Saque e Voleio http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br Se é sobre tênis, aparece aqui. Sat, 27 May 2017 18:01:59 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Roland Garros 2017: o guia delas http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/27/roland-garros-2017-o-guia-delas/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/27/roland-garros-2017-o-guia-delas/#respond Sat, 27 May 2017 18:01:59 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5111

Desfalques, lesões e inconsistência. Num cenário sem Serena Williams (grávida), Maria Sharapova (ranking), Victoria Azarenka (mãe) e com tenistas enfrentando problemas físicos como Simona Halep (tornozelo), Muguruza (pescoço), Wozniacki (costas) e Laura Siegemund (joelho – não joga), a chave feminina de Roland Garros, que nunca foi das mais previsíveis mesmo nas condições normais de temperatura e pressão, tornou-se uma oportunidade gigante para quem conseguir jogar bem nos próximos 15 dias.

Mesmo diante de tanta incerteza, este guiazão feminino tenta analisar chaves e encara o árduo exercício de imaginar o que pode acontecer nas próximas duas semanas em Paris. Dos ótimos jogos da primeira rodada até as surpresas mais prováveis (ou menos improváveis?). Role a página, embarque nesse exercício e, depois, fique à vontade para deixar seus palpites no box de comentários.

As quatro cabeças

Não é todo dia que a número 1 do mundo fica fora da lista das cinco mais cotadas a um título, mas é este o caso de Angelique Kerber, que chega a Roland Garros levando nas costas apenas duas vitórias e três derrotas no saibro europeu. Não que seja muito diferente dos resultados anteriores da alemã em 2017. Angie fez apenas uma final – no modesto WTA de Monterrey – e acumulou 19 triunfos e 12 reveses até agora. Muito pouco para quem foi a atleta mais consistente de 2016 e ganhou dois slams assim.

Nem o sorteio ajudou sua causa em Paris. A começar pela estreia contra Ekaterina Makarova que, se não é uma grande saibrista, é uma rival que ninguém gosta de enfrentar. Em um dia bom, todo cuidado é pouco para Kerber. Se vencer, a alemã pode encarar Ostapenko, Puig ou Vinci na terceira rodada; Stosur/Kvitova nas oitavas; e Kuznetsova/Bertens/Zhang/Wozniacki nas quartas. Garbiñe Muguruza é a favorita a estar na semifinal. Caminho duro, não? Somando a fase nada animadora à chave fica fácil entender a pouca fé das casas de apostas em Kerber.

Karolina Pliskova fazia uma ótima temporada em 2017 (quartas em Melbourne, título em Doha, semi em Indian Wells e Miami) até chegar à temporada de saibro. No piso que desfavorece seu jogo reto e de saques potentes, a tcheca perde suas maiores armas. Na terra batida, venceu quatro jogos e perdeu outros quatro. E a número 2 do mundo também ficou fora da lista das cinco mais cotadas ao título.

Se serve de consolo, a chave da tcheca é, digamos, acessível. Zheng na estreia, Alexandrova ou Siniakova na sequência, Davis/Witthoeft/Khromacheva/Parmentier na terceira rodada. Não é a mais dura das primeiras semanas. A coisa complicaria a partir das oitavas, com Vandeweghe ou Pavlyuchenkova (Safarova também está nesse bolo). Mesmo assim, as principais cabeças que podem chegar nas quartas seriam Radwanska e Konta. Svitolina e Halep estão na parte de cima, e espera-se que uma das duas esteja na semifinal. Não é nada impossível que Pliskova vá longe no torneio. Depende do que ela vai conseguir fazer para maximizar suas armas no piso mais lento.

Chegamos, então, à grande favorita: Simona Halep. Sim, a romena, que ainda não tem um título de slam no currículo, é a mais cotada para faturar Roland Garros. E seria mais favorita ainda não fosse por uma lesão no tornozelo sentida na final do WTA de Roma, há uma semana. Na entrevista de sexta-feira, Halep disse que estava melhorando e que esperava estar em condições de competir.

No momento, seu tornozelo é uma incerteza maior do que seu tênis. Halep, afinal, foi campeã em Madri e vice em Roma (quando sentiu a lesão). Além disso, perdeu na semi em Stuttgart para a campeã, Laura Siegemund. É inquestionável que a atual número 4 do mundo (e cabeça 3 em Paris) foi quem mostrou mais tênis até agora no saibro. E sua chave até ajuda na primeira semana, que é justamente o período em que ela pode readquirir confiança no tornozelo. Estreia contra Cepelova e, se vencer, pega Ying-Ying Duan ou Tatjana Maria. Kasatkina é a cabeça de chave que pode estar na terceira rodada. Nas oitavas, Vesnina ou Suárez Navarro.

A lamentar mesmo, como Sheila Vieira disse no podcast Quadra 18 pré-Roland Garros, só o fato de que Elina Svitolina, a campeã de Roma, está no mesmo quadrante. Ou seja, Halep enfrentaria a ucraniana já nas quartas. Só depois pegaria a vencedora do grupo encabeçado por Pliskova e Konta. Diante de tudo isso, não dá para dizer que Halep é uma aposta segura, mas se seu tornozelo não atrapalhar, a romena é certamente o menos inseguro dos palpites para o título.

E o que dizer da atual campeã de Roland Garros, Garbiñe Muguruza? A espanhola atropelou Serena Williams na final do ano passado e, desde então, alternou entre bons resultados e derrotas decepcionantes. Não faz uma final desde então e, para quem tem um jogo com armas tão poderosas, não vem correspondendo às expectativas nem no saibro este ano. Perdeu na estreia em Stuttgart e Madri e foi à semi em Roma, mas oscilando além da conta.

O sorteio lhe colocou diante do jogo mais interessante da primeira rodada: é contra Francesca Schiavone, que não pode ser descartada nunca. A italiana, com 36 anos e atual #76 do mundo, foi campeã em Bogotá e vice em Rabat. Ambos no saibro. Se passar, Muguruza pega possivelmente Kontaveit/Niculescu (cuidado com a romena) na segunda rodada, Putintseva na terceira e Mladenovic/Lucic-Baroni nas oitavas. Está longe de ser um caminho fácil de trilhar. Talvez por isso a espanhola seja apenas a terceira mais cotada ao título.

A melhor história

No fim do ano passado, ela foi assaltada em casa e, quando tentava se defender, terminou com uma lesão séria em um tendão da mão esquerda. Havia a possibilidade de que Petra Kvitova não voltasse a jogar tênis profissional. A tcheca, no entanto, retorna esta semana. Sem grandes expectativas, mas para a felicidade dos fãs e de boa parte do circuito, já que a bicampeã de Wimbledon é uma das figuras mais queridas nos vestiários (e o abraço com o ex-técnico, no tweet abaixo, é imperdível).

É obviamente cedo para esperar algo grande de Kvitova num slam, o que é uma pena porque sua chave lhe permitiria ir longe em uma semana boa. É justamente o mesmo quadrante de Kerber, e ninguém leva muita fé na número 1 desta vez. Ainda assim, o simples retorno já deve ser motivo de festa.

A brasileira

Quem viu o desenvolvimento de Bia Haddad Maia sempre disse: é questão de tempo para ela entrar no top 100 e brigar por coisas grandes. Demorou mais do que o esperado por causa de uma série de lesões, mas ela chegou. Atual número 101, a paulista precisou jogar o quali de Roland Garros e passou sem grande drama. Três jogos em sets diretos. Agora, com 20 anos (completa 21 dia 30 de maio) vai encarar a chave principal pela primeira vez na carreira. Em um momento ótimo e com uma chance interessante.

Bia estreia contra Elena vesnina, atual número 15 do ranking. No papel, um obstáculo duríssimo. No cenário atual, nem tanto. A russa perdeu os últimos quatro jogos que disputou e desde que levantou o troféu em Indian Wells, no início de março, venceu só duas das nove partidas que fez. A brasileira, pelo contrário, fez quartas de final no WTA de Praga, foi campeã do ITF de US$ 100 mil em Cagnes-Sur-Mer e passou pelo quali em Paris. São oito triunfos consecutivos – 13 em 14 confrontos.

Se conseguir aproveitar o embalo e derrubar Vesnina, Bia pega Lepchenko ou Petkovic na sequência e possivelmente Suárez Navarro (perdeu três dos últimos cinco jogos) ou Cirstea na terceira rodada. A paulista pode ir longe sem fazer um milagre. Que ninguém ache um absurdo se isso acontecer.

Os melhores jogos na primeira rodada

Uma das vantagens da imprevisibilidade é que qualquer partida pode se tornar mais interessante logo no primeiro dia do torneio. Só que algumas delas são mais atraentes antes mesmo do começo. É o caso óbvio de Muguruza x Schiavone, duas campeãs de Roland Garros duelando na rodada inicial. É também o caso de Kerber x Makarova.

Vale ficar de olho também em Puig x Vinci e nos óbvios Kvitova x Boserup, ainda que só para ver como será o retorno da tcheca, e Haddad Maia x Vesnina, que deve ser visto com um potencial interessante de zebra. Por fim, é recomendável analisar a forma física da favorita em Halep x Cepelova.

As tenistas mais perigosas que todos estão olhando

Os nomes aqui são Elina Svitolina e Kristina Mladenovic. A ucraniana, número 6 do mundo, foi campeã em Istambul e Roma, onde passou por Pliskova, Muguruza e Halep em sequência. Difícil obter credenciais melhores em um só torneio. Svitolina é dona de um tênis consistente e que funciona bem no saibro, e se Halep não estiver com 100% de condições, tem suas possibilidades ampliadas. Não por acaso, ela é atualmente a segunda favorita ao título nas casas de apostas. E favoritíssima a alcançar as quartas, fase em que encararia Halep.

Mladenovic, cabeça 13, se credenciou após os vices em Stuttgart e Madri. Atual 14ª do ranking, vem no melhor momento da carreira e jogará em casa, com a chata (para os rivais) torcida parisiense a seu lado. O público pode muito bem fazer diferença, ainda mais na chave complicada que a francesa tem este ano. Em seu caminho podem aparecer Lucic-Baroni já na terceira rodada e Muguruza nas oitavas. Se conseguir chegar às quartas. Mladenovic será difícil de segurar…

As tenistas mais perigosas que ninguém está olhando

Grande surpresa do ano passado, quando alcançou a semifinal, Kiki Bertens, como bem lembrado por Aliny Calejon no podcast Quadra 18, volta a Roland Garros no embalo de mais um título em Nuremberg. Em 2016, ela estreou eliminando Angelique Kerber. Agora, como #19 do mundo, chega mais conhecida, mas ainda pouco badalada. E mais: numa chave acessível, onde ela enfrentaria Wozniacki na terceira rodada Kuznetsova/Zhang nas oitavas. É o mesmo quadrante aberto de Kerber, então só deus sabe o que vai acontecer aqui. Bertens é um nome interessante.

Difícil imaginar Genie Bouchard indo longe, anda mais depois de uma lesão no tornozelo, mas o potencial está lá. Não é nada impossível que a canadense avance sobre Ozaki e Sevastova/Beck para chegar a uma terceira rodada contra Madison Keys. E se consistência não é seu forte (muito menos ao longo de duas semanas), Bouchard é capaz de brilhos esporádicos e campanhas como a de Madri, onde bateu Cornet, Kerber e Sharapova.

Já faz alguns anos que ninguém põe muita fé em Svetlana Kuznetsova. Não para ganhar coisas grandes, pelo menos. Só que a russa de 31 anos terminou 2016 em alta e emendou com um vice em Indian Wells. Não convém descartá-la, ainda mais como #9 do ranking e com dois títulos de slam no currículo (inclusive RG/2009). E como Sveta também faz parte do primeiro quadrante (sim, o de Kerber), já viu, né?

Onde ver

O canal Bandsports tem os direitos exclusivos de transmissão em TV fechada. Quem prefere opções “alternativas” pode optar pelos streams oficiais de casas de apostas como a bet365 (se não me engano, é preciso fazer um depósito qualquer com cartão de crédito) ou os piratas do Batman Stream e outros sites.

Nas casas de apostas

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Quadra 18: S03E07 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/27/quadra-18-s03e07/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/27/quadra-18-s03e07/#respond Sat, 27 May 2017 04:45:28 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5107 Véspera de grand slam é época de gravar o podcast Quadra 18, e foi exatamente isso que Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu fizemos. No episódio S03E07, analisamos as chaves, damos palpites e nos divertimos um bocado falando sobre o que pode e deve acontecer em Roland Garros.

Do óbvio favoritismo de Rafael Nadal até o panorama no circuito de duplas, nosso trio tem opinião sobre tudo e todos. Para ouvir, basta clicar neste link. Se preferir, clique com o botão direito e escolha “salvar como” para gravar e ouvir mais tarde.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’16” – Cossenza apresenta os temas
1’54” – Quem foi o “campeão” do sorteio na chave masculina?
4’54” – “Nadal e Paire foram os maiores azarados?” e ótimos jogos da primeira rodada
7’17” – “O quadrante dos pipoqueiros” de Stan Wawrinka
9’18” – Sheila: “Eu apostaria no Wawrinka”. Aliny e Cossenza: “Wawrinka?!?!”
9’35” – Murray passa da segunda rodada?
10’27” – “Por que o Thiem é tão zicado?” e “até onde Thiem vai no torneio?”
12’02” – Djokovic é favorito para chegar à semi? A parceria com Agassi vai dar certo?
14’46” – Nadal está tão superior ao resto do circuito ou é só o “efeito saibro”?
16’35” – “Para tirar Nadal teria que ser um Soderling”
17’42” – O bom sorteio para os brasileiros em Roland Garros
19’50” – Palpites para campeão, surpresa e decepção
23’09” – Time (Chris Cornell)
23’37” – O imprevisível cenário cheio de lesões e desfalques na WTA
24’10” – Existe uma favorita na chave feminina?
25’20” – É possível apontar quem se deu bem no sorteio da chave?
27’37” – O retorno de Petra Kvitova. Muito cedo para esperar vitórias?
30’08” – Quanta falta faz Sharapova na chave neste momento da WTA?
31’07” – Bia Haddad Maia na chave principal contra Vesnina. O que esperar?
34’10” – “A nova Guga” e a badalação se Bia for longe no 20º aniversário de Guga/97
35’35” – Palpites para campeã, surpresa e decepção.
38’13” – Fell on Black Days (Soundgarden)
38’40” – Aliny avalia o cenário no circuito de duplas começando por Melo e Kubot
40’15” – O momento não tão animador de Soares e Murray
43’20” – O bom tênis mostrado recentemente por Demoliner e Daniell
44’05” – O fim da parceria Sá e Paes e a dificuldade para o mineiro conseguir parceiro
44’55” – “Quem classificar para o ATP Finals pode jogar também o NextGen Finals?”
46’10” – “Quem tem mais futuro? Kyrgios ou Zverev?”
47’40” – O Big Four, os nerds do tênis, e o que os separa de Stan Wawrinka
49’18” – Aliny fala sobre a vida e a carreira de Marinko Matosevic
51’17” – Parabéns a Guga Kuerten por 1997 e por todas consequências disso
52’48” Nothing Left To Say But Goodbye (Audioslave)

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Roland Garros 2017: o guia deles http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/26/roland-garros-2017-o-guia-deles/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/26/roland-garros-2017-o-guia-deles/#respond Fri, 26 May 2017 20:29:32 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5103

Cinco meses, cinco Masters e finalmente chega a hora do segundo slam de 2017. Sem Roger Federer, mas com Rafael Nadal voando, Andy Murray sofrendo, Novak Djokovic reinicializando e Gustavo Kuerten comemorando o 20º aniversário de seu primeiro título em Roland Garros. Serão, como sempre, duas semanas especiais e que começaram a ser escritas nesta sexta-feira, com o sorteio das chaves.

Eis aqui, então, o tradicional “guiazão” do blog para o torneio. Com análise dos quadros, possíveis azarões, os melhores jogos para acompanhar já na primeira rodada, onde vê-los e também as cotações das casas de apostas. É só rolar a página e ficar por dentro.

O aniversário

Vinte anos atrás, o mundo era pego de surpresa, e o tênis brasileiro ganhava uma injeção tarantinesca de adrenalina quando um rapaz de cabelo encaracolado, bandana e uma indumentária pouco discreta abateu Muster, Kafelnikov e Bruguera rumo ao título em Roland Garros. Um momento verdadeiramente histórico que foi homenageado com o documentário abaixo, produzido pelo torneio.

Aquela conquista mudou de vez o cenário do tênis no Brasil. Os clubes ficaram lotados de novos praticantes, a imprensa teve de aprender a modalidade e, sejamos sinceros, talvez você não estivesse vendo tantos jogos pela TV (ou streams piratas) nem lendo este blog não fosse pelo que aconteceu 20 anos atrás.

Os quatro cabeças

Agora, sim, falemos do torneio deste ano. Comecemos pelo número 1 do mundo, Andy Murray, que não faz uma boa temporada. Até parecia ensaiar uma recuperação em Barcelona, mas derrotas para Coric (Madri) e Fognini (Roma) quase colocam o britânico na condição de grande azarão. Não, ele não seria o favorito de qualquer modo, muito menos com Nadal jogando tão bem, mas o fato é que o escocês precisa mostrar um tênis muito melhor do que o dos últimos meses para ir longe em Paris.

A chave não ajudou, já que existe um possível confronto com Del Potro (ou Almagro?) no horizonte, já na terceira rodada, e um duelo com Isner ou Berdych nas oitavas. O americano, lembremos, foi semifinalista em Roma e já fez ótimas apresentações em Roland Garros – inclusive levando Rafael Nadal a cinco sets em 2011. Se Murray avançar, ainda pode encarar A.Zverev/Nishikori/Cuevas/Querey nas quartas e, quem sabe, Wawrinka na semifinal.

Enquanto isso, o número 2 do mundo esboça uma espécie de ressurgimento. Ainda sob a nuvem da pergunta “o que acontece com Djokovic?”, o sérvio fez semi em Madri e final em Roma. Não foi “aquele” Djokovic dominante e que capitalizava em qualquer mínimo momento de fraqueza dos rivais, mas ainda é um tenista bastante perigoso e que não deve ser derrotado cedo no torneio.

Com a novidade de Andre Agassi em seu box (mais sobre isso adiante neste post), Djokovic caiu na parte mais dura da chave. O começo nem é tão complicado, mas Dominic Thiem é seu mais provável oponente de quartas de final (Johnson, Karlovic e Goffin são os outros cabeças). Além disso, ninguém pode comemorar um sorteio em Paris quando Rafa Nadal está em seu caminho antes da final. Os dois se encontrarão na semifinal se confirmarem o favoritismo.

Depois de três Masters 1000 no saibro, Stan Wawrinka somava duas vitórias e três derrotas (para Cuevas, Paire e Isner). Muito pouco para um campeão de Roland Garros. Nesta semana, o suíço foi a Genebra em busca de ritmo e mais vitórias (este post é escrito antes da final contra Mischa Zverev) que possam fazer alguma diferença, nem que seja em sua medida de confiança.

Wawrinka está em um quadrante cheio de nomes bons, como Fognini (terceira rodada), Gasquet e Monfils (oitavas), Clic, Tsonga, Ferrer e Kyrgios (quartas), mas nenhum em grande momento. Difícil fazer algum tipo de previsão aqui. Cilic parece ser a maior ameaça, mas também pode cair antes – contra Gulbis na estreia, Delbonis na segunda rodada ou Ferrer/Feliciano na terceira rodada.

O número 4 do mundo é o favorito ao décimo título em Roland Garros. Disso ninguém discorda. Não que uma derrota seja inconcebível, mas Rafael Nadal foi quem mais mostrou tênis de alto nível no saibro até agora. A chave ainda lhe é favorável na primeira semana, com Paire (estreia), Simon (terceira rodada) e Sock/Bautista Agut (oitavas) como principais nomes em seu caminho. Nas quartas, Nadal pode encarar Raonic/Dimitrov/Muller/Carreño Busta, e Djokovic/Thiem apareceria só na semi. É de se esperar que o eneacampeão chegue descansado e em forma para os jogos mais duros, o que pode ser uma enorme vantagem.

A melhor história

Nenhum assunto é mais intrigante neste pré-Roland Garros do que a parceria de Novak Djokovic com Andre Agassi. É a primeira vez que o americano, campeão do torneio em 1999, deixa a aposentadoria para assumir o posto de treinador. E, mesmo assim, foi necessário um empurrãozinho da esposa, Steffi Graf. Isso acontece num momento em que Djokovic buscava motivação, uma espécie de “faísca”, como ele mesmo descreveu, para voltar a jogar no nível de antes.

Agassi parece o candidato perfeito- e sob diferentes aspectos. Primeiro porque o americano também passou por uma fase de pouco ânimo na carreira. Foi um período longo, com resultados decepcionantes, até que o ex-número 1 do mundo se reencontrasse, fizesse as pazes com a relação traumática com o tênis (Agassi disse que odiou o esporte por muito tempo) e descobrisse um caminho.

Foi nessa trajetória que encontrou Brad Gilbert, técnico que, segundo o próprio Agassi, foi quem o ensinou a pensar sozinho dentro de quadra (quem lá leu “Winning Ugly” sabe do que estou falando). O americano, portanto, pode cobrir as duas lacunas no tênis de Djokovic hoje. O ânimo e o tático/técnico. Esse roteiro o mundo do tênis vai acompanhar bastante de perto nos próximos dias e meses.

Até os treinos são interessantes. Inclusive o do vídeo acima que, segundo o técnico australiano Darren Cahill, Agassi odiava, mas o pai do americano adorava. Hoje, é o ex-número 1 que “maltrata” Nole com ele. Como bem disse Cahill no Twitter, “full circle” (ou “a vida dá voltas”).

Os brasileiros

Analisando o conjunto da obra, o sorteio não poderia ser muito melhor para o Brasil. Thomaz Bellucci vai estrear contra o sérvio Dusan Lajovic (#79), Thiago Monteiro vai encarar o wild card francês Alexandre Muller (#327), de 20 anos, e Rogerinho terá pela frente Mikhail Youzhny (#84), cujo último resultado foi um revés diante de Bellucci.

É perfeitamente plausível que os três brasileiros avancem. Bellucci e Monteiro são favoritos. Quanto a Rogerinho, suas chances aumentam consideravelmente se o tornozelo responder. O paulista abandonou sua partida contra Stan Wawrinka em Genebra, nesta semana, por causa de uma entorse.

A grande ausência

Roland Garros já perdeu muito com a ausência de Roger Federer no ano passado. Agora, em 2017, perde muito mais. O suíço venceu um slam e dois Masters e era o nome a ser batido no circuito até decidir fazer uma pausa. A expectativa por novo duelo com Nadal em Paris seria enorme. E daria para listar outros muitos motivos aqui para lamentar, mas já fiz isso neste post.

Os melhores jogos na primeira rodada

Esta edição de Roland Garros não é daquelas com partidas bombásticas já no dia inicial, mas a lista de duelos de primeira rodada tem encontros interessantes e por motivos diversos. A começar por Alexander Zverev x Fernando Verdasco, considerando que qualquer primeira rodada com Verdasco é imprevisível e uma queda precoce de Zverev teria consequências importantes na chave.

Além disso, prestemos atenção em Dominic Thiem x Bernard Tomic. O austríaco é claro favorito, mas no dia certo, o australiano incomoda qualquer rival. Na pior das hipóteses, existe a expectativa de raquetes quebradas e discussões, o que é sempre bom de acompanhar. É quase o mesmo panorama de Marin Cilic x Ernests Gulbis, com o croata favorito e o letão no papel do coadjuvante traiçoeiro.

Além disso, vale ficar de olho em Nick Kyrgios x Philipp Kohlschreiber e Frances Tiafoe x Fabio Fognini, que podem se transformar em partidas longas e interessantes. Por fim, cito também Dustin Brown x Gael Monfils. Não, nenhum dos dois vem em grande momento (são sete derrotas seguidas somando os dois tenistas), mas a gente sabe que a partida vai ter jogadas malucas e diversão. Deve ser a melhor fonte de highlights de toda a primeira rodada este ano.

O que pode acontecer de mais legal

A chave de cima, encabeçada por Murray e Wawrinka, pode apresentar um finalista diferente. Há quem ache ruim. Há quem prefira assim. O fato é que, cada um com seu motivo, quase nenhum dos grandes nomes ali exibiu até agora (ênfase em “até agora”, por favor) um tênis dominante. Isso vale especialmente para Gasquet (1v e 2d no saibro), Monfils (0v e 2d), Tsonga (1v e 2d antes de ir a Lyon), Kyrgios (2v e 2d), Ferrer (5v e 4d), Del Potro (5v e 3d), Nishikori (5v e 3d) e Berdych (6v e 3d antes de Lyon). Tentar prever o vencedor dessa página é exercício árduo.

Os tenistas mais perigosos que todos estão olhando

Pelo que mostraram no saibro, os nomes mais óbvios são Alexander Zverev, campeão do Masters de Roma,e Dominic Thiem, vice em Barcelona e Madri, além de ser o único a derrotar Nadal no saibro até agora. Zverev está na chave de cima, o que talvez lhe dê alguma vantagem. O problema é que seu caminho tem cascas de banana interessantes como Verdasco e Cuevas.

Para Thiem, o caminho é menos simples porque seu provável adversário de oitavas de final é David Goffin, contra quem tem um retrospecto bastante negativo. São apenas três vitórias em dez jogos, e a lista de derrotas inclui os últimos dois encontros. O mais recente foi no saibro de Monte Carlo. Se conseguir repetir RG’16, quando bateu Goffin nas quartas, Thiem pode encarar Djokovic nas quartas e Nadal na semi. O normal é que o austríaco fique pelo caminho. Se passar por todos esses obstáculos, terá alcançado um dos maiores feitos possíveis em 2017.

Os tenistas mais perigosos que ninguém está olhando

Pablo Cuevas é sempre um ponto de interrogação. Pode discutir com alguém na arquibancada (vide tuíte abaixo) e perder na primeira rodada, como em Barcelona e quase em Madri, mas também pode chegar à semifinal de um Masters, como aconteceu na capital espanhola. A chave de seu sucesso, aparentemente, é o confronto com Zverev na terceira rodada.

Também vale ficar de olho em Kyrgios, que desistiu do ATP de Estoril por causa da morte de um avô e abandonou Roma devido a uma lesão no quadril. Se estiver recuperado e motivado, o poço australiano de talento pode sair varrendo a chave. Não é o que as notícias sugerem, mas não convém descartar essa possibilidade.

Onde ver

O canal Bandsports tem os direitos exclusivos de transmissão em TV fechada. Quem prefere opções “alternativas” pode optar pelos streams oficiais de casas de apostas como a bet365 (se não me engano, é preciso fazer um depósito qualquer com cartão de crédito) ou os piratas do Batman Stream e outros sites.

Nas casas de apostas

Nada muito surpreendente no cenário atual, mas vale apontar a presença de Andy Murray apenas como o quinto mais cotado.

O guia feminino

Não vai dar tempo de publicar o guia para a chave feminina ainda hoje. Ele deve pintar aqui no blog amanhã (sábado). Até lá!

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CBT sob suspeita mais uma vez http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/26/cbt-sob-suspeita-mais-uma-vez/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/26/cbt-sob-suspeita-mais-uma-vez/#respond Fri, 26 May 2017 13:42:57 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5097 A reportagem foi publicada no site de “O Estado de S. Paulo” às 19h07min de quinta-feira e diz, no título, “Procuradoria pede para investigar Jucá por suspeita de desvios nos Correios”. Quem lê só isso não vê a relação da notícia com o tênis brasileiro, mas que ninguém se engane: a reportagem cita a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) dez vezes. Dez. Cliquem no link e leiam, por favor.

Fora a questão política, também é importante observar que o procurador-geral da república, Rodrigo Janot, quer ouvir Sérgio Oprea, Bruno Ferreira, Anderson Rubinatto Filho, Ricardo Marzola e Chris Kypriotis (nomes muito pronunciados dentro da CBT nos últimos anos), além de analisar cópias dos processos referentes às contratações de patrocínio da CBT, uma relação dos repasses feitos à CBT e cópias das prestações de contas.

Além disso, o texto cita que há NOVE (!!!) inquéritos conduzidos pela Polícia Federal e por procuradores da república tratando de irregularidades na CBT. Um deles é o já famoso caso do Grand Champions Brasil que está na Justiça Federal e envolve Jorge Lacerda, ex-presidente da CBT, Dácio Campos, ex-comentarista do SporTV, e Ricardo Marzola, dono da Brascourt.

Coisas que eu acho que acho:

– Convém não esquecer que o atual presidente da CBT, Rafael Westrupp, está na entidade desde 2013. A Confederação de hoje, que já levou colocou presidente de federação dentro de um time de Copa Davis e que segue pagando viagens e hospedagem para cartolas e suas famílias, não é tão diferente assim.

– Convém não esquecer que essa CBT de Jorge Lacerda é a mesma elogiada pelos tenistas. A mesma sob a qual, segundo Marcelo Melo disse recentemente, o “apoio nunca foi tão grande”. Aguardemos para saber se não houve nada ilegítimo/ilegal nos repasses que resultaram nesse apoio.

– Sigo com a minha opinião: quando tenistas manifestam seu apoio público a uma CBT que foi tão investigada e questionada, entram em terreno perigoso. Além disso, agradecer pelo apoio financeiro e ignorar atos como abuso de poder, medidas egoístas e prejudiciais ao tênis, além de conflitos de interesse nada escondidos, faz os atletas soarem egoístas e/ou ignorantes. É como se não soubessem ou não se interessassem pelo que acontece na modalidade além do dinheiro distribuído para manter sua estrutura de viagens e treinos.

– Se alguém disser que “é um problema dos Correios e não da CBT”, lembremos que os Correios patrocinam a Confederação Brasileira de Handebol (CBHb), a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) e a Confederação Brasileira de Rugby (CBRu). A CBT é a única citada nessa investigação.

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ATP tira psicólogo brasileiro de ‘lista negra’ de credenciamento http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/25/psicologo-punicao-credenciamento-atp/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/25/psicologo-punicao-credenciamento-atp/#respond Thu, 25 May 2017 18:59:15 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5094

Aparício Meneses, psicólogo que acompanha o tenista João Pedro Sorgi, foi excluído da “No Credential List”, uma relação de pessoas que não podem receber credenciais em torneios organizados pela ATP. A decisão foi tomada pela entidade uma semana depois de Meneses entrar para a “lista negra”, o que ocorreu após uma discussão com o tenista André Ghem durante o Challenger de Savannah, nos EUA.

Após a sanção, o psicólogo entrou em contato com a brasileira Cristina Yoshizawa, que é coordenadora de relação com os jogadores na ATP. Yoshizawa, então, pediu que ele enviasse seu pedido ao vice-presidente executivo da entidade, Gayle Bradshaw. O psicólogo e o executivo troaram emails sobre o incidente até que Bradshaw decidiu pela retirada do nome de Meneses da tal lista. O executivo também pediu ao psicólogo que ficasse longe de Ghem.

Sorgi declarou, via assessoria de imprensa, que ”a ATP tomou a decisão correta. Não foi certo puni-lo sem ao menos escutá-lo sobre o ocorrido. Que bom que agora está tudo resolvido e vou poder seguir sem problemas com o Aparício. Conheço o Aparício e todos que o conhecem sabem que ele é uma pessoa boa e não é uma ameaça a nada e nem ninguém. As coisas voltaram onde deveriam estar”

Após o fim da punição, Aparício Meneses conversou com o autor deste texto e voltou a comentar o incidente. O psicólogo disse que os palavrões dirigidos a Ghem foram uma maneira de encerrar um confronto.

“Aquele ‘vai tomar no…’ está dizendo ‘cara, não quero conversar com você, não quero papo, não quero te dar atenção, não quero ouvir o que você tem para falar.’ Eu só falei um ‘valeu, Alemão’, cara. Eles estavam juntos, as cadeiras estavam muito perto. Só que tudo tem um limite, né, cara? Eu aceito o cara não querer meu cumprimento. Eu não aceito o cara andar a 50 metros da quadra e falar que eu sou falso, que sou um pau no c… e o cara botar a cara na minha frente. Aí ele passou de um limite”, disse, por telefone.

Durante a uma semana em que esteve punido, Meneses ficou proibido de receber credencial de acesso em todos eventos chancelados pela ATP. Ele podia, no entanto, entrar nos eventos como espectador comum. Ele agora considera a possibilidade de processar Ghem por danos.

“Agora eu vou tocar a minha vida, que tem sido uma vida de muito sucesso. Esse episódio já passou. Estou livre disso aí, mas eu tenho a intenção de processá-lo por esse ato inconsequente. Eu tenho um trabalho de psicólogo do esporte, um trabalho consolidado, de sucesso com o Feijão e sou bom no que eu faço. E aí chega um cara… Querendo fazer o que com isso? Eu ainda estou analisando e vendo com meus advogados como a gente vai fazer esse processo, mas essa é uma maneira também de eu me defender, entendeu?”

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Ele morou na casa de Federer, treinou Mirka no circuito e agora tem projeto ambicioso na Flórida http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/23/rodrigo-nascimento-federer-mirka-academia-florida/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/23/rodrigo-nascimento-federer-mirka-academia-florida/#respond Tue, 23 May 2017 07:00:45 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5072

Rodrigo Nascimento talvez seja o menos conhecido (e reconhecido) dos técnicos brasileiros com belo currículo no exterior. Por outro lado, o paulista, que mora nos EUA desde os tempos de tenista juvenil e que já foi treinador de nomes como Monica Seles, Gilles Muller e Jamea Jackson, talvez seja o dono das histórias mais curiosas. Afinal, quem mais pode dizer que treinou a esposa de Roger Federer e ficou hospedado na casa do tenista na Suíça?

Hoje, baseado na cidade de Wellington, na Flórida, Nascimento dá um passo ousado. Em parceria com Betsy McCormack, viúva de Mark McCormack, fundador da gigante agência de atletas IMG, o brasileiro fundou a R&B Tennis Team, uma academia ambiciosa, com a meta de formar campeões de grand slam, mas com um objetivo primeiro que, segundo Nascimento, é “formar campeões da vida.”

Um encontro casual

Mas comecemos pela viagem de volta a 2001. Afinal, imagino que a maioria tenha clicado aqui para saber como foi para Nascimento morar com Federer e sua família. Pois bem. Essa relação começou numa viagem à Europa, quando o técnico brasileiro foi visitar o amigo Sven Groeneveld, holandês que é atual técnico de Maria Sharapova.

Na primeira noite, o jantar tinha à mesa Roger e a então namorada, Miroslava Vavrinec, além do técnico Peter Lundgren, que levaria o suíço ao posto de número 1 do mundo um pouco mais tarde. Vavrinec, que ainda estava na ativa no circuito da WTA, comentou que não tinha com quem treinar na manhã seguinte. Foi quando Groeneveld sugeriu o nome do brasileiro.

No primeiro dia de bate-bola, ela já convidou Nascimento para viajar como seu técnico. Naquele período, Mirka conquistou seu melhor resultado em um grand slam (terceira rodada no US Open) e alcançou o melhor ranking da carreira (#76). Sucesso. Pena que durou pouco. E Nascimento se diverte ao lembrar.

“Ela tinha uma esquerda muito boa. Eu ajudei bastante a direita dela. Tudo que ela tinha de legal fora da quadra… Na quadra, ela é uma pessoa meio complicadinha (risos). Ela tem o jeito dela, eu tenho o meu, e nós acabamos a relação por causa de diferenças pessoais”, disse Nascimento, lembrando com bom humor da relação com a ex-tenista (na foto ao lado, Nascimento e Mirka posam junto com Betsy McCormack, à esquerda, e Bethanie Mattek-Sands).

“Eu lembro que uma vez fizeram uma matéria com uma lista em que ela era a terceira mais bonita da WTA na época, atrás da Anna Kournikova e da Barbara Schett. Numa vez, numa discoteca na Suíça, com o Roger, o Peter e dois amigos deles, eu lembro que ela parou a discoteca. Todo mundo olhava para ela. O Roger mandou bem (risos).”

E o relacionamento com Federer, como era? Nascimento de diverte contando. “O primeiro torneio que eu fui com eles foi em Gstaad. A gente ficou num castelo, só o Marat Safin, o Roger, a Mirka e eu. Foi uma viagem, mano. A gente jogava futebol todos os dias. Minha relação com o Roger é surreal. Eu fiquei na casa dele umas duas, três semanas. Ele é brincalhão. A gente ia jogar golfe na França, eu ia com ele no carro, ficava reclamando da Mirka, e ele dizia brincando ‘a Mirka não tem jeito’ (risos).”

Na época em que Nascimento foi hóspede do futuro número 1, Federer morava com os pais e a irmã numa casa de três andares. “Eu fiquei no último andar, onde ficavam as roupas da Nike e o gato dele. Uma vez, levei uma unhada do gato, joguei ele na parede. Contei pro Roger, ele se cagou de rir”, contou o brasileiro. Vavrinec, na época, morava com a mãe, e os dois treinavam em Biel, onde fica o centro nacional de treinamento da Suíça.

O passo ambicioso

Desde o fim do ano passado, Nascimento vem moldando a ideia de uma academia diferente e ousada junto com Betsy McCormack, com quem tem boa relação de longa data (vide foto abaixo). Há três semanas, o projeto saiu do papel, e a R&B Tennis Team ganhou vida em Wellington, no Palm Beach Polo & Country Club. “A gente vai fazer pelo amor. Pelo amor”, enfatiza o técnico.

Nascimento chama o projeto de “tennis boutique”, ou seja, uma academia para poucos atletas, com atenção especial a cada um. “Vai ser muito mais do que formar campeão de grand slam. Nosso atleta vai ter que ser campeão de vida primeiro.” O técnico, aliás, enfatiza a última parte, dizendo que “a Betsy e as pessoas envolvidas nisso [academia] são só pessoas do bem e pessoas que já chegaram lá, então eles não querem nada em troca a não ser que as pessoas devolvam para o mundo. A gente está indo atrás do bem. Quem for do bem e bom, e quiser melhorar e crescer vai ter a possibilidade de trabalhar com a gente. Vai ser uma coisa muito bonita.”

O grupo inicial de jovens já empolga o técnico. “A gente tem um grupinho, cara… É uma coisa de Deus. Parece que todas podem ser campeãs. Cada uma com mais talento que a outra!” Também faz parte dos planos incluir um ou dois jogadores brasileiros – inclusive com a possibilidade de bolsa. Só não existe ainda um processo seletivo. “Quem sabe a pessoa lê essa matéria, não tem treinador e… Não posso prometer nada, mas é uma coisa que já estamos de olho. Ainda mais com o Brasil. Vou estar disposto a qualquer coisa para ajudar brasileiros”, explica o treinador.

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Alexander Zverev: campeão de Masters, top 10 e a maturidade que chegou http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/22/alexander-zverev-campeao-de-masters-top-10-e-a-maturidade-que-chegou/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/22/alexander-zverev-campeao-de-masters-top-10-e-a-maturidade-que-chegou/#respond Mon, 22 May 2017 07:02:41 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5064

Bombas a mais de 200 km/h o tempo inteiro no primeiro saque; um canhão no forehand; outro na esquerda; a mão leve para usar a curtinha perfeita de qualquer lado; uma movimentação rara para um tenista de 1,98m; e o sangue frio para derrotar Novak Djokovic em uma final de Masters 1.000 sem ceder um break point sequer. Ponto após ponto, Alexander Zverev, 20 anos, mostrou todos os recursos neste domingo, na final de Roma. Fez todos os muitos recursos de seu jogo funcionarem ao mesmo tempo. Uma combinação imbatível que fez do alemão o primeiro atleta nascido nos anos 1990 a vencer um Masters e, de bônus, o colocou no top 10 pela primeira vez.

O talento de Zverev nunca esteve em dúvida. O rapaz tem o pacote completo e faz tudo sem fazer força. Não por acaso, é o queridinho dos técnicos (especialmente do meu amigo Sylvio Bastos). A consistência é que lhe escapou em momentos importantes antes deste domingo. A cabeça fria para superar esses momentos também. Mas Sascha já tinha vitórias grandes aqui e ali. Ele, aliás, foi o responsável por uma das duas derrotas de Roger Federer em torneios oficiais este ano. Faltava fazer isso em um torneio grande. Contra um grande. Com pontos e um troféu em jogo. Não falta mais.

Na decisão do torneio romano, Zverev foi maiúsculo por 1h21min. Sacou como quase sempre, com uma média (!!!) de 203 km/h no primeiro serviço, plantou-se na linha de base distribuindo pancadas profundas e martelou Djokovic com golpes de fundo em velocidade média de 122km/h (contra 113 km/h do sérvio). Fez mais winners (16 a 11), errou menos (14 a 27) e só perdeu nove pontos com o saque – diante do melhor devolvedor do planeta e em uma quadra de saibro.

A impressão que dava para quem via o jogo é que Djokovic tentava se segurar até que o bom momento do garotão passasse. Como em tantas ocasiões, talvez o sérvio só precisasse de um vacilo para tomar o controle das ações. No entanto, apesar da cor da indumentária escolhida em Roma, a carruagem de Zverev nunca virou abóbora. O encanto não se desfez. O ex-adolescente – completou 20 mês passado – jogou como homem feito. Um “veterano de 20” desbancando o campeão que fez 30 anos um dia depois. A maturidade chegou.

“O que acontece com Novak Djokovic?” é a pergunta mais comum hoje em dia quando o sérvio sofre uma derrota. Neste domingo, a resposta é simples. Zverev aconteceu. Não houve lapso mental, não houve aquele game afobado de três erros não forçados, não houve ansiedade à beira do maior título da carreira. Pelo contrário. Sascha fechou a conta logo no primeiro match point, cortesia de um erro bobo do número 2 do mundo.

Difícil prever o quanto esse título muda na mentalidade de Zverev daqui em diante. Alguns campeões dão um tremendo salto após o primeiro grande feito. Outros, nem tanto. Concreto mesmo, por enquanto, é que Sascha se coloca no bolo de candidatos em Roland Garros. Depois de um começo pouco animador, com uma derrota por 6/1 e 6/1 para Nadal em Monte Carlo e outro revés diante de Hyeon Chung em Barcelona, o alemão se encontrou no saibro europeu. Foi campeão em Munique, avançou às quartas em Madri e levantou o troféu em Roma. Nada mau…

Coisas que eu acho que acho:

– A derrota de Nadal diante de Thiem não deve preocupar demais os fãs do espanhol. Após três títulos (MC, Barcelona e Madri), o desgaste ficou evidente. Além do que já comentei sobre o jogo no Twitter, vale citar que a pausa antes da final em Roma deve fazer bem ao atual número 4 do mundo. A cabeça fresca e a confiança de quem bateu quase todo mundo nos últimos meses fazem Nadal ainda mais perigoso.

– O revés de Thiem diante de Djokovic, por sua vez, deixa duas coisas bem óbvias: o desgate da sequência de jogos e a dificuldade do austríaco com alguém que joga mais colado à linha de base. É aquela velha história do “jogo que não casa”. Além disso, o austríaco é um grande tenista, mas ainda oscila mais do que gostaria. Por mais que tenha sido uma atuação invejável do sérvio, o 6/1 e 6/0 fez Thiem voltar à terra após a estupenda apresentação contra Nadal.

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Thiem, o último dos especialistas http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/19/thiem-o-ultimo-dos-especialistas/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/19/thiem-o-ultimo-dos-especialistas/#respond Fri, 19 May 2017 10:00:03 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5057

Em 2016, Novak Djokovic e Andy Murray decidiram o título de Roland Garros. Um ano antes, Stan Wawrinka dividiu o momento com o sérvio. Antes, Nadal. Já faz algum tempo que o slam francês não é palco de uma grande campanha de um especialista no saibro. A exceção, talvez, seja David Ferrer, vice em 2013, mas o espanhol tem tantos títulos em quadra dura quanto na terra batida.

Chegamos, então, a 2017. Um ano marcado por enquanto por campanhas decepcionantes de Novak Djokovic, Andy Murray e Stan Wawrinka. Roger Federer preferiu nem sujar as meias. E sem o brilho dos fora-de-série, Dominic Thiem surge como nome de destaque no saibro. Um jovem especialista no piso. Talvez o último dos especialistas (pelo menos por enquanto). Certamente, o melhor saibrista entre aqueles que a ATP coloca sob o guarda-chuva da hashtag #NextGen.

O austríaco chegou ao top 10 impulsionado pela semifinal de Roland Garros no ano passado, mas o resultado foi mais consequência de uma chave esburacada do que de um tênis espetacular. Após a desistência de Nadal, Thiem só precisou passar por Granollers nas oitavas e, depois, bateu Goffin nas quartas. Foi dominado por Djokovic na semi, mas era “aquele” Djokovic. Não dava para exigir muito além dos sete games conquistados naqueles três sets.

Este ano, a janela para Thiem está aberta. Foi campeão no Rio, o primeiro evento de saibro de seu calendário este ano, e caiu nas oitavas em Monte Carlo, diante de Goffin. Ainda lhe faltava um grande resultado num Masters, mas ele veio em Madri. Embalado por um vice em Barcelona, o austríaco passou por Donaldson, Dimitrov (salvando cinco match points), Coric, Cuevas e fez outra final. Novamente, não conseguiu superar Rafael Nadal, que ainda reina soberano no piso.

A chave de Roma não lhe foi tão favorável, mas Thiem terá uma terceira tentativa contra Nadal. Será já nas quartas de final, nesta sexta-feira, e ela vem após três match points salvos contra Sam Querrey. Será que o tenista de 23 anos terá mais sorte desta vez?

Os porquês

E por que o tênis de Thiem funciona tão bem no saibro? Por que, aliás, é tão mais eficiente na terra do que em outros pisos? As explicações não são muito diferentes dos motivos que fazem de Rafael Nadal um mestre do piso – embora sejam estilos de jogo um tanto diferentes.

1. Spin e ralis inteligentes

Thiem joga com mais spin do que a maioria dos tenistas de hoje. Isso significa maior margem de segurança, com a bola passando com mais folga sobre a rede. Não seria uma vantagem tão grande, mas o austríaco consegue fazer isso gerando rara potência, que vem de seus forehands e backhands de preparação longa. O saibro ajuda essa preparação, mas não é só isso. Thiem tem a inteligência de jogar a bola ainda mais alta quando precisa se defender (já, já falo mais sobre isso) e não se incomoda em esticar pontos até que encontre uma posição melhor para atacar.

Como não é todo mundo que consegue gerar tanto spin, não são muitos que se sentem confortáveis entrando em pontos longos contra Thiem. Quanto mais trocas, maior a chance de o ponto acabar a favor do garotão, já que ele geralmente corre menos riscos. No jogo desta quinta, por exemplo, Querrey tentou ser agressivo e transformar a partida em um duelo de quadra dura, com pontos curtos. Deu certo. Thiem até precisou devolver saques mais próximo à linha de base. O problema é que fazer isso exige precisão ao extremo. São poucos que conseguem jogar tão reto e tão agressivo durante dois sets inteiros. Querrey conseguiu. Ainda assim, faltou um pontinho.

2. Devoluções

Não, Thiem não é um grande devolvedor de saques. Longe disso. A questão aqui é que o saibro permite ao austríaco um pouquinho de tempo a mais para fazer a longa armação de seus golpes e colocar a bola em jogo. Mesmo assim, Thiem ainda usa a quadra inteira para isso. Não raro, as câmeras mostram ele pertinho dos juízes de linha na hora da devolução. No saibro, Thiem se contenta em devolver bolas altas e com spin. Quando elas são fundas o bastante, anulam o ataque do sacador. É como se o ponto começasse do zero, numa disputa de fundo de quadra. E aí acontece o que já foi descrito no parágrafo anterior. Em outros pisos, a estratégia não funciona tão bem. O tempo para devolução é menor, e os retornos precisam ser muito precisos.

3. Defesa e contra-ataque

Não é exatamente a característica mais exaltada de Thiem, mas é a que lhe permite inverter muitos ralis, fazendo a transição defesa-ataque como poucos. O atual #7 usa bem o slice quando precisa e, repito, sabe quando adotar mais spin para ganhar tempo e se recolocar bem na quadra.

Aí o adversário vê os slices defensivos e começa a acreditar que pode subir à rede. É quando Thiem saca da cartola uma bola improvável acelerando com o backhand. Sim, porque é no saibro que ele tem um tempinho extra para preparar e executar esses goles. E é como Thiem aproveita esses milésimos ou décimos de segundo que faz dele um especialista no saibro.

Coisas que eu acho que acho:

– Thiem não tem o maior talento natural nem é o tenista mais completo da chamada #NextGen. Nick Kyrgios faz o que quer com a bolinha – e sem fazer força. Alexander Zverev tem todos os golpes. Ambos têm saques gigantes, o que Thiem não tem (outra explicação para seu sucesso no saibro). Só que entre os tenistas mais novos, o austríaco é o único que mostra um diferencial no saibro.

– Até semana passada, Thiem nunca havia alcançado a semifinal de um Masters. Somava apenas quatro quartas de final. Pouco para um top 10. Em Madri, veio a primeira final. Fará isso com mais frequência de agora em diante? E, principalmente, conseguirá ir mais longe em quadras duras? Vale lembrar: embora com pouco mais de três anos jogando nesse nível (é pouco mesmo!), em piso sintético o austríaco nunca passou das oitavas em um slam.

– A rodada desta sexta-feira em Roma é especial. O torneio da ATP tem Nadal x Thiem e Djokovic x Del Potro, além de Zverev x Raonic e Isner x Cilic. O evento da WTA tem como destaque Venus x Muguruza.

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Meus 5 maiores motivos para lamentar a ausência de Federer em Roland Garros http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/16/meus-5-maiores-motivos-para-lamentar-a-ausencia-de-federer-em-roland-garros/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/16/meus-5-maiores-motivos-para-lamentar-a-ausencia-de-federer-em-roland-garros/#respond Tue, 16 May 2017 13:06:29 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5053

O suíço Roger Federer anunciou nesta segunda-feira que não disputará o torneio de Roland Garros este ano. Embora em circunstâncias diferentes, ele repete a escolha feita em 2016, quando abdicou do slam francês para se preparar melhor para a temporada de grama e o segundo semestre, todo em quadras duras.

Sem atuar desde o Masters de Miami, onde foi campeão, o ex-número 1 do mundo (atual #5) voltará só em junho, com um calendário cheio. Jogará em Stuttgart, a partir do dia 12, e em Halle, logo na semana seguinte. São os torneio de preparação na grama para Wimbledon, onde muitos esperam que Federer seja favorito.

Embora ninguém esteja comemorando a decisão de pular Roland Garros, afinal trata-se de uma opção bastante compreensível para um cidadão de 35 que pretende ficar no circuito por mais alguns anos (seu anúncio cita especificamente a palavra “longevidade”), cada fã de tênis tem seus motivos especiais e diferentes para lamentar a ausência do campeão de 2009. Estes são os meus.

5. Um sério candidato

Do jeito que jogou no início do ano e da maneira que vêm atuando os candidatos habituais a títulos de slam, não haveria por que Federer não ser um candidato seríssimo ao bicampeonato em Paris. Murray não se encontrou na terra batida, Djokovic não achou sua “faísca”, Wawrinka chegou a Roma com uma vitória e duas derrotas no saibro, e Ferrer faz a pior temporada dos últimos dez anos.

Além disso, a chamada #NextGen da ATP vem mostrando pouca intimidade com o saibro. A clara exceção é Dominic Thiem, que, com 23 anos, já nem deveria fazer parte de tal grupo. Mas o fato é que é difícil imaginar Federer perdendo para alguém não chamado Rafael Nadal atualmente.

4. A rivalidade

E Rafa Nadal também me faz lamentar a ausência de Federer. Afinal, quem segue tênis há mais de dez anos sabe que o suíço foi muito bem cotado para algumas das finais de Roland Garros que fez contra o espanhol. Ele era favorito na semi de 2005 e na decisão de 2006. Aos poucos, Nadal foi evoluindo e levando mais vantagem na rivalidade, mas o “momento” é claramente do suíço. Seria interessantíssimo ver os dois duelando mais uma vez em Paris, desta vez com Federer carregando uma série de quatro vitórias e cinco sets vencidos de forma consecutiva sobre o rival. Como essa vantagem afetaria um novo duelo em Roland Garros? Nunca vamos saber.

3. Margem para especulações

Poucos minutos após o anúncio da ausência de Federer, a pergunta já circulava no Twitter: o domínio de Rafael Nadal no saibro teria influenciado a decisão do suíço? A sub-pergunta é clara: Federer estaria evitando mais um confronto nas condições favoráveis ao rival e, portanto, fugindo de um duelo que pudesse dar confiança ao espanhol e afetar sua soberania antes de Wimbledon?

Nunca me pareceu uma teoria muito plausível, mas é o que acontece em casos assim. Não importa o que aconteça, uma ausência assim – sem ser causada por lesões (embora seja para evitá-las) – sempre dá margem a especulações. As teorias de conspiração já circulam soltas, e nada consegue pará-las. Nem a entrevista de Severin Luthi, técnico de Federer, dizendo ao New York Times uma coisa não teve nada a ver com a outra. Leia no tweet acima.

2. Corrida pelo número 1

A disputa que vem se desenhando entre Federer e Nadal pela liderança do ranking perde um pouco da emoção, pelo menos por enquanto. Principalmente se o espanhol confirmar o favoritismo e faturar Roland Garros pela décima vez. Aí sim Federer terá uma desvantagem que não será fácil de reduzir. É claro que uma boa campanha em Wimbledon (onde Nadal não passa das oitavas desde 2011) por parte do suíço pode voltar a esquentar as coisas, mas tudo seria mais emocionante desde já com ambos na chave em Paris. Por enquanto, Nadal já somou 4.745 pontos em 2017, contra 4.045 de Federer. Com mais três mil em jogo no saibro, o espanhol pode abrir uma boa frente.

1. Highlights

Por fim, perderemos a chance de ver jogos assim (eu poderia fazer uma lista de uns 50 lances espetaculares do suíço em Paris, mas para economizar tempo e espaço na página, fiquemos com estas cinco partidas memoráveis):

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Soberano no saibro http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/15/nadal-soberano-no-saibro/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/15/nadal-soberano-no-saibro/#respond Mon, 15 May 2017 10:00:46 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5048

Três torneios, três títulos, 15 vitórias consecutivas. Nos números, a versão 2017 Rafael Nadal lembra 2007, 2008, 2013 (ou escolha qualquer outro circuito de saibro entre 2006 e 2014). Temporadas que ficaram marcadas por grandes feitos do espanhol no saibro. As três terminaram com títulos em Roland Garros.

O que passa quase sem que ninguém perceba é que Nadal/2017, o veterano que está pertinho de completar 31 anos de idade (3 de junho), é superior nos números a quase todas suas versões anteriores. E não só no saibro. Com os 4.745 pontos que somou no ano até agora, o espanhol faz o segundo melhor “início” (contando quatro meses e meio) de ano da carreira. Só em 2009 (6.025 pontos) esse período rendeu mais frutos ao então número 1 do mundo.

Nem em 2008 (4.100 pontos), quando arrancou para a liderança do ranking, nem em 2010 (3.230), quando partia para retomar a ponta, nem em 2013 (4.000), ano em que venceu dois dos três slams que disputou – não esteve em Melbourne – e voltou a ocupar o posto de número 1 do mundo.

E se faltaram grandes testes em Monte Carlo e Barcelona, Madri veio com condições adversas e uma das chaves mais duras que alguém poderia encarar numa quadra de saibro mais rápida e com altitude. Primeiro, Fabio Fognini quase derrubou um Nadal inconstante e inseguro. Teve muitas chances no primeiro set e deixou escapar a parcial. Forçou um terceiro set, mas o espanhol sacou de algum lugar, quando mais precisava, um tênis mais convicto e seguro.

Foi a única atuação claudicante do campeão. Nick Kyrgios poderia ter sido um desafio e tanto, mas o australiano ofereceu pouca resistência. Difícil dizer quanto cada um pesou, mas entrar em quadra contra Nadal depois da morte de um familiar e sentindo dores não é tarefa das mais animadoras. Depois, Goffin teve uma segunda chance após a confusão de Monte Carlo. Outra enorme partida do espanhol.

A semi, contra Novak Djokovic, foi um teste menor do que o esperado (breve análise abaixo), mas que Nadal superou de forma maiúscula. Por fim, outra decisão com Thiem, repetindo Barcelona, em uma quadra melhor para o austríaco. De novo, o espanhol foi superior. O senhor do saibro, dominando jogos novamente com um spin alto e pesado, escolhendo bem os momentos para subir à rede, usando curtinhas mortais e – não dá para não citar – contando com um backhand calibradíssimo, fazendo estrago em anguladas e paralelas. Uma combinação imbatível até agora.

O tratamento de choque

Novak Djokovic foi a Madri após a corajosa (ou insana? Vocês escolhem!) decisão de se desfazer de toda equipe. Demitiu o técnico, Marian Vajda, o preparador físico, Gebhard Phil Gritsch, e o fisioterapeuta, Miljan Amanovic. Em seu box, apenas o irmão Marko e o guru-amor-y-paz Pepe Imaz. Suou para bater Almagro, jogou um pouco melhor contra Feliciano López e foi superado incontestavelmente por Nadal.

Quando anunciou a separação, Nole disse acreditar que a “terapia de choque” o ajudaria a obter resultados melhores. Embora ele tenha alcançado a semifinal de um Masters (ajudado, é verdade, pelo WO de Kei Nishikori), a tal faísca que ele buscava não apareceu no primeiro set contra Nadal. A segunda parcial foi mais digna, e o sérvio mostrou luta, mas aí faltou a consistência necessária para bater o espanhol no nível de hoje. Só o melhor Djokovic – aquele Djokovic – é capaz de vencer Nadal no saibro.

Fala-se em uma possível parceria de Djokovic com Andre Agassi. O americano, alguém que lidou com falta de motivação, encontrou a tal faísca para dar partida a uma “segunda carreira” de sucesso, e hoje poderia ser a espécie de mestre zen que o sérvio necessita. Por enquanto, porém, não se sabe nada oficial sobre conversas entre eles. Guga também parece ser uma boa opção, mas o brasileiro já disse “não” a Del Potro. Não parece provável que ele volte atrás se Nole pedir. Por isso, o #2 do mundo chega à capital italiana sem um treinador propriamente dito.

A ótima semana brasileira

Os últimos dias foram cheios de boas notícias para o tênis brasileiro – pelo menos dentro das quadras. Em Madri, também neste domingo, Marcelo Melo e o polonês Lukazs Kubot conquistaram mais um título de Masters 1.000. Na final, eles bateram os franceses Nicolas Mahut e Edouard Roger-Vasselin por 7/5 e 6/3.

Nos quatro Masters 1.000 da temporada, brasileiro e polonês chegaram a três finais e conquistaram dois títulos. Não por acaso, lideram a “corrida”, o ranking da ATP que conta apenas os pontos somados pelos times em 2017.

No qualifying do Masters 1.000 de Roma, Thiago Monteiro (#100) superou Thomaz Bellucci (#54) por 6/3 e 7/6(3) e avançou à chave principal. Ele estreará contra o alemão Florian Mayer no que será a terceira participação do cearense em um torneio desse porte. Em Indian Wells e Miami, Monteiro caiu na primeira rodada.

Bellucci, por sua vez, não pode reclamar da sorte. Entrou na chave como lucky loser e vai encarar David Goffin (sua vítima nos Jogos Olímpicos) na primeira rodada. Se avançar, encara Fernando Verdasco na sequência.

No ITF de US$ 100 mil em Cagnes-Sur-Mer, na França, Bia Haddad (#115) deu sequência à ótima semana que teve em Praga e levantou o troféu mais importante de sua carreira (por enquanto). Ela superou a suíça Jill Teichmann (#176) por duplo 6/3 na decisão e aparece pela primeira vez no top 100 nesta segunda-feira.

No Future de Valldoreix, na Espanha, Orlando Luz (#533) foi vice-campeão. Ele foi derrotado na final pelo argentino Pedro Cachin (#373). O placar foi 6/2 e 6/1.

Fora de quadra, a nota triste da semana ficou por conta da punição da ATP ao psicólogo brasileiro Aparício Meneses, que discutiu com o gaúcho André Ghem no Challenger da Savannah. Após ler o relatório de Ghem, a entidade incluiu Meneses na lista de pessoas proibidas de receberem credenciais, como já noticiado aqui no blog.

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Psicólogo brasileiro é punido pela ATP e entra para ‘lista negra’ de credenciamento http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/12/psicologo-brasileiro-punicao-atp/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/12/psicologo-brasileiro-punicao-atp/#respond Fri, 12 May 2017 10:00:17 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5034 O psicólogo brasileiro Aparício Meneses, o Pe, que viajava ao lado do tenista João Pedro Sorgi, atual número 7 do Brasil, foi punido pela ATP e não poderá mais ser credenciado para torneios a partir desta semana. A punição, aplicada pelo supervisor da ATP Tom Barnes, vem após uma discussão com o tenista gaúcho André Ghem durante o Challenger de Savannah, nos Estados Unidos.

Aparício Meneses (à esquerda) e João Sorgi durante sequência de torneios em 2016

Sorgi e Ghem, que dividiam um quarto de hotel naquela semana, se enfrentaram na primeira rodada do torneio americano, e o paulista venceu por 6/4 e 6/3. Ao fim do confronto, Meneses foi cumprimentar o gaúcho, que se recusou a apertar as mãos do psicólogo. Os dois se encontraram novamente pouco depois, já fora da quadra, e Meneses, então, disparou seguidos palavrões, segundo relatou Ghem à ATP.

“Eu cumprimentei o Sorgi, o juiz de cadeira, e o Pe veio me cumprimentar antes mesmo de eu guardar minha raquete. Eu falei ‘não, tu tá cumprimentando o cara errado. Ele que ganhou. Eu perdi’. Ele saiu e ficou do lado de fora da quadra. Quando eu saí, falei ‘cara, tu não fala comigo, não me dá bom dia, não me dá boa tarde, agora tu quer me dar a mão só porque eu perdi o jogo?’ Aí ele me mandou tomar no c*. Assim… a 20 centímetros de mim. Eu tive uma luz assim… Não sei o que me aconteceu. Uma onda de tranquilidade e paz interior… que eu não reagi. Ele falou ‘vai tomar no teu c*’. Ele falou três vezes isso.”

Após o incidente, Ghem foi até o supervisor do torneio e relatou o que aconteceu. Alguns dias depois, o gaúcho recebeu a confirmação de que Meneses já estava incluído na chamada “No Credential List”, junto com um pedido de desculpas da ATP pelo comportamento “inaceitável” do psicólogo. Desde então, Pe não pode mais obter credenciais e fica sem acesso às salas de jogadores e aos assentos exclusivos de tenistas e suas equipes – não importa quem faça o pedido em seu nome. O psicólogo agora só poderá ir aos eventos e se comunicar com seus atletas desde que na condição de espectador comum – inclusive pagando ingresso quando for o caso (torneios das séries Future e Challenger não costumam cobrar entradas).

Sorgi, atual número 271 do mundo, só soube da sanção a seu psicólogo após o contato do autor deste texto. Depois disso, o tenista procurou a ATP para pedir confirmação e questionar a punição aplicada sem que Meneses fosse ouvido:

“Não sei por que a ATP tomou uma decisão tão rápida sem ouvir o Aparício e a minha versão. Estou formulando um email com minha versão dos fatos, e o Aparício, com o relato dele, para enviar à ATP e aguardando pelas decisões e mais explicações. Eu só soube do que realmente tinha ocorrido na segunda-feira [desta semana]. No dia do jogo [na semana anterior], eu tinha visto o Aparício vir me cumprimentar, ir cumprimentar o Ghem, que rejeitou e começou a discutir com ele. Então o Aparício virou as costas e saiu, viu que o Ghem estava de cabeça quente e saiu. Daí o Ghem saiu de cabeça quente e foi atrás dele, trocaram umas palavras, e o Ghem saiu. Nem escutei o que eles estavam falando. Falaram baixo, então para mim não havia tido nada de mais, algo do jogo somente”, disse Sorgi em texto enviado por sua assessoria de imprensa.

Em conversa por telefone, Meneses também ressaltou que não foi ouvido pela ATP. O psicólogo negou a intenção de provocar Ghem ao tentar cumprimentá-lo após a partida.

“Eles [Ghem e Sorgi] estavam muito perto. Quando eu fui cumprimentar o Sorgi, ele estava muito do lado. Eu só falei ‘Valeu, Alemão’. Entendi que ele estava chateado e não fiz nada nesse momento. Depois, lá fora, é que houve uma discussão, mas foi ele que veio atrás de mim. Foi ele que veio brigar. Provou mais uma vez a posição de jogador de tênis em que ele se coloca. Uma posição de menino mimado e de vítima. É isso que acontece na quadra. É o que ele sempre fez na carreira dele. Foi um dos grandes empecilhos para ele não se tornar um grande jogador de tênis”, disse Meneses.

O psicólogo, que também já trabalhou com Rogerinho, Feijão e Laura Pigossi, entre outros tenistas profissionais brasileiros, disse que vai tomar as providências necessárias para se defender. “Dentro desse processo, cabem muitas coisas, inclusive contra o próprio André. Era meu paciente, com quem eu resolvi não trabalhar mais. Estou bem tranquilo em relação ao que pode acontecer”, completou.

Coisas que eu acho que acho:

– É de se lamentar que isso tenha acontecido justamente na semana do melhor resultado (por enquanto) da carreira de João Sorgi. Com o vice em Savannah, o paulista pulou 71 posições no ranking e alcançou o 271º lugar – o melhor do tenista de 23 anos até hoje.

– Até a semana passada, o melhor resultado de Sorgi era a semifinal do Challenger de Guaiaquil. No torneio equatoriano, o paulista furou o quali e anotou grandes vitórias em três sets sobre Victor Estrella Burgos (#103 na ocasião), Leonardo Mayer (#124) e Facundo Bagnis (#68), caindo apenas diante de Nicolas Kicker (#129).

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A boca suja de Pablo Cuevas e mais chances perdidas por Thomaz Bellucci http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/08/cuevas-boca-suja-bellucci-chances-perdidas/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/08/cuevas-boca-suja-bellucci-chances-perdidas/#respond Mon, 08 May 2017 16:35:56 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5025

Thomaz Bellucci foi eliminado do Masters 1.000 de Madri nesta segunda-feira, na primeira rodada da chave principal. Seu algoz foi o uruguaio Pablo Cuevas, que fez 7/6(2), 5/6 e 7/6(6), em um jogo equilibrado e marcado por duas coisas: um recado nada educado de Cuevas a alguém na arquibancada e as chances perdidas pelo número 1 do Brasil, que vinha em bom momento, após duas vitórias no qualifying.

O momento boca-suja de Cuevas aconteceu no segundo set, quando Bellucci tinha uma quebra de vantagem. Após confirmar o saque no nono game, o uruguaio se sentou e começou a gesticular na direção de alguém na arquibancada do lado oposto da quadra. Cuevas parece convidar alguém a entrar na quadra e praticar algum ato. Vejam o vídeo abaixo e vocês vão entender.

Quanto às chances perdidas por Bellucci, é justo dizer que o brasileiro se colocou em condição de vencer todos os três sets. Na primeira parcial, conquistou três set points no décimo game, mas não conseguiu quebrar o saque do adversário. Mais tarde, no tie-break, sacando em 2/5, apenas um mini-break atrás, Bellucci mandou uma bola fácil para longe e, depois, cometeu uma dupla falta.

O número 1 do Brasil e atual #54 do mundo foi bem no segundo set, quebrando Cuevas no primeiro game de serviço do uruguaio (algo que já tinha acontecido na parcial anterior) e aproveitando a vantagem. Só que no terceiro set, Bellucci falhou quando não podia. Sacou em 6/5 e abriu 30/15, ficando a dois pontos da vitória. No 30/30, mandou um forehand para fora. No ponto seguinte, tentou um saque-e-voleio e levou uma passada. Perdeu o saque e teve de jogar um tie-break.

O game de desempate foi curioso. Cuevas abriu 5/1, graças a erros do brasileiro, que atirou e tentou quebrar sua raquete (vide tweet abaixo) antes da virada de lado. O uruguaio abriu 6/2, mas Bellucci salvou quatro match points seguidos e igualou o placar. Cuevas, então, parou de errar. Jogou dois belos pontos e fechou o confronto. Resta saber se a ATP vai ver o vídeo acima e multar o uruguaio…

Coisas que eu acho que acho:

– Sobre Cuevas, não dá para dizer para quem eram os gestos porque a transmissão não mostrou. O curioso é que, quando a imagem mostrava a quadra toda, era possível ver duas bandeiras do Uruguai na mesma direção para onde Cuevas se dirigia.

– Sobre Bellucci, é mais um revés doído na temporada. Foi uma partida bem equilibrada, com poucas chances, que apareceram aqui e ali. O paulista inclusive teve bastante sucesso nas curtinhas, aproveitando-se do adversário que jogava bem recuado. Faltaram pontinhos aqui e ali.

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O salto de Bia Haddad http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/08/o-salto-de-bia-haddad/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/08/o-salto-de-bia-haddad/#respond Mon, 08 May 2017 12:37:13 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5018

Em fevereiro, no segundo torneio do ano, Bia Haddad Maia foi campeã do ITF de Clare, um torneio com premiação de US$ 25 mil. Foi seu último torneio pequeno em 2017. Depois dali, apostou só nos grandes. Com um wild card, ganhou uma partida e enfrentou Venus Williams em Miami. Não foi uma boa apresentação contra a americana. O vento e os nervos atrapalharam.

Bia tentou o quali em Monterrey, mas caiu na terceira rodada. Na semana seguinte, já no saibro, furou o classificatório em Bogotá, mas caiu na estreia. Foi a Stuttgart e perdeu novamente no quali. E aí veio Praga, onde tudo se encaixou. No torneio tcheco, a paulista venceu cinco jogos seguidos, parou apenas nas quartas de final e deu seu primeiro grande passo para se firmar nos torneios grandes.

O maior ponto a destacar sobre a campanha de Bia em Praga é que nada caiu do céu. A número 1 do Brasil não ganhou convite, não caiu em uma chave fraca nem contou com abandonos. Tudo veio do jeito mais difícil, e Bia ganhou suas partidas jogando um tênis ofensivo e inteligente, tomando iniciativas e construindo pontos. Ao todo, foi uma semana muito animadora para quem acompanha a paulista e sabe que ela é a maior esperança de feitos grandes no futuro do tênis feminino brasileiro.

Detalhando o parágrafo acima: já no quali, a paulista precisou bater duas top 100. Primeiro, Ekaterina Alexandrova (#89). Mais tarde, após superar Rebecca Sramkova (#120), eliminou Donna Vekic (#84). Na chave principal, encarou duas top 50. Fez 6/3 e 6/4 sobre Christina McHale (#45) e 6/3 e 6/2 sobre a campeã de Grand Slam e ex-top 10 Sam Stosur (#19).

Não é pouco. Bia também esteve a poucos games de conseguir uma incrível vaga nas semifinais, mas acabou levando a virada da tcheca Kristyna Pliskova (#58), que sacou muito bem e agrediu bastante o segundo serviço da brasileira. Mesmo assim, quando conseguiu esticar os pontos, a paulista foi inteligente, deslocando a adversária e dando poucos pontos de graça.

Não foi muito diferente contra Stosur, na rodada anterior. Bia apostou na inconsistência da australiana, que não teve mesmo um dia bom. Assim, a brasileira foi inteligente a ponto de não precisar fazer nada espetacular para bater – no saibro – uma finalista de Roland Garros.

Não é de hoje que acontece aqui e ali, mas em Praga, tudo foi mais evidente e mais frequente. Os bons indícios estiveram presentes durante toda a semana na República Tcheca. Depois de uma série de lesões e cirurgias, parece que a brasileira finalmente vai dar o salto para a elite. Após Praga, saiu do 144º para o 115º posto. Se estender a boa fase, entrará de vez no grupo que disputa apenas os WTAs. E não parece faltar tanto assim.

Coisa que eu acho que acho:

– Este post deveria ter sido publicado alguns dias antes, mas nem sempre é possível escrever na melhor data possível. Como sempre, agradeço sempre pela compreensão de vocês, leitores.

– Do mesmo jeito, faltou tempo para escrever sobre o “tratamento de choque” de Djokovic, que demitiu a equipe inteira e ficou apenas com o “guru” Pepe Imaz. Se possível, abordarei o tema durante esta semana.

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Quadra 18: S03E06 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/02/quadra-18-s03e06/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/02/quadra-18-s03e06/#respond Tue, 02 May 2017 05:03:46 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5009 Maria Sharapova está de volta – e em grande forma! – enquanto Rafael Nadal vem dominando a temporada europeia de saibro. Depois de duas semanas de torneios na terra batida, o podcast Quadra 18 está de volta para comentar o momento do tênis nos dois circuitos.

De nosso jeito descontraído, Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu falamos da russa, do espanhol, de Murray, Kerber, Pliskova, da gravidez de Serena e, claro de duplas. Quer ouvir? Clique neste link! Se preferir baixar para ouvir depois, é só clicar com o botão direito do mouse e, em seguida, “salvar como”. E divirta-se.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’16” – Sheila apresenta os temas
1’07” – O retorno de sucesso de Maria Sharapova
2’10” – As boas atuações da russa surpreenderam?
4’32” – As patadas de Sharapova nas coletivas
6’40” – O favoritismo de Sharapova x a falta de confiança nas outras
8’13” – O podcast daria convite para Sharapova em Roland Garros?
9’05” – Roland Garros vai dar mesmo convite para ela jogar o quali?
10’18” – A gravidez e o anúncio acidental (ou não?) de Serena Williams
12’10” – Aga só coleciona derrotas em 2017 porque tem menos potência?
13’05” – O novo site da WTA: alguém gostou?
15’57” – Auf Uns (Andreas Bourani)
16’40” – O domínio de Rafael Nadal no saibro europeu
20’23” – O que mudou do Nadal da “má fase” para o Nadal de hoje?
21’34” – Nadal está vivo na briga pelo número 1 em 2017?
23’18” – O problema de Murray é somente mental?
23’55” – As posições de Murray e Djokovic na “corrida” em 2017
25’40” – Por que a #NextGen foi mal até agora no saibro?
27’33” – Aliny comenta o circuito de duplas na terra batida
30’00” – Paulo Ernane, pai de Marcelo Melo, pergunta sobre resultados inesperados
31’40” – Aliny cita os resultados recentes de Ivan Dodig
32’30” – Há regra para suspender rodada em caso de temperatura muito baixa?

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Nadal nota 10 no saibro http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/01/nadal-nota-10-no-saibro/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/05/01/nadal-nota-10-no-saibro/#respond Mon, 01 May 2017 10:00:42 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5002

Desde que a temporada de saibro começou na Europa, Rafael Nadal não perdeu. Primeiro, conquistou seu décimo título no Masters 1000 de Monte Carlo. Na semana seguinte, venceu mais cinco jogos e faturou o ATP 500 de Barcelona – também pela décima vez. Sim, são dez vitórias seguidas, dois decacampeonatos, mas o que isso quer dizer sobre a atual forma do tenista espanhol?

A visão-copo-meio-vazio aponta que Nadal foi pouco testado nesses dez jogos. Encarou apenas um top 10 (Thiem, na final de Barcelona) e avançou em chaves desfalcadas e/ou esburacadas. Não deixa de ser verdade. Em Mônaco, o espanhol bateu Edmund (#45), Zverev (#20), Schwartzman (#41), Goffin (#13) e Ramos (#24). Em Barcelona, passou por Rogerinho (#69), Anderson (#66), Chung (#94) e Zeballos (#84) antes do encontro com o top 10 austríaco.

Ainda sob o ponto de vista pessimista da coisa, havia alguns jogos mais duros, mas que se tornaram fáceis. Alexander Zverev esteve muito mal, enquanto David Goffin foi prejudicado e perturbado por um erro enorme do árbitro de cadeira. Além disso, Edmund, em quem Nadal aplicou um pneu no primeiro set, venceu a parcial seguinte. Mostrou certa oscilação do espanhol, ainda que tenha sido seu primeiro jogo no piso em 2017.

Há quem prefira ver o lado bom da coisa. Sim, Nadal perdeu um set para Edmund, mas não cedeu nenhuma outra parcial no saibro depois daquele dia. Além disso, só precisou jogar um tie-break (contra Chung). Nos dez jogos, aplicou 6/1 seis vezes – inclusive contra Thiem em Barcelona e contra Ramos em Monte Carlos – as duas finais que disputou.

E é aí o grande ponto que precisa ser feito sobre o momento de Rafael Nadal. Se o espanhol não foi aquele tenista impecável atropelou todos na terra batida em 2008 (ou 2010 ou 2012 ou escolha qualquer temporada – que não seja 2011 – até 2013), o ex-número 1 do mundo foi excelente nos jogos mais duros. Se Zverev teve um dia ruim em Mônaco, Nadal teve grande parcela de mérito. Se Thiem não conseguiu impor sua potência em Barcelona, foi porque Nadal exigiu sempre mais e mais, ponto após ponto, até a exaustão mental do austríaco no segundo set.

Moral da história? Nadal navegou por chaves um tanto acessíveis, mas mostrou habilidade para domar as ondas que apareceram no caminho. E se essas marolas fazem com que ele ainda não pareça dominante o suficiente para ser alçado ao posto de favorito absoluto ao título de Roland Garros, é igualmente verdade que nem Novak Djokovic nem Andy Murray nem Stan Wawrinka nem ninguém mostrou tênis em nível parecido desde que o circuito chegou ao saibro europeu.

Coisas que eu acho que acho:

– Sim, neste momento Nadal é quem lidera as cotações para o título de Roland Garros nas casas de apostas. Nenhuma surpresa.

– Por favor, ênfase em “neste momento” na frase acima. Há dois Masters 1.000 pela frente, então há tempo para que Djokovic e Murray adquiram ritmo e cheguem mais fortes em Paris. O sérvio mostrou flashes de brilho e um elogiável espírito de luta, mas também apresentou um tênis errático e muito menos consistente do que “aquele” Djokovic. A comparação é sempre injusta, mas “aquele” nível talvez seja o necessário para bater Nadal no saibro.

– O panorama não é muito diferente para Murray. O britânico perdeu para Albert Ramos em Monte Carlo e deveria ter sido derrotado pelo espanhol também em Barcelona. Na Espanha, contudo, o número 1 do mundo foi mais sólido (ou menos inconsistente?) e alcançou a semi, onde nem esteve tão longe de superar Thiem. Mostrou evolução, mas ainda não o bastante.

– Que Roma e Paris, com Kyrgios (na Austrália por causa da morte de um parente), Del Potro (em Estoril nesta semana), Wawrinka (perdeu para Cuevas na segunda rodada em Mônaco), Raonic, Cilic (os últimos dois jogam em Istambul antes) e um punhado de outros nomes perigosos, deem uma animada nesse cenário pré-Paris.

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