Saque e Voleio http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br Se é sobre tênis, aparece aqui. Tue, 19 Sep 2017 14:21:53 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Cossenza Responde #2 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/19/cossenza-responde-2/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/19/cossenza-responde-2/#respond Tue, 19 Sep 2017 14:21:53 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5513

Acabou a temporada de grand slams, acabou a Copa Davis para o Brasil, mas a gente sabe que o tênis não para, e os assuntos nunca acabam. Eis aqui, então, a segunda edição do Cossenza Responde, a nova versão do antigo “P&R”. Desta vez, falo sobre Live Hawk-Eye, o uso de replay no saibro, técnicos em quadra, massificação de uma modalidade nada popular, os primeiros meses da gestão Westrupp e outros assuntos.

Quem quiser participar do próximo Cossenza Responde, só precisa enviar um tweet com a hashtag #CossenzaResponde. Eu vou juntando os assuntos mais interessantes e publico quando houver um número razoável de temas.

Tarcisio e Rogério, é difícil falar sem ver o funcionamento. Eu sou um tradicionalista e, de forma geral, não gosto de mudanças nas regras do tênis. Este caso é um pouco diferente. Não é mudança de regra, é só um avanço de tecnologia. Quero ver na prática. De cara, eu consigo pensar em um risco grande: quando der pau ou parar de funcionar, vai suspender a partida? Porque não faz sentido contratar juiz de linha apenas por precaução. Fora isso, vejo com bons olhos todo avanço no sentido de minimizar erros.

O outro lado da moeda é o atual contingente de juízes de linha. Essa turma toda vai ficar desempregada automaticamente se um sistema assim for adotado em todos torneios grandes? Vale lembrar que torneios juvenis e Futures não usam juízes de linha. Até Challengers podem ter equipe de arbitragem reduzida. Ou seja, juízes de linha basicamente trabalham em torneios de nível ATP/WTA para cima. Não há torneios pequenos suficientes para dar emprego a essa gente toda.

Não se menos atentos. Certamente, menos atuantes. O número de overules hoje em dia é bem menor comparado ao pré-Hawk-Eye. Parece que a postura-padrão hoje em dia é só corrigir os erros muito graves. Nas bolas mais próximas, o tenista que use o desafio.

Quanto ao saibro, sou contra. Criaria ainda mais confusão. Segundo o vice-presidente de regras e competições da ATP, Gayle Bradshaw, a marca da bola no saibro varia de acordo com as condições do dia. Segundo ele explica nesta reportagem do New York Times, quando a quadra tem mais pó, por exemplo, a a bola deixa uma marca maior do que seu contato real com o solo. Por outro lado, quando há pouco pó, a marca da bola é menor do que seu contato com o solo. Imagine o Hawk-Eye mostrando no telão uma marca diferente da real, que está lá na quadra, para o jogador ver. Não seria um caos?

Além disso, existe a margem de erro do Hawk-Eye e outro fator que pouca gente sabe: no mesmo texto do New York Times, o diretor de tênis da Hawk-Eye, Peter Irwin, explica que o sistema é calibrado medindo a quadra e as ondulações do solo. Como o chão está mudando sempre numa quadra de saibro (mais pó/menos pó), o Hawk-Eye precisaria ser calibrado e recalibrado constantemente ao longo de um dia de jogos. Levaria meia hora após cada jogo, sem contar que em partidas longas o sistema não estaria 100% calibrado durante o jogo inteiro. Agora pensemos bem: quem vai se arriscar a colocar isso tudo junto num liquidificador pra ver o que acontece?

Eu já escrevi sobre isso algumas vezes aqui no blog. Para não ser tão repetitivo, aqui vai uma versão resumida: sou muito contra. Acho que permitir tempos técnicos vai de encontro a uma das grandes essências do tênis, que é deixar que o atleta desenvolva a capacidade de resolver seus problemas sozinhos. Não ter uma babá para ler o jogo e dizer o que é preciso fazer é parte integral do que separa os grandes de ótimos tenistas.

De forma geral, técnicos (é claro) são a favor da regra. Um caso de exceção é Paul Annacone, ex-treinador de Pete Sampras. Em reportagem recente publicada no New York Times, Annacone indaga se “vale a pena excluir algo que devemos celebrar no tênis: Pete, Roger, Rafa ou Serena entendendo [o que acontece em quadra]? Encontrar uma solução com seis milhões de pessoas vendo você jogar na Quadra Central de Wimbledon. Para mim, é uma parte enorme do que faz um dos grandes da história. Como lidar com esse momento de estresse por conta própria? É um formador de caráter, mas mais importante ainda, um grande revelador de caráter.”

Não sei se isso pode acontecer. Eu, certamente, nunca vi nada parecido no mundo. Não me lembro de ter visto uma federação ou confederação “massificar” esporte, e isso não acontece por questões que começam com a cultura de uma nação. Você simplesmente não consegue em cinco ou, sei lá, 10 anos fazer um país se apaixonar por tênis dessa maneira. O Brasil se envolveu emocionalmente com Guga, mas foi o que hoje se chama de “modinha”. No fim da década de 2010, o movimento nos clubes já havia diminuído. Não seria uma geração boa de tenistas que manteria isso vivo.

Dito isto, é sempre possível fazer mais do que é feito no Brasil, seja com federações estaduais estimulando a prática do esporte localmente, realizando torneios e capacitando professores em clubes e academias. A CBT, hoje, se orgulha um bocado de seu trabalho de capacitação, mas ele é terceirizado (o dinheiro de inscrições entra direto na conta de Cesar Kist e não passa pela CBT) e tem um custo alto para os professores interessados. Por que a entidade, mesmo quando teve muito dinheiro entrando, nunca subsidiou esses cursos? Afinal, se é pra pensar grande, a capacitação de cada um desses professores e treinadores faz bem ao esporte no país, certo? E uma entidade nacional não pode fazer isso para lucrar.

Rodrigo, eu discordo de você, viu? Não acho que seja indiferença. Acho que pelo menos aqui no Brasil a cobertura é proporcional ao interesse do público, que por sua vez é proporcional ao tamanho do evento. Um Challenger é como se fosse uma segunda divisão do tênis, considerando que ATPs e Slams sejam o escalão principal. E se você pensar bem, quantos veículos no Brasil (ou no mundo) cobrem divisões menores de vôlei, basquete, judô, vela, hipismo, etc.?

Eu já estive em vários Challengers, mas nunca bancado pelas empresas em que trabalhei. Sempre fui com a hospedagem paga pelos promotores. A Try e a Koch Tavares costumavam convidar veículos importantes da imprensa, pagando hospedagem e, em alguns casos, passagem aérea. Era uma maneira de garantir que o evento deles teria alguma cobertura nacional.

Mas era outra época, né? Havia mais Challengers, havia mais tenistas de nome jogando no país e havia mais dinheiro. Hoje, quase ninguém da imprensa é convidado a cobrir esse tipo de evento. E que veículo grande, no meio de uma crise gigante da imprensa no país, vai destacar um repórter durante uma semana inteira, para acompanhar um evento sobre o qual há pouco interesse do público? Eu mesmo adoraria ir a todos os Challengers do país. São eventos menores, com atletas (em tese) mais acessíveis, e dá para conseguir histórias interessantes. Mas não posso me dar o luxo de tirar do meu bolso para fazer isso.

Sabe tudo que rolou na Copa Davis, João? Aquilo foi um microcosmo da gestão Westrupp. O atual presidente da CBT, colocado na entidade pelo antigo presidente Jorge Lacerda (um cidadão que enriqueceu em 10 anos na presidência e foi morar em Paris), adota o “finge que não aconteceu” para muita coisa. Westrupp se aproxima de ex-tenistas como Koch e Meligeni “esquecendo” que ele mesmo foi contra premiar ambos com o Commitment Award da ITF três anos atrás; ele apaga tweets ofensivos sem dar satisfação; ele adota presidentes de federação na equipe da Copa Davis sem ver problema moral nenhum; ele “esquece” que a CBT sempre quis ter sua sede Centro Olímpico de Tênis em nome de continuar trabalhando em sua Florianópolis… Enfim, a lista é longa. A impressão que tenho é que Westrupp age como dirigente de clube amador e não-remunerado. Na CBT, ele ganha mais de R$ 20 mil por mês (segundo informação da Folha) para ser um gestor profissional de uma entidade nacional. Precisa começar a agir como tal.

Moisés, minhas respostas são não e não, infelizmente. Basta olhar para o ranking. No top 500 (quinhentos), o Brasil tem cinco atletas com menos de 25 anos. O nome que era visto como maior promessa, Orlando Luz, vive uma temporada difícil, recheada de lesões, e acaba de deixar o centro de treinamento onde trabalhou nos últimos anos. Não é exagero afirmar que sua evolução não acontece como o esperado. Três anos atrás, em 2014, ele fez semifinal no torneio juvenil de Roland Garros contra o russo Andrey Rublev. Hoje, o gaúcho é o número 574 do mundo. Rublev, que tem os mesmos 19 anos do brasileiro, é o #37 do mundo e fez quartas de final do US Open. É claro que o russo é uma exceção e não é a comparação mais justa, mas o que justifica essa diferença tão grande na transição? Eu não sei a resposta para isso, mas talvez ela começa com o velho e acomodado bordão “cada tenista amadurece no seu próprio tempo”, que mais parece um mantra para técnicos manterem seus empregos enquanto os resultados não vêm. Fora isso, ainda sobre o tênis brasileiro, minha única grande esperança é Bia Haddad no momento.

Não, Eldon, ninguém é obrigado a guardar a outra bolinha. O tenista pode pegar uma para o saque e pedir outra do boleiro caso erre o primeiro serviço. Não é tão comum no circuito masculino, mas Thomaz Bellucci é um dos que fazem isso.

Não acho, Elder. Até porque eventualmente criaria uma distorção no ranking. Imagine que Rafael Nadal ganhou Roland Garros cinco vezes seguidas. Quanto de bônus ele ganharia pelo quinto troféu? Essa pontuação inflada permitiria que um atleta chegasse a um ranking muito mais alto do que atletas que ganhassem o mesmo número de pontos “limpos” (aqueles sem bônus). Existiria um risco de perpetuar os tops lá no alto.

O Adovaldo se referia à chave de Washington nessa pergunta. Nesse caso, a dupla cabeça 1 é a que jogou menos torneios da modalidade. Se persistir o empate, a prioridade será do time que tiver mais pontos no ranking. Se você quiser conferir, a informação está na página 103 do livro de regras da ATP.

Thiago, eu gosto dos que falam mais. Hoje, eu escolheria Andy Murray. Ele não dá as entrevistas mais polêmicas do mundo, mas é um cara sincero e sempre fala o que pensa. Sempre que lhe abordam de maneira inteligente, ele sai com respostas bem diferentes daquelas higienizadas por sessões de media training.

Também na ATP, Nick Kyrgios daria uma bom papo. Acho que ele já falou bastante e sobre muitos assuntos, mas é um cara que pode ser abordado por X maneiras diferentes e sempre vai dar sua opinião de maneira sincera. Assim como Murray, é um cara que rende quando abordado de uma maneira diferente.

Na WTA, eu gostaria muito de entrevistar Karolina Pliskova e Agnieszka Radwanska, por motivos diferentes. Pliskova é vista como uma tenista sem carisma, mas adoro como ela faz análises táticas e autocríticas complexas logo depois de partidas. Adoraria tirar meia hora com ela para conversar só sobre tênis, mecânica, estratégias e planos de jogo. Aga também tem muita capacidade para falar sobre tênis (muito mais do que a maioria da WTA), mas e dona de um senso de humor interessante. Acho que eu conseguiria boas coisas se eu conseguisse “conquistá-la” (chegar com um assunto que ela esteja bem disposta a abordar) na entrevista.

Olha, Fernando, a gente não é famoso assim pra meet and greet, né? Por favor! Se tem uma coisa que nós três do podcast temos em comum, é que ninguém é deslumbrado ou fica exagerando no currículo pra parecer ser maior do que é. Além disso, tem o problema logístico de eu não morar em São Paulo, caso contrário a gente marcaria um barzinho e quem quisesse aparecer pra bater papo poderia.

De qualquer maneira, nós três estamos juntos sempre durante o Rio Open e quase sempre no Brasil Open (este ano eu não fui porque estava de mudança). Quem quiser bater um papo é só avisar que a gente dá um jeito de encontrar. Sem frescura.

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Um confronto para o Brasil nunca esquecer http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/18/brasil-japao-copa-davis-um-confronto-para-o-brasil-nunca-esquecer/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/18/brasil-japao-copa-davis-um-confronto-para-o-brasil-nunca-esquecer/#respond Mon, 18 Sep 2017 07:00:17 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5506

Sabe aquela entrevista com o jogador de futebol saindo do gramado nem tão chateado com a derrota e com o discurso pronto? Ele vai sacar frases de uma lista que tem “o importante é que o time lutou até o fim”, “infelizmente não deu”, e “agora é olhar pra frente e pensar na próxima partida”. Esse é o mesmo livrinho que tem o velho “foi um jogo pra esquecer”, que parece ser o caso do Brasil que tinha uma chance rara e foi a Osaka enfrentar o Japão pelos playoffs da Copa Davis.

Parece, mas não é. Porque desde a convocação, há muita coisa que a Confederação Brasileira de Tênis (CBT), seu presidente, Rafael Westrupp, o capitão João Zwetsch, Guilherme Clezar, Thiago Monteiro e o resto da delegação não podem esquecer. Nunca. A série de eventos que terminou na derrota por 3 a 1 diante de um Japão que não tinha Kei Nishikori, Yoshihito Nishioka nem Taro Daniel compõe um dos episódios mais lamentáveis da história do tênis brasileiro.

1. Rafael Westrupp não pode nunca esquecer que ele, enquanto ocupar o cargo máximo da CBT, não tem o direito de se comportar como o primo bêbado de uma pessoa famosa e sair postando vídeos com o tipo de ofensa que foi dita junto ao nome de um adversário. Westrupp não é o primo bêbado. Nessa equação, ele é o famoso. Quando assumiu a presidência da modalidade no país, ele perdeu o direito de pensar pequeno e de agir com a mentalidade de quem faz bico pra ganhar a vida. É preciso que ele aja e se comporte como o cargo exige. Simples assim. Apagar post e fingir que não aconteceu não é comportamento de dirigente que precisa dar exemplo.

2. João Zwetsch não pode nunca esquecer que é essencial manter um nível mínimo de comunicação com sua já pequena lista de convocáveis. A demora a contactar Rogerinho, o número 1 do Brasil, e informá-lo sobre seus planos fez o paulista recusar a convocação quando ela veio após a notícia da lesão de Thomaz Bellucci. O problema de comunicação (e de consideração, por que não?) do capitão fez o país perder a chance de ter um tenista experiente em um confronto que pedia maturidade. Em vez de contar com Rogerinho, Zwetsch se viu quase forçado a escalar Guilherme Clezar que, além de não viver seu melhor momento, jogava um Challenger no saibro e na altitude e nunca venceu um jogo de nível ATP na vida.

2.1 Que também não se esqueçam disso Daniel Melo e André Sá. Pelo que ouvi, o irmão de Marcelo é o mais cotado para assumir o lugar de Zwetsch, que já pensa há algum tempo em deixar o posto de capitão. O fiasco de Osaka talvez seja o momento escolhido pela CBT para efetuar a troca.

3. Guilherme Clezar não pode (e certamente não vai) nunca esquecer que seus gestos, em eventos de maior porte, serão observados e analisados com pente fino. Pela imprensa, pelo público e pela ATP – ou, no caso, pela ITF, que decidiu multá-lo em US$ 1.500 pelo gesto que ofendeu muita gente. Sim, o gaúcho se arrependeu e pediu desculpas, mas talvez ele só tenha percebido a gravidade do que fez por causa da repercussão. Clezar agora sabe não apenas que aquele gesto específico ofende muita gente, mas tem a noção de que precisará se comportar melhor quando e se começar a jogar torneios de nível ATP com mais frequência.

3. 1 Clezar se arrependeu e pediu desculpas, mas será mesmo que a CBT não deveria ter se pronunciado sobre a questão? Será que ninguém na entidade acha que é preciso dar uma satisfação pelo comportamento de um atleta enquanto este veste as cores do país? Ou devemos achar que fãs, tenistas juvenis e todos relacionados ao tênis brasileiro não merecem uma satisfação? Pelo que (não) se notou, parece que
Correios, Peugeot e Companion (ninguém se manifestou) são o tipo de parceiro que não se preocupa tanto assim com a boa imagem do esporte nacional.

4. Thiago Monteiro não pode nunca esquecer que seu tênis precisa de mais. Mais variação, mais opções, mais inteligência. Em Osaka, o cearense apresentou muito pouco além da louvável luta para esticar o primeiro jogo contra Go Soeda, ainda na sexta-feira. Nessa mesma partida, porém, faltou leitura de jogo e faltou explorar melhor o esgotamento do rival. Na segunda-feira, contra Yuichi Sugita, Monteiro bateu muito e errou muito. Faltou tentar coisas diferentes. Faltaram slices, curtas, voleios e subidas à rede eficientes. Quase toda vez que sai do fundo de quadra, Monteiro encontra problemas. Suas deficiências se repetiram durante boa parte da temporada e agora, para piorar, estão mais conhecidas no circuito.

5. A Confederação Brasileira de Tênis não pode nunca esquecer de incluir, numa delegação de 15 pessoas, um fotógrafo ou, pelo menos, um assessor de imprensa. Não é coincidência a falta de fotos – em todos veículos de imprensa – com boa visualização dos patrocinadores da entidade.

6. A Confederação Brasileira de Tênis não pode nunca esquecer do tamanho do estrago que faz um texto mal redigido. A situação de Guilherme Clezar só piorou quando a entidade publicou em sua conta no Facebook um texto dizendo que houve uma “interpretação equivocada” do gesto do tenista gaúcho. O atleta se explicou melhor quando conversou comigo e refleti sua intenção neste post. Dizer, no entanto, que o mundo inteiro deu uma interpretação errada ao gesto é de uma ingenuidade sem tamanho. Todo mundo viu o que aconteceu – inclusive a ITF, que multou o brasileiro. Ou será que a Federação Internacional de Tênis se equivocou na interpretação também?

6.1 Cliquem acima e leiam: os comentários dos seguidores da CBT no texto citado e incluído acima dão a noção exata de quão ruim foi a tentativa da entidade de apagar esse incêndio. A lista inclui até um “Hahaha ! Tô de camarote !” postado por João Souza, o Feijão.

7. A Confederação Brasileira de Tênis não pode nunca esquecer que seu dever é dar aos tenistas e ao país as melhores condições possíveis para vencer um confronto. No fim das contas, quem ganha e perde sempre são os atletas, mas a entidade nunca pode se isentar de culpa, seja na escolha de uma sede que ajuda o time visitante (como Florianópolis contra a Croácia), seja na formação e na escalação de uma equipe que vai enfrentar os playoffs. A CBT, como conjunto, falhou feio em Osaka.

Coisa que eu acho que acho:

– A única nota positiva do fim de semana fica por conta da vitória de Bruno Soares e Marcelo Melo. Ano entra, ano sai, e a dupla mineira continua sendo o ponto mais sólido do Brasil. É de se lamentar que os dois não tenham mais apoio dos simplistas.

– É mais fácil fazer piada e desmerecer as críticas do que refletir, fazer autoanálise e considerar seriamente o que precisa mudar. Enquanto a CBT continuar liderada por gente que se acha autossuficiente e só se elogia em público (e eles mesmos se criticam nos bastidores), o tênis no Brasil seguirá com vários dos velhos problemas que o atormentam desde a gestão Lacerda. Trocar posts e dar parabéns no Instagram não vai desenvolver tenistas nem fazer brotar um centro de treinamento, muito menos ganhar confrontos de Davis.

Notinhas sobre outros brasileiros:

– Teliana Pereira, que não joga desde junho, está dando um tempo do tênis. A pernambucana, que já foi top 50 e ocupa hoje o 344º lugar na lista da WTA (texto escrito às 3h35min de segunda-feira), vai se casar em outubro.

– Thomaz Bellucci não é mais agenciado pela IMM e também dispensou a assessoria de imprensa que mantinha desde 2007. Segundo o blog de José Nilton Dalcim, Bellucci será representado pela Linkin Firm, empresa de Márcio Torres que também agencia Bruno Soares, Thiago Monteiro e Teliana Pereira. É certamente uma mudança radical. Se isso significa que Bellucci está motivado para voltar a brigar por coisas maiores no circuito, ainda é cedo para saber. Esperamos que sim.

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O arrependimento, as desculpas e a multa de Clezar http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/16/o-arrependimento-e-as-desculpas-de-clezar/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/16/o-arrependimento-e-as-desculpas-de-clezar/#respond Sat, 16 Sep 2017 03:15:34 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5495

(Texto editado e atualizado às 8h45min de sábado, 16/09/2017, para incluir a informação sobre a multa aplicada ao tenista brasileiro)

Eu estava em um jantar com amigos quando piscou uma notificação no celular. Era Guilherme Clezar, querendo conversar sobre o gesto que fez durante o tie-break de sua derrota para Yuichi Sugita. Na mensagem, ele dizia que “nunca havia passado por [sua] cabeça qualquer coisa do que foi falado”.

O gaúcho de 24 anos, #244 do mundo e convocado de última hora para defender o Brasil na Copa Davis após a lesão de Thomaz Bellucci (e a negativa de Rogerinho, preterido na primeira convocação), mostrava-se realmente preocupado com a repercussão, que tomou uma dimensão considerável. Meu post com o vídeo foi visto por um número considerável de pessoas e inclusive retweetado por jornalistas de outros países. A ITF, inclusive, foi procurada por veículos da imprensa brasileira interessados em saber se haveria possibilidade de punição.

Um leitor do blog, descendente de japoneses, escreveu uma carta aberta e um texto dirigido a um diretor da Wilson, fornecedora de raquetes para Clezar. João Victor Araripe, do Globoesporte.com, também manifestou indignação. O gaúcho, então, usou sua conta no Instagram para pedir desculpas.

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A CBT também publicou um texto, que não caiu muito bem com os seguidores da entidade. A redação usa “interpretação equivocada” de modo a fazer parecer que foram os fãs de tênis que entenderam o gesto de forma errada. O texto dá a entender que a culpa é de quem viu e não de quem fez. Apenas agravou a situação, como é possível perceber pelos comentários de quem passou por lá.

Falei especificamente sobre esse trecho com o tenista. Clezar disse que não era esse o sentido que ele queria dar à frase. Ele apenas queria dizer que não foi sua intenção ser racista ou preconceituoso. Não tentou transferir a culpa. Como diz o texto do Instagram, ele reconheceu que “o gesto feito não condiz com atitudes de respeito, zelo, solidariedade”, etc. Nas mensagens que trocamos, o gaúcho não tentou inventar justificativas. Apenas disse novamente que gostaria de pedir desculpas a todos que se sentiram ofendidos. Um por um. “Olha… eu realmente só queria poder me redimir disso, me desculpar, da maneira que fosse”, escreveu.

Às 8h32min (de Brasília) deste sábado, a ITF anunciou que Clezar foi multado em US$ 1.500 por conduta antiesportiva. Segundo a entidade disse que o incidente foi relatado após a partida, e as imagens foram analisadas pelo árbitro-geral do confronto, que decidiu pela punição.

Coisas que eu acho que acho:

– Assim como registrei o gesto, deixo aqui o pedido de desculpas do atleta. Na breve conversa que tivemos (inclusive sobre outros assuntos), senti o atleta apreensivo e tive a impressão de ser um arrependimento genuíno, assim como o pedido de desculpas.

– Mesmo que o leitor não tenha a mesma impressão que eu, o que o gaúcho fez já foi mais digno do que o presidente da CBT, Rafael Westrupp, que publicou um vídeo incompatível com a postura exigida de seu cargo, apagou e fez como se nada tivesse acontecido, sem pedir desculpas a ninguém. Feio demais.

– Não é piada, juro. Numa conversa com um amigo sobre um assunto nada a ver com tênis, ele usou a expressão “fazer o Westrupp” com o sentido de fingir que nada aconteceu. A frase era algo como: “eu vou, tento e se não der certo, faço o Westrupp.” É de entristecer que o presidente da entidade que rege o tênis no Brasil seja transformado em exemplos desse tipo.

– Quanto ao confronto, a situação é tensa em Osaka. A previsão é de chuva para todo o sábado, com a chegada de um tufão no domingo. As equipes se reuniriam com a ITF neste sábado para considerar as opções possíveis para terminar o duelo. Escrevo mais sobre isso e outros detalhes envolvendo CBT, Bellucci e outros temas no próximo post.

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Japão x Brasil, dia 1: duas derrotas e uma reação deselegante http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/15/japao-x-brasil-dia-1-duas-derrotas-e-uma-reacao-deselegante/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/15/japao-x-brasil-dia-1-duas-derrotas-e-uma-reacao-deselegante/#respond Fri, 15 Sep 2017 09:01:43 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5492

Não poderia ter sido pior para o Brasil o primeiro dia do confronto contra o Japão, em Osaka, válido pelos playoffs do Grupo Mundial da Copa Davis. Mesmo diante de um time japonês desfalcado de seu melhor tenista, sob os olhos de uma torcida modesta, que pouco barulho fez, e em uma quadra lenta, que foi uma surpresa agradável para o capitão João Zwetsch, a equipe brasileira terminou a sexta-feira com um saldo de duas derrotas e o agravante de (mais) uma cena deselegante de um integrante do time.

No primeiro jogo, deu o esperado. Guilherme Clezar (#244) até teve suas chances contra Yuichi Sugita (#42), mas os seis games seguidos que perdeu no primeiro e no segundo sets tiveram peso considerável. O gaúcho teve game point para forçar o tie-break na segunda parcial e sacou para fechar a terceira. Não aproveitou as oportunidades e levou 6/2, 7/5 e 7/6(5), cedendo cinco pontos de graça no game de desempate que selou a partida.

Não dá para dizer que esse resultado fez grande diferença nas chances brasileiras, já que, no papel, era o único jogo com um claro favorito. Não se esperava mais de Clezar. Triste mesmo foi a reação deselegante do gaúcho a um erro de marcação de um juiz de linha japonês durante o tie-break. O vídeo abaixo é autoexplicativo. Vejam:

Doído mesmo foi o segundo jogo, que mostrou um pouco do que aconteceu com Thiago Monteiro em vários momentos de sua temporada: um bom começo, pontos mal jogados fora do fundo de quadra, demora a responder ao que acontece em quadra e uma derrota de virada. É bem verdade que o cearense brigou e forçou um quinto set quando o jogo parecia perdido, mas no fim a derrota veio do mesmo jeito.

No começo, Monteiro foi incrivelmente superior durante cinco games. Abriu 5/0 e acumulou “gordura” para fechar a parcial em 6/3. Só que Soeda, #139 do mundo, já era o melhor tenista em quadra quando a segunda parcial começou. O japonês passou a agredir mais, encaixando boas devoluções de saque e jogando mais dentro da quadra, frequentemente tirando de Monteiro o controle dos ralis. E quando a dinâmica do duelo mudou, o cearense demorou fazer a coisa voltar para o seu lado. Só reagiu depois de um tempo médico estratégico antes do oitavo game do quarto set, que terminou com uma quebra. A partir dali, o brasileiro agrediu mais, errou menos e brilhou em um tie-break quase perfeito para forçar o quinto set.

Soeda, que sacou para o jogo em 5/4 no quarto set, dava sinais de esgotamento na parcial decisiva, mas encontrava maneiras de manter seu serviço sem drama. Foi aí que Monteiro vacilou. Com 30/30 no 2/3, errou um voleio fácil e cedeu o break point. Uma ótima devolução de segundo saque do japonês conseguiu a quebra. O cenário do quarto set se repetiu, e Soeda perdeu o saque quando tinha 5/3 de frente. Desta vez, no entanto, Monteiro cedeu seu serviço no 4/5 e viu o time japonês comemorar depois de 3h41min de partida: 3/6, 6/4, 6/3, 6/7(1) e 6/4.

Coisas que eu acho que acho:

– Óbvio que não é impossível uma virada brasileira. A dupla de Bruno Soares e Marcelo Melo é favoritíssima no sábado e deve manter a equipe com vida. O que parece ser o maior obstáculo no momento é a dependência de um triunfo de Clezar contra Soeda no domingo. O gaúcho nunca venceu uma partida de nível ATP na vida e fez hoje apenas sua terceira partida em melhor de cinco sets na vida. Depender de Clezar em um quinto jogo de Davis, com o peso de uma nação nas costas, não é o melhor dos cenários.

– Sobre a reação do vídeo postado acima, quem circula por Challengers e outros torneios no país sabe que Clezar tem fama de mal-educado. Quem conversar com boleiros e árbitros vai ouvir que o gesto é apenas mais um para o gaúcho. É o tipo de comportamento que “passa” nos torneios menores. Quase ninguém vê e a repercussão é quase zero. Quem chega assim no nível ATP logo descobre que precisa mudar. Clezar ainda não chegou. Mas, longe de querer isentar o atleta, o que esperar de um integrante da delegação quando o presidente da CBT, Rafael Westrupp, dá um exemplo fazendo o que fez postando este vídeo?

– Tanto Westrupp quanto Clezar precisam dar graças aos céus por ser um confronto de playoff, quase sem imprensa internacional cobrindo. Fosse um duelo mais importante ou contra outro país, os gestos de ambos poderiam ter repercussão muito maior e, consequentemente, muito pior para o Brasil.

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A quantas anda a recuperação de Bellucci? http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/14/a-quantas-anda-a-recuperacao-de-bellucci/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/14/a-quantas-anda-a-recuperacao-de-bellucci/#respond Thu, 14 Sep 2017 15:03:34 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5484

Enquanto o Brasil se prepara para enfrentar o Japão pela repescagem da Copa Davis (o confronto começa às 23h desta quinta, no horário de Brasília), vale lembrar a quantas anda Thomaz Bellucci, que ficou fora do confronto por causa de uma ruptura parcial no tendão de aquiles diagnosticada só depois do US Open.

Foi esse diagnóstico que fez João Zwetsch mudar de ideia e chamar Rogerinho para o confronto. O número 1 do Brasil, no entanto, não aceitou o convite, já que foi preterido na primeira convocação e já tinha feito um planejamento de calendário.

O curioso sobre o caso de Bellucci é que Bia Haddad Maia postou no dia 7 de setembro um vídeo do paulista treinando na Flórida. Mais curioso ainda foi o vídeo ser apagado pouco tempo depois de sua publicação, como relatou João Victor Araripe, do Globoesporte.com, na época.

Como, então, o paulista podia treinar com uma ruptura parcial do tendão? É isso que explica seu preparador físico, Cassiano Costa:

“O tratamento consiste, na primeira fase, de analgesia e recuperação até ausência da dor. A segunda parte é de equilíbrio da articulação, junto com fortalecimento. Depois, faz a batida sem se mover; em seguida, faz a batida se movendo para a frente e para trás; e, por último, movendo lateralmente. O Thomaz ainda está na transição do bater sem movimento para começar a ter um pouquinho de movimento para a frente. Isso ainda vai levar uma semana e meia, duas, até que ele esteja completo para bater. O vídeo mostra ele fazendo golpes, mas pode ver que o movimento dele é muito pequeno. Tanto a parte de condicionamento quanto a parte do tendão não estariam prontas a tempo de jogar uma Davis, por isso a gente decidiu continuar o tratamento porque ele podia ampliar a lesão e, seguramente, não iria estar se movimentando, então melhor deixar alguém que está em melhor condição.”

Coisas que eu acho que acho:

– Sobre o confronto, o sorteio decidiu que a primeira partida será entre Guilherme Clezar e Yuichi Sugita. Em seguida, Thiago Monteiro encara Go Soeda. Não que faça tanta diferença assim, mas não ma parece o melhor dos cenários para o Brasil. Sempre acho mais interessante que o jogador menos experiente faça o segundo jogo. Assim, é preciso lidar com menos pressão. Uma vitória de Monteiro no primeiro jogo (e ele é favorito contra Soeda) colocaria Clezar mais leve em quadra.

– Vale lembrar que Clezar ainda não tem no currículo uma vitória num jogo melhor de cinco sets. Em sua única participação na Davis, o gaúcho sofreu uma lesão e abandonou o jogo contra Emilio Gómez, do Equador, no terceiro set. Clezar também jogou uma vez a chave principal do US Open e foi derrotado pelo suíço Marco Chiudinelli em quatro sets. Sugita, por sua vez, já disputou 14 jogos em melhor de cinco sets e venceu cinco.

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Nishikori é ‘trollado’ em comemoração da CBT no Japão http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/13/nishikori-e-trollado-em-comemoracao-da-cbt-no-japao/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/13/nishikori-e-trollado-em-comemoracao-da-cbt-no-japao/#respond Wed, 13 Sep 2017 17:24:29 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5472

Era o aniversário de 49 anos do capitão João Zwetsch, e a grande delegação brasileira que está em Osaka, no Japão, para os playoffs da Copa Davis saiu para comemorar. Segundo a conta de Twitter do presidente da entidade, Rafael Westrupp, em um local indicado pelo ex-top 10 japonês Kei Nishikori.

Eis que após os cantos de parabéns, enquanto uma turma gritava “Nishikori, Nishikori”, uma voz manda em alto e bom som: “PAU NO C* DO NISHIKORI”. O vídeo com a cena e a voz foi publicado pelo próprio presidente da CBT. Vejam abaixo.

(atualizado às 15h50) O tweet foi apagado cerca de uma hora e meia depois da publicação deste post, mas o vídeo segue registrado acima, junto com a imagem da postagem. Em seguida, Westrupp publicou, às 3h45 da manhã no horário de Osaka, dois tweets manifestando seu “respeito” e “admiração” aos japoneses, “inclusive aos que não puderam vir jogar, Nishikori e Taro Daniel”. O dirigente, contudo, não se desculpou nem explicou a postagem anterior.

Atual #14 do mundo, Nishikori, com uma lesão no punho direito, não disputará o confronto. O Japão também não terá seu atual número 3, Yoshihito Nishioka (#123 do mundo), igualmente lesionado, nem seu número 4, Taro Daniel (#129). A equipe que enfrenta o Brasil em Osaka, neste fim de semana, tem Yuichi Sugita (#42), Go Soeda (#139), Yasutaka Uchiyama (#197) e Ben Mclachlan (#138 de duplas).

O Brasil, que não terá Bellucci, que diz estar lesionado, nem Rogerinho, que não aceitou a convocação depois de ser preterido inicialmente por Zwetsch, está escalado com Bruno Soares, Marcelo Melo, Thiago Monteiro (#116) e Guilherme Clezar (#244).

Coisas que eu acho que acho:

– Do mesmo modo que aconteceu no Equador, a CBT levou ao Japão Luís Eduardo Nunes, presidente da federação paraibana de tênis. Nunes desta vez é citado nos comunicados da entidade como “auxiliar da equipe” que está lá “de forma voluntária”. Ninguém na CBT (e isso inclui atletas) parece ver conflito moral em incluir um presidente de federação em sua equipe. Eu discordo. Presidentes de federações são responsáveis por eleger e reeleger presidentes de confederações, votar em decisões como a mudança de sede de uma entidade e fiscalizar as contas.

– Sobre o vídeo do alto do post, qualquer atleta ou treinador vai dizer que é o tipo de coisa que acontece e que se fala quando uma equipe está reunida, “grupo fechado”, “brincadeira”, “coisa interna”, longe dos microfones, etc. e tal. Mas daí a ter um momento desses divulgado por um presidente de entidade… Chega a ser engraçado, ainda mais sabendo que algumas pessoas sentadas à mesa têm um medo enorme de falar com a imprensa – como se jornalistas tivessem sempre a intenção de divulgar algo que não deveria ser exposto. Bom, quem divulgou foi O PRESIDENTE!!! Não há muito mais a comentar. O fato de ele ter apagado o post às 3h45m da manhã em Osaka diz muito.

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Quadra 18: S03E12 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/11/quadra-18-s03e12/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/11/quadra-18-s03e12/#respond Mon, 11 Sep 2017 19:25:40 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5470 Um slam com campeões que emocionaram, mas com finais entediantes. O US Open chegou ao fim coroando Sloane Stephens e, mais uma vez, Rafael Nadal. Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu gravamos, então, mais um episódio do podcast Quadra 18, lembrando do que aconteceu de mais importante e nos divertindo muito com isso.

Falamos dos campeões e suas chaves, dos derrotados e de suas chaves, do retorno de Sharapova e do quase-barraco com Wozniacki, de Muguruza, a nova número 1, de Pliskova, a ex-número 1, de Murray e sua desistência, de Toni Nadal e sua despedida e de muitas outras coisas (a lista completa de assuntos segue abaixo).

Quer ouvir? Basta clicar neste link. Se preferir, clique com o botão direito do mouse e escolha “salvar como” pra baixar o arquivo e ouvir mais tarde. De qualquer modo, divirta-se! O próximo episódio vem logo depois do slam americano.

Os temas

0’11” – The Man (The Killers)
0’32” – Sheila apresenta os temas
2’00” – Uma análise sobre a campanha de Rafael Nadal no torneio
5’50” – A briga pelo número 1 e a vantagem da Nadal no momento
6’40” – “Nadal sem Toni é como Claudinho sem Buchecha?”
8’40” – “Nadal vai ser o primeiro a ter mais de 20 grand slams?”
9’35” – Kevin Anderson será um novo Marin Cilic? (Aliny ameaça deixar o podcast)
12’50” – O abandono de Murray após o sorteio da chave e teorias de conspiração
14’50” – Del Potro e como ele deu vida ao US Open
15’35” – O Federer meia-boca e sua chave fácil
17’25” – “Federer consegue ganhar algo e brigar de fato pelo #1?”
20’30” – “Foi o slam masculino de nível mais baixo dos últimos anos?”
23’30” – “Quais são os prognósticos para Shapovalov em 2018?”
24’50” – Rogerinho, Shapovalov e “I made you”
26’05” – HandClap (Fitz and the Tantrums)
26’28” – A trajetória de Sloane Stephens até o título
32’50” – O torneio ruim da ex-número 1 Karolina Pliskova
34’30” – Muguruza, a nova número 1 e suas chances de se manter como #1
38’35” – Opiniões sobre o “embate Wozniacki-Sharapova”
43’30” – Europarty (Mandinga)
43’54” – A surpreendente campanha de Rojer e Tecau
46’35” – A camisa e o discurso de Jean-Julien Rojer
48’30” – Kubot, Melo e a queda desde Wimbledon
50’18” – Bruno, Jamie e o ótimo torneio até o dia da derrota
52’02” – As duplas classificadas para o ATP Finals

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Rafa Nadal, novamente implacável http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/11/rafa-nadal-novamente-implacavel/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/11/rafa-nadal-novamente-implacavel/#respond Mon, 11 Sep 2017 03:56:20 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5461

Enquanto Rafael Nadal esteve aquém de seu melhor tênis, o Estádio Arthur Ashe foi especialmente cruel com o espanhol. Foi lá, em 2015, que pela única vez na carreira em um slam Nadal abriu 2 sets a 0 e acabou derrotado. Foi duro para o então bicampeão do torneio ver Fabio Fognini sair comemorando depois de jogar em um belo nível e não conseguir mostrar a solidez de sempre para fechar um jogo. Naquela noite, Nadal teve seu serviço quebrado quatro vezes no quinto set.

O revés de 2016 foi tão ou mais duro. Nadal encarou Lucas Pouille em outro jogo que se arrastou até o quinto set. O francês teve 2 sets a 1 de vantagem, mas o espanhol parecia perto da vitória quando abriu 4/2 na parcial decisiva. Pois Nadal não só perdeu a vantagem como mais tarde, no tie-break, errou um forehand nada difícil com o placar em 6/6. Cedeu o match point e foi eliminado no ponto seguinte.

Duas derrotas doídas com um elemento em comum: Nadal mostrava uma vulnerabilidade raramente (ou nunca) vista. Todos sabiam que em 2015 e 2016 seu tênis não era dominante como até o início de 2014, mas ainda assim era estranho ver um multicampeão ser superado em momentos que costumava manipular rivais.

Pois o Nadal de 2015-16 nem passou perto do Ashe em 2017. Sempre que foi ameaçado, respondeu à altura, com um tênis inalcançável. Foi assim contra Taro Daniel e Leo Mayer, ainda na primeira semana, e mais tarde contra Juan Martín del Potro, nas semifinais. Nesses três jogos, o espanhol perdeu o primeiro set. Nesses três jogos, venceu as parciais seguintes por 6/3, 6/2, 6/2, 6/3, 6/1, 6/4, 6/0, 6/3 e 6/2.

Foi um Nadal muito mais perto daquele que o mundo se acostumou a ver desde 2005. Um tenista incansável, que encontra saídas quando está perdendo e não abre frestas quando está à frente. Alexandr Dolgpolov, Andrey Rublev e Kevin Anderson experimentaram desse veneno. Venceram, juntos, 22 games em nove sets. O mesmo Nadal que deram por acabado em 2009, 2012, 2015 e 2016 voltou a Nova York em grande forma. Voltou a ser implacável, impenetrável, insaciável, indomável. Voltou para ser tricampeão.

A decisão

A final deste domingo foi o que todos esperavam. Não só no resultado como no plano tático. Enquanto Anderson tentava tudo buscando aces e arriscando atrás de winners em pontos curtos, Nadal se plantava no fundão para devolver os serviços e levava a vantagem na maioria dos ralis. Desta vez, diferentemente do que aconteceu na semifinal, não foi preciso um plano B. A estratégia original deu certo deste o começo, auxiliada por uma ótima jornada de Nadal com seu próprio serviço.

Anderson não tinha muito de onde tirar. A superioridade de Nadal no fundo era imensa. O sul-africano até tentou subir à rede mais vezes, mas logo ficou claro que não seria a solução. Primeiro porque a bola de Nadal é mais difícil de volear do que a maioria, já que chega à rede cheia de spin, afundando, e depois porque o golpe junto à rede precisa ser excelente para impedir uma defesa (ou uma passada) do espanhol.

Logo, o número 1 do mundo não precisou sair de sua zona de conforto. Cometeu apenas 11 erros não forçados o jogo inteiro. E, como se quisesse (ou precisasse) mandar um recado sobre sua capacidade em quadras duras, fechou a partida num saque-e-voleio. Game, set, match, Nadal: 6/3, 6/3, 6/4.

No ranking:

Com a conquista deste domingo, Rafael Nadal chega a 9.465 pontos no ranking. Ele abre 1.960 pontos de vantagem sobre Roger Federer, que tem 7.505. No início do torneio, vale lembrar, o suíço tinha chances de alcançar a liderança. Agora terá de correr atrás, mas ainda há muito em jogo. Faltam dois Masters e um ATP Finals, além de um par de ATPs 500 no calendário. Ou seja, há pelo menos 4.500 pontos na mesa.

Coisas que eu acho que acho:

– O vídeo acima é antigo, mas o povo sempre compartilha quando Nadal ganha algo grande. Muitos dos que veem certamente se identificam com o raciocínio de Gastón Gaudio. Ele resume bem como é preciso compreender o tamanho de Rafa Nadal.

– Jogar na época de Federer, Djokovic e Murray faz de Nadal vítima de um enorme mito: o de que ele não sabe jogar em quadras duras. Sim, ainda há gente que afirme isso de um cidadão que jogou quatro finais no Australian Open e mais quatro no US Open, conquistando quatro títulos de slam no piso. Nadal, aliás, é o quinto maior campeão do US Open na Era Aberta, ficando atrás Connors (5), Federer (5), Sampras (5) e Lendl (4) e empatado com John McEnroe (3).

– Número interessante fornecido pelo US Open: Dos últimos 51 slams, 46 foram vencidos por integrantes do Big Four. Desde 2005, Rafa Nadal venceu 16, Roger Federer conquistou 15, Novak Djokovic triunfou em 12, e Andy Murray ganhou três.

– Outro: Nadal é um dos três tenistas na história (não só da Era Aberta) a vencer slams como adolescente, com mais de 20 e com mais de 30 anos. Os outros dois são Pete Sampras e Ken Rosewall.

– Mais um: Nadal é um dos dois tenistas da história a conquistar os quatro slams e uma medalha de ouro em simples. O outro é Andre Agassi. O espanhol, lembremos, também tem uma medalha de ouro em duplas, o que faz dele o único tenista da história a conquistar os quatro slams, a Copa Davis e o ouro olímpico em simples e duplas.

– Para pensar: Nadal agora tem 16 títulos de slam na carreira e isso tudo deixando de competir em nove slams (alguns quando vivia ótimo momento) e abandonado mais um. A lista de ausências inclui o Australian Open em 2006 (pé esquerdo) e 2013 (virose); Roland Garros em 2003 (cotovelo) e 2004 (tornozelo esquerdo); Wimbledon em 2004 (joelho esquerdo), 2009 (joelho) e 2016 (punho esquerdo); e US Open em 2012 (joelho esquerdo) and 2014 (punho direito). O abandono aconteceu em Roland Garros/2016 por causa do punho esquerdo.

– Prova incontestável do envelhecimento do circuito: é o quinto slam consecutivo vencido por um tenista com mais de 30 anos. Desde Wawrinka (31) no US Open do ano passado até hoje, incluindo Federer (35) em Melbourne e Wimbledon e Nadal (31) em Roland Garros. E este parágrafo estava digitado antes da final porque Anderson também já passou dos 30.

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Sloane Stephens: inteligente, madura e pronta para ser campeã http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/09/sloane-stephens-inteligente-madura-e-pronta-para-ser-campea/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/09/sloane-stephens-inteligente-madura-e-pronta-para-ser-campea/#respond Sat, 09 Sep 2017 23:22:45 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5455

Sloane Stephens fez sua ascensão ao top 100 em 2012 e explodiu quando 2013 começou. Então número 25 do mundo, a americana que tinha 19 anos derrotou Serena Williams nas quartas de final do Australian Open. A compatriota estava lesionada, mas o peso do resultado foi o bastante para jogar todos os holofotes em cima de Sloane. Ela, infelizmente, ainda não estava pronta.

Aquele ano de 2013 marcou seu melhor ranking da carreira (#11, em outubro), mas também será lembrado sempre pelas polêmicas. A primeira delas aconteceu ainda antes de Melbourne. Foi em Brisbane, quando as câmeras mostraram Stephens chamando de “desrespeitosos” os gritos de “come on” de Serena, que venceu por 6/4 e 6/3 naquele dia (veja no vídeo abaixo).

A coisa piorou em maio, quando Stephens deu uma entrevista cheia de declarações fortes, contando, entre muitas outras coisas, que Serena não falava com ela desde janeiro e que o mundo precisava saber que a compatriota não era o exemplo de simpatia e educação em que todo o planeta acreditava. Isso foi depois daquele famoso tweet em que Serena escreveu “eu fiz você”, e Stephens disse “você realmente acha que eu não sei que aquilo é sobre mim?”

Enquanto isso tudo rolava – e houve mais uma polêmica no Australian Open de 2014, quando Sloane supostamente torceu por Ivanovic contra Serena – fora das quadras, a jovem tenista tentava corresponder às novas expectativas. Não conseguiu. Não teve períodos desastrosos, mas só voltou às quartas de final em slams uma vez. Não eram raros os jogos que ela começava muito atrás no placar. Aos poucos, foi caindo no ranking até sair do top 40 em 2015.

O começo de 2016 foi promissor, com títulos em Auckland, Acapulco e Charleston, mas foi aí que veio a lesão diagnosticada como fratura por estresse no pé. Sloane ficou longe do circuito por 11 meses. Em julho de 2017, cerca de 40 dias atrás, ocupava o 957º posto no ranking. E foi aí que veio o salto. A americana fez uma semi em Toronto, outra em Cincinnati e chegou ao US Open como #84 do mundo.

Desta vez, Sloane estava pronta. Sem pressão, afiada e mais madura. Passou pela experiente Roberta Vinci na estreia, bateu Dominika Cibulkova em seguida e emendou com uma boa atuação diante de Ashleigh Barty antes de superar Julia Goerges nas oitavas. Nas quartas, venceu um duelo dramático com Anastasija Sevastova que terminou 7/6(4) no terceiro set. Não foi muito diferente contra Venus nas semifinais. Mais consistente do que a rival e sem se afobar, fez 7/5 na parcial decisiva. Faltava, ainda, um jogo para o título.

O último obstáculo, no jogo mais importante de sua vida, era a amiga Madison Keys. Pois Sloane não se intimidou com o momento nem se deixou afetar pela adversária. Apostou no seu jogo de consistência – o mesmo que havia derrotado Venus – e foi com ele desde o começo. Enquanto Keys disparava suas pancadas (mais) a torto e (menos) a direito, Sloane aprofundava bolas, acertava passadas e empilhava games. Cometeu só dois erros não forçados durante o 6/3 do primeiro set. Errou o dobro na segunda parcial, mas fez 6/0 e fechou o jogo em 60 minutinhos. Sem drama, sem titubear.

Abraçou a amiga Madison, abraçou todos em seu box no Estádio Arthur Ashe e brilhou mais ainda no discurso de campeã. Contou que uma vez um diretor de academia de tênis colocou pouca fé em seu futuro no esporte e agradeceu à mãe pelo apoio irrestrito apesar do diagnóstico de um especialista. Por fim, mandou um belo recado aos pais de tenistas, pedindo que acreditem nos filhos e deem o mesmo suporte que sua mãe lhe deu. Porque a campeã deste US Open joga um tênis inteligente, mas também é muito mais madura do que a de 2013. Sloane Stephens estava pronta.

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O nó tático de Nadal http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/09/o-no-tatico-de-nadal/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/09/o-no-tatico-de-nadal/#respond Sat, 09 Sep 2017 05:16:43 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5452

O primeiro set da semifinal do US Open entre Rafael Nadal e Juan Martín del Potro foi tudo que todo mundo esperava. O espanhol insistindo em procurar o backhand do argentino, que sacava melhor e comandava os pontos quando conseguia usar a direita. E não só isso: assim como na partida anterior, contra Roger Federer, a esquerda de Del Potro esteve impecável e deu poucas chances ao adversário. Não por acaso, o atual número 28 do mundo fez 6/4, conquistando uma quebra solitária graças (não apenas) a uma bola que tocou na fita e deixou Nadal vendido.

Tudo mudou dois minutos depois, quando os tenistas voltaram do intervalo. O número 1 do mundo percebeu seu dilema. Enquanto ele buscava sempre o backhand do rival, Del Potro plantava de um lado da quadra, sempre bem posicionado e bastante à vontade para continuar a colocar a bola em jogo. Foi por isso que já no primeiro game da segunda parcial Nadal mudou. Começou a arriscar paralelas com seu forehand. A partir dali, Delpo precisou bater a direita na corrida. E não só isso: o argentino tinha de fazer algo de especial com seu melhor golpe. Caso contrário, Nadal voltava o rali para o outro lado da quadra, desgastando o argentino e tomando conta do jogo.

Sabe o tal do nó tático? Pois é. O que Nadal fez a partir da segunda parcial foi mostrar ao mundo como é executar à perfeição um plano B. Como sua zona de conforto (forehands cruzados) não estava funcionando, deixou-a no passado. Arriscou mais, agrediu mais, ganhou mais. Também ajudou o fato de Del Potro não acertar tantos primeiros saques, mas Nadal também se aproximou da linha de base e agrediu um bocado nas devoluções de segundo serviço.

Resumindo: depois de dois minutos, Nadal mudou a tática nas devoluções e nos ralis, reduzindo a eficiência do melhor golpe do adversário e impondo algo que sempre jogou a seu favor: o aspecto físico. Nadal é mais rápido para se defender e devolver bolas violentas e mais condicionado para os rigores de um jogo longo. Se Federer não conseguiu explorar um Del Potro que vinha de 3h35 e uma gripe contra Thiem, Nadal tirou vantagem do argentino que ficou mais 2h50 em quadra contra o suíço.

Foi como o velho plano de jogo de Ali contra Foreman (e que os tempos modernos nos trouxeram de volta em Mayweather x McGregor): deixou o oponente mostrar o que tinha de melhor. Viu, entendeu, aproveitou o cansaço do outro e passou por cima. E Nadal realmente atropelou. Em um momento, venceu nove games seguidos. Distribuiu winners de todos os lugares, deu passadas, aplicou curtinhas e usou todos os recursos. Nada deu errado naqueles pouco mais de 30 minutos.

Del Potro lutou, soltou sua feroz direita inúmeras vezes, mas não teve resposta à altura. Do segundo ao quarto set, o encontro durou 1h40, com o número 1 aplicando 6/0, 6/3 e 6/2. Inapelável. Indiscutível. Uma lição de planejamento, leitura e execução.

A matemática do ranking

Após a derrota de Federer, Nadal já sabia que sairia de Nova York como número 1 do mundo. Ele ampliou a vantagem ao bater Del Potro e vai aumentá-la para 1.960 pontos se superar Kevin Anderson na decisão.

Coisas que eu acho que acho

– Não dou como fato consumado o título de Nadal, embora pareça ser esse o consenso entre os apreciadores do esporte. Kevin Anderson oferece um tipo de ameaça bem diferente do que Nadal viu no US Open até agora. É de se esperar que o sul-africano ataque sempre e tente evitar dar ritmo ao espanhol no fundo de quadra. Se o saque estiver entrando, ele pode causar vários problemas para o número 1.

– O que Anderson faz não é muito diferente do jogo que Gilles Muller executou à perfeição para eliminar Nadal em Wimbledon. Caso consiga impor seu saque desde cedo, o sul-africano pode pressionar bastante o serviço do favorito. Nesse caso, o panorama fica bem interessante.

– Por outro lado, não dá para descartar que Anderson estará em sua primeira final de slam, e os nervos podem ser um fator determinante. Nesta sexta, o sul-africano demorou a se sentir à vontade contra Carreño Busta. Se isso se repetir, será fatal. Deixar Nadal à vontade uma melhor de cinco sets é cometer suicídio.

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Del Potro e o backhand que abateu Roger Federer http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/07/del-potro-e-o-backhand-que-abateu-roger-federer/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/07/del-potro-e-o-backhand-que-abateu-roger-federer/#respond Thu, 07 Sep 2017 15:43:28 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5442

Duas noites depois do memorável triunfo sobre Dominic Thiem, Juan Martín del Potro apareceu na sessão noturna do Estádio Arthur Ashe para protagonizar outra noite brilhante. O campeão do US Open de 2009 voltou a superar a vítima da decisão de oito anos atrás. Desta vez, sem o drama dos cinco sets, mas com uma arma subestimada. Não, na vitória por 7/5, 3/6, 7/6(8) e 6/4 não foi o feroz forehand que fez faíscas.

A atuação do argentino merece destaque porque se não foi perfeita do início ao fim, foi inteligente e eficiente, e Del Potro fez muito mais do que mostrar por que seu forehand é o mais temido do circuito mundial hoje em dia. Sim, a direita sempre será o ganha pão do argentino, mas o jogo contra Federer foi vencido com o backhand, o golpe supostamente vulnerável que o suíço não conseguiu explorar, muito menos anular.

O atual campeão de Wimbledon tentou um número de variações. Tentou subir à rede na esquerda de Del Potro, mas tomou seguidas passadas. Tentou longas trocas de backhand do fundo e até ganhou alguns pontos, mas não com a consistência que precisava. Tentou saque-e-voleio, sempre buscando o backhand do rival, mas levou mais e mais passadas, inclusive em break points. Tentou curtinhas e levou lobs ou perdeu disputas na rede. Para tudo que Federer atirou, Del Potro teve uma resposta.

A base disso tudo foi uma esquerda sólida, que não agride tanto, mas que se sustenta e joga a armadilha. Acontece desde o ano passado, quando o argentino voltou ao circuito usando quase só slices e se posicionando o tempo quase inteiro no lado ímpar da quadra. O golpe não lhe ganhava pontos, mas mantinha os rivais no fundo e os desafiava a gerar potência por conta própria e atacar a direita, aquele espaço da quadra propositalmente desguarnecido. Quem ousava correr o risco invariavelmente levava uma marretada na bola seguinte. Foi assim com Djokovic e Nadal nos Jogos Olímpicos, com Murray na Copa Davis e com Wawrinka em Wimbledon.

Na noite desta quarta-feira, o backhand foi muito exigido. É claro que a direita estava lá, com sua eficiência de sempre, quase arrancando a cabeça de um suíço que ousou subir à rede daquele lado (veja no vídeo acima). Mas foi a esquerda que ganhou o jogo de xadrez. Era onde Federer contava ganhar um número de pontos que não conseguiu. É o golpe que vai precisar funcionar como relógio contra o forehand cruzado de Rafael Nadal, só que a essa altura, ninguém mais duvida do argentino…

Nas casas de apostas

Antes do primeiro dia do US Open, Juan Martín del Potro estava longe de figurar entre os principais favoritos ao título do US Open. A maioria das casas de apostas pagava por volta de 30 para 1 no argentino. Isso significa que uma aposta de US$ 10 renderia US$ 300 em caso de conquista. Hoje, isso mudou. Classificado para as semifinais, Del Potro paga só 4 para 1. Atrás de Nadal (1,55 para 1 de média), mas à frente de Kevin Anderson (6,5) e Pablo Carreño Busta (16).

E Roger Federer?

Embora não seja corriqueiro ver Federer eliminado nas quartas de final de um slam, parece injusto dizer que foi um torneio ruim, ainda mais considerando a lesão nas costas que o fez ficar sem treinar na semana anterior ao US Open. Não fosse uma chave suave (superou o inexperiente Frances Tiafoe, um cansado Mikhail Youzhny e os fregueses Feliciano López e Philipp Kohlschreiber), poderia ter caído antes. No primeiro duelo realmente desafiador, acabou derrubado.

Não foi uma atuação ruim-ruim do suíço, do começo ao fim, mas foi uma noite com erros bizarros aqui e ali – alguns deles, em pontos importantíssimos. O jogo teve curtinhas horrorosas, teve dupla falta em break point, teve uma esquerda pavorosa em um set point, um voleio errado por mais de metro em outro, um smash errado para ceder break point no quarto set e, por fim, le pièce de résistance da noite: com Del Potro sacando em 5/4 e 30/30, Federer subiu à rede e mandou um voleio a mais de dois metros da linha de fundo (veja no vídeo acima).

Ainda assim, é preciso lembrar que o suíço teve quatro set points no tie-break do terceiro set. Tivesse convertido um, a história poderia ter tido páginas bastante diferentes a partir dali. Não foi o caso, e agora Federer vai descansar e se recuperar para sua Laver Cup. E sim, ele ainda terá chances de tomar a liderança do ranking até o fim da temporada. É esperar para ver.

Rafael Nadal e a frase do torneio

Depois de superar um tenso e errático Andrey Rublev na tarde de quarta, o espanhol foi seguidamente questionado sobre o possível duelo com Federer. O US Open é o único dos slams que não viu os dois se enfrentarem, e um primeiro encontro no Estádio Arthur Ashe significaria também um confronto direto pelo número 1. Após várias das questões e vários elogios feitos ao suíço, o espanhol decidiu brincar e afirmou: “não quero que pareça que eu vou ser seu namorado, né? Não queremos falar esse tipo de coisa antes de uma partida importante”. A sala foi abaixo.

A derrota de Federer significou também que Nadal sairá de Nova York como número 1. A questão agora é ver qual o tamanho dessa vantagem. Por enquanto, o espanhol tem 680 pontos de frente. Se for campeão, ampliará para 1.960.

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As mulheres superpoderosas do US Open http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/06/as-mulheres-superpoderosas-do-us-open/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/06/as-mulheres-superpoderosas-do-us-open/#respond Wed, 06 Sep 2017 04:44:48 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5437

O relato deste texto não tem nenhum furo, nenhuma bomba. “Apenas” grandes histórias que, embora já contadas, precisam (pelo menos para mim) deste registro no Saque e Voleio – até porque o US Open foi especialmente generoso com mulheres que superaram momentos duríssimos e brilharam em Nova York em 2017. A escritora sênior da WTA Courtney Nguyen fez um resumo recentemente e reproduzo os casos aqui.

A começar pela história mais conhecida de todas. Venus Williams, hoje com 37 anos, foi diagnosticada com Síndrome de Sjögren, uma doença autoimune, em 2011. Batalhou, passou um bom tempo jogando sem condições físicas ideais até que derrotou a síndrome e desde 2015 vem voltando a conquistar bons resultados nos torneios do grand slam. Nesta temporada, foi vice-campeã em Melbourne e Wimbledon. Agora está nas semifinais após uma vitória em uma partida espetacular sobre Petra Kvitova: 6/3, 3/6 e 7/6(2). Para mim, o melhor jogo da chave feminina até agora.

Falando nesse jogão, o que dizer de Petra Kvitova, que foi assaltada em dezembro do ano passado em sua casa e teve a mão esquerda dilacerada (vejam a foto assustadora abaixo) por um bandido? Por uma conjunção mágica de coisas, conseguiu se recuperar e voltar às quadras em maio, no Torneio de Roland Garros. No evento seguinte, em Birmingham, conquistou um título. Agora, em Nova York, derrubou Garbiñe Muguruza em outra partida fantástica (que também pode ser considerada a melhor) antes de tombar diante de Venus.

No outro jogo desta terça-feira, a vencedora foi Sloane Stephens, que teve uma fratura por estresse no pé no ano passado. Nada tão grave quanto Venus e Kvitova, mas o bastante para atrapalhar seu sonho de buscar uma medalha olímpica. Foi ao Rio no sacrifício, perdeu na primeira rodada e ficou longe das quadras por 11 meses. Foi parar no 957º posto do ranking e agora, com três excelentes semanas em sequência, já volta para o top 40. Foi semifinalista em Toronto e Cincinnati e conquistou uma vaga entre as quatro do US Open ao derrotar Anastasija Sevastova por 6/3, 3/6 e 7/6(4). Outro jogão.

Sevastova, hoje com 27 anos, abandonou o tênis em 2013. Queixava-se de dores nas costas e nos braços. Passou um ano e meio longe do circuito, mudou-se da Letônia para a Áustria e foi estudar gestão de turismo e lazer. Sentiu falta do jogo e decidiu voltar em 2015, mesmo zerada e jogando ITFs minúsculos. E voltou mais forte. Foi subindo aos poucos. Entrou no top 50 em 2016 e alcançou o top 20 em 2017. Em Nova York, deu uma lição tática e abateu Maria Sharapova de virada. Por pouco, não avançou para o grupo das últimas quatro.

As quartas de final desta quarta-feira não são menos interessantes. A sessão noturna no Ashe começa com Madison Keys x Kaia Kanepi. A primeira, americana, jogou no sacrifício em 2016 por causa de uma lesão no punho. Fez duas cirurgias e demorou a ter resultados nesta temporada. Em Stanford, engrenou e foi campeã. Depois, foi às oitavas em Cincy e agora já repete sua segunda melhor campanha da vida em um slam. Se triunfar, iguala o melhor resultado – a semi em Melbourne/2015.

Kanepi, por sua vez, é uma veterana de 32 anos que já esteve em cinco quartas de final de slam, mas sofreu com fascite plantar nas últimas duas temporadas. Além disso, contraiu o Vírus Eppstein-Barr, que causa mononucleose infecciosa, em 2016. Jogou pouco e ganhou menos ainda. Um ano atrás, estava em casa lendo livros, levando seu cachorro para passear e considerando aposentadoria. Terminou a temporada fora do top 300 e voltou em 2017, jogando torneios de US$ 25 mil. Precisou passar pelo qualifying do US Open e agora está entre as oito melhores.

Por último, a partida com menos histórias de bravura está longe de ser a menos interessante. Afinal, o número 1 do mundo vai estar em jogo quando a tcheca Karolina Pliskova, atual líder do ranking, enfrentar Coco Vandeweghe, que terá a torcida americana a seu lado. Pliskova, a mais nova integrante do perseguido clã das número-1-sem-slam, precisa vencer mais dois jogos para alcançar a final e manter a posição. Caso perca antes, o posto vai para Garbiñe Muguruza. E quem vai dizer que esse torneio feminino não está espetacular?

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Michael Jordan tem o ‘Flu Game’, Del Potro tem a noite mágica na Grandstand http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/05/michael-jordan-tem-o-flu-game-del-potro-tem-a-noite-magica-na-grandstand/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/05/michael-jordan-tem-o-flu-game-del-potro-tem-a-noite-magica-na-grandstand/#respond Tue, 05 Sep 2017 04:59:08 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5430

Era o Jogo 5 das finais da NBA de 1997. O Chicago Bulls vinha de duas derrotas para o Utah Jazz em Salt Lake City, e a força de Karl Malone, John Stockton e cia. na Delta Arena fazia muita gente crer que o time de Jerry Sloan tomaria a dianteira naquela noite de 11 de junho. Para piorar, Michael Jordan, o craque da companhia, acordou com o que muita gente tratou como virose na época (mas foi na verdade uma intoxicação alimentar). Tudo jogava contra os campeões da NBA.

Os Bulls, com Michael Jordan visivelmente sem a energia de sempre, viram o Jazz abrir 16 pontos de frente no segundo quarto, só que MJ teria um dia “daqueles”. Fez 17 pontos no segundo quarto, mais 15 no último período, terminou com 38 e fez uma bola de três a 25 segundos do fim que deu a vantagem definitiva aos Bulls. Esse jogo, marcado pela imagem de um Jordan esgotado sendo abraçado/apoiado/carregado por Scottie Pippen, será lembrado para sempre como o “Flu Game”.

#MJmondays |38pts while sick Tag someone you'd carry off the court!

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Pulemos para a tarde de 4 de setembro de 2017. Juan Martín del Potro acordou com febre e foi para quadra enfrentar o jovem Dominic Thiem, típico marreteiro que exige força (em mais de um sentido) de um rival. A diferença de energia era visível no começo. Delpo pediu atendimento médico logo no início. Recebeu um comprimido e ficou em quadra. Parecia questão de tempo para Thiem avançar. Fosse por abandono do rival ou no jogo mesmo, já que o austríaco abriu 6/1 e 6/2.

O argentino pensou em desistir, mas a Grandstand lotada não deixou. Mais tarde, Delpo disse que “estava tentando abandonar no segundo set, mas vi o público esperando mais tênis, esperando pelos meus bons forehands, bons saques. Tomei aquela energia e mudei de uma maneira boa e pensei em lutar e não desistir.” Seu primeiro winner veio só no quinto game dessa parcial. Ainda assim, parecia improvável que um tenista debilitado fosse capaz de virar contra Thiem.

Del Potro, contudo, não é um tenista qualquer. Qualquer que tenha sido o efeito do comprimido, a mistura com o apoio do público deu um resultado explosivo. Quando quebrou Thiem e fez 3/0 no terceiro set, o campeão do US Open de 2009 parecia renovado. Embalou e fez 6/1. E quanto mais seus golpes entravam, mais Thiem errava. De certa forma, o austríaco é a encarnação tenística do coiote do Papa-Léguas. Tem uma bigorna como arma, mas lhe falta inteligência para usá-la.

Ainda assim, Thiem teve suas chances. Sacou para fechar o quarto set e falhou. Mais tarde, no 12º game, teve dois match points. Só não conseguiu tocar na bola. Del Potro disparou dois aces, incendiando a torcida (notem a empolgação do torcedor gritando “let’s go, baby” no vídeo acima) e ganhando embalo para vencer o tie-break por 7/6(1) e forçar o quinto set. E aí todo mundo já sabia o que iria acontecer.

Thiem, justiça seja feita, não desmoronou. Seguiu tentando, ainda que com o jogo organizado naquele jeitão de debate parlamentar em Brasília. Impossível conter os mísseis de direita do argentino assim (ou de quase qualquer outro jeito, sejamos honestos). Mas o austríaco saiu brilhantemente de um 0/40 no sexto game. Ficou no jogo enquanto conseguiu. No décimo game, salvou um match point. Porém, quando encarou um segundo ponto do jogo, mandou uma dupla falta. Game, set, match, Del Potro: 1/6, 2/6, 6/1, 7/6(1) e 6/4.

Não valeu título, não tinha medalha em jogo nem era Copa Davis, mas a noite desta segunda-feira vai ficar tatuada na mente de muita gente porque um cidadão chamado Juan Martín Del Potro foi um titã. Brigou contra o corpo, contra um adversário top 10 e deixou uma quadra, um torneio e um mundo em êxtase. Porque, como escreveu Maxi Friggiero no Diario Olé, “Del Potro es pura sangre. Es corazón. Es tenis.”

Coisas que eu acho que acho:

– O magnetismo de Juan Martín del Potro é algo glorioso (não canso de compará-lo a Guga nesse quesito). É carisma, é carinho, é uma capacidade absurda de cativar as pessoas ao seu redor. Notem nas imagens do público que há argentinos, mas também há gente de todo tipo festejando o resultado. Era assim com Guga, é assim com Delpo.

– Vale para hoje e vale pelo post que escrevi sobre Diego Schwartzman: eles são tão poucos, ficam tão perto, e nós temos tanto a aprender com eles…

– Ontem escrevi que Schwartzman jogava Challengers no Brasil três anos atrás. Pois nesse mesmo ano de 2014 o russo Andrey Rublev fazia a semifinal juvenil de Roland Garros contra Orlandinho. Hoje, Rublev bateu David Goffin, se classificou para as quartas de final do US Open e garantiu sua entrada no top 40.

– Para quem não entendeu ou não conhece a história: “flu”, de “Flu Game”, é a versão curta do vírus “influenza”. Nos EUA, costuma-se dizer que alguém tem “flu” quando sofre os sintomas daquilo que popularmente chamamos de virose aqui no Brasil.

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Diego Schwartzman, o enorme tapa na cara dos acomodados http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/03/diego-schwartzman-o-enorme-tapa-na-cara-dos-acomodados/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/03/diego-schwartzman-o-enorme-tapa-na-cara-dos-acomodados/#respond Mon, 04 Sep 2017 00:56:35 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5426

Diego Sebastián Schwartzman é o estereótipo do cidadão que não chama atenção de ninguém em um torneio de tênis. Não tem um saque dominante, não tem nenhum golpe que se destaque individualmente, não é galã nem anda com uma entourage. Não fosse sua estatura diminuta – a ATP diz que ele tem 1,70m, mas quem o conhece sabe que é menos do que isso – ninguém apontaria para ele num clube.

Digo isso por observação própria. Schwartzman passou um bom tempo jogando no circuito Challenger. Esteve bastante no Brasil, também nos ATPs. Posso afirmar que não havia muita gente colocando tanta fé no argentino. Também posso garantir que ouvi a frase “esse anão corre muito, mas só devolve” e suas variações mais de uma vez.

Só que Dieguito – ou Peque, seu apelido mais conhecido – é o tipo do cara que trabalha quieto. Fala pouco e escuta muito. Treina, treina e quando está cansado treina mais um pouco. Há três anos, passou por Blumenau, São Paulo, Santos, Porto Alegre, entre muitos outros Challengers. Foi nesse ano, 2014, que entrou no top 100. Em setembro, depois de perder na estreia no US Open, salvou match point contra André Ghem antes de ser campeão em Campinas. No mês seguinte, derrotou Feijão numa final em San Juan. Na época, pareciam grandes feitos para quem jogava contra rivais mais altos e mais fortes. Só que Schwartzman nunca parou. Enquanto uns desmarcam treinos, curtem festas e se deslumbram com uma entradinha rápida no top 100, o argentino sempre está trabalhando quieto.

Agora, em 2017, Schwartzman segue “surpreendendo”. Até Roland Garros, não tinha no currículo uma vitória sobre um top 10. Levou Djokovic a cinco sets, mas saiu derrotado. Deixou a quadra aplaudido de pé pelo público e pelo rival. Uma cena emocionante de reconhecimento por alguém que fez tudo que podia.

Só que Schwartzman não deixou tudo ali. Não se deslumbrou. Tinha mais. Em Montreal, abateu seu primeiro top 10 (Dominic Thiem). Agora, em Nova York, derrubou Marin Cilic. E não parou, não se acomodou. Dois dias depois, neste domingo, eliminou o francês Lucas Pouille. Agora está garantido nas quartas de final do US Open. Quando deixar a cidade, o fará como top 30 (pelo menos) pela primeira vez.

Schwartzman é um enorme exemplo. De dedicação, por estar sempre treinando e buscando mais; de inteligência, por saber ouvir técnicos (é treinado atualmente por Juan Ignacio Chela) e por entender que qualquer evolução, por menor que seja, vai acrescentar a seu tênis e aumentar suas chances; e de coragem, por nunca ter se intimidado com as piadas sobre seu tamanho. Hoje, fala com orgulho disso:

“Espero que as pessoas possam entender que o tênis é para todo mundo, não só para os altos. Há momentos em que ser alto ajuda bastante, porque você pode sacar muito rápido e pegar forte do fundo porque tem braços mais longos que os meus. Mas tudo bem. Sempre foi assim e sempre procuro melhorar meu tênis sem pensar nisso.”

Por causa do tamanho, Schwartzman desenvolveu um de seus melhores fundamentos: a devolução de saque. Não, Peque provavelmente nunca vai disparar winners como Agassi ou Djokovic no primeiro golpe, mas nem precisa. Nas últimas 52 semanas, o argentino tem o segundo melhor índice de devoluções do circuito, de acordo com a ATP, vencendo 33,5% dos pontos de primeiro saque do adversário e 56,3% no segundo serviço. Além disso, tem 45% de aproveitamento em break points. É mais do que Nadal (43,1%), Djokovic (44,8%) e Federer (40,8%).

Na terça-feira, Schwartzman vai enfrentar Pablo Carreño Busta por uma vaga na semifinal do US Open. Que mais uma vitória do argentino não surpreenda ninguém.

Coisas que eu acho que acho:

– Para saber um pouco mais sobre a personalidade e a história de Diego Schwartzman, recomendo os três vídeos do site argentino Segundo Saque. O primeiro está logo acima, é só clicar e ver.

– Chegou ao fim o polêmico retorno de Maria Sharapova ao mundo dos slams. A ex-número 1 do mundo voltou a fazer uma partida de altos e baixos e com muitos erros. Neste domingo, foram 51 falhas não forçadas. A letã Anastasija Sevastova, mais inteligente e consistente, variou golpes, usou slices, curtinhas, lobs e venceu de virada por 5/7, 7/4 e 6/2. Ela vai encarar Sloane Stephens nas quartas de final.

– Stephens, aliás, faz um semestre de recuperação memorável. Ausente desde os Jogos Rio 2016, voltou em Wimbledon e na última semana de julho ocupava o 957º posto no ranking. Fez uma semi em Toronto, outra em Cincinnati e agora está nas quartas em Nova York, já pertinho de entrar novamente no top 50.

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Como uma falha de comunicação deixou o Brasil sem seu #1 na Copa Davis http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/02/como-uma-falha-de-comunicacao-deixou-o-brasil-sem-seu-1-na-copa-davis/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/02/como-uma-falha-de-comunicacao-deixou-o-brasil-sem-seu-1-na-copa-davis/#respond Sat, 02 Sep 2017 05:05:45 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5418

No dia 28 de agosto, o capitão brasileiro na Copa Davis, João Zwetsch, anunciou o time que vai – ou melhor, ia – enfrentar o Japão na repescagem do Grupo Mundial: Thomaz Bellucci, Thiago Monteiro, Bruno Soares e Marcelo Melo. O comunicado enviado pela CBT já vinha com a justificativa para a ausência de Rogerinho, atual número 1 do país.

“…esse tipo de piso, uma quadra dura rápida, não é o mais adequado para ele. É muito importante para o Monteiro acumular essas experiências, para cada vez mais se firmar dentro da equipe. Ele é o mais jovem dos jogadores que temos e é o que mais vai seguir na Copa Davis nos próximos anos.”

Apenas por esses pequenos pedaços de informação, já dava para saber que Rogerinho não ficaria nada feliz. Primeiro, obviamente, por não ser convocado. Depois, pela justificativa da quadra dura. O paulista já enfatizou em várias entrevistas que também sabe jogar no piso sintético. Ele, aliás, foi o único brasileiro a vencer um jogo de slam em quadras duras nesta temporada.

O que não se sabia até então é que Rogerinho também havia ficado especialmente magoado por não ter sido avisado pessoalmente por Zwetsch. O tenista só soube que não enfrentaria o Japão quando, já montando seu calendário para o pós-US Open, entrou em contato com o capitão para saber dos planos. E a bomba estourou nesta sexta-feira, quando Fernando Nardini deu a notícia no Twitter.

Só depois disso é que vieram os textos oficiais. Primeiro, o de Rogerinho, dizendo, entre outras coisas, que “tive que ir atrás do capitão para saber” e que “infelizmente não poderei ser o reserva desta vez, mas vou torcer pelos meninos para buscar essa vaga.” O texto inteiro está no tweet abaixo:

Mais tarde, chegou a confirmação da CBT sobre Bellucci. Segundo o texto, o canhoto de Tietê sofreu uma ruptura parcial no tendão de aquiles e ficará fora do circuito por pelo menos três semanas. O email também confirmava a convocação de Guilherme Clezar, atual número 224 do mundo e que nos últimos 12 meses só disputou uma partida em torneio de nível ATP: a derrota por 6/2 e 6/3 para Guido Pella no Brasil Open, em São Paulo.

Resumindo: Rogerinho ficou magoado por não ter sido comunicado na primeira convocação e, mais tarde, optou por priorizar seu calendário. A falta de comunicação e de entendimento tirou da Davis o número 1 do Brasil logo em um confronto contra um Japão que não terá seus dois principais tenistas: Kei Nishikori e Yoshihito Nishioka, ambos lesionados. Uma chance rara para voltar à primeira divisão do tênis mundial.

Conversei com Zwetsch por telefone no fim da tarde de sexta-feira, e o capitão deu algumas informações importantes. Primeiro, confirmou que não foi a infecção urinária que tirou Bellucci do confronto. O paulista vinha sendo acompanhado por um médico e estaria recuperado disso. Depois, Zwetsch disse que entendeu a decisão de Rogerinho, mas enfatizou que entraria em contato com o atleta. “O que aconteceu foi que ele me ligou alguns dias antes de eu ligar para ele.”

O gaúcho também ressaltou que sempre entra em contato com todos os convocáveis – escalados ou não – antes dos confrontos da Davis. Esse declaração, no entanto, vai de encontro ao caso de 2014, quando Feijão vinha em boa fase e só descobriu que não seria chamado para enfrentar a Espanha quando seu técnico, Ricardo Acioly, procurou Zwetsch para perguntar e fazer o planejamento de calendário.

Na conversa, Zwetsch, que já foi técnico pessoal de Guilherme Clezar, elogiou o tênis do conterrâneo e afirmou que o jovem de 24 anos “tem o mesmo potencial na quadra dura que o Rogério e o Thiago.” E se você está imaginando, sim, Zwetsch viu a atuação de Taro Daniel contra Nadal no US Open. Ele até riu quando toquei no assunto de forma provocadora (mas descontraída).

Coisas que eu acho que acho:

– A dúvida de Zwetsch para a primeira convocação ficou entre Monteiro e Rogerinho. Minha opinião? Eu não levaria Bellucci, que vive péssima fase e não vem nem mostrando ânimo para ganhar no circuito. As 11 derrotas nos últimos 14 jogos são prova de que o momento é um dos piores de sua carreira. Não levá-lo seria até uma forma de preservá-lo. Vale lembrar que Bellucci foi em má fase à Argentina, perdeu dois jogos ganháveis, e o Brasil sucumbiu apesar do bravo fim de semana de Feijão.

– Dito isso, é compreensível a opção do capitão. Bellucci é o mais experiente do time e, como Zwetsch enfatizou em nossa conversa, “eu sei que o Thomaz tem seus altos e baixos, mas nos momentos bons ele é capaz de mostrar um nível altíssimo de tênis”, o que é uma grande verdade. Assim, o gaúcho fez uma escalação esperançosa.

– É perfeitamente justificável a mágoa de Rogerinho com a situação. Primeiro porque acho que ele não é inferior a Monteiro (nem ao Bellucci de hoje) em quadras duras – e Rogerinho deve concordar comigo. Segundo porque um contato do capitão com o número 1 deveria, sim, ser esperado. Que Zwetsch tivesse lhe procurado antes. Agora o estrago está feito e, no fim das contas, trata-se de uma falha imperdoável de comunicação que pode fazer o Brasil perder uma enorme chance no Japão.

– Não tem grande relevância, mas vale mencionar pelo simbolismo da coisa. No primeiro email, a CBT dizia que a equipe no Japão contaria com “o reserva Marcelo Zormann”. Ora, se nunca havia a intenção de colocá-lo para jogar (o que é certíssimo), por que chamar de reserva? Seria mais simples e mais honesto com todos dizer que Zormann vai ao Japão para ajudar nos treinos.

– Uma pequena nota sobre US Open, até porque envolve um atleta da Davis: Marcelo Melo e seu parceiro, Lukasz Kubot, encerraram sua participação nesta sexta, eliminados na segunda rodada pelos franceses Julien Benneteau e Edouard Roger-Vasselin: 6/3 e 7/6(2). Após a fantástica campanha na grama, Melo e Kubot terminaram o verão americano sem títulos. Foram vices em Washington, caíram na estreia em Montreal e perderam na semi em Cincinnati.

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