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4 coisas que Bianca Andreescu precisa fazer para derrotar Serena Williams

Alexandre Cossenza

07/09/2019 04h00

A jovem canadense Bianca Andreescu, de 19 anos, é uma das histórias felizes do tênis feminino em 2019. Fora do top 100 no começo da temporada, a adolescente espantou o mundo quando conquistou o título do Premier de Indian Wells, um dos torneios mais importantes do circuito, acumulando vitórias sobre Garbiñe Muguruza, Elina Svitolina e Angelique Kerber.

Após um período afastada das competições por causa de lesão, a canadense reencontrou seu tênis no segundo semestre. Há cerca de um mês, foi campeã do WTA de Toronto, em um jogo que seria uma prévia da decisão do US Open. Naquele dia, porém, Serena Williams sentiu dores nas costas e abandonou ainda na metade do primeiro set (a desistência rendeu uma bela cena entre as duas, com a jovem abraçando a veterana – veja abaixo).

Desde então, Andreescu não perdeu mais. No US Open, bateu, em sequência, Caroline Wozniacki, Taylor Townsend, Elise Mertens e Belinda Bencic. Neste sábado, a partir das 17h (de Brasília), colocará à prova seu tênis versátil contra uma das maiores tenistas da história e que pisará no Estádio Arthur Ashe com a torcida a seu lado e no embalo de uma grande campanha. Para chegar à final, Serena atropelou nomes como Maria Sharapova (6/1 e 6/1) e Elina Svitolina (6/3 e 6/1).

Embora tenha perdido suas últimas três finais de slam (Wimbledon/2018, US Open/2019 e Wimbledon/2019), Serena será a favorita, mas Andreescu tem recursos para dar trabalho à veterana. Não será uma tarefa simples, mas alguns elementos serão chave para que ela tenha chances neste sábado.

1. Defesa

Se há uma coisa em comum nas três finais de slam que Serena Williams perdeu desde que voltou da gravidez, no ano passado, esse elemento é a capacidade defensiva das rivais. Foi assim que Kerber e Halep desestabilizaram Serena em Wimbledon e, mesmo que Osaka não seja conhecida por se defender tão bem, a velocidade da japonesa praticamente anulou as pancadas da americana na final do US Open do ano passado.

Andreescu também não é conhecida por sua capacidade defensiva, mas tem velocidade suficiente para recolocar muitas bolas em jogo. Mais do que isso: a canadense tem recursos e pode devolver essas bolas tanto com spin e altura quanto com slices. Contra uma Serena que vem se mostrando afiadíssima desde o início do torneio, exigir que a americana ataque algumas bolas a mais – e, consequentemente, corra mais riscos – será essencial.

2. Saque

Dá para dizer isso de qualquer tenista em qualquer partida. Sacar bem é o primeiro passo para qualquer conquista grande. Só que no caso de Andreescu, que vai enfrentar uma das melhores devolvedoras da história, colocar o primeiro saque em jogo e anular o ataque de Serena logo na primeira bola será crucial. A americana não gosta de passar tanto tempo correndo atrás da bola, e é justamente isso que Andreescu tem que fazer ao encaixar bons saques: tomar a dianteira dos ralis e agredir sempre primeiro.

Quanto mais jogar com o segundo serviço, mais Andreescu dará à veterana a chance de controlar os pontos. Falar é consideravelmente mais fácil do que fazer, mas quando é Serena do outro lado da rede, tudo é um pouco mais complicado – inclusive executar o único golpe no qual o tenista tem total controle das ações.

3. Devoluções

Aqui talvez esteja o maior desafio para Andreescu na partida. Em todo o torneio até agora, Serena só foi quebrada três vezes em 54 games de saque. No papel, isso significa 94,4% de serviços confirmados. Na prática, vale muito mais. A confiança que vem com o saque continua nos games de devolução porque, ao confirmar sem drama, a veterana pode arriscar mais, colocando mais pressão ainda na adversária – e Andreescu já foi quebrada 14 vezes no torneio (confirmou em 79,4% dos games).

A canadense precisa colocar mais bolas em jogo e dar mais trabalho a Serena com sua devolução. Isso, como dito acima, mexeria com toda a equação, afetando também os retornos da ex-número 1. Se não conseguir encaixar as devoluções, Andreescu pode ter uma tarde desagradavelmente curta no Ashe.

4. Nervos

Ainda que consiga executar um plano de jogo com tudo relatado acima, Andreescu precisa controlar os nervos – algo que Osaka fez gloriosamente bem na final do ano passado. E fechar uma final de US Open contra Serena Williams em sua primeira decisão de slam na vida é bem mais complicado do que sacar pelo título de Indian Wells ou vencer um terceiro set qualquer (e Andreescu venceu 17 das 20 partidas de três sets que jogou este ano!).

Será?

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Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.