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Wimbledon 2019: favoritas, zebras, melhores jogos e como acompanhar a chave feminina

Alexandre Cossenza

30/06/2019 23h50

Com uma nova número 1 em Ashleigh Barty, o circuito feminino chega a Wimbledon com um panorama muito diferente do masculino. Enquanto na ATP apenas quatro tenistas – justamente os quatro do Big Four – conquistaram o slam da grama desde 2003, na WTA houve cinco campeãs só nesta década (oito torneios).

O evento deste ano começa com o mesmo ar de imprevisibilidade e muitos nomes com chances de levantar o prato de campeã no segundo sábado. O sorteio da chave deixou as coisas ainda mais quentes ao criar um "grupo da morte" com várias dessas candidatas ao título. É pra ajudar a mostrar quem é quem neste período pré-Wimbledon que publico mais uma vez o tradicional "guiazão" do Saque e Voleio. É hora de tentar destrinchar a chave e ver quem são as favoritas, quem corre por fora e quem pode sair de Wimbledon com o posto de número 1 do mundo. Role a página e fique por dentro!

A "campeã" do sorteio

Não é por acaso que Karolina Pliskova é a segunda favorita nas casas de apostas. Além da ótima temporada que vem fazendo, com títulos nos três pisos, a tcheca tem um jogo que funciona bem na grama e acabou de conquistar o forte torneio de Eastbourne. Para melhorar a situação, o sorteio lhe foi muito favorável, jogando gente como Barty, Muguruza, Serena, Kvitova e Kerber do outro lado da chave.

O caminho menos espinhoso de Pliskova tem Zhu na estreia, Puig/Schmiedlova na segunda rodada e Hsieh/Ostapenko na terceira. Se chegar às oitavas, a tcheca, cabeça 3 do torneio, vai encarar a vencedora da seção de Vondrousova e Kontaveit. Nas quartas, as rivais mais bem ranqueadas são Svitolina, Sevastova, Martic e Sakkari. Por fim, na semi, Pliskova enfrentaria a "campeã" do quadrante que tem Osaka e Halep., além de Sabalenka e Wozniacki. É fácil entender por que Pliskova se deu bem aqui.

O grande porém é que Karolina, por algum motivo, mesmo capaz de vencer jogos grandes na grama, nunca passou das oitavas em Wimbledon. Será interessante ver se o histórico jogará mentalmente contra, além, é claro, do pouco tempo de treino no próprio All England Club, já que Pliskova jogou a final de Eastbourne neste sábado.

O grupo da morte

Atenção porque apenas uma das seguintes tenistas vai estar nas semifinais de Wimbledon – todas estão no mesmo quadrante: Ashleigh Barty, Garbiñe Muguruza, Belinda Bencic, Serena Williams, Julia Goerges, Carla Suárez Navarro, Maria Sharapova e Angelique Kerber. É o "grupo da morte", apelido que vem do futebol em tempos de Copa do Mundo.

Entre as muitas possibilidades de duelos "quentes" acontecendo precocemente, existe a chance de Serena e Kerber, que fizeram a final do ano passado, se encontrarem nas oitavas. Não é só isso. Barty pode encarar Kuznetsova na segunda rodada e Muguruza na terceira; Sharapova pode duelar com CSN na segunda rodada e Kerber na terceira; e quem vencer o jogo de primeira fase entre Bencic e Pavlyuchenkova pode ter Kanepi pela frente na sequência. Não é mole, não.

A favorita aqui, pelo menos no papel, precisa ser Serena Williams. Não só pelo histórico de sete títulos no All England Club, mas porque a americana parece estar recuperada da lesão no joelho que a incomodava até Roland Garros. Pelo menos foi isso que disse seu técnico Patrick Mouratoglou em entrevista recente (é sempre ele a revelar os problemas físicos de Serena).

O que esperar de Ashleigh Barty

Ela vem de 12 vitórias seguidas – Roland Garros + Birmingham – e acaba de assumir a primeira posição do ranking mundial. Ashleigh Barty, 23 anos, não é nenhuma menina deslumbrada, mas mesmo assim é justo que imaginemos o quanto o sucesso recente e a maior atenção da imprensa vão afetar o desempenho da australiana na grama do All England Club.

Se a fase tenística não poderia ser melhor, a chave – pelo menos no papel – coloca desafios enormes para Ash. Para chegar à final, ela pode ter que derrubar, em sequência, Zheng, Kuznetsova, Muguruza, Bencic, Serena e Kvitova. Não é exatamente a melhor das estreias como cabeça 1 de um slam. Apesar de seu potencial, será um tanto admirável se Barty, que foi campeã juvenil de Wimbledon, passar por essa chave e alcançar a decisão (a não ser que algumas dessas possíveis adversárias fiquem pelo caminho antes de encontrá-la).

Kvitova deve sofrer, Bertens chega forte

Enquanto todos vão estar de olho nesse grupo da morte, o quadrante de Petra Kvitova vai ficar meio de lado. Não quer dizer, contudo, que a vida da bicampeã de Wimbledon será mais tranquila. Ela pode ter de lidar com os bons saques de Mladenovic na segunda rodada, os golpes precisos de Anisimova na terceira, Stephens ou Konta nas oitavas e Bertens nas quartas. Vale lembrar que Kvitova não joga desde Roma por causa de uma lesão no braço esquerdo, o que joga contra suas pretensões. Kiki Bertens, cabeça 4, tem uma chave mais acessível até as quartas. Convém não duvidar da holandesa, que foi vice em 's-Hertogenbosch e só perdeu para a campeã Pliskova em Eastbourne. Depois do problema de saúde em Roland Garros, Bertens deve estar com mais fome do que nunca em Wimbledon.

Naomi Osaka: um desafio chamado Osaka

Naomi Osaka, cabeça 2, ganhou um quadrante menos agressivo. Os principais nomes de sua seção são Simona Halep, Aryna Sabalenka, Caroline Wozniacki, Madison Keys, Caroline Garcia, Sofia Kenin e Madison Keys. Na grama, está longe de ser o pior dos cenários. "Ah, mas a estreia é contra a Putintseva, que derrotou a Osaka em Birmingham." Verdade, e isso me leva, junto com outros elementos, à seguinte conclusão: a principal dificuldade na chave de Naomi Osaka se chama Naomi Osaka.

Desde o título no Australian Open, a japonesa só venceu três jogos seguidos em Madri, onde parou nas quartas. A ex-número 1 não foi sombra da tenista que venceu dois slams. Aliás, o fato de ela somar dois títulos de slam e não estar no topo do ranking diz muito sobre sua inconsistência no circuito. E é isso que joga contra suas expectativas no All England Club – muito mais do que os obstáculos da chave.

A briga pelo número 1

Cinco tenistas podem sair de Wimbledon como número 1 do mundo. A atual líder, Ashleigh Barty, precisa ser campeã para não depender de outros resultados, mas pode continuar no topo até mesmo com uma derrota na primeira rodada (para isso, precisaria de uma combinação de resultados).

As outras tenistas com chance são Naomi Osaka, Karolina Pliskova, Kiki Bertens e Petra Kvitova.

A brasileira

O Brasil volta a contar com Bia Haddad Maia na chave principal de um slam. A paulista, que recentemente anunciou sua ausência dos Jogos Pan-Americanos de Lima (vai dar preferência a seu ranking pessoal e seguir no circuito), furou o quali do slam britânico e estará entre as 128.

O problema é que o sorteio não foi muito amigável. Bia vai estrear contra Garbiñe Muguruza, que tem no currículo um título de Wimbledon e é uma das expoentes do "Grupo da Morte". É bem verdade que a fase recente de Muguruza não diz muito, mas o confronto anterior não traz boas lembranças para a brasileira. Garbiñe venceu por 6/0 e 6/0 em Cincinnati/2017.

As casas de apostas pagam, em média, 3,25 para uma vitória da brasileira (US$ 3,25 para cada dólar apostado) e 1,42 para um triunfo da espanhola. Caso consiga a zebra, Bia vai encarar Dart ou Mchale na segunda rodada e, possivelmente, Barty na terceira fase.

Os melhores jogos nos primeiros dias

Não falta atrativo na primeira rodada do torneio feminino de Wimbledon. Começando pela metade de baixo, sugiro Hsieh x Ostapenko, Cornet x Azarenka, Venus x Gauff, Rybarikova x Sabalenka e Osaka x Putintseva. Na chave de cima, que começa a ser disputada na terça-feira, anotei aqui Bia x Muguruza, Pavlyuchenkova x Bencic, Sharapova x Parmentier e Suárez Navarro x Stosur.

Onde ver

Os direitos de transmissão de TV para o Brasil são exclusivos do SporTV, que até o ano passado apenas reproduzia o sinal mundial, o que significa poucas partidas por dia.

Uma opção alternativa – e com câmeras em todas as quadras – é a transmissão de casas de apostas como a bet365. Quem tem conta ativa pode escolher o que ver por lá.

O dinheiro

O prêmio total distribuído pelo torneio é de £ 38 milhões (Cerca de R$ 185 milhões). Os campeões de simples faturam £ 2.350.000 cada. Os perdedores de primeira rodada levam para casa £ 45 mil. Confira mais números aqui.

Nas casas de apostas

Ash Barty, número 1 do mundo, lidera as cotações. Dá para entender porque a australiana não só vem de título em Roland Garros, mas emendou levantando o troféu na grama de Birmingham. A posição de Pliskova também é compreensível, tanto por seu potencial quanto pela chave amistosa. Kerber, atual campeã, e Serena, vice, logo atrás, compõem um cenário em que tudo faz sentido – inclusive Kvitova na quinta "posição".

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Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.