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Semana 24: o ‘Efeito Lendl’, o novo tropeço suíço e outra volta de Hewitt

Alexandre Cossenza

19/06/2016 20h57

Andy Murray foi campeão em Queen's mais uma vez, enquanto em Halle Roger Federer voltou a conquistar – opa, a história mudou este ano. O suíço, voltando de lesões e ainda sem o ritmo ideal, perdeu no torneio que dominou nos últimos anos. A semana ainda teve André Sá em uma final de ATP 500 e a notícia de mais um retorno às quadras de Lleyton Hewitt. Nem parece que o australiano se aposentou há tão pouco tempo…

O resumaço da semana ainda tem as campeãs dos WTAs de Birmingham e Mallorca, as campanhas dos outros brasileiros, a atualização de status de Rafael Nadal, o recurso de Maria Sharapova (pra manter a esperança de jogar na Rio 2016), um tweet hilário, uma história bizarra e uma aparição imperdível de Federer.

<> at Queens Club on June 19, 2016 in London, England.

Os campeões

No ATP 500 de Queen's, o assunto (e piada recorrente) foi a volta de Ivan Lendl ao time de Andy Murray, que defendia o título. Coincidência e brincadeiras à parte, o escocês foi campeão do torneio londrino pela quinta vez, derrotando de virada Milos Raonic na decisão: 6/7(5), 6/4 e 6/3.

Vale notar que Raonic não tinha sido quebrado a semana inteira e teve 3/0 de frente no segundo set. Murray, então, conseguiu quatro quebras em oito games, jogando um tênis-de-grama de altíssimo nível, e se tornou o primeiro tenista na história a vencer Queen's cinco vezes.

De modo geral, foi um belo torneio do britânico que, se não atropelou ninguém, passou por rivais perigosíssimos na grama, como Mahut (na estreia), Cilic (semi) e Raonic, agora treinado por John McEnroe, que estava na beira da quadra. É justo dizer, como sempre, que Murray se coloca como candidatíssimo ao título de Wimbledon, que começa daqui a uma semana.

Vale registrar também um dos momentos mais engraçados da cerimônia de premiação, quando Murray disse que foi legal da parte de Lendl esperar pela cerimônia de premiação. No mesmo momento, as câmeras da transmissão mostraram a cadeira de Lendl vazia. Sim, ele já tinha ido embora.

No ATP 500 de Halle, a final dos azarões foi vencida por Florian Mayer, que bateu Alexander Zverev por 6/2, 5/7 e 6/3. Atual número 192 do ranking, o alemão entrou no torneio graças ao ranking protegido e passou por um caminho cheio de espinhos. Bateu Baker, Seppi, Thiem e Zverev, contando ainda com uma vitória por W.O. sobre Nishikori.

Foi o segundo título na carreira de Mayer, que tinha sido campeão quase cinco anos atrás, em Bucareste. Com o resultado, ele voltará ao top 100, o que é algo muito bacana para um veterano de 32 anos que vem sofrendo com lesões, mas não desiste de brigar por seu lugar em torneios grandes.

O cabeça 1 do torneio era Roger Federer, que caiu diante de Zverev nas semifinais (mais sobre isso abaixo), e o o segundo cabeça era Nishikori, que desistiu por causa de dores em uma costela.

As campeãs

No WTA Premier de Birmingham, Madison Keys conseguiu dois feitos importantes na semana. Primeiro, garantiu sua entrada no top 10. Ela será a primeira americana a entrar no grupo de elite desde 1999, quando Serena Williams fez sua estreia entre as dez melhores. Depois, Keys conquistou o título do evento britânico ao derrotar Barbora Strycova por 6/3 e 6/4 na decisão.

Não só pelo título, mas a americana de 21 anos se coloca como nome forte em Wimbledon por seu jogo de potência, algo que a compatriota Coco Vandeweghe também mostrou em Birmingham. Coco, aliás, também foi campeã em 's-Hertogenbosch e chegou a somar oito triunfos seguidos na grama antes de levar a virada de Strycova na semifinal.

A lembrar sobre Birmingham: a cabeça 1, Agnieszka Radwanska, foi eliminada por Vandeweghe na estreia; Angelique Kerber, cabeça 2, foi batida por Carla Suárez Navarro nas quartas; e Petra Kvitova, bicampeã de Wimbledon, caiu diante de Jelena Ostapenko na segunda rodada. Keys era cabeça 7 e, na campanha até o título, passou por Babos, Paszek, Ostapenko, Suárez Navarro e Strycova.

No WTA International de Mallorca, Caroline Garcia venceu pela segunda vez em 2016 um dos chamados torneios "de aquecimento". A francesa, campeã também em Estrasburgo, conquistou o modesto evento espanhol ao bater na decisão Anastasija Sevastova por 6/3 e 6/4.

Cabeça de chave 6, Garcia passou por Witthoeft, Friedsam, Ivanovic (cabeça 3), Flipkens e Sevastova no caminho até o título. A cabeça 1, Garbiñe Muguruza, tombou logo na estreia, diante de Flipkens, enquanto a cabeça 2, Jelena Jankovic, foi eliminada por Sevastova.

O suíço

Roger Federer não chegará a Wimbledon como favorito. Longe de descartar uma conquista do suíço em Londres, mas não é o que suas atuações em Stuttgart e Halle indicaram. O ex-número 1 esteve errático, mais impaciente do que o normal e sofreu derrotas para Dominic Thiem (teve dois match points em Stuttgart) e Alexander Zverev, jovens talentosos da #NextGen, a hashtag preferida da ATP.

Como escrevi na semana passada, era de certa forma esperada essa inconstância do suíço, que ficou tanto tempo sem competir e voltou logo na temporada de grama, quando os pontos são mais curtos e é difícil adquirir ritmo. Ainda assim, é estranho ver Federer tendo problemas em um piso no qual seu jogo flui com mais facilidade e seu serviço é muito eficiente.

De qualquer forma, ele ainda tem mais uma semana para calibrar golpes aqui e ali antes de Wimbledon. Também espera-se que a primeira semana do Slam da grama sirva de "aquecimento" para os jogos realmente duros. É nesse momento que Federer precisará de seu melhor tênis.

O imortal

Conhecido por nunca desistir de uma partida, Lleyton Hewitt nunca fez mais justiça ao rótulo de imortal. Aposentado em janeiro e desaposentado logo depois para disputar a Copa Davis, o ex-número 1 do mundo igualará em Wimbledon a marca de Michael Jordan, com dois retornos à profissão. Sim, Hewitt recebeu um wild card para disputar a chave de duplas ao lado do compatriota Jordan Thompson.

Resta saber se é um convite "isolado" ou se teria alguma relação com a possibilidade de Hewitt receber mais um wild card para disputar os Jogos Olímpicos ao lado de Thompson. Será?

Os brasileiros

O grande nome do país na semana foi André Sá, que jogou em Queen's com o australiano Chris Guccione. Os dois eliminaram Bruno Soares e Jamie Murray nas quartas de final e foram vice-campeões do torneio, só perdendo para Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert por 6/3 e 7/6(5). Marcelo Melo também jogou o ATP 500 londrino. Ele e Juan Martín del Potro derrotaram Feliciano e Marc López na estreia, mas foram superados por Herbert e Mahut nas quartas.

No circuito Challenger, em Blois, França (42.500 euros), Thiago Monteiro abandonou o torneio após vencer a primeira rodada por causa de dores nas costas. O cearense explicou que o incômodo começou na semana anterior, em Bordeaux, e que achou melhor tratar o local e se preparar para o qualifying de Wimbledon. Também em Blois, Guilherme Clezar eliminou o cabeça de chave 1, Albert Montañés, mas perdeu na segunda rodada para o holandês Antal Van Der Duim.

Em Perugia, Itália (42.500 euros), Rogerinho foi eliminado nas quartas de final pelo esloveno Blaz Rola: 7/6(4) e 6/2; e Marcelo Zormann, que entrou como lucky loser, perdeu na estreia para o italiano Marco Cecchinato. Em Poprad-Tatry, Eslováquia (42.500 euros), André Ghem também perdeu nas oitavas, sendo superado pelo espanhol Rubén Ramírez Hidalgo.

No ITF de Sumter, EUA (US$ 25 mil), Gabriela Cé foi eliminada na estreia pela australiana Olivia Rogowska: 6/3 e 6/3. Luisa Stefani, que venceu três jogos no quali, foi mais longe e caiu nas oitavas de final diante da mexicana Renata Zarazua por 7/6(3) e 6/4. Em Minsk, outro ITF de US$ 25 mil, Laura Pigossi estreou derrubando a russa Polina Leykina, cabeça de chave 2, por 6/0 e 6/3, mas caiu nas oitavas de final, superada pela grega Valentini Grammatikopoulou: 6/0 e 6/1.

A apelação de Sharapova

Na terça-feira, a Corte de Arbitragem do Esporte (CAS) anunciou que Maria Sharapova havia apelado de sua suspensão de dois anos por doping. A tenista pede que o período de suspensão seja eliminado ou, pelo menos, reduzido. Segundo a CAS, o recurso será julgado rapidamente, com uma decisão a ser divulgada até o dia 18 de julho. Sim, daria tempo de Sharapova participar dos Jogos Olímpicos, mas apenas se o período da suspensão for reduzido para seis meses. A ver como a CAS analisa a questão.

Rumo ao Rio

Para quem estava preocupado com a participação de Rafael Nadal nos Jogos Olímpicos Rio 2016, uma boa notícia. Seu tio afirma que Rafa estará recuperado a tempo de brigar por medalhas. O plano é voltar às quadras no Masters de Toronto e, depois, rumar para o Brasil.

Vale lembrar que, se tudo correr conforme os planos, Nadal disputará três medalhas no Rio: simples, duplas (com Marc López) e duplas mistas (ao lado de Garbiñe Muguruza).

O melhor tweet

Em Londres e presenciando toda especulação em torno do rendimento de Andy Murray pós-retorno de Ivan Lendl, Bruno Soares soltou o melhor tweet da semana.

Em tradução livre, o mineiro disse estar sentindo seu tênis melhor porque Lendl voltou com Andy, que é irmão de Jamie, que é seu parceiro.

O relato bizarro

A chilena Andrea Koch Benvenuto foi suspensa por três meses após uma série de violações do código de conduta da ITF durante um torneio em São José dos Campos (SP). A tenista foi condenada a pagar US$ 500 de multa, além de US$ 199 equivalentes ao valor do telefone celular do supervisor do torneio que ela quebrou quando foi questionar sua desclassificação. Taí algo que não se vê todo dia…

Leitura obrigatória

Indicação da Diana Gabanyi, a entrevista de Simon Briggs com Andy Murray não é tão reveladora assim, mas traz números e declarações interessantes do atual número 2 do mundo – inclusive a frase sobre Ivan Lendl, inserida no título. Murray diz que precisava de alguém que lhe dissesse que era ok perder em vez de classificar derrotas em finais de Slam como um desastre. Leiam!

Fanfarronice da semana

Não tem nada de publicitário na foto, mas vale o registro porque foi "apenas" Roger Federer trollando a foto de Sergiy Stakhovsky como o ucraniano trollou com seu Wimbledon em 2013.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.