Saque e Voleio

Categoria : Itaú Masters Tour

Pablo Albano, de volta e campeão aos 46
Comentários 3

Alexandre Cossenza

PabloAlbano_Itau_JoaoPires2_blog

Pablo Albano deixou o circuito mundial em outubro de 2001, no ATP da Basileia. Na época, tinha 34 anos e era o número 50 do mundo no ranking de duplas. Seu nome apareceu na lista da ATP até 22 de dezembro de 2002. Pois agora, quase 11 anos depois, o argentino radicado no Brasil está de volta ao ranking mundial. Desde 4 de novembro, o veterano de 46 anos está lá outra vez.

E não é um daqueles retornos em que um tenista joga como convidado, ganha uma partida e desiste em seguida. Sim, Albano ganhou um wild card para um Future em Belém, mas entrou em quadra e foi logo campeão ao lado de seu pupilo, Fernando Romboli – que, não faz muito tempo, voltou aos torneios após uma suspensão de oito meses. Aproveitei o clima bastante convidativo do Itaú Masters Tour, em Angra dos Reis, e bati um interessante papo com Albano, que não tem interesse algum em fazer um retorno full-time ao circuito.

Entre uma e outra pergunta descontraída, perguntei se não era preocupante que, em um evento normalmente disputado por jovens em ascensão, um tenista de 46 anos seja campeão. Leia como foi a conversa.

Romboli_Albano_Belem_WanderRobertoInovafoto_blog

Antes de Belém, você jogou um torneio ano passado com o Eduardo Russi. Durante esses anos todos, não bateu vontade de entrar em quadra?
Para mim, para jogar no nível desses meninos… Eu não consigo carregar ninguém. Meu parceiro tem que jogar bem. Eu não tenho mais físico. Preciso jogar solto. E, respondendo a sua pergunta, eu considero que saí muito bem do tênis. No meu último ano de tenista, ficou muito claro. Cada lugar que eu ia jogar, eu sabia que era a última vez. Fui fazendo uma despedida de cada lugar. Austrália, Roland Garros, US Open, Wimbledon… Nunca me deu vontade de voltar. Não queria, não quero. Já passou. Foi uma época fantástica, podendo tirar conclusões de coisas.

O que fez você entrar na chave em Belém?
Estava indo o Eduardo Russi para jogar com o Romboli, mas o Eduardo, um dia antes de viajar, passou mal e cancelou a viagem. Aí o Romboli começou a insistir para a gente jogar junto e falei “vamos lá, vamos jogar”. E eu fui para jogar um jogo, sei lá. Aí a primeira partida foi dura, mas ganhamos. U, dois, três, quatro jogos…

Não é preocupante para quem observa o tênis brasileiro quando um tenista de 46 entra em um Future e ganha? Ainda que seja uma chave de duplas e você tivesse um bom parceiro?
Eu acompanho os meus atletas, vejo como se joga, e eles talvez tenham grande vigor, mas não se joga legal, não se joga bem.

PabloAlbano_Itau_JoaoPires_blogVocê está falando de leitura de jogo?
Sim, sim, sim. Quando você consegue ter essa grande energia e aprender a jogar, saber jogar o jogo, utilizando as forças, a cabeça, o momento do jogo, aí que um jogador está apto a fazer bons resultados.

Muita coisa que é automática para você ainda não é para eles…
Sim. Eu fui aprendendo também. Na verdade, é de muito jogar, de jogar alto nível, que você vai sabendo por onde a situação vai. Para mim, ter jogado com o Romboli foi muito rico no sentido além do resultado. Eu obriguei ele a fazer coisas que ele não fazia. Por exemplo: sacar e volear. Eu falei: “Comigo, você vai sacar e volear. Se vira. Faz! Eu te ajudo na rede, mas se vira.” Aí o cara descobre que ele tem a capacidade de fazer isso.

E ele fez o torneio inteiro?
Fez. Quando ele ficava no fundo, eu dizia “você está fazendo o que aqui? Não estou entendendo.” Compartilhamos momentos que conversamos sobre pressão dentro da quadra. Para ele, deu uma clareada em algumas coisas. De como pensar, como agir. E eu aprendi também. Aprendi muito estando do lado de jogadores bons. Isso me surpreendia. Eu joguei um ano e meio com o (Alex) Corretja, quando ele estava 7 do mundo em simples. Ele queria melhorar seu jogo ofensivo. Eu era mais velho que ele sete, oito anos. Fora da quadra, ele era meio crianção, mas dentro da quadra a criança era eu. A cabeça dele funcionava de uma forma… Os caras como ele, internamente, sempre queriam mais, sempre iam para cima, atropelavam. O Guga me mostrou isso também. Quando ganhou seu primeiro Roland Garros, jogamos uma série de torneios indoor no fim do ano. O cara era isso: fazia 2/1, 3/1, 4/1… Atropelava. Então essas coisas a gente passa. É positivo.

E vai acontecer de novo?
Não sei (risos). Não programo, não sei. Sou sincero, muito claro. Jogar, posso jogar qualquer dia. Para eu poder competir, tenho que estar bem fisicamente. Meu objetivo é não me machucar. Conheço meus limites. Não me motiva entrar em um quali de um torneio. Fiz isso muitos anos. não é “vou lá, tentar…”. Passou. Eu sei da idade que tenho, sei até onde posso dar.

Você teve a curiosidade de ver o ranking?
Não vi, não vi (risos). Um dos meninos falou que eu estava 900, mil, coisa assim.

Novecentos e setenta e seis.
Isso, isso, isso. Para mim, foi engraçado, foi divertido.

Romboli_Albano_Belem_WanderRobertoInovafoto2_blog

E como você está vendo a volta do Romboli (Fernando Romboli foi flagrado em um antidoping e ficou fora do circuito por oito meses)?
Está boa. Ele sofreu, passou por momentos difíceis e está se fortalecendo interiormente. É o que ele mais precisa.

Ele me disse que amadureceu cinco anos naqueles oito meses…
Sim, porque é a minha grande luta com eles. Eu preciso que eles sintam, vivam isso de outra maneira. Eles têm que viver para isso.

Na minha conversa com o Julio Silva, ele disse que tem esse problema de fazer o garoto perceber que não é fácil. É a grande dificuldade de ser treinador?
Isso é uma coisa que, em primeiro lugar, os meninos têm que se espelhar em outras pessoas que estão nessa sintonia que estamos falando aqui. As pessoas que fazem a parte de formação têm que ir falando sobre isso. Não é pegar um menino de 16, 17 anos, e você explicar tudo isso em pouco tempo. Por isso, há muitos que você aperta, e o cara (gesticula demonstrando uma refugada)… É um ponto que é a luta do profissionalismo. Quando joguei com Romboli, foi muito bom. Puxamos para o mesmo lugar. É mostrar para eles, levando para treinar com gente melhor. Já levei eles para a Argentina, coloquei para treinar com gente boa. É mostrar o ritmo, e eles se entregarem. É por aí. Eu vejo muito que o que você está passando para ele bater na bolinha, para fazê-los jogar, é um aprendizado que vão levar para a vida toda. Em outras áreas. Todos os valores de responsabilidade, disciplina, força de vontade, tolerância, lidar com frustrações… Fora da quadra, lidamos com isso quase todo dia. A gente tem o intuito de fazer bons jogadores, mas formar pessoas. Vamos crescendo juntos.


“Era melhor que a minha casa”
Comentários 4

Alexandre Cossenza

JulioSilva_Itau_JoaoPires2_blog

São bem documentadas as dificuldades que Julio Silva enfrentou para construir uma bela carreira ao longo de 14 anos como tenista. Com pouco ou quase nenhum dinheiro durante a maior parte de sua vida profissional, e ainda vivendo alguns episódios como vítima de racismo, esteve entre os 150 melhores do mundo (144 foi seu melhor ranking), jogou Copa Davis, ganhou partidas em ATPs, furou qualifying de Grand Slam.

Sentei para conversar com Julio no último fim de semana, durante a etapa final do Itaú Masters Tour, e o papo seria mais sobre a vida de “aposentado”, família, o que tinha acelerado o fim da carreira, etc. e tal. Em um momento, ele me diz que não queria mais passar sufoco financeiro, e eu decido perguntar por que ele não parou antes. Por que não procurar outra atividade, algo menos sacrificante?

“Independente de onde eu estava, muitas vezes era melhor que a minha casa”, ele disse. Entrou uma faca imaginária no meu estômago. E consigo imaginá-la ainda hoje, girando enquanto escuto a gravação e digito este post. Julio não fala com mágoa, rancor, tristeza, nada disso. Explica com a maior naturalidade do mundo o que era estar em um circuito de gente com mais dinheiro, melhores condições de vida, maiores oportunidades de crescer na profissão do que ele.

No papo, que nem foi tão longo assim, Julio Silva fala de cartão de crédito engolido na Alemanha, de uma diarreia na Itália e da noite que passou em uma estação de trem em Paris. Tudo isso no ano em que furou o qualifying de Roland Garros. Histórias que hoje servem de exemplo na função de treinador. Leiam!

JulioSilva_JoaoPires_div_blog

Como está a vida pós-aposentadoria?
Parei de jogar este ano e comecei um trabalho em Araçatuba, na academia Tennis Pro Araçatuba. Eu estava ainda para jogar este ano, mas recebi um convite da academia. São cinco meninos que eu treino. Três deles jogam Futures (Rodrigo Perri, Luis Britto e Euler Fanton) e dois estão com 14 anos. Eles têm um futuro bom pela frente.

Na vida fora de quadra, mudou muito?
Mudou no estar com a família, né? Estar com a família, com a minha esposa, mudou bastante isso. Meu filho (Otávio) vai fazer dois anos agora. Isso foi um grande diferencial para mim. Muitas viagens, ficar longe… Agora tenho mais tempo com ele, com a minha esposa.

Como foi o ano passado para você? Foi o que te fez aposentar…
Não foi um ano bom. Passei um bom tempo machucado. Só comecei a ter confiança de novo nos três últimos torneios que joguei. Antes disso, eu estava 150 do mundo, aí machuquei e não conseguia fazer nada. Só tive confiança no fim do ano, em Porto Alegre. Ainda fiz mais um torneio e joguei bem, mas acabei perdendo para o Kavcic (6/4 e 7/6 no Challenger de São Leopoldo). Aí não teve torneio no começo deste ano (em 2013, só houve Futures no Brasil no segundo semestre), ficou difícil. A gente estava sem grana para viajar, não dava mais para ficar na loucura. Eu fiquei nessa loucura dois anos, né? De viajar sem dinheiro, “parceirando” passagem, economizando daqui e dali para jogar e viajar. Melhor garantir o meu e o da minha família. Deu, né? Gostar de jogar, todo mundo gosta, mas tem que pensar no lado positivo da coisa.

Todo mundo sabe da sua história, o quanto você se sacrificou para jogar. O que eu te pergunto hoje, e não é uma crítica – pelo contrário -, é por que você não parou antes? O que te manteve motivado esse tempo inteiro?
Quando eu comecei a jogar, uma das coisas que me motivava a estar viajando e jogando torneios era o diferencial de onde eu estava. Independente de onde eu estava, muitas vezes era melhor que a minha casa, que o bairro em que eu estava. Eu vim da favela (Rui Barbosa, em Jundiaí). Hoje não se diz que é favela, mas quando eu morava, estava começando no tênis, era uma viela. Eu morei em barraco. Normalmente eu não ficava em hotel oficial quando viajava. Era pousada, mas mesmo assim era melhor. Eu gostava de treinar porque as pessoas estavam me dando uma oportunidade e eu tinha que agarrar. Algumas pessoas do clube me davam passagem, compravam raquete, tênis, “então vou aproveitar essa oportunidade que estão me dando e vou tentar chegar no meu máximo”. Eu via um futuro melhor para mim nos torneios. E a gente tem sempre aquele sonho de tentar chegar. Eu tive duas chances na minha vida de chegar no top 100, mas uma vez tive uma fratura por estresse no cotovelo, a outra foi por causa do joelho. Eu queria estar entre os 100 do mundo porque eu sentia que tinha potencial para estar ali. Até porque são vários jogadores que eu já ganhei que entraram entre os 100.

JulioSilva_ProAm_JoaoPires_blog

O Rogerinho tem várias histórias de viajar sem grana para voltar, de ficar sem tênis no meio de torneio… Você também passou por esses apertos, não?
Tudo!

Conta uma…
A história que você deve conhecer é a de Paris (em 2006). Eu iria para a Europa, e o Emerson Lima (técnico da Julio na época) falou “Julinho, queria ir com você, acho que vai ser uma experiência legal.” Eu falei “só não tenho dinheiro.” Ele disse “eu consigo pagar algumas coisas do meu bolso. Consigo a passagem e depois a gente vai se virando…”, então beleza. Na primeira semana, me deu diarreia na Itália. Eu estava com uns 700 euros, ele com mais uns 500. Na primeira semana, acabou o dinheiro. A gente tinha que ficar mais oito na Europa. Dali, a gente foi jogar um ATP em Munique. Eu joguei o quali e perdi na última, só que acabei entrando de lucky loser. Pedi para o diretor um adiantamento porque eu precisava jogar dois ou três torneios antes de Paris. Ele disse que não podia. Eu estava com o cartão de crédito e ia entrar um dinheiro na minha conta porque eu tinha ido bem em Florianópolis. Fui tentar passar o cartão, a máquina engoliu o cartão. Ali, bateu o desespero. “Nossa, segunda semana e já vou ter que voltar!” Cheguei no hotel arrasado. Conversei com o pessoal da ATP e me mandaram falar com o diretor do torneio de novo. Falei, expliquei o que aconteceu… Ele perguntou “de onde você é?”, e eu disse que sou de Jundiaí. “De Jundiaí?”. Ele era amigão de um amigão meu e disse “passa lá amanhã que vou te dar o dinheiro.” Peguei o dinheiro desse torneio (US$ 3.650) e dali fiquei mais uma semana na Itália, joguei mais um torneio, comprei as passagens para Paris e não tinha mais dinheiro para ficar em hotel. Dormi uma noite na estação de trem. A gente pegando aqueles voos baratos, vestindo três calças e três blusas pra não dar excesso de bagagem, escondendo as raqueteiras no canto para passar uma mala só… E foi quando eu tive a felicidade de passar o quali de Roland Garros. Aconteceu tudo isso aí nesse ano! Tudo nesse ano…

E o quali de Roland Garros pagava quanto? Uns 15 mil euros?
Quinze mil euros! (abrindo o sorriso) Pagou a viagem toda, voltamos com dinheiro no bolso, depois fui bem nos outros torneios, depois ganhei uma rodada no quali de Wimbledon, quer dizer… O negócio tomou outra proporção. Para quem não tinha nada para voltar, passei o quali e foi impressionante.

E isso tranquilizou financeiramente por quanto tempo?
Ajudou bastante o ano todo. Fica muito mais fácil. Depois desse ano, eu ganhei um patrocínio da Top Spin e Big Ball, em São Bernardo, onde eu treinava, aí me ajudou muito. Eu podia viajar com o Emerson tranquilo. Eu tive um ano de patrocínio deles.

JulioSilva_Itau_JoaoPires_blog

O quanto disso tudo você usa hoje, como técnico?
Para alguns garotos eu tenho a necessidade de contar essas histórias porque a molecada hoje tem tudo. Eu estava falando com um menino que eu treino… Ele disse “pô, tô cansado, não consigo, escola, treino, não sei o que…”. Eu falei assim: “O que você faz? Quem te leva para a escola?” “Minha mãe.” “Quem te busca?” “Minha mãe.” “Quando você chega em casa, que que tem?” “Minha mãe faz a comida.” “E à tarde, quem te traz?” “Meu pai.” “Quem vem te buscar? O que você faz depois?” “Vou para casa e estudo.” Eu digo “meu, você não faz nada. Eu, quando tinha sua idade, pegava minha bicicleta às 5h30min da manhã, ia pegar bola, ficava no clube muitas vezes sem dinheiro e comia goiaba para passar a fome, à tarde rebatia e à noite ia para a escola. Você tem tudo isso, estuda em colégio particular, seu pai te traz, investe dinheiro em você e você fala que está cansado para treinar? Pelo amor de deus, mexe as pernas, começar a correr, dá algo a mais!” Às vezes, tem a necessidade de contar uma história assim. É para dar uma incentivada, não para humilhar. Com o potencial que eles têm, se conseguir reverter isso com mais raça dentro da quadra, não tem como dar errado.

É difícil estar do outro lado da quadra?
Olha, é difícil, mas é uma coisa gostosa. Eu gosto bastante. Procuro impor regras, que acho que é legal para os meninos, especialmente na fase de aprendizado. É importante valorizar o treino, as condições que eles têm. Estou gostando! Eu quero, se puder, ir bem mais longe como treinador.

A parte mais complicada é fazer eles perceberem que é duro, que ser tenista não é tão fácil quanto parece vendo o Federer batendo bonito na bola?
É, isso é uma parte bastante difícil. Outra parte muito difícil, que eu acho, são os pais. Alguns pais interferem muito. Ficam olhando o Federer, o Djokovic, esses caras top na internet e acham que o filho tem que fazer como eles fazem. Só que não é assim. Tênis é um processo, é uma coisa demorada, é dia após dia. Cada um tem seu estilo. Não é porque um chegou daquele jeito que você tem que seguir o mesmo jeito daquela pessoa. Cada um tem seu estilo. Os pais, de vez em quando, pisam um pouco na bola.

E como vem sendo a vida de “veterano”, jogando torneio de exibição?
O primeiro que eu joguei foi em Curitiba. Para mim, foi muito novo. Eu nem sabia como jogar. Tinha acabado de parar, então todo mundo botava pressão, “vai levar o troféu…”. Rola essa descontração entre veteranos. O pessoal dizia “chegou o campeão, pode dar o troféu para ele”. Aí tomei um ferro na primeira rodada lá (risos). Agora já acostumei com isso, já levo na brincadeira. Entro na quadra e jogo sério. Se ganhar, legal. Se não, vou para casa feliz porque este circuito que eles fazem aqui é impressionante. Já falei para o Neco (Nelson Aerts) e para o Danilo (Marcelino), não deveria ter cinco por ano, deveria ter um a cada mês!


Preservando e celebrando a história
Comentários 1

Alexandre Cossenza

RicardoMello_ItauMastersTour_JoaoPires_blog

Um dos eventos mais legais e mais subestimados do tênis brasileiro é o Itaú Masters Tour. O circuito, que reúne um bocado de gente relevante para a modalidade no passado e no presente, já existe desde 2003 (levava o nome de Citibank Masters Tour até 2011), colocando em quadra campeões brasileiros, finalistas de ATPs e representantes do país em Olimpíadas, Pan-Americanos, Copas Davis e Fed Cups.

O evento nunca atraiu atenção maciça da imprensa, a não ser quando teve um ou outro convidado internacional, como o espanhol Emilio Sánchez ou o equatoriano Andres Gomez. Os jogos, todos de duplas, nem sempre são espetaculares para o grande público ou boa parte dos jornalistas. No entanto, quem conhece e gosta de tênis sabe o quanto é bonito ver gente como Thomaz Koch, com mais de 60 anos, e Marcelo Saliola, um dos fenômenos juvenis do passado, batendo na bola.

Vieira_Tella_Itau_JoaoPires_blog

Não é só isso. Tanto nas etapas “normais” (Curitiba, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo) quanto na final, disputada em Angra dos Reis, o evento é sempre muito mais do que um torneio. Qualquer um que vá ao clube pode bater papo com qualquer um dos veteranos. Só neste ano, o Masters Tour teve nomes como Ricardo Mello, o campeão (vide foto acima), Julio Silva, Márcio Carlsson, Marcelo Saliola, Givaldo Barbosa, Alexandre Simoni, Julio Góes, Ricardo Acioly e Jaime Oncins. Cada um deles tem um monte de história boa para contar.

E se você tiver a sorte de ser um dos convidados para o Pro-Am, pode bater uma bola ao lado de Thomaz Koch, Marcos Daniel, Mauro Menezes ou qualquer outro tenista do elenco de nomes famosos que fazem parte do circuito.

Mais importante do que tudo que já escrevi, talvez, seja a chama que segue acesa no circuito. Cada uma das etapas do Itaú Masters Tour é, no fundo, uma celebração e uma homenagem a tanta gente que fez e continua fazendo um bocado de coisas bacanas pelo tênis brasileiro – e isto inclui o circuito feminino, que tem Andréa Vieira, Patrícia Medrado, Carla Tiene, e Luciana Tella, entre outras.

Em um país que lembra tão pouco de seus tão poucos ídolos, é bacana saber – e lembrar disto a cada etapa do Masters Tour – que há quem preserve e propague a história da modalidade.

Coisas que eu acho que acho:

– Estive em Angra dos Reis para a etapa final e volto de lá com duas histórias legais. Uma entrevista pós-aposentadoria com Júlio Silva e um papo com Pablo Albano, que, aos 46 anos, conquistou um título de Challenger e, depois de mais de dez anos, voltou a figurar no ranking mundial. Ao longo da semana, os textos aparecerão aqui no Saque e Voleio.

– Continuo juntando perguntas boas para a primeira edição do P&R (Perguntas & Respostas) aqui no UOL. Quem tiver uma polêmica a levantar, um debate a iniciar ou uma dúvida para tirar, basta escrever para o meu e-mail. O link está na barra da direita do blog, na aba “sobre o autor”.

Volandri_CHFinals_WilliamLucasInovafoto_blog

Sem ir na toalha (para ler em até 25 segundos):

– Ricardo Mello foi o campeão do Itaú Masters Tour 2013. Na final da etapa de Angra, ele e Márcio Carlsson derrotaram Adriano Ferreira e Roberto Jábali por 6/3 e 6/2. No circuito feminino, o troféu ficou com Luciana Tella, que também venceu a última etapa. Ela e Andréa Vieira superaram Carla Tiene e Sumara Passos por 6/3 e 6/4 na manhã de sábado.

– No Challenger Finals, em São Paulo, o italiano Filippo Volandri foi campeão ao vencer a final contra o colombiano Alejandro González por 4/6, 6/4 e 6/2. Guilherme Clezar, convidado do torneio e tenista empresariado pela promotora, terminou sua participação com uma vitória e duas derrotas, sem conseguir uma vaga para as semifinais. O gaúcho de 20 anos, número 156 do mundo, ganhou três posições na última semana e agora ocupa o melhor ranking da carreira.

– No Challenger de Lima, com premiação de US$ 50 mil, Ricardo Hocevar foi o melhor brasileiro e alcançou a semifinal de simples. Marcelo Demoliner, André Ghem e Fernando Romboli caíram na estreia. Thales Turini parou na segunda rodada, depois de superar Jorge Aguilar.

– Na chave de duplas do torneio peruano, Fernando Romboli foi campeão ao lado do argentino Andres Molteni. Na final, eles aplicaram 6/4 e 6/4 em cima de Marcelo Demoliner e do peruano Sergio Galdos.

– No Challenger de Toyota, no Japão, Tiago Fernandes voltou a perder em um qualifying. Desta vez, o alagoano precisou jogar rodada dupla e foi eliminado na segunda fase. Tiago, atual número 544 do mundo, volta da Ásia com duas vitórias e quatro reveses – e sem furar nenhum quali.


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>