Saque e Voleio

Arquivo : soares

AO, dia 4: quando Istomin desafiou a lógica e derrubou Djokovic
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Djokovic_AO17_r2_get_blog

Na maior zebra do torneio (e dos últimos anos no tênis), Novak Djokovic deu adeus ao Australian Open na segunda rodada, cortesia de uma atuação bravíssima do wild card Denis Istomin. O uzbeque roubou os holofotes por um dia, mas não foi só ele o único a brilhar nesta quinta-feira em Melbourne. Mirjana Lucic-Baroni também se fez notar ao eliminar Agnieszka Radwanska, a cabeça de chave número 3.

O quarto dia do torneio também teve Serena Williams levando a melhor em um jogão contra Lucie Safarova, enquanto Karolina Pliskova e Johanna Konta ampliaram suas séries de vitórias e também passaram à terceira rodada. O resumaço do dia conta tudo, inclusive os resultados de todos brasileiros, e ainda traz uma prévia do jogão entre Roger Federer e Tomas Berdych, a principal atração da sexta-feira em Melbourne Park.

A zebraça

Denis Istomin sempre foi um tenista respeitado e perigoso. Capaz de dias inspiradíssimos, mas inconsistente. Sempre que teve chances de enfrentar a elite, ficou aquém do que poderia. É o tipo de jogo legal de ver. Istomin “faz uns pontaços, a galera começa a acreditar, mas termina sempre 6/4, 6/3, 6/1”, registrei no Twitter antes de o jogo começar (seguido pelo gráfico abaixo).

E o duelo já começou equilibrado, com Istomin sempre agredindo, não fugindo do seu estilo natural. O uzbeque, atual #117 do mundo, quebrou o saque do sérvio no sétimo game, mas perdeu o serviço logo depois. Teve um set point no tie-break, mas não converteu. Era de se esperar que Djokovic, eventualmente, tomasse o controle das coisas. Não aconteceu. O #2 do mundo teve até um set point em seu próprio serviço, mas perdeu três pontos seguidos e viu Istomin fazer 7/6(8).

Tudo bem, era um set só. O jogo seguia parelho. Tipo de duelo em que o azarão, em algum momento, comete uma série de erros e vê a coisa desandar. Pois Istomin, depois de não conseguir converter dois set points no décimo game do segundo set, cometeu três erros, perdendo o saque e a parcial. Djokovic fez 7/5. Era mesmo o esperado. O jogo já tinha 2h30 de duração. O mais provável seria ver o azarão se esgotando (mental ou fisicamente), e o favorito deslanchando.

Istomin_Ao17_r2_get_blog

Pois Istomin começou a sentir cãibras no terceiro set. O sérvio fez 6/2 na parcial. Jogo sob controle. O dominante Djokovic não deixaria escapar uma vantagem assim numa segunda rodada de Grand Slam, certo? Errado. O Djokovic de hoje ficou muito aquém do tenista que deu as cartas no circuito de 2014 até a metade de 2016. Não jogou mal nesta quinta, mas não mostrou nem a inspiração nem o instinto assassino de outros tempos. Não agarrou a partida como já fez tantas vezes no passado. Ainda assim, com o jogo se alongando por mais de 3h, era difícil imaginar Istomin resistindo fisicamente para virar o placar.

Só que Djokovic perdeu o saque no comecinho do quarto set. Na hora que precisava se mostrar no controle, deu ao rival uma luz no fim do túnel. Istomin se apegou a ela e lutou. O uzbeque perdeu a quebra de vantagem e perdeu também um set point no décimo game, mas foi feroz em mais um tie-break: 7/6(5).

E se é inevitável dizer que Djokovic, hexacampeão e favorito, deixou a partida escapar, é igualmente necessário frisar que Istomin tem muito mérito. Teve coragem o tempo inteiro, agredindo de forma inteligente, e jogou muito – muito mesmo! – em quase todos momentos delicados. Não piscou no quinto set, sacou horrores quando pressionado e chegou ao fim das 4h48 de partida com 63 winners (cinco a menos que Djokovic) e 61 erros não forçados (contra 72 de Nole). Um feito gigante, uma zebra enorme. Game, set, match, Istomin: 7/6(8), 5/7, 2/6, 7/6(5) e 6/4.

A um ponto de não estar em Melbourne

Istomin só disputa o Australian Open porque ganhou um wild card, que não foi um daqueles convites dados de graça. Para receber, precisou jogar um torneio de classificação chamado “AO Asia-Pacific Wildcard Play-off”, realizado em Zhuhai, na China. O uzbeque foi campeão ao derrotar na final Duckee Lee por 7/5 e 6/1.

Mas essa final quase não aconteceu. Na semi, Istomin enfrentou o indiano Prajnesh Gunneswaran, que hoje é o #319 do ranking mundial. Naquele dia, Gunneswaran teve quatro match points em seu saque no décimo game, mas não conseguiu fechar. Istomin salvou três deles com winners. Depois, perdeu três match points no 14º antes de, finalmente, fechar em 6/2, 1/6 e 11/9.

Murray mais longe na liderança

Líder do ranking com 780 pontos de vantagem sobre Djokovic, Andy Murray aumentará bastante sua distância para o sérvio. Como Nole é o atual campeão e defendia dois mil pontos, o escocês, vice em 2016, sairá de Melbourne com pelo menos 1.625 pontos de frente. Isso, claro, se não passar da terceira rodada. Caso levante o troféu, o britânico terá 3.535 pontos a mais que Djokovic.

Levando em conta que o sérvio ainda precisa defender mais dois mil pontos em março (venceu Indian Wells e Miami), enquanto Murray só somou 90 pontos no mesmo período no ano passado, é justo imaginar que o britânico não será ameaçado na liderança pelo menos até o segundo semestre.

Mais zebra

A chave feminina também teve uma zebra de grande porte passeando por Melbourne Park nesta quinta. Agnieszka Radwanska, cabeça de chave número 3, foi eliminada por Mirjana Lucic-Baroni (#79): 6/3 e 6/2.

Quem ganha com isso é Karolina Pliskova, que passa a ser a maior cabeça de chave do terceiro quadrante – o que, em tese, encontra Serena Williams na semi. Apesar de viver melhor momento, Pliskova tem um retrospecto incrivelmente negativo de sete derrotas em sete jogos contra Radwanska. Logo, a polonesa seria a mais cotada no caso de um duelo nas quartas de final.

A favorita

Serena Williams viveu outro grande momento em Melbourne. Em uma chave nada amigável, a número 2 do mundo, que já havia derrotado Belinda Bencic na estreia, agora passou por Lucie Safarova por 6/3 e 6/4. Foi um encontro mais complicado do que o placar sugere, mas se isso não fica visível nos números, é justamente por mérito de Serena. A americana jogou melhor os pontos importantes, salvando tries break points no primeiro set e outros três na segunda parcial.

Na terceira rodada, a atual vice-campeã do Australian Open vai enfrentar a compatriota Nicole Gibbs, o que, a essa altura do torneio, parece ser um refresco em comparação com as duas rodadas anteriores.

Os outros candidatos

Karolina Pliskova segue voando. A vice-campeã do US Open, que chegou a Melbourne embalada pelo título em Brisbane, alcançou sua sétima vitória consecutiva nesta quinta ao fazer 6/0 e 6/2 sobre a russa Anna Blinkova (#189). A tcheca chega à terceira rodada com apenas quatro games perdidos. Sim, sua chave foi fácil até agora, mas Pliskova tirou proveito, ganhando mais de 80% dos pontos com seu primeiro saque. Na terceira fase, ela encara Jelena Ostapenko, que bateu Yulia Putintseva, cabeça 31, por 6/3 e 6/1.

Johanna Konta vive momento semelhante. A top 10 britânica, campeã recentemente em Sydney, também venceu seu sétimo jogo seguido ao eliminar Naomi Osaka (#47) por 6/4 e 6/2. A japonesa de 19 anos até conseguiu manter o duelo parelho no primeiro set e teve, inclusive, um break point. Não conseguiu a quebra e perdeu o serviço em seguida. Era o que Konta precisava para arrancar no placar e fazer 6/4 e 6/2. A inglesa marcou um esperado confronto com Caroline Wozniacki, que eliminou Donna Vekic por 6/1 e 6/3.

Outro jogo interessante na terceira rodada será entre a #6 do mundo, Dominika Cibulkova, e a russa Ekaterina Makarova, #33. A eslovaca passou pela taiwanesa Su-Wei Hsieh por 6/4 e 7/6(8), enquanto Makarova avançou após a desistência de Sara Errani, que perdia por 6/2 e 3/2. A italiana saiu de quadra chorando, com dores na perna esquerda.

Milos Raonic, por sua vez, venceu o duelo de sacadores com Gilles Muller: 6/3, 6/4 e 7/6(4). O canadense enfrenta Gilles Simon na terceira rodada em um duelo bem interessante. Outro jogo legal da fase seguinte será entre Grigor Dimitrov e Richard Gasquet. O búlgaro bateu Hyeon Chung por 1/6, 6/4, 6/4 e 6/1, enquanto o francês atropelou Carlos Berlocq por triplo 6/1.

Por fim, fechando a programação da Rod Laver Arena, Rafael Nadal encarou Marcos Baghdatis e fez 6/3, 6/1 e 6/3, confirmando a expectativa de quase todos quando a chave foi sorteada. Ele e Zverev vão se enfrentar na terceira rodada no que parece ser um jogo-chave para ambos. Digo “chave” porque quem avançar pode muito bem alcançar a semifinal. E agora, após a queda de Djokovic, quem chegar a semifinal nesse quadrante tem chances maiores de ir à final.

Sobre a atuação desta quinta, Nadal tentou ser agressivo o tempo inteiro e, embora Baghdatis não tenha colocado em risco o placar, o espanhol teve problemas para confirmar seu saque no primeiro set. Aos poucos, Nadal foi jogando e melhor e sacando com mais eficiência – terminou com 80% de aproveitamento de primeiro serviço. O ex-número 1 chegou ao fim do encontro com 32 winners e 33 erros não forçados, o que é um número aceitável para quem agrediu tanto.

Os brasileiros

Rogerinho, único brasileiro na segunda rodada, teve uma tarde difícil diante de Gilles Simon, um adversário superior técnica e taticamente. O brasileiro conseguiu fazer pouco além de correr atrás de todas as bolas e não desistir. Nada, contudo, que compensasse a diferença no tênis jogado pelos atletas. Simon fez 6/4, 6/1 e 6/1 e colocou um ponto final na participação brasileira na chave de simples.

Nas duplas, André Sá e Leander Paes fizeram uma boa apresentação, mas levaram a virada dos cabeças de chave 10, Max Mirnyi e Treat Huey. Brasileiro e indiano venceram o set inicial e tiveram 3/0 no tie-break do segundo, mas perderam sete pontos seguidos – mais por mérito dos rivais do que por falhas próprias – e a melhor chance de fechar o jogo. Sá e Paes ainda tiveram dois break points no terceiro set, mas não converteram. Em um jogo tão parelho, custou caro. Mirnyi e Huey finalmente quebraram o serviço de Paes e venceram por 4/6, 7/6(3) e 6/4.

Em seguida, o único triunfo brasileiro do dia. Marcelo Melo e Lukasz Kubot derrotaram Johan Brunstrom e Andreas Siljestrom em três sets: 7/5, 4/6 e 6/4. Cabeças de chave #7, brasileiro e polonês vão encarar na segunda rodada o time formado por Nicholas Monroe e Artem Sitak.

Bruno Soares e Jamie Murray, atuais campeões do Australian Open, foram eliminados logo na estreia. Eles caíram diante de Donald Young e Sam Querrey por 6/3 e 7/6(5). Com os pontos perdidos, brasileiro e britânico cairão pelo menos duas posições cada no ranking. O brasileiro, que começou a semana como #3 do mundo, pode até sair do top 10. O mesmo vale para Jamie, atual #4.

Amanhã: o que esperar de Roger Federer x Tomas Berdych

A grande atração do quinto dia de jogos em Melbourne é o confronto entre Roger Federer e Tomas Berdych. O suíço, cabeça de chave 17, vem de vitórias contra Jurgen Melzer e Noah Rubin, enquanto o tcheco bateu Luva Vanni e Ryan Harrison. O favoritismo ainda é de Federer, que tem 16 vitórias e seis derrotas contra Berdych e também triunfou nos últimos cinco encontros, faturando 11 sets em sequência.

A grande questão é que Federer não fez lá grandes apresentações até agora. Contra Rubin, variou pouco seu jogo e entrou numa pancadaria desnecessária. Só levou vantagem quando tirou um pouco o peso das bolas e deu ao garotão a chance de errar. Rubin sentiu o peso e se complicou. Ainda assim, o americano conseguiu agredir os saques do suíço e teve set point na terceira parcial para alongar o encontro.

A questão é saber o quanto Federer vai insistir em pancadas do fundo de quadra contra Berdych, que gosta de bolas retas, saca melhor do que Rubin e tem a capacidade de controlar os pontos quando consegue encaixar suas devoluções. Será que Federer foi teimoso do fundo de quadra contra Rubin porque queria calibrar seus golpes e sabia que tinha margem para erro? Ou será que o ex-número 1 vai insistir mesmo nesse estilo de jogo até o fim do torneio?

A chave contra Berdych sempre foi a variação. Federer precisa encaixar muitos primeiros serviços, usar slices e subir à rede, tirando Berdych de sua zona de conforto – até porque é muito difícil passar Federer usando bolas retas, ainda mais se elas chegarem até o tcheco via slice. Se conseguir repetir seu plano de jogo dos últimos triunfos contra o rival, o suíço provavelmente chegará às oitavas. Se insistir em pancadas do fundo, a coisa pode complicar.

Se Federer perder, sairá do top 30 pela primeira vez em mais de 16 anos. A última vez que apareceu na lista da ATP além do 30º posto foi em 23 de outubro de 2000.


Quadra 18: S02E16
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Andy Murray derrotou Novak Djokovic, conquistou o ATP Finals e termina o ano como número 1 do mundo. Nas duplas, Bruno Soares e Jamie Murray são a dupla número 1 da temporada. Após o torneio de fim de ano da ATP, Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu batemos mais um papo no podcast Quadra 18 e falamos sobre simples e duplas, oferecendo respostas para várias perguntas de nossos ouvintes.

Djokovic continuará vulnerável? O #1 pesará muito para Murray? Federer e Nadal voltarão a brilhar em 2017? Raonic algum dia vai conquistar um Slam? Quais as chances de Bruno Soares também ser #1 no ranking individual de duplas? Quer saber o que a gente acha disso tudo? Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse neste link e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’16” – Sheila Vieira apresenta os temas
1’40” – A importância dos nomes que Andy Murray derrubou no ATP Finals
2’15” – Como o grupo de Djokovic era mais fraco
5’06” – Qual o real peso do Lendl sobre as atuações do Murray?
7’04” – Nole mostrou uma atitude melhor na fase de grupos e na semifinal?
9’42” – Devemos nos acostumar com o Djokovic vulnerável do 2º semestre?
11’02” – Meligeni e a história do “guru” de Djokovic que abraçava árvores
12’05” – Hábitos esportivos da Sheila e comentários aleatórios sobre quadribol
14’06” – Na briga pelo #1, Djokovic x Murray finalmente será uma rivalidade?
14’58” – Federer e Nadal vão voltar a brigar em 2017? E o tal implante de Nadal?
16’02” – Murray vai ter cabeça para seguir no topo?
17’17” – Raonic como #3 e Wawrinka como #4
18’50” – Raonic vai ficar sempre no quase ou vai além disso?
19’51” – Será que agora os fãs de tênis vão finalmente respeitar Raonic?
21’40” – Black Hole Sun (Ramin Djawadi)
22’05” – O título de Kontinen e Peers e o número 1 de Bruno e Jamie
23’15” – Como o jovem Henri Kontinen subiu meteoricamente no circuito de duplas
27’04” – Quais as chances de Bruno ser #1 no ranking individual de duplas?
27’48” – É mais importante ser o maior duplista ou estar na melhor dupla?
28’40” – Dodig e Melo: a campanha no Finals e o resumo dos 5 anos de parceira
31’28” – IPTL: o que esperar?


Sobre Soares, Piquet, tênis, Fórmula 1 e paixões que se conectam
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Bruno_Nelsinho_blog2

Bruno Soares ainda está em Londres comemorando o título de dupla campeã da temporada 2016 e ganhou um segundo troféu neste domingo. Fã de tênis, Nelsinho Piquet trocou presentes com o tenista mineiro, entregando um capacete com dedicatória e parabéns pelo número 1. Em troca, recebeu uma raquete autografada de Bruno Soares e posou para foto com a Torre do Relógio ao fundo.

A paixão da família Piquet por tênis é antiga e tem relação com o automobilismo. Nelson, pai de Nelsinho, foi fazer intercâmbio nos EUA quando jovem porque era um belo tenista. Seu pai achava que seria a melhor maneira de encontrar um caminho no tênis. Nelsão, no entanto, aproveitou para se matricular em uma matéria chamada mechanics, e o resto é a história fantástica que terminou com três títulos mundiais na Fórmula 1 e uma dezena de outras conquistas.

Bruno_Nelsinho2_blog

Nelsão, aliás, nunca abandonou a paixão pelo tênis. Sempre bateu sua bolinha e até usava o esporte para contar vantagem quando era comparado ao britânico Nigel Mansell (vide a marca de 1’30” deste vídeo).

Também tem relação com o tênis o símbolo que muitos acreditam ser uma gota desenhada no capacete de Nelson Piquet (e que depois foi adotada por Nelsinho). O desenho é de autoria do próprio Nelsão, que se inspirou no esporte e fez algo parecido com uma bola de tênis em movimento.

Nesta semana, Nelsinho esteve em Londres e foi acompanhar a campanha de Bruno Soares. O mineiro e seu parceiro, Jamie Murray, venceram as três partidas da fase de grupos e só foram derrotados nas semifinais, quando já haviam assegurado o título de melhor dupla da temporada. Brasileiro e britânico, que começaram a jogar juntos no início deste ano, venceram dois Slams: o Australian Open e o US Open.

No ranking “individual” de duplistas (que soma pontos dos tenistas com diferentes parceiros ao longo do ano), Bruno Soares terminará a temporada como número 3, atrás dos franceses Nicolas Mahut e Pierre Hugues Herbert.

Importante: ainda publicarei aqui mais sobre a campanha de Bruno Soares em 2016. Esperem porque sairá algo bacana.


Quadra 18: S02E14
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Um WTA finals com uma campeã surpreendente, uma separação importante no circuito de duplas, as chances de um brasileiro se tornar número 1 do mundo e a disputa pela liderança nas simples são os assuntos mais quentes do podcast Quadra 18 desta semana.

Como sempre, Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu falamos um pouco sobre tudo, desde a cobrança em cima de Angelique Kerber, incluindo os parceiros em potencial para Marcelo Melo até a matemática da briga entre Novak Djokovic e Andy Murray na briga pelo número 1. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Cossenza apresenta os temas
1’20” – O WTA Finals, com o título de Dominika Cibulkova, foi um bom Finals?
3’53” – O balde de água fria da temporada de Angelique Kerber
5’07” – É justo dizer que a Kerber dominou a temporada?
9’24” – É justa toda essa expectativa em relação aos resultados da Kerber?
10’46” – Surpresas e decepções do WTA Finals
12’55” – Aliny Calejon comenta a separação de Marcelo Melo e Ivan Dodig
15’25” – Quais as chances de Marcelo formar dupla com Sá, Bellucci ou Demoliner?
17’15” – Quem seria o parceiro ideal para Marcelo Melo agora?
19’00” – Bruno Soares e a chance de ser número 1 do ranking
20’22” – Murray #1 agora ou Djokovic #1 até o fim do ano? O que é mais provável?
24’00” – Até quando vai durar o discurso zen de Novak Djokovic?
25’45” – As chances de Murray ser #1 são maiores agora ou no ano que vem?
26’47” – “Acho que ano que vem o Djokovic vai ser outro Djokovic”
27’21” – A disputa pelas últimas vagas para o ATP Finals
30’00” – Vai haver Challenger Finals em São Paulo este ano?
31’50” – Existem projetos para o tênis sufocados pela “dinastia perpétua” da CBT?


Quadra 18: S02E13
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Teve muito tênis na Ásia, mas também teve muita polêmica e assunto quente nos últimos dias. Primeiro, com a redução da pena por doping de Maria Sharapova e a consequente “briga de textões” entre a russa, a ITF e o empresário Max Eisenbud. Depois, com a notícia de que a Justiça Federal vai investigar Jorge Lacerda, presidente da CBT, e Dacio Campos, comentarista do SporTV. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu relatamos os fatos e damos nossas opiniões sobre o caso Maria e o cenário nebuloso do tênis brasileiro.

Mas este episódio do podcast é um pouco diferente. Aproveitando a presença de vários atletas do país no Challenger de Campinas e contando com participações mais do que especiais de Marcelo Melo (direto de Pequim) e Bruno Soares (direto de Tóquio), desvendamos as preferências dos tenistas no mundo pop. Música seriados, filmes e tudo mais. Para descobrir quem ouve Wesley Safadão e quem já fez maratona de Supernatural, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’20” – Sheila apresenta os temas, Aliny e Cossenza se apresentam
3’10” – O resumo do caso Sharapova e a redução de sua suspensão
3’55” – A resposta agressiva de Sharapova e a “tréplica” da ITF
6’00” – A decisão da Corte Arbitral do Esporte surpreendeu?
08’00” – O quanto a postura de Sharapova tem do elemento marketing?
08’45” – O quanto a imagem de Sharapova ficou prejudicada no circuito?
09’15” – A turnê de entrevistas mudou a opinião da maioria sobre o caso?
10’50” – Como o caso Lepchenko joga contra a justificativa de Sharapova
12’14” – “Faltou um pouquinho de humildade para a Maria”
14’22” – “O discurso da Sharapova é rancoroso e beira o mimado”
16’20” – A pior consequência desse caso de doping para Sharapova
17’40” – O resumo do caso envolvendo a denúncia do MP contra Jorge Lacerda
20’50” – As explicações de Lacerda, Dacio Campos e Ricardo Marzola
23’30” – O quanto o caso prejudica o tênis brasileiro
25’30” – The Currents (Bastille)
26’03” – Sheila introduz o bloco POP do podcast
26’21” – Marcelo Melo manda recado e fala sobre suas preferências
30’07” – “O Marcelo é a minha mãe”
32’47” – Bruno Soares fala de Ed Sheeran, Ben Affleck e Skank
37’50 – Thiago Monteiro cita Safadão, John Mayer, Breaking Bad e DiCaprio
40’45” – “Qual o filme preferido do DiCaprio de vocês?”
44’05” – Comentários aleatórios sobre Wesley Safadão
45’23” – Rogerinho fala de futebol no videogame, Rappa, cavaquinho e violão
48’05” – Prioridades: respondemos se Rogerinho joga FIFA ou PES
52’21” – Felipe Meligeni Alves fala de funk, Prison Break e filmes de terror
54’50” – “Assustador como o Felipe lembra o Fino”
56’11” – Zormann fala sobre Supernatural, Sherlock e Batman vs Super-Homem
58’53” – “Qual o filme do Batman preferido de vocês?”
61’17” – Quando Murray comemorou gravações de Sherlock
62’09” – Orlandinho fala sobre Drake, Ariana Grande, GOT e maratonas de seriados
65’00” – Nossas maratonas de seriados
67’20” – As preferências de Aliny Calejon
69’53” – Os preferidos de Alexandre Cossenza
72’24” – Sheila Vieira e suas preferências


Davis, dia 2: tombo inesperado encerra fim de semana decepcionante
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

O golpe fatal veio de onde não se esperava. Ruben Bemelmans e Joris De Loore, a dupla escalada pela Bélgica mais para poupar David Goffin e Steve Darcis do que para ganhar de fato, acabou derrubando os favoritos Bruno Soares e Marcelo Melo em cinco sets. O tombo dos mineiros por 3/6, 7/6(5), 4/6, 6/4 e 6/4 completou um fim de semana decepcionante – mais pelas atuações do que pelo resultado final – para o time do capitão João Zwetsch, que mostrou pouco poder de reação e quase nenhuma variação tática nas simples de sexta-feira.

Zwetsch_BraBel_cbt2_blog

Com o 3 a 0, a Bélgica continua no Grupo Mundial, a elite da Copa Davis, enquanto o Brasil volta para o Zonal das Américas, onde esteve em nove das últimas 11 temporadas. Neste sentido, não há grandes e novas conclusões a tirar. O Brasil continuará sendo favorito dentro do continente para alcançar os playoffs, mas ainda dependerá de um sorteio favorável (e o confronto contra a Bélgica não era nem de longe o pior dos cenários) e/ou da ascensão de um segundo simplista.

A maior expectativa agora fica por conta de Thiago Monteiro, que obteve ótimos resultados em 2016. Seria bom mesmo que o cearense de 22 anos desse outro passo adiante na carreira e se firmasse como tenista de nível ATP. Até porque entre os brasileiros mais novos que ele ainda não há ninguém mostrando tênis suficiente para defender o país internacionalmente.

O favoritismo era brasileiro, claro. Afinal, dois vencedores de Slam com muito tempo de quadra juntos enfrentariam jogadores que só haviam atuado juntos uma vez – uma derrota na primeira rodada de um Challenger. Um deles, De Loore, nunca havia vestido as cores do país na Copa Davis. O nervosismo ficou evidente. O jovem de 23 anos fez um foot fault e errou um voleio fácil logo no segundo game. A quebra veio, e os brasileiros não deram chance para reação. Os belgas não ameaçaram em momento algum e venceram apenas dois (dois!) pontos de devolução no primeiro set inteiro.

Se parecia um passeio de fim de semana, logo apareceu aquele engarrafamento que ninguém espera porque a PM montou uma blitz às 10h no único caminho até a praia. Bemelmans e De Loore acharam um ritmo melhor, sacaram espetacularmente (83% de aproveitamento de primeiro serviço) e arriscaram nas devoluções. Tiveram dois break points em games diferentes, mas De Loore, jogando no lado da vantagem, não conseguiu encaixar devoluções. No tie-break, a postura agressiva junto à rede que vinha dando certo saiu pela culatra. Bemelmans acertou um belo lob sobre Marcelo, e a Bélgica abriu 6/4. Foi o único mini-break do game, e os donos da casa empataram a partida.

O equilíbrio continuou, com pequenas chances para os dois lados. O terceiro set só teve um break point. Foi no décimo game, e Melo converteu com uma devolução vencedora (vide tweet acima). A quarta parcial começou com uma quebra da Bélgica, e o time da casa salvou dos break points em games diferentes antes de devolver o 6/4 anterior e mandar a decisão para o quinto set.

A essa altura, Bemelmans já tinha o tempo dos saques brasileiros e cravava devoluções impressionantes. Quando De Loore fazia o mesmo, significava perigo de quebra. Aconteceu no terceiro game, e Melo perdeu o saque. Os donos da casa abriram 3/1 e continuaram melhores nos games de serviço. O time mineiro tentou e ainda venceu um pontaço (vídeo abaixo), mas não conseguiu devolver a quebra. Game, set, match, Bélgica: 3/6, 7/6(5), 4/6, 6/4 e 6/4.

Uma temporada nada memorável

Se não voltarem a jogar juntos em 2016 (não há nada previsto até agora), Bruno Soares e Marcelo Melo terminarão a temporada com uma campanha de seis vitórias e quatro derrotas atuando juntos. Ainda que os mineiros tenham ficado a uma vitória de brigar pela medalha olímpica, trata-se de um histórico nada memorável para o potencial de ambos – especialmente considerando que três dessas vitórias aconteceram contra duplas irrelevantes no circuito: Fabiano de Paula/Orlandinho, Emilio Gómez/Roberto Quiroz e Nicolás Almagro/Eduardo Russi.


Quadra 18: S02E12
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Stan Wawrinka derrubou Novak Djokovic mais uma vez, Angelique Kerber tomou posto de #1 das mãos de Serena Williams e Bruno Soares conquistou mais um título em um torneio do Grand Slam. Não faltou assunto neste episódio do podcast Quadra 18. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu conversamos sobre um pouco de tudo que aconteceu no US Open, desde a polêmica do pé sangrando de Djokovic até a “carta fantasma” de Wozniacki.

O programa ainda tem áudios especiais enviados por Bruno Soares após sua conquista, além de análises táticas, surpresas e decepções, exercícios bem humorados de “futurologia” e uma indagação curiosa sobre a Bel Pesce do tênis. Quer ouvir? É só clicar no player acima. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Aliny apresenta os temas
01’00” – O quinto título de Slam de Bruno Soares
01’33” – Bruno e Marcelo causam divisão no podcast
02’45” – Os motivos do sucesso de Bruno Soares e Jamie Murray
06’08” – Bruno Soares fala da preparação e da dura estreia no US Open
08’00” – O tenso confronto de oitavas contra André Sá e Chris Guccione
09’13” – “Eu me identifico com o Guccione”
11’54” – Como Carreño Busta e García López chegaram na final
13’28” – Bruno Soares fala da sensação de ter cinco títulos de Slam no currículo
14’40” – Bruno Soares fala sobre a intenção de brigar para ser #1 do mundo
15’02” – As campanhas dos outros brasileiros na chave de duplas
17’50” – “Marcelo deve insistir na parceria com Dodig para 2016?”
20’15” – Quem seria um novo bom parceiro para Marcelo Melo?
22’58” – Don’t Lose My Number (Phil Collins)
23’45” – Wawrinka e seu terceiro título em um torneio do Grand Slam
24’00” – “Só falta Wimbledon mudar para o saibro!”
24’30” – Como explicar as 11 vitórias seguidas em finais de Stan Wawrinka?
25’55” – Uma semelhança entre Stan Wawrinka e Thomaz Bellucci
28’05” – O nível de Djokovic na final e a questão física
29’30” – O que vai ser da ATP? Djokovic terá seu #1 ameaçado?
31’15” – O momento de Rafael Nadal
32’25” – Stan pode fechar o Career Slam? E Bruno Soares?
35’15” – Stan vai manter a meta de um Slam por ano ou é melhor deixar a meta aberta e dobrar depois?
36’10” – Ouvinte: Wawrinka já é maior que Murray e Wawrinka?
39’05” – Djokovic acertou no plano de jogo na final do US Open?
42’15” – Opiniões sobre a polêmica do pé sangrando de Djokovic
46’54” – Djokovic precisa de um tempo parado para tratar as questões físicas?
47’30” – Djokovic estará no Rio Open em 2017? E Andy Murray?
48’53” – Andy Murray decepcionou no US Open?
52’21” – Rafael Nadal, sua eliminação
55’14” – Nadal teria sentido pressão na derrota contra Pouille?
56’00” – Raonic e Cilic, as grandes decepções do torneio masculino
58’13” – Monfils foi antiesportivo na partida contra Novak Djokovic?
60’21” – Monfils, o homem mais sortudo de 2016 e sua chave no US Open
62’04” – O título juvenil nas duplas de Felipe Meligeni
62’50” – Sheila e Cossenza contam histórias com Fernando e Felipe Meligeni
66’23” – Send Me An Angel (Scorpions)
66’54” – O título de Angelique Kerber
67’55” – Cossenza enumera as qualidades da campeã: “Virei fã da Kerber”
69’33”- Kerber como uma evolução de Wozniacki
70’30” – Angelique Kerber vai se manter como número 1 por algum tempo?
72’25” – O que fez Karolina Pliskova finalmente ir longe em um Slam?
75’15” – Acabou a era de domínio de Serena Williams?
76’34” – Patrick Mouratoglou paga para treinar Serena Williams?
78’18” – “Seria Patrick Mouratoglou a Bel Pesce do tênis?”
79’05” – Garbiñe Muguruza, a decepção do torneio feminino
80’18” – Ana Konjuh e Caroline Wozniacki, as surpresas do US Open
82’40” – A “carta fantasma” de Caroline Wozniacki
84’25” – Wozniacki voltará a ser um nome relevante na WTA?
87’30” – Angels (Robbie Williams)

Crédito musical

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum.


NY, dia 13: o enorme Bruno Soares conquista seu quinto título
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Soares_Murray_US16_trophy_get_blog

A conversa abaixo pode ou não ter acontecido entre um jornalista e o pai de um conhecido juvenil brasileiro antes deste US Open.

Jornalista: Oi, tudo bom? Estou esperando pra conversar com seu filho depois do treino.
Pai: Opa, e ai? Legal, mas ele não tá dando entrevista, não.

Ah, não? Poxa.
Não. A gente não quer que ele perca o foco. Desde que ele apareceu mais, digamos assim, muita gente procurou ele. Se ele falar com todo mundo, acaba perdendo o foco. E ele está numa idade importante, né?

Certamente. Então o senhor acha que dar entrevista atrapalha ele?
Claro. É um tempo que ele perde que poderia estar fazendo outra coisa.

Sim. Poderia estar no Facebook, no WhatsApp, caçando Pokémon, qualquer coisa.
Mas não é só o tempo, não. É muita pressão, sabe?

Pressão?
Claro. Ele é o melhor juvenil do país.

Mas tem muito jornalista escrevendo que espera muito dele?
Não, mas porque a gente não deixa ele dar entrevista. Tem que ficar quieto, né? Porque se ficar falando, a pressão só aumenta.

Não entendi. O senhor acha que a pressão aumenta se ele der mais entrevista?
Claro.

Sei. Mas essa pressão que o senhor diz que existe… Isso é porque o seu filho é bom tenista. Uma promessa, né?
É.

Não é todo tenista bom que tem isso?
Acho que sim, né?

Então talvez, de repente, só pensando alto aqui… Não seria melhor ele se acostumar logo com essa pressão que o senhor diz?
Ah, mas pressão só atrapalha.

Entendi. Quer dizer, acho que entendi.
A gente não pode deixar o menino muito exposto.

Bom, já que o seu filho não vai dar entrevista, vou indo. Um bom dia pro senhor.
É difícil trabalhar com tênis, né? Jogador não fala muito com jornalista, né?

Alguns até que falam, viu? Aliás, olha que coisa curiosa… O senhor sabe quem é o brasileiro que mais dá entrevista?
Quem?

Bruno Soares. Ganhou quatro Slams. Parece que ele não se incomoda muito com esse negócio de pressão…

O quinto título

A final-final foi hoje, neste sábado, mas Bruno Soares e Jamie Murray deram o maior dos passos rumo ao título do US Open quando venceram um duelo tenso com Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert. A decisão acabou sendo com Guillermo García-López e Pablo Carreño Busta, que deram uma força e eliminaram Feliciano López e Marc López.

De drama mesmo, só o primeiro game, quando Jamie teve seu serviço quebrado. Depois disso, brasileiro e escocês dominaram. Fizeram 6/2 e 6/3 e conquistaram seu segundo título na temporada. O circuito de duplas não via um time triunfar duas vezes no mesmo ano desde Bob e Mike Bryan, em 2013.

É o quinto título de Slam de Bruno Soares. Ganhou três nas mistas(US Open 2012 e 2014; Australian Open 2016) e dois nas duplas (Australian Open e US Open 2016). É o mais acessível dos tenistas brasileiros – e não só aos jornalistas. Sincero, simpático e campeão. Um enorme tenista. Uma pessoa gigante.

Observação: por um compromisso familiar, não verei a final feminina na noite deste sábado. Escreverei sobre a partida no domingo, depois de ver a gravação.


NY, dia 11: Bruno na final, o tombo de Serena e a nova número 1
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Bruno Soares fará sua terceira final de Slam em 2016; Serena Williams tombou no Estádio Arthur Ashe diante de Karolina Pliskova; e Angelique Kerber, que entrou em quadra já com o número 1 do mundo garantido pelo revés da americana, fez um jogão e se garantiu em mais uma final de major na temporada. É seguro dizer que foi uma quinta-feira interessante em Flushing Meadows. Vejamos como foi:

Kerber_US16_QF_get_blog

O brasileiro finalista

Bruno Soares está na decisão da chave de duplas. Em uma partida apertadíssima, com margens mínimas para erro, ele e Jamie Murray derrotaram a melhor dupla do ano – até agora – por 7/5, 4/6 e 6/3. Nicolas Mahut e Pierre-Hugues Herbert continuarão com o primeiro lugar na Corrida (ranking que conta só os pontos de 2016), mas Soares e Murray, que já estão classificados para o ATP Finals, assumirão a vice-liderança.

Sabadão é dia de final. #usopen2016 #brasilnasduplas #doublesisfun

A photo posted by Bruno Soares (@brunosoares82) on

A outra semifinal terminou com um resultado nada ruim para brasileiro e britânico. Seus adversários na decisão serão Pablo Carreño-Busta e Guillermo García-López, que surpreenderam os compatriotas Feliciano López e Marc López por 6/3 e 7/6(4). Feliciano e Marc vinham de vitória sobre os irmãos Bob e Mike Bryan. Além disso, López e López derrotaram Soares e Murray três vezes nesta temporada: Doha, Indian Wells e Barcelona.

E vale lembrar: será a terceira final de Slam para Bruno Soares em 2016. No Australian Open, ele foi campeão de duplas e duplas mistas. Seu currículo inclui ainda os títulos de duplas mistas do US Open em 2012 e 2014. O mineiro também fez a final de duplas do US Open em 2013, mas seu parceiro na ocasião, Alexander Peya, entrou em quadra com uma lesão nas costas. O time não teve chances diante de Leander Paes e Radek Stepanek.

O tombo de Serena

Na primeira semifinal da noite, Serena Williams cometeu um erro essencial: começou a partida tentando decidir os pontos rapidamente e, para isso, agrediu além da conta. Perdeu um saque com quatro boas devoluções de Pliskova e cometeu muitas falhas na tentativa de matar o ponto antes que a tcheca atacasse.

Era uma tática arriscada, a Serena pagou o preço. Com pontos curtos o jogo inteiro – à exceção de mais dúzia de ralis fantásticos – a americana jamais encontrou um ritmo em que se sentisse confortável. Serena e seu técnico, Patrick Mouratoglou, deveriam imaginar que não haveria margem para jogar meia dúzia de pontos longos, calibrar os golpes e se recompor. E não houve. Ao asir atrás, a cabeça de chave 1 teve de andar na corda bamba o tempo inteiro.

Pliskova, por sua vez, esteve mais perto de sua zona de conforto o tempo inteiro. Sacou bem durante a maior parte do jogo, atacou com mais inteligência e teve o enorme mérito de não perder o foco quando Serena esboçou uma reação na segunda parcial, gritando “come on”s e comemorando vários erros da oponente. Confirmou seu saque, largou na frente no tie-break e, de novo, manteve a calma quando Serena saiu de 0/3 para 4/3. A tcheca venceu um ponto enorme no 5/5 e, no match point, viu a rival cometer uma dupla falta. Game, set, match: 6/2, 7/6(5).

A tcheca agora chega à final do US Open com 11 vitórias nas costas. Desde a derrota para Simona Halep em Montreal, Pliskova encontrou um nível consistente para sua agressividade e colecionou uma lista invejável de vítimas: Serena, Kerber, Muguruza, Venus e Kuznetsova. São cinco top 10 em dois torneios.

A nova número 1

Se alguém não conhecia Angelique Kerber e decidiu ver seu jogo após a derrota de Serena, logo entendeu por que a alemã assumirá a liderança do ranking mundial depois do US Open. A campeã do Australian Open deu uma aula de tênis em Caroline Wozniacki, que joga um tênis parecidíssimo com o de Kerber. Quando a partida começou, contudo, ficou claro que a alemã joga uma espécie de versão turbinada do que a dinamarquesa faz/fazia quando foi número 1 do mundo.

Os dois sets foram parecidos. Kerber abriu duas quebras de saque em ambos. Wozniacki devolveu um, mas sempre sem muito tempo para reagir. A dinamarquesa tentou balões, recebeu instrução do pai (Kerber ouviu e relato à árbitra de cadeira) e tudo mais, mas não tinha mais o que tirar de sua (curta) manga. Kerber fez 6/4 e 6/3 e deu seu primeiro passo como número 1 do mundo.

As semifinais masculinas

Por questões pessoais, acabei não conseguindo escrever sobre as quartas de final masculinas, então deixo aqui o que acho sobre os quatro semifinalistas. As partidas serão disputadas nesta sexta-feira. Primeiro, não antes das 16h (de Brasília), Novak Djokovic enfrenta Gael Monfils. Em seguida, não antes das 17h30min, Stan Wawrinka encara Kei Nishikori.

Djokovic fez o básico. Venceu dois sets sobre um Jo-Wilfried Tsonga lesionado, que acabou abandonando a partida antes do início da terceira parcial. Depois de uma vitória por WO sobre Jiri Vesely na segunda rodada e da desistência de Mikhail Youzhny no primeiro set da terceira fase, o número 1 do mundo alcança a semi com apenas duas partidas completas. Mesmo sem o ritmo ideal de torneio, chega como favorito. Como sempre.

Gael Monfils, o homem mais sortudo de 2016 (favor conferir as chaves de Melbourne, Miami, Indian Wells, Monte Carlo e Nova York), fez um torneio competentíssimo. Só enfrentou um cabeça de chave, que foi Lucas Pouille. O compatriota chegou às quartas vindo de três jogos de cinco sets e na ressaca emocional de uma vitória triunfal sobre Rafael Nadal. Não lhe sobrou muito contra Monfils, que fez o dever de casa. Difícil avaliar suas chances contra o número 1. O francês ainda não perdeu um set neste US Open, mas tampouco foi testado em um nível sequer parecido com o que será exigido por Djokovic na semi.

O grande nome da quarta-feira foi Kei Nishikori. O japonês esteve perdendo por 2 sets a 1 e precisou sair de um 15/40 no quarto set para não deixar Andy Murray disparar no marcador. Quando quebrou o escocês, o japonês tomou o controle do jogo e não soltou mais. Disparou seguidos winners de devolução e tomou sempre a iniciativa do fundo de quadra, enquanto Murray tentava reencontrar uma zona de conforto que não se apresentou mais. Não foi uma atuação linear de Nishikori, que acabou dando um punhado de pontos de graça, mas talvez os riscos tenham sido necessários para fazer com que o escocês não dominasse as ações.

Stan Wawrinka, por sua vez, também chega às semis com uma vitória grade nas costas. Começou mal, mas terminou muito superior ao emocionante e emocionado Juan Martín del Potro. O suíço mostrou que aprendeu a lição em Wimbledon. Alongou ralis, fez o argentino trabalhar mais por cada ponto e acabou recompensado – e talvez até um pouco auxiliado pelo cansaço do oponente, mas Stan também merece valor por isso. Quando encontrou o jeito de jogar, virou o primeiro set e caminhou de jeito inteligente até a vitória. Quem é o favorito? Duríssimo dizer. Nishikori e Wawrinka oscilam um bocado. Pelo que vi nas quartas, vejo Nishikori com mais chances, mas ninguém sabe como esses dois entrarão em quadra. Afinal, pelo que vi antes das quartas, Murray também era favoritíssimo.


Quadra 18: S02E11
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Os Jogos Olímpicos Rio 2016 mal acabaram, e o US Open já está aí batendo à porta, sem deixar ninguém descansar e mantendo lá no alto a temperatura do mundo do tênis. Por isso, o episódio desta semana do podcast Quadra 18 é uma pizza metade Rio 2016, metade US Open. Quer dizer, sendo bem sincero mesmo, a divisão ficou 2/3 Errejota, 1/3 Nova York, o que é muito justo já que o torneio olímpico de tênis foi melhor do que muito Slam.

Neste episódio, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu lembramos dos melhores momentos dos Jogos Rio 2016 e compartilhamos episódios emocionantes e curiosos vividos na Cidade Maravilhosa, mas não deixamos de lembrar como está desenhado o cenário pré-US Open. Quer ouvir? É só clicar neste link. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Cossenza apresenta os temas
1’55” – O torneio olímpico de tênis foi tão marcante quanto um Slam?
5’31” – Os duplistas mineiros no torneio olímpico
7’38” – A boa chance de medalha para Melo e Soares
10’00” – A chave que se abriu sem Herbert/Mahut e Cabal/Farah
13’00” – A medalha que escapou de Daniel Nestor
13’40” – O nível altíssimo de André Sá nos Jogos Olímpicos
15’20” – A inesperada campanha de Thomaz Bellucci até as quartas
17’44” – Del Potro x Djokovic foi o melhor jogo do torneio?
21’15” – A inteligência do jogo agressivo e do slice de Del Potro
23’13” – Djokovic: a sintonia com o público brasileiro, as lágrimas, o que significou a derrota e o que pode vir a acontecer em Tóquio 2020
26’02” – O mistério sobre a lesão de Djokovic antes do US Open
27’30” – Nadal: a maratona, a medalha, as reclamações e o comprometimento
31’50” – Murray: o favoritismo, a obrigação e os (muitos) dramas
34’03” – Mónica Puig e a medalha de ouro na chave feminina
38’10” – As derrotas de Serena e Muguruza, maiores surpresas do torneio
39’09” – O pódio feminino e o “espírito de Fed Cup”
41’05” – O ouro olímpico seria o começo de uma arrancada de Mónica Puig?
44’05” – A loucura do estádio olímpico vibrando com Kirsten Flipkens
44’55” – Serena e Venus decepcionaram?
47’10” – Os resultados de Teliana e Paula Gonçalves no Rio
48’48” – A bolada de Martina Hingis em Andrea Hlavackova
51’30” – O ouro das “brunetes” Makarova e Vesnina
52’58” – O momento de Cossenza com Leander Paes
57’06” – A pergunta mais importante: quem pegou zika?
58’13” – Música em homenagem a Mónica Puig
58’50” – O comportamento da torcida: brasileiros acertam quando vaiam?
66’25” – Os encontros olímpicos de Aliny Calejon com Marin Cilic e Horia Tecau
73’10” – Os encontros de Cossenza e Sheila com Robin Soderling
74’00” – Outros esportes que vimos nos Jogos Rio 2016
77’21” – O drama de Sheila para ver Usain Bolt
82’21” – Engenhão à meia-noite: Cossenza “recomenda”
84’20” – Por que os episódios do podcast Quadra 18 são tão longos?
86’37” – Empire State of Mind (Jay Z featuring Alicia Keys)
87’11” – O US Open e suas novidades como o teto retrátil e a Grandstand
87’50” – Chave masculina está mais indefinida do que nos últimos Slams?
90’51” – A briga entre Serena e Kerber pelo posto de #1 do mundo
92’00” – Recordes que Serena pode bater nas próximas semanas
95’45” – O que esperar dos brasileiros nas duplas?
99’25” – As chances de Marcelo Melo voltar ao topo do ranking após o US Open
102’37” – Carry Me (Kygo featuring Julia Michaels)


Meus 11 momentos inesquecíveis do tênis nos Jogos Olímpicos Rio 2016
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Tennis_Rio2016_blog_col

Quando o último slice de Juan Martín del Potro ficou na rede, já entrando na noite de domingo, o cenário estava claro há muito tempo. Todo mundo sabia quem quem veio ao Rio por amor e quem deixou de estar nos Jogos Olímpicos porque preferiu sair em busca de pontos e cachês. E quem esteve no Parque Olímpico nos últimos nove dias viu e entendeu que as ausências não diminuíram em nada o torneio olímpico de tênis. Exemplos não faltaram. Os que me marcaram estão aqui.

Kirsten Flipkens, maior aqui do que na Bélgica

Soou estranho para a imprensa estrangeira, que demorou um pouco para entender que o público da quadra central gritava “Flipkens, Flipkens” empurrando a tenista rumo à primeira zebra do torneio. A belga, que eliminou Venus Williams na primeira noite do evento, disse que nunca ouviu isso – nem no seu país. Traçou uma relação com dez anos atrás, quando a Bélgica jogou a final da Fed Cup. Disse ter saído arrepiada da quadra carioca.

A noite inesquecível de André Sá

Aos 39 anos e possivelmente em sua última participação olímpica (ganhou convites em Londres e no Rio), André Sá teve uma vitória à altura de sua carreira. Carregou Thomaz Bellucci nas costas, levantou o público, fez jogadas maravilhosas e eliminou a dupla cabeça 2, formada pelos irmãos Andy e Jamie Murray: 7/6(6) e 7/6(14). Sá e Bellucci perderam na sequência para Fognini e Seppi (até porque a combinação saque de Sá + Bellucci na rede é difícil de sustentar), mas o mineiro nos deu uma lembrança para o resto da vida.

O caso de amor com Novak Djokovic

No mesmo dia e no mesmo horário, na quadra central, Novak Djokovic enfrentava Juan Martín del Potro. Um jogaço de dois tie-breaks com um público espetacular se dividindo entre os barulhentos e incansáveis argentinos e os brasileiros fãs de Djokovic. O sérvio foi eliminado e saiu de quadra às lágrimas, o que evidenciou o tamanho do seu desejo de conquistar um ouro olímpico. Aliás, o caso de amor do #1 com a torcida local foi outro ponto alto do torneio. Até na chave de duplas, enfrentando Bruno Soares e Marcelo Melo, Djokovic foi ovacionado e deixou a quadra aplaudido de pé. Sim, teve relação com o ótimo trabalho de sua imagem no Brasil, mas também teve muito a ver com sua entrega nos Jogos Olímpicos.

O embalo de Thomaz Bellucci

O #1 do Brasil contou com uma enorme dose de sorte – para azar de Dustin Brown, que estava a poucos games de eliminar Bellucci quando sofreu uma violenta torção no tornozelo. O paulista aproveitou e, diante da torcida, passou por Pablo Cuevas e David Goffin. Duas partidas emocionantes em que o público manteve o tenista da casa motivado, mesmo com suas habituais inconstâncias. Bellucci ainda jogaria um primeiro set mágico contra Rafael Nadal antes de as 12 badaladas soarem e transformarem sua carruagem em abóbora. As vitórias não valeram pontos, mas serviram para alimentar a esperança de que o número 1 do Brasil ainda possa vir a ser o tenista que todo mundo sempre quis acreditar que ele seria.

O sacrifício de Rafael Nadal

Ele deixou de jogar em Wimbledon e nunca escondeu que ainda estaria em repouso se não fosse a possibilidade de estar nos Jogos Olímpicos. Nadal, que não esteve em Londres 2012, usou tudo que tinha no tanque no Rio de Janeiro. Foi campeão de duplas ao lado do amigo Marc López e talvez tivesse ido mais longe nas simples se tivesse de onde tirar energia. Jogou com o punho esquerdo incomodando, disputou 15 sets em quatro dias (e 26 no total) e carregou a bandeira do país na cerimônia de abertura. Tudo isso por estar nos Jogos, hospedado na vila dos atletas, sem mordomia e sem ganhar um centavinho.

O beijo de Juan Martín Del Potro

Depois de seguidas cirurgias e longos períodos de recuperação com pouco sucesso, estar nos Jogos Olímpicos era uma vitória por si só para o argentino. Mas ele derrubou Djokovic e Nadal antes de sucumbir a Andy Murray na final. Foi, de longe, a história mais bonita do torneio. Desde o longo abraço no sérvio na segunda noite do torneio, incluindo um beijo nos aros olímpicos pintados na quadra até carinho com o escocês após a final.

A emoção de Leander Paes

Aconteceu longe das TVs. A participação de Leander Paes em seus sétimos Jogos Olímpicos durou pouco. Ele e o parceiro Rohan Bopanna (que nunca quis a parceria) caíram na primeira rodada. Paes passou um bom tempo na zona mista. Quando todos foram embora, ficamos só nós dois. Ele chorou falando da relação com seu pai e da conversa que tiveram durante a abertura. Eu quase chorei lembrando do meu. Ele, então, lembrou da emoção de Atlanta 1996, quando ganhou o bronze. Disse coisas lindas sobre Fernando Meligeni, seu adversário naquele dia. Falou de Pelé, lembrou que algumas pessoas viam semelhança física entre ele (Paes) e Romário, disse que atletas de países como Brasil e Índia entendem melhor o que é competir pela bandeira. Foi um papo curto, coisa de cinco minutos, mas que pareceu durar meia hora. Pessoalmente, foi a maior emoção que vivi nos Jogos até agora. Qualquer dia, transcrevo a conversa aqui.

As “brunetes”

Chegar ao Rio já foi difícil. Elena Vesnina e Ekaterina Makarova foram campeãs em Montreal, perderam a conexão rumo ao Brasil e tiveram problemas para encontrar um voo. Tiveram de abrir mão de seus bilhetes de classe executiva e entraram nos dois últimos assentos de um avião salvador. Chegaram prontas para tudo. Não reclamaram da vila nem da comida. Apareceram, jogaram e esbanjaram simpatia. Enquanto Vesnina falava, Makarova, que não tem inglês tão fluente quanto o da parceira, sorria. O ouro foi uma recompensa e tanto, e ouvir o hino russo no tênis foi mais especial ainda por causa de toda turbulência que colocou uma bigorna de desconfiança nas costas de quase todos atletas do país.

A conquista de Monica Puig

Há quem prefira decisões entre dois nomes de peso e diga que a final feminina não foi lá das melhores. Não sou tão radical. Adoro roteiros que incluem estrelas em ascensão, e Mónica Puig é uma delas. A porto-riquenha é um talento inegável. Entrou no top 50 três anos atrás, mas teve dificuldades para jogar todo seu tênis de forma consistente. No Rio, tudo funcionou. Puig atacou, defendeu e bateu Garbiñe Muguruza, Petra Kvitova e Angelique Kerber. Conquistou o primeiro ouro de seu país e vai voltar ao circuito com a confiança transbordando.

A derrota da dupla

Como escrevi no post anterior, a eliminação de Bruno Soares e Marcelo Melo nas quartas de final foi um grande baque. Não pelo resultado. Perder para Florin Mergea e Horia Tecau – medalhistas de prata – é completamente compreensível. O revés machucou mesmo porque o ambiente era bonito, com torcida empurrando e os mineiros jogando. E sempre havia a esperança de que algo mágico poderia acontecer. Não rolou. Jogadores e jornalistas pareciam abatidos na zona mista. Foi uma das entrevistas pós-jogo mais duras que vi.

O título de Andy Murray

Com as seguidas participações do bicampeão de Wimbledon na Copa Davis, ninguém pode questionar a dedicação de Andy Murray à Grã-Bretanha. No Rio, ele tentou encarar as três modalidades. Perdeu um jogo duríssimo nas duplas e não foi longe nas mistas, mas terminou a semana com a medalha de ouro de simples no peito. Não foi uma semana de tênis espetacular, mas o escocês conseguiu sair de situações delicadas.

Esteve perdendo por 3/0 no terceiro set diante de Fabio Fognini ainda nas oitavas de final. Venceu seis games seguidos e se salvou. Depois, nas quartas, esteve uma quebra atrás no terceiro set contra Steve Johnson. Devolveu a quebra e avançou no tie-break. Por fim, bolou um plano tático inteligente e o aplicou com paciência na final contra Del Potro. O primeiro bicampeão olímpico em simples. Enorme.

Coisas que eu acho que acho:

– A falta de um critério claro estabelecido pela CBT teve seu preço. Até a véspera da inscrição, ninguém sabia quem jogaria nas duplas mistas com Marcelo Melo. Houve problemas e discussões internas até que Teliana Pereira fosse escalada. Ela e Marcelo até venceram uma rodada na chave.

– A convocação de Paula Gonçalves nunca foi explicada (talvez porque os capitães e técnicos da CBT achem que não devem explicação a ninguém). Se Paula foi convocada só para as duplas, que critério foi utilizado? Ninguém falou, mas acredito que foi o chamado “critério técnico”, já que a duplista número 1 do país é (e era na época da convocação) Gabriela Cé.

– É pura questão de opinião, mas achei extremamente ruim a postura de Paula, que ria em quadra nos últimos momentos da derrota na chave de duplas. Não tinha ranking nem resultado para estar ali. Entrou pela cota de país-sede. Foi lá e se divertiu, sem se incomodar nem um pouco com a derrota.

– Mudando de assunto, Venus Williams conquistou sua quinta medalha olímpica. Foi prata nas duplas mistas ao lado de Rajeev Ram. Nas simples e nas duplas, caiu cedo. Não apareceu para entrevistas quando foi eliminada por Flipkens. Quando perdeu nas duplas, apareceu falar. Ouviu uma pergunta, respondeu outra coisa e foi embora. Serena fez o mesmo quando perdeu nas simples. São atletas com feitos enormes e são exemplo em muitos sentidos para mulheres do mundo todo. Mas ninguém vê Federer, Djokovic ou Nadal evitando entrevistas depois de derrotas. Esses são gigantes.

– O ambiente do tênis nos Jogos Olímpicos foi espetacular mesmo quando não havia um atleta da casa competindo. Não gosto nem um pouco de dizer isso, mas a atmosfera no Rio me faz acreditar que, pelo menos no Grupo Mundial, é possível ter sucesso em uma decisão de Copa Davis em sede neutra. Mas que não mexam nos zonais, por favor!


Quando o sonho acaba e é preciso dizer ‘segue o baile’
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

A noite de terça-feira foi especialmente dura para o tênis brasileiro. Sim, Thomaz Bellucci derrotou Pablo Cuevas e passou para a terceira rodada na chave de simples, mas a maior chance de medalha do país na modalidade acabou. Bruno Soares e Marcelo Melo foram eliminados nas quartas de final pelos romenos Florin Mergea e Horia Tecau.

Melo_Soares_Rio2016_qf_cbt_blog

Faltava uma vitória para que os mineiros jogassem por uma medalha. Faltou, no fim das contas, um set. Foi um golpe e tanto. Foi um baque na torcida, que encheu a Quadra 1 e deu show nos três jogos de Soares e Melo em uma sintonia rara de ver; foi duro para a imprensa, que acompanhou a trajetória bacana de dois campeões de Grand Slam; e, claro, foi devastador para Bruno e Marcelo.

Machucou porque foi em casa, porque coincidiu de os Jogos Olímpicos acontecerem no Brasil e justamente durante o auge da carreira de ambos. Doeu porque os dois queriam muito. Bruno disse durante a semana que nunca viveu o tênis tão intensamente quanto nestes dias. Nunca curtiu tanto ir dormir pensando no jogo do dia seguinte. Abalou porque era possível. Quase palpável. Tecau e Mergea são uma ótima dupla, mas não são um Phelps. “Só” jogaram como se fossem. Ainda assim, duas bolas aqui, outras duas ali, e o jogo teria outro fim.

Só que o que dá o sabor tão especial ao Jogos Olímpicos é o mesmo ingrediente da crueldade. Não há margem para erro. A próxima chance vem só daqui a quatro anos e será longe de casa, em Tóquio, trocando o dia pela noite. Marcelo terá 36 anos. Bruno, 38. É possível que ambos já não estejam jogando seu melhor tênis. E isso faz doer mais ainda. Talvez a melhor chance – não a única – tenha passado.

Bruno e Marcelo não fazem parte de nenhuma minoria social ou étnica. Não foram criados na favela, não são nordestinos nem negros. São homens criados em famílias que nunca passaram fome. Não precisaram lidar com preconceitos. Nem por isso são menos brasileiros ou merecedores que outros. Encararam o mais duro dos esportes individuais, abraçando uma vida em que não há clubes bancando treinadores nem viagens. É cada um por si, e os patrocinadores são escassos.

A dupla mineira nunca se escondeu atrás de assessores de imprensa e jamais fugiu de uma entrevista depois de uma derrota. Bruno e Marcelo não são de desculpas. Reconhecem suas falhas, dão mérito aos rivais. Uma medalha coroaria duas carreiras fantásticas, mas mais do que isso: duas pessoas fantásticas.

Uma entrevista pós-derrota quase sempre inclui um “segue o baile” vindo de Bruno. Não é minimizar o revés. É aceitar o que aconteceu e olhar para a frente. Foi assim que ele fez a vida inteira. Marcelo também. Sempre deu certo. E pode ser que em menos de um mês um deles esteja comemorando outro título de Slam. Acabam os Jogos Olímpicos. É difícil engolir e aceitar que o sonho acabou. Talvez nunca tenha sido tão difícil pedir ao DJ ou voltar à pista, mas não tem jeito. “Segue o baile.”


Davis: uma obrigação cumprida, um playoff à vista e um par de perguntas
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Não foi tão fácil como poderia ter sido, mas tampouco foi dramático. De volta ao Zonal americano, Brasil derrotou o Equador em Belo Horizonte por 3 a 1 e garantiu mais uma participação no playoff da Copa Davis. A equipe que tem Thomaz Bellucci, Marcelo Melo e Bruno Soares como ocupantes cativos terá, assim, mais uma chance de retornar à primeira divisão do tênis mundial, lugar que ocupou por apenas duas temporadas nos últimos 13 anos.

Brasil_Davis_BH_Andujar_blog

O triunfo sobre o Equador veio com um pequeno susto logo na abertura do confronto. Rogerinho, 90º do mundo, jamais se mostrou confortável no piso duro do Minas Tênis Clube e foi derrotado por Emilio Gómez, 24 anos e número 317 do mundo: 4/6, 7/5, 6/0 e 6/4.

Ainda assim, precisaria que muita coisa desse errado para que o Brasil perdesse para o modesto time visitantes. E, mesmo com um sobressalto aqui e outro ali, a equipe da casa venceu os três pontos seguintes. Thomaz Bellucci, que não foi espetacular nem na sexta nem no domingo, primeiro bateu Roberto Quiroz, 27 anos e número 396 do ranking, por 7/5, 7/6(3), 3/6 e 6/3. Depois, fechou o confronto no domingo ao superar Gómez por 7/6(11), 6/7(6), 6/2 e 7/5.

No sábado, vale lembrar, Bruno Soares e Marcelo Melo até perderam o primeiro set, mas confirmaram o favoritismo sem drama: 6/7(4), 6/3, 6/3 e 6/2. Foi, aparentemente, o dia mais divertido, com os mineiros jogando diante de sua torcida e comemorando junto com eles também.

Daqueles momentos que marcam, lindíssima a festa dos mineiros com os amigos e família. #DavisCup

A video posted by Aliny Calejon (@alcalejon) on

Um par de perguntas

Oficialmente, o discurso da CBT e dos tenistas nas coletivas pré-confronto foi de que o duelo em quadra dura ajudaria na preparação para os Jogos Olímpicos. Não tenho, contudo, resposta para as seguintes perguntas:

– Se a intenção é preparar para as Olimpíadas, por que Bellucci e Rogerinho jogarão torneios no saibro na próxima semana? Havia a opção de jogar em Washington, um ATP 500 em quadra dura. Ambos entrariam direto na chave principal. Todo mundo sabe do ótimo histórico de Bellucci em Gstaad e é perfeitamente compreensível sua escolha por voltar ao torneio suíço. O problema é que o discurso de preparação para os Jogos, assim, mostra-se inconsistente.

– O torneio olímpico será no Rio de Janeiro, a nível do mar e em quadras outdoor. O duelo em Belo Horizonte é disputado em quadra coberta a mais de 800 metros acima do nível do mar. De que maneira um confronto assim teria sido a melhor preparação possível? Para piorar, o capitão João Zwetsch, para defender o emprego, se prestou ao papel de dizer que a quadra estava lenta, dando “uma boa equilibrada, bem próximo ao que vamos encontrar no Rio de Janeiro”, no Parque Olímpico (frase retirada de comunicado enviado pela CBT).

Ficou mais feio ainda porque Rogerinho deixou a quadra derrotado no primeiro dia, dizendo que “as condições estão muito rápidas, e isso o favoreceu um pouco, também, porque são as condições em que ele mais gosta de jogar.”

No fim das contas, a escolha da sede, se valeu para algo, ajudou os mineiros. Eles, sim, vão às quadras duras de Washington, onde jogarão juntos (deixando de lado Jamie Murray e Ivan Dodig, os parceiros habituais) em uma preparação de fato para os Jogos Olímpicos. É bom ver que a principal esperança de medalha do Brasil no tênis vem levando a coisa a sério.

O recado

A melhor declaração do fim de semana foi (de quem mais?) de Bruno Soares, que falou sobre as desistências de tenistas que citam a ameaça do vírus zika como justificativa para não disputarem os Jogos Olímpicos Rio 2016 (evento que, coincidência ou não, não dá pontos no ranking nem prêmio em dinheiro aos participantes. Bruno elogiou a postura de Dominic Thiem, que foi honesto quanto à sua decisão de não disputar os Jogos, mas ressaltou que “a turma está se abraçando numa desculpa fraca pra não vir, inconsistente.” Leia a íntegra aqui.

Aviso

Entro de férias (de mim mesmo, na verdade) nesta segunda-feira, portanto o blog não terá as atualizações costumeiras. Até os Jogos Olímpicos – e possivelmente inclusive durante os Jogos – não pintarão muitos textos por aqui (eu poderia até escrever mais, mas não vou por causa do zika – rs). Até daqui a pouco.


Quadra 18: S02E10
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Serena Williams conquistou seu 22º título em um torneio do Grand Slam; Andy Murray voltou a triunfar em Wimbledon; Djokovic e Muguruza ficaram pelo caminho; Federer e Kerber ficaram no quase; e o que Lleyton Hewitt foi fazer em Londres? Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu gravamos mais um bem humorado podcast Quadra 18, resumindo os feitos, as decepções, as confusões e tudo mais que rolou nas duas semanas do Slam da grama.

Também falamos, claro, de Brasil x Equador, confronto deste fim de semana em Belo Horizonte, e demos uma pincelada no cenário que se desenha para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Quer ouvir? É só clicar no player acima. Se preferir, baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione a opção “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Sheila apresenta os temas
1’40” – O título de Andy Murray
2’35” – Como o jogo de Murray se encaixa na grama
4’15” – Como “casa” bem para Murray o duelo com o Raonic
6’39” – A primeira final de Slam sem enfrentar Federer ou Djokovic
8’18” – Murray será número 1 do mundo?
10’15” – Raonic vai ganhar um Slam um dia?
12’44” – A consultoria de John McEnroe com Raonic e o conflito de interesse
14’45” – Como avaliar a campanha de Federer? Melhor ou pior do que o esperado?
17’32” – Foi a última grande chance de Federer ganhar um Slam?
21’05” – Djokovic e a derrota para Sam Querrey
25’00” – A especulação sobre a não vinda de Djokovic aos Jogos Olímpicos
26’20” – Djokovic, Murray e o confronto de Copa Davis
27’45” – A campanha de Juan Martín del Potro
29’00” – Wawrinka, a decepção
30’20” – A história louca de Marcus Willis
30’40” – Marin Cilic e outros destaques do torneio
34’10” – Right Action (Franz Ferdinand)
34’35” – Serena Williams, heptacampeã em Wimbledon
35’50” – A importância do 22º Slam no currículo da número 1
38’35” – A ótima campanha de Angelique Kerber e a análise da final
41’35” – A eliminação/decepção de Garbiñe Muguruza
42’42” – De onde surgiu Elena vesnina, semifinalista?
43’40” – Strycova, Pliskova e Keys, abaixo do esperado
45’00” – Os enormes atrasos pela chuva e o teto retrátil
49’35” – Será que vai chover durante as Olimpíadas?
52’20” – Side (Travis)
53’10” – O efeito melhor-de-três na chave de duplas
55’20” – As duas duplas francesas na final
57’26” – Como avaliar as campanhas dos brasileiros?
60’25” – Lleyton Hewitt ainda volta a jogar?
63’45” – Brasil x Equador na Copa Davis: o que esperar?
65’30” – O estranho calendário de Bellucci com seguidas mudanças de piso
66’08” – A não convocação de Thiago Monteiro

Créditos musicais

A faixa de abertura é chamada “Rock Funk Beast”, de longzijum. Em seguida, entram Right Action (Franz Ferdinand), Side (Travis) e Bang Your Drum (Dead Man Fall).


Wimbledon, dia 11: Raonic, finalmente um finalista
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Raonic_W16_sf_get_blog

Milos Raonic apareceu no top 10 em 2013 e, fora uma lesão aqui e outra ali, passou a maior parte do tempo desde então entre os dez primeiros do mundo. Três anos atrás, já era dono de um saque gigante, mas ainda faltava um bocado a seus outros fundamentos. Naquela época, já fazia jogos duros com a elite, mas faltavam resultados grandes em torneios grandes.

Conquistou até agora oito título na carreira, mas a maioria em ATPs 250. Nenhum em um Masters. Pouco para um top 10 com pretensões ousadas (e justificadas). Aos poucos, porém, as coisas foram se encaixando. O slice melhorou. A movimentação lateral também – algo essencial para um atleta de 1,96m de altura. Os slices, idem. As devoluções, nem tanto. Só que hoje, Raonic, 25 anos, treinado por Carlos Moyá e com a consultoria de John McEnroe, mostra uma maturidade e uma inteligência tenística dignas de um finalista de Wimbledon.

E foi tudo isso que o atual número 7 do mundo mostrou nesta sexta-feira, ao eliminar de virada, em um jogo que chegou a estar perto de desandar, o gigante Roger Federer, o senhor da grama, heptacampeão de Wimbledon. Como isso aconteceu? A sequência de eventos e a expectativa para a final estão aqui, no resumo do Dia 11 de Wimbledon.

Roger Federer, primeiro ato

Primeiro set, quarto game. Jogo no começo, ainda equilibrado, o que era de se esperar. Roger Federer abre 30/0 e então comete quatro erros consecutivos até perder o serviço. Milos Raonic não cede break points até o fim e fecha a parcial.

Roger Federer, segundo ato

Quarto set, Federer lidera por 2 sets a 1, e saca em 5/6. O momento da partida está de seu lado. Após vencer as duas parciais anteriores, o suíço teve break points em dois games do canadense e ainda pressionou o rival em 30/30 em outros dois games. Federer abre 40/0. Falta um ponto para o tie-break. Com 40/15, o heptacampeão comete duas duplas faltas seguidas. Salva um break point e mais outro. Não escapa do terceiro. O raro momento, que Federer lamentou intensamente na coletiva pós-jogo, leva a partida, que parecia perto do fim, para um nervoso quinto set.

Roger Federer, terceiro ato

Quinto set, quarto game. Após o fim da parcial anterior, Federer já havia pedido massagem no joelho esquerdo (operado no início do ano). O suíço erra uma direita não forçada e precisa sacar “iguais”. O ponto é longo, e Raonic usa um slice venenoso na paralela quando o rival subia à rede. Federer devolve, mas trava o pé esquerdo tentando voltar para o meio da quadra e sofre um tombo, caindo em cima do mesmo joelho esquerdo.

É break point, mas Federer volta para sua cadeira no meio do game e recebe um rápido atendimento do fisioterapeuta. Salva o break point e comemora, mas faz uma dupla falta e, na sequência, perde o ponto mais espetacular do jogo (vídeo abaixo). Raonic abre uma quebra de vantagem no quinto set e, com o oponente fragilizado, não olha para trás. Game, set, match, Raonic: 6/3, 6/7(3), 4/6, 7/5 e 6/3.

.

Os méritos de Raonic

Os três breves momentos acima decidiram o jogo, mas só porque Milos Raonic foi extremamente competente em quase tudo que fez e forçou Federer a jogar com uma margem mínima de erro durante as 3h25min de partida. O canadense sacou monstruosamente o tempo inteiro (constantemente na casa de 225km/h), foi criterioso nas subidas à rede e voleou com maestria na maior parte do tempo. Até sua devolução, conhecido ponto fraco, começou a entrar com mais consistência a partir da metade do quarto set.

Fora do campo técnico/mecânico, Raonic também foi impecável. Jogou bem na grande maioria dos 30/30 e break points, manteve-se vivo na partida quando Federer parecia perto do triunfo no quarto set e mergulhou de cabeça quando a chance se mostrou novamente em cores vivas. Era a grande atuação que faltava em sua carreira, batendo um gigante em um momento enorme.

A final

A primeira final de Slam de Raonic, atual número 7 do mundo, mas que pulará para a quarta posição se for campeão, será contra Andy Murray, o herói britânico, que avançou ao fazer 6/3, 6/3 e 6/3 sobre Tomas Berdych (#9). Foi uma atuação bastante sólida do britânico, que só perdeu o serviço no terceiro game do primeiro set – logo depois de quebrar o tcheco.

Não que Berdych não pudesse fazer mais, mas todos (muitos) recursos do escocês são muito eficientes na grama. Com o jogo calibrado, Murray parte para sua terceira final de Slam na temporada (perdeu para Djokovic em Melbourne e Roland Garros), mas a primeira como favorito.

Se não tem o mesmo poder do saque (ou de fogo!) de Federer, Murray tem na devolução uma arma que o serviço de Raonic ainda não enfrentou no torneio. O britânico também tem um backhand mais sólido, portanto é de se imaginar que Raonic não use tanto seu forehand de dentro para fora. Como foi na semifinal, a chave para o canadense será manter o serviço e forçar Murray a jogar com margem mínima para erros. Mas será que o canadense tem mais essa carta na manga?

O anúncio

Marcelo Melo divulgou, via Twitter, que disputará o ATP de Washington ao lado de Bruno Soares. Faz parte da preparação da dupla para os Jogos Olímpicos.

Bolão impromptu do dia

O vencedor de hoje é o Rafael Trindade, quem mais se aproximou dos 53 games do jogão entre Milos Raonic e Roger Federer.