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Top 5: os melhores jogos femininos de 2018

Alexandre Cossenza

11/12/2018 05h00

Entre os melhores jogos das mulheres em 2018, o meu preferido foi fácil de escolher. Para o resto, admito, não foi tão simples assim – até porque o circuito feminino tem jogos em melhor de três o ano inteiro, o que destaca menos algumas das partidas mais importantes.

Curiosamente, minha lista tem três jogos do Australian Open e, assim como no post das partidas masculinas, nenhum encontro no saibro. E não por acaso, a número 1 do mundo, Simona Halep, aparece três vezes, assim como Rafael Nadal no texto que publiquei dois dias atrás. Confira!

5. Halep x Stephens (Montreal, F) 7/6(6), 3/6 e 6/4

Foram 2h41min em uma montanha-russa com duas tenistas que se defendem muito bem, mas que também sabem atacar, e com um número considerável de quebras de saque. O resultado foi um jogo cheio de belos ralis e mudanças de momento. Uma hora, Stephens parecia rumar para a vitória. Cinco minutos depois, era Halep que ganhava a maioria dos pontos.

Sobrou emoção. No set inicial, Halep salvou quatro set points – dois deles, com bolas incríveis na linha. Na parcial decisiva, Stephens conseguiu uma quebra quando a romena sacava para o jogo. Depois, salvou dois match points em seu próprio serviço. Houve drama até o último ponto.

4. Wozniacki x Fett (Australian Open, R2) 3/6, 6/2, 7/5

Se não foi tecnicamente tão bom quanto as próximas partidas desta lista (ou mesmo a Halep-Stephens citada acima), o encontro entre Caroline Wozniacki e Jana Fett entra aqui pelo drama e pelo que significou. Falamos, afinal, de uma ex-número-1-sem-slam que chegou em boa forma ao Australian Open e viu mais uma decepção se desenhando.

Fett, então número 119 do mundo, sacou em 5/1 e 40/15 no terceiro set. Foi para um saque no meio, e a bola saiu por milímetros. Wozniacki salvou os dois match points e iniciou uma reação fantástica até triunfar por 7/5. Por que esse jogo foi tão importante? Porque foi onde a dinamarquesa renasceu para jogar solta e, finalmente, vencer seu primeiro slam.

3. Kvitova x Serena (Cincinnati, 2R) 6/3, 2/6, 6/3

Se a WTA tem duas tenistas quase imbatíveis em seus melhores dias, elas atendem pelos nomes de Serena Williams e Petra Kvitova. Elas batem forte na bola, sabem o que fazer junto à rede, têm bons slices, saques e devoluções excelentes… o pacote completo. Quando se enfrentam, a expectativa é a maior possível.

O duelo de Cincinnati, válido pela segunda rodada por conta do ranking de Serena (#27 na ocasião), não decepcionou. As duas jogaram em nível alto do começo ao fim, brigando sempre pela iniciativa dos pontos. Quase todo vacilo custou caro. Foi um desses – um backhand longo da americana – que deu a quebra decisiva para Kvitova no meio do terceiro set.

2. Halep x Davis (Australian Open, R32) 4/6, 6/4, 15/13

Quem acompanha este blog sabe bem da minha preferência por sets decisivos longos, sem tie-break. São os maiores testes para os nervos e o preparo físico dos tenistas, ainda mais porque só acontecem em eventos grandes. As 3h47min da partida entre Simona Halep e Lauren Davis foram assim – especialmente o terceiro set, que durou, sozinho, 2h23min e incluiu três match points salvos pela atual número 1 do mundo.

Halep sacou para o jogo em 5/4, 6/5 e 8/7 no set final. Não teve um match point sequer e foi quebrada as três vezes – muito por mérito do tênis corajoso/kamikaze da americana. Com o placar em 10/11, a romena precisou sair de um 0/40. Depois, desperdiçou cinco break points no saque de Davis, que mal se aguentava em pé. As duas sofreram fisicamente. Foi drama após drama após drama até o fim.

1. Halep x Kerber (Australian Open, SF) 6/3, 4/6, 9/7

Ralis espetaculares, terceiro set longo, problemas físicos… Tudo entrou em jogo quando Simona Halep e Angelique Kerber se encontraram nas semifinais do Australian Open. Foi tanto ponto incrível, tanto drama, tantas variações que a equipe de vídeos do torneio preparou um clipe especial de 21 minutos (confira abaixo). E mereceu, viu?

Kerber parecia a favorita. Estava menos desgastada fisicamente e vinha de uma vitória tranquila sobre Madison Keys. Halep, no entanto, tirou da cartola uma atuação brilhante – heróica até – especialmente por se recuperar mentalmente após perder a vantagem de 6/3 e 3/1. Além disso, resistiu fisicamente deus-sabe-como quando o jogo mergulhou no terceiro set. A romena, mesmo esgotada, salvou dois match points no 12º game do terceiro set, no saque de Kerber. Que jogo!

Coisa que eu acho que acho:

– Para a WTA, o segundo melhor jogo do ano em um slam foi Osaka x Sabalenka, no US Open. Foi, sim, um dos jogos mais interessantes do torneio, mas o slam americano não teve tantos jogos interessantes assim. E foram raros os momentos em que Osaka e Sabalenka jogaram bem ao mesmo tempo.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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