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Rio vai até Miami em lobby para mudar torneio de patamar
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Alexandre Cossenza

Não é segredo nenhum que os organizadores do Rio Open querem aumentar o torneio. O evento carioca, um ATP 500, tem o objetivo de saltar de status, seja mudando para um Masters 1000 ou qualquer que seja a denominação a partir de 2019, quando o circuito mundial possivelmente terá um formato bem diferente do atual. A novidade é que agora a cidade do Rio de Janeiro entrou oficialmente na conversa junto à entidade que controla o tênis masculino.

O presidente da Riotur, Marcelo Alves, foi a Miami nesta semana para conversar com a ATP, oficializar o apoio da cidade e do prefeito, Marcelo Crivella, e observar o Masters 1000 que está em andamento. Alves, que é empresário e não político, é o mesmo que, em parceria com Dejan Petkovic e o governo do estado do Rio, trouxe Novak Djokovic para uma exibição com Gustavo Kuerten em 2012 – sim, aquela mesma exibição pela qual o sérvio não recebeu do estado até hoje.

Após uma reunião que contou com o presidente da Riotur, Lui Carvalho, diretor do Rio Open, e Gavin Forbes, representante dos torneios das Américas no conselho de diretores da ATP, falei brevemente por telefone tanto com Alves quanto com Carvalho. As declarações de ambos estão abaixo:

Qual o grande objetivo dessa viagem?
Marcelo Alves: É plantar essa semente do nosso interesse perante a ATP de receber um Masters 1000. Não são decisões imediatas, mas fiquei muito feliz e surpreso com a receptividade com que a diretoria da ATP nos recebeu. Ontem (sexta), fiz um tour técnico em todas as estruturas do evento, hoje (sábado) nós tivemos uma reunião muito positiva e realmente eles ficaram muito surpresos com o nosso interesse. O objetivo era conhecer o evento, conhecer os passos para que a gente possa sonhar ainda mais em receber um Masters 1000. Temos condições, capacidade, estrutura e uma empresa que é credenciada e tem a data no Rio de Janeiro, que faz muito bem o ATP 500, então realmente não deixamos nada a desejar. O primeiro passo é trocar a quadra de saibro para a quadra rápida porque isso vai nos dar um grande plus.

Miami e o Rio Open são dois torneios da IMG. Cogita-se inverter o valor dos torneios ou não é essa a conversa?
MA: Não, não foi em nenhum momento discutido Miami. Não foi nada colocado na mesa sobre Miami. Pelo contrário. O que a gente deseja, primeiro, é trocar a quadra de saibro para a rápida no Parque Olímpico porque isso vai nos dar uma grandiosidade, até porque quando você transforma em quadra rápida, os atletas também virão [organizadores do Rio Open e do ATP de Buenos Aires acreditam que o saibro é um empecilho para atrair grandes nomes numa época do ano entre o Australian Open e os Masters de Indian Wells e Miami – todos em quadras duras]. Isso vai nos dar mais audiência, público e nos credenciar ainda mais para a ATP entender que o ATP que nós fazemos, com essa estrutura e grandiosidade, que um 500 ficou pouco para a gente. E aí transformar em 1000.

Então isso seria para a partir de 2019, que é quando a ATP pode reestruturar o calendário, mudando o formato e as pontuações com mais liberdade?
MA: É isso aí. A semente foi muito bem plantada. Ouvi deles que são apaixonados pelo Rio de Janeiro. Eles têm um carinho muito grande pelo Rio de Janeiro. Foi muito, muito positivo. O Rio de Janeiro não pode pensar em menos do que isso a partir de agora. Começou a história agora. É outro patamar.

Nessa questão, a Riotur atua como representante da prefeitura ou pode agir com interesses diferentes dos do prefeito Marcelo Crivella?
MA: A Riotur é uma empresa pública do turismo da cidade. É totalmente integrado, é uma empresa da prefeitura. O prefeito encara isso como uma das ações emblemáticas. Ele apoia tudo que é emblemático para a cidade e grandioso e, obrigatoriamente, vai refletir em empregos para a cidade. Um evento desse porte tem 14 dias. Gera emprego, receita para a cidade. A vocação da cidade é essa: o turismo. Turismo esportivo, de entretenimento. Claro que ele apoia. Ele é extremamente encantado com esses grandes acontecimentos.

Um Masters no Rio teria que ser no Parque Olímpico…
MA: Sem dúvida nenhuma. Até porque está pronto. Precisamos dar vida ao Parque Olímpico. As quadras estão prontas, é quadra rápida…

A questão é que ainda não se sabe quem vai administrar o Centro Olímpico de Tênis. É uma preocupação de vocês?
MA: É a parte mais fácil de resolver. Hoje, o Parque Olímpico tem três administradores. A parte das arenas é administrada pelo Ministério do Esporte; aquela rua principal é administrada por nós, da prefeitura; e a parte até onde vai ser o Rock In Rio, quem administra é a concessionária que construiu o Parque Olímpico. A gente está em comum acordo, sempre buscando caminhos para movimentar aquela área. Nosso legado está aí. Agora tem que dar vida!

Que tipo de avanço é possível fazer numa reunião assim?
Lui Carvalho: É legar ter a prefeitura se envolvendo, ter todas as esferas juntas com um objetivo comum, que é fazer o evento crescer, seja sendo 500, 1000, 750, ou indo para a quadra dura no Parque Olímpico – todas aquelas coisas que a gente conversou no Rio Open. Crescer não significa necessariamente mudar de status, mas pode ser várias coisas novas que a gente pode criar para o evento. É muito bom que o Marcelo esteja se envolvendo nisso. Ele é um cara do marketing, tem um histórico de empresa de organização de eventos, já trouxe o Djokovic para o Brasil naquela exibição… Ele entende e para a gente é super positivo para ajudar a fazer o evento crescer. Ele está tentando se situar na política da ATP para poder ajudar a gente. Ele sentou com o Fernando Soler, que é o head da IMG, sentou com o Gavin Forbes, que é o board member das Américas, até para entender os próximos passos e quando isso pode acontecer, e foi super positiva a reunião.

O Rio Open já decidiu se vai apresentar de novo ainda este ano, em julho, a proposta para mudar para quadras duras (o torneio fez isso ano passado e não obteve os votos necessários)?
LC: A reunião é na primeira semana de julho, em Wimbledon. A gente ainda está nessa estratégia para saber se a gente tem os votos para mudar para quadra dura. Na verdade, ainda não temos uma posição fixa. A gente veio até Miami para fazer um pouco da politicagem, conversamos um pouco com a galera do tênis, e vamos saber um pouco mais para a frente. O importante é que tudo está correndo bem, a ATP está falando super bem do Rio Open, o Chris Kermode [CEO da ATP] elogiou bastante a gente, então isso é o mais positivo de tudo.

Coisas que eu acho que acho:

– O assunto foi bastante discutido na época do Rio Open. A organização acredita que ter o evento em quadra dura vai ajudar a trazer mais nomes de peso. A opinião é compartilhada por Lui Carvalho, que é quem negocia com atletas e managers, e Gustavo Kuerten. Por outro lado, há quem acredite que a questão geográfica pesa tanto quanto o piso. Ou seja, se o Rio Open mudar para quadras duras, tenistas vão passar a usar a distância e as longas viagens como argumento para continuarem jogando torneios em Roterdã e Dubai.

– Vale lembrar também que o atual modelo do calendário da ATP vale apenas até 2018. Ninguém sabe o que vai acontecer a partir de 2019. Se houver consenso, pode haver todo tipo de alteração, desde a inclusão de novos níveis de torneios (como ATPs 750 e Masters 1500) até alterações radicais nas datas de eventos.


Parque Olímpico, bolas e etc.: 5 últimas perguntas sobre o Rio Open
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Alexandre Cossenza

Antes de começar a falar do Brasil Open e seus resultados, deixo aqui, como prometido, o post com declarações do diretor do Rio Open, Lui Carvalho, após o ATP 500 carioca. São frases selecionadas da coletiva concedida após a final e de um papo com alguns jornalistas após a entrevista. Nem todas perguntas são minhas, mas são os cinco temas que considerei mais importantes entre os que foram abordados no último dia do evento.

1. Melhorias

Na cerimônia de premiação de duplas, o Carreño Busta disse que o torneio melhorou muito. O que os jogadores acharam deste ano, que foi o primeiro sem o evento feminino?

Na reunião geral com a ATP, eles apresentam o relatório, e foi muito positivo. Disseram que foi o melhor Rio Open em termos de organização para os atletas. A questão de não dividir espaço com as mulheres foi fundamental por várias razões. O serviço de transporte era um serviço exclusivo deles. Eles desciam e, no lobby, tinha um carro esperando para levar aonde eles quiserem 24 horas por dia. Na alimentação, a gente fez algumas alterações, e isso funcionou. Sem o feminino, a gente agregou o vestiário das mulheres. A gente juntou as saunas e fez um lounge a mais. Era um espaço que ninguém acessava. Tinha mobiliário, sofás, eles gostaram bastante. As quadras de treino, obviamente [não é preciso dividir quadras com as mulheres]. E o schedule também ajudou. Eles falaram muito bem do fato de começar 16h30min porque tira um pouco da pressão de acordar cedo, sair correndo para aquecer. Deixou o schedule um pouco mais leve. E elogiaram muito o público [vendo os treinos]. Eles gostaram do ambiente. Como o schedule comprimiu, ficou mais gostoso para eles.

2. Assentos vazios na quadra central

Sobre a questão da ocupação da quadra central, a gente já conversou sobre isso e não é um problema de venda de ingressos, mas de ter gente na quadra no horário dos jogos. Até que ponto a ATP vê isso com maus olhos?

A ATP tem uma regra de um mínimo de público que você tem que ter durante a semana. A gente ultrapassa de longe esse mínimo. É uma questão delicada. Você acha que são sete razões. Para mim, são cinco. E a mais nova dessas cinco foi a gente ter criado uma área muito legal no Leblon Boulevard, com muitas ações, o bar da Stella [Artois] com o telão passando jogo… As pessoas estão passando tempo fora do estádio. Isso é legal. Não posso ver como negativo. Se eu quisesse, não faria mais o Leblon Boulevard, e todo mundo só teria um lugar para ficar: a quadra central. Mas não é o que a gente está pensando para o futuro do evento. Faz parte. É difícil achar um modelo que funcione porque obviamente você tem uma entrega de ingresso por parte de patrocinadores. Eles fazem o torneio possível. Isso faz parte. E eu não tenho como controlar como essa entrega dos patrocinadores é feita. A gente sempre conversa, sempre pede da melhor maneira possível, para não ter esses espaços vazios, mas infelizmente acontece.

3. Bolas da Head

O Bruno [Soares] é um cara que repete muito isso. Nadal, quando esteve aqui, não se sentiu tão confortável com as bolas usadas no torneio. Nishikori também disse que não sentiu tão bem a bola. Há alguma possibilidade de mudança? Dá para fazer alguma coisa ou vai continuar a Head?

A Head é nosso parceiro. São ótimos parceiros e patrocinadores. Eles têm trabalhado desde o primeiro ano na questão da bola. Mas depois que alguém me falou que o Thiem reclamou da bola, eu corri para a ATP e perguntei se alguém reclamou da bola. Ninguém reclamou para a ATP. Reclamou na imprensa. Acho que é uma questão de gosto. Dá para ver que os caras que jogam com um pouco mais de top spin não gostam muito da bola, mas o pessoal que joga mais reto, como o Carreño Busta, ama a bola. É a característica dessa bola da Head. Não posso mudar o patrocinador porque… ‘Ah, vou fazer o torneio para o Nadal, então vou botar uma bola mais macia para ele poder dar o top spin’. Não é o meu estilo de fazer as coisas. No fim do dia, o Thiem reclamou e ganhou. E é o que a gente falou. Os jogadores que chegam um pouco tarde no torneio sentem um pouco mais. O Thomaz [Bellucci] treinou a semana inteira aqui. Chegou no dia do jogo, ele estava voando. Não errava uma. Quem chegou tarde não sentia a bola. Tough luck. Chega mais cedo da próxima vez…

4. Mudança para quadra dura

Vocês vão tentar de novo, junto à ATP, a mudança para a quadra dura. Quando vai ser feita essa nova proposta e como funciona essa votação?

A gente pode tentar até Londres, em Wimbledon. É o tempo que a gente precisa para se programar. O que gente precisa agora é ver qual o timing ideal para fazer esse movimento. Se a gente fizer isso sabendo que não tem um ou dois, é perigoso. Se você é negado e vai muito rápido de novo, você acaba negado de novo. Precisa fazer a politicagem, leva um pouco de tempo.

E vocês não têm os votos dos jogadores, é isso?

A gente acredita que não.

Quantos votos são?

Três e três. São três regiões: Américas, Europa e Resto do Mundo. Jogadores e torneios têm voto de cada região. O sétimo voto é do Chris Kermode, o presidente da ATP. Os torneios da América provavelmente a gente tem [ o voto] porque é a nossa região. Na Europa, deve haver um ponto de resistência por causa de Roterdã, mas não sei dizer.

Tecnicamente, mudar Rio e Buenos Aires para a quadra dura pode acontecer sem que São Paulo e Quito mudem também?

É mais difícil, mas pode. A gente até fala que nosso evento era na quadra dura. Memphis era na quadra dura. Eles é que forçaram a gente a ir para o saibro. A ATP que forçou.

5. Parque Olímpico

E se vocês não conseguirem a aprovação para quadra dura, existe possibilidade de fazer no saibro no Parque Olímpico, mesmo com todos problemas logísticos, de fazer sem drenagem, precisando de uma operação de lona rápida e tudo mais?

Você já está descrevendo alguns problemas.

Mas hipoteticamente vocês consideram isso?

Depende do timing da decisão da ATP. Tem muita coisa que a gente não sabe ainda. A gente ainda não sabe se o Ministério deixa colocar saibro lá. Quem vai administrar aquilo? Quadra dura você deixa lá e vai pintar três anos depois. Saibro tem uma manutenção muito mais cara. Você precisa de tratador, saibro, água… Eu vou ter que fazer toda uma estrutura de irrigação. Isso não existe. Eu teria que construir isso. É um investimento enorme. Não é “joga saibro em cima e acabou.” Por isso que a gente está estudando com calma.


Tudo que você precisa saber sobre o Rio Open
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Alexandre Cossenza

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A organização do Rio Open promoveu, nesta quarta-feira, um encontro de jornalistas com o diretor do torneio, Lui Carvalho, para um bate-papo durante um café da manhã em um hotel na zona sul da cidade. Como já aconteceu no ano passado, a conversa é bastante interessante, com o diretor dando uma espécie de tour pelos bastidores das negociações com jogadores e falando sobre o que a organização espera para o futuro do ATP 500 carioca.

Entre os destaques do dia, Lui falou: das conversas com Del Potro, Murray, Djokovic, Nadal, Wawrinka, Berdych, Dimitrov, Monfils, Dustin Brown e outros; dos planos para transformar o Rio Open em um torneio de quadra dura; do desejo de fazer o evento no Parque Olímpico; da exclusão e da falta de interesse pelo torneio feminino; das vendas de ingressos; e de uma grande expectativa em relação a Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro. A declaração sobre Bellucci, em especial, é interessantíssima!

Selecionei os trechos que achei mais importantes e listei abaixo, com comentários meus e, em itálico, frases de Lui Carvalho. A lista com os tenistas inscritos está no fim do post.

Negociações com tenistas

Juan Martín Del Potro

“Um dos atletas que a gente esteve muito perto de conseguir foi o Del Potro. Ele fez a virada da carreira dele nos Jogos Olímpicos, no Rio, e a gente tinha toda a história montada para ele. Voltando de lesão, jogando no Rio, público apoiando, o único atleta argentino que não é vaiado no Brasil e ele tem essa conexão com o Brasil, mas infelizmente o fator piso pesou. Ele não quis jogar no saibro nessa época do ano, mesmo por valor nenhum. A gente estava pensando em fazer uma proposta conjunta Buenos Aires-Rio, mas infelizmente ele optou por jogar, se não me engano, Delray Beach e Acapulco. Não foi uma questão nem de dinheiro nem de vontade. Foi uma questão de preferência de piso.”

Gael Monfils

“É um namoro antigo nosso, até pela relação que a gente tinha com a nossa última fornecedora de material esportivo [Asics]. Monfils foi o primeiro atleta com quem a gente chegou a conversar, logo depois do Rio Open 2016. Já estava rolando bastante conversa, bastante troca de email para ver se a gente conseguia chegar num acordo, mas ele optou por um calendário diferente. Não tanto pelo piso, mas mais pelo calendário de não ter que voltar da Austrália para a América do Sul e ir direto para os Estados Unidos. Ele preferiu ficar em casa e jogar, se não me engano, Roterdã e Dubai.”

Janko Tipsarevic

“A gente estava esperando fechar a lista. É um ex-top 10, a gente acha um nome muito interessante para o torneio. É um cara divertidíssimo, ele é muito doido. E é um cara inteligentíssimo. Ele realmente pediu [um wild card], e a gente vai começar a ver os wild cards agora.”

Good first week…💪😈💪 @tipsarevictennisacademy #bangkok #keepgrinding #keeppushing #keepdigging

A photo posted by Janko Tipsarevic (@tipsarevicjanko) on

Grigor Dimitrov e Tomas Berdych

“A gente ficou meio nesse jogo de xadrez entre Nishikori e Thiem e Berdych e Dimitrov. Então a gente ficou meio jogando esse joguinho. Quem desses quatro a gente consegue trazer? É um tremendo jogo de xadrez.”

A forte concorrência de Dubai, Roterdã e Acapulco

“A gente disputa os atletas com Dubai, Roterdã e Acapulco, os ATPs 500 dessa época. Se o atleta joga Dubai, ele não joga Rio. Se ele joga Acapulco, é mais possível que ele jogue Rio. A gente fica muito na região. Nós e Acapulco coordenando aqui, Dubai e Roterdã de lá. Dubai está completando 25 anos, então o sheik está vindo com um A380 de dinheiro da Emirates. Acapulco, de um ano para o outro, decidiu investir um caminhão de dinheiro. A gente não sabe da onde está vindo tanto dinheiro também. E Roterdã está tentando consertar o que aconteceu em 2016. Não teve nenhum top 10. (…) Não pegou muito bem com público, patrocinador, ficou uma situação um pouco delicada.”

Outros nomes

“A gente falou com Zverev, Coric, Wawrinka, Murray, Djokovic… A gente chegou a conversar com todos top 10.”

Mudança de piso

“O que a gente está tentando mostrar [para a ATP] é que a competição agora é desleal. Nadal, que é um jogador de saibro, escolher Roterdã e fazer um calendário Roterdã-Acapulco… Os jogadores já não têm argumento para manter o [Rio Open] no saibro porque o carro-chefe deles já está botando a bandeirinha branca e dizendo ‘quero jogar na dura’. É uma politicagem de torneios tentando entrar num acordo do que faria sentido no calendário. (…) Hoje em dia, os jogadores querem mudar pouquíssimo de piso. O que a gente gostaria é de uma oportunidade para testar o Rio Open na [quadra] dura. E é isso que a gente está pedindo para a ATP.”

Calendário pós-2018

Até 2018, a ATP é obrigada a manter a estrutura atual de torneios, com Masters 1000, ATPs 5000 e ATPs 250. Juridicamente, a entidade pode mudar tudo a partir de 2019. Embora alterações radicais não sejam prováveis, é bem possível que o calendário sofra alterações e um aumento no número de datas. A intenção da ATP é decidir tudo isso até o fim deste ano.

“Existem milhares de discussões acontecendo. Por exemplo, a ATP e os diretores de torneio fizeram um trabalho conjunto para diminuir o calendário. O que aconteceu? Entrou a IPTL. Foi inteligente da nossa parte? Não. Foi a maior burrice que a gente fez. A gente deveria ter deixado o calendário com 52 semanas, assim não entra ninguém. Os jogadores fizeram um movimento ‘não quero jogar, quero ter offseason’. A gente ‘tá bom, então vamos diminuir o calendário’. Prejudicou um monte de torneio. E o que os jogadores fazem? Começam a jogar exibição na offseason. Sacanagem, né? Quem faz os jogadores são os torneios! Só existe o Federer, o Nadal porque existe um circuito que faz eles virarem estrelas. Aí eles viram estrelas e viram as coisas pra gente e vão jogar um circuito que não tem nada a ver com a gente? Realmente, é uma discussão que a gente tem em todas as reuniões.”

Desejo de jogar no Parque Olímpico

“A gente tem o desejo de jogar no Parque Olímpico um dia, mas isso não é uma decisão nossa. Depende de uma série de fatores. Depende de quem vai administrar o local, de como vai ser essa negociação, em que condições que a gente vai pra lá… A gente quer deixar isso bem explicado. Nosso evento é no saibro. A gente não conseguiu aprovação pra mudar de piso. A gente tentou e não conseguiu. Não teria tempo hábil pra mudar de dura pra saibro. Para 2018, a gente está tentando ver como pode fazer isso ser possível.”

Interesse no torneio feminino e valores dos ingressos

Com relação a esse assunto, argumentei com Lui Carvalho que não seria justo dizer que o torneio está cobrando o mesmo pelos ingressos de segunda a quinta, já que ano passado o Rio Open tinha um torneio feminino e, logo, o dobro do número de partida. Este ano, o preço é o mesmo, mas só para jogos masculinos. Ele respondeu argumentando que o interesse era mínimo para a chave feminina.

“Você tem a metade de partidas para ver, mas a gente foca no conteúdo, né? Não vou conseguir concordar com você. Se você fizer uma enquete com as pessoas, quantas compraram pra assistir a um jogo do feminino? Quando a gente toma a decisão de tirar o feminino, foi a primeira coisa que a gente falou: ‘a gente vai perder conteúdo?’ A gente fez uma enquete com várias pessoas. O nível do evento já começa muito diferente. Vamos imaginar que fosse um WTA International que tivesse uma Radwanska de cabeça 1 – eu sei que você adora a Radwanska. O nível já começa diferente. Com a data contra Doha e Dubai, o gap ficava ainda maior. A gente teve muita sorte de as brasileiras fazerem boas campanhas nos três anos. (…) Quantas pessoas compraram ingresso para ver a Schiavone? Não sei, mas você concorda comigo que as pessoas compraram ingresso para ver o Nadal, o Tsonga, o Isner? Até acho que quando a gente anunciou a Bouchard, a Madison, não mexe no ponteiro. Não mexe mesmo.”

Venda de ingressos

Até esta quarta, o Rio Open tinha vendido cerca de 60% dos ingressos e ainda havia bilhetes para todas sessões. Segundo Lui Carvalho, a final no domingo de Carnaval não atrapalha a venda. O torneio, aliás, vende pacotes de tênis+carnaval por meio da Faberg, agência parceira. Os ingressos estão à venda aqui.

Expectativa por uma boa campanha de Bellucci e Monteiro

Aqui, é interessante lembrar que Lui Carvalho não fala só como diretor do Rio Open, mas como manager da carreira de Thomaz Bellucci. A relação deles é de longa data e vem desde quando a carreira do tenista era gerida pela Koch Tavares. Lui, então funcionário da Koch, já era o responsável por administrar tudo relacionado a Bellucci.

“Acho que está na hora de o Bellucci e o Thiago fazerem alguma coisa especial no Rio Open. Tá na hora! Eles precisam, sabe? Bellucci precisa meter uma semi num ATP 500 no Brasil. Eles precisam disso. Isso vai ajudar o nosso esporte. Esses caras precisam botar o coração na quadra e dizer ‘eu vou fazer o que o Guga fez’. O Guga levou o tênis nas costas durante seis, sete, oito anos. Eles precisam fazer isso. A gente precisa disso. Estou apostando nisso.”

“Minha conversa com o Thomaz no fim de 2016 foi essa. ‘Você tem 30 anos de idade, entendeu? Ou você vai ou você vai. Não quero que você chegue no final da carreira Rubinho Barrichello. É a única coisa que não quero. Quero que você chegue Felipe Massa. Comoveu a galera. O Thomaz está numa fase que casou, está mais responsável, está numa fase boa pessoal. Ele precisa botar isso dentro de quadra.”

“Acho que os jogadores não entendem a responsabilidade deles dentro do esporte. Acho que eles olham muito a conta bancária deles e ‘ah, tá pingando’ e não entendem que o que eles fazem dentro de quadra move milhões de pessoas. Eles precisam ter mais essa consciência. É muito mais do que a vida deles, do que o patch da manga.”

Lista de participantes


Rio Open traz Eugenie Bouchard
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Alexandre Cossenza

O Rio Open driblou as dificuldades do calendário e do dólar alto e conseguiu um nome de peso para a chave feminina: a canadense Eugenie Bouchard, 21 anos e ex-top 5, será a grande estrela do evento em 2016.

Bouchard foi finalista de Wimbledon em 2014, quando fez sua ascensão no circuito mundial e alcançou o top 5 pouco depois, no mês de outubro. Ano passado, a bela canadense foi apontada como a atleta com maior potencial de marketing do mundo segundo a SportsPro Media. Neymar ficou em segundo lugar na mesma lista.

O diretor do torneio, Lui Carvalho, conseguiu fechar com Bouchard na última hora, já que o período para inscrições no Rio Open terminou nesta terça-feira. É o nome de maior peso do torneio feminino em três edições, algo que Carvalho queria desde que o evento veio para a capital fluminense.

Driblando o calendário

O maior desafio para o Rio Open atrair nomes de peso para a chave feminina sempre foi o calendário. O evento, que tem premiação de US% 250 mil, está isolado na América do Sul em fevereiro e é disputado no saibro. É complicado competir com os eventos de Dubai e Doha, em datas coladas e com premiações muito maiores (US$ 2 milhões e US$ 2,8 milhões, respectivamente).

Logo, as melhores tenistas preferem ir ao Oriente Médio para duas semanas de eventos fortes a viajar até a América do Sul para um evento modesto. E ainda há a questão do piso. Quem opta pelo saibro precisa se readaptar às quadras duras para Indian Wells e Miami, torneios fortes na sequência. A turma que vai a Dubai e Doha evita esse problema adicional.

Deve ter ajudado o fato de Bouchard ter vivido um 2015 dos infernos, que fez seu ranking cair para o atual 49º posto. Depois de alcançar as quartas de final do Australian Open, a canadense teve poucos resultados expressivos e envolveu-se numa polêmica ao não cumprimentar a romena Alexandra Dulgheru em um sorteio da Fed Cup.

Quando parecia prestes a reencontrar o caminho e alcançou as oitavas de final no US Open, em setembro, a canadense escorregou no vestiário, bateu com a cabeça na queda e sofreu uma concussão, sendo forçada a abandonar o último Grand Slam de 2015. Bouchard processou o US Open, e a questão corre na Justiça.


Tutorial: como se programa uma rodada de um torneio grande
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Alexandre Cossenza

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O Rio Open, torneio ATP 500 e WTA International, terminou com mais elogios do que críticas e, é justo dizer, talvez tenha sido o mais bem organizado evento de tênis nos últimos anos em solo brasileiro. O evento, no entanto, terminou teve sua polêmica. A longa (e quente!) sexta-feira começou às 13h, com reclamações sobre o horário de início do jogo entre Sara Errani e Bia Haddad, e só terminou às 3h18min, quando Rafael Nadal eliminou Pablo Cuevas.

Em entrevista coletiva, Lui Carvalho, diretor do torneio, deu suas explicações. Depois, ao fim do torneio, conversou só comigo e explicou tudo, detalhe por detalhe, que foi levado em consideração na montagem da programação daquela sexta-feira. E como muitos leitores (e até jornalistas) não sabem como é o processo, faço este post, que acaba sendo uma espécie de tutorial de como se monta um dia de um torneio grande.

Primeiro, lembremos a resposta oficial sobre a polêmica da sexta-feira. Muitos levantaram a hipótese de que a partida entre Fabio Fognini e Federico Delbonis (penúltima do dia na Quadra Central) deveria ter sido transferida para a Quadra 1 (menor, com capacidade para cerca de mil pessoas). Na coletiva de domingo, Carvalho deu a seguinte explicação.

“O que aconteceu foi um caso daqueles que acontecem uma vez em um milhão. Os jogos se prolongaram por muito mais do que normalmente. Naquele dia, a WTA teve o heat policy (regra que dá aos tenistas dez minutos de intervalo entre o segundo e o terceiro sets em dias com muita sensação de calor) no jogo da Bia… O jogo parou por dez minutos… Muitos jogadores pedindo fisioterapeutas, toilet breaks, essas coisas. Essas paradas acontecem, estão dentro das regras, mas não são tão comuns do jeito que aconteceu. O que vem se discutindo bastante era a decisão do torneio de mover o jogo do Fognini para a Quadra 1. A gente foi acompanhando a situação, mas sobre a nossa decisão, a gente reforça que foi acertada por alguns motivos. Primeiro: o jogo que poderia ter sido mudado, na verdade, nas condições que a gente estava, era o do Nadal (contra Pablo Cuevas), mas obviamente que a gente não moveria o jogo do Nadal para uma Quadra 1, onde cabem mil espectadores, existem vários riscos de segurança, não tinha TV, coisas desse tipo. O segundo: como o jogo do Fognini não poderia ter sido mudado naquele momento, e ele estava entrando na quadra às 9h da noite. Se você falar para mim ‘são dois jogos a partir das 9h da noite’, não é nada absurdo. Acontece que o jogo do Fognini se arrastou por muito mais do que a gente previa e aconteceu o que aconteceu (Nadal só foi pidar na Quadra Central à 1h). E também na Quadra Central nós temos TV, temos um contrato de televisão (com a ATP Media) que nos força a mostrar as quatro quartas de final e, naquela situação, com o jogo entrando às 9h da noite, a gente achou que a decisão mais correta era manter o Fognini na Quadra Central. Enfim, foi um incidente que aconteceu, o jogo se arrastou um pouco mais, e o Nadal acabou entrando tarde. Mas nada que não tenha sido comunicado claramente com os jogadores no momento.”

Agora, sim, vamos ao tutorial, que vai dar detalhes de como a programação daquela sexta-feira foi estabelecida. E, para que fique tudo bem claro, é preciso lembrar da programação de quinta-feira. Veja ela abaixo.

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É importante saber a programação de quinta porque a reunião que estabelece os horários do dia seguinte é sempre realizada por volta das 17h. É quando se sentam à mesma mesa o diretor do torneio, o supervisor da ATP, o supervisor da WTA, os tour managers e um representante da TV (no caso, da ATP Media, que envia as imagens para o mundo inteiro). E muita coisa entra nessa balança.

A chave de duplas é uma delas. Notem que na quinta-feira, Pablo Andújar jogaria sua partida de simples às 19h e a de duplas um pouco depois (de descansar). Logo, a organização, que montou o calendário às 17h, precisava considerar a hipótese de o espanhol avançar nas duas chaves. Se isto acontecesse, como manda a regra, Andújar não poderia fazer o último jogo de simples, já que precisaria também jogar duplas (o regulamento da ATP manda que um tenista sempre jogue sua partida de simples antes da de duplas).

Como Andújar enfrentava Fognini na quinta-feira, o vencedor daquele jogo foi escalado para a penúltima partida da sexta-feira, o que significava deixar como último confronto o vencedor de Nadal x Carreño Busta contra Pablo Cuevas. Até aí, nenhum problema, já que o próprio Nadal pediu para jogar no último horário (a organização não é obrigada a atender os pedidos). E vale lembrar que escalar Andújar/Fognini x Delbonis mais cedo causaria outro tipo de problema. O vencedor deste jogo teria muito mais tempo de descanso do que Nadal/Cuevas. Sim, tudo isso precisa ser levado em consideração.

“O Ferrer jogou primeiro porque estava livre desde quarta-feira à noite. A partir do momento que passa a segunda rodada, você começa a pensar na seção (da chave) para não dar vantagem. Se, por exemplo, Nadal jogar quinta de manhã e o oponente jogar quinta à noite, é injusto porque um tem muito mais tempo de descanso. Segunda e terça, você nem pensa tanto na seção, mas a partir de quarta você já começa a juntar as seções. Uma vai de dia (a metade de baixo, com Ferrer) e a outra vai de noite (com Nadal)”, explicou Carvalho.

Logo, a programação oficial de sexta-feira saiu assim:

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E ainda há algumas coisas a ressaltar. Segundo Carvalho, o regulamento da ATP diz que, em casos assim, apenas a última partida pode ser levada para outra quadra. Foi, aliás, o que aconteceu com a partida de duplas na noite de sábado. Quando Marach, Andújar, Oswald e Klizan entraram em quadra, havia apenas uma pessoa lá (a Aliny Calejon, que contou tudo em seu site, o Match Tie-Break).

Alguém pode indagar o porquê de se fazer a programação antes do fim da rodada, mas o motivo é simples. É preciso dar tempo para que os tenistas – especialmente aos que atuarão na sessão diurna – se preparem. Todos horários na vida de um atleta profissional são programados de acordo com o horário de um jogo.

Um ponto que ratifica o raciocínio de Carvalho no que diz respeito ao timing dos jogos foi o próprio andamento do torneio. De segunda a quinta-feira, o Rio Open teve seis partidas na Quadra Central, com a primeira delas começando às 11h. Não houve nenhum problema quanto a horário. A sexta-feira, que tinha um jogo a menos, começou às 13h. Não havia como imaginar uma sessão tão longa.

Coisas que eu acho que acho:

– Foi impressionante o número de pessoas que ficaram no Jockey Club Brasileiro madrugada adentro até a partida entre Nadal e Cuevas. A estimativa era de mais de 4 mil pessoas no clube. E foi bom ver, como escrevi no post anterior, que os estandes de comida e seguiram ficaram até além da meia-noite.

– A quem diz que foi um erro escalar Bia Haddad e Errani por causa do calor, a WTA passou uma informação importante. A sensação de calor na Quadra Central era maior às 16h do que ao meio-dia. Logo, não é justo culpar a organização pelas cãibras da brasileira.

– O torneio de Acapulco, que acontece esta semana, tem dilemas parecidos. É um evento grande, com chaves masculina e feminina, e precisa lidar com o calor. Por isso, começa a programação diariamente às 16h. A grande diferença é que o torneio mexicano usa seis quadras enquanto o evento brasileiro aproveitou, no máximo, quatro (três na sexta-feira).


Um Rio Open melhor e mais caro
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Alexandre Cossenza

O Rio Open 2015 foi lançado nesta quarta-feira com muita pompa. Globais no palco, os melhores tenistas do Brasil disponíveis para entrevistas e meia dúzia de patrocinadores (numa longa introdução) dizendo de seis maneiras diferentes como é importante a parceria com o evento, que continuará com sede no Jockey Club Brasileiro. Na parte prática, a que interessa para o fã de tênis, nenhum nome de peso foi anunciado (Rafael Nadal já está confirmado há algum tempo), mas os preços foram revelados e algumas mudanças no complexo estão encaminhadas.

Comecemos pelos valores, que estão no quadro abaixo. Ver o torneio do ano que vem sairá mais caro. Em 2014, para comprar todas sessões o fã teria de desembolsar, no mínimo, R$ 1.140. Em 2015, o menor preço possível é de 1.620. É uma diferença considerável – fiz o cálculo desconsiderando meia-entrada e usando o valor das cadeiras laterais em todas as sessões.

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Na prática, a diferença é um pouco menor (mas só um pouco) porque este ano não haverá a cobrança de taxa de conveniência. Lui Carvalho, com quem conversei após a coletiva, explica o reajuste:

“Quando se precifica um ingresso pela primeira vez, você não tem parâmetro. A gente podia ter colocado aquele valor e não ter vendido nada, e a imprensa iria falar que era muito caro. Vendeu super bem, mas a gente não acredita que vendeu super bem porque o preço dos ingressos estava baixo. Vendeu super bem porque no builup no evento, as pessoas começaram a falar bem. A gente tinha Nadal, a estrutura era incrível. Agora, com um ano nas costas, a gente entende o valor do evento. É uma acomodação que você tem. Você faz o primeiro ano, bota um preço e começa a comparar com os outros eventos e com o que eles entregam, que jogadores têm, qual é a estrutura. Então poxa, a gente tem que elevar nosso patamar. A gente está onde está o 500 de Pequim, o 500 de Valência, que é um evento super top. A gente precisa elevar e encontrar nossa zona de conforto de preço de ingresso. É elevado porque a gente sabe que tem Nadal, a gente sabe que vai entregar uma área de comida incrível… O evento é top. Mas mesmo assim, os ingressos não estão caros. Eles subiram, mas a gente não cobra mais taxa de conveniência. Você já joga 10% abaixo. Tem taxa de entrega (fixa, de R$ 29, em vez da do ano passado, que era cobrada a cada ingresso adquirido), mas se você quiser que entregue na sua casa. Vai ter a opção de pegar aqui. Então os ingressos subiram de 30 a 50%, mas se você tira os 10%, já fica de 20 a 40%. A inflação está 9%. O número, 30 a 50%, dá uma assustada, mas se você comparar nossos eventos com os outros, a gente está na linha do que os outros estão cobrando.”

RioOpen_Complexo_blog

Vamos, então, às outras mudanças anunciadas na coletiva:

– Uma quadra a mais (serão nove no total). Faz uma boa diferença. E Carvalho prometeu, inclusive, que isso facilitará a inclusão de jogos de duplas dos brasileiros na quadra central – algo que foi motivo de polêmica na edição deste ano.

– Uma arquibancada nova. Ficará no fundo da quadra 2 (vide mapa). Melhorará o acesso de quem quiser acompanhar os treinos dos principais tenistas.

– Melhorias na área de alimentação

– Novo acesso, com caminho mais curto desde a entrada até a área de jogo.

Umas das preocupações quando o torneio acabou em 2014 (e essa entrevista explicou muito na época) dizia respeito aos muitos assentos vazios, embora não houvesse mais bilhetes disponíveis ao público. Lui Carvalho explicou que muito daquilo aconteceu porque entradas ficaram nas mãos de patrocinadores que não preencheram os espaços. Nesta quarta-feira, o diretor do torneio mostrou-se mais esperançoso para a edição 2015.

“No primeiro ano, é difícil para o patrocinador fazer uma logística de distribuição de ingresso. Agora ele entende melhor o evento. Não vão ficar muitos assentos vazios. Mas algumas coisas é impossível fazer. A gente não vende ingresso com visão parcial (alguns fãs deixaram assentos vazios nas laterais da quadra e mudaram-se para assentos com visão parcial, que não foram colocados à venda – o que provocou parte dos “buracos” nas arquibancadas). Outros eventos fazem, mas a gente não vai fazer isso. E alguns ingressos a gente tem que reservar para efeito de alguma emergência, do tipo alguém que senta em uma cadeira quebrada e precisa trocar de ingresso. A gente vai melhorar. É difícil consertar 100% de um ano para o outro, mas a gente vai melhorar.”

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Coisas que eu acho que acho:

– Não deixa de ser um pouco preocupante, mas na coletiva do Rio Open do ano passado, também realizada no dia 3 de dezembro, dois grandes nomes já estavam confirmados (Nadal e Ferrer). Este ano, apenas Nadal é presença certa (se outra lesão não vier, claro). Será que ainda vem mais gente de peso? E será que teremos casa cheia “só” com Nadal?

– O torneio de 2015 será disputado de 16 a 22 de fevereiro, com os primeiros dias durante o Carnaval (dia 17 marca a terça-feira do feriado). A organização do evento e o o secretário de turismo do Estado do Rio, Antônio Pedro Figueira de Mello (também presente) acham que os dois eventos se complementam. Dá para concordar. Já vi um belo Brasil Open em São Paulo no mesmo período. Lá, com o trânsito mais leve, o acesso foi ainda mais fácil. No Rio, com tantos blocos de rua na Zona Sul, talvez não seja tão simples chegar ao Jockey Club. Aguardemos para ver.

– Falando em acesso, nem tudo melhora no Rio Open. O torneio continuará sem estacionamento, pedindo ao público que use transporte público. Foi assim em 2014. Os táxis, nem sempre fáceis de encontrar, fizeram a festa.


Entrevista: diretor festeja sucesso e dá explicações sobre o Rio Open
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Alexandre Cossenza

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Tenistas felizes, patrocinadores felizes, público feliz. A edição inaugural do O Rio Open teve suas falhas, mas acertou mais do que errou. De modo geral, os fãs com quem conversei saíram felizes do evento. Todos atletas que falaram com a imprensa também deixaram a cidade elogiando o torneio. Os jornalistas também ficaram satisfeitos (não vi ninguém lamentando no último dia).

Há muito a melhorar, claro. Até 2015, a organização quebrará a cabeça para encontrar um jeito de não deixar assentos vazios na Quadra Central (mesmo com todas entradas vendidas) em horários nobres. É também preciso se adaptar ao público carioca, que pouco comparece durante o dia. Para abordar um monte de assuntos, conversei com Luiz Carvalho, o Lui, diretor do Rio Open, após a final.

Foi mais um bate-papo do que uma entrevista (embora com gravador ligado), como deve ser sempre, e reproduzo a conversa quase na íntegra. Cortei apenas um par de assuntos que não diziam respeito ao Rio Open, mas surgiram no momento. É um texto longo, mas garanto que está ótimo para quem se interessa por tudo que está por trás das câmeras. Lui fala sobre uma série de fatores, como as polêmicas envolvendo as duplas, o que fazer (e não fazer) para atrair nomes de peso do circuito feminino, o número de ingressos distribuídos a patrocinadores, os meios de acesso ao Jockey Club Brasileiro, a quantidade de camarotes… Leiam porque tem muita coisa legal!

No fim das contas, o torneio fecha com um balanço positivo, não?
Bem positivo.

O que te deixou mais feliz?
Vários fatores. Quando a gente projetou o evento, a gente queria, número 1, agradar ao público, e o feedback foi sensacional. Número 2, agradar aos patrocinadores, e o feedback, melhor impossível. E número 3, agradar aos jogadores, e todos falaram super bem do evento. Óbvio, tem coisas que a gente pode entrar em detalhes, de mudancinhas para deixar o evento ainda melhor, mas cara… Em um evento combined, os jogadores saírem falando bem é difícil. Você sabe que rola um atrito, uma coisa “elas x eles”. Quadra de treino, transporte… Todo mundo falou super bem. E a imprensa também, né? Houve falhas? Sem dúvida. Mas muita coisa de primeiro ano, de equipe nova, de lugar novo, que é muito fácil de corrigir. A gente não cometeu nenhum erro grave.

Era o que eu iria falar. Eu reclamo e tuíto, mas vejo que não é nada gigante, que não possa ser corrigido ou que tenha prejudicado a imagem do torneio.
Exatamente.

A maior crítica que se faz e se fez, desde o primeiro dia, foi na questão dos ingressos. Qual é avaliação de vocês sobre a causa disso (muitos assentos vazios, até em sessões com bilhetes esgotados) e o que pode ser feito? Talvez seja cedo para perguntar isso, mas vocês já avaliaram isso durante o torneio?
Para começar, sim. A gente fez uma estratégia de duas sessões para a manhã não ficar vazia. Os ingressos de manhã, de segunda a quinta, eram muito baratos. A gente distribuiu muita coisa para projetos sociais, enfim, para deixar o evento acessível para quem não tem poder aquisitivo de vir à Zona Sul e pagar. Surtiu algum efeito. Em alguns dias, até surpreendeu o público de dia. Hoje (domingo), com o sol que estava no Rio de Janeiro, com um jogo 11h30min, difícil dar público. Aliás, a gente estava discutindo nos vestiários: a única pessoa que botaria público num estádio às 11h30min seria o Nadal, e mesmo assim não iria lotar por causa do sol. Então é aquele negócio: ajuste de primeiro ano. A gente viu como o público se comporta. O carioca gosta de vir mais no fim do dia mesmo. A gente tem que fazer ajuste nesse sentido, botar os jogos mais tarde. A gente não botou os jogos mais tarde neste primeiro ano por causa do risco de chuva. As pancadas de chuva caem no final do dia, então a gente tinha que ter certeza que alguns jogos iriam terminar antes de chover e atrapalhar tudo.

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E a questão dos ingressos?
A questão do ingresso… Os buracos que na arquibancada eram muitos ingressos distribuídos para patrocinador que acabou não vindo, e alguns assentos bloqueados por a gente não ter certeza que tinha visão (completa da quadra). Por exemplo: onde estava coberto, ali no canto, de mil ingressos, só 700 a gente deu porque era inviável assistir a um jogo de tênis ali.

O outro fundo de quadra tinha as câmeras…
Tinha um pedaço, e a gente bloqueou esses assentos para se precaver de não ter reclamação. Ingresso marcado é muito complicado. No fim, concordo: ficaram buracos vazios, mas hoje deveria ter umas 300 cadeiras vazias.

Foi o dia que menos teve buraco.
Mas é muito ingresso de patrocinador e lugares que a gente não abriu ingresso para não ter reclamação. A gente teve um super cuidado com esse negócio da visão da quadra, sabe? Tem uma série de normas de bombeiro, tamanho dos corredores, enfim, várias coisas que a gente tomou cuidado para não errar. O que aconteceu no Brasil Open (em São Paulo, onde muitas pessoas tiveram de ver as partidas sentados nas escadarias do Ibirapuera)… Uma vez que os fãs tiveram uma experiência ruim, como no ano passado, é muito difícil apagar. O torneio fica marcado. A gente poderia ter vendido mais ingresso e deixado a quadra mais cheia? Quem sabe, sim, mas são ajustes pequenos que a gente precisa fazer. Quanto que um patrocinador principal precisa realmente de ingressos? Precisa de tudo isso? Podemos dar uma reduzida? É ajuste. Em primeiro ano, é natural que isso aconteça.

Você falou em colocar jogos mais tarde. Quase sempre as rodadas começaram às 10h e tiveram seis jogos na Quadra Central. É preciso ter seis jogos lá? Porque eu estava imaginando… Você pode começar a rodada da Central às 15h e passar dois jogos para as quadras secundárias?
Não, não precisa ter seis jogos na Quadra Central, mas quando a gente fez a grade, a gente não sabia quem vinha de masculino e feminino. A gente negociou com Wozniacki, Kirilenko, Ivanovic… Se vem uma dessas, junto com as brasileiras, precisaria jogar na Central. No masculino, a gente também não sabia como seria o corte. Na terça-feira, ficou apertado. Jogaram Almagro e Robredo dentro (da Central), Fognini jogou fora e deveria ter jogado na Central, mas jogou na 1. É complicado fazer esse negócio antes de testar uma vez. Agora, vendo, quem sabe a gente pode começar um pouco mais tarde, reduzir um pouco os jogos da Central e tentar jogar um pouco mais para a frente. E de novo: deu muito certo porque não choveu, mas se tivesse chovido, ter começado às 10h teria dado um alívio.

Mas ATP e WTA exigem o que em relação à Quadra Central? Precisa ter dois jogos de WTA?
Não, mas foi o que a gente se comprometeu a fazer. E uma vez comprometido, virou palavra. Tanto é que no dia do Bruno (Soares, que teve de fazer sua semifinal Quadra 1), teve uma negociação com a WTA. “Eu não tenho um jogo bom de vocês. Deixa jogar o Bruno na Central porque ele jogou duas vezes aqui fora e ficou lotado, é questão de segurança…” e você faz uma negociação. O masculino é um contrato de TV internacional, de ATP Media, que são quatro jogos por dia a partir de segunda-feira. Acho que segunda-feira foi um dia atípico porque não tinha bons jogos para TV internacional quanto deveria. É um contrato genérico. Todos ATPs 500 a partir de agora terão quatro jogos na Central, com TV internacional.

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Colocar câmera na Quadra 1 não resolve essa exigência?
Resolve. O problema é que é muito difícil você conseguir montar duas estruturas iguais de câmeras na Central e na 1. A Central tinha nove câmeras, a 1 tinha seis. A transmissão não é igual. A ATP Media não gosta disso. Ela quer uma consistência, um padrão. Na segunda-feira, a gente poderia ter aberto na 1, mas tem que abrir na Central. A gente queria ter aberto até com um jogo melhor. O que o SporTV fez foi um investimento muito alto, que é colocar câmera em duas quadras. Porque eles acreditaram no produto. A gente também tem a obrigação de dar mais jogadores para fazer sentido ter TV em duas quadras. Se não fossem os brasileiros da dupla, provavelmente não precisaria, mas a gente sabia já. Toda essa questão do Bruno, de ele ter ido à imprensa e falar, eu falei para ele… Foi super precipitado. A gente botou TV na Quadra 1 exatamente para ele porque sabia que não iria sobrar espaço. Achei que ele podia ter lidado com a situação um pouco melhor.

E a final (de duplas, que não foi exibida ao vivo pelo SporTV)?
Eu falei para o Marcelo… Se ele tivesse jogado a final de duplas na Quadra 1 com essas 500 pessoas, o ambiente teria ficado muito melhor do que jogar na Quadra Central. Uma quadra de 6.200 pessoas com 500 espectadores é muito diferente de uma quadra de mil com quinhentas. O Bruno e o Marcelo deveriam ter jogado a semifinal com a quadra lotada. E aí a gente faria um negócio na Quadra Central para a final. É aquele negócio… As coisas acontecem, a gente toma decisões, mas olhando para trás, fica bem mais fácil. A Quadra Central com o Bruno na semi… Zero ambiente. Não tinha ambiente nenhum.

E você não tem como obrigar a pessoa que compra ingresso pensando na final masculina, marcada para começar às 17h, a ver um jogo que inicia às 11h, sob um sol do capeta…
A final (de duplas) estava originalmente marcada para sábado. A gente sempre trabalhou com o SporTV com a (hipótese de) final no sábado. Se houvesse um brasileiro na final, a gente tentaria encaixar ou no sábado, depois das duas semis, ou no domingo, antes da final feminina. A gente foi trocando figurinha, e houve um mal entendido entre o SporTV, eu e o supervisor. De a gente ter falado “o SporTV tem a opção de passar a final no domingo às 11h30min”, e o supervisor entendeu que esse era uma opção que os jogadores poderiam ter ou não. E passou para os jogadores, então eles falaram “quero domingo”. Só que o SporTV estava ainda decidindo se a grade seria no sábado, às 12h, ou domingo, às 11h30min. E o SporTV disse “minha grade é sábado, meio-dia”. Quando a gente falou isso, já era 20h de sexta-feira, e o Marcelo (Melo) não quis voltar meio-dia para jogar. “Ou você joga com TV amanhã, meio-dia, ou você joga sem TV às 11h30min, no domingo”. Ele falou “quero jogar sem TV, no domingo”. E aí parece que teve Twitter do Jorge Lacerda (presidente da CBT), enfim… Gente que não tem informação e corneta. Custa? Liga e pergunta. Mas prefere cornetar sem saber o que aconteceu.

O contrato com o Jockey era só para este ano?
É um acordo de um ano que a gente ficou de reavaliar no final do evento. O clube é dos sócios, então… Se eles gostaram, se eles querem de volta… Pelo feedback inicial, todo mundo gostou.

Lui_sorteio_blogE vocês gostaram também, não?
Cara, achei sensacional. Para o primeiro ano, foi redondo. Existem coisas que precisam ser ajustadas. No começo da semana, deu um burburinho com estacionamento, que um ou outro reclamou e que no fim das contas nem foi tão levado adiante, mas assim… Depois de um ano, quem sabe a gente pode investir em bolsão, em trazer gente do Shopping Leblon, do Parque dos Patins, enfim, há opções que a gente pode trabalhar para 2015 e melhorar essa questão do estacionamento, que nem foi um problema tão grande.

Teve gente reclamando de táxi.
Teve gente reclamando, mas assim… Existe um serviço que pode ser melhorado. Não é que foi esquecido. Quem sabe fazer mais contato com cooperativa para fazer uma frota maior na saída do estádio. Demorou um pouco a fila. Mas de novo, é ajuste, nada super grave.

E de resto?
A Quadra Central ficou bem redonda, as quadras de fora… (mudando de tom) Eu sou fã da Quadra 1! É a mais legal de todas. Fica todo mundo juntinho, pertinho…

Da Quadra 1, a minha queixa ali era o assento. Não é que seja bom ou ruim, mas ele não é retrátil e fica no sol o dia inteiro, aí você vai sentar e ele tá quente. E não é pouco quente, é muito quente.
Muito quente. Esse é o feedback. Agora, a Quadra 1 tem uns pontos de sombra. Mas é legal porque você fica muito perto. Quadra grande… Até tem umas coisas que eu quero mudar nessa Quadra Central para deixar a galera mais perto ainda.

Eu achei que tinha camarote demais. Mas muito torneio faz essa opção. Madri, por exemplo, tem “8 mil” camarotes, e a arquibancada começa lá no alto. Só que cada torneio faz seu balanço de quanto precisa vender aqui e ali, né?
Exatamente. E você vê… O Brasil Open tem 12 camarotes, seis de cada lado. Tem pouquíssimo, e mesmo assim não vende. E aqui no Rio foi absurdo. Eram 50 camarotes, se não me engano. Vinte eram de patrocinadores, e 30 foram vendidos. Esses 30 esgotaram em questão de dias, rapidíssimo. E é um público importante. O VIP… Você precisa dar esse serviço. Você não pode botar um presidente de empresa na arquibancada. Tem que ter um assento melhor para um pessoal de nível mais alto. E o tênis tem esse número de gente, então funciona bem.

A cobertura…
No nosso projeto inicial, eram duas áreas cobertas. A gente teve que abortar uma por falta de espaço para montar a estrutura.

Era o outro fundo de quadra?
O outro fundo. E agora a gente vai ter que sentar e discutir.

Era outra pergunta que eu tinha aqui. Será que compensaria ter mais setores da Quadra Central cobertos? Com mais sombra, haveria mais gente nas sessões diurnas, quando o calor é enorme?
É difícil dizer, né? É difícil você dizer isso, mas essa questão de jogo, de schedule, foi olhada com muito cuidado. Até a rain policy (devolução ou troca de ingressos no caso de falta de jogos por causa de chuva) de uma hora de jogo. Porque tem muito torneio que você comprou ingresso, choveu, ele não te retorna. A gente pesquisou, foi atrás, a IMG ajudou. É difícil avaliar mais espaço coberto, mas não tem como fugir. Qualquer torneio do mundo: Roland Garros, Australian Open…

O Australian Open é um inferno de quente, mas acho que a sensação aqui no Rio de Janeiro é pior por causa da umidade.
Tenho minhas dúvidas porque todo mundo que estava na Austrália falou para mim que aqui é muito mais gostoso. Que lá é insuportável, uma sauna, e aqui é úmido, mas não estava tão abafado. O Nadal sente porque sua que nem um camelo… Mas hoje estava quente! Se tivesse feito um dia desses na segunda-feira, iria assustar. A gente botou ventilador na quadra, a gente tem que trabalhar para dar uma aliviada porque não tem como desligar o sol. No fim das contas, ficou um clima bom até hoje. Hoje estava bem quente.

Para 2015, com o torneio nessa data, continuará a dificuldade para trazer alguém de peso da WTA?
Dubai e Doha continuam na mesma data, não tem o que fazer.

Você falou em Ivanovic, Wozniacki… Quais eram os argumentos para tentar convencer uma menina dessas a vir até aqui, deixando Dubai e Doha, que pagam muito mais e são em quadra dura?
Em 2015, a gente está sozinho em fevereiro. Florianópolis descolou (o torneio catarinense será em no segundo semestre na próxima temporada), Bogotá acabou, tinha um 125K em Cáli que não teve este ano, então a gente está sozinho, no meio do nada. É muito difícil porque o prize money de Doha e Dubai é muito alto. Para uma jogadora, vale muito mais a pena passar um quali e passar uma rodada do que fazer semifinal aqui. Então tem que ser financeiramente interessante para ela vir para o Rio. Cara, a gente tem um know-how da IMG enorme. A gente não faz nenhuma loucura. Eu não vou pagar nenhuma loucura para vir Ivanovic, para vir… Vou pagar o que é justo, e aí é difícil convencer. Essa foi a dificuldade. Um Ferrer, um Del Potro, um Gasquet… Ele vende mais do que uma top WTA aqui no Brasil, na minha visão.

E você corre o risco de trazer uma top e colocá-la numa chave como a deste ano, aí não vai ter jogo. Não precisa ser a Serena Williams…
Aí que tá. A gente apostou em gente que não está mais ligando para ranking e ponto e que está mais “cara, vou num torneio bacana, no Rio de Janeiro, uma cidade atrativa”. A gente vai ter que continuar buscando isso: soluções criativas para 2015. Não vou te falar “vai vir a Radwanska, a Wozniacki e a Ivanovic”. Não é o foco. E o mais legal de tudo, na verdade, foi o ressurgimento de Teliana e Thomaz. Hoje eu vi uma foto da Teliana em Florianópolis. Tem foto dela chegando no aeroporto! Foi recebida como estrela. E o Thomaz que reacendeu uma esperança, a galera foi super bacana com ele. Então temos que pensar nas brasileiras mesmo para 2015. Acho que a Paula (Gonçalves) e a Bia (Haddad) têm que aparecer. Está na hora de elas chegarem onde a Teliana está.

Na ATP, é mais fácil…
Com certeza, num 500 é mais fácil. Nadal gostou, e ganhar um título ajuda bastante a ele voltar para defender. Não queremos ficar nisso. A gente quer trazer gente nova para cá. Temos a IMG do lado para poder fazer isso. E acho que o próprio sucesso do primeiro evento… O que a gente queria criar, que era uma conversa de vestiário, a gente vai ter sucesso. O pessoal fala bem, gostou muito da cidade do hotel, do transporte, da comida, do jeito que eles foram tratados, e por ser um 500 também facilita bastante.


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