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Do pior Rafa, flashes do melhor Rafa

Alexandre Cossenza

14/11/2019 04h00

A rodada de quarta-feira do ATP Finals teve o jogo mais "louco" do torneio até agora: a vitória de Rafael Nadal sobre Daniil Medvedev por 6/7(3), 6/3 e 7/6(4). Foi uma reedição da final do US Open, sem o altíssimo nível daquele domingo nova-iorquino, mas com o tempero de uma virada improvável. Depois de salvar break points sacando em 0/4 no terceiro set e de salvar um match point quando sacava em 1/5, Nadal arrancou para o triunfo vencendo 21 dos 26 pontos seguintes enquanto o bonde de Medvedev descarrilava e se transformava em abóbora mais rápido do que um feitiço de Dia das Bruxas.

Não foi um tênis espetacular de Rafa. Foi, porém, um momento espetacular de Rafa. O espanhol, é bom que se diga, vinha fazendo um terceiro set pavoroso. Cometeu erros demais e de todo tipo. Slices para fora, madeiradas de forehand, bolas longas, ao lado, na rede, etc. Quando o placar mostrava 1/5, um frustrado Nadal parecia até apressado para encerrar o game e cumprimentar o adversário junto à rede.

De repente, o jogo mudou. Medvedev desandou a errar. Menos por mérito de Nadal do que por seus próprios fantasmas, o russo perdeu o controle do jogo. Entre erros não forçados e sorrisos e "joinhas" irônicos direcionados a seu estafe, o vice-campeão do US Open foi vendo – e ouvindo – a coisa mudar. A cada falha, o volume da torcida aumentava. Não que a O2 estivesse lotada. Havia muitos assentos vazios por lá. Mas eu divago. O momento mudou. O público percebeu, Medvedev percebeu e, para drama do russo, Nadal percebeu.

E é aí que Nadal merece aplausos. Em uma tarde nada memorável, encontrou uma maneira de não perder. No dia em que ficava óbvio o Rafa sem ritmo, descalibrado e frustrado, brilhou o Rafa que encontra soluções e que, dentro do tecnicamente possível, exige o máximo do adversário. O número 1 do mundo, então, parou de errar e colocou a bola em jogo o quanto pôde. Viu Medvedev errar, errar e errar até fazer 6/5.

O russo ainda tirou uma meia dúzia de saques espetaculares depois que o placar mostrava 5/6 e 0/30. Forçou o tie-break e até equilibrou o game de desempate. Só no saque. Ralis? Perdeu todos, inclusive os primeiros no seu serviço, que só aconteceram no 4/5. E foi com esses dois pontos – mais duas falhas de Medvedev – que Nadal fechou a partida e se manteve com chances no ATP Finals. Palmas para o número 1.

Nadal não depende só de si

Como Stefanos Tsitsipas venceu Alexander Zverev por 6/3 e 6/2 no segundo jogo do dia, garantindo sua classificação, todos seguem com chances de avançar. O grego já está classificado, e Zverev só precisa vencer Medvedev para alcançar as semis. Para espanhol e russo, a coisa é menos simples.

1. Para avançar, Nadal precisa superar Tsitsipas e contar com uma vitória de Medvedev sobre Zverev. Assim, o espanhol avançaria em primeiro lugar no grupo. Se Zverev triunfar, acontece empate triplo. Nesse caso, Tsitsipas avança em primeiro (levaria a melhor na % de sets vencidos) e Zverev ganha o desempate com Nadal pelo segundo lugar por causa do confronto direto.

2. Para Medvedev, é necessário vencer Zverev em sets diretos e contar com uma vitória de Tsitsipas sobre Nadal. Isso forçaria um empate triplo entre russo, alemão e espanhol, e Daniil avançaria por ter maior porcentagem de sets vencidos – primeiro critério de desempate.

Número 1: Djokovic só depende de si

Quando o assunto é a briga pela liderança do ranking, a combinação de resultados desta quarta-feira, mesmo com a vitória de Nadal, faz com que Djokovic dependa apenas de seus resultados para sair de Londres como número 1 do mundo. Se for campeão, volta ao topo. É simples assim.

Isso acontece porque, embora Nadal ainda tenha chances matemáticas de fazer um número suficiente de pontos para se manter na liderança, a única possibilidade de o espanhol avançar às semis será como primeiro de seu grupo. E, se isso acontecer, ele e Nole duelarão por uma vaga na final. Djokovic, então, pode bater bater Nadal antes da decisão.

Vale lembrar, ainda, que o jogão de hoje entre Federer e Djokovic, vale o segundo lugar do grupo. Thiem já está classificado em primeiro. Além disso, um triunfo de Federer garante Rafa como número 1 do mundo até 2020.

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Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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