PUBLICIDADE
Topo

Semana 6: zebra na Fed Cup, vices de Bellucci e a falta de Sharapova

Alexandre Cossenza

08/02/2016 08h00

O Australian Open mal acabou, e o circuito mundial voltou à rotina com força total. Além de três ATPs 250 (Sofia, Montpellier e Quito), a Fed Cup começou quente em 2016, com nomes grandes em quadra. Até quem ficou fora – caso de Maria Sharapova – deu o que falar. Também teve muito Brasil em ação, tanto em Quito, onde Thomaz Bellucci foi vice-campeão duas vezes, quanto na Bolívia, onde o time brasileiro da Fed Cup perdeu uma ótima chance de avançar aos playoffs.

Só que este "Resumaço da Semana" não tem só isso. Ele inclui uma "previsão" olímpica; vídeos de lances bacanas; fanfarronices publicitárias; uma notícia feliz, uma notícia triste e uma notícia curiosa; uma ausência no Rio de Janeiro; e os melhores tuítes dos últimos sete dias. Que tal lembrar, então, o que houve de mais interessante? Role a página e confira.

EstrellaBurgos_Quito_trophy_blog

Os brasileiros

A semana de Thomaz Bellucci em Quito foi ótima, e o brasileiro tirou bastante da altitude – que costuma lhe ser bastante favorável – e da chave acessível. No entanto, terminou de forma amarga, já que Bellucci acabou superado pelo dominicano Victor Estrela Burgos (#58): 4/6, 7/6(5) e 6/2.

O revés é doído duplamente, já que Bellucci, além de ser o tenista com mais potencial em quadra, deixou escapar uma ótima chance de triunfar. O paulista venceu o primeiro set sem muito drama e teve oportunidades no segundo. Conseguiu um break point no 11º game, mas não conseguiu converter. Pouco depois, no tie-break, desperdiçou um mini-break ao mandar para fora uma direita fácil. Em seguida, com o placar em 4/4, errou um slice nada complicado.

Estrella Burgos aproveitou as chances que teve. Virou o game de desempate com uma ótima direita de dentro para fora, fechou o set e abriu a terceira parcial com uma quebra. A essa altura, o saque de Bellucci, que deu tanto trabalho ao dominicano e rendeu muitos pontos grátis até o fim do segundo set, já não incomodava mais. Estrella Burgos começou a bloquear com eficiência o serviço do brasileiro e reduziu seus erros. Esperou por falhas do brasileiro. Elas vieram e fizeram a diferença no jogo.

É bom que se diga sempre: Victor Estrella Burgos, bicampeão em Quito, 35 anos, é um "exemplo de luta e superação" no melhor sentido do velho clichê. E sua comemoração, primeiro descendo o toboágua e, depois, convidando os boleiros para um mergulho, foi de uma alegria contagiante.

Feijão e Rogerinho também disputaram o ATP 250 de Quito. Rogerinho foi eliminado na estreia por Pablo Carreño Busta (6/3 e 6/1), mas Feijão furou o quali e até venceu o argentino Facundo Arguello na estreia: 6/3 e 7/6(7). O tenista de Mogi quase também aprontou uma grande zebra, mas levou a virada do espanhol Feliciano López (#22) depois de vencer o primeiro set e forçar um tie-break na segunda parcial. O espanhol fez um game de desempate perfeito e deslanchou na partida, triunfando por 4/6, 7/6(5) e 6/2.

Nas duplas, Bellucci também fez um bom torneio. Ele e Marcelo Demoliner foram vice-campeões, perdendo a final para Pablo Carreño Busta e Guillermo Duran: 7/5 e 6/4. Feijão, que jogou com Victor Estrella Burgos, e André Sá, cabeça 1 ao lado de Santiago González, também estavam na chave, mas não foram longe. Sá caiu na estreia, enquanto Feijão perdeu nas quartas (segunda rodada).

O Brasil na Fed Cup

O time do Brasil mais uma vez falhou na tentativa de subir para o Grupo Mundial II. A equipe formada por Teliana Pereira, Bia Haddad, Paula Gonçalves e Gabriela Cé venceu os fracos conjuntos de Equador e Peru, mas acabou derrotada pela Argentina no duelo que definiu um dos finalistas do Zonal.

O confronto começou com Bia Haddad (#237) abrindo 5/2, mas sendo superada pela adolescente Nadia Podoroska (18 anos, #319, número 4 da Argentina) por 7/5 e 6/3. Em seguida, Teliana (#44) fez 6/0 e 6/0 (!) em cima da número 1 argentina, Maria Irigoyen (#199). A decisão veio nas duplas, e a parceria de Irogoyen e Catalina Pella derrotou Bia e Paula Gonçalves por duplo 6/3 (as brasileiras tiverem 3/0, com duas quebras de vantagem, no segundo set).

A derrota brasileira dá uma enorme sensação de chance desperdiçada, já que a Argentina vinha sem as mais experientes Florencia Molinero (#293) e Paula Ormaechea (#295). Além disso, Colômbia e Paraguai, dois times mais fortes do outro grupo, estavam sem suas melhores tenistas – Mariana Duque Mariño (#81) e Veronica Cepede Royg (#131).

Também preocupa a declaração de Fernando Roese, capitão brasileiro na Fed Cup, que fala em "aprender essa experiência de jogar torneios por equipes, principalmente uma Fed Cup, que é algo que nos falta ainda." Não sei se Roese falava de si mesmo na primeira pessoa do plural (alguns técnicos fazem isso), mas fato é que a base deste time vem jogando a Fed há algum tempo. Teliana entrou em quadra pelo Brasil em seis confrontos de Fed Cup. Paula Gonçalves, quatro. Gabriela Cé e Bia Haddad, três.

Vale a pergunta: se um dirigente diz que o momento do tênis brasileiro é ótimo quando Bruno Soares conquista dois Slams em um dia, o que essa mesma pessoa diz quando o time da Fed Cup perde um confronto ganhável assim? É o tipo de argumento frágil, que naufraga resvalando num cubo de gelo. Não são os resultados de um par de veteranos (nem do time da Fed, obviamente) que provam ou deixam de provar a competência do trabalho feito no tênis brasileiro.

E se você está imaginando, caro leitor, não, nenhum dirigente se manifestou sobre o momento do tênis brasileiro após a Fed Cup. Nem o presidente da CBT nem o diretor da Brasil Tennis Cup, autor do tuíte acima.

Os outros campeões

Estrella Burgos não foi o único veterano a fazer boa campanha na semana. Paul-Henri Mathieu, aquele, 34 anos, alcançou a final em Montpellier e teve até chances contra o compatriota Richard Gasquet. O veterano sacou em 5/4 para fechar o primeiro set, mas perdeu a chance. Gasquet saiu do buraco e arrancou para vencer por 7/5 e 6/4, conquistando seu terceiro título em Montpellier e o 13º na carreira (em 25 finais disputadas). Mathieu, por sua vez, não levanta um troféu desde 2007. Ele soma dez finais de ATP na carreira e perdeu as últimas quatro decisões que jogou: Metz (2008), Hamburgo (2009), Kitzbuhel (2015) e Montpellier.

No ATP estreante de Sofia, em uma chave nada dura, a final colocou cara a cara dois tenistas que sabem escolher calendário: Roberto Bautista Agut e Viktor Troicki. O espanhol levou a melhor por 6/3 e 6/4 e encerrou a semana (foram só três jogos, na verdade) sem perder sets. Número 18 do mundo no começo da semana, Bautista Agut agora soma 12 vitórias e duas derrotas em 2016. Em quatro torneios disputados, foi campeão em dois (Auckland e Sofia). Troicki não fica muito atrás, com dez vitórias e três reveses. Em quatro eventos, foi campeão em Sydney e agora soma este vice de Sofia. Não por acaso, era o #22 na segunda-feira.

A elite da Fed Cup

A polêmica começou ainda em Melbourne, com Maria Sharapova dizendo que tinha dores no braço e que iria até Moscou, mas para não jogar. A declaração não foi bem vista pelo presidente da Federação Russa, Shamil Tarpischev, que deu a entender que poderia deixar a loira fora dos Jogos Olímpicos (sim, ele tem esse poder mesmo com Sharapova cumprindo o número mínimo de aparições pelo time nacional na Fed Cup).

A capitã, Anastasia Myskina, acabou escalando Sharapova para as duplas – o quinto jogo, que teoricamente não valeria nada porque a Rússia era favorita contra a Holanda e, supostamente, encerraria o confronto antes. Difícil dizer o quanto essa confusão afetou o time, mas a Rússia tombou sonoramente diante da Holanda, que fez 3 a 0 com duas vitórias de Kiki Bertens (sobre Kuznetsova e Makarova) e uma de Richel Hogenkamp. O triunfo de Hogankamp sobre Kuznetsova, aliás, durou 4h e estabeleceu um novo recorde para partida mais longa na história da Fed Cup.

Por enquanto, é difícil saber como terminará o imbróglio de Sharapova com sua federação, mas durante o fim de semana houve relatos de que a ex-número 1 não treinou e nem levou raquetes para Moscou. Segundo o jornalista holandês Abe Kuijl, Myskina disse ter ficado sabendo na quinta-feira que Sharapova não tinha condições de jogo. Será que ela foi a última a saber? Ao ser escalada, Maria cumpre o requisito mínimo para participar dos Jogos Olímpicos. Ainda assim, existe o risco de sua federação não lhe indicar para os Jogos. Tudo leva a crer que essa novela ainda terá alguns capítulos tensos.

Dois confrontos só foram decididos no quinto jogo. Na Romênia, com duas derrotas de Petra Kvitova, a República Tcheca precisou de Karolina Pliskova, que correspondeu. Bateu Simona Halep no sábado, na abertura da série, derrotou Monica Niculescu no domingo para igualar o duelo, e voltou à quadra nas duplas para selar a vitória ao lado de Barbora Strycova.

O resultado é mais um daqueles que mostram o quão difícil é superar uma República Tcheca que tem Kvitova, Safarova, Pliskova(s), Strycova, Hradecka e Hlavackova… Ou seja, há sempre a possibilidade de formar um timaço. Não por acaso, o time foi campeão em quatro das últimas cinco edições da Fed Cup.

Em Leipzig, o nome do fim de semana foi Belinda Bencic, que bateu Andrea Petkovic e Angelique Kerber nas simples. Com o duelo empatado em dois a dois, Bencic teve a ajuda de Martina Hingis para superar Anna-Lena Groenefeld e Andrea Petkovic na partida de duplas.

O único time da casa a vencer no fim de semana foi a França, que aproveitou a quadra dura indoor para despachar a Itália, apesar de Camila Giorgi abrir o confronto com vitória das visitantes. Foi, contudo, o único triunfo italiano. Caroline Garcia bateu Errano no sábado e Giorgi no domingo, enquanto Mladenovic superou Errani no sábado. Nas duplas, apenas cumprindo tabela, Giorgi e Mladenovic superaram Caregaro e Errani.

Lances bacanas

Uma curtinha assim é sempre admirável, não?

Que tal esse voleio de Gilles Simon em Montpellier?

Fanfarronices publicitárias

Marcelo Melo disputou uma "partida" de tênis via Twitter. Na teoria, os fãs digitavam no Twitter, junto com uma hashtag, que tipo de golpe queriam que as máquinas jogassem para o mineiro rebater. Foi uma iniciativa interessante e original da Centauro, mas não tão bem executada assim. Aconteceu no meio da tarde de quinta-feira e as redes sociais ainda divulgavam um endereço de YouTube errado. Eu mesmo fiquei sem saber aonde ir. Só não foi um fiasco maior porque Marcelo tem carisma pra carregar sozinho diante da câmera uma ação assim. Mesmo assim, o número de pessoas assistindo simultaneamente não passou de 100. Uma pena.

Não é exatamente uma fanfarronice, mas o Rio Open divulgou esta foto durante a semana. O chamado "Time Rio Open Brasil" no Corcovado.

As previsões

A empresa holandesa Infostrada, especializada em estatísticas esportivas, mantém um quadro com previsões de medalhas para os Jogos Olímpicos. Após o Australian Open, a empresa atualizou seu adivinhômetro da maneira abaixo para o tênis:

Segundo a empresa, o Brasil ganhará o ouro nas duplas masculinas e a prata nas duplas mistas (Teliana se deu bem). A Infostrada também prevê Agnieszka Radwanska com a prata nas simples femininas e a Índia com a prata nas duplas femininas (apesar de Sania Mirza não tem uma parceira à altura).

A melhor história

O Tenisbrasil publicou uma entrevista com Carlos Bernardes. Embora não tenha falado sobre o episódio com Rafael Nadal (Bernardes sabe muito bem onde pode pisar), o árbitro brasileiro falou um pouco sobre sua vida, a carreira de árbitro e deu declarações interessantes e nada politicamente corretas sobre o Centro Olímpico de Tênis. Bernardes inclusive aponta que a quadra central foi pintada de forma errada. "A verdade é que nunca perguntaram nada para gente. Eu só acho que uma opinião das pessoas do meio seria bem-vinda. Tanto é que a quadra foi pintada errada … então porque não chegar para o Guga, e perguntar o que você acha?" A entrevista inteira está neste link.

A notícia mais feliz

Juan Martín del Potro anunciou que voltará a jogar no ATP de Delray Beach. O argentino, como de hábito, gravou um vídeo para atualizar fãs e jornalistas de suas condições e do que espera de seu retorno.

A notícia não tão feliz

Eugenie Bouchard não virá mais para o Rio Open. O torneio confirmou a informação pouco depois de o Tennis Forum dar a canadense como ausência. A informação oficial é que Bouchard mudou de planos e decidiu tirar mais tempo para treinar. Tudo indica que ela pretende estar em forma para os WTAs de Indian Wells e Miami, disputados em quadra dura não muito depois do Rio Open (saibro).

Para os brasileiros, a versão "copo meio cheio" dessa notícia é que Teliana Pereira terá uma chave ainda mais fácil no Rio de Janeiro. O torneio, que é disputado no calor, em piso lento e está entre os mais fracos do calendário, parece feito sob medida para a brasileira ir longe. Ela será a principal cabeça de chave e não parece ser exagero colocá-la como favorita.

A notícia mais estranha

Na terça-feira, Roger Federer revelou que havia passado por uma artroscopia no joelho esquerdo para reparar um menisco rompido. O comunicado, publicado no site oficial do suíço, não dizia qual era o joelho lesionado, mas informava que a lesão foi sofrida um dia depois da semifinal do Australian Open. O suíço descreveu assim o incidente em sua conta no Twitter:

Federer deixará de disputar os ATPs 500 de Roterdã e Dubai e, se tudo correr como o esperado, voltará às quadras no Masters 1.000 de Indian Wells. Caso não faça modificações em seu calendário original, o suíço só jogará em Roland Garros depois disso. O ex-número 1 do mundo e atual terceiro colocado no ranking, porém, ainda pode optar por incluir Miami ou algum dos Masters 1.000 de saibro, já que terá "descansado" nas semanas de Roterdã e Dubai.

Ainda sobre Melbourne

Angelique Kerber cumpriu a promessa e mergulho no Rio Yarra. Não era exatamente o mais recomendável para a saúde da alemã, mas quem ganha um Slam pode tudo (ou pelo menos acredita que pode), certo?

Had to keep my word! Jumped into the Yarra River 󾓚 #AusOpen2016 #TeamAngie #GrandSlamChampion

Posted by Angelique Kerber on Sunday, January 31, 2016

Os melhores tuítes segundo ninguém (uma breve coletânea descompromissada e completamente desprovida de critérios)

Esse era o público no sábado de qualifying no ATP de Buenos Aires. Olha que tem muito ATP por aí que não tem tanta gente assistindo sessão diurna, hein?

Dustin Brown riu desse hater.

A turnê de Bruno Soares pelos veículos de imprensa logo após as conquistas em Melbourne ganhou destaque na ATP.

Repito: não é tirar mérito de ninguém. Mas que tem sua dose de verdade…

Nada a ver com tênis, mas o mundo inteiro precisa ver isso:

Aviso

Tiro uma semana de "férias" antes do Rio Open e é bem possível que eu fique a maior parte do tempo desconectado. O blog possivelmente ficará parado até o dia 15. Agradeço aos que compreenderem e até a volta.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.