Saque e Voleio http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br Se é sobre tênis, aparece aqui. Sun, 17 Nov 2019 14:33:12 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Brasil Open confirma mudança e deve virar Challenger http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/17/brasil-open-confirma-mudanca-e-deve-virar-challenger/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/17/brasil-open-confirma-mudanca-e-deve-virar-challenger/#respond Sun, 17 Nov 2019 14:33:12 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10958

Uma reunião da ATP em Londres, neste sábado, selou a mudança que já havia sido noticiada um mês atrás. O Brasil Open deixará de ser um torneio ATP 250 e será substituído no calendário por um torneio em Santiago, no Chile. A organização do torneio paulista confirmou a informação pouco depois do encontro, em comunicado enviado à noite para a imprensa.

O texto da Koch Tavares ressalta a dificuldade que o Brasil Open teve por causa do calendário da ATP, que colocou o evento em concorrência direta com os ATPs 500 de Acapulco e Dubai (algo que este blog já enfatizou inúmeras vezes) e frisa que o Brasil Open continuará, mas em “novo formato”.

O comunicado diz ainda que o torneio passará a ser realizado na semana de 23 de novembro já em 2020 e ainda em São Paulo, mas não dá detalhes sobre o citado “novo formato”. A Koch informa apenas que o novo Brasil Open “trará benefícios diretos para o tênis brasileiro, patrocinadores, parceiros e o público em geral” e que já há um projeto “aprovado junto à Lei Federal de Incentivo ao Esporte e apto a ser captado.”

O texto segue, dizendo que “o novo modelo do projeto tem como objetivo dar mais oportunidade aos tenistas brasileiros, visando a democratização dos recursos aplicados bem como uma maior abrangência do projeto readequado a atual conjuntura do tênis nacional.”

A Koch não fala oficialmente, mas o cenário mais provável é que o Brasil Open passe a fazer parte do Circuito Challenger, composto por torneios com premiação menor do que os ATPs. Em 2019, o Brasil teve apenas um torneio desse tipo, que foi realizado em Campinas e distribuiu US$ 50 mil em prêmios. Na prática, é como se o Brasil Open continuasse apenas como grife, com a promotora aproveitando a marca que foi usada e desenvolvida em mais de uma década. O evento, no entanto, será outro, muito mais modesto.

Coisa que eu acho que acho:

– De fato, no cenário atual do tênis brasileiro, com apenas um top 100 (Thiago Monteiro) e só mais um outro homem no top 200 (João Menezes), faz todo sentido a declaração da Koch Tavares quando afirma que seu “novo formato” dará mais oportunidade aos tenistas brasileiros. Em um Challenger, principalmente encaixado no fim da sequência latino-americana de torneios desse porte, haverá mais tenistas da casa competindo. Além disso, será um daqueles torneios em que os atletas buscarão pontinhos que podem lhes valer uma vaga no Australian Open.

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Fora do Finals, dentro da Davis: Nadal teve a preparação perfeita http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/16/fora-do-finals-dentro-da-davis-nadal-teve-a-preparacao-perfeita/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/16/fora-do-finals-dentro-da-davis-nadal-teve-a-preparacao-perfeita/#respond Sat, 16 Nov 2019 07:00:51 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10954

Rafael Nadal entrou em quadra, levantou o troféu de campeão da temporada e derrotou Stefanos Tsitsipas nesta sexta-feira. O triunfo por 6/7(4), 6/4 e 7/5, contudo, não foi o suficiente para colocá-lo nas semifinais do ATP Finals. As vagas ficaram com o grego e Alexander Zverev, que fechou o dia fazendo 6/4 e 7/6(4) sobre Daniil Medvedev.

Para quem viu Nadal nos dois primeiros jogos da fase de grupos, a eliminação não chega a ser uma surpresa. Sem o tempo ideal de treino devido a uma lesão no abdômen, Rafa chegou a Londres com o forehand descalibrado, sem se movimentar com a agilidade de sempre e sem a confiança necessária para jogar um evento em que todas partidas são duras.

Ainda assim, o número 1 do mundo terminou sua campanha londrina com duas vitórias: a espetacular virada sobre Medvedev e o triunfo desta sexta. Engana-se, contudo, quem acha que o esforço em Londres não serviu de muito ao espanhol. Os três jogos desta semana foram, no fundo, a melhor preparação possível para a Copa Davis. Nadal, lembremos, tem a responsabilidade de liderar o time espanhol que disputa a final da competição em casa, na Caja Mágica de Madri, a partir de segunda-feira. E jogar em casa, ainda mais nesta nova Davis quase neutra, vai ser sempre especial para Rafa.

Dentro do possível, a preparação de Nadal para a Davis foi perfeita. Não que ele tenha encarado o Finals como pré-qualquer coisa. Foi apenas como as coisas se desenharam. Ao fim do terceiro jogo em Londres, era nítida a evolução no tênis de Rafa. Os 21 winners de forehand (e 38 no total) contra Tsitsipas são um belo de um indício, ainda que o mesmo golpe tenha produzido 15 erros não forçados. O aproveitamento no saque (85% dos pontos vencidos com o primeiro serviço e 56% com o segundo), idem. Não por acaso, Tsitsipas não conseguiu um break point sequer no duelo.

Na coletiva pós-jogo, antes de saber se continuaria no torneio, o próprio Rafa comemorou o quanto esteve mais afiado nesta sexta: “Se eu não estiver nas semifinais, vou a Madri com a confiança de que estou jogando melhor e melhor. Para mim, foi importante, mais do que estar nas semifinais – é claro que eu gostaria de estar – sair daqui com a sensação de que fiz tudo possível para estar lá e terminar o ano da ATP com uma sensação positiva.”

As semifinais

Os resultados desta sexta deixaram assim os cruzamentos das semifinais em Londres: Roger Federer encara Stefanos Tsitsipas, e Alexander Zverev enfrenta Dominic Thiem. Suíço e grego se encontraram três vezes só este ano. Tsitsipas venceu o primeiro e mais badalado desses duelos, que veio nas oitavas de final do Australian Open. Federer levou a melhor na final de Dubai e na semi da Basileia. Ambas vitórias do suíço foram em sets diretos.

Do ouro lado da chave, o histórico de confrontos diretos é menos equilibrado: são cinco vitórias de Dominic em sete jogos contra Sascha. Thiem venceu, inclusive, o último embate em quadras duras, fazendo 3/6, 6/3 e 6/4 na primeira rodada do ATP de Roterdã de 2017. Este ano, será o primeiro duelo deles.

Coisas que eu acho que acho:

– Pretendo escrever mais a fundo sobre isso em algum momento, mas este Finals, com Tsitsipas e Zverev nas semifinais (e, quem sabe, um deles na decisão), é mais um daqueles torneios em que volta à tona a questão: a #NextGen está finalmente tomando o lugar dos dinossauros? A resposta é um curto e grosso “não”. O que há de mais relevante no tênis são os slams, jogados em melhor de cinco, e estes, por uma série de fatores, ainda seguem dominados por Nadal, Djokovic e Federer. Quando isso mudar, aí sim cabe começar a falar sobre uma nova era no tênis. Por enquanto, apenas não.

– Vale lembrar: a Copa Davis terá transmissão exclusiva para o Brasil pelo DAZN. A assinatura mensal custa R$ 37,90, e o canal oferece os primeiros 30 dias de graça.

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Podcast Saque e Voleio: S01E39 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/15/podcast-saque-e-voleio-s01e39/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/15/podcast-saque-e-voleio-s01e39/#respond Fri, 15 Nov 2019 18:33:02 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10950

O 39º episódio do podcast Saque e Voleio, no ar para apoiadores do blog, traz uma análise do caso da jovem brasileira Camila Bossi, de 16 anos, que foi flagrada em um exame antidoping em março deste ano, durante o WTT de US$ 25 mil em Campinas, e acabou pegando seis meses de suspensão – uma punição que só foi tão branda por causa da idade e, acreditem, da falta de educação sobre doping da jovem.

No podcast, lembro os muitos casos recentes de doping no tênis brasileiro, de Fernando Romboli em 2012 até Bia Haddad Maia, em 2019 (a paulista cumpre suspensão provisória e aguarda audiência, que deve ser realizada em dezembro), e explico a relação entre eles – principalmente os de Demoliner, Bellucci e Marcondes – e o de Camila, que também argumentou contaminação dos suplementos feitos por uma farmácia de manipulação.

Por fim, lembro de como a CBT anunciou recentemente que o Brasil será parte do chamado Road to Wimbledon. Do minha opinião sobre relevância da parceria, e volto a comentar o estado do tênis brasileiro e a falta de iniciativas que criem alicerces de verdade para modalidade no país. Antes de acabar, ainda cito (sem comparar exatamente) o exemplo atual da Itália, que tem um calendário cheio e condições para o tênis de desenvolva no país, mesmo sem uma federação rica. Cito Berrettini, Fognini, Sinner e os muitos torneios italianos e o papel que cada um cumpre na grande engrenagem das coisas.

Quem já apoia o Saque e Voleio pode acessar o link para o episódio lá no Mural do Apoia.se. Quem mais quiser curtir o podcast pode aproveitar a ocasião para começar a apoiar o blog (com R$ 15 mensais, você tem direito a conteúdo exclusivo e newsletter semanal, além de brindes e promoções). Basta visitar o Apoia.se, conhecer melhor o programa de financiamento coletivo recorrente do Saque e Voleio e fazer sua contribuição.

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Federer assinou obra-prima para dar a Nadal o título de campeão da temporada http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/15/federer-assinou-obra-prima-para-dar-a-nadal-o-titulo-de-campeao-da-temporada/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/15/federer-assinou-obra-prima-para-dar-a-nadal-o-titulo-de-campeao-da-temporada/#respond Fri, 15 Nov 2019 07:00:15 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10942

Fazia quatro anos que Roger Federer não computava uma vitória sobre Djokovic. Desde o ATP Finals de 2015, suíço e sérvio duelaram na quadra dura e na grama, em quadras indoor e outdoor, e Nole sempre encontrou uma maneira de sair vencedor – até mesmo quando encarou dois match points no saque do rival, como aconteceu na final de Wimbledon desde ano.

A história foi diferente nesta quinta-feira, em Londres. Foi um raro jogo de eliminação direta ainda na primeira fase do torneio. Federer corria o risco de não alcançar as semis do Finals apenas pela segunda vez em suas 17 participações no evento, enquanto Djokovic precisava triunfar para manter-se vivo na briga para terminar a temporada como número 1 do mundo.

Desde o primeiro game, ficou claro que Federer estava afiado e focadíssimo. Djokovic salvou um break point já de cara, mas não conseguiu o mesmo no terceiro game. A pressão do suíço, colado na linha de base, era sufocante. Mais ainda porque Roger dominou com seu serviço. No primeiro set, registrou oito aces e 83% de aproveitamento de primeiro saque. Só precisou do segundo serviço quatro vezes e, ainda assim, ganhou todos pontos com ele.

Resumir a atuação de Federer ao saque, contudo, é não entender as ligações nervosas entre seu primeiro golpe e o resto de seu tênis. O serviço é, sim, a ignição, mas não é o combustível que mantém a máquina suíça funcionando 100% do tempo. Devoluções vencedoras, subidas à rede no 30/30, forehands precisos, disparados sempre a centímetros da linha de base. O Federer de hoje estava com todas engrenagens azeitadas e trabalhando gloriosamente. Djokovic cometeu míseros seis erros não forçados no set inicial e sequer equilibrou o jogo. Federer deu apenas um ponto em falha não forçada.

O segundo set foi menos sufocante, mas igualmente brilhante. Durante a maior parte do tempo, Federer anulou a temida devolução de Djokovic. Quando precisou encarar um break point, respondeu com uma combinação mortal que mandou Nole correndo loucamente de um lado ao outro da quadra. Aproveitou o embalo quebrando o oponente imediatamente depois. O sérvio não encontrou uma solução a tempo.

No fim, o triunfo por 6/4 e 6/3, o 23º de Federer em 49 duelos com Djokovic valeu, acima de tudo, pela obra-prima que o suíço assinou para eliminar o poderoso e determinado sérvio. E se havia alguma dúvida sobre seu nível de confiança após os match points não convertidos de Wimbledon, a declaração após o triunfo diz tudo: “Uma vitória como a de hoje, contra Novak, na minha idade, quase conta como duas porque se ainda estou no circuito é porque acredito que posso derrotar os melhores” (veja abaixo).

Fedal à vista?

No outro resultado do dia, Dominic Thiem, já classificado em primeiro do grupo, foi derrotado por Matteo Berrettini por 7/6(3) e 6/3. Parece que vale pouco para o italiano, que já não tinha chances de avançar às semifinais, mas ele leva 200 pontos na conta – o que, num torneio normal, ele precisaria vencer pelo menos quatro partidas para conseguir.

A dúvida agora é para saber se Rafael Nadal vai se classificar para as semifinais. Se isso acontecer (ele precisa vencer Tsitsipas e torcer para que Medvedev derrote Zverev nesta sexta-feira), o espanhol vai avançar em primeiro no grupo e encontrar – olha só! – Roger Federer nas semifinais. Será?

Coisas que eu acho que acho:

– O resultado garantiu Rafael Nadal como grande campeão da temporada. Vencedor de Roland Garros e do US Open, vice na Austrália e semifinalista em Wimbledon, o espanhol fecha pela quinta vez na vida (2008, 2010, 2013, 2017 e 2019) um ano como número 1 do mundo. Federer (2004, 2005, 2006, 2007 e 2009) e Djokovic (2011, 2012, 2014, 2015 e 2018) também fizeram isso por cinco vezes.

– Com 33 anos, Nadal é o tenista mais velho a fechar uma temporada como número 1 do mundo. A estatística existe desde 1973, quando o ranking da ATP foi implementado. Nada mau para quem foi foco de tantas “previsões” que imaginavam Rafa aposentado e fisicamente destruído aos 25… Federer, por exemplo, terminou um ano como número 1 pela última vez aos 28 anos.

– Eu poderia escrever mais e mais linhas sobre a longevidade extraordinária de Rafa Nadal, mas já deixei alguns textos sobre isso no blog ao longo do tempo. Não é de hoje que o espanhol, que evoluiu tecnicamente de forma assustadora desde que conquistou seu primeiro slam, dá amostras de sua eficiência mesmo sem a velocidade de outros tempos. Isso também é genialidade.

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Do pior Rafa, flashes do melhor Rafa http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/14/do-pior-rafa-flashes-do-melhor-rafa/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/14/do-pior-rafa-flashes-do-melhor-rafa/#respond Thu, 14 Nov 2019 07:00:13 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10934

A rodada de quarta-feira do ATP Finals teve o jogo mais ”louco” do torneio até agora: a vitória de Rafael Nadal sobre Daniil Medvedev por 6/7(3), 6/3 e 7/6(4). Foi uma reedição da final do US Open, sem o altíssimo nível daquele domingo nova-iorquino, mas com o tempero de uma virada improvável. Depois de salvar break points sacando em 0/4 no terceiro set e de salvar um match point quando sacava em 1/5, Nadal arrancou para o triunfo vencendo 21 dos 26 pontos seguintes enquanto o bonde de Medvedev descarrilava e se transformava em abóbora mais rápido do que um feitiço de Dia das Bruxas.

Não foi um tênis espetacular de Rafa. Foi, porém, um momento espetacular de Rafa. O espanhol, é bom que se diga, vinha fazendo um terceiro set pavoroso. Cometeu erros demais e de todo tipo. Slices para fora, madeiradas de forehand, bolas longas, ao lado, na rede, etc. Quando o placar mostrava 1/5, um frustrado Nadal parecia até apressado para encerrar o game e cumprimentar o adversário junto à rede.

De repente, o jogo mudou. Medvedev desandou a errar. Menos por mérito de Nadal do que por seus próprios fantasmas, o russo perdeu o controle do jogo. Entre erros não forçados e sorrisos e “joinhas” irônicos direcionados a seu estafe, o vice-campeão do US Open foi vendo – e ouvindo – a coisa mudar. A cada falha, o volume da torcida aumentava. Não que a O2 estivesse lotada. Havia muitos assentos vazios por lá. Mas eu divago. O momento mudou. O público percebeu, Medvedev percebeu e, para drama do russo, Nadal percebeu.

E é aí que Nadal merece aplausos. Em uma tarde nada memorável, encontrou uma maneira de não perder. No dia em que ficava óbvio o Rafa sem ritmo, descalibrado e frustrado, brilhou o Rafa que encontra soluções e que, dentro do tecnicamente possível, exige o máximo do adversário. O número 1 do mundo, então, parou de errar e colocou a bola em jogo o quanto pôde. Viu Medvedev errar, errar e errar até fazer 6/5.

O russo ainda tirou uma meia dúzia de saques espetaculares depois que o placar mostrava 5/6 e 0/30. Forçou o tie-break e até equilibrou o game de desempate. Só no saque. Ralis? Perdeu todos, inclusive os primeiros no seu serviço, que só aconteceram no 4/5. E foi com esses dois pontos – mais duas falhas de Medvedev – que Nadal fechou a partida e se manteve com chances no ATP Finals. Palmas para o número 1.

Nadal não depende só de si

Como Stefanos Tsitsipas venceu Alexander Zverev por 6/3 e 6/2 no segundo jogo do dia, garantindo sua classificação, todos seguem com chances de avançar. O grego já está classificado, e Zverev só precisa vencer Medvedev para alcançar as semis. Para espanhol e russo, a coisa é menos simples.

1. Para avançar, Nadal precisa superar Tsitsipas e contar com uma vitória de Medvedev sobre Zverev. Assim, o espanhol avançaria em primeiro lugar no grupo. Se Zverev triunfar, acontece empate triplo. Nesse caso, Tsitsipas avança em primeiro (levaria a melhor na % de sets vencidos) e Zverev ganha o desempate com Nadal pelo segundo lugar por causa do confronto direto.

2. Para Medvedev, é necessário vencer Zverev em sets diretos e contar com uma vitória de Tsitsipas sobre Nadal. Isso forçaria um empate triplo entre russo, alemão e espanhol, e Daniil avançaria por ter maior porcentagem de sets vencidos – primeiro critério de desempate.

Número 1: Djokovic só depende de si

Quando o assunto é a briga pela liderança do ranking, a combinação de resultados desta quarta-feira, mesmo com a vitória de Nadal, faz com que Djokovic dependa apenas de seus resultados para sair de Londres como número 1 do mundo. Se for campeão, volta ao topo. É simples assim.

Isso acontece porque, embora Nadal ainda tenha chances matemáticas de fazer um número suficiente de pontos para se manter na liderança, a única possibilidade de o espanhol avançar às semis será como primeiro de seu grupo. E, se isso acontecer, ele e Nole duelarão por uma vaga na final. Djokovic, então, pode bater bater Nadal antes da decisão.

Vale lembrar, ainda, que o jogão de hoje entre Federer e Djokovic, vale o segundo lugar do grupo. Thiem já está classificado em primeiro. Além disso, um triunfo de Federer garante Rafa como número 1 do mundo até 2020.

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Thiem e seu pacote completo garantem: Djokovic e Federer farão duelo de ‘vida ou morte’ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/13/thiem-e-seu-pacote-completo-garantem-djokovic-e-federer-farao-duelo-de-vida-ou-morte/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/13/thiem-e-seu-pacote-completo-garantem-djokovic-e-federer-farao-duelo-de-vida-ou-morte/#respond Wed, 13 Nov 2019 07:00:49 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10929

Na quinta-feira, Roger Federer e Novak Djokovic entrarão em quadra na última rodada da fase de grupos do ATP Finals em uma situação incomum. Quem ganhar, avança. Quem perder, volta para casa. Um triunfo do suíço provoca, além da eliminação do rival, o fim da briga pela liderança do ranking, que seguirá com Rafa Nadal. Uma vitória do sérvio significará apenas a segunda vez em 17 participações no ATP Finals que Roger não estará nas semifinais.

Há muito em jogo e, certamente, com a toda a história da rivalidade de Federer e Djokovic será um embate imperdível – e que vem, além de tudo isso, no embalo da memória recente da decisão de Wimbledon, onde o sérvio salvou dois match points no saque do suíço e arrancou uma vitória gloriosa no que foi provavelmente a partida mais emocionante de 2019.

O que provocou uma situação tão rara e intrigante ainda na primeira fase do torneio de Londres? A resposta aponta um “quem” e não o quê. O responsável atende por Dominic Thiem, 26 anos, #5 do mundo, vice-campeão de Roland Garros duas vezes e campeão de cinco torneios nesta temporada: Indian Wells, Barcelona, Kitzbuhel, Pequim e Viena.

Além de estrear no torneio derrubando Roger Federer em dois sets, o austríaco deu sequência a uma campanha já memorável fazendo tombar também o atual número 2 do mundo, Novak Djokovic. E o fez de virada, com um plano de jogo bem pensado e uma execução irretocável durante a maioria do tempo – e que incluiu uma virada que parecia impensável quando Nole tinha o momento a seu favor e sacava em 3/0 no tie-break do terceiro set.

Nesta terça, Thiem assinou uma atuação agressiva e tecnicamente majestosa, que deixou Djokovic atordoado – o sérvio disse após o jogo que “acho que não vivi tantas partidas em que o oponente vai para tudo ou nada em todos os golpes. Ele foi inacreditável e, em alguns momentos, era simplesmente incrível que ele estava espancando a bola com toda sua força e elas estavam entrando.”

Não foi só no aspecto técnico, porém, que o austríaco teve seus méritos. E nem foi só pancadaria como Nole fez parecer. Thiem foi o pacote completo nesta terça-feira, na Arena O2. Taticamente, usou muito bem seu slice e com certa frequência, forçando Djokovic a gerar potência na bola e ousando o sérvio a arriscar. Na maioria do tempo, o #2 foi conservador, apenas prolongando os ralis, e isso permitiu que Thiem – aí, sim – enfiasse a mão na bola e colocasse o veterano freneticamente na defensiva.

Também houve mérito mental na mais improvável das horas. No terceiro set, Thiem sacou em 6/5 após um péssimo game de Djokovic. Era a hora de aproveitar e martelar o último prego, mas o austríaco sentiu o momento. Jogou mal, perdeu o saque e, além disso, cedeu dois mini-breaks e 3/0 para o favorito no tie-break decisivo. Djokovic, certamente, não desperdiçaria a chance. E, de fato, não desperdiçou. Thiem arrancou a vitória à força, voltando a jogar seu tênis agressivo, recuperando os mini-breaks e abrindo 6/4 e saque.

Nos últimos dois pontos, mais uma demonstração de força do mais jovem. Depois de ver o Hawk-Eye lhe negar por um fio de cabelo um ace no primeiro match point, Thiem foi vítima de uma devolução funda de Djokovic e perdeu o ponto. Nole, então, tinha 5/6 para empatar o game, mas o austríaco tinha uma última arma no arsenal: uma devolução funda – logo o melhor golpe do rival – lhe deu a vantagem no rali e, pouco depois, a vitória: 6/7(5), 6/3 e 7/6(5).

Consequências para Thiem, Djokovic, Federer e Nadal

O duelo, válido “apenas” pela segunda rodada da fase de grupos, causou três alterações importantes no andar do torneio:

1. Thiem, terceiro mais cotado do grupo Bjorn Borg, já está classificado em primeiro lugar. Mesmo que perca seu próximo jogo, diante de Mateo Berrettini, terá vantagem no confronto direto sobre o vencedor de Federer x Djokovic.

2. Como citado no alto deste texto, Federer e Djokovic fazem um raro jogo de eliminação direta que coloca em disputa o incrível histórico do suíço no ATP Finals e a vontade de Djokovic de terminar o ano no topo do ranking.

3. Djokovic não depende mais de si mesmo para sair de Londres como número 1. Mesmo que seja campeão, precisa torcer para que Rafael Nadal não alcance a final. Se Nole perder para Federer, o espanhol garante sua permanência no alto da lista da ATP.

Coisas que eu acho que acho:

– Nenhuma repetição enfatizará o bastante o quanto Thiem impressionou na execução de tantos golpes agressivos nesta terça-feira. Vale, porém, ressaltar outro trecho da coletiva de Djokovic: “Eu já joguei contra ele. Conheço seu jogo. Mas o que ele fez hoje à noite foi apenas extraordinário. Eu sei que ele pode jogar em alto nível, mas hoje foi fenomenal.”

– Já passou do tempo de deixarem de rotular Thiem como um tenista que “ganha só no saibro”. O cidadão já tem títulos na grama, na dura e na terra batida. Este ano, venceu um Masters 1000 (batendo Federer na final) e dois ATPs 500 no piso sintético. Passemos a borracha na insistência, por favor.

– Quase sempre escrevo isso quando Thiem enfrenta Nadal no saibro, mas o comentário vale para outros duelos desse nível, não importa o piso. A devolução do austríaco, que ainda tem seus altos e baixos, tem peso enorme em seus resultados. Nos dias bons, quando consegue agredir – especialmente com o backhand – Thiem toma a dianteira dos ralis no serviço do adversário e torna-se muito, muito mais perigoso. O match point de hoje foi apenas um microcosmo do que o cidadão é capaz.

– Para não passar batido: Federer fez o esperado e derrotou Berrettini em dois sets: 7/6(2) e 6/3. Berrettini fez o que podia, mas ainda confia demais apenas em seu jogo agressivo e precisa correr riscos por mais tempo do que o recomendável. Para piorar, o italiano nunca se achou nas devoluções, fazendo pouco até nos segundos saques de Federer. Apesar do primeiro set apertado, o suíço esteve no controle das ações o tempo inteiro.

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Zverev deu show e abriu o caminho para Djokovic http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/12/zverev-deu-show-e-abriu-o-caminho-para-djokovic/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/12/zverev-deu-show-e-abriu-o-caminho-para-djokovic/#respond Tue, 12 Nov 2019 07:00:30 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10925

O segundo dia do ATP Finals foi marcado pelas vitórias dos “fregueses”. Na sessão diurna, Stefanos Tsitsipas derrotou Daniil Medvedev por 7/6(5) e 6/4. Foi o primeiro triunfo do grego em seis jogos contra o russo. E foi uma vitória que veio mais com execução – e execução nos pontos importantes – do que com um plano de jogo diferente.

Senti falta de variações – ou, pelo menos, tentativas por parte do russo de mudar a dinâmica do jogo. Em defesa de Medvedev, o duelo foi bem equilibrado a maior parte do tempo e, quem sabe, o rumo da partida teria sido outro com um par de pontos terminando de maneira diferente no tie-break.

O resultado de mais peso do dia, contudo, veio à noite. Alexander Zverev, que também tinha um histórico de cinco derrotas em cinco jogos, conseguiu sua primeira vitória em cima de Rafael Nadal: 6/2 e 6/4. Foi, de fato, uma atuação irretocável do alemão, que sacou estúpida e estupendamente bem, tanto em velocidade quando em colocação, tomou conta da linha de base e pouco permitiu que o espanhol controlasse os ralis.

Nadal, por sua vez, mostrou um forehand errático e, quando conseguiu jogar pontos mais longos, não teve a profundidade necessária para, pelo menos, frear o jogo agressivo de Zverev. Rafa também deixou a desejar no saque, não tanto na porcentagem, mas na variação. Usou em demasia saques fechados, o que facilitou a vida do oponente (coincidência ou não, o saque aberto é o que mais dói para quem sofre/sofreu lesão no reto abdominal, como Nadal).

Djokovic por conta própria

Na briga pela liderança do ranking, a vitória de Zverev deu uma mãozinha considerável para Novak Djokovic. O sérvio, que começou a semana 640 pontos atrás de Nadal, agora só depende de sua campanha para sair de Londres como número 1. Nole assume a ponta se vencer os outros dois jogos da fase de grupos e conquistar o título.

Não que sua tarefa seja exatamente fácil. Djokovic ainda terá Dominic Thiem e Roger Federer pela frente na fase de grupos e, nas semifinais, pode até encarar Nadal, o que seria quase um confronto direto pela liderança. De qualquer modo, é o tipo de torneio em que não existe jogo fácil (embora Berrettini, o estreante, pareça ser a exceção este ano).

Nadal não se queixa de lesão

Na coletiva pós-jogo, Nadal negou qualquer tipo de dor abdominal. Apenas admitiu que jogou mal, enquanto Sascha jogou muito bem. “Sabendo que eu não estaria em 100% em termos de sensação, movimentação e confiança ou batendo na bola, eu precisava do meu melhor espírito competitivo na noite de hoje e eu não atuei assim.”

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Derrota de Federer abre possibilidade para jogo de ‘vida ou morte’ contra Djokovic http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/11/derrota-de-federer-abre-possibilidade-para-jogo-de-vida-ou-morte-contra-djokovic/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/11/derrota-de-federer-abre-possibilidade-para-jogo-de-vida-ou-morte-contra-djokovic/#respond Mon, 11 Nov 2019 07:00:53 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10917

O ATP Finals começou neste domingo com uma belíssima atuação de Novak Djokovic, que fez 6/2 e 6/1 em cima do italiano Matteo Berrettini, atual número 8 do mundo. Foi uma partida em que ficaram nítidas tanto a superioridade do sérvio quanto sua determinação a terminar o ano como número 1 do mundo, ultrapassando Rafael Nadal.

Nole foi sólido, errou pouquíssimo (só três erros não forçados no primeiro set e oito no total, contra 28 do italiano) e fez uma leitura perfeita da partida, deixando Berrettini mais frustrado a cada rali em que ele distribuía pancadas, mas não conseguia fazer o adversário veterano.

O grande resultado do dia, contudo, foi a vitória de Dominic Thiem sobre Roger Federer: 7/5 e 7/5. Foi o terceiro triunfo do austríaco sobre o suíço apenas este ano, e cada um em um tipo de condição. Primeiro, na quadra dura de Indian Wells. Depois, no saibro de Madri. Agora, na quadra dura indoor de Londres.

Não foi lá o dia dos sonhos de Federer, mas Thiem teve um bocado a ver com isso. O austríaco, aliás, tem um pacote interessante para encarar Roger. Sua esquerda anda mais do que de Federer e seu saque incomoda o suficiente. Além disso, Thiem defende-se como poucos (para mim, sua qualidade mais subestimada) e não se intimida quando vê o suíço subindo à rede.

O duplo 7/5 deste domingo, porém, teve mais a ver com a capacidade de Thiem vencer os “pontos grandes”, fosse aproveitando os erros de Federer para converter break points ou vencendo pontos bonitos quando teve seu saque ameaçado.

O mais interessante da vitória de Thiem é que ela abre uma janela para um duelo cheio de drama entre Djokovic e Federer na quinta-feira. Com resultados “normais”, sérvio e suíço chegariam ao seu duelo já classificados, ambos com duas vitórias. Agora Roger tem sua classificação ameaçada e vê a necessidade de vencer seus dois próximos jogos para não depender de nenhuma combinação de resultados.

Os cenários

O que pode acontecer? Consideremos que Federer confirme o favoritismo e derrote Berrettini na terça. Há, então, duas possibilidades:

1) Djokovic derrota Thiem, chega à quinta-feira com 2v e 0d, enquanto o austríaco terá 1v e 1d, assim como Federer. O suíço terá de vencer o sérvio para fazer 2v e 1d, empatando com Djokovic (2v e 1d) e mantendo-se com chances de avançar – o que vai depender da campanha de Thiem. Se Dominic bater Berrettini, também fica com 2v e 1d. Em caso de empate triplo, avança quem tiver melhor porcentagem de sets vencidos.

2) Thiem derrota Djokovic, segue invicto (2v e 0d) e garante a classificação. Neste caso, Federer e Djokovic (1v e 1d cada) jogam “pela vida” na quinta-feira. Quem vencer fica com 2v e 1d e se classifica junto com Dominic Thiem.

Consideremos também a hipótese (menos provável) de que Federer saia derrotado do jogo contra Berrettini. Se isso acontecer:

1) Djokovic derrota Thiem e se classifica (2v e 0d). Berrettini (1v e 1d) e Thiem (1v e 1d) chegam à quinta-feira com chances e fazem um confronto direto pela vaga. Federer estará eliminado.

2) Thiem bate Djokovic e se classifica (2v e 0d). Federer (0v e 2d), então, precisará bater Djokovic (1v e 1d) para manter suas chances. Com um triunfo, o suíço se igualaria ao sérvio (1v e 2d) e ambos teriam chances se Berrettini (1v e 2d) perder de Thiem (3v e 0d). A vaga, assim, será decidida na porcentagem de sets vencidos.

Por que isso é ruim para Djokovic

Para terminar o ano como #1 do mundo, Novak Djokovic precisa tirar a diferença de 640 pontos que atualmente existe a favor de Rafael Nadal. Logo, qualquer partida na fase de grupos, com a vitória valendo 200 pontos, é mais do que valiosa. Enfrentar um Roger Federer precisando vencer para avançar não é o melhor dos cenários para o sérvio.

Não se sabe ainda se Rafael Nadal, tentando recuperar-se de uma lesão no abdômen, vai entrar em quadra nesta segunda-feira. Caso o espanhol fique fora, Nole precisa pelo menos ir à final vencendo dois jogos na fase de grupos. Se somar apenas um triunfo no round robin, Djokovic terá que ser campeão para ultrapassar Nadal.

Caso Rafa dispute o torneio, os cenários são muitos. No mais duro deles, para terminar como #1, Djokovic teria que ser campeão e contar com pelo menos uma derrota do espanhol antes da final.

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Podcast Saque e Voleio: S01E38 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/08/podcast-saque-e-voleio-s01e38/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/08/podcast-saque-e-voleio-s01e38/#respond Fri, 08 Nov 2019 19:18:57 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10913

O 38º episódio do podcast Saque e Voleio, no ar para apoiadores do blog, traz uma análise sobre os três anos do Next Gen Finals e das tecnologias e regras testadas no evento. Que inovações foram elogiadas? Por quê? Por que não? E por que o torneio repete supostos testes há três anos? Qual o objetivo final? Se uma inovação não fez a transição para torneios oficiais do circuito profissional, por que insistir em repeti-la?

Também explico a função do Video Review (VR), que existe desde o ano passado, mas só foi usado pela primeira vez em 2019, e cito novamente o caso da confusão no jogo entre Kecmanovic e Davidovich Fokina, quando o VR anulou uma chamada ruim do Hawk-Eye, que falhou feio – e destaco como ninguém estava preparado para uma ocasião em que uma tecnologia corrigiria a outra.

Por fim, explico a lesão de Rafael Nadal às vésperas do ATP Finals e também falo sobre beach tennis, como vários tenistas migraram da quadra para a praia, como a modalidade vem crescendo no Brasil nos últimos anos e como pretendo abordar isso no blog nas próximas duas semanas.

Quem já apoia o Saque e Voleio pode acessar o link para o episódio lá no Mural do Apoia.se. Quem mais quiser curtir o podcast pode aproveitar a ocasião para começar a apoiar o blog (com R$ 15 mensais, você tem direito a conteúdo exclusivo e newsletter semanal, além de brindes e promoções). Basta visitar o Apoia.se, conhecer melhor o programa de financiamento coletivo recorrente do Saque e Voleio e fazer sua contribuição.

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Tênis: tecnologia dupla causa confusão em torneio ‘inovador’ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/07/tenis-tecnologia-dupla-causa-confusao-em-torneio-inovador/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/07/tenis-tecnologia-dupla-causa-confusao-em-torneio-inovador/#respond Thu, 07 Nov 2019 19:11:26 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10906

Desde 2006, o tênis usa a tecnologia como auxílio para a arbitragem. O mais popular desses sistemas é o Hawk-Eye, em que uma série de câmeras rastreia a bola e, com um margem milimétrica de erro, mostra se o quique foi dentro ou fora da quadra. O mecanismo ficou popularmente conhecido como “replay”, mas não se trata de uma repetição da imagem. É, na verdade, uma projeção do movimento da bola e, por isso, existe, sim, uma pequena margem de erro.

Desde o ano passado, a ATP decidiu testar um sistema de “video review”, em que o árbitro de cadeira pode analisar imagens – replays de verdade – para tirar dúvidas. Pode acontecer em casos de dois quiques, quando não há certeza se houve um segundo pique da bola no chão antes do golpe do tenista ou, como aconteceu ontem, pela primeira vez, quando o árbitro usou o replay para constatar que a bola tocou no telão no alto do ginásio.

Nesta quinta-feira, porém, ficou claro que nem toda a tecnologia do mundo vai impedir que haja falhas ou confusão na arbitragem. Mesmo com o uso do Hawk-Eye e do Video Review, houve dúvida e muito tempo perdido até que a arbitragem tomasse a decisão correta – sim, felizmente houve acerto e a justiça foi feita.

Aconteceu em Milão, no Next Gen ATP Finals, torneio que reúne oito dos melhores tenistas do mundo com até 21 anos. É um evento que a ATP chama de “inovador” porque, apesar de não contar pontos para o ranking, é usado para testar novidades. Uma delas é o Hawk-Eye automático, em que todas as marcações de linha são feitas de forma computadorizada. Outra delas, por exemplo, é que este ano os tenistas podem usar tecnologia wearable em quadra, registrando informações como velocidade, direção, aceleração e força usadas pelo atleta. Mas eu divago.

O sérvio Miomir Kecmanovic (20 anos, #60 do mundo) enfrentava o espanhol Alejandro Davidovich Fokina (20 anos, #87) quando, ainda no primeiro set, Fokina devolveu uma bola aparentemente longa. O Hawk-Eye automático não marcou nada, o que significaria bola boa e ponto do espanhol, mas Kecmanovic contestou com a árbitra de cadeira, a francesa Aurélie Tourte. E aí ficou claro que haveria uma confusão. A oficial consultou alguém pelo rádio e recebeu a seguinte resposta: a bola tocou na raquete do sérvio antes de quicar no chão, por isso não houve marcação por parte do Hawk-Eye.

Kecmanovic sabia que a bola havia tocado no chão antes de resvalar em sua raquete e, por isso, pediu o “video review” – ou seja, que a árbitra visse o replay do lance para constatar que houve o quique antes do toque na raquete. Houve uma pequena demora antes que a imagem fosse mostrada no telão e, mesmo quando isso aconteceu, Tourte pergunta no rádio: “Tocou na raquete antes, certo?” A resposta, do outro lado, veio assim: “A decisão é sua.”

A árbitra volta-se para Kecmanovic e diz o mesmo que antes: “eles não têm o quique”. O tenista rebate: “Mas dá para ver.” É aí que a árbitra diz “Eu posso ver o quique, mas não sei se…” Ela interrompe a frase no meio e pergunta novamente pelo rádio: “Podemos chamar a bola fora ou não?” A resposta é inconclusiva: “O sistema não chamou a bola fora.”

Tourte, então, vira-se para quem eu suponho que seja o supervisor do torneio, perguntando se ela pode passar por cima do Hawk-Eye, que claramente falhou. Aparentemente, ninguém estava pronto para o caso de uma tecnologia (video review) invalidar a outra (Hawk-Eye), mas foi isso que aconteceu. Depois desse vaivém e de receber uma resposta afirmativa, Aurélie Tourte finalmente explica a situação aos dois tenistas e confirma que foi possível ver no vídeo que a bola quicou fora antes de tocar na raquete de Kecmanovic. E, no fim, o sérvio ficou merecidamente com o ponto, e o público aplaudiu o bom senso da árbitra.

Coisas que eu acho que acho:

– Moral da história? A falha feia foi do Hawk-Eye automático, que não registrou a bola fora – apesar de o quique ter acontecido antes que a bola tocasse na raquete de Kecmanovic. O Video Review, no fim das contas, impede o erro, o que é ótimo. Não-tão-ótimo, porém, foi o processo. Ninguém entendeu por que o Hawk-Eye não funcionou, e a árbitra de cadeira não sabia o que fazer quando a situação fora do comum se apresentou. É algo que precisa ser trabalhado. E que fique bem claro para todo mundo que o Hawk-Eye não é esse sistema infalível que é vendido (e comprado!) por muita gente, inclusive por quem pede seu uso no saibro.

– Em um torneio “normal”, o problema possivelmente não teria acontecido. Ou, na pior das hipóteses, não teria sido tão complicado e demorado de solucionar. Afinal, todos eventos da elite ainda contam com juízes de linha, e o Hawk-Eye só entra em ação quando há dúvida. E qualquer juiz de linha chamaria aquela bola fora. Caberia à árbitra decidir apenas se a bola tocou ou não na raquete de Kecmanovic antes do quique. Vida longa aos árbitros humanos.

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Monteiro, Wild e os Challengers que ‘resgatam’ o ano brasileiro http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/05/monteiro-wild-e-os-challengers-que-resgatam-o-ano-brasileiro/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/05/monteiro-wild-e-os-challengers-que-resgatam-o-ano-brasileiro/#respond Tue, 05 Nov 2019 14:55:46 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10900

Não dá, nem pelo mais favorável dos prismas, para dizer que foi um grande ano para o tênis brasileiro. Bia Haddad Maia, a tenista do país com maior relevância no ranking, está atualmente suspensa provisoriamente em um caso de doping. João Souza, o Feijão, também cumpre suspensão provisória, mas sua acusação vem do órgão anticorrupção. Diego Matos foi banido do esporte pelo resto da vida por manipular o resultado de dez partidas. Thomaz Bellucci, principal expoente da modalidade nos últimos dez anos, segue sem recuperar seu nível e hoje é o #323 do planeta. O Brasil Open, ATP 250 de São Paulo, deixará de existir. A Confederação Brasileira de Tênis (CBT) segue sem um patrocinador máster e deixando a desejar em transparência, segundo relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), e teve de cortar o apoio que ajudava Felipe Meligeni e Orlando Luz a treinarem em Barcelona.

As poucas notícias boas apareceram aqui e ali, quase sempre nas duplas, com Marcelo Melo, Bruno Soares e, mais recentemente, Luisa Stefani. João Menezes, que evoluiu visivelmente durante a temporada, foi uma feliz surpresa ao conquistar a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima (e praticamente assegurar uma vaga olímpica). E, agora, no finzinho do calendário, Thiago Monteiro e Thiago Wild, em semanas consecutivas, foram campeões dos Challengers de Lima e Guaiaquil, respectivamente. Dois ótimos resultados, ambos importantíssimos para seus objetivos pessoais, e que vêm num período em que, no ano passado, o máximo que o Brasil conseguiu foi um par de semifinais.

Para Monteiro, a conquista em Lima, auxiliada por semifinais em Buenos Aires e Santo Domingo, serviu para colocá-lo na atual 88ª posição na lista da ATP. É seu melhor ranking desde maio de 2017. Mais do que isso: é uma segurança para montar o calendário do começo de 2020 e uma garantia de vaga na chave principal do Australian Open, o que já vai lhe render um bom prêmio em dinheiro. E ainda mais: entre os 90, Monteiro se coloca perto da zona que costuma render uma vaga nos Jogos Olímpicos.

Thiago Wild, de 19 anos, conquistou em Guaiaquil seu primeiro Challenger da carreira e pulou para #235 no ranking mundial – é a melhor posição de sua carreira e um posto que deve lhe colocar no qualifying do Australian Open. Será, se confirmada, a primeira participação de Wild num slam como profissional. Vale lembrar que 2019 foi o primeiro ano do paranaense jogando apenas torneios profissionais e quase exclusivamente Challengers (disputou dois WTTs, os antigos Futures, e foi campeão em um). Para quem abriu o ano como #447, terminar como #235 mostra que houve evolução indiscutível.

Não é como durante o auge de Thomaz Bellucci, quando havia chance real de título nos ATPs durante um punhado de semanas na temporada – e para várias pessoas o tênis brasileiro andou para trás nos últimos 15 anos – mas terminar a temporada com dois títulos de Challenger (e ainda há chance de um terceiro nesta semana, em Montevidéu) é algo a ser comemorado, especialmente no cenário tempestuoso descrito no primeiro parágrafo.

Coisas que eu acho que acho:

– De modo geral, a sequência latino-americana de Challengers foi boa para o Brasil. Além de Wild e Monteiro, Orlandinho e Meligeni venceram alguns jogos, e Rafael Matos conquistou seus primeiros pontos nesse nível.

– No tênis feminino, Teliana Pereira vem, aos poucos, voltando a conseguir resultados. Fez seu primeiro torneio do ano em março, como #540 do mundo, encarou longos períodos na Europa, jogando qualifying em quase todas semanas, e hoje é a #375 do planeta. Ainda longe de seu melhor ranking (#43), mas um ótimo número para quem teve um 2018 curto, ficou sete meses sem competir e precisa lidar com a dor no dia-a-dia.

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Ashleigh Barty: a habilidosa, generosa e incomum campeã de 2019 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/04/ashleigh-barty-a-habilidosa-generosa-e-incomum-campea-de-2019/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/04/ashleigh-barty-a-habilidosa-generosa-e-incomum-campea-de-2019/#respond Mon, 04 Nov 2019 14:00:26 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10896

Ela conquistou quatro títulos em quatro pisos bem diferentes, venceu 56 partidas, embolsou US$ 11,3 milhões e participou de todas as partidas vencidas pela Austrália no caminho para a final da Fed Cup. Não há como questionar que a temporada de 2019 pertence a Ashleigh Barty, que não só termina o ano como uma indiscutível número 1 do mundo (são quase dois mil pontos de vantagem sobre a vice-líder, Karolina Pliskova) como fecha o circuito da WTA com o título do WTA Finals, em Shenzhen.

O título de “campeã da temporada” não poderia estar em mãos mais habilidosas. Foi com seu toque precioso, capaz de produzir slices e voleios como poucas, além de distribuir a bola com rara precisão, que Barty já começou a surpreender em Miami, onde bateu três top 10 (Bertens, Kvitova e Pliskova). Também foi assim, com recursos para vencer de maneiras diferentes, que a australiana conquistou Roland Garros, seu primeiro slam, logo no saibro, piso que não lhe dá tanta vantagem assim. O talento também lhe levou a triunfar na grama de Birmingham e na quadra dura, porém fofa (e muito questionada pelas tenistas), do WTA Finals, em Shenzhen.

O ano do tênis feminino não poderia estar em mãos mais generosas. Três dias atrás, quando se classificou para as semifinais em Shenzhen, já sabendo que sairia do WTA Finals com um cheque paquidérmico, foi à internet fazer compras. Sapatos? Vestidos? Eletrônicos? Nada disso. Barty estava comprando coisas para a RSPCA, órgão de prevenção contra crueldade com animais. “Sei que eles precisam de coisas normais para gatos e cães e meio que tudo no abrigo da RSPCA. Um pouco para dar a eles quando eu estiver de volta à Austrália no fim do ano. Estamos muito felizes fazendo isso.”

Alguém pode dizer que Barty como número 1 do mundo é “bizarro”. Sim, ela mesma disse isso no vídeo acima. É a primeira vez no tênis feminino, em 44 anos de ranking da WTA, que alguém que começa uma temporada fora do top 10 vence um slam e termina o ano no topo. Mas também é verdade que a história da australiana, assim como seu tênis, não tem nada de padrão nos tempos modernos da modalidade.

Lembremos que Barty foi campeã juvenil de Wimbledon aos 15 e, aos 17, estava enfrentando Serena Williams na quadra central do Australia Open. Era a jovem promissora que, cedo ou tarde, deslancharia e conquistaria algo grande. Só que essa história teve um desvio quando Barty, com 18 anos, largou o tênis porque queria viver como uma adolescente normal. Acabou aceitando um convite para jogar críquete profissional e só voltou ao tênis dois anos depois.

O críquete, aliás, nunca ficou totalmente no passado. Neste domingo, antes de derrotar Elina Svitolina com mais uma atuação brilhante, Barty brincava em quadra (assista abaixo), sem aquela preocupação excessiva em calibrar milimetricamente forehands e backhands. Hoje, com 23 anos, a australiana já aprendeu a lidar com pressão, expectativa e ansiedade. É uma tenista que, mesmo sem a potência de uma Williams ou a altura de uma Sharapova, sabe o que fazer, quando fazer e como fazer. Quando tudo se encaixa, é duro batê-la.

Coisas que eu acho que acho:

– Com Barty no topo do ranking, a WTA não poderia estar muito mais feliz. O tênis feminino tem no alto de seu ranking uma menina centrada, simpática, generosa e que mostra que é possível ser uma atleta de elite – e vencedora! – sem inimizades no vestiário ou trapaças dentro de quadra. No seu meio, Barty é querida e respeitada e não precisa mais do que isso.

– A presença de Barty como número 1 do mundo também dá um recado claro a federações, atletas e pais de atletas ao redor do planeta: há mais de uma maneira de se fazer um campeão. Há mais de um caminho para escalar a montanha que é a elite do tênis mundial.

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Podcast Saque e Voleio: S01E37 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/02/podcast-saque-e-voleio-s01e37/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/11/02/podcast-saque-e-voleio-s01e37/#respond Sat, 02 Nov 2019 12:20:18 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10893

O 37º episódio do podcast Saque e Voleio, no ar para apoiadores do blog, traz mais um episódio da longa disputa política na ATP envolvendo Novak Djokovic, Justin Gimelstob, Roger Federer, Rafael Nadal e votações do Conselho dos Jogadores e da Diretoria. Também comento o calendário pós-US Open da WTA e como ele pode ser responsável pelas lesões que prejudicam o WTA Finals quase sempre.

Na questão da ATP, relato uma entrevista recente do ucraniano Sergiy Stakhovsky, ex-integrante do Conselho, que joga luz sobre algumas das questões importantes sobre as votações mais recentes e quem está alinhado com quem nessa briga. Stakho faz algumas revelações/acusações graves, dizendo inclusive que uma parte do Conselho tomava decisões em conjunto antes das reuniões, influenciado por uma pessoa de fora. Na análise, falo como as informações trazidas pelo ucraniano se encaixam com o que já se sabia e deixam o cenário um pouco menos nublado.

Sobre a WTA, lembro das desistências recentes de Andreescu e Osaka no WTA Finals e analiso como o calendário do circuito feminino, cheio de torneios importantes na Ásia após o US Open, contribui para esse cenário, que está longe de ser o ideal para o maior torneio não-slam das mulheres.

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O que significa a ausência de Federer na ATP Cup http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/10/30/o-que-significa-a-ausencia-de-federer-na-atp-cup/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/10/30/o-que-significa-a-ausencia-de-federer-na-atp-cup/#respond Wed, 30 Oct 2019 15:53:26 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10887

Roger Federer anunciou nesta quarta-feira, 30 de outubro, que não vai disputar a ATP Cup, competição entre países organizada pela ATP e que será realizada pela primeira vez em 2020, de 3 a 12 de janeiro. O evento, concorrente direto da Copa Davis, terá como sedes Brisben, Perth e Sydney e servirá também de aquecimento para o Australian Open.

Em comunicado publicado no Facebook (veja abaixo), o suíço explica que não disputar o torneio significa passar mais duas semanas em casa e que esse período fará muito bem para seu tênis e sua família. Roger afirma também que é a coisa certa a fazer se ele quiser continuar a jogar por um período mais longo no circuito da ATP.

A explicação de Federer faz todo sentido do mundo, mas como toda decisão tomada pelo tenista mais popular do universo, ela tem motivações e consequências que valem a pena serem analisadas mais a fundo, tanto no aspecto politico quanto no lado financeiro.

A primeira coisa a apontar é que não chega a ser surpreendente a ausência de Federer. A ATP confirmou sua Copa em novembro do ano passado. Todos sabiam a data. Ainda assim, Tony Godsick, empresário do suíço, amarrou nós aqui e ali para que seu cliente fizesse uma turnê de exibições no fim deste ano, passando por México, Equador, Colômbia, Chile e Argentina e recebendo cachês milionários em cada uma dessas paradas.

Considerando que Federer não tem lá o melhor dos históricos em temporadas pós-turnês, já era de se imaginar que ele se poupasse no pré-Australian Open. Não faz sentido jogar uma competição com a responsabilidade de defender o país se ele acha que existe um risco de se “queimar” antes de um slam.

Bolso cheio à parte, faz sentido lembrar que Federer quase sempre priorizou seu ranking e o circuito da ATP em detrimento da Copa Davis. Por que, logo agora, aos 38 anos, agiria diferentemente em relação à ATP Cup? A decisão mostra novamente que primeiro vêm seu bolso e seu ranking. O resto? Paciência. Que entre na fila. E este texto não tem como objetivo criticá-lo. Pelo contrário. Cada um que escolha livremente suas prioridades.

Hoje, contudo, há um detalhe a mais a ser considerado. Existe uma disputa que envolve dinheiro e política nas três competições por equipes existentes no calendário: a Copa Davis, da ITF; ATP Cup, dos jogadores; e a Laver Cup, organizada, pela TEAM8, da qual Federer é sócio. E o suíço, ausentando-se tanto da Davis quanto da ATP Cup, deixa de fortalecer a concorrência. Faz sentido, não?

Coisas que eu acho que acho:

– Para a ATP Cup, a ausência de Federer é um enorme baque. Ter o suíço em quadra, mostrando a força da competição, era um dos trunfos da entidade que quer medir forças com a nova fase de finais da Copa Davis. Roger, vale lembrar, não estará no evento da ITF.

– Será um baque tão ou ainda maior se Rafael Nadal também se ausentar da ATP Cup – até porque o espanhol já está confirmado no time que vai defender seu país nas finais da Davis, que serão em Madri. E não é nada, nada improvável que isso aconteça…

– Sobre o histórico de Federer pós-turnês, vale lembrar que ele disputou uma série de exibições com Pete Sampras em 2007 e perdeu a liderança do ranking em 2008; jogou o Gillette Federer Tour em 2012 e viveu uma das piores temporadas da carreira em 2013; jogou a IPTL em 2015 e ficou afastado do circuito em todo segundo segundo semestre de 2016.

– Sim, ausentar-se da ATP Cup provavelmente fará bem para a família e para o tênis de Roger Federer e ninguém aqui está questionando suas prioridades. Dito isto, quando ele afirma que “é com grande pesar” e que lhe “machuca” não estar na ATP… Aí eu não compro.

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Rio Open anuncia seu primeiro nome de peso para 2020: Dominic Thiem http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/10/25/rio-open-anuncia-seu-primeiro-nome-de-peso-para-2020-dominic-thiem/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/10/25/rio-open-anuncia-seu-primeiro-nome-de-peso-para-2020-dominic-thiem/#respond Fri, 25 Oct 2019 14:21:48 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10877

A pouco mais de três meses para o início de sua sétima edição, o Rio Open anunciou hoje seu primeiro nome de peso para o torneio de 2020, que será realizado de 15 a 23 de fevereiro, novamente nas quadras de saibro do Jockey Club Brasileiro. A principal atração será um nome bem conhecido dos cariocas: Dominic Thiem, atual número 5 do mundo, vice-campeão de Roland Garros em 2018 e 2019 e campeão do Rio Open em 2017.

Será a quinta vez de Thiem na Cidade Maravilhosa. Além da conquista de 2017, o austríaco foi semifinalista em 2016 (perdeu pra Guido Pella) e quadrifinalista em 2018 (Fernando Verdasco). Neste ano, tombou logo na estreia, superado pelo sérvio Laslo Djere, que surpreendeu e saiu como campeão do torneio.

Thiem é um ótimo nome para um torneio no saibro. Especialmente um ATP 500 que teve uma chave não tão empolgante em 2019 e que vem encontra dificuldades para atrair nomes de peso. Para a edição de 2020, o Rio já está atrás, por exemplo, do ATP 250 de Marselha, disputado na mesma semana e que oferece premiação e pontuação menores. No dia 16 de outubro, o torneio francês anunciou as presenças de Daniil Medvedev, Karen Khachanov, David Goffin, Félix Auger-Aliassime, Benoit Paire, Denis Shapovalov e Jo-Wilfried Tsonga. Três dias depois, Marselha confirmou também o grego Stefanos Tsitsipas.

Outro tenista de nome que preferiu jogar em um torneio menor na mesma semana é o argentino Juan Martín del Potro. Ele já tem compromisso com o ATP 250 de Delray Beach, nos EUA. o torneio é jogado em quadras duras.

Em janeiro, quando confirmou uma lista de jogadores quase idêntica à do ATP 250 de Buenos Aires, jogado na semana anterior, o diretor do Rio Open, Lui Carvalho, voltou a argumentar que o saibro é um elemento dificultador para trazer mais nomes relevantes (trocar de piso requer uma aprovação nada simples junto à ATP): “Esbarramos como todos anos na questão do piso e pela predominância de jogadores europeus. É um desafio que tínhamos conseguido driblar até esse ano. Infelizmente esse ano tivemos mais dificuldades, apesar de termos conversado com mais de 20 jogadores. Eu acredito que caso o Rio Open fosse em quadra rápida teríamos mais facilidade para atrair os atletas. É só ver o que acontece com Acapulco. O torneio segue na mesma data, no mesmo local, e hoje atrai em média 5 Top 10 por ano.”

Também pesa, como Carvalho apontou, o cenário atual, com predominância de tenistas europeus. Dos 20 primeiros do ranking, 15 nasceram e moram no Velho Continente. Para eles, não é tão simples fazer uma viagem longa até a América do Sul e competir no saibro e no calor, com muita umidade – casos de Buenos Aires e Rio. É mais cômodo ficar na Europa e disputar dois torneios indoor, ambos em quadra dura e em sequência. Primeiro, o ATP 500 de Roterdã. Em seguida, o evento marselhês.

Uma perda significativa do Rio Open para 2020, porém, foi o canadense Félix Auger-Aliassime, que virou queridinho dos cariocas em 2019, mas que já optou por atuar na quadra dura, em Marselha, no ano que vem. A lista completa de tenistas do Rio Open 2020 será revelada em janeiro, após o término das inscrições na ATP. Ainda não há data para o começo da venda de ingressos.

“É sempre muito legal poder garantir um top 5 no nosso torneio, principalmente alguém que é uma referência no saibro como o Thiem. Os brasileiros têm acompanhado de perto a evolução dele e 2020 promete ser uma temporada ainda mais vitoriosa para ele”, disse Carvalho, em comunicado enviado pela assessoria de imprensa do Rio Open.

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