Saque e Voleio

Arquivo : melo

Sobre Copa Davis e competências
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Alexandre Cossenza

O fim de semana do confronto entre Equador e Brasil chega ao fim com o resultado mais provável. Vitória brasileira garantida no sábado, com Thomaz Bellucci, Thiago Monteiro e a dupla mineira vencendo. Foi, no entanto, um duelo mais interessante e divertido (dependendo da sua torcida) do que o imaginado. O mérito – ou a culpa – disso é de Thomaz Bellucci, que complicou um jogo não tão duro e quase acabou superado por Emilio Gómez, número 272 do mundo.

O Equador, claro, teve seus méritos. Dono de uma equipe muito mais fraca, com Roberto Quiroz (#232) como número 1, o país fez o dever de casa. Colocou os jogos na altitude de Ambato, 2.500m acima do nível do mar, e nivelou os confrontos por baixo. Ainda que levado em conta o bom histórico de Bellucci em condições semelhantes, era mesmo o melhor a se fazer.

Não dá para dizer que os donos da casa erraram. O nível foi tão para baixo que Bellucci se empolgou na sexta-feira e cavou um buraco enorme depois de abrir 2 sets a 0 contra Gómez. O equatoriano virou o jogo e chegou a ter uma quebra de frente no quinto set. Para a sorte de Bellucci, Gómez nunca foi (ainda?) o tal futuro top 50 que um dia venderam na TV brasileira (coisas que o pachequismo tenta empurrar goela abaixo do espectador para justificar escolhas erradas de parceiros de negócios). Emilio sentiu os nervos, perdeu a vantagem num game com duas duplas faltas e um erro não forçado e voltou a perder o saque antes de um tie-break decisivo: 6/2, 6/4, 6/7(1), 4/6 e 6/4.

Pessimismo meu? Nem tanto. Gómez saiu da quadra dizendo que nem fez uma ótima partida e que se tivesse ganhado, não seria por mérito de seu tênis. Bellucci, por sua vez, afirmou que a experiência fez diferença, reconheceu que Gómez sentiu os nervos no quinto set e concluiu que o rival lhe “permitiu ganhar a partida”. Ambas parecem declarações bastante conscientes sobre o que aconteceu em quadra.

Thiago Monteiro era um ponto de interrogação maior. Jogou em Quito duas vezes na vida e perdeu ambas. E nenhuma outra apresentação em tanta altitude em toda a carreira. Bom para Quiroz, que conseguiu equilibrar um jogo que, em outras condições, seria muito mais favorável ao brasileiro. Mesmo assim, o cearense foi melhor nos momentos importantes: 6/7(6), 7/6(0), 6/3 e 7/6(7).

Com 2 a 0 no sábado, restava à dupla fechar o caixão. Bruno Soares e Marcelo Melo, que raramente decepcionam juntos, fizeram 6/3, 6/4 e 6/3 em 1h38min sobre Gonzalo Escobar e Roberto Quiroz. Sem drama. Brasil de volta ao playoff.

Coisas que eu acho que acho:

– Em Ambato, a delegação brasileira contou com a presença de Luís Eduardo Nunes, presidente da federação paraibana de tênis, que exerceu a função de “auxiliar da delegação”, segundo a assessoria de imprensa da Confederação Brasileira de Tênis (CBT).

– Segundo a CBT, Nunes foi a Ambato pagando de seu próprio bolso – sem pedir nada à entidade. No entanto, como o chefe da delegação, Eduardo Frick, não conseguia tratar de todas questões logísticas necessárias por conta própria, Nunes foi agregado ao time, ganhando uniforme, participando de eventos oficiais, sentando no banco junto com a equipe durante as partidas e até comemorando a vitória dentro de quadra. Nunes participou até do teatrinho dos jogadores, “fantasiado” de Lampião (é ele no centro da imagem abaixo).

– Estranha o fato de Frick, recém-contratado, não ter competência para cuidar da logística de uma equipe de Copa Davis. Paulo Moriguti, seu antecessor na função, nunca precisou de auxiliar. Moriguti, aliás, deixou a CBT depois que Rafael Westrupp assumiu a presidência no lugar de Jorge Lacerda.

– Merece elogios o altruísmo de Luís Eduardo Nunes. Além de pagar de seu bolso para viajar a Ambato (!!!) para ver de perto nomes como Roberto Quiroz e Emilio Gómez (porque Bellucci e Monteiro ele poderia ver no Rio ou em São Paulo), o presidente da federação paraibana ainda trabalhou de graça para o tênis brasileiro. Que a CBT e Frick, aquele que não conseguiu fazer seu trabalho sozinho, sejam eternamente gratos a ele.

– Chegamos a abril, e a CBT ainda não tem uma empresa grande como fornecedora oficial de material esportivo. O time viajou ao Equador vestindo Companion – marca que também serviu como tapa-buraco durante um período da gestão de Jorge Lacerda.

– Pela primeira vez em muito tempo, um time brasileiro de Copa Davis viaja sem fotógrafo. Talvez por isso a imagem escolhida por todos jogadores e técnicos para postar em redes sociais após a vitória foi a selfie registrada por Marcelo Melo. Não havia opção. Talvez o trabalho de um fotógrafo ajudasse a divulgar o time e valorizasse o espaço no uniforme brasileiro, o que, por sua vez, ajudaria a atrair marcas. Há quem acredite, porém, que estou superestimando o valor do fotógrafo.


Quadra 18: S03E05
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Alexandre Cossenza

Miami praticamente repetiu Indian Wells. Roger Federer voltou a levantar um troféu após derrubar Rafael Nadal, Nick Kyrgios deu mais espetáculos, Marcelo Melo e Lukasz Kubot somaram mais um resultado excelente, enquanto no torneio feminino Angelique Kerber ficou pelo caminho mais uma vez, Venus Williams voltou a ir longe e Caroline Wozniacki perdeu a terceira final consecutiva.

Neste novo episódio do podcast Quadra 18, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos de tudo que envolveu Miami, inclusive o título de Johanna Konta, mas também abordamos as polêmicas nas transmissões de TV e as grandes mudanças que a Federação Internacional de Tênis vai implantar no circuito profissional a partir de 2019. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’17” – Aliny apresenta os temas
1’27” – Cossenza analisa o Federer x Nadal que decidiu o Masters de Miami
5’25” – A versão atual de Federer ganharia do Federer 2004-2007?
9’30” – Federer voltar só em RG mostra que ele não tem o #1 como prioridade?
12’45” – Qual o melhor jogo do ano até agora?
13’49” – O momento e a ascensão de Nick Kyrgios
17’00” – Nadal ainda joga muito atrás da linha de base contra Federer?
18’15” – Nadal já é favorito absoluto para Roland Garros?
19’35” – A janela de Nishikori e Dimitrov está fechando?
22’25” – Kyrgios precisa aumentar a % de pontos vencidos com a devolução?
23’30” – Qual o balanço após os primeiros Masters 1000 de Thiago Monteiro?
28’42 – Roll the Bones (Rush)
29’08” – A conquista de Marcelo Melo e Lukasz Kubot e a força da camisa
32’30” – Marcelo Melo criticou ou não Lukasz Kubot após o Rio Open?
37’00” – A repetição do duelo Melo/Kubot x Soares/Murray
39’23” – Henri Kontinen assume a liderança do ranking de duplas
41’10” – A diferença de pontuação entre Melo/Kubot e Dodig/Granollers
42’20” – O título de Johanna Konta e o WTA de Miami
43’30” – Os méritos e a falta de atrativos de Johanna Konta
46’10” – As mudanças e a polêmica sobre o que a ITF vai fazer com o circuito
52’56” – SporTV e Sony: críticas e elogios às transmissões de Miami


Quadra 18: S03E04
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Alexandre Cossenza

Na ATP, Roger Federer é campeão mais uma vez e com sobras. Na WTA, Elena Vesnina venceu uma final nervosa contra a compatriota Svetlana Kuznetsova. Nas duplas, Marcelo Melo e Lukasz Kubot conseguiram finalmente um grande resultado em 2016. Após a conclusão do torneio de Indian Wells, o podcast Quadra 18 está de volta para comentar o que rolou de mais interessante na Califórnia durante as últimas duas semanas.

Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos do momento “diferente” de Djokovic, da possível arrancada de Nick Kyrgios e das fases nada espetaculares dos atuais números 1 do mundo, Andy Murray e Angelique Kebrer. Também comentamos a polêmica sobre a final russa da WTA – houve quem não gostasse, da chance perdida de Karolina Pliskova e do que esperar de Melo e (principalmente de) Kubot. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Alexandre Cossenza apresenta os temas
0’40” – A campanha de Federer até o título em Indian Wells
5’05” – Existe alguém jogando em nível para parar Roger Federer em 2017?
6’36” – A bolinha é ruim, muito ruim ou ruim pra c…? Algum jogador reclama abertamente disso em Indian Wells?
8’12” – As campanhas de Murray e Djokovic, e o que faz mais falta ao Nole?
11’06” – É o começo do “deslanchar” de Nick Kyrgios?
13’13” – Já devemos nos preocupar com o futuro de Murray na temporada?
15’15” – Sheila Vieira e o fã clube de Stan Wawrinka
17’05” – California Gurls (Katy Perry)
17’32” – O título feliz da feliz e carismática Elena Vesnina
21’33” – A chave menos complicada de Svetlana Kuznetsova
22’11” – Karolina Pliskova e uma chance perdida
23’12” – Vesnina x Kuznetsova é uma final ruim para o tênis feminino?
27’28” – O momento de Angelique Kerber e sua volta ao posto de número 1
29’20” – Murray e Kerber estão decepcionando como líderes do ranking?
31’05” – Queen of California (John Mayer)
31’33” – Melo e Kubot engrenam depois do vice em Indian Wells?
37’48” – Kubot é o novo Peya?
38’09” – A boa campanha de Soares e Murray em uma chave duríssima
40’11” – Mahut, Kontinen e a briga pelo número 1 de duplas
42’25” – Miami e as ausências de Serena, Murray e Djokovic
43’44” – Quem quer vencer slam precisa abrir mão de jogar Masters 1.000?
45’13” – Bia Haddad Maia e seu convite para o WTA de Miami


Um sinal animador para Marcelo Melo
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Alexandre Cossenza

Marcelo Melo e Bruno Soares, os dois que apostaram em Acapulco como adaptação às quadras duras e preparação para Indian Wells, tiveram seus planejamentos recompensados. Soares, campeão no ATP 500 mexicano, somou sete vitórias consecutivas ao lado de Jamie Murray até ser eliminado nas semifinais em India Wells. E seu algoz na Califórnia foi o conterrâneo. E é justamente a parceria Melo/Kubot o assunto mais interessante no momento.

Depois de um início de ano sem os resultados desejados, Melo finalmente encaixou uma boa semana ao lado de Lukasz Kubot. Brasileiro e polonês estiveram perto do título, mas foram derrotados de virada por Rajeev Ram e Raven Klaasen por 6/7(1), 6/4 e 10/8.

Kubot fez um primeiro set excelente e foi o melhor em quadra durante o primeiro tie-break. O polonês só não manteve o nível altíssimo e acabou dando três pontos de graça no match tie-break. Errou dois voleios fáceis, devolvendo mini-breaks, e ainda jogou na rede uma devolução de segundo saque no 7/8. As falhas custaram caro, e Kubot parecia saber disso na cerimônia de premiação.

Embora a semana tenha terminado com uma derrota doída, Melo e Kubot talvez tenham encontrado o sinal que precisavam para levar a parceria além de Miami. Após o Australian Open e, mais tarde, depois do Rio Open (vide aspas abaixo), o mineiro disse que era preciso encontrar um equilíbrio na dupla e que jogar com agressividade excessiva (como Kubot faz boa parte do tempo) deixava o time vulnerável diante de duplas contra as quais deveria ser favorito.

“Normalmente, eu me adapto muito bem [a parceiros de estilos diferentes], mas não adianta a gente jogar muito kamikaze e bomba pra todo lado. Eu gosto de um jogo mais controlado, mais sólido. Às vezes, com menos velocidade e mais porcentagem. A gente precisa encontrar esse balanço porque eu sou mais desse estilo. O Lukasz é mais agressivo. Tem dia que não entra a bola e nós vamos perder para qualquer dupla! Nós precisamos encontrar esse equilíbrio para ver se a gente consegue manter a dupla – para evoluir porque tem que tentar até certo ponto encontrar esse equilíbrio, senão não adianta seguir.”

Resta saber se o vice em Indian Wells é o início de um momento interessante e que pode levar a bons resultados ou se foi uma campanha isolada que, vista com otimismo excessivo, pode fazer os dois continuarem juntos por mais tempo do que o ideal, atrasando a vida de ambos. Miami vem aí para ajudar a esclarecer o tema.

Coisa que eu acho que acho:

– Sobre os altos e baixos do kamikaze Kubot, a impressão que tenho é que isso tudo vem no pacote com o polonês. Ele vai fazer jogos ótimos nos dias bons, mas também vai cometer duplas faltas em sequência nos dias ruins. Não adiante, por exemplo, culpá-lo pela derrota deste sábado. Talvez sem ele, a dupla nem tivesse vencido o primeiro set. Tudo é questão de avaliar o custo-benefício e ver se vale a pena investir no produto.

– Podem reclamar e dizer quanto quiserem que Marcelo Melo e Bruno Soares deveriam ter feito mais esforço, que não foram patriotas e tudo mais porque não jogaram em São Paulo, no Brasil Open. Já debati este tema num post anterior e, depois, no podcast Quadra 18. Agora, vendo os resultados em Indian Wells, fica ainda mais clara a lógica por trás da opção por Acapulco. Não há o que questionar.


Quadra 18: S03E03
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Alexandre Cossenza

Rio Open, Brasil Open e o começo de Indian Wells. O podcast Quadra 18 demorou, mas finalmente está de volta, falando sobre um pouco de tudo que aconteceu nas últimas três semanas de tênis. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu discutimos assuntos “quentes” como os problemas físicos de Thomaz Bellucci, os wild cards para Maria Sharapova, a opção de Bruno Soares e Marcelo Melo por Acapulco em vez de São Paulo, o momento de Novak Djokovic, o futuro do Rio Open e até por onde anda o comentarista do SporTV Dácio Campos.

Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferia baixar para ouvir em casa, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Sheila Vieira apresenta os temas
2’02” – A estreia de Bellucci contra Nishikori, e a dura adaptação do japonês
4’45” – Os problemas físicos de Bellucci contra Thiago Monteiro
5’48” – O quanto foi ruim enfrentar Monteiro logo após derrotar Nishikori
6’18” – O “surgimento” de Casper Ruud
7’50” – A história de Christian Ruud, pai de Casper, que enfrentou Guga e Meligeni
8’25” – O título sem ameaças de Dominic Thiem
10’53” – Por que Carreño Busta e Ramos Viñolas são pouco reconhecidos?
12’20” – A chave de duplas e o carisma de Jamie Murray
14’23” – Marcelo Melo e suas declarações sobre a parceria com Lukasz Kubot
19’00” – O primeiro Rio Open sem WTA foi melhor ou pior?
23’27” – Pablo Cuevas, o título do Brasil Open e a chuva interminável
25’53” – Os problemas físicos e a falta de motivação de Thomaz Bellucci
27’08” – Por que tenista são “julgados” quando entram em quadra mal fisicamente?
28’45” – A boa chave do Brasil Open apesar da péssima data no calendário da ATP
30’17” – O título de Rogerinho e André Sá, e a ascensão de Demoliner nas duplas
32’47” – André Sá voltará a jogar com Leander Paes?
33’50” – A opção de Bruno e Marcelo por jogam em Acapulco em vez de São Paulo
37’08” – O bairrismo Rio-São Paulo
38’00” – Comparando Guga no Sauípe e Bruno/Marcelo em Acapulco
39’38” – Under the Bridge (Red Hot Chilli Pepers)
40’10” – Indian Wells e o quadrante com Djokovic, Delpo, Nadal, Federer, Kyrgios e Zverev no mesmo quadrante
42’40” – O mantra “o que está acontecendo com Djokovic?”
44’50” – Nadal em Acapulco, Murray e Federer em Dubai
46’21” – “Eu espero dignidade de Marin Cilic”
47’37” – Quem ganha o Masters de Indian Wells? Hora dos palpites!
48’43” – É justo Sharapova receber convites após a suspensão por doping?
55’18” – Serena Williams, mais uma lesão e como a chave mudou sem ela
57’37” – Palpites: quem é a favorita para o WTA de Indian Wells?
59’10” – A chave de Djokovic pode fazer ele atuar como Serena no AO 2017?
59’38” – A falta de público no Rio Open é culpa da organização ou da falta de tradição brasileira no tênis?
61’20” – O Brasil Open soluciona problemas melhor do que o Rio Open?
61’44” – Por onde anda Dácio Campos? Ele vai comentar Indian Wells?
62’37” – Kerber voltará dignamente ao #1? Veremos evolução no jogo dela?
63’45” – Há alguma chance de Melo não completar a temporada com Kubot?
63’57” – O Rio Open pode virar Masters 1000? Qual a chance de virar piso duro?
66’45” – Os valores de ingressos em Rio e SP valeram pelos atletas que vieram e pelo tênis jogado?

Importante:

– Tivemos problemas de som no meu áudio durante a gravação. Por isso, algumas das minhas falas estão incompletas. Pedimos desculpas, mas os cortes no meu áudio só foram percebidos durante a edição.


O balanço brasileiro no saibro
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Alexandre Cossenza

Com o fim do tardio do Brasil Open, parece o momento ideal para fazer um balanço da participação brasileira na perna sul-americana do circuito mundial, que, por enquanto, ainda é toda disputada em quadras de saibro. Digo “ainda” porque, como os leitores do blog sabem, Rio e Buenos Aires estão em busca de aprovação para mudarem para quadras duras.

O motivo carioca/portenho não tem a ver com as campanhas de brasileiros e argentinos. A ideia é conseguir trazer mais nomes de peso. Diretores dizem que o principal argumento de quem não quer vir até aqui é a mudança de piso entre o Australian Open e o Masters de Indian Wells. Mas enquanto a alteração não sai, será que os brasileiros vêm aproveitando o piso mais favorável a seu jogo?

Depois de Quito, Buenos Aires, Rio de Janeiro e São Paulo, dá para dizer que não foi a pior das campanhas brasileiras. Não que tenha sido espetacular. Bellucci, principalmente, poderia ter tirado muito mais de Rio e São Paulo não fossem seus problemas físicos e, ao que parece, de motivação. Vejamos um por um:

Thomaz Bellucci

Como nos dois anos anteriores, o paulista fez boa campanha em Quito. Só perdeu – pela terceira vez seguida – para Vitor Estrella Burgos, o veterano que acabou conquistando o tricampeonato no Equador. Caso curioso, não tão fácil de explicar/entender, mas que precisa entrar para a coluna das “chances perdidas”.

No Rio, Bellucci eliminou o cabeça 1 na estreia, empolgou a torcida e decepcionou no jogo seguinte. No meio do segundo set contra Thiago Monteiro (jogo à noite, 27 graus), o paulista já esteve pregado. Saiu de quadra dizendo “morri” com todas as letras. Depois, em São Paulo, também teve problemas físicos (de outro tipo) na derrota para Schwartzman. Após o revés, deu uma declaração um tanto preocupante. Falou que precisa “reencontrar a alegria e a motivação de estar na quadra que só o dia a dia vai me dar. Tenho que pensar no que a gente tem que fazer para dar a volta por cima.”

De qualquer modo, mesmo com a vitória sobre Nishikori e uma semi em Quito, fica a impressão de que poderia ter sido muito melhor. É duro afirmar, mas é o mesmo que pode ser dito sobre muitos momentos da carreira de Bellucci.

Thiago Monteiro

Talvez tenha sido o momento de consolidação do cearense. Um ano depois de “surgir” ao bater Tsonga no Rio, Monteiro fez uma turnê sólida, com quartas de final em Buenos Aires e no Rio. Perdeu na estreia em Quito e em São Paulo, mas em condições difíceis. Jogou contra Giovani Lapentti na altitude e contra Carlos Berlocq (seu algoz também em Buenos Aires) no Pinheiros.

Ao todo, nada mau. Os ATPs, no entanto, deixaram mais visíveis os buracos no jogo do cearense. Berlocq deixou clara a necessidade de Monteiro melhorar junto à rede. O argentino venceu uma enorme maioria de pontos quando variou e tirou Thiago do basicão “distribuindo-pancada-do-fundo”. No Rio, Ruud expôs as falhas na devolução do cearense. Monteiro não conseguir entrar em um número razoável de pontos no serviço no norueguês.

Monteiro sabe quanto e onde precisa evoluir. Ele mesmo falou sobre isso na última coletiva que deu no Rio de Janeiro. Há tempo para isso. É questão de trabalhar e pensar no jogo como um todo – e não só na pancadaria do fundo de quadra.

Rogerinho

O paulista esteve nos quatro ATPs, inclusive furando o quali em Buenos Aires, mas não conseguiu vencer nenhum jogo em chaves principais. O mais perto que chegou disso foi quando teve dois match points contra Alessandro Gianessi na Argentina. Não dá para dizer que foi uma passagem trágica de Rogerinho pela América do Sul, mas ele teve jogos ganháveis e não aproveitou. Também entra para a coluna de chances não aproveitadas.

Feijão

João Souza também esteve nos quatro ATPs, mas ficou no quali em Buenos Aires (perdeu para Rogerinho) e só venceu um jogo em São Paulo (contra Zeballos na estreia). E se não dá para condená-lo pelas derrotas para Pablo Carreño Busta (Rio e SP), esperava-se mais de seu jogo na altitude de Quito. A derrota na estreia para Federico Gaio não foi o melhor dos resultados.

Bruno Soares

Orale Cabron 🇲🇽 🏆 🏆🏆

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O mineiro só jogou um torneio no saibro. Foi no Rio, onde ele e Murray perderam nas semifinais, quando até tiveram um match point contra Carreño Busta e Pablo Cuevas. Um resultado bom, considerando que Soares ficou dez dias no Rio de Janeiro, mas passou a maior parte do tempo dando entrevistas, participando de eventos com fãs, dando clínicas e aparecendo para seus patrocinadores.

Depois do Rio, o mineiro foi para Acapulco, jogar um ATP 500 na quadra dura, em vez de jogar no Brasil Open, em São Paulo, no saibro. A decisão provocou críticas públicas de Flávio Saretta em uma sequência de tweets.

“Semana de Brasil Open! Torneio que existe desde 2001! Sempre muito valorizado pelos tenistas brasileiros!! Tão valorizado que até o número 1 do mundo jogava! E tive a noticia que Marcelo e Bruno Soares optaram por jogar em Acapulco. Gosto dos dois desde sempre, mas não posso concordar com essa decisão e atitude! Sabemos das imensas dificuldades de se fazer um torneio ATP no Brasil pelos custos, etc! Sempre valorizamos demais esse torneio no Brasil! Um orgulho jogar um ATP no nosso país!! Por isso confesso que achei um absurdo os dois jogarem no México e não no Brasil! Fora a troca que é estar perto de quem torce por vc e não tem a oportunidade de ver vc jogar de perto!!! Escolha errada dos dois! Uma pena…”

Sim, seria ótimo ter Soares e Marcelo Melo (que também foi a Acapulco) jogando mais uma semana no Brasil, mas é preciso entender os motivos de ambos. Primeiro, os dois preferem jogar em quadras duras. Não por acaso, Bruno venceu dois Slams no piso ao lado de Jamie no ano passado. Mas não é só isso. Além de Acapulco ser um torneio mais importante, é uma semana de jogos na quadra dura antes de um evento ainda maior: o Masters de Indian Wells, no piso sintético.

Dizer que Soares e Melo precisariam fazer mais esforço para jogar no Brasil me parece forçar a barra. Os dois, afinal, estiveram no Brasil. E Bruno, especialmente, fez todo tipo de atividade para divulgar o torneio, o tênis e seus patrocinadores. O torcedor brasileiro teve a chance de vê-los. Só quem não foi ao Rio (caso de Saretta) ou não ficou a semana inteira não viu isso.

Além disso, os dois mineiros deveriam ter um pouquinho mais de crédito (é só minha opinião). Soares jogou o Brasil Open todos os anos desde 2009. Sempre trouxe seus parceiros. Foi campeão três vezes e, na maioria das vezes, atuou em quadras secundárias – inclusive naquele precário e improvisado Mauro Pinheiro. Em um de seus títulos, fez apenas um jogo na quadra central (a final). Melo viveu situações parecidas e, até este ano, só havia ficado ausente em 2014.

Por fim (não que o resultado mudaria algum dos argumentos acima), Soares e Murray foram campeões em Acapulco, somando 500 pontos e ganhando embalo antes do primeiro Masters 1.000 do ano.

Marcelo Melo

O mesmo caso de Bruno, só que com um agravante. Marcelo e seu parceiro, Lukasz Kubot, ainda não encontraram ritmo. E como jogam melhor em quadras duras, estavam em Roterdã (um ATP 500) em vez de Buenos Aires. No Rio, perderam para Peralta e Zeballos nas quartas. Depois, partiram para Acapulco, onde caíram na estreia diante de Santiago González e David Marrero.

Depois do Australian Open, Melo já dizia no “Pelas Quadras”, da ESPN, que era preciso encontrar um equilíbrio na parceria. A queixa (velada) era em respeito ao jogo kamikaze de Kubot. No Rio, o mineiro deu declarações parecidas. Disse que gosta de um jogo com menos velocidade e mais equilibrado e deu a entender que o Masters de Miami será o momento para avaliar se o time com Kubot tem futuro.

André Sá

Jogou com Tommy Robredo em Buenos Aires e no Rio e caiu na estreia em ambos. Em São Paulo, ao lado de Rogerinho, foi longe e conquistou o título. Saiu do saibro levando 250 pontos, o que não é nada ruim.

Marcelo Demoliner

Fez Buenos Aires-Rio-SP com seu parceiro habitual, o neozelandês Marcus Daniell. Também passou em branco na Argentina e no Rio. Também foi à decisão no Pinheiros. Somou 150 pontos.


Rio Open, dia 4: Bellucci ‘morto’, Melo em crise e Soares com drama
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Alexandre Cossenza

Que dia para os brasileiros no Rio Open! Primeiro, houve drama na Quadra 1 com Bruno Soares e Jamie Murray desperdiçando chances e match points. Depois, a eliminação nas quartas de final deixou Marcelo Melo chateado e reavaliando a parceria com o polonês Lukasz Kubot. Por fim, o duelo brasileiro na quadra central terminou com uma cena desagradavelmente familiar: Thomaz Bellucci esgotado fisicamente. Melhor para Thiago Monteiro, que avançou, terá o melhor ranking da carreira e uma chance rara de ir até as semifinais de um ATP 500.

Bellucci traído pelo físico mais uma vez

Era para ser uma partida equilibrada entre dois tenistas que se conhecem bastante e treinam juntos. Até foi assim, mas só durante o primeiro set. O segundo foi morno, e o terceiro deixou óbvio: com menos de duas horas de duelo, Thomaz Bellucci estava esgotado. Thiago Monteiro aproveitou e avançou às quartas de final: 7/6(8), 3/6 e 6/3.

Em vez de ver o Bellucci paciente, taticamente inteligente e preciso de terça-feira, o público que esteve no Jockey Club Brasileiro infelizmente viu o Bellucci mais frequente. Irregular, perdendo chances – inclusive um set point no saque no primeiro set – e sofrendo com o preparo físico. Após o jogo, o paulista chegou à zona mista (onde são realizadas as entrevistas curtas pós-jogo) abatido e chateado. “Morri no terceiro set”, disse, com todas as letras.

Bellucci afirmou, inclusive, que já sentia dificuldades no segundo set, sem conseguir imprimir um volume bom de jogo. A declaração é preocupante porque, ainda que disputado na umidade carioca, o duelo foi realizado à noite, em uma temperatura de 27 graus, e Bellucci estava pregado com menos de 2h de jogo.

Tão preocupante quanto a última frase de Bellucci aos jornalistas. “É vida que segue. Não foi o primeiro jogo que perdi porque não consegui aguentar fisicamente. É seguir trabalhando.”

Os méritos e o melhor ranking de Monteiro

Embora os problemas físicos de Bellucci tenham privado os espectadores de ver um terceiro set equilibrado, é preciso lembrar dos méritos de Thiago Monteiro. Primeiro, ao salvar dois set points no tie-break do primeiro set. Depois, mais tarde, ao sair de um delicado 0/30 no primeiro game do terceiro set e emendar com uma quebra de saque. Foi, inclusive, a única da parcial decisiva.

Com a vitória, Monteiro alcançará o melhor ranking da carreira. Mesmo que perca nas quartas, o cearense de 22 anos deve aparecer entre os 75 melhores na próxima atualização da lista da ATP. Ainda não será suficiente para se tornar o #1 do Brasil, já que Bellucci também está ganhando posições nesta semana. Monteiro só ultrapassará o paulista se vencer mais um jogo no Rio de Janeiro.

Derrota e parceria em xeque para Marcelo Melo

Marcelo Melo e seu parceiro, o polonês Lukasz Kubot, foram eliminados pelo chileno Julio Peralta e o argentino Horacio Zeballos: 6/4 e 6/4. O resultado não deixou o mineiro nada contente. A parceria com Kubot, iniciada em janeiro, só rendeu quatro vitórias e quatro derrotas até agora.

Melo não é conhecido por frases fortes, então é preciso pescar pequenos indícios dentro de suas frases. E as declarações desta quinta deixaram escapar – pelo menos foi essa a impressão de quem estava lá na zona mista – que o mineiro está preocupado quanto ao futuro da parceria com o polonês.

“Normalmente, eu me adapto muito bem [a parceiros de estilos diferentes], mas não adianta a gente jogar muito kamikaze e bomba pra todo lado. Eu gosto de um jogo mais controlado, mais sólido. Às vezes, com menos velocidade e mais porcentagem. A gente precisa encontrar esse balanço porque eu sou mais desse estilo. O Lukasz é mais agressivo. Tem dia que não entra a bola e nós vamos perder para qualquer dupla! Nós precisamos encontrar esse equilíbrio para ver se a gente consegue manter a dupla – para evoluir porque tem que tentar até certo ponto encontrar esse equilíbrio, senão não adianta seguir.”

Drama com Bruno e Jamie na Quadra 1

Bruno Soares e Jamie Murray estiveram a dois pontos da eliminação nesta quarta-feira, mas conseguiram uma apertada vitória sobre os argentinos Diego Schwartzman e Andres Molteni: 6/3, 5/7 e 11/9. Não parecia que seria assim quando brasileiro e escocês venceram cinco games seguidos no primeiro set, mas o jogo ficou nervoso quando o mineiro foi quebrado no 12º game da segunda parcial, o que forçou um match tie-break.

O set de desempate também parecia sob controle quando Soares e Murray abriram 9/5, mas a parceria desperdiçou dois mini-breaks e viu os argentinos empatarem em 9/9. Molteni, então, arriscou uma devolução de backhand, mas mandou a bola ao lado. No quinto match point, Schwartzman estranhamente furou um voleio – o que fez a torcida finalmente comemorar um tanto aliviada.

Será a quarta vez de Bruno Soares nas semis do Rio Open. O mineiro, porém, nunca chegou à final. Na coletiva, ele disse que uma vitória assim, vencida com momentos nervosos, vai ajudar na rodada seguinte. Sobre a partida, os dois ressaltaram as ótimas devoluções de Molteni, que equilibraram o confronto, mas o mineiro ressaltou que perdeu duas boas chances no segundo set. Primeiro, em um voleio no 4/4, com break point a favor. Mais tarde, com uma devolução errada no ponto decisivo do 5/5.

Pelo menos no papel, a semi não será nada simples, já que os adversários serão Pablo Carreño Busta e Pablo Cuevas. Espanhol e uruguaio passaram pelo argentino Facundo Bagnis e pelo português Gastão Elias por 6/4 e 7/5.

O convite bem aproveitado e o telefonema na quadra

Casper Ruud, desconhecido norueguês número 208 do mundo que ganhou um convite da organização para disputar o Rio Open, continua aproveitando a ótima chance. O adolescente de 18 anos bateu, de virada, o espanhol Roberto Carballés Baena e avançou às quartas de final por 6/7(4), 6/4 e 7/6(3).

Agenciado pela IMG, a dona do torneio, Ruud foi mostrado pela transmissão ao telefone ainda antes de sair da quadra. Depois, revelou que a ligação era de seu empresário – o mesmo que conseguiu o convite – que comemorava a vitória do atleta. Já é a melhor campanha da carreira de Ruud no circuito ATP, e o norueguês que mora e treina na Espanha vem mostrando golpes sólidos, cabeça no lugar e um ótimo preparo físico no calor e na umidade do Rio de Janeiro.

De qualquer maneira, será uma chance rara para Thiago Monteiro. Não é todo dia que alguém pode alcançar as semifinais de um ATP 500 enfrentando nas quartas um adversário que não está nem no top 200. Até agora, o cearense aproveitou as oportunidades que teve.

Bolinhas polêmicas são as melhores fabricadas pelo patrocinador

Em quatro anos de evento, o Rio Open acumula queixas sobre as bolinhas usadas pelo torneio. A lista de reclamões inclui Rafael Nadal, Kei Nishikori e Dominic Thiem, só para ficar nas estrelas internacionais. Bruno Soares também sempre falou que as bolas são muito duras e difíceis de controlar.

Perguntei sobre isso a Lui Carvalho, diretor do torneio. Ele afirma que as bolas usadas no Rio são as melhores fabricadas pela Head, patrocinadora do torneio. Vale lembrar que Nadal, uma vez, chegou a dizer que a ATP não deveria aprovar essas bolas para uso em seus torneios.

A quadra que não enche

Há vários motivos para os assentos constantemente vazios na quadra central do Rio Open. Preços, horários, calor, patrocinadores, atrações fora da quadra, falta de um nome de maior peso para a venda de ingressos… Tudo tem sua influência, em grau maior ou menor. Mas não deixa de ser lamentável ver tantos espaços em branco durante os momentos mais emocionantes do torneio.

A foto do tweet acima, por exemplo, foi feita durante o tie-break do primeiro set entre Bellucci e Monteiro. Dois tenistas da casa, jogando em horário nobre, à noite (menos calor), com muita coisa em jogo. Depois, ao fim da partida, com o jogo entrando pela madrugada, o público era bem menor.

O melhor da sexta-feira:

A programação começa mais cedo, às 15h, em vez de às 16h30min. As quatro quartas de final serão na quadra central, com Monteiro fechando o dia contra Ruud. As semifinais de duplas serão na Quadra 1, conforme o previsto, com início marcado para as 17h.


Rio Open, dia 3: susto de Melo, sonho de Guga e Fognini ‘atirador de facas’
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Alexandre Cossenza

Não foi um dia de resultados espantosos ou partidas especialmente atraentes no Rio Open, mas sobrou assunto interessante. Desde a coletiva de Gustavo Kuerten, que disse que não faz mal sonhar com o Rio Open se tornando um Masters 1000, incluindo o papo com João Zwetsch, que falou sobre a necessidade de Thomaz Bellucci ser mais consistente, até as críticas “britânicas” de Jamie Murray sobre as bolas usadas no Rio Open.

A quarta-feira também teve um pequeno susto de Marcelo Melo na primeira rodada da chave de duplas e o momento “atirador de facas” de Fabio Fognini, que deixou sua raquete presa na lona do fundo de quadra (vídeo abaixo).

Marcelo Melo e Lukasz Kubot fazem ‘adicional noturno’

Era para ser uma vitória sem drama e foi assim durante um set. No início da segunda parcial, contudo, Marcelo Melo e Lukasz Kubot vacilaram e deixaram Feijão e Fabricio Neis abrirem 5/1. Melo e Kubot viraram, mas perderam o saque de novo no 12º game e só conseguiram fechar no tie-break: 6/1 e 7/6(4).

Após a partida, brasileiro e polonês foram direto para uma das quadras de treino, onde ficaram por cerca de mais uma hora. Depois, na zona mista, falaram sobre a complicada adaptação às condições locais. Os dois chegaram de Roterdã, onde jogaram em quadra dura coberta. Sobre o adicional noturno, Melo disse que “quando as coisas não saem tão bem, é bom sempre bater uma bola depois para dar uma soltada, uma relaxada, sacar tranquilo e saber que naqueles momentos que são nervosos, a gente pode jogar tranquilo. Por isso que a gente vai bater depois. Para ir para o hotel mais tranquilo.”

Bruno Soares e Jamie Murray: sem drama e (quase) sem queixas

Cabeças de chave #1, Bruno Soares e Jamie Murray venceram sem tanto drama: 6/4 e 6/2 sobre o gaúcho Marcelo Demoliner e o neozelandês Marcus Daniell. Os dois saíram contentes com a atuação e Bruno até evitou fazer a queixa anual sobre as bolas usadas no Rio Open. O mineiro sempre falou que elas são muito duras e difíceis de controlar.

Pedi, então, a opinião de Jamie, que fez sua crítica, mas de uma maneira bastante polida. O escocês disse que as condições mudaram um pouco porque a quarta-feira foi um pouco menos quente do que os últimos dias. Por isso, não sentiu as bolas voando como antes. Com as bolas voando, “é difícil controlar os voleios e quando os caras batem forte contra você, o que acontece muito nas duplas, não é tão fácil controlar a bola.” Murray disse também, de um jeito bem britânico, que “cada [tenista] tem suas condições ideais. Não acho que muitas pessoas escolheriam essas condições, mas é assim que é.”

Guga vê Rio Open na quadra dura como Masters 1000 e talvez no lugar de Miami

Gustavo Kuerten esteve no Jockey Club Brasileiro nesta quarta-feira e concedeu uma entrevista coletiva de meia hora. A parte que mais me interessou foi sua opinião sobre a mudança de piso do Rio Open. Ano passado, o torneio pediu a alteração junto à ATP, que não aprovou o evento em quadras duras. Guga concorda com o diretor do torneio, Lui Carvalho, ao afirmar que imagina o torneio em um patamar mais alto se disputado no piso sintético.

“Tem um Parque Olímpico pronto aqui do lado, na esquina. É muito provocativo isso. Acima de identidade e do que é melhor para os [tenistas] brasileiros. De repente, o que é melhor para os brasileiros hoje pode ser diferente daqui a dez anos. O circuito também é em quadra dura. Eu consigo visualizar, pela dimensão que é a estrutura do Parque Olímpico, indo para lá, em quadra dura, como um Masters 1.000. Seria e é um sonho interessante de cultivar.” … “E se precisar ser em quadra dura para trazer bons jogadores e o torneio tem sucesso, precisa ser feito. O resto vai se adequando.”

Indagado se concorda que a mudança é necessária para que se alcance um outro nível, Guga deu (mais) uma resposta politicamente correta.

“Porque não consigo visualizar esse torneio dentro da turnê da Europa. Não tinha como tirar [os tenistas] do meio do circuito europeu para eles virem para cá. Então só consigo imaginar entre Miami e Indian Wells. Talvez com o torneio de Miami vindo para cá daqui a uns 15 aninhos. Eles estão meio defasados na estrutura lá. Aqui tem um Centro Olímpico (risos).” … “Hoje, pensar nisso é quase que uma perda de tempo, mas sonhar com isso é bom também. Tem que continuar cultivando esse sonho e esperar o momento de conseguir visualizar com mais veracidade essa hipótese.”

Ao fim da coletiva, Guga mostrou aos jornalistas o primeiro exemplar do livro de fotos “Guga Imagens De Uma Vida”, produzido pela Editora Magma. Durante o Rio Open, a publicação estará disponível com exclusividade na Livraria da Travessa do Shopping Leblon. Quem quiser também pode adquiri-lo na loja virtual da Editora Magma por R$ 149,00.

Zwetsch e a (in)consistência de Bellucci

João Zwetsch, capitão brasileiro na Copa Davis e técnico de Thomaz Bellucci, falou com um grupo de jornalistas brasileiros nesta quarta-feira e respondeu algumas perguntas sobre seu tenista e o duelo com Thiago Monteiro. Perguntei sobre como Bellucci foi mais consistente e paciente contra Nishikori e o que era possível fazer para convencer o paulista a jogar assim com mais frequência, já que Bellucci assumidamente não gosta de atuar dessa maneira. O gaúcho disse que esse é o grande objetivo para 2017:

“Eu sempre falo isso para ele. Eu sempre tive esse conceito. O Thomaz é um cara forte. Quando ele está com condições de atuar como pode atuar, ele pode ganhar de um Nishikori como ele ganhou ontem sem jogar uma grande partida. Para mim, ele não jogou uma grande partida. Ele jogou correto.” … “Essa é a nossa busca maior. Fazer com que ele tenha consistência em cima disso. Uma vitória dessa sempre dá uma crença maior no nosso caminho. Espero que a gente possa seguir assim para que ele tenha um ano com a qualidade que pode ter. E que este ano sirva para criar uma estrutura de consistência, que é o que todo mundo espera de um jogador com o nível do Thomaz.”

Mais tarde, diante de uma pergunta sobre os objetivos para a temporada, disse:

“Acho que este ano é um ano para ambicionar, acima de tudo, essa questão levantada antes, que é uma forma consistente de jogar.” … “Para jogadores como ele, que são muito agressivos e assumem muito o risco, isso é fundamental. Não dá para perder o senso de controle de ‘como eu estou”, “onde eu estou”. Às vezes, dar um winner é coisa mais necessária no momento, mas se o jogador não está se sentindo tão à vontade para isso, talvez jogar duas bolas ou três a mais, mover o adversário, possa resolver o problema também. Essa leitura melhor, mais constantemente clara na frente dele, sem dúvida vai fazer diferença para ele. Foi o que ele fez ontem [contra Nishikori]. Em muitos momentos do jogo, ainda passou um pouquinho da conta, mas isso vai acontecer. Ele é extremamente agressivo. Às vezes, bota umas bolas que saem um pouco mais porque (risos) não pega na veia e quando pega não tão na veia ela vai lá no… (risos) Mas eu prefiro isso do que o lado onde a limitação é maior e ele fica menos competitivo.”

Fognini, o atirador de facas

Sabe aquele cara mestre em atirar facas e fazer com que elas sempre atinjam o alvo com a lâmina? Pois é, Fabio Fognini fez algo parecido nesta quarta-feira. Atirou a raquete contra a lona do fundo de quadra e viu seu instrumento de trabalho fazer um furo no tecido e ficar preso, pendurado.

O italiano acabou derrotado por Albert Ramos Viñolas por 6/2 e 6/3. O espanhol avançou às quartas de final para enfrentar o qualifier argentino Nicolas Kicker.

Thiem e a chave favorável

Principal cabeça de chave do torneio após a queda de Kei Nishikori, Dominic Thiem voltou a vencer a garantiu seu lugar nas quartas de final do Rio Open. Com o triunfo por 6/2 e 7/5 sobre Dusan Lajovic, o top 10 austríaco agora vai enfrentar o argentino Diego Schwartzman (#51). Thiem é favoritíssimo e será também se avançar às semifinais, afinal enfrentará o vencedor do jogo entre o qualifier Nicolas Kicker (#123) e o espanhol Albert Ramos Viñolas (#25).

O austríaco, aliás, é mais um descontente com as bolas da Head usadas no Rio de Janeiro. Assim como Jamie, Thiem disse que as condições estavam mais lentas na noite de hoje, mas reforçou que isso nada tinha a ver com as bolas. “A bola não muda. Se está um pouco mais lento e úmido, a bola não quica tão alto e não fica tão rápida, e é mais fácil de controlar. Se as condições forem como hoje, é mais fácil jogar.” A previsão, no entanto, é de dias mais quentes até domingo. Ou seja, bolas voando por toda parte.

O melhor da quinta-feira

Como era de se esperar, Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro fazem o jogo mais esperado, fechando a programação da quadra central. Marcelo Melo e Bruno Soares, mais uma vez, estão escalados para a Quadra 1.

Vale lembrar: foi estabelecido antes do início do torneio que apenas a final de duplas será jogada na quadra central. Nas primeiras edições do torneio, até houve polêmica as duplas ficando fora da maior arena do Rio Open, mas com o tempo organizadores e atletas chegaram a um consenso de que seria melhor ter a modalidade na Quadra 1, menor e mais aconchegante.


Quadra 18: S03E02
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Alexandre Cossenza

Roger Federer voltou a vencer um slam em cima de Rafael Nadal, Serena Williams voltou a derrotar a irmã Venus em uma decisão, e o tênis viveu um fim de semana dos mais memoráveis no Australian Open. Mas houve muito mais do que isso nas duas semanas do torneio. Djokovic, Murray e Kerber foram vítimas de zebras, Coco Vandeweghe finalmente surgiu como nome forte em um torneio grande, Mirjana Lucic-Baroni protagonizou a história mais feliz… É muito assunto!

Como sempre, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu nos reunimos para gravar mais uma edição do podcast Quadra 18. Comentamos tudo citado acima e um pouco mais. Falamos dos modelitos bonitos e feios, do noivo de Serena e até do poema de Melbourne! Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar para ouvir depois, é só clicar neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’30” – Aliny Calejon apresenta os temas
2’30” – Roger Federer e a campanha até o título
9’15” – A decisão de Federer de abrir mão do 2º semestre de 2016
10’50” – O suíço se defendeu melhor neste Australian Open?
13’55” – O que faltou para Nadal na hora decisiva?
16’45” – O que a final significa para a rivalidade Federer x Nadal?
18’10” – O quão importante é a disputa por mais títulos de slam?
21’20” – Teremos mais finais “vintage” este ano ou foi uma exceção?
22’21” – Qual a importância de Ljubicic e Moyá no “retorno” de Federer e Nadal?
25’45” – Federer e Nadal vão continuar lutando por títulos de slams e Masters?
27’30” – Federer vai pular a temporada de saibro novamente?
29’35” – Nadal já pode ser considerado favorito para Roland Garros?
30’15” – Federer e Nadal teriam feito a final sem as derrotas de Djokovic e Murray?
31’04” – As zebras de Istomin e Zverev em cima de Djokovic e Murray
35’30” – Que zebras em outros slams são comparáveis a essas?
37’33” – O desfecho do AO será motivação extra para Djokovic e Murray?
38’40” – Dimitrov pode entrar na briga pelos slams?
41’18” – As surpresas e decepções do Australian Open
45’40” – O quanto a quadra mais rápida ajudou Federer no torneio?
47’51” – Quadras mais rápidas serão tendência no circuito?
49’48” – The Greatest (Sia)
50’34” – As campanhas das irmãs Williams
57’50” – Por que 18 > 23 na matemática tenística?
59’25” – O quanto o recorde de slams da Court deve ser relevante para Serena?
63’17” – E a campanha da Nike sobre Serena como maior de todos os tempos?
64’32” – Precisamos falar de Coco Vandeweghe
70’50” – A fantástica história de Mirjana Lucic-Baroni
73’25” – O que acontece com Angelique Kerber?
76’18” – Muguruza é tenista de um slam só?
77’48” – O noivo de Serena Williams e o Reddit
79’57” – High and Low (Two Vines)
80’30” – A campanha de Kontinen e Peers, campeões de duplas
84’35” – Qual o segredo de Kontinen e Peers?
85’45” – Os Bryans vão voltar a ganhar um slam?
87’05” – As campanhas dos brasileiros em Melbourne
89’35” – Marcelo Melo acertou na escolha de Kubot como parceiro?
92’45” – A campanha de André Sá e Leander Paes
94’25” – Como o título de Kontinen e Peers afeta a briga pela liderança do ranking
95’45” – Qual foi o GIF mais épico da Aliny no Australian Open?
97’40” – Mais reclamações sobre a camisa de Roger Federer
103’20”- O poema de Melbourne é eficaz ou contraproducente?


AO, dia 9: americanas e suíços sem drama nas semifinais
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Alexandre Cossenza

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Não foram as quartas de final mais emocionantes que um torneio – ainda mais um do Grand Slam – poderia ter. Quatro jogos, quatro vitórias em sets diretos. Duas americanas e dois suíços avançaram e vão se enfrentar na quinta-feira. O resumaço do dia traz um breve relato de cada um desses encontros mais a carta de uma boleira a Jo-Wilfried Tsonga e a lista de indicados ao Hall da Fama, que terá Kim Clijsters e Andy Roddick eternizados em 2017.

As americanas

A primeira semifinal feminina do Australian Open será entre duas americanas: Venus Williams e Coco Vandeweghe. No primeiro jogo do dia, a veterana de 36 anos bateu Anastasia Pavlyuchenkova por 6/4 e 7/6(3) numa partida com quase nenhuma variação tática. Venus ganhou nos detalhes – atacou melhor nos momentos mais delicados. É sua primeira semifinal em Melbourne desde 2003, quando foi vice-campeã, perdendo para Serena na decisão. Venus agora é a semifinalista mais velha do Australian Open na Era Aberta (a partir de 1968).

Vandeweghe entrou em quadra na sequência e passou por cima de Garbiñe Muguruza: 6/4 e 6/0. O primeiro set nem foi tão parelho quanto o placar sugere. A americana perdeu várias chances de quebra até que a espanhola, com o segundo serviço pressionado o tempo inteiro, cometeu uma dupla falta e perdeu o saque. Cheia de confiança, Coco (ou Hot Coco, para alguns americanos) soltou ainda mais o braço na segunda parcial. Enquanto isso, Muguruza não mostrou poder de reação nem tentou alguma variação tática. Seguiu tentando bater forte na bola – sem sucesso.

Os suíços

O primeiro jogo das quartas de final masculinas fechou a sessão diurna da Rod Laver Arena com Stan Wawrinka vencendo de maneira surpreendentemente fácil: 7/6(2), 6/4 e 6/3. Jo-Wilfried Tsonga, em uma tarde pouco inspirada, só conseguiu manter o saque na primeira parcial. No segundo set, até conseguiu quebrar na frente, mas Wawrinka respondeu rápido e virou a parcial. O francês não encontrou uma maneira de emparelhar as ações e sucumbiu rápido. Pelo lado do #1 da Suíça, o maior mérito foi brilhar sempre que necessário, fosse salvando break points ou tomando controle rápido do tie-break.

Na sessão noturna, a carruagem de Mischa Zverev, o azarão que derrubou Andy Murray nas oitavas, virou abóbora rapidinho. Roger Federer não se incomodou nadinha com o saque do alemão e venceu o primeiro set em 19 minutos. Mischa até que teve seu momento quando quebrou o oponente no segundo set, mas mal deu emoção ao jogo, já que Federer devolveu logo em seguida. Nada mudou o plano de Zverev de fazer saque-e-voleio o tempo inteiro. Logo, nada mudou no andamento do jogo. No fim, o favorito fez 6/1, 7/5 e 6/2 em 1h32min.

A carta de agradecimento

Ano passado, durante seu jogo de segunda rodada, Tsonga ajudou uma boleira que não passava bem. O francês levou a menina para fora de quadra para que ela fosse atendida (lembre no tweet abaixo):

Pois este ano, antes de enfrentar Wawrinka, Tsonga recebeu uma carta de Giuliana, a boleira. Ela pede desculpas por não ter sido uma boleira tão eficiente, mas explica que havia contraído um vírus que afetava sua visão e sua audição. Ela também agradece pelo gesto de carinho do tenista e desejou boa sorte a Tsonga no resto do torneio. A carta inteira está no link do tweet abaixo.

No Hall da Fama

O Hall da Fama Internacional do Tênis anunciou nesta terça-feira a sua turma de 2017: Kim Clijsters, Andy Roddick, Monique Kalkman-van den Bosch, Steve Flink e Vic Braden. A lista foi revelada em uma cerimônia na Rod Laver Arena, em Melbourne, com a presença do americano, ex-número 1 do mundo, e do “dono” da casa, Rod Laver – além de outros integrantes do Hall.

No Twitter, Roger Federer prestou sua homenagem a Roddick, com quem compartilhou tantas partidas importantes e de quem tirou o número 1 do mundo no início de 2004. “Um chefe, uma lenda, um pai, um marido”, escreveu o suíço, dando os parabéns e se dizendo muito feliz pelo americano.

E talvez tenha passado sem que muitas pessoas notassem, mas Federer podia ter escolhido publicar uma foto dos dois juntos, mas a maioria delas teria o suíço como vencedor. Não seria humilde. Em vez disso, postou imagens neutras. Bacana.

Os brasileiros

Nenhum brasileiro jogou hoje, mas como não fiz resumaço ontem, fica aqui o registro. Marcelo Melo e Lukasz Kubot foram eliminador por Ivan Dodig e Marcel Granollers: 7/6(5) e 7/6(5). Sim, o ex-parceiro de Marcelo levou a melhor e avançou. E não dá para deixar de comentar o “climão” entre brasileiro e croata, que mal se olharam – inclusive durante o aperto de mãos ao fim do jogo.

Como escrevi em um post anterior, o fim da parceria não foi exatamente amistoso. Já ficou claro durante o ATP Finals do ano passado, quando mal havia diálogo. Depois, houve os unfollows nas redes sociais. E Dodig e Granollers, aliás, foram eliminados pelos irmãos Bryan nesta terça-feira.

A participação brasileira acabou quando Marcelo Demoliner e o neozelandês Marcus Daniell foram derrotador por Sam Groth e Chris Guccione: 7/6(9) e 6/3. Bruno Soares desistiu das duplas mistas por conta de dores nas costas.


AO, dia 6: a vez do Nadal ‘vintage’
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Alexandre Cossenza

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A edição 2017 do Australian Open está definitivamente sendo saborosa para os apreciadores dos maiores vencedores de Slams em atividade. Menos de 24 horas depois de uma atuação clássica de Roger Federer, foi a vez de Rafael Nadal conquistar uma vitória enorme de um jeito que ninguém fez melhor nos últimos tempos. Com luta, em cinco sets, em 4h06min de jogo e terminando com um adversário esgotado e com cãibras do outro lado da rede.

Lembrou o melhor Nadal, aquele das vitórias sobre Verdasco e Federer no mesmo Australian Open em 2009, do triunfo sobre Djokovic em Roland Garros 2013 (ou Madri/2009), de tantas e tantas vitórias que exigiram tanto da tática e da técnica quanto de algo extra: a força mental, altíssima ao longo de todo jogo, e a preparação física. Alexander Zverev, 19 anos e dono de um tênis (quase) completo (falta ir à rede), foi um adversário notável, mas que não conseguiu se equiparar durante o tempo necessário e acabou como vítima de um majestoso triunfo por 4/6, 6/3, 6/7(5), 6/3 e 6/2.

Resumir o Nadal de hoje – ou o melhor Nadal ou qualquer Nadal – à figura de um gladiador, ainda que tentador, é burrice. O próprio Rafa cedeu momentaneamente quando entrevistado por Jim Courier após o jogo. Ao explicar ao ex-tenista como venceu o jogo, começou com uma resposta curta: “Lutando.” Ganhou aplausos e sorrisos, mas continuou a resposta fazendo uma enorme análise tática. Sim, Nadal nem havia saído da quadra e tinha o jogo inteiro na cabeça. Se você leitor, acha que é fácil, sugiro prestar mais atenção nas tantas respostas rasas das entrevistas pós-jogo de outros aletas.

Talvez não exista ilustração melhor sobre este Nadal inteligente do que a partida deste sábado na Rod Laver Arena (RLA). Porque o Nadal de hoje é agressivo, gosta de e precisa jogar mais no ataque, mas os saques e golpes de fundo de Zverev assustam. No primeiro set, bastou uma quebra – no primeiro game – para que o alemão saísse na frente. A potência fazia diferença.

Rafa, o cabeça 9, fez ajustes. Passou a usar slices, variou o peso de bola e usou todo tipo de saque em seu arsenal. Mexeu com a cabeça de Zverev, conseguiu uma quebra e equilibrou as ações. O espanhol ainda levava vantagem tática na terceira parcial, mas o adolescente tinha o saque para igualar o duelo. No tie-break, agrediu mais e levou.

Nesse momento, tudo jogava contra. Os 30 anos de idade, o histórico recente de três derrotas seguidas em jogos com cinco sets e até as duas vitórias de Zverev em seus últimos jogos de cinco sets. Nadal passou a devolver o saque lá do fundão e teve resultado. Enquanto o alemão ainda vibrava com o tie-break vencido, Nadal abria 3/0 na parcial. Nesse momento, chegando perto das 3h de jogo, o espanhol parecia mais inteiro, mais senhor do jogo.

O golpe final ainda estava por vir. Nadal quebrou primeiro no quinto set, mas perdeu o serviço pouco depois. Veio, então, o decisivo quinto game. Sim, o quinto. Zverev teve 40/15 e uma bola fácil em sua direita para matar o ponto e fechar o game. Jogou na rede. Com o game em iguais, os tenistas disputaram um espetacular rali de 37 golpes. O alemão ganhou o ponto. O espanhol ganhou o jogo. Ali, ao término do ponto interminável, o adolescente sentiu cãibras.

Nadal castigou. Colocou para correr, deu curtinhas, lobs, ganhou mais ralis. Zverev até que lutou contra o corpo. Foi bravo até o último ponto, tentando o que lhe restava. Nada adiantou. Não ganhou mais um game. O ex-número 1 comemorou e disse que, até pelas derrotas recentes em três sets, foi um dia muito especial. Para ele e para todos. Um clássico. Vintage Rafa.

O adversário

Nas oitavas de final, Nadal vai enfrentar Gael Monfils (#6), que precisou só de três sets para despachar Philipp Kohlschreiber: 6/3, 7/6(1) e 6/4. O último jogo entre eles teve dois sets de altíssimo nível. Foi na final do Masters 1.000 de Monte Carlo de 2016, quando Rafa fez 7/5, 5/7 e 6/0. No total, o retrospecto de confrontos diretos é amplamente favorável ao #9: são 12 vitórias dele contra duas de Monfils.

A favorita

Depois de duas rodadas complicadas contra Bencic e Safarova, Serena Williams encarou uma adversária de menos nome e aproveitou. A compatriota Nicole Gibbs, #92, conseguiu fazer apenas quatro games. A número 2 do mundo completou a vitória por 6/1 e 6/3 em apenas 1h03min, mesmo com números nada estelares: quatro aces, quatro duplas falas, 17 winners e 26 erros não forçados.

A próxima oponente da #2 será a perigosa Barbora Strycova, cabeça 16. A tcheca passou por Kulichkova, Petkovic e Garcia sem perder um set sequer e será um desafio interessante para Serena. Strycova tem golpes para mudar a velocidade do jogo e exigir um pouco mais de movimentação da americana, mas será o bastante para anular a potência da ex-número 1?

Outros candidatos

Na Margaret Court Arena (MCA), Johanna Konta, cabeça de chave número 9, ampliou sua série de vitórias com um massacre sobre Caroline Wozniacki: 6/3 e 6/1. A britânica impôs sua potência desde o início do jogo, dando as cartas e fazendo a dinamarquesa correr de um lado para o outro da quadra. Sem golpes de fundo para mudar a partida e sem tentar grandes variações, a ex-número 1 chegou a perder nove games seguidos antes de “furar o pneu” no fim do segundo set.

Konta agora soma oito vitórias seguidas, emendando com o título do WTA de Sydney. Nas oitavas em Melbourne, ela vai enfrentar a russa Ekaterina Makarova, que jogou muito, jogou nada e jogou muito de novo para derrotar Dominika Cibulkova por 6/2, 6/7(3) e 6/3. O placar puro e simples omite que a russa teve 6/2 e 4/0 de vantagem, perdeu cinco games seguidos, salvou três set points e perdeu a segunda parcial.

Makarova também abriu o terceiro set com uma quebra, mas só para perder o serviço logo em seguida. Na hora de decidir, contudo, aproveitou melhor as chances. Salvou três break points no sétimo game, quebrou Cibulkova no oitavo e fechou no nono. Uma atuação que foi suficiente para vencer neste sábado, mas que possivelmente não resolverá contra a mais consistente Konta.

A eslovaca, por sua vez, saiu lamentando as chances perdidas no terceiro set, quando parecia que o jogo ia mudar de mãos definitivamente.

Dominic Thiem e David Goffin também avançaram. O austríaco bateu Benoit Paire em um jogo com altos e baixos por 6/1, 4/6, 6/4 e 6/4, enquanto o belga dominou Ivo Karlovic e fez 6/3, 6/2 e 6/4. Goffin, aliás, já vinha de um triunfo sobre um sacador. Na primeira rodada, superou Riley Opelka (2,11m) em cinco sets. Agora, Thiem e Goffin duelam por um lugar nas quartas de final.

Cabeça de chave número 3 e mais bem ranqueado na metade de baixo da chave – depois da eliminação de Djokovic – Milos Raonic voltou a avançar. Desta vez, em um jogo mais complicado do que o placar sugere. Gilles Simon resistiu bravamente, mas a derrota no tie-break do parelho segundo set colocou o francês num buraco fundo demais para sair. Simon ainda saiude uma quebra atrás para vencer a terceira parcial, mas a margem para erro era pequena demais, e o canadense acabou fechando em seguida: 6/2, 7/6(5), 3/6 e 6/3. Ele agora encara Roberto Bautista Agut (#14), que venceu o duelo espanhol com David Ferrer (#23): 7/5, 6/7(6), 7/6(3) e 6/4.

Os brasileiros

A rodada começou com uma vitória bastante grande para Marcelo Demoliner. Ele e o neozelandês Marcus Daniell eliminaram os cabeças de chave número 6, Rajeev Ram e Raven Klaasen, por 6/1 e 7/6(4).

O resultado coloca o time nas oitavas de final contra Sam Groth e Chris Guccione, que passarem por Treat Huey e Max Mirnyi: 7/6(10) e 7/6(5). Por enquanto, a campanha já iguala o melhor resultado de Demoliner em Slams. Ele também alcançou as oitavas em Wimbledon/2015 (também com Daniell) e no US Open/2016 (Bellucci). O gaúcho, por enquanto, vai subindo nove posições no ranking e alcançando o 55º posto – o melhor da carreira.

Mais tarde, Marcelo Melo e Lukazs Kubot, cabeças de chave 7, superaram Nicholas Monroe e Artem Sitak e tambem passaram para as oitavas: 6/4 e 7/6(3). O próximo jogo é aquele do climão, já que o mineiro vai encarar seu ex-parceiro, Ivan Dodig, que atualmente joga com Marcel Granollers. Embora ninguém tenha dito nada hostil publicamente, a separação não foi no melhor dos termos e incluiu um péssimo clima no ATP Finals e unfollows em redes sociais.

Na chave de duplas mistas, Bruno Soares, em parceria com Katerina Siniakova, passou pela estreia. A dupla de brasileiro e tcheca, que são os cabeças de chave número 6, derrotou Pablo Cuevas e María José Martínez Sánchez por 6/4 e 6/3.

A boyband de Roger Federer

O suíço não entrou em quadra neste sábado, mas foi assunto nas redes quando postou o vídeo abaixo. Ele, Grigor Dimitrov e Tommy Haas cantam Hard To Say I’m Sorry (Chicago) com David Foster (ex-Chicago) no piano. Vejam, riam e julguem!

.

As oitavas de final

[1] Andy Murray x Mischa Zverev
[17] Roger Federer x Kei Nishikori [5]
[4] Stan Wawrinka x Andreas Seppi
[12] Jo-Wilfried Tsonga x Daniel Evans
[6] Gael Monfils x Rafael Nadal [9]
[13] Roberto Bautista Agut x Milos Raonic [3]
[8] Dominic Thiem x David Goffin [11]
[15] Grigor Dimitrov x Denis Istomin

[1] Angelique Kerber x Coco Vandeweghe
Sorana Cirstea x Garbiñe Muguruza [7]
Mona Barthel x Venus Williams [13]
[24] Anastasia Pavlyuchenkova x Svetlana Kuznetsova [8]
[5] Karolina Pliskova x Daria Gavrilova [22]
[Q] Jennifer Brady x Mirjana Lucic-Baroni
[30] Ekaterina Makarova x Johanna Konta [9]
[16] Barbora Strycova x Serena Williams [2]

Infelizmente, por questões pessoais, não houve tempo de incluir uma breve análise das vitórias de Karolina Pliskova (que foi um jogão, com drama de sobra) e Grigor Dimitrov. Agradeço a compreensão.


AO, dia 4: quando Istomin desafiou a lógica e derrubou Djokovic
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Alexandre Cossenza

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Na maior zebra do torneio (e dos últimos anos no tênis), Novak Djokovic deu adeus ao Australian Open na segunda rodada, cortesia de uma atuação bravíssima do wild card Denis Istomin. O uzbeque roubou os holofotes por um dia, mas não foi só ele o único a brilhar nesta quinta-feira em Melbourne. Mirjana Lucic-Baroni também se fez notar ao eliminar Agnieszka Radwanska, a cabeça de chave número 3.

O quarto dia do torneio também teve Serena Williams levando a melhor em um jogão contra Lucie Safarova, enquanto Karolina Pliskova e Johanna Konta ampliaram suas séries de vitórias e também passaram à terceira rodada. O resumaço do dia conta tudo, inclusive os resultados de todos brasileiros, e ainda traz uma prévia do jogão entre Roger Federer e Tomas Berdych, a principal atração da sexta-feira em Melbourne Park.

A zebraça

Denis Istomin sempre foi um tenista respeitado e perigoso. Capaz de dias inspiradíssimos, mas inconsistente. Sempre que teve chances de enfrentar a elite, ficou aquém do que poderia. É o tipo de jogo legal de ver. Istomin “faz uns pontaços, a galera começa a acreditar, mas termina sempre 6/4, 6/3, 6/1”, registrei no Twitter antes de o jogo começar (seguido pelo gráfico abaixo).

E o duelo já começou equilibrado, com Istomin sempre agredindo, não fugindo do seu estilo natural. O uzbeque, atual #117 do mundo, quebrou o saque do sérvio no sétimo game, mas perdeu o serviço logo depois. Teve um set point no tie-break, mas não converteu. Era de se esperar que Djokovic, eventualmente, tomasse o controle das coisas. Não aconteceu. O #2 do mundo teve até um set point em seu próprio serviço, mas perdeu três pontos seguidos e viu Istomin fazer 7/6(8).

Tudo bem, era um set só. O jogo seguia parelho. Tipo de duelo em que o azarão, em algum momento, comete uma série de erros e vê a coisa desandar. Pois Istomin, depois de não conseguir converter dois set points no décimo game do segundo set, cometeu três erros, perdendo o saque e a parcial. Djokovic fez 7/5. Era mesmo o esperado. O jogo já tinha 2h30 de duração. O mais provável seria ver o azarão se esgotando (mental ou fisicamente), e o favorito deslanchando.

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Pois Istomin começou a sentir cãibras no terceiro set. O sérvio fez 6/2 na parcial. Jogo sob controle. O dominante Djokovic não deixaria escapar uma vantagem assim numa segunda rodada de Grand Slam, certo? Errado. O Djokovic de hoje ficou muito aquém do tenista que deu as cartas no circuito de 2014 até a metade de 2016. Não jogou mal nesta quinta, mas não mostrou nem a inspiração nem o instinto assassino de outros tempos. Não agarrou a partida como já fez tantas vezes no passado. Ainda assim, com o jogo se alongando por mais de 3h, era difícil imaginar Istomin resistindo fisicamente para virar o placar.

Só que Djokovic perdeu o saque no comecinho do quarto set. Na hora que precisava se mostrar no controle, deu ao rival uma luz no fim do túnel. Istomin se apegou a ela e lutou. O uzbeque perdeu a quebra de vantagem e perdeu também um set point no décimo game, mas foi feroz em mais um tie-break: 7/6(5).

E se é inevitável dizer que Djokovic, hexacampeão e favorito, deixou a partida escapar, é igualmente necessário frisar que Istomin tem muito mérito. Teve coragem o tempo inteiro, agredindo de forma inteligente, e jogou muito – muito mesmo! – em quase todos momentos delicados. Não piscou no quinto set, sacou horrores quando pressionado e chegou ao fim das 4h48 de partida com 63 winners (cinco a menos que Djokovic) e 61 erros não forçados (contra 72 de Nole). Um feito gigante, uma zebra enorme. Game, set, match, Istomin: 7/6(8), 5/7, 2/6, 7/6(5) e 6/4.

A um ponto de não estar em Melbourne

Istomin só disputa o Australian Open porque ganhou um wild card, que não foi um daqueles convites dados de graça. Para receber, precisou jogar um torneio de classificação chamado “AO Asia-Pacific Wildcard Play-off”, realizado em Zhuhai, na China. O uzbeque foi campeão ao derrotar na final Duckee Lee por 7/5 e 6/1.

Mas essa final quase não aconteceu. Na semi, Istomin enfrentou o indiano Prajnesh Gunneswaran, que hoje é o #319 do ranking mundial. Naquele dia, Gunneswaran teve quatro match points em seu saque no décimo game, mas não conseguiu fechar. Istomin salvou três deles com winners. Depois, perdeu três match points no 14º antes de, finalmente, fechar em 6/2, 1/6 e 11/9.

Murray mais longe na liderança

Líder do ranking com 780 pontos de vantagem sobre Djokovic, Andy Murray aumentará bastante sua distância para o sérvio. Como Nole é o atual campeão e defendia dois mil pontos, o escocês, vice em 2016, sairá de Melbourne com pelo menos 1.625 pontos de frente. Isso, claro, se não passar da terceira rodada. Caso levante o troféu, o britânico terá 3.535 pontos a mais que Djokovic.

Levando em conta que o sérvio ainda precisa defender mais dois mil pontos em março (venceu Indian Wells e Miami), enquanto Murray só somou 90 pontos no mesmo período no ano passado, é justo imaginar que o britânico não será ameaçado na liderança pelo menos até o segundo semestre.

Mais zebra

A chave feminina também teve uma zebra de grande porte passeando por Melbourne Park nesta quinta. Agnieszka Radwanska, cabeça de chave número 3, foi eliminada por Mirjana Lucic-Baroni (#79): 6/3 e 6/2.

Quem ganha com isso é Karolina Pliskova, que passa a ser a maior cabeça de chave do terceiro quadrante – o que, em tese, encontra Serena Williams na semi. Apesar de viver melhor momento, Pliskova tem um retrospecto incrivelmente negativo de sete derrotas em sete jogos contra Radwanska. Logo, a polonesa seria a mais cotada no caso de um duelo nas quartas de final.

A favorita

Serena Williams viveu outro grande momento em Melbourne. Em uma chave nada amigável, a número 2 do mundo, que já havia derrotado Belinda Bencic na estreia, agora passou por Lucie Safarova por 6/3 e 6/4. Foi um encontro mais complicado do que o placar sugere, mas se isso não fica visível nos números, é justamente por mérito de Serena. A americana jogou melhor os pontos importantes, salvando tries break points no primeiro set e outros três na segunda parcial.

Na terceira rodada, a atual vice-campeã do Australian Open vai enfrentar a compatriota Nicole Gibbs, o que, a essa altura do torneio, parece ser um refresco em comparação com as duas rodadas anteriores.

Os outros candidatos

Karolina Pliskova segue voando. A vice-campeã do US Open, que chegou a Melbourne embalada pelo título em Brisbane, alcançou sua sétima vitória consecutiva nesta quinta ao fazer 6/0 e 6/2 sobre a russa Anna Blinkova (#189). A tcheca chega à terceira rodada com apenas quatro games perdidos. Sim, sua chave foi fácil até agora, mas Pliskova tirou proveito, ganhando mais de 80% dos pontos com seu primeiro saque. Na terceira fase, ela encara Jelena Ostapenko, que bateu Yulia Putintseva, cabeça 31, por 6/3 e 6/1.

Johanna Konta vive momento semelhante. A top 10 britânica, campeã recentemente em Sydney, também venceu seu sétimo jogo seguido ao eliminar Naomi Osaka (#47) por 6/4 e 6/2. A japonesa de 19 anos até conseguiu manter o duelo parelho no primeiro set e teve, inclusive, um break point. Não conseguiu a quebra e perdeu o serviço em seguida. Era o que Konta precisava para arrancar no placar e fazer 6/4 e 6/2. A inglesa marcou um esperado confronto com Caroline Wozniacki, que eliminou Donna Vekic por 6/1 e 6/3.

Outro jogo interessante na terceira rodada será entre a #6 do mundo, Dominika Cibulkova, e a russa Ekaterina Makarova, #33. A eslovaca passou pela taiwanesa Su-Wei Hsieh por 6/4 e 7/6(8), enquanto Makarova avançou após a desistência de Sara Errani, que perdia por 6/2 e 3/2. A italiana saiu de quadra chorando, com dores na perna esquerda.

Milos Raonic, por sua vez, venceu o duelo de sacadores com Gilles Muller: 6/3, 6/4 e 7/6(4). O canadense enfrenta Gilles Simon na terceira rodada em um duelo bem interessante. Outro jogo legal da fase seguinte será entre Grigor Dimitrov e Richard Gasquet. O búlgaro bateu Hyeon Chung por 1/6, 6/4, 6/4 e 6/1, enquanto o francês atropelou Carlos Berlocq por triplo 6/1.

Por fim, fechando a programação da Rod Laver Arena, Rafael Nadal encarou Marcos Baghdatis e fez 6/3, 6/1 e 6/3, confirmando a expectativa de quase todos quando a chave foi sorteada. Ele e Zverev vão se enfrentar na terceira rodada no que parece ser um jogo-chave para ambos. Digo “chave” porque quem avançar pode muito bem alcançar a semifinal. E agora, após a queda de Djokovic, quem chegar a semifinal nesse quadrante tem chances maiores de ir à final.

Sobre a atuação desta quinta, Nadal tentou ser agressivo o tempo inteiro e, embora Baghdatis não tenha colocado em risco o placar, o espanhol teve problemas para confirmar seu saque no primeiro set. Aos poucos, Nadal foi jogando e melhor e sacando com mais eficiência – terminou com 80% de aproveitamento de primeiro serviço. O ex-número 1 chegou ao fim do encontro com 32 winners e 33 erros não forçados, o que é um número aceitável para quem agrediu tanto.

Os brasileiros

Rogerinho, único brasileiro na segunda rodada, teve uma tarde difícil diante de Gilles Simon, um adversário superior técnica e taticamente. O brasileiro conseguiu fazer pouco além de correr atrás de todas as bolas e não desistir. Nada, contudo, que compensasse a diferença no tênis jogado pelos atletas. Simon fez 6/4, 6/1 e 6/1 e colocou um ponto final na participação brasileira na chave de simples.

Nas duplas, André Sá e Leander Paes fizeram uma boa apresentação, mas levaram a virada dos cabeças de chave 10, Max Mirnyi e Treat Huey. Brasileiro e indiano venceram o set inicial e tiveram 3/0 no tie-break do segundo, mas perderam sete pontos seguidos – mais por mérito dos rivais do que por falhas próprias – e a melhor chance de fechar o jogo. Sá e Paes ainda tiveram dois break points no terceiro set, mas não converteram. Em um jogo tão parelho, custou caro. Mirnyi e Huey finalmente quebraram o serviço de Paes e venceram por 4/6, 7/6(3) e 6/4.

Em seguida, o único triunfo brasileiro do dia. Marcelo Melo e Lukasz Kubot derrotaram Johan Brunstrom e Andreas Siljestrom em três sets: 7/5, 4/6 e 6/4. Cabeças de chave #7, brasileiro e polonês vão encarar na segunda rodada o time formado por Nicholas Monroe e Artem Sitak.

Bruno Soares e Jamie Murray, atuais campeões do Australian Open, foram eliminados logo na estreia. Eles caíram diante de Donald Young e Sam Querrey por 6/3 e 7/6(5). Com os pontos perdidos, brasileiro e britânico cairão pelo menos duas posições cada no ranking. O brasileiro, que começou a semana como #3 do mundo, pode até sair do top 10. O mesmo vale para Jamie, atual #4.

Amanhã: o que esperar de Roger Federer x Tomas Berdych

A grande atração do quinto dia de jogos em Melbourne é o confronto entre Roger Federer e Tomas Berdych. O suíço, cabeça de chave 17, vem de vitórias contra Jurgen Melzer e Noah Rubin, enquanto o tcheco bateu Luva Vanni e Ryan Harrison. O favoritismo ainda é de Federer, que tem 16 vitórias e seis derrotas contra Berdych e também triunfou nos últimos cinco encontros, faturando 11 sets em sequência.

A grande questão é que Federer não fez lá grandes apresentações até agora. Contra Rubin, variou pouco seu jogo e entrou numa pancadaria desnecessária. Só levou vantagem quando tirou um pouco o peso das bolas e deu ao garotão a chance de errar. Rubin sentiu o peso e se complicou. Ainda assim, o americano conseguiu agredir os saques do suíço e teve set point na terceira parcial para alongar o encontro.

A questão é saber o quanto Federer vai insistir em pancadas do fundo de quadra contra Berdych, que gosta de bolas retas, saca melhor do que Rubin e tem a capacidade de controlar os pontos quando consegue encaixar suas devoluções. Será que Federer foi teimoso do fundo de quadra contra Rubin porque queria calibrar seus golpes e sabia que tinha margem para erro? Ou será que o ex-número 1 vai insistir mesmo nesse estilo de jogo até o fim do torneio?

A chave contra Berdych sempre foi a variação. Federer precisa encaixar muitos primeiros serviços, usar slices e subir à rede, tirando Berdych de sua zona de conforto – até porque é muito difícil passar Federer usando bolas retas, ainda mais se elas chegarem até o tcheco via slice. Se conseguir repetir seu plano de jogo dos últimos triunfos contra o rival, o suíço provavelmente chegará às oitavas. Se insistir em pancadas do fundo, a coisa pode complicar.

Se Federer perder, sairá do top 30 pela primeira vez em mais de 16 anos. A última vez que apareceu na lista da ATP além do 30º posto foi em 23 de outubro de 2000.


Quadra 18: S03E01
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Alexandre Cossenza

Se tem Grand Slam, tem Quadra 18. O podcast de tênis mais popular do país começa sua terceira temporada analisando as chaves do Australian Open e fazendo aquele costumeiro exercício de imaginação sobre o que pode acontecer nas próximas duas semanas em Melbourne.

Do jeito descontraído de sempre, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos de ATP, WTA, duplas e até damos dicas preciosas (é verdade!) de como passar madrugadas inteiras vendo tênis sem cair no sono. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferia baixar para ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’13” – Cossenza apresenta os temas
1’23” – Quem é “o” favorito na chave masculina? Murray ou Djokovic?
3’02” – Djokovic e a chave mais fácil do que a de Murray
7’35” – O que esperar de Federer e Nadal?
8’13” – O esperado jogo-chave entre Nadal e Zverev na terceira rodada
9’21” – A expectativa por um Djokovic x Dimitrov
11’12” – A divertida seção com Fognini, Feliciano, Haas e Paire
12’42” – Troicki pode desafiar Wawrinka?
13’32” – A expectativa por Raonic x Dustin Brown e Cilic x Janowicz
14’25” – Quem ganha Bellucci x Tomic?
14’18” – Jo-Wilfried Tsonga x Thiago Monteiro e Rogerinho x Donaldson
16’33” – Palpites para azarão do torneio
18’28” – Palpites para decepção do torneio
20’17” – Down Under (Men at Work)
21’05” – A chave de Serena é tão difícil assim?
23’34” – A chave e a preocupante forma de Angelique Kerber
25’18” – A seção favorável de Garbiñe Muguruza
25’56” – Simona Halep, agora vai?
26’42” – E o que dizer de Venus Williams?
27’30” – Karolina Pliskova e a expectativa por seu primeiro Slam como top 5
30’24” – O caminho de Radwanska
31’15” – Palpites para campeã, zebra e decepção
33’35” – Cheap Thrills (Sia)
34’30” – Novos times e velhos favoritos no circuito de duplas
37’05” – O começo não tão animador de Melo e Kubot
39’28” – A nova parceria de André Sá e Leander Paes
40’07” – Serena começar devagar os Slams faz o jogo com a Bencic mais perigoso?
41’14” – Dimitrov chegou no momento “ou vai ou racha” da carreira?
42’25” – Qual dos topos se complicou mais na chave?
42’54” – As cotações das casas de apostas para a chave masculina
44’29” – Existe uma temperatura máxima para interromper os jogos em Melbourne?
45’25” – Qual a quadra mais legal para ver jogos no Melbourne Park?
48’40” – “Dormir é para os fracos?” e dicas para ver o torneio na madrugada


Quadra 18: S02E16
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Alexandre Cossenza

Andy Murray derrotou Novak Djokovic, conquistou o ATP Finals e termina o ano como número 1 do mundo. Nas duplas, Bruno Soares e Jamie Murray são a dupla número 1 da temporada. Após o torneio de fim de ano da ATP, Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu batemos mais um papo no podcast Quadra 18 e falamos sobre simples e duplas, oferecendo respostas para várias perguntas de nossos ouvintes.

Djokovic continuará vulnerável? O #1 pesará muito para Murray? Federer e Nadal voltarão a brilhar em 2017? Raonic algum dia vai conquistar um Slam? Quais as chances de Bruno Soares também ser #1 no ranking individual de duplas? Quer saber o que a gente acha disso tudo? Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique com o botão direito do mouse neste link e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’16” – Sheila Vieira apresenta os temas
1’40” – A importância dos nomes que Andy Murray derrubou no ATP Finals
2’15” – Como o grupo de Djokovic era mais fraco
5’06” – Qual o real peso do Lendl sobre as atuações do Murray?
7’04” – Nole mostrou uma atitude melhor na fase de grupos e na semifinal?
9’42” – Devemos nos acostumar com o Djokovic vulnerável do 2º semestre?
11’02” – Meligeni e a história do “guru” de Djokovic que abraçava árvores
12’05” – Hábitos esportivos da Sheila e comentários aleatórios sobre quadribol
14’06” – Na briga pelo #1, Djokovic x Murray finalmente será uma rivalidade?
14’58” – Federer e Nadal vão voltar a brigar em 2017? E o tal implante de Nadal?
16’02” – Murray vai ter cabeça para seguir no topo?
17’17” – Raonic como #3 e Wawrinka como #4
18’50” – Raonic vai ficar sempre no quase ou vai além disso?
19’51” – Será que agora os fãs de tênis vão finalmente respeitar Raonic?
21’40” – Black Hole Sun (Ramin Djawadi)
22’05” – O título de Kontinen e Peers e o número 1 de Bruno e Jamie
23’15” – Como o jovem Henri Kontinen subiu meteoricamente no circuito de duplas
27’04” – Quais as chances de Bruno ser #1 no ranking individual de duplas?
27’48” – É mais importante ser o maior duplista ou estar na melhor dupla?
28’40” – Dodig e Melo: a campanha no Finals e o resumo dos 5 anos de parceira
31’28” – IPTL: o que esperar?


Quadra 18: S02E14
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Alexandre Cossenza

Um WTA finals com uma campeã surpreendente, uma separação importante no circuito de duplas, as chances de um brasileiro se tornar número 1 do mundo e a disputa pela liderança nas simples são os assuntos mais quentes do podcast Quadra 18 desta semana.

Como sempre, Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu falamos um pouco sobre tudo, desde a cobrança em cima de Angelique Kerber, incluindo os parceiros em potencial para Marcelo Melo até a matemática da briga entre Novak Djokovic e Andy Murray na briga pelo número 1. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Cossenza apresenta os temas
1’20” – O WTA Finals, com o título de Dominika Cibulkova, foi um bom Finals?
3’53” – O balde de água fria da temporada de Angelique Kerber
5’07” – É justo dizer que a Kerber dominou a temporada?
9’24” – É justa toda essa expectativa em relação aos resultados da Kerber?
10’46” – Surpresas e decepções do WTA Finals
12’55” – Aliny Calejon comenta a separação de Marcelo Melo e Ivan Dodig
15’25” – Quais as chances de Marcelo formar dupla com Sá, Bellucci ou Demoliner?
17’15” – Quem seria o parceiro ideal para Marcelo Melo agora?
19’00” – Bruno Soares e a chance de ser número 1 do ranking
20’22” – Murray #1 agora ou Djokovic #1 até o fim do ano? O que é mais provável?
24’00” – Até quando vai durar o discurso zen de Novak Djokovic?
25’45” – As chances de Murray ser #1 são maiores agora ou no ano que vem?
26’47” – “Acho que ano que vem o Djokovic vai ser outro Djokovic”
27’21” – A disputa pelas últimas vagas para o ATP Finals
30’00” – Vai haver Challenger Finals em São Paulo este ano?
31’50” – Existem projetos para o tênis sufocados pela “dinastia perpétua” da CBT?