Saque e Voleio

Wimbledon, dia 8: Venus Voltou

Alexandre Cossenza

05/07/2016 14h26

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Mais de cinco anos depois, Venus Ebony Starr Williams está na semifinal de um torneio do Grand Slam. Aos 36 anos, a ex-número 1 do mundo, que poderia ter se aposentado milionária e realizada quando foi diagnosticada com Síndrome de Sjogren em 2011, agora briga pelo título de Wimbledon, onde já foi campeã cinco vezes (2000, 2001, 2005, 2007 e 2008).

“Eu não conseguia levantar meu braço acima da cabeça, a raquete parecia concreto. Eu não sentia nada nas mãos. Elas estavam inchadas e coçando. Eu vi que seria uma apresentação triste”, contou a americana, tempos atrás, sobre o US Open de 2011, quando desistiu de entrar em quadra antes de enfrentar Sabine Lisicki. Pouco depois daquele momento, anunciou seu diagnóstico ao mundo.

Houve momentos difíceis. Para o espectador, a sensação era de agonia. Em certos momentos, Venus se arrastava em quadra. Estava longe do auge. Poderia ter encerrado a carreira ali. Segundo alguns, deveria ter parado. Não desistiu. Lutou contra o corpo, contra os prognósticos e contra adversárias 15 anos mais novas. Hoje, está de volta às semifinais de um Slam. E que retorno!

O jogo de quartas de final contra Yaroslava Shvedova #(96) só teve drama no set inicial, quando a cazaque salvou set point em seu serviço e depois sacou em 5/4 no tie-break. Mas não foi esse o maior obstáculo neste torneio. Duro mesmo deve ter sido fechar a partida contra Daria Kasatkina (#33) na última sexta-feira, um jogo que terminou em 10/8 no terceiro set, com Venus acumulando quase 7 horas em quadra num período de 24 horas – sem falar nas esperas forçadas pela chuva.

O jogo mais esperado

A adversária de Venus saiu do badalado Angelique Kerber (#4) x Simona Halep (#5), que não foi um jogaço como muitos imaginavam, mas também não foi dos piores. Foram muitas as variações, com as duas oscilando um bocado e confirmando pouco os games de serviço (13 quebras em 24 games). A alemã foi melhor nos momentos importantes e avançou por 7/5 e 7/6(2), marcando um jogão contra Venus Williams (#8) nas semifinais.

Kerber já repete sua melhor campanha em Wimbledon (também foi à semi em 2012) e chega com moral, sem perder nenhum dos dez sets jogados até agora. Ainda que sua chave não tenha sido das mais duras (bateu Robson, Lepchenko, Witthoeft e Doi), a alemã, com sua ótima movimentação e um contra-ataque invejável, serão um desafio e tanto para Venus.

Na semi, a chave para a alemã será manter seu serviço, que não é dos mais confiáveis. É de se esperar que Kerber leve vantagem do fundo de quadra. Não pela potência de seus golpes, mas pela consistência e por sua velocidade, que dificultarão as subidas à rede de Venus. A americana terá de sacar muito bem e ser muito precisa nos ataques, planejando e executando bem as subidas. Não vai ser fácil – como não foi para Serena na final do Australian Open.

A outra semi

Como era esperado, Serena Williams bateu Anastasia Pavlyuchenkova (#23). Se não foi um passeio, foi uma vitória relativamente tranquila, com apenas duas quebras de saque. Uma no nono game do primeiro set e outra no décimo da segunda parcial. A número 1 do mundo não foi ameaçada.

Sua adversária será a grande surpresa das semifinais: Elena Vesnina (#50), que fez uma bela partida, mas também se aproveitou de uma grande atuação de Dominika Cibulkova (#18), que não parecia recuperada fisicamente da longa partida contra Agnieszka Radwanska 24 horas antes. No fim, Vesnina fez 6/2 e 6/2 e ganhou o direito de desafiar a número 1. Não será fácil.

O brasileiro

Único brasileiro restante no torneio, Bruno Soares finalmente conseguiu a vaga nas quartas de final. Depois de dois match points não convertidos e um quinto set dramático e inacabado na segunda-feira, ele e Jamie Murray finalmente conseguiram eliminar Michael Venus e Mate Pavic. O placar final mostrou 6/3, 7/6(3), 4/6, 4/6 e 16/14, em 5h03min!

Soares e Murray agora vão enfrentar os vencedores do jogo entre Pospisock (Pospisil e Sock para os iniciantes) e Benneteau/Roger-Vasselin. Brasileiro e britânico, lembremos, estão do mesmo lado da chave de Bob e Mike Bryan. Seria um eventual confronto de semifinal.

O homem que faltava

Tomas Berdych (#9) deveria ter fechado o jogo na segunda-feira, mas não conseguiu converter nenhum dos cinco match points e viu o compatriota Jiri Vesely (#64) forçar o quinto set. Quando a partida recomeçou nesta terça, Berdych saiu na frente, perdeu o serviço, mas teve ajuda do compatriota, que foi quebrado pela segunda vez ao cometer uma dupla falta. O top 10 tcheco, então, aproveitou e avançou ao fazer 4/6, 6/3, 7/6(8), 6/7(9) e 6/3.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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