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Fora do Australian Open, Murray toma caminho cauteloso

Alexandre Cossenza

29/12/2019 15h07

Se há quem diga que Andy Murray colocou seu corpo em risco ao tentar voltar a jogar tênis em alto nível – e o próprio britânico admite isso – é preciso reconhecer que o ex-número 1 do mundo adotou o caminho da cautela ao decidir não disputar o Australian Open de 2020.

Depois de uma complicada segunda cirurgia no quadril, Murray fez um retorno com resultados bastante animadores. Venceu o ATP 500 de Queen's nas duplas logo em seu primeiro torneio, fez uma campanha digna nas mistas ao lado de Serena Williams em Wimbledon e, nas simples, evoluiu lentamente, mas com regularidade. O ápice foi o título do ATP 250 da Antuérpia, que veio com um triunfo sobre Stan Wawrinka na decisão.

Em novembro, porém, Murray começou a sentir dores no púbis. Na Copa Davis, participou apenas do primeiro confronto da Grã-Bretanha. Em seguida, deixou de viajar para Miami, onde faria seus treinos de pré-temporada. Agora, finalmente, veio o anúncio de que o Australian Open está fora dos planos.

"Infelizmente, tive um contratempo e, como precaução, preciso trabalhar nisso antes de competir. Trabalhei tanto para me colocar em uma posição onde posso jogar em alto nível e estou arrasado por não poder jogar", diz o comunicado do britânico.

A decisão faz todo sentido do mundo. Em 2019, Murray não competiu em nenhum torneio de simples em melhor de cinco sets. O Australian Open seria seu primeiro grande teste – e que viria após uma pré-temporada. Sem o período de preparação nas férias, é completamente compreensível que o escocês retarde seu retorno. O plano agora é voltar no ATP 250 de Montpellier, na França, em fevereiro.

Obviamente, seria fantástico vê-lo em Melbourne. Seria o fechamento de um ciclo que começou na própria Austrália. Foi lá que Murray deu uma coletiva emocionante, admitindo que o fim estava próximo. Foi lá que ele, claramente combalido, fez uma partidaça de cinco sets contra Roberto Bautista Agut. Foi lá, ainda, que ele decidiu passar por uma segunda cirurgia e tentar voltar a competir. Um retorno a Melbourne seria igualmente comovente.

No entanto, se existe uma chance de seguir competindo e de voltar a Melbourne em 2021 e, quem sabem, além disso, ausentar-se agora para tratar uma lesão menos grave faz todo sentido do mundo. Murray faz muito bem ao evitar agravar outro problema. Que sua presença no Australian Open de 2021 seja ainda mais bacana do que teria sido a deste ano.

Coisas que eu acho que acho:

– O problema no púbis, diante de tudo que Murray enfrentou para voltar ao circuito, parece pequeno. E realmente é minúsculo se for realmente essa a questão retardando seu retorno.

– A última coisa que tenistas se recuperando de lesões sérias querem é falar sobre as lesões. Na história do tênis, há casos e casos de atletas que adiam o momento ao máximo – até o ponto em que isso é inevitável. O próprio documentário de Andy Murray mostra um momento assim. Torçamos para que a lesão no púbis seja, de fato, apenas uma lesão no púbis.

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Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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