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Saque e Voleio

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Laver Cup volta com desfalques de peso e o desafio de se mostrar sustentável

Alexandre Cossenza

21/09/2018 05h00

A Laver Cup estreou em 2017 com sucesso inquestionável. Foi um evento estupendo, com o atrativo natural de colocar Roger Federer e Rafael Nadal jogando juntos em uma competição bem nascida, criada para agradar não só aos fãs de tênis, mas também buscar os fãs casuais, já que o formato é perfeito para originar memes e todo tipo de cena viral. São muitos os acertos da Team8, empresa de Federer que criou a Laver Cup.

Esta sexta-feira marca o começo da segunda edição da Laver Cup. Uma edição em que os dois times estão sem seus principais jogadores (Rafael Nadal, número 1 do mundo, pela Europa, e Juan Martín del Potro, #4, pelo Mundo) e que precisa começar a mostrar que se trata de uma competição que vai se sustentar a longo prazo – leia-se "depois que deixar de ser novidade".

Por enquanto, não há perigo. Roger Federer, criador do evento, é também quem mais vende ingressos no mundo. Enquanto ele jogar, vai chover gente pagando para ver qualquer competição que seja. Mas as ausências de Nadal e Del Potro são um pingo de preocupação nessa tela tão bem pincelada. Parece pouco, mas a Laver Cup foi criada para ter os quatro tenistas mais bem ranqueados de cada time. O espanhol nem estava lesionado quando avisou que não jogaria (sua prioridade era disputar a Copa Davis, uma semana antes). O argentino, que não está machucado, desistiu depois do US Open. Ele vai voltar ao circuito no dia 1º de outubro, em Pequim.

Quando dois nomes de peso tratam o evento como uma exibição de luxo, o público tende a fazer o mesmo. Isso, talvez, não afete a venda de ingressos ou os números de audiência na TV – enquanto Federer jogar – mas é o que, no fim das contas, define uma competição. Não foi pela ausência dos grandes nomes, afinal, que a Copa Davis – a mesma Davis que Nadal priorizava em detrimento da Laver – foi submetida a uma espécie de lobotomia?

Este ano, Federer investe na repetição fórmula do ano passado, quando tudo foi feito para badalar a dupla com Nadal. O nome da vez é Novak Djokovic, campeão de Wimbledon e do US Open. Suíço e sérvio jogarão juntos já nesta sexta-feira e, nas últimas duas semanas, Roger fez o possível para divulgar a parceria. Lembrou até que tinha uma conta de Twitter e passou mais tempo postando do que Dilma Roussef em tempo de eleição.

Mas não é esse o ponto deste texto. A Laver Cup será um sucesso de público em Chicago e, provavelmente, será mais badalada ainda em Genebra, em 2019, na "casa" de Federer. A grande questão é: até que ponto a competição será tratada com seriedade pelos melhores tenistas do mundo e que credibilidade vai conseguir acumular até a aposentadoria de seu criador? O maior desafio de Federer não é ganhar o troféu para o time Europa hoje, mas conseguir criar condições para sua Laver Cup andar sozinha amanhã.

Coisas que eu acho que acho:

– A intenção do grupo Kosmos, financiador da nova Copa Davis, é fazer a vontade dos jogadores e mudar a data das finais da competição. Em 2019, a Davis terá sua fase decisiva em novembro. Porém, para 2020, a ideia é transferir para setembro, justamente nesta data da Laver Cup.

– Não é uma ameaça iminente, já que a Laver continuará "sozinha" (os ATPs de Metz e São Petersburgo são jogados no mesmo período) em 2019, quando será disputada em Genebra, no país de Roger Federer. Mas o que vai acontecer em 2020, após os Jogos Olímpicos, em possível conflito com a Davis e, quem sabe, sem o suíço em quadra?

– Para aumentar o drama, o Kosmos agora planeja usar a primeira semana do pós-US Open (cuja data, atualmente reservada para a Copa Davis, ficará vaga a partir de 2019) para fazer um evento chamado Majestic Cup. É sério. Mais uma competição. O atrativo será um prêmio de US$ 10 milhões, mas com uma diferença em relação a qualquer torneio normal: todo o dinheiro vai para o campeão. Quem perder, seja na primeira rodada ou a final, não leva nada. Reportagem do Telegraph dá mais detalhes.

– Ponto importante feito por André Sá numa troca de mensagens durante a semana: quando Federer passa tanto tempo nas redes sociais e divulgando seu evento, ele está atrás dos "80%" – os fãs casuais e, principalmente, o público mais jovem, que tem entre 18 e 35 anos. André também falou sobre isso na entrevista que publiquei recentemente.

– As partidas começam às 15h (de Brasília) desta sexta-feira, e a ESPN tem os direitos de transmissão para o Brasil. Federer e Djokovic fazem a partida de duplas do dia, que será o segundo jogo da sessão noturna, prevista para começar às 21h, com Goffin x Schwartzman.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.