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Categoria : Victoria Azarenka

A humilhante experiência de Azarenka
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Alexandre Cossenza

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Tomemos as definições das palavras como elas são. Humilhação: ação ou efeito de humilhar-se. Humilhar: tornar-se humilde. Quem viu a partida entre Victoria Azarenka e Agnieszka Radwanska há de concordar com o Grande Dicionário Houaiss da língua portuguesa. A número 2 do mundo, atual bicampeã do Australian Open, viveu uma das experiências mais humilhantes de sua carreira profissional nesta quarta-feira, na Rod Laver Arena.

Esqueçam o placar: os 6/1, 5/7 e 6/0 que colocaram a polonesa nas semifinais em Melbourne contam só metade da história. Talvez menos. Porque Azarenka entrou em quadra com um retrospecto fantástico diante da polonesa: 12 vitórias em 15 jogos, com 12 sets vencidos em sequência nos últimos seis encontros. Há um motivo óbvio para isso. Enquanto Radwanska baseia seu tênis em variações e contragolpes, Vika comanda a maioria dos pontos com a potência de seus forehands e backhands. E velocidade de bola faz toda diferença do mundo.

Até aí, tudo bem. Em um dia normal, a bielorrussa é melhor do que a maioria do circuito. Acontece que esta quarta-feira não teve nada de normal. Azarenka falhou um bocado, e os 17 erros não forçados no primeiro set (em sete games!) foram a prova. Quando Vika não consegue ditar os pontos, entra em terreno inimigo. E com Radwanska do outro lado, a atual campeã passou a precisar correr atrás de curtinhas, lobs, slices para cá e para lá.

O fim, com Azarenka ainda descalibrada, foi um show da polonesa, que ganhou pontos do fundo da quadra e junto à rede, de todas as maneiras possíveis. Um doloroso lembrete para a bielorrussa de que ser a campeã não significa ser a melhor e de que há muitos aspectos em seu jogo que precisam evoluir. Não que Vika não saiba disso. Só acontece que Radwanska deixou algumas deficiências da rival escancaradas. Qualquer um que estivesse do outro lado da rede sairia de quadra um pouco mais humilde. Não acredita? Veja o vídeo abaixo.

Sem ir na toalha (para ler em até 20 segundos):

– A derrota de Azarenka tem peso enorme na briga pela liderança do ranking. Hoje, Serena Williams tem 5.109 pontos de vantagem sobre Vika. A bielorrussa, no entanto, defendia o título em Melbourne. Assim, a diferença entre elas a partir de segunda-feira será de 6.419 pontos. A americana terá quase o dobro de pontos da número 2 do mundo.

– As semifinais estão definidas com Cibulkova x Radwanska e Bouchard x Na Li. O Australian Open terá uma campeã inédita.

– A terceira posição ainda não está definida, mas sabe-se que Sharapova cairá pelo menos para o quarto lugar. Radwanska e Na Li brigam pelo número 3.

Coisas que eu acho que acho:

– Alguém arrisca palpites para as semifinais femininas? Do jeito que as coisas caminham em Melbourne, prever é a última coisa que tenho pretensão de fazer. Gostaria, no entanto, de ver Radwanska levantando um troféu de Grand Slam. Ela deve saber que não terá muitas chances assim.


Um cenário nada estranho
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Alexandre Cossenza

Serena Williams conquistando um título após derrotar Maria Sharapova e Victoria Azarenka, Na Li levantando um troféu na China e Ana Ivanovic sagrando-se campeã ao bater Venus Williams em uma decisão. Ainda que hoje em dia não seja lá muito frequente ver a sérvia com uma taça nas mãos, não dá para dizer que o cenário está um bocado diferente na temporada 2014.

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No fortíssimo Premier de Brisbane, Serena Williams chegou ao título sem perder sets, após derrotar Andrea Petkovic, Dominika Cibulkova, Sharapova e Azarenka. Nenhuma novidade, a não ser pela interessante estratégia contra a bielorrussa na decisão. A americana atacou em quase todas devoluções, evitando ralis e não deixando a adversária ganhar ritmo.

Não é segredo que Vika prefere longas trocas de bola, apostando em sua consistência e na possibilidade de, dada a chance, fazer Serena bater na bola em deslocamento. A número 2 do mundo, no entanto, não teve muitas oportunidades para fazer isso em Brisbane. A americana foi agressiva o tempo inteiro, e um bom exemplo disso foi a única quebra do primeiro set, que veio no único game ruim da adversária. Azarenka cometeu duas duplas faltas, o que também pode ser creditado à pressão imposta pelas devoluções de Serena, além de um erro não forçado durante uma troca de bolas.

Parece precipitado cravar que Serena investirá na mesma tática em caso de um confronto em Melbourne, mas não é nada arriscado afirmar que a número 1 do mundo é tão favorita ao título do primeiro Slam de 2014 quanto sempre foi.

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No International de Shenzhen, na China, o título ficou em casa, com Na Li. O resultado não serve como grande indicação das chances da número 3 do mundo no Australian Open, já que ela não enfrentou nenhuma top 50 na chave, mas é um sinal animador para uma atleta que não está entre as mais regulares do planeta. Seu nível equipara-se aos de Sharapova e Azarenka em dias bons, mas suas jornadas ruins, que nem são tão raras, provocam derrotas surpreendentes.

Na Nova Zelândia, no International de Auckland, Ana Ivanovic voltou a conquistar um título, algo que não acontecia desde 2011. A sérvia, que passou por Alison Riske, Johanna Larsson, Kurumi Nara e Kirsten Flipkens até a final, precisou derrotar Venus Williams na decisão. Não foi um jogão – tecnicamente falando. As duas arriscaram muito, erraram muito, e os ralis quase não aconteceram.

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E se houve emoção, muito do crédito (da culpa?) é de Ivanovic, que não aproveitou o match point nem confirmou o serviço quando sacava para o título no segundo set. No terceiro, contudo, a sérvia quebrou logo no início e resistiu até o fim, salvando inclusive dois break points no último game. Ainda que não tenha sido o torneio mais forte da semana, é animador ver Ivanovic vencendo jogos e superando momentos complicados. Chegará confiante a Melbourne.

Coisas que eu acho que acho:

– Levando em conta que são confrontos entre tenistas que lideraram o ranking mundial mais de uma vez, é assustador o retrospecto de Serena Williams diante de Maria Sharapova, com 15 vitórias e duas derrotas. Agora, após a semifinal de Brisbane, já são 14 triunfos consecutivos, com a russa vencendo apenas um set nos últimos dez encontros. Sempre me vêm à mente as 15 vitórias seguidas de Roger Federer sobre Lleyton Hewitt, mas no caso de Serena e Sharapova, a russa ainda briga constantemente pelos primeiros postos na lista da WTA. É a atual número 4 do mundo. Hewitt jamais ameaçou voltar ao topo desde que perdeu a ponta para Andre Agassi. São casos bem diferentes (e escrevi este parágrafo antes do título do australiano em Brisbane!).

– Parece um tanto preocupante o número de desistências e abandonos logo na primeira semana da temporada. Ainda que todos estejam pensando no Australian Open, é estranho ver tanta gente lesionada pouco depois da pré-temporada. Em três torneios, o número de desistências e abandonos já passa de dez – com alguns nomes bem famosos. Até agora, a lista tem Caroline Wozniacki, Sabine Lisicki, Anastasia Pavlyuchenkova, Ashleigh Barty, Timea Babos, Vania King, Alexandra Cadantu, Jamie Hampton, Sloane Stephens e Flavia Pennetta. E é bem possível que eu tenha esquecido de alguém (não contei os qualifyings nem o desfalque de Venus Williams, que não jogará em Hobart).

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– Alizé Cornet saiu da Copa Hopman com o troféu de campeã, jogando ao lado de Jo-Wilfried Tsonga. Entre as mulheres que estiveram em Perth, porém, a melhor campanha foi de Agnieszka Radwanska, que venceu todas partidas que fez. Bateu Flavia Pennetta, Eugenie Bouchard, Samantha Stosur e a própria Cornet.

– Os três torneios torneios femininos da semana foram vencidos por campeãs de Grand Slam. Ainda que não seja uma estatística muito relevante, fica registrada a curiosidade/coincidência.

– Sobre Teliana Pereira, não há muito a dizer. Seu pré-Australian Open termina com duas vitórias e duas derrotas – tudo nos qualis de Brisbane e Hobart. Não dava para esperar muito mais do que isso. Em Melbourne, é torcer para um sorteio favorável, que lhe permita fazer um ou dois jogos ganháveis.


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