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Saque e Voleio

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Djokovic atrasa treino e bate boca com torcedor, mas joga bem e marca duelo com Wawrinka no US Open

Alexandre Cossenza

30/08/2019 23h27

Novak Djokovic deixou Flushing Meadows dois dias atrás queixando-se de dores no ombro esquerdo, prometendo consultar médicos e fazer todo tipo de tratamento necessário. Chegou até a brincar dizendo que deixaria o ombro congelado por 48 horas até a próxima partida no US Open. O dia chegou, e o número 1 do mundo atrasou seu treino pré-jogo, o que aumentou as especulações sobre uma possível desistência.

Seu aquecimento, já na noite nova-iorquina, começou em um horário mais tarde do que o habitual e foi acompanhado atentamente por imprensa e fãs. Além disso, Nole bateu boca com um fã que o incomodava e terminou a conversa prometendo "Vou te encontrar. Pode acreditar, eu vou te encontrar." Depois disso tudo, o número 1 foi para o jogo mantendo o mistério. Na entrevista pré-jogo, questionado sobre o ombro, disse apenas "Estou aqui, estou me dando uma chance e acho que vai estar bem."

Quando a primeira bola entrou em jogo, porém, Djokovic se mostrou em grande forma. Abriu o jogo com um ace, foi sólido como quase sempre e deu poucas chances para a vítima da noite, o americano Denis Kudla, 27 anos, #111 do mundo. Nole triunfou por 6/3, 6/4 e 6/2 e marcou um interessante encontro com Stan Wawrinka nas oitavas de final. A última vez que eles se enfrentaram foi na final do US Open de 2016, e o suíço venceu em quatro sets.

Início para apagar dúvidas

Djokovic começou o jogo com um ace e confirmou seu primeiro game com ótimos saques. Se havia dor, era imperceptível, e a única mudança no jogo do sérvio, ainda que sutil, era um número maior de slices. Nada que atrapalhasse. Já no quarto game, Nole venceu um rali e, junto à rede, conseguiu a primeira quebra de saque do jogo. Kudla só teve chance no sétimo game, com dois break points. Djokovic, contudo, se salvou com uma esquerda vencedora na cruzada e um ace. Depois, manteve a vantagem até fechar a parcial em 6/3.

Kudla fazia uma boa apresentação e tentava, sempre que possível, atacar o sérvio. A tarefa não é das mais fáceis, mas o americano lutava e oferecia alguma resistência. O tenista da casa ainda salvou dois break points no terceiro game do segundo set, mas acabou quebrado no serviço seguinte. Djokovic, por sua vez, cuidava bem de deus games de saque e vencia 70% dos pontos com o segundo serviço. Assim como no primeiro set, Kudla conquistou dois break point e, novamente, o #1 se safou e fechou a parcial, desta vez por 6/4.

A partida era de alto nível, mas Djokovic sempre tinha uma resposta para as grandes jogadas de Kudla. O terceiro set já começou com uma quebra de saque e o sérvio à frente. O duelo seguiu interessante até o fim, mas mais pela participação do público, que se dividia entre o tenista local e o multicampeão, do que pelo equilíbrio dentro de quadra. Quando Nole quebrou o rival novamente no sétimo game, selou, na prática, a vitória.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.