Saque e Voleio http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br Se é sobre tênis, aparece aqui. Mon, 18 Jun 2018 14:29:08 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Sem surpresas: arrancada de Federer na grama não poderia ser melhor http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/18/sem-surpresas-arrancada-de-federer-na-grama-nao-poderia-ser-melhor/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/18/sem-surpresas-arrancada-de-federer-na-grama-nao-poderia-ser-melhor/#respond Mon, 18 Jun 2018 08:00:30 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=6811

Ele ficou três meses sem jogar, evitando desgastes físicos (e embates com Rafael Nadal) e fora dos estresses do circuito. Voltou conquistando um título no ATP 250 de Stuttgart, retomando a posição no topo do ranking e começando a readquirir o ritmo que já lhe coloca como o grande favorito ao título de Wimbledon. Resumindo? A volta não poderia ser melhor para Roger Federer.

A conquista em Stuttgart não tem nada de surpreendente, mas não seria drama se o suíço tivesse perdido para alguém como Mischa Zverev, Nick Kyrgios ou Milos Raonic. Perdeu sets para os dois primeiros, mas esteve afiado o bastante na final contra o canadense e triunfou sem perder parciais.

Ao repetir o calendário de 2017, Federer aposta numa fórmula que já teve sucesso. Ele sabe que é o melhor tenista do circuito na grama e que se chegar a Wimbledon em plenas condições físicas, será difícil perder – ainda mais com Novak Djokovic ainda aquém do seu melhor e Andy Murray sem jogar há um ano. Sem os principais rivais dos últimos anos, o caminho para o nono título na grama do All England Club parece bem desenhado.

Hoje, as principais ameaças a Federer seriam Cilic, Zverev, Raonic, Kyrgios e Djokovic – não necessariamente nesta ordem, mas Zverev ainda não se recuperou fisicamente de Roland Garros, Kyrgios e Raonic estão sempre às voltas com alguma lesão, e Djokovic ainda é, de certo modo, um ponto de interrogação. Resta Cilic, que tem boas chances, ainda que poucas pessoas apostem nele contra Federer numa melhor de cinco.

Segundo as casas de apostas, o segundo favorito ao título é Rafael Nadal, mas me parece o tipo de cotação mais preocupada em preservar a “banca” do que uma expectativa real de boa campanha do espanhol em Wimbledon. Nadal não passa das oitavas no All England Club desde 2011 e, em 2018, já avisou que não vai a Queen’s para se poupar. Também faria sentido preservar o corpo de 32 anos e nem ir a Wimbledon – se for ao torneio, será porque Nadal é apaixonado pelo slam britânico. No entanto, não parece muito sensato esperar algo espetacular dele por lá.

Resta a Federer seguir afiando seus golpes esta semana, em Halle. Sua devolução já melhorou um bocado desde a estreia em Stuttgart, e os erros da linha de base diminuíram (junto com uma movimentação melhor). O suíço segue como favorito para qualquer jogo durante as próximas quatro semanas. Sem surpresas.

Coisas que eu acho que acho:

– O retorno da semana é de Andy Murray, que fará seu primeiro torneio desde Wimbledon do ano passado. Depois de uma tentativa de recuperação frustrada, decidiu passar por uma cirurgia no início deste ano. Agora, tenta fazer uma apresentação decente em Queen’s.

– A decisão de jogar em Queen’s foi tomada de última hora, e Murray não passou lá muita confiança nas entrevistas que deu. Que ninguém espere o escocês jogando sequer perto de um ótimo tênis. A participação em Queen’s parece muito mais um teste para ver se será possível competir Wimbledon em condições de fazer uma apresentação digna de seu currículo.

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5 coisas que você precisa saber sobre Roger Federer, Nike e Uniqlo http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/14/5-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-roger-federer-nike-e-uniqlo/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/14/5-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-roger-federer-nike-e-uniqlo/#respond Thu, 14 Jun 2018 13:37:40 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=6802

Desde o último domingo, o grande assunto fora de quadra no tênis vem sendo o fim do contrato de Roger Federer com a Nike. A imprensa suíça noticiou que o tenista estaria perto de fechar acordo com a japonesa Uniqlo por incríveis US$ 30 milhões anuais, num contrato de dez anos. Em Stuttgart, antes de estrear no torneio desta semana, o atual número 2 do mundo confirmou o fim do acerto com a Nike, mas disse que o resto é boato e que ainda conversa com a empresa americana.

Mesmo com o suíço falando sobre o assunto, ficou muita coisa no ar. Federer, que é praticamente um duty free ambulante (Rolex, Mercedes, Moet & Chandon, Credit Suisse e Lindt estão entre seus patrocinadores), trocaria a badalada Nike por uma marca que é muito mais conhecida por suas roupas casuais e baratas do que por sofisticação e desempenho? O famoso logo RF ficaria perdido com a Nike? Não há interesse da Nike em manter o maior vencedor de slams em simples da história?

Antes de ir mais longe nas perguntas e especulações, deixo aqui cinco pontos que todo mundo precisa saber sobre negociações desse tipo e que ajudarão a entender as posições de Federer e das interessadas (ou não) em tê-lo como atleta parceiro/embaixador nos próximos anos. Sabendo isso, vai ficar mais fácil entender os próximos passos da negociação.

1. Patrocínio no tênis é institucional

Para quem corre até uma Bayard ou navega furiosamente pela Tennis Warehouse porque quer comprar e vestir exatamente o que seu tenista usa em quadra, é difícil entender, mas é verdade: você é minoria. O volume de vendas no tênis é pequeno. Futebol, basquete, corrida, beisebol, futebol americano… Tudo isso vende muito mais.

Quando a Nike assina com Federer, Nadal, Serena e Sharapova, é para se posicionar. É patrocínio institucional. Não pense você que alguém vai faturar milhões vendendo bandanas de Nadal ou vestidos de Sharapova, muito menos um traje de mulher-gato de Serena Williams. Ou você realmente acredita que a Lacoste contratou Djokovic porque precisava de um aumento nas vendas de suas camisas pólo?

A maior prova disso? Procure uma loja da adidas ou da Nike numa grande capital (pode ser São Paulo, Paris ou Londres) e veja a quantidade de material de tênis à venda. Normalmente, é um espaço minúsculo – quando ele existe – com uma opção bem limitada de produtos. É mais fácil você encontrar um cartaz enorme de um tenista na vitrine do que o produto que ele veste.

Dito isso, que ninguém ache que a Nike manteria Federer em sua lista de atletas baseada em números. O suíço não tem mais muitas temporadas pela frente no circuito, então, dependendo dos valores que os empresários do tenista estiverem pedindo, pode não valer a pena para a empresa. É um impasse bastante compreensível. O atleta quer ser recompensado por um currículo vitorioso, enquanto a empresa pensa no futuro.

2. Agassi e Sampras: renovações complicadas

Obviamente, Federer tornou-se um ícone mundial com maior alcance que qualquer outro tenista do passado recente. Ainda assim, vale lembrar os casos de Pete Sampras e Andre Agassi, maiores expoentes de uma geração e ambos atletas da Nike. Os dois tiveram contratos de longa duração e encararam uma dura negociação na hora de renovar.

Sampras, inclusive, ficou sem contrato durante algum tempo. Jogou um Australian Open com uma bandeira dos Estados Unidos cobrindo a marca da Nike no peito. Foi ruim para todo mundo. No fim das contas, o ex-número 1 acabou renovando com a empresa em 2002, mas comenta-se no meio que isso só aconteceu porque o próprio Phil Knight, fundador da Nike, intrometeu-se da negociação a favor de Sampras. O tenista, aliás, encerrou a carreira naquele mesmo ano.

Andre Agassi era um ícone ainda maior da Nike. O representante do “image is everything”, o cara que já entrou em quadra de bermudas jeans, camisas estampadas, bandanas cobrindo a careca, etc. No entanto, depois dos 30 anos, chegou a um impasse com a empresa. Acabou assinando com a adidas.

O que tudo isso diz? Mais ou menos o mesmo que o primeiro item deste post. Fabricantes de material esportivo querem fazer contratos de longa duração com jovens talentosos, mas hesitam na hora de prometer grandes valores a veteranos. Faz parte do mundo dos negócios.

3. Os planos da Uniqlo

A Fast Retailing, empresa que controla a Uniqlo, tem planos sérios de expansão tanto no mercado chinês quanto no sudeste asiático, na Oceania e na Europa. É aí que uma figura como Roger Federer, mesmo aposentado, pode ser essencial. A Uniqlo já teve Novak Djokovic entre seus patrocinados, mas o sérvio não parece ter alterado muito o alcance da empresa.

Parece estar aí a aposta em Federer, e também não faria nada mal ter o suíço vestindo sua marca durante os Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio. O suíço usou Nike tanto nas partidas de Pequim 2008 quanto nas de Londres 2012. E não importa que a delegação suíça vista outra marca. Ou alguém aí lembra que os casacos helvéticos de Pequim foram feitos pela Switcher? A lembrança relevante é que Federer jogou de Nike. Simples assim.

“Ah, mas as roupas da Uniqlo no tênis são horrorosas.” Paciência. Enquanto o mundo do tênis continua a fazer piadas com os trajes nada elegantes que Djokovic vestiu e que Kei Nishikori usa no momento, a Uniqlo vai continuar mais preocupada com suas vendas de roupas casuais, de boa qualidade e, principalmente, baratas.

4. Federer mudar não significa uma queda de status

Isso me parece mais uma preocupação dos fãs do que de qualquer empresário. Federer deixaria de ser um duty free ambulante? Duvido. As marcas premium que o patrocinam hoje se afastariam por causa da Uniqlo? Improvável. Além disso, tudo depende de como um negócio é estruturado.

Ninguém sabe, no momento, se a Uniqlo está planejando uma linha de roupas mais sofisticadas. E se Federer passar a vestir paletós e roupas sociais da Uniqlo em cerimônias e outras ocasiões? Ainda está tudo muito no ar. Não dá para fazer um grande julgamento aqui. O que me parece certo, contudo, é que US$ 30 milhões por ano não reduzem o status de ninguém. Nem se o cara resolver se vestir na 25 de Março.

5. Federer pode faturar muito mais do que US$ 30 milhões

Sair da Nike significa mais do que simplesmente assinar com a Uniqlo. Não é só o possível contrato com os japonesas que vai engordar a paquidérmica conta bancária de Federer. Ao se separar da empresa americana, o suíço abre duas possibilidades: um contrato de calçados e outros para as camisas. Seriam quatro contratos a mais.

Um exemplo. John Isner, campeão do Masters de Miami, levantou o troféu vestindo Ebix na manga esquerda, Wheels Up e Tamko na manga direita. Uma empresa de software, uma de voos privados e outra de materiais de construção. São três fontes de renda além do fabricante de material esportivo. É fácil imaginar que Federer atrairia empresas dispostas a pagar pequenas fortunas por esses espaços e, claro, também para calçá-lo. Então não estamos mais falando em US$ 30 milhões por ano, mas, quem sabe US$ 40 milhões.

Coisas que eu acho que acho:

– Há muito dinheiro na mesa, e as possibilidades são muitas. Sem saber os valores reais, não dá para cravar o que vai acontecer. Porém, recebi uma mensagem de uma pessoa próxima ao suíço, e ela disse que há “boas chances” de se fechar negócio com a Uniqlo.

– Existe sempre a possibilidade de a oferta da Uniqlo ter sido vazada por alguma parte interessada. É uma tática de negociação. Soltar algo assim para a imprensa é uma forma de pressionar uma das partes (no caso, a Nike) a melhorar sua oferta. Os próximos dias certamente trarão novidades.

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Federer mostra compreensível ferrugem no retorno http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/13/federer-mostra-compreensivel-ferrugem-no-retorno/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/13/federer-mostra-compreensivel-ferrugem-no-retorno/#respond Wed, 13 Jun 2018 16:28:33 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=6795

Foram quase três meses sem jogar, e a ferrugem estava nítida quando Roger Federer entrou em quadra nesta quarta-feira, em sua estreia no ATP 250 de Stuttgart. Ainda assim, saiu com uma vitória por 3/6, 6/4 e 6/2 sobre um adversário “chato” como o alemão Mischa Zverev, #54 do mundo.

Ninguém deveria esperar um show do suíço. Os três meses de inatividade desde o Masters de Miami são mais tempo do que o intervalo de fim de ano entre o ATP Finals e os primeiros torneios da temporada seguinte. Além disso, seria a estreia a grama. Sim, é um piso ótimo para Federer, mas péssimo para quem não compete há algum tempo.

Outro obstáculo do dia era Zverev, um adepto do saque-e-voleio e de pontos curtos. Logo, Federer não teria – e não teve – muito tempo para adquirir o ritmo de jogo ideal. Isso ficou claro no primeiro set, quando o favorito perdeu break points e, num péssimo game de serviço, viu a parcial ir embora.

Aos poucos, porém, o panorama foi mudando. Federer pegou o tempo da devolução de saque, reduziu seus erros do fundo e exigiu mais de Mischa. O alemão sentiu a diferença e acabou sucumbindo em um segundo set apertado e uma terceira parcial não tão parelha assim.

Resumindo? Não foi o retorno dos sonhos de ninguém, mas foi ótimo no balanço geral. Federer venceu um jogo complicado, ganhou mais tempo para continuar recuperando seu ritmo, e a tendência é só evoluir até Wimbledon, que é o grande objetivo. Corre tudo dentro do planejado por enquanto.

Coisas que eu acho que acho:

– Com o triunfo de hoje, Federer agora soma 13 vitórias seguidas na grama. Se conseguir mais duas e alcançar a final em Stuttgart, retomará a liderança do ranking mundial.

– Falando em liderança, Rafael Nadal anunciou que não disputará o ATP 500 de Queens, na próxima semana. O espanhol não alegou uma lesão específica. Disse apenas que conversou com seus médicos e que “preciso ouvir o que meu corpo está me dizendo.”

– Volto a escrever amanhã sobre imbróglio Federer-Nike-Uniqlo.

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Quadra 18: S04E05 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/12/quadra-18-s04e05/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/12/quadra-18-s04e05/#respond Tue, 12 Jun 2018 15:44:52 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=6789 Roland Garros chegou ao fim com o primeiro título de Simona Halep e o 11º de Rafael Nadal em Paris. Nas últimas duas semanas, houve polêmicas, alguns resultados surpreendentes e outros nem tanto assim. Chega a hora, então, de fazer um balanço de tudo, e foi o que fizemos no podcast Quadra 18.

Além de comentar tudo sobre o torneio, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu gravamos 20 minutos especiais sobre Maria Esther Bueno. Falamos sobre nossas lembranças e sobre a relação de admiração mútua entre ela e Roger Federer. Por fim, discutimos o lugar da Bailarina na história do tênis brasileiro.

Quer ouvir do jeito mais tradicional? Basta clicar neste link. Se preferir, clique com o botão direito do mouse e escolha “salvar como” pra baixar o arquivo e ouvir mais tarde. Vale lembrar que agora o Quadra 18 também está disponível no Facebook e no nosso canal no YouTube. Também estamos no iTunes, na Deezer, no PodBean… As opções são muitas, e você pode ouvir, curtir e compartilhar do jeito que achar melhor!

Os temas

0’00” – Cossenza apresenta os temas
1’30” – O 11º título de Nadal e o reconhecimento do público francês.
2’50” – “Não foi algo que me deixou de queixo caído”
4’25” – A supremacia no saibro e como paralisações sempre ajudam o favorito
5’45” – “Nadal deve jogar em Wimbledon?” e a estranha cãibra no dedo
8’20” – Como o calendário sempre foi ruim para Rafa Nadal
10’09” – “Wimbledon é muito mais importante para Nadal do que Roland Garros para Federer”
10’30” – Dominic Thiem “decepcionou” na final, como disse Ken Rosewall?
11’25” – Marco Cecchinato vai deslanchar? Será que está sendo investigado?
16’24” – “Foi uma grande decepção pra mim essa derrota do Djokovic”
18’30” – “Zverev com problemas físicos. Nunca aconteceu”
19’30” – O nível de tênis jogado por Zverev deixou a desejar?
21’25” – Federer pode trocar a Nike pela Uniqlo. Que tal?
22’30” – Federer merece um contrato vitalício da Nike?
26’00” – “Eu quero que Federer troque Rolex por Casio”
28’05” – O primeiro slam de Simona Halep
29’45” – Quem decepcionou mais no torneio?
31’50”- Wozniacki deixou a desejar?
33’44” – Serena x Sharapova: a polêmica. Serena deveria ter jogado? Abandonou porque não queria perder da rival?
36’30” – “A Serena é meio infantil às vezes, sem a menor necessidade de ser”
37’40” – O que dizer de Muguruza?
38’15” – “Quando eu começo a me empolgar com a Kerber…”
40’12” – A conquista de Herbert e Mahut nas duplas
42’20” – Aliny comenta as campanhas de Melo, Soares e Demoliner
46’30” – O filho de Nicolas Mahut roubando o show
48’06” – Histórias sobre Maria Esther Bueno
49’05” – Maria Esther e sua presença constante no Rio Open
52’50” – A diferença de atenção entre Guga e Maria Esther
53’40” – Como Maria Esther não gostava de dar entrevistas
54’40” – Quando Maria Esther deixou o público boquiaberto em Copacabana
56’00” – O blog de Maria Esther na Globo.com
58’45” – Maria Esther e a relação de admiração mútua com Roger Federer
65’20” – O lugar de Maria Esther entre os melhores atletas da história do Brasil

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Margaret Court: ‘Sempre precisei jogar meu melhor contra Maria Bueno’ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/11/margaret-court-sempre-precisei-jogar-meu-melhor-contra-maria-bueno/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/11/margaret-court-sempre-precisei-jogar-meu-melhor-contra-maria-bueno/#respond Mon, 11 Jun 2018 12:29:02 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=6786

Maior campeã da história do tênis, a australiana Margaret Court tem no currículo 64 títulos em torneios do Grand Slam. Foram 24 em simples, 19 em duplas e 21 em duplas mistas. Hoje, com 75 anos, é pastora de uma igreja em Perth, na costa oeste de seu país. Nos seus tempos de circuito, foi uma grande rival da brasileira Maria Esther Bueno, que morreu na última sexta-feira.

Na semana passada, enquanto preparava um especial com dados e histórias sobre a maior atleta que o Brasil teve, comecei a trocar emails com Margaret. Ela ficou triste ao saber do estado de saúde de Maria Esther e só teve coisas boas a dizer da antiga rival. Leiam:

Maria Bueno era a queridinha do tênis feminino no fim dos anos 1950 e no começo dos anos 1960. Ela era tão graciosa em quadra e uma grande campeã! Foi uma embaixadora do tênis e sempre atraiu os holofotes. Era sempre a favorita do público, especialmente na Europa.

Mas como era enfrentá-la?

Maria era sempre uma grande força dentro de quadra. Foi a primeira número 1 do mundo que enfrentei. Eu sempre precisei jogar meu melhor contra a Maria e tivemos muitas finais Bueno-Court!

A senhora tem uma favorita entre essas tantas finais?

Minha partida preferida foi a de quartas de final do meu primeiro Australian Open, em 1960. Eu tinha perdido para a Maria antes, em Adelaide, na primeira vez que nos enfrentamos. Eu era uma menina de interior com 17 anos e enfrentando a número 1. Para mim, passar para a semifinal foi um feito porque significava ganhar de uma número 1 e eu percebi que meu sonho de ser a primeira australiana a ser campeã de Wimbledon poderia se realizar. Aquilo me deu uma enorme dose de confiança [Margaret Court conquistou seu primeiro título de simples em Wimbledon três anos depois, em 1963. Na modalidade, ela foi tricampeã do torneio britânico].

Maria Esther fala com muito orgulho da final de Wimbledon de 1964 [veja trechos no vídeo acima], especialmente porque ela derrotou a número 1 do mundo na época, a melhor tenista daqueles tempos, que foi a senhora. Tem alguma lembrança particular sobre aquela partida?

Quando enfrentei a Maria na final de 1964, foi uma batalha. Três sets [Maria Esther venceu por 6/4, 7/9 e 6/3]. Maria estava em sua melhor fase e jogou seu melhor tênis. Ela era uma adversária formidável!

Vocês conquistaram um slam juntos nas duplas, em 1968, no US Open. Como foi a sensação de ter uma rival finalmente ao seu lado?

Em 1968, conquistamos o primeiro título de duplas femininas no primeiro torneio aberto para amadoras e profissionais em Forest Hills [então sede do US Open]. Naqueles tempos, a maioria dos jogadores participava de simples, duplas e duplas mistas. Maria fazia sucesso em simples e duplas, então nos juntar e conquistar o título foi ótimo para nós duas. tínhamos muito respeito uma pela outra dentro e fora de quadra.

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Minicast: as finais de Roland Garros em 10 minutos http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/10/minicast-as-finais-de-roland-garros-em-10-minutos/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/10/minicast-as-finais-de-roland-garros-em-10-minutos/#respond Sun, 10 Jun 2018 19:04:09 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=6780

Roland Garros chegou ao fim, então é hora do último minicast destas duas semanas. Hoje, falo tanto dos méritos de Simona Halep quanto da aula de tática e experiência de Rafael Nadal. Além dos campeões, comento o primeiro saque de Dominic Thiem, falo sobre por que não há mais “especialistas” em quadras duras e cito o sucesso de Nadal nos outros pisos. Clica no player!

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Experiência levou Rafa Nadal a seu 11º título em Roland Garros http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/10/nadal-thiem-roland-garros-2018/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/10/nadal-thiem-roland-garros-2018/#respond Sun, 10 Jun 2018 15:44:14 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=6767

Nem o mais jovem nem o mais rápido dentro de quadra. Tampouco o dono dos forehands mais violentos neste domingo, em Paris. Muito menos o autor dos saques mais potentes na Philippe Chatrier. Rafael Nadal, contudo, era o mais experiente, o decacampeão, o favorito.

Com 32 anos comemorados há uma semana, fez valer tudo isso. Na final contra Dominic Thiem, foi também o tenista mais inteligente. A execução perfeita de seu plano de jogo fez diferença, claro. Porém, Nadal desenhou seu jogo para exigir o máximo do adversário. O austríaco, 24 anos e #8 do mundo, precisaria ser perfeito. Mais do que isso: perfeito por um longo período de tempo. Reside aí o maior obstáculo de encarar Rafa Nadal no saibro.

Não basta ser brilhante, é preciso fazê-lo por três horas. Thiem nem foi espetacular nem manteve alto nível por tanto tempo. Primeiro, vacilou feio demais quando sacava em 4/5 no primeiro set. Errou três direitas excessivamente arriscadas e errou um voleio nada complicado. Foi quebrado de zero, perdendo o serviço na hora mais delicada.

Taticamente, Nadal entupiu o backhand rival com bolas altas e fundas. Thiem tinha dificuldade em achar espaço para atacar com sua direita. Quando conseguia, precisava arriscar e usar bolas anguladas para ser eficiente. O forehand de dentro para fora podia fazer a diferença hoje. O problema: Nadal tem o golpe ideal para sair desse dilema. Um forehand defensivo na cruzada, na corrida, cheio de top spin. Devolvia a bola alta no backhand de Thiem, “reiniciando” o ponto. É um golpe que Nadal faz com regularidade e consistência obscenas.

A experiência do decacampeão também ficou óbvia quando começou segundo set. Rafa foi inteligente para perceber o quanto a quebra abalou Thiem. Logo, atacou como o tubarão que sente sangue em sua proximidade. No embalo, venceu cinco games seguidos e colocou o rival abalado. Afinal, quem vira um jogo contra Nadal, no saibro, em Paris? Um set e uma quebra atrás, uma montanha para Thiem escalar. O austríaco teve uma pequena chance: um break point no 4/2. Nadal fechou a porta com uma curtinha seguida de um backhand. Foi, de fato, a última chance que Thiem teve de “voltar”.

O azarão, é bom dizer, tentou várias coisas diferentes na partida. Devolveu saques de forma agressiva, colado na linha – não deu certo. Deu passos para trás e também devolveu do fundão – não rolou. Arriscou bolas de baixa porcentagem para colocar Rafa Nadal na defensiva. Acertou algumas, errou o bastante para não deixar o favorito incomodado. Foi à rede, deu curtinhas, sacou forte ou com spin – nada. Nada foi o bastante para fazer o decacampeão mudar sua tática.

O único susto da tarde foi a cãibra em um dedo. Até nesse momento, Nadal fez valer sua maturidade e foi sentar. Parou no meio do game, antes de abrir uma nova fresta. Ficou assustado, mas foi atendido, voltou e confirmou o saque rapidamente. A cãibra não foi o bastante para frear o número 1. O 11º título deste Nadal, mais experiente e inteligente, era inevitável.

Coisas que eu acho que acho:

– Uma grande atitude vale mais do que um grande swing. A frase é do golfista Seve Ballesteros. Foi usando ela que Toni Nadal se referiu – antes do jogo – à final entre Nadal e Thiem. Ele acreditava que o sobrinho ganharia com sua experiência. “Em 2005, tive muita fé na juventude de Rafael. Hoje tenho fé em sua sonífera, ainda que sempre respeitável, experiência.” Leia aqui.

– Onze títulos em um só slam? Apenas Margaret Court, nas décadas de 1960 e 1970 conseguiu (1960-66, 1969-71 e 1973). Impressionante.

– Ao todo, 17 slams. Considerando as ausências em vários torneios e as lesões que o tiraram no meio de outros, é outro número espetacular.

– Thiem venceu apenas nove games e nem dá para dizer que o austríaco jogou mal. Fez mais do que muita gente. Usou o plano B, atirou o plano C, o D e o E. Mas era Nadal, saibro, melhor de cinco, Roland Garros. Como já escrevi outro dia, é o maior desafio do tênis dos tempos atuais.

– Nadal chorou no seu 11º título em Roland Garros e foi aplaudido de pé por um looooongo tempo na Philippe Chatrier (parte desse momento está no tweet acima). Todos sabem o momento raro que testemunharam neste domingo.

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Enfim, o dia chegou: Halep vira jogo contra Stephens, conquista Roland Garros e vence seu primeiro slam http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/09/halep-stephens-roland-garros-2018/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/09/halep-stephens-roland-garros-2018/#respond Sat, 09 Jun 2018 15:09:06 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=6750

Por pouco mais de 50 minutos, a história parecia rumar para um roteiro repetido. Derrotada nas três finais de slam que havia disputado na vida, a número 1 do mundo, Simona Halep, viu a adversária de hoje, Sloane Stephens, fazer um começo de jogo arrasador. Contudo, perdendo por um set e uma quebra de saque, Halep aproveitou o primeiro momento instável da rival para iniciar uma reação furiosa. Uma virada brilhante que terminou num triunfo por 3/6, 6/4 e 6/1 e o título de Roland Garros.

Nas três tentativas anteriores, a romena de 26 anos saiu derrotada nas finais de Roland Garros em 2014 (para Maria Sharapova) e 2017 (Jelena Ostapenko) e do Australian Open deste ano (Caroline Wozniacki). Stephens, de 25 anos, jogou sua segunda decisão em um evento deste porte. Ela é atual campeã do US Open e número 10 do mundo.

O título de Roland Garros veio do jeito que melhor representa Halep: na base da consistência, superando uma rival que brilhou muito forte, mas por menos tempo. Neste sábado (9), a romena não foi a tenista que bateu mais forte na bola, mas foi a mais sólida. Não se desesperou quando a maré parecia contra. Remou, esperou a onda certa e surfou junto com uma torcida animadíssima até completar o terceiro set. Uma linda conquista – e com a sua cara.

O jogo

Halep, líder do ranking e favorita das casas de apostas ao título, entrou em quadra mais agressiva, tentando deslocar a adversária. Stephens, contudo, não se mostrou incomodada com o peso da bola da rival. A americana aceitou vários ralis, esperando o melhor momento de atacar – ou contra-atacar. Halep acabou errando mais e sofrendo com a força de Stephens, que errava muito pouco. A americana aproveitou a única quebra de saque do set e manteve a vantagem até fechar a parcial em 6/3.

O segundo set começou igual, com Stephens abrindo 2/0, mas o jogo mudaria radicalmente depois disso. Halep aproveitou-se do primeiro momento de instabilidade da adversária para começar uma reação furiosa, vencendo quatro games seguidos e abrindo 4/2. A número 1, porém, colocou tudo a perder quando cometeu três erros no sétimo game, praticamente entregando seu serviço. Stephens aproveitou e igualou tudo em 4/4 poucos minutos depois, mas também vacilou num momento crucial. Sacando em 4/5, cometeu dois erros não forçados, perdeu o saque e o set: 6/4.

Quando a parcial decisiva começou, Halep era a senhora do jogo. Agredia mais e errava menos. Stephens já não mostrava nem a mobilidade nem a consistência do primeiro set. Em poucos minutos, a número 1 abriu 3/0. O primeiro título de slam se aproximava rapidamente. A americana não desistiu. Lutou o quanto pôde, mas até nos pontos longos, Halep levava a melhor. desta vez, ninguém tiraria seu slam.

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Que sempre lembremos dos feitos, mas também da garra de Maria Esther Bueno http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/08/que-sempre-lembremos-dos-feitos-mas-tambem-da-garra-de-maria-esther-bueno/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/08/que-sempre-lembremos-dos-feitos-mas-tambem-da-garra-de-maria-esther-bueno/#respond Fri, 08 Jun 2018 23:43:26 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=6700

Imagine, caro leitor, o seguinte cenário: a pessoa inicia num esporte praticado por meia dúzia de conhecidos, joga basicamente com os pais e o irmão e, sem técnico, decide tentar fazer alguns movimentos iguais ao que viu na foto de um homem num livro sobre aquele esporte. Por algum motivo, essa pessoa se torna um fenômeno e, ainda adolescente, deixa o país com uma passagem só de ida para disputar torneios em outro continente, onde o esporte é desenvolvido e com eventos importantes. Em pouco tempo, ela se torna campeã de quase tudo. Baseado em sete linhas, você, leitor, pode achar que estou citando um conto de Hans Christian Andersen. Falo de Maria Esther Bueno.

A maior atleta da história do Brasil morreu hoje, 8 de junho, aos 78 anos, vítima de um câncer. Campeã de sete torneios do Grand Slam em simples, dona de outros 11 troféus em duplas e mais um em duplas mistas, foi número 1 do mundo no ranking mundial e derrotou nomes que também estão entre os maiores da história, como Margaret Court e Billie Jean King. E não me importa agora se o país não “aproveitou seu legado” – a gente sabe como são as coisas no Brasil. A intenção deste post é só registrar o lugar que Maria Esther Bueno vai ocupar para sempre na longa história do tênis.

Os sete títulos de slam a colocam em 12º na lista de maiores ganhadoras da história – incluindo as eras amadora e profissional. Em tempos de Serena Williams, vencedora de 23 títulos desse nível, pode até parecer pouco. Não é. E mais: Maria Esther perdeu três finais para Margaret Court (Australian Open em 1965, Roland Garros em 1964 e Wimbledon em 1965), a maior vencedora da história, com 24 slams. Não fosse Court, a brasileira não só poderia ter 10 títulos como seria dona de um “career slam” – teria vencido os quatro maiores torneios do circuito, ainda que em temporadas diferentes.

O que dizer, então, dos 11 títulos de duplas e mistas? Talvez seja difícil entender hoje em dia, mas Maria Esther vivia uma época em que todo mundo jogava duplas e mistas. E ela foi a primeira mulher a completar o Grand Slam em duplas, conquistando os quatro títulos em 1960. Um deles contra a própria Margaret Court na final. A australiana, aliás, ganhou 19 slams em duplas.

Maria Esther Bueno jogava tanto – e ganhava tanto – que precisou disputar 120 games em um só dia num daqueles verões chuvosos britânicos. O torneio era Wimbledon/1965, e foi ali que o cotovelo da brasileira acusou o golpe, o que me leva a outro dos grandes feitos da tenista. Era a época do amadorismo, sem prêmios em dinheiro. Wimbledon, por exemplo, dava um voucher de 15 libras que os campeões trocavam por produtos. Tampouco havia cordas macias, banhos de gelo, técnicas avançadas de fisioterapia e cirurgias milagrosas. Maria Esther conviveu com a dor durante muito tempo até uma aposentadoria em 1969.

Mas não foi ali que acabou a trajetória tenística de Maria Esther. Mesmo após receber diagnósticos de que não poderia voltar a jogar, ela não desistiu e se submeteu a várias cirurgias no cotovelo e no ombro direitos. Retornou em 1974, já com 35 anos e sem a forma de antes. Ainda assim, foi campeã do Aberto do Japão em 1974. Ganhou US$ 6 mil, o maior prêmio em dinheiro que recebeu na carreira.

Voltou a Wimbledon em 1976 e 1977 (ano em que foi feita a foto do alto deste post). Nessa época, Maria Esther treinava pouquíssimo para poupar o braço. No máximo, 1h na quadra. Ainda assim, foi às oitavas de final em 76 e à terceira rodada no ano seguinte, quando perdeu para Billie Jean King. Uma trajetória que teve títulos, sacrifício, dor, recuperação… Tudo isso mais de 50 anos atrás, sem técnico, nutricionista, fisioterapeuta ou encordoador particular. E, claro, sem dinheiro. Tudo por amor ao esporte, por amor aos torneios, pelo amor por vencer.

Que seus feitos como atleta sejam sempre reverenciados. Que não deixemos nunca – nunca mesmo – de olhar para trás e reconheçamos o tamanho de Maria Esther Bueno. Que ela descanse em paz.

Mais sobre uma lenda:

– Maria Esther fez mais do que vencer. Jogou com um estilo próprio, pelo qual foi chamada de bailarina. Também foi ícone da moda no tênis e gerou polêmica em Wimbledon com um par de trajes. É, até hoje, reverenciada fora do país, especialmente na Inglaterra e nos EUA. Sobre isso e outras histórias, a redação do UOL Esporte preparou um especial (colaborei com a apuração). O produto final é bonito, tanto visualmente quanto em conteúdo. Vejam aqui.

– Com todas pessoas que conversei desde que seu estado de saúde se agravou, ouvi histórias de seu amor ao tênis, de sua vontade de vencer. Também fui muito bem atendido sempre que mencionei o nome de Maria Esther Bueno. Acredito que muita gente importante vá se pronunciar e dizer coisas bacanas nos próximos dias.

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Minicast: o dia 13 de Roland Garros em 10 minutos http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/08/minicast-o-dia-13-de-roland-garros-em-10-minutos/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/08/minicast-o-dia-13-de-roland-garros-em-10-minutos/#respond Fri, 08 Jun 2018 19:21:17 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=6737

O torneio vai entrando na reta final, e o minicast chega à sua antepenúltima edição. Nesta sexta-feira, os tópicos são as semifinais e a final masculina. Falo de como Thiem bateu Cecchinato, de como Nadal fez Del Potro desabar mentalmente e, principalmente, falo das possibilidades para a final de domingo. Ao responder perguntas de ouvintes, falo de quem se beneficia se chover, do que Thiem precisa fazer para bater Nadal e de como eu acredito que o austríaco tem as armas e o preparo para ser campeão. Quer ouvir? É só clicar no player!

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Ponto a ponto, Nadal destruiu Del Potro mentalmente http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/08/nadal-del-potro-roland-garros-2018/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/08/nadal-del-potro-roland-garros-2018/#respond Fri, 08 Jun 2018 15:24:30 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=6724

O placar final – 6/4, 6/1 e 6/2 – mostra que Juan Martin del Potro não teve o que precisava para se manter no nível de Rafael Nadal ao longo dos três sets que foram jogados nesta sexta-feira na Quadra Philippe Chatrier. Até aí, tudo bem. São poucos que conseguem lidar com o espanhol no saibro por tanto tempo. O mais brilhante do dia não foi o que aconteceu, mas como Rafa se desfez do argentino, ponto a ponto.

Nadal pode derrotar um oponente de várias maneiras na terra batida. Seja agredindo com o forehand cruzado, cheio de spin, que machucou Roger Federer por tanto tempo, seja com o backhand cruzado e angulado que pune quem tenta fugir de seu forehand. O número 1 também pode ganhar na defesa, exigindo precisão dos adversários, e na cabeça, minando mentalmente o rival golpe após golpe. Foi nesta última modalidade que Del Potro se mostrou mais frágil na semifinal de hoje.

Taticamente, o primeiro set foi equilibrado. Delpo agredia com sua direita e conseguia relativo sucesso. Teve três break points no começo, mas não aproveitou. Teve mais três chances de quebra no nono game, e foi aí que a coisa começou a desandar. Nadal se salvou e, uma passada de backhand e um forehand vencedor depois, teve dois break points. Converteu, fez 6/4, fechou o set e jogou uma bigorna na cabeça do adversário.

É nesse momento que o oponente pensa algo do tipo “eu fiz um grande set, mantive um belo nível de tênis por uma hora e agora vou precisar fazer isso por mais três horas.” Enquanto o outro pensa, Nadal segue pressionando. E quebrou Del Potro mais duas vezes no segundo set. E cada game vinha com pelo menos um daqueles pontos em que ele defendia duas direitas violentas e, aos poucos, saía do fundo de quadra e aproximava-se da linha de base até encontrar a hora certa de partir para o winner. Veja alguns exemplos no vídeo acima, com melhores momentos do jogo.

Mentalmente, Del Potro foi desabando pouco a pouco. No terceiro set, até alguns ralis vencidos pelo argentino terminavam com Del Potro fazendo aquela cara de “meu deus, não consigo ganhar um ponto mais fácil do que isso?” Com o rival abalado, a tarefa ficou mais fácil para Nadal. E, ainda assim, o espanhol continuou jogando pontos longos, correndo atrás de todas as bolas. Fechando todas as frestas, sem dar um pingo de esperança a Del Potro.

A final: Nadal x Thiem

Desde Monte Carlo, eu acreditava que Dominic Thiem seria a principal ameaça para Rafael Nadal no saibro europeu e escrevi isso na época (leia aqui). Agora, um mês e meio depois, o austríaco está aí, na final de Roland Garros e com a honra de ser o único homem a bater o espanhol no saibro nos últimos dois anos (Roma/2017 e Madri/2018).

Nesta sexta, o austríaco derrotou Marco Cecchinato na outra semifinal por 7/5, 7/6(10) e 6/1. A questão agora é: ele pode bater Nadal? Claro que pode. Obviamente, uma final de Roland Garros não é um jogo de quartas de Madri, onde, além de tudo, a altitude ajuda o tênis mais agressivo de Thiem. Mas o número 8 do mundo tem os elementos para sair vitorioso – e não só tecnicamente falando.

Além de um bom saque aberto – essencial para colocar Nadal na corrida logo na primeira bola – Thiem tem canhões no forehand e no backhand e, se souber a hora de usá-los, evitando aqueles golpes de baixíssima porcentagem – que ele eventualmente tenta em momentos nada recomendáveis -, pode muito bem se impor como o principal agressor na maior parte dos ralis.

Thiem também se defende muito bem dos dois lados (e repito: isso não o transforma em um jogador defensivo), pode alongar ralis, jogando com muito top spin – o que ele faz muito bem – e exigir um bocado de Nadal. Tanto fisicamente quando em qualidade de golpes. Num dia descalibrado, Nadal pode facilmente virar vítima. É claro que isso tudo exige uma execução brilhante e por um largo espaço de tempo por parte de Thiem, mas estamos falando de derrotar Rafael Nadal em Roland Garros. É no saibro, em melhor de cinco sets. É, possivelmente, o maior desafio do tênis atual.

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Minicast: o dia 12 de Roland Garros em 10 minutos http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/07/minicast-o-dia-12-de-roland-garros-em-10-minutos/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/07/minicast-o-dia-12-de-roland-garros-em-10-minutos/#respond Thu, 07 Jun 2018 20:24:05 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=6722

Dia de continuação das quartas de final masculinas e da realização das semifinais femininas, esta quinta-feira teve Rafael Nadal, Juan Martín Del Potro, Simona Halep e Sloane Stephens como vencedores. No minicast, falei sobre a competência de Del Potro no saibro, o favoritismo de Halep e como ela derrotou Garbiñe Muguruza e a virada de Rafael Nadal. Também falei sobre Thiago Wild, que está nas semifinais da chave juvenil em Roland Garros. Quer ouvir? É só clicar no player!

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Ajustes e recursos: por que a paralisação ajudou Rafael Nadal http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/07/nadal-schwartzman-roland-garros-2018/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/07/nadal-schwartzman-roland-garros-2018/#respond Thu, 07 Jun 2018 10:35:55 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=6703

Até a primeira interrupção por causa do mau tempo, Diego Schwartzman era o tenista mais sólido em quadra. Jogava mais perto da linha de base, agredia mais, colocava Rafael Nadal na defensiva com frequência. Em oito games de saque do espanhol, o argentino teve break points em sete e conseguiu cinco quebras. Números impressionantes em Roland Garros contra um tenista que já levantou o troféu dez vezes ali.

O jogo parou com Schwartzman liderando por 6/4 e 3/2. Aliás, antes de ir adiante, é importante não confundir “chuva” com “paralisação”. Já chovia meia hora antes da interrupção. Os dois jogavam com a quadra pesada, em condições bem lentas. Chegou um momento, porém, em que não era mais possível prosseguir. E foi aí, quando o jogo parou, que tudo mudou.

Nadal voltou mais agressivo, aprofundando mais as bolas, empurrando Schwartzman para longe da linha de base. Os papéis se inverteram, e o argentino não conseguiu mais mudar o panorama do duelo. Desde que assumiu o controle das ações, o número 1 do mundo dominou até fechar a partida em 4/6, 6/3, 6/2 e 6/2 para marcar um duelo com Juan Martín del Potro na semifinal. Venceu 16 dos 20 games jogados após aquela primeira paralisação (houve uma segunda interrupção na quarta-feira, que acabou com o resto da partida adiado para esta quinta).

A primeira paralisação ajudou Nadal? Claro. Por quê? Porque Nadal fez tudo que precisava ser feito. Pensou no jogo, fez a leitura correta do que estava acontecendo em quadra, viu o que precisava e, quando voltou à quadra, executou tudo perfeitamente. A pausa só adiantou porque o número 1 tem recursos, inteligência e talento para mudar um jogo.

Deu sorte? É questionável. Dizer que Nadal deu sorte de o jogo ter sido paralisado requer afirmar que Schwartzman deu sorte de jogar um set e meio com uma quadra pesada e sob pingos – condições que, como já debati aqui e extensivamente no minicast de ontem – minimizam algumas das principais armas de Nadal. Então, no fim, acredito que há um equilíbrio aqui. E se Nadal teve sorte na primeira paralisação, Schwartzman não teve a mesma fortuna na segunda interrupção?

Aliás, cabe aqui uma reflexão: por que Schwartzman não conseguiu reequilibrar o duelo depois da segunda parada? O argentino teve tempo de sobra para pensar no que havia acabado de mudar na partida. Foi para o hotel,jantou, dormiu e, quando voltou à quadra, nada mudou. Nadal seguiu superior. A resposta para isso é também a resposta para a pergunta “por que uma paralisação sempre ajuda o favorito?”

Ninguém é favorito por acaso, então é fácil entender porque gente como Federer, Djokovic, Murray e outros quase sempre levam vantagem quando há uma pausa na partida. Além de a parada servir para “esfriar” um eventual azarão inspirado, dá o tempo necessário para que os melhores tenistas pensem no que vinha dando errado e mudem o plano de jogo ou o que mais precisar de alteração. É a mesma lógica. Quem tem mais, pode mais. E Nadal, hoje, tem muito mais do que Schwartzman.

Coisas que eu acho que acho:

– Toda vez que eu escrevo “paralisação ajuda [fulano]” aparece uma meia dúzia de de fanáticos reclamando. É como se eu estivesse tirando o mérito de alguém. Não é. Não estou. Quando um jogo para, quase sempre alguém se dá bem, mas sempre com mérito.

– Na coletiva, Nadal disse que pediu que seus punhos fossem enfaixados novamente por causa do suor. Estava muito úmido em Paris ontem e, segundo o espanhol, não há motivo para preocupação com lesão. Assustou muita gente, mas seria estranho demais alguém ter lesão nos dois punhos ao mesmo tempo. Ou não? Enfaixar os dois punhos pode ter sido uma medida para não revelar qual punho está lesionado… Será? Dá para brincar com essas teorias doidas a vida inteira.

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Minicast: o dia 11 de Roland Garros em 10 minutos http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/06/minicast-o-dia-11-de-roland-garros-em-10-minutos/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/06/minicast-o-dia-11-de-roland-garros-em-10-minutos/#respond Wed, 06 Jun 2018 19:21:20 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=6696

Quarta-feira, 6 de junho, dia 11 de Roland Garros. Dia com chuva, mas também com uma brilhante vitória de Simona Halep sobre Angelique Kerber e um massacre de Garbiñe Muguruza em cima de Maria Sharapova. Dia também de equilíbrio entre os homens, com Diego Schwartzman tirando um set de Rafael Nadal e um jogo sem quebras entre Marin Cilic e Juan Martín del Potro.

No minicast de hoje, falo sobre o que consegui ver dos quatro jogos, incluindo o ausente plano B de Sharapova e os efeitos de interrupções por chuva sobre os resultados de partidas. Também respondi perguntas de ouvintes e dei dicas para quem não quer acompanhar Roland Garros pelo Bandsports. Quer ouvir? É só clicar no player!

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Coletiva mostra como Djokovic sentiu o golpe http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/06/coletiva-mostra-como-djokovic-sentiu-o-golpe/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2018/06/06/coletiva-mostra-como-djokovic-sentiu-o-golpe/#respond Wed, 06 Jun 2018 14:39:02 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=6692

Alguns meses atrás, o mundo questionava se Novak Djokovic ainda tinha motivação para voltar a jogar em alto nível e brigar por títulos grandes. Suas declarações em Miami e Indian Wells, após derrotas precoces, eram preocupantes. Além de dizer coisas do tipo “é o que é” e “a vida continua”, Nole deu declarações em tom neutro, como se não estivesse tão incomodado com os reveses e o momento que vivia no circuito.

Flash forward para 5 de junho. Nesta terça-feira, Djokovic perdeu uma dura partida para o italiano Marco Cecchinato. Desperdiçou chances no quarto set, não conseguiu converter nenhum dos três set points que conquistou e acabou ficando fora das semifinais de Roland Garros. E se havia alguma dúvida sobre o quão magoado o sérvio ficou com a derrota, as imagens da coletiva de imprensa pós-jogo deixam o cenário bem claro. Vejam no vídeo abaixo.

Para quem não fala inglês ou francês, alguns exemplos traduzidos:

Teve problemas físicos?
“Algumas coisas, nada grande. Não quero falar sobre isso.”

O quão difícil é voltar ao nível que você quer?
“É difícil. Muitas coisas na vida são difíceis.”

Você consegue articular…
“Não consigo, desculpe.”

Quando você acha que vai jogar o primeiro torneio na grama?
“Não sei, não sei se vou jogar na grama.”

Outra pergunta sobre a grama:
“Eu não sei, eu não sei o que vou fazer. Acabei de sair da quadra. Desculpa, gente. Eu não posso dar essa resposta. Não sei. Não posso dar resposta nenhuma.”

É a derrota mais doída da carreira?
“Não.”

Do que você mais sentiu falta na quadra hoje?
“Não sei. Em alguns momentos, sorte.”

Qual seu processo para se recompor depois dessa derrota?
“Não sei. Não estou pensando em tênis no momento.”

Foi, sem dúvida nenhuma, uma demonstração de abatimento de alguém que acreditava que iria mais longe no torneio e que, obviamente, não ficou satisfeito com o resultado final. E nesse momento, a reação de Djokovic é uma reação de quem pouco se importa com o quanto evoluiu ou se voltou a um nível competitivo. Como ele mesmo diz, lamentando, só “voltei ao vestiário. Foi para lá que eu voltei.”

Sim, ele se importa.

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