Saque e Voleio

Categoria : Marcelo Melo

Davis, dia 2: tombo inesperado encerra fim de semana decepcionante
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Alexandre Cossenza

O golpe fatal veio de onde não se esperava. Ruben Bemelmans e Joris De Loore, a dupla escalada pela Bélgica mais para poupar David Goffin e Steve Darcis do que para ganhar de fato, acabou derrubando os favoritos Bruno Soares e Marcelo Melo em cinco sets. O tombo dos mineiros por 3/6, 7/6(5), 4/6, 6/4 e 6/4 completou um fim de semana decepcionante – mais pelas atuações do que pelo resultado final – para o time do capitão João Zwetsch, que mostrou pouco poder de reação e quase nenhuma variação tática nas simples de sexta-feira.

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Com o 3 a 0, a Bélgica continua no Grupo Mundial, a elite da Copa Davis, enquanto o Brasil volta para o Zonal das Américas, onde esteve em nove das últimas 11 temporadas. Neste sentido, não há grandes e novas conclusões a tirar. O Brasil continuará sendo favorito dentro do continente para alcançar os playoffs, mas ainda dependerá de um sorteio favorável (e o confronto contra a Bélgica não era nem de longe o pior dos cenários) e/ou da ascensão de um segundo simplista.

A maior expectativa agora fica por conta de Thiago Monteiro, que obteve ótimos resultados em 2016. Seria bom mesmo que o cearense de 22 anos desse outro passo adiante na carreira e se firmasse como tenista de nível ATP. Até porque entre os brasileiros mais novos que ele ainda não há ninguém mostrando tênis suficiente para defender o país internacionalmente.

O favoritismo era brasileiro, claro. Afinal, dois vencedores de Slam com muito tempo de quadra juntos enfrentariam jogadores que só haviam atuado juntos uma vez – uma derrota na primeira rodada de um Challenger. Um deles, De Loore, nunca havia vestido as cores do país na Copa Davis. O nervosismo ficou evidente. O jovem de 23 anos fez um foot fault e errou um voleio fácil logo no segundo game. A quebra veio, e os brasileiros não deram chance para reação. Os belgas não ameaçaram em momento algum e venceram apenas dois (dois!) pontos de devolução no primeiro set inteiro.

Se parecia um passeio de fim de semana, logo apareceu aquele engarrafamento que ninguém espera porque a PM montou uma blitz às 10h no único caminho até a praia. Bemelmans e De Loore acharam um ritmo melhor, sacaram espetacularmente (83% de aproveitamento de primeiro serviço) e arriscaram nas devoluções. Tiveram dois break points em games diferentes, mas De Loore, jogando no lado da vantagem, não conseguiu encaixar devoluções. No tie-break, a postura agressiva junto à rede que vinha dando certo saiu pela culatra. Bemelmans acertou um belo lob sobre Marcelo, e a Bélgica abriu 6/4. Foi o único mini-break do game, e os donos da casa empataram a partida.

O equilíbrio continuou, com pequenas chances para os dois lados. O terceiro set só teve um break point. Foi no décimo game, e Melo converteu com uma devolução vencedora (vide tweet acima). A quarta parcial começou com uma quebra da Bélgica, e o time da casa salvou dos break points em games diferentes antes de devolver o 6/4 anterior e mandar a decisão para o quinto set.

A essa altura, Bemelmans já tinha o tempo dos saques brasileiros e cravava devoluções impressionantes. Quando De Loore fazia o mesmo, significava perigo de quebra. Aconteceu no terceiro game, e Melo perdeu o saque. Os donos da casa abriram 3/1 e continuaram melhores nos games de serviço. O time mineiro tentou e ainda venceu um pontaço (vídeo abaixo), mas não conseguiu devolver a quebra. Game, set, match, Bélgica: 3/6, 7/6(5), 4/6, 6/4 e 6/4.

Uma temporada nada memorável

Se não voltarem a jogar juntos em 2016 (não há nada previsto até agora), Bruno Soares e Marcelo Melo terminarão a temporada com uma campanha de seis vitórias e quatro derrotas atuando juntos. Ainda que os mineiros tenham ficado a uma vitória de brigar pela medalha olímpica, trata-se de um histórico nada memorável para o potencial de ambos – especialmente considerando que três dessas vitórias aconteceram contra duplas irrelevantes no circuito: Fabiano de Paula/Orlandinho, Emilio Gómez/Roberto Quiroz e Nicolás Almagro/Eduardo Russi.


Quando o sonho acaba e é preciso dizer ‘segue o baile’
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Alexandre Cossenza

A noite de terça-feira foi especialmente dura para o tênis brasileiro. Sim, Thomaz Bellucci derrotou Pablo Cuevas e passou para a terceira rodada na chave de simples, mas a maior chance de medalha do país na modalidade acabou. Bruno Soares e Marcelo Melo foram eliminados nas quartas de final pelos romenos Florin Mergea e Horia Tecau.

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Faltava uma vitória para que os mineiros jogassem por uma medalha. Faltou, no fim das contas, um set. Foi um golpe e tanto. Foi um baque na torcida, que encheu a Quadra 1 e deu show nos três jogos de Soares e Melo em uma sintonia rara de ver; foi duro para a imprensa, que acompanhou a trajetória bacana de dois campeões de Grand Slam; e, claro, foi devastador para Bruno e Marcelo.

Machucou porque foi em casa, porque coincidiu de os Jogos Olímpicos acontecerem no Brasil e justamente durante o auge da carreira de ambos. Doeu porque os dois queriam muito. Bruno disse durante a semana que nunca viveu o tênis tão intensamente quanto nestes dias. Nunca curtiu tanto ir dormir pensando no jogo do dia seguinte. Abalou porque era possível. Quase palpável. Tecau e Mergea são uma ótima dupla, mas não são um Phelps. “Só” jogaram como se fossem. Ainda assim, duas bolas aqui, outras duas ali, e o jogo teria outro fim.

Só que o que dá o sabor tão especial ao Jogos Olímpicos é o mesmo ingrediente da crueldade. Não há margem para erro. A próxima chance vem só daqui a quatro anos e será longe de casa, em Tóquio, trocando o dia pela noite. Marcelo terá 36 anos. Bruno, 38. É possível que ambos já não estejam jogando seu melhor tênis. E isso faz doer mais ainda. Talvez a melhor chance – não a única – tenha passado.

Bruno e Marcelo não fazem parte de nenhuma minoria social ou étnica. Não foram criados na favela, não são nordestinos nem negros. São homens criados em famílias que nunca passaram fome. Não precisaram lidar com preconceitos. Nem por isso são menos brasileiros ou merecedores que outros. Encararam o mais duro dos esportes individuais, abraçando uma vida em que não há clubes bancando treinadores nem viagens. É cada um por si, e os patrocinadores são escassos.

A dupla mineira nunca se escondeu atrás de assessores de imprensa e jamais fugiu de uma entrevista depois de uma derrota. Bruno e Marcelo não são de desculpas. Reconhecem suas falhas, dão mérito aos rivais. Uma medalha coroaria duas carreiras fantásticas, mas mais do que isso: duas pessoas fantásticas.

Uma entrevista pós-derrota quase sempre inclui um “segue o baile” vindo de Bruno. Não é minimizar o revés. É aceitar o que aconteceu e olhar para a frente. Foi assim que ele fez a vida inteira. Marcelo também. Sempre deu certo. E pode ser que em menos de um mês um deles esteja comemorando outro título de Slam. Acabam os Jogos Olímpicos. É difícil engolir e aceitar que o sonho acabou. Talvez nunca tenha sido tão difícil pedir ao DJ ou voltar à pista, mas não tem jeito. “Segue o baile.”


O que deveria significar o número 1 de Marcelo Melo
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Alexandre Cossenza

Sou fã assumido de Marcelo Melo. Os leitores deste blog sabem disso, os ouvintes do podcast Quadra 18 sabem, o próprio Marcelo sabe. Não tenho, contudo, ilusões quanto ao que vai significar para o tênis brasileiro ter um número 1 nas duplas. Que ninguém ache que os clubes vão voltar a ter quadras lotadas por isso. Que não esperem grande alarde da imprensa “não especializada”. Não imaginem que a Confederação Brasileira de Tênis terá um plano para aproveitar a imagem de Marcelo. No máximo, darão um prêmio e uma plaquinha naquele evento de fim de ano feito mais para patrocinadores do que para fãs (o que é uma pena).

O cenário mais provável é que o novo ranking de Marcelo, que está na França para a disputa do Masters de Paris, será um distante coadjuvante para a vitória do Corinthians sobre o Atlético Mineiro nos noticiários “esportivos” desta segunda-feira. Não precisa ser gênio para fazer essa previsão. E sejamos sinceros: a enorme maioria dos comentários sobre o grande feito do mineiro de 32 anos provavelmente será rebatida com “mas é só dupla.” Não, Marcelo Melo não será visto por muitos como um exemplo a ser seguido. Mas deveria.

Deveria porque Marcelo fez (e faz!) muito para chegar a número 1 do mundo. Porque nasceu em uma família de tenistas que já tinha dois garotos “paitrocinados” e não lhe sobrou muito dinheiro. Por isso, ia sozinho, ainda adolescente, batendo de porta em porta entregando currículos e pedindo patrocínio. Quando não fazia isso, mandava seu CV por fax(!).

Deveria porque Marcelo teve a coragem de abandonar o sonho de ser um simplista para mergulhar de cabeça no circuito de duplas. E fez isso deixando um excelente centro de treinamento no Rio de Janeiro em uma época em que o Brasil não tinha duplistas de ofício em evidência. Bruno Soares só brilharia dois anos depois, e André Sá iniciava sua ascensão junto com o conterrâneo (até meados de 2006, o duplista número 2 do Brasil era Marcos Daniel).

Deveria porque Marcelo evoluiu enormemente seu jogo. Nos últimos dez anos, com a ajuda do irmão e técnico Daniel, diminuiu seus pontos fracos e foi, pouco a pouco, se aproximando do topo. É humilde desde o início da caminhada e tem como recompensa títulos ao lado de muitos parceiros.

Deveria porque Marcelo acreditou que era possível tirar Bob e Mike Bryan do topo. Os gêmeos foram senhores do circuito durante a maior parte dos últimos 15 anos e lideravam juntos e ininterruptamente o ranking desde o início de 2013. O brasileiro, no entanto, viu a janela da oportunidade se abrir em Roland Garros e lutou para agarrar sua chance. Sonhou, lutou e conseguiu.

Deveria porque Marcelo tem caráter. É fiel aos amigos ao ponto de ir à imprensa para sair em defesa deles. Foi assim na Costa do Sauípe em 2011, quando reclamou de uma manchete sobre Thomaz Bellucci, e em São Paulo, em 2013, quando tentou justificar a convocação de Rogerinho para o confronto de Copa Davis contra a Espanha. Concordando ou não (e eu discordo dos argumentos de Marcelo em ambas ocasiões), é preciso admirar a coragem e a disposição de quem compra brigas em nome de amigos e colegas de time.

Deveria, deveria, deveria… Marcelo Melo, número 1 ou não, foi e é exemplo de muita coisa. Se nem tanta gente percebeu antes, seja pela timidez mineira ou pela falta de interesse na modalidade, que seu novo ranking sirva para abrir os olhos de muitas pessoas. Não há muitos seres humanos como ele por aí.

Número 1 do mundo! Eu que sempre acreditei no sonho de ser tenista profissional, posso dizer que a ficha ainda não caiu. Desde pequeno sempre sonhei em ser profissional, corri atrás dos meus objetivos, cheguei a passar fax por vários dias em busca de patrocínios, fazendo de tudo para realizar meu sonho. Tenho que agradecer todos que me ajudaram, porque seria impossível chegar lá sozinho. Pelo caminho tiveram pessoas que sempre tentaram me ajudar, umas mais outras menos. O que dizer dos meus pais ? Eles que sacrificaram as próprias vidas fazendo de tudo para eu seguir o sonho de ser tenista, não só para mim, mas para os meus irmãos também, um sacrifício que somente eles sabem o que é ter três filhos tenistas em casa. Sebastião Bomfim, uma pessoa que eu não tenho palavras para agradecer o que ele fez por mim, com certeza eu não estaria onde estou sem ele, toda minha família é eternamente grata pelo o que ele fez e faz por mim. O Daniel, vocês já devem imaginar o tanto que eu devo a ele, que muitas vezes deixa a família em BH para ir junto comigo em busca do sonho, ele que acreditou desde o primeiro dia que treinamos, isso há 8 anos atrás. O Ernane como irmão mais velho sempre me fazendo acreditar que eu seria capaz. Meus amigos que ficam horas acompanhando os jogos por pontos online, algumas vezes pegam um avião para assistir um torneio ou até mesmo uma final, como aconteceu em Roland Garros.Muito obrigado ao Chris que sempre faz de tudo para me deixar com o melhor físico possível, aos fisioterapeutas (Daniel, Paulo e Tatá)que me consertam deixando novo em folha. Logicamente agradecer ao meu parceiro Ivan Dodig que me ajudou e muito para chegar lá. Agradeço mais uma vez a todos os torcedores que hoje se alegram em dizer que #somostodosgirafa , sempre ajudando a levar o nome do Brasil para o mundo.

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Coisas que eu acho que acho:

– Quase todos os casos citados nos parágrafos acima estão relatados no podcast Quadra 18 especial pelo número 1 de Marcelo Melo. São histórias contadas pelo próprio Marcelo, mas também por Bruno Soares, André Sá, Thomaz Bellucci, Márcio Torres, Daniel Melo, Felipe Lemos, Ricardo Acioly e até pelo sr. Paulo Ernane, pai de Marcelo. É um programa especialíssimo que está no ar desde a manhã desta segunda-feira. Ouçam aqui!

– Com a produção e a edição do podcast, sobrou pouco tempo para escrever sobre as finais do fim de semana, então seguem abaixo os registros de Cingapura e da Basileia, acompanhados de breves comentários.

– Sem Serena Williams, o WTA Finals acabou com um emocionante título de Agnieszka Radwanska, que esteve quase eliminada na fase de grupos, mas escapou por pouco e aproveitou a chance que conquistou, coroando um excelente final de temporada, que teve títulos em Tóquio e Tianjin, além de uma semi em Pequim. Em Cingapura, na maior conquista de sua carreira, aproveitou a quadra lenta para fazer valer sua capacidade defensiva e sua variação de jogo. No sábado e no domingo, conseguiu fazer estrago nas cabeças de Garbiñe Muguruza e Petra Kvitova, respectivamente. Sua consistência provou-se um obstáculo formidável para as duas tenistas agressivas.

– No ATP 500 da Basileia, Roger Federer e Rafael Nadal fizeram um duelo digno da longa rivalidade, ainda que longe do altíssimo nível de outros tempos. Neste domingo, os dois oscilaram, mas o suíço, que jogava com tudo a favor (torcida caseira, quadra rápida e arena indoor), levou a melhor em três sets. No balanço geral, foi uma semana irregular para ambos, mas nenhum dos dois deve sair lá muito insatisfeito. Federer faturou o sétimo título na Basileia, enquanto Nadal, em seus altos e baixos, foi longe em um torneio com características que pouco favorecem seu estilo de jogo. Não é mau sinal.

– Bruno Soares e Alexander Peya, pouco depois de anunciarem sua separação, foram campeões na Basileia e se mantiveram vivos na briga pela última vaga para o ATP Finals. Com os 500 pontos conquistados, brasileiro e austríaco agora somam 3.330 e ficam na nona posição, atrás de Rohan Bopanna e Florin Mergea (3.455). A boa notícia é que a matemática é simples: Soares e Peya vão ao Finals se alcançarem as semifinais no Masters 1.000 de Paris. A parte ruim é que a chave é duríssima. A estreia é contra Colin Fleming e Andy Murray. Caso vençam, os dois encaram Marcelo Melo e Ivan Dodig. Se chegarem às quartas, Soares e Peya podem, então, fazer o confronto direto contra Bopanna e Mergea, valendo o lugar em Londres. Não é fácil, mas não é impossível.


Marcelo Melo e o #1 em números: quem é o melhor parceiro?
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Alexandre Cossenza

Nem soluções para a crise na Síria, nem uma trégua para o leste da Ucrânia, nem conclusões definitivas sobre duplas e o ranking de Marcelo Melo. A intenção deste post é apenas dar sequência à série de posts pão de queijo e levantar números, ilustrando o cenário que levou o mineiro de 32 anos ao posto de número 1.

Ao longo da ascensão de Marcelo, que já vem de alguns anos, foi possível ler e ouvir algumas teorias sobre seu momento. “Ele precisava jogar com um simplista”, disse um comentarista da ESPN. “Ele escolhe bem parceiros” e “o Ivan carrega a dupla” são outras teses ditas por aí. Mas será que os números confirmam ou desprovam alguma dessas explicações? Ou nem uma coisa nem outra?

Ao fim desta semana, após sua 12ª vitória consecutiva e o título do ATP 500 de Viena, Marcelo Melo alcançou a marca de 7.680 pontos conquistados desde janeiro. Destes, 5.140 vieram ao lado de Ivan Dodig, seu parceiro habitual. Outros 2.540 foram somados em dupla com outros tenistas. Ou seja, o croata esteve ao lado do mineiro em 66% dos pontos – ou, arredondando, 2/3. O outro terço veio com Max Mirnyi, Julian Knowle, Bruno Soares, Raven Klaasen e Lukasz Kubot.

Outros números interessantes: Marcelo Melo conquistou 34,2% dos pontos possíveis nos torneios que jogou ao lado de Ivan Dodig. Quando teve outro parceiro, teve aproveitamento superior: 63,5%. São números, obviamente, que precisam de contexto. O brasileiro esteve ao lado de Dodig nos quatro Slams e em seis Masters 1.000. Com os “outros”, foram apenas dois Masters, três ATPs 500 e dois ATPs 250. É uma grande diferença de nível.

Por último, uma observação que parece um tanto importante a esta altura do calendário. Em pontos, as melhores campanhas de Ivan Dodig, Raven Klaasen e Lukasz Kubot aconteceram ao lado de Marcelo Melo (são três de seus seis parceiros em 2015). E Bruno Soares, lembremos, também não conseguiu ao lado de Alexander Peya mais do que os 360 que somou com o conterrâneo em Miami (embora tenha igualado a pontuação em Wimbledon, Montreal e Roland Garros).

Após ler o parágrafo acima, me sinto tentado a perguntar: é Marcelo Melo que escolhe bem os parceiros ou o contrário?

Coisas que eu acho que acho:

– Está dito no início do post, mas reforço aqui: nenhum número é apresentado aqui como definitivo para comprovar tese alguma. O texto tem como objetivo principal ilustrar a temporada memorável de Marcelo Melo.

– A única conclusão que me sinto tentado a tirar parece um tanto óbvia: Marcelo Melo é um tenista fantástico que não depende deste ou daquele parceiro para ir longe em um ou outro torneio. É um duplista que não chega ao posto de número 1 isolado por acaso. Não precisou que ninguém o colocasse lá.

– Bruno Soares fez a pergunta do tweet acima antes do início do ATP 500 de Viena. Será que o mineiro estava confiante no conterrâneo?


O número 1 que ninguém vê
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Alexandre Cossenza

O diálogo abaixo aconteceu na manhã deste sábado, quando fiz uma visita à minha mãe, no Rio de Janeiro. Foi mais ou menos assim.

– Você viu que o Marcelo vai ser número 1 do mundo?
– Vi. Mas como isso?!
– Ele tem ponto pra c… , mãe!
– Mas eu não vejo ele jogar.
– Ninguém vê, mãe. Ninguém vê.

Não, o assunto nem é novo, mas vem à tona sempre que um brasileiro se destaca. Por isso, aproveito o número 1 de Marcelo Melo (o mineiro assumirá o posto no dia 2 de novembro) para repassar alguns dos motivos pelos quais o melhor duplista brasileiro de 2015 não teve mais do que um punhado de jogos televisionados na melhor temporada de sua carreira.

Culpado #1: a ATP

Sim, há outros elementos a considerar, mas a ATP é a principal responsável se o público não conhece o circuito de duplas. Na maioria dos torneios, quase não há transmissão de jogos da modalidade. Nem uma assinatura do TennisTV, que custa mais de R$ 400 por ano (com esse câmbio, né?), garante que você vai conseguir acompanhar a modalidade decentemente.

Se nos ATPs 250, as transmissões são poucas, nos ATPs 500 elas são mais raras ainda. Quem aí lembra que a final de Marcelo Melo no Rio Open de 2014 não foi mostrada pelo SporTV? E nos Masters 1.000, então, o cenário escancara o quanto a entidade pouco se importa para a coisa toda. Em muitos casos, mesmo quando os torneios escalam jogos de duplas para as quadras centrais, onde há todo o aparato de transmissão, as câmeras são desligadas e os operadores ganham folga assim que um duplista sai do vestiário em direção à arena de jogo. É sério.

Os canais brasileiros

As finais, sim, são transmitidas sempre pelo TennisTV durante os Masters. Só que aí entra outro problema. É preciso que o canal dono dos direitos de transmissão mostre interesse nos jogos, que são adquiridos separadamente – ou seja, não fazem parte daquele pacote comprado e válido para toda a temporada. No Brasil, os direitos dos Masters 1.000 são do SporTV. E a final de Xangai, exibida pelo TennisTV, não foi mostrada no brasil pelo canal da Globosat. Já inclusive comentei o assunto neste post e no último episódio do podcast Quadra 18.

Restam, então, os Slams. Para a sorte do público interessado, Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open disponibilizam transmissões de quase todas as quadras. Só que os canais brasileiros nem sempre vão atrás das duplas. Juntando tudo, Marcelo Melo e Ivan Dodig estiveram nas TVs brasileiras menos uma dúzia de vezes. E antes que você diga “mas 12 vezes é muita coisa”, pare e pense em qual seria o número mais justo de transmissões de TV para um top 10 (não precisa nem ser número 1!). E, a não ser que algum mude radicalmente em breve – e nada indica até agora que isso vá ocorrer – Marcelo Melo será um número 1 que ninguém vê.

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Coisas que eu acho que acho:

– Sobre o diálogo no alto do post, peço desculpas por quase reproduzir o palavrão. A questão é que “pra c…” transmite intensidade como nenhuma outra expressão da língua portuguesa.

– Enquanto escrevo este post, Melo venceu mais um jogo (sem transmissão, claro) no ATP 500 de Viena. Ele e o polonês Lukasz Kubot aplicaram 6/3 e 6/4 em cima de David Marrero e Andreas Seppi. Na final, Melo e Kubot vão enfrentar Jamie Murray e John Peers.

– Com o número 1 garantido, a briga de Melo parece agora ser para fechar a temporada no topo. A briga promete ser duríssima contra os irmãos Bryan.

– As fotos deste post são de Getty Images.


Simplesmente Marce1o Me1o
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Alexandre Cossenza

A temporada começou com um excelente Australian Open, ganhou dimensões completamente novas quando veio o título de Roland Garros e, agora, caminha para seu fim com uma arrancada fantástica no pós-US Open. Depois de títulos em Tóquio e Xangai longe de Ivan Dodig, seu parceiro habitual, Marcelo Melo faz nova ótima campanha. E agora, ao avançar às semifinais do ATP 500 de Viena, o mineiro garantiu o posto de número 1 do mundo.

Sim, Marcelo Melo assumirá o topo do ranking no dia 2 de novembro, quando serão descontados os pontos do Masters 1.000 de Paris. Os irmãos Bob e Mike Bryan, atuais líderes da lista da ATP, perderão mil pontos, enquanto o mineiro, que nada tem a defender na capital francesa, chegará ao topo. Um momento fantástico.

Este post fica assim, curtinho, apenas para registrar o momento. No dia 2, quando Marcelo for oficializado como número 1, publicarei material especial sobre o mineiro (o conteúdo ainda é surpresa, mas vem muita coisa boa por aí). Por enquanto, deixo aqui apenas um par de observações que ressaltam o quanto significa este feito do mineiro de 32 anos.

O primeiro é que Melo chegou lá com um parceiro “habitual”, mas nem tanto assim. Entre seus resultados mais importantes de 2015 estão a semifinal de Miami, onde jogou com Bruno Soares, e os títulos de Tóquio e Xangai, onde o sul-africano Raven Klaasen foi o parceiro. Esta semana, em Viena, é o polonês Lukasz Kubot quem faz as vezes de parceiro para Marcelo.

E também é importante ressaltar que Marcelo Melo chega ao topo ainda na Era Bryan. Desde 2003 (!), quando chegaram ao topo pela primeira vez, Bob e Mike tiveram pouquíssimos adversários à altura. Além disso, os gêmeos americanos lideram o ranking juntos e de forma ininterrupta desde fevereiro de 2013. Tirá-los de lá sempre exigiu campanhas excelentes e muita consistência.

Coisas que eu acho que acho:

– Será que agora, com o irmão e pupilo ocupando o posto de número 1 do mundo, Daniel Melo terá o reconhecimento que merece dentro de seu país?

– Antes que a gente se empolgue demais e comece a ressaltar um suposto momento fantástico do tênis brasileiro, é bom lembrar que também nesta sexta-feira Feijão e Rogerinho se enfrentavam em uma quadra secundária em um torneio Challenger em Santiago. Então é bom não confundir momento fantástico “para” o tênis brasileiro com momento fantástico “do” tênis brasileiro. E esse Feijão x Rogerinho, aliás, deixou muito a desejar tecnicamente.

– O título deste post foi ideia de Daniel Bortoletto, editor do diário Lance! e autor do blog Saque, o melhor espaço sobre vôlei deste país.

Um dia mais que especial ! Sem palavras!! #somostodosgirafa #marcelomelo

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A separação de Soares, o “não” de Marcelo e o convite de Jamie
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Alexandre Cossenza

A notícia chegou via Aliny Calejon. Bruno Soares não jogará com Alexander Peya em 2016. Depois de uma temporada com resultados aquém do esperado, o mineiro decidiu mudar. Avisou o parceiro que queria algo diferente em 2016 e foi em busca de um novo companheiro (foto acima por Getty Images).

Primeiro, entrou em contato com o conterrâneo Marcelo Melo – bastante consciente da possibilidade de ouvir um “não” de alguém que venceu um Grand Slam ao lado de Ivan Dodig em 2015. Mesmo com as Olimpíadas por perto, é difícil mexer no time que vem dando certo.

Sabe aquele roteiro de filme adolescente americano em que o garotão convida a menina para o baile e, no mesmo dia, é convidado por uma gata diferente? Pois é.
No mesmo dia em que fez a proposta para Marcelo, Bruno recebeu de Jamie Murray, vice-campeão de Wimbledon e do US Open em 2015, um convite para formar uma parceria em 2016.

Bruno disse a Jamie que ainda esperava uma resposta do atual número 3 do mundo. Jamie topou aguardar alguns dias. Marcelo, então, disse não, e Bruno fechou o time com o irmão de Andy Murray. Os dois começam a jogar juntos já em janeiro do ano que vem.

Ouça abaixo a explicação de Bruno Soares.


Coisas que eu acho que acho:

– Primeiro, tiremos do caminho a questão de sempre. Toda vez que escrevo sobre um dos dois, alguém pergunta por que Bruno e Marcelo não jogam mais juntos. Os mineiros fizeram duas temporadas inteiras juntos até Bruno quis tentar algo diferente. A mudança, como o tempo continua provando, foi boa para ambos. E não atrapalhou em nada os resultados na Copa Davis nem em Londres 2012. Não deve ser diferente nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

– Não conversei com Marcelo, mas deve ter sido uma decisão difícil de tomar – especialmente com Ivan Dodig em um momento difícil, vivendo o dilema de querer recuperar seu ranking de simples e conciliar isso com uma temporada vencedora nas duplas. Não é fácil montar um calendário assim. De todo modo, é perfeitamente compreensível – como disse Bruno – que o atual duplista #3 do mundo queira continuar com seu atual parceiro.


O número 1 ao alcance de Marcelo Melo
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Alexandre Cossenza

Já são 18 torneios, cinco parceiros diferentes e quatro títulos conquistados. Em 2015, Marcelo Melo jogou com Max Mirnyi, Julian Knowle e Bruno Soares. Com Ivan Dodid, seu parceiro habitual, venceu Acapulco e Roland Garros, Com o sul-africano Raven Klaasen, companheiro das últimas duas semanas, varreu Japão e Xangai. E agora, depois de dois títulos consecutivos, Marcelo Melo se aproxima enormemente do posto de duplista número 1 do mundo. Sim, é verdade.

Foi na quinta-feira que a Aliny Calejon, colega do podcast Quadra 18, alertou para a nada desprezível chance de o mineiro encostar e, talvez, ultrapassar os irmãos Bryan. Segundo as contas dela, Marcelo pode sair de Viena, seu próximo ATP, apenas 190 pontos atrás de Bob e Mike. Os gêmeos americanos, vale lembrar, têm 2.300 pontos a defender no Masters 1.000 de Paris e no ATP Finals, já que venceram ambos no ano passado. Enquanto isso, Marcelo somou “apenas” 800 no torneio londrino em 2014, depois de zerar na França. Ou seja, a chance existe e não é nada, nada pequena.

Em Viena, Melo joga ao lado do polonês Lukasz Kubot em uma chave pequena, mas nada fácil. A estreia será contra os colombianos Juan Sebastián Cabal e Robert Farah. A curiosidade da semana, contudo, fica por conta de Mike Bryan, que jogará sem o irmão pela primeira vez desde 2002. Seu parceiro no torneio será o também americano Steve Johnson.

O resultado disso é que os dois irmãos podem se separar no ranking. E como todo “pode” deveria vir sempre acompanhado de “ou não”, vale apontar que Mike e Steve Johnson estrearão em Viena contra Jamie Murray e John Peers, vice-campeões de Wimbledon e do US Open. Se escocês e australiano vencerem, manterão os gêmeos juntos no ranking e darão uma forcinha a Marcelo Melo.

Público existe ou se faz?

A nota triste sobre isso é que o SporTV novamente não mostrou uma final de Masters 1.000 envolvendo Marcelo Melo. Já havia acontecido dois anos atrás, quando ele venceu o mesmo torneio, junto com Ivan Dodig. Conversei na época com uma pessoa do canal sobre isso. Ela me respondeu o seguinte: “É dupla e de madrugada. Não tem público.”

Esse raciocínio tem lá sua lógica. Por que gastar e movimentar uma equipe de transmissão na madrugada se a audiência não é tanta assim? Há quem diga, no entanto, que “público se faz.” Quando o canal faz uma cobertura boa e valoriza o produto que tem, a audiência cresce. Um bom exemplo seria o público de NFL, que cresceu bastante no Brasil desde que a ESPN adquiriu os direitos exclusivos e mostra vários jogos por rodada. Parece ser um debate interessante.

A temporada espetacular

Desde o US Open, última vez que postei sobre o circuito masculino, pouca coisa mudou – a não ser pela espantosa derrota de Roger Federer para Albert Ramos-Viñolas na primeira rodada em Xangai. No topo do ranking, Novak Djokovic continua imbatível. Venceu Pequim (500) e Xangai (1.000) de forma absoluta. Foram dez vitórias sem perder sets e apenas dois rivais conseguiram vencer pelo menos quatro games em um set: Tomic e Tsonga, ambos em Xangai.

A sequência, não esqueçamos, incluiu partidas contra David Ferrer, John Isner, David Ferrer, Rafael Nadal e Andy Murray. É assustadora a superioridade do sérvio neste momento. Sua vantagem sobre o escocês, atual número 2 do ranking, já é de mais de oito mil pontos (o equivalente a quatro títulos de Grand Slam). Seus resultados são comparáveis aos da fantástica temporada de 2011. Melhores, talvez? É outro debate interessante.

Há até quem considere a possibilidade de ser a melhor temporada da Era Aberta, mas é um argumento difícil de se fazer. Além de todas as ressalvas costumeiras (momentos, adversários e tecnologias diferentes), é preciso considerar que Rod Laver, lá atrás, venceu os quatro Slams no mesmo ano. Seria, então, a melhor campanha da Era Aberta com três Slams no mesmo ano? Talvez, mas “três Slams no mesmo ano” já é um asterisco que, pelo menos para mim, faz a comparação perder o sentido. Nada disso, no entanto, altera o inegável: é um ano memorável para o sérvio.

O recorde que não foi

Outro tema interessante (desde o último post sobre ATP aqui no Saque e Voleio) foi o recorde de aces quebrado por Ivo Karlovic, que superou o compatriota Goran Ivanisevic durante o ATP de Pequim. Dr. Ivo agora tem 10.247 (considerando que ele não sacará mais nenhum até a publicação deste post) saques indefensáveis na carreira contra 10.237 de Ivanisevic.

Entretanto, a marca de Karlovic, muito divulgada pela ATP (que precisa de assunto nesse período pós-US Open e pré-Finals), também já vem sendo bastante contestada. Não pelos números que existem, que são incontestáveis, mas pelos que nunca foram (nem serão) registrados. Este texto do Tennis Abstract, por exemplo, lembra que são muitas as partidas não contabilizadas de Ivanisevic. Segundo uma estimativa do site, Goran teria algo perto de 12.550 aces – número que dificilmente seria alcançado pelo compatriota.


Brasil x Croácia, dia 2: o típico dia imprevisível
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Alexandre Cossenza

O clichê, enfim, se aplica. A zebra apareceu no confronto entre Brasil e Croácia. Bruno Soares e Marcelo Melo, invictos há oito jogos em Copa Davis, foram derrotados em Florianópolis, em uma atuação nada memorável, por Ivan Dodig e Franko Skugor: 6/0, 3/6, 7/6(2) e 7/6(3). Foi uma tarde dura para os brasileiros – especialmente para Bruno Soares, que só jogou seu habitual bom nível de tênis em flashes aqui e ali. Ao mesmo tempo, foi uma jornada incrível de Dodig, duplista #6 do mundo, que fez dois tie-breaks impecáveis.

O público bem que tentou empurrar os brasileiros, e a maré parecia estar mudando no fim do quarto set, quando Soares e Melo escaparam de dois match points no saque de Dodig, quebraram de volta e deram motivo para a torcida fazer mais barulho do que eu qualquer outro momento do confronto. O segundo tie-break, no entanto, foi quase um microcosmo da partida. Um Soares inseguro e dois croatas soltos, jogando bem e sem a pressão da proximidade da derrota.

Fora o estranhíssimo primeiro set, com a dupla brasileira apática e mais preocupada em entender e conhecer Skugor do que em fazer seu próprio jogo, não foi uma partida desequilibrada. Para Bruno Soares, ele e Marcelo dominaram dois sets (o segundo e o terceiro), mas não aproveitaram as chances – foram sete chances de quebra na terceira parcial. A diferença foi o brilho de Dodig, que acertou dois lobs perfeitos no tie-break do segundo set.

O resultado deixa a Croácia com vantagem de 2 a 1 no confronto, precisando de só uma vitória para continuar no Grupo Mundial. O Brasil, por sua vez, precisa que Bellucci derrote Coric no primeiro jogo de domingo (começa às 10h) e, depois, que Feijão supere Delic (#499) – ou Dodig, que jogou muito bem nas duplas e é melhor simplista que Delic. o capitão Zeljko Krajan, contudo, ainda não confirma a mudança na escalação que foi apresentada na quinta-feira.

Dodig disse estar pronto: “Se você não estiver pronto para o capitão, ele não te convoca mais”. Krajan, por sua vez, lembrou que “Ivan jogou por quatro horas neste sábado e que não será fácil no domingo, então Mate ainda é uma opção.”

Mais aquecimento do que jogo

Antes do confronto de duplas, Feijão e Borna Coric entraram em quadra para completar a segunda partida de simples, interrompida na sexta-feira por chuva e falta de luz natural. O brasileiro, que sacava em 1/4 e 40/30 no terceiro set, acabou perdendo o serviço e vendo o #33 do mundo fechar a partida em 6/4, 7/6(5) e 6/1. Ao todo, o tempo de jogo neste sábado durou menos que o aquecimento. Na coletiva, Feijão relatou o desentendimento com Coric ao fim do segundo set, quando o adolescente croata (18 anos) provocou a torcida.

A ideia, Feijão revelou neste sábado, era mexer com a cabeça do adversário. Não deu resultado. Coric, aliás, quebrou o serviço do #2 do Brasil logo no segundo game do terceiro set e disparou na frente. O paulista pelo menos afirmou ter saído de quadra relativamente contente com seu jogo e – muito importante – com mais confiança do que antes. Ele disse contar com a torcida para encontrar uma maneira de triunfar no caso de um quinto jogo.

Coisas que eu acho que acho

A tática do boi de piranha funcionou perfeitamente para o capitão croata. Ao escalar (ou melhor “queimar”) Delic em um jogo em que Bellucci seria favoritíssimo, Krajan conseguiu poupar Dodig, que fez uma partidaça e “roubar” o ponto das duplas. Agora, conta com Coric para fechar o confronto. Mesmo se o #1 croata perder, o time ainda conta um Dodig com confiança extra.

Krajan, como escrevi acima, não deu pistas sobre quem vai escalar no domingo. Parece mais provável, contudo, a escalação do “duplista” Dodig para um eventual quinto jogo. Não só pela moral que carrega da vitória e sábado, mas por ter mais tênis e experiência do que Delic.


Marcelo Melo e um título para toda a vida
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Alexandre Cossenza

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Marcelo Melo e Ivan Dodig chegaram pertinho em Wimbledon, quando venceram até o primeiro set da final em 2013. Desde lá, a parceria chegou às semifinais duas vezes do US Open. Este ano, na Austrália, a chance era boa, mas terminou num doído tie-break de terceiro set na semifinal. Ficava a impressão, contudo, que faltava pouco para brasileiro e croata. Até que neste sábado, numa decisão espetacular, Melo e Dodig escreveram seus nomes na história de Roland Garros.

No que marcou o ápice de duas semanas impecáveis, com uma atuação obscena de Ivan Dodig e e momentos espetaculares de Marcelo Melo, a parceria conquistou o título do Grand Slam francês com o dramático placar de 6/7(5), 7/6(5) e 7/5. Tão dramático que veio sobre os irmãos Bob e Mike Bryan, melhores do mundo na modalidade. E tão dramático que veio depois de um nervoso tie-break perdido no primeiro set e de ver os favoritos abrirem 4/2 no segundo set.

Diz bastante que a final tenha sido contra os Bryans – e num dia em que os gêmeos americanos jogaram bem e exigiram uma série de lances improváveis de Melo e Dodig. Também significa muito que na metade do ano tenístico, após dois (de quatro) Grand Slams e cinco (de nove) Masters 1.000, brasileiro e croata estejam no topo do ranking de times da temporada, o Doubles Team Rankings. E tudo isso com Gustavo Kuerten, o tricampeão, assistindo de pertinho. Era para acontecer.

O título deste sábado é daqueles que carregam consigo o significado literal da palavra. A partir de agora até o fim da vida, o mineiro passa a se chamar Marcelo Melo, campeão de Roland Garros. Não existe ex-campeão de Grand Slam. Ou alguém aí se refere a Guga como ex-tricampeão de alguma coisa? Não. Melo, 31 anos, 2,03m de altura, é campeão (pelo menos) de Roland Garros até o resto da vida. E fez por merecer o “título”. É a realização de um sonho de um garoto que ralou anos e anos em torneios minúsculos de simples até que decidiu usar seu tamanho e sua envergadura numa modalidade que favorece seu típico físico.

Passou a treinar com o irmão, Daniel (que também merece mais reconhecimento!), e evoluiu ano a ano. Fez uma inesperada semifinal em Wimbledon/2007 com André Sá, fez boas temporadas ao lado de Bruno Soares em 2010 e 2011, mas deslanchou mesmo quando deixou de ter um parceiro fixo, em 2012. Foi quando nasceu o então temporário time com Dodig. O resto todo mundo sabe. Duas participações no ATP Finals, um título de Masters 1.000, uma final de Slam e, agora, o título. Uma história bacana de muito esforço, decisões difíceis e evolução contínua. Merecia um momento assim.

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Difícil afirmar com precisão, hoje, o que e quanto significa o título de Marcelo Melo para o tênis brasileiro. Talvez sirva apenas para dar um pouco mais de reconhecimento ao mineiro, que ontem mesmo foi confundido com Ricardo Mello por um grande veículo de imprensa (e o site de Roland Garros fez o mesmo)! Talvez chame um pouco mais atenção para o as duplas, que são frequentemente colocadas para escanteio – muito por culpa da ATP, que não disponibiliza muitas transmissões, mas também por canais brasileiros (Melo, número 3 do mundo, teve partida não exibida em Roland Garros enquanto o Bandsports mostrava um jogo entre David Goffin e Jeremy Chardy).

O que vem pela frente? Parece impossível, mas Melo e Dodig chegam ao mês de junho com chances palpáveis de brigarem, até o fim do ano, pelo posto de número 1 do mundo (no tradicional ranking de 52 semanas, o Doubles Ranking). A distância até os irmãos Bryan ainda é grande, mas brasileiro e croata têm 3.140 pontos a defender, enquanto a parceria americana tem 7.650 a repetir. Não é a mais fácil das tarefas, mas a oportunidade existe.


Melo, Soares e o ponto de (des)equilíbrio
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Alexandre Cossenza

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Entra Copa Davis, sai Copa Davis, e o Brasil tem uma certeza: Marcelo Melo e Bruno Soares vão triunfar no sábado. É assim há oito confrontos, e até os irmãos Bob e Mike Bryan já foram vítima. Não foi diferente em Buenos Aires. Por 3 sets a 0, com parciais de 7/5, 6/3 e 6/4, os dois mineiros derrotaram Carlos Berlocq e Diego Schwartzman e colocaram o Brasil novamente à frente no confronto: 2 a 1. Agora, o time do capitão João Zwetsch está a um ponto de avançar no Grupo Mundial pela primeira vez desde 2001.

Tirando o primeiro game de saque do segundo set, que teve três duplas faltas de Bruno Soares e acabou com a primeira quebra a favor da Argentina, foi um jogo sem sustos. E nem foi uma atuação espetacular da parceria brasileira. O primeiro set foi um pouco instável, e a quebra só veio no 12º game, quando Schwartzman – serviço mais vulnerável da dupla da casa – foi quebrado com uma devolução vencedora de Soares.

O único tropeço veio no começo do segundo set, mas a liderança de Berlocq e Schwartzman não demorou muito. Três games depois, Schwartzman foi quebrado novamente. Mais dois games e, dessa vez, foi Berlocq quem perdeu o serviço. Soares ainda teve o saque ameaçado outra vez, mas o time brasileiro salvou um break point no nono game e fechou a parcial três pontos depois.

Até que o público tentou. Os argentinos se levantaram, pularam, gritaram e aplaudiram, mas o jogo já parecia em piloto automático para os brasileiros. Com Marcelo Melo mais uma vez jogando uma monstruosidade – não é o número 3 do mundo e 1 do país por acaso – foi questão de tempo para que ele e Soares fechassem a partida. E sem drama.

Assim, mais uma vez, a dupla mineira, o ponto de equilíbrio e segurança do time brasileiro, desequilibrou um confronto. Foi assim contra a Rússia em 2011, contra a Colômbia em 2012, e contra Equador e Espanha em 2014. Todos esses confrontos terminaram a sexta-feira empatados. Em todos eles, Marcelo Melo e Bruno Soares colocaram o Brasil na frente. Agora só falta um.

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Coisas que eu acho que acho:

– Em tese, o primeiro jogo deste domingo, às 11h (de Brasília), será entre Feijão e Leonardo Mayer. Mas será que Orsanic teria a ousadia de substituir o número 1 do país? No saibro, com Feijão sacando aberto e alto, o backhand de Mayer pode se mostrar um tanto vulnerável. Foi assim em São Paulo, quando o paulista levou a melhor. Por esse lado, talvez Schwartzman, mais consistente do fundo de quadra, fosse uma opção interessante para a Argentina, mas será que Orsanic, em sua estreia como capitão, ousaria tanto ao tirar o número 1 do país no domingo?

– E quanto a Berlocq, que jogou 4h57min na sexta e voltou à quadra neste sábado? Será que Orsanic insiste com ele no caso de um quinto jogo? Ou Delbonis estaria sendo guardado para a ocasião?

– Não custa lembrar. A última vez que o Brasil passou da primeira rodada no Grupo Mundial foi em 2001, quando o time do capitão Ricardo Acioly derrotou Marrocos, no Rio de Janeiro, por 4 a 1. Aquela equipe tinha Gustavo Kuerten, Fernando Meligeni, Jaime Oncins e Alexandre Simoni (os dois últimos fizeram o ponto das duplas e fecharam o confronto já no sábado).

– Não seria bacana se o Brasil fechasse o confronto em 3 a 2, com uma vitória de Bellucci? Um resultado assim seria, ao menos, simbólico de um time que, hoje em dia, pode vencer qualquer dos pontos, seja com Feijão, Bellucci ou a dupla. Equipes assim, com uma pitada de sorte na chave, podem ir bastante longe.

– A Sérvia, que já abriu 3 a 0 em cima da Croácia, vai enfrentar o vencedor de Brasil x Argentina. Djokovic e companhia jogarão em casa se o Brasil triunfar. Em caso de vitória argentina, os hermanos escolherão a sede.


Os melhores do Brasil em 2014
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Alexandre Cossenza

Acaba a temporada e começa a hora das retrospectivas. Quem venceu ali, qual foi o lance mais espetacular do ano, onde aconteceu a melhor partida, qual a maior polêmica da temporada… Tem assunto para muita coisa. Escolho começar pela temporada do tênis brasileiro, aproveitando a recente cerimônia de entrega do Prêmio Tênis 2014, do qual orgulhosamente faço parte do grupo de votantes. Com os vencedores revelados, posso “abrir” meus votos. Os mais importantes foram:

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Melhor tenista: Marcelo Melo

O mineiro de 31 anos, número 6 do mundo, não é só o brasileiro de melhor ranking. Ele precisou jogar o circuito com quatro parceiros diferentes (Ivan Dodig, Julian Knowle, Jonathan Erlich e David Marrero) e conquistou “só” um título (Auckland, ao lado de Knowle), mas foi vice nos Masters de Monte Carlo e Toronto, classificou-se para o ATP Finals mesmo sem disputar dois (!) Grand Slams junto de Ivan Dodig e ainda chegou à decisão do último torneio da temporada – derrotado pelos irmãos Bob e Mike Bryan apenas no match tie-break.

A grande dúvida, pelo menos para mim, foi decidir em que mineiro voltar. A temporada de Bruno Soares também foi brilhante. Número 10 do mundo, o tenista de 32 anos ganhou o US Open nas duplas mistas e, junto de Alexander Peya, foi campeão em Toronto e Queen’s, além de vice em Doha, Auckland, Indian Wells, Eastbourne e Hamburgo. Bruno, claro, foi tão importante para o sucesso brasileiro na Copa Davis quanto Marcelo. Talvez o mais justo fosse dividir o prêmio aqui, mas era preciso escolher um nome.

O “Girafa” foi minha opção não só pela eterna dificuldade extra de jogar com mais parceiros (e nem foram tantos em 2014 comparando com 2013 e 2012), mas porque adotei como critério não considerar as duplas mistas – já que Marcelo jogou apenas o Australian Open, onde se lesionou e, por isso, preferiu não arriscar nos outros Slams. De qualquer modo, é preciso explicar que o ranking não pesou tanto, já que os votos precisavam ser enviados até 1º de novembro. O ATP Finals, contudo, ratificou a melhor temporada de Marcelo.

Ele talvez nunca tenha a exposição de mídia que o conterrâneo naturalmente simpático recebe – com justiça -, mas seus méritos dentro de quadra são inegáveis. E não são de hoje. Não por acaso, Marcelo chegou a ocupar o terceiro lugar na lista da ATP em outubro. Sim, o mesmo posto foi de Bruno pela maior parte da temporada, mas ele e Alexander Peya perderam embalo nos últimos meses.

Melhor técnico de tênis masculino: Daniel Melo

Nada mais do que uma sequência da escolha acima. Daniel Melo trabalha quieto, fala pouco e não aparece nas conquistas, mas está sempre lá no dia a dia do irmão. E, pouca gente sabe, tem muita importância no que a dupla brasileira faz na Copa Davis – João Zwetsch, o capitão, foi o primeiro a reconhecer que foi 100% traçada por “Dani” a estratégia usada para bater a dupla espanhola no Ibirapuera.

Votar em Daniel Melo, técnico do brasileiro de melhor ranking, também significou, para mim, corrigir uma falha do ano passado, quando o mineiro já merecia a premiação. Obviamente, minha escolha não foi motivada só por isso. Seu trabalho vem de anos. Daniel modelou o tênis do irmão e o levou ao top 10. E Marcelo, ainda hoje, aos 31, segue evoluindo. Foi um dos votos mais fáceis de decidir.

Melhor tenista mulher: Teliana Pereira

Nenhuma dúvida aqui. Olhando apenas o ranking, a número 1 do país e 107 do mundo termina em uma posição inferior à de 2013, quando fechou em 90º lugar. Só que Teliana tornou-se a primeira brasileira desde 1993 a disputar um Grand Slam (e jogou os quatro!), esteve na Quadra Central de Wimbledon e disputou 14 WTAs (sete na chave principal). E, claro, teve um belo resultado quando chegou às semifinais do Rio Open, em fevereiro.

Melhor técnico de tênis feminino: Renato Pereira

Renato é o técnico da número 1 do Brasil e, não muito diferentemente de Daniel Melo, trabalha quieto, sem chamar atenção. Não tem “mídia” e não tem fama internacional, mas está ao lado da irmã desde quase sempre. Se Teliana tem méritos por superar seguidos problemas de joelho, Renato tem que ser creditado com a contínua evolução da irmã.

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Melhor simplista homem: Thomaz Bellucci

Há pouco a explicar aqui. Bellucci é, com sobras, o tenista com mais potencial do país. Não fez uma temporada espetacular, mas fez o bastante para manter-se como número 1 do país e, mais importante do que isso, voltou ao top 100, fechando 2014 na 65ª posição. Alcançou as quartas de final nos ATPs 500 do Rio de Janeiro e de Valência, fez uma semifinal em São Paulo e, principalmente, conquistou duas belíssimas vitórias diante da Espanha na Copa Davis.

Feijão fez um ótimo segundo semestre e podia até ter encostado em Bellucci no ranking com um par de bons resultados, mas caiu cedo no importante Challenger de Guayaquil e bobeou no Challenger Finals, onde perdeu ótimas chances de somar pontos. No entanto, ainda que Feijão tivesse fechado 2014 à frente de Bellucci no ranking, meu voto iria para o canhoto de Tietê pela atuação na Copa Davis, que salvou a pele do questionado capitão João Zwetsch.

O Prêmio

O Prêmio Tênis 2014 também teve votos de Arnaldo Grizzo (Revista Tênis), Francisco Leite Moreira (Bandsports), Dácio Campos (SporTV), Erick Castelhero (Gazeta Esportiva.net), Fábio Aleixo (UOL), Fernando Sampaio (Jovem Pan), José Nilton Dalcim (Tenisbrasil), Luiz Fernandes (Tênis Virtual), Paulo Cleto (IG) e Nathalia Garcia (O Estado de S. Paulo), somados a votos de internautas.

Os principais premiados foram Thomaz Bellucci (melhor tenista de simples e melhor tenista geral), Bruno Soares (melhor duplista entre os homens), Teliana Pereira (melhor tenista entre as mulheres), Laura Pigossi (melhor duplista entre as mulheres), João Zwetsch (melhor técnico de tênis masculino), Carlos Kirmayr (melhor técnico de tênis feminino), Orlando Luz (melhor juvenil entre os homens) e Luisa Stefani (melhor juvenil entre as mulheres).

Também foram premiados Natalia Mayara e Carlos Santos entre os cadeirantes, Simone Vasconcelos e Roger Guedes entre os sêniores, Carlos Omaki como treinador de tênis de base, e Joana Cortez e Vini Font no beach tennis. O Wimbelemdom, de Marcelo Ruschel, foi eleito o melhor projeto social, enquanto Carlos Bernardes ficou com o óbvio prêmio de melhor árbitro do país.

Coisas que eu acho que acho

Para não deixar dúvida (alguém sempre tenta encontrar uma polêmica que não existe): o post não é uma crítica ao Prêmio Tênis. Muito pelo contrário. A beleza reside na prática da democracia. Ganha quem a maioria escolhe. E quem votou nos perdedores, ainda que discorde, deve aceitar o resultado. E a caixinha de comentários está aí (há sete anos!) para quem quiser discordar ou questionar publicamente – e educadamente, claro.


Marcelo Melo, o discreto número 3
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Alexandre Cossenza

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Marcelo Melo acordou nesta segunda-feira, 6 de outubro de 2014, para comemorar mais um passo, mais um feito. O mineiro é agora o número 3 do mundo, melhor posição na sua carreira. Também é a melhor posição já ocupada por um brasileiro. Posto que pode até ser considerado o número 1 entre os normais, já que os irmãos gêmeos Bob e Mike Bryan dominam o circuito e, nos últimos quatro anos, só perderam a liderança por algumas semanas.

Faço sempre questão de registrar os feitos de Marcelo Melo porque eles costumam ser ofuscados por Bruno Soares, que também foi número 3 do mundo de outubro do ano passado até agosto de 2014. Soares ganhou dois Grand Slams em duplas mistas, esteve a um ponto de ganhar outro em Wimbledon e é, de certa forma, mais “midiático”. Conversa com todo mundo, dá mais entrevistas, sorri mais, tem mais patrocinadores. É um boa praça natural. Não força para ser uma figura carismática e, por isso, aparece mais que o conterrâneo. E não há problema nenhum nisso.

Não que Marcelo seja mal humorado nem avesso a entrevistas. Pelo contrário. Só não é tão tagarela quanto Bruno. E também não força a barra para tentar ser mais simpático do que é. E isso é ótimo. Até suas comemorações são mais comedidas. Para festejar a marca, fez um tweet. Unzinho, sem estardalhaço. Agradeceu e compartilhou um link para uma imagem do ranking de duplas. E só.

A questão é que no circuito de duplas os resultados dos dois brasileiros são, de certa forma, equiparáveis. Bruno Soares e Alexander Peya disputaram a final do US Open do ano passado. Marcelo Melo e Ivan Dodig fizeram o mesmo em Wimbledon, dois meses antes. Aliás, vale lembrar que Dodig, parceiro habitual de Melo, não disputou nem Roland Garros nem Wimbledon este ano. Ressalte-se, então, que melhor ranking do mineiro vem após dois Slams ao lado de “estranhos”. Foi às oitavas com Jonathan Erlich em Paris e só parou nas quartas em Londres, onde atuou com o austríaco Julian Knowle. Não é pouco.

Em uma das vezes que Marcelo esteve à frente de Bruno no ranking, perguntei se ele não achava que a atenção dada aos dois era muito diferente. Ele não respondeu exatamente o que eu perguntei, mas brincou, dizendo que era bom porque lhe sobrava mais tempo livre. E a verdade é que Marcelo faz força para não chamar atenção. Foi algo que notei quando passei um par de dias em Belo Horizonte, acompanhando os dois mineiros em pré-temporada. Até quando trocou de carro pela última vez o Girafa se preocupou em não se destacar demais nas ruas. Já bastam os 2,03m de altura para chamar atenção.


O espírito de equipe
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Alexandre Cossenza

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Se há algo inegável quando falamos da equipe brasileira que disputa a Copa Davis, é a união dos jogadores. E todos que estão no time em São Paulo, para este confronto contra a Espanha, reforçam, de um modo ou de outro, a importância do espírito de equipe. Algo que ficou mais claro do que nunca quando Marcelo Melo, ao fim da coletiva deste sábado, pediu o microfone para sair em defesa de Rogerinho – e de sua convocação. Segue abaixo, na íntegra, a declaração do duplista número 1 do Brasil:

“Gostaria só de salientar um negocinho (risos). Muito se falou do Rogerinho. Ontem, nós fomos embora (do Ibirapuera) depois do segundo set do Thomaz porque nós jogaríamos hoje e não daria para ficar até o fim. E o que é o espírito de equipe de Copa Davis? Eu pude ver pela televisão… O Rogerinho não fez um belo jogo, mas o que ele fez no banco não é qualquer jogador que faz. Ele estava lá apoiando o Thomaz, levantava os dois braços, subia na cadeira… Isso mostra o que é espírito de equipe de Copa Davis. Cada jogador tem a sua influência, e esse é um dos motivos (pelos quais) também ele está nesta equipe. Eu acho importante frisar. Muito se bombardeou ele. Muito que ele fez ontem no banco… Muitos jogadores iriam se retrair no vestiário ou lamentar. Ele foi lá, ergueu o braço várias vezes apoiando o Thomaz, mostrando o que é espírito de equipe. Acho que vale a pena salientar isso, mostrando que nossa equipe está unida.”

Depois da derrota para Roberto Bautista Agut na sexta-feira, especialmente pelo modo como a partida se desenrolou, é importante que o time levante os ânimos de Rogerinho, escalado para o quinto jogo. É bem verdade que o Brasil tem mais chances de fechar o confronto com Thomaz Bellucci, mas não será nada espantoso se Bautista Agut, número 15 do mundo, levar a melhor e mantiver a Espanha viva. Se isto acontecer, Rogerinho faz a partida decisiva contra Pablo Andújar, que saiu de esgotado depois de passar 4h em quadra na sexta-feira. Se conseguir mostrar o tênis que não apareceu no início do confronto, Rogerinho tem, sim, chances. Por isso, é perfeita a postura de Marcelo Melo.

Coisas que eu acho que acho:

– Não conversei com Marcelo após a coletiva, mas é possível interpretar o discurso do mineiro como uma pista de um dos motivos pelos quais o capitão João Zwetsch deixou João Souza, o Feijão, fora do time. Porém, como Zwetsch jamais citou fatores extraquadra para justificar sua escalação, muita coisa segue no reino da especulação. Pode ser que uma hora, mais tarde, algo a mais venha à tona.


Uma dupla em sua melhor definição
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Alexandre Cossenza

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Houve um voleio dificílimo que empurrou Marc López de volta para o fundo de quadra. Houve também o grito de “deixa!” seguido de um fortíssimo smash quase de costas. E a direita que acertou as costas de David Marrero para ganhar o ponto. E a devolução vencedora que encaminhou uma quebra no segundo set. E o pique para alcançar uma curtinha e matar o ponto com um slice fundo de direita. E o voleio, cruzando a rede, que decidiu o jogo na prática.

Do começo ao fim, Marcelo Melo foi a estabilidade da dupla brasileira. O melhor em quadra. O número 1 do país nas duplas brilhou, claro, mas foi sólido mesmo quando não estava executando um golpe improvável. Sempre exigiu algo a mais dos espanhóis. Foi estupendo mais lhe exigiram.

Bruno Soares, por sua vez, pulsou. Fez pontos espetaculares, errou bolas fáceis. Fez séries memoráveis de voleios defensivos e falhou em devoluções quando tinha break points. Chegou a gritar “vai, vai!” quando não devia e deixou bolas que eram suas, mas quando brilhou trouxe ele o público. Berrou, levantou os braços, deixou o Ibirapuera ali juntinho o tempo inteiro.

E, no momento mais delicado, depois de uma falha boba no 4/5 do segundo set, respondeu com três pontos perfeitos. Foi dele, também, o smash que quebrou o serviço de Marc López e deu ao Brasil dois sets de vantagem.

Marcelo Melo e Bruno Soares nem sempre brilharam na mesma intensidade, mas fizeram o mais difícil – e ao mesmo tempo o mais necessário -, que foi jogar como uma parceria equilibrada de fato. Um deu a base. O outro, a faísca. Na vitória por 6/3, 7/5 e 7/5 sobre López e Marrero, os dois mineiros foram a dupla perfeita.

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Coisas que eu acho que acho:

– Com a vitória nas duplas, o Brasil abre 2 a 1 no confronto e fica na melhor posição possível para vencer e voltar ao Grupo Mundial. O time agora “só” depende de uma vitória de Thomaz Bellucci contra Roberto Bautista Agut, número 15 do mundo. Não é uma tarefa nada, nada fácil, mas é desde sempre o cenário mais provável para um triunfo brasileiro: dois pontos de Bellucci e um das duplas. Caso o número 1 do país seja derrotado, Rogerinho volta à quadra com uma chance de se redimir do vexame de sexta-feira e decidirá a série contra Pablo Andújar.