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Saque e Voleio

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Mike Bryan e Jack Sock dominam Melo e Kubot e ficam com o título de duplas do US Open

Alexandre Cossenza

07/09/2018 14h19

A potente direita de Jack Sock e a habilidade de Mike Bryan se mostraram um obstáculo poderoso demais para o brasileiro Marcelo Melo e o polonês Lukasz Kubot nesta sexta-feira. Por 6/3 e 6/1, a parceria americana levou a melhor no Estádio Arthur Ashe e conquistou o título de duplas do US Open.

Melo e Kubot buscavam seu segundo título como parceria (ganharam Wimbledon/2017) e o terceiro individualmente. O brasileiro também conquistou Roland Garros em 2015, ao lado de Ivan Dodig, enquanto o polonês foi campeão do Australian Open de 2014 junto com Robert Lindstedt.

Com a vitória, Mike Bryan agora tem 18 títulos de slam em duplas, tornando-se o maior campeão de slams de duplas masculinas da história. Ele dividia a marca com o australiano John Newcombe, que acumulou 17 troféus de 1965 a 1976. Veterano de 40 anos, Mike jogou ao lado de Jack Sock porque Bob Bryan, seu irmão gêmeo, se recupera de uma lesão no quadril. Juntos, Mike e Sock também foram campeões de Wimbledon – o slam da grama foi apenas seu segundo torneio como parceria.

O primeiro set foi parelho, mas o time americano ameaçou mais desde o início. Melo e Kubot precisaram salvar break points no segundo e no sexto games – ambos no serviço do brasileiro – mas não evitaram a quebra no oitavo, quando o polonês fez duas duplas faltas. Kubot e Melo ainda salvaram três break points no game, mas a direita de Jack Sock fez a diferença. Primeiro, com uma passada que deixou a dupla rival sem reação. Depois, com uma boa devolução de saque, que o polonês não conseguiu responder. No game seguinte, Sock ainda bobeou, com dupla falta e cometendo erros não forçados em um par de set points, mas os americanos fecharam a parcial quando uma devolução de Kubot foi longa demais.

A segunda parcial foi menos disputada. Começou com uma quebra no saque de Marcelo Melo. No terceiro game, uma passada vindo da direita violenta de Sock deu ao time americano mais uma chance de quebra. No ponto seguinte, Mike Bryan colocou uma direita cruzada e abriu 3/0 para o time da casa (veja abaixo).

No meio do set, as estatísticas registravam 12 winners de forehand dos americanos contra nenhum de Melo e Kubot. Sock seguiu distribuindo pancadas de toda parte da quadra. Em um ponto, deu um lob de esquerda em Marcelo Melo e, em seguida, executou um violento winner de direita, disparado alguns metros atrás da linha de base. Não houve muito que Melo e Kubot conseguissem fazer.

Coisas que eu acho que acho:

– Se não enfatizei o bastante nos parágrafos acima, que fique claro: a direita de Sock, novo número 2 do mundo em duplas, fez um estrago enorme. Combinada com a habilidade e a inteligência de Mike Bryan, a potência de Sock torna-se muito mais letal do que nas simples.

– Para quem vinha de cinco derrotas em sete jogos, Melo e Kubot têm muito a comemorar pelo resultado em Flushing Meadows. Cabeças 7 do torneio, brasileiro e polonês aproveitaram uma chave esburacada pelas quedas de Marach/Pavic [1], Murray/Soares [4] e Rojer/Tecau [6], fizeram um belo torneio e somaram 1.200 pontos valiosos, que dão um belo impulso para a dupla na Corrida (que vale a classificação para o ATP Finals). No ranking "individual" de duplas, Kubot e Melo sobem para quinto e sexto, respectivamente.

– Para Bruno Soares e Jamie Murray, a campanha até as quartas não é ruim, mas deixa um sabor de decepção porque o time era favorito contra Albot e Jaziri e poderia, muito bem, ter alcançado a final. No Pelas Quadras, da ESPN, Bruno falou sobre sua atuação abaixo do esperado. Depois dos recentes títulos em Washington e Cincinnati, esse jogo ruim veio em péssima hora.

– Albot (#95 do mundo em simples e #131 em duplas) e Jaziri (#59 em simples e #335 em duplas) nas semifinais de um slam são o sonho molhado de quem odeia a modalidade. São dois simplistas de pouco destaque que se juntaram de última hora (entrosamento zero) para disputar um slam, entraram como alternates (depois de uma desistência) e derrubaram os cabeças 4 e 6 (especialistas em duplas) do torneio.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.