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Categoria : Maria Sharapova

Sharapova, agora ‘sem culpa significativa’
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Alexandre Cossenza

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Maria Sharapova teve sua punição por doping reduzida. Antes condenada a dois anos de suspensão por ingestão de meldonium (leia mais aqui), a tenista russa viu a Corte de Arbitragem do Esporte (CAS, na sigla original em francês) diminuir o período para 15 meses. Na prática, a ex-número 1 estará liberada para competir no fim de abril de 2017.

Mas o que mudou para que a punição fosse reduzida? Na prática, nada. Os relatos dos fatos foram os mesmos. A diferença está na interpretação da CAS. A Corte, que tradicionalmente reduz consideravelmente penas por doping, analisou que Sharapova não teve culpa significativa. Essa visão foi diferente da do tribunal independente formado pela ITF, que julgou a russa inicialmente.

Enquanto o tribunal considerou que Sharapova teve culpa significativa ao delegar a conferência de substâncias antidoping a seu empresário, Max Eisenbud, a CAS avaliou que que a opção pelo empresário foi razoável. Logo, a tenista não teve a tal “culpa significativa”. Por isso, optou por reduzir a pena.

Quanto a Eisenbud, a CAS considerou válida a escolha do empresário por uma série de fatores. Pesou a favor dele o histórico positivo de respeito às regras antidoping, seja preenchendo os formulários de whereabouts de Sharapova ou realizando pedidos de isenção de uso terapêutico. Além disso, a CAS enfatizou que ninguém precisa ter treinamento específico em antidoping para conferir se uma substância faz ou não parte de uma lista.

A CAS, entretanto, não deixou de apontar as falhas de Sharapova. Segundo o painel de árbitros, a russa não instruiu Eisenbud sobre como fazer tal conferência e não estabeleceu um procedimento para supervisionar o trabalho de seu empresário no quesito antidoping. Por isso, a CAS considerou que Sharapova teve “algum grau de culpa” e que ela mostrou “percepção reduzida do risco que estava correndo ao ingerir” meldonium.

Ranking zero

Agora, com a decisão do CAS, é possível falar com certeza. Sharapova estará liberada no fim de abril, e seu primeiro torneio deve acontecer em maio. Por ter ficado mais de um ano afastada, estará sem pontos e sem ranking. Precisará de wild cards para qualquer torneio. E será que algum evento negará? Difícil imaginar isso acontecendo, especialmente com um nome de peso que vende ingressos e leva público (e dinheiro) ao tênis.

Comemoração nível ‘absolvição’

No fundo, Sharapova ainda não se desapegou da raiva que tomou da ITF. Afinal, é a Federação, sempre, quem pede a punição nos casos de doping. Como fica claro no comunicado publicado nesta terça, a ex-número 1 do mundo ainda culpa parcialmente a ITF pelo seu doping. Para a tenista, a federação deveria ter avisado de forma mais enfática. “Aprendi muito e espero que a ITF também tenha aprendido. A CAS concluiu que ‘o painel [de arbitragem] determinou que não concorda com muitas das conclusões do Tribunal [da ITF]’…”

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A punição diminuiu, mas a mágoa ficou. Sharapova sempre assumiu a responsabilidade pela ingestão de meldonium, mas continua direcionando ataques contra a ITF. Não importa que nenhum outro caso semelhante tenha acontecido (nem Varvara Lepchenko, que usava meldonium, continuou a tomar a substância depois de 1º de janeiro, quando passou a integrar a lista de medicamentos proibidos), Sharapova continua falando como vítima da ITF. Não é bem essa a situação. E o fato de ela estar comemorando uma punição de “apenas” 15 meses diz muito sobre isso.


Os sete erros de Sharapova (e as doídas lições do tribunal)
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Alexandre Cossenza

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A notícia todo mundo já sabe. Maria Sharapova, flagrada em um exame antidoping durante o Australian Open, foi suspensa por dois anos e só poderá voltar a jogar tênis competitivo a partir de 25 de janeiro de 2018. O exame da tenista russa apontou a presença de meldonium, substância proibida desde 1º de janeiro deste ano. Nesta quarta-feira, a Federação Internacional de Tênis (ITF) divulgou a decisão do Tribunal Independente que julgou Sharapova.

O mistério, como o próprio tribunal delineou na decisão, era “como uma jogadora de elite na posição de Sharapova, com assistência de um time profissional incluindo o melhor aconselhamento esportivo e médico possível, se colocar na posição de tomar uma substância proibida, como admitido, antes de cada uma das cinco partidas que ela disputou no Australian Open.”

Muitas das respostas que Sharapova não deu naquela coletiva mal planejada do dia 7 de março vieram à tona agora. E foram muitas as falhas da tenista russa e de seu empresário, Max Eisenbud. O tribunal não perdoou. Vejamos, então, quais foram as falhas mais graves da ex-número 1 do mundo, como ela tentou se defender e como o tribunal reagiu às alegações.

1. Sharapova sabia que meldonium lhe dava benefícios esportivos

A própria defesa de Sharapova deixa isso claro apresenta uma dos recados do Dr. Anatoly Skalny, responsável por tratar a tenista russa em 2006 e prescrever uma lista de 18 substâncias a serem ingeridas. Uma delas era o meldonium. Em uma das mensagens, o Dr. Skalny especifica como o meldonium (ou Mildronate, seu nome comercial) deve ser ingerido. O médico recomenda a ingestão de dois comprimidos uma hora antes de partidas e, em caso de jogos de “especial importância”, três a quatro comprimidos.

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É bom ter em mente que naquela época meldonium não era uma substância proibida. No entanto, a prescrição detalhada sugere que Sharapova sabia, sim, que meldonium lhe dava benefício competitivo. Caso contrário, por que aumentar a dose em partidas mais importantes?

2. Automedicação

Sharapova continuou com acompanhamento do Dr. Skalny até 2012. Era ele que verificava se algum dos remédios prescritos fazia parta da lista de substâncias proibidas pela Agência Mundial Antidoping (Wada). Ele obtinha, anualmente, um certificado do centro antidoping de Moscou. O certificado mais recente apresentado por Sharapova data de 11 março de 2010. Naquela época, a lista de substâncias recomendadas pelo médico chegava a trinta (!).

No fim de 2012, Sharapova decidiu mudar o rumo de sua dieta nutricional. Cansada de tomar tantos comprimidos, dispensou o Dr. Skalny e passou a seguir as orientações de um nutricionista (Nick Harris). No entanto, a tenisya decidiu por conta própria continuar a tomar três das substâncias indicadas por Skalny: Magnerot, Riboxin e, sim, Mildronate.

Quando questionada sobre os motivos das três substâncias, Sharapova alegou apenas que o Dr. Skalny colocou ênfase especial nesses três medicamentos.

3. Segredo sobre a medicação

Não, a russa não consultou outro médico sobre o uso de meldonium. Ela também escondeu de seu nutricionista a continuidade com a substância. Segundo a defesa da tenista, apenas o pai de Sharapova e o empresário, Max Eisenbud, sabiam da ingestão de meldonium. O uso tampouco foi relatado pela ex-número 1 nos formulários de controle antidoping preenchidos por ela em 2014 e 2015.

A decisão do tribunal considerou que “sua omissão em relação às autoridades antidoping e sua própria equipe sobre o fato de ainda estar usando Mildronate em competição para melhoria de desempenho foi uma quebra muito séria de seu dever de cumprir com as regras. Sua conduta foi muito séria em termos de sua culpa moral e significativa no efeito causal da contravenção. Se ela tivesse sido transparente com as autoridades antidoping, seu time ou os médicos que consultou, é provável que ela teria sido avisada sobre a mudança na lista de substâncias proibidas e evitaria uma contravenção.”

Essa parte é realmente um mistério. Por que esconder a informação de tanta gente? Especialmente quando meldonium nem era uma substância proibida?

4. Falta de atenção quanto aos avisos sobre a mudança na lista da Wada

Essa todo mundo sabe. Embora Sharapova tenha escrito um textão questionando os “vários avisos” sobre a mudança na lista de substâncias proibidas, é inquestionável que houve várias oportunidades para que ela soubesse da alteração. O tribunal deixa isso bem claro em sua decisão, lembrando que a lista nova foi publicada em 29 de setembro de 2015 e que a lista incluía um resumo das principais modificações. A ITF publicou em seu site os mesmos documentos.

“Qualquer jogador que quisesse checar no site da ITF as mudanças na lista de substâncias proibidas era direcionado ao documento da Wada com o resumo das alterações. O documento declarava claramente que meldonium (Mildronate) havia sido adicionado à lista.”

Além disso, a ITF distribui anualmente um wallet card (um desses cartões como o de seguradoras e planos de saúde) que lista substâncias e métodos proibidos pela Wada. Sven Groeneveld, técnico de Sharapova, recebeu dois desses cartões em janeiro de 2016. Há versões diferentes sobre quando e onde isso aconteceu, mas ninguém contesta que Maria Sharapova não leu esse cartão nem em 2016 nem em anos anteriores.

5. Confiança excessiva no empresário

Essa é a parte mais surreal da história. O empresário de Sharapova classifica o episódio como um erro administrativo e assume a culpa. Era ele quem deveria ter conferido a lista de substâncias proibidas. Afinal, Eisenbud, sabe-se lá por que motivo, era o único do time que sabia da ingestão de meldonium.

Aqui, já há um contraste com a explicação dada por Sharapova na coletiva de março, quando a tenista assumiu a culpa por não ter verificado a lista por conta própria. Diante do tribunal, foi o empresário que ofereceu o pescoço à guilhotina. Mais uma tentativa, ao que parece, de reduzir o grau de culpa de sua galinha dos ovos de outro.

Mas a história fica mais estranha ainda quando Eisenbud explica seu costume de conferir a lista de substâncias proibidas, que consistia em sentar à beira de uma piscina no Caribe e conferir tudo que seus atletas estavam ingerindo.

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Em 2015, no entanto, Eisenbud se divorciou e não foi passar as férias no Caribe. Portanto, não fez a devida conferência. Conclui-se que Sharapova foi flagrada em um antidoping porque seu empresário não tirou férias no Caribe, então?

O tribunal não perdoou. A decisão diz que o empresário sabia da possibilidade de consultar a WTA para saber se um medicamento era permitido e questiona a capacidade de Eisenbud, que sequer “poderia ter começado a conferir as substâncias na lista”. O texto também indaga “por que seria necessário levar um arquivo ao Caribe para ler à beira da piscina quando um email poderia ter fornecido a resposta”.

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De novo: se era uma tentativa de aliviar parte da culpa da tenista, a defesa errou rude. O tribunal, em suas considerações finais, argumenta que “a maneira completamente inadequada com que ele [Eisenbud] alegou realizar suas conferências não chega perto de isentar o dever do jogador de cautela máxima.”

6. Espera por tratamento especial

A ex-número 1 argumentou que deveria ter recebido um alerta já que a ITF sabia – ou deveria saber – que Sharapova e vários outros tenistas usaram meldonium em 2015. Por isso, segundo a tenista, a entidade deveria ter tomado medidas especiais para avisá-la (e os outros atletas) sobre a adição de meldonium na lista.

A defesa da russa usa como base os 24 testes de tenistas que deram positivo para meldonium em 2015. O problema é que a ITF não sabia disso em dezembro de 2015. Os resultados só foram enviados para a entidade em março de 2016. Além disso, dos 24 testes positivos, cinco eram de Sharapova. Logo, como conclui o tribunal, “mesmo se a ITF houvesse sido notificada dos resultados dos testes do programa de monitoramento, não teria necessariamente concluído que havia no tênis, em contraste com outros esportes, amplo uso de meldonium.”

Neste caso específico, não fica totalmente claro se Sharapova, de fato, esperou tratamento especial por parte da ITF. Soa mais como um argumento que busca uma espécie de atenuante, tentando jogar parte da culpa para a federação. De qualquer modo, foi mais um fiasco retumbante.

7. Menosprezo quanto à importância dos formulários de antidoping

Quando um atleta se submete a um exame antidoping, precisa preencher um formulário listando todos medicamentos de que fez uso nos sete dias anteriores à coleta. Não, a Wada não espera que nenhum trapaceiro vá admitir estar fazendo uso de anabolizantes, por exemplo. Mas a omissão de meldonium por parte de Sharapova podia dar a entender que ela tinha intenção de trapacear.

Sharapova admitiu ter desprezado a lista. “Não achei que era uma responsabilidade ter de anotar cada match drink que estava tomando, cada gel ou vitamina que estava tomando, mesmo que tivesse acontecido só uma vez nos últimos sete dias. Não achei que fosse de grande importância.”

Nos formulários apresentados, Sharapova havia listado vitamina C, Omega 3, Biofenac, Voltaren, Veramyst e melatonina. “Na maioria dos casos, ela listou apenas duas dessas substâncias em cada formulário, então a lista não ficaria muito longa se ela incluísse Mildronate”, apontou a decisão. O texto do tribunal, aliás, foi incisivo:

“Se ela acreditasse que havia uma necessidade médica para usar Mildronate, teria consultado um médico. A maneira de seu uso, em dias de jogo e quando em intenso treinamento, só é consistente com a intenção de aumentar seus níveis de energia. Pode ser que ela genuinamente acreditasse que Mildronate tinha algum benefício geral sobre sua saúde, mas a maneira com que a medicação foi tomada, sua omissão das autoridades antidoping, sua falha ao revelar para seu próprio time, e a falta de qualquer justificativa médica deve levar inevitavelmente à conclusão de que ela tomou Mildronate para o propósito de melhorar seu desempenho.”

Coisas que eu acho que acho:

– De tudo que li nas 33 páginas do documento que explica o julgamento, vários argumentos usados pelos advogados de Sharapova são indefensáveis. O último deles é um apelo ao princípio da proporcionalidade, dizendo que qualquer período de inelegibilidade afetaria Sharapova de forma desproporcional, causando a ela uma perda substancial de renda e patrocínios, além da exclusão dos Jogos Olímpicos de 2016 e danos irreparáveis à sua reputação.

– O tribunal dá uma lição de moral na resposta, afirmando que “não há nada injusto na aplicação justa e igualitária das regras a esta jogadora como a qualquer outro atleta sujeito ao Código da Wada, seja profissional ou amador.”

– Dito tudo isto, Sharapova foi punida com dois anos porque seu doping foi considerado não intencional (e a Nike já até reativou o patrocínio). Ou seja, o tribunal considerou que, embora ela soubesse dos benefícios do meldonium, desconhecia a presença da substância na lista da Wada. Quando o doping é intencional, a punição pode chegar a quatro anos de suspensão.

– Em seu perfil no Facebook, Sharapova diz que não pode aceitar “uma suspensão injustamente dura de dois anos” e que vai apelar à Corte Arbitral do Esporte (CAS).


O doping de Sharapova: há mais atenuantes ou agravantes?
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Alexandre Cossenza

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Maria Sharapova testou positivo para meldonium, substância proibida pela Agência Mundial Antidoping (Wada) desde 1º de janeiro de 2016. Sim, isso todo mundo já sabe. O planeta inteiro também já sabe que a tenista russa deu uma coletiva, disse tomar a substância há dez anos e assumiu a responsabilidade por não ter conferido a lista atualizada pela Wada. Segundo Sharapova, o doping foi resultado de um descuido, uma negligência, sem a intenção de melhorar seu desempenho.

A questão toda é que menos de 48 horas depois, muitas informações vieram à tona, e quase nenhuma delas favorece a versão dada pela ex-número 1 do mundo. E como Sharapova preferiu dar a notícia antes que a ITF se manifestasse, os (poucos) jornalistas presentes na coletiva foram pegos de surpresa. Não se sabia (e mal havia) o que perguntar no dia. Agora, com informações apuradas e reações nada favoráveis dos patrocinadores, um punhado de perguntas fica sem resposta da tenista russa, o que não é nada bom para ela. Vejamos o que ficou no ar.

1. Por que meldonium?

O remédio tomado por Sharapova é proibido para consumo humano nos Estados Unidos. Ainda assim, a russa, que mora no país, fez uso dele por dez anos. Tudo bem, meldonium pode ser comprado sem prescrição no leste europeu. O que soa estranho é que Sharapova e seu advogado, que deu entrevistas após a coletiva, nunca especificaram o motivo da ingestão de meldonium.

A ex-número 1 disse apenas que “ficava doente com muita frequência, tinha deficiência de magnésio, resultados irregulares em eletrocardiogramas e um histórico familiar de diabetes. Foi um dos medicamentos, junto com vários outros, que recebi.” A explicação nada específica levanta as seguintes perguntas:

– Durante esses dez anos, Sharapova nunca se interessou em saber quais medicamentos tratavam quais sintomas?

– Sharapova tomou todos esses “vários” (palavra dela) medicamentos durante esses dez anos? Se não tomou, seria fácil apontar o motivo do meldonium.

– Se Sharapova sabe, por que não especificou na coletiva a função do meldonium em seu tratamento? Se não sabe, não parece curioso esse desconhecimento depois de dez anos tomando o mesmo medicamento?

O que soou especialmente mal para Sharapova depois da coletiva é que o fabricante – uma empresa da Letônia chamada Grindeks – do meldonium disse que um tratamento normal com a substância dura de quatro a seis semanas e que o processo pode ser repetido duas ou três vezes por ano.

Meldonium costuma ser receitado para problemas cardíacos, e Sharapova citou, entre todos aqueles sintomas, resultados irregulares em eletrocardiogramas. Supondo que seja esse o motivo pelo qual ela ingeriu meldonium, ainda soa estranho que ela tenha feito uso da substância durante dez anos. Mas Sharapova nunca foi específica sobre o motivo do uso de meldonium. Por quê?

2. Os avisos ignorados

Sharapova disse que recebeu um email da Wada no dia 22 de dezembro. O texto informava sobre mudanças na lista de substâncias proibidas, mas a tenista afirmou que não clicou no link e não conferiu se alguma das alterações lhe afetaria.

Essa foi a versão da russa. Nesta quarta-feira, o jornal inglês “The Times” publica que autoridades do tênis avisaram em pelo menos cinco ocasiões que meldonium seria adicionado à lista. Mesmo que Sharapova tivesse ignorado esses cinco comunicados, ela ainda poderia ter visto o texto da Agência Russa Antidoping, que informou seus atletas no dia 30 de setembro – três meses antes (!!!) de a nova lista entrar em vigor – especificamente sobre o uso de meldonium.

Ainda sobre a questão, vale ler as declarações de Dick Pound, presidente da Wada de 1999 a 2007. Ele afirma que Sharapova foi indescritivelmente imprudente. “Sempre que há uma mudança na lista, um aviso é dado em 30 de setembro. Você tem outubro, novembro e dezembro para parar o que estiver fazendo.”

Pound também fala em termos gerais sobre como substâncias se tornam preferidas entre atletas que se dopam. Vale ler este link do “Guardian”.

3. Os patrocinadores

Essa foi a questão que mais me pegou de surpresa. No mesmo dia da coletiva, a Nike, parceira de Sharapova desde a adolescência (pré-Wimbledon/2004), anunciou que estava “suspendendo a relação” com a tenista. O que quer que isso queira dizer, não significa romper ou suspender contrato. Aparentemente, significa apenas uma interrupção das campanhas publicitárias até que a ex-número 1 seja julgada e que haja uma sentença.

A Porsche, com quem Sharapova tem um contrato de três anos assinado em 2013, foi mais específica e declarou estar suspendendo as atividades promocionais com a atleta. Por fim, a Tag Heuer, patrocinadora da russa desde 2004, anunciou unilateralmente o término das negociações para renovação do contrato terminado em 31 de dezembro do ano passado.

É especialmente intrigante a velocidade com que as marcas se manifestaram – e a Sheila Vieira fez um bom texto sobre isso no Storia, citando os casos de Oscar Pistorius, Ray Rice, Kobe Bryant, Tiger Woods, Manny Pacquiao, Lance Armstrong e Justin Gatlin, todos envolvendo a Nike.

Cada caso, claro, tem sua particularidade. O fato é que Sharapova disse que seu doping foi fruto de um erro, um vacilo. Nada intencional, segundo ela. Ainda assim, a Nike levou apenas oito horas (!!!) para se manifestar neste caso. Sim, a rapidez da marca pode ser resultado do trauma do gato escaldado, mas estranha que uma “parceira” (as marcas se rotulam assim nas vitórias, não?) não tenha comprado a versão de sua atleta.

E se uma marca gigante se posiciona tão rapidamente de modo a gerar desconfiança sobre sua atleta, é justo que muitos fiquem imaginando se a Nike (como a Porsche e a Tag Heuer) sabe de alguma coisa que ainda não chegou ao público. E quem sai chamuscado disso tudo é a imagem de Sharapova.

4. A punição

É o que todo mundo quer saber, não? A letra da lei diz que doping intencional pode dar até quatro anos de suspensão. A modalidade não-intencional prevê até dois anos fora das quadras. Em todo caso, há que se considerar também fatores atenuantes. Difícil “chutar” uma punição para Sharapova sem acompanhar os argumentos da defesa. Por enquanto, consideremos o seguinte:

É importante notar que o teste positivo de Sharapova passa o recado de que o tênis não protege seus grandes nomes. Se o nome que mais gera dinheiro em publicidade no tênis feminino pode ser flagrado, qualquer um pode. A questão agora é que, para reforçar esse recado e fortalecer a imagem do tênis, a punição precisa ratificar esse raciocínio. Flagrar Sharapova e aplicar uma sentença de três meses de suspensão seria enfraquecer a imagem do esporte. A punição precisa ser exemplar (o que não significa necessariamente ser excessivamente severa).

Tudo é questão de como o julgamento será conduzido e de como a defesa de Sharapova atuará. Pelo que se viu até agora, espera-se que o time da russa tente fazer prevalecer a versão de que foi um descuido, afastando qualquer possibilidade de má-fé na ingestão do meldonium. Isso garantiria uma pena menor.

O que pode jogar contra Sharapova é a questão dos dez anos fazendo uso da substância. A meu ver, a russa precisa ser específica quanto aos motivos de um tratamento tão longo. Caso não seja, deixará margem para que o tribunal (e, posteriormente, o público) acredite que Sharapova sabia dos benefícios do meldonium na prática esportiva. E aí, ainda que o medicamento não fosse proibido durante todo esse tempo, a defesa terá uma dificuldade enorme para emplacar a tese de descuido e boa fé.


O preço do descuido de Sharapova
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Alexandre Cossenza

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Em uma coletiva cheia de expectativa e mistério, Maria Sharapova anunciou, nesta segunda-feira, ter testado positivo para uma substância proibida durante um exame antidoping realizado no Australian Open. A substância em questão chama-se meldonium e faz parte da lista da Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) desde o dia 1º de janeiro de 2016.

“Assumo inteira responsabilidade por isso”, disse a ex-número 1 do mundo, que explicou tomar a mesma medicação há dez anos (desde 2006) para tratar várias questões de saúde. “Em 1º de janeiro, as regras mudaram, e meldonium se tornou uma substância proibida, o que eu não sabia.” … “Cometi um grande erro.” Sharapova, 28 anos, ainda disse não esperar encerrar a carreira deste modo e torcer para receber uma segunda chance.

Importante ressaltar que a tenista, como sempre fez, não empurrou a culpa para ninguém. Deu a cara a bater e declarou que “é meu corpo, é o que coloco no meu corpo. Não posso culpar ninguém além de mim mesma. Não importa com quem eu trabalhe, é muito importante ter um grande time ao redor, com técnicos e médicos, mas no fim das contas, é tudo sobre você.”

Não importa quem seja o principal responsável na equipe de Sharapova por ler a lista da Wada, trata-se de uma falha imperdoável que vai custar caro à tenista. As substâncias proibidas estão em um livreto de oito páginas. Não é uma consulta tão demorada assim. Meldonium está citado na seção de moduladores metabólicos e hormonais. É o item 5.3, especificado como modulador metabólico.

Por enquanto, Sharapova cumpre uma suspensão provisória que começa a contar no dia 12 de março e corre até que o caso seja avaliado, julgado e que a punição definitiva seja determinada. É bastante provável que a ex-número 1 do mundo perca os 430 pontos conquistados em Melbourne e tenha de devolver os US$ 281.663 recebidos pela campanha em que alcançou as quartas de final. Atual número 7 do mundo, a russa cairia para o 11º posto no ranking de hoje.

Fora isso, é de se imaginar que a punição não seja das mais severas. Além do histórico favorável, sem antecedentes, Sharapova pode provar que tomava o medicamento anteriormente e que o teste positivo foi resultado de um descuido – e não de uma intenção de melhorar seu desempenho. Isso costuma pesar bastante a favor de atletas em casos assim.

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Coisas que eu acho que acho:

– Sobre os motivos para começar a tomar a substância, ainda em 2006, Sharapova foi pouco específica e disse que lidava com várias questões de saúde: “Eu ficava doente com muita frequência, tinha deficiência de magnésio, resultados irregulares em eletrocardiogramas e um histórico familiar de diabetes. Foi um dos medicamentos, junto com vários outros, que recebi.” Não ficou claro o porquê de tomar o mesmo medicamento durante dez anos, mas talvez pouco importe no julgamento, já que a substância sempre foi permitida pela Wada.

– É admirável da parte de Sharapova não empurrar a culpa para ninguém de seu time. A postura é a mesma que adota quando sai de quadra derrotada: sem desculpas. Ao mesmo tempo, do ponto de vista mercadológico, pegaria muito mal responsabilizar quem quer que fosse. Passaria a imagem de uma menina mimada que precisa de um grupo de pessoas para assumir uma tarefa que a grande maioria dos tenistas assume por conta própria. Do jeito que se portou, Sharapova mostrou uma mulher madura e consciente de seu erro.

– Ainda antes de abrir a coletiva para perguntas, Sharapova fez piada da expectativa existente sobre um eventual anúncio de aposentadoria. Disse que se fosse anunciar a aposentadoria, “não estaria em um hotel no centro de Los Angeles com um carpete um tanto feio.” Bom humor, essencial em momentos difíceis.

– A ITF confirmou que o exame que deu positivo foi realizado no dia da derrota para Serena Williams, em Melbourne. Considerando o histórico de confrontos entre russa e americana, conseguem, caros leitores, imaginar o tamanho da repercussão se Sharapova tivesse vencido aquela partida?

– Sobre o uso de meldonium, vale registrar que um ciclista (Eduard Vorganov, da Rússia) e dois atletas de biatlo (Olga Abramova e Artem Tyshchenko, ambos da Ucrânia) testaram positivo para a mesma substância este ano. O mesmo aconteceu com a corredora sueca Abebe Aregawi (nascida na Etiópia), o maratonista etíope Endeshaw Negesse, atual campeão da Maratona de Tóquio, e a patinadora russa Ekaterina Bobrova, medalhista de bronze no Campeonato Europeu deste ano.


Melhor em tudo
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Alexandre Cossenza

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São 19 títulos de Grand Slam e 19 troféus a mais do qualquer outra tenista em atividade (65 no total). Serena Williams, 33 anos e possivelmente na melhor forma de sua carreira, sobra desse jeito no circuito mundial atualmente. Ao derrotar Maria Sharapova por 6/3 e 7/6(5) neste sábado, a americana completou mais duas semanas brilhantes. Perdeu apenas dois sets (para Svitolina e Muguruza) e foi impecável nas fases decisivas.

Não foi a chave mais desafiadora do mundo para Serena, é bom lembrar. Mas também é preciso ressaltar que o título veio com (mais) uma vitória sobre a número 2 do mundo, Maria Sharapova. E não foi uma atuação ruim da russa, não. Sharapova esteve muito bem do começo ao fim da partida. Atacou o quanto pôde, salvou match point com coragem e só não venceu porque Serena é consistentemente melhor do que ela.

Com o triunfo do sábado, já são 16 vitórias seguidas (17 a 2 no histórico de confrontos) da americana. Há algumas pequenas explicações para esse abismo entre duas tenistas tão vencedoras. A mais simples dela é que Serena é uma tenista mais completa do que Sharapova. Só que o mundo do tênis já viu tenistas mais completos perderem com mais frequência de rivais com menos recursos.

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O melhor exemplo é a rivalidade entre Roger Federer e Rafael Nadal. O suíço sempre teve mais recursos, mas o espanhol, desde muito antes de alcançar o topo do ranking, já somava vitórias sobre o então número 1 do mundo. Fazia uma diferença muito grande Nadal ter um golpe (seu forehand cruzado com spin) que incomodava Federer em seu ponto menos forte (o backhand). Quando o espanhol conseguia encaixar uma sequência de bolas cruzadas, levava enorme vantagem.

A diferença é que Sharapova tem muitas qualidades, mas nenhuma delas é capaz de lhe dar vantagem contra Serena. Ela saca muito bem, mas a americana tem uma devolução fantástica; consegue ótimas devoluções, mas não o bastante para os espetaculares serviços de Serena; e ataca com potência do fundo de quadra, mas a número 1 é ainda melhor lá de trás. Sharapova até melhorou muito sua movimentação lateral e sua capacidade defensiva, mas Serena ainda costuma levar vantagem quando os pontos entram na correria.

E aí acabam os recursos da atual vice-líder do ranking. Sharapova não tem um slice afiado, não dá curtinhas com a consistência necessária e não é tão eficiente quando sobe à rede. Seu estilo de jogo preferido é também o preferido da maior rival, que é um pouco melhor em todos fundamentos. Não tem saída a não ser fazer uma partida espetacular e torcer para um dia ruim de Serena – combinação que não acontece desde 2004. Por enquanto, Serena é melhor em tudo.


Sharapova, Nadal e o intangível
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Alexandre Cossenza

São mais ou menos 3.500 nomes nos rankings de ATP e WTA. Some a esse povo um bocado de gente que nunca pontuou e chegamos a umas quatro mil almas tentando ganhar a vida com o tênis. Só que destas quatro mil pessoas, só um punhadinho, daqueles de contar nos dedos de uma das mãos, conseguiria sair de buracos como Maria Sharapova e Rafael Nadal fizeram nesta quarta-feira em Melbourne. Ela com uma impressionante capacidade de, no momento mais crítico de um jogo, ajustar seu modo de pensar e salvar dois match points. Ele com uma força de vontade rambônica para lutar contra seu próprio corpo. Porque grandes atletas, quando desafiados, aparecem com esse tal de intangível.

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Sharapova d. Panova – 6/1, 4/6 e 7/5

Parecia uma vitória banal, daquelas muitas que a gente nem lembra um mês depois. Maria Sharapova abriu a partida fazendo 6/1 sobre a número 150 do mundo. Só que aí veio o segundo set e, com ele, 23 erros não forçados da vice-líder do ranking. Panova, que se alternava entre atacar e esperar por falhas da rival, abriu 5/2 e ainda perdeu um serviço antes de fechar em 6/4.

Ainda parecia uma zebra improvável. Não por acaso, Sharapova tem um histórico espetacular em terceiros sets. Mas eis que a favorita permitiu à desafiante abrir 4/1, com duas quebras de vantagem. Panova perdeu um serviço, mas confirmou o seguinte e abriu 5/3. Quando sacou em 5/4, parou de atacar. Resumiu-se a esperar erros de Sharapova. Vieram três deles. Match point. Parálise por análise? Nada disso. Sharapova funciona ao contrário.

“Minha maneira de pensar durante a partida, até aquele ponto, foi muito negativa. Acho que estava pensando demais nos erros, no que estava fazendo de errado. Eu não estava no presente, algo que normalmente faço bem. Naquele ponto, quando você está atrás e sente que está errando muito, que não encontra um bom ritmo, só tentei jogar um ponto de cada vez, pensar positivo e mudar minha maneira de pensar um pouco. Quando outras coisas não dão certo, talvez o lado mental ajude. Acho que, no fim, foi o que fiz”, disse Sharapova na coletiva após o jogo.

E foi isso. Sharapova salvou-se do primeiro match com um winner de devolução. Depois de outro erro, escapou de novo match point com outra bola vencedora. Quebrou o saque. O placar, naquele momento, mostrava 5/5, mas a Rod Laver, Panova e o mundo sabiam como acabaria.

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Nadal d. Smyczek – 6/2, 3/6, 6/7(2), 6/3 e 7/5

Fast forward para a rodada noturna, com Rafael Nadal encontrando problemas com a umidade de Melbourne. Depois de uma hora de jogo, o número 3 do mundo não era o mesmo. Mostrou-se fraco, sentiu tontura, perdeu dois sets para o americano Tim Smyczek, número 112 do mundo, e quase vomitou.

“Eu me senti muito cansado. No fim do primeiro set, senti meu corpo muito mal, muito cansado. Fiquei muito preocupado. Então, quando saquei para o terceiro set, quase vomitei. Sofri muito na quadra por três horas e meia. Sofri muito. A partida de hoje não foi divertida”, analisou.

Mas, de algum modo, encontrou um jeito de continuar no jogo. Quebrou o adversário, fechou o quarto set e esticou a partida. Sacou atrás em todo o quinto set. Resistiu bravamente. Depois do jogo, deu os parabéns pelo fair play de Smyczek e disse que esteve perto de abandonar. Com as tonturas, temeu perder o equilíbrio e desmaiar em quadra. Mas segue vivo.

Coisas que eu acho que acho:

– A lista de inusitados do dia também teve o misterioso caso da dormência em um dos dedos de Roger Federer. O problema não foi grave, e o suíço, que pediu atendimento médico depois do primeiro set, virou a partida contra o italiano Simone Bolelli: 3/6, 6/2, 6/2 e 6/2.

– Entre os resultados mais interessantes dia estão as vitórias dos australianos Bernard Tomic e Nick Kyrgios. Tomic bateu o o cabeça 22, Philipp Kohlschreiber, por 6/7(5), 6/4, 7/6(6) e 7/6(5), enquanto Kyrgios, que levou 40 aces de Ivo Karlovic, triunfou por 7/6(4), 6/4, 5/7 e 6/4.

– Outro nome a observar (escrevi isso no guiazão uns dias atrás) é o Viktor Troicki, que derotou o argentino Leonardo Mayer por 6/4, 4/6, 6/4 e 6/0. O sérvio agora vai enfrentar o tcheco Tomas Berdych. Promessa de jogo interessante.


O número 1 em jogo
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Alexandre Cossenza

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Assunto não falta no circuito feminino. Desde o triunfo da come-quieta Simona Halep, número 3 do mundo, em Shenzhen (em uma chave fraca, é verdade), passando pelo 46º título da carreira de Venus Williams, que bateu Caroline Wozniacki na final de Auckland, até Maria Sharapova, que venceu uma ótima final de três sets contra Ana Ivanovic em Brisbane e se aproximou de Serena Williams na disputa pelo posto de número 1 do mundo.

E este promete ser “o” tema das próximas semanas. A russa disputará o Australian Open de olho no topo do ranking. A matemática não é tão simples, mas também não é tão difícil de explicar. Com os 470 pontos conquistados em Brisbane, Sharapova reduziu para 681 pontos a vantagem de Serena. No entanto, por causa de uma mudança de calendário, a russa perderá os 185 do WTA de Paris do ano passado junto com o fim do Australian Open deste ano. Logo, na prática, a diferença entre as duas será de 866 pontos.

Como as duas tenistas defendem oitavas de final (240 pontos) em Melbourne, a russa assumirá a liderança em um dos dois cenários seguintes:

– Se Sharapova for campeã do Australian Open e Serena não chegar na final
– Se Sharapova for vice-campeã e Serena não passar das quartas de final

A uma semana do torneio, que começa no dia 19, não convém fazer previsões. O que fica claro é que Sharapova abre bem a temporada. Teve suas oscilações diante de Ivanovic, é verdade, mas passeou pela chave antes disso, perdendo apenas nove games em três jogos (contra Shvedova, Suárez Navarro e Svitolina).

Serena, por sua vez, não mostrou muito na Copa Hopman. Precisou de um cafezinho para acordar e derrotar Flavia Pennetta e, depois, virou um jogo quase perdido contra Lucie Safarova, que sacou duas vezes para a partida. Em suas outras duas aparições na competição, sofreu uma derrota doída para Eugenie Bouchard (6/2 e 6/1) e outra diante de Agnieszka Radwanska (6/4, 6/7 e 6/1).

Como escrevi no alto do post, é cedo para fazer previsões – e mais cedo ainda para crer, ingenuamente, que Serena Williams vai chegar a Melbourne jogando o mesmo tênis que mostrou em Perth. Mas, por conta da americana, os primeiros dias do Australian Open prometem ser um pouco mais interessantes do que de costume.

Coisas que eu acho que acho:

– A casa de apostas bet365 colocou assim as tenistas mais cotadas ao título do torneio: Serena Williams (2/1 – dois dólares para cada um apostado), Maria Sharapova (11/2), Simona Halep (7/1), Victoria Azarenka (10/1), Petra Kvitova (10/1), Caroline Wozniacki (10/1), Eugenie Bouchard (11/1), Agnieszka Radwanska (20/1), Ana Ivanovic (33/1) e Angelique Kerber (40/1).

– Sobre a lista acima, é curioso ver Vika tão bem cotada. A bielorrussa, bicampeã do torneio (2012 e 2013), não vence uma partida oficial desde setembro do ano passado e não será cabeça de chave em Melbourne.


Definindo o favoritismo de Sharapova
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Alexandre Cossenza

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Em menos de 25 horas, Roland Garros perdeu as duas principais cabeças de chave de seu torneio feminino. Primeiro, foi Na Li, que tombou na estreia diante da francesa Kristina Mladenovic: 7/5, 3/6, 6/1). Nesta quarta-feira, foi a vez da poderosa Serena Williams, número 1 do mundo e atual campeã do torneio. Em uma jornada desastrosa, a americana venceu apenas quatro games diante da espanhola Garbiñe Muguruza: 6/2 e 6/2.

Em um dia, Maria Sharapova foi alçada à condição de favoritíssima ao título. Não (alerta de clichês!), nada está ganho. A russa ganhou apenas dois jogos e não foi espetacular em nenhum deles. Não é uma crítica. A moça nem foi exigida para tanto. Só que ninguém vem jogando tão bem com tanta frequência no saibro como Sharapova. É isso, no fim das contas, que define favoritismo. Especialmente quando tiramos da equação Serena Williams, a maior algoz da carreira da russa. As duas se enfrentariam nas quartas de final.

O caminho da ex-número 1 antes de chegar à final ainda pode ter a vice-campeão do Australian Open, Dominika Cibulkova, ou a australiana Samantha Stosur, vice de Roland Garros alguns anos atrás. No dia “certo”, qualquer das duas pode muito bem derrubar Sharapova. E é aí que entra o grande ponto do favoritismo. Como a chave se apresenta hoje, é muito possível que este jogo de oitavas de final seja o mais duro para a russa até a decisão.

A não ser, é claro, que Garbiñe Muguruza tenha na manga mais algumas atuações fantásticas como a desta quarta, contra Serena. Este, aliás, é outro ponto que vale ressaltar. A número 1 do mundo fez uma partida horrível para seus padrões, o que é indiscutível. O que não se pode deixar de notar, contudo, é que Muguruza não abriu uma fresta sequer para que Serena se encontrasse. A espanhola de 20 anos não aliviou, não amarelou e não se limitou a esperar as falhas da adversária. Foi impecável técnica e taticamente, o que é raríssimo de ver contra uma número 1.

Coisas que eu acho que acho:

– Meus últimos dias foram atribulados com alguns problemas “extraquadra” (coisas de gente “normal”, que precisa ir a bancos, cartórios, tratar de documentação disso e daquilo), por isso estou devendo um post sobre Teliana Pereira. Ele virá nesta quinta, com vitória ou derrota diante de Sorana Cirstea, ok? Agradeço a compreensão de quem compreender. 🙂


Quando a sorte sorri
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Alexandre Cossenza

Maria Sharapova entrou em quadra nesta quinta-feira levando consigo uma série de 12 vitórias e um retrospecto de 46 triunfos e três derrotas no saibro desde a derrota para Na Li na semifinal de Roland Garros/2011. Ana Ivanovic, a adversária, acumulava sete reveses consecutivos para a russa. Algo especial precisava acontecer em Roma para que o resultado fosse diferente, não? Então veja o lance abaixo, em um break point (!) no segundo game da partida, e comece a entender.

Não, ninguém aqui está tirando mérito de Ivanovic ou sugerindo que uma bola na rede no comecinho da partida desestabilizou Sharapova a ponto de ser derrotada em dois sets pela sérvia – 6/1 e 6/4 foram as parciais. O objetivo do post era, acima de tudo, mostrar um lance que não acontece todo dia. E Ana Ivanovic, quem diria, tem, em 2014, vitórias sobre Serena Williams na quadra dura (logo em um Grand Slam!) e Maria Sharapova na terra batida. Feitos para poucos.

Com este resultado, as quartas de final do WTA de Roma têm Serena Williams x Shuai Zhang, Carla Suárez Navarro x Ana Ivanovic, Jelena Jankovic x Agnieszka Radwanska e Sara Errani x Na Li.


Números “nadalescos” para Sharapova
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Alexandre Cossenza

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Com mais uma ótima atuação no saibro, Maria Sharapova conquistou o título do WTA de Madri ao derrotar a romena Simona Halep, número 5 do mundo, por 1/6, 6/2 e 6/3. O triunfo deste domingo foi o 11º consecutivo da russa. Todos eles vieram no saibro – há duas semanas, a ex-número 1 do mundo faturou também o WTA de Stuttgart ao superar a sérvia Ana Ivanovic na decisão.

Não é de hoje nem da semana passada o sucesso de Maria Sharapova no saibro, e os motivos são temas de teorias distintas que concordam apenas em um elemento: a russa melhorou muito sua movimentação em quadra. A intenção deste post, entretanto, não é alimentar o debate (ainda!), mas mostrar os impressionantes números de uma tenista que já se disse “uma vaca no gelo” pela dificuldade que encontrava ao deslocar-se na terra batida.

De 2012 até hoje, Sharapova acumula 46 vitórias e só três derrotas no saibro, o que representa um total de 93,87% de aproveitamento. Nessas três temporadas, apenas Serena Williams derrotou a russa. Como comparação, Rafael Nadal, indiscutivelmente o tenista com melhores resultados no saibro em todos os tempos, tem 93,75% de aproveitamento no mesmo período, com 75 triunfos em 80 partidas (a conta ainda não inclui a final do Masters de Madri).

Os números não mudam muito se incluirmos a temporada de 2011. São 58 vitórias e cinco derrotas (incluindo reveses diante de Na Li e Dominika Cibulkova), que resultam em 92,06% de aproveitamento. Nadal tem 93,63% nas mesmas datas.

E vale lembrar: levando em conta as estatísticas de toda a carreira, Maria Sharapova é a tenista em atividade com maior porcentagem de vitórias na terra batida. São 83,3%, contra 81,2% de Serena, a segunda colocada na lista. E tem mais um número importante: dos últimos nove títulos da russa, sete vieram no piso (Stuttgart 2012-14, Roma 2011-12, Roland Garros 2012). Não é pouca coisa…

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Coisas que eu acho que acho:

– Olhei alguns vídeos de 2007, 2008, 2009 e, sinceramente, não consegui enxergar grande diferença no estilo de jogo de Maria Sharapova. Sim, a russa se movimenta melhor e, consequentemente, pode contra-atacar melhor no saibro. No fim das contas, porém, não me parece algo suficiente para justificar um aproveitamento tão superior no saibro – em comparação com as quadras duras – até porque a russa não passa tanto tempo assim se defendendo.

– Minha teoria para explicar o quase domínio de Sharapova na terra batida passa pela falta de “especialistas” no circuito feminino. Na WTA, quase todas jogam igual, com bolas mais retas. Umas poucas exceções são as italianas Sara Errani e Francesca Schiavone. A primeira, contudo, não tem potência para incomodar Sharapova com frequência. Schiavone, por sua vez, já está na fase final de sua carreira e não consegue resultados com a consistência de alguns anos atrás.

– O maior dos obstáculos para Sharapova no saibro continua sendo Serena Williams, mas é um caso em que a superfície pouco importa. Serena é uma tenista tão acima do resto do circuito que é capaz de sobressair em qualquer piso, contra qualquer adversária.


Sharapova ousa ser brasileira
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Alexandre Cossenza

Época de Copa do Mundo é assim. Até os maiores expoentes de outras modalidades se rendem ao futebol e acompanham, pelo menos por um mês, o maior evento do planeta. Isso, claro, vale também para os tenistas, que disputarão o Torneio de Wimbledon no mesmo período. E, nesta quinta-feira, Maria Sharapova apareceu em sua conta no Facebook exibindo alegremente uma camisa da Seleção Brasileira – não coincidentemente, fabricada pela Nike, que também faz os modelitos que a russa veste em quadra.

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Na mensagem, Sharapova dá os parabéns a David Luiz pela convocação e diz que vai tentar uma maneira de incorporar verde e amarelo em seu visual. Por fim, a russa encerra usando na hashtag o slogan de campanha da Nike: “ouse ser brasileiro”.


Postura de campeã
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Alexandre Cossenza

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Cinco games equilibrados, todos indo a “iguais”, terminaram do lado de Ana Ivanovic. A sérvia, número 12 do mundo, abriu 5/0 na final do WTA de Stuttgart e venceu a parcial por 6/3. A bela ex-número 1 do mundo também teve 3/1 no segundo set, mas não levou. No fim, quem levantou o troféu e desfilou a bordo do Porsche foi Maria Sharapova: 3/6, 6/4 e 6/1. Mas o que aconteceu?

Há quem diga que o jogo mudou no sexto game do segundo set. A russa havia acabado de quebrar Ivanovic, mas sacava em 2/3 diante um break point. A sérvia, como fez em boa parte do jogo, enfiou o braço na devolução. Quando a bola saiu de sua raquete, a quebra parecia provável, mas Sharapova alcançou a cruzada além da linha de duplas e executou uma improvável paralela de backhand, de fora para dentro. Break point salvo, game confirmado, e arrancada iniciada. Contando a partir desse momento, a loira venceu dez de 12 games.

O duelo, contudo, não ficou desequilibrado logo depois daquele sexto game. Ainda no segundo set, três dos quatro games seguintes estiveram em 30/30. A coisa desandou mesmo foi no terceiro set, e aí é preciso notar a diferença de postura entre as tenistas. Enquanto Sharapova manteve a calma lá no começo, levando 5/0, Ivanovic chamou seu técnico na parcial decisiva e, no intervalo, só discutiu com o homem. Não venceu um gamezinho sequer depois. A russa manteve a postura, acreditou em seu jogo, esperou o momento e aproveitou quando a chance apareceu. Game, set, match.

Coisas que eu acho que acho:

– Passo longe de afirmar que Ivanovic perdeu o ritmo por causa do debate com o treinador. Muito pelo contrário. Quando seu técnico entrou em quadra, a sérvia já não parecia tão confiante em seu jogo. É claro que faz efeito (mentalmente) o retrospecto negativo contra Sharapova (duas vitórias em nove jogos), mas Ivanovic perdeu a final tanto pelo comportamento quanto pelo quesito técnico.

– O regulamento da WTA, que permite a entrada de técnicos em quadra, não só corrompe um dos princípios básicos do tênis (um esporte em que, por definição, o atleta deve buscar soluções por conta própria) como acaba expondo as fragilidades e, por que não dizer, mimos de atletas que faturam milhões por ano. Não acho que faça bem à imagem do tênis feminino. Ainda mais quando a número 1 do mundo, Serena Williams, sempre dispensa o recurso.

– No mundo cínico e cheio de teorias conspiratórias de hoje, é um alívio ver um atleta vencer um torneio bancado por seu patrocinador e não ter de ouvir que houve benefícios ou facilitações. E é o terceiro ano seguido que Sharapova posa para fotos dentro de um Porsche em Stuttgart! É, aliás, a primeira vez na carreira que a russa conquista um torneio em três anos consecutivos.

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Sem ir na toalha (coisas que eu acho que acho):

– Victoria Azarenka não disputará os WTAs de Roma e Madri. A ex-número 1 do mundo anunciou sua ausência alegando que não está recuperada da lesão no pé esquerdo que sofreu em janeiro. Depois de alcançar as quartas de final no Australian Open, Vika tentou um retorno em Indian Wells, mas mostrou-se claramente sem condições de jogo. O comunicado desta semana não informa se a lesão foi agravada com a volta antes da hora na Califórnia nem fala sobre a participação da bielorrussa em Roland Garros. O Grand Slam parisiense começa no dia 25 de maio – falta menos de um mês.


Um trio de trapalhadas
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Alexandre Cossenza

Não que fosse esta a intenção, mas a arbitragem anda falhando tanto em Indian Wells que os últimos dias acabaram criando uma espécie de Semana da Perseguição aos Árbitros aqui no blog. Desta vez, quem falhou (e feio!) foi o conceituado árbitro Mohamed Lahyani. O simpático sueco cometeu três erros na partida entre o britânico Andy Murray e o tcheco Jiri Vesely. Veja no vídeo:

 

No primeiro ponto, o juiz de linha aponta bola dentro de Vesely, mas Lahyani chama bola fora. O tcheco, então, pede o replay, que mostra a bola quicando em cima da linha. Ponto para Vesely. No lance imediatamente (!) seguinte, o juizão erra de novo. Murray manda um backhand na paralela, e o juiz de linha grita bola fora. Lahyani, rapidamente, grita “correção, a bola foi boa”. Vesely nem pisca e pede o Hawk-Eye outra vez. Novamente, o replay comprova o erro do árbitro.

A falha mais grave, contudo, veio no tie-break do primeiro set. Com o placar em 2/1 para o adversário, Murray joga uma bola para o alto, e Vesely não espera a bola passar pela rede para rebatê-la. A câmera no meio da quadra mostra nitidamente que o tcheco cometeu a infração, e Lahyani não viu. O campeão de Wimbledon questionou, mas não é possível usar o replay para lances deste tipo. Murray perdeu o tie-break, mas venceu de virada: 6/7(2), 6/4 e 6/4.

E não foi só Andy Murray que teve problemas com a arbitragem na última rodada. Maria Sharapova teve um desafio “roubado”. Ao levantar os braços para reclamar de um grito que veio de fora da quadra, a russa teve seu gesto interpretado como um pedido de replay. A portuguesa Mariana Alves, árbitra de cadeira da partida, acionou o Hawk-Eye sem que esta fosse a intenção de Sharapova.

A ex-número 1 do mundo, no entanto, só queria reclamar de uma chamada de bola fora que veio, aparentemente, do box onde estava a equipe de sua adversária, a italiana Camila Giorgi. Alguém ali gritou bola fora antes do juiz de linha. Como a bola saiu de fato, não fez diferença e, portanto, a queixa de Sharapova não lhe daria o ponto de volta. Ela, no entanto, ficou sem o replay. Veja no vídeo acima.

Em um jogo com muitas quebras de saque, Giorgi surpreendeu e eliminou Sharapova em três sets:6/3, 4/6 e 7/5

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Coisas que eu acho que acho:

– Andy Murray teve outro daqueles dias em que pouca coisa dá certo, mas escapou da eliminação porque Vesely cometeu muitos erros bobos sempre que esteve perto de fechar o jogo. Entre essas falhas, uma meia dúzia de smashes nada complicados. O britânico, contudo, não deixou seus fãs muito animados. Seu próximo desafio, nas oitavas de final, será contra o canadense Milos Raonic.

– Enquanto isso, Roger Federer precisou de dois tie-breaks para eliminar o russo Dmitry Tursunov: 7/6(7) e 7/6(2). Apesar do placar apertado, jamais tive a sensação de que o suíço não esteve no controle das ações. Federer vem jogando um belíssimo tênis desde Melbourne e já acumula vitórias sobre Djokovic, Murray e Berdych em 2014. Um começo de ano muito superior ao de 2013.

– Rafael Nadal não escapou da zebra e tombou diante de Alexandr Dolgopolov em três sets: 6/3, 3/6 e 7/6(5). O número 1 do mundo não joga um tênis eficiente com consistência desde o Australian Open – e nem em Melbourne encantou seus fãs, a não ser nas vitórias sobre Monfils e Federer. No saibro do Rio, foi pouco exigido e, ainda assim, precisou salvar match points contra Pablo Andújar. Em Indian Wells, penou na estreia contra Radek Stepanek e pagou o preço de sua inconsistência contra Dolgopolov. E o ucraniano ainda deu chances, vacilando quanto sacou em 5/3 no terceiro set. No tie-break, Nadal abriu 4/2 e, mais tarde, errou uma bola nada complicada no 5/5. Dolgo avança para encarar Fognini.

– Importante notar: em 2013, Nadal somou 1.900 pontos até o fim de Indian Wells. Este ano, acumulou 1.995. Caminhos diferentes, números parecidos. Este ano, o espanhol ainda disputará o Masters de Miami, algo que não fez no ano passado. Assim, deve terminar o mês de março com mais pontos do que na temporada anterior. Resta saber o que Djokovic, com caminho livre em Indian Wells, somará este ano. Em 2013, o sérvio somou 2.860 até o fim do torneio californiano. Este ano,
tem 540 e pode chegar a 1.540.


Gata do dia, Sharapova consegue sorrir na derrota
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Alexandre Cossenza

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Dentro de quadra, as coisas não deram muito certo para Maria Sharapova nesta segunda-feira. Em mais uma atuação cheia de erros, a russa foi eliminada do Australian Open nas oitavas de final. Sua algoz foi a eslovaca Dominika Cibulkova, que triunfou de virada, por 3/6, 6/4 e 6/1. Mesmo chateada com o resultado, a tenista russa não chegou à sala de entrevistas deprimida. Na coletiva, até conseguiu descontrair o ambiente ao ouvir um jornalista amenizar sua atuação ruim em um determinado game do jogo. “Você está sendo simpático. Sejamos honestos”, respondeu, sorrindo.

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De volta às quadras após uma lesão no ombro direito que lhe afastava desde em agosto, Sharapova tampouco mostrou-se decepcionada com a eliminação precoce em Melbourne. “Acho que foi um sucesso na medida em que estou de volta e bem fisicamente. Isso é muito importante. De outro modo, não entraria em quadra. Tenho que observar o que há de positivo e ver de onde vim nos últimos cinco, seis meses. Não joguei muito tênis nestes seis meses. Adoraria ter jogado mais antes de um Grand Slam, mas esta é a chance que me foi dada. Sou inteligente o bastante para saber que tenho sorte de estar na chave e me dar uma chance de vencer”.

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No fim da entrevista, Sharapova ainda foi indagada se ficaria em Melbourne para ver o namorado, Grigor Dimitrov, que está classificado para as quartas de final e enfrentará Rafael Nadal. A ex-número 1, contudo, não quis entrar em detalhes. “Quer saber? Espero que ele fique o máximo possível. Não sei como está meu calendário de viagens no momento”.


Um cenário nada estranho
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Alexandre Cossenza

Serena Williams conquistando um título após derrotar Maria Sharapova e Victoria Azarenka, Na Li levantando um troféu na China e Ana Ivanovic sagrando-se campeã ao bater Venus Williams em uma decisão. Ainda que hoje em dia não seja lá muito frequente ver a sérvia com uma taça nas mãos, não dá para dizer que o cenário está um bocado diferente na temporada 2014.

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No fortíssimo Premier de Brisbane, Serena Williams chegou ao título sem perder sets, após derrotar Andrea Petkovic, Dominika Cibulkova, Sharapova e Azarenka. Nenhuma novidade, a não ser pela interessante estratégia contra a bielorrussa na decisão. A americana atacou em quase todas devoluções, evitando ralis e não deixando a adversária ganhar ritmo.

Não é segredo que Vika prefere longas trocas de bola, apostando em sua consistência e na possibilidade de, dada a chance, fazer Serena bater na bola em deslocamento. A número 2 do mundo, no entanto, não teve muitas oportunidades para fazer isso em Brisbane. A americana foi agressiva o tempo inteiro, e um bom exemplo disso foi a única quebra do primeiro set, que veio no único game ruim da adversária. Azarenka cometeu duas duplas faltas, o que também pode ser creditado à pressão imposta pelas devoluções de Serena, além de um erro não forçado durante uma troca de bolas.

Parece precipitado cravar que Serena investirá na mesma tática em caso de um confronto em Melbourne, mas não é nada arriscado afirmar que a número 1 do mundo é tão favorita ao título do primeiro Slam de 2014 quanto sempre foi.

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No International de Shenzhen, na China, o título ficou em casa, com Na Li. O resultado não serve como grande indicação das chances da número 3 do mundo no Australian Open, já que ela não enfrentou nenhuma top 50 na chave, mas é um sinal animador para uma atleta que não está entre as mais regulares do planeta. Seu nível equipara-se aos de Sharapova e Azarenka em dias bons, mas suas jornadas ruins, que nem são tão raras, provocam derrotas surpreendentes.

Na Nova Zelândia, no International de Auckland, Ana Ivanovic voltou a conquistar um título, algo que não acontecia desde 2011. A sérvia, que passou por Alison Riske, Johanna Larsson, Kurumi Nara e Kirsten Flipkens até a final, precisou derrotar Venus Williams na decisão. Não foi um jogão – tecnicamente falando. As duas arriscaram muito, erraram muito, e os ralis quase não aconteceram.

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E se houve emoção, muito do crédito (da culpa?) é de Ivanovic, que não aproveitou o match point nem confirmou o serviço quando sacava para o título no segundo set. No terceiro, contudo, a sérvia quebrou logo no início e resistiu até o fim, salvando inclusive dois break points no último game. Ainda que não tenha sido o torneio mais forte da semana, é animador ver Ivanovic vencendo jogos e superando momentos complicados. Chegará confiante a Melbourne.

Coisas que eu acho que acho:

– Levando em conta que são confrontos entre tenistas que lideraram o ranking mundial mais de uma vez, é assustador o retrospecto de Serena Williams diante de Maria Sharapova, com 15 vitórias e duas derrotas. Agora, após a semifinal de Brisbane, já são 14 triunfos consecutivos, com a russa vencendo apenas um set nos últimos dez encontros. Sempre me vêm à mente as 15 vitórias seguidas de Roger Federer sobre Lleyton Hewitt, mas no caso de Serena e Sharapova, a russa ainda briga constantemente pelos primeiros postos na lista da WTA. É a atual número 4 do mundo. Hewitt jamais ameaçou voltar ao topo desde que perdeu a ponta para Andre Agassi. São casos bem diferentes (e escrevi este parágrafo antes do título do australiano em Brisbane!).

– Parece um tanto preocupante o número de desistências e abandonos logo na primeira semana da temporada. Ainda que todos estejam pensando no Australian Open, é estranho ver tanta gente lesionada pouco depois da pré-temporada. Em três torneios, o número de desistências e abandonos já passa de dez – com alguns nomes bem famosos. Até agora, a lista tem Caroline Wozniacki, Sabine Lisicki, Anastasia Pavlyuchenkova, Ashleigh Barty, Timea Babos, Vania King, Alexandra Cadantu, Jamie Hampton, Sloane Stephens e Flavia Pennetta. E é bem possível que eu tenha esquecido de alguém (não contei os qualifyings nem o desfalque de Venus Williams, que não jogará em Hobart).

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– Alizé Cornet saiu da Copa Hopman com o troféu de campeã, jogando ao lado de Jo-Wilfried Tsonga. Entre as mulheres que estiveram em Perth, porém, a melhor campanha foi de Agnieszka Radwanska, que venceu todas partidas que fez. Bateu Flavia Pennetta, Eugenie Bouchard, Samantha Stosur e a própria Cornet.

– Os três torneios torneios femininos da semana foram vencidos por campeãs de Grand Slam. Ainda que não seja uma estatística muito relevante, fica registrada a curiosidade/coincidência.

– Sobre Teliana Pereira, não há muito a dizer. Seu pré-Australian Open termina com duas vitórias e duas derrotas – tudo nos qualis de Brisbane e Hobart. Não dava para esperar muito mais do que isso. Em Melbourne, é torcer para um sorteio favorável, que lhe permita fazer um ou dois jogos ganháveis.


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