Saque e Voleio

Categoria : Patrocínios

Presidente da CBT cobra SporTV (de novo!)
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Alexandre Cossenza

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Não é de hoje que Jorge Lacerda, presidente da Confederação Brasileira de Tênis, cobra transmissões da modalidade dos canais detentores de direitos. Às vezes, a reclamação é com a ESPN, como aconteceu recentemente durante o Australian Open, às vezes o alvo da queixa é o SporTV. A bola da vez, nesta semana, é o canal da Globosat, que possui os direitos de transmissão da Fed Cup.

Na madrugada desta quinta-feira, Lacerda usou o Twitter para manifestar seu descontentamento com o canal às vésperas do confronto entre Brasil e Suíça, em Catanduva, que vale vaga no Grupo Mundial II (a segunda divisão) da competição. Segundo o cartola, a CBT planejava iniciar as partidas às 10h, mas para que elas fossem encaixadas na grade do SporTV, a programação começará às 13h.

A queixa de Lacerda vem por causa de uma norma da Federação Internacional de Tênis (ITF) , que exige quadras com iluminação caso os jogos comecem a menos de seis horas do início da noite (o que evita partidas adiadas por falta de luz natural). Assim, a CBT terá de abrir a carteira e alugar um sistema de iluminação compatível com as exigências da ITF.

 

 

Lacerda ainda pediu a seus seguidores que monitorem o SporTV3 nos dias de jogos. “Quero ver se a grade realmente não tinha espaço” (veja toda sequência aqui). E vale lembrar que não é a primeira queixa que o dirigente fez ao canal. Em fevereiro, quando o Brasil disputava o Zonal das Américas da Fed Cup, o SporTV, detentor dos direitos, não exibiu nenhuma partida. Na ocasião, Lacerda pediu uma resposta até à conta do site Globoesporte.com no Twitter.

 

 

O site do canal não informa as programações de sábado e domingo no período da manhã – consequentemente, não informa se os jogos da Fed Cup serão exibidos.

Coisas que eu acho que acho:

– Lacerda está sempre a cobrar os canais, e sua conta no Twitter é seu meio preferido. Há quem diga que o cartola é chato, na melhor definição da palavra. É preciso lembrar, contudo, que a maioria dos tenistas brasileiros exibem, em suas camisas, a marca dos Correios, principal patrocinador da CBT. Assim, uma coisa leva à outra. O dirigente quer retorno para quem investe na modalidade. Embora a maneira seja contestável, a causa me parece bastante compreensível.

– Vale lembrar que não seria a primeira vez – nem a segunda, só em 2014 – que o SporTV deixaria de transmitir um evento importante de tênis com brasileiros em quadra. Durante o Rio Open, um ATP 500, o canal não exibiu a final de duplas, que tinha Marcelo Melo na briga. Naquele horário, o SporTV2 mostrava o Campeonato Carioca de showbol, enquanto o SporTV3 exibia o VT de uma partida de futebol. E, lembremos, Lacerda queixou-se naquele dia também.


Federer é goleiro da Seleção em comercial com Messi
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Alexandre Cossenza

A Gillette colocou neste domingo, em seu canal no YouTube, um novo filme publicitário que conta com as presenças de Roger Federer e Lionel Messi. No vídeo, suíço e argentino vão experimentando aparelhos de barbear com as cores de vários países até que, no fim, o tenista vira goleiro da Seleção Brasileira e tem que encarar o craque argentino. Olha só o que aconteceu…

Coisas que eu acho que acho:

– Não é curioso que, logo em uma campanha ao lado de Roger Federer, Messi torne-se um tenista logo ao usar o aparelho com as cores da Espanha? Bom, pelo menos o argentino é destro no filme…


Recompensa ou incentivo?
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Alexandre Cossenza

Marcelo_Bruno_BolsaPodio_ME2_blog

Bruno Soares e Marcelo Melo participaram, nesta sexta-feira, em Brasília, da cerimônia de entrega de seus certificados como atletas participantes do Bolsa Atleta Pódio, “que oferece apoio complementar aos brasileiros com chance de disputar medalhas nos Jogos Olímpicos e nos Jogos Paraolímpicos de 2016”. As aspas são para ilustrar que é esta a definição dada no texto do Ministério do Esporte, publicado neste dia 29 de novembro.

Até agora, é de 127 o número de atletas anunciados pelo Ministério para receber a Bolsa Pódio. Os valores variam de R$ 5 mil a R$ 15 mil, dependendo de critérios técnicos e do ranking de cada atleta em sua modalidade. Nos casos específicos do tênis, Bruno recebe uma bolsa cheia, de R$ 15 mil, enquanto Marcelo recebe R$ 11 mil mensais. Ou seja, o Governo Federal está investindo R$ 26 mil mensais no tênis em busca de uma medalha olímpica em 2016. E é aí, quando entram em cena os valores, que começa um debate interessante.

Pouco depois de eu mencionar as bolsas no Twitter, meu amigo Filipe Ribeiro, colaborador do blog há alguns anos, saiu com esta indagação:

 

Sua preocupação, claro, é com a formação de atletas. Afinal, os R$ 26 mil (mensais!) investidos em Bruno e Marcelo sustentariam um bocado de projetos sociais e de formação de tenistas, certo? Só que projetos sociais e escolinhas de tênis não posam para foto com ministros e secretários e não aparecem na imprensa. E, quando aparecem, seus elogios não têm a devida força. Uma coisa é ter Bruno Soares na TV elogiando o incentivo do governo. Outra, bem diferente, é ter um Marcelo Ruschel ou um Alexandre Borges (dois heróis) a seu lado.

Calma, não estou chamando os duplistas de mercenários. Nem de longe. Se o governo quiser me dar R$ 15 mil por mês para escrever sobre projetos sociais, faço com prazer e agradeço publicamente, igualzinho aos mineiros. Por outro lado, vale a pena lembrar que Bruno ganhou US$ 776 mil no circuito este ano, enquanto Marcelo embolsou US$ 508 mil. Descontemos uns 30% de impostos, mas incluamos a verba de patrocinadores como Centauro, Asics, Correios e BMG. Não me parece que os dois estavam passando fome sem a Bolsa Pódio.

Este é o momento em que um punhado de leitores começa a dizer “Nossa, que cara chato. Se o Governo não ajuda, reclama. Quando ajuda, reclama também.” Mas não pode ser bem assim. Entendo perfeitamente que o Bolsa Pódio é um programa específico para apoiar quem tem chance de medalha em 2016. E o Ministério, se questionado, vai dizer o Bolsa Atleta (não confundir com o Bolsa Pódio) beneficia outros 66 tenistas, que milhões de reais já foram investidos na modalidade, e que a Lei de Incentivo está aí para quem quiser aproveitar. E, segundo o Ministério, a CBT já captou R$ 7,2 milhões, enquanto o Instituto Tênis captou outros R$ 8,8 milhões – sim, tudo isso com a Lei de Incentivo.

Bruno_BolsaPodio_me_blogMas eu divago. O ponto aqui é o Bolsa Pódio, com sua existência e sua finalidade. Mas por que se investe R$ 15 mil mensais em um atleta já estabelecido, financeiramente estabilizado? Por que esses R$ 15 mil (ou R$ 26 mil) não são utilizados na formação de atletas? É porque o governo terá mais retorno (e um retorno mais rápido) com uma medalha amanhã do que em 2020 ou 2024, sob outra(s) administração(ões)? Ou é porque falta uma política de formação de atletas e, portanto, esse valor seria desperdiçado se destinado a escolinhas ou clubes de tênis aqui e ali? E o que falta para que tenhamos uma política de formação? Quem assume essa responsabilidade?

E o debate é bem mais amplo que isto. Bruno e Marcelo não merecem as Bolsas? Claro que merecem, afinal estão entre os dez melhores duplistas do mundo, alguém pode argumentar – e com razão. Mas esta lógica nos leva a outra pergunta: a Bolsa Pódio é recompensa ou incentivo? No tênis, tem cara de recompensa. Afinal, para ter o direito de recebê-la, o atleta tem que estar entre os 20 melhores do mundo. E, na ATP, quem está entre os 20 é porque já ralou bastante e já embolsou uma quantia considerável.

Alguém pode dizer que a Bolsa também é um incentivo, já que quem está abaixo no ranking pode trabalhar mais duro, pensando na possibilidade de também ganhar R$ 15 mil mensais. Esta defesa não me parece fazer muito sentido. Se alguém almeja dinheiro no tênis, essa motivação existe, semana a semana, no chamado prize money. Quem vai mais longe em um torneio ganha mais dinheiro, sempre foi assim. E no esporte, se alguém compete com mais ânimo porque há uma quantia maior em jogo, talvez seja o caso de repensar a profissão…

É o tipo de debate que pode durar horas. Cada leitor pode dar um argumento diferente, defender este ou aquele lado. A caixa de comentários está aberta a todos, e a discussão, especialmente quando envolve dinheiro público, é sempre válida. E preocupa, sempre, o pós-2016. O que será do Brasil em 2020?


A criatividade comercial de Wawrinka
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Alexandre Cossenza

Acaba a temporada, e Stanislas Wawrinka embarca para seu último voo de 2013. É hora de voltar para casa, e o tenista suíço, número 8 do mundo, vai de jatinho particular. A bordo, ele publica o tuíte abaixo:

 

Não, Wawrinka não está nadando em dinheiro nem comprou seu próprio jatinho. E antes que você pense “ele ganhou bem no ATP Finals, então pode esbanjar no táxi aéreo”, preste atenção no agradecimento à Fly7. Agora veja uma das fotos do suíço durante a última temporada: está lá, no peito, a marca da empresa suíça.

Bancos, relógios, carros, planos de saúde… talvez nenhum patrocínio faça tanto sentido quanto uma companhia de aviação executiva exibindo sua marca no peito de um tenista. É difícil identificar um atleta com uma marca. Pense bem, leitor. Quando você viu um tenista indo ao banco? Ou usando seu plano de saúde? Quase ninguém usa relógio em quadra, e a maioria deles faz uso de carros oficiais e seus respectivos motoristas em torneios.

Tudo bem, patrocinar um tenista que aparece muito na TV garante exposição a uma marca, mesmo que não haja identificação da pessoa com o ramo de atividade. Mas, só para dar um exemplo prático, qual a relação entre Thomaz Bellucci e o Grupo Votorantim, que foi seu patrocinador por alguns anos?

Wawrinka_Finals_uol_ap_blog

O caso de Wawrinka com a Fly7 é bem diferente. Primeiro porque faz sentido um tenista, que viaja a cada semana, usar voos privados. Não tem fila para embarque, não tem voo desmarcado nem atrasado, não tem bagagem perdida. E depois porque todo mundo pode ver nas redes sociais que o top 10 realmente faz uso daquele serviço, o que leva a relação a outro nível.

Liguei, então, para o empresário de Wawrinka, Lawrence Frankopan. Na conversa, o dono da Starwing Sports enfatizou a importância da criatividade com o mercado nada aquecido de hoje. Do mesmo modo, cita que é possível mostrar a marcas não tão conhecidas que é possível ter exposição sem gastar fortunas. Leiam!

Como começou a relação entre Wawrinka e a Fly7? Quem procurou quem para colocar no papel um contrato de patrocínio?
Stan e muitos desses atletas, como você sabe, usam a aviação privada ao longo do ano. Stan já possuía uma relação comercial com a Fly7, e isso se tornou uma relação de patrocínio naturalmente.

E estão todos felizes com o resultado após uma temporada completa?
Sim. Obviamente, quando você se associa com nomes como Roger ou Rafa, você garante mais divulgação. Stan teve, sem dúvida, o melhor ano de sua carreira, então ele criou muita exposição para a Fly7. É um exemplo interessante de como uma empresa menor (em comparação com gigantes que estão associadas ao tênis) como a Fly7 pode conseguir uma exposição tremenda em uma plataforma global. Ele não é tão caro como Roger ou Rafa.

A parceria continua para 2014?
Estamos discutindo agora para o ano que vem. Foi um período de teste para eles e para nós. As regras da ATP mudaram no começo do ano. Antes, você podia ter dois patches nas mangas. Agora, você pode ter dois patches a mais. Foi um período de teste para nós, para descobrirmos o valor disso, e a exposição que conseguiria. Acho que a frente da camisa vale bastante.

Wawrinka_Finals_uol_afp_blog

Por que todos tenistas não tem um contrato assim (risos)? Todo mundo viaja tanto que parece lógico que empresas de aviação estejam envolvidas…
É duro conseguir patrocínios pessoais para muitos atletas no mundo. Não é tão fácil como muita gente pensa. O mercado está obviamente mal no mundo. No ano passado, os orçamentos estiveram muito apertados. As empresas também acreditam que conseguem mais exposição gastando dinheiro em um evento do que em um indivíduo. Acho que os empresários e as agências têm sido muito pró-ativos encontrando contatos, construindo essas relações e provando para essas marcas que sim, vale a pena investir em um atleta. Olhe para Novak Djokovic! Ele era número 1 do mundo, é o número 2 agora, e não tem um contrato. Ele tem patrocínios de raquete e roupas, mas nada mais. Andy Murray tem, além da roupa, uma empresa do setor bancário, o RBS, mas é só isto. Ele tem um espaço livre na manga! E é Andy Murray, primeiro britânico campeão de Wimbledon em 77 anos! Isto te dá uma indicação de o quão difícil é este negócio, de como é duro encontrar patrocínios. Não é tão fácil. Mas estamos felizes com os patrocínios que temos, seja BCV, que é um banco, seja a FROMM, uma companhia internacional de empacotamento, Audemars Piguet, a companhia de relógios, Yonexx e outros vários patrocínios que temos. Stan tem feito um ótimo trabalho, é sponsorship-friendly, articulado, inteligente, fala línguas diferentes, tudo isso ajuda.

Mais criatividade, então, é a chave hoje em dia?
Acho que Stan e eu, nossa agência, somos muito criativos. Uma coisa é chegar até o patrocinador e dizer “é assim que você tem que fazer”. Agora é preciso criar mais valor, como nas mídias sociais. Stan, como você sabe, faz muito disso. Ele gosta dessa face do negócio e é muito ativo. Patrocinadores, hoje, gostam disso. O mercado é duro. Eles preferem gastar meio milhão de dólares em um evento, em hospitalidade. Quando você associa sua marca com um atleta, ela fica bastante visível. Não sei no Brasil, mas na Europa há muitos bancos e empresas de primeira linha (blue chips) indo mal. A última coisa que elas querem é serem vistas investindo em um indivíduo.


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