Saque e Voleio

Arquivo : carreño busta

Rio Open, dia 7: um ‘teste’ atrapalhado e um Dominic dominador
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

O domingo de Carnaval veio com um começo de chuva, revelando uma insegurança do torneio para lidar com ela. Ao contrário do discurso adotado pelo diretor do torneio, Lui Carvalho, no ano passado – e ressaltado por ele mesmo em encontro com jornalistas um mês atrás -, foi colocada uma lona na quadra central. Uma, não. Sete. Em vez de uma ou duas lonas grandes como em torneios de maior porte, a organização do Rio Open colocou sete pedaços separados de lona cobrindo a quadra. E uma parte (que seria da oitava lona) ficou descoberta.

Pior foi o processo para tirar as sete lonas quando a chuva passou. Funcionários atrapalhados e aparentemente sem treino algum para a situação levaram cerca de 35 minutos para descobrir a quadra inteira (sem contar a recolocação da rede e outros ajustes necessário para o recomeço de um jogo) em um procedimento que envolveu até passar com uma das lonas por cima das cabeças de funcionários.

Enquanto o processo cirque-du-Soleil-esco continuava, faltavam braços, e o cidadão que coordenava a retirada das lonas perguntou a um dos seguranças se havia algum outro segurança que pudesse ajudar no processo. Até eu fui chamado – em tom de brincadeira (espero!) – a ajudar.

Mas não era horário de jogo, não havia câmeras de TV mostrando e não é um Masters 1.000, com toda a imprensa internacional para repercutir o vexame. É mais fácil culpar a imprensa imprensa implicante e “que deveria dar graças a deus por existir um torneio assim no país.” Porém, qualquer que seja a análise, é difícil levar adiante que um evento assim pense em se tornar um Masters 1.000 enquanto usa uma equipe tão grande e falha dessa maneira.

No fim do dia, Lui Carvalho, que sempre defendeu o não-uso da lona, disse que tudo foi uma experiência, já que faltavam ainda duas horas para a final. Por isso, segundo ele, a quadra ficou 1/8 descoberta. O que permitiria avaliar a drenagem. “Dito e feito. O lugar sem lona secou em dez minutos, enquanto a lona demora um parto para tirar.” E por que não usar uma lona grande (ou duas) como em Wimbledon ou Roland Garros? “Porque a gente não tem calha, não tem como fazer um pedaço enorme. Não tem como carregar um pedaço de lona gigantesco para dentro da quadra.”

Thiem: excelência e pé no chão

Sorte que não choveu durante a final. Assim, foi possível ver Dominic Thiem em mais uma atuação dominante. Diante de Pablo Carreño Busta, o número 8 do mundo mais uma vez deu as cartas, ditando o ritmo do jogo e cometendo poucos erros. O espanhol sempre jogou reagindo ao que o favorito fazia. Carreño Busta até conseguiu uma quebra de vantagem no set inicial, mas Thiem sempre pareceu com o jogo sob controle. Não só devolveu a quebra imediatamente na sequência como foi impecável no 12º game, quebrando outra vez e evitando o tie-break.

No segundo set, os dois tenistas trocaram quebras no sexto e no sétimo games, mas, de novo, quando a coisa apertou, Thiem tinha sobra. Correu menos riscos o jogo inteiro, agredindo com bolas que passavam com folga sobre a rede e deslocando Carreño Busta em pontos que, na sua maioria, terminavam com o espanhol cometendo um erro forçado ou devolvendo uma bola mais curta, o que dava a Thiem a chance de finalmente partir para um winner praticamente sem correr riscos.

Após o jogo, Pablo Carreño Busta comemorou o que classificou como o melhor momento da carreira, mas admitiu que há coisas a melhorar em seu tênis. Ele lamentou especialmente a quebra sofrida no set inicial, quando teve a chance de abrir 4/2. Thiem também foi bastante pé-no-chão. Disse que achou a partida bem equilibrada e que só se sentiu em controle do jogo quando quebrou o oponente no segundo set. E, mesmo assim, nem tão dominante quanto pareceu. Em seguida, indagado sobre o que falta para vencer um slam, Thiem disse que precisa de muito e concordou que sua melhor chance é em Paris.

“É preciso que tantas coisas deem certo. Ano passado, em Roland Garros, joguei contra Djokovic, que nunca vi jogando um nível de tênis tão alto quanto aquele, mas sim. É preciso ter um pouco de sorte para ir longe num slam. É preciso sorte na definição chave e fazer boas partidas. O que eu tento é me preparar o melhor possível para fazer uma boa campanha lá.”

Coisas que eu acho que acho:

– De modo geral, a edição 2017 do Rio Open foi muito boa. O torneio melhorou em alguns quesitos e eliminou alguns erros bobos. Embora ainda falte bastante para chegar à altura do discurso de Lui Carvalho, que fala em transformar o Rio Open em um Masters 1.000 no futuro, o evento carioca é, de modo geral, um programa excelente para quem gosta de tênis (e, pelos vazios na arquibancada, para quem não gosta também).

– Ainda sobre a lona, eventos como Wimbledon e Roland Garros deixam as lonas já dentro das quadras. O Rio Open prefere deixar as cobertas fora do espaço da quadra. Por isso, a necessidade de vários pedaços. “Mas por que deixar a lona fora da quadra?”, você pode estar perguntando. Porque fica visualmente feio. Sim, é essa a explicação.

– Após a última coletiva do dia, Lui Carvalho, sentou-se com alguns jornalistas para tirar mais algumas dúvidas. Publicarei as partes mais interessantes dessa conversa (e da coletiva) em breve.


Rio Open, dia 6: Thiem com folga, drama para Ruud e colombianos destronados
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

Sem brasileiros, o Rio Open viu as semifinais de simples e a decisão de duplas neste sábado. Apenas Dominic Thiem venceu sem sustos. Houve drama na segunda semi e na excelente decisão de duplas, vencida por Pablo Cuevas e Pablo Carreño Busta, que destronaram os colombianos Cabal e Farah.

A queda colombiana

Campeões do Rio Open em 2014 e 2016, Juan Sebastian Cabal e Robert Farah estiveram a dois pontos de um terceiro título, mas foram derrotados em um jogo de altíssimo nível pela dupla formada por Pablo Cuevas e Pablo Carreño Busta: 6/4, 5/7 e 10/8. Foi um torneio enorme de uruguaio e espanhol, especialmente em momentos delicados. Na sexta-feira, Cuevas e Carreño Busta salvaram um match point na semifinal contra Bruno Soares e Jamie Murray. Neste sábado, estiveram perdendo o match tie-break por 4/1, mas conseguiram a virada.

Uruguaio e espanhol disputaram no Rio apenas seu segundo torneio juntos e ainda não perderam. Em Buenos Aires, na semana passada, abandonaram antes da semifinal. A parceria vai continuar em São Paulo, mas não parece ter futuro – pelo menos por enquanto. Carreño Busta foi vice-campeão do US Open e quadrifinalista do Australian Open ao lado de Guillermo García López e disse, após o título, que voltará em breve a atuar com o compatriota.

Para Cuevas, que foi eliminado nas simples logo na primeira rodada, a vitória nas duplas foi um belo troféu de consolação – além de manter viva uma curiosa série no Brasil. Em três torneios ATP, o uruguaio foi campeão em três. Ano passado, venceu nas simples no Rio Open e no Brasil Open, em São Paulo.

Thiem: o passeio do favorito

Não foi lá o mais emocionante dos jogos. O primeiro set, com a quadra central pelo menos metade desocupada, deu até sono enquanto Dominic Thiem abria 4/0 sobre Albert Ramos Viñolas. O austríaco também começou a segunda parcial com uma quebra, e só houve emoção mesmo quando Thiem deu uma bobeada e perdeu o serviço sacando em 4/3. Só que a graça do jogo durou pouco. O cabeça 2 quebrou de novo logo na sequência e fechou em 6/1 e 6/4.

Mesmo vindo de Roterdã, onde jogou em quadras duras indoor, Thiem tira o melhor de seu tênis no saibro carioca. O saibro lhe dá o tempo necessário para preparar os golpes – inclusive a longa esquerda – e gerar potência e efeito. É claro que a chave que se abriu para Thiem no Rio ajudou. Ele chega à final de um ATP 500 após bater Tipsarevic (#96), Lajovic (#97), Schwartzman (#51) e Ramos Viñolas (#25). Em comparação com seu único título de ATP 500 até hoje, Thiem enfrentou Dzumhur (#95), Tursunov (#1045), Dimitrov (#7), Querrey (#43) e Tomic (#21) quando foi campeão em Acapulco, no ano passado.

Carreño Busta: maturidade e match point salvo

Antes de vencer a final de duplas, Pablo Carreño Busta já havia triunfado em outra partida tensa. Por um set e meio durante a segunda semifinal de simples, o domínio foi de Casper Ruud, o norueguês de 18 anos que chegou como convidado e surpreendeu meio mundo no Rio de Janeiro. E faltou só um pontinho para Ruud estar na final. Depois de vencer o set inicial, Ruud abriu 3/1 na segunda parcial, mas foi no quinto game que a coisa começou a desandar. O norueguês perdeu o serviço com uma dupla falta e, de repente, a partida ficou parelha. Quebra para cá, quebra para lá, e Ruud teve um match point no serviço de Carreño Busta no décimo game. O espanhol se salvou, quebrou na sequência e fez 7/5.

Foi aí que, pela primeira vez no torneio, a idade e a falta de experiência de Ruud se manifestaram. Depois do match point perdido, o adolescente não conseguiu fazer mais nada. Carreño Busta, 25 anos e #24 do mundo, aproveitou. Manteve-se sólido, tomou a dianteira e não olhou mais para trás: 2/6, 7/5 e 6/0.

A final no domingo

Thiem e Carreño Busta se enfrentam às 17h. Será o quinto duelo entre eles, e o austríaco vem em uma sequência de três vitórias. Ao todo, são cinco confrontos, com apenas um triunfo do espanhol, que aconteceu em 2013, na final do Challenger de Como. Thiem venceu o primeiro confronto em um Future em Marrocos, em 2012. Depois, triunfou em Como/2013, Gstaad/2015, Buenos Aires/2016 e US Open/2016.


Rio, dia 5: o melhor golpe da vida de Thiem e o fim da linha para o Brasil
Comentários Comente

Alexandre Cossenza

A sexta-feira do Rio Open não foi o dia dos sonhos para o tênis brasileiro. Primeiro, Thiago Monteiro foi superado pelo convidado Casper Ruud, 18 anos e número 208 do mundo. Mais tarde, nas duplas, Bruno Soares teve match point, mas acabou superado ao lado de Jamie Murray em mais uma semifinal.

Quem comemorou mesmo foi Dominic Thiem, cabeça de chave 2. Além de vencer em dois sets e alcançar a semi, o austríaco realizou o que ele mesmo classificou como o melhor golpe de sua carreira (vide vídeo abaixo). O resumão de hoje tem tudo isso em declarações, imagens e vídeos.

O adeus de Monteiro

Thiago Monteiro não passou das quartas de final. O cearense demorou a equilibrar ações, permitiu que Casper Ruud abrisse 4/0 no primeiro set e, depois disso, o norueguês de 18 anos jamais perdeu a calma. O brasileiro não conseguiu um break point sequer e acabou eliminado por 6/2 e 7/6(2).

Ruud, atual #208 do mundo, nunca tinha vencido uma partida em um torneio da ATP antes do Rio Open e só ganhou um convite porque é agenciado pela IMG, dona do torneio. O adolescente aproveitou a chance e mostrou um tênis sólido, potente e com variações, além de um ótimo preparo físico. Jogou uma partida sob calor intenso e fez um duelo longo de três sets. Em ambos, saiu inteiríssimo da quadra. Contra Monteiro, impôs seu forehand pesado e cheio de spin, criando problemas para o backhand do cearense. Além disso, variou saques e jamais deixou Monteiro à vontade. Nem a torcida brasileira, empurrando o tenista da casa, tirou o norueguês do sério.

O adversário da semi será Pablo Carreño Busta, que avançou depois que Alexandr Dolgopolov abandonou ao fim do segundo set por causa de dores no quadril esquerdo. O ucraniano, campeão em Buenos Aires no domingo, já vinha se queixando aqui no Rio. O curioso é que ele desistiu da partida logo depois de jogar um excelente tie-break e empatar a partida contra o espanhol. O placar final mostrou 7/6(4) e 6/7(2).

Thiem: a segunda semi e o melhor golpe da vida

No primeiro set, foi mais complicado do que o placar mostrou. No segundo, mais fácil. No fim, Dominic Thiem bateu Diego Schwartzman por 6/2 e 6/3 e avançou pelo segundo ano seguido às semifinais do Rio Open. Com direito a um momento glorioso: uma passada de Gran Willy que levantou a galera e que o próprio austríaco definiu como o melhor tiro da carreira.

“Eu já tinha tentado o tweener muitas vezes, mas foi meu primeiro winner limpo. Não acreditei porque eu estava muito atrás da linha de base. Provavelmente, foi o melhor golpe que acertei na vida.”

Ressalte-se, porém, que o argentino deu trabalho. No primeiro set, teve break points em três games de serviço de Thiem, inclusive um 0/40 no 3/2. O mérito do austríaco foi ser superior e não cometer erro nenhum em todos momentos delicados. Schwartzman também ensaiou uma reação na segunda parcial, vencendo três games (duas quebras) depois estar 0/5 atrás, mas, novamente, Thiem foi mais sólido quando a coisa apertou.

Em busca da vaga na final, Thiem vai enfrentar Albert Ramos Viñolas, que não teve problemas diante do qualifier argentino Nicolas Kicker: 6/2 e 6/3. Atual número 25 do mundo e ocupando o melhor ranking da carreira, o espanhol venceu o único duelo que fez contra Thiem. Foi nas quadras duras de Chengdu, no ano passado, nas quartas de final, e o placar foi 6/1 e 6/4. Será que no saibro, com a bola quicando alto – condições perfeitas para Thiem – Ramos consegue repetir?

Bruno Soares e a derrota mais doída

A final já seria complicada, afinal os colombianos Robert Farah e Juan Sebastian Cabal, atuais bicampeões do Rio Open e tradicionais pedras no sapato de Bruno Soares, garantiram cedo seu lugar na decisão quando superaram Julio Peralta e Horacio Zeballos por 6/7(4), 7/6(6) e 10/6.

O pior é que a final acabou não vindo. Bruno Soares e Jamie Murray fizeram um jogo duríssimo contra Pablo Cuevas e Pablo Carreño Busta e acabaram eliminados. Brasileiro e britânico até tiveram um match point no match tie-break, mas a devolução de Soares não teve o efeito desejado, e a chance não foi aproveitada. Dois pontos depois, graças principalmente a um lob defensivo de Pablo Cuevas que caiu na linha, uruguaio e espanhol fecharam: 6/4, 3/6 e 12/10.

Foi a quarta chance de Bruno Soares nas semifinais do Rio Open (a primeira com Murray) e a quarta derrota. O mineiro saiu de quadra hoje dizendo que foi o revés mais doído.

“Nos outros anos, achei que nós jogamos bem mais ou menos. Chegar na semifinal era meio que lucro. Eu saía falando ‘não fiz muita coisa para estar na final.’ Este ano, fiquei chateado porque achei que, dentro das condições [Soares já havia reclamado das bolas usadas no Rio Open], a gente jogou bem. A gente conseguiu ter match point jogando um nível bom de tênis. Nos outros anos, a gente foi meio que se arrastando até a semi, e eu meio que saía aceitando o que tinha acontecido. Este ano… faltou um ponto, cara.” … “Ter match point doeu. Preferia ter perdido no 9/7 ali, pá-pum. Seria um pouco menos doído.”

O melhor do sábado

A sessão começa às 17h, com Dominic Thiem x Alberto Ramos Viñolas. Em seguida, Casper Ruud encara Pablo Carreño Busta. A programação ainda prevê um show de Nina Miranda antes da decisão de duplas, que fecha a noite no Rio Open.


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>