PUBLICIDADE
Topo

Semana 2: um pouco de tudo nos primeiros torneios do ano

Alexandre Cossenza

10/01/2016 20h51

A segunda semana do ano marca o início do calendário da ATP, e que início agitado foi este de 2016, não? Seis torneios, todos os grandes nomes masculinos em quadra, muitas lesões e um bocado de desistências entre as mulheres, jogadas de efeito, notícias quentes, vídeos curiosos, enfim… Não faltou assunto. Vamos tentar, então, lembrar o que aconteceu de mais relevante? Está no ar o primeiro resumaço da temporada e, se a ideia vingar, teremos mais uns 40 destes até o fim do ano. Rolem a página porque tem muita informação e diversão.

Os campeões

No circuito masculino, o maior campeão da semana é o de sempre: Novak Djokovic. O #1 do mundo passeou por Doha, conquistando o título sem perder sets e atropelando Rafael Nadal (6/1 e 6/2) na final. A última atuação, irretocável, rendeu elogios relevantes do rival. O espanhol disse que "desde que conheço esse esporte, nunca vi ninguém jogar nesse nível.

A frase ganhou destaque porque a lista de "desde que conheço este esporte" de Nadal obviamente inclui Roger Federer, tenista que muitos consideram o melhor de todos os tempos (não entro nessa discussão por acreditar que não há objetivo nem parâmetros justos para comparações). E se o maior vencedor de Slams dos últimos dez anos (Nadal venceu 13, contra 11 de Federer e 10 de Djokovic) diz que nunca viu ninguém melhor, é bom mesmo que o mundo preste atenção.

Pelo que os dois mostraram na semana, 2016 pode não ser tão diferente assim de 2015. Nadal fez um bom torneio, mas esteve longe do nível do sérvio. O espanhol ainda perdeu sets para Carreño Busta e Kuznetsov. Tivesse caído em um caminho mais complicado, talvez nem alcançasse a decisão. Aliás, é válido de registro o momento em que Nadal dirigiu-se a alguém na torcida durante a final e perguntou "você quer ser meu técnico?".

 

Ao fim do jogo, já na cerimônia de premiação, Nadal lembrou da situação com bom humor, dizendo que tinha encontrado um técnico novo e que viajaria para a Austrália com ele. O público se divertiu.

 

Se o destaque da ATP não foi exatamente uma novidade, o maior assunto da WTA (depois das lesões e desistências) foi a conquista de Victoria Azarenka em Brisbane. A ex-número 1 do mundo atropelou todas adversárias (Vesnina, Bonaventure, Vinci, Crawford e Kerber) e conquistou seu primeiro título em quase dois anos e meio (desde Cincinnati/2013).

É bem verdade que Vika contou com uma pitada de sorte, já que Simona Halep, que seria sua adversária nas oitavas de final, abandonou o torneio antes de entrar em quadra. Ao mesmo tempo, fica a sensação de uma espécie de compensação divina para alguém que teve tantas chaves complicadas em 2015.

É importante ressaltar também o excelente nível de tênis da bielorrussa, que perdeu apenas 17 games e dominou Kerber na final. A partir do 3/3 do primeiro set, venceu nove games e perdeu apenas um. O vídeo da WTA abaixo mostra alguns dos bons momentos da decisão.

No ATP de Brisbane, o título ficou com Milos Raonic, que agora tem Carlos Moyá como seu treinador. O canadense, que viveu um 2015 longe do ideal por causa de lesões, derrotou na decisão o suíço Roger Federer, atual atleta de seu ex-treinador, Ivan Ljubicic. Sem revanchismo.

Para Raonic, a vitória por 6/4 e 6/4 na decisão "é talvez uma boa maneira de mostrar aos outros caras que enfrentarei em Melbourne que estou bem de novo e posso jogar um belo tênis outra vez." Ao mesmo tempo, é importante lembrar que o suíço chegou a Brisbane informando que tinha "algo parecido com uma gripe" e que toda sua família teve os mesmos sintomas.

Em Chennai, mais do mesmo. Stan Wawrinka conquistou seu quarto título do torneio – o terceiro consecutivo. Com a vitória por 6/3 e 7/5 sobre Borna Coric na final, o suíço agora soma 12 vitórias e 24 sets consecutivos em Chennai. Em todo o torneio, foram 40 games de saque e apenas uma quebra.

É bem verdade que o evento indiano não é tradicionalmente o mais duro da semana, mas Wawrinka encontrou uma chave bastante respeitável e precisou passar por Rublev, García-López e Paire antes da decisão. O desfalque do torneio foi Kevin Anderson, cabeça 2, que desistiu de última hora por causa de uma lesão.

O WTA de Shenzhen foi talvez o menos relevante da semana, mas Agnieszka Radwanska tirou bom proveito. Ao derrotar Anna-Lena Friedsam na semifinal, garantiu-se como cabeça de chave 4 no Australian Open, derrubando Maria Sharapova para uma posição desconfortável. Em seguida, bateu Alison Riske por 6/3 e 6/2 e conquistou o título do evento chinês.

Em Auckland, com Venus Williams e Ana Ivanovic eliminadas na primeira rodada, Sloane Stephens aproveitou a chance e levou o título superando Julia Goerges na decisão: 7/5 e 6/2. É possível dizer que sua vitória mais relevante na semana veio na semifinal, contra Caroline Wozniacki, que fazia um excelente torneio até ali.

Por fim, não custa lembrar a sempre divertida e interessante Copa Hopman, que acabou com título do time verde da Austrália, que também tinha um time "dourado". Na final Daria Gavrilova e Nick Kyrgios, ele mesmo, derrotaram a Ucrânia de Elina Svitolina e Alexander Dolgopolov.

O lance da semana

Ok, Dustin Brown não deu lá tanto trabalho para Novak Djokovic na primeira rodada em Doha. O alemão, porém, manteve sua média de pelo menos um lance espetacular por jogo. Contra o número 1 do mundo, ele simplesmente aplicou um lob segurando a raquete atrás do corpo. E ainda ganhou o ponto!

Os brasileiros

Primeira representante do país a entrar em quadra, Teliana Pereira (#46) não teve muito sucesso. Na forte chave de Brisbane, caiu contra Andrea Petkovic (#24) na estreia e venceu apenas três games: 6/1 e 6/2. Os números mostram que Teliana teve problemas para vencer pontos com seu serviço. Apesar do bom aproveitamento (67%), venceu apenas 48% dos pontos (14/29) com o primeiro serviço e 21% (3/14) com o segundo. Petkovic também teve problemas com o segundo saque (6/19 e 31%), mas salvou 10 de 11 break points. As chances de quebra não aproveitadas, inclusive, foram motivo de lamento da brasileira.

Thomaz Bellucci (#37) também perdeu na estreia. Seu algoz foi o belga David Goffin (#16), que fez 6/4 e 6/4. Foi uma bela atuação do belga, que deu poucos pontos de graça e esteve bastante sólido do fundo de quadra, jogando sempre com bolas fundas e dando poucas chances para o brasileiro comandar os pontos. Bellucci, por sua vez, não fez um jogo ruim, mas foi inconstante o suficiente para dar um par de games de graça para Goffin.

Nas duplas, Bellucci jogou ao lado do americano Steve Johnson e também foi eliminado na primeira rodada. Seus algozes foram os franceses Nicolas Mahut e Pierre Hugues Herbert, que fizeram 6/4, 3/6 e 13/11. O título ficou com Kontinen e Peers, que bateram Duckworth e Guccione na final por 7/6(4) e 6/1.

Em Doha, a estreia da parceria entre Bruno Soares e Jamie Murray não foi nada ruim. Brasileiro e escocês derrotaram Albot e Klizan na estreia e passaram por Chardy e Mathieu nas quartas. Nas semis, caíram diante de Feliciano e Marc López (3/6, 6/3 e 10/5), que foram campeões, superando Petzschner e Peya na final. André Sá também estava na chave em Doha, mas não passou da primeira rodada. Ele e Julian Knowle perderam para Bolelli e Stakhovsky: 7/6(6) e 6/1.

Fanfarronices publicitárias

Esta seção é dedicada àquelas atividades inúteis, mas que a galera aceita porque colocam gente famosa para divulgar uma cidade ou um torneio. Tipo Djokovic e Nadal jogando uma espécie de tênis na praia que passa longe do beach tennis. O sérvio postou um pequeno vídeo no Twitter.

Eu achei mais divertido ver Federer jogando com uma raquete (Wilson, claro) gigante em Brisbane. Era o "Kids Tennis Day Spectacular", e o suíço jogava duplas mistas ao lado de Garbiñe Muguruza. Bob Esponja estava na beira da quadra.

A melhor história

Cortesia/mérito da Sheila Vieira, que conta a história do brasileiro que viajou com refugiados e foi salvo por uma foto com Novak Djokovic. Leia aqui!

O primeiro barraco do ano

Aconteceu em Auckland, na partida entre a britânica Naomi Broady e a letã Jelena Ostapenko. O jogo estava no tie-break do segundo set, quando Ostapenko, batida no ponto, atirou a raquete na direção da bola. A raquete bateu na lona do fundo de quadra e atingiu um boleiro. Foi a deixa para que Broady pedisse a desclassificação automática da adversária.

A letã tomou apenas uma advertência e, ainda assim, foi reclamar com o árbitro, alegando que a raquete havia escapado de sua mão. Broady acabou vencendo o tie-break e fechando o jogo em 7/5 no terceiro set, depois de Ostapenko sacar para o jogo três vezes e ter dois match points. E os ânimos continuaram, digamos, "exaltados" até depois do fim do jogo. Veja no vídeo abaixo.

Os bons samaritanos

É compreensível que as confusões repercutam mais, mas é bom também registrar as cenas bacanas dentro (e fora, eventualmente) de quadra. Um ótimo exemplo foi esse abraço entre Tamira (ex-Larri Passos) Paszek e Kirsten Flipkens, que ficaram quase 3h em quadra nas quartas de final em Auckland.

Outro gesto bacana veio de Jack Sock, que enfrentava Lleyton Hewitt na Copa Hopman. O australiano teve um saque marcado fora, e o americano disse que a bola foi dentro e sugeriu que o adversário pedisse o Hawk-Eye. "Foi dentro se você quiser desafiar". Hewitt, então, depois de algumas risadas com o árbitro de cadeira, aceitou "desafiar". O replay mostrou que Sock estava certo e todo mundo sorriu.

Os abandonos

Entre a turma que exagerou nas férias/pré-temporada, o povo que se lesionou nos treinos e a galera preocupada em estar 100% no Australian Open, foram muitas as desistências nesta primeira semana de tênis da temporada. Em Brisbane, Sharapova abandonou por causa de uma lesão no antebraço esquerdo. Ela enfrentaria a compatriota Ekaterina Makarova na terça-feira. A extensa lista de desistências abaixo (todas nos últimos 12 meses), publicada pelo jornalista Ben Rothenberg, não incluiu o abandono em Wuhan – que foi lembrado pelo próprio americano no Twitter momentos depois.

Pouco depois de Sharapova, foi a vez de Simona Halep abandonar alegando uma lesão na perna esquerda. A romena enfrentaria Victoria Azarenka na segunda rodada do torneio. Na quarta-feira, Garbiñe Muguruza foi quem desistiu por causa de dores no pé esquerdo. Ela perdia por 7/6 e 1/0 para Varvara Lepchenko quando empacotou suas coisas e deixou a quadra. Quando isso aconteceu, o circuito feminino acumulava abandonos de cinco das seis primeiras do ranking.Na Copa Hopman, Serena Williams não jogou a primeira alegando uma inflamação no joelho e entrou em quadra para o segundo confronto, mas abandonou quando perdia para a australiana Jarmila Wolfe (ex-Gajdosova, ex-Groth, ex-Gajdosova de novo) por 7/5 e 2/1. Okay, é difícil saber a gravidade do problema da número 1 do mundo. Ela sempre diz publicamente muito pouco sobre suas lesões. Na prática, esse vídeo da Pam Shriver mostra o quanto o joelho incomodava. Finalmente, um dia depois do abandono contra Wolfe/Gajdosova/Groth, Serena anunciou que não voltaria a jogar no resto da Copa Hopman.

Em Shenzhen, Petra Kvitova abandonou sua estreia no torneio por causa de um mal-estar quando enfrentava a chinesa Saisai Zheng. A tenista da casa venceu o primeiro set por 6/2, e a tcheca não voltou para a segunda parcial. A boa notícia veio pouco depois, via assessoria: o problema de saúde não tem relação com a mononucleose que tirou Kvitova das quadras no ano passado.

Em Chennai, Kevin Anderson desistiu do torneio por causa de uma lesão no joelho esquerdo. Também entre os homens, Janko Tipsarevic e Tommy Haas anunciaram que não disputarão o Australian Open. O sérvio foi diagnosticado com uma tendinite na patela direita, enquanto o alemão segue com problemas no ombro.

Na quinta-feira, a lista seguia crescendo. Lucie Safarova, tratando uma infecção pulmonar, anunciou que não jogará o Australian Open. A essa altura, já eram nove as desistências oficiais do primeiro Slam de 2016.

A festa em Doha

Bruno Soares e André Sá entrevistaram Rafael Nadal e Novak Djokovic na festa dos jogadores em Doha. Também rola um momento fashion com Tomas Berdych, e David Ferrer fala sobre seu casamento. O vídeo (em inglês) está no site da ATP.

Perro caliente

Não foi num ATP, mas vale registrar porque a cena é curiosa e o cachorrinho é fofo: Facundo Bagnis e Axel Michon duelavam no Challenger de Mendoza quando o animalzinho entrou em quadra correndo atrás da bola de rabinho abanando.

Os melhores tuítes segundo ninguém (uma breve coletânea descompromissada e completamente desprovida de critérios)

Que tal esse modelito usado por Camila Giorgi para treinar?

Não é exatamente um tuíte tenístico, mas acho que vale constatar que Beatrice Bouchard, aparentemente, vive momento muito melhor que a irmã.E que tal Anastasia Pivovarova fazendo elogios a "Deliciano" López?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.