Saque e Voleio http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br Se é sobre tênis, aparece aqui. Tue, 18 Jul 2017 03:45:32 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Quadra 18: S03E10 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/18/quadra-18-s03e10/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/18/quadra-18-s03e10/#respond Tue, 18 Jul 2017 03:45:32 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5303 Marcelo Melo conquistou o título que sempre quis; Garbiñe Muguruza levantou o troféu após aplicar um pneu sobre Venus Williams; e Roger Federer venceu Wimbledon pela oitava vez, conquistando seu 19º título em um slam, enquanto Nadal ficou pelo caminho e Djokovic e Murray sofreram com lesões.

Para comentar isso tudo, Aliny Calejon, Sheila Vieira e eu gravamos o tradicional episódio pós-Wimbledon do podcast Quadra 18. Lembramos também de Karolina Pliskova, nova #1 do mundo, do jogão entre Nadal e Muller, do potencial de Bia Haddad e muitos outros temas. Clique neste link para ouvir. Se preferir, clique com o botão direito e, em seguida, escolha “salvar como” para baixar o arquivo e ouvir depois.

Os temas

0’00” – Saideira (Skank)
0’20” – Aliny Calejon apresenta os temas
2’35” – A campanha campeã de Marcelo Melo
3’57” – O sofrimento (de todos) com os jogos de cinco sets sem tie-break
10’25” – Como Melo e Kubot encararam de forma positiva todos momentos de pressão
13’13” – Por que o Brasil vai bem nas duplas? Melo é o melhor duplista do mundo?
15’30” – Quem é mais sólido que o Marcelo no circuito hoje?
19’45” – O que falta para Bruno e Jamie deslancharem nos grandes torneios em 2017?
25’33” – As boas campanhas de Soares e Demoliner nas duplas mistas
26’40” – E Ivan Dodig?
27’20” – A polêmica dos canais mostrando duplas em vez de simples
36’50” – Glorious (Macklemore)
37’45” – O título, a campanha e os recordes de Roger Federer
38’25” – O que Federer fez de espetacular em Wimbledon?
41’50” – O que pensar de Federer no pré-US Open e da corrida pelo #1?
45’10” – A ótima campanha de Cilic até a final
48’25” – O que dizer do peso na cabeça do Cilic após o título do US Open?
50’52” – Os momentos e as lesões de Andy Murray e Novak Djokovic
57’25” – Nadal x Muller: o grande jogo do torneio
60’49” – Duele El Corazón (Enrique Iglesias)
61’20” – O tênis brilhante de Garbiñe Muguruza em Wimbledon
65’20” – Halep perde outra chance, e Pliskova assume a liderança do ranking
67’23” – Ganhar alguns sem ser #1 é melhor do que ser #1 sem slam?
70’00” – Qual o tamanho do potencial de Bia Haddad? Até onde ela pode ir?
75’10” – Hingis não seria desprezada pela mídia? / Relevância das duplas na WTA
81’43” – Wimbledon decepcionou? Teve menos bons jogos do que Roland Garros?
83’31” – Hard To Say I’m Sorry (The Backhand Boys ft. David Foster)

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Que não julguem o 19º slam de Roger Federer pela final contra Cilic http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/16/wimbledon-quem-nao-julguem-o-19o-slam-de-federer-pela-final-conta-cilic/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/16/wimbledon-quem-nao-julguem-o-19o-slam-de-federer-pela-final-conta-cilic/#respond Sun, 16 Jul 2017 15:26:50 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5295

Marin Cilic era o azarão. Quase ninguém esperava que o dia terminasse com o croata levantando o troféu. Só que a final, do jeito que foi, com bolhas no pé impedindo que Cilic resistisse e ameaçasse fazer algo interessante, não era o cenário ideal para ninguém. Muito menos para Roger Federer, o senhor de Wimbledon, o rei da grama.

No fim, o 6/3, 6/1 e 6/4 não foi apenas um reflexo da superioridade do suíço, mas também consequência das condições físicas do croata. No mundo-maravilhoso-do-tênis ou até mesmo no mundo-dos-sonhos-de-Federer não seria assim. O suíço daria um show de talento, fazendo aces em break points, soltando drop shots improváveis, disparando direitas indefensáveis. Nada disso, no entanto, se fez necessário.

Que ninguém julgue o 19º título de slam de Roger Federer pela final que poderia ter sido, mas não foi gloriosa. Que as duas semanas perfeitas do agora octocampeão de Wimbledon não sejam desvalorizadas pelo choro de Cilic conversando com médicos ou pelo atendimento que mostrou bolhas em um pé avariado pela sequência de jogos.

Federer foi campeão porque sobrou em quadra contra quem quer que aparecesse em sua frente. Dominou tanto o saque-e-voleio de Mischa Zverev quanto o jogo de fundo de Grigor Dimitrov. Devolveu como nunca as bombas de Milos Raonic e foi impecável nos momentos mais tensos dos dois tie-breaks contra Tomas Berdych.

Paciência se Cilic não esteve em condições de fazer mais do que fez. O croata, que nunca abandonou uma partida na vida, foi bastante digno de ficar em quadra até o fim tentando alguma coisa. Qualquer coisa. Fosse outro rival, talvez a partida nem chegasse ao terceiro set. Não é qualquer um que opta por ficar em quadra lesionado contra alguém implacável como Federer.

E paciência também se Nadal sucumbiu diante da brilhante atuação de Gilles Muller ou se Djokovic e Murray ficaram pelo caminho também com problemas físicos. Roger Federer, 35 anos, esteve inteiro o tempo todo. Foi espetacular quando precisou. Jogou como ninguém. Todos méritos do mundo ao dono de 19 slams.

No ranking

Em termos de pontuação, o ranking muda pouco depois de Wimbledon, mas a vantagem de Murray cai absurdamente, já que o escocês perdeu 1.640 pontos, enquanto Nadal somou 180. Agora o escocês soma 7.750), contra 7.465 do espanhol. O resto do top 10 fica assim: Djokovic (6.325), Federer (6.545), Wawrinka (6.140), Cilic (5.875), Thiem (4.030), Nishikori (3.740), Raonic (3.310) e Dimitrov (3.160).

A Corrida, o ranking que conta apenas os pontos conquistados em 2017, fica animadíssima, com Federer e Nadal brigando pela liderança. O espanhol segue na ponta, com 7.095 pontos, e o suíço vem atrás, não muito longe, com 6.545. Ainda faltam quatro Masters 1.000, o US Open e o ATP Finals, então são mais de 7.000 pontos na mesa. O segundo semestre promete. E se você ficou curioso, o top 5 da Corrida ainda tem Thiem (3.345), Wawrinka (3.150) e Cilic (2.905). Djokovic é o sétimo, com 2.585, e Murray é o oitavo, com 2.290.

Coisas que eu acho que acho:

– Por causa de um compromisso pessoal, não vi a final de duplas. Logo, não escrevi um texto específico sobre ela. De qualquer modo, haveria pouco a acrescentar ao que já escrevi neste post sobre Marcelo Melo e Lukasz Kubot após a semi de duplas. O título de Wimbledon foi “apenas” a coroação de um planejamento bem feito e executado maravilhosamente sob pressão, com quatro vitórias em cinco sets – e três desses jogos indo além do 6/6.

– Foi a primeira vez na Era Aberta (a partir de 1968) que uma dupla venceu dois torneios de grama além de Wimbledon em sequência. Melo e Kubot já havia triunfado em ’s-Hertogenbosch e Halle. Ainda que o calendário tenha mudado bastante ao longo dos anos e hoje seja um pouco mais fácil jogar dos torneios preparatórios antes de Wimbledon, o fato de ninguém ter conseguido isso antes dá a noção da dificuldade.

– Sobre a questão de quanto a conquista de Melo faz o tênis se destacar dentro do Brasil, meu amigo Fábio Balassiano foi preciso neste texto. Recomendo muito.

– Depois de ler no Twitter a repercussão do minuto que o Jornal Nacional dedicou ao título de Melo e Kubot, escrevi esta thread no Twitter. Também gostaria que lessem. Não faria sentido reproduzir palavra por palavra por extenso aqui.

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O retorno da dominante Muguruza http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/15/wimbledon-o-retorno-da-dominante-muguruza/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/15/wimbledon-o-retorno-da-dominante-muguruza/#respond Sat, 15 Jul 2017 15:51:26 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5291

Pouco mais de um ano atrás, no dia 4 de junho de 2016, Garbiñe Muguruza levantava o troféu de Roland Garros após uma impressionante demonstração de força contra Serena Williams. A espanhola dominou a linha de base, atacou mais e empurrou para trás a melhor tenista do mundo. Foi o primeiro título de Muguruza em um slam, uma espécie de cartão de visitas de alguém que mostrava pertencer à elite do tênis.

O que aconteceu nas 52 semanas seguintes foi difícil de explicar. Resultados inconsistentes, derrotas decepcionantes, nenhuma final. Era justo perguntar se o brilho da espanhola havia passado. Se Muguruza jamais seria novamente a tenista dominante daquele Roland Garros – ou até de Wimbledon/2015, quando foi vice.

Até que, ao ser eliminada em Paris este ano, a espanhola se disse aliviada. Terminava ali, na derrota para Kristina Mladenovic, o ano em que Muguruza carregou o título de um slam no ranking. Ao mesmo tempo, saía de suas costas a bigorna do rótulo “atual campeã de Roland Garros”. Não demorou para que a diferença ficasse muito clara.

Em Wimbledon, a atual número 15 do ranking jogou solta, leve, despreocupada. Perdeu um único set – nas oitavas de final, para Angelique Kerber, número 1 do mundo. Chegou à final confiante, soltando o braço e disposta para um duelo de tiros do fundo de quadra com a pentacampeã Venus Williams.

Trocar tiro com tiro não seu tão certo assim. O primeiro set foi duro, com a americana jogando à vontade em quadra. Até que Muguruza precisou encarar dois set points sacando em 4/5 e 15/40. Jogou o rali mais longo da partida e venceu. Salvou o segundo set point com um belo saque. A final não seria a mesma depois dali.

As duas jogaram mais um ponto longo vencido pela espanhola. Muguruza leu o momento e viu que não precisava de tanta potência, mas de solidez. Quanto mais bolas trocadas, mais dura era a vida da adversária de 37 anos. Outro rali, e Venus perdeu o break point em seu saque. Pouco depois, o placar mostrava 7/5 para Muguruza. E a veterana não faria mais um game depois daquilo.

Foram nove games seguidos, um domínio completo até Muguruza fechar a conta em 7/5 e 6/0. Uma demonstração de potência, consistência e inteligência. Uma combinação poderosíssima que mostra o tamanho do tênis de Garbiñe Muguruza. Um jogo que ainda pode conquistar muita coisa no circuito feminino.

Coisas que eu acho que acho:

– Importante apontar que Muguruza se torna a primeira tenista a derrotar as duas irmãs Williams em finais de slam.

– Vale lembrar o estado emocional da espanhola quando foi eliminada de Roland Garros. Ela chorou na coletiva ao ser lembrada dos gritos de Mladenovic.

– Conchita Martínez, que acompanhou Muguruza durante o torneio, tornou-se a primeira mulher a conquistar Wimbledon como tenista e técnica. Ela substituiu Sam Sumyk, treinador regular de Muguruza, que voltou a Los Angeles porque estava prestes a ser pai. Os dois retomam a parceria antes do WTA de Stanford, ainda este mês.

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De volta ao topo do mundo: Marcelo Melo, o equilibrado número 1 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/13/de-volta-ao-topo-do-mundo-marcelo-melo-o-equilibrado-numero-1/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/13/de-volta-ao-topo-do-mundo-marcelo-melo-o-equilibrado-numero-1/#respond Thu, 13 Jul 2017 17:29:45 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5287

O fim de 2016 não foi dos mais fáceis. Marcelo Melo ouviu de Ivan Dodig que o parceiro queria algo novo. O aviso veio um pouco tarde, já depois do período em que os duplistas conversam para formar os times do ano seguinte. Brasileiro e croata jogaram juntos até o ATP Finals,mas a relação já não era das melhores. Caíram na fase de grupos. Restava ao mineiro começar quase do zero com outro parceiro.

O time com o polonês Lukasz Kubot tinha uma grande vantagem: pela primeira vez desde 2012, Melo poderia fazer uma temporada inteira ao lado do mesmo tenista. Com Dodig, o interesse do croata em manter um calendário de simples forçava o brasileiro a jogar alguns eventos com outros atletas. O início do ano, contudo, não foi tão animador. Até Indian Wells, Melo e Kubot somavam quatro vitórias e cinco derrotas. O brasileiro se queixava da falta de equilíbrio da dupla. Falava que o jogo kamikaze praticado até então deixava o time vulnerável demais.

Pois o equilíbrio veio na Califórnia e, quando a dupla encaixou, varreu o circuito. Melo e Kubot foram vice em Indian Wells, campeões em Miami, campeões em Madri, campeões em ’s-Hertogenbosch, campeões em Halle (sim, eu repeti a palavra “campeões” de propósito) e, agora, estão na final em Wimbledon, depois de três partidas nervosas de cinco sets. A vitória desta quinta, por 6/3, 6/7(4), 6/2, 4/6 e 9/7 sobre Henri Kontinen e John Peers, ainda recolocou o mineiro como número 1 do mundo. Ele e Kubot, aliás, também são a dupla número 1 da temporada.

De onde veio o equilíbrio? Do próprio Marcelo Melo. O desafio era fazer Kubot arriscar um pouco menos e confiar mais na capacidade do brasileiro. Buscar menos winners diretos e facilitar a vida do parceiro da rede. E se o mineiro faz algo muito bem, é cobrir a rede. Não que seja sua única qualidade. Longe disso. Melo talvez seja o tenista mais equilibrado do circuito de duplas. No bom sentido. Não possui nenhum golpe entre os melhores do mundo, mas não tem nenhum ponto fraco. Tem um belo saque (que evoluiu muito nos últimos cinco anos), reflexos incríveis junto à rede, uma ótima leitura de jogo e um grande segundo golpe – aquele logo depois do saque, quando às vezes é preciso tirar do pé uma devolução fortíssima. Melo faz isso como ninguém.

É difícil dizer, inclusive, quando foi a última atuação ruim do mineiro. Com sua estabilidade, cabe a Kubot dar a temperatura do jogo. Quando os saque e as devoluções do polonês entram – e elas estão funcionando gloriosamente em Wimbledon – a coisa flui. Assim, é duríssimo derrotar a parceria. Não por acaso, Melo e Kubot podem se tornar o primeiro time da Era Aberta (a partir de 1968) a vencer dois torneios de grama e Wimbledon em sequência. Falta só um jogo para isso. E quem duvida deles contra Oliver Marach e Mate Pavic? Eu, não.

E o que mais?

Sobre as semifinais femininas, há pouco a dizer – pelo menos taticamente. Na primeira delas, Garbiñe Muguruza ficou 1h05min em quadra e fez 6/1 e 6/1 sobre Magdalena Rybarikova. Um pouco pelo nervosismo da eslovaca e um pouco pela partidaça da espanhola, não houve jogo. A torcida até tentou empurrar Rybarikova, mas nada adiantou. Muguruza bateu firme na bola o tempo inteiro, agredindo e subindo à rede. Não deixou a oponente à vontade em momento algum. Viu a oportunidade, tomou controle do jogo e não largou mais. Será a segunda final de Wimbledon para a espanhola, que foi derrotada por Serena em 2015.

A outra finalista tem “um pouco” mais de experiência no All England Club. A pentacampeã Venus Williams bateu Johanna Konta por 6/4 e 6/2 e fará sua nona (!!!) decisão no torneio. A veterana de 37 anos, que não ia tão longe em Londres desde 2009 e foi campeã lá pela última vez em 2008, impôs mais uma vez seu jogo agressivo, sacando muito bem, especialmente sob pressão. Konta, que avançou depois de atacar mais do que Halep, tentou o mesmo contra a americana e se frustrou. Nem conseguiu ditar pontos com a frequência necessária nem mostrou poder de mudar o ritmo do jogo.

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Federer e mais três que não são aqueles três http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/12/wimbledon-federer-e-mais-tres-que-nao-sao-aqueles-tres/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/12/wimbledon-federer-e-mais-tres-que-nao-sao-aqueles-tres/#respond Wed, 12 Jul 2017 19:10:22 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5283

Ele era o favorito antes do começo (leia este título) e continua assim a quatro dias do fim do Torneio de Wimbledon. A diferença é que Rafael Nadal, Andy Murray e Novak Djokovic já ficaram pelo caminho. Depois de uma luxuosa vitória sobre Milos Raonic, Roger Federer está mais cotado que nunca, acompanhado nas semifinais por um trio composto de Tomas Berdych, Marin Cilic e Sam Querrey. E como isso aconteceu?

Primeiro, com uma atuação gloriosa de Federer diante de Milos Raonic: 6/4, 6/2 e 7/6(4). Sim, o mesmo canadense que eliminou o suíço em Wimbledon no ano passado. Ou quase isso. Se o Raonic de 2017 vinha em fase menos inspirada do que o de 2016, o Federer de hoje não carrega uma lesão no joelho e esbanja confiança. O resultado foi o serviço de Raonic quase anulado, e um suíço tirando da cartola todos truques possíveis. Daria pena do canadense se ele não estivesse ganhando 275 mil libras para ver o show com um ingresso de pista premium.

A semifinal será contra Tomas Berdych, que não era o favorito para estar lá, mas contou com uma lesão de Novak Djokovic. O sérvio, encaixou os primeiros saques, em média, a apenas 171 km/h, desistiu com dores no braço direito quando perdia por 7/6(2) e 2/0. O jogo teve apenas 1h03min de duração. Foi o primeiro abandono de Nole em um slam desde 2009. Cabe a Berdych, então, tentar repetir o resultado de 2010, quando eliminou Federer em Wimbledon. A tarefa não parece muito provável hoje em dia. Não só pelo nível que o suíço mostra no torneio, mas também porque Berdych perdeu os últimos sete encontros contra o suíço – inclusive o último, em Miami, onde teve dois match points no tie-break do terceiro set.

O principal nome da outra semifinal é Marin Cilic, que segue fazendo um torneio brilhante e derrotou Gilles Muller em cinco sets: 3/6, 7/6(6), 7/5, 5/7 e 6/1. O croata brilhou especialmente quando, depois de perder o primeiro set, virou o tie-break (estava um mini-break atrás) da segunda parcial e igualou o placar. Na parcial decisiva, não deu chances ao luxemburguês, que talvez tenha sentido o desgaste das nervosas 4h48min que precisou ficar em quadra para eliminar Nadal nas oitavas.

Cilic vai enfrentar Sam Querrey, que superou o número 1 do mundo em Wimbledon pelo segundo ano seguido. A vitória desta quarta, contudo, veio sob circunstâncias bem diferentes. O quadril lesionado de Andy Murray finalmente cobrou seu preço. Depois de três sets, o britânico não aguentou mais de dor, e seu rendimento caiu absurdamente. Querrey aproveitou e triunfou por 3/6, 6/4, 6/74), 6/1 e 6/1. O americano, que nunca venceu Cilic em quatro encontros, será o azarão nessa semi.

Coisas que eu acho que acho:

– Dos três que restaram, só consigo imaginar Cilic com alguma chance diante de Federer no momento. E, mesmo assim, em uma jornada especialmente inspirada do croata. Só algo muito improvável tira o título do suíço.

– A lesão de Djokovic me faz pensar no enorme período de tempo que o sérvio jogou exigindo horrores de seu corpo e evitando lesões sérias. É o tipo de coisa que a gente pensa “cedo ou tarde vai acontecer”, mas que Nole vinha evitando.

– Ao mesmo tempo, o fato de uma lesão mais séria surgir justamente depois de Djokovic trocar a equipe inteira (inclusive fisioterapeuta e preparador físico) me deixa imaginando se não há uma relação entre as situações.

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Como Karolina Pliskova chega ao topo do mundo (depois de outra chance perdida por Halep) http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/11/wimbledon-como-karolina-pliskova-chega-ao-topo-depois-de-outra-chance-perdida-por-halep/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/11/wimbledon-como-karolina-pliskova-chega-ao-topo-depois-de-outra-chance-perdida-por-halep/#respond Tue, 11 Jul 2017 20:15:11 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5274

Quando Angelique Kerber caiu diante de Garbiñe Muguruza nas oitavas de final em Wimbledon, ficou decidido: o circuito feminino teria uma nova número 1 depois do slam britânico. Como Karolina Pliskova já estava eliminada, bastava a Simona Halep alcançar as semifinais para garantir também a liderança do ranking.

Não que fosse a tarefa mais fácil do mundo. A romena precisava passar por Victoria Azarenka e Johanna Konta. Bateu a bielorrussa, mas faltava a britânica. Venceu o primeiro set no tie-break. Foi ao game de desempate também na segunda parcial. Teve 5/4 e saque. Esteve a dois pontos do número 1. Não conseguiu. A tenista da casa venceu quatro pontos seguidos, forçou o terceiro set e acabou triunfando por 6/7(2), 7/6(5) e 6/4.

O resultado deu a Karolina Pliskova a liderança do ranking – algo que será confirmado na próxima segunda-feira. A tenista tcheca, de 25 anos, será mais uma “número 1 sem slam”. Até a metade do ano passado, aliás, Pliskova tinha um histórico de decepções nos quatro torneios mais importantes do circuito. O que mudou, então, e permitiu que ela chegasse ao posto mais alto do ranking?

A maior mudança foi seu desempenho nos slams. A começar pelo US Open do ano passado, quando alcançou a final após bater gente como Venus (oitavas) e Serena Williams (semi). No Australian Open, parou nas quartas. Em Roland Garros, onde seu tênis deveria ser menos eficiente, foi até a semi. A derrota na segunda rodada em Wimbledon (para a semifinalista Rybarikova) foi o pior resultado entre os quatro.

E se falta um slam, sobra consistência em torneios menores. Em sua soma atual de pontos, Pliskova conta os títulos de Cincinnati, onde bateu Kuznetsova, Muguruza e Kerber; Brisbane, onde superou Vinci, Svitolina e Cornet; Doha, onde derrotou Cibulkova e Wozniacki; e Eastbourne, com vitórias sobre Kuznetsova e Wozniacki. Vitórias grandes não faltaram. “Apenas” títulos grandes.

É cruel, mas compreensível. Até que conquiste um slam, Pliskova não terá o mesmo reconhecimento da maioria de suas antecessoras no topo. São os títulos nos quatro grandes, afinal, que marcam. Vencer um slam é o momento máximo de glória de um tenista. Ainda falta isso à tenista tcheca. Como faltou para Safina, Jankovic e Wozniacki.

Não é só isso. Não dá para ignorar que o caminho de Pliskova até o topo foi descomplicado por uma série de fatores: a gravidez de Serena, a maternidade de Azarenka, o doping de Sharapova, a lesão de Kvitova e a péssima, péssima fase de Kerber. Ah, sim: e as chances perdidas por Simona Halep, que esteve a dois games do número 1 em Roland Garros e a dois pontos do topo em Wimbledon.

Pliskova, contudo, tem méritos. Vários. Tem 1,86m de altura e não nasceu com o dom de se movimentar como algumas de suas colegas mais ágeis (vide Sharapova e seu 1,88m). Precisa compensar com golpes fortes, sempre medindo o risco na busca por winners sem exagerar na dose e, ao mesmo tempo, sem perder o controle do ponto. Não é fácil. A tcheca evoluiu muito nisso, e os resultados apareceram nos últimos anos. Sua irmã gêmea, Kristyna, #44 do mundo, ainda sofre.

Karolina também desenvolveu um saque invejável, que lhe dá muitos pontos de graça. E que ninguém diga que o saque vem naturalmente para alguém tão alto (vide Sharapova, seu 1,88m e suas muitas duplas faltas). E a tcheca tem uma inteligência tática para ler partidas e um controle mental raros no circuito feminino. Mostra pouco suas emoções – mesmo quando está ganhando – e quase nunca perde jogos por nervosismo. Falta o carisma que a WTA gostaria de ver (e vender) numa número 1? Sim. Falta tênis? Nem tanto.

Sobre Halep, escrevo aqui um pouco do mesmo que opinei após a final de Roland Garros, quando a romena abriu 6/4 e 3/0, depois esteve a dois games do título e terminou vendo Jelena (ou Alona, aparentemente, agora que a moça quer ressaltar as raízes ucranianas) Ostapenko levantar o troféu.

Nesta terça, Halep venceu o primeiro set contra Johanna Konta, mas nunca esteve no controle da partida. Sem um saque dominante ou golpes ultrapotentes, a romena foi agressiva sempre que conseguiu. A britânica, no entanto, não lhe permitiu tanto assim. Konta sacou bem e agrediu em quase todas devoluções. Ou errava ou tomava o controle dos pontos. Halep não conseguiu sair da defesa.

Mesmo assim, a romena teve 5/4 e saque no tie-break do segundo set. Faltavam dois pontos, e a agressividade de Konta levou a melhor outra vez. Uma derrota doída para a romena, mas é difícil condenar alguém que comete apenas nove erros não forçados em 36 (!!!) games. Agora, com o placar nas mãos, parece fácil julgar e dizer que Halep precisava correr riscos, mas quem garante que o resultado seria outro? A romena poderia atacar mais, errar mais e facilitar a vida de Konta. Quem sabe?

E o que mais?

As semifinais estão definidas com Muguruza x Rybarikova e Venus x Konta. Muguruza foi imponente outra vez (hoje contra Svetlana Kuznetsova), enquanto Rybarikova foi inteligente e deixou Coco Vandeweghe se autodestruir, especialmente depois que a partida foi transferida para a Quadra Central. Não que a eslovaca tenha menos mérito por isso. Ela, aliás, já derrotou Muguruza na grama (Birmingham/2015) e pode muito bem fazê-lo outra vez. Será?

Enquanto isso, Venus venceu a pancadaria com Jelena Ostapenko e está em sua décima semifinal de Wimbledon – um feito enorme. A pentacampeã deve encontrar mais problemas com Johanna Konta, que saca melhor do que a letã e vem sendo a tenista mais regular da temporada de grama. Sem falar, é claro, na torcida britânica.

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A queda de Nadal e quem é quem nas quartas de final em Wimbledon http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/10/a-queda-de-nadal-e-quem-e-quem-nas-quartas-de-final-em-wimbledon/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/10/a-queda-de-nadal-e-quem-e-quem-nas-quartas-de-final-em-wimbledon/#respond Mon, 10 Jul 2017 20:48:35 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5268

A Manic Monday parecia caminhar para terminar como uma rodada de poucas emoções e resultados previsíveis. No entanto, a segunda-feira com todas oitavas de final – masculinas e femininas – raramente decepciona. Desta vez, a emoção veio em doses cavalares com o jogão (em qualidade e duração) entre Rafael Nadal e Gilles Muller. Ace atrás de ace, um bom saque atrás do outro, o luxemburguês de 34 anos e #26 do mundo foi crescendo no jogo e se colocando em uma posição de real ameaça.

Nadal reagiu. Como esperar outra coisa? Venceu o terceiro set, depois forçou o quinto. Com os passos para trás que deu para devolver os serviços de Muller, conseguiu mexer com a cabeça do luxemburguês e colocar mais bolas em jogo. Parecia que o momento era do espanhol, mas se alguém achou que ele atropelaria na parcial decisiva, errou feio. Errou rude. O azarão não ia embora. E mais: como sacava primeiro no quinto set, colocava sempre o favorito sob pressão.

O bicampeão de Wimbledon saiu de 0/15 incontáveis vezes. Também escapou de 0/30 em um punhado de games. Salvou dois match points no 10º game, antes de o quinto set avançar além do 6/6. Salvou mais dois match points no 20º game. Nadal também teve suas chances. Menos, mas teve. Quando Muller sacava em 9/9, foram quatro break points. E se Nadal pode ser acusado de alguma falha em uma derrota tão apertada, vale apontar sua afobação. Apressou dois dos break points. Cometeu um erro em um deles. No outro, arriscou uma subida à rede precipitada. Levou uma passada de Muller.

O luxemburguês, brilhante tecnicamente e firme mentalmente, seguia pressionando até que Nadal sucumbiu. No longínquo 28º game, cometeu erros quando não havia margem. Game, set, match, Muller: 6/3, 6/4, 3/6, 4/6 e 15/13, em 4h48min. Estava completa a grande zebra da Manic Monday.

Quem é quem nas quartas de final

Wimbledon entra na segunda semana com um cenário bem mais claro sobre quem vem jogando bem e pode ser considerado candidato sério ao título. Logo, é hora de analisar os confrontos de quartas de final (meus palpites em negrito).

[14] Garbiñe Muguruza x Svetlana Kuznetsova [7]

O pré-Wimbledon de Muguruza foi pouco inspirador – assim como seu primeiro set nesta segunda-feira – mas a espanhola foi agressiva na medida certa chega às quartas embalada por uma grande vitória sobre a novamente consistente Angelique Kerber. A alemã, aliás, fez um torneio bastante digno, jogando um tênis mais conservador e parecido com o que a levou ao topo do ranking. Podia inclusive ter derrotado Muguruza, mas a espanhola buscou mais o jogo e foi recompensada.

Kuznetsova, por sua vez, navegou uma chave menos complicada (inclusive encarando a Radwanska pouco perigosa de 2017 nas oitavas) e fez o seu com muita competência – sem perder sets, inclusive. Pelo ranking, seria favorita para chegar à semi. O histórico contra Muguruza, contudo, diz o contrário.

Magdalena Rybarikova x Coco Vandeweghe [24]

Rybarikova é “a” surpresa do grupo – menos para Karolina Pliskova. Ao vencer a primeira rodada, a tcheca já dizia que Rybarikova era o pior jogo de segunda fase possível. Não deu outra. A eslovaca derrubou a número 3 do mundo e deu sequência ao ótimo resultado com vitórias sobre Tsurenko e Martic.

Já era de se esperar que Coco e seu saque fizessem algum estrago na grama. A chave também ajudou, e a americana aproveitou para impor sua potência contra Wozniacki nas oitavas. Agora terá uma chance de vingar o 6/1 e 6/4 sofrido diante de Rybarikova. E se vencer, que ninguém duvide que Vandeweghe pode chegar à final.

[10] Venus Williams x Jelena Ostapenko [13]

Vem sendo um Wimbledon estupendo para Venus Williams, que se vê envolvida num caso de acidente de trânsito que terminou com a morte de um passageiro no outro veículo. Enquanto seus advogados trabalham nos EUA, a americana perdeu apenas um set em Londres, confirmando seu status de favorita para chegar às quartas.

A campeã de Roland Garros teve lá seus momentos de instabilidade, mas sua agressividade vem levando a melhor, do mesmo jeito que aconteceu em Paris. esta segunda, a letã derrubou a cabeça 4, Elina Svitolina, que chegou a sacar para o segundo set. Agora vai para o que promete ser um duelo para ver quem ataca primeiro contra Venus.

[6] Johanna Konta x Simona Halep [2]

Fez um dos melhores jogos do torneio e passou um aperto e tanto contra Donna Vekic na segunda rodada. Sacou bem sempre que precisou – e não foram poucas vezes. Konta chega às quartas após bater Caroline Garcia para fazer um jogão contra Halep. O número 1 do ranking estará em jogo, e a britânica é a favorita das casas de apostas para conquistar o título.

Halep conquistou mais uma chance para chegar ao topo. Será a #1 se derrotar Konta. Ainda não perdeu sets, e isso com uma vitória sobre Victoria Azarenka nas costas, o que não é pouco. A bielorrussa vem jogando bem do fundo de quadra, embora seu saque venha sendo uma vulnerabilidade.

[1] Andy Murray x Sam Querrey [24]

Andy Murray já pode trancar a porta do manicômio e seguir adiante. Depois de lidar com as “personalidades peculiares” de Dustin Brown, Fabio Fognini e Benoit Paire, o número 1 do mundo enfim enfrentará alguém que pode lhe ameaçar de verdade em Wimbledon este ano. Será seu primeiro grande teste. É hora de ver se o escocês está afiado o bastante para confirmar seu favoritismo e chegar à final.

Sam Querrey derrubou Jo-Wilfried Tsonga e Kevin Anderson, ambos em cinco sets. É de se imaginar que vai entrar sem peso nas costas e cheio de confiança. Se o saque estiver calibrado, sabe-se lá o que pode acontecer.

[16] Gilles Muller x Marin Cilic [7]

É “surpresa” porque tem que ser. Foi nas oitavas de final de um slam, contra Nadal, em um quinto set longo e tenso. O resultado desta segunda não vai exatamente ao encontro do histórico de Gilles Muller. Maaaas o bom momento do luxemburguês não era segredo nenhum. O título em ’s-Hertogenbosch e a semi em Queen’s estavam aí para todo mundo ver e analisar. resta saber como o corpo de 34 anos vai reagir às quase cinco horas do jogo contra Nadal e à emoção de conseguir um a vitória tão grande em Wimbledon. O histórico (sempre ele) mostra reveses frequentes dos algozes de Nadal nas rodadas imediatamente seguintes.

Marin Cilic navegou com destreza uma parte nada tranquila da chave. Derrubou o “perigoso” Kohlschreiber, o habilidoso Florian Mayer, o cabeca 26, Steve Johnson, e o cabeça 18, Roberto Bautista Agut. Não perdeu nenhum set. Vem em grande forma e, em condições normais, é favorito para estar na semi.

[6] Milos Raonic x Roger Federer [3]

Se alguém tinha potencial para derrubar Roger Federer antes das semifinais, o nome óbvio era Milos Raonic. O canadense confirmou seu favoritismo e chegou até as quartas com uma bela vitória em cinco sets sobre Zverev. Fisicamente, esteve bem (até agora). Se vai conseguir repetir o feito do ano passado e despachar o suíço, é outra história – que pode ser bem diferente da de 2016.

O Federer de hoje está melhor fisicamente do que no ano passado e tão afiado tecnicamente quanto jamais esteve. Não por acaso, passou tão fácil por Dimitrov nas oitavas. Não que o búlgaro tenha sido brilhante. Grigor fez exatamente o tipo de jogo que mais beneficia o suíço, acelerando jogadas e tentando atacar a qualquer custo. Não deu certo. E Federer, que não perdeu sets, continua sendo o principal favorito ao título. Será preciso uma atuação estupenda de Raonic para que aconteça nova zebra.

[11] Tomas Berdych x Adrian Mannarino / Novak Djokovic [2]

Difícil combinar Berdych e regularidade na mesma frase, mas o tcheco foi consistente o bastante para avançar em uma seção que tinha Chardy, Harrison, Ferrer e Thiem. Uma lista muito digna de vitórias. Thiem poderia ter feito melhor, mas resolveu aceitar o jogo de pancadaria direta de Berdych e se deu mal. Cabe ao tcheco agora tentar impor seu saque e sua potência contra – provavelmente – Djokovic. O sérvio jogaria contra Adrian Mannarino nesta segunda, mas a longa duração de Nadal x Muller (e a recusa do torneio em trocar Nole de quadra por motivos de segurança – vide tweet abaixo) fez com que a partida fosse adiada.

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Rio Open tenta de novo e põe mudança para quadras duras em votação na ATP http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/06/rio-open-tenta-de-novo-e-poe-mudanca-para-quadras-duras-em-votacao-na-atp/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/06/rio-open-tenta-de-novo-e-poe-mudanca-para-quadras-duras-em-votacao-na-atp/#respond Thu, 06 Jul 2017 11:59:53 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5264

A organização do ATP 500 do Rio de Janeiro continua em sua jornada para mudar o piso do torneio. Negado em sua primeira tentativa, realizada no ano passado, o Rio Open colocou a proposta em votação novamente este ano. A intenção é realizar o evento em quadras duras no ano que vem – ou, no mais tardar, em 2019.

Os promotores fizeram uma nova apresentação diante do Conselho de Jogadores da ATP mostrando por que, segundo eles, faria sentido mudar o Rio Open para o piso sintético. Os representantes dos tenistas escutaram, fizeram perguntas e agora terão um período para avaliar. Uma decisão será tomada e anunciada no período entre o US Open (agosto/setembro) e o ATP Finals (novembro).

Realizado sempre em fevereiro, o Rio Open faz parte da perna sul-americana do circuito mundial, com torneios em Quito, Buenos Aires, Rio e São Paulo. Os quatro eventos são realizados em quadras de saibro e em semanas consecutivas. A “gira” termina antes dos Masters 1.000 de Indian Wells e Miami, em quadras duras.

Lui Carvalho, diretor do Rio Open, já declarou em várias entrevistas que fazer o torneio carioca em piso sintético facilitaria sua tarefa de atrair grandes nomes para a Cidade Maravilhosa. Atualmente, nas conversas mantidas com atletas e empresários, o executivo ouve várias negativas usando o piso como justificativa. Não são muitos os atletas que querem jogar no saibro pouco depois do Australian Open e logo antes de dois Masters 1.000 – todos em quadras duras.

Uma fonte no Conselho de Jogadores disse ao autor deste blog que as chances de o Rio Open mudar para quadras duras em 2018 não existe. A possibilidade, no entanto, é real para 2019. O assunto está sendo avaliado com muita profundidade porque não afeta apenas o Rio de Janeiro. Organizadores do ATP de Buenos Aires também já manifestaram sua vontade de mudar para quadras duras. Aprovar a solicitação do Rio seria mudar também o torneio argentino. É possível que São Paulo e Quito também queiram acompanhar. Além disso, alguns torneios europeus pós-Wimbledon fizeram pedidos semelhantes e é preciso avaliar o número total de torneios de saibro para que não haja um desequilíbrio ainda maior no calendário.

Para conseguir a mudança, o Rio Open precisaria de quatro votos em uma votação com três representantes dos torneios e três representantes dos jogadores. Em caso de empate, o CEO da ATP, Chris Kermode, dá o voto decisivo.

Vale lembrar que o formato atual do calendário da ATP e do sistema de pontos do ranking é válido apenas até 2018. Para 2019, a entidade pode promover uma série de mudanças, e é aí que reside a grande chance do Rio Open. Aliás, tudo é possível mesmo. A ATP pode mudar datas, pontuações, criar novos níveis de torneios, etc. Várias possibilidades estão sendo analisadas.

Por enquanto, o cenário mais provável é que o torneio continue no saibro e mantenha a sede no Jockey Club Brasileiro, embora ninguém na IMM (a promotora) vá confirmar isso. Ano passado, a empresa fez mistério até novembro. Até então, pairava no ar a possibilidade de que o torneio de 2017 fosse no Centro Olímpico de Tênis, mesmo com o desafio logístico de colocar saibro sobre as quadras duras do local. Continuando na terra batida, o que faz mais sentido é repetir a parceria (que dá certo) no Jockey em 2018. Já para o ano seguinte, as cartas ainda estão na mesa.

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O que separa Bia Haddad da elite (por enquanto) http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/05/wimbledon-o-que-separa-bia-haddad-da-elite-por-enquanto/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/05/wimbledon-o-que-separa-bia-haddad-da-elite-por-enquanto/#respond Wed, 05 Jul 2017 21:58:00 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5261

Bia Haddad entrou na Quadra 1 de Wimbledon com status de zebra, diante da número 2 do mundo, Simona Halep. Soltou o braço e abriu 3/0 no primeiro até que a romena elevasse seu nível, equilibrasse as ações e deixasse a partida emocionante. A brasileira ainda sacou para fechar o primeiro set, mas foi quebrada. No fim, Halep saiu de quadra vitoriosa por 7/5 e 6/3. Um resultado esperado, ainda que num jogo muito mais parelho do que o que se poderia imaginar.

No balanço, foi uma partida com vários pontos positivos para Bia, atual #97 no ranking da WTA. Não só porque foi apenas sua segunda partida na vida em uma chave principal de Wimbledon, mas porque a paulista fez muitas coisas do jeito que deveria fazer. Inclusive tomar a iniciativa do jogo, que era a única maneira de sair de quadra com uma vitória nesta quarta-feira.

Talvez o mais interessante do tênis de Bia é que ele foi bem planejado, e ela é muito consciente disso, o que fica claro toda vez que a paulista entra em quadra. A ideia é aproveitar seu 1,85m de altura, sacar bem e ganhar pontos de graça já no serviço ou comandar o ponto a partir da segunda bola. Sempre atacando primeiro, distribuindo bolas e fazendo a adversária se movimentar o tempo inteiro. Na devolução, agredir o segundo saque e, de novo, tomar o comando das ações.

O plano é traçado para aproveitar a altura e a potência da paulista, minimizando sua movimentação, que nunca será a melhor do circuito. É o jeito Kvitova de jogar. Bia sempre se espelhou na tcheca (bicampeã de Wimbledon) e hoje talvez seja a brasileira (incluindo homens) com o jogo taticamente mais bem definido. Ela começa as partidas sabendo o que precisa fazer e sempre vai atrás dos pontos. Não troca bolas sem propósito, não tenta disparar winners de olhos fechados nem espera que os pontos caiam do céu. Não foi diferente contra Halep.

O que faltou? No primeiro set, tirar mais do primeiro serviço. Conquistar 52% dos pontos com o fundamento não é suficiente contra Halep, que vence a maioria dos ralis em quase todas as partidas. Esse número subiu para 62% no segundo set, mas Bia venceu só 27% dos pontos com o segundo serviço. Superar Halep exigiria mais consistência, mais precisão, menos oscilações. A romena não está no top 10 por acaso.

É justamente o que ainda separa Bia da elite. A brasileira consegue fazer jogos parelhos contra gente da estirpe de Elena Vesnina e Simona Halep, mas precisa oscilar menos. Nesta quarta, na primeira real queda de nível da brasileira, a romena venceu dez pontos seguidos e saiu rapidinho de 2/3 para 6/3.

A distância não é tão grande assim. Talvez já fosse menor se a carreira profissional de Bia não tivesse sido interrompida por lesões em diferentes momentos. De qualquer modo, é animador ver que a paulista conhece suas armas, suas deficiências e o necessário para tirar o máximo de seu tênis. Um pouco mais de vivência em torneios e jogos grandes, e Beatriz Haddad Maia pode ir muito, muito longe.

Coisas que eu acho que acho:

– Comentei no podcast Quadra 18 que o favoritismo de Petra Kvitova era superestimado ela não havia sido testada o bastante na grama. Pois no primeiro jogo complicado, os nervos apareceram, e a tcheca acaou eliminada por Madison Brengle: 6/3, 1/6 e 6/2. Resultado bom para Johanna Konta, cabeça 6, que encontraria Kvitova nas oitavas. A britânica, aliás, venceu um jogo duríssimo contra Donna Kevic, sacando muito sempre que esteve contra as cordas: 7/6(4), 4/6 e 10/8.

– Enquanto isso, a campeã de Roland Garros passou um grande aperto diante da canadense Françoise Abanda (#142). Depois de perder o primeiro set, Jelena Ostapenko venceu um nervoso tie-break e triunfou na parcial decisiva: 4/6, 7/6(4) e 6/3.

– O Brasil já ficou sem seus quatro simplistas, já que Bellucci e Rogerinho haviam perdido na estreia. Thiago Monteiro caiu hoje diante de Karen Khachanov: 3/6, 7/6(5), 7/6(3) e 7/5. Era o resultado esperado, mas deve ter deixado um gosto amargo para o cearense, que teve uma quebra de vantagem no segundo e no quarto sets, além de um set point na terceira parcial. As três foram vencidas por Khachanov, que errou muito ao longo do jogo (50 erros não forçados na generosa/econômica matemática dos estatísticos de Wimbledon), mas foi atrás da vitória o tempo inteiro. Monteiro, que apostou na regularidade (e nos erros do rival), só conseguiu um winner nos dois tie-breaks. O golpe vencedor veio tarde demais, quando o russo já tinha 6/1 no placar.

– Andy Murray e Rafael Nadal venceram bem. O britânico esteve afiado para lidar com o jogo imprevisível de Dustin Brown, o que é animador, mas não é o tipo de desafio que serve como parâmetro para analisar suas chances na segunda semana. O espanhol fez outra bela apresentação e bateu Donald Young em três sets. É a primeira vez desde 2014 que Nadal chega na terceira rodada em Wimbledon e, pelo demonstrado até agora, não parece que ele vai parar por aí.

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Sobre abandonos, cinco sets, ‘prize money’ e Marcos Daniel http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/04/wimbledon-sobre-abandonos-cinco-sets-prize-money-e-marcos-daniel/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/04/wimbledon-sobre-abandonos-cinco-sets-prize-money-e-marcos-daniel/#respond Tue, 04 Jul 2017 20:20:23 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5257

O segundo dia de Wimbledon foi um tanto frustrante para quem tinha ingressos da Quadra Central. Primeiro porque o adversário de Novak Djokovic, Martin Klizan, abandonou no início do segundo set. Depois, na partida seguinte, foi a vez de Alexandr Dolgopolov, rival de Roger Federer, desistir na segunda parcial. E nem foram as únicas desistências do dia. Ao todo, a primeira rodada viu oito abandonos.

Toda vez que tenistas começam a cair lesionados na chave masculina, levanta-se a tese: será que não é hora de mudar para melhor de três sets? O tênis não estaria pedindo demais do físico dos atletas, impossibilitando duelos de cinco sets? É inegável que o esporte está mais exigente no aspecto físico do que anos atrás, mas a resposta para as duas perguntas levantadas neste parágrafo passa por uma série de questões.

Uma delas, claro, é a questão da melhor de cinco sets. Se um tenista sente dores no primeiro set e perde a parcial, ele sabe que será difícil ficar mais três (pelo menos!) em quadra. Ainda mais se o adversário for de nível sabidamente superior (no caso de hoje, Federer e Djokovic). É melhor abandonar e preservar o corpo do que agravar uma lesão em uma partida fadada a um resultado negativo. E não é só isso. A questão dos cinco sets também é matemática. Se o jogo demora mais, é maior a chance de alguém sentir uma lesão durante o confronto. Óbvio.

Só que há outros aspectos que precisam entrar nessa conta. Os torneios de cinco sets são os mais importantes do circuito. Valem mais pontos. Ninguém quer ficar fora. Logo, vários tenistas com lesões leves que se poupariam em um ATP 250 tentam entrar em quadra nos slams. É perfeitamente compreensível. Você, leitor, desistiria facilmente de participar de um evento tão importante? Pois é. Alguns desses que tentam não conseguem jogar e abandonam no meio de suas partidas. É outro fator.

Assim como é um fator inegável a preparação exigente para esses slams. Antes de Roland Garros, por exemplo, muita gente joga em Monte Carlo, Barcelona, Madri e Roma. São quatro torneios fortes, com partidas longas e pouco tempo de descanso entre eles. Não é por acaso que vários tenistas chegam a Paris com dores aqui e ali. Assim como outros escorregam, torcem tornozelos e joelhos ou lesionam as costas na grama antes de Wimbledon. Este ano, por exemplo, Kyrgios se lesionou em Queen’s e tentou jogar em Wimbledon. Não deu. Entrou para a estatística dos abandonos. Logo, nota-se que o calendário também pesa bastante nesses números.

Por último, abordo a questão do prêmio em dinheiro, o famoso “prize money”. Os slams pagam bem. Quem perde na primeira rodada da chave de simples em Wimbledon embolsa 35 mil libras, o que equivale a cerca de R$ 150 mil. E nem precisa terminar o jogo. Basta pisar na quadra. Imagine que você, leitor, é um tenista que ocupa ali por volta do 80-90º lugar no ranking, misturando ATPs e Challengers no calendário. Jogaria fora esse dinheiro por causa de uma lesão? Não é segredo que há tenistas lesionados que entram em quadra por causa do prize money. Estou longe de sugerir uma redução nesse valor (até porque não é algo que acontece com tanta frequência assim), mas é preciso levar em conta tal fator.

Isso me lembra do caso de Marcos Daniel, que completa 39 anos nesta terça-feira. O gaúcho sentiu dores no joelho durante os treinos em Melbourne, pouco antes do Australian Open de 2011. Não tinha patrocinador, não era apadrinhado da CBT e precisava do dinheiro (20 mil dólares australianos). Só que, para receber o cheque, precisaria entrar em quadra contra Rafael Nadal, que na época era campeão de Roland Garros, Wimbledon e US Open. Daniel assumiu o risco de passar vexame na Rod Laver Arena e foi jogar. Abandonou quando perdia por 6/0 e 5/0. E o que pouca gente lembra sobre aquele episódio é que o primeiro alternate era Rogerinho. Antes do jogo, o gaúcho foi conversar com o paulista. Disse que estava lesionado e que precisava do dinheiro. Por isso, entraria em quadra. O compatriota entendeu.

Resumindo: reduzir os slams para melhor de três sets resolveria a questão? Longe disso. É possível que em vez de desistências, teríamos atletas se arrastando por três ou quatro games até o fim de suas partidas. Em que mundo isso é melhor do que um abandono precoce? Não me parece fazer sentido.

A melhor opção parece ser a já adotada pela ATP – e ressaltada por Djokovic nesta terça-feira: em caso de problema físico, o tenista pode abandonar o torneio antes de sua estreia e, ainda assim, receber o prêmio em dinheiro pela primeira rodada. Cada atleta tem direito a esse prize money em até dois torneios (não-consecutivos) por temporada. A ITF, que regula os quatro slams, não adota a mesma regra. Quem abandona antes da estreia em um slam fica sem dinheiro. Andy Murray já falava disso em 2015.

Coisas que eu acho que acho:

– Mantendo a conta: até agora, Wimbledon já soma oito abandonos: Nick Kyrgios, Denis Istomin, Viktor Troicki, Alexandr Dolgopolov, Martin Klizan, Janko Tipsarevic, Feliciano López e Anastasia Potapova (o único na chave feminina).

– A questão do prize money também vale para tenistas que não têm grandes pretensões no torneio, mas aparecem para receber um cheque gordo. Em Wimbledon, sempre dá para perceber isso olhando os placares, as atitudes e o histórico de alguns tenistas no All England Club. Tem gente que não faz nem questão de se preparar na grama. Ninguém quer deixar 35 mil libras em cima da mesa.

Second round ✅ See you again at the prestigious London address #sw19🎾

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– Sobre os resultados do dia, nenhuma grande surpresa a comentar. Todos favoritos venceram sem sustos, inclusive Karolina Pliskova e Angelique Kerber, que brigam pela liderança do ranking mundial.

– A lamentar mesmo, mais uma derrota de Thomaz Bellucci. O paulista foi superado pelo desconhecido austríaco Sebastian Ofner, de 21 anos, que nunca na vida havia vencido uma partida de nível ATP. O jovem de 21 anos fez 6/2, 6/3 e 6/2. Em oito participações no slam da grama, Bellucci agora soma quatro vitórias em 12 jogos. Sua melhor campanha veio em 2010, quando superou Ricardo Mello (#92), Martin Fischer (#164) e caiu diante de Robin Soderling (#6). Mello, aliás, foi o último top 100 derrotado pelo paulista em Wimbledon. Sete anos atrás.

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Sobre as primeiras impressões de Nadal e as lágrimas de Venus http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/03/wimbledon-sobre-as-primeiras-impressoes-de-nadal-e-as-lagrimas-de-venus/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/03/wimbledon-sobre-as-primeiras-impressoes-de-nadal-e-as-lagrimas-de-venus/#respond Mon, 03 Jul 2017 18:53:56 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5249

Já diz o velho clichê: certamente, é possível perder, mas não se ganha um slam no primeiro dia. Logo, não cabe aqui tirar conclusões definitivas sobre o que aconteceu nesta primeira segunda-feira de Wimbledon, mas há observações importantes a serem feitas. A começar por Rafael Nadal, que começou o slam da grama perdendo o mesmo número de games da final de Roland Garros: 6/1, 6/3 e 6/2 sobre John Millman.

Vale apontar que Nadal sacou, em média, a 187 kmh no primeiro serviço, mas buscou mais aces e esteve mais perto dos 200 km/h com mais frequência (o mais veloz foi a 199 km/h). O saque, contudo, nem foi o maior destaque do dia. O espanhol esteve muito sólido nas devoluções , nos backhands e nas subidas à rede (ganhou 19 de 25 pontos ali na frente). Fez winners de todo jeito e controlou as ações. Repito: é cedo para fazer previsões, mas a primeira impressão foi excelente – ainda mais se comparada às últimas apresentações de Nadal no All England Club.

Não parece que Nadal (não ESSE Nadal!) terá problemas diante de Donald Young na segunda rodada. Talvez a terceira fase, em um possível duelo com o #NextGen Karen Khachanov, o espanhol seja testado em um jogo de menos trocas de bolas. Confrontos assim são os mais perigosos para ele na grama.

As lágrimas de Venus

Era de se esperar que o assunto viesse à tona, já que Venus Williams pouco falou sobre o acidente de trânsito que terminou com a morte de um passageiro no outro carro envolvido e que, segundo o relatório da polícia local, ela foi a culpada (leia mais neste post). Um jornalista, então, perguntou se havia algo que ela gostaria de dizer sobre o assunto, além do que já havia sido postado no Facebook.

Venus, que não é a mais simpática das pessoas em entrevistas coletivas (e já deixou de aparecer em algumas entrevistas pós-jogo obrigatórias porque não queria falar), encarou a pergunta, mas não encontrou palavras para dar uma resposta. Disse que não tinha palavras para descrever e não completou uma frase. A americana, então, foi salva pelo moderador, que afirmou que ela não podia dizer mais nada sobre o assunto e pediu que “a vontade dela fosse respeitada.” Assistam:

Resumindo? Não fugiu da coletiva, mas também não disse nada. Antes, na quadra, a pentacampeã esteve bem e venceu a belga Elise Mertens por 7/6(7) e 6/4.

Coisas que eu acho que acho:

– Andy Murray fez um jogo bastante sólido, mas sem ser muito exigido. Bublik tentou coisas diferentes, mas era o tipo de tênis que favorecia o britânico, mais inteligente na escolha de jogadas e mais habituado a jogar assim em torneios grandes. O importante a se apontar é que o escocês ressaltou que se movimentou bem, apesar das dores que vem sofrendo no quadril, e venceu por 6/1, 6/4 e 6/2. Ele também falou sobre seu jeito estranho de caminhar – algo observado por muita gente que viu a partida desta segunda – e disse que não sabe se sempre fez isso ou se foi algo que surgiu recentemente por causa do quadril. Sua avaliação sobre isso foi simples: “não faço ideia.”

– A derrota de Stan Wawrinka para Daniil Medvedev não pode ser encarada como uma zebra gigante. Um pouco porque o jogo do suíço perde muito na grama, um pouco pelas dores no joelho e um pouco por méritos do russo. Stan agora acumula uma vitória em seus últimos três jogos no All England Club.

– Kyrgios disse saber ao entrar em quadra que iria encontrar dificuldades por causa da lesão no quadril (sim, ele também) sofrida em um tombo no ATP de Queen’s. O australiano disse que não teve tempo de se recuperar e por isso acabou abandonando diante de Herbert quando perdia por 6/3 e 6/4.

– Bia Haddad e Thiago Monteiro anotaram vitórias pouco surpreendentes, mas importantes. Ela bateu a britânica Laura Robson por 6/4 e 6/2, enquanto ele superou o qualifier australiano Andrew Whittington por 4/6, 6/3, 7/6(4) e 7/6(5). Rogerinho, por sua vez, cai diante de Benoit Paire: 6/4, 3/6, 7/6(10) e 6/4.

Recado importante:

Por um punhado de questões pessoais, não terei tempo de fazer diariamente aquele “resumaço” que já virou habitual aqui no blog. Logo, nem todos tenistas serão citados e alguns assuntos não pintarão aqui. Tentarei fazer um post por dia durante Wimbledon, abordando sempre o(s) assunto(s) que eu achar mais interessante, mas nem isso posso prometer. Agradeço aos que sempre compreendem as dificuldades de se manter um blog com tantas atualizações.

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Quadra 18: S03E09 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/02/quadra-18-s03e09/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/02/quadra-18-s03e09/#respond Sun, 02 Jul 2017 14:43:59 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5247 Quem pode abalar o favoritismo de Roger Federer? Por que Petra Kvitova é a mais cotada ao título entre as mulheres? Quem vai fechar o “career slam” em Londres? Como Venus Williams vai lidar com seu “probleminha” fora das quadras? Pois é, Wimbledon chegou trazendo um monte de perguntas. Umas sérias, outras, nem tanto, mas o podcast Quadra 18, bem humorado como sempre, tentou responder todas elas.

Sheila Vieira, Aliny Calejon e eu avaliamos as chaves, damos palpites, lembramos quem ganhou o que nas últimas semanas e nos divertimos um bocado no processo. Para ouvir, é só clicar neste link. Se preferir, clique com o botão direito do mouse e escolha “salvar como” para gravar o arquivo em mp3 e ouvir mais tarde.

Os temas

0’00” – Rock Funk Beast (longzijum)
0’15” – Sheila Vieira apresenta os temas
1’22” – Depois de Federer, qual a ordem dos favoritos? Como avaliar Nadal?
6’32” – A chave de Rafael Nadal
8’00” – A complicada seção de Andy Murray
11’25” – Até onde pode chegar Stan Wawrinka?
14’00” – Qual é o maior perigo no quadrante de Roger Federer?
18’30” – O indigesto quadrante de Djokovic
20’00” – Quem teve o quadrante mais fácil?
20’25” – Thiago Monteiro e outra boa chave em um slam
21’20” – Trio dá seus palpites para campeão, decepção e surpresa
24’25”- Kokkinakis: carisma ou canalha esperando para se revelar?
25’00” – “A pessoa que ganha um jogo e aponta para o próprio pau não é uma boa pessoa
27’40” – Disque Tchan (É o Tchan)
28’12” – O fantástico mundo da WTA e as tchecas favoritas: Pliskova e Kvitova
28’16” (fundo) – Battlefield (Orquestra Filarmônica Tcheca)
30’00” – “Eu acho um pouco superestimado esse favoritismo da Kvitova”
31’30” – A chave da #1, Angelique Kerber
35’19” – “Eu estou confiante na Pliskova”
36’00” – O quadrante imprevisível de Svitolina
37’01” – O “probleminha” de Venus Williams: morte no trânsito
42’35” – Bia Haddad x Laura Robson: histórias parecidas, momentos diferentes
44’05” – Johanna Konta: bom momento, lesão e possível duelo com Kvitova
45’25” – Trio dá seus palpites para campeão, decepção e surpresa
48’13” – Hello (Adele)
49’15” – As grandes campanhas de Bruno Soares e Marcelo Melo na grama
50’33” – A chave dura para Melo e Kubot
52’40” – O caminho mais acessível para Soares e Murray
54’15” – A mudança de parceiro de André Sá
56’15” – Aliny dá seus palpites para a chave de duplas
59’56” – Anyone For Tennis (Cream)

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Wimbledon 2017: o incrível salto de Petra Kvitova ao posto de favorita http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/01/wimbledon-2017-o-incrivel-salto-de-petra-kvitova-ao-posto-de-favorita/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/07/01/wimbledon-2017-o-incrivel-salto-de-petra-kvitova-ao-posto-de-favorita/#respond Sat, 01 Jul 2017 05:20:22 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5243

Um mês atrás, Petra Kvitova era dúvida para o torneio de Roland Garros. Ainda em processo de recuperação após uma lesão séria em um tendão da mão esquerda, a tcheca pensava apenas em voltar a jogar tênis profissional. Hoje, uma vitória em Paris e outras cinco em Birmingham depois, a #12 do mundo surge em Wimbledon como mais cotada ao título.

Como isso aconteceu? Obviamente, o histórico da bicampeã no All England Club pesa. Também conta a campanha do título em Birmingham, ainda que o troféu tenha vindo após uma série de vitórias nada espetaculares. Mas, claro, essa conta também passa pelas ausências de Serena Williams e Maria Sharapova (principalmente a americana) e pelo momento pouco animador do resto do circuito feminino. É disso que trata este guiazão, que avalia as chaves, imagina cenários e lista os jogos mais interessante na primeira rodada – e onde vê-los. Role a página e fique por dentro.

A favorita

O potencial é inegável. Kvitova tem um ótimo saque, um forehand mortal e um slice venenoso. Um pacote completo que, quando funcionando em força máxima, transforma adversárias em espectadoras. Dois títulos de Wimbledon estão aí como prova. Faltariam, contudo, ritmo de jogo e consistência. O título em Birmingham, por outro lado, aumentou a dose de otimismo. Pouca gente lembra, a essa altura, que Kvitova só passou das oitavas uma vez nos últimos dez slams que disputou. É muito pouco para tanto talento. Logo, é preciso analisar esse favoritismo da tcheca com cuidado.

Contra Kvitova pesa o sorteio da chave. Ela, afinal, precisaria enfrentar Johanna Konta, a terceira mais cotada ao título, logo nas oitavas de final. A britânica, lembremos, foi vice em Nottingham e só perdeu em Eastbourne nas semifinais – e por WO . Em condições normais, seria um jogo duríssimo para Kvitova. Konta, porém, sofreu uma lesão nas costas e disse não saber se estará 100% já nos primeiros dias em Wimbledon. Além disso, a inglesa vai enfrentar na estreia sua algoz em Roland Garros. Será?

Fora esse possível (ou provável?) encontro com Johanna Konta, Kvitova tem uma chave acessível. Estreia contra Larsson, Brengle ou Hogenkamp na segunda rodada, provavelmente Garcia em seguida. A favorita para chegar às quartas seria Simona Halep, que ainda briga pela liderança do ranking. Só que a romena não impõe na grama os mesmos obstáculos que são tão eficientes no saibro. Por fim, nas semifinais, Kvitova enfrentaria a vencedora de uma seção que tem Svitolina, Cibulkova, Venus e Ostapenko como principais cabeças de chave.

Resumindo: é possível imaginar Kvitova atropelando a chave e conquistando um terceiro título no All England Club? Claro que sim. Seria fantástico. Mais uma página no conto de fadas pessoal da tcheca. Mas também é perfeitamente possível que Kvitova tenha um dia ruim – como muitos outros em sua carreira – e tombe de forma precoce ainda na primeira semana. Seu favoritismo, pelo menos por enquanto, é muito mais baseado em seu potencial do que no tênis mostrado recentemente.

As outras candidatas

Em condições normais, quem seriam as candidatas a um título em Wimbledon? Uma lista assim poderia incluir Angelique Kerber (vice-campeã em 2016), Karolina Pliskova (#3 do mundo), Agnieszka Radwanska (vice em 2012), Venus Williams (pentacampeã), Garbiñe Muguruza (vice em 2015) e um punhado de outros nomes que correm por foram, como Sabine Lisicki (vice em 2013), Coco Vandeweghe, Madison Keys, etc.

Agora vejamos por que elas estão atrás de Kvitova, Pliskova e Konta nas listas de favoritas. Angie não vem jogando com a confiança e a solidez que a levaram ao topo; Aga venceu só quatro dos últimos dez jogos que fez e foi derrotada na única apresentação que fez na grama em 2017; Venus atravessa um momento difícil na vida pessoal (leia abaixo com mais detalhes) e Muguruza tem o potencial, mas também tem a oscilação que lhe derrubou diante de Barty (Birmingham) e Strycova (Eastbourne).

Restam, então, Karolina Pliskova e sua movimentação deficiente (embora compreensível para seu 1,86m de altura). A tcheca, sim, tem um retrospecto digno na grama, com 13 vitórias e três derrotas desde o ano passado. Pliskova tem ainda uma chave interessante, com Rodina na estreia, Niculescu/Rybarikova na sequência e possivelmente Xhang na terceira rodada.

As oitavas seriam contra a vencedora da seção encabeçada por Gavrilova e Pavlyuchenkova. Wozniacki e Mladenovic são os nomes mais cotados para estarem nas quartas. E se você ainda não achou a chave de Pliskova interessante, saiba que ela enfrentaria nas semis a “campeã” do quadrante de Kerber e Kuznetsova, que também tem Radwanska e Muguruza. Qualquer uma das quatro (ou nenhuma delas) pode estar na Quadra Central na segunda quinta-feira.

As seções mais difíceis de prever

Sem ninguém em momento dominante, a chave dá chances para muita gente – especialmente com o equilíbrio da WTA e a imprevisibilidade que vem junto com partidas em melhor de três sets. Por tudo que já foi dito acima, há dois quadrantes mais interessantes na chave. O de Kerber, Muguruza, Radwanska e Kuznetsova, onde é muito possível que nenhuma das quatro chegue às semifinais; e o de Svitolina, Cibulkova, Venus e Ostapenko, onde é possível que vejamos o incrível (ou incrivelmente ruim) duelo de Jelena Ostapenko e Madison Keys. Alguém aí arrisca palpites para esses grupos? Eu, não.

A interessante corrida pelo número 1

Em Roland Garros, Karolina Pliskova e Simona Halep estiveram perto, mas não conseguiram tirar Angelique Kerber do topo do ranking. Agora, em Wimbledon, o número 1 está em jogo novamente – e, mais uma vez, com Pliskova e Halep na briga.

Desta vez, Kerber tem 1.300 pontos a defender, já que foi vice-campeã em 2016, enquanto Pliskova eliminada na segunda rodada, defende só 70 pontos. Logo, a tcheca é quem tem mais chances de sair de Londres na ponta (a matemática exata só dá para fazer após a final de Eastbourne). No entanto, Halep também terá chances se pelo menos alcançar as quartas.

A briga também inclui Elina Svitolina e , possivelmente, Caroline Wozniacki – se a dinamarquesa vencer Eastbourne. As duas, porém, precisariam de combinações de resultados para alcançarem o número 1.

A história mais desagradável

Venus Williams chega a Wimbledon como personagem principal de um acidente de trânsito que causou a morte de um passageiro no outro veículo. Segundo o relatório da polícia, a tenista americana foi a culpada no acidente porque entrou num cruzamento e parou no meio dele por causa do trânsito parado à sua frente. A motorista do outro carro, que tinha a preferência, não conseguiu frear, o que ocasionou o acidente.

O marido da motorista, um cidadão de 78 anos chamado Jerome Barson, foi levado para o hospital no dia 9 de junho com traumas na cabeça e morreu duas semanas depois. Não deve ser algo fácil de lidar para a pentacampeã de Wimbledon. O advogado da família Barson disse já ter iniciado um processo contra a tenista.

A brasileira

Bia Haddad não está na mais fácil das chaves, mas tem uma oportunidade interessante. Ela vai enfrentar a britânica Laura Robson (sim, quadra grande e torcida contra), que era uma promessa aos 14 anos, em 2008, alcançou o 23º lugar do ranking em 2013, mas sofreu com lesões antes e depois disso. Atual #188 do mundo, Robson só jogou uma chave principal de WTA este ano. Foi em Nottingham, graças a um wild card, e ela foi eliminada na estreia por Julia Boserup (#87) em dois sets.

Caso consiga avançar, a brasileira pode enfrentar a cabeça 2, Simona Halep, que estreia diante da neozelandesa Marina Erakovic. Seria outra partida interessante.

Os melhores jogos na primeira rodada

Seja pelos nomes ou pela grande fase atual de alguém, o que mais tem nessa chave feminina de Wimbledon é jogão na primeira rodada. Minha lista inclui Radwanska x Jankovic (tudo pode acontecer!!!), Puig x Bacsinszky (campeã olímpica contra a semifinalista de RG), Lisicki x Konjuh (lembremos que a alemã já fez uma final em Wimbledon), Barty x Svitolina (potencial considerável de cabeça rolando), Konta x Hsieh (a taiwanesa eliminou a inglesa em RG), Azarenka x Bellis, Suárez Navarro x Bouchard e Haddad x Robson. Vai ser divertido ou não esse torneio?

Tenistas perigosas que todo mundo deveria estar olhando

É Wimbledon, então faz-se obrigatória a menção à búlgara Tsvetana Pironkova. Em 2010, ela eliminou Bartoli e Venus para alcançar as semifinais. Em 2012, tirou Zvonareva e Venus (de novo!) antes de tombar nas quartas. Tudo bem, Pironkova não vence uma partida em Wimbledon desde 2013, mas ninguém quer estar perto dela numa chave. A búlgara encara Sara Errani na primeira rodada e, se vencer, deve enfrentar Caroline Wozniacki, cabeça 5. Não seria intrigante?

Outro nome óbvio é o de Victoria Azarenka, que voltou ao circuito em Malhorca e ganhou na estreia depois de salvar match points. Vika perdeu logo em seguida para Ana Konjuh e chega em Wimbledon com um grande ponto de interrogação acima de sua cabeça. Sua rival de primeira rodada será CiCi Bellis. A fase seguinte é contra Vesnina, cabeça 15, ou Blinkova.

Onde ver

A Globosat mostra Wimbledon no SporTV3, enquanto o canal da Disney usa a ESPN e a ESPN+, além de incluir o programa diário Pelas Quadras, sempre às 19h, ao vivo, para debater o que aconteceu no evento.

Quem prefere opções “alternativas” pode optar pelos streams oficiais de casas de apostas como a bet365 (se não me engano, é preciso fazer um depósito qualquer com cartão de crédito) ou os piratas do Batman Stream e outros sites.

Além disso, haverá conteúdo ao vivo no Twitter no @WimbledonChnl e no site Wimbledon.twitter.com. Isso inclui notícias, entrevistas e cenas de bastidores, segundo informa a assessoria de imprensa do Twitter. Não haverá transmissão de partidas.

Nas casas de apostas

Duas tchecas são as mais cotadas. Primeiro, Petra Kvitova, bicampeã de Wimbledon e vindo do título em Birmingham. Logo atrás, Karolina Pliskova, campeã de Nottingham em 2016, vice de Eastbourne no ano passado e atual finalista também em Eastbourne (escrevo o post antes da final contra Caroline Wozniacki).

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Wimbledon 2017: Federer e mais quem? http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/06/30/wimbledon-2017-federer-e-mais-quem/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/06/30/wimbledon-2017-federer-e-mais-quem/#respond Fri, 30 Jun 2017 16:15:46 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5240

Andy Murray fez apenas um jogo oficial na grama – e perdeu; Rafael Nadal evitou Queen’s e ganhou uma de duas exibições; Novak Djokovic não foi testado na fraca chave de Eastbourne; Stan Wawrinka também tombou na estreia em Queen’s; e o mesmo vale para Milos Raonic. Juntemos tudo isso e temos Roger Federer, campeão pela nona vez em Halle e hepta em Wimbledon como favorito em mais um slam.

Não que o suíço precisasse de um cenário nebuloso de seus adversários para ser o mais cotado no All England Club. É isso, no entanto, que se apresenta antes do início de Wimbledon. Este post avalia o sorteio e o que pode acontecer nas próximas duas semanas em Londres, chamando atenção para a juventude que sai do qualifying, as chances dos brasileiros, onde vê-los e as cotações das casas de apostas.

O maior favorito

A derrota para Tommy Haas na primeira rodada em Stuttgart pouco ou nada pesa nessa equação, já que os resultados e as atuações em Halle foram um bom indício do que esperar de Roger Federer em Wimbledon. Primeiro porque o suíço avançou na chave sem jogar brilhantemente. Depois porque aos poucos foi evoluindo, sacando melhor, e terminando sua participação com uma imponente vitória sobre Alexander Zverev.

O sorteio pouco mudou o favoritismo de Federer nesta edição de Wimbledon, embora não seja a mais fácil das caminhadas. Ou não fosse a mais fácil das caminhadas para um tenista normal. É preciso tomar cuidado extra porque a gente tende a analisar Federer de um jeito diferente justamente por causa de seu histórico na grama.

Uma estreia contra Dolgopolov, por exemplo, seria traiçoeira para a maioria dos tenistas. No caso do suíço, é difícil imaginar um jogo equilibrado. O mesmo vale para um eventual encontro com Mischa Zverev na terceira rodada. Também poderia ser perigoso encarar John Isner nas oitavas, mas o americano nunca foi tão longe no All England Club. Talvez a primeira ameaça real seja Milos Raonic, nas quartas de final. Foi o canadense, afinal, que eliminou Federer ano passado. Parece improvável, até por seu ano pouco brilhante até agora, que esse raio caia duas vezes no mesmo lugar.

O favorito na outra metade dessa chave de baixo é Novak Djokovic, o cabeça 2. E é uma metade chatinha toda vida, que inclui uma estreia contra Klizan, uma possível terceira rodada contra Del Potro, Kokkinakis ou Gulbis, oitavas contra Monfils ou Feliciano e quartas contra Thiem, Gasquet ou Berdych. Se Nole passar por isso tudo, a semi contra Federer pode ser bem interessante. Recentemente, porém, o sérvio não vem mostrando tanta consistência assim – mesmo levando em conta sua boa campanha em Eastbourne (este post é escrito antes da final). E talvez seja necessária uma atuação do nível de 2014 e 2015 para derrubar o suíço mais uma vez. Hoje, antes do início do torneio, não parece provável. Daqui a uma semana e meia, quem sabe?

O “campeão” do sorteio

Andy Murray, o atual número 1, não teve um sorteio tão generoso assim. O bicampeão de Wimbledon pode encarar Fognini ou Vesely na terceira rodada, Kyrgios ou Pouille nas oitavas e Tsonga ou Wawrinka nas quartas. Não é o caminho dos sonhos de ninguém. Muito menos para alguém que vem oscilando a temporada inteira. Dá para imaginar em um de dois cenários: ou o escocês passa por esse povo todo elevando seu jogo e adquirindo ritmo ou ele fica pelo caminho cedo.

Quem se deu bem mesmo no sorteio foi Rafael Nadal. De novo. Não tanto porque a chave é fácil, mas porque ele pode ter algumas rodadas para se adaptar melhor à grama. Ele estreia contra o australiano John Millman e, na segunda rodada, pega Young ou Istomin. Khachanov apareceria na terceira rodada, antes de um eventual duelo com Karlovic ou Gilles Muller nas oitavas.

Não dá para falar das chances de Nadal na grama sem abordar a questão física. Ainda em Roland Garros, o espanhol disse que precisaria estar com os joelhos em ótima forma, para conseguir fazer base e jogar na posição mais baixa que a grama exige. Não ir a Queens foi um indício de que nem tudo estava tão bem. A derrota para Berdych na exibição – ainda que seja só exibição – em Hurlingham também não foi tão animadora.

A primeira semana de Wimbledon dará um panorama melhor. Até lá, convém não ser otimista demais quanto às chances do espanhol. Agora… se ele passar por Khachanov e alcançar as oitavas, é bom prestar bastante atenção no bicampeão. Ninguém que fez cinco finais seguidas em Wimbledon esquece como jogar na grama, certo?

A melhor história

O assunto ainda não ganhou tanta força, mas pode crescer durante as duas semanas. Andy Murray, afinal, pode perder a liderança do ranking para Rafael Nadal, Stan Wawrinka ou Novak Djokovic.

Nadal pode ser número 1 já nas oitavas, mas dependeria de outros resultados. Para não precisar torcer contra ninguém, precisa alcançar a final para voltar ao topo. O mesmo vale para Murray. Wawrinka precisa ser campeão, e Djokovic tem que levantar o troféu e contar com derrotas dos rivais.

Federer, que não jogou no segundo semestre do ano passado, não pode chegar ao topo. Se conquistar mais um título em Londres, o suíço pode chegar até a terceira posição no ranking – não mais do que isso.

Os brasileiros

De modo geral, o sorteio foi generoso para os brasileiros. Não dá para reclamar, considerando que nenhum dos três é cabeça de chave e nenhum deles vai estrear contra um dos 32 pré-classificados. Rogerinho foi o mais azarado e vai encarar o francês Benoit Paire, atual #43. Pior: se vencer, pega Kyrgios ou Herbert.

Thiago Monteiro, que não fez nenhum torneio preparatório na grama e optou por disputar dos Challengers no saibro (Blois e Milão – ganhou um jogo e perdeu dois) pega o qualifier australiano Andrew Whittington (#209).

Bellucci também se deu bem e vai estrear contra um qualifier. O paulista, que está sem técnico após encerrar o trabalho com João Zwetsch e só fez um jogo na grama (perdeu para Kevin Anderson em Eastbourne), joga contra o austríaco Sebastian Ofner (#215).

Os brasileiros nas duplas

Wimbledon felizmente sorteia as duplas junto com as simples, então dá para incluir aqui o que esperar de Bruno, Marcelo e companhia. Soares e Jamie Murray, cabeças 3, ficaram na chave de baixo, que é a menos perigosa (no papel). Eles estreiam contra Jebavy e Vesely e, se vencerem, encaram Duran/Molteni ou Groth/Lindstedt. Confirmados os respectivos favoritismos, brasileiro e britânico enfrentarão Klaasen/Ram nas quartas de final e, depois, Bryan/Bryan ou Herbert/Mahut na semi.

O cenário é um pouco mais complicado para Melo e Lukasz Kubot, cabeças 4. Eles estreiam contra Koolhof/Middelkoop e pegam Petzschner/Peya ou Haase/Inglot na sequência. A chave prevê um confronto com Mergea/Qureshi nas oitavas e Rojer/Tecau ou Bopanna/Roger-Vasselin nas quartas. Os prováveis rivais da semi seriam os cabeças 1, Kontinen e Peers, ou os cabeças 6, Dodig e Granollers.

André Sá, finalista em Eastbourne, jogará ao lado de Dudi Sela e vai encarar na estreia Monroe e Sitak; Demoliner, junto com seu habitual parceiro Marcus Daniell, estreia contra Kuznetsov e Tipsarevic; e Rogerinho, último brasileiro eliminado nas duplas em Roland Garros, joga com Belucci desta vez. Os dois pegam Nestor e Martin na estreia.

Os melhores jogos na primeira rodada

Parece que Juan Martín del Potro tem lugar cativo nesta seção. Mesmo agora, já ocupando uma posição de cabeça de chave, o argentino faz um dos jogos mais duros da primeira rodada ao estrear contra o australiano Thanasi Kokkinakis. Está longe de ser a única partida interessante da rodada inicial. A lista também pode incluir Gasquet x Ferrer e Berdych x Chardy, duelos da mesma seção da chave.

Além disso, vale olhar com atenção Cilic contra o “perigoso” Kohlschreiber, Verdasco x Anderson, Mischa x Tomic e Isner x Fritz.

Juventude do qualifying

Não há como não notar os muitos nomes jovens chegando à chave principal de Wimbledon via qualifying. Vide Tsitsipas (18 anos) Rublev (19), Fritz (19), Garin (21), Ofner (21) e Jarry (21). E não dá para não registrar que o Brasil não teve nenhum tenista no torneio classificatório do slam britânico. Apenas Feijão, atual #150, teria ranking para participar, mas optou por não ir.

Onde ver

A Globosat mostra Wimbledon no SporTV3, enquanto o canal da Disney usa a ESPN e a ESPN+, além de incluir o programa diário Pelas Quadras, sempre às 19h, ao vivo, para debater o que aconteceu no evento.

Quem prefere opções “alternativas” pode optar pelos streams oficiais de casas de apostas como a bet365 (se não me engano, é preciso fazer um depósito qualquer com cartão de crédito) ou os piratas do Batman Stream e outros sites.

Além disso, haverá conteúdo ao vivo no Twitter no @WimbledonChnl e no site Wimbledon.twitter.com. Isso inclui notícias, entrevistas e cenas de bastidores, segundo informa a assessoria de imprensa do Twitter. Não haverá transmissão de partidas.

Nas casas de apostas

Roger Federer, para a surpresa de ninguém, é o mais cotado. Talvez seja espantoso, sim, o nome de Rafael Nadal como o segundo mais cotado – acima até do atual campeão, Andy Murray, que obteve resultados recentes muito melhores na grama. Por outro lado, dá para entender o medo das casas de apostas de perder dinheiro em caso de uma arrancada do espanhol nas próximas semanas.

O guia feminino

Não vai dar tempo de publicar o guia para a chave feminina ainda hoje. Ele deve pintar aqui no blog amanhã (sábado). Até lá!

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Petra Kvitova: muito mais do que tênis http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/06/26/petra-kvitova-muito-mais-do-que-tenis/ http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2017/06/26/petra-kvitova-muito-mais-do-que-tenis/#respond Mon, 26 Jun 2017 14:26:13 +0000 http://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/?p=5235

Petra Kvitova teve muitas linhas dedicadas neste blog antes e durante a primeira semana de Roland Garros, mas nunca é demais lembrar, até porque a cena deste domingo, com a tcheca levantando um troféu no WTA de Birmingham, é daqueles momentos em que o esporte nos lembra que é feito por muito mais que vitórias e derrotas, winners e erros não forçados ou pontos somados e computados em uma lista.

Milhares de horas de treino, anos de sonhos, um currículo cheio de títulos… Tudo tão incrível, tudo testemunha da força de atletas geniais e, ao mesmo tempo, tudo tão frágil. Kvitova quase viu o fim da linha seis meses atrás, quando foi assaltada e atacada. Ao tentar se defender, terminou com uma lesão séria em um tendão da mão esquerda. Segundo os médicos, a chance de voltar a jogar tênis profissional não era das maiores.

Ela teve todos os cinco dedos da mão esquerda lesionados – dois deles sofreram dados nos nervos. Seu cirurgião, Radek Kebrle, afirmou que Kvitova correu riscos cirúrgicos (algo sempre pode dar errado), riscos de infecção e de cicatrização da pele, e risco da ruptura de tendões nas primeiras oito semanas de fisioterapia. Com uma mistura de sorte e competência (dela e da equipe que a tratou), nada deu errado. A tcheca começou a fisioterapia no segundo dia após a operação e fez duas sessões por dia já na primeira semana, movimentando todos os dedos.

O único erro de Kvitova veio em Paris. Ao ser eliminada por Bethanie Mattek-Sands, a bicampeã de Wimbledon disse: “O conto de fadas acabou, e as próximas semanas serão de trabalho como sempre.” Não, Petra. Você trabalhou, mas ainda faltava escrever algumas páginas desse conto de fadas. E elas apareceram para todo mundo ler – e sorrir e chorar e comemorar – em Birmingham.

Após o título, que veio com vitória sobre Tereza Smitkova (6/2 e 6/3), Naomi Broady (6/2 e 6/2), Kristina Mladenovic (6/4 e 7/6-5), Lucie Safarova (6/1, 1/0 e abandono) e Ashleigh Barty (4/6, 6/3 e 6/2), Kvitova lembrou: “Passei por um período muito difícil na minha vida e não era pelo tênis, mas para conseguir voltar saudável e viva, movimentando meus dedos devidamente e tudo mais. Isto é algo claramente especial. É um bônus ter minha vida e minha carreira e tudo.”

“É por isso que lutei tanto para voltar e jogar tênis. Sempre disse que não estou aqui só para jogar tênis. Estou aqui para jogar meu melhor e ganhar troféus, como hoje. Então tenho que dizer que estou orgulhosa do que fiz hoje.”

Não que a essa altura faça tanta diferença, mas com o título Kvitova sobe para a 12ª posição no ranking mundial. E agora, a uma semana do começo do Torneio de Wimbledon, a tcheca é a principal favorita ao título em várias casas de apostas. Em algumas, lidera isolada. Em outras, divide a ponta com sua compatriota Karolina Pliskova. Mas, com todo esse contexto sobre o que Kvitova viveu nos últimos seis meses, quem precisa se importar com esses números todos, né?

Brasileiros dominando a grama

Dois brasileiros, quatro torneios na grama, quatro títulos. É assim o momento do circuito mundial nas duplas, com Bruno Soares, Marcelo Melo e seus respectivos parceiros dominando. Soares e Jamie Murray foram campeões no ATP 250 de Stuttgart e, em seguida, no ATP 500 de Queen’s. Melo e Lukasz Kubot também ganharam um 250 e um 500. Primeiro, triunfaram em ’s-Hertogenbosch; depois, em Halle.

Outra notícia boa é que Melo e Kubot devem ser os cabeças 3 em Wimbledon, enquanto Soares e Murray serão os cabeças 4. Caso isso se confirme, os dois mineiros só poderão se encontrar na hipótese de ambos alcançarem a final.

Federer campeão em Halle

Stuttgart não foi lá o mais animador dos recomeços de Roger Federer. Uma derrota na estreia para o veteraníssimo Tommy Haas, depois de perder match point, não era exatamente o que o suíço planejava. Halle foi outra história. Federer passou por três jogos de forma bastante confortável, mesmo sem sacar espetacularmente, e foi se encontrando. No fim de semana, bateu Khachanov em dois sets duros e Alexander Zverev em dois sets fáceis. Foi seu nono (!!!) título no torneio.

Enquanto isso, Rafael Nadal e Novak Djokovic optaram por não jogar na grama até esta semana, e Andy Murray foi eliminado na primeira rodada em Queen’s. O cenário parece bastante favorável para o suíço em Wimbledon. Ele agora lidera as cotações na maioria das casas, seguido por Andy Murray e Rafael Nadal.

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