Saque e Voleio

Arquivo : cibulkova

AO, dia 6: a vez do Nadal ‘vintage’
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Nadal_AO17_r3_get_blog

A edição 2017 do Australian Open está definitivamente sendo saborosa para os apreciadores dos maiores vencedores de Slams em atividade. Menos de 24 horas depois de uma atuação clássica de Roger Federer, foi a vez de Rafael Nadal conquistar uma vitória enorme de um jeito que ninguém fez melhor nos últimos tempos. Com luta, em cinco sets, em 4h06min de jogo e terminando com um adversário esgotado e com cãibras do outro lado da rede.

Lembrou o melhor Nadal, aquele das vitórias sobre Verdasco e Federer no mesmo Australian Open em 2009, do triunfo sobre Djokovic em Roland Garros 2013 (ou Madri/2009), de tantas e tantas vitórias que exigiram tanto da tática e da técnica quanto de algo extra: a força mental, altíssima ao longo de todo jogo, e a preparação física. Alexander Zverev, 19 anos e dono de um tênis (quase) completo (falta ir à rede), foi um adversário notável, mas que não conseguiu se equiparar durante o tempo necessário e acabou como vítima de um majestoso triunfo por 4/6, 6/3, 6/7(5), 6/3 e 6/2.

Resumir o Nadal de hoje – ou o melhor Nadal ou qualquer Nadal – à figura de um gladiador, ainda que tentador, é burrice. O próprio Rafa cedeu momentaneamente quando entrevistado por Jim Courier após o jogo. Ao explicar ao ex-tenista como venceu o jogo, começou com uma resposta curta: “Lutando.” Ganhou aplausos e sorrisos, mas continuou a resposta fazendo uma enorme análise tática. Sim, Nadal nem havia saído da quadra e tinha o jogo inteiro na cabeça. Se você leitor, acha que é fácil, sugiro prestar mais atenção nas tantas respostas rasas das entrevistas pós-jogo de outros aletas.

Talvez não exista ilustração melhor sobre este Nadal inteligente do que a partida deste sábado na Rod Laver Arena (RLA). Porque o Nadal de hoje é agressivo, gosta de e precisa jogar mais no ataque, mas os saques e golpes de fundo de Zverev assustam. No primeiro set, bastou uma quebra – no primeiro game – para que o alemão saísse na frente. A potência fazia diferença.

Rafa, o cabeça 9, fez ajustes. Passou a usar slices, variou o peso de bola e usou todo tipo de saque em seu arsenal. Mexeu com a cabeça de Zverev, conseguiu uma quebra e equilibrou as ações. O espanhol ainda levava vantagem tática na terceira parcial, mas o adolescente tinha o saque para igualar o duelo. No tie-break, agrediu mais e levou.

Nesse momento, tudo jogava contra. Os 30 anos de idade, o histórico recente de três derrotas seguidas em jogos com cinco sets e até as duas vitórias de Zverev em seus últimos jogos de cinco sets. Nadal passou a devolver o saque lá do fundão e teve resultado. Enquanto o alemão ainda vibrava com o tie-break vencido, Nadal abria 3/0 na parcial. Nesse momento, chegando perto das 3h de jogo, o espanhol parecia mais inteiro, mais senhor do jogo.

O golpe final ainda estava por vir. Nadal quebrou primeiro no quinto set, mas perdeu o serviço pouco depois. Veio, então, o decisivo quinto game. Sim, o quinto. Zverev teve 40/15 e uma bola fácil em sua direita para matar o ponto e fechar o game. Jogou na rede. Com o game em iguais, os tenistas disputaram um espetacular rali de 37 golpes. O alemão ganhou o ponto. O espanhol ganhou o jogo. Ali, ao término do ponto interminável, o adolescente sentiu cãibras.

Nadal castigou. Colocou para correr, deu curtinhas, lobs, ganhou mais ralis. Zverev até que lutou contra o corpo. Foi bravo até o último ponto, tentando o que lhe restava. Nada adiantou. Não ganhou mais um game. O ex-número 1 comemorou e disse que, até pelas derrotas recentes em três sets, foi um dia muito especial. Para ele e para todos. Um clássico. Vintage Rafa.

O adversário

Nas oitavas de final, Nadal vai enfrentar Gael Monfils (#6), que precisou só de três sets para despachar Philipp Kohlschreiber: 6/3, 7/6(1) e 6/4. O último jogo entre eles teve dois sets de altíssimo nível. Foi na final do Masters 1.000 de Monte Carlo de 2016, quando Rafa fez 7/5, 5/7 e 6/0. No total, o retrospecto de confrontos diretos é amplamente favorável ao #9: são 12 vitórias dele contra duas de Monfils.

A favorita

Depois de duas rodadas complicadas contra Bencic e Safarova, Serena Williams encarou uma adversária de menos nome e aproveitou. A compatriota Nicole Gibbs, #92, conseguiu fazer apenas quatro games. A número 2 do mundo completou a vitória por 6/1 e 6/3 em apenas 1h03min, mesmo com números nada estelares: quatro aces, quatro duplas falas, 17 winners e 26 erros não forçados.

A próxima oponente da #2 será a perigosa Barbora Strycova, cabeça 16. A tcheca passou por Kulichkova, Petkovic e Garcia sem perder um set sequer e será um desafio interessante para Serena. Strycova tem golpes para mudar a velocidade do jogo e exigir um pouco mais de movimentação da americana, mas será o bastante para anular a potência da ex-número 1?

Outros candidatos

Na Margaret Court Arena (MCA), Johanna Konta, cabeça de chave número 9, ampliou sua série de vitórias com um massacre sobre Caroline Wozniacki: 6/3 e 6/1. A britânica impôs sua potência desde o início do jogo, dando as cartas e fazendo a dinamarquesa correr de um lado para o outro da quadra. Sem golpes de fundo para mudar a partida e sem tentar grandes variações, a ex-número 1 chegou a perder nove games seguidos antes de “furar o pneu” no fim do segundo set.

Konta agora soma oito vitórias seguidas, emendando com o título do WTA de Sydney. Nas oitavas em Melbourne, ela vai enfrentar a russa Ekaterina Makarova, que jogou muito, jogou nada e jogou muito de novo para derrotar Dominika Cibulkova por 6/2, 6/7(3) e 6/3. O placar puro e simples omite que a russa teve 6/2 e 4/0 de vantagem, perdeu cinco games seguidos, salvou três set points e perdeu a segunda parcial.

Makarova também abriu o terceiro set com uma quebra, mas só para perder o serviço logo em seguida. Na hora de decidir, contudo, aproveitou melhor as chances. Salvou três break points no sétimo game, quebrou Cibulkova no oitavo e fechou no nono. Uma atuação que foi suficiente para vencer neste sábado, mas que possivelmente não resolverá contra a mais consistente Konta.

A eslovaca, por sua vez, saiu lamentando as chances perdidas no terceiro set, quando parecia que o jogo ia mudar de mãos definitivamente.

Dominic Thiem e David Goffin também avançaram. O austríaco bateu Benoit Paire em um jogo com altos e baixos por 6/1, 4/6, 6/4 e 6/4, enquanto o belga dominou Ivo Karlovic e fez 6/3, 6/2 e 6/4. Goffin, aliás, já vinha de um triunfo sobre um sacador. Na primeira rodada, superou Riley Opelka (2,11m) em cinco sets. Agora, Thiem e Goffin duelam por um lugar nas quartas de final.

Cabeça de chave número 3 e mais bem ranqueado na metade de baixo da chave – depois da eliminação de Djokovic – Milos Raonic voltou a avançar. Desta vez, em um jogo mais complicado do que o placar sugere. Gilles Simon resistiu bravamente, mas a derrota no tie-break do parelho segundo set colocou o francês num buraco fundo demais para sair. Simon ainda saiude uma quebra atrás para vencer a terceira parcial, mas a margem para erro era pequena demais, e o canadense acabou fechando em seguida: 6/2, 7/6(5), 3/6 e 6/3. Ele agora encara Roberto Bautista Agut (#14), que venceu o duelo espanhol com David Ferrer (#23): 7/5, 6/7(6), 7/6(3) e 6/4.

Os brasileiros

A rodada começou com uma vitória bastante grande para Marcelo Demoliner. Ele e o neozelandês Marcus Daniell eliminaram os cabeças de chave número 6, Rajeev Ram e Raven Klaasen, por 6/1 e 7/6(4).

O resultado coloca o time nas oitavas de final contra Sam Groth e Chris Guccione, que passarem por Treat Huey e Max Mirnyi: 7/6(10) e 7/6(5). Por enquanto, a campanha já iguala o melhor resultado de Demoliner em Slams. Ele também alcançou as oitavas em Wimbledon/2015 (também com Daniell) e no US Open/2016 (Bellucci). O gaúcho, por enquanto, vai subindo nove posições no ranking e alcançando o 55º posto – o melhor da carreira.

Mais tarde, Marcelo Melo e Lukazs Kubot, cabeças de chave 7, superaram Nicholas Monroe e Artem Sitak e tambem passaram para as oitavas: 6/4 e 7/6(3). O próximo jogo é aquele do climão, já que o mineiro vai encarar seu ex-parceiro, Ivan Dodig, que atualmente joga com Marcel Granollers. Embora ninguém tenha dito nada hostil publicamente, a separação não foi no melhor dos termos e incluiu um péssimo clima no ATP Finals e unfollows em redes sociais.

Na chave de duplas mistas, Bruno Soares, em parceria com Katerina Siniakova, passou pela estreia. A dupla de brasileiro e tcheca, que são os cabeças de chave número 6, derrotou Pablo Cuevas e María José Martínez Sánchez por 6/4 e 6/3.

A boyband de Roger Federer

O suíço não entrou em quadra neste sábado, mas foi assunto nas redes quando postou o vídeo abaixo. Ele, Grigor Dimitrov e Tommy Haas cantam Hard To Say I’m Sorry (Chicago) com David Foster (ex-Chicago) no piano. Vejam, riam e julguem!

.

As oitavas de final

[1] Andy Murray x Mischa Zverev
[17] Roger Federer x Kei Nishikori [5]
[4] Stan Wawrinka x Andreas Seppi
[12] Jo-Wilfried Tsonga x Daniel Evans
[6] Gael Monfils x Rafael Nadal [9]
[13] Roberto Bautista Agut x Milos Raonic [3]
[8] Dominic Thiem x David Goffin [11]
[15] Grigor Dimitrov x Denis Istomin

[1] Angelique Kerber x Coco Vandeweghe
Sorana Cirstea x Garbiñe Muguruza [7]
Mona Barthel x Venus Williams [13]
[24] Anastasia Pavlyuchenkova x Svetlana Kuznetsova [8]
[5] Karolina Pliskova x Daria Gavrilova [22]
[Q] Jennifer Brady x Mirjana Lucic-Baroni
[30] Ekaterina Makarova x Johanna Konta [9]
[16] Barbora Strycova x Serena Williams [2]

Infelizmente, por questões pessoais, não houve tempo de incluir uma breve análise das vitórias de Karolina Pliskova (que foi um jogão, com drama de sobra) e Grigor Dimitrov. Agradeço a compreensão.


Quadra 18: S02E14
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Um WTA finals com uma campeã surpreendente, uma separação importante no circuito de duplas, as chances de um brasileiro se tornar número 1 do mundo e a disputa pela liderança nas simples são os assuntos mais quentes do podcast Quadra 18 desta semana.

Como sempre, Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu falamos um pouco sobre tudo, desde a cobrança em cima de Angelique Kerber, incluindo os parceiros em potencial para Marcelo Melo até a matemática da briga entre Novak Djokovic e Andy Murray na briga pelo número 1. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Cossenza apresenta os temas
1’20” – O WTA Finals, com o título de Dominika Cibulkova, foi um bom Finals?
3’53” – O balde de água fria da temporada de Angelique Kerber
5’07” – É justo dizer que a Kerber dominou a temporada?
9’24” – É justa toda essa expectativa em relação aos resultados da Kerber?
10’46” – Surpresas e decepções do WTA Finals
12’55” – Aliny Calejon comenta a separação de Marcelo Melo e Ivan Dodig
15’25” – Quais as chances de Marcelo formar dupla com Sá, Bellucci ou Demoliner?
17’15” – Quem seria o parceiro ideal para Marcelo Melo agora?
19’00” – Bruno Soares e a chance de ser número 1 do ranking
20’22” – Murray #1 agora ou Djokovic #1 até o fim do ano? O que é mais provável?
24’00” – Até quando vai durar o discurso zen de Novak Djokovic?
25’45” – As chances de Murray ser #1 são maiores agora ou no ano que vem?
26’47” – “Acho que ano que vem o Djokovic vai ser outro Djokovic”
27’21” – A disputa pelas últimas vagas para o ATP Finals
30’00” – Vai haver Challenger Finals em São Paulo este ano?
31’50” – Existem projetos para o tênis sufocados pela “dinastia perpétua” da CBT?


Dominika Cibulkova, o retrato de 2016
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Cibulkova_WTAFinals2016_trophy_get_blog

Duas novas campeãs de torneios do Grand Slam; o fim do domínio de Serena Williams, derrotada por Angelique Kerber em Melbourne e Garbiñe Muguruza em Paris; uma ex-número 1 suspensa por doping; uma ex-número 1 afastada por gravidez; uma nova número 1; uma porto-riquenha campeã olímpica; e, por fim, para completar um ano dos mais atípicos para o tênis feminino e consolidar um novo momento na modalidade, Dominika Cibulkova conquistou o WTA Finals.

Foi uma final memorável para eslovaca, que jogou em nível altíssimo desde o primeiro game e só engasgou quando sacou para o jogo e cometeu seguidos erros. Mesmo assim, se recuperou, salvou um break point da forma mais esquisita possível e fechou o jogo em 6/3 e 6/4, com um match point que ilustrou bem o quanto tudo deu certo para ela neste domingo.

Foi, como ela mesma disse, o maior título da carreira de Cibulkova. Um momento especial, que premia uma temporada belíssima, com títulos em Katowice, Eastbourne e Linz, além de vices em Wuhan, Madri e Acapulco. Não por acaso, a eslovaca de 27 anos termina 2016 na quinta posição do ranking – a melhor de sua carreira – e com um paquidérmico cheque de US$ 2.054.000.

Sobre esse novo momento da WTA, escrevi um pouco nesse texto. Embora o Finals não tenha sido o mais empolgante dos torneios, foi uma mistura interessante de surpresas (Cibulkova perdeu as duas primeiras partidas, enquanto Kuznetsova se classificou em primeiro na outra chave), decepções (Halep e Muguruza não passaram da fase de grupos) e partidas empolgantes, ainda que não tecnicamente espetaculares.

Kerber termina a temporada como líder, dona de dois títulos de Slam (Australian Open e US Open) e com resultados consistentes ao longo do ano. Não é (ainda?) uma número 1 dominante, mas fecha 2016 com dois mil pontos de vantagem sobre Serena Williams e 3.400 de frente para Agnieszka Radwanska, atual #3.

Ainda que a americana tenha disputado apenas um terço dos eventos de Kerber (somou 7.050 pontos em sete torneios, enquanto Kerber disputou 21 e acumula 9.080), o cenário parece indicar o que será da WTA após a aposentadoria de Serena Williams.

Nas férias (porque não consigo ver relevância no WTA Elite, torneio caça-níqueis de consolação), fico aqui a imaginar o que será do circuito se Kvitova voltar a jogar consistentemente, se Sharapova retornar em forma, se Azarenka conseguir se concentrar no circuito outra vez e se Wozniacki continuar a mostrar o tênis que reencontrou no fim deste ano. Seria um circuito incrível, não?


Wimbledon, dia 8: Venus Voltou
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Venus_W16_qf_reu_blog

Mais de cinco anos depois, Venus Ebony Starr Williams está na semifinal de um torneio do Grand Slam. Aos 36 anos, a ex-número 1 do mundo, que poderia ter se aposentado milionária e realizada quando foi diagnosticada com Síndrome de Sjogren em 2011, agora briga pelo título de Wimbledon, onde já foi campeã cinco vezes (2000, 2001, 2005, 2007 e 2008).

“Eu não conseguia levantar meu braço acima da cabeça, a raquete parecia concreto. Eu não sentia nada nas mãos. Elas estavam inchadas e coçando. Eu vi que seria uma apresentação triste”, contou a americana, tempos atrás, sobre o US Open de 2011, quando desistiu de entrar em quadra antes de enfrentar Sabine Lisicki. Pouco depois daquele momento, anunciou seu diagnóstico ao mundo.

Houve momentos difíceis. Para o espectador, a sensação era de agonia. Em certos momentos, Venus se arrastava em quadra. Estava longe do auge. Poderia ter encerrado a carreira ali. Segundo alguns, deveria ter parado. Não desistiu. Lutou contra o corpo, contra os prognósticos e contra adversárias 15 anos mais novas. Hoje, está de volta às semifinais de um Slam. E que retorno!

O jogo de quartas de final contra Yaroslava Shvedova #(96) só teve drama no set inicial, quando a cazaque salvou set point em seu serviço e depois sacou em 5/4 no tie-break. Mas não foi esse o maior obstáculo neste torneio. Duro mesmo deve ter sido fechar a partida contra Daria Kasatkina (#33) na última sexta-feira, um jogo que terminou em 10/8 no terceiro set, com Venus acumulando quase 7 horas em quadra num período de 24 horas – sem falar nas esperas forçadas pela chuva.

O jogo mais esperado

A adversária de Venus saiu do badalado Angelique Kerber (#4) x Simona Halep (#5), que não foi um jogaço como muitos imaginavam, mas também não foi dos piores. Foram muitas as variações, com as duas oscilando um bocado e confirmando pouco os games de serviço (13 quebras em 24 games). A alemã foi melhor nos momentos importantes e avançou por 7/5 e 7/6(2), marcando um jogão contra Venus Williams (#8) nas semifinais.

Kerber já repete sua melhor campanha em Wimbledon (também foi à semi em 2012) e chega com moral, sem perder nenhum dos dez sets jogados até agora. Ainda que sua chave não tenha sido das mais duras (bateu Robson, Lepchenko, Witthoeft e Doi), a alemã, com sua ótima movimentação e um contra-ataque invejável, serão um desafio e tanto para Venus.

Na semi, a chave para a alemã será manter seu serviço, que não é dos mais confiáveis. É de se esperar que Kerber leve vantagem do fundo de quadra. Não pela potência de seus golpes, mas pela consistência e por sua velocidade, que dificultarão as subidas à rede de Venus. A americana terá de sacar muito bem e ser muito precisa nos ataques, planejando e executando bem as subidas. Não vai ser fácil – como não foi para Serena na final do Australian Open.

A outra semi

Como era esperado, Serena Williams bateu Anastasia Pavlyuchenkova (#23). Se não foi um passeio, foi uma vitória relativamente tranquila, com apenas duas quebras de saque. Uma no nono game do primeiro set e outra no décimo da segunda parcial. A número 1 do mundo não foi ameaçada.

Sua adversária será a grande surpresa das semifinais: Elena Vesnina (#50), que fez uma bela partida, mas também se aproveitou de uma grande atuação de Dominika Cibulkova (#18), que não parecia recuperada fisicamente da longa partida contra Agnieszka Radwanska 24 horas antes. No fim, Vesnina fez 6/2 e 6/2 e ganhou o direito de desafiar a número 1. Não será fácil.

O brasileiro

Único brasileiro restante no torneio, Bruno Soares finalmente conseguiu a vaga nas quartas de final. Depois de dois match points não convertidos e um quinto set dramático e inacabado na segunda-feira, ele e Jamie Murray finalmente conseguiram eliminar Michael Venus e Mate Pavic. O placar final mostrou 6/3, 7/6(3), 4/6, 4/6 e 16/14, em 5h03min!

Soares e Murray agora vão enfrentar os vencedores do jogo entre Pospisock (Pospisil e Sock para os iniciantes) e Benneteau/Roger-Vasselin. Brasileiro e britânico, lembremos, estão do mesmo lado da chave de Bob e Mike Bryan. Seria um eventual confronto de semifinal.

O homem que faltava

Tomas Berdych (#9) deveria ter fechado o jogo na segunda-feira, mas não conseguiu converter nenhum dos cinco match points e viu o compatriota Jiri Vesely (#64) forçar o quinto set. Quando a partida recomeçou nesta terça, Berdych saiu na frente, perdeu o serviço, mas teve ajuda do compatriota, que foi quebrado pela segunda vez ao cometer uma dupla falta. O top 10 tcheco, então, aproveitou e avançou ao fazer 4/6, 6/3, 7/6(8), 6/7(9) e 6/3.


Wimbledon, dia 7: drama, breu, outra ameaça e o melhor jogo do torneio
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

A Manic Monday, como é chamada a tradicional segunda-segunda-feira de Wimbledon, com todas oitavas de final em quadra, correspondeu às expectativas. Quintos sets longos, chuva, tie-breaks dramáticos, viradas, atuações impecáveis dos favoritos e jogos adiados por falta de luz natural. Teve um pouco de tudo. Teve até número 1 do mundo ameaçando processar. Perdeu tudo isso? O resumaço traz quase tudo nas linhas abaixo.

Radwanska_Cibulkova_R16_reu_blog

O melhor jogo do torneio

Foram 180 minutos fantásticos. Desde o espetacular primeiro set de Dominika Cibulkova, passando pela reação memorável de Agnieszka Radwanska, que salvou match point no segundo set e forçou mais uma parcial, até o longo terceiro set, sem tie-break, com break points em dez games diferentes e que terminou de forma magnífica, com a eslovaca vencendo e ganhando um abraço da polonesa. O placar final mostrou 6/3, 5/7 e 9/7 para Cibulkova.

É bem verdade que a número 18 do mundo poderia ter vencido mais rápido. Distribuiu pancadas do fundo de quadra, jogando Radwanska para os lados. Teve chances de fechar antes, mas vacilou. Não que a terceira colocada no ranking não tenha seus méritos. Lutou bravamente com seu tênis inteligente e teve até um match point no 12º game do terceiro set. Cibulkova se salvou.

Classificada para as quartas, Cibulkova leva consigo uma sequência de nove triunfos na grama. Ela ainda não perdeu no piso na temporada. Antes de Wimbledon, disputou apenas o WTA de Eastbourne e foi campeã. A eslovaca será favorita contra a russa Elena Vesnina (#50), que bateu Ekaterina Makarova (#35) de virada: 5/7, 6/1 e 9/7.

Importante: Cibulkova tem seu casamento marcado para sábado. Se alcançar a final, já avisou que não se importará de adiar a cerimônia. “Escolhemos essa data porque nunca me vi como uma jogadora de grama”, explicou, segundo o site do torneio.

Os favoritos

Enquanto Radwanska e Cibulkova terminavam o segundo set na Quadra 3, Roger Federer (#3) entrava na Central para enfrentar Steve Johnson (#29). Os três sets do suíço duraram mais ou menos o mesmo que o terceiro set da Quadra 3. Tirando um par de break points no quinto game do primeiro set, quando o jogo ainda estava empatado, e uma quebra de Johnson no terceiro, Federer dominou. Venceu por 6/2, 6/3 e 7/5 e chegou à 306ª vitória em Slams na carreira, igualando a marca de Martina Navratilova.

É inevitável pensar que tudo conspirou para o heptacampeão até agora. Não só a chave tranquila na primeira semana, justamente o que ele precisava depois de resultados aquém do esperado em Stuttgart e Halle, mas também com a derrota de Novak Djokovic, o único a derrotá-lo nos dois últimos anos em Wimbledon, e talvez até com a lesão de Kei Nishikori, que abandonou e colocou Marin Cilic como rival de Federer nas quartas de final.

Por outro lado, Cilic faz uma campanha bastante digna na grama este ano (fez semi em Queen’s) e promete ser o primeiro teste de verdade para o suíço no All England Club. O próprio Federer lembrou que o croata passou como um caminhão por ele no US Open de 2014, seu último duelo. Será que Cilic consegue repetir? Não parece provável, mas também não parecia em Nova York…

Em seguida, Serena Williams fez uma apresentação bastante … serenesca diante de Svetlana Kuznetsova (#14). Um começo arrasador, um momento instável no fim do primeiro set, e uma segunda parcial quase perfeita. Fez 14 aces, 43 winners e derrotou a russa em 1h16min, por 7/5 e 6/0, avançando às quartas.

Foi o tipo de atuação que se espera ver da número 1 do mundo, especialmente em Wimbledon, e que ainda não tinha acontecido. Passou o recado de que não será fácil derrotá-la no All England Club. O resto da chave deve estar preocupado, assim como Anastasia Pavlyuchenkova (#23), sua próxima adversária.

A russa avançou ao bater Coco Vandeweghe (#30) por 6/3 e 6/3 e já está no lucro. Afinal, ninguém esperava que Pavlyuchenkova fosse tão longe, já que somava mais derrotas do que vitórias na carreira em Wimbledon. Agora chega sem responsabilidade e pode entrar “solta” na quadra Serena. Parece justo dizer que não há muita gente acreditando na russa contra a número 1.

Por último, Andy Murray também mostrou todo seu arsenal contra Nick Kyrgios (#18), descomplicando o que muitos viam como uma partida duríssima. De duro mesmo, só o primeiro set, que o britânico fechou fazendo um último game impecável. O triunfo veio por 7/5, 6/1 e 6/4, com um Kyrgios perdido, sem encontrar alternativa para superar o favorito.

O próximo obstáculo para o escocês será Jo-Wilfried Tsonga (#12), que se beneficiou de uma lesão nas costas de Richard Gasquet (#10), que abandonou a partida quando perdia o primeiro set por 4/2. Nada ruim para Tsonga, que vinha de completar um partida um tanto longa contra John Isner no domingo. Não que ele estivesse esgotado, mas o descanso não fará nada mal.

Mais uma ameaça judicial

Incomodada com os pingos que caíam timidamente na Quadra Central, Serena Williams achava que a quadra estava escorregadia demais para continuar a partida. Sem ser atendida imediatamente (o teto foi fechado pouco depois), a número 1 disparou: “Se eu me machucar, vou processar”.

O susto

Milos Raonic (#7), desde sempre considerado a maior ameaça ao então-vivo-na-chave-Djokovic antes das semifinais, esteve a um set da eliminação nesta segunda-feira. Com seu saque quebrado duas vezes, perdeu dois sets. Sorte que do outro lado da rede estava David Goffin (#11), que não tem exatamente um histórico de grandes atuações em momentos cruciais. Raonic conseguiu uma quebra logo no terceiro game do terceiro set e mudou o rumo da partida. Acabou saindo com a vitória por 4/6, 3/6, 6/4, 6/4 e 6/4.

Foi a primeira vez na carreira que Raonic venceu um jogo após estar perdendo por 2 sets a 0. O canadense agora vai enfrentar Sam Querrey (#41), algoz de Djokovic que venceu mais uma ao derrotar Nicolas Mahut (#51) por 6/4, 7/6(5) e 6/4. Preparem-se para contar aces e ver poucos ralis.

Correndo por fora

Venus Williams (#8) continua aproveitando o máximo sua chave, que nunca foi das mais complicadas. Nesta segunda, eliminou Carla Suárez Navarro (#12) por 7/6(3) e 6/4. O primeiro set teve momentos delicados, com a espanhola sacando para o jogo e uma interrupção por chuva. Venus, no entanto, segue avançando e já tem sua melhor campanha em Wimbledon desde 2010, quando também avançou às quartas e foi eliminada por Tsvetana Pironkova.

Venus, 36 anos, é a tenista mais velha a alcançar as quartas de final de Wimbledon desde Martina Navratilova em 1994. A ex-número 1 do mundo também será favorita na próxima rodada, já que vai encontrar Yaroslava Shvedova (#96), uma das maiores surpresas o torneio até agora. A cazaque, que já havia eliminado Svitolina e Lisicki, despachou Lucie Safarova as oitavas: 6/2 e 6/4.

O outro jogo nessa metade da chave é entre duas candidatíssimas: Simona Halep (#5), que despachou Madison Keys por 6/7(5), 6/4 e 3/3, e Angelique Kerber (#4), que encerrou o torneio de Misaki Doi (#49) por 6/3 e 6/1. Promete ser o confronto mais interessante das quartas de final femininas.

Entre os homens, Tomas Berdych (#9) esteve perto de dar mais um passo, mas deixou passar uma ótima chance de despachar o compatriota Jiri Vesely (#64). O top 10 sacou para fechar a partida no quarto set, mas foi quebrado e, quando chegou ao tie-break, depois de Vesely salvar três match points, já reclavama da luz, argumentando que o jogo deveria ter sido interrompido.

O game de desempate foi louco. Vesely abriu 6/1, Berdych virou para 7/6 e teve mais dois match points, mas não conseguiu fechar. Vesely acabou vencendo e forçando um quinto set. A continuação também ficou para terça-feira. Quem vencer enfrentará Lucas Pouille (#30), que despachou de virada o australiano Bernard Tomic (#19): 6/4, 4/6, 3/6, 6/4 e 10/8.

As quartas de final

[28] Sam Querrey x Milos Raonic [6]
[3] Roger Federer x Marin Cilic [9]
[10] Tomas Berdych ou Jiri Vesely x Lucas Pouille [32]
[12] Jo-Wilfried Tsonga x Andy Murray [2]

[1] Serena Williams x Anastasia Pavlyuchenkova [21]
[19] Dominika Cibulkova x Elena Vesnina
[5] Simona Halep x Angelique Kerber [4]
[8] Venus Williams x Yaroslava Shvedova

Os brasileiros

O dia foi difícil para os mineiros. Marcelo Melo e Ivan Dodig foram eliminados em três sets por Raven Klaasen e Rajeev Ram: 7/6(3), 7/6(5) e 6/3. Em seguida, Bruno Soares e Jamie Murray fizeram uma partida longa e dramática contra Mate Pavic e Michael Venus. Brasileiro e britânico venceram os dois primeiros sets, mas perderam os dois seguintes e mergulharam em um quinto set longo.

Por suas vezes, Bruno e Jamie tiveram quebras de vantagem, e o britânico até sacou para o jogo em 5/3. Depois de um match point, o saque do escocês foi quebrado, e a partida continuou dramática, noite adentro, sem tie-break. A partida foi interrompida pouco depois das 21h locais, após o 26º game, depois que Venus e Pavic salvaram mais um match point.

Bom humor na adversidade

Logo depois de perder o quarto set, Bruno Soares reclamou com a árbitra de cadeira por levar uma advertência. A juíza explicou que a grama é sensível, e o brasileiro respondeu “eu também sou sensível, acabei de perder um set”.


Wimbledon 2016: o guia (versão feminina)
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Serena Williams à parte, Wimbledon é sempre um mistério no que diz respeito à chave feminina. As surpresas não foram poucas nos anos recentes, desde Agnieszka Radwanska em 2012 a Garbiñe Muguruza no ano passado, passando por Lisicki e Bouchard e incluindo, é claro, o inesperado título de Marion Bartoli. O que a edição de 2016 reserva? Serena Williams, vice em Melbourne e Paris, voltará a vencer um Slam? Quem seria a principal candidata a pará-la?

Este guiazão de Wimbledon traz uma análise da chave feminina, avaliando os resultados recentes e imaginado o que pode acontecer nas próximas duas semanas. É só rolar a página…

Muguruza_W16_pre_div_blog

As favoritas / Quem se deu bem

De forma geral, não dá para dizer que alguém “ganhou” esse sorteio de sexta-feira em Wimbledon. Serena Williams, por exemplo, tem um caminho sem um óbvio nome forte em boa fase, mas tem alguns trechos escorregadios como um possível encontro com Mladenovic na terceira rodada ou Sloane Stephens nas oitavas, onde também pode aparecer Kuznetsova ou Wozniacki. Pelo ranking, a provável rival de Serena nas quartas seria Roberta Vinci, cabeça 6, mas na prática a italiana corre muito por fora. Coco Vandewegue, campeã em ’s-Hertogenbosch e quadrifinalista de Wimbledon no ano passado, parece ser o nome mais interessante aqui.

É a mesma metade da chave onde também estão Radwanska, cabeça 3, e a bicampeã de Wimbledon Petra Kvitova. A polonesa vem em uma série de boas campanhas no Slam da grama (finalista em 2012, semi em 2013 e 2015), enquanto a tcheca não venceu dois jogos seguidos no piso este ano (esteve em Birmingham e Eastbourne), mas convém não esquecê-la completamente.

A seção de Radwanska inclui, além de Kvitova, Caroline Garcia, campeã do WTA de Mallorca (em uma chave fraca, é verdade) e que pode ser sua oponente na terceira rodada. A polonesa ainda pode encarar nas oitavas Dominika Cibulkova, sua algoz e campeã em Eastbourne, ou Johanna Konta, semifinalista no mesmo torneio, mas que nunca venceu um jogo em Wimbledon. Se chegar às quartas, aí sim Aga pode enfrentar Kvitova, mas esse seção também tem Ekaterina Makarova, Andrea Petkovic e Belinda Bencic, cabeça 7, mas que vem de duas derrotas seguidas na estreia (Birmingham e Eastbourne).

A metade de baixo, encabeçada por Garbiñe Muguruza, cabeça 2, não é lá tão boa para a espanhola, que estreia contra Camila Giorgi e pode encontrar Lucie Safarova na terceira rodada e Stosur, Lisicki, Rogers ou Svitolina nas oitavas. Se chegar às quartas, Muguruza ainda pode enfrentar Venus, que pegou um caminho menos turbulento. Se o corpo resistir, a veterana de 36 anos tem uma chance interessante de ir longe.

A outra parte tem Angelique Kerber e Simona Halep, cabeças 4 e 5, respectivamente, mas podemos também chamar essa região de “terra de ninguém”. A romena não esteve em nenhum torneio de grama antes de Wimbledon, e a alemã foi a Birmingham, onde perdeu para Suárez Navarro. Parece a seção ideal para alguém surpreender. Aliás, é nesse bolo que estão Madison Keys, campeã do Premier de Birmingham, e Karolina Pliskova, campeã em Nottingham e vice em Eastbourne. Não por acaso, ambas estão bem cotadas nas casas de apostas.

A incógnita

Wimbledon talvez seja o melhor indicador sobre o que esperar do futuro de Serena Williams. A número 1 do mundo não mostrou o nível altíssimo de tênis que o mundo espera dela nem na final do Australian Open nem na decisão de Roland Garros. Momentos justamente em que a americana sempre brilhou. Sua movimentação não foi a mesma de outros anos. O número de aces – principalmente aqueles em pontos importantes – também diminuiu. Uma derrota precoce em Londres, onde sempre foi ainda mais superior ao resto do circuito, pode dar mais um indício de que o fim está próximo. Será?

O número 1 em jogo

A vantagem obscena na liderança do ranking já se foi. Serena começa sua participação em Wimbledon correndo o risco de perder o posto de número 1. Muguruza, Radwanska, Kerber e Halep podem ultrapassá-la, ainda que seja necessária uma combinação de resultados.

Quem corre por fora

Saindo do óbvio-olhei-o-ranking-e-palpitei, a grama sempre oferece uma chance um pouco maior a tenistas que não estão necessariamente entre os favoritos durante o resto da temporada.

Karolina Pliskova é um desses nomes. A tcheca de 1,86m não tem a melhor movimentação do circuito e precisa estar no comando dos pontos para se dar bem. Seu impressionante saque lhe dá essa vantagem, especialmente na grama. Não é por acaso que a líder de aces na temporada (muito à frente de Serena) foi campeã em Nottingham e vice em Eastbourne. No quadrante de Kerber e Halep, não seria a maior das zebras se Pliskova saísse atropelando até a semifinal.

Quem também corre bem nesse quadrante é Madison Keys, que leva consigo um jogo de muita potência do fundo de quadra. A americana, mais nova integrante to top 10 (a primeira americana a entrar no top 10 desde 1999!), só jogou um torneio na grama e foi campeã em Birmingham, justamente o mais importante do calendário pré-Wimbledon. De novo: não seria grande surpresa se Keys e Pliskova se encontrassem nas quartas de final, deixando Halep e Kerber para trás.

Outro nome interessante para a grama é Coco Vandeweghe, a americana que passou pelo media day com a camisa do Independiente da Argentina. Coco não se encaixa no estereótipo de meninas magrinhas do circuito e talvez não seja a mais rápida das tenistas, mas carrega um saque potente e que lhe dá muitos pontos de graça. Foi assim que cegou às quartas de Wimbledon no ano passado e venceu oito jogos seguidos na grama em 2016, levantando o troféu em ’s-Hertogenbosch. Sorteada em uma seção onde a principal cabeça é Roberta Vinci, Coco pode muito bem alcançar as quartas e encarar Serena Williams. Seria interessante.

A brasileira

Teliana Pereira estreará contra a americana Varvara Lepchenko, número 64 do mundo, que não teve grandes resultados na curta temporada de grama e inclusive soma uma derrota para Laura Robson (sim, aquela!). A brasileira, por sua vez, nem jogou na grama antes de Wimbledon.

A maior ausência

Victoria Azarenka abandonou Roland Garros por causa de uma lesão no joelho e não conseguiu se recuperar a tempo. Na última quinta-feira, véspera do sorteio da chave, a bielorrussa anunciou que não disputaria Wimbledon. Semifinalista em 2011 e 2012, ela seria a cabeça de chave número 6.

A desistência teve consequências consideráveis, jogando Venus para o grupo das oito primeiras cabeças e inserindo Andrea Petkovic entre as pré-classificadas.

Os melhores jogos nos primeiros dias

O óbvio jogo mais interessante da primeira rodada será entre Caroline Wozniacki, que não é cabeça de chave, e Svetlana Kuznetsova, e só deus sabe o que esperar desse encontro. Além disso, a segunda e a terça-feira de Wimbledon terão a suíça Belinda Bencic, cabeça 7, enfrentando Tsvetana Pironkova, aquela que até o ano passado só conseguia resultados bons justamente em Wimbledon. Não dá para descartar o potencial de zebra desse jogo, assim como em Muguruza x Giorgi, que é minha partida preferida nessa lista.

Outros confrontos interessantes são Kvitova x Cirstea, Kerber x Robson e Safarova x Mattek-Sands. Ou seja, não vai faltar o que ver nesse dois primeiros dias.

As tenistas mais perigosas que ninguém está olhando

Quando o assunto é grama e Wimbledon, o padrão é pensar em tenistas altas e que batem forte na bola. Serena, Venus, Kvitova, Sharapova… A lista de campeãs sugere isso. Só que de vez em quando aparece uma baixinha talentosa como Agnieszka Radwanska para mostrar que é possível ir longe no All England Club sem essa potência toda.

Neste ano, há dois nomes que mais ou menos se encaixam aí. Um dele é Dominika Cibulkova, que faz uma temporada de recuperação. Em fevereiro, era a número 66 do mundo. Agora, está em 21º no ranking, somando finais em Acapulco, Madri, Katowice e Eastbourne (campeã nestes dois últimos). Sua chave é que não ajuda muito. Cibulkova pode encarar Bouchard ou Konta na terceira rodada e Radwanska nas oitavas. Em todo caso, fiquemos de olho.

Com 1,64m, Barbora Strycova também entra nesta lista aqui. Pouca altura, muito talento e um jogo inteligente, cheio de variações. A semifinal em Birmingham, onde bateu Karolina Pliskova e Coco Vandeweghe, indica que há chances em Wimbledon. Um eventual duelo de terceira rodada contra Kvitova no All England Club daria uma palavra final sobre isso.

Além disso, uma bicampeã do torneio deveria estar entre as favoritas, mas a temporada desastrosa fez Petra Kvitova sair do top 10 pela primeira vez em três anos. Logo, ela chega a Wimbledon bastante fora do radar e não vai ter tanta gente espantada com um revés logo na primeira rodada diante de Cirstea ou uma eliminação na segunda fase diante de Makarova. Maaaas é Kvitova, é grama e tudo pode acontecer. Não dá para esquecer disso.

Para encerrar a lista, que tal lembrar de Venus Williams, ex-número 1, campeã oito anos atrás e que está de volta ao top 10, mas não chama tanta atenção quanto deveria por causa da idade e dos problemas de saúde? A americana tem uma chave bastante favorável e, levando em conta que os jogos na grama costumam ser mais curtos, existe uma chance considerável de Venus fazer uma (última?) campanha para realmente brigar pelo título.

Onde ver

SporTV e ESPN mostram o torneio. Ano passado, lembremos, o canal da Disney driblou o da Globosat, pagando pelos direitos e aproveitando o sinal da ESPN americana para mostrar mais quadras enquanto o SporTV ficava preso a seu pacote básico. Ninguém deu muitos detalhes ainda de como serão as transmissões deste ano, mas já se sabe que a ESPN mostrará o evento em dois canais (contra um do SporTV). Em todo caso, vale ficar com o controle remoto na mão. Durante o torneio, estarei no Twitter dizendo o que rola em cada canal.

Nas casas de apostas

A prestar atenção nas cotações da casa virtual bet365: Madison Keys é a terceira favorita ao título, e Sabine Lisicki está entre os dez primeiros nomes. Coco Vandeweghe também está ali no meio.


Semana 14: dobradinha argentina, um carro de presente e uma aula de dança
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Tudo bem, não foi lá a mais agitada das semanas tenísticas de 2016. Na primeira semana do saibro, a maioria dos principais nomes do tênis masculino preferiu descansar e se preparar em Monte Carlo. Entre as mulheres, não foi tão diferente, mas o WTA de Charleston teve cinco tenistas entre as 20 primeiras do ranking e alguns jogos interessantes. Chegou a hora, então, de lembrar o que rolou.

Stephens_Charleston16_carro_fb_blog

As campeãs

No forte WTA Premier de Charleston, que tinha Kerber, bencic, Venus, Safarova, Errani e Petkovic, foi Sloane Stephens, cabeça 8, que venceu neste domingo. A conquista veio com uma vitória sobre a qualifier Elena Vesnina, que chegou a ter um set point quando sacou em 6/5 na primeira parcial: 7/6(4) e 6/2.

O grande momento do dia foi quando Stephens descobriu que o torneio, patrocinado pela Volvo, também lhe daria um carro de presente.

A conquista em Charleston foi a terceira de Stephens em 2016. Ela também foi campeã em Auckland e Acapulco, ambos em quadras duras. O WTA de Charleston é jogado em (um rapidíssimo) saibro verde.

Vale lembrar que Stephens era zebra nas semifinais contra Angelique Kerber, mas a alemã não estava se sentindo bem e abandonou quando perdia por 6/1 e 3/0. A campeã do Australian Open defendia o título do evento americano.

No WTA International de Katowice, na Polônia, Dominika Cibulkova levantou um troféu pela primeira vez desde Acapulco/2014. A eslovaca, finalista do Australian Open naquele mesmo ano, passou por uma cirurgia no tendão de aquiles em 2015, ficou cinco meses sem jogar e chegou a cair para além do 60º posto.

Com a vitória deste domingo por 6/4 e 6/0 sobre Camila Giorgi, Cibulkova, que começou a semana como #54, deve voltar ao top 40 e se aproximar do grupo que é cabeça de chave nos Slams. Cabeça 8 em Katowice, a eslovaca passou por Witthoeft, Kulichkova, Schiavone, Parmentier e Giorgi no caminho até o título. O único set perdido foi justamente o primeiro, diante de Witthoeft.

A principal favorita ao título, Agnieszka Radwanska, seria a cabeça de chave número 1, mas desistiu do torneio por causa de um problema no ombro. A chave foi modificada, e Jelena Ostapenko passou a ocupar o lugar da polonesa.

Os campeões

Em Marraquexe, um dos ATPs menos empolgantes do ano, o título ficou com Federico Delbonis, que bateu Borna Coric por 6/2 e 6/4 na final. Cabeça 4 do torneio, o argentino estreou nas oitavas de final e passou por De Bakker, Carreño Busta, Montañés e Coric para levantar o segundo troféu de sua carreira – e o de número 212 na história do tênis argentino.

Com os pontos, Delbonis sobe para o 36º posto do ranking – um atrás de Thomaz Bellucci e dois atrás da melhor posição de sua carreira. Coric, por sua vez, continua sem títulos na carreira. O jogo deste domingo foi sua segunda final. A primeira, em Chennai, terminou com derrota para Stan Wawrinka.

O cabeça de chave 1, Guillermo García-López (#37), acabou eliminado nas quartas por Jiri Vesely, enquanto o seed 2, João Sousa (#38), tombou na estreia diante de Facundo Bagnis.

No saibro vermelho de Houston, outra conquista argentina. De virada, Juan Mónaco derrotou Jack Sock, que defendia o título, por 3/6, 6/3 e 7/5. Foi o título de número 213 para o tênis argentino e marcou a sexta vez que dois tenistas do país foram campeões no mesmo fim de semana.

A última conquista de Mónaco havia sido em 2013, em Dusseldorf. Desde então, jogou três finais (Kitzbuhel/2013, Gstaad/2014 e Buenos Aires/2015) e saiu derrotado em todas.

Mónaco, que começou a semana como número 148 do ranking, ganhou 62 posições. O ex-top 10 (Mónaco esteve entre os dez melhores do mundo em julho de 2012) aparecerá na lista desta segunda-feira como #86.

Os brasileiros

A semana não foi boa para Teliana Pereira. De volta ao saibro (rapidíssimo, lembremos) em Charleston, a número 1 do Brasil perdeu na estreia para a americana Bathanie Mattek-Sands: 5/7, 6/3 e 6/2. Foi a oitava derrota da pernambucana em nova jogos na temporada e, com os pontos perdidos, Teliana deixa o top 50 e cai para o 54º posto.

A próxima missão da brasileira será tentar defender seu título no WTA de Bogotá, que começa nesta semana. Caso volte a perder na estreia, Teliana terá descontados 280 pontos e pode até deixar o grupo das 80 melhores. Se isso acontecer, haverá até o risco de deixar (pelo menos temporariamente) a lista de classificadas para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A chave olímpica, lembremos, é composta por 64 atletas, respeitando o limite de quatro por país.

Entre os homens, Rogerinho e Thiago Monteiro conseguiram pontos importantes. O paulista caiu nas oitavas de final em Nápoles, mas subiu três posições e agora figura no top 100 pela primeira vez desde maio de 2013. O cearense apostou no forte torneio de Le Gosier (US$ 100 mil) e caiu nas quartas, superado por Malek Jaziri (#94) por 6/2, 4/6 e 7/5. Com a campanha, Monteiro alcançou o melhor ranking da carreira, entrando no top 200 como justamente o #200.

Nas duplas, André Sá tentou a sorte em Houston. Ele e o australiano Chris Guccione foram superados nas quartas de final por Steve Johnson e Sam Querrey: 6/3, 2/6 e 10/8. O mineiro, aliás, briihou no vídeo abaixo, tocando guitarra em uma apresentação dos irmãos Bryan.

A melhor história

Dica do Mário Sérgio Cruz, do Tenisbrasil: em entrevista ao Diário de Canoas, Larri Passos fala um pouco de seus primeiros dias no tênis, de sua mudança para os Estados Unidos e da crise que vive o Brasil. Diz que o Brasil é o país mais corrupto do mundo e que Dilma deveria renunciar.

Larri também declarou que o projeto olímpico do tênis foi uma grande decepção (durou só 11 meses) por causa da má administração da CBT e do Ministério do Esporte: “Esse governo destruiu meus sonhos.” Larri também pediu a saída do presidente da CBT Jorge Lacerda: “Faz cinco anos que a CBT está sendo investigada e o presidente não saiu ainda. Está na hora dele ir embora.”

Leia a íntegra aqui.

A aula de dança

Serena Williams, em grande forma, aproveitou o intervalo nas gravações de um comercial e resolveu gravar uma aula informal de como fazer o “twerk”. Ela também ensinou o “milly rock”. A número 1 do mundo também lembrou que o “dab” já saiu de moda. E Azarenka, pelo visto, aposentou o movimento após o Super Bowl.

O acidente

No Challenger de Nápoles, na Itália, uma bolada não-intencional-mas-certeira acabou com uma dupla desclassificada. Os poloneses Mateus Kowalczyk e Adam Majchrowicz venciam por 6/3 e 4/4, mas quem avançou a parceria de Rameez Junaid e Ken Skupski.

Nem todo mundo concordou com a decisão do árbitro de desclassificar a dupla polonesa. Bruno Soares, campeão do Australian Open, escreveu (citando a conta da ATP) que a punição foi exagerada.

A próxima parada

O grande torneio masculino da próxima semana é o Masters 1.000 de Monte Carlo. O vídeo abaixo mostra como três quadras do Monte-Carlo Country Club se transformam na quadra central do torneio.

Monte Carlo Center Court amazing transformation

To Monte Carlo Country Club μεταμορφώνεται, κυριολεκτικά, για να υποδεχθεί τα μεγαλύτερα αστέρια του παγκοσμίου τένις! Κάθε χρόνο γίνεται αυτή η διαδικασία για να φτιαχτεί το κεντρικό court με την ομορφότερη θέα στον κόσμο!Πρόγραμμα μεταδόσεων OTE TV: -> https://bit.ly/1UGvskY

Posted by Tennis24 on Thursday, April 7, 2016

Aliás, falando em Monte Carlo, que tal a divertidíssima chave do torneio, hein? A começar por Thomaz Bellucci, que estreia contra Guillermo García-López e, se vencer, enfrentará um Roger Federer que se recupera de uma cirurgia no joelho e não joga uma partida oficial há mais de dois meses. Seria uma boa chance?

E a volta de Rafael Nadal ao saibro? O espanhol possivelmente pegou um caminho duríssimo e pode ter de enfrentar, em sequência, Dominic Thiem, Stan Wawrinka e Andy Murray antes da final (contra Djokovic?).

Lances bacanas

Não foi na última semana, mas vale lembrar porque foi eleito o ponto do mês da WTA. Com ela, Agnieszka Radwanska.

Tênis por WhatsApp

O UOL agora envia notícias de tênis por WhatsApp. Para se cadastrar, adicione à agenda de seu celular o número +55 11 99007-1706 e envie para esse número uma mensagem contendo o texto guga97. Em alguns dias, você vai passar a receber, de graça, as notícias. Saiba mais aqui.


Australian Open 2016: o guia feminino
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Antes de mais nada, atenção para o que aconteceu com o top 5 nas últimas duas semanas: Serena Williams (#1 do mundo) desistiu da Copa Hopman por causa de dores no joelho; Simona Halep (#2) abandonou o WTA de Brisbane e jogou em Sydney com uma inflamação no tendão de aquiles; Garbiñe Muguruza (#3) saiu de Brisbane por causa de dores no pé esquerdo; e Maria Sharapova (#5) abandonou também em Brisbane por causa de uma lesão no antebraço esquerdo.

E o resto do top 10? Petra Kvitova (#6) sofreu um mal-estar em Shenzhen e deixou a China. Poucos dias depois, também anunciou que não jogaria em Sydney. Angelique Kerber (#7) deixou Sydney pelo mesmo motivo. Flavia Pennetta (#8) se aposentou no fim do ano passado. Lucie Safarova (#9) está fora do Australian Open devido a uma infecção pulmonar.

Sobram Agnieszka Radwanska (#4), campeã do modesto WTA de Shenzhen, e Venus Williams (#10), que só jogou uma partida no ano e perdeu (em Auckland para a russa Daria Kasatkina). São muitos problemas físicos e de saúde e, às vésperas de um Slam, é difícil saber quem está sendo cauteloso e quem realmente vem sentindo dores fortes.

A questão toda é que ficou duríssimo estabelecer um cenário de favoritismo para o Australian Open, que começa nesta segunda-feira (noite de domingo no Brasil). A única certeza por enquanto é que Victoria Azarenka, bicampeã do torneio, surge como nome forte após o título em Brisbane. Mas será que é justo alçar Vika à condição de principal favorita? Este guiazão da chave feminina tenta encontrar resposta para essa e outras perguntas.

As favoritas / Quem se deu bem

Ao mesmo tempo em que pode soar arriscado cravar Serena Williams como favorita mesmo com uma lesão no joelho, é igualmente ousado colocar a americana em qualquer lugar que não seja o topo da lista de mais cotadas. Até prova incontestável do contrário, Serena ainda é Serena, a número 1 do mundo que venceu três Slams e ficou a duas vitórias do Grand Slam (de fato) em 2015.

Em público, Serena afirma que a lesão não é séria e que ela não tem nada a perder. Bobagem. Era o mesmo discurso do US Open do ano passado, e o mundo inteiro viu seu estado de nervos naquela semifinal contra Roberta Vinci. A pressão, desta vez, não é tão grande, mas Camila Giorgi, sua oponente na primeira rodada, pode lhe dar algum trabalho. De qualquer modo, o mais provável é que Serena tenha uma semana para calibrar seus golpes até encarar Caroline Wozniacki nas oitavas. Aí será preciso estar realmente em forma.

Esse quadrante ainda tem Belinda Bencic e Maria Sharapova, que chega sem ritmo de jogo. A suíça, por sua vez, tem um caminho nada tranquilo, com Alison Riske na estreia, possivelmente Heather Watson na segunda rodada e, quem sabe, Svetlana Kuznetsova (campeã em Sydney) na terceira. Quem avançar dessa turma pode encontrar Sharapova nas oitavas. Difícil prever alguma coisa, não?

O quadrante logo abaixo é encabeçado por Agnieszka Radwanska e Petra Kvitova. Única em forma no top 10, a polonesa estaria mais cotada ao título não fosse por uma chave ingratíssima, que tem Christina McHale na estreia, Eugenie Bouchard na segunda rodada, e Stosur/Puig na terceira. Sloane Stephens ainda pode ser sua oponente nas oitavas.

Enquanto isso, Kvitova é a incógnita de sempre. Mesmo que tenha superado o problema de saúde de Shenzhen, a tcheca precisará lidar com o calor (a previsão para este ano é de um Australian Open quentíssimo), o que deve preocupar uma tenista que joga três sets com uma frequência nada agradável. Em compensação, sua chave não é das piores. Petra tem Kumkhum na estreia, Hradecka ou Gavrilova na segunda rodada e Mladenovic ou Cibulkova em seguida. As oitavas seria contra Suárez Navarro ou Petkovic. Só nas quartas é que enfrentaria quem avançar na forte seção de Radwanska.

Angelique Kerber, vice-campeã em Brisbane, talvez tenha o caminho menos duro até as quartas. É aí que entra a vencedora da seção que tem Garbiñe Muguruza e Victoria Azarenka. E o que pensar de Vika? A bielorrussa está bem fisicamente, como demonstrou em Brisbane, onde foi campeã. O porém é que muito de seu favoritismo está baseado no currículo (bicampeã em Melbourne) e não necesariamente na campanha de Brisbane, onde encontrou uma chave nada complicada: bateu Vesnina, Bonaventure, Vinci, Crawford e Kerber.

Sim, foi uma grande atuação de Azarenka na decisão contra Kerber, mas será que um grande jogo é o suficiente para dar esse status todo à bielorrussa? Talvez esse esperado jogo de oitavas contra Muguruza nos dê a resposta definitiva. Uma vitória assim colocará Vika cheia de confiança na segunda semana do Australian Open.

Finalmente, o último quadrante é liderado por Simona Halep e tem Venus Williams na outra ponta. Se a romena conseguir atuar em bom nível mesmo com o incômodo no tendão de aquiles, pode ir longe, mas há algumas “cascas de banana” pelo caminho. Uma delas é Alizé Cornet, campeã em Hobart, que é sua provável oponente na segunda rodada. E não convém descartar quem passar do possível encontro entre a americana Madison Keys e a sérvia Ana Ivanovic na terceira rodada. Ainda assim, Halep seria, em condições normais, a favorita para ir pelo menos até a semifinal. Mas será?

A brasileira

Teliana Pereira não terá vida fácil. Depois de derrotas em Brisbane e Hobart diante de Andrea Petkovic e Heather Watson, a brasileira, atual #46 do mundo, estreará contra Monica Niculescu (#38) em Melbourne. Não foi o pior dos sorteios para Teliana, mas a romena tem um jogo cheio de variações que não dá ritmo e tira a brasileira da sua zona de conforto.

Foi exatamente o que aconteceu quando as duas se enfrentaram em Bucareste no ano passado. A dúvida sobre que estratégia adotar provocou cenas curiosas entre Teliana a seu técnico/irmão, Renato Pereira. Vejam no vídeo abaixo.

Talvez a partida em Bucareste tenha apontado uma direção a seguir desde o início para Teliana, o que pode facilitar as coisas, Por outro lado, a combinação dos slices de Niculescu com a quadra dura de Melbourne pode exigir ainda mais da brasileira. O fato é que, pelo menos no papel, a romena entra como favorita.

A ausência

Francesca Schiavone, depois de jogar 61 Slams de forma consecutiva, está fora do Australian Open. A italiana de 35 anos, campeã de Roland Garros em 2010, mas atual número 115 do mundo, foi derrotada no qualifying pela francesa Virginie Razzano. Como bem lembrou o jornalista americano Ben Rothenberg, Razzano também encerrou uma série espetacular de Serena Williams quatro anos atrás. A americana levava consigo uma série de 46 vitórias em estreias nos Slams.

Os melhores jogos nos primeiros dias

O sorteio da chave já formou um trio de partidas interessantes para a rodada inicial. A começar por Serena Williams x Camila Giorgi, com a número 1 do mundo sem ritmo e se recuperando de um problema no joelho. Ainda que a americana seja uma tenista muito superior, não custa lembrar que a italiana tem no currículo um punhado de vitórias relevantes sobre top 10 (Wozniacki no US Open, Sharapova em Indian Wells, Cibulkova em Roma e Azarenka em Eastbourne, por exemplo).

Outro jogo interessante, mas que deve ficar fora do radar (foi escalado para a Quadra 7 nesta segunda-feira) é Belinda Bencic x Alison Riske. A suíça é a número 14 do mundo e favorita, mas vem de um abandono em Sydney. Riske, por sua vez, fez semifinal em Shenzhen e parece ter deixado para trás o momento ruim do segundo semestre do ano passado (sofreu oito derrotas seguidas).

O melhor de todos pode muito bem ser Dominika Cibulkova x Kristina Mladenovic, que estarão escondidas na Quadra 19, apesar de a eslovaca ter sido vice-campeã do torneio em 2014 e a francesa ser cabeça de chave. Mladenovic é mais agressiva, enquanto Cibulkova gosta de contra-atacar. Parece uma combinação interessante entre duas tenistas talentosos.

Há também um clássico com sensação retrô, já que ambas parecem estar na parte final de suas carreiras: Svetlana Kuznetsova (#25) x Daniela Hantuchova (#88). As duas já se enfrentaram 14 vezes, com a russa levando a melhor em dez. Sveta, aliás, é a favorita aqui, já que vem de uma importante conquista em Sydney.

O que pode acontecer de mais legal

As possibilidades de confrontos de segunda rodada são empolgantes. Muito mais do que na chave masculina, aliás. De cima para baixo, a primeira metade da chave pode ter Bencic x Watson, Aga Radwanska x Bouchard e Stosur x Puig (as duas se enfrentaram em Sydney). Na outra metade, lá embaixo, um Halep x Cornet se desenha. Isso, é claro, se nenhuma zebra ocorrer na primeira fase.

O intangível

O grande fator que precisa ser levado em conta neste Australian Open é o calor. A previsão indica um torneio bem mais quente que os anteriores. Também entra na conta o fator sorte (quem vai estar jogando nas quadras cobertas nos dias mais quentes?), mas o preparo físico será essencial.

É difícil imagina, por exemplo, Petra Kvitova indo longe no torneio se encarar uma sequência de dias quentes. A tcheca tem saúde mais frágil que a maioria e pode muito bem ficar pelo caminho se a coisa literalmente esquentar. Resta saber quando isso vai acontecer e quem vai estar em quadra nesses momentos.

A tenista mais perigosa que ninguém está olhando

Com tanto equilíbrio e tantos jogos bons nas primeiras rodadas, é difícil não prestar atenção em alguém. Talvez Andrea Petkovic seja a pessoa mais indicada para esta seção. Embora não tenha obtido um resultado expressivo em seu único torneio até agora (perdeu para Samantha Crawford por 6/3 e 6/0 nas quartas), a alemã derrotou Ekaterina Makarova em Brisbane e, em Melbourne, tem uma chave interessante. Estreia contra Kulichkova, pega Teliana/Niculescu em seguida e, se passar por Suárez Navarro (ou alguma zebra) na terceira rodada, estará nas oitavas contra Kvitova ou Mladenovic.

Levando em conta a inconstância de tcheca e francesa (sem esquecer a irregularidade da própria Petkovic), não é tão difícil assim imaginar a alemã igualando seu melhor resultado no Australian Open e alcançando as quartas – como fez em 2011, quando eliminou Sharapova nas oitavas.

Quem pode (ou não) surpreender

A partir dos resultados de Auckland e Sydney – duas derrotas e nenhum set vencido -, já será uma surpresa se Ana Ivanovic fizer alguma coisa no torneio. Brincadeira à parte, a sérvia inicia este Australian Open sem expectativa alguma e se deu bem no sorteio, que lhe colocou diante de Tammi Patterson, #462 e convidada da organização. Talvez seja o jogo que Ivanovic precisa para ganhar um pouco de confiança e arrancar.

Vale prestar atenção também em Madison Keys. Em dias quentes, com a bola “voando”, a americana (#17) é perigosíssima. Se o favoritismo se confirmar, ela e Ivanovic duelarão nas oitavas, com a vencedora avançando para encarar a baleada Halep. Será que… Fiquemos de olho.

Onde ver

Os canais ESPN mostram o torneio com o auxílio do recurso online do WatchESPN. “Serão mais de 1.400 horas de tênis na Internet e cerca de 130 horas de cobertura ao vivo na ESPN e na ESPN+!”

A ESPN, inclusive, anunciou recentemente a renovação dos direitos de transmissão do Australian Open até 2021. A partir de 2017, o canal terá também os direitos da Copa Hopman do ATP de Brisbane e do ATP de Sydney.

Nas casas de apostas

Na casa virtual Bet365, Serena não é tão favorita quanto já foi, e Victoria Azarenka passa a ser cotadíssima depois do título em Brisbane. A americana, contudo, ainda lidera a lista de favoritas, e um título seu paga 3/1, ou seja, três dólares para cada um apostado em seu triunfo. Vika vem logo atrás, cotada em 4/1.

As outras candidatas estão bem para trás. O top 10 ainda inclui Simona Halep (9/1), Maria Sharapova (10/1), Garbiñe Muguruza (12/1), Petra Kvitova (14/1), belinda Bencic (18/1), Agnieszka Radwanska (18/1), Angelique Kerber (28/1) e, sim, acreditem, Eugenie Bouchard (33/1), empatada com Sloane Stephens.


Sete jogos para Serena (US Open: o guia da chave feminina)
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Faltam sete jogos para um dos feitos mais espetaculares do esporte – não só do tênis. Campeã do Australian Open, de Roland Garros e de Wimbledon, Serena Williams está a sete vitórias de completar o Grand Slam de fato, o chamado calendar-year Grand Slam. Algo tão raro que muitos gigantes do tênis encerraram suas carreiras sem esse feito. Entre as mulheres, a última foi Steffi Graf, em 1988. Entre os homens, ninguém fecha o Grand Slam desde Rod Laver, em 1969. Logo, a chave feminina do US Open tem uma favorita e um tema óbvios: Serena Williams e a maior sequência de sua carreira.

Com isso em mente, chega o momento de analisar o tamanho do favoritismo da número 1 do mundo e que obstáculos podem aparecer em seu caminho até o título. Quem são as maiores ameaças à americana? Que fatores podem pesar contra Serena? Pressão? Ansiedade? Como ela lidará com isso tudo?

Obviamente, o US Open não tem só Serena. Quem corre por fora na corrida até o troféu? Quem pode surpreender? Quais serão os melhores jogos nas primeiras rodadas? O que esperar das próximas duas semanas de tênis? Este guiazão da chave feminina oferecer respostas para tudo isso. Leia abaixo e não deixe ouvir o podcast Quadra 18, que vai ao ar em breve!

Tiremos o óbvio do caminho logo de cara: Serena Williams é favoritíssima. E talvez seja ainda mais favorita do que em Melbourne, Paris e Londres. Não por acaso, venceu os últimos quatro Slams. Não por acaso, o resto do circuito parece endeusar a americana em declarações e até dentro de quadra, quando a coisa aperta. A “mística” definitivamente joga a favor da número 1 do mundo aqui.

Mas se tanta coisa joga a favor, o que joga contra? O sorteio das chaves é um exemplo. Serena pode ter um caminho bem trabalhoso em Nova York. A começar por um duelo chatinho com Sloane Stephens/Coco Vandeweghe na terceira rodada. E outro com Madison Keys/Aga Radwanska nas oitavas. E mais um com Belinda Bencic (sua algoz em Toronto) nas quartas. Sejamos sinceros, Serena poderia ter encontrado um caminho bem menos turbulento.

Outra casca de banana para a número 1 do mundo é a atenção enorme que vem recebendo da imprensa mundial. Sim, quem já ganhou 21 Slams (só em simples) deve estar acostumada com um certo nível de atenção, mas desta vez há número ainda ainda maior de holofotes em Serena. A possibilidade de fechar o Grand Slam um dos motivos. Fazê-lo em Nova York, em casa, deixa tudo mais “quente”. Com uma chave não tão simples, a margem para erro diminui. Será preciso concentração total para não perder o objetivo de vista.

As chances de Serena também aumentam à medida em que rivais que poderiam ameaçá-la seriamente não chegam a Flushing Meadows na melhor das formas. É o caso de Victoria Azarenka, ex-número 1 do mundo que faz uma temporada de recuperação e vem subindo aos poucos no ranking.

A bielorrussa é a cabeça de chave 20 do US Open e só enfrentaria na final, mas sua preparação não foi a ideal. Em Toronto, derrotou Petra Kvitova e parecia pronta para deslanchar, mas teve uma atuação desastrosa (mais de 50 erros não forçados em dois sets) e caiu diante de Sara Errani na sequência.

Para piorar, teve de abandonar o WTA de Cincinnati por causa de dores na perna esquerda. Logo, seu ritmo não pode ser o melhor possível. Seu primeiro bom teste deve vir na terceira rodada, contra Angelique Kerber. A partida, caso aconteça mesmo, deve deixar o cenário mais claro quanto às chances de quem avançar.

Outro nome com talento e recursos suficientes para derrotar Serena é o da tcheca Petra Kvitova, que decidiu encarar – com liberação médica – a série de torneios na América do Norte mesmo enfrentando uma mononucleose. A doença dá uma dose adicional de imprevisibilidade a uma tenista que não é a mais estável do planeta.

A #5 do mundo passou em branco em Toronto (perdeu para Azarenka) e Cincinnati (Caroline Garcia), mas mostrou sinais de recuperação em New Haven, onde disputa a final neste sábado contra Lucie Safarova. É um bom sinal para quem tem uma chave bem acessível até as oitavas, quando pode ter de encarar Muguruza ou Petkovic. Se passar daí, o resto da chave deve ficar em alerta.

O panorama não é tão diferente assim para Maria Sharapova. A russa, que tem uma lesão na perna direita, não disputa uma partida oficial desde Wimbledon. Era até de se imaginar que a ex-número 1 iria até Nova York só para divulgar seus produtos e marcas – como fez na Bloomingdale’s com seus Sugarpovas e na campanha da Nike, que escalou uma seleção de craques para bater bola em uma das ruas da Big Apple.

Sharapova, contudo, decidiu encarar o torneio mesmo sem ritmo. Para piorar, sua estreia é um tanto perigosa. Vale lembrar que a mesma Daria Gavrilova que enfrentará na primeira rodada do US Open a eliminou do WTA de Miami, no começo do ano. O “copo metade cheio” para a russa é que sua seção da chave não é das piores até as oitavas. E, mesmo assim, a principal cabeça de chave para ser sua adversária nas quartas é Ana Ivanovic.

Em condições normais, Sharapova seria barbada para atropelar até a semifinal (que seria contra Serena), mas no momento atual a expectativa sobre sua campanha vem acompanhada de um grande ponto de interrogação.

Nenhuma análise ficaria completa sem citar Simona Halep e Caroline Wozniacki, que encabeçam a metade de baixo da chave (em outras palavras, a parte que define a provável adversária de Serena na decisão). A romena, #2 do mundo, parece ter reencontrado seu tênis depois de uma temporada europeia abaixo das expectativas. Finalista em Toronto e Cincinnati, Halep pode fazer uma ótima partida de quartas de final contra Vika – se a bielorrussa chegar lá.

Wozniacki, por sua vez, aproveitou o pós-Wimbledon para se fazer mais conhecida nos Estados Unidos – e nos mercados americanos. Fez anúncios de chocolate, fez o arremesso inicial em um jogo de beisebol e ainda cavou uma vaga de “editora sênior” no Players’ Tribune. Ganhar jogo que é bom… nada! Foram três derrotas em estreias (Stanford, Toronto e Cincy) antes de encerrar a seca em New Haven. Será o suficiente para fazer um bom US Open? Talvez sim. Três rodadas contra Loeb, Cetkovska/McHale e Pennetta/Niculescu podem dar o ritmo que a dinamarquesa precisa para embalar. Mas se Kvitova chegar às quartas, a tcheca será favorita para avançar.

A brasileira

Como já virou costume, o Brasil entra em um Grand Slam com Teliana Pereira como única representante. O sorteio não foi muito generoso com a pernambucana. Estrear em um torneio de quadra dura (onde Teliana ainda tem muito a evoluir) contra Ekaterina Makarova é tarefa ingrata. A russa é bastante favorita.

Bia Haddad, lesionada, nem tentou o qualifying. Gabriela Cé bem que arriscou a ida até Flushing Meadows, mas venceu apenas sete games e foi eliminada na primeira rodada pela chinesa Zhaoxuan Yang.

Os melhores jogos nos primeiros dias

De cara, Ivanovic x Cibulkova promete ser um jogão. A eslovaca ficou quatro meses sem jogar, despencou para fora do top 50 (é a #58 hoje) e ficou “solta” na chave. Ainda lhe falta ritmo, mas seu estilo de jogo, colocando todas bolas em jogo, não é o preferido de Ivanovic. Pode ser interessante.

Outros jogos com bom potencial de primeira rodada são Kuznetsova x Mladenovic, Pennetta x Gajdosova e Petkovic x Garcia. E ainda vale aguardar por Lisicki x Giorgi, Azarenka x Schiavone, e Bencic x Hantchova que podem acontecer na segunda rodada. Ah, sim: Agnieszka e Urszula farão a quinta edição do Radwanska Classic se passarem por seus desafios de estreia.

A tenista mais perigosa que ninguém está olhando

Dois nomes me chamam atenção: o primeiro é o da sérvia Jelena Jankovic. Nem tanto pela fase atual da ex-número 1 do mundo, que não é nada fantástica, apesar de uma respeitável semifinal em Cincy. Entretanto, a chave de JJ em Nova York é um tanto imprevisível. Naquele bolo estão Carla Suárez Navarro, número 10 do mundo que vem de seis derrotas consecutivas, Ana Ivanovic, que nunca foi modelo de regularidade, e Eugenie Bouchard, que… Vocês sabem, né? Ivanovic ainda é a favorita do quadrante, mas uma visita de Jankovic às quartas (e, quem sabe, à semi) não parece tão improvável assim, viu?

A outra tenista perigosa e pouco badalada é Lucie Safarova, número 6 do mundo. A tcheca perdeu na estreia em Toronto e decepcionou ao perder de Svitolina nas quartas de Cincinnati, mas está na final em New Haven. Com a confiança em alta, pode muito bem avançar além daquele duelo de oitavas de final com quem avançar do quadrante de Azarenka e Kerber.

Quem pode (ou não) surpreender

Não dá mais para chamar Belinda Bencic, #12, de zebra. A suíça de 18 anos, vem de uma incrível campanha em Toronto, onde derrubou, nesta ordem, Bouchard, Wozniacki, Lisicki, Ivanovic, Serena e Halep. Ninguém imagina que Bencic repita a façanha e elimine Serena também no US Open, até porque todo mundo sabe como a americana atua contra quem perdeu recentemente. Ao mesmo tempo, não parece exagero considerar que a suíça é quem tem mais chances de derrubar a favorita antes da final. Será?

Minha lista de surpresas em potencial também tem Eugenie Bouchard e Laura Robson. A canadense porque… Bem, na fase atual, qualquer vitória é uma surpresa. Mesmo que não pareça lá muito provável que Genie passe por Ivanovic na terceira rodada.

Quanto à britânica, número 1 do mundo na época de juvenil e campeã de Wimbledon aos 14 anos, uma lesão no punho esquerdo fez um estrago e tanto em sua carreira. Laura Robson fez só dois jogos oficiais em 2014 e mais meia dúzia em 2015 – venceu só uma vez. Não é justo esperar vitória contra Elena Vesnina no US Open, mas se a inglesa vencer, será um momento muito feliz para uma jovem talentosa e que, aos 21 anos, ainda pode alcançar muita coisa.

Nas casas de apostas

O tamanho do favoritismo de Serena Williams é refletido nas casas de apostas. Enquanto, por exemplo, um título de Djokovic, o mais cotado na chave masculina, paga 2,10 para cada “dinheiro” apostado, uma conquista de Serena paga apenas 1,83 na casa virtual bet365. O segundo nome na lista é o de Victoria Azarenka, que vem muito atrás (9,00). O top 10 ainda tem Halep (11,00), Belinda Bencic (19,00), Maria Sharapova (21,00), Petra Kvitova (23,00), Agnieszka Radwanska (34,00), Caroline Wozniacki (34,00), Garbiñe Muguruza (34,00) e Angelique Kerber (41,00). Teliana Pereira está entre as maiores zebras (1001,00).

Na casa australiana Sportsbet, o cenário não é muito diferente, mas Sharapova e Wozniacki estão mais bem cotadas. O top 10 lá é formado por Serena (1,83), Vika (9,00), Halep (11,00), Sharapova (17,00), Wozniacki (23,00), Bencic (23,00), Muguruza (26,00), Kvitova (26,00), Kerber (34,00) e Radwanska (34,00).


O “Guiazão” de Wimbledon: chave femininina
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Serena_W_JonBuckle_AELTC2_blog

Ok, Serena Williams é favoritíssima desde sempre e para sempre. Até aí, novidade nenhuma. Há, no entanto, um monte de questões intrigantes que foram colocadas na mesa dede que a chave feminina de Wimbledon foi sorteada, nesta sexta-feira. Como está Petra Kvitova? Em que fase Eugenie Bouchard, atual vice-campeã, vai dar adeus? E a minha preferida e reutilizável em 2015: onde diabos está Victoria Azarenka? Vejamos, então, o que nos aguarda nas próximas duas semanas.

Campeã dos últimos três Grand Slams, Serena está a sete jogos de um “Serena Slam”, mas me parece  mais relevante ver que ela pode fechar o chamado Grand Slam (de fato), que às vezes é chamado de calendar year Grand Slam. Ou seja, ganhar todos na mesma temporada, um dos feitos mais espetaculares possíveis no tênis. Algo que não acontece desde 1988, com Steffi Graf. Aliás, em toda história apenas Graf, Margaret Court (1970) e Maureen Connolly Brinker (1953) conseguiram isso.

A tenista com mais jogo – especialmente na grama – para ameaçar Serena é Petra Kvitova. A tcheca, entretanto, é um ponto de interrogação em forma humana. Não só pela irregularidade de seu tênis, mas por questões físicas. Petra, aliás, acabou desistindo de jogar o WTA de Eastbourne, que seria seu único evento na grama antes de Wimbledon, por causa de uma “doença”.

Uma garganta inflamada foi parte da justificativa. Ela mesma disse que não parecia nada preocupante. Se assim for, é fácil imaginar Kvitova navegando tranquilo na chave até as quartas de final. Ainda assim, sua adversária de melhor ranking até a semi é Makarova. Esse quadrante ainda tem como cabeças Jankovic, Svitolina, Aga Radwanska, Bouchard, Keys e Cornet. Fora uma semana inspirada de Madison Keys, alguém mais poderia ameaçar Kvitova? Parece que não. A maior adversária de tcheca deve ser ela mesma.

Kvitova_W_JonBuckle_AELTC_blog2

O outro quadrante na parte de baixo da chave é encabeçado por Halep e Wozniacki. Em outras palavras, tudo pode acontecer. Sabine Lisicki, recordista de aces (já falo mais sobre ela), está ali como cabeça 18 numa seção bastante acessível. Bacsinszky, Giorgi, Muguruza, Kerber e Kuznetsova são as outras cabeças de chave nessa parte de ninguém-é-de-ninguém.

A coisa esquenta mesmo na parte de cima, com Serena, Venus, Sharapova, Ivanovic, Pliskova, Bencic e Stosur. Perdidas ali no meio, sem status de cabeça de chave, ainda estão Cibulkova, Schiavone, Mladenovic e Pironkova. E, claro, ela: Victoria Azarenka. Azar de Vika que seu recém-readquirido status como cabeça de chave não facilitou tanto sua vida. Logo na segunda rodada, a bielorrussa encara Flipkens ou Beck e, se avançar, terá pela frente Suárez Navarro ou Mladenovic. nas oitavas, enfrentaria Ivanovic ou Bencic (ou Pironkova). Nas quartas, de novo, Serena. Pode rir. É engraçado.

Sharapova não tem muito do que reclamar. Seu caminho até as quartas tem, como principais cabeças de chave, Begu, Pennetta e Petkovic. Só então a russa teria pela frente quem avançar na seção onde estão Karolina Pliskova, Stosur, Safarova, Strycova e Stephens. Dá até para a campeã de 2004 gastar umas duplas faltas antes de entrar na segunda semana, quando a coisa aperta.

A brasileira

Com Bia Haddad eliminada na primeira rodada do qualifying, é de Teliana Pereira, mais uma vez, a tarefa solitária de carregar as cores do Brasil (desde que não no uniforme branco que Wimbledon exige). A alagoana/pernambucana que também é paranaense ilustre, estreia contra Camila Giorgi, que vem de cinco vitórias seguidas – foi campeã do WTA de ‘s-Hertogenbosch. A italiana pode tanto fazer 27 duplas faltas (como fez em uma das partidas no torneio alemão) quanto fazer apresentações bem sólidas, jogando um tênis agressivo. Derrotá-la não é a mais fácil das tarefas para Teliana, mas está longe de ser impossível.

O que ver (ou não) na TV

Além de Teliana x Giorgi, tem coisa boa já na primeira rodada, a começar pelo duelo italiano entre Sara Errani e Francesca Schiavone, que também coloca em quadra um contraste gigante de estilos. Ainda no tema “compatriotas”, Hantuchova e Cibulkova também se enfrentam logo de cara. recomendo também ficar de olho em Lisicki x Gajdosova, nem que seja apenas porque a australiana merece ser vista enquanto estiver viva no torneio – o que não pode durar muito.

O que pode (ou não) acontecer de mais legal

Pelo menos na imprensa americana, já rola alguma expectativa para o duelo entre Venus e Serena Williams, que podem se encontrar nas oitavas. Teríamos dez títulos de Wimbledon em quadra, o que, convenhamos, não acontece todo dia. E pode não acontecer este ano – até porque Venus não tem lá ido tão longe em Slams ultimamente e não chega nas oitavas em Londres desde 2011. Mas seria bastante especial se as duas voltassem a se enfrentar na Quadra Central.

Outro confronto possível de oitavas de final é Ivanovic x Azarenka. Seria mais um desses jogos super badalados. São, afinal, duas ex-líderes do ranking mundial e que costumam fazer partidas interessantes. O problema é que a sérvia só chegou às oitavas em Wimbledon uma vez nos últimos cinco anos. Ah, sim: quem vencer essa parte da chave ganha como “recompensa” o direito de enfrentar Serena. A não ser que a americana fique pelo caminho, aí sim, esse Ivanovic x Azarenka ganha uma dimensão ainda maior.

As tenistas mais perigosas que ninguém está olhando

Não é exatamente o melhor momento da carreira de Tsvetana Pironkova, mas convém não ignorar totalmente uma pessoa que já fez semi e quartas de final em Wimbledon. Sua estreia já será interessante. A adversária será a suíça Belinda Bencic, que foi vice em ’s-Hertogenbosch e campeã em Eastbourne. Cabeça de chave 30, a jovem de 18 anos é favorita, mas terá pouco tempo de treino no All England Club. Existe um potencial nada minúsculo de zebra aqui.

Quem pode (ou não) surpreender

Um nome a ser considerado aqui é o de Dominika Cibulkova, que ficou quatro meses sem jogar, despencou no ranking e não aparece como cabeça de chave no Slam da grama. Em Eastbourne, derrubou Lucie Safarova antes de tombar diante de Pironkova. Seu caminho em Wimbledon não é dos mais fáceis. Estreia contra Hantuchova e pode enfrentar Serena já na terceira rodada. Impossível prever o que vai acontecer ali, mas se a número 1 fizer um daqueles (nem tão raros) inícios de torneio preguiçosos… Sei não.

Vale citar também a francesa Kristina Mladenovic, que tem ótimos saques e devoluções, embora não se defenda tão bem. Se conseguir impor seu jogo agressivo na grama, pode muito bem ir longe, até porque o sorteio não lhe foi nada cruel. Estreia contra Dulgheru e, se vencer, encara Suárez Navarro ou Ostapenko. Só então enfrentaria Vika na terceira rodada. Será?

Lisicki_W_FlorianEisele_AELTC_blog

As sacadoras

Sabine Lisicki chegou pelo menos às quartas de final de Wimbledon em sua últimas cinco participações e não por acaso alcançou a final em 2013 (com mais uma semi em 2011). Seu saque, o mais veloz do circuito, faz estrago no piso. Lisicki, aliás, tem dois recordes muito relevantes. Mais aces em um jogo (27, contra Bencic em Birmingham este ano) e o saque mais veloz da história (210 km/h em Stanford no ano passado). Para deixar tudo mais interessante, a alemã caiu numa seção da chave com Halep e Wozniacki como principais cabeças. A romena vem em momento nada empolgante, e a dinamarquesa nunca passou das oitavas na grama de Londres. Também por isso, Lisicki anda muito bem cotada para ir longe outra vez (vide o tópico seguinte).

Outro nome perigoso é do Karolina Pliskova, que, ouso dizer, depende um pouco menos do seu (ótimo) saque. Número 11 do mundo, a tcheca foi vice-campeã em Birmingham, onde perdeu a final no tie-break do terceiro set para Kerber porque fez 11 aces, mas ganhou muito pouco com seu segundo serviço. Se estiver com o golpe calibrado em Wimbledon, pode encontrar Stosur na terceira rodada e Safarova nas oitavas. E Pliskova tem retrospecto positivo contra ambas. Quem sabe a tcheca não encontra Sharapova nas quartas?

Nas casas de apostas

Na australiana sportsbet, Serena Williams lidera as cotações. Um título da número 1 do mundo paga 2,75 para cada “dinheiro” de quem apostou nela. O top 10 feminino em Wimbledon na casa ainda tem, por ordem, Kvitova (5,00), Sharapova (9,00), Azarenka (19,00), Kerber (21,00), Halep (21,00), Lisicki (21,00), Safarova (26,00), Radwanska (26,00) e Wozniacki (34,00).

Para os britânicos da William Hill, Radwanska está mais bem cotada, e Wozniacki fica fora da lista das dez mais. A ordem lá fica assim: Serena (7/4, ou seja, sete “dinheiros” para cada quatro apostados), Kvitova (7/2), Sharapova (10/1), Azarenka (16/1), Lisicki (20/1), Halep (20/1), Radwanska (25/1), Kerber (25/1), Safarova (25/1) e Stephens (33/1).


A volta de Venus e as quartas femininas
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Serena Williams, Maria Sharapova e Simona Halep seguem firmes e fortes no Australian Open. As três principais cabeças de chave mais Eugenie Bouchard formam o grupo das quatro favoritas que confirmaram seu status até as quartas de final. A outra metade das oito inclui a atual vice-campeã, Dominika Cibulkova, a “estreante” Madison Keys, a russa Ekaterina Makarova e uma velha conhecida, agora de volta às quartas: Venus Williams. É hora, então, de avaliar o que vem pela frente na chave feminina.

Venus_AO15_r16_get_blog

[1] Serena Williams x Dominika Cibulkova [11]

Maior e eterna favorita a qualquer coisa em qualquer galáxia que fabrique raquetes, Serena Williams foi finalmente testada nas oitavas, quando, mesmo não jogando mal, foi dominada por Garbiñe Muguruza no primeiro set. A número 1 do mundo, porém, elevou seu nível ao mesmo tempo em que a espanhola não conseguiu manter-se agressiva e precisa como antes. Uma boa prova de que Serena chega forte e, claro, favorita nas quartas. O retrospecto contra Cibulkova não atrapalha: quatro vitórias em quatro jogos, com apenas um set perdido. Não é por acaso que as casas de apostas pagam tão pouco (1:6 no caso da bet365).

Cibulkova, atual vice-campeã, do Australian Open, é a maior surpresa (para mim) deste grupo. Viveu um fim de ano nada animador em 2014 e abriu 2015 com uma vitória em três jogos. Em Melbourne, estreou contra a nada boba Kirsten Flipkens, que venceu o primeiro set. Quem achou (eu inclusive!) que a eslovaca ficaria pelo caminho bem cedo errou feio, errou rude. Ela não só virou o placar contra Flipkens como derrubou Pironkova e Cornet na sequência.

Seu maior momento, entretanto, veio nas oitavas, contra Victoria Azarenka. Vika já se colocava entre as favoritas após, superar, em sequência, Sloane Stephens e Caroline Wozniacki. Mas a bielorrussa não conseguiu se impor diante de Cibulkova. A diminuta Domi agrediu o tempo inteiro. Pressionou o saque de Azarenka e foi recompensada. Agora, nas quartas, chega confiante e, como ela mesma já afirmou em entrevistas, com a sensação de que Melbourne lhe faz muito bem – um elemento perigosíssimo para a campanha de Serena.

Madison Keys x Venus Williams [18]

Um confronto difícil de prever no começo do torneio. Keys, a menina que confirmou presença no Rio Open e depois mudou de ideia, jamais tinha ido tão longe num Slam, mas aproveitou a inconstância de Petra Kvitova e o buraco deixado na chave por Sam Stosur e Andrea Petkovic. No caminho contra Tsurenko, Dellacqua, Kvitova e Brengle, não perdeu um set sequer.

Venus não alcançava as quartas de um Slam desde 2010 (de 2011 até hoje, vem lutando contra a síndrome de Sjogren), mas mostra melhores condições físicas desde o segundo semestre do ano passado. Depois que a chave foi sorteada, não parecia nada improvável uma boa campanha da ex-número 1. Logo, sua chegada às quartas é uma zebra bem menor do que seu vestido nos leva a crer. E a vaga veio com vitórias sobre Torro-Flor, Davis, Giorgi e Radwanska. Nada mau.

As casas de apostas colocam Venus como favorita (4:7 contra 11:8 de Keys na bet365), mas tudo depende de como a veterana de 34 anos estará fisicamente. Keys precisa esticar as trocas de bola e deslocar a adversária. Não é fácil, mas não seria uma surpresa gigante se acontecesse.

Bouchard_AO15_r16_get_blog

[10] Ekaterina Makarova x Simona Halep [3]

Makarova fez o básico e o fez muito bem. Semifinalista do último US Open, a russa de 26 anos vem atingindo uma maturidade em seu jogo e administrando melhor as inconstâncias – que, vez por outra, ainda se manifestam em momentos nada agradáveis. Até agora, contudo, Katia não perdeu sets numa chave em que enfrentou Mestach, Vinci, Karolina Pliskova e Goerges. Aliás, perdeu só 23 games desde o início do torneio.

Em números, Makarova é melhor até do que Simona Halep, que cedeu 24 games e tampouco perdeu sets contra Knapp, Gajdosova, Mattek-Sands e Wickmayer. E mais do que isso: a romena só perdeu um set no ano e acumula nove vitórias consecutivas, pois foi campeã em Shenzhen antes de ir a Melbourne.

A consistência de golpes e o equilíbrio emocional pesam bastante a favor de Halep, que é favorita aqui. Makarova, contudo, tem o tipo de jogo que pode, quando tudo dá certo, derrubar qualquer adversária. Por enquanto, no papel, um triunfo russo não parece lá muito provável.

[7] Eugenie Bouchard x Maria Sharapova [2]

Bouchard avançou sem sustos, a não ser por um soluço autoinduzido (e rapidamente automedicado) no segundo set contra Irina-Camelia Begu, nas oitavas. A canadense de 20 anos agora tentará manter uma escrita: jamais perdeu nas quartas de final de um Grand Slam. Em seus três desafios anteriores, derrotou Kerber, Suárez Navarro e Ivanovic. O obstáculo, desta vez, promete é  bem mais espinhoso e mais alto (literalmente), além de oferecer um tabu próprio.

Maria Sharapova venceu as três partidas que fez contra Bouchard. Uma em Miami, quando Bouchard nem era top 100 ainda, e duas em Roland Garros, onde a tenista russa obteve seus melhores resultados em Grand Slams nas últimas três temporadas. De certo modo, é de se esperar que Melbourne seja uma espécie de “campo neutro”, ainda mais com o Genie Army preparado para atazanar a atual número 2 do ranking mundial.

Nas cotações, Sharapova é favorita – como deve ser. Histórico, momento (oito vitórias seguidas) e experiência pesam a favor. Mas, com o tênis jogado por ambas recentemente, me parece ser um daqueles confrontos em que “ganha quem estiver melhor no dia” – uma frase carregada de minúcias e bem menos óbvia do que parece.

Coisa que eu acho que acho:

– Meus palpites para os jogos são Serena, Keys, Halep e Sharapova. Torço por Serena, Venus, Makarova e … pouco me importa esse Genie x Maria.


Definindo o favoritismo de Sharapova
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Sharapova_RG_r2_get_blog

Em menos de 25 horas, Roland Garros perdeu as duas principais cabeças de chave de seu torneio feminino. Primeiro, foi Na Li, que tombou na estreia diante da francesa Kristina Mladenovic: 7/5, 3/6, 6/1). Nesta quarta-feira, foi a vez da poderosa Serena Williams, número 1 do mundo e atual campeã do torneio. Em uma jornada desastrosa, a americana venceu apenas quatro games diante da espanhola Garbiñe Muguruza: 6/2 e 6/2.

Em um dia, Maria Sharapova foi alçada à condição de favoritíssima ao título. Não (alerta de clichês!), nada está ganho. A russa ganhou apenas dois jogos e não foi espetacular em nenhum deles. Não é uma crítica. A moça nem foi exigida para tanto. Só que ninguém vem jogando tão bem com tanta frequência no saibro como Sharapova. É isso, no fim das contas, que define favoritismo. Especialmente quando tiramos da equação Serena Williams, a maior algoz da carreira da russa. As duas se enfrentariam nas quartas de final.

O caminho da ex-número 1 antes de chegar à final ainda pode ter a vice-campeão do Australian Open, Dominika Cibulkova, ou a australiana Samantha Stosur, vice de Roland Garros alguns anos atrás. No dia “certo”, qualquer das duas pode muito bem derrubar Sharapova. E é aí que entra o grande ponto do favoritismo. Como a chave se apresenta hoje, é muito possível que este jogo de oitavas de final seja o mais duro para a russa até a decisão.

A não ser, é claro, que Garbiñe Muguruza tenha na manga mais algumas atuações fantásticas como a desta quarta, contra Serena. Este, aliás, é outro ponto que vale ressaltar. A número 1 do mundo fez uma partida horrível para seus padrões, o que é indiscutível. O que não se pode deixar de notar, contudo, é que Muguruza não abriu uma fresta sequer para que Serena se encontrasse. A espanhola de 20 anos não aliviou, não amarelou e não se limitou a esperar as falhas da adversária. Foi impecável técnica e taticamente, o que é raríssimo de ver contra uma número 1.

Coisas que eu acho que acho:

– Meus últimos dias foram atribulados com alguns problemas “extraquadra” (coisas de gente “normal”, que precisa ir a bancos, cartórios, tratar de documentação disso e daquilo), por isso estou devendo um post sobre Teliana Pereira. Ele virá nesta quinta, com vitória ou derrota diante de Sorana Cirstea, ok? Agradeço a compreensão de quem compreender. 🙂


Campeã de simpatia
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

NaLi_AO_f_trofeu_get_blog

O favoritismo foi confirmado, e Na Li conquistou, neste sábado, o título do Australian Open. Um triunfo que esteve perto de acontecer em 2011, quando Kim Clijsters derrubou a chinesa na final, e novamente no ano passado, mas uma torção no tornozelo facilitou o caminho para Victoria Azarenka. Desta vez, Na Li aproveitou a chance de jogar a decisão contra Dominika Cibulkova, estreante em finais de Grand Slam, e saiu vitoriosa: 7/6(3) e 6/0.

Não foi uma partida brilhante tecnicamente (no primeiro set, a própria Na Li teve 13% de aproveitamento de primeiro serviço após três games de saque), mas teve seus momentos, especialmente no fim do primeiro set. A segunda parcial, com a chinesa mais calma e uma Cibulkova tensa e errática, foi um passeio. E quem não gostou do jogo – meu caso – foi recompensado com a cerimônia premiação. Depois de uma sorridente Cibulkova subir ao palco, Na Li deu mais uma amostra de por que é uma das tenistas mais queridas do circuito.

A número 3 do mundo (será esta sua posição na próxima lista) já iniciou a falar agradecendo a seu empresário com a espetacularmente simples frase: “Max, agent, make me rich, thanks a lot”. Algo como “Max, empresário, me faz rico, muito obrigado”. Em seguida, falou de seu fisioterapeuta, do técnico Carlos Rodríguez (o mesmo de Justine Henin) e, claro, de seu marido, Jiang Shan, famoso desde 2011 por ser alvo de piadas da número 1 chinesa.

“Claro, meu marido, famoso na China. Obrigado por largar tudo e viajar comigo. Ele é rebatedor, encordoador, conserta raquetes, tem muitos empregos. Então, muito obrigado, você é um cara legal”. E depois de arrancar gargalhadas do público com a última frase, ainda emendou: “Você é muito sortudo por me ter”. Mais risadas vieram na sequência. Precisava dizer mais?

Se não foi a mais espetacular das partidas ou a mais memorável das campanhas em um Grand Slam (Na Li bateu Ana Konjuh, Belinda Bencic, Lucie Safarova, Ekaterina Makarova, Flavia Pennetta e Eugenie Bouchard antes da final), foi um final feliz e diferente, sem as campeãs de sempre (leia-se Serena Williams), e bacana de ver.

Sem ir na toalha (para ler em até 20 segundos):

– Na Li ganha um posição no ranking e sobe para o terceiro posto, mas fica a apenas 11 pontos da vice-iderança, ocupada por Azarenka. Cibulkova, número 24, será a 13ª da lista da WTA na próxima segunda-feira. A novidade no top 10 é a romena Simona Halep, que derruba Caroline Wozniacki do grupo.

– Pela quinta vez na Era Aberta, uma tenista levanta o troféu do Australian Open depois de salvar match point. Antes, Monica Seles (1991), Jennifer Capriati (2002) e Serena Williams (duas vezes, em 2003 e 2005) já haviam conseguido o feito. Na Li escapou por pouco da eliminação na terceira rodada, quando Lucie Safarova esteve a um ponto de avançar, mas não aproveitou a chance.

– Na Li agora soma 12 vitórias consecutivas e segue invicta em 2014. Antes de disputar o Australian Open, a chinesa jogou o WTA de Shenzhen, em seu país, e somou cinco triunfos: Zvonareva, Kichenok, Niculescu, Beck e Peng.

Coisas que eu acho que acho:

– Importante lembrar: o empresário de Na Li é o americano Max Eisenbud, o mesmo de Maria Sharapova – ele também é sócio da marca Sugarpova. No caso da chinesa, Eisenbud foi o responsável por algo inédito. Até pouco tempo atrás, a Nike, patrocinadora de Na Li, não permitia que seus tenistas usassem marcas de outros patrocinadores em suas mangas. A gigante americana, no entanto, abriu exceção para Na Li após o título de Roland Garros/2011.


Zebrinha, zebra, zebraça: duelos inesperados nas quartas
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Teve zebra pequena, média e grande. As oitavas de final femininas do Australian Open não foram nada, nada entediantes. As eliminações de Serena Williams, Maria Sharapova e Jelena Jankovic deixaram as quartas de final com um punhado de encontros que ninguém previa há uma semana, quando a chave foi sorteada. Agora, à exceção de Victoria Azarenka, que em jogando um tênis muito, muito sólido, nenhum nome é favorito indiscutível. Vejamos os confrontos:

Ivanovic_AO_4r_get8_blog

[14] Ana Ivanovic x Eugenie Bouchard [30]
As devoluções agressivas (e arriscadas) de Ana Ivanovic funcionaram contra Serena Williams, que, sejamos justos, não estava com 100% de condições. Mesmo assim, a sérvia fez uma partidaça, e até seu serviço segurou a onda. Pela maior experiência, tanto quanto pela dose de confiança injetada pelo último triunfo, a ex-número 1 é a mais cotada para alcançar as semis.

Bouchard demorou a se impor contra Dellacqua nas quartas, diante da torcida australiana. Quando o fez, dominou a partida e só perdeu dois games depois da primeira parcial. Além do fator experiência, resta saber como a canadense lidará com a pressão exercida pelas devoluções de Ivanovic.

Em tempo: quero um dólar australiano para cada vez que veículos de imprensa usarem a expressão “duelo de musas” neste jogo aqui.

[4] Na Li x Flavia Pennetta [28]
Se a vitória apertada contra Lucie Safarova levantou dúvidas, a vitória maiúscula de Na Li sobre Ekaterina Makarova (6/2 e 6/0) deve deixar os fãs da chinesa animados. Ainda que a cabeça de chave 4 não seja a mais consistente das atletas, o favoritismo ainda é dela nesta rodada aqui.

Flavia Pennetta vem de um belo resultado contra Angelique Kerber, cabeça 9. É verdade que a alemã não fazia um belo torneio e também é inegável que a italiana não foi tão segura assim quando teve a chance para fechar o jogo. Entretanto, Pennetta parece ter o jogo ideal para aproveitar uma jornada abaixo da média de Na Li. O jogo deve ser decidido na raquete da chinesa, que arrisca muito mais. Para um lado ou para o outro.

Azarenka_AO_r16_get3_blog

[11] Simona Halep x Dominika Cibulkova [20]
Enquanto todos olhos voltavam-se para jogos mais “quentes” distribuídos pela chave ao longo do torneio, Halep veio quietinha, sem chamar atenção. Quando encarou uma Jankovic que havia sido pouco exigida, aproveitou. Agora, além de fazer a melhor campanha da carreira em um Slam, está perto de entrar no top 10 e tem uma partida bastante ganhável pela frente.

O cenário não é muito diferente para Cibulkova, que fez três rodadas impecáveis e derrotou uma errática Sharapova nas oitavas. A eslovaca vem jogando bem e tenta ir à semi de um Slam pela segunda vez na vida. Não arrisco palpite aqui. Pode ser daqueles jogos que terminam em terceiro set longo, mas também pode terminar rapidinho, com Cibulkova cometendo uma penca de erros não forçados.

[5] Agnieszka Radwanska x Victoria Azarenka [2]
Quando entrou em quadra para enfrentar Sloane Stephens, nas oitavas, Vika já sabia que Serena e Sharapova haviam dado adeus. O favoritismo já estava inteir na bielorrussa. Pressão? Se sentiu, não acusou. Azarenka joguo um belo e sólido tênis para abater a americana por 6/3 e 6/2. É favoritíssima para fazer o mesmo agora, diante de Agnieszka Radwanska.

A polonesa vem crescendo na competição e deu uma aula em cima da espanhola Garbiñe Muguruza, mas seu retrospecto contra Azarenka diz muito sobre o que pode acontecer neste confronto aqui. Aga venceu a rival pela última vez em 2011 e já sofreu sete reveses consecutivos desde então. Suas variações pouco incomodam a bielorrussa, que costuma usar sua potência para ditar os pontos. A número 2 do mundo ainda tem em sua vantagem uma combinação mortal: suas ótimas devoluções fazem um belo de um estrago no serviço nada ameaçador de Radwanska.


Favoritas e promessas nas oitavas femininas
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Foram só três jogos, e alguns quase irrelevantes para as favoritas, mas o Australian Open chega ao fim de sua primeira semana com as oitavas de final femininas definidas. De Serena Williams, número 1 do mundo, a Casey Dellacqua, a australiana que ganhou um wild card e não perdeu um set sequer, vejamos os confrontos e em que forma estão as 16 tenistas vivas no torneio.

Ivanovic_AO_r3_get_blog

[1] Serena Williams x Ana Ivanovic [14]
Seria “o” jogo se Samantha Stosur tivesse avançado até aqui para enfrentar a americana, mas ainda assim temos um dos confrontos mais interessantes das oitavas, envolvendo campeãs de Grand Slam e uma ex-líder do ranking contra a atual número 1. Até agora, Serena foi soberana e não há motivos para que ela não seja considerada favorita (e continuará assim até o fim do evento, suspeito).

Ivanovic, por sua vez, está invicta na temporada, já somando oito triunfos e o título de Auckland – sobre Venus Williams. Em Melbourne, seu grande teste foi contra Stosur, que nem jogou tão mal quanto costuma em casa. Como já vinha fazendo em Auckland, a sérvia foi agressiva e precisa nas devoluções, sempre posicionada dentro da quadra e tentando tomar o controle dos ralis.

Contra o serviço de Serena Williams, a tarefa não será tão fácil. Assim como não será tão simples fugir do backhand, seu golpe mais frágil. Sem falar que o instável saque de Ivanovic enfrentará a melhor devolução do mundo. Esperemos um jogo com poucos ralis, e Serena saindo vitoriosa.

[WC] Casey Dellacqua x Eugenie Bouchard [30]
Dellacqua é a típica história feliz de um tenista fazendo sucesso inesperado em casa. Ganhou wild card e derrotou uma Vera Zvonareva ainda sem ritmo na estreia, emendando com boas atuações e vitórias sobre Flipkens, cabeça 18, e Zheng. Atual número 120 do mundo, terá a torcida local a seu lado para tentar ir às quartas e conquistar o melhor resultado da carreira em um Grand Slam.

Genie Bouchard é um dos maiores talentos em ascensão no circuito. Aos 19 anos, é a mais jovem entre as pré-classificadas em Melbourne e vem aproveitando a chance de jogar um Slam como cabeça de chave pela primeira vez. Até agora, fez o dever de casa contando com uma torcida curiosa (leia aqui). Chega a vez de enfrentar o público australiano. No papel, é a favorita. Resta saber como a canadense lidará com a situação inédita.

Makarova_AO_1r_div_blog

[4] Na Li x Ekaterina Makarova [22]
A chinesa, cabeça 4, não foi eliminada por uns cinco centímetros na última rodada, quando Lucie Safarova teve match point, arriscou uma paralela e viu a bola sair por muito pouco. A questão que fica no ar é: a atuação da terceira rodada foi só um dia ruim ou um indício de que Na Li não está com o jogo tão calibrado quanto precisa para ir longe no Australian Open?

Makarova fez o melhor em um trecho complicado da chave. Estreou derrotando Venus Williams e, na terceira rodada, escapando de um confronto com Sabine Lisicki, superou Monica Niculescu. Não é a primeira boa campanha da russa em Melbourne. Em 2012, eliminou Zvonareva (7 do mundo na época), Serena Williams e parou nas quartas. Em 2013, passou por Bartoli (cabeça 11) e Kerber (5) e também alcançou as quartas. Ainda que não seja a favorita, Makarova não é tão zebra assim. Pode ser uma bela partida.

[9] Angelique Kerber x Flavia Pennetta [28]
Cabeça 9, Kerber teve uma pitada de sorte na sua caminhada até agora. Passou por uma lesionada Jarmila Gajdosova na estreia e enfrentou adversárias de nível bem inferior na sequência (Kudryavtseva e Riske). E também, sejamos justos, escapou de enfrentar Kvitova nas oitavas.

Ainda que instável, a tcheca teria potência para dominar as trocas de bola com a alemã. Não é o caso de Flavia Pennetta, que passou por Cadantu, Puig e Barthel sem perder um set sequer. Ainda que não pegue tão forte na bola, a italiana costuma dar trabalho à alemã e venceu o último encontro em quadras duras (Auckland/2012). Pode fazer o mesmo aqui. É uma partida bem difícil de prever.

Cibulkova_AO_1r_get_blog

[8] Jelena Jankovic x Simona Halep [11]
Não é segredo que esta seção da chave é um tanto fraca, e Jankovic não foi a mais testada das tenistas. Algum japonês, contudo, pode ficar ofendido com minha afirmação. Afinal, a sérvia ex-número 1 do mundo só encarou nipônicas até agora: Misaki Doi, Ayumi Morita e Kurumi Nara. Difícil julgar em que nível está realmente o tênis de Jelena. Nas oitavas, será exigida de fato pela primeira vez..

Halep fez um jogo duro contra Lepchenko e venceu de virada: 4/6, 6/0 e 6/1. Nos outros dois confrontos (Piter e Diyas), venceu fácil. A romena deve entrar confiante para este jogo, nem que seja pelo retrospecto favorável de duas vitórias em três jogos contra a sérvia. Todos duelos, entretanto, terminaram no terceiro set, com parciais de 7/5 ou 7/6. Podemos esperar algo equilibrado mais uma vez.

[20] Dominika Cibulkova x Maria Sharapova [3]
Outro jogão das oitavas. Cibulkova, sem chamar muita atenção, foi quem menos cedeu games até agora. E sua seção da chave não era das mais simples. A eslovaca derrotou Schiavone (6/3 e 6/4), Voegele (6/0 e 6/1) e Suárez Navarro (6/1 e 6/0). Quando está sólida do fundo de quadra, a diminuta tenista consegue compensar bem a deficiência de seu serviço.

O ótimo momento de Cibulkova contrasta com as dificuldades encontradas por Sharapova nas últimas duas rodadas. Na segunda fase, esteve a dois pontos de ser eliminada por Karin Knapp e só venceu por 10/8 no terceiro set. Neste sábado, complicou um jogo tranquilo com Alizé Cornet e teve de salvar set point antes de vencer por 6/1 e 7/6(6). O confronto com Cibulkova, que tem duas vitórias em cinco duelos, parece ser um divisor de águas para Sharapova no torneio. Ou a russa encontra seu melhor jogo até este domingo ou corre o risco de, de repente, encontrar-se no camarote vendo o namorado nas oitavas.

Muguruza_AO_3r_get_blog

[5] Agnieszka Radwanska x Garbine Muguruza
Pegando emprestado um clichê dos amigos do futebol, Radwanska venceu, mas não convenceu. Passou por Putintseva, Govortsova e Pavlyuchenkova, mas não esteve perto de seu melhor tênis na maior parte do tempo. A polonesa parecia, sim, perto da eliminação quando Pavlyuchenkova abriu 7/5 e 2/0, mas a inconstância da adversária lhe salvou do pior.

Muguruza é a sensação do torneio. Jogando um tênis agressivo, ideal para as quadras deste ano em Melbourne, e cheia de confiança, a espanhola de 20 anos já soma 11 vitórias em 2013. Antes do Australian Open, jogou o quali de Hobart e foi campeã sem perder sets. No caminho, aplicou quatro pneus. Agora, vem de uma vitória maiúscula sobre Caroline Wozniacki. A questão aqui é simples: a variação de jogo imposta por Radwanska vai conseguir quebrar o ritmo de Muguruza? Ou a espanhola vai usar suas pancadas do fundo de quadra para comandar o duelo?

[13] Sloane Stephens x Victoria Azarenka [2]
Impossível não lembrar da polêmica criada (principalmente pela imprensa dos Estados Unidos) quando Azarenka pediu um tempo médico no segundo set e derrotou a americana nas semifinais. Houve quem sugerisse que a bielorrussa agiu de forma antiesportiva e que, só por isso, saiu vencedora. O assunto certamente voltará à tona neste dias.

Polêmica ou não, Azarenka vinha comandando a partida até perder o serviço quando tinha 5/3. E a número 2 do mundo deve ser considerada favorita aqui novamente. Não só por ser uma tenista com mais recursos do que sua adversária, mas porque Stephens avançou com dificuldade até as oitavas, jogando de forma inconsistente tanto contra Shvedova quanto contra Tomljanovic, que chegou a sacar para o jogo. Svitolina, sua oponente na terceira rodada, também abriu 5/3 no set inicial. É difícil imaginar Azarenka tendo chances semelhantes e não aproveitando. Tudo sugere que veremos a bielorrussa nas quartas.