Saque e Voleio http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br Se é sobre tênis, aparece aqui. Sat, 14 Sep 2019 00:45:29 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Quadra 18: S05E06 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/13/quadra-18-s05e06/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/13/quadra-18-s05e06/#respond Fri, 13 Sep 2019 11:47:07 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10742

Quando um slam termina – especialmente um slam com duas finais tão memoráveis e com repercussões importantes no cenário do tênis mundial – é hora de sentar, analisar o que aconteceu e, claro, gravar um episódio novo do podcast Quadra 18.

Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu conversamos muito sobre o potencial (e o comportamento!) de Daniil Medvedev, o peso mental sobre as derrotas de Serena Williams em quatro finais de slam seguidas (além de seu outfit roxo!), os muitos méritos de Rafael Nadal e Bianca Andreescu, o momento especial de Cabal e Farah, o início não-tão-animador da parceria de Bruno Soares e Mate Pavic e muitos outros assuntos.

Para ouvir, é só clicar no player acima. Se preferir, clique com o botão direito neste link e escolha “salvar como” pra baixar o arquivo e ouvir mais tarde. Vale lembrar que agora o Quadra 18 também está disponível no Spotify, no PodBean, no Google Podcasts, no Facebook e em nosso canal no YouTube. As opções são muitas, e você pode curtir como achar melhor!

Os temas

0’00” – Sheila apresenta os temas
2’02” – Nadal: faltou concorrência?
4’05” – Nadal tem mais chance que Serena de passar os 24 slams?
7’40” – Nadal x Medvedev: quem atacou e quem correu mais na final?
10’02” – Árbitro deveria deixar jogo rolar após Nadal reclamar do barulho do público?
11’35” – Medvedev: vilão ou mocinho?
15’20” – A punição a Medvedev: branda demais?
17’10” – Ser vilão ajudou Medvedev mentalmente?
17’50” – Os “esquentadinhos” da #NetGen: geracional ou coincidência?
20’20” – Medvedev está à frente de Zverev, Thiem e Tsitsipas contra o Big 3?
23’20” – Se precisássemos escolher, quem escolheríamos no Big 3?
25’00” – O título de Andreescu: inesperado?
29’50” – Medvedev e Andreescu são mesmo tão diferenciados na #NextGen?
30’35” – A mãe de Andreescu: que personagem!
32’00” – Serena: 4 finais de slam perdidas e o peso mental do recorde
35’25” – Mais Serena: o catsuit e o outfit roxo
38’50” – Cabal e Farah: mais um título e os motivos do sucesso recente
44’00” – Melo, Soares e Demo: as campanhas dos brasileiros nas duplas
46’00” – O início sem grandes resultados de Soares/Pavic
48’28” – Jack Sock na Laver Cup

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Podcast Saque e Voleio: S01E32 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/11/podcast-saque-e-voleio-s01e32/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/11/podcast-saque-e-voleio-s01e32/#respond Wed, 11 Sep 2019 07:00:19 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10737

O 32º episódio do podcast Saque e Voleio, no ar para os apoiadores do blog, traz uma análise das finais do US Open e dos títulos de Bianca Andreescu e Rafael Nadal. Sobre a canadense de 19 anos, analiso como ela entrou em quadra com o plano de jogo perfeito e executou brilhantemente o que tinha em mente pela maior parte do jogo. Também destaco como Serena Williams decepcionou em sua atuação e volto a comentar os objetivos e o peso mental de sua busca para quebrar o recorde de slams em simples de Margaret Court.

No que diz respeito a Rafa Nadal, ressalto como ele entrou em quadra preparado para incomodar Daniil Medvedev e destaco os méritos de sua variação e de seus recursos. Falo de como o espanhol mostrou força mental e física e dou meus porquês pelos quais, aos 33 anos, ele continua não só competindo em alto nível, mas brigando e conquistando slams. Sobre o russo, comento seu estilo incomum e sua rara velocidade para alguém de 1,98m, e como esse pacote “diferente” tirou adversários de sua zona de conforto com frequência durante a temporada norte-americana de quadras duras.

Para terminar, volto a abordar o uso do shot clock – relógio que faz a contagem regressiva dos 25 segundos até o início de um ponto – e como uma punição após 4h35min de jogo quase mudou a história da final masculina. Comparo a decisão do US Open com a de Wimbledon e mostro, matematicamente, que a redução da duração das partidas provocada pelo shot clock é insignificante.

Quem já apoia o Saque e Voleio pode acessar o link para o episódio lá no Mural do Apoia.se. Quem mais quiser curtir o podcast pode aproveitar a ocasião para começar a apoiar o blog (com R$ 15 mensais, você tem direito a conteúdo exclusivo e newsletter semanal, além de brindes e promoções). Basta visitar o Apoia.se, conhecer melhor o programa de financiamento coletivo recorrente do Saque e Voleio e fazer sua contribuição.

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Entrevista do Leitor – Thomaz Bellucci: ‘Eu sei o caminho de volta’ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/10/entrevista-do-leitor-thomaz-bellucci-eu-sei-o-caminho-de-volta/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/10/entrevista-do-leitor-thomaz-bellucci-eu-sei-o-caminho-de-volta/#respond Tue, 10 Sep 2019 07:00:07 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10723

Por Gabriel Aguiar

Os últimos anos não foram fáceis para Thomaz Bellucci. Em 2017, quando ainda estava entre os 100 melhores tenistas do mundo, foi suspenso por doping e ficou sem contar pontos de setembro até fevereiro da temporada seguinte. Em 2018, os resultados não vieram, nem no circuito Challenger, e o paulista despencou no ranking. Chegou a sair do top 300.

A subida recomeçou lentamente e parecia bem encaminhada, mas quando era o 212º da lista, em abril deste ano, sofreu uma entorse no tornozelo que lhe tirou de ação até julho. Voltou a cair e hoje é o #313 do mundo. O paulista, no entanto, não perdeu a fé. Acredita em seu tênis e na volta ao top 100 e, por que não, ao top 30.

Parece ousado, mas na entrevista concedida ao apoiador do blog Gabriel Aguiar, Bellucci, hoje com 31 anos, garantiu que sabe o que precisa fazer para alcançar seus objetivos. O canhoto também falou sobre Copa Davis, os duelos com Djokovic, Nadal e Federer e as vitórias mais marcantes. Confiram abaixo:

Primeiramente, fazendo um retrospecto da carreira, até que ponto te atrapalhou você ter começado na época que o Guga aposentou? Por todo potencial, por ser considerado seu sucessor?

Não dá para dizer que atrapalhou, não. Mesmo porque o Guga foi um dos meus primeiros ídolos quando era criança. Cresci vendo ele. E ele me incentivou a continuar jogando tênis e a buscar ser um jogador profissional. Depois que eu virei profissional, acho que a exigência da torcida ficou um pouco maior, né? Todo mundo não se contentava com meus resultados porque tinham o Guga como parâmetro. Parecia que as minhas vitórias eram poucas comparado ao que ele tinha conquistado. Acho que isso foi o único ponto negativo que eu vejo. Mas depois de um tempo, depois de alguns anos, acho que todo mundo entendeu que o Guga tinha sido um gênio e poucos vão conseguir fazer o que ele fez no mundo, quanto mais no Brasil.

Você se considera realizado ou acha que podia ter alcançado mais em termos de resultados?

Eu me considero realizado, sim, no tênis. Tive uma carreira vitoriosa, dez anos entre os 100 do mundo. Tive resultados consistentes aí por quase dez anos e acho que alcancei muito mais do que eu esperava quando comecei a jogar. Mas acredito que ainda posso conquistar muitas coisas, senão não estaria jogando. Acho que eu preciso evoluir para conseguir retornar aos bons resultados que sempre tive na carreira, mas acho que isso é possível, com certeza.

Qual torneio você considera o seu grande torneio na carreira?

Acho que são alguns torneios que eu tenho uma lembrança muito forte, que foram torneios que eu joguei muito bem. Por ordem cronológica, Gstaad/2009 e 2012, foram dos torneios que eu lembro que estava jogando muito bem e foram um marco na minha carreira. E acho que Madri/2011 também. Nesse torneio, eu ganhei do Murray e do Berdych. Acho que esses três torneios eu tenho recordação como os três principais que eu lembro que joguei mesmo meu melhor tênis.

Qual a maior vitória? Aquela que você pensa “Hoje joguei meu melhor e ganhei de um cara muito bom”?

Difícil falar um jogo só, específico, também. Houve alguns jogos que eu joguei muito bem, ganhei de jogadores expressivos, além desses três torneios, em que eu ganhei de caras muito bons, caras que estavam top 10. Em 2009, eu ganhei do Wawrinka, que estava jogando bem também. Teve a Copa Davis no Brasil, que a gente ganhou da Espanha, contra o Andújar e o Bautista, que eu lembro que acabei virando um jogo estando 2 sets a 1 abaixo com o Andújar e ganhei do Bautista no domingo jogando super bem. Nesses jogos, eu joguei mais ou menos no mesmo nível. Não dá para dizer que um foi melhor do que o outro porque em todos eu joguei muito bem. E, com certeza, mesmo perdendo jogos contra Nadal, Federer e Djokovic, sempre consegui jogar bem contra esses jogadores. Geralmente, meu nível sobe quando eu pego caras assim, com nível muito alto.

Você já tirou sets de Nadal, Djokovic e Federer, e fez jogos duríssimos, mas nunca venceu. Qual deles você considera o mais difícil de enfrentar? E em qual jogo você esteve mais próximo da vitória?

Dos três, para mim, o mais difícil de jogar é o Nadal no saibro. Talvez ele seja quase imbatível em melhor de cinco sets. Ele tem pouquíssimas derrotas na carreira. Tanto é que ganhou 12 Roland Garros. Enfrentei ele duas vezes lá e tive poucas chances de ganhar. Não consegui ganhar nenhum set. Mas na quadra rápida eu tive um bom jogo com ele nas Olimpíadas do Rio. Acho que Nadal no saibro talvez seja um dos oponentes mais difíceis. Joguei com o Federer duas vezes na quadra rápida e estive perto de ganhar. Um foi 6/4 na negra, outro foi 7/5 no terceiro, então não acho que com o Federer eu tive tanta dificuldade de jogar, mesmo porque ele tem dificuldade de jogar contra canhotos, principalmente pela esquerda dele. Eu conseguia neutralizar o ataque dele jogando muito pelo backhand. Não é o ponto forte dele. E o Djoko é o cara mais regular dos três, talvez, É um cara que joga sempre num nível muito alto. Dificilmente ele abaixa o nível. Também é um cara excepcional.

Qual tenista você enfrentou, fora esses citados, que mais te encantou?

Acho que o Nadal talvez seja o jogador que eu também acabo me espelhando por ser canhoto. Quando eu joguei com ele a primeira vez, em 2008, em Roland Garros, eu era muito novo e tinha ele como ídolo. E acabei jogando contra ele, então eu via ele fazendo certas coisas na quadra que eu não conseguia fazer. Isso me encantou. Servia como referência de onde eu queria chegar na minha carreira, tanto tecnicamente e mentalmente, como ele se comportava nos jogos. Um cara que, para mim, é excepcional.

Agora falando mais de futuro, pretende voltar à Copa Davis? É um objetivo?

Não tenho muito em mente agora a Copa Davis. Não é meu objetivo principal. Eu joguei dez anos de Copa Davis, me doei para a equipe, abri mão de muitos torneios para defender o país, então acho que é uma competição que eu já me sinto realizado de ter jogado por muitos anos. Se eu tiver disponibilidade e conseguir voltar ao meu ranking e tiver semanas livres no ano e eu conseguir jogar, vou jogar com certeza. É uma competição que eu adoro jogar, mas não tenho ela como objetivo de carreira hoje em dia. Hoje em dia, meu objetivo é voltar a jogar bem.

Sei que você acredita na volta ao top 100, mas e top 30, que você frequentou bastante tempo, ainda acredita?

Eu acredito, sim, em voltar ao top 100. E acho que voltar ao top 30 não é muito distante. Eu sei o caminho de volta, sei o que tenho que fazer para voltar lá e é isso que estou fazendo. Se eu não acreditasse que eu posso voltar a top 100, a top 30, eu não estaria jogando, então hoje em dia eu sei que tenho um longo caminho para voltar, mas sei aonde posso chegar, o que tenho que fazer. Eu acredito, sim. Se não acreditasse, não estaria jogando.

Em termos de jogo, o que você acha que te falta?

Acho que nos últimos dois anos principalmente eu tive bastante problema na minha parte técnica, acho que acabei baixando bastante. Principalmente o saque e a direita, que sempre foram meu ganha-pão. Esses dois golpes eu ainda tenho que ajustar, tenho que conseguir gerar a mesma potência que eu sempre tive. Sempre tive uma mão muito pesada, ganhava muito ponto com o saque. Acho que são esses dois pontos que eu preciso mais evoluir para voltar a jogar bem e ser competitivo nesses torneios grandes, onde eu costumava jogar.

Qual seu objetivo a curto prazo? Em um ano…

A curto prazo, meu objetivo é voltar ao top 100. Às vezes, é um clique que dá que você acaba ganhando confiança, ganhando torneio, que leva você a ganhar outro ou leva você a elevar o nível e, nesse nível de Challenger, se eu estou jogando bem e com confiança, posso subir rápido, ganhar dois-três torneios, já estou perto do top 100 e consigo jogar os qualis dos ATPs. Então é esse o meu objetivo: voltar ao top 100 o quanto antes. Eu sei que hoje em dia, é difícil. Estou 260, então tenho que pontuar bastante, ter uma sequência de torneios. Antigamente, eu precisava só de um torneio pra voltar ao top 100 nas vezes que eu caía. Estou numa situação diferente, mas também estou mais maduro, já sei o que tenho que fazer para ganhar esses torneios. É só questão de tempo. Ter paciência porque eu acho que os resultados voltam a aparecer.

A partir deste mês, o Saque e Voleio publicará mensalmente a Entrevista do Leitor, com perguntas feitas por um apoiador do blog e intermediada por Alexandre Cossenza. Quem já apoia o Saque e Voleio participa automaticamente do sorteio para ser o entrevistador do mês.

A quem estiver interessado em conhecer melhor o programa de financiamento coletivo recorrente do blog (com R$ 15 mensais, você tem direito a conteúdo exclusivo e newsletter semanal, além de brindes, promoções e participação no Circuito dos Palpitões), basta visitar o Apoia.se, ler os detalhes do programa e começar imediatamente a fazer sua contribuição.

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Rafa Nadal: contra as previsões, o primeiro penta pós-30 da Era Aberta http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/09/rafa-nadal-contra-as-previsoes-o-primeiro-penta-pos-30-da-era-aberta/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/09/rafa-nadal-contra-as-previsoes-o-primeiro-penta-pos-30-da-era-aberta/#respond Mon, 09 Sep 2019 07:00:13 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10712

Em 2005, com apenas 19 anos, Rafael Nadal teve uma séria lesão no pé esquerdo que ameaçou a continuidade de sua carreira. Para seguir no tênis, teve de passar a usar palmilhas especiais. O acessório, porém, causou recorrentes problemas de joelho. O espanhol de Maiorca também sofreu, em diferentes momentos, com lesões no abdômen, no punho e na coxa. Até uma apendicite afetou sua carreira. Seu antigo estilo de jogo, baseado em muitas trocas de bola, não ajudava. Em muitas ocasiões, Nadal acumulava tempo excessivo em quadra e exigia demais do corpo. Era comum ouvir especialistas preverem uma carreira curta para o espanhol.

Os obstáculos físicos prejudicaram especialmente nos slams. De 2005 até hoje, Nadal precisou ausentar-se de do Australian Open em 2006 e 2013, ficou fora de Wimbledon em 2009 e 2016 e deixou de ir ao US Open em 2012 e 2014. Em certas ocasiões, sofreu lesões que o forçaram a abandonar durante os eventos. Aconteceu em Melbourne em 2010 e 2018, Roland Garros em 2016, e Nova York em 2018. Rafa também já jogou lesionado e ficou pelo caminho em alguns slams (AO/2011 e 2014, RG/2009, US/2009).

E, no entanto, depois disso tudo, Rafael Nadal é, desde a noite deste domingo, o primeiro tenista da Era Aberta a vencer cinco slams depois de completar 30 anos de idade. Desafiando as previsões – e uma séria lesão no punho em 2016, ano em que completou três décadas de vida – o espanhol foi campeão outras três vezes em Roland Garros (2017, ’18 e ’19) e duas no US Open (2017 e ’19). No quesito, está à frente de Federer, 38 anos, que venceu quatro slams como trintão, e Djokovic, 32, que também levantou quatro troféus em torneios desse nível.

O número acima ficou meio escondido por causa de tudo que envolveu a final espetacular deste domingo, quando Nadal bateu Daniil Medvedev em cinco sets e 4h51min de jogo por 7/5, 6/3, 5/7, 4/6 e 6/4. Só que todas as variações, altos e baixos e pontos espetaculares dessa decisão deveriam dar ainda mais relevância a esse “penta” pós-30. Porque o Rafa de 33 que venceu o quarto US Open é um tenista fascinantemente superior ao Nadal de 24, que triunfou pela primeira vez em Nova York.

O Rafa de hoje é mais agressivo, joga ainda melhor junto à rede, tem um saque mais poderoso e continua taticamente inteligente e fisicamente forte. Medvedev foi um obstáculo tão admirável que tudo isso ficou óbvio em uma partida só. Primeiro porque o tênis do russo, com bolas mais chapadas e menos pesadas, forçou Nadal a jogar fora de sua zona de conforto. O veterano precisou usar mais slices, subir mais à rede, atacar ainda mais do que o normal e buscar mais as linhas contra um rival que se defendeu gloriosamente do início ao fim. Rafa foi preciso na maior parte do tempo e, nem assim, se desfez do russo.

O jovem de 23 anos também exigiu de Nadal física e mentalmente. Foi um teste de nervos porque Medvedev virou um terceiro set que parecia perdido e, com os devidos ajustes táticos (mais saques abertos e mais subidas à rede), mudou o momento do jogo. Forçou o quinto set e abriu a parcial decisiva com três break points. Nadal foi forte e se salvou de todos – inclusive quando foi punido por excesso de tempo e perdeu o primeiro saque – até, finalmente, disparar no placar.

O tabuleiro, então, mostrava o seguinte cenário: Nadal, que venceu 206 jogos e perdeu apenas um em slams depois de abrir 2 sets a 0, sacava em 5/2, com duas quebras de vantagem, no quinto set. Jogo definido, certo? Longe disso. Medvedev ainda tinha energia e tênis para resistir. Devolveu uma quebra, salvou dois match points com seu saque e fez Nadal sacar em 5/4 e 30/40 depois de 4h de jogo.

Rafa, que parecia um mero mortal nesse momento, jogou três pontos perfeitos – inclusive uma curtinha que caminhou indecisa sobre o muro entre os territórios da genialidade e a loucura. Match point. Aquele drop shot lhe devolveu o status de semideus com moradia fixa no cérebro do adversário e, um belo saque depois, acabou. Depois de 4h15min, o árbitro finalmente pronunciava “Game, set, match.” O primeiro penta pós-30 da Era Aberta é Rafael Nadal.

Físico, mente, tática e técnica. Inabalável, indomável, insaciável, inimaginável.

Coisas que eu acho que acho:

– No começo da temporada de 2010, quando Federer era número 1 do mundo, o suíço tinha 15 títulos de slam. Rafa somava seis. Agora, dez temporadas depois, Roger tem 20, contra 19 de Nadal. A marca “inalcançável” de Federer agora está mais ao alcance de Rafa do que nunca.

– Caso nenhum dos dois seja campeão em Melbourne, dá para imaginar o tamanho da expectativa por mais um triunfo do espanhol em Roland Garros, onde ele só perdeu duas partidas na vida?

– Li alguns comentário do tipo “mas se Djokovic e Federer não estivessem lesionados…” Dizer isso sobre um título de Nadal – logo de Nadal, que entre os três foi quem mais deixou deixou de jogar slams por causa de lesões nos últimos 15 anos – é injusto e mostra tremenda ignorância histórica.

– Medvedev, que começou sua campanha no US Open com péssimo comportamento e provocando a torcida, sai de Nova York com a imagem recuperada. Não só pelo belo tênis que mostrou, mas pelo lindo discurso na cerimônia de premiação (veja acima). Elogiou Nadal, mostrou bom humor ao fazer piada de si mesmo, agradeceu ao público e pediu desculpas pelos incidentes anteriores. Foi aplaudido de pé e teve boa parte da torcida durante o jogo. No fim das contas, terminou o verão norte-americano em alta.

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]]> 0 Final do US Open: o favoritismo de Nadal e o caminho para uma zebra de Medvedev http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/08/final-do-us-open-o-favoritismo-de-nadal-e-o-caminho-para-uma-zebra-de-medvedev/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/08/final-do-us-open-o-favoritismo-de-nadal-e-o-caminho-para-uma-zebra-de-medvedev/#respond Sun, 08 Sep 2019 07:01:18 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10704

A final masculina do US Open, marcada para começar às 17h (de Brasília) deste domingo, terá frente a frente os melhores jogadores da sequência norte-americana de quadras duras do circuito mundial. Rafael Nadal está invicto. Antes do US Open, só jogou o Masters 1000 de Montreal e foi campeão. Sua vítima naquela decisão foi justamente Daniil Medvedev, quem mais ganhou partidas no período. Foi vice no ATP 500 de Washington e no torneio canadense, levantou o troféu no Masters 1000 de Cincinnatti e chega a este domingo surfando uma onda de 12 triunfos consecutivos.

O favoritismo é de Rafa e não é pequeno, mas justificado. Além de mais habituado a lidar com esse tipo de situação, é tricampeão do torneio (2010, 2013 e 2017) e dono de recursos que lhe permitem vencer partidas de mais de uma maneira, o espanhol traz a vantagem moral da fácil vitória sobre Medvedev em Montreal (6/3 e 6/0) e também tem a questão física a seu favor, já que chega à final mais descansado que o rival.

O russo de 23 anos, que faz sua primeira final de slam, precisará superar todos elementos acima, mas tem tênis para fazer dar muito mais trabalho ao veterano do que em Montreal. Obviamente, sair de Flushing Meadows com o título exigirá muito mais de Medvedev. E uma eventual zebra passa por executar certas tarefas com precisão e consistência. Eis as mais importantes:

1. Começo impecável

O caminho para derrotar Rafael Nadal quase sempre passa por um belo início de jogo, isso é crucial por dois motivos. O primeiro é a confiança do espanhol, que pode atingir níveis estratosféricos quando o placar está a seu favor. Em toda sua carreira, Nadal só perdeu um jogo de slam após abrir 2 sets a 0. São 205 vitórias e um revés nesse cenário.

Além disso, tudo leva a crer que a questão física deve jogar a favor do favorito. Nadal passou menos tempo em quadra até agora e chega à final mais descansado do que Medvedev. São quase três horas de diferença: 12h18min para o espanhol e 15h11min para o russo. Se a partida se alongar, o azarão, que já teve problemas físicos antes no torneio, deve levar a pior.

2. Defesa, defesa, defesa

Deixar Nadal tomar o controle dos ralis é arriscado, e Medvedev, que não tem um jogo tão naturalmente ofensivo, precisa de cuidado para estabelecer um ritmo que não deixe o espanhol à vontade. Ainda assim, quando Rafa atacar, Daniil terá que ser rápido, devolver tudo e contra-atacar bem. Contra rivais que se defendem bem, Rafa tende a viver momentos de imprecisão, perdendo a mão de quando e quanto agredir. Aconteceu contra Schwartzman alguns dias atrás – e em outras oportunidades. E é nesses momentos que Medvedev precisa ser cirúrgico e aproveitar as chances. Difícil? Muito. Impossível? Não.

3. Devoluções agressivas

Não é exatamente um ponto fraco, mas se existe algo que pode ser explorado no jogo de Rafael Nadal, é seu segundo saque. Logo, Medvedev precisa agredir com as devoluções para causar um efeito bola de neve. Se começar a perder pontos com o segundo serviço, Rafa pensará mais antes de buscar aces no primeiro. Logo, tenderá a colocar mais bolas em jogo, e Medvedev terá mais chance de entrar em ralis em igualdade de condições.

Vale lembrar que, segundo a ATP, Daniil está entre os cinco tenistas com melhores números de devolução nas últimas 52 semanas. Ele vence 30,3% dos pontos no primeiro saque do rival e 55,1% no segundo serviço. Além disso, acumula 44% no aproveitamento de break points.

4. Segundo saque agressivo

Aqui a estratégia entre naquela fronteira sem polícia entre o genial e o kamikaze. Quando enfrentou Nadal em Montreal, Medvedev cometeu cinco duplas faltas e venceu só 33% dos pontos com seu segundo serviço. Na semana seguinte, em Cincinnati, o russo arriscou muitos segundos saques e teve 42% de aproveitamento contra Novak Djokovic. O que mudou? A execução. Depois de perder o primeiro set, Medvedev correu os riscos e foi recompensado. Talvez ele precise fazer o mesmo contra Rafa.

Até porque… se o russo está em quinto no ranking de devolvedores da ATP, Nadal é o primeiro da lista, com 35,6% de pontos vencidos no primeiro saque do oponente e 55,3% no segundo serviço. Rafa também tem melhor aproveitamento de break points, com 46%.

5. Paralelas

O ganha-pão de Nadal sempre foi seu forehand cruzado, que destrói backhands de adversários destros. Medvedev não só tem um belo backhand como tem a seu favor o 1,98m de altura – ou seja, naturalmente a bola mais alta de Nadal não lhe incomoda tanto quanto outros tenistas. Equilibrar o jogo vai exigir que o russo mostre o poder de seu backhand e consiga jogar mais dentro da quadra. Assim, terá a oportunidade de cortar tempo e entrar nas bolas para agredir com paralelas de esquerda, achando o backhand e/ou o espaço que Nadal costuma deixar ali.

Sim, a lista acima é grande e complexa, mas quem disse que é fácil bater Rafael Nadal numa final de slam?

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Bianca Andreescu: o tênis total http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/08/bianca-andreescu-o-tenis-total/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/08/bianca-andreescu-o-tenis-total/#respond Sun, 08 Sep 2019 07:00:12 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10698

Na campanha até o título do US Open, Bianca Andreescu, 19 anos, encarou rivais com estilos diferentes em momentos diferentes. Na terceira rodada, bateu a experiente e consistente Caroline Wozniacki. Nas oitavas, precisou frear o jogo de subidas à rede da americana Taylor Townsend. Nas quartas, a eficiência de Elise Mertens. Na semi, a inteligência de Belinda Bencic. Até que teve Serena Williams pela frente na decisão. Mais do que duas semanas quase perfeitas, Andreescu fez o que poucas tenistas mais maduras têm potencial para conseguir: vencer de maneiras diferentes.

O melhor exemplo talvez tenha sido o triunfo contra Mertens, que começou a partida jogando melhor e vencendo o primeiro set por 6/3. A canadense percebeu que era preciso mudar o jogo e, para isso, mudou seu jeito de jogar. Primeiro, reduziu a velocidade do jogo, usando bolas mais altas e com spin. O combo bola alta+bola reta agressiva tirou Mertens de sua zona de conforto. Quando conseguiu isso, Andreescu abriu a caixa de ferramentas e começou a distribuir: teve slice, teve curtinha, teve lob vencedor. Game, set, match, Andreescu: 3/6, 6/2, 6/3.

Havia, claro, um teste maior para o tênis total de Andreescu. Encarar, no mesmo dia, uma Serena Williams que vinha jogando seu melhor tênis dos últimos dois anos e um público barulhento e que muitas vezes frequenta a fronteira da hostilidade no estádio Arthur Ashe, a maior arena já erguida no planeta para se jogar tênis. Os desafios eram técnicos e mentais e, um por um, a canadense foi superando os obstáculos.

Neste sábado, na final do US Open, apenas sua quarta vez na chave principal de um slam, diante da adversária que já era campeã de slam (US Open/1999) quando Andreescu nasceu, a canadense venceu várias pequenas batalhas. Primeiro, com sua devolução agressiva, que pressionou o poderoso serviço de Serena Williams desde o primeiro game – aquele de duas duplas faltas que já deram uma vantagem à desafiante.

Andreescu também venceu o mini-duelo com seu saque. Com 84% de aproveitamento de primeiro serviço no set inicial, limitou a capacidade da rival de tomar a dianteira dos ralis. Serena precisava forçar para desequilibrar a adolescente e, com isso, cometia mais erros.

Mentalmente, o desafio foi ainda maior. Andreescu já deu uma resposta positiva no primeiro set, quando perdeu cinco break points no sétimo game e, logo em seguida, precisou sacar em 30/40. É o tipo de momento que muda a maré de uma partida. Quem salva cinco break points sai cheio de moral e, se consegue quebrar na sequência, abala o rival. A canadense contudo, disparou um ace e confirmou o serviço.

Quando Serena começou mal o segundo set, sem encontrar seu primeiro serviço e mostrando-se frustrada com o resultado, parecia que o troféu já tinha dono. Andreescu teve 5/1 e sacou com match point, mas foi aí que Serena voltou como um tsunami, carregando o público e fazendo estrago. Salvou o match point com um winner de devolução e confirmou o saque rapidinho em seguida. A jovem sentiu o momento. Jogou um péssimo nono gamem foi quebrada de zero e viu a veterana empatar a parcial em 5/5, com um requinte de perversidade para a desafiante: Com 4/5 e 30/30 no placar, Andreescu errou duas devoluções de segundo saque. Pontos grátis em um momento mais do que delicado para a ex-número 1 do mundo.

No entanto, quando parecia que a carruagem da nova Cinderela do tênis – uma jovem que era #208 do mundo e perdeu na primeira rodada do qualifying do US Open um anos atrás – viraria abóbora, novo plot twist, com mais uma demonstração do tênis total de Andreescu. Com força mental para lidar com a reação furiosa de Serena e os decibéis aeronáuticos da torcida, confirmou o saque para abrir 6/5. No game seguinte, um winner de devolução e erros de Serena deram à canadense mais dois match points.

Um ace salvou o primeiro, mas e o segundo? Lembram das duas devoluções erradas no 30/30 dois games antes? A canadense teve a coragem de arriscar mais uma vez. Encheu a mão no forehand e… game, set, match, Andreescu.

Coisas que eu acho que acho:

– Andreescu demorou a “surgir” na elite porque já teve uma série de lesões. Sofreu com adutor, tornozelo e até uma fratura por estresse no pé direito em 2016. No ano passado, teve uma lesão nas costas e ficou fora do circuito por um tempo. Este ano, depois de ótimas campanhas em Auckland (vice) e Indian Wells (campeã), teve problemas no ombro direito e, de março a agosto, só tentou competir em Roland Garros (abandonou após vencer a estreia). Voltou e foi campeã em Toronto e Nova York. O que será que ela é capaz de fazer se disputar uma temporada completa?

– Personalidade, um pacote completo de golpes e a capacidade de jogar em altíssimo nível diante de circunstâncias tão adversas. De quantas tenistas no cenário atual da WTA podemos falar isso tudo?

– Com a resposta mais canadense possível, Bianca Andreescu ressaltou como teve que superar a torcida e pediu desculpas ao público americano por isso. Os compatriotas adoraram o momento.

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4 coisas que Bianca Andreescu precisa fazer para derrotar Serena Williams http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/07/4-coisas-que-bianca-andreescu-precisa-fazer-para-derrotar-serena-williams-na-final-do-us-open/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/07/4-coisas-que-bianca-andreescu-precisa-fazer-para-derrotar-serena-williams-na-final-do-us-open/#respond Sat, 07 Sep 2019 07:00:12 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10689

A jovem canadense Bianca Andreescu, de 19 anos, é uma das histórias felizes do tênis feminino em 2019. Fora do top 100 no começo da temporada, a adolescente espantou o mundo quando conquistou o título do Premier de Indian Wells, um dos torneios mais importantes do circuito, acumulando vitórias sobre Garbiñe Muguruza, Elina Svitolina e Angelique Kerber.

Após um período afastada das competições por causa de lesão, a canadense reencontrou seu tênis no segundo semestre. Há cerca de um mês, foi campeã do WTA de Toronto, em um jogo que seria uma prévia da decisão do US Open. Naquele dia, porém, Serena Williams sentiu dores nas costas e abandonou ainda na metade do primeiro set (a desistência rendeu uma bela cena entre as duas, com a jovem abraçando a veterana – veja abaixo).

Desde então, Andreescu não perdeu mais. No US Open, bateu, em sequência, Caroline Wozniacki, Taylor Townsend, Elise Mertens e Belinda Bencic. Neste sábado, a partir das 17h (de Brasília), colocará à prova seu tênis versátil contra uma das maiores tenistas da história e que pisará no Estádio Arthur Ashe com a torcida a seu lado e no embalo de uma grande campanha. Para chegar à final, Serena atropelou nomes como Maria Sharapova (6/1 e 6/1) e Elina Svitolina (6/3 e 6/1).

Embora tenha perdido suas últimas três finais de slam (Wimbledon/2018, US Open/2019 e Wimbledon/2019), Serena será a favorita, mas Andreescu tem recursos para dar trabalho à veterana. Não será uma tarefa simples, mas alguns elementos serão chave para que ela tenha chances neste sábado.

1. Defesa

Se há uma coisa em comum nas três finais de slam que Serena Williams perdeu desde que voltou da gravidez, no ano passado, esse elemento é a capacidade defensiva das rivais. Foi assim que Kerber e Halep desestabilizaram Serena em Wimbledon e, mesmo que Osaka não seja conhecida por se defender tão bem, a velocidade da japonesa praticamente anulou as pancadas da americana na final do US Open do ano passado.

Andreescu também não é conhecida por sua capacidade defensiva, mas tem velocidade suficiente para recolocar muitas bolas em jogo. Mais do que isso: a canadense tem recursos e pode devolver essas bolas tanto com spin e altura quanto com slices. Contra uma Serena que vem se mostrando afiadíssima desde o início do torneio, exigir que a americana ataque algumas bolas a mais – e, consequentemente, corra mais riscos – será essencial.

2. Saque

Dá para dizer isso de qualquer tenista em qualquer partida. Sacar bem é o primeiro passo para qualquer conquista grande. Só que no caso de Andreescu, que vai enfrentar uma das melhores devolvedoras da história, colocar o primeiro saque em jogo e anular o ataque de Serena logo na primeira bola será crucial. A americana não gosta de passar tanto tempo correndo atrás da bola, e é justamente isso que Andreescu tem que fazer ao encaixar bons saques: tomar a dianteira dos ralis e agredir sempre primeiro.

Quanto mais jogar com o segundo serviço, mais Andreescu dará à veterana a chance de controlar os pontos. Falar é consideravelmente mais fácil do que fazer, mas quando é Serena do outro lado da rede, tudo é um pouco mais complicado – inclusive executar o único golpe no qual o tenista tem total controle das ações.

3. Devoluções

Aqui talvez esteja o maior desafio para Andreescu na partida. Em todo o torneio até agora, Serena só foi quebrada três vezes em 54 games de saque. No papel, isso significa 94,4% de serviços confirmados. Na prática, vale muito mais. A confiança que vem com o saque continua nos games de devolução porque, ao confirmar sem drama, a veterana pode arriscar mais, colocando mais pressão ainda na adversária – e Andreescu já foi quebrada 14 vezes no torneio (confirmou em 79,4% dos games).

A canadense precisa colocar mais bolas em jogo e dar mais trabalho a Serena com sua devolução. Isso, como dito acima, mexeria com toda a equação, afetando também os retornos da ex-número 1. Se não conseguir encaixar as devoluções, Andreescu pode ter uma tarde desagradavelmente curta no Ashe.

4. Nervos

Ainda que consiga executar um plano de jogo com tudo relatado acima, Andreescu precisa controlar os nervos – algo que Osaka fez gloriosamente bem na final do ano passado. E fechar uma final de US Open contra Serena Williams em sua primeira decisão de slam na vida é bem mais complicado do que sacar pelo título de Indian Wells ou vencer um terceiro set qualquer (e Andreescu venceu 17 das 20 partidas de três sets que jogou este ano!).

Será?

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Podcast Saque e Voleio: S01E31 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/05/podcast-saque-e-voleio-s01e31/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/05/podcast-saque-e-voleio-s01e31/#respond Thu, 05 Sep 2019 15:00:51 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10684

O 31º episódio do podcast Saque e Voleio, no ar para os apoiadores do blog, traz uma análise das quartas de final do US Open, com meus palpites e previsões para o resto do torneio. Do lado masculino, falo dos muitos méritos de Grigor Dimitrov na vitória sobre Roger Federer; lembro as muitas ocasiões em que o US Open esteve perto de de ver um ‘Fedal’; comento o favoritismo de Rafa Nadal, a pressão sobre ele e como o clima da Nova York pode ameaçar seu título; cito o perigo que Berettini representa; e falo sobre como Medvedev, mesmo fisicamente abalado, segue vivo no torneio.

Sobre a chave masculina, volto a ressaltar as muitas qualidades de Bianca Andreescu, mas digo por que acho que Belinda Bencic será favorita contra a canadense; comento o massacre de Serena sobre Qiang Wang; e falo por que acho que Elina Svitolina tem tênis para ser o primeiro grande obstáculo de Serena no US Open. Ainda sobre a ucraniana, analiso como e por que o namoro com Gael Monfils parece ter feito bem para ambos dentro de quadra.

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Em jogo de altos e baixos, Nadal sofre contra Schwartzman, mas vai às semifinais do US Open http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/05/nadal-schwartzman-altos-baixos-semifinais-us-open/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/05/nadal-schwartzman-altos-baixos-semifinais-us-open/#respond Thu, 05 Sep 2019 04:01:39 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10671

Sem os eliminados Novak Djokovic e Roger Federer, Rafael Nadal entrou no Estádio Arthur Ashe na noite desta quarta-feira como favorito absoluto ao título do US Open. Não foi a melhor de suas jornadas. O atual #2 do mundo teve altos e baixos, encontrou problemas diante de um corajoso e competente Diego Schwartzman, mas foi sempre melhor nos pontos importantes e avançou às semifinais do torneio americano por 6/4, 7/5 e 6/2.

Após a oitava vitória em oito jogos contra Schwartzman, Rafa vai dar sequência em sua busca pelo tetracampeonato do US Open em um duelo com o italiano Matteo Berrettini, de 23 anos, atual #25 do mundo. Também nesta quarta, o romano superou o francês Gael Monfils em um dramático jogo de cinco sets: 3/6, 6/3, 6/2, 3/6 e 7/6(5). Ele é o primeiro homem italiano nas semis de um slam desde 1978, com Corrado Barazzutti em Roland Garros. Ele e Nadal nunca se enfrentaram no circuito.

Montanha-russa desde o começo

Nadal abriu a partida mostrando um tênis arrasador, ganhando os seis primeiros pontos, vencendo a maioria dos ralis e disparando na frente, com duas quebras de vantagem e 4/0 no placar. Schwartzman, porém, não se entregou. Eventualmente, conseguiu ganhar a briga pela linha de fundo e passou a atacar mais. O jogo mudou, e Rafa já não mostrava a precisão do início. O argentino não só devolveu as duas quebras como igualou o placar em 4/4, com 15/40 no serviço de Nadal. Só que o veterano foi melhor no momento mais importante. Primeiro, salvou seu serviço. Depois, com Schwartzman sacando em 4/5 e 30/30, o argentino errou um voleio não tão complicado e, no ponto seguinte, mandou uma esquerda na rede: 6/4 Nadal.

O segundo set foi parecido, e Nadal mais uma vez parecia rumar para uma vitória fácil quando abriu 5/1 e sacava em 15/0. Schwartzman, contudo, venceu um rali defendendo um smash, virou o game e voltou a atuar em altíssimo nível. Mais uma vez, o argentino ganhou quatro games seguidos, o que deixou o placar igualado em 5/5. E a história se repetiu nos pontos importantes. Primeiro, Nadal votou a confirmar o saque e fez 6/5. Schwartzman, então, cometeu uma dupla falta e, com o placar em 5/6 e 30/40, errou uma direita não forçada, jogando a bola no meio da rede.

Taticamente, o argentino tirava Nadal de sua zona de conforto. Por causa da velocidade de Schwartzman, o espanhol se mostrava às vezes inseguro na hora de subir à rede ou agredindo além da conta, arriscando demais e, consequentemente, errando mais do que de costume. Mesmo assim, nunca deixou que o rival tomasse a dianteira do placar.

À medida em que a partida se alongava, Nadal dava alguns sinais de desgaste físico. Primeiro, alongou o antebraço esquerdo. Depois, pareceu sentir dores no antebraço direito. Felizmente para o espanhol, ele fez um belo game para quebrar Schwartzman no sexto game e abrir 4/2 no terceiro set. Depois, confirmou o saque de zero para fazer 5/2. Desta vez, o argentino não conseguiu reagir.

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Revés de Federer marca mais um US Open que fica sem ‘Fedal’ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/04/reves-de-federer-marca-mais-um-us-open-que-fica-sem-fedal/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/04/reves-de-federer-marca-mais-um-us-open-que-fica-sem-fedal/#respond Wed, 04 Sep 2019 07:18:57 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10667

Vinte e seis vitórias e nenhuma derrota (26 e 0!). Até a manhã desta terça-feira, esse era o retrospecto de Roger Federer em quadras duras contra os tenistas restantes em sua metade da chave do US Open. O suíço somava 17 a 0 contra Stan Wawrinka, 6 a 0 contra Grigor Dimitrov e 3 a 0 contra Daniil Medvedev. Era justo dizer que, depois da eliminação de Novak Djokovic, Federer era mais do que favorito para alcançar a final em Nova York.

Do outro lado da chave, o favorito segue sendo Rafael Nadal, mas depois da noite de terça-feira, quando Dimitrov surpreendeu o público do Estádio Arthur Ashe e anotou seu primeiro triunfo sobre Federer, o búlgaro também impediu o primeiro duelo #Fedal no US Open. O jogo era aguardadíssimo, tinha tudo – no papel – para acontecer, e o torneio americano seguirá por pelo menos mais um ano como o único slam sem um Federer x Nadal para chamar de seu.

E embora ambos fossem muito favoritos para alcançarem a final (Nadal ainda é), o cenário de 2019 não foi nem aquele em que espanhol e suíço estiveram mais perto de um encontro em Flushing Meadows. Na verdade, esse duelo esteve a uma vitória de acontecer seis vezes. Porém, algo sempre apareceu no caminho de um dos dois. Lembremos os casos abaixo:

– Em 2008, Federer e Nadal estavam em semifinais disputadas ao mesmo tempo. Roger derrotou Novak Djokovic, mas Rafa foi superado por Andy Murray, que avançava para sua primeira final de slam.

– Em 2009, a história se repetiu. Federer venceu sua semifinal contra Djokovic, enquanto Nadal, jogado com uma lesão abdominal, foi facilmente superado pelo argentino Juan Martín del Potro.

– Em 2010, os papéis se inverteram. Rafa bateu o russo Mikhail Youzhny em sua semifinal, e Federer, que esteve vencendo por 2 sets a 1 e teve dois match points, levou a virada de Novak Djokovic.

– O cenário foi parecido em 2011. Nadal superou Andy Murray em uma das semifinais, mas Roger levou outra virada de Djokovic – novamente, com dois match points perdidos.

– Em 2013, o encontro era ainda mais provável. Federer era o cabeça 7 e cruzaria com Nadal nas quartas de final. Em má fase, porém, o suíço perdeu em sets diretos para o espanhol Tommy Robredo nas oitavas.

– Em 2017, a rota de colisão colocaria Federer e Nadal frente a frente nas semifinais. Nas quartas, o espanhol bateu Andrey Rublev com facilidade. Federer, entretanto, foi superado por Del Potro.

E agora?

O favoritismo, com uma certa dose de pressão, é todo de Rafael Nadal, que ainda tem três jogos a fazer até o título. Primeiro, ele encara o argentino Diego Schwartzman nesta quarta-feira, pelas quartas de final. Se avançar, Rafa vai enfrentar o francês Gael Monfils ou o Matteo Berrettini na semifinal. Caso vença, a decisão será contra Daniil Medvedev ou Grigor Dimitrov.

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Em cinco sets, Federer tomba diante do freguês Dimitrov e dá adeus ao US Open http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/04/em-cinco-sets-federer-tomba-diante-do-fregues-dimitrov-e-da-adeus-ao-us-open/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/04/em-cinco-sets-federer-tomba-diante-do-fregues-dimitrov-e-da-adeus-ao-us-open/#respond Wed, 04 Sep 2019 03:46:44 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10651

O ex-top 10 Grigor Dimitrov chegou ao US Open como número 78 do mundo, vindo em uma sequência de sete derrotas em oito jogos. O búlgaro espantou a má fase e alcançou as quartas de final, marcando um encontro com Roger Federer, diante de quem somava sete reveses em sete jogos. No começo, o duelo desta terça-feira parecia rumar para um resultado similar aos anteriores, mas o azarão se recuperou, equilibrou o jogo e, aos poucos, mostrou-se capaz de mudar a história. Quando o suíço caiu de rendimento no quarto set, Dimitrov cresceu e aproveitou sua chance. De virada, anotou uma vitória memorável e eliminou Federer por 3/6, 6/4, 3/6, 6/4 e 6/2.

Classificado para as semifinais do US Open, Dimitrov agora vai encontrar Daniil Medvedev, número 5 do mundo, que eliminou Stan Wawrinka em quatro sets: 7/6(6), 6/3, 3/6 e 6/1. Aos 23 anos, o russo não só é o mais jovem semifinalista do US Open desde 2010 como também é o tenista que mais venceu partidas no circuito masculino em 2019. Ele soma 49 triunfos e vem em um momento raro, com 19 vitórias e apenas duas derrotas em seus últimos quatro eventos. No período, foi vice-campeão do ATP 500 de Washington e do Masters 1000 de Montreal e levantou o troféu do Masters 1000 de Cincinnati.

Duplas faltas pesam para Dimitrov

Enquanto Federer abriu a partida jogando um tênis afiado e de alta velocidade, Dimitrov cometeu duas duplas faltas e um erro não forçado em seu primeiro game de serviço. O suíço anotou a quebra, abriu 3/0 e não vacilou. Levando a melhor nas trocas de bola – especialmente quando Dimitrov tentava superá-lo na base da força – Federer não encarou um break point sequer e manteve a dianteira até fazer 6/3.

Saque-e-voleio custa caro para Federer

O jogo mudou no segundo set, e Dimitrov finalmente conseguiu equilibrar as ações. Federer, por outro lado, não foi tão preciso em seus games de serviço. O ex-número 1 ainda salvou um break point no segundo game, mas foi quebrado no sexto ao cometer dois erros não forçados em sequência com sua direita. O búlgaro teve a chance de sacar para o set com o placar em 5/3, mas Federer fez um game de alto nível, e Dimitrov, sacando em 30/40, cometeu uma dupla falta. Roger teve o saque para igualar a parcial e abriu 30/0, mas também bobeou. Com 30/15, errou uma direita. No 30/30, arriscou um saque-e-voleio no segundo serviço e perdeu o ponto (veja no tweet acima). Diante de set point, espirrou uma direita que deu a quebra e a parcial para Dimitrov: 6/4.

Suíço pressiona e se dá bem

O duelo seguiu parelho no terceiro set. Grigor conseguiu reduzir a velocidade nas trocas de bola e alongar os ralis. Assim, corria menos e exigia mais do veterano. Ainda assim, Federer ameaçava tomar conta do jogo a qualquer momento. No quinto game, o suíço teve três break points, mas Dimitrov jogou cinco pontos perfeitos para sair de 0/40 e fazer 3/2. Dois games depois, Roger aumentou a pressão. Com o rival sacando em 30/30, subiu rápido à rede e matou o ponto com um belo voleio. Na sequência, uma dupla falta de Dimitrov deu a quebra ao veterano. O set mudou de vez mesmo no game seguinte, quando Federer encaixou saques excelentes para sair de 15/40, confirmar o serviço e abrir 5/3. Com outra quebra na sequência, o favorito fez 6/3 e abriu 2 sets a 1 de vantagem.

Búlgaro não desiste

A vantagem era importante, mas não decisiva. Logo no primeiro game do quarto set, Federer se viu ameaçado outra vez. Primeiro, uma bela passada de Dimitrov lhe rendeu um break point. O suíço, então, errou uma direita e perdeu o game. O búlgaro lutava bravamente e salvou um break point no sexto game para abrir 4/2. A partida ganhou em drama com mais chances de quebra no sétimo game. Federer salvou sete break points em um game de mais de 12 minutos e se manteve apenas uma quebra atrás.

No décimo game, com Dimitrov sacando para o set, os papéis se inverteram. O suíço agrediu e forçou o rival a cometer três erros, deixando o placar em 0/40. Dimitrov, contudo, salvou os três break points – o terceiro, com um ace – e mais um, pouco depois, com uma direita vencedora. No quinto break point, foi o suíço que errou uma esquerda. Dois pontos depois, uma direita errada de Federer selou o set a favor do oponente: 6/4.

Federer pede atendimento médico e cai de rendimento

Antes do quinto set, Federer pediu atendimento médico e foi atendido fora de quadra. Quando voltou, perdeu o serviço já no primeiro game. Dimitrov confirmou rápido para abrir 2/0 e contou com mais erros do suíço para anotar mais uma quebra. Roger só fez seu primeiro game de serviço depois que Dimitrov abriu 4/0. Era tarde demais para reagir. Com a partida chegando à marca de 3h de jogo, o suíço não mostrava ânimo nem capacidade física para isso. Grigor seguiu confirmando seu saque sem ser ameaçado até confirmar a zebra.

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Podcast Saque e Voleio: S01E30 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/03/podcast-saque-e-voleio-s01e30/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/03/podcast-saque-e-voleio-s01e30/#respond Tue, 03 Sep 2019 13:42:56 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10636

O 30º episódio do podcast Saque e Voleio, no ar para os apoiadores do blog, traz uma análise das oitavas de final do US Open, com meus palpites e previsões para as quartas e o resto do torneio. Destaco as derrotas dos líderes de ranking, Naomi Osaka e Novak Djokovic, e suas consequências.

Na chave feminina, destaco mais uma vez o altíssimo nível que Serena Williams vem mantendo no torneio, mas também ressalto os muitos méritos de Belinda Bencic para derrotar Osaka e as muitas qualidades de Bianca Andreescu na vitória sobre Taylor Townsend. Comento os confrontos de quartas de final, com os devidos palpites e os devidos porquês.

Sobre o torneio masculino, destaco o backhand de Wawrinka (sempre!) e o quanto ele pesou na desistência de Djokovic, e considero o quanto o torneio ficou melhor para Federer e Nadal, que nunca se enfrentaram em Nova York apesar de o duelo estar perto de acontecer em diversas oportunidades. Destaco também os méritos de Schwartzman, o momento ruim de Zverev e o quanto Dimitrov e Monfils aproveitaram suas chances. A análise também inclui palpites e seus porquês.

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Rafael Nadal agride mais do que Cilic e avança às quartas do US Open http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/02/rafael-nadal-agride-mais-do-que-cilic-e-avanca-as-quartas-do-us-open/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/02/rafael-nadal-agride-mais-do-que-cilic-e-avanca-as-quartas-do-us-open/#respond Tue, 03 Sep 2019 02:10:11 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10622

O ótimo saque e o tênis agressivo de Marin Cilic sempre causam problemas para Rafael Nadal. Foi assim também nesta segunda-feira, nas oitavas de final do US Open. Durante dois sets, o duelo foi parelho, com pouca margem para erros. A solução encontrada pelo #2 do mundo foi atacar mais do que o rival. A tarefa não era fácil, mas Nadal a executou brilhantemente e saiu vencedor por 6/3, 3/6, 6/1 e 6/2.

Com o triunfo, o sétimo em nove partidas contra Cilic, Nadal segue como forte candidato ao tetracampeonato em Nova York. Em sua 40º participação nas quartas de final de um slam, ele vai enfrentar o argentino Diego Schwartzman, #21 do mundo, que vem de vitória sobre o alemão Alexander Zverev, #6, por 3/6, 6/2, 6/4 e 6/3.

Começo como de costume

Diante do jogo agressivo de Cilic, Nadal costuma mais defender do que atacar, e não foi diferente no começo do duelo desta segunda-feira. Desde o primeiro set, o placar registrou mais winners do croata. No entanto, o espanhol foi muito mais eficiente com sua agressividade, e a consistência foi o fator que colocou a dinâmica do jogo a seu favor. A primeira quebra veio no quarto game, com um trio de erros de Cilic. O croata, contudo, compensou no game seguinte, com três winners que lhe recuperaram a igualdade. Só que Nadal anotou mais uma quebra no sexto game, e Cilic não teve mais chances depois disso. O croata terminou a parcial com dois winners a mais (8 a 6), mas também registrou mais erros do que o número 2 do mundo (12 a 5).

O nível aumentou no segundo set. Cilic manteve a agressividade, mas passou a errar menos. Nadal manteve sua estratégia, mas pecou por um game ruim, com dois forehand paralelos saindo por pouco. No break point, errou um backhand e deu a vantagem ao croata. Bom nos games de serviço, Cilic não desperdiçou a dianteira e, sem ceder um break point sequer, fechou a parcial em 6/3, igualando a partida. Os números mostraram a diferença: Cilic teme mais winners (12 a 9), e houve empate no número de erros (7 a 7).

Nadal ataca mais e jogo muda

O jogo entrava pela noite nova-iorquina e seguia melhorando. Nadal começou a atacar mais nas devoluções e teve dois break points já no segundo game do terceiro set. Arriscou com um retorno de backhand e perdeu sua melhor chance, com a bola saindo ao lado. Dois games depois, o melhor momento da noite. Rafa venceu um ponto com um smash de costas e outro depois de defender dois smashes de Cilic (veja acima). Pressionado, o croata cometeu uma dupla falta no 0/40 e perdeu o game. A maré mudou, e o espanhol disparou na frente, novamente agredindo e atacando no saque de Cilic para registrar outra quebra no sexto game. Quando a parcial terminou, Nadal já somava mais winners (26 a 24) do que Cilic e registrava dez erros não forçados a menos (18 a 28).

Cilic mostrava-se desconfortável precisando encontrar um meio-termo para sair da defesa e voltar a agredir mais do que Nadal. Logo no primeiro game do quarto set, cometeu dois erros não forçados e perdeu o serviço com uma dupla falta. Rafa abriu 2/0 e não aliviou. Tentando se aproximar cada vez mais da linha de base logo depois das devoluções, o espanhol continuou pressionando o campeão do US Open de 2014. Cilic não conseguiu se recuperar mais. Com dois erros seguidos, perdeu o serviço no terceiro game e viu-se em um buraco de onde era quase impossível sair. Rafa ainda salvou um break point no quarto game com um backhand vencedor, mas não foi mais ameaçado. Tomou as rédeas do jogo e não largou mais.

Ao fim do jogo, as estatísticas refletiam a superioridade ofensiva de Rafa, que somou 37 winners, incluindo uma espetacular passada por fora da rede no último game, que foi quase um golpe de misericórdia em Cilic (veja acima). O croata, por sua vez, executou 33 bolas vencedoras e cometeu 14 erros a mais que o espanhol (40 a 26).

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O que muda com a eliminação de Djokovic no US Open http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/02/o-que-muda-com-a-eliminacao-de-djokovic-no-us-open/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/02/o-que-muda-com-a-eliminacao-de-djokovic-no-us-open/#respond Mon, 02 Sep 2019 07:00:46 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10618

O ombro esquerdo de Novak Djokovic, lesionado há algumas semanas, foi duramente testado pelos backhands de Stan Wawrinka e não resistiu. Perdendo por 6/4, 7/5 e 2/1, o sérvio abandonou o US Open logo depois de ter o saque quebrado no começo do terceiro set. Atual campeão do Australian Open, de Wimbledon e do US Open, o número 1 do mundo era o favorito ao título. Sem ele, o cenário muda radicalmente na chave masculina.

Mais chances para Nadal e Federer

Rafael Nadal fez um Australian Open belíssimo e mal ameaçou Djokovic na final em Melbourne. Roger Federer jogou uma final de Wimbledon quase perfeita, teve dois match points com seu saque e, ainda assim, foi derrubado pelo sérvio. Não por acaso, Stan Wawrinka deveria ter a maior torcida de sua carreira na noite deste domingo, em Nova York. Com a queda de Nole, o favoritismo passa automaticamente para Rafa e Roger.

As casas de apostas colocam o espanhol como o mais cotado ao título. Talvez isso se explique pelo recente conquista em Montreal e pelo retrospecto melhor em Nova York nos últimos anos. No entanto, pelo que Federer exibiu nos últimos dois jogos deste US Open, perdendo apenas nove games somados diante de Dan Evans e David Goffin, além do retrospecto recente contra Rafa (seis vitórias em sete jogos desde 2017), não seria nada estranho se o suíço encabeçasse as listas das cotações.

Além disso, vale lembrar que Federer e Nadal podem finalmente fazer seu primeiro duelo em Nova York – após quatro no Australian Open, outros quatro em Wimbledon e mais seis em Roland Garros. No US Open, os dois estiveram a um jogo de se enfrentar em seis oportunidades, mas um dos dois sempre ficou pelo caminho. Aconteceu em 2008 (Nadal perdeu a semi), 2009 (Nadal perdeu a semi), 2010 (Federer perdeu a semi), 2011 (Federer perdeu a semi), 2013 (Federer perdeu nas oitavas) e 2017 (Federer perdeu nas quartas).

Freguês na semifinal para Federer

Federer é o beneficiado mais óbvio com a queda de Djokovic. Em vez de fazer a semifinal contra Nole, seu algoz nos últimos cinco encontros em torneios do Grand Slam, o suíço vai encontrar um freguês se chegar lá. Caso passe por Dimitrov (7-0 no H2H, outro freguês!) nas quartas, Roger vai encontrar Daniil Medvedev (3-0 no H2H) ou Stan Wawrinka (23-3 no H2H).

Nadal como #1 do ano

Nadal é o atual #2 do mundo, com 3.740 pontos a menos do que Djokovic. Porém, no ranking que conta só os pontos da temporada, Rafa chegou a Nova York como líder. Nole tinha a chance de ultrapassá-lo no US Open, mas deu adeus a essa oportunidade com sua eliminação nas oitavas de final. O espanhol terá a chance de abrir vantagem nesse ranking. Além disso, poderá terminar o US Open a apenas 640 pontos do líder no ranking da ATP – que conta as últimas 52 semanas.

Semifinal à vista para Stan

Stan Wawrinka não joga uma semifinal de slam desde Roland Garros/2017, quando alcançou a final e foi derrotado por Nadal. Desde então, o veterano, hoje com 34 anos, passou por uma cirurgia de joelho e vem, aos poucos, se recuperando. Seu primeiro bom slam após o retorno foi em Paris, este ano. Chegou às quartas e perdeu para Federer. Caso passe por Medvedev na próxima rodada, fará sua primeira semi neste nível dede 2017. Não é nada impossível.

Semifinal inédita na mira de Medvedev

Resistindo a duras penas ao desgaste físico e mental da sequência de torneios que decidiu encarar, Medvedev (que foi vice em Washington e Montreal e campeão em Cincinnati) está a uma vitória de sua primeira semifinal de slam. E, em vez do esperado duelo com o número 1 do mundo, o russo terá Wawrinka do outro lado da rede. Não que seja fácil lidar com o backhand mortal do suíço, mas não é o pior dos cenários. Os dois só se enfrentaram uma vez, em Wimbledon/2017, e Daniil venceu por 3 sets a 1.

Torcida unilateral na sexta-feira

Considerando o mau comportamento e as provocações de Medvedev ao público americano e somando isso ao carisma e ao tênis cativante de Roger Federer, vai dar para contar nos dedos o número de torcedores do russo caso esse duelo aconteça na próxima sexta-feira.

Coisas que eu acho que acho:

– Discordo radicalmente das vaias ao fim do jogo. Djokovic estava claramente lesionado, mas entrou em quadra e tentou competir. Depois de perder dois sets, ciente de que seu ombro não aguentaria por mais três sets, abandonou a partida. A desistência não reduz mérito de Wawrinka. Apenas mostra que Djokovic topou entrar em quadra sentindo dor.

– Seria muito diferente se Djokovic abandonasse a partida perdendo o terceiro set por 5/0. Ele jogou dois sets e desistiu quando foi quebrado na terceira parcial. Entrou, tentou, não conseguiu. Não dá para pedir mais do que isso.

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Podcast Saque e Voleio: S01E29 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/01/podcast-saque-e-voleio-s01e29/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/09/01/podcast-saque-e-voleio-s01e29/#respond Sun, 01 Sep 2019 12:29:03 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=10614

O 29º episódio do podcast Saque e Voleio, no ar para os apoiadores do blog, traz uma análise da terceira rodada, com palpites e previsões para as oitavas de final do US Open. Sobre a chave masculina, analiso as atuações de Federer, Djokovic e Nadal, destacando o nível do suíço, o momento físico do sérvio e os primeiros serviços do espanhol. Também comento o comportamento de Medvedev (incluindo áudio do momento em que ele provocou a torcida ao fim do jogo), lembrando o quanto isso ajuda a vender, ressalto a excelente fase de Rublev e digo o que falta tecnicamente para Kyrgios começar a pensar em brigar por títulos de slam.

Sobre o torneio feminino, destaco mais uma bela atuação de Serena Williams – com méritos variados – a consistência de Elina Svitolina e, novamente, a oportunidade que se apresenta para Bianca Andreescu, que anotou uma importante vitória em dois sets sobre Caroline Wozniacki. Também analiso o tênis de Cori Gauff, com seus pontos fortes e fracos e o quanto falta para ela brigar por coisas grandes. Por fim, dou meus palpites para as oitavas de final do torneio.

Quem já apoia o Saque e Voleio pode acessar o link para o episódio lá no Mural do Apoia.se. Quem mais quiser curtir o podcast pode aproveitar a ocasião para começar a apoiar o blog (com R$ 15 mensais, você tem direito a conteúdo exclusivo e newsletter semanal, além de brindes e promoções). Basta visitar o Apoia.se, conhecer melhor o programa de financiamento coletivo recorrente do Saque e Voleio e fazer sua contribuição.

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