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Saque e Voleio

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Impecável, Nadal acaba com sonho de Tsitsipas e vai à final do Australian Open

Alexandre Cossenza

24/01/2019 08h32

Do começo ao fim, Rafael Nadal foi irretocável nesta quita-feira, nas semifinais do Australian Open. Diante do grego Stefanos Tsitsipas, algoz de Roger Federer no torneio, o espanhol sacou brilhantemente, foi preciso do fundo de quadra e subiu à rede majestosamente. O #2 do mundo criou um labirinto tático e técnico do qual o jovem de 20 anos não conseguiu sair e anotou uma vitória incontestável por 6/2, 6/4 e 6/0.

A decisão será contra o vencedor do jogo entre o favoritíssimo Novak Djokovic, número 1 do mundo, e o francês Lucas Pouille, 31º do ranking. O azarão vem de duas belas vitórias. Nas oitavas, eliminou o croata Borna Coric, #12, por 6/7(4), 6/4, 7/5 e 7/6(2). Nas quartas, bateu o canadense Milos Raonic, #17, por 7/6(4), 6/3, 6/7(2) e 6/4. Djokovic e Pouille duelam nesta sexta-feira, na sessão noturna da Rod Laver Arena (manhã de sexta no Brasil).

Ao longo da 1h46min de jogo, Nadal compilou números impressionantes. Encaixou 66% de primeiro serviço e venceu 85% dos pontos com o fundamento; triunfou em 71% dos pontos com o segundo serviço; fez mais winners do que o adversário (28 a 17); e cometeu menos erros não forcados do que Tsitsipas (14 a 22). Do começo ao fim, o grego foi incapaz de encontrar um plano de jogo que funcionasse consistentemente contra o favorito.

Nos games de devolução, o #15 sofreu mais ainda. Ao longo dos três sets, conseguiu vencer apenas 12 pontos no saque do favorito. Além disso, quando precisou de seu segundo serviço, Tsitsipas fez muito pouco: ganhou só 30% dos pontos. A diferença foi muito grande.

Como aconteceu

Rafael Nadal abriu vantagem rapidamente. Já no terceiro game, mostrou suas armas com uma devolução vencedora de bachkand na cruzada, um forehand indefensável e uma paralela de backhand. O número 2 do mundo não só quebrou o saque do grego como confirmou seu serviço sem perder pontos nos dois games seguintes. Tsitsipas ainda vacilou no sétimo game ao cometer duas duplas faltas seguidas. Nadal aproveitou e ganhou os dois pontos seguintes para abrir 5/2. Sem dar chances ao rival, fechou o set logo depois.

Tsitsipas voltou para o segundo set sacando muito melhor. Até a metade da parcial, tinha 90% de aproveitamento de primeiro serviço. Foi assim, aliás, com ótimos saques e um par de excelentes voleios, que escapou de um 0/40 no quinto game. O grego, porém, seguia sem ameaçar os games do #2 do mundo e, consequentemente, sem margem para erros. No nono game, depois de dois erros não forçados, Tsitsipas precisou encarar mais duas chances de quebra. Salvou o primeiro com um belo ponto. No segundo, porém, tentou saque-e-voleio, mas Nadal devolveu uma ótima bola baixa. O bate-pronto do grego ficou na rede, e o espanhol, de novo, foi implacável. Quebrou e fez 6/4.

Taticamente, ficava clara a vantagem de Nadal quando explorava o backhand de Tsitsipas. Com muito top spin, o espanhol buscava empurrar o adversário para trás até dar o bote, fosse com um backhand na paralela, pegando o grego no contrapé, ou com um forehand de dentro para fora, aproveitando o espaço deixado por Tsitsipas para proteger sua esquerda. Foi assim que o #2 do mundo anotou mais uma quebra no primeiro game do terceiro set.

No terceiro game, mais uma aula de tênis. Três pontos seguidos deram a dimensão exata do labirinto tático e técnico em que o grego se encontrava. Primeiro, Nadal disparou uma devolução vencedora de forehand a mais de 150 km/h. Depois, executou um lob com top spin – de backhand – e conquistou outro break point. Sem vacilar, chegou a mais uma quebra com um smash indefensável disparado do fundo de quadra. Tsitsipas não encontrou a saída.

Sobre o autor

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais.
Contato: ac@cossenza.org

Sobre o blog

Se é sobre tênis, aparece aqui. Entrevistas, análises, curiosidades, crônicas e críticas. Às vezes fiscal, às vezes corneta, dependendo do dia, do assunto e de quem lê. Sempre crítico e autêntico, doa a quem doer.