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Categoria : Brasil Open

Brasil Open: a nova casa, os brasileiros e o uruguaio que fez a festa
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Alexandre Cossenza

Chegou ao fim mais uma edição do Brasil Open – a primeira no Esporte Clube Pinheiros – e parece um momento interessante para fazer um balanço do que significou a nova casa, de como o evento transcorreu e de como foram os brasileiros em quadra no torneio.

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Sobre o “novo” torneio

É inegável a impressão de encolhimento quando se fala que um torneio trocou um ginásio para dez mil espectadores por um clube com uma arena para pouco mais de duas mil pessoas. No entanto, houve vantagens claras para organização e público no novo local. O que chama mais atenção é o “clima” de torneio, que nunca existiu no Ibirapuera. No Pinheiros, os fãs podem ver os tenistas treinando e circulando, e as três quadras estão bem pertinho uma da outra. Ou seja, a locomoção é rápida para quem quer deixar de ver uma partida e rumar até outra quadra onde a partida esteja, quem sabe, mais equilibrada.

Um ponto que pode melhorar é a quantidade de opções, tanto de entretenimento quanto de alimentação. Não sei os termos do acordo entre a Koch Tavares e o Pinheiros, mas o espaço cedido pelo clube não é tão grande. Outra questão que deixa a desejar diz respeito aos assentos na quadra central. Vários deles – próximos à quadra, logo atrás dos camarotes – dão visão apenas parcial. Isso inclui lugares nas laterais e também no fundo de quadra. De onde vi (terceira fileira no fundo de quadra) o jogo de duplas que acabou com a eliminação de Marcelo Melo e Bruno Soares, era impossível enxergar a linha de fundo próxima a mim.

Por outro lado, a arena mais modesta acaba jogando a favor de um ambiente mais animado. Muita gente – inclusiva na sala de imprensa – acredita que é melhor ter uma quadra de duas mil pessoas lotada do que um Ibirapuera com quatro mil pessoas (60% vazio). De fato, o ambiente no jogo de Thiago Monteiro contra Pablo Cuevas era ótimo. Não foi muito pior quando Marcelo Melo e Bruno Soares enfrentaram Guillermo Durán e Andrés Molteni, também num jogo noturno.

O diretor do torneio, Roberto Marcher, não especificou um número para 2017, mas disse que a intenção do torneio é aumentar a capacidade da quadra central. Na coletiva após a final de simples, ele declarou que o evento continuaria lotado se fosse realizado em um espaço com capacidade maior.

E a chave… Bem, não foi um torneio dos mais fortes, mas isso já foi debatido aqui no blog, e a explicação para isso foi dada por Marcher nesta entrevista. O dólar e o calendário pesaram, e resta a Koch Tavares brigar por uma data diferente e/ou, quem sabe, torcer por um melhor momento econômico do país em 2017. Por sorte, o Brasil Open 2016 teve uma final bem digna de seu tamanho: Pablo Cuevas x Pablo Carreño Busta. No papel, é uma decisão até mais interessante do que Cuevas x Pella, como aconteceu no milionário ATP 500 carioca, que tinha Nadal, Ferrer, Tsonga, Isner e Thiem.

Sobre os brasileiros

Thiago Monteiro, mais uma vez, roubou o show. Venceu um rival de nome (Nicolás Almagro), somou mais uma derrota e só parou nas quartas de final, diante de Cuevas. Foi o cearense, vale lembrar, quem mais deu trabalho ao uruguaio em São Paulo. Assim, o jovem de 21 anos completou duas semanas memoráveis no Brasil, atraindo holofotes, jornalistas e ganhando uma dose cavalar de confiança para voltar ao circuito Challenger cheio de moral e somar muitos pontos.

Quanto a Thomaz Bellucci, a passagem pelo Brasil só trouxe preocupações e derrotas. No Rio, caiu diante de Alexandr Dolgopolov, o que seria um resultado normal se não fosse o misterioso problema físico que lhe incomodou. Para piorar, o tal problema voltou em São Paulo, em um jogo muito ganhável contra Roberto Carballés Baena. Resumindo: o número 1 do país não só perdeu a chance de somar pontos em casa (especialmente em SP, numa chave acessível) como voltou a se preocupar com uma questão para a qual não encontra resposta há anos.

Nas duplas, a expectativa pela ouro olímpico levou um banho gelado que começou no Rio Open e terminou nas quartas de final do Brasil Open, com derrota para Guillermo Durán e Andrés Molteni. Não foi uma atuação pavorosa dos mineiros – longe disso -, mas um jogo acima da média da parceria argentina, que foi melhor nos pontos decisivos tanto no início do primeiro set quanto no fim do match tie-break. Talvez os dois resultados abaixo do esperado sirvam para diminuir a pressão e deixar Soares e Melo mais tranquilos até os Jogos Olímpicos. De qualquer modo, fica o aviso: eles não são tão favoritos à medalha de ouro como tanta gente pensava antes desses dois torneios.

Sobre o campeão

Pablo Cuevas foi o maior vencedor do circuito sul-americano de saibro. O uruguaio encontrou uma forma invejável no Rio de Janeiro, onde eliminou Rafael Nadal, e manteve o embalo nesta semana, em São Paulo. Sólido do fundo de quadra e inteligente para variar o plano de jogo quando necessário, o veterano de 30 anos navegou tranquilo na capital paulista (só perdeu set para Monteiro) e terminou a “gira” somando 795 pontos. Sua única derrota aconteceu diante de David Ferrer, nas quartas de final em Buenos Aires. Os resultados colocam Cuevas no 25º posto do ranking mundial – o mais bem colocado entre os sul-americanos.


O mistério de Bellucci e o convidado que não sabia o local da festa
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Alexandre Cossenza

Thomaz Bellucci não quer dizer do que se trata, mas também não sabe como solucionar. Mais uma vez, o físico deixou o número 1 do Brasil pelo caminho em um torneio. Desta vez, em um torneio bem acessível e, digamos, ganhável. Foi assim, de surpresa, que o paulista atual #35 do mundo caiu logo na estreia no Brasil Open. O post de hoje ainda cita a curiosa história de Benoit Paire, convidado do torneio que esperava jogar em quadra coberta, e registra mais uma campanha inédita na carreira de Thiago Monteiro.

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A zebra

Era para ser um dia rotineiro. Thomaz Bellucci jogando em São Paulo, com torcida a favor, na altitude que lhe é favorável (cerca de 800m) e diante do lucky loser espanhol Roberto Carballés Baena, #122 do mundo, adversário que não possuía armas para derrotá-lo. Era para ser uma vitória comum, sem destaque especial.

Era. E até parecia que seria assim até a metade do segundo set. Depois de fazer 6/2 com folga na primeira parcial, Bellucci abriu 2/0, quebrando o espanhol e mantendo a soberania em quadra. O paulista, no entanto, perdeu o saque no quarto game. Ainda assim, houve chances de sobra.

No 4/4, com o espanhol no saque, Bellucci teve quatro break points. Perdeu todos em erros não forçados – inclusive duas devoluções de segundo saque e uma curtinha na rede. No 4/5, o brasileiro abriu 40/15 e voltou a vacilar. Cometeu três erros, cedeu um set point e viu Carballés Baena fechar com uma direita vencedora.

O terceiro set foi drama puro, especialmente depois do quinto game, quando Bellucci pediu atendimento médico e tomou um comprimido – situação igual aconteceu no Rio, onde o #1 do Brasil não quis revelar a origem do problema. Desta vez, em São Paulo, Bellucci mal mostrava condições de seguir em quadra. Passou a encurtar pontos, forçando curtinhas e usando o saque-e-voleio.

Escapou de dois break points no sexto game, mas não no oitavo. E não mais ameaçou o rival, que fechou em 2/6, 6/4 e 6/3.

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O mistério

Na coletiva, Bellucci fez o mesmo que no Rio de Janeiro. Não disse especificamente qual é o problema nem detalhou seus sintomas. Desta vez, porém, deu algumas pistas, afirmando que foi uma questão parecida com a sofrida no Rio Open e revelando que ninguém encontrou a solução.

“Não é lesão, não. Fisicamente, eu não consigo manter a intensidade, tenho um peso muito grande no corpo, e no terceiro set comecei a sentir muita cãibra e foi isso que aconteceu. Não sei o que acontece. Estamos tentando achar uma solução para tentar manter uma intensidade razoável. Se eu consigo manter uma intensidade alta, jogando bem, como eu estava no primeiro set, de cinco a dez derrotas por ano talvez eu não teria. Meu jogo seria outro, meu ranking seria outro, minha atitude seria outra dentro de quadra, mas infelizmente eu não consigo manter a intensidade. Chega uma hora que não sei o que acontece. Não consigo jogar e meu nível de jogo cai de 100 para zero.”

Vale ressaltar que Bellucci apareceu para uma sala de entrevista coletiva com uma dúzia de jornalistas (pelo menos) e respondeu apenas quatro perguntas. O número foi pré-estabelecido pela mediadora, que é assessora de imprensa do torneio e, ao mesmo tempo, assessora de imprensa pessoal do tenista.

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O convidado que não sabia onde era a festa

Benoit Paire, #20 do mundo que pediu convite de última hora para disputar o Brasil Open, ficou pouco tempo no torneio. Pouco depois de Bellucci dar adeus, Paire foi eliminado pelo sérvio Dusan Lajovic por 6/0, 4/6 e 6/3.

A cena mais curiosa do dia foi protagonizada pelo francês. Logo depois da derrota, puxou uma cadeira, sentou e encostou a cabeça na pilastra bem em frente à sala de imprensa. Sua namorada estava por ali também.

A segunda cena mais intrigante do dia também envolveu Benoit Paire, que deixou o clube sem dar entrevista coletiva. A assessora da ATP, então, telefonou para o tenista e colocou seu celular na mesa de entrevistas coletivas. Assim, uma meia dúzia de profissionais conseguiu fazer perguntas por viva-voz.

A conversa com a pequena foto de Paire na telinha do celular, é preciso admitir, foi menos interessante. Primeiro porque o convidado do torneio revelou não saber onde seria o Brasil Open. O francês acreditava que o evento ainda era disputado em quadra coberta, no Ibirapuera, como em 2012, quando ele veio ao Brasil.

“Honestamente, eu não sabia que era um torneio outdoor. Quando eu vi que a partida seria outdoor, fiquei surpreso. Mas as condições eram boas. Eu gostava do torneio quando era indoor, no outro local (Ibirapuera), mas hoje o clube é bom, o ambiente é ótimo. Mas eu perdi hoje, então não fiquei feliz.”

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O #20 do mundo também disse que estava doente e lamentou a derrota porque gostou da chave em que estava. Sobre sua vinda de última hora, Paire disse que pediu o wild card porque não jogou bem no começo do ano.

“Perdi na primeira rodada na Austrália, na primeira em Roterdã e na primeira em Montpellier e por isso pedi um wild card. Eu precisava me preparar. Se eu não jogasse, teria três semanas livres até Indian Wells. Acho que foi uma boa escolha porque eu tinha chance de ganhar o torneio. Acho que se eu tivesse vencido hoje, poderia fazer semifinal ou final e estaria me sentindo cada vez melhor.”

Monteiro outra vez

Sem Bellucci, o último brasileiro vivo, pela segunda semana consecutiva, é Thiago Monteiro. O cearense de 21 anos, que derrotou Jo-Wilfried Tsonga e Nicolás Almagro, bateu nesta quinta-feira o espanhol Daniel Muñoz de la Nava (#72) por 4/6, 6/3 e 6/2.

Com o resultado, o atual número 278 do ranking alcança pela primeira vez na carreira as quartas de final de um torneio de nível ATP. Os pontos conquistados em São Paulo já colocam Monteiro com o melhor ranking da carreira, superando o 254º posto que alcançou na semana de 4 de novembro de 2013. Mesmo que perca na próxima rodada, o cearense ficará perto do 240º posto.

O obstáculo no caminho de Monteiro nas quartas será o uruguaio Pablo Cuevas, seu algoz no Rio de Janeiro. No torneio carioca, o cearense teve boas chances no primeiro set e chegou a abrir 4/2 no tie-break, mas não conseguiu manter a dianteira. O resto da história todo mundo sabe: Cuevas bateu Rafael Nadal, Guido Pella e conquistou o título do Rio Open.

Cabeças que já rolaram

Paire foi o sexto cabeça de chave a perder logo na estreia em São Paulo. Os únicos sobreviventes nas quartas de final são o uruguaio Pablo Cuevas, campeão do Rio Open, e o argentino Federico Delbonis. Os outros já eliminados são Albert Ramos Viñolas (5), Paolo Lorenzi (6), Nicolás Almagro (7) e Pablo Andújar (8).

As duplas

A chave de duplas do Brasil Open viu a estreia de Bruno Soares e Marcelo Melo, que bateram o espanhol Nicolás Almagro e o convidado local Eduardo Russi Assumpção por 6/1 e 6/3. Os mineiros, eliminados na semi no Rio de Janeiro, gostaram de seu rendimento – especialmente Bruno Soares, que tem um problema histórico com o tipo de bola usada no torneio carioca. Em São Paulo, o campeão do Australian Open se mostrou bem mais à vontade.

Quem também venceu foi André Sá, que quebrou o amargo jejum de 2016 e finalmente somou uma vitória na temporada (depois de seis derrotas). Ele o argentino Máximo González passaram pelos italianos Marco Cecchinato e Paolo Lorenzi por 7/6(4) e 6/1.


Entrevista: diretor explica os porquês do ‘novo’ Brasil Open
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Alexandre Cossenza

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Um torneio de cara nova, em data diferente, com capacidade para menos público e com uma chave modesta. É assim que o Brasil Open faz sua estreia no Esporte Clube Pinheiros, uma sede que deu ao evento mais “cara” de torneio. A missão no (meu) primeiro dia aqui em São Paulo era conversar com o diretor, Roberto Marcher, e entender alguns dos porquês das mudanças. Por que o novo local? Por que não participar das negociações conjuntas para trazer nomes de mais peso? O quanto a alta do dólar pesou? Qual o tamanho do prejuízo da mudança de data imposta pela ATP?

Marcher conversou comigo e com o jornalista Matheus Martins Fontes (por opção editorial, incluí neste post apenas as minhas perguntas) e explicou tudo. Falou muito mais do que o necessário, é bom que se diga – o que é ótimo. Com 70 anos e algumas décadas de experiência na organização de torneios, o diretor do Brasil Open lembrou o quanto o Rio sofreu um baque de público este ano e afirmou que Tsonga “parecia um elefante caminhando” no torneio carioca. A sinceridade foi tanta que Marcher disse até que o wild card para Benoit Paire em São Paulo é um risco porque “ele não bate bem da cabeça”. Confira as partes mais importantes:

O que pesou mais na decisão de deixar o Ibirapuera e vir para o Pinheiros?

São vários fatores, mas o principal é que a gente não acredita ainda – não temos tradição no tênis, né? Imagina se isso tivesse acontecido com Buenos Aires, que é o segundo torneio de terra com mais charme e appeal? Com a tradição argentina, se os caras tiram do Buenos Aires Lawn Tennis Club e levam para outro, sei lá, o Estudiantes? Ali havia uma tradição. Nós, no Brasil, ainda não temos um estádio, um local que tenha tradição. (…) O Ibirapuera foi um sucesso. Começamos em 2011, tivemos casa cheia duas vezes, com problemas ou não, mas isso não vem ao caso aqui, estamos falando de outra coisa. Lotamos o Ibirapuera e depois vimos as coisas baixando. Aí começaram a aparecer problemas… Com agente, o dinheiro começou a… o dólar já… Não dá! Esse torneio aqui foi feito sem nenhuma garantia. Hoje, eu estava com nosso cabeça de chave número 1, Benoit Paire, muito simpático… Não recebeu um centavo. Nada. Cuevas? Não tem, não tem, não tem. Chegou uma hora que a gente disse: “Vamos, em primeiro lugar, tratar dos jogadores.” Eles não gostam de jogar em um lugar que não tenha tradição de tênis. Que seja um clube…. Eles detestam quando a quadra é feita em cima da hora. No Ibirapuera ou no próprio Rio de Janeiro, que as quadras do Jockey eram horríveis e eles deram uma acertada… “Vamos usar o Pinheiros, tem 70 anos, quadra sólida, os jogadores vibram com a atmosfera do clube, que é lindo, etc.” Muito por causa dos jogadores, que se sentiam muito melhor aqui. O Ibirapuera era legal para deixar a casa cheia e etc., mas não tinha charme, não tinha nada. O sujeito ia fora, ia aonde? Num food truck? Não, ele ficava lá por dentro. (…) Então foi principalmente (por causa) dos jogadores, como eles se sentem, aqui foi bem mais em con… (interrompendo) Bem mais, não, mas melhorou tudo. Mudou do conceito de um torneio indoor. Nosso grande inimigo é a chuva, mas que é muito melhor, todo mundo elogiando. Perdemos um pouco a arquibancada – ano que vem vamos aumentar – porque o plano era abrir aquelas duas quadras, quebrar no meio, fazer uma só, aí daria para fazer uma arquibancada enorme, mas a ATP falou que ficaria muito em cima da hora. (…) Claro que os custos caíram, enxugamos muito devido a… acho que qualquer um que lê jornal sabe da crise que atravessa o Brasil. Você me pede hoje, eu te paguei 200 para jogar, como garantia. Aí você me pede a mesma coisa em dólar, torna-se quatro vezes mais caro. Não tem condições. Vamos reduzir um pouco, fazer essa experiência aqui, ver como funciona. Estamos aprendendo com o Pinheiros. Acho que neste momento a gente está surfando a onda da crise.

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Sobre a questão da data, houve a inversão com Buenos Aires, que acabou ficando com uma chave fortíssima…

(interrompendo) Ali tem a data e… não sei de onde eles conseguem dinheiro. O Tsonga, por exemplo, queria fazer uma “tripartida” com Rio, Buenos Aires e nós. Caímos fora. Aí eles pegam grana não sei daonde. Eles têm Claro, governo… Ele fala: “Olha, querido, preciso de tanto para o Tsonga. Ok.” O Nadal tinha um acerto com eles para terminar, aí acabou o Nadal, né? O Ferrer foi lá, gastaram uma grana também. E pagaram pouco para o Isner, não tanto. Ele quase veio aqui, mas “quero tanto”, “te dou tanto”, mexe pra lá, mexe pra cá, graças a Deus. Eles pegaram o Tsonga, que literalmente não quer nada com a bola. Já em Buenos Aires foi ridículo. E tomou uma primeira rodada no Rio de Janeiro. De um jogador que acho que vai ser o próximo grande jogador do Brasil, o Thiago (Monteiro). Mas o Tsonga estava um desastre, parecia um elefante caminhando na quadra. Queria nada com a bola. Isolando direita, chegou uma hora que se ele encheu o saco… Enfim, os caras pagaram um puta granapara esses dois aí e jogaram dinheiro fora. O Isner tomou duas primeiras rodadas. Se esforçou. Tudo 7/6 no terceiro, mas já de cara tomaram uma bela duma porrada. Eu falei para o meu CEO: “Vamos jogar com o que a gente tem aqui.”

Esse custo-benefício não compensaria nem com o que vocês teriam vendido a mais de ingresso?

Não. Nós estamos com uma quadra menor, mas nem no Ibirapuera. A gente não vende antecipado, entende? Não faz essa sacanagem de chegar para o trouxa que comprou e se o Nadal perdeu, problema é teu, né? Mas mesmo assim sofreram bem um baque no público e tudo. Nadal, acho que está quase no fim e, enfim, o Rio tomou um baque. Para nós, não. Estamos sold-out. Nossa quadra aqui está perfeita. É pouquinho? É pouquinho. E também com o dólar a R$ 4, para nós, não compensa.

O que atrapalhou mais? A data ou o dólar? Se é que dá para fazer essa distinção…

Dá: o dólar. E os dois atrapalharam.

Com o dólar, suponhamos, a R$ 2, daria para trazer mais gente de peso mesmo com essa data?

Sim. A data é ruim porque somos o único torneio da ATP que compete com dois ATPs 500. Não existe no calendário da ATP. Nenhum torneio – isso é uma sacanagem – compete contra dois… E tem outro detalhe. Se o cara for top, eles terminam aqui, e o técnico já convoca para treinar (para a Copa Davis). O Benoit, apesar de ser um craque, não vai. Fora da quadra, ele é uma moça. Muito legal! E é namorado de uma popstar, que enche estádio na França (Shy’m), e nem se importa. Ele disse “Eu tô a fim de jogar aí. Você me dá wild card?” Eu digo “Você não quer nada? Vinte e um do mundo? Tá dado o wild card.” Os caras todos cobrando uma fortuna, gente que… Sabe? Não dá para acreditar que o Verdasco me peça dinheiro. Você tá me gozando? Não tem dinheiro. Wild card, não te dou. Se você não se inscreveu, não quero ver você aqui. Esse aí (Paire) eu quero. Tomando um risco… Ele não bate bem da cabeça. Dentro da quadra, pode acontecer qualquer coisa. É um Fognini piorado. Você não sabe o que pode acontecer. Mas de qualquer forma, a gente pegou e não pagou nada. Mas a data foi péssima, mas quem escolhe… Tudo é política e dinheiro. Eu sei que os caras (ATP) olharam o Brasil em crise, os caras (argentinos) forçaram, e a data foi para eles. Posso fazer o quê?

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E o que o torneio pode fazer? Existe possibilidade de brigar para mudar outra vez de data?

No outro ano, não dá mais. Só para o outro.

Para 2018?

Sim.

Mas a ideia…

(interrompendo) A ideia… Essa data é péssima, cara! Os caras já querem ir embora, compete contra Acapulco… Está tudo sendo estudado. Nunca se sabe o que vai acontecer. De repente, a Argentina dá um treco. É uma luta… Não vou dizer que não seja de igual para igual. É. Argentina e Brasil é uma guerra em tudo…

Chance zero de pleitear, de repente, a data de Quito?

Não, não é chance zero, mas também é outra data de merda…

Porque é colada na Austrália…

Quito foi um horror o torneio. Esses torneios que dependem do governo ficam muito problemáticos. Para você ter o patrocinador, o patrocinador no ano que vem não quer mais o Tsonga. Agora ele vai querer o Djokovic.

Última coisa… O contrato com o Pinheiros é só para este ano?

Não, não é não. É para o ano que vem e depois tem opção de renovação. É um contrato bem feito.


Um Brasil Open menor e mais fraco, mas sem drama
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Alexandre Cossenza

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A organização do Brasil Open, torneio nível ATP 250 disputado em São Paulo, anunciou nos últimos dias algumas informações sobre o evento. Na terça-feira, houve o aviso oficial de que o torneio deixará de ser disputado no Ginásio do Ibirapuera. Dizendo tratar-se de “boas notícias para o tênis brasileiro”, o texto oficial confirmou que o Esporte Clube Pinheiros será a nova sede da competição.

Na quarta-feira, foi divulgada a lista de tenistas participantes. Os oito atletas de maior ranking são Fabio Fognini (atual #21 do mundo), Thomaz Bellucci (37), Pablo Cuevas (41), Federico Delbonis (52), Albert Ramos-Viñolas (55), Pablo Andújar (59), Pablo Carreño Busta (67) e Paolo Lorenzi (69).

As duas novidades mostram que o torneio diminui de tamanho. Primeiro porque deixa um estádio coberto com capacidade para quase 10 mil pessoas. Depois porque a chave será consideravelmente mais fraca do que a de 2015. Ano passado, os oito cabeças de chave estavam no top 40. Em 2016, pelo ranking de hoje, há apenas três atletas no top 50.

Tentei conversar com o diretor do Brasil Open, Roberto Marcher, mas ele não estava disponível para uma entrevista. Ainda assim, mesmo sem uma palavra do evento, é possível enumerar alguns dos motivos para o, digamos, “encolhimento” do Brasil Open, que será jogado de 22 a 29 de fevereiro.

O principal deles talvez seja a mudança de data. Em 2015, o Brasil Open era jogado na semana de 9 de fevereiro, antes do Rio Open, que é o principal evento da série sul-americana de saibro. Na mesma data, havia o ATP 500 de Roterdã e o ATP 250 de Memphis, só que o torneio paulista (ATP 250) servia como uma espécie de aquecimento para o Rio Open (ATP 500).

Este ano, São Paulo trocou de data com o ATP 250 de Buenos Aires e será jogado na semana de 22 de fevereiro, junto com os ATPs 500 de Acapulco e Dubai. O grande problema é Acapulco, jogado na quadra dura. Muitos dos bons nomes que estarão no Rio de Janeiro, na semana de 15 de fevereiro, deixam o saibro e mudam para a quadra dura, já pensando nos Masters de Indian Wells em Miami, em março. Acapulco, além de ser um 500, leva também a vantagem geográfica. Fica “no caminho” para os Estados Unidos.

Como referência da importância da é a própria chave de Buenos Aires este ano. Ano passado, o torneio teve um top 10 (Nadal) e o oitavo cabeça de chave era o #55 do mundo (Carreño Busta). Agora, em 2016, os organizadores portenhos conseguiram dois top 10 (Ferrer e Tsonga), além de Isner (11), Thiem (20), Sock (26) e Mayer (35). O cabeça 8 é Cuevas, #40. É um torneio fortíssimo, que soube aproveitar seu lugar no calendário para crescer.

Outra questão óbvia que pesou contra o Brasil Open foi a alta do dólar, na casa dos R$ 4. Ano passado, com a moeda americana cotada por volta de R$ 3, o Brasil Open só conseguiu anunciar Feliciano López como atração. Este ano não houve nenhum anúncio do tipo, mesmo com tantos nomes de peso (Nadal, Ferrer, Tsonga e Isner) jogando no continente na mesma época. Talvez, inclusive, a mudança para o Pinheiros tenha sido forçada pela falta de nomes de peso. Caso tivessem conseguido atrair um tenista que “vendesse” ingressos, seria viável manter o torneio no Ibirapuera.

Do jeito que ficou, calendário e dólar jogando contra, o Brasil Open passa a ter um papel menos relevante no circuito. Em vez de Nadal, Almagro e Nalbandian, como em 2013, o torneio conta com especialistas de saibro como Fognini e Bellucci para atrair público (Almagro, ainda se recuperando, também estará na chave). Não é o fim do mundo, não é uma chave ruim, não é o início do fim do evento (que eu saiba). É, contudo, uma queda de patamar em relação a anos anteriores.

Coisas que eu acho que acho:

– De certo modo, pensando no público e na exposição de mídia, a chave mais fraca pode até jogar a favor, como aconteceu no WTA de Floripa. Com menos nomes de peso brigando pelo título, aumentam as chances de Bellucci, Feijão e quem mais receber wild card fazer uma campanha empolgante. E, proporcionalmente, a chave paulista não está nem perto de ser tão fraca quanto a de Santa Catarina.

– O torneio será realizado em três quadras do Esporte Clube Pinheiros. O fato de ser saibro outdoor conta a favor da qualidade técnica do evento. Quadras de terra batida provisórias nem sempre agradam aos tenistas. A problemática edição 2013 do Brasil Open, no Ibirapuera, é uma prova enorme disso.

– Por outro lado, é perigoso usar apenas três quadras em um evento outdoor, especialmente em São Paulo no mês de fevereiro. É um risco que a promotora aceitou correr quando fez a mudança para o Pinheiros. Como não consegui falar com o diretor, não sei dizer se há um plano B ou se haverá quadras cobertas prontas para jogo em caso de necessidade/emergência.

– Não sei dizer a capacidade das quadras do Pinheiros. Na terça-feira, quando fiz essa pergunta à assessoria da Koch Tavares, essa informação ainda não havia sido recebida para repasse à imprensa. Também é fato que, a 40 dias do torneio, a organização não revelou detalhe algum sobre a venda de ingressos.


O Brasil Open em 20 drops shots
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Alexandre Cossenza

Não foi uma semana tão corrida quanto a do Rio de Janeiro, mas os últimos sete dias, período do Brasil Open, foram bastante animados. O torneio paulista mostrou melhorias, embora com uma chave nada forte, e conseguiu até levar um bom público ao Ibirapuera no sábado. Também vimos a torcida reconhecer o belo torneio de Thomaz Bellucci. Como ninguém aguentaria ler um post esmiuçando tudinho-tudinho, aqui vai outra edição dos drop shots, que são um punhado de reflexões rápidas sobre a semana. Confira!

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– Federico Delbonis conquistou o primeiro título da carreira, aproveitando bem as condições rápidas, ideais para seu tênis. Sacou bem, agrediu e passou por um caminho nada fácil: Volandri, Almagro, Montañés, Bellucci e Lorenzi. Saltou 17 posições no ranking, entrou no top 50 (é o 44º) e, com 23 anos, ainda tem muito a melhorar – e subir. Olho nele!

– Paolo Lorenzi saiu de São Paulo feliz da vida. O italiano, que nunca tinha sequer disputado uma semifinal de ATP, esteve a um set de conquistar o título. Tirou o máximo da chance que teve no Brasil e só não venceu porque Delbonis encontrou seu tênis a tempo. Como o próprio Lorenzi disse, ficou muito difícil fazer algo depois do primeiro set. O italiano só tem a comemorar.

– Thomaz Bellucci também encerra o torneio em alta, apesar da chance perdida na semifinal contra Delbonis. O número 1 do Brasil voltou ao top 100 (é o 86º), jogou um tênis sólido do começo ao fim e encontrou uma confiança que andou sumida em 2013. O paulista deixou muita gente otimista. Escrevo mais sobre ele nestes posts aqui e aqui.

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– Tommy Haas, anunciado pela Koch Tavares como grande estrela do torneio, não teve sucesso. Nem conseguiu atrair público nem mostrou um tênis digno de um número 12 do mundo. Para piorar, o alemão sentiu dores no ombro, abandonou sua semifinal e, na coletiva, deu a entender que se a lesão persistir, será o fim da linha. Vale lembrar que foi o mesmo ombro que o tirou do Australian Open.

– É de se lamentar a derrota de Feijão, que vinha jogando bem até sentir dores nas costas. O brasileiro, que também vinha tratando uma lesão no abdômen, foi forçado a abandonar o jogo contra Albert Montañés, nas oitavas de final. No vestiário, sentiu o baque e desabou em lágrimas.

– A decepção do torneio ficou por conta da queda de Bruno Soares e Alexander Peya. Os dois foram eliminados logo na estreia, superados por Guillermo García-López e Philipp Oswald. Foi a primeira derrota de Soares no Brasil Open desde 2010. O mineiro foi campeão em 2011 com Marcelo Melo, em 2012 com Eric Butorac e em 2013 com Alexander Peya.

– Ainda sobre Bruno Soares, publiquei durante a semana do Brasil Open esta entrevista aqui, sobre ganhos, perdas, investimentos e tudo mais que envolve prêmios em dinheiro na carreira de um tenista. A repercussão entre leitores e tenistas foi ótima. Se você ainda não leu, clique aqui.

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– Também foi uma pena a ausência de Marcelo Melo, que demorou a se decidir entre Dubai e São Paulo e, quando alcançou a final no Rio de Janeiro, na semana anterior, não teve tempo de encontrar um parceiro para entrar no Brasil Open. Ele e seu técnico e irmão, Daniel, voltaram para Belo Horizonte.

– García-López e Oswald acabaram sagrando-se campeões na chave de duplas, mas não sem uma dose gigante de sorte. Na final contra os colombianos Juan Sebastian Cabal e Robert Farah (campeões do Rio Open), espanhol e austríaco escaparam de um match point quando uma bola marota bateu na fita e tocou no ombro de Cabal.

– Não é culpa de ninguém, mas o calendário do tênis mundial, com dois torneios no Brasil na mesma semana, não é nada bom para o país. Especialmente para Florianópolis, que não conseguiu atrair um nome de peso para a edição deste ano. Com isso, a cobertura da grande imprensa fica concentrada no Brasil Open, em São Paulo. Na capital paulista, os veículos não precisam pagar viagem e hospedagem a seus repórteres. Além disso, o torneio deste ano teve Thomaz Bellucci com reais chances de título.

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– Outra conversa que gostei de ter no torneio paulista foi com o argentino Daniel Orsanic, ex-treinador de Thomaz Bellucci. Após ser dispensado pelo brasileiro, Orsanic foi contratado por Pablo Cuevas. Os dois trabalharam juntos por três anos, justamente na época que o uruguaio alcançou seu melhor ranking. Agora recuperado após duas cirurgias no joelho, Cuevas vem subindo no ranking e tentando voltar ao nível que sabe que pode jogar. Leia aqui.

– Os três melhores tenistas do Brasil não disputarão o qualifying de Indian Wells. Para Bellucci, que fez semi em São Paulo, haveria pouco tempo de adaptação; Feijão tem lesões nas costas e no abdômen; e Rogerinho vai representar o país nos Jogos Sul-Americanos, em Santiago.

– A Koch Tavares voltou a acertar a mão com a organização do Brasil Open. A edição 2014 foi a melhor das três realizadas na capital paulista. Assentos numerados, uma quadra secundária digna, mais lojas e opções de alimentação na parte externa do Ibirapuera e até uma tentativa de reduzir a sensação térmica dentro da quadra central tornaram o evento muito mais agradável.

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– Houve, claro, falhas. A mais notória foi o apagão de quarta-feira. O calor (o termômetro de meu táxi indicava 38 graus), superaqueceu os cabos dos geradores e, por medida de segurança, a organização optou por desligar a força temporariamente. Foram 20 minutos sem luz, tempo no qual os geradores ficaram em stand by até que os cabos resfriassem.

– Em coletiva realizada no domingo, o diretor do Brasil Open, Paulo Pereira, mostrou-se bem consciente de que o torneio ainda precisa melhorar. Entre os planos, estão mais uma quadra de jogo e novas opções de alimentação e lazer (publico em breve a íntegra da coletiva, que foi realizada durante a final de simples – o timing não foi dos melhores).

– O Brasil Open ainda tenta, junto à ATP, mudar sua data. A intenção da Koch Tavares é fazer o torneio duas semanas antes, trocando de lugar com o ATP de Buenos Aires. Segundo Paulo Pereira, as melhorias do evento em 2014 vão pesar a favor de São Paulo, mas com uma ressalva: ”Como (também) vão pesar as eventuais melhorias que os argentinos fizeram por lá.”

– Falando em coletivas, a mais memorável deste Brasil Open foi a única concedida por Nicolás Almagro, que bateu boca com um jornalista. O vídeo da “conversa” foi parar no SporTV News, e está reproduzido abaixo. Na bancada da imprensa no Ibirapuera, cogitava-se a criação de camisetas com os dizeres “¿Viste el punto?”

– Havia 3.730 pessoas no Ibirapuera no domingo, dia da final. Nos dias anteriores, os públicos “pagantes e presentes” (número não conta quem pagou e não foi) foram de 1.050 na segunda-feira, 2.306 na terça, 3.080 na quarta, 2.760 na quinta, 3.750 na sexta e 5.008 no sábado. Com Bellucci na final, provavelmente teríamos o melhor público do torneio, mas faltaram dois games para isto. É o preço que se paga pela caótica edição de 2013, com todo tipo de problemas.

– Mais números do Brasil Open: o torneio usou 14 toneladas de pó de telha para cobrir as duas quadras, 5.040 bolinhas do tipo Wilson Australian Open, 1.100 metros de linha para fazer as marcações, 30 quilos de pregos, 40 máquinas climatizadoras, 700 toalhas, e 500 quilos de gelo. Foram servidas 4.800 refeições para jogadores e estafe, e quatro dúzias de bananas eram levadas diariamente ao Ibirapuera – só para os tenistas.

– Diálogo rápido com Rogerinho na zona mista, após sua vitória na primeira rodada, após ele dizer que tinha feito uma mudança por “coisa pessoal, de tenista.”
Repórter: Você tem muitas superstições?
Rogerinho: Várias, mas não vou te falar (risos).
Outro repórter: Não falar a superstição é vergonha ou outra superestição?
Rogerinho: Outra superstição (mais risos).


Lições sobre a final que escapou
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Alexandre Cossenza

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Durante um set e meio, Federico Delbonis foi melhor em quadra. Sacou bem, foi mais sólido do fundo de quadra e quebrou o saque de Thomaz Bellucci duas vezes. O brasileiro perdeu a primeira parcial por 6/4 e perdia por a segunda por 4/2. Sacou em 15/40 e, tivesse perdido um dos dois pontos seguintes, veria o argentino sacar em 5/2, com o jogo praticamente ganho. Todos sairiam do Ibirapuera convencidos por um resultado justo, fruto de uma atuação bastante superior de Delbonis.

Só que não foi isso que aconteceu. Bellucci salvou os dois break points, viu o oponente jogar um game ruim, devolveu a quebra e, pouco depois, venceu o tie-break, forçando o terceiro set. Delbonis começou mal, ficou atrás no placar, e o brasileiro abriu 4/3 e saque, com 30/15 no placar. Foi aí que a coisa começou a desandar para o tenista da casa e um barulhento ginásio. Após um erro, Bellucci cedeu break point e cometeu uma dupla falta: 4/4.

Irritado, o paulista ainda voltou a falhar no game seguinte, jogando para fora uma devolução de segundo saque com 40/30 no placar – depois de duas curtas erradas em sequência do oponente. Depois, Bellucci perdeu o saque. Game, set, match, Delbonis: 6/4, 6/7(5), 6/4. O argentino está na final do Brasil Open, e o público do Ibirapuera sai decepcionado com a enorme chance desperdiçada.

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É compreensível o sentimento de decepção, ainda mais depois de ver o tenista da casa sair de um buraco, inverter o panorama e estar a seis pontos (!) da final do torneio. É preciso lembrar, contudo, que Delbonis foi o melhor tenista em quadra durante a maior parte do dia. O argentino sacou bem, agrediu com mais eficiência e, não fosse a pressão exercida pelo público no fim do segundo set, provavelmente teria fechado o jogo rapidinho, sem drama. E foi bacana notar que Bellucci analisou o jogo exatamente como deveria: dando méritos ao rival e admitindo suas falhas.

“Em certos momentos, consegui ser superior, mas na maioria do jogo eu estive atrás. Acho que ele foi superior. Até eu conseguir a quebra no segundo set, ele não me deu chance nenhuma, acho que eu não tive nenhum break point. Eu consegui reverter uma situação difícil, mas na hora de matar o jogo não tive competência de liquidar. Fiz o mais difícil, que era reverter a situação, e na hora que estava em cima, jogando melhor, deixei escapar algumas chances. Foi crucial. Neste nível, não dá para você jogar tão mal quanto eu joguei do 4/2 em diante.”

Fazendo um balanço das últimas duas semanas, vale notar que Bellucci deu menos pontos de graça a seus adversários. Viveu bons e maus momentos, sim, mas foi muito mais sólido do que vinha sendo. Tudo é consequência do que vem sendo pedido por Francisco “Pato” Clavet, seu técnico. A ideia é cometer menos erros e também esperar por falhas dos oponentes. A tática, em tese, cria um conflito com o tênis instintivo de Bellucci, que sempre quer atacar primeiro, mas até agora o brasileiro vem mostrando rara paciência nas trocas de bola.

“Uma coisa que ele (Clavet) vem falando desde o ano passado é que eu tinha, mesmo com vantagem no placar, jogar mais sólido, cometer menos erros. Sem perder a minha personalidade, minha postura dentro de quadra, que é jogar agressivo e buscar os winners. Isso é uma coisa que ele tem tentado trabalhar bastante. Estou mais consistente e agora ele bate mais na tecla ainda de que eu tenho que mudar a maneira de enxergar o jogo e de tentar diminuir um pouco a velocidade, jogar um pouco no erro do adversário, trabalhar mais os pontos.”

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Sem ir na toalha (para ler em até 25 segundos):

– No ranking da próxima semana, Bellucci aparecerá entre os 90 melhores tenistas do mundo. Será uma ascensão de mais de 20 posições, suficiente para colocá-lo diretamente nas chaves dos ATPs menores e dos Grand Slams. Por enquanto, vagas em ATPs 500 (em sua maioria) e Masters 1.000 ainda precisarão ser conquistadas via qualifying.

– Pela primeira vez desde 2007, o Brasil Open não terá um espanhol como campeão. Desde que o argentino Guillermo Cañas levantou o troféu, o torneio brasileiro viu os títulos ficaram com Nicolás Almagro (2008, ’11 e ’12), Tommy Robredo (2009), Juan Carlos Ferrero (2010) e Rafael Nadal (2013). E também será a primeira final sem um espanhol desde, vejam só, 2004!

– É a primeira vez que Delbonis disputa a chave principal do Brasil Open. Nas quatro edições anteriores do torneio, o argentino parou no qualifying.

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Coisas que eu acho que acho:

– Sim, o público saiu decepcionado, mas é bom lembrar que ninguém vaiou ou reclamou a ponto de deixar Bellucci mais nervoso ainda. Pela primeira desde 2010, o número 1 do país não é vaiado no Brasil Open. Já é um começo.

– Há muito a comemorar se você é fã de Bellucci. Nas últimas duas semanas, o número 1 do Brasil venceu jogando bem, mas também venceu jogando mal. Fez ajustes táticos que fizeram falta em boa parte de sua carreira e, hoje, parece disposto a seguir corrigindo falhas em seu tênis. Não se pode pedir muito mais do que isto de um atleta profissional.

– Federico Delbonis x Paolo Lorenzi é a final do torneio paulista. O argentino é o número 61 do mundo, enquanto o italiano é o 114º e disputava Challengers na América do Sul no fim do ano passado. Não é exatamente a final dos sonhos da Koch Tavares, organizadora do torneio. Deve ser, por outro lado, uma final sonhada pelos dois tenistas. Quem vencer levantará um troféu de ATP pela primeira vez.


Reencontrando o caminho
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Alexandre Cossenza

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Houve partidas feias, como a desta quinta-feira, contra o austríaco Andreas Haider-Maurer. Houve também atuações com falhas táticas. Foi assim contra Juan Mónaco, no Rio de Janeiro. Viradas? Foram três. Duas delas, em cima do colombiano Santiago Giraldo. E também houve momentos fantásticos, como o terceiro set contra Mónaco e o primeiro contra David Ferrer. Mais importante que tudo isso, contudo, é notar que Thomaz Bellucci voltou a vencer. E, graças às campanhas no Rio e em São Paulo, garantiu seu retorno ao top 100.

Há bastante a elogiar nestas duas semanas. Bellucci fez boa leitura tática de suas partidas, soube contar com a torcida nos momentos decisivos e, melhor ainda, não deixou de acreditar que era possível vencer. Por tudo isso, jogou cinco partidas de três sets e levou a melhor em quatro. O que aconteceu de uma hora para a outra? Gosto da explicação que o número 1 do Brasil deu após seu primeiro triunfo em São Paulo, ainda na terça-feira. Indagado (muito bem, por sinal) pelo repórter Felipe Priante, do Tenisbrasil, sobre suas análises mais profundas dos jogos, Bellucci deu a seguinte resposta:

De uma certa maneira, eu estou um pouco mais confiante, mais solto dentro de quadra. Isso não te traz medo de, às vezes, falar seu ponto fraco, de mostrar alguma fraqueza. Todo tenista tem seus pontos que não são tão fortes, e não é fraqueza dizer isso. Quando eu faço uma coisa bem, eu reconheço, eu falo. Hoje em dia, sou um jogador um pouco mais seguro de quadra, consigo expor mais o que sinto e consigo passar para as pessoas depois. Também para o Pato (Francisco Clavet, seu técnico), para a gente conversar sobre o jogo depois da partida. Acho que isso a maturidade, a experiência, vão trazendo isso para você.

Alguém pode dizer “grande coisa estar no top 100 outra vez” ou “não deveria ter nem saído”, mas o fato é que Bellucci teve lesões, perdeu ritmo e despencou. Em outubro do ano passado, era o 168º na lista da ATP. Na segunda-feira passada, ainda era o 130º. Dois bons torneios, duas quartas de final (pelo menos), dois bons saltos. E ainda há uma ótima chance de ir mais longe no fraco Brasil Open, que viu um punhado de cabeças de chave caindo antes da hora. Bellucci encara Martin Klizan nas quartas, nesta sexta-feira. Se vencer, pega Albert Montañés ou Federico Delbonis na semi. Todos são jogos ganháveis.

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Sem ir na toalha (para ler em até 25 segundos):

– O sistema de climatização improvisado pela Koch Tavares não deu conta de deixar o Ibirapuera em uma temperatura agradável. Nesta quinta-feira, o ginásio estava bem quente ainda que com pouco público. Se ficar mais cheio no fim de semana, deveremos ver as mesmas reclamações de sempre.

– O calor causou problema maior na quarta-feira, com um apagão na Quadra Central. Os cabos dos geradores superaqueceram e, por medida de segurança, a organização optou por desligar a força temporariamente. Foram 20 minutos sem luz, tempo no qual os geradores ficaram em stand by até que os cabos resfriassem.

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Coisas que eu acho que acho:

– Se Bellucci consegue vencer sem jogar bem o tempo inteiro, não dá para dizer o mesmo dos outros brasileiros que entraram em quadra nas oitavas de final. Rogerinho teve chances contra Paolo Lorenzi e jogou bem em alguns momentos da partida, mas por pouco tempo, sem consistência. Acabou eliminado e saiu de quadra reconhecendo que precisa de mais ritmo de jogo. O paulista, é bom lembrar, teve lesões no tornozelo e no joelho no fim da temporada passada.

– Feijão foi vítima de seu corpo. Já no Rio de Janeiro, o paulista teve dores no abdômen, mas nada que o impedisse de atuar. Nas oitavas de final em São Paulo, nesta quarta, sentiu também dores nas costas. A combinação foi letal, e o número 2 do país foi forçado a abandonar a partida contra Montañés. No vestiário, chorou.


Almagro al dente
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Alexandre Cossenza

A passagem de Nicolás Almagro pelo Brasil não foi das melhores. No Rio de Janeiro, o espanhol foi eliminado na primeira rodada e deixou a quadra insatisfeito com deu tênis. Em São Paulo, o número 17 do mundo foi derrotado na estreia outra vez. Almagro não foi embora, entretanto, sem aprontar.

No terceiro set, à beira da derrota, o espanhol virou alvo para Federico Delbonis junto à rede. O argentino bateu a bola na direção do peito de Almagro, que conseguiu se defender e, de alguma maneira, fez a bola passar para o outro lado da rede, ganhando o ponto. Irritado com o adversário (e talvez com seu próprio tênis), Almagro soltou, sem economizar fôlego, um sonoro “hijo de p…”

Não foi o último momento tenso do rapaz no Ibirapuera. Na entrevista coletiva, indagado por um repórter sobre o insulto, o ex-top 10 interrompeu a pergunta e perguntou seguidamente “viste el punto?”, “viste el punto?” Não houve clima para a coletiva depois disso. Um repórter fez uma segunda pergunta e foi só. Almagro foi embora andando rápido, da mesma maneira que chegou à sala de imprensa.

(O Band Sports tem um vídeo completo do incidente. Clique aqui para ver)


Brasil Open: a salvação pode ser caseira
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Alexandre Cossenza

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Sai o Rio Open, entra o Brasil Open. O circuito masculino deixa a Cidade Maravilhosa para fazer uma parada mais modesta em São Paulo. Em uma data ruim (concorre com Acapulco e Dubai, dois ATPs 500) e com a péssima impressão deixada pela edição do ano passado, a Koch Tavares tenta fazer um belo torneio, mesmo com poucos nomes, sem patrocinador máster e com o alemão Tommy Haas sendo seu principal nome. Não é lá muito fácil.

Cheguei ao Ibirapuera na tarde desta segunda-feira, e o movimento fora do ginásio era quase inexistente. Do lado de dentro, não era muito melhor. Uns gatos pingados testemunhavam o fim do jogo entre Guido Pella e Leonardo Mayer. Pouco depois, foi a vez de Feijão entrar em quadra para encarar Robin Haase, e foi aí que o Brasil Open ganhou vida em sua edição 2014.

O paulista fez um belíssimo jogo e ganhou com gente grande. Saiu de um 4/5 e 0/40 no primeiro set com coragem, atacando, e acabou ganhando 13 de 14 pontos na sequência. Quebrou Haase, encaixou uma série de ótimos saques e fez 7/5 na primeira parcial. No segundo set, esperou suas chance e aproveitou quando ela apareceu. Empurrado por uma pequena, mas barulhenta torcida (o ginásio coberto ajuda neste quesito), conquistou um excelente resultado contra o atual número 45 do mundo. Foi sua primeira vitória em um torneio de nível ATP desde – olha que curioso – o Brasil Open do ano passado.

“Em comparação ao ano passado, contra o Nadal, (tinha) dez vezes menos (público). Mas se você for ver, não estava tão vazio. É que o estádio é muito grande, então a impressão que dá é que estava vazio. Mas o apoio, com certeza, fez a diferença para mim.”

A vitória de Feijão é um indício do que pode acontecer de bom para o torneio e o público paulistas. Não é muito diferente no que aconteceu no WTA do Rio de Janeiro. Com uma chave nada forte, aumentam as chances de os brasileiros irem longe. Nesta terça-feira, saberemos mais. Não antes das 14h30min, Rogerinho enfrenta Guillermo García-López. Não antes das 17h30min, Guilherme Clezar encara Martin Klizan. Depois, após as 19h, tem reedição de um dos duelo da primeira rodada no Rio de Janeiro: Thomaz Bellucci x Santiago Giraldo.

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Coisas que eu acho que acho:

– Muito já se comentou sobre as melhorias que o Brasil Open prometeu para este ano. Uma delas é a nova Quadra 1, que aposentou o velho Mauro Pinheiro. Ainda que desprovida do “charme” de um balde amarrado com arame no teto (é brincadeira, gente, calma!), a Quadra 1 é um grande avanço. Quem assistir a algum jogo lá ficará pertinho dos tenistas. O ambiente promete.

– A Koch Tavares também instalou climatizadores de ar para reduzir a temperatura dentro do Ibirapuera. Com o ginásio vazio nesta segunda, ficou difícil julgar a eficiência da medida. Não senti calor, mas também não me lembro de ter sentido calor em dias sem muito público aqui em São Paulo. Esta terça, com três brasileiros nas simples, pode ser um teste melhor.

– Os ingressos estão a preços bem acessíveis. De segunda a quarta, entradas para anéis superior e inferior custam, respectivamente R$ 15 e R$ 50. Se você está com um pé atrás por causa do caos do ano passado, sugiro que compre um bilhete para esta terça e veja as mudanças. Os assentos agora são numerados, há mais lojas, e mais opções de comida.


Data incerta para o Brasil Open em 2015
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Alexandre Cossenza

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A ATP divulgou, nesta segunda-feira, seu calendário para 2015. A grande novidade para a entidade é o aumento da temporada de grama e do consequente intervalo entre Roland Garros e Wimbledon. A partir do ano que vem, serão três semanas – uma a mais – entre os Grand Slams do saibro e da grama. Para o Brasil, no entanto, há um outro ponto que merece atenção especial. Ainda não foi definida uma data para o Brasil Open, torneio organizado em São Paulo.

Não, não há risco de o evento ficar fora do calendário. A dúvida é apenas saber qual será data, já que a ATP lista São Paulo e Buenos Aires como “TBD”, ou “a ser determinado”. Um dos torneios será na semana de 9 de fevereiro, exatamente a data do evento argentino este ano. O outro começará a partir de 23 de fevereiro, período que em 2014 é de São Paulo. É de se imaginar uma briga nos bastidores, já que a posição do dia 23 é uma das piores de toda a temporada. Na mesma semana, são disputados dois ATPs 500: Acapulco e Dubai, ambos em quadra dura.

ATP World Tour Calendar 2015

O Rio Open, torneio ATP 500 da IMX realizado na Cidade Maravilhosa, não sofre alterações. Está confirmado na semana do dia 16 de fevereiro. No mesmo período, há dois ATPs 250: Marselha e Delray Beach. É um bom lugar para o Rio de Janeiro. E vale lembrar que foi a entrada do evento carioca no calendário sul-americano que empurrou São Paulo para a data ruim que ocupa agora.

E a Copa Davis?

Outra dúvida levantada pelo calendário 2015 da ATP diz respeito aos períodos de disputa do Grupo Mundial da Copa Davis, que exige quatro datas. O dilema é que os únicos períodos livres são: 2 de março (imediatamente antes de Indian Wells), 14 de setembro (na primeira semana pós-US Open), 9 de novembro (entre o Masters de Paris e o ATP Finals) e 23 de novembro (pós-Finals).

Enquanto a ITF não se pronunciar, a impressão que fica é que semifinal e final serão 9 e 23 de novembro. Não mudaria a decisão, que é costumeiramente depois do ATP Finals, mas realizar uma semifinal-sanduíche entre Paris e Londres não me parece – nem de longe – a opção ideal.

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Sem ir na toalha (para ler em até 20 segundos):

– Na última semana, o Brasil Open anunciou algumas novidades importantes. Depois do fiasco de 2013, com bolas ruins, saibro ruim, ginásios quentes e mais gente do que assentos no Ibirapuera, o torneio tenta mostrar que os erros não se repetirão. As bolas, por exemplo, serão as mesmas do Australian Open. Paulo Pereira também prometeu que a construção das quadras será meticulosamente acompanhada pela direção do torneio.

– A novidade mais interessante é a construção de um miniestádio com capacidade para 700 pessoas. Ou seja, o precário Mauro Pinheiro será aposentado e você não poderá mais fotografar o pitoresco balde amarrado no teto. O miniestádio será climatizado e, se não dá para fazer o mesmo com o Ibirapuera, a Koch Tavares promete um sistema que diminuirá a sensação térmica em até 5 graus em relação à área externa. Trocando em miúdos: se fizer 40 graus em São Paulo, o público do Brasil Open sentirá apenas 35.

– O comunicado do Brasil Open também afirma que “os ingressos, que já estão à venda, são numerados para evitar transtornos no Ginásio do Ibirapuera”. Sabemos que assentos marcados não são sinônimo de solução (basta que haja um erro de impressão ou alguém falsificando bilhetes para que tenhamos duas pessoas brigando pelo mesmo lugar), mas já é um começo. Mostra, como as outras medidas, que o torneio quer acertar.

– Faltam duas semanas para o Brasil Open, e ainda não há anúncio de um patrocinador máster para o torneio. Notem que a imagem do miniestádio, que reproduzo no alto do post, divulgada pelo torneio, não traz marcas.


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