Saque e Voleio http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br Se é sobre tênis, aparece aqui. Wed, 19 Apr 2017 19:27:56 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Casal fazendo sexo interrompe partida em Sarasota http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/04/19/sons-sexo-interrompem-partida-tenis/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/04/19/sons-sexo-interrompem-partida-tenis/#comments Wed, 19 Apr 2017 05:00:36 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=4976

Desde já, um caso para entrar para a lista dos mais inusitados na história do tênis. Sim, tênis, esse esporte onde o silêncio deve reinar absoluto durante os pontos e os atletas são supostamente cavalheiros. Pois aconteceu durante o Challenger de Sarasota, no estado americano da Flórida, na noite desta terça-feira, quando o americano Frances Tiafoe (#87) enfrentava o compatriota Mitchell Krueger (#182).

Quando Tiafoe, o favorito, vencia por 6/3 e 3/2, ele, Krueger, o árbitro, o narrador e aparentemente todas pessoas na arquibancada foram interrompidas por sons incomuns. Sim, eram gemidos de um casal fazendo sexo (ouça no vídeo abaixo no momento em que o placar mostra 0/15).

O desenrolar é tão engraçado quanto inusitado. A começar pela expressão de Tiafoe. Notem, no fundo, o boleiro sorrindo e o juiz de linha tentando disfarçar uma risada. Krueger, então, atirou uma bola na direção de onde vinham os gemidos. Os fãs se divertiam. E Mike Cation, o narrador, meio sem graça, a princípio acreditava tratar-se de um vídeo “adulto” no telefone de alguém.

Os gemidos voltam a ficar mais altos com o placar em 30/15. O narrador diz “ainda estou ouvindo, ainda está rolando”, e é aí que Tiafoe berra, para gargalhadas de todo mundo no local: “NÃO PODE ESTAR TÃO BOM ASSIM!”

Por fim, o narrador admite que não era um celular, mas um apartamento do outro lado do lago que fica à beira do torneio. E ele mesmo conclui com precisão o momento: “Pelo menos alguém está tendo uma noite boa.”

E se você ficou interessado, Tiafoe acabou vencendo a partida por 6/3 e 6/2. Coincidência ou não, Krueger não venceu um game sequer depois dos barulhos do empolgado casal.

Nas redes sociais

Após o jogo, Tiafoe e Krueger ainda riam da cena. Indagado se era um telefone ou se era sexo de verdade, Tiafo disse que nunca viu algo tão real e que foi incrível.

E quando Krueger perguntou se ele e o compatriota iriam viralizar, Tiafoe respondeu: “Já viralizamos muito tempo atrás.”

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Sinais positivos de Djokovic http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/04/18/sinais-positivos-de-djokovic-monte-carlo/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/04/18/sinais-positivos-de-djokovic-monte-carlo/#comments Tue, 18 Apr 2017 20:14:54 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=4972

Desde o segundo semestre do ano passado, parece que alguém baixou um decreto exigindo que toda conversa sobre um certo sérvio passasse pela questão “o que acontece com Novak Djokovic?” Afinal, o cidadão que dominou o circuito por mais de dois anos e venceu os quatro slams em sequência perdeu a liderança do ranking, a aura de invencibilidade e ainda ouviu críticas do ex-técnico Boris Becker por causa de suas novas prioridades na vida.

O 2017 do sérvio também não empolgou até agora. Depois de começar o ano com título em cima de Andy Murray em Doha, Nole tombou diante de Istomin no Australian Open, perdeu para Kyrgios em Acapulco e Indian Wells e não jogou em Miami por causa de uma lesão no cotovelo direito. Fora a zebra em Melbourne, nada trágico. Seu domínio nos anos anteriores, porém, provocou expectativas super-humanas. Como se precisasse estar acontecendo algo de muito errado na vida do sérvio para causar os tais resultados “decepcionantes”.

Uma entrevista em especial repercutiu bastante. Djokovic afirmou que o tênis não era a prioridade número 1 em sua vida. A frase foi vista quase como um crime por alguns. Como se Andy Murray, casado, pai e número 1 do mundo, fosse dizer algo diferente. O britânico, aliás, chegou a afirmar que largaria um slam se fosse necessário para ver o nascimento da filha. Como se muitos outros tenistas tivessem prioridades diferentes. O fato é que a tal frase, aliada às críticas de Becker, foi um prato cheio para quem queria questionar Djokovic. Mas eu divago.

Pois o sérvio voltou ao circuito da ATP esta semana, mais de um mês depois de Indian Wells – embora tenha feito um jogo de Copa Davis no fim de semana. Um ingrato retorno, diga-se, diante de um afiado Gilles Simon. O francês foi sólido ao extremo e exigiu um bocado de Djokovic. Aprofundou bolas, alongou ralis, subiu bem à rede. Foi tanto uma prova técnica quanto um teste para a paciência e a força de vontade do atual número 2 do mundo.

Nem foi a mais brilhante das atuações de Nole, mas é aí que entra seu maior mérito do dia e que serve como bom indício de que ele está com a cabeça no lugar e disposto a brigar por vitórias. Simon teve quebras de vantagem no terceiro set. Primeiro, abriu 3/2. Djokovic devolveu imediatamente. Depois, o francês sacou em 5/4. Valia a vitória. Outro game impecável do sérvio. Outra quebra. E Djokovic embalou, venceu três games seguidos e avançou às oitavas de final do torneio monegasco por 6/3, 3/6 e 7/5.

É cedo? Claro que é. Mas Djokovic foi tão exigido em tantos ralis que um tenista menos concentrado ou faminto teria cedido. Não seria vergonha alguma tombar diante do Simon que esteve em quadra nesta terça-feira. O sérvio ficou na briga e saiu vencedor. Como fez tantas e tantas vezes na careira e, numa chave com Carreño Busta, Thiem e Nadal, provavelmente precisará fazer novamente em Monte Carlo, nesta semana. Os próximos dias darão um panorama melhor sobre que Djokovic vamos ver na temporada de saibro europeia, mas esta terça já trouxe sinais positivos.

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Sobre Thomaz Bellucci e chances perdidas http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/04/17/bellucci-chances-perdidas/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/04/17/bellucci-chances-perdidas/#comments Mon, 17 Apr 2017 11:00:20 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=4958

Experimente jogar “Bellucci perde chances” no Google, e você vai encontrar links para diversas partidas em vários torneios e contra adversários diferentes. Um tempo atrás, esses títulos costumavam vir direto de sua assessoria de imprensa. Como eram reproduzidos por tantos veículos de imprensa, proliferaram e viraram piada recorrente. Gracinhas maldosas à parte, é bem verdade que Thomaz Bellucci tem no currículo uma quantia considerável de derrotas em jogos contra oponentes inferiores ou em que ele esteve em situação favorável.

Neste domingo, na final do ATP 250 de Houston, aconteceu de novo. E doeu. Primeiro porque Bellucci perdeu uma quebra de vantagem depois de ter 4/2 de frente sobre o americano Steve Johnson, #29 do mundo, um tenista sólido, mas que soma mais derrotas do que vitórias na carreira em quadras de saibro. Só que viria, mais tarde, outra chance. Johnson teve cãibras. Sem poder ser atendido durante o game (a regra não permite), o americano sacou no improviso, mal tendo condições de se movimentar. Empurrou a bolinha. O placar mostrava 5/5, 40/30, segundo saque, e Bellucci enfiou a mão na devolução. A bolinha parou na rede. Johnson fechou o game e foi, mancando, caminhando na direção do banco para receber uma massagem na virada de lado.

Nem foi só isso. Johnson entregou o 12º game. Nem tentou devolver os saques. Quatro aces de Bellucci. O americano apostou tudo no tie-break e foi recompensado. Depois de ganhar o primeiro ponto, o brasileiro subiu mal à rede, espirrou um backhand e errou um slice de forehand. Logo, o placar mostrava 3/1 para Johnson. Em nenhum momento, o paulista conseguiu se aproveitar da movimentação deficiente do rival. Tomou duas passadas, errou duas devoluções (sim, Johnson ainda sacava mais fraco do que o normal, embora não tão fraco quanto no vídeo acima) e perdeu o último ponto numa direita suicida do americano. Game, set, match: 6/4, 4/6, 7/6(5).

Mas e o copo meio cheio? Ele lembra que Bellucci voltou à final de um ATP 15 meses depois da decisão de Quito, no ano passado. O paulista topou jogar na semana logo após um confronto de Copa Davis e entrou em um torneio modesto, com uma chave quase sem especialistas no saibro. Aproveitou, superando, em sequência, Francis Tiafoe (#89), Máximo González (#163), Sam Querrey (#25) e Ernesto Escobedo (#91). Não é todo dia que uma chance assim se apresenta. Bellucci somou 150 pontos derrotando apenas um adversário entre os 80 melhores do ranking mundial. Mais dois games de saque contra Johnson, e ele teria somado 250. O que faltou? Aproveitar a chance!

Onde estavam as chances?

Thomaz Bellucci e seu técnico, João Zwetsch, sempre dizem que o objetivo é voltar a frequentar a região entre 20-30 do ranking. Ambos acreditam que o paulista pode entrar até no top 20. Não deixa de ser ousado, considerando que Bellucci alcançou seu melhor ranking (#21) sete anos atrás. Por outro lado, de que adianta jogar o circuito sem estabelecer uma meta realmente grande? Além disso, Bellucci esteve no top 30 em fevereiro do ano passado. Não faz tanto tempo assim.

Mas o que falta? Dá para listar uma série de itens em que o número 1 do Brasil pode evoluir (leitura de jogo, movimentação, subidas à rede, aspecto físico), mas consideremos, apenas num exercício de imaginação, que o Bellucci de hoje é o melhor possível. Se este Bellucci não evoluir em nada, ainda pode ser top 20? O que faltaria? “Aproveitar chances” viria no topo da lista. E não se trata de ser excessivamente crítico – ou otimista, dependendo do ponto de vista – sobre ele. Lembremos alguns dos momentos das últimas 52 semanas (as que contam para o ranking atual) de Bellucci.

ATP 250 de Munique: a derrota para Ivan Dodig nas oitavas custou 25 pontos.

ATP 250 de Gstaad: um revés diante de Dustin Brown onde Bellucci já foi campeão duas vezes, logo na primeira rodada (oitavas). Bellucci deixa de somar 45 por aquele jogo e perde a oportunidade de enfrentar Youzhny por mais 45. Brown acabou eliminado por Feliciano López (outro jogo ganhável), que foi campeão em uma final contra Robin Haase. No geral, uma chave bastante acessível.

Challenger de Biella: Bellucci perdeu a final para Federico Gaio (#213). Teria somado 45 pontos a mais com o título.

ATP 250 de Quito: Bellucci foi superado pelo terceiro ano seguido por Victor Estrella Burgos (#156), que se sagrou campeão. Uma vitória naquela semifinal de dois tie-breaks renderia 60 pontos a mais com uma chance excelente de jogar pelo título contra Paolo Lorenzi (#46). O paulista poderia ter saído do Equador com 140 pontos a mais e não precisaria de nenhum milagre para isso.

ATP 500 do Rio de Janeiro: com problemas físicos, Bellucci foi derrotado por Thiago Monteiro nas oitavas. Teria conquistado 45 pontos a mais e uma chance de enfrentar Casper Ruud (#208) por mais 90. Seriam 135 pontos se tivesse apenas confirmado o favoritismo, mesmo que perdesse para Carreño Busta (embora fosse outro jogo ganhável) nas semifinais.

ATP 250 de São Paulo: novamente com problemas físicos, Bellucci não passou da estreia contra Diego Schwartzman (#44). Enfrentaria Gerald Melzer (#107) nas oitavas, com ótima chance de chegar às quartas e somar 45 pontos. Enfrentaria, então, Cuevas. Duro, mas ganhável.

Challenger de Irving: Bellucci perde para Aljaz Bedene (alternate, #105) nas oitavas do torneio. Bedene, que acabou com o título, enfrentaria Jared Donaldson (#93) nas quartas, Andrey Rublev (#134) na semi e Kukushkin (#90) na final. O britânico somou 125 pontos no evento.

A matemática

O que isso tudo quer dizer? Na frieza da matemática, Bellucci aparece nesta segunda-feira na 53ª posição do ranking mundial, com 876 pontos. Imaginemos que o paulista tivesse aproveitado todas as chances acima – além, claro, da final de Houston. Seriam pouco mais de 700 pontos de diferença. E Bellucci estaria justamente ali entre 20 e 30 do mundo (curiosamente, Steve Johnson é o atual 25º, com 1.585 pontos). Sem contar que estar com um ranking melhor lhe colocaria como cabeça de chave em grand slams e mais ATPs, o que criaria novas oportunidades.

Receio que a conta acima vá soar otimista para uns e pessimista para outros. Seria esperar demais de Bellucci? Seria superestimar o tênis do número 1 do Brasil? Bellucci já tirou o máximo de seu tênis? Alcançou mais do que deveria? Ficou abaixo das expectativas? Converse com dez pessoas, e você corre o risco de ouvir dez respostas diferentes. Cada um com seu ponto de vista. Sem problema. Só me parece absurdo o discurso vitimista de que Bellucci é um grande azarado em sorteios de chaves. Qualquer análise, mesmo que superficial, derruba essa tese.

Coisas que eu acho que acho:

– Alguém pode considerar injusta ou exigente demais a lista acima, mas Bellucci era grande favorito na maioria das partidas citadas. Em outras, “apenas” favorito. Uma matemática mais exigente ou ousada poderia considerar um título em Gstaad, um vice no Rio, a derrota para Delbonis em Genebra, o revés diante de Mahut em Sydney, o tombo para Herbert em Indian Wells e até a derrota para um esgotado Kuznetsov na primeira rodada do US Open.

– Um grande mérito de Bellucci na semana foi sair da altitude de Ambato e vencer no nível do mar (ou quase isso) em Houston. Okay, a chave ajudou. Francis Tiafoe, o rival da estreia (que foi apenas na quarta-feira), nunca venceu um jogo de chave principal de ATP no saibro. Mesmo assim, o paulista não se permitiu usar a adaptação como desculpa e seguiu adiante com méritos.

– Outro ponto positivo da semana foi jogar cinco partidas de três sets e chegar inteiro ao tie-break da final. Ou, pelo menos, mais inteiro do que Steve Johnson. É o tipo de coisa que Bellucci precisa apresentar com mais frequência para chegar ao tal objetivo de ser 20-30 do mundo. Quem pensa alto assim não pode montar calendário fugindo de torneios no calor ou com muita umidade.

– Já escrevi algo parecido no Twitter, mas não custa repetir aqui. Não procuro rótulos, mas não sei, quando a carreira de Bellucci acabar, se o paulista será visto como um overachiever (alguém que conquista mais do que o esperado para seu nível de tênis) ou um underachiever (alguém que fica abaixo das expectativas). O que parece unânime é que Bellucci nunca se tornou o tenista que, anos atrás, os brasileiros esperavam que ele viesse a ser. Essa visão é justa? Talvez, sim. Talvez, não. Mas isso é outra questão e este post já está longo demais.

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Sobre Copa Davis e competências http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/04/09/brasil-equador-davis-competencias-frick-nunes/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/04/09/brasil-equador-davis-competencias-frick-nunes/#comments Sun, 09 Apr 2017 15:45:31 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=4946

O fim de semana do confronto entre Equador e Brasil chega ao fim com o resultado mais provável. Vitória brasileira garantida no sábado, com Thomaz Bellucci, Thiago Monteiro e a dupla mineira vencendo. Foi, no entanto, um duelo mais interessante e divertido (dependendo da sua torcida) do que o imaginado. O mérito – ou a culpa – disso é de Thomaz Bellucci, que complicou um jogo não tão duro e quase acabou superado por Emilio Gómez, número 272 do mundo.

O Equador, claro, teve seus méritos. Dono de uma equipe muito mais fraca, com Roberto Quiroz (#232) como número 1, o país fez o dever de casa. Colocou os jogos na altitude de Ambato, 2.500m acima do nível do mar, e nivelou os confrontos por baixo. Ainda que levado em conta o bom histórico de Bellucci em condições semelhantes, era mesmo o melhor a se fazer.

Não dá para dizer que os donos da casa erraram. O nível foi tão para baixo que Bellucci se empolgou na sexta-feira e cavou um buraco enorme depois de abrir 2 sets a 0 contra Gómez. O equatoriano virou o jogo e chegou a ter uma quebra de frente no quinto set. Para a sorte de Bellucci, Gómez nunca foi (ainda?) o tal futuro top 50 que um dia venderam na TV brasileira (coisas que o pachequismo tenta empurrar goela abaixo do espectador para justificar escolhas erradas de parceiros de negócios). Emilio sentiu os nervos, perdeu a vantagem num game com duas duplas faltas e um erro não forçado e voltou a perder o saque antes de um tie-break decisivo: 6/2, 6/4, 6/7(1), 4/6 e 6/4.

Pessimismo meu? Nem tanto. Gómez saiu da quadra dizendo que nem fez uma ótima partida e que se tivesse ganhado, não seria por mérito de seu tênis. Bellucci, por sua vez, afirmou que a experiência fez diferença, reconheceu que Gómez sentiu os nervos no quinto set e concluiu que o rival lhe “permitiu ganhar a partida”. Ambas parecem declarações bastante conscientes sobre o que aconteceu em quadra.

Thiago Monteiro era um ponto de interrogação maior. Jogou em Quito duas vezes na vida e perdeu ambas. E nenhuma outra apresentação em tanta altitude em toda a carreira. Bom para Quiroz, que conseguiu equilibrar um jogo que, em outras condições, seria muito mais favorável ao brasileiro. Mesmo assim, o cearense foi melhor nos momentos importantes: 6/7(6), 7/6(0), 6/3 e 7/6(7).

Com 2 a 0 no sábado, restava à dupla fechar o caixão. Bruno Soares e Marcelo Melo, que raramente decepcionam juntos, fizeram 6/3, 6/4 e 6/3 em 1h38min sobre Gonzalo Escobar e Roberto Quiroz. Sem drama. Brasil de volta ao playoff.

Coisas que eu acho que acho:

– Em Ambato, a delegação brasileira contou com a presença de Luís Eduardo Nunes, presidente da federação paraibana de tênis, que exerceu a função de “auxiliar da delegação”, segundo a assessoria de imprensa da Confederação Brasileira de Tênis (CBT).

– Segundo a CBT, Nunes foi a Ambato pagando de seu próprio bolso – sem pedir nada à entidade. No entanto, como o chefe da delegação, Eduardo Frick, não conseguia tratar de todas questões logísticas necessárias por conta própria, Nunes foi agregado ao time, ganhando uniforme, participando de eventos oficiais, sentando no banco junto com a equipe durante as partidas e até comemorando a vitória dentro de quadra. Nunes participou até do teatrinho dos jogadores, “fantasiado” de Lampião (é ele no centro da imagem abaixo).

– Estranha o fato de Frick, recém-contratado, não ter competência para cuidar da logística de uma equipe de Copa Davis. Paulo Moriguti, seu antecessor na função, nunca precisou de auxiliar. Moriguti, aliás, deixou a CBT depois que Rafael Westrupp assumiu a presidência no lugar de Jorge Lacerda.

– Merece elogios o altruísmo de Luís Eduardo Nunes. Além de pagar de seu bolso para viajar a Ambato (!!!) para ver de perto nomes como Roberto Quiroz e Emilio Gómez (porque Bellucci e Monteiro ele poderia ver no Rio ou em São Paulo), o presidente da federação paraibana ainda trabalhou de graça para o tênis brasileiro. Que a CBT e Frick, aquele que não conseguiu fazer seu trabalho sozinho, sejam eternamente gratos a ele.

– Chegamos a abril, e a CBT ainda não tem uma empresa grande como fornecedora oficial de material esportivo. O time viajou ao Equador vestindo Companion – marca que também serviu como tapa-buraco durante um período da gestão de Jorge Lacerda.

– Pela primeira vez em muito tempo, um time brasileiro de Copa Davis viaja sem fotógrafo. Talvez por isso a imagem escolhida por todos jogadores e técnicos para postar em redes sociais após a vitória foi a selfie registrada por Marcelo Melo. Não havia opção. Talvez o trabalho de um fotógrafo ajudasse a divulgar o time e valorizasse o espaço no uniforme brasileiro, o que, por sua vez, ajudaria a atrair marcas. Há quem acredite, porém, que estou superestimando o valor do fotógrafo.

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Qual é o melhor Federer de todos? http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/04/03/o-melhor-federer-de-todos/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/04/03/o-melhor-federer-de-todos/#comments Mon, 03 Apr 2017 18:14:53 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=4936

A pergunta surgiu no último domingo, na hashtag do podcast Quadra 18. Apesar de ter dado minha resposta no programa, que pode ser ouvido no post anterior, achei o tema interessante para registrar aqui também. O ouvinte Felipe Ariel Resende perguntou se a versão 2017 de Roger Federer podia ser considerada a melhor de todas – melhor ainda do que o modelo 2004-2007, que dominou o circuito na década passada.

A discussão é tão inútil quando pode ser divertida, desde que todos consigam discordar com educação, tentando entender os pontos de vista alheios. E este post não tem intenção alguma de cravar um acima dos outros. Mesmo assim, quis deixar registrado aqui este texto como mero levantamento de números e variáveis que servem para alimentar um debate saudável.

Em números, o Federer/2006 parece imbatível. Naquela temporada, o suíço somou 92 vitórias contra apenas cinco derrotas (quatro para Rafael Nadal e uma diante de Andy Murray), venceu três slams Australian Open, Wimbledon e US Open), foi vice em Roland Garros e encerrou a temporada com uma sequência de 29 triunfos, período em que foi campeão em Nova York, Tóquio, Madri, Basileia e do ATP Finals, que então levava o nome de Masters Cup, além de superar Novak Djokovic e Janko Tipsarevic na repescagem da Copa Davis. Enorme.

Ainda é cedo para julgar a versão 2017 de Federer em números e, com 35 anos e um calendário praticamente sem saibro, é virtualmente impossível que as estatísticas de 11 anos antes sejam igualadas. Ainda assim, o suíço já venceu o Australian Open e os Masters de Indian Wells e Miami.

Mas se é impossível comparar dados registrados, o que dizer tecnicamente? Parece incontestável que Federer, hoje, é um tenista mais completo. Desde a troca de raquete, efetuada no segundo semestre de 2013, o suíço tem golpes mais limpos e até mais potentes. Seu saque é uma arma ainda mais poderosa. O backhand, que nunca foi tão vulnerável quanto muitos acreditam, é uma arma perigosíssima. E, comparando o vídeo da final do Australian Open deste ano com as imagens do jogo contra Ivan Ljubicic em Miami/2006, é até difícil ver diferença na velocidade de deslocamento em quadra – algo soberbo para um tenista de 35 anos.

Mas será que o Federer de hoje é tão melhor assim do que o Federer de 2014, 2015 e início de 2016? Aí é que, a meu ver, a comparação é mais difícil. Em 2014, suíço foi vice-campeão em Wimbledon. Em 2015, foi finalista em Wimbledon e no US Open. Lembram de quando ele lançou o “SABR”, a devolução quase de bate-pronto? Ali, Federer foi considerado um revolucionário. Por fim, em 2016, antes da lesão, alcançou a semifinal em Melbourne. Não, ele não voltou dos seis meses de pausa como um tenista tão diferente e superior assim.

O elemento comum durante esse período 2014-2016? Novak Djokovic. O sérvio foi tão acima da média que impossibilita qualquer comparação justa. O fato, contudo, é que sempre que Federer brilhou, o então número 1 esteve lá para impedir um título. Sem Nole, o suíço possivelmente teria mais de 20 slams a essa altura. Talvez estivéssemos vendo o Federer de hoje com um olhar menos espantado. Sim, é justo que nos admiremos com um tenista voltando de lesão, seis meses parado, e ganhando tanto – e jogando tão bem. Mas será que ele é tão melhor agora do que dois anos atrás? Difícil julgar.

Duríssimo até porque Novak Djokovic não enfrentou o suíço neste 2017. E, se enfrentasse, o Djokovic de hoje teria o mesmo sucesso de dois ou três anos atrás? É por causa desse tipo de variável que é tão complicado e injusto cravar “melhores de todos os tempos”, qualquer que seja o esporte. Quem consegue equiparar os parâmetros para fazer uma comparação justa entre Federer e Rod Laver, por exemplo? E o tal “maior” é quem domina mais ou quem domina por mais tempo? O maior é necessariamente o melhor? Cada pessoa, com sua lista de critérios e preferências pessoais, pode achar uma coisa diferente. E o assunto está no ar para quem quiser discutir…

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Quadra 18: S03E05 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/04/03/quadra-18-s03e05/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/04/03/quadra-18-s03e05/#comments Mon, 03 Apr 2017 16:46:49 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=4934 Miami praticamente repetiu Indian Wells. Roger Federer voltou a levantar um troféu após derrubar Rafael Nadal, Nick Kyrgios deu mais espetáculos, Marcelo Melo e Lukasz Kubot somaram mais um resultado excelente, enquanto no torneio feminino Angelique Kerber ficou pelo caminho mais uma vez, Venus Williams voltou a ir longe e Caroline Wozniacki perdeu a terceira final consecutiva.

Neste novo episódio do podcast Quadra 18, Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos de tudo que envolveu Miami, inclusive o título de Johanna Konta, mas também abordamos as polêmicas nas transmissões de TV e as grandes mudanças que a Federação Internacional de Tênis vai implantar no circuito profissional a partir de 2019. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’17” – Aliny apresenta os temas
1’27” – Cossenza analisa o Federer x Nadal que decidiu o Masters de Miami
5’25” – A versão atual de Federer ganharia do Federer 2004-2007?
9’30” – Federer voltar só em RG mostra que ele não tem o #1 como prioridade?
12’45” – Qual o melhor jogo do ano até agora?
13’49” – O momento e a ascensão de Nick Kyrgios
17’00” – Nadal ainda joga muito atrás da linha de base contra Federer?
18’15” – Nadal já é favorito absoluto para Roland Garros?
19’35” – A janela de Nishikori e Dimitrov está fechando?
22’25” – Kyrgios precisa aumentar a % de pontos vencidos com a devolução?
23’30” – Qual o balanço após os primeiros Masters 1000 de Thiago Monteiro?
28’42 – Roll the Bones (Rush)
29’08” – A conquista de Marcelo Melo e Lukasz Kubot e a força da camisa
32’30” – Marcelo Melo criticou ou não Lukasz Kubot após o Rio Open?
37’00” – A repetição do duelo Melo/Kubot x Soares/Murray
39’23” – Henri Kontinen assume a liderança do ranking de duplas
41’10” – A diferença de pontuação entre Melo/Kubot e Dodig/Granollers
42’20” – O título de Johanna Konta e o WTA de Miami
43’30” – Os méritos e a falta de atrativos de Johanna Konta
46’10” – As mudanças e a polêmica sobre o que a ITF vai fazer com o circuito
52’56” – SporTV e Sony: críticas e elogios às transmissões de Miami

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Por que Kyrgios x Zverev pode ser o Federer x Nadal do amanhã http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/03/31/por-que-kyrgios-x-zverev-pode-ser-o-federer-x-nadal-do-amanha/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/03/31/por-que-kyrgios-x-zverev-pode-ser-o-federer-x-nadal-do-amanha/#comments Fri, 31 Mar 2017 14:53:10 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=4925

O Masters de Miami testemunhou, na noite de quinta-feira, o que pode ter sido o primeiro episódio empolgante da próxima grande rivalidade do tênis mundial. Nick Kyrgios, australiano, 21 anos e #16 do mundo, derrotou Alexander Zverev, alemão, 19 anos e #20 do mundo, em um jogo espetacular, cheio de variações, jogadas espetaculares, discussões com árbitros e match points salvos. É um duelo que tem tudo para acontecer mais vezes e em fases mais importantes de torneios.

“Tem tudo…” é um grande clichê que todo mundo usa o tempo inteiro. Às vezes por preguiça, às vezes por falta de argumento mesmo. É fácil cair diante da tentação de usar uma expressão que supostamente diz muita coisa, mesmo sem especificar nada. Só que no caso de Kyrgios e Zverev, esse “tem tudo” faz sentido. Os dois são tecnicamente admiráveis. Têm slices, spins, bolas chapadas e todo tipo de variação. Ambos também possuem uma característica típica da nova geração: ótima movimentação para sua altura.

Kyrgios tem 1,93m e um saque capaz de acumular 25 aces em dois sets contra Djokovic – a melhor devolução do circuito. Sua mobilidade nunca foi espetacular, mas o australiano, que insiste em não contratar um técnico, decidiu investir em preparação física desde o fim do ano passado. O resultado está se mostrando em quadra. Kyrgios vem chegando mais inteiro em mais bolas. Seu ponto mais frágil, que era sair com pouca frequência da defesa para o ataque, já não é mais tão vulnerável. E isso só tem a melhorar.

Zverev tem 1,98m e um saque capaz de tirá-lo de situações complicadas com frequência. Foi principalmente com ele que o adolescente alemão bateu Roger Federer em Halle, no ano passado, e na Copa Hopman, no início deste ano. Só que Zverev também sabe se defender. Chega em bolas que muitos com sua altura não alcançariam e sabe usar o slice quando necessário para mudar a velocidade do jogo. Há muito tempo o tênis não vê alguém tão jovem com tantos recursos.

Comparar Kyrgios-Zverev a Federer-Nadal talvez seja sonhar muito alto. O clássico entre espanhol e suíço foi (ainda é) muito mais do que uma rivalidade por títulos e rankings. Foi um jogo de contrastes, um duelo que polarizou o mundo. Era o tênis limpo e barishnikovesco de Federer contra a camisa sem manga e suja de saibro de Nadal. Era o metrossexual homem do mundo contra o insular macho man musculoso. Era o penteado capa da Vogue contra o cabelo do Mogli. Era Mercedes contra Kia, Dubai contra Mallorca, Moët & Chandon contra pasta y gambas.

Australiano e alemão, contudo, têm lá seus contrastes interessantes. Zverev é um tenista mais pragmático. Quando precisa, faz só o básico. Kyrgios é o rebelde (aparentemente) incurável que apaga a linha que separa o louco do gênio. Não resiste à tentação de arriscar um golpe improvável, mesmo no mais delicado dos momentos. Em Miami, depois da espetacular passada por baixo das pernas do vídeo acima, o australiano forçou um Gran Willy quando tinha set point contra. Mandou na rede, perdeu o set.

Os dois têm maneiras bem diferentes de se comportar em quadra. Kyrgios é mais tudo. Fala mais, grita mais alto, reclama com mais frequência. Ele leva para a quadra um pouco do swag do basquete, seu esporte referido. Abre os braços de um jeito quase arrogante quando faz um lance de efeito. Chama a galera, ganha os aplausos. Zverev é mais discreto. Comemora consigo mesmo, tenta se manter concentrado falando pouco. A não ser quando a situação pede – como na noite desta quinta. Aí vira circo, no bom sentido da coisa, e é por isso que o mundo já está apaixonado por esse duelo.

Impossível prever o que será da carreira dos dois. Não é a tentativa deste post. Pelo contrário. Este texto é mais torcida do que previsão. Kyrgios e Zverev ainda têm uma geração fortíssima para derrubar. Federer está voando, Murray e Djokovic ainda têm alguns bons anos pela frente, Wawrinka não mostra sinais de queda e Nadal continua forte.

A questão é que fora esses cinco, ninguém atualmente mostra tênis tão versátil e com tanto potencial quanto Kyrgios e Zverev. Os dois podem bater qualquer um jogando de maneiras diferentes, em dias ótimos ou em jornadas não tão boas. E quando (ou “se”) alcançarem o equilíbrio entre físico, maturidade tenística e força mental, serão dificílimos de parar. E aposto aqui minhas pequenas cédulas de Banco Imobiliário que, como Kyrgios pediu no primeiro tweet deste post, as redes sociais vão ficar lotadas de feitos desses dois #NextGênios.

Coisas que eu acho que acho:

– Não, não foi o primeiro jogo entre eles. Quando digo, lá no alto, que pode ter sido “o primeiro episódio empolgante” é porque o primeiro duelo, há duas semanas, em Indian Wells, não empolgou. Terminou sem drama, num 6/3 e 6/4 para Kyrgios.

– Apenas torcendo para que seja uma coincidência feliz: em março de 2004, Nadal venceu o primeiro jogo contra Federer por 6/3 e 6/3. Também sem drama, sem nada realmente memorável. E ninguém imaginava que os dois se enfrentariam tanto, por tanto tempo e com tanta coisa em jogo…

– O que falta para que os dois deem o último grande salto e passem a brigar toda semana com o pessoal do top 5? Para Kyrgios, muito pouco. Com o que vem mostrando este ano, parece ser uma questão de tempo para ele mostrar seu talento com mais consistência, não só nos jogos grandes, mas nas partidas de terças e quartas-feiras sem adversários de nome ou quadras lotadas.

– Para Zverev, acredito que falta um pouco mais. Seu jogo é sólido o bastante. A cabeça, nem tanto. E nem é questão de descontrolar ou de alongar discussões inúteis como Kyrgios faz. O alemão ainda leva um pouco mais de tempo para esquecer erros bobos e superar falhas em momentos importantes. Kyrgios, por sua vez, tem uma capacidade gloriosa de brigar, gritar, quebrar raquetes e jogar o ponto seguinte como se nada tivesse acontecido.

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ITF radicaliza para tentar tornar circuito profissional sustentável http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/03/30/itf-reforma-circuito-tenis/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/03/30/itf-reforma-circuito-tenis/#respond Thu, 30 Mar 2017 15:56:15 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=4920

A Federação Internacional de Tênis (ITF) anunciou, nesta quinta-feira, uma série de grandes mudanças no circuito profissional e no sistema de transição pós-juvenil. A intenção da entidade é reduzir o número de tenistas profissionais a um “grupo verdadeiramente profissional” de cerca de 750 homens e 750 mulheres. Hoje, segundo estimativas da ITF, há por volta de 14 mil tenistas competindo em torneios profissionais, e quase metade desse número é composta por gente que não recebe prêmio em dinheiro.

Como isso vai funcionar? Segundo o comunicado da ITF, os atuais torneios de US$ 15 mil serão reposicionados e deixarão de fazer parte do circuito profissional. Eles passarão a integrar uma “Transition Tour” – turnê/tour de transição — e não distribuirão dinheiro, mas darão pontos de entrada na ITF. Só quem tiver esses pontos de entrada vai poder jogar o circuito profissional. A ITF ainda enfatiza que esses torneio de transição serão realizados em espécies de pequenos circuitos regionais, o que vai diminuir custos para tenistas e organizadores.

Segundo a entidade, essa nova estrutura vai “introduzir um caminho profissional mais claro e eficiente e garantir que o prêmio em dinheiro no circuito profissional da ITF [o atual nível Future da ATP] seja mais bem direcionado para garantir que mais jogadores possam viver do esporte profissional.”

Na prática, a ITF está criando um funil para reduzir também o número de eventos profissionais (leia-se “que distribuem dinheiro”). A consequência mais desejada do processo é fazer com que o prêmio em dinheiro que existe atualmente no circuito seja suficiente para manter esse “grupo verdadeiramente profissional” de jogadores em atividade – mesmo que exista outro efeito cruel, que é tornar o tênis competitivo um esporte de acesso ainda mais complicado.

A ITF diz ter chegado a essas conclusões após um longo processo de análise do tênis que incluiu dados de 2001 a 2013 e entrevistas com mais de 60 mil pessoas no meio do tênis (jogadores, federações, técnicos e promotores). O novo presidente da entidade, David Haggerty, diz que “foi o maior estudo do tênis profissional já feito e que ressaltou os ‘desafios’ (em corporativês, desafio é sinônimo de problemas e defeitos) consideráveis na base de nosso esporte. Mais de 14 mil tenistas competiram no nível profissional no ano passado, e isso é simplesmente demais. Mudanças radicais são necessárias para tratar das questões de transição entre o tênis juvenil e o profissional, viabilidade financeira e custos de torneios.”

Números de 2013 a considerar:

– Segundo o estudo, um tenista homem gastava, em média, US$ 38 mil por ano, enquanto uma mulher precisava gastar US$ 40.180. Esse número inclui voos, hospedagem, comida, encordoamento, lavanderia, roupas, equipamento e transporte, mas não leva em conta gastos com treinadores.

– O chamado “break even point” (quando o tenista pelo menos não perde dinheiro para se manter jogando) era o 336º posto no ranking da ATP. Na WTA, o mesmo era o 253º lugar.

– Um total de 3.896 tenistas homens disputaram torneios profissionais e não receberam prêmio em dinheiro nenhum; no circuito feminino, 2.212 atletas jogaram e não ganharam nada.

– Apenas 1% dos tenistas homens abocanhou 60% (US$ 97.448.106) do total do prêmio em dinheiro (cerca de US$ 162 milhões). Entre as mulheres, o mesmo 1% da elite levou 51% da premiação total (cerca de US$ 120 milhões).

Coisas que eu acho que acho:

– Talvez mais importante do que a ITF tomar medidas para mudar o tênis tenha sido a postura de abrir o jogo, citando números e sem esconder o tamanho da desigualdade no esporte e o quão difícil é sobreviver jogando em torneios pequenos. Os relatórios citam várias estatísticas, ilustradas com gráficos e planilhas de todo tipo. Quem quiser se aprofundar pode ler sobre o circuito profissional aqui e sobre o circuito juvenil aqui. O relatório com as entrevistas dos jogadores está neste link, e as entrevistas com não-tenistas estão aqui.

– Uma dos pontos que achei interessante nas pesquisas de opinião é que 70% dos não-tenistas concordaram que havia uma necessidade de mudar a distribuição do prize money. Entre essas mesmas pessoas, a maioria era favorável a aumentar o dinheiro nas primeira rodadas e reduzir nas fases finais. E a opção menos popular foi eliminar as chaves de duplas.

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Rio vai até Miami em lobby para mudar torneio de patamar http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/03/26/rio-open-lobby-atp-miami/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/03/26/rio-open-lobby-atp-miami/#comments Sun, 26 Mar 2017 10:00:18 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=4916 Não é segredo nenhum que os organizadores do Rio Open querem aumentar o torneio. O evento carioca, um ATP 500, tem o objetivo de saltar de status, seja mudando para um Masters 1000 ou qualquer que seja a denominação a partir de 2019, quando o circuito mundial possivelmente terá um formato bem diferente do atual. A novidade é que agora a cidade do Rio de Janeiro entrou oficialmente na conversa junto à entidade que controla o tênis masculino.

O presidente da Riotur, Marcelo Alves, foi a Miami nesta semana para conversar com a ATP, oficializar o apoio da cidade e do prefeito, Marcelo Crivella, e observar o Masters 1000 que está em andamento. Alves, que é empresário e não político, é o mesmo que, em parceria com Dejan Petkovic e o governo do estado do Rio, trouxe Novak Djokovic para uma exibição com Gustavo Kuerten em 2012 – sim, aquela mesma exibição pela qual o sérvio não recebeu do estado até hoje.

Após uma reunião que contou com o presidente da Riotur, Lui Carvalho, diretor do Rio Open, e Gavin Forbes, representante dos torneios das Américas no conselho de diretores da ATP, falei brevemente por telefone tanto com Alves quanto com Carvalho. As declarações de ambos estão abaixo:

Qual o grande objetivo dessa viagem?
Marcelo Alves: É plantar essa semente do nosso interesse perante a ATP de receber um Masters 1000. Não são decisões imediatas, mas fiquei muito feliz e surpreso com a receptividade com que a diretoria da ATP nos recebeu. Ontem (sexta), fiz um tour técnico em todas as estruturas do evento, hoje (sábado) nós tivemos uma reunião muito positiva e realmente eles ficaram muito surpresos com o nosso interesse. O objetivo era conhecer o evento, conhecer os passos para que a gente possa sonhar ainda mais em receber um Masters 1000. Temos condições, capacidade, estrutura e uma empresa que é credenciada e tem a data no Rio de Janeiro, que faz muito bem o ATP 500, então realmente não deixamos nada a desejar. O primeiro passo é trocar a quadra de saibro para a quadra rápida porque isso vai nos dar um grande plus.

Miami e o Rio Open são dois torneios da IMG. Cogita-se inverter o valor dos torneios ou não é essa a conversa?
MA: Não, não foi em nenhum momento discutido Miami. Não foi nada colocado na mesa sobre Miami. Pelo contrário. O que a gente deseja, primeiro, é trocar a quadra de saibro para a rápida no Parque Olímpico porque isso vai nos dar uma grandiosidade, até porque quando você transforma em quadra rápida, os atletas também virão [organizadores do Rio Open e do ATP de Buenos Aires acreditam que o saibro é um empecilho para atrair grandes nomes numa época do ano entre o Australian Open e os Masters de Indian Wells e Miami – todos em quadras duras]. Isso vai nos dar mais audiência, público e nos credenciar ainda mais para a ATP entender que o ATP que nós fazemos, com essa estrutura e grandiosidade, que um 500 ficou pouco para a gente. E aí transformar em 1000.

Então isso seria para a partir de 2019, que é quando a ATP pode reestruturar o calendário, mudando o formato e as pontuações com mais liberdade?
MA: É isso aí. A semente foi muito bem plantada. Ouvi deles que são apaixonados pelo Rio de Janeiro. Eles têm um carinho muito grande pelo Rio de Janeiro. Foi muito, muito positivo. O Rio de Janeiro não pode pensar em menos do que isso a partir de agora. Começou a história agora. É outro patamar.

Nessa questão, a Riotur atua como representante da prefeitura ou pode agir com interesses diferentes dos do prefeito Marcelo Crivella?
MA: A Riotur é uma empresa pública do turismo da cidade. É totalmente integrado, é uma empresa da prefeitura. O prefeito encara isso como uma das ações emblemáticas. Ele apoia tudo que é emblemático para a cidade e grandioso e, obrigatoriamente, vai refletir em empregos para a cidade. Um evento desse porte tem 14 dias. Gera emprego, receita para a cidade. A vocação da cidade é essa: o turismo. Turismo esportivo, de entretenimento. Claro que ele apoia. Ele é extremamente encantado com esses grandes acontecimentos.

Um Masters no Rio teria que ser no Parque Olímpico…
MA: Sem dúvida nenhuma. Até porque está pronto. Precisamos dar vida ao Parque Olímpico. As quadras estão prontas, é quadra rápida…

A questão é que ainda não se sabe quem vai administrar o Centro Olímpico de Tênis. É uma preocupação de vocês?
MA: É a parte mais fácil de resolver. Hoje, o Parque Olímpico tem três administradores. A parte das arenas é administrada pelo Ministério do Esporte; aquela rua principal é administrada por nós, da prefeitura; e a parte até onde vai ser o Rock In Rio, quem administra é a concessionária que construiu o Parque Olímpico. A gente está em comum acordo, sempre buscando caminhos para movimentar aquela área. Nosso legado está aí. Agora tem que dar vida!

Que tipo de avanço é possível fazer numa reunião assim?
Lui Carvalho: É legar ter a prefeitura se envolvendo, ter todas as esferas juntas com um objetivo comum, que é fazer o evento crescer, seja sendo 500, 1000, 750, ou indo para a quadra dura no Parque Olímpico – todas aquelas coisas que a gente conversou no Rio Open. Crescer não significa necessariamente mudar de status, mas pode ser várias coisas novas que a gente pode criar para o evento. É muito bom que o Marcelo esteja se envolvendo nisso. Ele é um cara do marketing, tem um histórico de empresa de organização de eventos, já trouxe o Djokovic para o Brasil naquela exibição… Ele entende e para a gente é super positivo para ajudar a fazer o evento crescer. Ele está tentando se situar na política da ATP para poder ajudar a gente. Ele sentou com o Fernando Soler, que é o head da IMG, sentou com o Gavin Forbes, que é o board member das Américas, até para entender os próximos passos e quando isso pode acontecer, e foi super positiva a reunião.

O Rio Open já decidiu se vai apresentar de novo ainda este ano, em julho, a proposta para mudar para quadras duras (o torneio fez isso ano passado e não obteve os votos necessários)?
LC: A reunião é na primeira semana de julho, em Wimbledon. A gente ainda está nessa estratégia para saber se a gente tem os votos para mudar para quadra dura. Na verdade, ainda não temos uma posição fixa. A gente veio até Miami para fazer um pouco da politicagem, conversamos um pouco com a galera do tênis, e vamos saber um pouco mais para a frente. O importante é que tudo está correndo bem, a ATP está falando super bem do Rio Open, o Chris Kermode [CEO da ATP] elogiou bastante a gente, então isso é o mais positivo de tudo.

Coisas que eu acho que acho:

– O assunto foi bastante discutido na época do Rio Open. A organização acredita que ter o evento em quadra dura vai ajudar a trazer mais nomes de peso. A opinião é compartilhada por Lui Carvalho, que é quem negocia com atletas e managers, e Gustavo Kuerten. Por outro lado, há quem acredite que a questão geográfica pesa tanto quanto o piso. Ou seja, se o Rio Open mudar para quadras duras, tenistas vão passar a usar a distância e as longas viagens como argumento para continuarem jogando torneios em Roterdã e Dubai.

– Vale lembrar também que o atual modelo do calendário da ATP vale apenas até 2018. Ninguém sabe o que vai acontecer a partir de 2019. Se houver consenso, pode haver todo tipo de alteração, desde a inclusão de novos níveis de torneios (como ATPs 750 e Masters 1500) até alterações radicais nas datas de eventos.

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Quadra 18: S03E04 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/03/21/quadra-18-s03e04/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/03/21/quadra-18-s03e04/#respond Tue, 21 Mar 2017 03:33:25 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=4911 Na ATP, Roger Federer é campeão mais uma vez e com sobras. Na WTA, Elena Vesnina venceu uma final nervosa contra a compatriota Svetlana Kuznetsova. Nas duplas, Marcelo Melo e Lukasz Kubot conseguiram finalmente um grande resultado em 2016. Após a conclusão do torneio de Indian Wells, o podcast Quadra 18 está de volta para comentar o que rolou de mais interessante na Califórnia durante as últimas duas semanas.

Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu falamos do momento “diferente” de Djokovic, da possível arrancada de Nick Kyrgios e das fases nada espetaculares dos atuais números 1 do mundo, Andy Murray e Angelique Kebrer. Também comentamos a polêmica sobre a final russa da WTA – houve quem não gostasse, da chance perdida de Karolina Pliskova e do que esperar de Melo e (principalmente de) Kubot. Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferir baixar e ouvir depois, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Alexandre Cossenza apresenta os temas
0’40” – A campanha de Federer até o título em Indian Wells
5’05” – Existe alguém jogando em nível para parar Roger Federer em 2017?
6’36” – A bolinha é ruim, muito ruim ou ruim pra c…? Algum jogador reclama abertamente disso em Indian Wells?
8’12” – As campanhas de Murray e Djokovic, e o que faz mais falta ao Nole?
11’06” – É o começo do “deslanchar” de Nick Kyrgios?
13’13” – Já devemos nos preocupar com o futuro de Murray na temporada?
15’15” – Sheila Vieira e o fã clube de Stan Wawrinka
17’05” – California Gurls (Katy Perry)
17’32” – O título feliz da feliz e carismática Elena Vesnina
21’33” – A chave menos complicada de Svetlana Kuznetsova
22’11” – Karolina Pliskova e uma chance perdida
23’12” – Vesnina x Kuznetsova é uma final ruim para o tênis feminino?
27’28” – O momento de Angelique Kerber e sua volta ao posto de número 1
29’20” – Murray e Kerber estão decepcionando como líderes do ranking?
31’05” – Queen of California (John Mayer)
31’33” – Melo e Kubot engrenam depois do vice em Indian Wells?
37’48” – Kubot é o novo Peya?
38’09” – A boa campanha de Soares e Murray em uma chave duríssima
40’11” – Mahut, Kontinen e a briga pelo número 1 de duplas
42’25” – Miami e as ausências de Serena, Murray e Djokovic
43’44” – Quem quer vencer slam precisa abrir mão de jogar Masters 1.000?
45’13” – Bia Haddad Maia e seu convite para o WTA de Miami

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Precisamos considerar a hipótese de Federer como número 1 outra vez http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/03/19/federer-chance-numero-1-outra-vez/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/03/19/federer-chance-numero-1-outra-vez/#comments Mon, 20 Mar 2017 00:00:53 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=4900

Tudo bem, são só dois meses e meio de temporada. Tudo bem, Andy Murray ainda lidera o ranking mundial com folga. A contar desta segunda-feira, 20 de março, o britânico tem mais de 3 mil pontos sobre Novak Djokovic, o vice-líder. Só que esses dois meses e meio incluíram um slam, um Masters 1000, e Roger Federer venceu ambos. Não dá para jogar o assunto para baixo do tapete. Já é preciso considerar a possibilidade de ver o suíço como número 1 do mundo mais uma vez.

Não só pelo começo de ano estrondoso do suíço. Novak Djokovic ainda não fez nada de relevante em 2017, e o máximo que Andy Murray conseguiu foi vencer um ATP 500. O britânico caiu na estreia em Indian Wells e não estará em Miami. O sérvio, eliminado nas oitavas na Califórnia, também será ausência na Flórida. Enquanto isso, Federer viaja embalado, dono do melhor tênis jogado no ano.

Ainda faltam três slams, oito Masters 1.000 e um ATP Finals. Ninguém está dizendo que é provável ou muito provável a volta de Federer ao topo. Mas talvez seja um momento bom para observar o que joga a favor ou contra esse cenário.

O que ajuda

– O que já aconteceu: Federer jogou três torneios, ganhou dois e somou 3.045 pontos. O segundo colocado no ranking da temporada é Nadal, com 1.635 – pouco mais da metade. É de se esperar que Djokovic e Murray somem mais pontos nos próximos meses. Até agora, contudo, o sérvio somou só 475, enquanto o britânico acumula 840. A vantagem do suíço é considerável.

– O pequeno desgaste: Não dá para dizer que Federer está cansado. Até agora, esteve em três torneios. Perdeu na segunda rodada em Dubai e ganhou AO e IW, dois eventos com um dia de intervalo entre a maioria dos jogos. Na Califórnia, venceu uma partida por WO e só entrou em quadra cinco vezes. Não jogou três sets nenhuma vez, e a apresentação mais longa durou 1h34min. Resumindo? Somando o estilo de jogo “econômico” para o corpo e a facilidade das vitórias recentes, o suíço está em ótima forma e sem desgate acumulado.

O que pode jogar contra

– A idade é sempre o primeiro ponto de interrogação. Lesões são mais frequentes quando um atleta tem 35 anos. Embora não lide com nenhum incômodo no momento, esse tipo de coisa acontece sem aviso. Foi assim ano passado. Oficialmente, o problema no joelho, aquele que exigiu uma cirurgia e deixou o suíço seis meses sem jogar, começou fora de quadra.

– O calendário reduzido. Quanto menos torneios, menor a margem para atuações ruins. Federer já avisou que vai jogar menos em 2017, mas ainda não está claro o quão enxuta será a lista de eventos. Ele vai cortar a temporada de saibro inteira? Parece improvável. Ficará fora de algum outro Masters 1000? Possivelmente, mas de quantos? Ninguém sabe ainda.

Administrando as expectativas

Federer e qualquer outro tenista sabem a loucura que é repercussão quando alguém diz “vou atrás do número 1”. Por isso, o discurso padrão do Big Four quase sempre foi “o ranking não é minha prioridade”, “quero jogar bem”, “se estiver jogando bem, o ranking vai refletir isso”, etc. e tal. A versão atual do suíço não é muito diferente. Após vencer a semi, Federer disse com todas as letras que há uma possibilidade e que ele adoraria ser número 1 de novo. Mas isso tudo vem numa análise realista de suas chances e numa tentativa de conter a expectativa. Leiam:

“Como não vou jogar muito, é de se imaginar que eu precisaria ganhar provavelmente outro grand slam para isso acontecer. Como já tenho um no bolso, acho que existe uma possibilidade. Além disso, estou jogando bem aqui, fora dos grand slams, mas os slams dão tantos pontos que é provavelmente onde eu teria que ir longe mais uma novamente. E um talvez não seja suficiente porque eles vão elevar seu nível de jogo.”

“Eles vão elevar seu nível e vão ganhar torneios de novo. Então só porque Novak pode não jogar em Miami e porque Andy não vai e estou na final aqui, não muda nada no meu calendário. Eu adoraria ser número 1 outra vez, mas qualquer coisa que não seja número 1 do mundo não é interessante para mim. Então é por isso que o ranking não é uma prioridade agora. É ficar saudável curtir os torneios que eu jogar e tentar vencê-los.”

Entre o possível e o provável

É claro que é cedo para fazer previsões e dizer que Federer tem uma enorme chance de voltar ao topo do ranking. O que não se pode fazer é, diante de seu altíssimo nível de jogo e do começo de ano pouco empolgante de Murray e Djokovic, ignorar essa possibilidade. Se o próprio suíço hoje em dia adota cautela, é de se esperar que a postura mude à medida em que o número 1 começar a se tornar algo palpável. Até o calendário enxuto pode ganhar umas datas a mais. O certo é que hoje essa hipótese não pode ser ignorada. Quem sabe?

Coisa que eu acho que acho:

– Sobre o calendário reduzido de Federer, não me parece nada impossível que ele alcance o número 1 jogando de 13 a 15 torneios na temporada. Quinze parece um número bastante razoável, nada exagerado, e não deve ser muito menos do que Djokovic, Murray e Nadal disputarão. Basta lembrar que em 2016, sem contar os Jogos Olímpicos e a Copa Davis (que não contam pontos para o ranking mundial), Murray esteve em 16 torneios, enquanto Djokovic disputou 15.

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Um sinal animador para Marcelo Melo http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/03/19/melo-kubot-indian-wells/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/03/19/melo-kubot-indian-wells/#comments Sun, 19 Mar 2017 23:17:39 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=4902

Marcelo Melo e Bruno Soares, os dois que apostaram em Acapulco como adaptação às quadras duras e preparação para Indian Wells, tiveram seus planejamentos recompensados. Soares, campeão no ATP 500 mexicano, somou sete vitórias consecutivas ao lado de Jamie Murray até ser eliminado nas semifinais em India Wells. E seu algoz na Califórnia foi o conterrâneo. E é justamente a parceria Melo/Kubot o assunto mais interessante no momento.

Depois de um início de ano sem os resultados desejados, Melo finalmente encaixou uma boa semana ao lado de Lukasz Kubot. Brasileiro e polonês estiveram perto do título, mas foram derrotados de virada por Rajeev Ram e Raven Klaasen por 6/7(1), 6/4 e 10/8.

Kubot fez um primeiro set excelente e foi o melhor em quadra durante o primeiro tie-break. O polonês só não manteve o nível altíssimo e acabou dando três pontos de graça no match tie-break. Errou dois voleios fáceis, devolvendo mini-breaks, e ainda jogou na rede uma devolução de segundo saque no 7/8. As falhas custaram caro, e Kubot parecia saber disso na cerimônia de premiação.

Embora a semana tenha terminado com uma derrota doída, Melo e Kubot talvez tenham encontrado o sinal que precisavam para levar a parceria além de Miami. Após o Australian Open e, mais tarde, depois do Rio Open (vide aspas abaixo), o mineiro disse que era preciso encontrar um equilíbrio na dupla e que jogar com agressividade excessiva (como Kubot faz boa parte do tempo) deixava o time vulnerável diante de duplas contra as quais deveria ser favorito.

“Normalmente, eu me adapto muito bem [a parceiros de estilos diferentes], mas não adianta a gente jogar muito kamikaze e bomba pra todo lado. Eu gosto de um jogo mais controlado, mais sólido. Às vezes, com menos velocidade e mais porcentagem. A gente precisa encontrar esse balanço porque eu sou mais desse estilo. O Lukasz é mais agressivo. Tem dia que não entra a bola e nós vamos perder para qualquer dupla! Nós precisamos encontrar esse equilíbrio para ver se a gente consegue manter a dupla – para evoluir porque tem que tentar até certo ponto encontrar esse equilíbrio, senão não adianta seguir.”

Resta saber se o vice em Indian Wells é o início de um momento interessante e que pode levar a bons resultados ou se foi uma campanha isolada que, vista com otimismo excessivo, pode fazer os dois continuarem juntos por mais tempo do que o ideal, atrasando a vida de ambos. Miami vem aí para ajudar a esclarecer o tema.

Coisa que eu acho que acho:

– Sobre os altos e baixos do kamikaze Kubot, a impressão que tenho é que isso tudo vem no pacote com o polonês. Ele vai fazer jogos ótimos nos dias bons, mas também vai cometer duplas faltas em sequência nos dias ruins. Não adiante, por exemplo, culpá-lo pela derrota deste sábado. Talvez sem ele, a dupla nem tivesse vencido o primeiro set. Tudo é questão de avaliar o custo-benefício e ver se vale a pena investir no produto.

– Podem reclamar e dizer quanto quiserem que Marcelo Melo e Bruno Soares deveriam ter feito mais esforço, que não foram patriotas e tudo mais porque não jogaram em São Paulo, no Brasil Open. Já debati este tema num post anterior e, depois, no podcast Quadra 18. Agora, vendo os resultados em Indian Wells, fica ainda mais clara a lógica por trás da opção por Acapulco. Não há o que questionar.

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Quadra 18: S03E03 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/03/11/quadra-18-s03e03/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/03/11/quadra-18-s03e03/#respond Sat, 11 Mar 2017 23:46:53 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=4892 Rio Open, Brasil Open e o começo de Indian Wells. O podcast Quadra 18 demorou, mas finalmente está de volta, falando sobre um pouco de tudo que aconteceu nas últimas três semanas de tênis. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu discutimos assuntos “quentes” como os problemas físicos de Thomaz Bellucci, os wild cards para Maria Sharapova, a opção de Bruno Soares e Marcelo Melo por Acapulco em vez de São Paulo, o momento de Novak Djokovic, o futuro do Rio Open e até por onde anda o comentarista do SporTV Dácio Campos.

Para ouvir, basta clicar no player abaixo. Se preferia baixar para ouvir em casa, clique neste link com o botão direito do mouse e selecione “salvar como”.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Sheila Vieira apresenta os temas
2’02” – A estreia de Bellucci contra Nishikori, e a dura adaptação do japonês
4’45” – Os problemas físicos de Bellucci contra Thiago Monteiro
5’48” – O quanto foi ruim enfrentar Monteiro logo após derrotar Nishikori
6’18” – O “surgimento” de Casper Ruud
7’50” – A história de Christian Ruud, pai de Casper, que enfrentou Guga e Meligeni
8’25” – O título sem ameaças de Dominic Thiem
10’53” – Por que Carreño Busta e Ramos Viñolas são pouco reconhecidos?
12’20” – A chave de duplas e o carisma de Jamie Murray
14’23” – Marcelo Melo e suas declarações sobre a parceria com Lukasz Kubot
19’00” – O primeiro Rio Open sem WTA foi melhor ou pior?
23’27” – Pablo Cuevas, o título do Brasil Open e a chuva interminável
25’53” – Os problemas físicos e a falta de motivação de Thomaz Bellucci
27’08” – Por que tenista são “julgados” quando entram em quadra mal fisicamente?
28’45” – A boa chave do Brasil Open apesar da péssima data no calendário da ATP
30’17” – O título de Rogerinho e André Sá, e a ascensão de Demoliner nas duplas
32’47” – André Sá voltará a jogar com Leander Paes?
33’50” – A opção de Bruno e Marcelo por jogam em Acapulco em vez de São Paulo
37’08” – O bairrismo Rio-São Paulo
38’00” – Comparando Guga no Sauípe e Bruno/Marcelo em Acapulco
39’38” – Under the Bridge (Red Hot Chilli Pepers)
40’10” – Indian Wells e o quadrante com Djokovic, Delpo, Nadal, Federer, Kyrgios e Zverev no mesmo quadrante
42’40” – O mantra “o que está acontecendo com Djokovic?”
44’50” – Nadal em Acapulco, Murray e Federer em Dubai
46’21” – “Eu espero dignidade de Marin Cilic”
47’37” – Quem ganha o Masters de Indian Wells? Hora dos palpites!
48’43” – É justo Sharapova receber convites após a suspensão por doping?
55’18” – Serena Williams, mais uma lesão e como a chave mudou sem ela
57’37” – Palpites: quem é a favorita para o WTA de Indian Wells?
59’10” – A chave de Djokovic pode fazer ele atuar como Serena no AO 2017?
59’38” – A falta de público no Rio Open é culpa da organização ou da falta de tradição brasileira no tênis?
61’20” – O Brasil Open soluciona problemas melhor do que o Rio Open?
61’44” – Por onde anda Dácio Campos? Ele vai comentar Indian Wells?
62’37” – Kerber voltará dignamente ao #1? Veremos evolução no jogo dela?
63’45” – Há alguma chance de Melo não completar a temporada com Kubot?
63’57” – O Rio Open pode virar Masters 1000? Qual a chance de virar piso duro?
66’45” – Os valores de ingressos em Rio e SP valeram pelos atletas que vieram e pelo tênis jogado?

Importante:

– Tivemos problemas de som no meu áudio durante a gravação. Por isso, algumas das minhas falas estão incompletas. Pedimos desculpas, mas os cortes no meu áudio só foram percebidos durante a edição.

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O balanço brasileiro no saibro http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/03/07/o-balanco-brasileiro-no-saibro/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/03/07/o-balanco-brasileiro-no-saibro/#comments Tue, 07 Mar 2017 13:27:16 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=4885

Com o fim do tardio do Brasil Open, parece o momento ideal para fazer um balanço da participação brasileira na perna sul-americana do circuito mundial, que, por enquanto, ainda é toda disputada em quadras de saibro. Digo “ainda” porque, como os leitores do blog sabem, Rio e Buenos Aires estão em busca de aprovação para mudarem para quadras duras.

O motivo carioca/portenho não tem a ver com as campanhas de brasileiros e argentinos. A ideia é conseguir trazer mais nomes de peso. Diretores dizem que o principal argumento de quem não quer vir até aqui é a mudança de piso entre o Australian Open e o Masters de Indian Wells. Mas enquanto a alteração não sai, será que os brasileiros vêm aproveitando o piso mais favorável a seu jogo?

Depois de Quito, Buenos Aires, Rio de Janeiro e São Paulo, dá para dizer que não foi a pior das campanhas brasileiras. Não que tenha sido espetacular. Bellucci, principalmente, poderia ter tirado muito mais de Rio e São Paulo não fossem seus problemas físicos e, ao que parece, de motivação. Vejamos um por um:

Thomaz Bellucci

Como nos dois anos anteriores, o paulista fez boa campanha em Quito. Só perdeu – pela terceira vez seguida – para Vitor Estrella Burgos, o veterano que acabou conquistando o tricampeonato no Equador. Caso curioso, não tão fácil de explicar/entender, mas que precisa entrar para a coluna das “chances perdidas”.

No Rio, Bellucci eliminou o cabeça 1 na estreia, empolgou a torcida e decepcionou no jogo seguinte. No meio do segundo set contra Thiago Monteiro (jogo à noite, 27 graus), o paulista já esteve pregado. Saiu de quadra dizendo “morri” com todas as letras. Depois, em São Paulo, também teve problemas físicos (de outro tipo) na derrota para Schwartzman. Após o revés, deu uma declaração um tanto preocupante. Falou que precisa “reencontrar a alegria e a motivação de estar na quadra que só o dia a dia vai me dar. Tenho que pensar no que a gente tem que fazer para dar a volta por cima.”

De qualquer modo, mesmo com a vitória sobre Nishikori e uma semi em Quito, fica a impressão de que poderia ter sido muito melhor. É duro afirmar, mas é o mesmo que pode ser dito sobre muitos momentos da carreira de Bellucci.

Thiago Monteiro

Talvez tenha sido o momento de consolidação do cearense. Um ano depois de “surgir” ao bater Tsonga no Rio, Monteiro fez uma turnê sólida, com quartas de final em Buenos Aires e no Rio. Perdeu na estreia em Quito e em São Paulo, mas em condições difíceis. Jogou contra Giovani Lapentti na altitude e contra Carlos Berlocq (seu algoz também em Buenos Aires) no Pinheiros.

Ao todo, nada mau. Os ATPs, no entanto, deixaram mais visíveis os buracos no jogo do cearense. Berlocq deixou clara a necessidade de Monteiro melhorar junto à rede. O argentino venceu uma enorme maioria de pontos quando variou e tirou Thiago do basicão “distribuindo-pancada-do-fundo”. No Rio, Ruud expôs as falhas na devolução do cearense. Monteiro não conseguir entrar em um número razoável de pontos no serviço no norueguês.

Monteiro sabe quanto e onde precisa evoluir. Ele mesmo falou sobre isso na última coletiva que deu no Rio de Janeiro. Há tempo para isso. É questão de trabalhar e pensar no jogo como um todo – e não só na pancadaria do fundo de quadra.

Rogerinho

O paulista esteve nos quatro ATPs, inclusive furando o quali em Buenos Aires, mas não conseguiu vencer nenhum jogo em chaves principais. O mais perto que chegou disso foi quando teve dois match points contra Alessandro Gianessi na Argentina. Não dá para dizer que foi uma passagem trágica de Rogerinho pela América do Sul, mas ele teve jogos ganháveis e não aproveitou. Também entra para a coluna de chances não aproveitadas.

Feijão

João Souza também esteve nos quatro ATPs, mas ficou no quali em Buenos Aires (perdeu para Rogerinho) e só venceu um jogo em São Paulo (contra Zeballos na estreia). E se não dá para condená-lo pelas derrotas para Pablo Carreño Busta (Rio e SP), esperava-se mais de seu jogo na altitude de Quito. A derrota na estreia para Federico Gaio não foi o melhor dos resultados.

Bruno Soares

O mineiro só jogou um torneio no saibro. Foi no Rio, onde ele e Murray perderam nas semifinais, quando até tiveram um match point contra Carreño Busta e Pablo Cuevas. Um resultado bom, considerando que Soares ficou dez dias no Rio de Janeiro, mas passou a maior parte do tempo dando entrevistas, participando de eventos com fãs, dando clínicas e aparecendo para seus patrocinadores.

Depois do Rio, o mineiro foi para Acapulco, jogar um ATP 500 na quadra dura, em vez de jogar no Brasil Open, em São Paulo, no saibro. A decisão provocou críticas públicas de Flávio Saretta em uma sequência de tweets.

“Semana de Brasil Open! Torneio que existe desde 2001! Sempre muito valorizado pelos tenistas brasileiros!! Tão valorizado que até o número 1 do mundo jogava! E tive a noticia que Marcelo e Bruno Soares optaram por jogar em Acapulco. Gosto dos dois desde sempre, mas não posso concordar com essa decisão e atitude! Sabemos das imensas dificuldades de se fazer um torneio ATP no Brasil pelos custos, etc! Sempre valorizamos demais esse torneio no Brasil! Um orgulho jogar um ATP no nosso país!! Por isso confesso que achei um absurdo os dois jogarem no México e não no Brasil! Fora a troca que é estar perto de quem torce por vc e não tem a oportunidade de ver vc jogar de perto!!! Escolha errada dos dois! Uma pena…”

Sim, seria ótimo ter Soares e Marcelo Melo (que também foi a Acapulco) jogando mais uma semana no Brasil, mas é preciso entender os motivos de ambos. Primeiro, os dois preferem jogar em quadras duras. Não por acaso, Bruno venceu dois Slams no piso ao lado de Jamie no ano passado. Mas não é só isso. Além de Acapulco ser um torneio mais importante, é uma semana de jogos na quadra dura antes de um evento ainda maior: o Masters de Indian Wells, no piso sintético.

Dizer que Soares e Melo precisariam fazer mais esforço para jogar no Brasil me parece forçar a barra. Os dois, afinal, estiveram no Brasil. E Bruno, especialmente, fez todo tipo de atividade para divulgar o torneio, o tênis e seus patrocinadores. O torcedor brasileiro teve a chance de vê-los. Só quem não foi ao Rio (caso de Saretta) ou não ficou a semana inteira não viu isso.

Além disso, os dois mineiros deveriam ter um pouquinho mais de crédito (é só minha opinião). Soares jogou o Brasil Open todos os anos desde 2009. Sempre trouxe seus parceiros. Foi campeão três vezes e, na maioria das vezes, atuou em quadras secundárias – inclusive naquele precário e improvisado Mauro Pinheiro. Em um de seus títulos, fez apenas um jogo na quadra central (a final). Melo viveu situações parecidas e, até este ano, só havia ficado ausente em 2014.

Por fim (não que o resultado mudaria algum dos argumentos acima), Soares e Murray foram campeões em Acapulco, somando 500 pontos e ganhando embalo antes do primeiro Masters 1.000 do ano.

Marcelo Melo

O mesmo caso de Bruno, só que com um agravante. Marcelo e seu parceiro, Lukasz Kubot, ainda não encontraram ritmo. E como jogam melhor em quadras duras, estavam em Roterdã (um ATP 500) em vez de Buenos Aires. No Rio, perderam para Peralta e Zeballos nas quartas. Depois, partiram para Acapulco, onde caíram na estreia diante de Santiago González e David Marrero.

Depois do Australian Open, Melo já dizia no “Pelas Quadras”, da ESPN, que era preciso encontrar um equilíbrio na parceria. A queixa (velada) era em respeito ao jogo kamikaze de Kubot. No Rio, o mineiro deu declarações parecidas. Disse que gosta de um jogo com menos velocidade e mais equilibrado e deu a entender que o Masters de Miami será o momento para avaliar se o time com Kubot tem futuro.

André Sá

Jogou com Tommy Robredo em Buenos Aires e no Rio e caiu na estreia em ambos. Em São Paulo, ao lado de Rogerinho, foi longe e conquistou o título. Saiu do saibro levando 250 pontos, o que não é nada ruim.

Marcelo Demoliner

Fez Buenos Aires-Rio-SP com seu parceiro habitual, o neozelandês Marcus Daniell. Também passou em branco na Argentina e no Rio. Também foi à decisão no Pinheiros. Somou 150 pontos.

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Sharapova e os convites da discórdia http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/03/02/sharapova-doping-wild-cards-murray/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/03/02/sharapova-doping-wild-cards-murray/#comments Thu, 02 Mar 2017 20:46:11 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=4878

Suspensa desde janeiro de 2016 após exames antidoping realizados no Australian Open apontarem a presença da substância proibida meldonium, Maria Sharapova voltou a ser o centro de discórdias nesta semana. O gancho da russa terminará em abril, e a ex-número 1 já tem garantidos wild cards para disputar os WTAs de Stuttgart, Madri e Roma. A polêmica fica por conta de quem acredita que um atleta punido por doping não deveria receber convites – opinião compartilhada pelo número 1 do mundo, Andy Murray, e pelo novo presidente da Federação Francesa de Tênis (FFT), Bernard Giudicelli.

Os wild cards (na essência, convites da organização) são essenciais para Sharapova porque a russa ficou mais de um ano suspensa. Logo, já perdeu todos os pontos no ranking e não conseguiria sequer vagas no qualifying para disputar torneios de alto nível. Pela regra, como ex-número 1 do mundo e campeã de slam, a russa tem direito a WCs ilimitados. Pode jogar quantos eventos puder, desde que os organizadores concedam o benefício. Mas não é o regulamento que está em discussão (ainda?). A questão, para Murray e Giudicelli, é moral.

Murray deu uma entrevista ao Times dizendo que deveria ser preciso ralar na volta. “Porém, a maioria dos torneios vai fazer o que é melhor para o seu evento. Se eles acham que grandes nomes vão vender mais ingressos, eles vão fazer isso.” O argumento do escocês deixa implícito que o retorno sem ranking é – ou deveria ser – uma parte da punição por doping. Afinal, de que adianta fazer o tenista perder seus pontos se ele consegue entrar em qualquer torneio quando acaba a suspensão? É um ponto de vista válido e levanta uma questão: será que os regulamentos deveriam ser revistos nesse quesito?

O presidente da FFT também aborda a questão moral, embora por outro lado. Ele argumenta que “não podemos investir um milhão e meio de euros na luta contra o doping e acabar convidando uma jogadora condenada pelo consumo de uma substância proibida.” Ele e Murray atacam o mesmo ponto, mas por ângulos diferentes. E a declaração do cartola francês deixa no ar que Sharapova pode não receber o convite e ficar fora de Roland Garros.

O outro lado da questão é que, tecnicamente falando, ninguém está impedido de convidar Sharapova para jogar, dançar valsa ou sapatear na cara da sociedade. Nenhuma regra impede wild cards para tenistas que voltam de suspensão por doping. O caso da russa, aliás, não é o primeiro. Viktor Troicki, suspenso por violar o código antidoping, recebeu convites para os ATPs de Gstaad e Pequim logo que voltou, em 2014. Há, no entanto, uma diferença grande entre os dois casos. O sérvio nunca testou positivo. Sua suspensão veio porque, segundo a ATP, ele se negou a fazer um exame durante o Masters de Monte Carlo. Sharapova foi, sim, flagrada com uma substância proibida.

Entre morais e regras, uma coisa é certa: todas posições e decisões que envolveram o doping de Sharapova até agora têm a ver com dinheiro. Desde a posição/omissão do presidente da WTA, Steve Simon, cauteloso para não ofender os fãs da russa e não virar contra a WTA uma máquina de fazer dinheiro, incluindo patrocinadores que ameaçaram debandar mas continuaram ao lado da russa (apesar da suspensão de 15 meses), e chegando, finalmente, aos torneios distribuindo wild cards em nome do espetáculo.

Por enquanto, só se manifestou contra a russa quem não tem interesse financeiro na coisa. Andy Murray, despreocupado com o politicamente correto, deu uma declaração abrangente, que não inclui apenas Sharapova, mas que afeta a russa e, certamente, incomodou fãs de tênis (e também fãs apenas da russa) mundo afora. O presidente da FFT, por sua vez, sabe que Roland Garros não perde sem Maria ou quem quer que seja. Slams são slams, não importa quem joga. O torneio de 2016 não foi menos revelante sem ela ou até mesmo Roger Federer. O dinheiro entra de qualquer modo.

Difícil prever a esta altura o que será do retorno de Sharapova, mas se os interesses financeiros continuarem dando as cartas, é bem possível que a russa ganhe todos convites que pedir e, ainda assim, fique fora de Roland Garros – e, dependendo de seu ranking, de Wimbledon também.

Coisas que eu acho que acho:

– De qualquer maneira, Sharapova terá a chance de entrar em Roland Garros por méritos próprios. Para isso, precisa alcançar a final do WTA de Stuttgart. Assim, terá ranking para disputar o qualifying em Paris. Os pontos de Madri e Roma não contarão a tempo do slam francês, mas serão essenciais mais tarde, na definição da chave principal de Wimbledon.

– Tudo leva a crer que, para evitar alimentar o debate, Wimbledon anunciará sua posição no último minuto – se necessário. Afinal, não é tão improvável assim que Sharapova consiga pontos suficientes para estar na chave principal em Londres. A estimativa é de que ela consegue entrar direto se alcançar cerca de 650 pontos.

– É outro caso de moral/dinheiro, mas o mais estranho disso tudo, para mim, é mexer na programação de um torneio inteiro para facilitar a vida de um tenista que volta de suspensão por doping. Vai acontecer em Stuttgart. O torneio começa dia 24 de abril, mas Sharapova só estará apta a jogar no dia 26 (até o dia 25, ela não pode sequer pisar no local do evento). Com isso, um jogo de primeira rodada terá de ser realizado só na quarta-feira, quando o torneio normalmente já estaria nas oitavas de final. E, dependendo do sorteio, isso pode fazer com que uma cabeça de chave estreie apenas na quinta-feira (a chave lá tem 28 tenistas). Não seria inédito, mas tendo em mente o motivo para isso, pode incomodar bastante alguém se acontecer. De qualquer maneira, a Porsche, patrocinadora máster do evento, é também patrocinadora de Sharapova. E aí qualquer discussão sobre moral ou valores acaba sendo jogada janela afora.

– Um ponto curioso aqui é não vi ninguém citando o “benefício da dúvida” no caso do doping de Sharapova. A russa alegou que não sabia que meldonium havia entrado na lista de substâncias proibidas e isso foi levado em conta na arbitragem que diminuiu sua punição. O que talvez pese contra a ex-número 1 no meio tenístico é que ela sabia que o meldonium lhe dava benefícios físicos, por isso tomava doses maiores em partidas mais importantes – e isso foi constatado no julgamento. Mas se um diretor de torneio acredita genuinamente que Sharapova não se dopou de propósito, parece um tanto justo que um wild card funcione como instrumento do “benefício da dúvida”.

– Há alguma instabilidade no blog quanto aos links, mas todos estão ativos. Quem tiver interesse em ler os textos linkados aqui só precisa copiar e colar em outra aba de navegação.

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