Saque e Voleio http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br Se é sobre tênis, aparece aqui. Tue, 18 Jun 2019 08:00:34 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 ‘Jogando Junto’: minutos de sabedoria por Meligeni http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/18/jogando-junto-minutos-de-sabedoria-por-meligeni/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/18/jogando-junto-minutos-de-sabedoria-por-meligeni/#respond Tue, 18 Jun 2019 08:00:34 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=9806

Fernando Nardini foi preciso quando classificou “Jogando Junto”, novo livro de Fernando Meligeni, como uma versão tenística de “Minutos de Sabedoria”. Trata-se, de fato, de um livro de cabeceira, com linguagem simples e direta, para quem pratica o esporte em qualquer nível. É daquelas publicações que você pode, antes de sair para o clube, abrir em uma página qualquer e ler algo que vai te fazer alguma diferença, seja lembrando de um costume que você perdeu ou de algo que mentalmente vai te ajudar em uma partida.

Em 234 páginas, Meligeni distribui o que ele chama de “132 insights para te ajudar em quadra”, que estão divididos em oito seções: preparando junto, competindo junto, sentindo medo junto, aprendendo junto, treinando junto, sendo desafiado, importante e equipe joga junta. Listo abaixo cinco dos meus insights preferidos (com seus respectivos números conforme publicados), aproveitando para fazer um lembrete importante aos leitores cariocas: Meligeni fará uma noite de lançamento do livro na Livraria Travessa do Shopping Leblon amanhã, dia 19 de junho, das 19h às 22h.

21. Padrão

Leia muitas vezes. Trabalhe muito isso. Todos os jogadores bons têm um padrão de jogo. Mais do que isso, sabem exatamente como é seu padrão e aonde eles querem chegar com sua tática. Padrão de jogo é uma forma bonita de chamar estilo e tática em conjunto.

Ter padrão é saber o que fazer e quando fazer com a bola. O Nadal é um jogador de base que joga passos atrás da linha com seu forehand, fugindo da esquerda e armando com seu drive na cruzada, esperando a bola curta.

Quando entendemos como jogamos, fica muito mais fácil pensar como vamos jogar contra cada adversário. O respeito com nosso padrão é fundamental para ser bem-sucedido no jogo.

Um dado interessante em que eu acredito é que um bom atleta joga tênis mais ou menos 80% no padrão e apenas 20% na variação. O tenista precisa ter volume de jogo. Somente os que jogam diferente, como os gigantes que sacam a 230 km/h e, por serem altos demais, se mexem mal e jogam com menos volume. Mas mesmo assim respeitam um padrão.

Quando você vê um tenista fazer muita jogada diferente, slice, curta, alta e rápida no mesmo ponto, desconfie. Se você jogar de forma firme e sólida, provavelmente vai ganhar dele. São poucos os que conseguem jogar assim. Mas esses são os chamados fora da curva, extremamente habilidosos. Se não for o seu caso, conheça o seu padrão e jogue com ele o tempo todo.

26. Ter paciência não é empurrar a bola

Tênis é um esporte de erros. Ganha normalmente quem erra menos. Nem por isso você tem que entrar em quadra só para jogar a bola do outro lado. Ter paciência, no meu vocabulário, é escolher bem suas jogadas e não empurrar a direita ou a esquerda. Temos a tendência de estourar e nos livrarmos da bola. Muitas vezes seu adversário está mais cansado ou nervoso do que você, mas você não percebe e erra antes.

No jogo é preciso entender que o normal é o ponto durar no mínimo quatro bolas. Antes disso, você tem que preparar o ponto. Atenção às primeiras duas bolas do ponto, quase tudo acontece até a terceira bola.

58. Medo de ser bom

Inacreditável, mas o tenista tem muito medo de ser bom. Quando ele começa a jogar bem, é o último a perceber, o último a acreditar.

Vejo quase sempre o jogador batendo bem na bola, bem fisicamente, entendendo o que tem que fazer, jogando claramente dentro de suas características, mas não consegue vencer. Se sentiu representado com essa descrição? Você pode ser um desses atletas que tem medo de ser bom.

Se conseguir perceber isso, já dará um grande passo para a solução. Pense menos nas consequências e ataque as saídas. Para mim, uma das melhores soluções é ter claro o que tem que fazer e focar nisso. As possibilidades, os ganhos ou perdas devem ficar em segundo plano. A cabeça do jogador tende a pensar negativo, a duvidar. Não ache que isso não vai acontecer, já busque a solução. Pense em como você vai ganhar o próximo ponto, qual será a estratégia. Se você conseguir pensar em uma tática, parará automaticamente de pensar nas consequências.

Na hora da dúvida, reforce sua estratégia. Acredite no que você se propôs a fazer desde que entrou em quadra. Tenha paciência com você e seus erros. O salto para o próximo estágio é muito mais simples e possível do que você acha. Acredite em você e não dê mais desculpas bobas.

68. Ganhou

A mesma atitude [que nas derrotas – o insight 67 do livro se chama “Perdeu”] você deve ter quando ganha, tentar ser o mais educado possível. Da mesma forma que dói quando você perde, seu adversário está triste por não ter vencido.

Não dê risadinhas, não mostre superioridade ou faça comentários bobos. Vá até ele, aperte e mão e fale algo como “bom jogo” ou “valeu”. Se o relacionamento for bom, você pode falar um pouco mais.

Elogie se o jogo foi bom, mas cuidado com o que você fala. Esse é um momento em que será julgado, por isso não passe a impressão de ser um mascarado ou um babaca.

Evite dancinhas e gestos efusivos, pois quase sempre são mal interpretados. Fique feliz, respeite o adversário e vá para fora da quadra.

114. Ler ajuda

Em um dos tópicos falei sobre a importância de cuidar do corpo e não ficar o dia todo passeando no clube ou na cidade. Você precisa de muito descanso e, para isso, deve ficar mais tempo do que normalmente fica isolado no quarto do hotel.

Uma alternativa para esse tempo de ócio é a leitura. Vejo tenistas jogando cartas, mexendo no celular, mandando mensagens, postando fotos, mas quase ninguém lendo.

A leitura abre a cabeça. Te faz amadurecer e conhecer muitos outros assuntos e sair um pouco da pressão do dia a dia. Nos meus tempos de jogador, comecei a ler livros de um escritor chamado Christian Jacq sobre o Egito e os faraós (cada um tem suas preferências). Mas no começo do profissional li muitos livros de Sidney Sheldon. As histórias são simples e envolventes. Você não precisa ler exatamente esses autores, pode escolher o que te agrada mais. O que ajuda é conhecer a leitura e se envolver nela.

Não prometo que você vai jogar melhor se ler, mas com certeza terá muito mais conteúdo e inteligência.

Importante: Quem quiser, já pode comprar o livro na Loja Tenisbrasil, com uma vantagem: apoiadores do blog têm direito a 10% de desconto. E não é só isso: quem usar o cupom promocional do Saque e Voleio também pode aproveitar outra promo da Loja Tenisbrasil, que dá 10% de desconto para quem compra dois ou mais livros. Ou seja, apoiadores do blog terão 20% de redução comprando dois ou mais livros por lá.

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10 voleios que mostram por que Nadal é um dos melhores do mundo junto à rede http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/14/10-voleios-que-mostram-por-que-nadal-e-um-dos-melhores-do-mundo-junto-a-rede/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/14/10-voleios-que-mostram-por-que-nadal-e-um-dos-melhores-do-mundo-junto-a-rede/#respond Fri, 14 Jun 2019 08:00:43 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=9787

Já não acontece mais com tanta frequência, mas de vez em quando Rafael Nada erra um voleio e um comentarista despreparado resgata de 2005 aquela frase típica: “É… Nadal não é um grande voleador.” Ou isso ou algo parecido. Variações sobre um mesmo tema, como diria Humberto Gessinger. O ponto aqui é que tem gente que, por implicância ou desconhecimento, gosta de se apegar a algo em que acreditava uma década atrás.

Fato – fato mesmo – é que Rafael Nadal é hoje um dos melhores voleadores do circuito. E isso significa possuir um punhado de qualidades: saber a hora de subir à rede, saber se posicionar, saber o que fazer com a bola, ter a “mão” para o voleio de precisão… Nadal ainda vai um pouco mais longe. Sabe volear do chamado mata-burro, é ótimo no “quadradinho”, tem smashes mortais de forehand e backhand, de frente e até de costas para a quadra.

E enquanto um punhado de gente ainda se recusa a aceitar isso, Rafa deu várias amostras dessa habilidade durante a recente final de Roland Garros, onde conquistou seu 12º título ao bater Dominic Thiem. São voleios variados, que mostram habilidades diferentes, e fiz questão de editar uma compilação com 10 deles. Confiram no vídeo abaixo:

Vale fazer algumas observações:

– O primeiro voleio é excepcional. Combina reação rápida (Nadal foi chamado à rede por Thiem, que tinha a bola a seu gosto) com um toque preciso.

– O terceiro (na marca de 37’) é oportunismo puro. Nadal sente que Thiem vai chegar desequilibrado na paralela e, por isso, vai à rede.

– O segundo e o quarto (56’) voleios do clipe são, na verdade, saque-e-voleio. Com Thiem devolvendo muito atrás, Nadal tinha tempo de sobra para fazer o saque angulado e chegar bem para volear com a quadra aberta. Ele faz o mesmo no delicado terceiro game do quarto set (2’22”), mas do lado de iguais. Mais uma vez, encontra a quadra aberta após uma devolução de slice.

– O quinto ponto (1’07”) do clipe vem de uma subida que não foi tão boa assim. Thiem chegou bem na bola e forçou Nadal a rebater uma bola baixa. Ganhar o ponto foi mérito da “mão” de Rafa. O mesmo vale para o voleio do segundo game do terceiro set (1’44”). Nadal tira a bola do chão e coloca onde Thiem não vai alcançar. Precisão pura.

– O voleio mais impressionante da partida é o do quarto game do terceiro set (1’56”). Thiem colocou Nadal em uma péssima posição, mas Rafa mostrou rapidez, elasticidade e, mais uma vez, toque (e deu um pouquinho de sorte também), colocando backspin para fazer a bola quicar e voltar para a rede. Ao austríaco, só restou cumprimentá-lo.

Coisas que eu acho que acho:

– Deixo aqui meu muito obrigado ao técnico Sylvio Bastos pela consultoria na confecção deste post.

– Seres humanos evoluem. Nadal, em especial, é um tenista muito superior ao de 2005, quando conquistou seu primeiro slam. Não dói reconhecer.

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Podcast Saque e Voleio: S01E15 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/12/podcast-saque-e-voleio-s01e15/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/12/podcast-saque-e-voleio-s01e15/#respond Wed, 12 Jun 2019 13:00:27 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=9794

O 15º episódio do podcast Saque e Voleio, no ar para apoiadores do blog, traz um resumo de Roland Garros, com análises mais profundas sobre Rafael Nadal e Ashleigh Barty. Falo sobre o momento difícil do espanhol após a lesão no joelho sofrida em Indian Wells e de como o próprio Rafa disse que chegou no fundo do poço – mentalmente falando – ao ponto de considerar se afastar do circuito até o fim do ano para voltar recuperado e renovado só em 2020. Termino citando o mais obsceno dos números sobre o sucesso de Rafa Nadal nos torneios do Grand Slam.

Sobre Barty, ressalto aspectos técnicos de seu jogo e de como ele é construído e pensado para compensar a falta de um golpe dominante em uma atleta com cerca de 1,65m de altura e sem a potência para equilibrar trocas de bola contra gente que bate mais forte na bola. Falo também sobre sua pausa na carreira, a ida ao críquete e como agora, mais madura e 100% pronta para o circuito, chegou o seu tempo. Uso Barty, aliás, como exemplo de que não existe uma só estrada para o sucesso no tênis.

Por fim, comento as transmissões do Bandsports. Falo o que penso sobre os narradores, os comentários de Flávio Saretta e as entradas de Elia Junior entre as partidas, direto de Paris.

Quem já apoia o Saque e Voleio pode acessar o link para o episódio lá no Mural do Apoia.se. Quem mais quiser curtir o podcast pode aproveitar a ocasião para começar a apoiar o blog (com R$ 15 mensais, você tem direito a conteúdo exclusivo e newsletter semanal, além de brindes e promoções). Basta visitar o Apoia.se, conhecer melhor o programa de financiamento coletivo recorrente do Saque e Voleio e fazer sua contribuição.

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Nova quadra, velho campeão: uma retrospectiva de Roland Garros em 31 curtinhas http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/11/retrospectiva-roland-garros-31-curtinhas/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/11/retrospectiva-roland-garros-31-curtinhas/#respond Tue, 11 Jun 2019 08:00:57 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=9769

Chegamos ao fim de duas semanas intensas de tênis, com dois torneios bastante distintos. Enquanto os principais nomes da chave feminina foram caindo rodada a rodada e dando um ar de imprevisibilidade ao torneio, a chave masculina viu os favoritos avançando, e as semifinais tiveram os quatro primeiros colocados do ranking. No fim, Roland Garros coroou os talentos de Ashleigh Barty e Rafael Nadal. A australiana conquistou seu primeiro slam. O espanhol, seu 12º apenas no saibro francês.

Há muita coisa a dizer sobre o que aconteceu nos 15 dias de torneio, então publico aqui as tradicionais curtinhas pós-slam. Aproveito desde já para agradecer a companhia nas redes sociais, audiência e o carinho dos leitores que, como sempre, registraram números impressionantes por aqui. Agora é com vocês. Rolem a página, leiam e, no fim, deixem suas opiniões.

1. Rafael Nadal fez mais uma campanha brilhante em Paris. Perdeu só um set antes da final (para Goffin, que fez uma bela apresentação) e foi novamente brilhante em uma decisão. Exigiu o máximo de Dominic Thiem, que tentou ser consistente e, depois, ser mais agressivo. Não obteve sucesso com nenhum dos planos de jogo.

2. Nadal se tornou o primeiro tenista a vencer 12 vezes o mesmo slam. Até o sábado, ele dividia o recorde com a australiana Margaret Court, que venceu o Australian Open 11 vezes (a primeira, em 1960, e a última, em 1973).

3. Dominic Thiem fez mais um torneio excelente. Foi sua segunda final seguida e a quarta vez consecutiva alcançando pelo menos as semifinais de Roland Garros. Só foi parado por Rafa e Djokovic (2016) nos últimos três anos. O austríaco de 25 anos, atual número 4 do mundo, é mais um para a lista do “já teria vencido um slam não fosse por Nadal.”

4. Roger Federer também merece destaque. Teve uma chave fácil, mas alcançou as semifinais após uma brilhante vitória sobre Stan Wawrinka, outro que fazia um lindo torneio e bateu Garín, Dimitrov e Tsitsipas. Poderia ter tido mais sorte contra Nadal, mas viu o espanhol fazer uma belíssima apresentação em condições duríssimas de jogo (muito vento).

5. Novak Djokovic fazia um belo torneio até as semifinais, mas deixou muito a desejar no duelo com Thiem. Reclamou demais do vento, queixou-se do árbitro e fez um quinto set ruim, sem aproveitar as chances dadas pelo austríaco na parcial decisiva.

6. Ashleigh Barty é uma história deliciosa de contar. Uma menina que foi campeã juvenil de Wimbledon aos 15 anos e largou o tênis aos 18 para viver algum tempo como uma adolescente normal. Virou jogadora de críquete profissional, voltou ao tênis aos 20 e agora, aos 23, é campeã de slam. E fez isso logo no saibro, onde menos esperava.

7. Barty, que é a nova #2 do mundo, admitiu que os planetas se alinharam para ela nestas duas semanas. É verdade. Ela poderia ter enfrentado Serena Williams nas oitavas, mas a americana caiu uma rodada antes. Poderia ter encarado Naomi Osaka nas quartas, mas foi Madison Keys quem avançou naquela parte da chave. A rival da semi era para ser Simona Halep, atual campeã, mas a romena tombou diante da talentosas, mas inexperiente Amanda Anisimova. Logo, Barty chegou às semis com a moral de uma veterana e bateu Anisimova e Marketa Vondrousova, duas adolescentes, para conquistar merecidamente o título.

8. A desistência mais doída da chave feminina foi a de Kiki Bertens, motivada por uma virose. Ela abandonou ainda na segunda rodada, perdendo o primeiro set por 3/1 para Viktoria Kuzmova. A holandesa de 27 anos chegou a Paris no melhor momento de sua carreira, como número 4 do mundo e vindo de um título em Madri e uma semi em Roma. Era, talvez, sua melhor chance na carreira de vencer um slam (por enquanto).

9. Foi impressionante a atuação da jovem Sofia Kenin, 20 anos, na vitória sobre Serena Williams por 6/2 e 7/5. Mostrou peso de bola, coragem e personalidade. Não se intimidou com os gritos da veterana nem com as vaias do público. Gritou em todos pontos importantes, sem se importar com o tamanho da adversária, e não tremeu na hora de fechar a partida.

10. Aos 37 anos, Serena Williams já não mostra a forma de antes – nem física nem técnica – e dá a entender que só continua no circuito porque quer igualar e, quem sabe, superar a marca de 24 títulos de slams em simples. O recorde é da australiana Margaret Court. Se Serena acredita que esse recorde lhe dará algum tipo de validação extra, tendo a achar que a insistência pela marca só enfraquece seu significado. Falarei com mais calma sobre isso em um post durante a próxima semana.

11. A americana Anna Tatishvili foi multada em US$ 51.520 – valor equivalente ao prêmio em dinheiro para quem perde na primeira rodada. Ela foi derrotada por 6/0 e 6/1 pela grega Maria Sakkari em 55 minutos, e oficiais de Roland Garros reviram o vídeo do jogo e julgaram que Tatishvili não se esforçou o bastante. A americana, que não jogava há 18 meses, período no qual passou por três cirurgias no tornozelo. O relato da partida no site da WTA aponta para uma atuação dominante de Sakkari e não menciona problemas da americana.

12. Difícil escolher o melhor jogo do torneio, Um sério candidato foi o encontro de segunda rodada entre Benoit Paire e Pierre-Hugues Herbert. Os franceses fizeram um memorável duelo de cinco sets, que acabou depois das 21h em Paris, com o placar mostrando 6/2, 6/2, 5/7, 6/7(6) e 11/9 para Paire. Um fim de jogo dramático, com nível de tênis altíssimo, numa quadra Suzanne Lenglen cheia, com o público de pé, participando intensamente de um duelo entre amigos e compatriotas. Tudo conspirou para um raro momento, inclusive o quinto set longo, sem tie-break, que resiste bravamente em Roland Garros.

13. A história do jogo também contribuiu para o fim dramático. Paire sacou para o jogo no terceiro set e foi quebrado. Sacou para o jogo no quarto set e foi quebrado. Teve match point no tie-break e não converteu. Ainda começou o quinto set perdendo o serviço, mas não desistiu. Esteve em desvantagem duas vezes e correu atrás. Foi recompensado após 4h33min de jogo. É claro que o quinto set longo não foi o único responsável pelo momento glorioso daquela quarta-feira, mas se tudo conspira a favor e o regulamento colabora, o tênis só tem a ganhar. Há quem acredite que as partidas precisam ser mais curtas para atrair mais fãs. Pois vejam o público em êxtase no fim da partida. Eu apostaria um punhado de euros (se os tivesse) que ninguém na Lenglen – NINGUÉM – saiu preocupado com a duração do espetáculo.

14. Ainda falando em franceses, foi linda a história de Nicolas Mahut, que não chegava à terceira rodada em Roland Garros desde 2015. E o fez graças a um wild card, com triunfos memoráveis. Primeiro, protagonizou uma zebraça batendo Daniil Medvedev de virada: 4/6, 4/6, 6/3, 6/2 e 7/5. Depois, eliminou Philipp Kohlschreiber por triplo 6/3. Aos 37 anos, Mahut entrou no torneio como apenas o #252 em simples e, na coletiva de quarta-feira, contou que pensou em devolver o wild card. Revelou também que cresceu vendo pela TV franceses fazendo ótimas partidas e imaginou, depois de 20 anos de carreira, se isso nunca aconteceria com ele na vida. Pois é, aconteceu.

15. O melhor jogo do torneio, melhor mesmo, do começo ao fim, foi a vitória de Stan Wawrinka sobre Stefanos Tsitsipas. Os dois jogaram um tênis de altíssimo nível durante 5h09min, e a partida terminou com uma passada de slice na paralela do suíço. Um final memorável para um duelo inesquecível. No tweet abaixo, meu texto sobre os méritos de Stan.

16. Aquele. Slice.

17. Tsitsipas fez dois belos posts sobre a partida. Em um deles, reproduziu os dizeres da tatuagem que Wawrinka leva em um dos braços. Um gesto bacana. Muito mais bacana do que apontar bola fora no match point, viu?

18. Interessante notar como a organização do torneio decidiu interromper o jogo de quartas de final entre Federer e Wawrinka por causa de uma ameaça de tempestade. Não, não havia começado a chover ainda, mas a medida provou-se acertada porque houve tempo para que todos deixassem a Lenglen e procurassem abrigo antes da forte chuva – que, de fato, caiu.

19. Além disso, como escrevi no Twitter naquele dia, acho que se trata de uma medida extremamente interessante para torneios que não têm equipes devidamente treinadas para cobrir as quadras com rapidez. Parando o jogo mais cedo, é possível dar tempo extra e evitar trapalhadas.

20. Não foi tão popular assim a decisão de interromper a semi entre Djokovic e Thiem. O torneio acreditou na previsão de chuva – que não veio – e dispensou os atletas quando ainda havia muita luz natural e a partida poderia ter seguido em frente. No fim das contas, os dois voltaram à quadra no sábado e foram ao quinto set, atrasando a final feminina.

21. Ainda sobre os méritos dos organizadores: a reconstrução da Quadra Philippe Chatrier, que terá teto retrátil a partir de 2020, foi elogiadíssima por quem esteve lá. A nova quadra Simonne-Mathieu também foi um sucesso. Do tamanho perfeito para ser a terceira quadra principal do complexo, com boa capacidade e com o público perto da quadra – isso tudo sem quebrar a beleza do jardim botânico vizinho onde foi erguida – ou melhor, escavada.

22. Em questões fashion, Roland Garros não foi o mais memorável dos torneios. Do badalado (além de levemente arrogante e esquisito) modelito Nike+Virgil Abloh para Serena Williams (que vinha com as palavras mãe, campeã, rainha e deusa), até o pijamão da Uniqlo para Roger Federer, incluindo uma linha de camisas super folgadas, não foram muitos os elogios dos fãs, não…

23. Thiago Monteiro, único brasileiro na chave de simples, foi eliminado na primeira rodada por Dusan Lajovic: 6/3, 6/4 e 6/4. Não foi diferente de muitas partidas do atual número 1 do Brasil. O cearense busca impor seu forehand cruzado e controlar trocas do fundo a partir disso. Nada errado com isso. Os problemas de Monteiro ficam nítidos quando seus adversários saem do basicão de fundo de quadra, e Lajovic fez muito bem isso. Chamou Monteiro à rede, usou slices, variou o jogo. O brasileiro ainda tem muito a melhorar nisso.

24. Bia Haddad Maia, única brasileira no qualifying, perdeu na primeira rodada do torneio classificatório. Ela vencia a ucraniana Katarina Zavatska (19 anos, #205) por 6/3, 5/7 e 3/0 quando começou a sentir dores e se movimentar mal em quadra. Depois de perder a quebra de saque que tinha de vantagem na parcial, Bia sequer podia dar um par de passos sem reclamar de dor. Ela abandonou quando o placar ainda mostrava 3/2 para ela no terceiro set. Após o jogo, disse que foi uma contratura leve na coxa e que deixou o jogo por “receio de continuar e complicar para uma lesão mais grave.” A explicação de Bia briga com as imagens. Em quadra, após abandonar, ela mal conseguiu caminhar até seu banco. Isso não é receio, é impossibilidade.

25. Luisa Stefani disputou o primeiro slam de sua carreira ao entrar na chave de duplas como alternate. Número 116 do mundo na modalidade, ela fez parceria com a australiana Astra Sharma e perdeu na primeira rodada para Mónica Puig e Shelby Rogers: 6/4, 6/7(3) e 7/6(5).

26. Matheus Pucinelli, único brasileiro a entrar direto na chave juvenil de simples, foi campeão na chave de duplas. Ele formou parceria com o argentino Thiago Tirante. É preciso moderar expectativas, já que se trata de uma chave de duplas – e nenhum juvenil que eu conheça treina para ser duplista -, mas o troféu certamente será um motivador para Pucinelli.

27. David Ferrer foi homenageado no primeiro dia das quartas de final, pouco antes do jogo entre Rafael Nadal e Kei Nishikori. Um belo reconhecimento a um tenista que muito fez pelo tênis e que se aposentou há pouco, durante o Masters 1000 de Madri. O troféu recebido em Roland Garros é bem parecido com o que Guga levou para casa quando deixou as quadras, em 2008. Isso, a meu ver, manda um lindo recado: carreiras não são feitas só de títulos. Ferrer não tem um slam no currículo, não venceu em Paris. Ainda assim, teve o devido reconhecimento do slam do saibro. Parabéns a todos.

28. O ponto do torneio, cortesia de Dominic Thiem

29. O momento mais emocionante: tente não chorar ao ver a cena de Nicolas Mahut ganhando um abraço do filho ainda em quadra, após ser eliminado na terceira rodada pelo argentino Leo Mayer.

30. Palmas para Roland Garros pelo app “RG Ao Vivo”, que exibiu todas as partidas do torneio (profissionais, juvenis, cadeirantes, lendas, tudo mesmo!) para o Brasil por R$ 29,99. Um excelente serviço com ótimo custo-benefício que deu direito inclusive a entrevistas coletivas legendadas, clipes de melhores momentos, clipes de jogos históricos e muito mais.

31. Aqui no Brasil, a transmissão do Bandsports foi mais do mesmo, com seus erros e acertos. Não há muito a comentar além do que já escrevi no blog e falei no podcast Quadra 18 em anos anteriores.

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Rafael Nadal, o inconformado dodecacampeão http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/10/rafael-nadal-o-inconformado-dodecacampeao/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/10/rafael-nadal-o-inconformado-dodecacampeao/#respond Mon, 10 Jun 2019 09:00:54 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=9760

Soa redundante, mas não mais do que 12 títulos em um mesmo torneio e, enquanto Rafael Nadal continuar triunfando em Roland Garros, seguirei tendo exemplos para falar da qualidade que mais admiro no espanhol de 33 anos: seu inconformismo, o sentimento que lhe permite beijar o troféu do torneio francês com a mesma paixão de 14 anos atrás, mas com uma diferença berrante na maneira em que alcança esse momento.

Na história do tênis masculino, Rafa é provavelmente o tenista que mais evoluiu do primeiro ao último slam. O homem que venceu Roland Garros neste 9 de junho de 2019, ao bater Dominic Thiem, é uma versão muito diferente e superior ao Rafael Nadal de 2005, que levantou o troféu em Paris ao superar Mariano Puerta na final.

De lá para cá, já experimentou cordas diferentes, raquetes com distribuição de peso diferentes, várias mecânicas de saque… Aperfeiçoou slices e voleios, ganhou peso de bola e tornou-se mais agressivo, enquanto manteve uma rara habilidade de contra-atacar, uma força mental inigualável e uma capacidade extraordinária de se recuperar de lesões.

E se alguém precisa saber algo sobre a personalidade de Rafa e a vontade incessante de melhorar seu tênis, recomendo um momento de sua entrevista coletiva pós-semifinais nesta semana. Indagado sobre o quão incrível era disputar 12 finais, o espanhol respondeu sem brincar:

“Sim, é incrível, para ser honesto. É algo muito especial e difícil de explicar, mas aqui estamos. No dia que começarmos a pensar se é incrível ou não, provavelmente vai ser o dia de fazer outra coisa.”

“O que tenho que fazer é não pensar nisso porque é uma realidade para mim. Mesmo se for algo com o qual nunca sonhei cinco, seis, oito anos atrás, está acontecendo hoje, e meu objetivo é tentar ir em frente. Não é questão de ter sucesso, ambição, mas apenas tentar curtir o que estou fazendo. Sempre digo o mesmo: o tênis não te dá a chance de ser muito feliz quando está se ganhando nem de ficar triste demais quando se está perdendo porque o circuito continua. Sempre soube bem disso e mesmo se alcancei coisas que são, às vezes, especiais, espero ter muito tempo para pensar nisso quando encerrar a carreira.” (veja no vídeo acima a partir da marca de 4’00”)

Parece discurso politicamente correto para não parecer arrogante, mas quem acompanhou a carreira de Rafa Nadal sabe o quanto ele e seu tio Toni viveram intensamente sob esse dogma. Trabalho duro no dia a dia, sem fazer cara feia, e muito respeito. Respeito à equipe que o acompanha, aos fãs, aos patrocinadores e aos adversários.

Nadal é o que é hoje, aos 33, finalista dos dois slams de 2019, porque jamais parou no tempo para se vangloriar. Nem em 2010 nem em 2013, quando dominou o circuito, descansou. Superou seguidas lesões, brigou e evoluiu. E evoluiu. E evoluiu. E evoluiu. Um eterno inconformado, sempre consciente de suas qualidades e defeitos. Porque como cantava o maestro, você se trai quando acha que é outra pessoa. Ou, na frase original, “you betray yourself when you think that you’re someone else.”

Carry on, Rafael Nadal.
Descanse em paz, André Matos.

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10 números sobre Nadal, Roland Garros, Federer, Djokovic e longevidade http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/10/10-numeros-sobre-nadal-roland-garros-federer-djokovic-e-longevidade/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/10/10-numeros-sobre-nadal-roland-garros-federer-djokovic-e-longevidade/#respond Mon, 10 Jun 2019 08:00:11 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=9753

A conquista deste domingo, embora seja só “mais uma de Rafael Nadal em Roland Garros” para muita gente, é mais uma prova da espetacular longevidade da geração de Roger Federer, 38 anos, Rafa Nadal, 33, e Novak Djokovic, 32. Para ilustrar o sucesso do trio, que continua vencendo bem além dos 30, separei os 10 números abaixo:

Sobre a longevidade de Nadal

1) Nadal é o primeiro tenista da história a vencer o mesmo slam 12 vezes. Ao derrotar Thiem neste domingo, ele deixou para trás a australiana Margaret Court, que venceu o Australian Open 11 vezes (pela primeira vez em 1960 e pela última em 1973).

2) Nadal agora tem 18 títulos em torneios do Grand Slam. Além das 12 conquistas em Paris, o espanhol venceu o Australian Open em 2009, Wimbledon em 2008 e 2010, e o US Open em 2010, 2013 e 2017. O recorde masculino de títulos de simples é de Federer, com 20. Djokovic é o terceiro, com 15. A lista segue com Pete Sampras (14), Roy Emerson (12), Bjorn Borg (11) e Rod Laver (11).

3) Com 33 anos e 6 dias de vida, Nadal é agora o terceiro tenista mais velho a conquistar Roland Garros. Ele perde apenas para Andres Gimeno (34 anos e 306 dias em 1972) e Ken Rosewall (33 anos e 220 dias em 1968).

4) Na história, apenas quatro tenistas conquistaram quatro slams depois dos 30. Dois deles estão em atividade hoje: Nadal e Federer. Os outros dois são os australianos Rod Laver e Ken Rosewall.

Os feitos do trio Rafa, Roger e Novak

5) O triunfo do espanhol em Roland Garros significou o décimo slam consecutivo vencido por um dos três grandes de hoje. O último tenista fora do grupo a levantar o troféu de slam foi Stan Wawrinka, no US Open de 2016. O suíço tinha 31 anos na época.

Australia Open 2017: Federer
Roland Garros 2017: Nadal
Wimbledon 2017: Federer
US Open 2017: Nadal
Australian Open 2018: Federer
Roland Garros 2018: Nadal
Wimbledon 2018: Djokovic
US Open 2018: Djokovic
Australian Open 2019: Djokovic
Roland Garros: Nadal

6) Para quem acha que a sequência de 10 é enorme, vale lembrar que de 2005 a 2009, o trio conquistou 18 torneios do Grand Slam em sequência. A série começou com Nadal em Roland Garros/2005 e terminou com Federer em Wimbledon/2009.

Roland Garros 2005: Nadal
Wimbledon 2005: Federer
US Open 2005: Federer
Australian Open 2006: Federer
Roland Garros 2006: Nadal
Wimbledon 2006: Federer
US Open 2006: Federer
Australian Open 2007: Federer
Roland Garros 2007: Nadal
Wimbledon 2007: Federer
US Open 2007: Federer
Australian Open 2008: Djokovic
Roland Garros 2008: Nadal
Wimbledon 2008: Nadal
US Open 2008: Federer
Australian Open 2009: Nadal
Roland Garros 2009: Federer
Wimbledon 2009: Federer

7) O clube dos 30: com mais essa conquista de Nadal, circuito masculino agora tem 11 slams vencidos de forma consecutiva por tenistas com mais de três décadas de vida. O último a levantar um troféu de slam com menos de 30 anos foi Andy Murray, que venceu Wimbledon 2016 com 29 anos e 56 dias de vida.

8) Uma sequência assim é tão rara que o recorde anterior para slams vencidos por tenistas com mais de 30 anos pertencia à década de 1960. E, ainda assim, era uma série de apenas quatro, com todos slams vencidos pelo mesmo tenista. A marca era de Rod Laver, um dos maiores da história (se não o maior!), que venceu todos os quatro slams em 1969. Foi a última vez que alguém fechou o Grand Slam de calendário, conquistando Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open no mesmo ano.

O domínio de Nadal no saibro

9) Nadal agora soma 93 vitórias em Roland Garros. Ele sofreu apenas duas derrotas no torneio: em 2009, diante de Robin Soderling, e em 2015, superado por Novak Djokovic.

10) Em partidas disputadas no formato melhor de cinco sets, Nadal soma 118 vitórias e duas derrotas no saibro.

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Nadal bate Thiem novamente em Roland Garros e se torna primeiro tenista a vencer um slam 12 vezes http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/09/nadal-bate-thiem-novamente-em-roland-garros-e-se-torna-primeiro-tenista-a-vencer-um-slam-12-vezes/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/09/nadal-bate-thiem-novamente-em-roland-garros-e-se-torna-primeiro-tenista-a-vencer-um-slam-12-vezes/#respond Sun, 09 Jun 2019 16:12:55 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=9728

Dodecacampeão: difícil de pronunciar e mais difícil ainda de imaginar 12 anos atrás. É espantoso assim o domínio de Rafael Nadal em Roland Garros. Um reinado que ganhou mais 12 meses neste domingo, com outra atuação soberba do espanhol de 33 anos, que aplicou 6/3, 5/7, 6/1 e 6/1 sobre Dominic Thiem, atual número 4 do mundo, e levantou o trofeu do torneio pela 12ª vez.

Não foi tão fácil como em 2018, quando Nadal superou Thiem na final por 6/4, 6/3 e 6/2, mas foi novamente uma demonstração da força do espanhol no saibro, especialmente em jogos no formato melhor-de-cinco. Em Roland Garros, ele soma 93 vitórias e duas derrotas na carreira. No saibro, são 118 triunfos e apenas dois reveses em melhor de cinco sets.

A conquista deste domingo também significa que ele se torna o primeiro tenista a vencer um slam 12 vezes. Ele dividia a marca com a australiana Margaret Court, que triunfou no Australian Open 11 vezes entre 1960 e 1973. No total, Nadal acumula agora 18 títulos em torneios do Grand Slam. O recorde é de Roger Federer, com 20, e o terceiro da lista é Novak Djokovic, com 15.

O relato

O duelo começou com os dois em altíssimo nível, disputando pontos longos do fundo de quadra, cometendo poucos erros e exigindo muito um do outro. Nadal e Thiem trocaram vários golpes espetaculares até que o austríaco, impecável, jogou quatro pontos perfeitos em sequência para quebrar o serviço do espanhol. O Rei do Saibro, contudo, estava longe de vulnerável e seguiu jogando um belíssimo tênis.

Foi Thiem quem deixou seu nível cair – e, mesmo assim, nem tanto – e Rafa aproveitou. Primeiro, jogou um game brilhante e devolveu a quebra imediatamente para fazer 3/3. Depois, salvou um break point com um erro de devolução de Thiem. Em seguida, com 4/3 de frente, executou uma curtinha perfeita (tweet abaixo) e forçou Thiem a um erro de voleio que significou outra quebra. Com 5/3, Nadal confirmou o serviço e fechou a parcial em 56 minutos.

Depois de jogar um set paciente, com muitas trocas do fundo, e vencer apenas três games em 56 minutos, Thiem resolveu “ligar o turbo”. Passou a atacar mais cedo nos ralis, buscando bolas vencedoras e, consequentemente, assumindo mais riscos. O plano deu certo. O austríaco fez um lindo set, confirmando seu saque sem ser ameaçado. Nadal também fazia seus games de serviço sem drama, mas jogou apenas um game ruim e pagou o preço. Com 5/6 no placar, o espanhol cometeu quatro erros seguidos e perdeu o game e o set: 7/5.

O dilema de jogar com tanta agressividade contra Nadal – especialmente no saibro – é que as margens para erro são mínimas, e elas ficaram visíveis logo no começo do terceiro set. Um par de erros no primeiro game fizeram Thiem perder seu saque, colocando Nadal em posição privilegiada. O espanhol foi implacável e aproveitou o embalo, vencendo os 11 primeiros pontos da parcial e ainda encaixando um forehand indefensável na paralela para quebrar o desafiante novamente e abrir 3/0 e, em seguida, confirmar o saque para abrir 4/0. Até então, o placar de pontos na parcial mostrava 16 a 1 para Rafa.

Além de mostrar a habitual solidez do fundo de quadra, Nadal estava em uma tarde especialmente gloriosa junto à rede. Executou saque-e-voleio com precisão em um par de momentos, matou pontos com smash jogando Thiem de um lado para o outro e fez voleios dificílimos do começo ao fim do jogo. Em um deles, no terceiro set, ganhou até um elogio do oponente. Uma nova quebra no sétimo game definiu a parcial em 6/1.

Quando o quarto set começou, Thiem seguiu apostando na postura mais agressiva, e isso lhe rendeu até um break point no primeiro game – Nadal se salvou com um forehand vencedor. No segundo game, porém, mais erros do austríaco deram ao campeão mais chances de quebra, e ela veio com uma nova falha do desafiante.

No terceiro game, outros dois break points para Thiem e mais dois belos saques de Nadal para se salvar. Quando fez dois voleios vencedores seguidos e confirmou o saque para abrir 3/0 depois de nove minutos de game, Nadal pareceu ter aplicado o golpe de misericórdia no austríaco. A montanha era muito alta, e a escalada, íngreme demais para Thiem.

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Por que Thiem pode finalmente destronar Nadal em Roland Garros http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/08/por-que-thiem-pode-finalmente-destronar-nadal-em-roland-garros/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/08/por-que-thiem-pode-finalmente-destronar-nadal-em-roland-garros/#respond Sat, 08 Jun 2019 17:29:01 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=9723

Não há como fugir do óbvio. Rafael Nadal é favorito para conquistar, neste domingo, seu 12º título de Roland Garros. Hipérboles pleonásticas sobre tenista e torneio à parte, o espanhol terá um desafiante de peso pela segunda vez seguida: Dominic Thiem, atual número 4 do mundo, derrotou o líder do ranking, Novak Djokovic e vive possivelmente o melhor momento da carreira.

Não é por acaso, afinal, que o jovem de 25 anos foi campeão do Masters 1.000 de Indian Wells e, em março, quando bateu Roger Federer na final; levantou o troféu do ATP 500 de Barcelona, em abril, após eliminar Nadal na semi; e, agora, está de volta à decisão em Roland Garros, em uma bela campanha.

Obviamente, superar Nadal em Paris é para poucos. O espanhol venceu 92 das 94 partidas que fez em Roland Garros, soma 117 vitórias em 119 duelos em melhor de cinco sets no saibro, nunca perdeu uma final no slam da terra batida… E daria para incluir mais uma meia dúzia de parágrafos sobre seus números no piso, só que o ponto aqui é mostrar os motivos pelos quais Dominic Thiem não é um azarão tão grande assim. Vejamos os porquês:

1) Armas pesadas

Contra um Nadal que se defende e contra-ataca tão bem, é preciso potência. Thiem tem isso dos dois lados. Seu forehand e seu backhand são canhões que podem fazer do rival um mero espectador a qualquer momento. Quando está com os dois golpes calibrados, o austríaco pode exigir um bocado do espanhol, que precisará de bolas fundas e pesadas para equilibrar as ações.

Parte integrante – e importante – desse arsenal é o saque de Thiem. Potente e variado, ele cria a possibilidade de colocar Nadal na defensiva imediatamente, seja com uma ótima combinação de saque aberto + forehand, o que Thiem faz muito bem, seja “apenas” com a potência extra que pode lhe dar aces e pontos de graça com serviços chapados. Como sempre, o fundamento será essencial para Thiem triunfar sobre Nadal.

2) Defesa

Dá para dizer que a velocidade de Thiem não é sua qualidade mais reconhecida, mas o garoto é rápido e se mexe como poucos no saibro. Além disso (e também por causa disso, claro), sua capacidade defensiva é enorme. O austríaco não só alcança muitas bolas, mas sabe o que fazer com elas, seja disparando um contragolpe fulminante, aplicando um lob ou simplesmente usando spin e fazendo o adversário jogar uma(s) bolas(s) a mais.

Thiem também chega bem em curtinhas e sabe o que fazer junto à rede. Djokovic que o diga. Neste sábado, o sérvio sofreu por um bom tempo nas disputas de “quadradinho” com o número 4 do mundo. E atenção: dizer que Thiem se defende muito bem é muito diferente de rotulá-lo como tenista defensivo. Pelo contrário. O austríaco sempre busca o ataque primeiro. Ser bom na defesa enquanto tenista ofensivo é justamente o que o separa da maioria no saibro.

3) Histórico recente

Se é verdade que Thiem nunca tirou um set de Nadal em Roland Garros (derrotas em 2014, 2017 e 2018), também é inegável que o austríaco vem incomodando Rafa cada vez mais. Nos últimos seis jogos no saibro, são três vitórias para cada. O encontro mais recente, no ATP 500 de Barcelona, terminou com um duplo 6/4 para Thiem que não refletiu o que aconteceu em quadra. O austríaco poderia ter vencido com mais facilidade.

O Nadal de Roland Garros, é bom ressaltar, vem jogando em um nível acima do que mostrou no torneio catalão, mas se existe alguém no circuito com a confiança de que pode, finalmente, destronar o espanhol em Roland Garros, esta pessoa vai estar em quadra neste domingo.

4) Experiência

Ano passado, em Roland Garros, Dominic Thiem fez sua primeira final de slam. Na ocasião, ele também chegava com uma vitória recente e convincente sobre Nadal (semifinais de Madri), mas era uma experiência nova, e a falta de “cancha” pesou. Nadal fez 6/4, 6/3 e 6/2 sem muito drama.

Este ano, a final não é mais novidade. Com 25 anos, Thiem é mais maduro, mais completo e mais consistente ainda. E ele, mais do que ninguém, deve acreditar que pode dar esse passo a mais. Que ninguém se espante se, finalmente, acontecer.

5) Físico

Não são muitos que conseguem jogar tantos ralis e manter o nível de Rafael Nadal por tanto tempo. No US Open do ano passado, naquele partidaço de cinco sets, Thiem mostrou que tem essa capacidade. E se há alguém preocupado com o fato de o austríaco chegar à final sem um adia de folga por causa do mau tempo, a verdade é que nem ele anda tão preocupado assim.

Como o próprio Thiem disse na coletiva pós-semifinal, seria ruim mesmo se ele tivesse ficado 4h em quadra contra Djokovic em um dia só. Como a partida foi dividida entre sexta e sábado, o estrago não foi tão grande assim. Na prática, é como se o #4 tivesse feito dois jogos (um de dois sets, outro de três) como em um torneio normal.

Coisas que eu acho que acho:

– Dito tudo isso, ainda é possível que Thiem consiga fazer uma bela apresentação e saia derrotado – como aconteceu no US Open do ano passado. Não é por acaso que Nadal venceu 11 finais em Roland Garros. Em várias dessa campanhas, ele jogou seu melhor justamente na decisão.

– Admito que eu tinha o texto acima pensado (não escrito) já antes da semifinal entre Thiem e Djokovic. Ao ver o fim de jogo, com o austríaco hesitante e quase pedindo para o sérvio virar a partida, perdi um pouco da fé. Maaaaas cada jogo é um jogo. Pode ser que o nervosismo tenha todo ido embora nessa semi.

Onde ver

O Bandsports exibe a partida a partir das 10h (de Brasília), mas também é possível ver todas as partidas do slam parisiense pelo pacote oferecido pelo site oficial de Roland Garros, disponível para desktops e plataformas móveis.

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A promessa que foi jogar críquete e voltou agora é campeã de slam: Barty triunfa em Roland Garros http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/08/a-promessa-que-foi-jogar-criquete-e-voltou-agora-e-campea-de-slam-barty-triunfa-em-roland-garros/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/08/a-promessa-que-foi-jogar-criquete-e-voltou-agora-e-campea-de-slam-barty-triunfa-em-roland-garros/#respond Sat, 08 Jun 2019 15:15:22 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=9704

Aos 15 anos, ela foi campeã juvenil de Wimbledon. Aos 17, enfrentou Serena Williams na quadra central do Australian Open. Aos 18, largou o tênis porque queria viver algumas das experiências de um adolescente normal. Foi jogar críquete profissional e só retornou ao tênis aos 20. Agora, com 23 anos, é campeã de Roland Garros. A australiana Ashleigh Barty escreveu o mais recente capítulo dessa história nada comum neste sábado, ao bater a tcheca Marketa Vondrousova por 6/1 e 6/3 na final do torneio parisiense.

Barty se torna, com a conquista deste sábado, a primeira australiana a triunfar em Roland Garros desde Margaret Court, em 1973. Court é a recordista de títulos de slam em simples, com 24, e considerada por muitos a maior tenista da história. Somando simples, duplas e duplas mistas, Margaret soma 64 títulos. Serena Williams, dona de 23 títulos em simples, tem 39 títulos.

Atual número 8 do mundo, Barty vem em uma temporada belíssima. Foi vice em Sydney; fez quartas de final no Australian Open, onde derrubou Maria Sharapova; foi campeã em Miami, superando Kiki Bertens, Petra Kvitova e Karolina Pliskova; e agora conquista o primeiro slam de sua carreira, o que vai lhe colocar como número 2 do mundo – melhor ranking da vida – na lista que será atualizada na segunda-feira.

Ainda assim, a campanha em Roland Garros foi surpreendente. Sorteada em uma chave com Naomi Osaka, Victoria Azarenka, Serena Williams e Simona Halep, Barty foi vendo as favoritas caírem pelo caminho e aproveitou a chance. Nas oitavas, superou Sofia Kenin, a jovem algoz de Serena. Nas quartas, eliminou Madison Keys, que avançava na seção onde estavam Osaka e Azarenka. Na semi, em vez de encontrar Halep, viu a jovem Amanda Anisimova e triunfou por 6/7(4), 6/3 e 6/3, apesar de deixar escapar o set inicial, que vencia por 5/0. Chegou com moral à decisão.

A final

Diante da adolescente Vondrousova, de 19 anos, que também fazia sua primeira final de slam, Barty era quase uma veterana, e sua maturidade – a australiana já foi número 5 do mundo em duplas e disputou decisões de slam na modalidade – fez a diferença no primeiro set. A australiana rapidamente abriu 4/0 e terminou fechando a parcial de abertura em meia hora: 6/1.

Pouco mudou no começo do segundo set. Nem o saque de canhota de Vondrousova, que incomodou rivais ao longo das duas semanas, incomodava Barty. A australiana, afinal, já treinou muito com a compatriota Casey Dellacqua, também canhota, quando as duas jogavam duplas juntas. Ash abriu a parcial com mais uma quebra e fez logo 2/0. Por mais que tentasse, a tcheca não conseguia incomodar consistentemente. No nono game, distribuindo o jogo do fundo de quadra e usando ótimos slices, Barty viu Vondrousova jogar uma bola na rede e chegou ao match point. A australiana controlou o ponto seguinte e chegou ao título com um smash.

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Thiem bate um irritadiço e instável Djokovic e vai repetir a final de Roland Garros contra Nadal http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/08/thiem-bate-um-irritadico-e-instavel-djokovic-e-vai-repetir-a-final-de-roland-garros-contra-nadal/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/08/thiem-bate-um-irritadico-e-instavel-djokovic-e-vai-repetir-a-final-de-roland-garros-contra-nadal/#respond Sat, 08 Jun 2019 14:03:33 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=9655

Na sexta-feira, Novak Djokovic não teve paciência para lidar com o forte vento no primeiro set. No sábado, o sérvio perdeu a calma ao ser punido por estourar o tempo para sacar. Enquanto o número 1 do mundo oscilava junto com seu humor, Dominic Thiem, que encarou as condições sem reclamar e fez uma brilhante partida, tirava vantagem. No fim, a solidez e a concentração do austríaco foram recompensadas com um triunfo por 6/2, 3/6, 7/5, 5/7 e 7/5 para voltar à final de Roland Garros.

O encontro entre Thiem e Rafael Nadal será uma repetição da decisão do ano passado, vencida pelo espanhol por 6/4, 6/3 e 6/2. Será também o terceiro duelo entre eles em Roland Garros. Rafa também saiu vencedor nas semifinais de 2017 (6/3, 6/4 e 6/0) e na segunda rodada em 2014 (6/2, 6/2 e 6/3).

O placar geral de confronto diretos mostra 8 a 4 para Nadal, mas os duelos recentes sugerem equilíbrio. Thiem venceu dois dos últimos quatro jogos e triunfou na única vez em que eles se enfrentaram em 2019: 6/4 e 6/4 nas semifinais do ATP 500 de Barcelona.

Para Djokovic, a derrota significa o fim da série de 26 vitórias em slams e a impossibilidade de completar mais um “Djokoslam”, vencendo os quatro torneios do Grand Slam em sequência. O sérvio é o atual campeão de Wimbledon,do US Open e do Australian Open e tentava realizar o feito pela segunda vez na carreira.

O relato

Assim como na semifinal anterior, entre Federer x Nadal, a partida começou com muito vento, e ficou logo claro quem estava mais disposto a enfrentar o clima adverso. Enquanto Thiem tentava se virar e colocar a bola em jogo, Djokovic somava erros. O sérvio perdeu o serviço logo no terceiro game e viu o austríaco abrir 3/1 em seguida. Sem vencer mais nenhum ponto no saque do oponente até o fim da parcial, Nole voltou a ser quebrado no sétimo game. Thiem sacou confortavelmente e fez 6/2.

Até ali, Thiem somava seis winners e três erros, enquanto Djokovic, irritado, acumulava oito erros e apenas uma bola vencedora. O número 1 chegou a argumentar com o árbitro da cadeira sobre o vento, mas o supervisor entrou em quadra, conversou com Nole e mandou a partida continuar.

Houve, enfim, uma paralisação, mas só 25 minutos depois das queixas do #1 e por causa de chuva, não do vento. A pausa, no meio do segundo set, foi curta, e pouco mudou na dinâmica do jogo, mas o comportamento de Djokovic era outro. Ao parar de reclamar, o sérvio também parou de errar. Preocupou-se mais em colocar a bola em jogo, e a recompensa veio logo. No oitavo game, Thiem cometeu seguidos erros, dando a quebra para o sérvio, que abriu 5/3 e confirmou o saque na sequência para igualar o jogo em 1 set a 1.

Thiem voltou a errar menos e aproveitou para abrir 3/1 quando voltou a pingar, e a partida acabou transferida para este sábado por causa do mau tempo. Quando o jogo recomeçou, Djokovic era um tenista mais sólido do que na véspera. Teve break points em três games seguidos, conseguiu uma quebra e igualou tudo em 4/4. A coisa só mudou no fim do set, quando Nole voltou a se mostrar incomodado com o vento. Quando levou advertência por estourar o limite de tempo enquanto esperava por causa do vento, perdeu a paciência com o árbitro. No momento de instabilidade, voltou a errar e perdeu o saque quando não podia. No 5/6, após salvar três break points, tentou um saque-e-voleio e levou uma passada: 7/5 Thiem.

Entre os sets, Djokovic bateu boca com o árbitro e foi irônico, perguntando se o oficial jogava tênis e sabia como era sacar em 5/6, com o público ainda aplaudindo, depois de um ponto longo. Após ouvir “sim” do árbitro, disse “parabéns, cara. Parabéns. Você fez seu nome. Você se se fez reconhecer. Você vai ter todo o crédito depois disso.”

O quarto set vi os dois tenistas oscilando entre um belo tênis e erros bobos. Djokovic teve a vantagem duas vezes, mas também encontrou problemas para manter o serviço e permitiu que Thiem empatasse em 4/4. O austríaco, então, confirmou, fez 5/4 e colocou o número 1 sob pressão. Com Nole sacando em 0/15, Thiem ficou a três pontos da final. Foi aí que a coisa começou a desandar para o austríaco, que cometeu uma série de erros. O #4 não só perdeu a chance de quebrar Djokovic, mas somou três erros não forçados no 5/5 e, com uma dupla falta no break point, cedeu a quebra. O número 1 do mundo não desperdiçou a chance, fez 7/5 e levou o jogo para o quinto set.

A parcial decisiva foi nervosa, com break points para os dois lados. Djokovic se salvou por pouco no segundo game, e Thiem escapou no terceiro. No quarto, um erro não forçado do sérvio deu a primeiro quebra de vantagem para o austríaco, que abriu 4/1 na sequência. Foi aí que voltou a ventar forte na Quadra Philippe Chatrier. Depois de Thiem conquistar um break point com um lob, Djokovic se salvou com uma direita vencedora e foi logo pegar a raqueteira para deixar a quadra. A chuva forçou mais uma interrupção.

O jogo recomeçou cerca de uma hora depois e, no primeiro ponto, Djokovic interrompeu o rali pedindo bola fora. O árbitro de cadeira desceu e marcou bola boa, para desespero do sérvio, que salvou mais um break point com um belo saque e, depois confirmou o serviço. A maré mudou novamente. Depois de duas esquerdas erradas de Thiem, Nole foi à rede seguidas vezes, ganhou pontos com voleios e quebrou o saque com um lob longo do austríaco.

Na hora de empatar a parcial, contudo, o número 1 vacilou. Abriu 30/0 e estava perto de fazer 4/4, mas cometeu quatro erros não forçados seguidos e perdeu o serviço. Com 5/3, Thiem finalmente teve a chance de sacar para o jogo e também vacilou. Abriu 40/15, com dois match points, mas anotou quatro erros seguidos e também perdeu o saque. Desta vez, Djokovic finalmente igualou o set, deixando o placar em 5/5.

Como Roland Garros não adota tie-break no último set, o duelo ganhou contornos cada vez mais dramáticos. Apesar de a partida passar das 4h de duração, o físico não era um fator, já que os dois primeiros sets foram disputados na véspera. Era mesmo uma questão de controlar os nervos e jogar bem nos momentos mais delicados. Djokovic voltou a falhar no 12º game, cedendo outro match points. Desta vez, Thiem converteu com uma direita indefensável.

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Nadal vence ‘Fedal do Vento’, quebra sequência de Federer e vai à final de Roland Garros http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/07/nadal-vence-fedal-do-vento-quebra-sequencia-de-federer-e-vai-a-final-de-roland-garros/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/07/nadal-vence-fedal-do-vento-quebra-sequencia-de-federer-e-vai-a-final-de-roland-garros/#respond Fri, 07 Jun 2019 13:31:05 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=9643

Era para ser uma partida espetacular, com Rafael Nadal e Roger Federer jogando em alto nível, mas as condições climáticas de Paris não colaboraram. Durante todo o tempo, os tenistas precisaram lidar com o forte vento – rajadas de até 50 km/h – e cometeram mais erros do que de costume. Quem lidou melhor com a situação foi Nadal, que fez 6/3, 6/4 e 6/2, bateu o rival pela sexta vez em seis jogos em Roland Garros e avançou à final do torneio.

Com a atuação desta sexta, Nadal interrompeu uma série de cinco vitórias do suíço – todas em quadra dura – que vinha desde 2015. O placar de confrontos diretos agora mostra 24 a 15 para o espanhol.

Em busca de seu 12º título no saibro parisiense, Nadal agora aguarda a segunda semifinal para conhecer o adversário de domingo. O número 1 do mundo, Novak Djokovic, encarava o austríaco Dominic Thiem, quarto colocado do ranking, quando a partida foi suspensa por mau tempo. Quando o jogo recomeçar, no sábado, o placar vai mostrar 6/2, 3/6 e 3/1 a favor de Thiem.

O relato

Foi, definitivamente, um “Fedal” atípico. O vento, muito forte já no início do duelo, foi um fator determinante, que dificultou as ações para os dois tenistas. Os ralis não foram tão frequentes, e os erros apareceram em maior número por causa da ventania. Nadal começou melhor, salvando break point e quebrando Federer na sequência, encaixando uma bela paralela de backhand e subindo à rede para ver um erro do rival.

O suíço devolveu a quebra no quinto game, graças a um backhand longo do espanhol, mas não conseguiu igualar o placar. Sacando em 2/3, Federer foi quebrado outra vez – agora em um game longo, depois de salvar cinco break points. No sexto, jogou um forehand na rede e perdeu o game. Nadal não bobeou mais e conseguiu, apesar do vento, confirmar seus dois saques restantes para fazer 6/3. Juntos, os tenistas somaram 19 winners e 27 erros não forçados na parcial (11 e 17 de Federer, respectivamente).

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Federer começou melhor o segundo set, aparentemente mais habituado ao vento, e aproveitou para quebrar o serviço de Nadal e fazer 2/0. O espanhol também já errava menos, embora a velocidade do ar ainda significasse uma dificuldade extra para ambos. O espanhol não deixou o rival disparar na frente e devolveu a quebra imediatamente, com um espetacular forehand que defendeu um smash e ganhou o ponto em uma paralela indefensável.

A parcial seguiu equilibrada, com menos break points do que na parcial anterior. Federer, no entanto, vacilou no nono game. Após abrir 40/0, permitiu que Nadal igualasse o placar. O espanhol viu a fresta e abriu a janela inteira. Acertou um forehand vencedor na paralela e venceu uma disputa com Federer junto à rede, quebrando para fazer 5/4. Na sequência, confirmou e fez 6/4, abrindo 2 sets a 0.

O terceiro set começou com Nadal mais solto, arriscando mais e levando grande vantagem do fundo de quadra. Federer escapou de uma quebra logo no primeiro game, graças a uma bola na rede do espanhol. No terceiro, contudo, a quebra veio. Com muito vento e um punhado de sorte – uma bola na fita que atrapalhou o suíço, o número 2 do mundo fez 2/1 e confirmou o serviço para abrir 3/1.

Depois disso, Federer não ofereceu mais a resistência de antes. Cometeu mais erros e virou vítima das bolas de fundo de quadra de Nadal – as mesmas que o incomodaram tanto por tanto tempo. O espanhol anotou mais uma quebra no quinto game graças a uma combinação perfeita de curtinha e passada de forehand. O suíço, aparentemente abalado, não ameaçou mais.

Veja abaixo os melhores momentos do jogão:

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Orlandinho é multado após raquetada em juíza de linha http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/06/orlandinho-e-multado-apos-raquetada-em-juiza-de-linha/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/06/orlandinho-e-multado-apos-raquetada-em-juiza-de-linha/#respond Thu, 06 Jun 2019 16:52:07 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=9640

O brasileiro Orlando Luz foi multado em US$ 150 após acertar uma juíza de linha com uma raquetada acidental no Challenger de Little Rock, nos Estados Unidos. Após contato do blog, o supervisor do torneio, Michael Loo, confirmou que o incidente foi avaliado e que houve a punição ao tenista.

“O resultado do gesto pós-jogo de Orlando foi completamente sem intenção, mas sério. A raquete atingiu a cadeira e, então, pegou de raspão na perna na oficial, sem causar dano, mas o fator de susto foi grande. Orlando pediu desculpas à oficial e mostrou remorso pelo que aconteceu. Com tudo sendo considerado, ele está sendo multado em US$ 150”, escreveu o supervisor em email ao Saque e Voleio.

Como publicado ontem aqui no blog, Orlandinho, 21 anos e atual #457, perdeu a calma após cometer uma dupla falta no match point e descontou a raiva na bolinha. Durante o movimento, a raquete escorregou de suas mãos e voou na direção da juíza de linha, que estava na lateral da quadra. Ao blog, o jovem gaúcho havia dito que a raquete não atingiu a árbitra. Vejam o momento a partir da marca de 1h36min do vídeo abaixo:

Pouco antes, sacando em 3/5 para sobreviver na partida, o gaúcho reclamou intensamente de uma marcação do árbitro de cadeira (é desde momento a imagem do alto do post), que apontou bola boa em uma curtinha cruzada de Rubin. A decisão significou o terceiro match point para o tenista da casa. Em seguida, Orlandinho cometeu uma dupla falta e perdeu o jogo.

O torneio de Little Rock era apenas o quarto Challenger disputado por Orlandinho este ano – o terceiro na chave principal. O gaúcho, que começou a temporada como número 472 no ranking da ATP, venceu apenas dois jogos em chaves principais nesse tipo de torneio em 2019.

Número 1 do mundo como juvenil em 2015, ano em que foi campeão do Banana Bowl e da Copa Gerdau, Orlandinho ainda não conseguiu reproduzir o sucesso entre os profissionais. Ele hoje treina na Espanha, na academia BTT, na região de Barcelona, e recebe auxílio financeiro da Confederação Brasileira de Tênis.

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Djokovic bate Zverev, e semis de Roland Garros terão os quatro primeiros do ranking http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/06/djokovic-bate-zverev-e-semis-de-roland-garros-terao-os-quatro-primeiros-do-ranking/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/06/djokovic-bate-zverev-e-semis-de-roland-garros-terao-os-quatro-primeiros-do-ranking/#respond Thu, 06 Jun 2019 14:20:02 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=9632

Por cerca de meia hora, Alexander Zverev foi o melhor tenista e parecia uma ameaça real à pretensões de Novak Djokovic em Roland Garros. O alemão de 22 anos, número 5 do mundo, somou break points, quebrou o saque do número 1 do mundo e até esteve a dois pontos de fechar o set inicial. Nole, no entanto, iniciou uma brava reação no fim do primeiro set e tomou as rédeas do jogo até fazer 7/5, 6/2 e 6/2, assegurando seu lugar nas semifinais.

Com a vitória de Djokovic, Roland Garros terá os quatro primeiros do ranking nas semis masculinas. Nesta sexta-feira, a partir das 8h (de Brasília), Rafael Nadal, #2, enfrentará Roger Federer, #3. Em seguida, Nole, #1, vai duelar com o austríaco Dominic Thiem, #4, que superou, também nesta quinta, o russo Karen Khachanov, 23 anos, #11 do mundo, por 6/2, 6/4 e 6/2.

Um encontro dos quatro primeiros do ranking nas semifinais não acontecia em Roland Garros desde 2011, quando o Big Four de Nadal, Federer, Djokovic e Murray disputava o troféu. Os mesmos quatro também estiveram nas semifinais do US Open de 2011 e no Australian Open de 2012 – última vez que isso aconteceu no circuito masculino.

O relato

Com Djokovic adotando uma estratégia conservadora e pouco agressiva, Zverev teve mais liberdade para agredir nos primeiros games. O alemão levava vantagem nas trocas de bola e só não abriu vantagem mais cedo porque cometeu erros quando teve três break points (dois no terceiro game e outro no quinto). No nono game, finalmente veio a quebra, graças a um backhand para fora de Djokovic. Foi aí que a coisa mudou. Com 5/4 e saque, Zverev desandou a errar. O sérvio, mais sólido, quebrou o alemão duas vezes seguidas e fechou a parcial em 7/5.

E não foi só isso. A chance perdida pareceu desestabilizar o desafiante, que continuou errando mais e perdeu os três primeiros games do segundo set. Com a boa vantagem, Djokovic passou a atuar ainda mais à vontade, agredindo mais e não permitindo que Zverev distribuísse suas pancadas o tempo inteiro. Em apenas 35 minutos de set, o número 1 do mundo fez 6/2 e colocou uma distância enorme para o garotão.

Além de mostrar incrível consistência, Djokovic aplicava um plano de jogo bem pensado, usando muitos slices para forçar o alemão de 1,98 a se abaixar e bater bolas perto do chão. A tática deu certo a longo prazo, desgastando o alemão, que raramente conseguia rebater duas bolas na mesma posição. Ainda assim, Zverev teve suas chances, mas novamente falhou. Deixou de converter dois break points no primeiro game e mais dois no sétimo – um deles, com uma curtinha pavorosa. Djokovic não perdoou e, com duas quebras, fez outro 6/2.

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O que Roger Federer precisa fazer para finalmente bater Rafael Nadal em Roland Garros http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/06/o-que-roger-federer-precisa-fazer-para-finalmente-bater-rafael-nadal-em-rol/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/06/o-que-roger-federer-precisa-fazer-para-finalmente-bater-rafael-nadal-em-rol/#respond Thu, 06 Jun 2019 07:00:38 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=9622

Para Roger Federer, o histórico de confrontos diretos é negativo: são 15 vitórias e 23 derrotas. No saibro, pior ainda: dois triunfos, 13 reveses. Nenhum resultado positivo em sete encontros disputados em melhor de cinco sets no piso. Em Roland Garros, o placar é de 5 a 0 para Rafael Nadal. Por isso, o espanhol, campeão 11 vezes do slam parisiense, entrará em quadra nesta sexta-feira, às 8h (de Brasília), como claro favorito.

Apesar disso, o suíço chega a essa partida com alguns fatores a seu favor. O principal deles é a sequência de cinco vitórias sobre Nadal de 2015 até hoje. É bem verdade que foram cinco encontros em quadra dura, mas o aspecto mental deve ser considerado. Além disso, Federer vem encarando esse torneio de Roland Garros como se fosse um grande azarão, e foi jogando solto assim que ele virou a memorável final do Australian Open de 2017.

Só que passado e moral não ganham jogo, e há um trio de coisas nada fáceis que Federer vai precisar fazer – além do que já faz habitualmente bem – para finalmente bater Rafael Nadal em Roland Garros:

1) Backhand sólido

Comecemos pelo óbvio. A dinâmica que sempre jogou a favor de Nadal no confronto com Federer foi a troca de forehands cruzados do espanhol com a esquerda (backhand) do suíço. Com o saibro – especialmente em um dia seco – a bola de Rafa ganha altura após o quique e força Roger a bater o backhand alto com frequência, o que não é nada fácil de fazer. Federer teve muito sucesso com o backhand nas vitórias recentes, mas sua tarefa fica um pouco mais fácil em quadras duras, tanto pelo quique mais baixo quanto pela previsibilidade do quique. De qualquer modo, é essencial para o suíço conseguir não só sustentar a troca de bola com sua esquerda, mas também surpreender e agredir Nadal com bolas vencedoras saindo daquele lado.

2) Devolução agressiva

Outro elemento que frequentemente jogou a favor de Rafa nos duelos com Federer foi a devolução de backhand do suíço. Roger passou muito tempo devolvendo de slice (que não incomoda tanto Nadal quanto a maioria do circuito) ou apenas bloqueando os serviços do rival. Isso deixa Nadal em vantagem na maioria dos pontos iniciados do lado da vantagem (lado esquerdo da quadra) e explica parcialmente o péssimo aproveitamento de Federer em break points contra Rafa.

Desde aquele duelo na final do Australian Open, Federer vem sendo mais agressivo, posicionando-se sempre perto da linha de base e atacando com um backhand batido, tirando o tempo de Nadal. Obviamente, é algo muito mais fácil de fazer na quadra dura do que no saibro, onde o quique da bola varia mais – inclusive durante a partida – mas é algo que Federer provavelmente vai precisar para colocar o espanhol sob pressão com frequência.

3) Saque angulado + saque-e-voleio controlado

Porcentagem, posicionamento de bola e variação. A combinação perfeita no serviço vale para qualquer partida, obviamente, mas torna-se mais importante num piso em que Nadal costuma ter a vantagem nas trocas do fundo de quadra. Além disso, Roger pode fazer um par de coisas específicas que funcionam bem contra Rafa. Uma delas é o saque angulado do lado do “iguais”. Com o espanhol devolvendo muito atrás da linha de base, deslocá-lo na diagonal e forçá-lo a retornar de backhand além da linha de duplas é uma ótima maneira de começar os pontos.

O saque-e-voleio, muito usado por Federer contra Wawrinka, não deve funcionar tão bem contra Nadal, que, além de ser um devolvedor melhor que Stan, usa muito mais spin, o que dificulta a vida de qualquer voleador. Ainda assim, é algo que precisa ser usado esporadicamente contra o espanhol. Como variação, usado nos momentos certos, o saque-e-voleio é essencial para manter Rafa desconfortável durante as devoluções.

Onde ver

O Bandsports exibe o torneio desde o começo da chave principal, mas também é possível ver todas as partidas do slam parisiense pelo pacote oferecido pelo site oficial de Roland Garros, disponível para desktops e plataformas móveis.

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Orlandinho perde jogo, desconta raiva na bolinha e dá raquetada acidental em juíza de linha http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/05/orlandinho-perde-jogo-desconta-raiva-na-bolinha-e-da-raquetada-acidental-em-juiza-de-linha/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/06/05/orlandinho-perde-jogo-desconta-raiva-na-bolinha-e-da-raquetada-acidental-em-juiza-de-linha/#respond Wed, 05 Jun 2019 17:03:25 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=9613

Orlandinho foi eliminado na segunda rodada do Challenger de Little Rock, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira, mas não foi o placar de 6/4 e 6/3 a favor do americano Noah Rubin (#172 do mundo) que marcou o fim da partida. O brasileiro de 21 anos, atual #457, perdeu a calma e descontou a raiva na bolinha, só que a raquete escorregou de suas mãos e atingiu uma juíza de linha. Vejam o momento a partir da marca de 1h36min do vídeo abaixo:

Pouco antes, sacando em 3/5 para sobreviver na partida, o gaúcho reclamou intensamente de uma marcação do árbitro de cadeira (é desde momento a imagem do alto do post), que apontou bola boa em uma curtinha cruzada de Rubin. A decisão significou o terceiro match point para o tenista da casa. Em seguida, Orlandinho cometeu uma dupla falta e perdeu o jogo.

O narrador da partida disse que a raquete acertou o tornozelo da juíza de linha. Orlandinho, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que a raquete não tocou na árbitra. Ele também declarou que pediu desculpas após o incidente. Segue a declaração do tenista na íntegra, sem edição:

“Quando acabou o jogo, eu fui bater na bola e a raquete voou da minha mão. A raquete foi pro lado, não tocou na juíza de linha, eu pedi desculpas pra ela, falei com ela e com o árbitro, os dois entenderam que não foi intencional, a raquete voou da minha mão sem querer. Não tocou nela, ela levantou na hora por causa do susto, porque passou perto. Ela entendeu, falou ‘não tem problema, eu vi que a raquete voou, não foi por gosto’. Aqui está muito úmido, muito quente, o tempo todo pingando, tanto que no final, quando fui cumprimentar ele (o árbitro), eu mostrei minha munhequeira, dobrei e escorreu água. Estava bem difícil de sacar no final, eu já estava com medo da raquete voar.”

O torneio de Little Rock era apenas o quarto Challenger disputado por Orlandinho este ano – o terceiro na chave principal. O gaúcho, que começou a temporada como número 472 no ranking da ATP, venceu apenas dois jogos em chaves principais nesse tipo de torneio em 2019.

Número 1 do mundo como juvenil em 2015, ano em que foi campeão do Banana Bowl e da Copa Gerdau, Orlandinho ainda não conseguiu reproduzir o sucesso entre os profissionais. Ele hoje treina na Espanha, na academia BTT, na região de Barcelona, e recebe auxílio financeiro da Confederação Brasileira de Tênis.

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