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Derrota de Federer abre possibilidade para jogo de 'vida ou morte' contra Djokovic

Alexandre Cossenza

11/11/2019 04h00

O ATP Finals começou neste domingo com uma belíssima atuação de Novak Djokovic, que fez 6/2 e 6/1 em cima do italiano Matteo Berrettini, atual número 8 do mundo. Foi uma partida em que ficaram nítidas tanto a superioridade do sérvio quanto sua determinação a terminar o ano como número 1 do mundo, ultrapassando Rafael Nadal.

Nole foi sólido, errou pouquíssimo (só três erros não forçados no primeiro set e oito no total, contra 28 do italiano) e fez uma leitura perfeita da partida, deixando Berrettini mais frustrado a cada rali em que ele distribuía pancadas, mas não conseguia fazer o adversário veterano.

O grande resultado do dia, contudo, foi a vitória de Dominic Thiem sobre Roger Federer: 7/5 e 7/5. Foi o terceiro triunfo do austríaco sobre o suíço apenas este ano, e cada um em um tipo de condição. Primeiro, na quadra dura de Indian Wells. Depois, no saibro de Madri. Agora, na quadra dura indoor de Londres.

Não foi lá o dia dos sonhos de Federer, mas Thiem teve um bocado a ver com isso. O austríaco, aliás, tem um pacote interessante para encarar Roger. Sua esquerda anda mais do que de Federer e seu saque incomoda o suficiente. Além disso, Thiem defende-se como poucos (para mim, sua qualidade mais subestimada) e não se intimida quando vê o suíço subindo à rede.

O duplo 7/5 deste domingo, porém, teve mais a ver com a capacidade de Thiem vencer os "pontos grandes", fosse aproveitando os erros de Federer para converter break points ou vencendo pontos bonitos quando teve seu saque ameaçado.

O mais interessante da vitória de Thiem é que ela abre uma janela para um duelo cheio de drama entre Djokovic e Federer na quinta-feira. Com resultados "normais", sérvio e suíço chegariam ao seu duelo já classificados, ambos com duas vitórias. Agora Roger tem sua classificação ameaçada e vê a necessidade de vencer seus dois próximos jogos para não depender de nenhuma combinação de resultados.

Os cenários

O que pode acontecer? Consideremos que Federer confirme o favoritismo e derrote Berrettini na terça. Há, então, duas possibilidades:

1) Djokovic derrota Thiem, chega à quinta-feira com 2v e 0d, enquanto o austríaco terá 1v e 1d, assim como Federer. O suíço terá de vencer o sérvio para fazer 2v e 1d, empatando com Djokovic (2v e 1d) e mantendo-se com chances de avançar – o que vai depender da campanha de Thiem. Se Dominic bater Berrettini, também fica com 2v e 1d. Em caso de empate triplo, avança quem tiver melhor porcentagem de sets vencidos.

2) Thiem derrota Djokovic, segue invicto (2v e 0d) e garante a classificação. Neste caso, Federer e Djokovic (1v e 1d cada) jogam "pela vida" na quinta-feira. Quem vencer fica com 2v e 1d e se classifica junto com Dominic Thiem.

Consideremos também a hipótese (menos provável) de que Federer saia derrotado do jogo contra Berrettini. Se isso acontecer:

1) Djokovic derrota Thiem e se classifica (2v e 0d). Berrettini (1v e 1d) e Thiem (1v e 1d) chegam à quinta-feira com chances e fazem um confronto direto pela vaga. Federer estará eliminado.

2) Thiem bate Djokovic e se classifica (2v e 0d). Federer (0v e 2d), então, precisará bater Djokovic (1v e 1d) para manter suas chances. Com um triunfo, o suíço se igualaria ao sérvio (1v e 2d) e ambos teriam chances se Berrettini (1v e 2d) perder de Thiem (3v e 0d). A vaga, assim, será decidida na porcentagem de sets vencidos.

Por que isso é ruim para Djokovic

Para terminar o ano como #1 do mundo, Novak Djokovic precisa tirar a diferença de 640 pontos que atualmente existe a favor de Rafael Nadal. Logo, qualquer partida na fase de grupos, com a vitória valendo 200 pontos, é mais do que valiosa. Enfrentar um Roger Federer precisando vencer para avançar não é o melhor dos cenários para o sérvio.

Não se sabe ainda se Rafael Nadal, tentando recuperar-se de uma lesão no abdômen, vai entrar em quadra nesta segunda-feira. Caso o espanhol fique fora, Nole precisa pelo menos ir à final vencendo dois jogos na fase de grupos. Se somar apenas um triunfo no round robin, Djokovic terá que ser campeão para ultrapassar Nadal.

Caso Rafa dispute o torneio, os cenários são muitos. No mais duro deles, para terminar como #1, Djokovic teria que ser campeão e contar com pelo menos uma derrota do espanhol antes da final.

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Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.

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