu descansar e se preparar em Monte Carlo. Entre as mulheres, não foi tão diferente, mas o WTA de Charleston teve cinco tenistas entre as 20 primeiras do ranking e alguns jogos interessantes. Chegou a hora, então, de lembrar o que rolou.

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As campeãs

No forte WTA Premier de Charleston, que tinha Kerber, bencic, Venus, Safarova, Errani e Petkovic, foi Sloane Stephens, cabeça 8, que venceu neste domingo. A conquista veio com uma vitória sobre a qualifier Elena Vesnina, que chegou a ter um set point quando sacou em 6/5 na primeira parcial: 7/6(4) e 6/2.

O grande momento do dia foi quando Stephens descobriu que o torneio, patrocinado pela Volvo, também lhe daria um carro de presente.

A conquista em Charleston foi a terceira de Stephens em 2016. Ela também foi campeã em Auckland e Acapulco, ambos em quadras duras. O WTA de Charleston é jogado em (um rapidíssimo) saibro verde.

Vale lembrar que Stephens era zebra nas semifinais contra Angelique Kerber, mas a alemã não estava se sentindo bem e abandonou quando perdia por 6/1 e 3/0. A campeã do Australian Open defendia o título do evento americano.

No WTA International de Katowice, na Polônia, Dominika Cibulkova levantou um troféu pela primeira vez desde Acapulco/2014. A eslovaca, finalista do Australian Open naquele mesmo ano, passou por uma cirurgia no tendão de aquiles em 2015, ficou cinco meses sem jogar e chegou a cair para além do 60º posto.

Com a vitória deste domingo por 6/4 e 6/0 sobre Camila Giorgi, Cibulkova, que começou a semana como #54, deve voltar ao top 40 e se aproximar do grupo que é cabeça de chave nos Slams. Cabeça 8 em Katowice, a eslovaca passou por Witthoeft, Kulichkova, Schiavone, Parmentier e Giorgi no caminho até o título. O único set perdido foi justamente o primeiro, diante de Witthoeft.

A principal favorita ao título, Agnieszka Radwanska, seria a cabeça de chave número 1, mas desistiu do torneio por causa de um problema no ombro. A chave foi modificada, e Jelena Ostapenko passou a ocupar o lugar da polonesa.

Os campeões

Em Marraquexe, um dos ATPs menos empolgantes do ano, o título ficou com Federico Delbonis, que bateu Borna Coric por 6/2 e 6/4 na final. Cabeça 4 do torneio, o argentino estreou nas oitavas de final e passou por De Bakker, Carreño Busta, Montañés e Coric para levantar o segundo troféu de sua carreira – e o de número 212 na história do tênis argentino.

Com os pontos, Delbonis sobe para o 36º posto do ranking – um atrás de Thomaz Bellucci e dois atrás da melhor posição de sua carreira. Coric, por sua vez, continua sem títulos na carreira. O jogo deste domingo foi sua segunda final. A primeira, em Chennai, terminou com derrota para Stan Wawrinka.

O cabeça de chave 1, Guillermo García-López (#37), acabou eliminado nas quartas por Jiri Vesely, enquanto o seed 2, João Sousa (#38), tombou na estreia diante de Facundo Bagnis.

No saibro vermelho de Houston, outra conquista argentina. De virada, Juan Mónaco derrotou Jack Sock, que defendia o título, por 3/6, 6/3 e 7/5. Foi o título de número 213 para o tênis argentino e marcou a sexta vez que dois tenistas do país foram campeões no mesmo fim de semana.

A última conquista de Mónaco havia sido em 2013, em Dusseldorf. Desde então, jogou três finais (Kitzbuhel/2013, Gstaad/2014 e Buenos Aires/2015) e saiu derrotado em todas.

Mónaco, que começou a semana como número 148 do ranking, ganhou 62 posições. O ex-top 10 (Mónaco esteve entre os dez melhores do mundo em julho de 2012) aparecerá na lista desta segunda-feira como #86.

Os brasileiros

A semana não foi boa para Teliana Pereira. De volta ao saibro (rapidíssimo, lembremos) em Charleston, a número 1 do Brasil perdeu na estreia para a americana Bathanie Mattek-Sands: 5/7, 6/3 e 6/2. Foi a oitava derrota da pernambucana em nova jogos na temporada e, com os pontos perdidos, Teliana deixa o top 50 e cai para o 54º posto.

A próxima missão da brasileira será tentar defender seu título no WTA de Bogotá, que começa nesta semana. Caso volte a perder na estreia, Teliana terá descontados 280 pontos e pode até deixar o grupo das 80 melhores. Se isso acontecer, haverá até o risco de deixar (pelo menos temporariamente) a lista de classificadas para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A chave olímpica, lembremos, é composta por 64 atletas, respeitando o limite de quatro por país.

Entre os homens, Rogerinho e Thiago Monteiro conseguiram pontos importantes. O paulista caiu nas oitavas de final em Nápoles, mas subiu três posições e agora figura no top 100 pela primeira vez desde maio de 2013. O cearense apostou no forte torneio de Le Gosier (US$ 100 mil) e caiu nas quartas, superado por Malek Jaziri (#94) por 6/2, 4/6 e 7/5. Com a campanha, Monteiro alcançou o melhor ranking da carreira, entrando no top 200 como justamente o #200.

Nas duplas, André Sá tentou a sorte em Houston. Ele e o australiano Chris Guccione foram superados nas quartas de final por Steve Johnson e Sam Querrey: 6/3, 2/6 e 10/8. O mineiro, aliás, briihou no vídeo abaixo, tocando guitarra em uma apresentação dos irmãos Bryan.

A melhor história

Dica do Mário Sérgio Cruz, do Tenisbrasil: em entrevista ao Diário de Canoas, Larri Passos fala um pouco de seus primeiros dias no tênis, de sua mudança para os Estados Unidos e da crise que vive o Brasil. Diz que o Brasil é o país mais corrupto do mundo e que Dilma deveria renunciar.

Larri também declarou que o projeto olímpico do tênis foi uma grande decepção (durou só 11 meses) por causa da má administração da CBT e do Ministério do Esporte: “Esse governo destruiu meus sonhos.” Larri também pediu a saída do presidente da CBT Jorge Lacerda: “Faz cinco anos que a CBT está sendo investigada e o presidente não saiu ainda. Está na hora dele ir embora.”

Leia a íntegra aqui.

A aula de dança

Serena Williams, em grande forma, aproveitou o intervalo nas gravações de um comercial e resolveu gravar uma aula informal de como fazer o “twerk”. Ela também ensinou o “milly rock”. A número 1 do mundo também lembrou que o “dab” já saiu de moda. E Azarenka, pelo visto, aposentou o movimento após o Super Bowl.

O acidente

No Challenger de Nápoles, na Itália, uma bolada não-intencional-mas-certeira acabou com uma dupla desclassificada. Os poloneses Mateus Kowalczyk e Adam Majchrowicz venciam por 6/3 e 4/4, mas quem avançou a parceria de Rameez Junaid e Ken Skupski.

Nem todo mundo concordou com a decisão do árbitro de desclassificar a dupla polonesa. Bruno Soares, campeão do Australian Open, escreveu (citando a conta da ATP) que a punição foi exagerada.

A próxima parada

O grande torneio masculino da próxima semana é o Masters 1.000 de Monte Carlo. O vídeo abaixo mostra como três quadras do Monte-Carlo Country Club se transformam na quadra central do torneio.

Monte Carlo Center Court amazing transformation

To Monte Carlo Country Club μεταμορφώνεται, κυριολεκτικά, για να υποδεχθεί τα μεγαλύτερα αστέρια του παγκοσμίου τένις! Κάθε χρόνο γίνεται αυτή η διαδικασία για να φτιαχτεί το κεντρικό court με την ομορφότερη θέα στον κόσμο!Πρόγραμμα μεταδόσεων OTE TV: -> http://bit.ly/1UGvskY

Posted by Tennis24 on Thursday, April 7, 2016

Aliás, falando em Monte Carlo, que tal a divertidíssima chave do torneio, hein? A começar por Thomaz Bellucci, que estreia contra Guillermo García-López e, se vencer, enfrentará um Roger Federer que se recupera de uma cirurgia no joelho e não joga uma partida oficial há mais de dois meses. Seria uma boa chance?

E a volta de Rafael Nadal ao saibro? O espanhol possivelmente pegou um caminho duríssimo e pode ter de enfrentar, em sequência, Dominic Thiem, Stan Wawrinka e Andy Murray antes da final (contra Djokovic?).

Lances bacanas

Não foi na última semana, mas vale lembrar porque foi eleito o ponto do mês da WTA. Com ela, Agnieszka Radwanska.

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Semanas 12-13: a serenesca Azarenka e Djokovic, o maior dos milionários
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Alexandre Cossenza

Azarenka_Miami16_trophy_get2_blog

É bem verdade que os campeões foram quase os mesmos, mas há muita coisa a dizer sobre o período em que foi disputado o Miami Open (WTA Mandatory + Masters 1.000). Além dos títulos de Victoria Azarenka e Novak Djokovic, é preciso lembrar dos problemas físicos de Roger Federer, Rafael Nadal e Thomaz Bellucci,
do novo número 1 do mundo nas duplas, do péssimo timing da ATP ao homenagear Marcelo Melo, de lances espetaculares, de bom humor, de mau humor, de tuítes bacanas e de textos interessantes e importantes. Vamos lá, então? Rolem a página e relembrem as últimas duas semanas.

A melhor de 2016

Três títulos em cinco torneios disputados; 22 vitórias e só uma derrota em 2016; apenas cinco sets perdidos desde o início do ano; uma eliminação por W/O; e uma final vencida rapidinho, em 1h17min. O leitor que escutasse os números acima sem ver a foto do alto do post acreditaria sem questionar se alguém lhe dissesse que a tenista em questão é Serena Williams. Mas não é. A tenista do momento é Victoria Azarenka, que completou, no sábado, um torneio impecável e levantou o troféu so WTA de Miami ao vencer a final sobre Svetlana Kuznetsova por 6/3 e 6/2.

Vika se tornou a terceira tenista a vencer os dois eventos em sequência, juntando-se a Steffi Graf e Kim Clijsters (feito que Serena Williams teve pouquíssimas chances de igualar porque boicotou o evento da Califórnia por muito tempo). A bielorrussa agora também está de volta ao top 5, onde não figurava há quase dois anos (o ranking 26 de maio de 2014 foi a última vez). E, claro, é preciso lembrar: depois de um Slam, dois WTAs com premiação de mil pontos (IW e Miami) e outro WTA com 900 pontos para a campeã (Doha), Azarenka é a líder da “Corrida”, o ranking que conta apenas os pontos conquistados neste ano.

Números à parte, as atuações de Vika vêm falando mais alto. Desde o primeiro torneio do ano, onde atropelou em Brisbane (com uma chave não tão forte, é verdade), incluindo as primeiras rodadas em Melbourne, o desempenho sólido diante de Serena na final de Indian Wells e, agora, uma campanha irretocável na Flórida, onde teve dois testes de fogo antes da decisão.

Primeiro, passou por Muguruza em dois tie-breaks, salvando dois set points na primeira parcial. Depois, fez uma partida espetacular contra Angelique Kerber, que, apesar da ótima atuação, jamais teve o controle do jogo. Sempre que precisou, Azarenka teve de onde tirar um nível mais alto e mais consistente de tênis.

Com o início de temporada nada espetacular de Serena Williams, parece seguro dizer que Azarenka é, neste momento, a melhor tenista do circuito, o que deixa 2016 muito mais interessante. Será que a bielorrussa manterá o pique e se aproximará de Serena Williams em uma eventual briga pelo posto de número 1 do mundo? E a americana? Esboçará uma recuperação na temporada de saibro que começa esta semana, em Charleston?

O maior dos milionários

O Masters 1.000 de Miami só teve surpresas nos primeiros dias, quando Roger Federer (virose) desistiu do torneio antes de estrear e, depois, com Rafael Nadal, que passou mal e abandonou a partida contra Damir Dzumhur no terceiro set. O título, conforme o aparente novo protocolo da ATP, terminou nas mãos de Novak Djokovic, o campeão de tudo-menos-Roland-Garros.

De novo mesmo, só algumas marcas do sérvio. Nole agora é o recordista isolado de títulos de Masters 1.000, com 28 taças (Nadal tem 27), o primeiro tenista a vencer quatro vezes a sequência Miami-Indian Wells e, principalmente, o recordista em prêmios em dinheiro na história da modalidade. Com o título deste domingo, Djokovic agora acumula US$ 98.199.548. Federer tem “só” US$ 97.855.881.

Fora isso, nada mais tenho a acrescentar sobre o tênis de Djokovic. O número 1 venceu todos jogos em sets diretos e continua dominando o circuito. Vale lembrar que ele lidera o ranking mundial de forma ininterrupta desde julho de 2014 e possui atualmente 8.725 pontos de vantagem sobre Andy Murray, o vice-líder. O escocês, por sua vez, está apenas 120 pontos acima de Roger Federer.

O tuíte abaixo, do jornalista Ben Rothenberg, mostra o retrospecto de Djokovic em Masters 1.000 e Grand Slams (incluindo o ATP Finals) desde o início de 2015. No período, se somarmos todas as competições, o sérvio disputou 21 torneios; alcançou 19 finais; e venceu 110 jogos e perdeu apenas sete.

Os brasileiros

Não foi um torneio nada bom para brasileiros. Desde o ingrato confronto entre Teliana Pereira e Bia Haddad na primeira rodada até a desistência de Thomaz Bellucci diante de Mikhail Kukushkin. O brasileiro, que durante a semana revelou ter problema de desidratação, perdendo até 6 quilos, e até visão turva em certas situações, sucumbiu ao calor e à umidade de Miami depois de um set e meio. Esgotado, deixou a quadra depois de vencer o primeiro set e perder o segundo.

O abandono na Flórida é especialmente lamentável porque Rafael Nadal, seu provável adversário de terceira rodada, também abandonou. Logo, se passasse por Kukushkin, o brasileiro enfrentaria Damir Dzumhur por uma vaga nas oitavas de um Masters 1.000. O problema físico de Bellucci foi o mesmo que ocorreu no Rio Open, em menor grau, e no Brasil Open, já manifestado de maneira mais evidente. O paulista passou por uma bateria de exames e, até agora, nenhum diagnóstico foi conclusivo. Resta a ele torcer por temperaturas mais amenas e condições favoráveis na temporada europeia de saibro.

Quanto a Teliana, o lado positivo foi conquistar sua primeira vitória na temporada. A segunda rodada, contudo, trouxe uma derrota diante de Ana Ivanovic por 6/3 e 6/0. A sérvia foi superior o tempo quase todo, e a brasileira, mais uma vez, foi vítima de seu saque vulnerável – confirmou apenas uma vez no jogo. Nas trocas de bola, Teliana até conseguia ser agressiva quando tinha a oportunidade de entrar em um rali. Ivanovic, no entanto, não lhe deu tantas chances assim, quase sempre atacando primeiro e controlando os pontos. A sérvia dominou tanto o saque de Teliana que se deu o luxo de se posicionar muito dentro de quadra na devolução.

Até agora, Teliana soma uma vitória e sete derrotas em 2016, com dois sets vencidos e 14 perdidos (o único triunfo e ambos sets vieram sobre Bia Haddad). É bem possível que a volta para o saibro, seu piso preferido, traga dias melhores. Não por acaso, a número 1 do Brasil, atual #49 do mundo, agora tem um calendário entupido de eventos na terra batida.

Terminando o giro brasileiro nas simples em Miami, vale lembrar de Rogerinho, que perdeu no qualifying, mas ganhou uma vaga de lucky loser para estrear contra o russo Andrey Kuznetsov. A sorte, porém, não conseguiu carregar o #2 do Brasil para a rodada seguinte. Kuznetsov fez 6/3 e 6/3 e avançou. O russo, aliás, bateu Stan Wawrinka na segunda rodada e Adrian Mannarino na terceira. Só caiu nas oitavas, superado pelo semifinalista Nick Kyrgios.

No circuito Challenger, quem teve boa semana foi Feijão – finalmente. Depois de perder no quali em Miami, o paulista encarou o Challenger de León, no México, e alcançou a final, perdendo para o alemão Michael Berrer. A campanha rendeu uma subida de mais de 50 posições no ranking e o retorno ao top 200. Feijão saiu de #239 e aparece nesta segunda-feira como o 186º melhor tenista do mundo. Se ainda está longe de seu melhor ranking (69º, exatamente um ano atrás), já dá passos animadores adiante, o que não vinha acontecendo há um bom tempo.

Marcelo perde o #1

A pressão já havia sido grande em Indian Wells, onde Jamie Murray esteve a dois pontos de roubar a liderança do ranking. Em Miami, precisando defender os pontos da semifinal do ano passado, Marcelo Melo tinha de alcançar pelo menos as quartas de final para seguir como número 1. Não conseguiu. Nas oitavas, ele e Ivan Dodig perderam para Treat Huey e Max Mirnyi por 7/6(1) e 6/4.

A derrota de Melo deu o número 1 a Jamie, que já estava eliminado em Miami. Ele e Bruno Soares caíram na estreia diante de Raven Klaasen e Rajeev Ram. O irmão mais velho de Andy Murray conta que estava no carro quando começaram a pipocar mensagens de parabéns em seu celular.

Desde a existência do atual ranking da ATP, nenhum britânico havia alcançado o topo – nem em simples nem em duplas. Jamie é o primeiro e, por isso, vem sendo um tanto badalado pela imprensa do Reino Unido.

A gafe

A ATP decidiu entregar um pequeno “troféu” para marcar definitivamente o número 1 de Marcelo Melo. Pena que fizeram essa cerimônia logo no domingo, dia que ele e Ivan Dodig foram eliminados do torneio.

Jogo rápido

Mats Wilander e Madison Keys, que decidiram trabalhar juntos a partir do WTA de Miami, já se separaram. A parceria durou oito dias (!) e terminou com a americana invicta. O tricampeão de Roland Garros, que também é comentarista do Eurosport, não quis revelar ao jornalista Michal Samulski (o primeiro a dar a notícia) o motivo da separação.

Bolão impromptu da semana

Parabéns à Raissa Picorelli por acertar a resposta para a pergunta aleatória da semana. Ela foi a primeira seguidora do @saqueevoleio a acertar o número de games vencidos por Kei Nishikori na final.

Lances bacanas

Que tal essa curtinha de devolução de Agnieszka Radwanska contra Alizé Cornet? E antes de alguém chame de “sneak attack”, prefiro “ninja attack by Aga”.

Outro momento raro da semana envolveu o sérvio Viktor Troicki. Após um voleio de David Goffin quicar na quadra do sérvio e voltar, Troicki saltou a rede e golpeou a bola. Foi bonito, mas perdeu o ponto.

Para quem não sabe a regra, a explicação não é tão complicada: como a bola quicou e voltou, Troicki podia até invadir o “espaço aéreo” da quadra de Goffin e golpear a bola, mas perdeu o ponto quando pisou na quadra do rival.

Em casos assim, a “vítima” do backspin tem duas opções para ganhar o ponto: 1) golpear a bola no ar, mesmo invadindo a quadra do rival com a raquete, mas mantendo os pés em sua própria quadra; ou 2) saltar a rede, golpear a bola e “aterrissar” fora das linhas de jogo. Era muito difícil de conseguir, mas Troicki teria vencido o ponto se tivesse saltado e pisado além da linha lateral de simples.

O melhor da semana, contudo, foi Alexandre Sidorenko. No Challenger de Saint-Brieuc, o francês-nascido-na-Rússia de 28 anos disparou uma passada vencedora de costas contra o alemão Tobias Kamke.

As melhores histórias

Vale ler o texto do New York Post intitulado “Por que todo mundo no tênis odeia Maria Sharapova”. O título soa um tanto exagerado, mas o conteúdo aborda os motivos pelos quais a russa não recebeu muitas mensagens de simpatia após testar positivo em um exame antidoping.

No Globoesporte.com, o jornalista Thiago Quintella conversou com João Zwetsch, técnico de Thomaz Bellucci, que relatou os sintomas do tenista brasileiro durante seus problemas físicos. Entre eles, visão turva. Em outra entrevista, dias depois, o próprio Bellucci disse perder até seis quilos em um jogo.

Bom humor

Novak Djokovic, número 1 do mundo e reinando soberano na liderança do ranking mundial, mostrou que é possível ter momentos de descontração mesmo em partidas oficiais. No comecinho do jogo contra o britânico Kyle Edmund, o sérvio fez essa “mágica” encaixando a bolinha no bolso.

O lance me lembrou do iraniano Mansour Bahrami, possivelmente o cidadão mais divertido de ver numa quadra de tênis, que sempre fazia o “truque” da bola no bolso. Quem tiver a curiosidade, pode conferir alguns momentos de exibições de Bahrami neste vídeo.

No mundo do vôlei (sim, vôlei!) Alexander Markin, do Dínamo de Moscou, também testou positivo para meldonium, a substância responsável pelo doping de Maria Sharapova. Uma confeitaria chamada Dolce Gusti enviou ao atleta (que aguarda julgamento da FIVB) um bolo de… meldonium!

Não tão bom humor

Serena Williams, incomodada com o árbitro de cadeira Kader Nouni durante o jogo contra Zarina Diyas, não economizou. “Não comece comigo hoje”, “não implique comigo”, “estou cheia de você implicar comigo” e “a não ser que você vá me dar um warning, não fale comigo” foram parte do repertório da número 1.

Serena venceu aquele jogo por 7/5 e 6/3, mas tombou na rodada seguinte, diante de Svetlana Kuznetsova: 6/7(3), 6/1 e 6/2.

Os melhores tuítes segundo ninguém (uma breve coletânea descompromissada e completamente desprovida de critérios)

O melhor continua sendo o melhor: Andy Roddick. Desta vez, o ex-número 1 do mundo corrigiu o jornalista americano Darren Rovell, da ESPN, que fazia uma piadinha com Novak Djokovic. Rovell publicou uma foto de Federer na quadra central de Miami e disse: “Ei, Djokovic, esse é o público em um jogo de Federer neste momento. Quanto ele deve receber?”

Rovell, no entanto, não sabia que a imagem era de um treino do suíço. Roddick explicou bem à sua moda: “Como tenho certeza que você sabe, Darren, a chave principal masculina não começou ainda em Miami… Isso é um treino.”

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O jornalista se corrigiu, avisando seus seguidores (são mais de um milhão deles) que a imagem era de um treino. Em seguida, apagou os tuítes (por isso, publiquei aqui essa montagem, feita pelo USA Today).

A conta oficial do torneio de Miami registrou essa disputa quente entre Nick Kyrgios e… sua camisa. É nisso que dá fazer experiências no mundo da moda.

Tênis por WhatsApp

O UOL agora envia notícias de tênis por WhatsApp. Para se cadastrar, adicione à agenda de seu celular o número +55 11 99007-1706 e envie para esse número uma mensagem contendo o texto guga97. Em alguns dias, você vai passar a receber, de graça, as notícias. Saiba mais aqui.


Semanas 10-11: domínio de Djokovic, título de Vika e otimismo para Nadal
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Alexandre Cossenza

Foram duas semanas e muito assunto, desde as incessantes menções ao doping de Maria Sharapova (que já foi bastante abordado neste blog) até os comentários de péssimo gosto do CEO de Indian Wells, Raymond Moore (que serão comentados em outro texto). Por enquanto, é hora de comentar os títulos de Novak Djokovic e Victoria Azarenka e listar algumas das notícias interessantes e curiosas dos últimos dias. Vamos lá?

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A campeã

Victoria Azarenka, enfim, está de volta ao top 10. O retorno vem com uma memorável vitória sobre Serena Williams: 6/4 e 6/4. Foi apenas o quarto triunfo de Vika sobre a atual número 1 do mundo em 21 jogos, mas vale ressaltar que todos eles aconteceram em finais de torneios (não, nenhum em um Slam).

A conquista em Indian Wells foi marcada pela consistência da bielorrussa, que poderia nem ter alcançado a final se não tivesse encontrado um tênis excelente no fim do primeiro set contra Karolina Pliskova. Azarenka acabou derrotando a tcheca em três sets e se viu diante de Serena na decisão.

O primeiro set começou com um game desastroso de Serena, e Vika aproveitou. Não que Serena não tenha criado chances. Teve cinco break points (em dois games diferentes), mas não conseguiu converter, esbarrando na consistência da adversária e em seus próprios erros. Em diversos momentos do jogo, a americana tentou se impor com a força dos golpes, mas distribuindo pancadas de maneira pouco inteligente.

A segunda parcial começou com Serena errando ainda mais. Vika viu a chance e disparou no placar, abrindo 4/0. Nesse período, a número 1 quebrou uma raquete quando foi quebrada pela segunda vez. A árbitra aplicou, então, uma advertência. Ao chegar no banco, Serena quebrou mais uma raquete – esta, ainda dentro do plástico, ao estilo Baghdatis. Por isso, tomou mais uma punição e perdeu um ponto.

Azarenka teve 5/1, mas Serena reagiu. Devolveu uma quebra e forçou Vika a sacar em 5/4. A americana, então, teve mais dois break points. Como aconteceu em quase todo o jogo, a bielorrussa se salvou. Primeiro, com um ace. Depois, com um erro da adversária. Dois pontos depois, Azarenka comemorava o título e seu retorno ao top 10 – ela estava fora do grupo desde agosto de 2014. Aposto que nem o susto do canhão de papel (vide tuíte abaixo) incomodou…

O campeão

Pela quinta vez, Djokovic levantou o troféu em Indian Wells. Foi sua 17ª vitória seguida no torneio e a 16ª consecutiva em um Masters 1.000 (a última derrota foi para Federer em Cincinnati). O sérvio agora soma 27 títulos em torneios deste nível e 62 ao todo na carreira. E seu domínio se reflete no ranking: com 16.540 pontos, Djokovic tem 8.170 de vantagem sobre Andy Murray, o número 2 do mundo. Comparando com Federer e Nadal, o sérvio tem 1.150 pontos a mais que o dobro do suíço e 1.570 a mais do que o triplo do espanhol.

A final foi entediante. Com Raonic longe de estar em suas melhores condições, Djokovic fez abriu 4/0 rapidinho e passeou em quadra depois disso. O placar final mostrou 6/2 e 6/0. Foi mais um caso daqueles em que a superioridade do sérvio deixou uma final sem graça. Não ouso repetir o que já analisei a fundo aqui.

Sobre a campanha, talvez o momento mais intrigante tenha sido o primeiro set contra o americano Bjorn Fratangelo, que venceu por 6/2. Até ali, ficava a impressão de que Djokovic havia chegado da Copa Davis fora de forma e corria o risco de ser eliminado de forma precoce. Pois não aconteceu nem ali nem nunca mais. Nem mesmo com Jo-Wilfried Tsonga fazendo dois ótimos sets (e dois péssimos tie-breaks) ou com Rafael Nadal sendo competitivo.

Nadal voltou?

É até possível que Rafael Nadal tenha deixado Indian Wells quase tão contente quanto Djokovic. Não só pelos 360 pontos (numericamente, o melhor resultado da temporada) das semifinais, mas por como se desenrolou sua campanha no torneio californiano. Depois de perder jogos apertados em Melbourne, Buenos Aires e Rio de Janeiro, o ex-número 1 ganhou três jogos assim na mesma semana.

Primeiro, saiu vencedor em uma partida tensa contra Gilles Muller. Em seguida, faturou um tie-break duríssimo contra Fernando Verdasco. Depois, escapou de dois match points contra Alexander Zverev, que teria triunfado se não errasse um voleio fácil. O momento favorável continuou com uma virada que parecia improvável no primeiro set contra Kei Nishikori – foi sua primeira vitória sobre um top em 2016.

Além disso, o espanhol se mostrou competitivo contra Djokovic de uma maneira que não vinha sendo há algum tempo. Nadal, aliás, chegou a ter um set point na primeira parcial da semi, mas Djokovic escapou com um winner de direita.

Tão importante quanto os resultados e a confiança adquirida com eles foi o nível de tênis exibido. Nadal foi consistente como não era há algum tempo. Não, o ex-número 1 não abandonou totalmente a tentativa de ser mais agressivo, mas foi menos afobado e tomou decisões melhores em todo o torneio – inclusive no duro duelo com o brilhante (e ainda inconsistente) Zverev.

O serviço, não esqueçamos, ainda continua um calcanhar de aquiles. Nadal continua ganhando poucos pontos de graça com o primeiro saque e, para piorar, segue com um segundo serviço lento e vulnerável. Uma tentativa de lidar com o dilema foi vista nas quartas, contra Nishikori, quando Nadal reduziu a potência e encaixou 89% de seus primeiros saques. No entanto, sacar entre 160 e 170 km/h não adiantaria contra Djokovic, e Nadal precisou acelerar na semifinal. Ainda assim, as excelentes devoluções do sérvio mantiveram o espanhol pressionado durante a maior parte do confronto.

Em todo caso, vale ficar de olho em Nadal durante o Masters de Miami para ver se a consistência se mantém. Em caso positivo, será que a temporada europeia de saibro lhe conduzirá de novo aos grandes títulos? Será?

A nova número 2

A novidade da semana no ranking é a subida de Agnieszka Radwanska, que assumirá a vice-liderança nesta segunda-feira. A polonesa se garantiu como número 2 ao derrotar Petra Kvitova por 6/2 e 7/6(3). E, como apontou a WTA, Aga alcançou pelo menos a semifinal em oito dos últimos nove eventos que disputou. No período, foi campeã em Tóquio, Tianjin, Cingapura (WTA Finals) e Shenzhen.

Kvitova, por sua vez, não se encontrou ainda na temporada. A tcheca, que se separou do técnico David Kotyza, após o Australian Open, acumula mais derrotas do que vitórias desde então. Em Indian Wells, penou para vencer jogos contra Kovinic (7/6 no terceiro set), Larsson (7/5 no terceiro set) e Gibbs (6/4 no terceiro). Diante de Radwanska, primeira cabeça de chave que precisou enfrentar, não conseguiu forçar mais um terceiro set.

Fiascos junto à rede

O torneio de Indian Wells também viu smashes… nada admiráveis. Sim, o sol tem sua parcela de culpa, mas vale ver Magdalena Rybarikova, que fez isso quando vencia por 4/1 o terceiro set contra Belinda Bencic…

Mas nem foi o pior erro de smash do torneio. A mesma Rybarikova, sacando para fechar o mesmo jogo, conseguiu errar esse golpe:

Rybarikova pode ter errado o smash mais fácil, mas certamente aquele ponto perdido não foi o mais doído do torneio. Essa honra pertence a Stan Wawrinka, que teve a chance de fazer 6/5 no tie-break do terceiro e chegar a um match point contra David Goffin, mas falhou miseravelmente.

Eu escrevi o parágrafo acima na tarde de quarta-feira. À noite, Alexander Zverev tornou-se forte candidato a roubar o “título” de Wawrinka. Sacando em 5/3 e 40/30, com match point para eliminar Rafael Nadal, o alemão de 18 anos jogou um voleio nada difícil na rede.

Depois disso, Zverev implodiu mentalmente. Venceu apenas um dos 16 pontos seguintes e cedeu a virada a um competentíssimo espanhol.

Fora de quadra

Muito já foi escrito neste blog sobre Maria Sharapova e seu caso de doping, mas vale lembrar que, nesta semana, a ONU suspendeu a russa de sua posição de embaixadora da boa vontade. Em comunicado, a Organização das Nações Unidas agradece a Sharapova pelo apoio, mas diz que sua participação e as atividades planejadas ficarão suspensas enquanto a investigação continuar.

Chupa

A empresa russa Rubiscookies lançou uma linha de pirulitos “100% Sharapova, sem meldonium”. Os doces vêm no formato da cabeça da tenista. O fabricante prometeu doar 50% dos lucros a instituições de caridade apoiadas por Sharapova.

O bom samaritano

É o tipo de situação que quando acontece em um jogo de exibição, as pessoas ficam se imaginando se o tenista faria o mesmo em uma partida oficial e equilibrada. Pois Djokovic fez nas quartas de final, no tie-break do primeiro set contra Jo-Wilfried Tsonga. Depois de ganhar o ponto e ouvir o placar de 3/0 anunciado pelo árbitro de cadeira, o número 1 do mundo admitiu que havia tocado na bola e deu o ponto ao francês. Veja o momento:

De volta à quadra

Roger Federer voltará em Miami. O suíço, que andou treinando com uma camisa estampada com seu próprio emoji, fez o anúncio do retorno usando ideogramas:

A recuperação de Federer foi mais rápida do que o planejado. O número 3 do mundo tinha em seu calendário apenas o Masters 1.000 de Monte Carlo, no mês que vem. O torneio monegasco, aliás, foi incluído logo que o suíço anunciou a cirurgia no joelho. Será que agora, com a participação em Miami, Monte Carlo vai ser deixado de lado mais uma vez?

Bolão impromptu da semana

Como sempre, joguei no ar uma pergunta durante o torneio. O acertador, desta vez, foi João Henrique Macedo, que acertou o número de games vencidos por Rafael Nadal contra Novak Djokovic, no sábado.

O tuíte quase aleatório da semana

De Genie Bouchard, na quinta-feira, o St. Patrick’s Day.


Semana 7: um decepcionante Nadal e um trio de jovens em ascensão
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Alexandre Cossenza

Como todos vocês sabem, o blog tirou miniférias na segunda-feira, então o resumo desta sétima semana de 2016 será menor do que de costume. Ainda assim, há bastante a dizer sobre Rafael Nadal em Buenos Aires e outros assuntos, como a ótima campanha do garotão Taylor Fritz em Memphis, a entrada de Belinda Bencic no top 10 e a conquista de Dominic Thiem no saibro portenho.

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O intrigante Nadal

Antes de mais nada, não dá para não comentar a semana desastrosa de Rafael Nadal em Buenos Aires. Além da dor de barriga e das dificuldades encontradas com o calor e a umidade, o espanhol fez dois péssimos jogos em sequência. Primeiro, na sexta-feira, encontrou dificuldades inesperadas contra Paolo Lorenzi. Venceu por 7/6(3) e 6/2, mas jogando um tênis confuso, com escolhas de golpes ruins e execuções igualmente inconstantes. Triunfou porque a diferença de nível para o atual #52 era muito grande.

Depois, no sábado, fez mais do mesmo contra Dominic Thiem, 22 anos, #19 do mundo e bastante talento à disposição. Não foi o bastante, embora os nervos de Thiem tenham colaborado a ponto de Nadal ter um match point. O austríaco, contudo, salvou-se de maneira gloriosa (vide Vine abaixo) e beneficiou-se de um tie-break pavoroso do espanhol para fazer 6/4, 4/6 e 7/6(4).

Nadal começou o ano se dizendo em melhor forma do que em 2015, mas os resultados e as atuações recentes apontam o contrário. Uma queda na estreia em Melbourne, onde seu saque foi vilipendiado por Fernando Verdasco, foi seguida de atuações assustadoras para seu padrão de jogo no saibro.

O Nadal de Buenos Aires foi, provavelmente, o pior Nadal da história em um torneio de saibro. Oscilou entre seu tênis de segurança, mais adequado para o piso, e o estilo agressivo que tentou aplicar nas quadras duras. Não fez nenhum dos dois com consistência. Nem sequer aplicou a tática de bolas altas no backhand de uma só mão de Thiem. O saque foi frágil. O backhand, idem.

Muito se fala da necessidade de Nadal trazer um técnico de fora, alguém que se junte a tio Toni e procure as soluções que o espanhol não encontra desde 2015. Ainda que aos olhos de muitos pareça um recurso ao qual Nadal terá de recorrer em algum momento, vale lembrar que as atuações de Buenos Aires parecem muito além dos serviços de um treinador.

No saibro portenho (no saibro!), o ex-número 1 esteve confuso em seu plano de jogo. Foi afobado, agressivo e excessivamente defensivo. Tudo no mesmo jogo (às vezes no mesmo ponto!) e sem fazer nada bem. A não ser que Nadal esteja escondendo uma lesão ou algum problema recente, é difícil entender o que aconteceu com seu tênis – que inclusive parecia mais sólido no fim de 2015.

Toni disse recentemente que se não fosse tio, provavelmente já teria sido dispensado, mas não custa lembrar: foi com Toni que Nadal sacou frequentemante acima dos 200 km/h no US Open de 2010. Toni também sempre recebeu quase todo crédito pela força mental de Nadal. Será que a solução passa mesmo por um novo técnico? E será que há solução?

Enquanto o tênis segue aguardando essa resposta, vale ressaltar que Nadal não parece tão incomodado. Após a derrota para Thiem, disse que não estava preocupado “porque não uma fiz uma partida ruim hoje, apenas me faltou consistência, me faltou cometer menos erros, principalmente com o revés.” Sim, Nadal esteve a um ponto da vitória, mas o que se viu no sábado pareceu muito, muito longe do espanhol que o mundo se habituou a ver no saibro.

Os brasileiros

Thomaz Bellucci pulou Buenos Aires, o que pode ter feito um bem danado. Embora tenha conquistado sua primeira vitória em um ATP na capital argentina, as altas temperaturas e a umidade da cidade portenha não renderam boas memórias. Aquele primeiro triunfo, ainda em 2008, é seu único no torneio até hoje.

Nas duplas, Bruno Soares não jogou, mas Marcelo Melo tentou a sorte em Roterdã ao lado de Ivan Dodig. O número 1 do mundo e seu parceiro croata perderam nas quartas de final (segunda rodada) para Henri Kontinen e John Peers: 3/6, 7/6(2) e 10/7. Melo e Dodig tiveram match point no segundo set.

Em Buenos Aires, ninguém passou da estreia. Marcelo Demoliner, em parceria com Alber Ramos-Viñolas, foi derrotado pelos colombianos Juan Sebastian Cabal e Robert Farah por 7/6(5) e 6/2. André Sá, por sua vez, formou parceria com o argentino Máximo González e foi superado por Gero Kretschmer e Alexander Satschko: 6/1 e 7/5.

Os campeões

No 500 de Roterdã, o ATP mais valioso da semana (em pontos, pelo menos), Martin Klizan protagonizou uma das semanas mais espetaculares da história recente nos ATPs 500. Salvou cinco match points nas quartas de final contra Roberto Bautista Agut e outros três na semi contra Nicolas Mahut antes de derrotar Gael Monfils por 6/7(1), 6/3 e 6/1 na decisão.

Ao todo, foram três viradas em sequência e seu melhor resultado da carreira. Klizan, #43, agora tem quatro títulos em quatro finais disputadas (também venceu São Petersburgo em 2012, Munique em 2014 e Casablanca em 2015). Ah, sim: a ATP informa (vide tuíte acima) que desde 2001 ninguém salvava tantos match points rumo a um título.

Em Buenos Aires, a sensação foi o austríaco Dominic Thiem, 22 anos, que eliminou Rafael Nadal nas semifinais – depois de salvar match point – e superou Nicolás Almagro na decisão por 7/6(2), 3/6 e 7/6(4). Ressalto: foram duas partidas longas em dois dias, e Thiem venceu todos games de desempate. Ainda que tenha contado com uma atuação abaixo da crítica de Nadal, o austríaco anota um resultado maiúsculo em sua jovem carreira.

Número 22 do mundo antes da conquista na Argentina, Thiem agora soma quatro títulos na carreira. Todos vieram no saibro em em eventos da série 250. Os três anteriores foram em 2015: Gstaad, Umag e Nice. Seu único vice foi em 2014, também no saibro, em Kitzbuhel.

Em Memphis, Kei Nishikori foi campeão. Até aí, surpresa nenhuma. A novidade mesmo foi a presença do americano Taylor Fritz, 18 anos e #145, na final. O adolescente até que deu trabalho ao favorito no primeiro set, mas acabou não conseguido igualar a consistência do rival. Nishikori levou a melhor por 6/4 e 6/4.

O triunfo deste domingo foi o 17º seguido do japonês em Memphis. Ele venceu as quatro últimas edições da competição. Para Fritz, que fazia apenas seu terceiro torneio de nível ATP, vale a memória de ter sido o mais jovem americano em uma final deste porte desde 1989.

No WTA mais importante da semana, em São Petersburgo, Roberta Vinci derrotou Belinda Bencic na final por 6/4 e 6/3. A italiana fez seu jogo de variações e escolheu bom os momentos de ir à rede. Ao todo, em 25 subidas, ganhou 17.

A veterana de 32 anos conquistou seu primeiro torneio de nível Premier. Enquanto isso, se serve de consolo, Bencic, 18 anos, aparecerá como no top 10 no ranking desta segunda-feira pela primeira vez na carreira.

Nas duplas, o registro quase semanal é mais uma conquista de Martina Hingis e Sania Mirza. #Santina conquistou sua 40ª vitória seguida ao bater Vera Dushevina e Barbora Krejcikova por 6/3 e 6/1 na final.

A última derrota de Hingis e Mirza como parceria aconteceu em agosto do ano passado, nas semifinais de Cincinnati, diante de Hao-Ching Chan e Yung-Jan Chan, de Taiwan. As irmãs Chan, aliás, também foram campeãs neste domingo. Em casa, no WTA de Kaohsiung, elas bateram as japonesas Eri Hozumi e Miyu Kato na final por 6/4 e 6/3, em 1h17min de partida.

Falando no modesto WTA de Kaohsiung, o torneio só não foi minúsculo graças à presença de Venus Williams, atual #12. A americana aproveitou a chave fraca e conquistou seu 49º título na carreira ao derrotar na final a cabeça 2, Misaki Doi, #62, por 6/4 e 6/2. Venus, vale lembrar, não perdeu um set sequer.

Foi o terceiro título seguido da ex-número 1 do mundo na Ásia. As duas conquistas anteriores de Venus aconteceram em Wuhan e Zhuhai.

Lances bacanas

Nem vou tentar descrever esse voleio de Dustin Brown em Bergamo…

A cidade italiana parece fazer bem ao alemão. Em 2014, ele fez essa passada que a ATP resgatou nos últimos dias:

Gael Monfils é bem parecido com Dustin Brown no sentido de deixar o espectador sem saber se um golpe foi muito fácil ou se o tenista foi displicente na execução. Até agora não entendi qual foi o caso neste ponto do francês em Roterdã.

Em Roterdã, a semifinal entre Martin Klizan e Nicolas Mahut teve até uma cambalhota do eslovaco para comemorar.

Klizan tinha lá seus motivos para comemorar. Pouco antes deste game, ele salvou um match point quando sacou em 3/5 no segundo set. A cambalhota veio ao quebrar Mahut e igualar a parcial em 5/5. Klizan ainda salvou outros dois match points no tie-break para forçar o terceiro set e vencer por 6/7(3), 7/6(7) e 6/2.

Outro pontaço da semana veio como cortesia de Ricardas-Richard-Ricardas-de-novo Berankis. O lance veio na partida contra Taylor Fritz, que acabou saindo vencedor por 2/6, 6/3 e 6/4.

Fanfarronices publicitárias

Milos Raonic desistiu do ATP de Delray Beach, mas apareceu para o jogo das celebridades do All-Star Weekend da NBA (não acho que seja um crime). O canadense até protagonizou a enterrada abaixo!

A melhor história

A reportagem mais interessante entre as que li estava no New York Times e contava a história de Denis Pitner, um árbitro croata que foi suspenso do tênis em agosto do ano passado. Segundo a ITF, Pitner enviou informações sobre o bem-estar físico de um jogador a um técnico durante um torneio. Ele também regularmente se conectava a uma conta em um site de apostas. A tal conta realizava apostas em jogos de tênis. A parte surreal da história – e é o foco da reportagem – é que o árbitro, mesmo suspenso, trabalhou como juiz de linha no US Open. O texto na íntegra (em inglês) está neste link.


Semana 6: zebra na Fed Cup, vices de Bellucci e a falta de Sharapova
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Alexandre Cossenza

O Australian Open mal acabou, e o circuito mundial voltou à rotina com força total. Além de três ATPs 250 (Sofia, Montpellier e Quito), a Fed Cup começou quente em 2016, com nomes grandes em quadra. Até quem ficou fora – caso de Maria Sharapova – deu o que falar. Também teve muito Brasil em ação, tanto em Quito, onde Thomaz Bellucci foi vice-campeão duas vezes, quanto na Bolívia, onde o time brasileiro da Fed Cup perdeu uma ótima chance de avançar aos playoffs.

Só que este “Resumaço da Semana” não tem só isso. Ele inclui uma “previsão” olímpica; vídeos de lances bacanas; fanfarronices publicitárias; uma notícia feliz, uma notícia triste e uma notícia curiosa; uma ausência no Rio de Janeiro; e os melhores tuítes dos últimos sete dias. Que tal lembrar, então, o que houve de mais interessante? Role a página e confira.

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Os brasileiros

A semana de Thomaz Bellucci em Quito foi ótima, e o brasileiro tirou bastante da altitude – que costuma lhe ser bastante favorável – e da chave acessível. No entanto, terminou de forma amarga, já que Bellucci acabou superado pelo dominicano Victor Estrela Burgos (#58): 4/6, 7/6(5) e 6/2.

O revés é doído duplamente, já que Bellucci, além de ser o tenista com mais potencial em quadra, deixou escapar uma ótima chance de triunfar. O paulista venceu o primeiro set sem muito drama e teve oportunidades no segundo. Conseguiu um break point no 11º game, mas não conseguiu converter. Pouco depois, no tie-break, desperdiçou um mini-break ao mandar para fora uma direita fácil. Em seguida, com o placar em 4/4, errou um slice nada complicado.

Estrella Burgos aproveitou as chances que teve. Virou o game de desempate com uma ótima direita de dentro para fora, fechou o set e abriu a terceira parcial com uma quebra. A essa altura, o saque de Bellucci, que deu tanto trabalho ao dominicano e rendeu muitos pontos grátis até o fim do segundo set, já não incomodava mais. Estrella Burgos começou a bloquear com eficiência o serviço do brasileiro e reduziu seus erros. Esperou por falhas do brasileiro. Elas vieram e fizeram a diferença no jogo.

É bom que se diga sempre: Victor Estrella Burgos, bicampeão em Quito, 35 anos, é um “exemplo de luta e superação” no melhor sentido do velho clichê. E sua comemoração, primeiro descendo o toboágua e, depois, convidando os boleiros para um mergulho, foi de uma alegria contagiante.

Feijão e Rogerinho também disputaram o ATP 250 de Quito. Rogerinho foi eliminado na estreia por Pablo Carreño Busta (6/3 e 6/1), mas Feijão furou o quali e até venceu o argentino Facundo Arguello na estreia: 6/3 e 7/6(7). O tenista de Mogi quase também aprontou uma grande zebra, mas levou a virada do espanhol Feliciano López (#22) depois de vencer o primeiro set e forçar um tie-break na segunda parcial. O espanhol fez um game de desempate perfeito e deslanchou na partida, triunfando por 4/6, 7/6(5) e 6/2.

Nas duplas, Bellucci também fez um bom torneio. Ele e Marcelo Demoliner foram vice-campeões, perdendo a final para Pablo Carreño Busta e Guillermo Duran: 7/5 e 6/4. Feijão, que jogou com Victor Estrella Burgos, e André Sá, cabeça 1 ao lado de Santiago González, também estavam na chave, mas não foram longe. Sá caiu na estreia, enquanto Feijão perdeu nas quartas (segunda rodada).

O Brasil na Fed Cup

O time do Brasil mais uma vez falhou na tentativa de subir para o Grupo Mundial II. A equipe formada por Teliana Pereira, Bia Haddad, Paula Gonçalves e Gabriela Cé venceu os fracos conjuntos de Equador e Peru, mas acabou derrotada pela Argentina no duelo que definiu um dos finalistas do Zonal.

O confronto começou com Bia Haddad (#237) abrindo 5/2, mas sendo superada pela adolescente Nadia Podoroska (18 anos, #319, número 4 da Argentina) por 7/5 e 6/3. Em seguida, Teliana (#44) fez 6/0 e 6/0 (!) em cima da número 1 argentina, Maria Irigoyen (#199). A decisão veio nas duplas, e a parceria de Irogoyen e Catalina Pella derrotou Bia e Paula Gonçalves por duplo 6/3 (as brasileiras tiverem 3/0, com duas quebras de vantagem, no segundo set).

A derrota brasileira dá uma enorme sensação de chance desperdiçada, já que a Argentina vinha sem as mais experientes Florencia Molinero (#293) e Paula Ormaechea (#295). Além disso, Colômbia e Paraguai, dois times mais fortes do outro grupo, estavam sem suas melhores tenistas – Mariana Duque Mariño (#81) e Veronica Cepede Royg (#131).

Também preocupa a declaração de Fernando Roese, capitão brasileiro na Fed Cup, que fala em “aprender essa experiência de jogar torneios por equipes, principalmente uma Fed Cup, que é algo que nos falta ainda.” Não sei se Roese falava de si mesmo na primeira pessoa do plural (alguns técnicos fazem isso), mas fato é que a base deste time vem jogando a Fed há algum tempo. Teliana entrou em quadra pelo Brasil em seis confrontos de Fed Cup. Paula Gonçalves, quatro. Gabriela Cé e Bia Haddad, três.

Vale a pergunta: se um dirigente diz que o momento do tênis brasileiro é ótimo quando Bruno Soares conquista dois Slams em um dia, o que essa mesma pessoa diz quando o time da Fed Cup perde um confronto ganhável assim? É o tipo de argumento frágil, que naufraga resvalando num cubo de gelo. Não são os resultados de um par de veteranos (nem do time da Fed, obviamente) que provam ou deixam de provar a competência do trabalho feito no tênis brasileiro.

E se você está imaginando, caro leitor, não, nenhum dirigente se manifestou sobre o momento do tênis brasileiro após a Fed Cup. Nem o presidente da CBT nem o diretor da Brasil Tennis Cup, autor do tuíte acima.

Os outros campeões

Estrella Burgos não foi o único veterano a fazer boa campanha na semana. Paul-Henri Mathieu, aquele, 34 anos, alcançou a final em Montpellier e teve até chances contra o compatriota Richard Gasquet. O veterano sacou em 5/4 para fechar o primeiro set, mas perdeu a chance. Gasquet saiu do buraco e arrancou para vencer por 7/5 e 6/4, conquistando seu terceiro título em Montpellier e o 13º na carreira (em 25 finais disputadas). Mathieu, por sua vez, não levanta um troféu desde 2007. Ele soma dez finais de ATP na carreira e perdeu as últimas quatro decisões que jogou: Metz (2008), Hamburgo (2009), Kitzbuhel (2015) e Montpellier.

No ATP estreante de Sofia, em uma chave nada dura, a final colocou cara a cara dois tenistas que sabem escolher calendário: Roberto Bautista Agut e Viktor Troicki. O espanhol levou a melhor por 6/3 e 6/4 e encerrou a semana (foram só três jogos, na verdade) sem perder sets. Número 18 do mundo no começo da semana, Bautista Agut agora soma 12 vitórias e duas derrotas em 2016. Em quatro torneios disputados, foi campeão em dois (Auckland e Sofia). Troicki não fica muito atrás, com dez vitórias e três reveses. Em quatro eventos, foi campeão em Sydney e agora soma este vice de Sofia. Não por acaso, era o #22 na segunda-feira.

A elite da Fed Cup

A polêmica começou ainda em Melbourne, com Maria Sharapova dizendo que tinha dores no braço e que iria até Moscou, mas para não jogar. A declaração não foi bem vista pelo presidente da Federação Russa, Shamil Tarpischev, que deu a entender que poderia deixar a loira fora dos Jogos Olímpicos (sim, ele tem esse poder mesmo com Sharapova cumprindo o número mínimo de aparições pelo time nacional na Fed Cup).

A capitã, Anastasia Myskina, acabou escalando Sharapova para as duplas – o quinto jogo, que teoricamente não valeria nada porque a Rússia era favorita contra a Holanda e, supostamente, encerraria o confronto antes. Difícil dizer o quanto essa confusão afetou o time, mas a Rússia tombou sonoramente diante da Holanda, que fez 3 a 0 com duas vitórias de Kiki Bertens (sobre Kuznetsova e Makarova) e uma de Richel Hogenkamp. O triunfo de Hogankamp sobre Kuznetsova, aliás, durou 4h e estabeleceu um novo recorde para partida mais longa na história da Fed Cup.

Por enquanto, é difícil saber como terminará o imbróglio de Sharapova com sua federação, mas durante o fim de semana houve relatos de que a ex-número 1 não treinou e nem levou raquetes para Moscou. Segundo o jornalista holandês Abe Kuijl, Myskina disse ter ficado sabendo na quinta-feira que Sharapova não tinha condições de jogo. Será que ela foi a última a saber? Ao ser escalada, Maria cumpre o requisito mínimo para participar dos Jogos Olímpicos. Ainda assim, existe o risco de sua federação não lhe indicar para os Jogos. Tudo leva a crer que essa novela ainda terá alguns capítulos tensos.

Dois confrontos só foram decididos no quinto jogo. Na Romênia, com duas derrotas de Petra Kvitova, a República Tcheca precisou de Karolina Pliskova, que correspondeu. Bateu Simona Halep no sábado, na abertura da série, derrotou Monica Niculescu no domingo para igualar o duelo, e voltou à quadra nas duplas para selar a vitória ao lado de Barbora Strycova.

O resultado é mais um daqueles que mostram o quão difícil é superar uma República Tcheca que tem Kvitova, Safarova, Pliskova(s), Strycova, Hradecka e Hlavackova… Ou seja, há sempre a possibilidade de formar um timaço. Não por acaso, o time foi campeão em quatro das últimas cinco edições da Fed Cup.

Em Leipzig, o nome do fim de semana foi Belinda Bencic, que bateu Andrea Petkovic e Angelique Kerber nas simples. Com o duelo empatado em dois a dois, Bencic teve a ajuda de Martina Hingis para superar Anna-Lena Groenefeld e Andrea Petkovic na partida de duplas.

O único time da casa a vencer no fim de semana foi a França, que aproveitou a quadra dura indoor para despachar a Itália, apesar de Camila Giorgi abrir o confronto com vitória das visitantes. Foi, contudo, o único triunfo italiano. Caroline Garcia bateu Errano no sábado e Giorgi no domingo, enquanto Mladenovic superou Errani no sábado. Nas duplas, apenas cumprindo tabela, Giorgi e Mladenovic superaram Caregaro e Errani.

Lances bacanas

Uma curtinha assim é sempre admirável, não?

Que tal esse voleio de Gilles Simon em Montpellier?

Fanfarronices publicitárias

Marcelo Melo disputou uma “partida” de tênis via Twitter. Na teoria, os fãs digitavam no Twitter, junto com uma hashtag, que tipo de golpe queriam que as máquinas jogassem para o mineiro rebater. Foi uma iniciativa interessante e original da Centauro, mas não tão bem executada assim. Aconteceu no meio da tarde de quinta-feira e as redes sociais ainda divulgavam um endereço de YouTube errado. Eu mesmo fiquei sem saber aonde ir. Só não foi um fiasco maior porque Marcelo tem carisma pra carregar sozinho diante da câmera uma ação assim. Mesmo assim, o número de pessoas assistindo simultaneamente não passou de 100. Uma pena.

Não é exatamente uma fanfarronice, mas o Rio Open divulgou esta foto durante a semana. O chamado “Time Rio Open Brasil” no Corcovado.

As previsões

A empresa holandesa Infostrada, especializada em estatísticas esportivas, mantém um quadro com previsões de medalhas para os Jogos Olímpicos. Após o Australian Open, a empresa atualizou seu adivinhômetro da maneira abaixo para o tênis:

Segundo a empresa, o Brasil ganhará o ouro nas duplas masculinas e a prata nas duplas mistas (Teliana se deu bem). A Infostrada também prevê Agnieszka Radwanska com a prata nas simples femininas e a Índia com a prata nas duplas femininas (apesar de Sania Mirza não tem uma parceira à altura).

A melhor história

O Tenisbrasil publicou uma entrevista com Carlos Bernardes. Embora não tenha falado sobre o episódio com Rafael Nadal (Bernardes sabe muito bem onde pode pisar), o árbitro brasileiro falou um pouco sobre sua vida, a carreira de árbitro e deu declarações interessantes e nada politicamente corretas sobre o Centro Olímpico de Tênis. Bernardes inclusive aponta que a quadra central foi pintada de forma errada. “A verdade é que nunca perguntaram nada para gente. Eu só acho que uma opinião das pessoas do meio seria bem-vinda. Tanto é que a quadra foi pintada errada … então porque não chegar para o Guga, e perguntar o que você acha?” A entrevista inteira está neste link.

A notícia mais feliz

Juan Martín del Potro anunciou que voltará a jogar no ATP de Delray Beach. O argentino, como de hábito, gravou um vídeo para atualizar fãs e jornalistas de suas condições e do que espera de seu retorno.

A notícia não tão feliz

Eugenie Bouchard não virá mais para o Rio Open. O torneio confirmou a informação pouco depois de o Tennis Forum dar a canadense como ausência. A informação oficial é que Bouchard mudou de planos e decidiu tirar mais tempo para treinar. Tudo indica que ela pretende estar em forma para os WTAs de Indian Wells e Miami, disputados em quadra dura não muito depois do Rio Open (saibro).

Para os brasileiros, a versão “copo meio cheio” dessa notícia é que Teliana Pereira terá uma chave ainda mais fácil no Rio de Janeiro. O torneio, que é disputado no calor, em piso lento e está entre os mais fracos do calendário, parece feito sob medida para a brasileira ir longe. Ela será a principal cabeça de chave e não parece ser exagero colocá-la como favorita.

A notícia mais estranha

Na terça-feira, Roger Federer revelou que havia passado por uma artroscopia no joelho esquerdo para reparar um menisco rompido. O comunicado, publicado no site oficial do suíço, não dizia qual era o joelho lesionado, mas informava que a lesão foi sofrida um dia depois da semifinal do Australian Open. O suíço descreveu assim o incidente em sua conta no Twitter:

Federer deixará de disputar os ATPs 500 de Roterdã e Dubai e, se tudo correr como o esperado, voltará às quadras no Masters 1.000 de Indian Wells. Caso não faça modificações em seu calendário original, o suíço só jogará em Roland Garros depois disso. O ex-número 1 do mundo e atual terceiro colocado no ranking, porém, ainda pode optar por incluir Miami ou algum dos Masters 1.000 de saibro, já que terá “descansado” nas semanas de Roterdã e Dubai.

Ainda sobre Melbourne

Angelique Kerber cumpriu a promessa e mergulho no Rio Yarra. Não era exatamente o mais recomendável para a saúde da alemã, mas quem ganha um Slam pode tudo (ou pelo menos acredita que pode), certo?

Had to keep my word! Jumped into the Yarra River 󾓚 #AusOpen2016 #TeamAngie #GrandSlamChampion

Posted by Angelique Kerber on Sunday, January 31, 2016

Os melhores tuítes segundo ninguém (uma breve coletânea descompromissada e completamente desprovida de critérios)

Esse era o público no sábado de qualifying no ATP de Buenos Aires. Olha que tem muito ATP por aí que não tem tanta gente assistindo sessão diurna, hein?

Dustin Brown riu desse hater.

A turnê de Bruno Soares pelos veículos de imprensa logo após as conquistas em Melbourne ganhou destaque na ATP.

Repito: não é tirar mérito de ninguém. Mas que tem sua dose de verdade…

Nada a ver com tênis, mas o mundo inteiro precisa ver isso:

Aviso

Tiro uma semana de “férias” antes do Rio Open e é bem possível que eu fique a maior parte do tempo desconectado. O blog possivelmente ficará parado até o dia 15. Agradeço aos que compreenderem e até a volta.


Semana 3: chuva, polêmica, um drop shot incrível e um brasileiro campeão
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Alexandre Cossenza

A última semana de tênis antes do Australian Open teve quatro torneios e, mesmo sem os favoritos a Melbourne em ação, sobrou assunto. Desde a polêmica envolvendo Bernard Tomic em Sydney, passando pela impressionante campanha de Svetlana Kuznetsova, incluindo um lance espetacular em Canberra e um título de Bruno Soares e Jamie Murray. Houve, também, muitas desistências. Role a página, leia tudo e fique por dentro antes que o primeiro Slam do ano comece.

Os campeões

O título mais relevante da semana talvez seja o de Svetlana Kuznetsova em Sydney. É bem verdade que o torneio perdeu Kvitova e Kerber antes de seu início e, mais tarde, Belinda Bencic abandonou, mas a russa derrotou, em sequência, Lisicki, Errani, Halep e Puig.

Foi uma campanha bastante respeitável que dá a Kuznetsova, atual #25, um novo status no Australian Open. Certamente, a russa será observada com mais atenção em Melbourne. Sua chave lá não é das mais fáceis, mas o nível de tênis apresentado esta semana foi bastante animador.

Sydney também foi muito importante para Monica Puig, ex-número 1 do mundo juvenil e que, aos 22 anos, vinha encontrando dificuldades para alcançar o nível de tênis e os resultados esperados. Nesta semana, contudo, a porto-riquenha do #PicaPower alcançou pela primeira vez na carreira uma semifinal (e uma final, claro) de um torneio Premier. Foi emocionante vê-la comemorar o triunfo sobre Sam Stosur nas quartas.

Em Auckland, a final foi meio baixo astral. Para aumentar a já enorme lista de abandonos da semana, Jack Sock, ainda com os sintomas de uma gripe/virose, desistiu quando perdia por 6/1 e 1/0. O espanhol Roberto Bautista Agut ficou com o título. A partida durou só meia hora.

De consolo para Sock, ficam as vitórias sobre Kevin Anderson (quartas) e David Ferrer (semi), além do começo de uma nova tradição, que é citada mais abaixo neste post. Sigam rolando a página.

Ajudado pelo papelão do cabeça de chave 1, Bernard Tomic (também citado mais abaixo, em “a polêmica”), o sérvio Viktor Troicki derrotou Teymuraz Gabashvili na semifinal e foi lutar pelo troféu contra Grigor Dimitrov no ATP de Sydney. E foi possivelmente a decisão mais emocionante da semana. Troicki sacou em 5/4 no terceiro set, mas foi quebrado e, pouco depois, precisou salvar um match point no tie-break. Foi aí que o sérvio mandou um backhand na linha para fechar a partida: 2/6, 6/1 e 7/6(7).

Troicki, é bom lembrar, defendia os pontos do título em Sydney. Ele agora tem três títulos na carreira – conquistou também Moscou/2010.

Em Hobart, torneio que foi muito atrapalhado pela chuva durante a semana, a decisão deixou a desejar, afinal esperava-se mais de uma partida entre Alizé Cornet e Eugenie Bouchard. A canadense, contudo, pouco ameaçou a francesa, que fez 6/1 e 6/2 e ficou com o título.

Não deixa de ser um resultado decepcionante para Bouchard, que vinha de ótimos resultados e vitórias sobre Camila Giorgi e Dominika Cibulkova. Além disso, Genie havia vencido as duas partidas anteriores contra Cornet.

As duas agora partem para missões complicadas em Melbourne. Bouchard pode fazer uma interessantíssima partida de segunda rodada contra Agnieszka Radwanska, que vem de título em Shenzhen, enquanto Cornet pode enfrentar Simona Halep, número 2 do mundo e vice-campeã em Sydney.

O lance da semana

Aconteceu no Challenger de Canberra, com o jogo empatado em 5/5 no terceiro set entre Marcel Granollers e Paolo Lorenzi. Vejam o que o espanhol fez para salvar um break point…

A polêmica

Na sexta-feira, os torneios de Sydney andavam atrasados por causa da chuva. Pouco depois de a chave do Australian Open ser sorteada, Bernard Tomic – ele de novo – abandonou o torneio no meio da partida contra Teymuraz Gabashvili. O russo vencia por 6/3 e 3/0 quando o tenista da casa abandonou. O garotão alegou problemas estomacais para deixar a quadra.

A desistência não pegou bem com o público local (nem com ninguém, na verdade) e, para piorar a situação de Tomic, não demorou a se propagar nas redes sociais um vídeo que mostra um diálogo entre ele e o árbitro de cadeira Mohamed Lahyani. Na conversa, Tomic lembra que tinha caído em uma chave boa em Melbourne e que estava pensando no Australian Open, e não em Sydney.

Os brasileiros

O destaque da semana foi o título de Bruno Soares em Sydney, onde fez seu segundo torneio ao lado do novo parceiro, Jamie Murray. Na final, contra Bopanna e Mergea, brasileiro e escocês saíram de 0/5 no tie-break do segundo set e fecharam a partida sem precisar jogar um dramático match tie-break: 6/3 e 7/6(6).

Na entrevista publicada pela ATP (no vídeo abaixo), Bruno e Jamie inclusive lembram que assumiram a liderança da “corrida” pelo ATP Finals. Ou seja, por enquanto o Brasil lidera os dois rankings de duplas.

Eliminada na primeira rodada em Brisbane, Teliana Pereira não teve sorte muito melhor em Hobart. A brasileira venceu apenas três games e foi superada pela britânica Heather Watson: 6/3 e 6/0. Na quadra dura e longe de sua zona de conforto, Teliana chegará ao Australian Open sem muito a comemorar. Em duas partidas, venceu apenas seis games.

Thomaz Bellucci acabou tendo um pré-Australian Open parecido. Eliminado por David Goffin na estreia em Brisbane, na última semana, o número 1 do Brasil voltou a cair na primeira rodada, desta vez em Sydney. O algoz da vez foi o ucraniano Alexandr Dolgopolov, que fez 6/1 e 6/4. Bellucci esteve pouco à vontade em quadra e não conseguiu lidar bem com as variações impostas pelo adversário.

Na chave de duplas, o paulista teve mais sorte. Ao lado do argentino Leo Mayer, passou por Gabashvili/Kukushkin e Erlich/Fleming, alcançando as semifinais. Brasileiro e argentino só foram eliminados por Bopanna e Mergea, que fizeram a decisão contra Bruno e Jamie.

Marcelo Melo jogou ao lado de Daniel Nestor nesta semana, e o triunfo na estreia significou a milésima vitória na carreira do canadense de 74 anos (brincadeira, são “só” 43). Melo e Nestor, porém, foram eliminados nas quartas por Lukasz Kubot e Marcin Matkowski: 6/4 e 6/3.

Em Auckland, André Sá e Chris Guccione não passaram da estreia. Seus algozes foram o croata Mate Pavic e o neozelandês Michael Venus: 6/4 e 6/2.

O qualifying

O Brasil tinha dois representantes no qualifying do Australian Open, e ambos foram eliminados na primeira rodada. José Pereira foi superado pelo americano Tim Smyczek por duplo 6/3, e André Ghem caiu diante do espanhol Adrián Menéndez Maceiras: 6/3, 4/6 e 6/3.

Feijão, Rogerinho e Guilherme Clezar também tinham ranking para tentar o quali em Melbourne, mas preferiram ficar na América do Sul para uma série de Challengers no continente. Feijão e Clezar, inclusive, se enfrentaram na primeira rodada em Buenos Aires, na última terça-feira. Rogerinho era o cabeça 2.

Fanfarronices publicitárias

Em Sydney, Grigor Dimitrov foi fazer aquelas fotos com animais da região. Novidade nenhuma, mas alguém precisa divulgar o torneio, né?

Bernard Tomic – olha ele aqui de novo! – foi ao Tower Eye de Sydney antes de abandonar o torneio. E lembremos que essa gaiatice publicitária já havia sido uma tentativa de apagar uma polêmica anterior. Alguns dias antes, o australiano de 23 anos expulsou tenistas amadores de uma quadra em um hotel e ainda xingou funcionários que tentavam apaziguar. O garotão acabou expulso do local.

A melhor história

Andy Murray escreveu um texto para o Players’ Tribune sobre sua relação com animais. O detalhe é que o – brilhante – artigo é muito mais profundo do que isso. Vale a pena ler (em inglês).

Os bons samaritanos

Acontece quase todo ano, mas é sempre bacana de ver. Quando a chuva interrompe o WTA de Hobert, todo mundo aparece para ajudar a secar a quadra. De vez em quando, até umas tenistas colaboram.

Não sei se qualifica como um gesto bacana dar uma meia usada (e suada!) de presente, mas o americano Jack Sock disse estar estreando uma tradição em Auckland. Por causa de seu sobrenome, vai jogar meias para o público sempre que ganhar uma partida. O primeiro “sortudo” foi o cidadão abaixo.


Mais desistências

Na terça-feira, o Australian Open anunciava a ausência de Karin Knapp, que tem um problema no joelho. Como informa o tweet do torneio, Aliaksandra Sasnovich ficou com seu lugar na chave principal.

Angelique Kerber deixou de jogar em Sydney alegando um problema gastrointestinal. Petra Kvitova também desistiu do torneio – coincidência ou não, pelo mesmo motivo. A tcheca, contudo, já treinava em Melbourne na terça-feira.

Entre os homens, Nick Kyrgios e Alexander Zverev desistiram de jogar o Kooyong Classic, tradicional torneio de exibição disputado na semana que antecede o Australian Open.

E se você chegou até aqui, já leu sobre o papelão de Tomic em Sydney. Pois no mesmo dia, a suíça Belinda Bencic desistiu do torneio nas semifinais. Monica Puig, que fazia sua primeira semifinal em um evento de nível Premier, vencia por 6/0 quando a oponente abandonou.

Bencic, vide tuíte abaixo, explicou que acordou se sentindo mal e vomitando., mas quis entrar na quadra em respeito a Puig. A suíça também pediu desculpas à adversária, reconhecendo que era sua primeira ida a uma final. A reação geral foi bem melhor do que no caso de Tomic, mas é bom lembrar que ninguém flagrou Bencic falando sobre sua chave em Melbourne…

Os melhores tuítes segundo ninguém (uma breve coletânea descompromissada e completamente desprovida de critérios)

Andy Roddick, que deveria ser considerado desde já o melhor ex-tenista comentarista, tuiteiro e tudo mais, deu esse fora bem dado em um cidadão brasileiro que se achou no direito de ser mal educado.

Quem disse que Genie Bouchard não consegue ser simpática?

Judy Murray lamentou a chuva em Hobart, mas nem tanto. No intervalo, aproveitou para dar uma espiada no muso “Deliciano” López.

Sabine Lisicki foi à praia em Sydney (Bondi Beach) e eu achei que seria motivo suficiente para colocar a moça nesta seção aqui.

Para terminar, não sei o que seria dessa seção sem os tuítes do @rocktenis


Semana 2: um pouco de tudo nos primeiros torneios do ano
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Alexandre Cossenza

A segunda semana do ano marca o início do calendário da ATP, e que início agitado foi este de 2016, não? Seis torneios, todos os grandes nomes masculinos em quadra, muitas lesões e um bocado de desistências entre as mulheres, jogadas de efeito, notícias quentes, vídeos curiosos, enfim… Não faltou assunto. Vamos tentar, então, lembrar o que aconteceu de mais relevante? Está no ar o primeiro resumaço da temporada e, se a ideia vingar, teremos mais uns 40 destes até o fim do ano. Rolem a página porque tem muita informação e diversão.

Os campeões

No circuito masculino, o maior campeão da semana é o de sempre: Novak Djokovic. O #1 do mundo passeou por Doha, conquistando o título sem perder sets e atropelando Rafael Nadal (6/1 e 6/2) na final. A última atuação, irretocável, rendeu elogios relevantes do rival. O espanhol disse que “desde que conheço esse esporte, nunca vi ninguém jogar nesse nível.

A frase ganhou destaque porque a lista de “desde que conheço este esporte” de Nadal obviamente inclui Roger Federer, tenista que muitos consideram o melhor de todos os tempos (não entro nessa discussão por acreditar que não há objetivo nem parâmetros justos para comparações). E se o maior vencedor de Slams dos últimos dez anos (Nadal venceu 13, contra 11 de Federer e 10 de Djokovic) diz que nunca viu ninguém melhor, é bom mesmo que o mundo preste atenção.

Pelo que os dois mostraram na semana, 2016 pode não ser tão diferente assim de 2015. Nadal fez um bom torneio, mas esteve longe do nível do sérvio. O espanhol ainda perdeu sets para Carreño Busta e Kuznetsov. Tivesse caído em um caminho mais complicado, talvez nem alcançasse a decisão. Aliás, é válido de registro o momento em que Nadal dirigiu-se a alguém na torcida durante a final e perguntou “você quer ser meu técnico?”.

 

Ao fim do jogo, já na cerimônia de premiação, Nadal lembrou da situação com bom humor, dizendo que tinha encontrado um técnico novo e que viajaria para a Austrália com ele. O público se divertiu.

 

Se o destaque da ATP não foi exatamente uma novidade, o maior assunto da WTA (depois das lesões e desistências) foi a conquista de Victoria Azarenka em Brisbane. A ex-número 1 do mundo atropelou todas adversárias (Vesnina, Bonaventure, Vinci, Crawford e Kerber) e conquistou seu primeiro título em quase dois anos e meio (desde Cincinnati/2013).

É bem verdade que Vika contou com uma pitada de sorte, já que Simona Halep, que seria sua adversária nas oitavas de final, abandonou o torneio antes de entrar em quadra. Ao mesmo tempo, fica a sensação de uma espécie de compensação divina para alguém que teve tantas chaves complicadas em 2015.

É importante ressaltar também o excelente nível de tênis da bielorrussa, que perdeu apenas 17 games e dominou Kerber na final. A partir do 3/3 do primeiro set, venceu nove games e perdeu apenas um. O vídeo da WTA abaixo mostra alguns dos bons momentos da decisão.

No ATP de Brisbane, o título ficou com Milos Raonic, que agora tem Carlos Moyá como seu treinador. O canadense, que viveu um 2015 longe do ideal por causa de lesões, derrotou na decisão o suíço Roger Federer, atual atleta de seu ex-treinador, Ivan Ljubicic. Sem revanchismo.

Para Raonic, a vitória por 6/4 e 6/4 na decisão “é talvez uma boa maneira de mostrar aos outros caras que enfrentarei em Melbourne que estou bem de novo e posso jogar um belo tênis outra vez.” Ao mesmo tempo, é importante lembrar que o suíço chegou a Brisbane informando que tinha “algo parecido com uma gripe” e que toda sua família teve os mesmos sintomas.

Em Chennai, mais do mesmo. Stan Wawrinka conquistou seu quarto título do torneio – o terceiro consecutivo. Com a vitória por 6/3 e 7/5 sobre Borna Coric na final, o suíço agora soma 12 vitórias e 24 sets consecutivos em Chennai. Em todo o torneio, foram 40 games de saque e apenas uma quebra.

É bem verdade que o evento indiano não é tradicionalmente o mais duro da semana, mas Wawrinka encontrou uma chave bastante respeitável e precisou passar por Rublev, García-López e Paire antes da decisão. O desfalque do torneio foi Kevin Anderson, cabeça 2, que desistiu de última hora por causa de uma lesão.

O WTA de Shenzhen foi talvez o menos relevante da semana, mas Agnieszka Radwanska tirou bom proveito. Ao derrotar Anna-Lena Friedsam na semifinal, garantiu-se como cabeça de chave 4 no Australian Open, derrubando Maria Sharapova para uma posição desconfortável. Em seguida, bateu Alison Riske por 6/3 e 6/2 e conquistou o título do evento chinês.

Em Auckland, com Venus Williams e Ana Ivanovic eliminadas na primeira rodada, Sloane Stephens aproveitou a chance e levou o título superando Julia Goerges na decisão: 7/5 e 6/2. É possível dizer que sua vitória mais relevante na semana veio na semifinal, contra Caroline Wozniacki, que fazia um excelente torneio até ali.

Por fim, não custa lembrar a sempre divertida e interessante Copa Hopman, que acabou com título do time verde da Austrália, que também tinha um time “dourado”. Na final Daria Gavrilova e Nick Kyrgios, ele mesmo, derrotaram a Ucrânia de Elina Svitolina e Alexander Dolgopolov.

O lance da semana

Ok, Dustin Brown não deu lá tanto trabalho para Novak Djokovic na primeira rodada em Doha. O alemão, porém, manteve sua média de pelo menos um lance espetacular por jogo. Contra o número 1 do mundo, ele simplesmente aplicou um lob segurando a raquete atrás do corpo. E ainda ganhou o ponto!

Os brasileiros

Primeira representante do país a entrar em quadra, Teliana Pereira (#46) não teve muito sucesso. Na forte chave de Brisbane, caiu contra Andrea Petkovic (#24) na estreia e venceu apenas três games: 6/1 e 6/2. Os números mostram que Teliana teve problemas para vencer pontos com seu serviço. Apesar do bom aproveitamento (67%), venceu apenas 48% dos pontos (14/29) com o primeiro serviço e 21% (3/14) com o segundo. Petkovic também teve problemas com o segundo saque (6/19 e 31%), mas salvou 10 de 11 break points. As chances de quebra não aproveitadas, inclusive, foram motivo de lamento da brasileira.

Thomaz Bellucci (#37) também perdeu na estreia. Seu algoz foi o belga David Goffin (#16), que fez 6/4 e 6/4. Foi uma bela atuação do belga, que deu poucos pontos de graça e esteve bastante sólido do fundo de quadra, jogando sempre com bolas fundas e dando poucas chances para o brasileiro comandar os pontos. Bellucci, por sua vez, não fez um jogo ruim, mas foi inconstante o suficiente para dar um par de games de graça para Goffin.

Nas duplas, Bellucci jogou ao lado do americano Steve Johnson e também foi eliminado na primeira rodada. Seus algozes foram os franceses Nicolas Mahut e Pierre Hugues Herbert, que fizeram 6/4, 3/6 e 13/11. O título ficou com Kontinen e Peers, que bateram Duckworth e Guccione na final por 7/6(4) e 6/1.

Em Doha, a estreia da parceria entre Bruno Soares e Jamie Murray não foi nada ruim. Brasileiro e escocês derrotaram Albot e Klizan na estreia e passaram por Chardy e Mathieu nas quartas. Nas semis, caíram diante de Feliciano e Marc López (3/6, 6/3 e 10/5), que foram campeões, superando Petzschner e Peya na final. André Sá também estava na chave em Doha, mas não passou da primeira rodada. Ele e Julian Knowle perderam para Bolelli e Stakhovsky: 7/6(6) e 6/1.

Fanfarronices publicitárias

Esta seção é dedicada àquelas atividades inúteis, mas que a galera aceita porque colocam gente famosa para divulgar uma cidade ou um torneio. Tipo Djokovic e Nadal jogando uma espécie de tênis na praia que passa longe do beach tennis. O sérvio postou um pequeno vídeo no Twitter.

Eu achei mais divertido ver Federer jogando com uma raquete (Wilson, claro) gigante em Brisbane. Era o “Kids Tennis Day Spectacular”, e o suíço jogava duplas mistas ao lado de Garbiñe Muguruza. Bob Esponja estava na beira da quadra.

A melhor história

Cortesia/mérito da Sheila Vieira, que conta a história do brasileiro que viajou com refugiados e foi salvo por uma foto com Novak Djokovic. Leia aqui!

O primeiro barraco do ano

Aconteceu em Auckland, na partida entre a britânica Naomi Broady e a letã Jelena Ostapenko. O jogo estava no tie-break do segundo set, quando Ostapenko, batida no ponto, atirou a raquete na direção da bola. A raquete bateu na lona do fundo de quadra e atingiu um boleiro. Foi a deixa para que Broady pedisse a desclassificação automática da adversária.

A letã tomou apenas uma advertência e, ainda assim, foi reclamar com o árbitro, alegando que a raquete havia escapado de sua mão. Broady acabou vencendo o tie-break e fechando o jogo em 7/5 no terceiro set, depois de Ostapenko sacar para o jogo três vezes e ter dois match points. E os ânimos continuaram, digamos, “exaltados” até depois do fim do jogo. Veja no vídeo abaixo.

Os bons samaritanos

É compreensível que as confusões repercutam mais, mas é bom também registrar as cenas bacanas dentro (e fora, eventualmente) de quadra. Um ótimo exemplo foi esse abraço entre Tamira (ex-Larri Passos) Paszek e Kirsten Flipkens, que ficaram quase 3h em quadra nas quartas de final em Auckland.

Outro gesto bacana veio de Jack Sock, que enfrentava Lleyton Hewitt na Copa Hopman. O australiano teve um saque marcado fora, e o americano disse que a bola foi dentro e sugeriu que o adversário pedisse o Hawk-Eye. “Foi dentro se você quiser desafiar”. Hewitt, então, depois de algumas risadas com o árbitro de cadeira, aceitou “desafiar”. O replay mostrou que Sock estava certo e todo mundo sorriu.

Os abandonos

Entre a turma que exagerou nas férias/pré-temporada, o povo que se lesionou nos treinos e a galera preocupada em estar 100% no Australian Open, foram muitas as desistências nesta primeira semana de tênis da temporada. Em Brisbane, Sharapova abandonou por causa de uma lesão no antebraço esquerdo. Ela enfrentaria a compatriota Ekaterina Makarova na terça-feira. A extensa lista de desistências abaixo (todas nos últimos 12 meses), publicada pelo jornalista Ben Rothenberg, não incluiu o abandono em Wuhan – que foi lembrado pelo próprio americano no Twitter momentos depois.

Pouco depois de Sharapova, foi a vez de Simona Halep abandonar alegando uma lesão na perna esquerda. A romena enfrentaria Victoria Azarenka na segunda rodada do torneio. Na quarta-feira, Garbiñe Muguruza foi quem desistiu por causa de dores no pé esquerdo. Ela perdia por 7/6 e 1/0 para Varvara Lepchenko quando empacotou suas coisas e deixou a quadra. Quando isso aconteceu, o circuito feminino acumulava abandonos de cinco das seis primeiras do ranking.

Na Copa Hopman, Serena Williams não jogou a primeira alegando uma inflamação no joelho e entrou em quadra para o segundo confronto, mas abandonou quando perdia para a australiana Jarmila Wolfe (ex-Gajdosova, ex-Groth, ex-Gajdosova de novo) por 7/5 e 2/1. Okay, é difícil saber a gravidade do problema da número 1 do mundo. Ela sempre diz publicamente muito pouco sobre suas lesões. Na prática, esse vídeo da Pam Shriver mostra o quanto o joelho incomodava.

Finalmente, um dia depois do abandono contra Wolfe/Gajdosova/Groth, Serena anunciou que não voltaria a jogar no resto da Copa Hopman.

Em Shenzhen, Petra Kvitova abandonou sua estreia no torneio por causa de um mal-estar quando enfrentava a chinesa Saisai Zheng. A tenista da casa venceu o primeiro set por 6/2, e a tcheca não voltou para a segunda parcial. A boa notícia veio pouco depois, via assessoria: o problema de saúde não tem relação com a mononucleose que tirou Kvitova das quadras no ano passado.

Em Chennai, Kevin Anderson desistiu do torneio por causa de uma lesão no joelho esquerdo. Também entre os homens, Janko Tipsarevic e Tommy Haas anunciaram que não disputarão o Australian Open. O sérvio foi diagnosticado com uma tendinite na patela direita, enquanto o alemão segue com problemas no ombro.

Na quinta-feira, a lista seguia crescendo. Lucie Safarova, tratando uma infecção pulmonar, anunciou que não jogará o Australian Open. A essa altura, já eram nove as desistências oficiais do primeiro Slam de 2016.

A festa em Doha

Bruno Soares e André Sá entrevistaram Rafael Nadal e Novak Djokovic na festa dos jogadores em Doha. Também rola um momento fashion com Tomas Berdych, e David Ferrer fala sobre seu casamento. O vídeo (em inglês) está no site da ATP.

Perro caliente

Não foi num ATP, mas vale registrar porque a cena é curiosa e o cachorrinho é fofo: Facundo Bagnis e Axel Michon duelavam no Challenger de Mendoza quando o animalzinho entrou em quadra correndo atrás da bola de rabinho abanando.

Os melhores tuítes segundo ninguém (uma breve coletânea descompromissada e completamente desprovida de critérios)

Que tal esse modelito usado por Camila Giorgi para treinar?

Não é exatamente um tuíte tenístico, mas acho que vale constatar que Beatrice Bouchard, aparentemente, vive momento muito melhor que a irmã.

E que tal Anastasia Pivovarova fazendo elogios a “Deliciano” López?


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